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ABRIL / MAIO DE 2018 - ANO 17 - Nº 103

Os desafios da Radiologia com os avanços em inteligência artificial Com os avanços da informação digital e a incorporação de novas tecnologias, como PET/CT, PET/RM, RM de corpo inteiro e todo um arsenal de recursos, o médico que até uma década atrás trabalhava com apenas uma dezena de imagens, defronta-se com centenas ou milhares de novas imagens todos os dias, para emitir o seu diagnóstico. A chegada dos PACS, do Arquivamento na nuvem abriram uma nova frente, ampliaram o universo da imagem diagnóstica. Prenuncia-se uma nova mudança com

Temas de grande interesse na área da imagem “Recomendações para Mamografia em Pacientes com Dispositivo Médico Implantado”, da dra. Selma di Pace Bauab, (foto) da Clínica MamaImagem, de São José do Rio Preto, abre o Caderno Application nesta edição de 17 anos. Na sequência, “Classificação ultrassonográfica de nódulos tireoideanos – TI RADS”, da equipe da Imagem do Hospital Albert Einstein, “Avaliação por imagem de gestantes deficientes visuais”, do dr. Heron Werner, da CDPI, “Timo ectópico simulando massa patológica ao ultrassom”, do Dr. Harley de Nicola, da EPM e “Little Leaguers Shoulder: Relato de Caso”, da equipe de Imagem, do Grupo Fleury, completam o Caderno Application. Confira.

a chegada da Inteligência artificial, do Big Date, dos Aplicativos e todo um novo espectro de possibilidades, criando outras expectativas, muitas dúvidas e já está agitando o ambiente das salas de laudos. Como será o papel do Radiologista nesse novo futuro? Vai perder seu emprego? Como ele deve se preparar? A máquina vai substituir o homem? Nesta edição que antecede a abertura da JPR´2018 apresentamos novidades sobre o assunto em matérias na pag. 3 e 5. Confira.

Novos cursos de Medicina: Governo aprova moratória

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Ministro da Educação, Mendonça Filho, (foto) que está se desincompatibilizando para concorrer a eleições, assinou portaria proibindo a abertura de novas escolas médicas, inclusive públicas, nos próximos 5 anos. Hoje mais de 300 escolas oferecem ensino médico, muitas delas sem as necessárias condições. Os reflexos desta situação podem ser avaliados pelos números divulgados pelo Conselho Regional de Medicina, a partir de sua pesquisa sobre Demografia Médica. Veja na pag. 6

A vitalidade do mercado: empresas se reposicionam

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o mais simples equipamento de raios X, os filmes, os químicos (que ainda persistem), o mercado brasileiro dá uma pequena mostra, nesta JPR 2018, da sua vitalidade e versatilidade. As empresas se reinventam, hora fortalecendo a comercialização de equipamentos e hora direcionado-se para soluções digitais. A Canon Medical Systems, que está assumindo seu lugar, a Philips com suas novas

tecnologias, a Carestream com uma nova proposta, a GE com soluções digitais, a Guerbet comemorando seus 40 anos de Brasil, a Siemens com suas novas plataformas, a Samsung com um redirecionamento na sua estratégia, a FujiFilm com os produtos da Sonosite, a Bracco com nova direção, o diferencial da Bayer, a Saevo substituindo a Figlabs e assumindo o seu papel, e a Imex dando um novo rosto à Sul Imagem, mostram a vitalidade do setor. Confira na JPR.


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EDITORIAL Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

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Revolucionando a prática diária

uso da inteligência artificial (IA) na transformação de imagens radiológicas e na detecção e classificação de anomalias está crescendo. A aprendizagem profunda (Deep Learning) e a análise de grandes volumes de dados provenientes de estudos clínicos e de coorte (big data) têm enorme potencial para impulsionar o diagnóstico e o tratamento de diversas patologias. Os radiologistas precisam dominar essas tecnologias, que irão revolucionar sua prática diária em um futuro não tão distante. O assunto está presente em eventos especializados na área da imagem em todo o mundo, e foram debatidos em sessão realizada no ECR 2018, em Viena, intitulada “ New Horizons”. As aplicações de IA estão se disseminando rapidamente e na Radiologia estão cada vez mais no centro das discussões. No Brasil essa nova realidade já chegou. Discussões, debates e iniciativas proliferam, e na JPR 2018, não será diferente. Já existe uma certeza que a IA pode aprimorar o desempenho na detecção e a classificação de achados anormais em praticamente todos os métodos de imagem No ECR, o Dr. Joon Beom Seo, um dos principais pesquisadores e chefe de inteligência artificial do Centro de P&D em Diagnóstico por Imagem do Instituto Asan para Ciências da Vida, em Seul, mostrou resultados que dão uma dimensão desse avanço na prática diária. Envolvido com o processamento de imagens há 14 anos, também está trabalhando na transformação do diagnóstico por imagem, para superar a variação de imagens e métodos de reconstrução e desenvolver métodos de medição automáticos. Ele acredita que, neste último campo estão os avanços mais promissores que a tecnologia de aprendizado profundo trará para o diagnóstico por imagem. O pré e o pós-processamento das imagens ajudará na automação do diagnóstico por imagem, para que a quantificação das lesões esteja pronta antes da leitura das imagens e possa ser usada na rotina diária. O resultado é mais qualidade da leitura, melhor compreensão das imagens, e a possibilidade desses dados serem usados como uma ferramenta muito importante na análise médica de big data ