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AGOSTO / SETEMBRO DE 2018 - ANO 17 - Nº 105

DEBATE

CBR18

Unindo o ensino, a gestão e resgatando o social

A Inteligência Artificial substituirá os médicos?

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tema tem provocado muita polêmica, gerado dúvidas e questionamentos quando aplicado à medicina. Será que esses programas serão capazes, no futuro, de fazer diagnósticos e recomendar tratamentos melhor que os próprios médicos? Se isso for verdade, será que os médicos serão substituídos inteiramente por softwares desse tipo? É possível, ainda, que essa tecnologia venha a ter um potencial realmente inovador, que torne a medicina mais perfeita, principalmente quanto a diminuição de erros humanos? Essas questões foram extraídas de um artigo do prof. Renato M.E. Sabbatini, um dos educadores e pesquisadores mais respeitados internacionalmente na área de tecnologia da informação e comunicação aplicadas à Medicina. São muito oportunas, no momento Prof. Renato M.E. em que a imaSabbatini gem diagnóstica começa a viver estes desafios, com todo arsenal tecnológico que possui e a necessidade de reduzir seus custos. Em nossas edições anteriores temos pautado o assunto com especialistas e consultores, com o objetivo de levar a melhor informação possível e promover o entendimento. Hoje colocamos as dúvidas para gerar o debate. Reconhece o prof. Sabbatini “... que estamos entrando no limiar de uma nova era da computação cognitiva, ou seja, que funciona artificialmente como o intelecto humano avançado. Essas são dúvidas muito importantes, cuja resposta poderá anunciar uma revolução completa, uma disrupção talvez traumática, talvez benéfica, para o modelo atual da medicina”. Mas, ele lembra que “uma coisa é ter softwares de IA poderosos, capazes até mesmo de sobrepujar as habilidades e conhecimentos de médicos experientes e outra é conseguir utilizá-los rotineiramente em hospitais, clínicas e consultórios, em situações onde eles realmente poderiam ajudar.”Mais informações sobre o artigo no site: http://renato.sabbatini. com ou renato@sabbatini.com (LCA)

Nota da redação Comentários e análises encaminhar para www.interacaodiagnostica.com.br

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m um novo local, no Rio de Janiro, com muito mais conforto, segurança e acesso, o 47º Congresso Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem entra na sua fase decisiva e mostra que o evento é uma grande oportunidade de atualização, com temas de interesse para a Radiologia brasileira e para as empresas do setor. O evento, que se inicia no dia 11 de outubro, no Windsor Convention Center, na Barra, marcará também a eleição da nova diretoria do CBR, com chapa única, encabeçada pelo dr. Alair

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Moreira Santos, do Rio de Janeiro, que terá o desafio de dar continuidade a projetos que estão sendo implantados pela diretoria que sai, presidida pelo dr Manoel de Sousa Rocha. Projetos centrados em objetivos bem definidos, como o dr. Manoel Rocha adianta em entrevista concedida ao ID (pag. 6), que vem para aprimorar a gestão, o conteúdo e principalmente a qualidade do que se oferece ao médico da área da imagem. Parceria de conteúdo com Sociedade Europeia de Radiologia, Curso de Gestão com a FIA-USP, são alguns dos assuntos abordados. Confira.

Novo fármaco produzido no InRad amplia luta contra o Câncer

Instituto de Radiologia do HCFMUSP – InRad comemora uma importante conquista para a instituição com o anúncio do registro de mais um fármaco no seu portfólio, o Fluoreto de Sódio, primeiro no país concedido pela ANVISA. O Fluoreto de Sódio, é mais um radiofármaco usado pela Medicina Nuclear na luta contra o câncer e pode substituir no estadiamento de alguns tipos de cânceres a cintilografia óssea, que é muito utilizada para diagnóstico de metástase

óssea. Há quase 10 anos em funcionamento no Centro de Medicina Nuclear, o Centro de

Produção de Radiofármacos (CINRAD) é a primeira unidade de produção de radiofármacos instalada em um hospital público no País. Nesta edição trazemos uma entrevista da dra. Miriam Okamoto, diretora administrativa do Centro de Medicina Nuclear o InRad HCFMUSP, que enfatiza a importância do registro desse novo fármaco e fala também sobre todo o desenvolvimento do Projeto do Cíclotron, que coloca o Complexo HCFMUSP nesse projeto vanguarda, no formato de parceria público privada. Pag. 8

SERVIÇOS

Vivenciando o mercado

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área do diagnóstico no País. vive um grande paradoxo. De um lado as restrições que a economia brasileira está vivendo, o dólar, custos, contenção e de outro, o grande atrativo tecnológico que está disponível e que se torna cada vez mais imprescindível na rotina dos serviços. Proliferam os eventos de gestão, as discussões econômicas, os planos de saúde e o enxugamento de empresas, modificações nas estruturas. Atento a isso, o ID trás diversos temas e noticias com executivos de empresas, como Nelson Ozassa, da Samsung, falando sobre “Internet das Coisas”, que podem ajudar no dia a dia de gestores, engenheiros clínicos e médicos. Pag. 11

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om a parceria de centros de referência no País trazemos, nesta edição artigos e relatos de casos que podem ser de grande utilidade no dia a dia das clinicas. Aberto a participação de serviços interessados, que queiram divulgar pesquisas e trabalhos, o Caderno Application traz nesta edição, quatro temas de muito interesse. Abre o conteúdo com trabalho da dra. Linei Augusta B. Dellê Urban (foto), Responsável pelo Setor de Mama da Clínica DAPI, que exerce também a coordenação da Comissão Nacional de Mamografia do CBR. Veja também, Estadiamento do Câncer de Pul-

mão; Doenças Hepáticas difusas: o que todo radiologista precisa saber; Drenagem percutânea de abcesso peri-prótese aorto ilíaca. Confira.


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EDITORIAL Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

Da sala de laudos aos arquivos na nuvem, um longo percurso nestes 40 anos Em agosto de 1978, começava uma nova era para a área de Radiologia.

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m grupo de idealistas, tendo a frente duas personalidades, assumiu a Sociedade Paulista de Radiologia com planos ambiciosos. Refiro-me a Sidney de Souza Almeida e o seu mentor, prof. Feres Secaf, que deflagraram todo um programa de valorização da especialidade, da entidade e dos médicos que atuam na área. O primeiro passo foi criar um jornal e, para tanto, se socorreram da Associação Paulista de Medicina, que já possuía seu veículo, editado por mim e pela minha equipe da hora. E, esse jornal já surgiu ambicioso. Da Radiologia passou-se à Imagem, e algumas personalidades foram convidadas a se integrar ao projeto, no caso, os dr. Luiz Karpovas, dr. Nestor de Barros, dr. Antonio Cavalcanti e o dr. Marcelo de Almeida Toledo, o primeiro editor, um intelectual da especialidade. Na visão de quem esteve lá, esse momento se transformou num divisor de águas. As barreiras e a informalidade foram quebradas, a valorização dos Clubes Roentgen e Manoel de Abreu, o início da profissionalização da SPR, as reuniões das quartas feiras se tornaram obrigatórias, criando-se um compromisso de trabalho para todos os envolvidos e a sistematização da JPR. As empresas da área da imagem, que ainda engatinhavam em termos de estrutura no Brasil, logo se identificaram com o projeto, e ações de parceria começaram a tomar um formato, o que deu sustentação para a instituição. O gratificante, passados estes 40 anos de criação do Jornal da Imagem – e acho que até daria uma bela tese de comunicação institucional – foi observar a evolução da entidade, dos especialistas e de toda a comunidade. Uma nova era para a Radiologia que, aos poucos evoluiu para Diagnóstico por Imagem,

com vários braços, ou áreas e atuação. Rápidas pinceladas nesse quadro de sucesso, que foi a evolução da especialidade, mostram que esta decisão promoveu uma movimentação sem precedentes em todo o

País. Os relacionamentos foram se estreitando e aos poucos, toda comunidade se integrou. Um registro especial ao trabalho dos presidentes que sucederam a Sidney de Souza Almeida e, cada um ao seu modo, colocou uma pedrinha nesse grande

edifício que é a Sociedade Paulista de Radiologia. Hoje, internacionalizada, com seus membros ativos em sociedades internacionais, tanto da Europa como dos Estados Unidos, mantém o seu veículo impresso, mas circulando na nuvem com eficiência, qualidade e regularidade, também. O próprio Colégio Brasileiro de Radiologia sentiu os benefícios dessas mudanças. Transformou-se e se adequou aos novos tempos, fazendo uma integração nacional muito forte, a valorização, o título de especialista, os programas de qualidade, reposicionando a especialidade dentro do leque da Associação Médica Brasileira. Acompanhar essa evolução, com a Radiologia saindo do subsolo dos hospitais, com a participação efetiva e até de liderança na equipe multidisciplinar, a chegada da intervenção, a imagem digital, o laudo à distância, a informação arquivada na nuvem e, no momento, com a chegada Inteligência Artificial, foi um privilégio. Se hoje as grandes escolas possuem estruturas de ensino para a imagem, se a produção científica brasileira é respeitada e reconhecida em todo o mundo, a pedra fundamental foi lançada em 1978. Dar nomes é sempre muito arriscado, portanto, nesse momento em que nos associamos às comemorações dos 40 anos do Jornal da Imagem me vejo como um oráculo, que ao longo dessas quatro décadas acompanhou muito de perto a evolução de gerações, novos caminhos e novas lideranças. Mas, faço um registro especial a algumas figuras muito importantes em todo o processo, em especial da comunicação e divulgação: Sidney de Souza Almeida, Luiz Karpovas, Aldemir Humberto Soares, que dirigiram o informativo, com equilíbrio, ponderação e visão de futuro. Por tudo, até pelo ID Interação Diagnóstica, que é produto de toda esta história, fazemos dessa comemoração, a nossa comemoração de 40 anos trabalhando na especialidade.

REGISTRO

Eleição no CBR será por aclamação

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om o encerramento das inscrições, o processo eleitoral no Colégio Brasileiro de Radiologia terá apenas uma chapa concorrente. Dessa forma, a eleição para sucessão do prof. Manoel de Souza Rocha se dará por aclamação, durante a Assembléia Geral da entidade, no Congresso Brasileiro de Radiologia. A chapa única é encabeçada pelo dr. Alair Augusto Moreira dos Santos, do Rio de Janeiro, que já faz parte da atual diretoria é professor da Universidade Federal Fluminense, e tem tido intensa atuação no meio associativo, tendo sido presidente da Sociedade de Radiologia do Rio de Janeiro e atualmente representando a região, na entidade. É um reconhecimento ao trabalho realizado nos últimos dois anos. O dr. Alair Moreira dos Santos terá como membros, Alexandra Maria Monteiro Grisolia, primeiro secretário; dr. Maria de Fatima Viana Vasco Aragão, com segundo secretário; Valdair Francisco Muglia, diretor científico, e os vice presidentes, Rubens Prado Schwartz (SP), Leonardo Kayat (RJ), Juliana Tapajós (Norte); Helio Vieira Braga (Nordeste); Dante Escuissato (Sul); Carlos Alberto Ximenes, (Centro Oeste); Rogerio Pedreschi Caldana, primeiro tesoureiro; Rubens Chojniak, segundo tesoureiro; Cibele Alves de Carvalho, diretora de defesa profissional; Conrado Cavalcanti, diretor cultural e Hilton Muniz Leão, diretor de comunicações. A nova diretoria será empossada no início de 2019.

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SOBRICE elege sua nova diretoria

caba de ser eleita a nova diretoria da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular – SOBRICE, para o biênio 2019-2020, que será presidida pelo dr. Marcos Roberto de Menezes. A eleição ocorreu durante o 21º congresso da SOBRICE, em São Paulo, e a nova diretoria está constituída pelos seguintes membros: Marcos Roberto de Menezes, na presidência; Joaquim Maurício da Motta Leal Filho, como vice; Rafael Noronha Cavalcante, secretário; Gustavo Henrique Vieira de Andrade, tesoureiro; Eduardo Ferreira Medronha, diretor científico; Charles Edouard Zurstrassen, diretor de eventos; Luiz Sérgio Pereira Grillo Jr.; diretor de defesa profissional; Lucas Moretti Monsignore, diretor de TI e Denis Szejnfeld, diretor de certificação/educação. Logo após a eleição, o presidente eleito falou ao jornal ID Interação Diagnóstica, analisando o crescimento e valorização da entidade que “cada vez mais a SOBRICE está se fortale-

cendo e se organizando como uma entidade bem representativa, e já vem trilhando um caminho de melhor estruturação, devido ao trabalho de todas as pessoas envolvidas e das diretorias anteriores. Desde a última gestão, esse grupo tem procurado cada vez mais, não se focar so-

mente no evento, mas em tudo que representa a sociedade, como uma melhor estruturação, tanto do ponto de vista de atualização de valores de procedimentos, como na cobertura de novos procedimentos, seja pelas seguradoras ou pelo SUS”, destacou. AGO / SET 2018 nº 105

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O BIMESTRE Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

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ão Paulo – Prêmio Octavio Frias de Oliveira: ICESP revela os vencedores – Em cerimônia realizada na noite de 06 de agosto, no teatro da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp), divulgou os nomes dos vencedores do IX Prêmio Octavio Frias de Oliveira. O oncologista pediátrico Sérgio Petrilli, superintendente médico e fundador do GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), foi o vencedor na categoria Personalidade de Destaque em Oncologia, pela sua trajetória e trabalho relevante prestado na instituição em benefício das crianças e adolescentes com câncer. Formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professor titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Sergio Petrilli está a frente dessa instituição desde 1991. O GRAAC possui um hospital referência em oncologia pediátrica, que oferece tratamento de excelência, principalmente em casos de alta complexidade a pacientes de todo o PAÍS e também atua na formação e treinamento de profissionais de saúde e no desenvolvimento de pesquisas sobre o câncer infantil. Na categoria: Pesquisa em Oncologia, o prêmio foi para um estudo da Universidade de São Paulo, coordenado por Claudiana Lameu, professora de bioquímica da USP, no qual a equipe de pesquisadores testou o uso de um corante alimentício como forma de impedir o avanço de um tipo de câncer que atinge principalmente crianças. Já o vencedor da categoria Inovação Tecnológica em Oncologia foi dado a Marcos Tadeu dos Santos, da Startup Onkos Diagnósticos Moleculares, que em parceria com o Grupo Fleury, o Hospital de Câncer de Barretos e a Universidade Federal do Maranhão, desenvolveu um exame que investiga, com ajuda de Inteligência Artificial, a origem de um tumor que se espalha pelo organismo. Para cada categoria, a premiação é de R$ 20 mil. A escolha dos vencedores foi feita por uma Comissão Julgadora formada por cientistas de destaque e membros da sociedade comprometidos com o tema.

* DO LEITOR

ão Paulo – Ultrassonografia tem um novo livre docente – O médico Waldemar Naves do Amaral submeteu-se a concurso na Faculdade de Medicina da USP e obteve o título de Professor Livre-Docente, junto ao Departamento de Radiologia e Oncologia, com a aprovação o trabalho intitulado: Anomalia Fetal do Sistema Nervoso Central: Diagnóstico Ultrassonográfico e Evolução Perinatal. A banca de examinadores foi constituída pelos professores: Giovanni Guido Cerri, presidente; Hilton Augusto Koch; Francisco Mauad Filho e Ayrton Roberto Pastore. O autor definiu como principal objetivo do trabalho “ avaliar a importância do diagnóstico ultrassonográfico das anomalias do sistema nervoso central e prognóstico da evolução intrauterina e perinatal. As anomalias congênitas podem ser definidas como sendo alterações estruturais ou funcionais, que ocorrem durante o de-

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anbury, EUA – Hologic interage com especialistas brasileiras – Grupo de especialistas brasileiras, constituído pela Dra. Flora Finguerman (DASA-SP), Dra. Ana Claudia Racy (Hospital Albert Einstein-SP), Dra. Giselle Guedes-Netto Mello (Fleury-SP) e Dra. Maria Helena Louveira (Hospital das Clínicas/CETAC-PR), participaram da segunda edição do Latam Users Meeting, promovido pela Hologic. O evento foi realizado em sua Unidade sediada em Danbury, Connecticut, ocasião em que conheceram todo o processo de criação e desenvolvimento dos produtos da linha de Mama. A visita compreendeu um tour pela planta onde são produzidos os sistemas Selenia Dimensions, 3Dimensions, Affirm Prone Biopsy System, entre outros produtos do portfólio da companhia. Além de poder conhecer mais sobre as últimas novidades da Hologic para o mercado de mama, tiveram a oportunidade de interagir também com algumas referências locais, como

senvolvimento embrionário ou fetal”, lembrou o autor. O dr. Waldemar Naves, que foi presidente da Sociedade Brasileira de Ultrassonografia, radicado em Goiás, tem uma intensa atuação na área de ultrassonografia, em gineco-obtetricia e na área do ensino. a Dra. Regina Hooley (YALE) e Dr. David Gruen (Stamford Hospital) que passaram a tarde com o grupo e compartilharam um pouco da sua experiência na especialidade de mama. Outro ponto forte da visita, foi a apresentação de um dos responsáveis pelo desenvolvimento da revolucionária tecnologia de Tomossíntese, e os especialistas puderam entender melhor o processo e testes pelo qual a Hologic passou até chegar à tecnologia atual, reconhecida e comprovada por especialistas do mundo inteiro. “O objetivo da visita à nossa fábrica nos Estados Unidos é compartilhar um pouco da cultura Hologic com nossos clientes da região. Lá eles têm a oportunidade de interagir com diversos líderes da nossa companhia, conhecer nossos processos de desenvolvimento, produção, qualidade e principalmente conhecer os detalhes de uma empresa que trabalha diariamente para melhorar a qualidade de vida das mulheres de todo o mundo. É uma experiência muito especial e o feedback de nossos clientes, muito positivo”, afirma André Danielski – Especialista de Marketing da Hologic.

Exame de proficiência médica

O médico radiologista, Luiz de Mello e Souza, com uma história de trabalho em grandes instituições de São Paulo, hoje radicado em Petrópolis, Rio de Janeiro, encaminhou ao ID Interação Diagnóstica carta com uma análise sobre artigo publicado em nossa última edição, “Exame de proficiência para médico: separação do joio e do trigo”, de autoria da dra. Sandra Franco, jurista, presidente da Academia Brasileira de Direito Médico e da Saúde. “Li, com interesse, as opiniões da Dra. Sandra Franco, (ID, n° 104, JUN/JUL 2018, pag. 8) sobre exame para médicos e gostaria de acrescentar opiniões e comentários: Primeiro: Sempre fui favorável a haver um exame similar ao da OAB. A legislação cria entraves e impede que reprovados no exame tenham qualquer restrição ao exercício profissional. Pelo projeto de lei 165/2017 isso pode mudar e é muito bom. O exame feito por várias vezes, ao longo do curso é melhor ainda, dificultando “cursinhos” e aprendizado “só para passar”. Segundo: O exame avalia (e sempre de modo limitado) o que o indivíduo sabe. Não avalia a personalidade, as características morais, psicológicas e outras, tão importantes quanto o conhecimento puro para o bom exercício da medicina. E, com frequência, vemos na imprensa leiga, ocasiões em que médicos agiram de modo moralmente incorreto. E sei de ocasiões que não foram noticiadas, mas também foram de comportamento indigno. Terceiro: O artigo menciona que 80% dos recém-formados não souberam interpretar uma radiografia. É preciso deixar claro que interpretar imagens é para o radiologista, nunca para o clínico ou cirurgião. Há incontáveis histórias de médicos não radiologistas, falhando na interpretação de imagens. Poderia contar várias, mas alongaria estes comentários. Procure o Edson Marchiori (prof. da UFRJ, um dos grandes nomes na radiologia pulmonar) que ele descreverá muitas ocasiões em que não especialistas falharam grosseiramente ao interpretar imagens. Quarto:

Nada contra abertura de novas escolas de medicina desde que: a) Antes da escola médica tenha havido a formatura de duas ou mais turmas de atividades paramédicas: enfermagem, bioquímica, técnico em anatomia patológica operação de equipamentos de imagem, biomedicina, farmácia etc. b) Haja um hospital exclusivo para essa escola, com 200 ou mais leitos e capacitado/aprovado para residência em 5 especialidades, duas clínicas, duas cirúrgicas, outra de métodos médicos auxiliares (radiologia, patologia, anatomia patológica, medicina legal, medicina do trabalho, etc). Não adianta formar médicos se não se formarem especialistas e profissionais de técnicas paramédicas ou auxiliares.

Estou à disposição para mais detalhes. Estas ideias podem ser publicadas, se convier, e por favor encaminhe à Dra. Sandra. Gostaria de saber se ela aprova ou discorda. E receba meus efusivos cumprimentos pelos 17 anos da Interação Diagnóstica. Continue assim. NR. Agradecemos as suas sugestões e encaminharemos para a dra. Sandra Franco.

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DEBATE * Por Sandra Franco (SP)

Regulamentar ou proteger a saúde suplementar: qual a função da ANS? As incertezas, o descaso e a judicialização no cotidiano da saúde no Brasil já viraram rotina. Mais um capítulo que demonstra a grave crise no setor traz a infeliz declaração do atual presidente da Agência Nacional de Saúde (ANS), Rodrigo Aguiar, ao declarar na mídia que “A ANS foi criada para proteger o sistema de saúde suplementar. Obviamente, na nossa regulação, a gente considera a vulnerabilidade do consumidor, mas a gente não é um órgão de defesa do consumidor”. Por si só, essa afirmação demonstra a falta de equilíbrio na balança de quem faz a gestão da saúde no país. Até porque proteger o setor de saúde suplementar e os planos de saúde não pode significar uma verdadeira cruzada contra os pacientes.

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os últimos dias foram uma série de notícias que deixaram os clientes de planos de saúde estarrecidos. A ANS publicou a regra em que os novos contratos de convênios médicos adotarão franquia e coparticipação – quando o cliente arca com uma parte dos custos do procedimento toda vez que usa o plano de saúde, com limites de 40% para exames e consultas. Este limite poderia chegar a 60% nos planos empresariais que fechassem acordo com os trabalhadores. Entretanto, menos de 20 dias depois de publicada, tal norma foi suspensa pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, após um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Trata-se de uma decisão em caráter liminar, cabe recurso da ANS e o caso ainda será será examinado pelo ministro relator do caso, Celso de Mello, e, provavelmente discutido no Plenário da Corte Suprema, a partir de agosto, quando terminar o recesso do Judiciário. No último dia 30 de julho, após intensa pressão popular, a ANS decidiu revogar a resolução que estabelecia coparticipação e de franquias dos consumidores nas despesas médicas e hospitalares. A Agência disse que irá reabrir a discussão com a sociedade. Sem dúvidas, a decisão do STF teve um peso enorme nesta decisão repentina da ANS. O que mais chamou atenção na decisão da ministra Cármem Lúcia é que ela foi veemente em frisar que: “Saúde não é mercadoria. Vida não é negócio. Dignidade não é lucro. Direitos conquistados não podem ser retrocedidos sequer instabilizados, como pretendeu demonstrar a entidade autora (OAB) da presente arguição de descumprimento de preceito fundamental”. Esses últimos capítulos deixam claro que a saúde suplementar no Brasil precisa ser revista. Como bem disse também a ministra presidente do STF, essa regulamentação deveria ser discutida no Legislativo, com uma participação popular, como recomenda a Constituição. E não ser editada tecnicamente pela agência que, como disse seu presidente, não representa o consumidor. Precisamos mudar o rumo. O plano de saúde está se tornando artigo de luxo para as famílias brasileiras. Os recentes e sucessivos reajustes anunciados pela ANS, que são palco de batalhas nos tribunais federais, estão fazendo com que milhares de pessoas deixem de pagar e, sucessivamente, se desfiliar do plano de saúde, por falta de possibilidade financeira de arcar com os custos elevados das mensalidades.

Entretanto, utilizar o bolso do paciente para mudar esse cenário é o melhor caminho? Obviamente que não, pois muitos estão abrindo mão da proteção da saúde pelos altos gastos mensais. Deve-se relembrar que os usuários já sofrem com a ausência de planos de saúde individuais, estando obrigados à contratação de planos coletivos, estratégia que as operadoras criaram para não ter de conceder aumentos segundo os percentuais

determinados pela ANS. É preciso criar regras flexíveis que auxiliem os trabalhadores e pacientes brasileiros a utilizarem os planos de saúde de forma mais fácil e acessível. A saúde é uma das prioridades dos brasileiros, mas muitos estão abrindo mão desta proteção por não terem condição de incluir no seu orçamento familiar. A discussão deve ser feita de forma mais transparente com a sociedade e com os

profissionais do setor para se encontrar um melhor caminho, urgentemente. *Sandra Franco é consultora jurídica especializada em Direito Médico e da Saúde, presidente da Comissão de Direito da Saúde e Responsabilidade Médico-Hospitalar da OAB de São José dos Campos (SP), presidente da Academia Brasileira de Direito Médico e da Saúde, membro do Comitê de Ética da UNESP para pesquisa em seres humanos. drasandra@sfranconsultoria.com.br

Nota da redação O ID Interação Diagnóstico está aberto a receber colaborações, com temas de interesse dos nossos leitores da área médica, em especial da área da radiologia e diagnóstico por imagem. Essa área inclui os métodos de imagem e suas áreas de atuação. Oncologia, Radioterapia e Medicina Nuclear também podem ser incluídos nesse por sua proximidade e pelo papel multidisciplinar que a especialidade vem exercendo cada vez mais. Os artigos assinados são da responsabilidade dos autores.

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QUALIDADE Por Luiz Carlos de Almeida e Valeria de Souza (SP)

CBR e FIA-USP: parceria gera um MBA em Gestão de Medicina Diagnóstica Quando o 47º Congresso Brasileiro de Radiologia se iniciar em 11 de outubro, no Windsor Convention & Expo Center, Rio de Janeiro, a especialidade poderá comemorar algumas conquistas e os resultados de muito trabalho nestes dois anos da gestão do dr. Manoel de Souza Rocha a frente da entidade.

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lém de avanços na comunicação com o associado, aproximação com entidades governamentais, intensa atuação no trato com os problemas de remuneração, o CBR acaba de firmar parceria com a FIA-USP para o lançamento de um Curso de “MBA em Gestão de Medicina Diagnóstica”. Mas, as boas notícias não ficam por aí, a parceria firmada e que será anunciada nos próximos dias, vai garantir o melhor do Congresso da ESR (European Society of Radiology) no Congresso do CBR, a partir de 2019, em Fortaleza. Em um rápido balanço, o dr. Manoel de Souza Rocha, presidente o CBR adiantou ao ID - Interação Diagnóstica, algumas dessas ações “para tornar o CBR mais próximo do radiologista brasileiro. E esse foi um objetivo que eu espero ter atingido”, enfatizou. O lançamento de uma plataforma de compartilhamento de informações que é o Workplace no CBR, onde aproximadamente 7 mil radiologistas interagem através de perguntas, de apresentação de casos, sugestões e até de críticas, foram tomadas e com retornos positivos. “Na nossa avaliação essa foi uma iniciativa de sucesso do CBR”, destacou . Outro ponto importante desses dois anos, relata o dr. Rocha, foi a aproximação do CBR com algumas entidades governamentais, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária; com a Comissão Nacional de Residência Médica. Contatos muito produtivos, que não aparecem, mas, refletem essa atuação da entidade na defesa profissional e na discussão com a Associação Médica Brasileira, na tentativa de agregar novos procedimentos à tabela de honorários . “Então, essa atuação da área de defesa profissional, liderada pela dra. Cibele Alves de Carvalho, foi muito produtiva, mas é outro ponto que as vezes o associado tem dificuldade de perceber. Outro trabalho constante que o CBR executa nas zonas fronteiriças da nossa atividade médica, como ações judiciais contra cursos em desacordo com a legislação do ato médico, movimenta a Assessoria Jurídica e soluciona conflitos de interesse. Conseguimos algumas vitórias, e as vezes, essas vitórias vem com a supressão do curso, fazendo com que a lei do ato médico seja respeitada. Nós consideramos nosso objetivo atingido e o CBR foi bem atuante”, lembra o prof. Manoel Rocha. “O CBR esse ano completa 70 anos e, no dia 14 de setem-

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bro, quando os associados receberem essa publicação, aqui no ID - Interação Diagnóstica – prossegue o presidente -- vamos marcar essa solenidade. É importante enfatizar que nenhuma gestão é um ser independente e o que foi feito nesses dois anos é a continuidade de muito trabalho das gestões anteriores. Da mesma forma, hoje, existem alguns projetos no CBR que só serão maturados nas próximas gestões”, explica.

MBA em Gestão de Medicina Diagnóstica

ESR e CBR celebram parceria Outra questão que está em maturação e vai ser anunciada, para quem estiver no Congresso Brasileiro de 2018 no Rio de Janeiro, é a formalização de parceria entre o Colégio Brasileiro de Radiologia com a European Society of Radiology “Nós vamos ter o melhor do Congresso Europeu de Radiologia no Congresso do CBR, a partir de 2019, que será em Fortaleza”, anuncia o dr. Manoel Rocha, enfatizando ainda que “é mais um passo para valorizar a qualidade do nosso Evento, e que faz parte de toda essa mobilização para fortalecer a aproximação com o associado; reforçar a ideia de um evento nacional; e que consolide a certeza que o CBR é uma entidade nacional, pois todas as nossas ações têm sido no sentido de levar qualidade a todos os estados. Levamos cursos para Recife, e em Brasília, apoiamos todos os eventos das sociedades estaduais. Fizemos um curso de atualização em março em 17 capitais do Brasil. Então, essa visão nacional do CBR é outro ponto que eu acho importante e distingue a entidade dentro do cenário da radiologia brasileira”.

“Quando os colegas receberem o ID - Interação Diagnóstica, nós já teremos lançado um projeto muito importante que é um MBA da Fundação Instituto de Administração da USP (FIA), em parceria com o Colégio Brasileiro de Radiologia. Um MBA específico em gestão de medicina diagnóstica”, enfatiza o presidente, sem esconder seu otimismo. É um grande avanço para a especialidade, cuja complexidade se amplia com os avanços da tecnologia, e o nível de exigência se sofistica exigindo cada vez mais um preparo específico. O curso terá dois anos de duração com todas as normas preconizadas pelo Ministério da Educação para um título O Congresso no Rio de MBA. “Estamos com uma ótima expecAo destacar o papel do evento do CBR, tativa porque percebemos na comunidade no Rio de Janeiro, e explicar a mudança dos médicos radiologistas um interesse para o novo local, o prof. Manoel Rocha pela gestão, e esse curso seguramente vai Dr. Manoel de Souza Rocha lembrou que “o Congresso Brasileiro de capacitar o profissional a ser um gestor em Radiologia é uma oportunidade excelente de aprendizado e medicina diagnóstica. Não quero ser repetitivo aqui, mas acho de convívio. Isso o distingue dos demais eventos, pois é uma que quem pensa em trabalhar com gestão conhece a FIA. Uma é uma possibilidade de maior acesso aos colegas, sejam eles instituição extremamente respeitada ligada a Universidade de os professores ou os outros congressistas, o que não acontece São Paulo. Todos os rankings colocam a Fundação Instituto de quando vamos para um evento de grande porte. O acesso às Administração como uma das melhores instituições e consepessoas é mais fácil, o contato é direto e por mais que a gente guimos essa parceria”, comemora o presidente. invista em educação a distância, aquela possibilidade de você Segundo dr. Manoel Rocha, o lançamento está mobiliencontrar alguém, de conversar, de trocar ideia e tirar uma zando a cúpula do CBR, que programou um estúdio para o dúvida específica, é bem maior. E, nesse ano de 2018, uma dia 30 de agosto, para abordar esse assunto e o lançamento do outra vantagem para quem for ao congresso, é o fato de dois curso. “A primeira turma se inicia em 2019, o que reforça essa hotéis estarem ligados diretamente ao Centro de Convenções ideia de que nenhuma gestão é independente. Há uma contido Windsor Barra”, conclui. nuidade quando os focos estão voltados na mesma direção”.


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MEDICINA NUCLEAR Por Luiz Carlos de Almeida e Valeria de Souza (SP)

Cíclotron InRad conquista registro inédito na ANVISA Enquanto se prepara para comemorar os 10 anos de instalação, no Centro de Medicina Nuclear, o primeiro do gênero instalado em um hospital público, o Cíiclotron do InRad-HCFMUSP conclui mais uma etapa na sua história e anuncia registro de mais um fármaco, no seu portfólio, o Fluoreto de Sódio, primeiro no país concedido pela ANVISA.

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foi realizado uma parceira com o Hospital m entrevista ao jornal ID InID – Pode falar mais sobre esses radioSírio Libanês, que participou com 50% teração Diagnóstica, a dra. fármacos? neste investimento. Nos Miriam Okamoto, farmacêutiDra. Miriam – Com a primeiros três anos de ca, diretora administrativa do produção do FDG estrufuncionamento do CícloCentro de Medicina Nuclear e turada, o CINRAD avantron, o que o HC econocoordenadora técnica do CINRAD, centro çou na produção outros mizou, por não mais ter de produção de radiofármacos do InRadfármacos. Por exemplo, que adquirir o FDG de -HCFMUSP, faz um balanço desses quase Zircônio é um radioisófornecedores externos já dez anos de atividade e conta sobre a mais topo muito utilizado no retornou o investimento recente conquista da instituição, agora autoexterior, inclusive já em inicial. rizada a produzir e comercializar o fluoreto pacientes clínicos, para De 2010 até 2012 tide sódio, mais um radiofármaco importante identificação de tumores. vemos a fase de aprenna luta contra o câncer. Você marca o anticorpo dizado, de colocar a proID – Há quase dez anos o InRad instalaque tem uma afinidade dução dentro das normas va o primeiro Cíclotron em hospital público por algum tumor com aceitas e exigidas pela no país. O que significou para o Complexo Zircônio. Já conseguimos Agência Nacional de Vigi- Dra. Miriam Okamoto, diretora HCFMUSP, contar com um equipamento produzir amônia, que é lância Sanitária e Comis- administrativa do Centro de Medicina desse porte dentro da sua estrutura? um radiofármaco utilizado são Nacional de Energia Nuclear do InRad Dra. Miriam Okamoto – A decisão do para infarto do miocárdio. Nuclear – CNEN. Então, toda equipe ficou Hospital das Clínicas FMUSP de adquirir Ela substitui com algumas qualidades o em implantar processos de produção e conum acelerador de partículas circular, um antigo MIBI marcado com tecnécio. Tamtrole de qualidade com segurança, tanto Cíclotron, para produção de radiofármacos, bém produzimos e validamos em 2017, o do ponto de vista da ANVISA, quanto da foi tomada em 2007, quando todas as estaFES flúor-estradiol, para câncer de mama. proteção radiológica. tísticas mostravam que estávamos perdendo E agora, finalmente, conseguimos o registro ID – Produção excedente e pesquisa. a guerra contra o câncer. Dados estatísticos do fluoreto de sódio, que pode substituir no Como foi possível conciliar estes interesses? do Instituto Nacional do Câncer – INCA, estadiamento de alguns câncer a cintilografia Dra. Miriam – Além de produzirmos mostravam que a mortalidade por câncer óssea, muito utilizado para diagnóstico de para o consumo do próprio HC: InRad, estava aumentando, bem como, novos casos metástase óssea. Este exame tanto no InRad, InCor e ICESP, havia um excedente do proda doença e, principalmente o custo do tratacomo no ICESP é a maior fila de agendamenduto que poderia ser comercializado para mento dos pacientes com essa patologia. E, to em Medicina Nuclear. manter toda a estrutura do Cíclotron em ao mesmo tempo, observou-se que quando ID – Quais os próximos desafios? funcionamento. Para isso, outra parceria foi o diagnóstico era precoce, além de ter uma Dra. Miriam – Então, vamos complenecessária, firmada com a FURP - Fundação melhora no prognóstico com uma sobrevida tar 10 anos. A desvantagem de fazer uma para o Remédio Popular, que passou a fazer maior para o paciente, era possível econoinstalação grande como essa, é que todos a comercialização do excedente da produção. mizar no tratamento desse paciente. os equipamentos envelhecem de uma vez O recurso adquirido é reinvestido na própria Neste momento, um radiofármaco, só. E essa é uma preocupação real porque unidade com a manutenção da estrutura o FDG, glicose radioativa, que fazia um tudo que está dentro dessa instalação, que instalada, da infraestrutura civil dos labodiagnóstico muito precoce de alguns tipos é o Cíclotron e todos os demais equipamenratórios e dos equipamentos. de câncer e, com isso, conseguia mudar tos vão precisar de renovação para evitar Em 2014, conseguimos o Certificado de completamente o prognóstico de pacientes, a obsolecência. No final deste ano já está Boas Práticas de Fabricação, emitido pela com tratamento mais eficiente, mais rápido programada o upgrade do Cíclotron, para ANVISA e, em 2017, o registro do FDG, e com menor custo abriu novos caminhos que ele possa produzir com maior energia. principal produto comercial. Após a obtenpara a Medicina Nuclear. Atento a essa reIsso vai possibilitar que a produção alidade, o HCFMUSP decidiu de dois isótopos ao mesmo tempo, o que incorporar na sua estrutura um hoje não é possível. Após o upgrade vamos cíclotron para produção deste produzir flúor e carbono simultaneamente, radiofármaco. o que vai aumentar a capacidade produtiva. Assim, com este objetivo, Também já está sendo adquiridas novas o maior hospital da América hotcells e um fracionador. Como tudo é Latina, por meio de parceria altamente radioativo, é necessário que o público-privada, deu início fracionamento das doses para os clientes seja a um projeto de vanguarda: realizado por um robô, que só temos um. construir e desenvolver denPortanto, vai ser comprado um backup para tro do complexo uma unidade esse único fracionador, e também, há uma de pesquisa e de produção previsão para o próximo ano, de uma pequede imagem molecular. Esse na reforma civil para ampliar os laboratórios, centro inovador em pesquisa pois as áreas estão ficando pequenas para a – o CINRAD, foi sendo estru- Um projeto de vanguarda, dentro de uma instituição publica... quantidade de produtos. turado, com independência ID – Qual a sua avaliação do papel do ção desse registro, começou a diversificação e autonomia financeira, desenvolvendo Cíclotron para a comunidade de medicina do portfólio de produtos, uma vez que o Círadiofármacos para projetos de pesquisa e nuclear de São Paulo? clotron também tem o objetivo de manter a pacientes clínicos da instituição. Dra. Miriam – Nós não temos um papel sua missão de desenvolver e produzir novos ID – Quando começaram os trabalhos de fazer uma concorrência agressiva. Nosso marcadores para que pesquisadores possam para implantação do Cíclotron? papel é ser um regulador desse mercado, desenvolver projetos de pesquisa na área de Dra.Miriam – No período de 2006 a pois para os nossos clientes somos um imagem molecular. Ainda neste mesmo ano 2009, foram realizadas as negociações, o fornecedor seguro, principalmente aqueles o centro consegue a produção de dois novos planejamento do layout de todos os laque também compram dos concorrentes, radiofármacos marcados com carbono-11, boratórios e a construção civil de todos têm a certeza que o produto vai chegar. É o PIB, para diagnóstico de Alzheimer, e o os laboratórios e do local para receber e muito difícil falharmos na nossa produção, PK11195 para avaliação de neuroinflamação. instalar o Cíclotron, finalizada em 2010, até mesmo, porque investimos muito na Em 2017, conseguimos produzir o Zircônio quando começou a produção das primeiras manutenção preventiva. Pode até acontecer 89, que é muito utilizado lá fora para mardoses de FDG. É importante ressaltar que um atraso na produção, mas deixar de atencação de anticorpos antimonoclonais, para naquele momento, o Hospital das Clínicas, der a um cliente é muito difícil. Temos uma identificar tumores. não possuía todo o recurso necessário, assim limitação de venda pela FURP e só podemos

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vender para instituições públicas e hospitais filantrópicos. Nosso mercado está concentrado na capital e grande São Paulo. Expandir para o interior de São Paulo, por exemplo, talvez seja um projeto futuro. ID – O FDG ainda é o carro chefe? O fator qualidade tem algum diferencial no produto feito no HC? Dra. Miriam – Sim, o FDG é a nossa maior demanda, pois ainda é o radiofármaco mais utilizado. Sempre perguntamos e queremos saber dos nossos clientes sobre a qualidade da imagem com o nosso produto. Os médicos sempre dizem que tem um diferencial, mas não é na qualidade da imagem, pois os sistemas de produção são muito automatizados e, independente, da opção da marca e o controle de qualidade é bastante rígido e, é difícil que haja alguma diferença no produto propriamente dito. Mas perante a concorrência o nosso diferencial, atribuído pelos clientes, é a segurança na entrega do produto nessa questão logística e estarmos muito mais perto dos clientes, que em sua maioria, se localizam ao redor da Avenida Paulista.

... com benefícios diretos no tratamento dos pacientes com câncer.

ID – E o novo produto, qual a duração dele? Dra. Miriam – O Fluoreto de Sódio tem o mesmo material radioativo do FDG ligado a ele, o flúor, portanto a meia vida dele é de duas horas também. Assim, a nossa organização na produção vai ser muito parecida com a do FDG, será produzido logo após a produção do FDG. Para a entrega, por exemplo, o ICESP, que é um cliente interno com grande demanda, vai receber por volta das 9 horas da manhã. ID – Em termos de avaliação final a chegada desse produto é motivo de comemoração? Dra. Miriam – Sim, é muito importante, porque da forma que a legislação de registro de radiofármaco está hoje, o fluoreto de cálcio, é o outro único produto que conseguiríamos registrar sem necessariamente fazer os testes clínicos fase um, dois, três; então do ponto de vista de registro e dos produtos que podem ser comerciais, nós temos 100%, pois temos a autorização de produção do FDG e do fluoreto de sódio. Assim, atingimos a nossa meta.


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INOVAÇÃO

Nova tecnologia em ultrassom amplia a atuação da especialidade O avanço da tecnologia de ultrassom permite novas aplicações, principalmente, na medicina interna, com reais benefícios aos clientes. As novas tecnologias ampliam as expectativas, a acurácia e com grandes benefícios para o paciente.

N

nografista do Hospital Sírio Libanês, alguns resultados basa JPR´2018, os ”Novos horizontes da UltrasEsclarecem os técnicos da empresa, que “os aparelhos tante interessantes do ultrassom de 24mhz foram observados sonografia” foram o tema de um seminário, de Ultrassom dotados de tecnologia Aplio i-series, tem um no estudo dos nervos superficiais, até então pouco visíveis coordenado pelo dr. Antonio Sergio Marcelino, sistema que é intuitivo, inteligente e inovador, especialmente projetado para fornecer uma excelente precisão clínica devicom a participação dos drs. Marcos Felipe de na ultrassonografia e também na ressonância magnética. do às imagens cristalinas com resolução e penetração aprimoP. Correa, Luciana Zattar e Renato Antonio “Hoje, os detalhes fornecidos pelo ultrassom se apresentam, Sernik, que abordaram os temas Avaliação por vezes, até melhores do que na ressonância dos Nervos Periféricos, Há limites para a magnética. Apesar de serem estudos ainda Ultrassonografia?; Novos insights no ultrasiniciais nessa área dos nervos periféricos, são som dermatológico e a Próxima geração da muito promissores”, explica. Elastografia no Sistema Musculoesquelético, Ainda, segundo o especialista, a riqueza do corpo clínico das instituições que realizam onde a tecnologia tem apresentado grandes os estudos e a grande quantidade de diversiavanços. dade de casos clínicos possibilitou apontar em Para o dr. Antonio Sergio Marcelino, três estudos de Elastografia, com Shear Wave do Hospital Sírio Libanês, o evento ocorreu com o apoio da Canon Medical Systems novas áreas de atuação e benefício aos paciendo Brasil, que, na oportunidade, apresentes, como por exemplo, na disfunção erétil, tou esse novo equipamento, já em uso na nas afecções do sistema musculoesquelético e instituição, “com tecnologia avançada que próstata - aplicação bastante específica. permite vislumbrar as áreas de atuação que De acordo com os pesquisadores, na hisão importantes para novas aplicações dentro perplasia benigna da próstata, a embolização é um dos tratamentos mais efetivos descritos da ultrassonografia moderna, ou seja, exploatualmente e começarem a realizar o exame rar áreas em que o método pode trazer um ganho essencial para os pacientes”. O evento de elastografia pré e pós-embolização para verem os resultados, e tentar triar o tipo de permitiu, também, avaliar de acordo com a paciente que vai obter um resultado efetivo necessidade do serviço e o conhecimento As inovações na área da ultrassonografia ampliam as expectativas diagnosticas, com novas frentes de com o procedimento. Portanto, são várias médico entre as especialidades, quais são trabalho, enfatizou o dr. Antonio Sergio Marcelino, no seminário realizado na JPR’2018 novas aplicações onde o uso dessa tecnologia pontos importantes onde essa tecnologia rada, bem como, um arsenal de ferramentas especializadas avançada traz um ganho muito grande, bem como, nas áreas pode trazer reais benefícios aos clientes”, destacou. que ajudam o médico a obter sua resposta de diagnóstico de medicina interna. E, isso é só o começo, pois além das Pesquisa aplicações gerais, ainda tem o uso do meio de contraste por de forma rápida e confiável, além de proporcionar maior Informou, também, o dr. Marcelino, que esse encontro microbolhas entre outras técnicas já consagradas. produtividade do serviço”. serviu como marco inicial “após a instalação dos primeiros Outra área próspera para estudo é a oncologia, na Alguns exemplos dessas aplicações satisfatórias foram equipamentos em hospitais parceiros, como o HSL, por meio qual alguns objetivos podem ser atingidos com essa nova nas doenças inflamatórias, infecciosas, tumorais, nos proda visita de seus representantes nas unidades para alinhamentecnologia na avaliação das lesões oncológicas superficiais cedimentos estéticos - em suas complicações e, também em to das visões sobre o futuro desta modalidade de diagnóstico essencialmente dermatológicas, de melanoma, as não melaoutras áreas de cirurgia reconstrutiva, como no caso dos e sobre os caminhos da pesquisa e desenvolvimento para a nocísticas, entre outros tumores de pele e, também no diagretalhos cutâneos, ainda dentro dos nervos periféricos, que área. Nesse sentido, foi dado o início da produção de um nóstico, estadiamento e acompanhamento após o tratamento sem dúvida trouxe conhecimentos muito novos referente ao trabalho de pesquisa, que em um ano, conseguiu mostrar para avaliação de linfonodos dos cistos nodais dentro dos uso dessa tecnologia. alguns avanços nas várias aplicações do ultrassom de 24mhz.” segmentos dos tumores malignos da pele. Na avaliação do dr. Antonio Sergio Marcelino, ultrasso-

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AGOSTO / SETEMBRO DE 2018 - ANO 17 - Nº 105

Importância da avaliação da resposta ao tratamento quimioterápico neoadjuvante com Ressonância Magnética Mamária

O

tratamento com quimioterapia neoadjuvante (QTN) para o câncer de mama resposta após o término da quimioterapia, tem como objetivo avaliar a doença residual está aumentando. Tem como objetivo reduzir o tamanho tumoral na tentativa para o planejamento cirúrgico. Quanto aos tipos de resposta observados, as principais de oferecer um tratamento conservador para tumores localmente avançados, são descritas na Tabela 1. assim como avaliar a resposta “in vivo” do tumor e estratificar um grupo de Dentro deste contexto, vários estudos sugerem o emprego da difusão e da espectroscopia na avaliação da resposta tumoral à QTN. Estas técnicas avaliam a resposta pacientes com resposta completa, que apresenta um melhor prognóstico. O metabólica e não apenas o tamanho do tumor. Na espectroscopia, os picos de colina monitoramento adequado dos efeitos da terapia neoadjuvante é importante para avaliar a tendem a reduzir devido à destruição tumoral, diminuindo o número de células o que eficácia da medicação e auxiliar o planejamento cirúrgico. seria o sinal mais precoce de resposta à quimioterapia. Já a difusão avalia a resposta Embora a avaliação da resposta à QTN tenha sido feita tradicionalmente através do exame clínico, da mamografia e da ultrassonografia, o uso da ressonância magnética (RM) tem se mostrado mais efetivo. Isso principalmente porque a RM é capaz de diferenciar a fibrose induzida pela quimioterapia do tumor propriamente dito. Uma metanálise de 44 estudos, publicada em 2013, demonstrou que a RM apresenta alta sensibilidade Figura A na detecção do tumor residual (em Figura E média 88%), porém uma especificidade bastante variável (relacionado a correta identificação da ausência de tumor). Entretanto, apesar dos riscos de subestimação e superestimação, a RM foi mais acurada que o exame clínico, mamografia e ultrassonografia. Outra metanálise, publicada em Figura B 2015, demonstrou dados interessantes. A RM teve uma concordância com os dados da patologia em 64% Figura F dos casos. Em 36%, houve discordância, que variou entre 1 a 7 cm (12% entre 0-1 cm, 10% entre 1-2 cm, 4% entre 2-3 cm, 8% acima de 4 cm). Já a ultrassonografia teve concordância em apenas 44% dos casos, apresentando discordância em 56% deles (17% entre 0-1cm, 22% entre 1-2 cm, 14% entre 2-3 cm e 3% acima de 4cm). Em 10% dos casos a US não Figura C Figura G conseguiu aferir o tamanho do tumor residual, por diversos problemas. A mamografia apresentou concordância com a patologia em 32% dos casos e discordância em 68% (variando entre 1 a 7 cm), assim como não conseguiu medir o tumor residual em 23% das pacientes. Dessa forma, a RM foi superior à mamografia, à ultrassonografia e ao exame clinico, sendo considerado o exame padrão para a avaliação do tumor residual após QTN. Figura H Quanto ao protocolo de estudo Figura D com RM durante a QTN, deve-se enfatizar a importância de ter um Figura 1. Paciente de 36 anos, referindo nódulo palpável na mama direita. Biópsia percutânea revelou carcinoma ductal pouco diferenciado (triplo negativo). Exame de ressonância magnética prévio ao início da quimioterapia demonstrou nódulo (seta) redondo e com necrose central (A: axial T2), apresentando realce anelar pelo conexame de base antes do início do traste (B: axial T1 pós-contraste com saturação), que ocorre de forma precoce (C: MIP do 1º min), com curva tipo III (D: sagital T1 pós-contraste com saturação e curva). tratamento. Com esse exame, é Exame de controle após término da quimioterapia neoadjuvante não demonstra mais a lesão, mesmo após a injeção de contraste (E: axial T2; F: axial T1 pós-contraste com saturação; G: subtração; H: MIP do 1º min). Exame anatomopatológico da peça cirúrgica confirmou a resposta patológica completa. possível avaliar o tipo de lesão e precisar com maior acuracidade o citotóxica à QTN. O tumor inicialmente com uma difusibilidade restrita devido a alta percentual de resposta. Após o início do tratamento, pode-se realizar uma avaliação concentração celular passa a ter uma difusão facilitada em relação ao exame inicial, com precoce (após o primeiro ou segundo ciclo de quimioterapia) ou uma avaliação final maior quantidade de água entre as células tumorais, representando destruição celular. (após o término da quimioterapia). O objetivo do exame precoce é identificar pacientes A inclusão desses critérios aumenta a performance da RM. com boa resposta a QTN ou mudar precocemente o tratamento nas pacientes com resposta ruim, porém pouco utilizado na prática atualmente. Já o exame para avaliação da CONTINUA


Importância da avaliação da resposta ao tratamento quimioterápico neoadjuvante com Ressonância Magnética Mamária

CONCLUSÃO X

Vários fatores podem influenciar a acuracidade da RM na avaliação da resposta a QTN. Dentre os principais podemos destacar: •

Tipo de lesão inicial e respectivo tipo de resposta a QTN: observou-se que lesões “nodulares” geralmente tem resposta concêntrica (com células tumorais apenas no centro do sítio do tumor), apresentando alta precisão da RM. Já as lesões tipo “realce não-nodular” geralmente tem resposta fragmentada (com células tumorais intercaladas com fibrose), com menor precisão da RM; Subtipo molecular do tumor e tipo de resposta a QTN: diferentes subtipos tumorais mostram diferentes tipos de resposta ao tratamento quimioterápico. Os tumores luminais (baixo grau) geralmente têm resposta fragmentada, na qual a precisão da RM é menor. Já os tumores triplos negativos e HER superexpresso (alto grau) geralmente tem resposta concêntrica, na qual a precisão da RM é alta; Tipo de quimioterapia utilizada: pacientes que realizam quimioterapia com taxanos apresentam menor precisão da RM, em comparação com os outros tipos de quimioterápicos. Estudos demonstraram uma subestimação com taxanos de 66% enquanto de apenas 20% nos demais grupos.

Figura E

Figura A

Figura F

Figura B

Figura C Figura G

Em resumo, a maior acuracidade da RM será nas pacientes com uma única lesão nodular no exame de base, com subtipo triplo negativo ou HER superexpresso, que apresentam padrão de resposta concêntrica e realizaram tratamento com não-taxanos (Figura 1). A menor acuracidade da RM será nos casos de múltiplos nódulos ou realce não nodular, com subtipo luminal e padrão de resposta fragmentada, tratada com taxanos (Figura 2).

Figura 2. Paciente de 45 anos, referindo nódulo palpável na mama direita. Biópsia percutânea demonstrou carcinoma ductal moderamente diferenciado (luminal B). Exame prévio ao tratamento demonstrou nódulo irregular com realce heterogêneo (A: axial T1 pós-contraste com saturação; B: MIP do 1º min), apresentando curva tipo III (C: sagital T1 pós-contraste com saturação e curva). Exame de controle após término da quimioterapia neoadjuvante demonstra persistência do nódulo irregular, porém com pequenas áreas de realce predominantemente periférico, compatível com resposta radiológica fragmentada (D: axial T1 pós-contraste com saturação; E: subtração; F: MIP do 7º min; G: sagital T1 pós-contraste com saturação e curva). Exame anatomopatológico da peça cirúrgica confirmou a presença de células neoplásicas no sítio tumoral, porém com discordância no tamanho em relação à ressonância magnética.

Figura D

Referências Tabela 1: Principais tipos de resposta ao tratamento com quimioterapia neoadjuvante na ressonância magnética TIPO DE RESPOSTA DEFINIÇÃO Reposta completa Ausência de realce maior que o parênquima no sítio do tumor, visto na última sequência pós-contraste Resposta parcial concêntrica Realce de uma lesão tumoral no sítio do tumor;

2

Resposta parcial fragmentada

Realce de vários pequenos focos de lesão tumoral no sítio do tumor;

Ausência de resposta

Se as dimensões ou a curva de realce não mudam (ou seja, sem alteração maior de 20% em relação ao exame de base);

Progressão da doença

Se as dimensões ou a curva de realce aumentam (ou seja, aumentam mais do 20% em relação ao exame de base);

AGO / SET 2018 nº 105

1.

Fowler AM, Mankoff DA, Joe BN. Imaging Neoadjuvant Therapy response in Breast Cancer. Radiology. 2017 Nov;285(2):358-375. 2. Marinovich ML et al. Meta-analysis of agreement between MRI and pathologic breast tumour size after neoadjuvant chemotherapy. Br J Cancer. 2013 Sep 17;109(6):1528-36. 3. Marinovich ML et al. Agreement between MRI and pathologic breast tumor size after neoadjuvant chemotherapy, and comparison with alternative tests: individual patient data meta-analysis. BMC Cancer. 2015 Oct 8;15:662. 4. Mukhtar RA et al. Clinically meaningful tumor reduction rates vary by prechemotherapy MRI phenotype and tumor subtype in the I-SPY 1 TRIAL. Ann Surg Oncol. 2013 Nov;20(12):382330. 5. Schrading S, Kuhl CK. Breast Cancer: Influence of Taxanes on Response Assessment with Dynamic Contrast-enhanced MR Imaging. Radiology. 2015 Dec;277(3):687-96.

Autora Linei Augusta Brolini Dellê Urban Médica Radiologista, responsável pelo Setor de mama da Clínica DAPI, Curitiba, Paraná. Coordenadora da Comissão Nacional de Mamografia do Colégio Brasileiro de Radiologia, CBR. Tesoureira da Sociedade Iberoamericana de Imaginologia Mamária, SIBIM.


Estadiamento do câncer de pulmão Introdução O Câncer de pulmão é a neoplasia maligna mais comum no mundo e representa 13% dos novos casos de câncer – totalizando em média 222.500 casos diagnosticados no ano em 2017. Possui a mais alta taxa de mortalidade por câncer padronizada pela idade (26,6 mortes por 100.000 habitantes), visto que é estimado que apenas 15% dos pacientes são diagnosticados em um estágio inicial, possibilitando um tratamento cirúrgico curativo. O estadiamento do cancer de pulmão é baseado no TNM (tumor, node, metastasis). O objetivo fundamental do estadiamento do câncer de pulmão proposto pela International Association for the Study of Lung Cancer (IASLC) é fornecer uma nomenclatura que deve ser utilizada para determinar a extensão anatômica da doença de forma consistente e padronizada. Isso permite uma comunicação confiável a nível mundial, de forma a aumentar a capacidade dos médicos na abordagem terapêutica dos pacientes e na determinação dos objetivos e condução dos estudos clínicos. Foi proposta em janeiro de 2017, a 8ª edição do estadiamento de câncer de pulmão pelas IASLC, com algumas mudanças que foram baseadas em uma análise detalhada do banco de dados internacional como parte do IASLC Lung Cancer Staging Project. Este artigo propõe uma explanação resumida e baseada em casos clínicos dessa nova versão, de forma a apresentar o tema de forma mais didática com melhor abordagem do conteúdo proposto nesta edição.

A

B

C

D

Discussão As mudanças na 8ª edição do estadiamento de câncer de pulmão (TNM-8) foram propostas após a análise do novo banco de dados, sendo demonstrada divergências estatisticamente significativas na sobrevida em 5 anos quando considerados os diversos aspectos das categorias T (Tumor) e M (Metastase) propostos na 7ª edição. Dessa forma surgiu a necessidade de uma revisão e atualização desses critérios. Estadiamento T (“Tumor”) Inclui aspectos como tamanho, presença e extensão da invasão local do tumor, presença e extensão do componente endobrônquico e a presença e localização de outras lesões pulmonares. Tais aspectos estão sintetizados na tabela e imagens a seguir: Tx T0 Tis

Imagem 2. AMFJ, masc, 35 anos, tabagista desde os 13 anos (2,5 maços/dia) Figura A e B. Massa peri-hilar no lobo superior esquerdo, obliterando os ramos vasobrônquicos deste lobo, bem como da língula, indistinta das atelectasias parcial do lobo superior esquerdo e total da língula adjacentes, .Tal massa dista mais que 2,0 cm da carina e envolve circunferencialmente a artéria pulmonar esquerda (seta larga). Linfonodos proeminentes na cadeia paratraqueal inferior esquerda medindo 1,1 cm e na cadeia subcarinal, medindo 1,2 cm (seta curva). Figura C. Alguns micronódulos

tumor diagnosticado por escarro ou lavagem brônquica, sem representação nos métodos de imagem. Não há evidencia de tumor. Carcinoma in situ

T1

≤ 3 cm circundado por pulmão/ pleura visceral, sem envolver o brônquio principal. T1a ≤ 1cm T1b >1 e ≤ 2cm T1c > 2 e ≤ 3 cm

T2

>3 e ≤ 5 cm Ou

A

B

C

D

Envolvimento do brônquio principal sem extensão à carina (independente da distância). Ou

Invasão da pleura visceral Ou

Atelectasia ou pneumonite pós obstrutiva T2a >3 e ≤ 4 cm T2b >4 e ≤ 5 cm < 5 e ≤ 7 cm Ou qualquer tamanho com invasão da parede torácica, pericárdio, nervo frênico ou nódulos satélites no mesmo lobo.

T3 T4

Ou qualquer tamanho com invasão do mediastino, diafragma, coração, grandes vasos, nervo laringeo recorrente, carina, traquéia, esôfago, coluna vertebral ou tumor separado em diferente lobo do mesmo pulmão

Imagem 3. Figura A mostra massa pulmonar centrada no segmento anterior do lobo superior direito, medindo 5,4 x 3,3 x 3,1 cm Associa-se a estrias com extensão pleural adjacente. Na Figura B há nódulo pulmonar não calcificado, de contornos discretamente irregulares localizado no segmento superior do lobo inferior esquerdo, em íntimo contato com a fissura oblíqua, medindo 1,7 x 1,2 x 1,2 cm (CC x AP x LL), de natureza indeterminada, também suspeito para outro foco de neoplasia primária pulmonar, não sendo possível ainda descartar lesão de natureza secundária. Categoria M1.

Tabela 1. TNM 8 ª Edição – Categoria T

A

C

B A

B

C

D

D

Imagem 1. Imagem A. ISA, fem, 45 anos, tabagista passiva. Figura A e B. Nódulo pulmonar sólido, com pequenos brônquios ectasiados de permeio e margens espiculadas medindo 2,2 x 2,0 x 1,7 cm (CC x AP x LL) totalmente circundado por parênquima pulmonar, no segmento posterior do lobo superior direito (seta larga). Figura C Linfonodos paratraqueais à direita um pouco mais numerosos e proeminentes, menores que 1,0 cm no menor eixo). Figura D Pequenos linfonodos nas cadeias torácicas internas medindo 0,4 cm à direita e 0,3 cm à esquerda

Imagem 4. Figuras A e B - Massa de contornos espiculados, centrada no segmento apical do lobo superior direito. Figuras C e D - Há amplo contato com a superfície pleural apical com obliteração da gordura extrapleural (setas curvas branca e preta) e reação periosteal de arcos costais adjacentes (seta tracejada).

CONTINUA

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3


Estadiamento do câncer de pulmão

A

CONCLUSÃO X

B

A

B

C

D

C

Imagem 3. PET/CT com 18F-FDG em paciente com câncer de pulmão demostra nas figuras B e C massa peri-hilar no lobo superior esquerdo com alto metabolismo glicolítico ocasionando das atelectasias parcial do lobo superior esquerdo e total da língula adjacentes, com pneumopatia pós obstrutiva (seta tracejada). Figuras A e D - Linfonodomegalias na cadeia paratraqual inferior esquerda (4L) e na cadeia subcarinal ( 7). Categoria linfonodal N2

D

Estadiamento M (“Metastasis”) No TNM-8 foi realizada a divisão das metastases extrapulmonares em M1b (quando única) ou M1c (quando múltiplas), devido ao impacto na sobrevida do paciente.

E

Imagem 5. Volumosa formação expansiva centrada no hilo pulmonar esquerdo envolvendo e amputando o brônquio principal deste lado nos seus segmentos médio e distal (Figura A, B e D - Cabeças de seta). Tal formação é indistinta da atelectasia total do restante do pulmão determinada pela mesma (Figura A e C), bem como das linfonodomegalias nas regiões para-aórtica, subaórtica, paratraqueal inferior esquerda e subcarinal, dificultando a sua mensuração (Figura C “ [ ”). Tal massa encontra-se em íntimo contato com a parede posterior da porção proximal da artéria pulmonar direita e envolve circunferencialmente e afila a artéria pulmonar esquerda (Figura C – seta tracejada), mantém amplo contato com a pleura mediastinal, arco aórtico, aorta descendente (ângulo> 180º) e esôfago (Figura D). Categoria T4.

T2 T3

Ausência de metástases

M1

M1a M1b M1c

Pleura visceral Pleura parietal Pericárdio Parietal

A combinação das categorias T, N e M é utilizada para determinar o estadiamento do paciente com câncer de pulmão, estratificando os indivíduos de acordo com o prognóstico e as perspectivas terapêuticas. O adequado estadiamento permite identificar os pacientes com doença potencialmente curável e aqueles que irão receber apenas terapias paliativas, visto que esses últimos não teriam benefício com a realização da cirurgia, além de estarem sujeitos à alta morbimortalidade inerente ao procedimento. O PET/CT com 18F-FDG tem papel no estadiamento TNM, com grande importância nas categorias N e M, modificando a conduta terapêutica em 10-30% dos casos. A Ressonância nuclear magnética é indicada para a pesquisa de metástases no sistema nervoso central, e podem detectar lesões pequenas na ausência de sintomas neurológicos.

Parede Torácica Probalidade - Contato plaural > 3,0cm - Espessamento pleural focal - Ângulo obtuso entre a massa e a parede torácica Confiança - Erosão óssea - Massa francamente infiltrada na parede torácica Sulco superior

Conclusão

Costela

Foram realizadas mudanças nas categorias T e M na 8ª edição do estadiamento de câncer de pulmão (TNM-8) proposta pela IASLC. Torna-se, portanto, de suma importância que o radiologista e os demais médicos pertencentes a equipe de cuidados ao paciente com câncer de pulmão estejam familiarizados com essas mudanças, para o adequado estadiamento e abordagem terapêutica baseada em evidências.

Nervo frênico Diafragma Mediastino Coração e grandes vasos

Referências Bibliográficas

Traquéia Corpo vertebral

1. The IASLC Lung Cancer Staging Project: proposals for the revisions of the T descriptors in the forthcoming eighth edition of the TNM classification for lung câncer. J Thorac Oncol, 2015;10;990-1003

Nervo laringeo recorrente

2.

Rami-Porta R, Bolejack V, Giroux DJ, Chansky K, Crowley J, Asamura H, Goldstraw P. The IASLC lung cancer staging project: the new database to inform the eighth edition of the TNM classification of lung cancer. J Thorac Oncol 2014; 9: 1618-1624 [PMID: 25436796 DOI: 10.1097/ JTO.0000000000000334] 10 Detterbeck FC, Boffa DJ, Kim AW, Tanoue LT. The Eighth Edition Lung Cancer Stage Classification. Chest 2017; 151: 193-203 [PMID: 27780786 DOI: 10.1016/j. chest.2016.10.010

3.

El-Sherief AH, Lau CT, Wu CC, Drake RL, Abbott GF, Rice TW. International association for the study of lung cancer (IASLC) lymph node map: radiologic review with CT illustration. Radiographics 2014;34:1680–1691.

4.

ynch R, Pitson G, Ball D, Claude L, Sarrut D. Computed tomographic atlas for the new international lymph node map for lung cancer: a radiation oncologist perspective. Pract Radiat Oncol 2013;3:54–66.

5.

ARAUJO, Luiz Henrique et al . Lung cancer in Brazil. J. bras. pneumol., São Paulo , v. 44, n. 1, p. 5564, Feb. 2018. Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-37132018000100055&lng=en&nrm=iso>. access on 15 July 2018. http://dx.doi.org/10.1590/ s1806-37562017000000135.

Esôfago

Tabela 2 e 3. Invasão local de estruturas adjacentes no estadiamento T.

Estadiamento N (“NODES”) Ao avaliar o estadiamento N é necessário o conhecimento do mapa de linfonodos proposto pela. International Association for the Study of Lung Cancer (IASLC). O desenvolvimento do mapa de linfonodos foi baseado na necessidade da adequada avaliação da extensão das mestástases lifonodais e consiste em um sistema de descritores anatômicos e níveis numéricos, com o objetivo da adequada nomeação de um linfonodo suspeito para acometimento secundário. Não foram realizadas mudanças na categoria N na 8ª edição do estadiamento de câncer de pulmão (TNM-8). É importante salientar alguns limites anatômicos que frequentemente geram dúvidas no estadiamento linfonodal. Quanto à lateralidade dos linfodos mediastinais superiores o reparo anatômico consiste na parede lateral esquerda da traquéia, separando 2R e 4R (Right) dos lindonodos 2L e 4L (Left). Linfonodos pré-vasculares (3A) e paraesofágicos (8) são lateralizados de acordo com linha mediana da traquéia e esôfago e linfonodos retrotraqueais (3P) são sempre considerados à direita.

NO

Ausência de acometimento linfonodal regional

N1 N2 N3

Peribrtônquica/ hilar IPSILATERAL e intrapulmonar

Autores Raissa Bispo

Mediastinal IPSILATERAL e/ou subcarinal Mediastinal/ hilar CONTRALATERAL, escalenos ou supraclaviculares

Tabela 4. Categoria N.

4

Nódulos em lobos pulmonares CONTRALATERAIS Nódulos pleurais Derrame pleural neoplásico Derrame pericárdico neoplásico Metástase única à distância Metástases múltiplas à distância

Tabela 5. Categoria M.

Pleura mediatinal

T4

MO

AGO / SET 2018 nº 105

Andre Bispo Badra Pavani

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Serviço de Radiologia do Instituto do Câncer do Estado São Paulo


Doenças hepáticas difusas: o que todo radiologista precisa saber 1) Introdução O acometimento hepático difuso pode ser causado por uma ampla variedade de patologias, muitas vezes extra-hepáticas: metabólicas, vasculares, inflamatórias e neoplásicas. Algumas dessas têm curso reversível, porém a maioria evolui para um estágio crônico e irreversível, de forma que o reconhecimento precoce pelo radiologista tem grande importância no tratamento e prognóstico dos pacientes. Propomo-nos a revisar e descrever as características de imagem das principais doenças hepáticas difusas, de forma esquematizada por grupos de doenças, enfatizando seus aspectos radiológicos mais típicos. Este resumo também apresentará imagens didáticas de casos da nossa instituição. 1.1) Fígado normal (Figura 1) À ultrassonografia (USG): discretamente hiperecogênico com ecogenicidade semelhante ao rim. À tomografia computadorizada (TC): atenuação de 45-65 UH (em média 10 UH a mais que o baço). À ressonância magnética (RM): T1 com sinal intermediário, semelhante ao pâncreas e menor que o do baço. T2 com hipossinal, maior que o do músculo e menor que o do baço.

• • •

A

B

C

D

Figura 3: Hiperecogenicidade hepática (A). Hipodensidade do fígado esteatótico (B) Queda de sinal do parênquima hepático do in phase (C) para o out phase (D)

A

B

C

2.2) Hemocromatose (Figura 4) Depósito de ferro nos tecidos. Forma primária: autossômica recessiva, acometendo o fígado e o baço. Forma secundária: em pacientes com anemias hemolíticas ou transfusões múltiplas, acomete também a medula óssea. Há incidência aumentada de carcinoma hepatocelular (CHC), que confunde com o parênquima poupado. • TC: atenuação maior que 72UH. • RM: queda do sinal no in phase; pode quantificar o grau de acometimento baseado em mapas T2*, R2 e R2*.

D

Figura 1: Fígado normal nas modalidades USG (A), TC sem contraste (B), RM ponderada em T1 (C) e em T2(D).

1.2) Fígado cirrótico (Figura 2) É o estágio final de várias doenças difusas do fígado. Ocorre com um continuum de inflamação, regeneração e fibrose. Os seguintes achados de imagem podem ser observados: • Redução do volume global, com redistribuição volumétrica (atrofia do lobo direito e hipertrofia dos lobos caudado e esquerdo). • Fígado de contornos ondulados ou irregulares. • Textura heterogênea (nódulos displásicos, regenerativos e sideróticos). Nódulos de regeneração: isoatenuante na TC e isossinal na RM. Nódulos sideróticos: hiperatenuantes na TC e hipossinal em T1 e T2. • Sinais de hipertensão portal (esplenomegalia, varizes e ascite).

A

B

Figura 4: Queda de sinal do parênquima de out phase (A) para in phase (B).

2.3) Doença de Wilson (Figura 5) Autossômica recessiva com depósito de cobre nos tecidos (fígado, núcleos da base e córnea). Não é fator de risco para CHC, mas sim para hepatite fulminante. • Imagem inespecífica de hepatopatia crônica. Pode cursar com hepatomegalia com esteatose e nódulos sideróticos (alto sinal em T1 e baixo em T2).

Figura 5: TC sem contraste com sinais de hepatopatia crônica e contornos irregulares em paciente com doença de Wilson.

A

B

Figura 2: TC (A) e RM ponderada T2 (B) com fígado com contornos ondulados e bordos rombos e ascite.

2) Doenças de depósito 2.1) Esteatose hepática (Figura 3) Infiltração gordurosa difusa do parênquima. Espectro entre deposição – esteatohepatite – cirrose. Associada à desnutrição, drogas, quimioterapia, gravidez, diabetes mellitus e obesidade. O grau de fibrose pode ser quantificado pelas técnicas de elastografia (USG ou RM). • USG: hiperecogenicidade superior a do rim e baço. Quando acentuada pode dificultar avaliação das veias hepáticas, de lesões focais e do contorno posterior do fígado. • TC: atenuação menor que 40UH. Atenuação parênquima menor que a dos vasos. • RM: queda de sinal no out phase.

2.4) Outras doenças de depósito Grupo de doenças por erro inato do metabolismo, acometendo pacientes jovens. Achados inespecíficos, sendo a hepatomegalia o principal. Importância na radiologia é pelo rastreamento de CHC e cirrose.

3) Doencas vasculares 3.1) Síndrome de Budd Chiari (Figura 6) Obstrução na via de saída venosa do fígado seja veias hepáticas (VH) ou veia cava inferior (VCI). Forma primária: membrana luminal ou trombose. Forma secundária: compressão extrínseca ou invasão tumoral. Lobo caudado preservado por drenagem venosa própria. • Sinais de hepatopatia crônica, com aumento pronunciado do lobo caudado. Padrão de contrastação “em mosaico” com hipocontrastação periférica em relação às porções centrais do fígado. Colaterais intra-hepáticas. • Doppler: fluxo turbulento, ausente ou reverso nas veias. CONTINUA AGO / SET 2018 nº 105

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Doenças hepáticas difusas: o que todo radiologista precisa saber CONCLUSÃO X 4.2) Cirrose biliar primária Doença autoimune mais comumente vista em mulheres com mais de 40 anos, sendo que 90% tem anticorpo IgG antimitocôndria, IgM ou crioproteinas. • Imagem com achados inespecíficos: cirrose, hipertensão portal, raramente CHC. E outros mais específicos como linfonodomegalia, edema periportal, parênquima com hipersinal em T1 (por colestase).

A

B

C

Figura 6: (A) TC com contraste e realce heterogêneo do fígado, poupando o lobo caudado, que apresenta dimensões relativamente aumentadas. (B) Imagem coronal e (C) sagital mostrando estenose na veia cava inferior (seta).

4.3) Colangite esclerosante primária (Figura 10) Doença de etiologia desconhecida em que inflamação evolui com fibrose e dilatação segmentar das vias biliares intra e extra-hepáticas, ocasionando cirrose e insuficiência hepática. 70% dos pacientes tem retocolite ulcerativa e até 15% desenvolve colangiocarcinoma. • ColangioRM: dilatação segmentar descontínua das vias biliares associada a áreas de estenose. Os ductos dilatados podem não apresentar conexão com a via biliar central.

3.2) Hepatopatia congestiva (Figura 7) Edema hepático passivo por insuficiência cardíaca direita, pericardite ou valvulopatia. Diagnósticos diferenciais são Budd Chiari, hepatite viral aguda e cirrose. Imagem: semelhante à Budd Chiari, porém sem alteração do calibre das veias hepáticas. Figura 10: colangioRM com estenoses intercaladas com dilatações a vias biliares intra-hepáticas.

A

C

B

Figura 7: (A) USG hepático com veias hepáticas dilatadas. TC sem contraste (B) e com contraste (C) com padrão e realce em “noz moscada” em um paciente com cardiopatia congestiva.

3.3 Síndrome da obstrução sinusoidal (Figura 8) Doença veno-oclusiva (componente pró-trombótico ➡ microtrombos nos sinusoides ➡ obstrução ➡ hipertensão portal). Associada a transplante de células tronco hematopoiéticas ou uso de quimioterapia. • Imagem: achados inespecíficos como hepatomegalia, ascite, edema periportal e da vesícula biliar. • Doppler: fluxo hepatofugal, forma de onda anormal, veias hepáticas de calibre reduzido, veia cava inferior e veias hepáticas pérvias.

4.4) Sarcoidose hepática (Figura 11) Doença acomete o pulmão (principalmente) e outros sítios (fígado, baço e medula óssea), portanto sempre buscar por achados pulmonares. • Imagem: hepatoesplenomegalia homogênea ± linfonodomegalia. Granulomas hepáticos (múltiplas lesões hipoatenuante com baixo sinal em T1 e T2, tamanhos variáveis com discreto realce).

A

B

Figura 11: Paciente com sarcoidose, apresentando granulomas hepáticos na TC com contraste (A) e na RM ponderada T2 (B).

A

B

C

Figura 8: USG hepático com edema periportal (A), espessamento parietal da vesícula biliar (B) e lâminas líquidas (C).

4.5) Amiloidose hepática Acúmulo proteico em órgãos que pode ter origem primária (com pior prognóstico), ou secundária, normalmente por mieloma múltiplo. • Imagem tem apresentações inespecíficas como hepatomegalia, hipoatenuação difusa do parênquima, hipersinal em T1 e aumento da dureza à elastografia. A arquitetura vascular de fundo normal.

Referências

4) Doencas Inflamatórias 4.1) Hepatite autoimune (Figura 9) Doença autoimune progressiva com aumento de imunoglobulinas (anti-LKM, SLA e musculo liso), mais frequente em mulheres entre 15-40 anos. Associada a outras doenças autoimunes como lupus, artrite reumatoide e retocolite ulcerativa. • Imagem inespecífica com fígado dismórfico e fibrose periportal ± hipertensão portal ± dilatação ductal irregular. Devemos excluir colangite esclerosante primária, procurar alterações em outros órgãos como pâncreas. • CUIDADO: nódulos hipervascularizados costumam representar nódulos displásicos, não CHC.

1. Rocha, M. D. S. (2017). Doenças hepáticas difusas. In Tratado de radiologia (Vol. 2, pp. 668-684). Manole. 2. Tchelepi, H., Ralls, P. W., Radin, R., & Grant, E. (2002). Sonography of diffuse liver disease. Journal of Ultrasound in Medicine, 21(9), 1023-1032 3. Horowitz, J. M., Venkatesh, S. K., Ehman, R. L., Jhaveri, K., Kamath, P., Ohliger, M. A., & Wells, M. L. (2017). Evaluation of hepatic fibrosis: a review from the society of abdominal radiology disease focus panel. Abdominal Radiology, 42(8), 2037-2053. 4. Shenoy-Bhangle, A., Baliyan, V., Kordbacheh, H., Guimaraes, A. R., & Kambadakone, A. (2017). Diffusion weighted magnetic resonance imaging of liver: Principles, clinical applications and recent updates. World journal of hepatology, 9(26), 1081. 5. Bruno, C., Minniti, S., Bucci, A., & Mucelli, R. P. (2016). ARFI: from basic principles to clinical applications in diffuse chronic disease—a review. Insights into imaging, 7(5), 735-746.

Autores

A

B

Figura 9: (A) RM ponderada em T1 com contraste mostrando realce hepático heterogêneo; (B) TC com contraste, ascite e colaterais esplênicas.

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AGO / SET 2018 nº 105

Roberto Brasil Rabelo Taveira Gilson Martins Cavalcante Públio Cesar Cavalcanti Viana Natally Horvat Medicos do Serviço de Radiologia do Hospital Sirio Libanês


Drenagem percutânea de abscesso peri-prótese aorto-ilíaca Introdução A infecção periprótese é uma complicação rara dos procedimentos endovasculares (1,3% - 6%) com altas taxas de mortalidade (25-75%).1,2 A maioria dos casos (70%) ocorre dentro dos primeiros doze meses pós-procedimento. As manifestações clínicas da infecção periprótese intracavitária são inespecíficas, incluindo mal estar, queda do estado geral, dor lombar, febre, sangramento gastrointestinal e hidronefrose. A tomografia computadorizada (TC) é o exame de escolha para diagnóstico, dada a maior resolução espacial. A ultrassonografia pode também fornecer informações importantes, tanto no diagnóstico, quanto na orientação de eventual procedimento percutâneo. Dentre os achados de imagem mais frequentes, estão presença de líquido, sob a forma de coleção, densificação dos planos adiposos adjacentes, possível presença de gás, tanto dentro da coleção, quanto ectópico, espessamento focal de alças intestinais loco-regionais. A presença de líquido livre próximo ao sítio de inflamação pode também ocorrer, quer pela perfuração da coleção, quer por contiguidade do processo inflamatório. A presença de realce próximo à coleção também pode ser verificada, em graus variados. 2 O objetivo da abordagem percutânea é interromper o processo infeccioso, reduzir o risco de recorrência, prevenir a ruptura do aneurisma e o sangramento, inclusive aqueles que ocorrem para o interior de alças intestinais. O tratamento padrão é cirúrgico, consistindo da remoção da endoprótese, debridamento do tecido regional e reconstrução do trajeto arterial, seja com derivações extra-anatômicas, seja com enxerto com veia autóloga, enxerto criopreservado ou próteses embebidas em antibiótico associado à antibioticoterapia sistêmica. Em pacientes com comorbidades graves que impeçam a remoção da prótese, pode ser realizado tratamento não cirúrgico. A drenagem percutânea do abscesso periprótese associada a irrigação contínua da cavidade pode ser realizada, porém está associada a altas taxas de falha terapêutica.1 Relatamos um caso de infecção periprótese com formação de abscesso em paciente com alto risco cirúrgico, tratado com drenagem percutânea guiada por ultrassonografia e tomografia computadorizada, combinadas.

Fig. 2 – Tomografia computadorizada de abdome sem contraste. A) Área hipodensa (setas vermelhas) próxima a artéria ilíaca comum direita com densificação dos planos adiposos periprótese e hematoma relacionado a sangramento prévio (setas amarelas). B) Bolha de gás (seta azul).

Caso Paciente do sexo masculino, 84 anos, deu entrada no pronto socorro com agudização de dor lombar crônica, acentuada há 4 dias. Encaminhado para avaliação do grupo de cirurgia vascular, dado o antecedente de colocação de endoprótese para correção de aneurisma de aorta abdominal (AAA) infrarrenal, há 8 meses e reabordagem, por instabilidade do saco aneurismático há 3 meses. Os exames laboratoriais demonstravam leucocitose (14.140 x 103/UL) e aumento dos marcadores inflamatórios (VHS 120 mm, PCR 125 mg/L). Realizada ultrassonografia (US) com Doppler colorido que mostrou presença de AAA infrarrenal, medindo 8,7 x 7,2 x 7,7 cm (L X AP X T), corrigido com prótese endovascular aorto-bi-ilíaca, que se encontrava pérvia (Fig. 1). Em TC prévia realizada em outro serviço, havia 12 dias, observava-se área hipoatenuante próxima a artéria ilíaca comum direita, com densificação dos planos adiposos adjacentes e bolhas de gás (Fig. 2). Na TC de controle, realizada 12 dias após, notava-se aparecimento de novas bolhas de gás nas partes moles periprótese (Fig. 3 e 4), mais numerosas junto à área hipoatenuante e heterogênea. Diante destes achados, foi aventada a hipótese de processo infeccioso. Devido ao elevado risco cirúrgico do paciente, dada sua idade e comorbidades, optou-se pela realização de drenagem percutânea guiada por imagem (TC e US combinadas) da coleção periprótese. Nas imagens ultrassonográficas (Fig. 5A e 5B) observa-se AAA, prótese aorto-bi-iliaca e coleção líquida heterogênea periprótese com focos gasosos de permeio, e presença da agulha no interior da coleção (Fig. 5C e 5D). A Fig. 6A mostra a introdução da agulha percutânea através de acesso hipogástrico anterior com aspiração de 30 ml conteúdo purulento (Fig 6B) e posterior colocação de dreno pigtail 8,5 Fr (Fig 6C). A amostra foi enviada para análise laboratorial com resultado de 460800 p/mm3 leucócitos e 33600 p/mm3 eritrócitos. Não foram isolados patógenos. Em TC realizada pós-procedimento (Fig 7), observamos dreno pigtail com extremidade distal no interior da coleção junto à artéria ilíaca comum direita, com as dimensões reduzidas em relação aos exames prévios.

Fig. 1 – Ultrassonografia com Doppler colorido mostrando saco aneurismático (A) com endoprótese aortobi-ilíaca pérvia (B).

Fig. 3 – Tomografia computadorizada de abdome sem contraste. Comparação entre TC prévia realizada em outro serviço (A, B) e TC de controle, realizada 12 dias após (C, D), onde observa-se o aparecimento de novas bolhas de gás nas partes moles periprótese (setas amarelas).

Fig. 4 – Tomografia computadorizada de abdome sem contraste. Comparação entre TC prévia realizada em outro serviço (A, B) e TC de controle, realizada 12 dias após (C, D), onde observa-se o aparecimento de novas bolhas de gás nas partes moles periprótese, mais numerosas junto à área hipoatenuante e heterogênea (setas amarelas).

CONTINUA AGO / SET 2018 nº 105

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Drenagem percutânea de abscesso peri-prótese aorto-ilíaca CONCLUSÃO X

Discussão

Fig. 5 – Na Ultrassonografia observa-se AAA (verde), prótese aortobi-iliaca (laranja) e coleção líquida heterogênea periprótese (vermelho) com focos aéreos inclusos (A, B) e a presença da agulha no interior da coleção (círculo amarelo) (C, D).

A infecção periprótese é uma complicação rara dos procedimentos endovasculares e possui manifestações clínicas inespecíficas. Diante da suspeita, com elevada probabilidade já na anamnese e no exame clínico, a TC é o exame de escolha na avaliação para detecção de gás ou líquido / coleção periprótese. A presença de gás, meramente, não é patognomônica de infecção quando presente menos de 7 semanas pós-procedimento, podendo ser residual da abordagem terapêutica. A presença de líquido periprótese também é esperada, desde que até 3 meses pós-procedimento. Quando estes achados são persistentes, fortalecem a hipótese de infecção.1,2 O diagnóstico do caso foi realizado através de exames sequenciais de TC em que se observou líquido periprótese, com aumento progressivo no número de bolhas gasosas, em exames de controle, associados tais achados a quadros clínico e laboratorial condizentes com parâmetros infecciosos. Devido aos riscos cirúrgicos do paciente, optou-se por realizar drenagem percutânea do abscesso, guiada por imagem. A abordagem percutânea permitiu a realização da drenagem esvaziadora e à aspiração diagnóstica de material líquido para análise laboratorial. Essa abordagem pode evoluir para resolução do abscesso nos pacientes em que o tratamento cirúrgico é considerado de alto risco, ou mesmo servir como medida temporária, de ponte, até que a condição geral do paciente melhore, permitindo, em segundo tempo, uma abordagem cirúrgica. 3,4

Conclusão A infecção periprótese, relacionada a altas taxas de morbidade e mortalidade, deve ser pesquisada, preferencialmente por tomografia, em quadros sintomatológicos sugestivos. O conhecimento desta complicação pelos radiologistas, especialmente aqueles que lidam diretamente em âmbito emergencial, bem como aqueles com foco em imagem vascular / medicina interna, o reconhecimento dos achados clínicos, laboratoriais e imaginológicos infecciosos para o manejo adequado são de suma importância. A abordagem percutânea destes abscessos, com punção e drenagem, deve ser conhecida pelo radiologista e elencada aos médicos solicitantes em casos de discussão clínico-cirúrgica multidisciplinar em torno dos achados de imagem. O intervencionista deve incluir tal procedimento no portifólio de procedimentos, podendo oferecê-lo como opção em casos selecionados de pacientes com elevado risco na abordagem cirúrgica.

Referências 1 Laohapensang K, Arworn S, Orrapin S, et al. Management of the infected aortic endograft. Seminars in Vascular Surgery, 2017. 30(2):91-94. Fig. 6 – Drenagem percutânea guiada por US. Introdução da agulha percutânea através de acesso hipogástrico anterior (A) com aspiração de conteúdo purulento (B) e colocação de dreno pigtail (C).

2 Orton DF et al. Aortic Prosthetic Graft Infections: Radiologic Manifestations and Implications for Management. Radiographics 2000; 20:977-933. 3 Belair N, Soulez G, Oliva V, et al. Aortic graft infection: the value of percutaneous drainage. AJR Am J Roentgenol 1998; 171:119-124. 4 J Rossi P1, Arata FM, Salvatori FM, et al. Prosthetic graft infection: diagnostic and t herapeutic role of interventional radiology. Vasc Interv Radiol 1997 Mar-Apr;8(2):271-

Autores

Fig. 7 – Tomografia computadorizada de abdome sem contraste realizada pós-procedimento, janela óssea (A) e partes moles (B). Dreno pigtail com extremidade distal no interior da coleção, junto à artéria ilíaca comum direita, com as dimensões reduzidas em relação aos exames prévios.

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AGO / SET 2018 nº 105

Louise Bisolo, Daniela Valentini Fernandes, Antonio Rahal Junior, Fabio Augusto Cardillo Vieira, Guilherme Moratti, Miguel José Francisco Neto, Marcos Roberto Gomes de Queiroz e Rodrigo Gobbo Garcia Hospital Israelita Albert Einstein – Serviço de Radiologia


AGOSTO / SETEMBRO DE 2018 - ANO 17 - Nº 105

Por Luiz Carlos de Almeida e cols. (SP)

ENTREVISTA

Agfa traz lançamentos e amplia sua estrutura no Brasil Com uma nova estrutura direcionada a atender às necessidades das áreas em que atua, a Agfa HealthCare reorganizou globalmente suas unidades de negócios: de um lado a Unidade de Negocios de Imagem – DRs, CRs, Impressoras e Filmes, e de outro a Unidade de TI, englobando PACS/RIS/Enterprise Imaging e a área de Gestão Clínica e Hospitalar. O objetivo, como define Roberto Ferrarini, presidente da Agfa para a América Latina, é focar mais em cada negócio, melhorando o atendimento aos clientes.

P

ara dar suporte a todo esse promatriz, sensibilizando-a sobre as necessidaprocessamento de imagens”, explica. jeto, a equipe de profissionais des locais”. Assim, alguns produtos muito Em linha com essa transformação da foi ampliada e readequada aos focados ao Brasil estão sendo desenvolvidos, empresa, Janaina Serikawa, gerente de objetivos da companhia. “Profismarketing para a América Latina, explica ou estão sendo projetados em alianças locais que o portfólio de equipamentos da Agfa sionais com grande experiência para atendimento de necessidades especívem sendo ampliado, com novas soluções foram contratados, com destaque aos novos ficas. “Vou dar dois exemplos: na parte de em DR, com o intuito de projetar crescimenlíderes Homero Said para a Unidade de neMamografia, no Brasil temos uma grande gócios de Imagem e Luiz Marcelo Garutti, base instalada de mamógrafos analógicos to e inovação nesse segmento do mercado. que se junta a Américo Rodota “O Retrofit para Mamografia, que para a Unidade de negócios de é um equipamento que possibiTI, explica Ferrarini. lita, de forma fácil e acessível, a Em entrevista ao ID - Inmigração de um sistema analógico para um digital, permite a teração Diagnóstica, na sede da pré-visualização na estação de empresa em São Paulo, Roberto Ferrarini abriu espaço para trabalho em apenas três segunque os novos líderes falassem dos. É uma solução pensada para se encaixar em qualquer mamósobre os planos setoriais e grafo analógico, sem restrição mencionou os rumos que a de marca ou tempo de uso do empresa vai seguir. Sérgio Vasquez, Gerente de Serviços equipamento”, ressalta. em TI destacou “Um escritó“Essa solução inovadora, destaca a executiva, possibilita rio modelo para dar suporte ao cliente o acesso a atualização à área de serviços foi aberto do seu equipamento analógico, em Barueri-SP para atender que hoje em dia, trabalha muito às áreas de imagem e TI, com ligado ao digitalizador CR. Com várias atividades como Call Roberto Ferrarini, Janaina Serikawa e Homero Said, da direita para a esquerda. o Mammo Retrofit ele se torna Center e suporte primário e um equipamento digital, com três facilitadosecundário aos clientes. “Para o segmento de que precisam ser modernizados com tecnoTI existe uma capacidade de solução remota logia digital, porém o custo dessa mudança res: o tempo de disponibilização da imagem acima de 95%. Assim, é uma estrutura que bastante elevado. A Agfa abordará esse merna estação de trabalho, menor necessidade tem muito valor para o cliente, que tem a cado através de uma solução inovadora, que de manipulação e mais acurácia clínica sua solicitação endereçada via call center e é o Retrofit para mamografia, lançado este para o médico tomar a sua decisão e fazer o atendida por uma equipe técnica que faz o diagnóstico. O Mammo Retrofit já vem com ano no Brasil, com uma série de vantagens. atendimento e dá o primeiro suporte, muitas o software MUSICA instalado, considerado Além da atualização e migração para o sisvezes, resolvendo o chamado com sucesso um dos melhores processadores de imagens tema digital, como menor dose de radiação, no ato. Então, a experiência total do cliente do mercado, que garante alta resolução e melhor fluxo de trabalho e, principalmente, com serviços, possibilitará uma melhoria qualidade com baixas doses de radiação manutenção a um custo acessível, alinhadas considerável com essa nova estrutura em para o paciente”. a um maior conforto ao paciente”. Barueri”. Este é o terceiro escritório da emEm 2019, a Agfa deve incluir no seu “A outra opção é na parte de produtos portfólio um novo DR móvel, também depara salas de radiologia digitais, para os presa no Brasil, que já conta com a sede em quais estamos finalizando uma parceria São Paulo-SP e uma estrutura de Pesquisa e senhado para às necessidades do mercado com uma empresa local. Até o final desse latino-americano e, sempre pensando que Desenvolvimento de TI em Recife-PE. ano pretendemos conseguir a aprovação da Essa ampliação, como enfatiza Ferrao cliente final necessita de valor agregado ANVISA e lançar um equipamento de Raiosaliado a um custo acessível. rini, foi pensada já há algum tempo pelo Nesse último ano, com muitos lançaescritório global, pois “o Brasil conseguiu -X Digital Direto, produzido no Brasil com a tecnologia MUSICA no controle de dose e uma exposição positiva perante a nossa mentos no Brasil, o foco da empresa é crescer

nesse segmento na América Latina e, também, em nível global, dando um passo além ao entrar no segmento de imagem dinâmica, com o lançamento do DR 800, equipamento para fluoroscopia, que ainda não está disponível para o Brasil, mas, aponta os rumos da empresa e os investimentos em novas tecnologias que a Agfa vem realizando. Segundo Roberto Ferrarini, “a radiologia ainda é o grande foco na nossa realidade, porque é o método de escolha que abre qualquer conduta e, mesmo com a migração para tecnologias digitais, o uso do filme ainda é uma realidade para a grande maioria dos hospitais no Brasil. Percebemos que apenas uma pequena parcela já realizou a migração do CR para o DR, até a digitalização total, armazenando imagens em nuvem. Portanto, encontramos mercados com diferentes maturidades”.

Espaços readequados Toda essa transformação e mudança no portfólio impactou a área comercial que precisou se adequar e adotar um novo perfil de vendas e de distribuição direta. Segundo Homero Said, a área tem muitas particularidades por parte dos profissionais mastologistas, ortopedistas, entre outros especialistas. “Em termos comerciais nós montamos uma estratégia um pouco diferente da anterior, que é manter nossos distribuidores tradicionais, que trabalham há bastante tempo com a Agfa, fazendo um canal híbrido somando esses vendedores com os que atuam diretamente com o cliente, equacionando o gap de atendimento aos grandes clientes com uma força de vendas específica”, exemplifica. “O segmento de imagem é muito grande, mas não vemos isso como competição, e sim como uma oportunidade de ofertar para cada cliente a solução que ele precisa, na plataforma que desejar, seja filme, sistemas analógicos ou digitais ”, finaliza o presidente Roberto Ferrarini.

Guerbet e IBM celebram parceria

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Guerbet assinou um contrato exclusivo para colaborar com a IBM Watson Health no desenvolvimento de soluções de software de inteligência artificial (IA) que ajudem a detectar, diagnosticar e tratar o câncer de fígado. O anuncio foi feito através de nota a imprensa, pelo CEO da empresa, Ypes L`Épine, informando também que o Watson Imaging Care Advisor para o Fígado é o primeiro produto da colaboração, uma solução de suporte a decisões clínicas projetada para usar a IA para automatizar tudo, desde a detecção até o tratamento recomendado de cancer hepático primários e secundários. Este será o primeiro de “uma família de ferramentas de apoio à decisão” que usa análise de imagens para ajudar os radiologistas a tomar decisões clínicas importantes. “O câncer de fígado é uma preocupação crescente com a saúde global, e o uso de inteligência aumentada por imagens médicas está bem posicionado para ajudar a resolvê-lo”, disse Yves L’Epine, CEO da Guerbet,

em um comunicado preparado. “Estamos orgulhosos de trabalhar com a IBM Watson Health para desenvolver uma solução dedicada a doenças do fígado, que poderia ajudar a tornar possível aos clínicos fazer caracterizações mais precisas do tecido sem recorrer à biópsia”. “Imaging é uma área crítica da saúde, onde acreditamos que a inteligência artificial pode ser usada para expandir a visão do médico, para que eles possam ser mais informados em suas decisões de diagnóstico e tratamento para seus pacientes”, disse Anne Le Grand, vice-presidente de imagem da IBM Watson. Health, disse na mesma declaração: “Estamos empolgados em reunir os respectivos conhecimentos significativos da IBM e da Guerbet para promover a inovação neste importante campo e, finalmente, ajudar a combater o desafio do câncer de fígado globalmente”. (Fontes: Agências Internacionais) https://www.radiologybusiness.com/topics/artificial-intelligence/ guerbet-ibm-watson-health-ai-liver-cancer

Erramos “Na entrevista com o Dr. Alexander Radbruch, publicada na edição de Jun/Jul de 2018, ao contrário do que foi publicado, o Dr. Radbruch – como é voz corrente no setor – afirmou que os agentes de contrastes macrocíclicos são mais estáveis e liberam menos gadolínio do que os chamados lineares. Da mesma forma, os agentes macrocíclicos representam um avanço em relação aos lineares, e não o contrário”.

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CONTEÚDO DE MARCA Da Redação

Philips lança equipamento de ressonância magnética inovador com magneto selado A Royal Philips está lançando no Brasil o Ingenia Ambition, solução de ressonância magnética que traz o revolucionário magneto selado, uma tecnologia que elimina a necessidade da reposição periódica de hélio no equipamento.

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esta solução, que estará disque é necessário otimizar a operação diária”, ponível no Brasil em 2019, a afirma Tatiana Gracio, gerente de Marketing quantidade de hélio utilizada para Ressonância Magnética e Cardiovascular na Philips. é mínima quando comparada a outros equipamentos : os 7 Plataforma de litros do gás ficam confinados dentro do RM inteligente e mais magneto selado, sem vazamento durante confortável para o paciente a operação. O Ingenia Ambition é 900 Kg mais leve , oferecendo A solução de RM maior flexibilidade para Ingenia Ambition proinstalação e reduzindo porciona um diagnóstico possíveis adaptações no por imagem centrado no piso das instituições de paciente, desde a prepasaúde. O equipamento ração dele até a imagem possibilita ainda uma mafinal. Unindo a tecnologia nutenção rápida em caso de banda larga digital dSde possíveis falhas. Além tream exclusiva da Philips de reduzir custos com com Compressed SENinstalação e manutenção, SE2 e 3D APT3 no novo a novidade melhora a portfólio de RM digital, experiência da equipe e os radiologistas têm as do paciente: o ajuste dos ferramentas necessárias parâmetros do exame para ajudar a resolver situpode ser feito em menos Tatiana Gracio, gerente de marketing ações clínicas complexas, de um minuto, reduzindo de RM e Cardiovasvular. melhorar a experiência o tempo de permanência do paciente dentro do paciente e definir novas direções para a da máquina”, destacam os especialistas da pesquisa clínica. empresa. Tecnologia exclusiva de “Os custos operacionais são um desadetecção do paciente fio para as instituições de saúde do Brasil. Assim, apostar em tecnologia de ponta é “A nova tecnologia de detecção de preuma excelente solução para enfrentar uma sença, movimentos e respiração do paciente demanda crescente por um melhor atendie a análise SmartExam orientada por intelimento aos pacientes, ao mesmo tempo em gência artificial para planejamento, varredu-

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ra e processamento automáticos de exames binação exclusiva de inovações que a nova ajudam a melhorar todo o fluxo de trabalho Ingenia Ambition oferece está melhorando de RM, desde a aquisição de imagens até o todo o fluxo de trabalho, desde a aquisição processamento de exames”, esclarecem. E de imagens até as preferências de leitura. complementa, enfatizando que “a VitalScreen da Ingenia Ambition oferece aos operadores uma preparação de pacientes totalmente orientada, com uma nova interface com o usuário para otimização do fluxo de trabalho, enquanto a VitalEye traz uma abordagem exclusiva de detecção de presença e movimentos do paciente, permitindo o sincronismo respiratório sem necessidade de interação do operador. Isso permite que o tempo de preparação para exames de rotina seja inferior a um minuto, inclusive para operadores menos experientes3. A solução Ambient Experience in-bore Connect da Philips, que proporciona uma experiência audiovisual imersiva para acalmar os pacientes e orientá-los durante os exames de RM, melhora ainda mais a experiência do paciente. Um estudo realizado no Hospital da A tecnologia prioriza o conforto do paciente e a redução de Universidade de Herlev Gentofte, na custos com instalação e manutenção. Dinamarca, mostrou que a solução Ambient Experience in-bore Connect ajuPara saber mais sobre as novas soluções dou a reduzir o número de novas varreduras de RM da Philips no Brasil, acesse: https:// em até 70%, permitindo que os radiologistas www.philips.com.au/healthcare/resources/ atendessem mais pacientes por dia. A comlanding/the-next-mr-wave


CONJUNTURA ANÁLISE

Como a “Internet das Coisas” está revolucionando a Medicina Obstétrica Tecnologia e saúde sempre estiveram interligadas e, na era do ‘mobile first’, essa premissa se torna ainda mais evidente, seja dentro ou fora dos consultórios. O acesso à informação está disponível com um simples toque na tela do smartphone. Assim como outros modelos de negócios vem se beneficiando da tecnologia por meio de aplicativos, o mercado de saúde, especificamente o de obstetrícia, experimenta o fortalecimento da relação médico-paciente com o compartilhamento de informações durante a gravidez.

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ma pesquisa sobre tendências globais para 2017, realizada pelo Instituto Ipsos, no fim de 2016, mostrou que 69% da população mundial não conseguiriam viver sem internet e 54% afirmaram que não poderiam ficar sem smartphone. Diante dessa nova realidade a gravidez passou a ser uma das fases de maior acompanhamento (online) da gestante e de sua família. Informações biométricas de crescimento fetal e a imagem de perfil do bebê são essenciais na construção do afeto e vínculo afetivo da criança com

seus pais e familiares. Para valorizar smartphone. Esse aplicativo ainda ainda mais esse momento especial, já pode se conectar ao sistema de IPCam, existe no mercado de medicina diagpermitindo o acompanhamento virtual nóstica um sistema único de transfedos exames. rência de imagens, para smartphones Do ponto de vista de negócios, o Android e IOS, que se comunica com aplicativo gera valor agregado aos serequipamentos específicos de ultrassom viços de diagnóstico ao disponibilizar por meio de uma rede Wi-Fi dedicada. diversas informações, como tabelas A união de conceitos de Internet com dados sobre tempo e número de das Coisas e de coatendimentos diários, nectividade oferece além de ser um meio uma forma única e de compartilhamento exclusiva de eterde informações com nizar as primeiras pacientes e seus famimemórias do bebê, liares. substituindo os ulAlém disso, é trapassados DVDs ou preciso salientar que, pen drives, que traalém de acelerar o rezem o vídeo técnico torno do investimento de todo o exame do pela tecnologia empré-natal, que dura barcada e proporcioem média 30 minunar uma experiência tos, por algo simples única para as paciene objetivo, em cerca Nelson Ozassa, diretor da Divisão tes, os equipamentos de 5 minutos (me- de HME (Health & Medical de ultrassom compaEquipment) da Samsung Brasil. lhores momentos), tíveis com a utilização contendo ainda as informações de cresdo aplicativo de compartilhamento de cimento mais relevantes para os pais. imagem são capazes de acompanhar o Há também a possibilidade de embrião desde as fases mais iniciais, montar um álbum com fotos desses permitindo aos médicos identificar exames que, ao serem captadas pela problemas de forma bastante antecipacâmera do aplicativo, ganham vida na da. Isso possibilita, em alguns casos, a tela do smartphone – com direito ao realização de uma série de intervenções clássico som das batidas do coração médicas que podem salvar a vida de do feto. Tudo isso é disponibilizado um bebê em risco, como cirurgias de por meio de uma plataforma amigáemergência dentro do útero ou cuivel e simplificada para que a família dados na preparação para um parto possa receber e compartilhar tudo pelo prematuro.

Carestream Health tem novo Presidente

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om grande experiência no gerenciamento das questões econômicas, culturais e de governança, associadas a grandes corporações globais, David C. Westgate acaba de ser empossado como novo presidente e diretor executivo da Carestream Health. “O foco será na entrega de inovação responsável pela mudança na vida de nossos pacientes, consumidores, colaboradores, comunidades e outros stakeholders, e faremos com que nosso negócio cresça em direção a um sucesso de longo prazo. Estamos muito animados em seguir o ‘road map’ para o desenvolvimento de novos produtos, que nos posicionarão para atendermos as diversas necessidades de nossos consumidores nos mercados que atendemos. Satisfação do consumidor, inovação contínua e excelência operacional serão a base de nossa cultura e estamos comprometidos em sermos os melhores no que fazemos”, enfatizou Westgate em seu discurso. De acordo com o presidente do Conselho Robert Le Blanc o executivo possui um currículo impressionante de sucesso em papéis de liderança corporativo. “A sua visão para a Carestream é clara: conduzir a empresa em direção ao crescimento de longo prazo e à liderança de mercado; além de gerar inovação contínua pelo amplo portfólio de produtos da empresa”. David Westgate substitui Kevin Hobert, que decidiu deixar a empresa e irá auxiliar na transição. “Kevin Hobert fez um trabalho excelente em liderar o desenvolvimento da Carestream como líder mundial nos campos de imagens médicas e dentais, e preparou a empresa para um crescimento sustentável nos próximos anos. Gostaria de agradecê-lo por suas contribuições significativas para o sucesso da empresa desde o lançamento da companhia há mais de onze anos”, disse Le Blanc.

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DEBATE

Siemens Healthineers investe em novos modelos de negócios e parcerias de longo prazo

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Com soluções customizadas na área de serviços, desenvolvidas através de parcerias de longo prazo, a Siemens cria soluções personalizadas que englobam: Equipamentos, Serviços de Manutenção, Educação Continuada, Consultorias e modelo financeiro customizado com foco em crescimento sustentável e fortalecimento de presença no mercado.

m entrevista ao jornal ID Interação Diagnóstica, Leonardo Pili, gerente dessa nova Unidade de Negócios da Siemens Healthineers, a Enterprise Service Solutions, explica como a empresa usou a sua liderança tecnológica e expertise na gestão de serviços, agregando valor na relação com seus clientes, por meio de parcerias que vão além da simples comercialização de produtos. “A Siemens entende que a cadeia da saúde vai mudar muito nos próximos cinco anos, mais do que aconteceu em toda a sua história. As soluções de Enterprise Service Solutions extrapolam as questões de apenas fazer e ter uma relações transacionais com os clientes para venda de um equipamento e serviços de manutenção. Nossa proposta é desenvolver

As mudanças referidas por Pili para o setor foram refletidas na própria estrutura da empresa. Há cerca de dois, a antiga divisão de saúde do conglomerado alemão ganharam vida própria com a criação da mais nova empresa do grupo, a Siemens Healthineers. A medida teve como objetivo dar autonomia e agilidade para o braço dedicado à saúde do grupo. O IPO veio em março deste ano, na Bolsa De Frankfurt, quando foram disponibilizados cerca de 15% das ações da companhia ao mercado para suportar um novo ciclo de crescimento dedicado na área da saúde e as novas necessidades que o mercado vem impondo. Essas mudanças já puderam ser sentidas na ultima JPR, e identificam esse novo momento da empresa. Um importante acordo, no âmbito digital, foi formalizado com o Hospital

soluções customizadas em parcerias com os clientes, que englobem equipamentos, serviços de manutenção de monitoramento on line, plataformas tecnológicas que se comunicam e conectam com sistemas legados, além de uma robusta plataforma de educação e consultorias especializadas nas necessidades de cada cliente, tudo isso suportados por contratos, longo prazo e modelos financeiros customizados que podem ser aluguel com serviços ou pay-per-use com compartilhamento de riscos e benefícios “.

Sírio Libanês, focado na Gestão de Saúde da População. “A Siemens, possui duas novas unidades de negócios: Enterprise Services e Digital Services, que se integram com as demais, com a proposta de entrega de soluções e não de produtos, destaca Pili. A parceria com o Sírio Libanês foi um acordo com a linha de Digital Services, na qual o foco está em um acordo de colaboração, onde o Sirio Libanês se junta a outros 2 clientes nos Estados Unidos, no desen-

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volvimento de um aplicativo, que através de prestadores de serviço e pagadores. A tendêncomponentes de Inteligência Artificial, atuará cia de consolidação não tem retorno e, baseana detecção e acompanhamento proativo de do nisso, as plataformas tecnológicas aliadas achados incidentais de nódulos pulmonares. aos programas de educação e de eficiência, A Enterprise Services, que tem a frente são soluções fundamentais para suportar essa Leonardo Pili, caminha numa outra direção demanda melhorando o cuidado e reduzindo e já tem dois contratos assinados. Um deles, custos”, lembra Leonardo Pili. Ainda, de acordo com com instituição que pretende ampliar sua área de o gerente se a aceitação vem atuação, expandindo-se para sendo muito positiva por São Paulo, atuando na área parte da grande maioria dos da imagem. clientes, ela passa por uma “Num deles trabalhamudança de mentalidade. mos num projeto para a Quando a Siemens parte introdução do serviço de para um modelo de negócios imagem adicionado de placomo esse é preciso ter um taforma de educação, proalinhamento e comprometigrama LEAN para ganho mento muito grande, além de eficiência e modelo Payde suporte para a execução do -per-use de pagamento. Em plano de forma, sólida e bem outro uma suportanto uma embasado, e claro maturidade instituição focada no emno processo de gestão. preendedorismo social com Como já citamos, não Leonardo Pili, gerente de negócios a introdução de serviços de da Siemens Healthineers são projetos prontos, são imagem através de contrato construídos a quatro mãos de aluguel e serviços nas regiões centro-sul. e não tem nenhum tipo de restrição. Tanto é Questionado sobre a tecnologia dentro que se dentro de um projeto existir a eventual desse processo de parcerias, já que a Sienecessidade de incluir alguma tecnologia e ou mens detém um dos melhores portfólios na serviço, que não é fornecido pelo Siemens, e área da imagem, esclarece que “A tecnologia fizer sentido para o projeto, podemos contemplar”, ressalta. jamais será esquecida, pois é a nossa base de O que você entende como os pontos mais sustentação produtiva e um dos pilares para fortes de diferenciação nestas soluções? garantia de performance, porém somente a a “A primeira coisa é o formato como os tecnologia por si só já não é mais suficiente. projetos são construídos, que são sempre em É preciso que a indústria participe de mais do conjunto ao cliente e com isso, chegam num processo, aporte know-how e atue junto com grau de personalização bem grande. As outras os clientes para que a cadeia seja mais eficaz e questões são os serviços que vão desde de reduza o custo per capita de saúde, que aliás é consultorias LEAN para ganhos de produtia nossa missão como Siemens Healthineers “. vidade, uma robusta plataforma de educação A receptividade aos projetos tem sido muito que permite ao responsável fazer a gestão de positiva, embora entenda que os prestadores de serviço migrarão gradativamente. “A perfil e conteúdo do staff médico e técnico, Siemens prevê que assim como em outros além de serviços de terceiros. Ou seja, são mercados, o de saúde vai se consolidar cada soluções construídas sob medida para cada vez mais, seja do ponto de vista da indústria, necessidade.” enfatizou Leonardo Pili.


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ENTREVISTA Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

O câncer de mama e o papel da tomossíntese

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Próximo de comemorar 40 anos de existência, com investimentos em tecnologia por imagem, o Centro Diagnóstico Lucilo Ávila consolida-se cada vez mais como um centro de referência no Estado de Pernambuco.

esde 2013 trabalha em sua rotina com mamografia digital com tomossíntese (3D), sob a direção da Dra Mirela Ávila Gurgel, e recentemente incorporou ao seu acervo novo equipamento de mamografia 3D, que contempla alguns benefícios. A propósito das comemorações que se aproxima, ela falou ao ID Interação Diagnóstica: ID – Quando foi fundado o Centro Diagnóstico e quais as suas principais especialidades? Dra. Mirela Ávila – O Centro Diagnóstico Lucilo Ávila foi fundado pelo Dr. Lucilo Ávila Júnior, em fevereiro de 1979. Nossas principais especialidades são: Ultrassonografia, Mamografia Digital, Ressonância Magnética, Tomografia Computadorizada, Raio-X Digital, Punção-Biópsia, Densitometria Óssea e a Medicina Nuclear. ID – Dentro do seu portfólio, como fica a área do câncer de mama? Dra. Mirela Ávila – Sou radiologista de formação, com especialização em imagem mamária. Atualmente me dedico exclusivamente ao diagnóstico por imagem da mama, atuando em mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética, além dos procedimentos de intervenção mamária. Obviamente, dentro desse contexto, o diagnóstico do câncer de mama é bastante frequente na minha rotina. A detecção precoce do câncer de mama é nosso principal objetivo e está dentro da propedêutica da saúde da mulher, onde os exames periódicos são realizados com protocolos e indicações específicas de acordo com diversos fatores, tais como idade, antecedentes, densidade mamária, etc. ID – O que os levou a investir em tecnologia com tomossíntese e incorporá-la

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na rotina? Qual o diferencial dessa técnica? Dra. Mirela Ávila – Quando conheci os primeiros protótipos de mamógrafo com tomossíntese, tive certeza de que aquela seria uma grande evolução da mamografia. Desde então inúmeras publicações comprovaram que a detecção do câncer de mama aumenta consideravelmente com o uso da tomossíntese, e em algumas séries mostrando elevação de até 50% na acurácia diagnóstica da mamografia. Em 2013 adquirimos nosso primeiro mamógrafo com tomossíntese, sendo pioneiros no Nordeste. Desde então os benefícios dessa tecnologia foram rapidamente percebidos por toda a equipe, médicos e pacientes, ao se incorporar a mamografia 3D na nossa rotina.

ID – A tomossíntese pode ajudar no rastreamento? Ela faz diferença? Pode explicar? Dra. Mirela Avila – A tomossíntese é mamografia, porém uma “mamografia melhor”, que possibilita a percepção de alterações sutis e diagnósticos mais precoces. Portanto aumenta a capacidade de detecção em qualquer contexto. Em 2017 o CBR, em conjunto com a FEBRASGO e a SBM publicaram as recomen-

dações atuais para rastreamento do câncer de mama, referindo que o rastreio deve ser feito com tomossíntese, quando disponível no serviço (em associação à mamografia digital ou sintetizada), diante das evidências científicas. Associadamente, com a evolução da tecnologia, a redução progressiva da dose de radiação do exame foi um fator determinante para o uso seguro no rastreamento. ID – Quais os principais benefícios para as pacientes? Dra. Mirela Ávila – O grande diferencial da tecnologia ocorre por conta da melhor visualização das estruturas ao se reduzir a sobreposição dos tecidos, obtendo-se cortes milimétricos da mama, ao invés de uma imagem em bloco único. Na nossa prática, vemos como principais benefícios, a detecção de pequenos tumores e lesões sutis, de distorções do parênquima e a redução bastante evidente da realização de incidências complementares e repetições. ID – Poderia falar alguma coisa sobre os investimentos em tecnologia, como por exemplo do novo mamógrafo adquirido recentemente? Dra. Mirela Ávila – Estamos constantemente investindo em novas tecnologias. Trabalhar com diagnóstico gera a necessidade ter a melhor imagem possível, para obter o diagnóstico mais preciso, mas que tenha ao mesmo tempo, segurança e conforto para o paciente. O nosso novo mamógrafo com tomossíntese, da Fuji, nos possibilitou realizar exames 3D com bastante agilidade, respondendo à necessidade da nossa rotina com uma agenda concorrida, mantendo uma excelente qualidade de imagem. Além disso, apresenta tecnologia de compressão da mama mais anatômica, gerando menor desconforto. Fato que vem

sendo muito elogiado pelas nossas pacientes. ID – E no aspecto científico. Vejo que possuem um Centro de Estudos. Vocês têm algum projeto de incentivo ao aperfeiçoamento da equipe médica, com reuniões clinicas, produção de trabalhos científicos? Dra. Mirela Ávila – Nós temos uma preocupação constante em manter a equipe atualizada, trabalhando com uniformidade e padronização. Promovemos reuniões clínicas quinzenais em diversas áreas para toda a equi-

pe médica. Além disso, o Centro de Estudos conduz a realização de trabalhos científicos junto à equipe, sempre estimulando a produção literária. ID – E, com relação a participação em eventos, cursos e congressos, a equipe tem sido convidada a mostrar sua experiência? Dra. Mirela Ávila – Tenho muito orgulho em falar de nossa equipe. São vários radiologistas com vasta experiência em diagnóstico por imagem e muitos deles são frequentemente convidados a palestrar em eventos nacionais e internacionais. Além de toda a bagagem de ensinamentos, eles trabalham com uma grande humanização no atendimento. Essa é a nossa grande missão: “usamos a tecnologia do amanhã, mas o jeito de cuidar é de antigamente”.


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EVENTOS

omo parte das comemorações de 10 anos do to de Radiologia, Hospital Brigham and Women, Boston, ICESP – Instituto do Câncer do Estado de MA, e um dos autores do trabalho - Customized Residency São Paulo, será realizado no Leadership Tracks (Faixas Personalizadas de dia 26 de outubro, em parceria Liderança de Residências: Uma Revisão do como Instituto de Radiologia Que Funciona, O Que Estamos Fazendo e do HCFMUSP, o Seminário de Radiologia Idéias para o Futuro). Oncológica, coordenado pelos drs. Marcio O evento será realizado no Centro de R. Taveira Garcia, Regis Otaviano França e Treinamento do InRad-HCFMUSP, localizado pelo prof. Giovanni Guido Cerri. na Travessa da Rua Dr. Ovídio Pires de Campos, 75, Portaria 1 – 1º andar, Cerqueira César, Com uma programação científica de São Paulo. Terá o apoio da Canon Medical alto nível, focada nos principais avanços da Systems do Brasil e da Bayer, além do Centro imagem na área da radiologia oncológica, o de Estudos Radiológicos Rafael de Barros, e evento pretende enfatizar “das novas práticas da ID Editorial, responsável pelo jornal ID aos desafios futuros da Radiologia Oncológica. Além dos especialistas do ICESP e IN- Prof. Willian Mayo-Smith, do Interação Diagnóstica. RAD, vão participar professores convidados Hospital Brigham, Boston. Mais informações no email: centrodetreinamento@hc.fm.usp.br e inscrições no site: https://sympla. do Hospital do Amor de Barretos e do AC Camargo Cancer com.br/seminario-radiologia-oncologica---10-anos-doCenter. Também estará presente ao evento o convidado -icesp_329614 internacional prof. William Mayo-Smith, do Departamen-

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X Jornada Internacional de Ultrassonografia em Ribeirão Preto

e 8 a 10 de novembro de 2018 acontece a JIU 2018 – X Jornada Internacional de Ultrassonografia, em Ribeirão Preto, SP, no Hotel Resort JP, promovido pela FATESA/EURP, e coordenado pelo prof. Francisco Mauad Filho. Este ano, em paralelo a JIU também serão realizados o 4º Simpósio de Tecnologia em Radiologia; o 2º Simpósio de Tecnologia em Estética e o 1º Simpósio de Especialidades em Medicina Veterinária. O evento, com uma tradição de mais de 20 anos, tem o objetivo de reciclar e atualizar os médicos ultrassonografistas, radiologistas , generalistas e acadêmicos de medicina; os tecnólogos, técnicos, estudantes de tecnologia em radiologia; os tecnólogos e estudantes de tecnologia em estética e cosmética e, também os médicos veterinários e estudantes de medicina veterinária. Esse evento é de caráter institucional e conta com a participação de todas as áreas de atuação da FATESA/EURP, que o realiza com o apoio da SBUS, Ian Donald School, ISUOG, SIADTP, SOGESP e SINTTARAD. A jornada é uma oportunidade de confraternizar, trocar experiências e conteúdo com aqueles que contribuem para o fortalecimento dos setores de saúde, e compartilham as técnicas mais recentes em suas respectivas áreas, promovendo a difusão do conhecimento e informação, destacam os organizadores. As inscrições antecipadas tem desconto e já estão abertas. Mais informações no site: http://jiufatesa.com.br/

PERNAMBUCO

Internet - Ilustrativo

Radiologia de Cabeça e Pescoço, evento em Recife

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Sociedade de Radiologia de Pernambuco realizará, no dia 15 de setembro, o III Simpósio Internacional de Radiologia de Cabeça e Pescoço, com a participação do dr. Hugh Curtin, de Harvard Medical School e da dra. Ula Lindoso Passos, do Hospital Sirio Libanês, de São Paulo. A coordenação estará a cargo da dra. Maria de Fatima Vasco Aragão, presidente da SRPE, e o evento marcará, também, a inauguração da nova sede da entidade, que será no Rio Mar Trade Center – bloco C – sala 515. Informações e Inscrições (81)3423-5363.

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EXPEDIENTE Interação Diagnóstica é uma pu­bli­ca­ção de circulação nacional des­ti­n a­d a a médicos e demais profissio­n ais que atu­am na área do diag­nóstico por imagem, espe­cia­ listas corre­lacionados, nas áreas de or­to­pe­dia, uro­logia, mastologia, gineco-obstetrícia. Fundado em Abril de 2001 Conselho Editorial Sidney de Souza Almeida (In Memorian), Alice Brandão, André Scatigno Neto, Augusto Antunes, Bruno Aragão Rocha, Carlos A. Buchpiguel, Carlos Eduardo Rochite, Dolores Bustelo, Hilton Augusto Koch, Lara Alexandre Brandão, Marcio Taveira Garcia, Maria Cristina Chammas, Nelson Fortes Ferreira, Nelson M. G. Caserta, Regis França Bezerra, Rubens Schwartz, Omar Gemha Taha, Selma de Pace Bauab e Wilson Mathias Jr. Consultores informais para assuntos médicos. Sem responsabilidade editorial, trabalhista ou comercial. Jornalista responsável Luiz Carlos de Almeida - Mtb 9313 Redação Alice Klein (RS), Daniela Nahas (MG), Lizandra M. Almeida (SP), Claudia Casanova (SP), Valeria Souza (SP), Lucila Villaça (SP) Tradução: Fernando Effori de Mello Arte: Marca D’Água Fotos: André Santos, Cleber de Paula, Henrique Huber, Lucas Uebel e Agnaldo Dias Imagens da capa: Getty Images Administração/Comercial: Sabrina Silveira Impressão: Meltingcolor Periodicidade: Bimestral Tiragem: 12 mil exemplares impressos e 35 mil via e-mail Edição: ID Editorial Ltda. Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2050 - cj.108A São Paulo - 01318-002 - tel.: (11) 3285-1444 Registrado no INPI - Instituto Nacional da Pro­prie­dade Industrial. O Jornal ID - Interação Diagnóstica - não se responsabiliza pelo conteúdo das men­sagens publicitárias e os ar­tigos assinados são de inteira respon­sa­bi­lidade de seus respectivos autores. E-mail: id@interacaodiagnostica.com.br

SÃO PAULO

11º Encontro Nacional de Radiologia Cardíaca

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os dias 5 e 6 de outubro a Sociedade Paulista de Radiologia – SPR, realizará o 11º Encontro Nacional de Radiologia Cardíaca - ENRC 2018, no Maksoud Plaza Hotel, em São Paulo. O evento é organizado pela SPR em parceria com a Society of Cardiovascular Computed Tomography (SCCT) e a Society for Cardiovascular Magnetic Resonance (SCMR). Na coordenação do encontro deste ano estão os Drs. Andrei Skromov de Albuquerque, Henrique Simão Trad, Juliano de Lara Fernandes, Marcelo Hadlich, Otávio Rizzi Coelho Filho e Walther Ishikawa. O curso está dividido em módulos e foi planejado para apresentar aos seus participantes – radiologistas e cardiologistas – o que há de mais atual na área em conteúdo científico e tecnológico. Ao final do encontro será realizado o tradicional Team Spirit – uma competição entre duas equipes para laudar exames de tomografia e ressonância cardíaca – , moderado pelo Dr. Andrei Skromov de Albuquerque. Ha-

Internet - Ilustrativo

C

Radiologia Oncológica: seminário marca os 10 anos do ICESP

verá, ainda, a premiação dos Temas Livres e Casos. As pré-inscrições estão abertas e disponíveis até 20 de setembro. Confira a programação e mais informações no site: http://spr.org.br/eventos/cursos-avancados/xi-encontro-nacional-de-radiologia-cardiaca/

RIO DE JANEIRO

Tumores do Sistema Nervoso Central

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erá realizado, no Auditório do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, o Curso de Tumores do SNC, organizado pela dra. Lara Brandão, com uma intensa programação científica que se inicia no dia 20 e termina no dia 21 de outubro. O evento conta com o apoio do IRM Ressonância Magnética, Grupo Fleury e Clínica Felippe Mattoso. Serão discutidos mais de 300 casos de tumores intracranianos. Inscrições mediante o envio do nome completo, telefone para o watsapp: 21 99988-1674.


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Edição 105

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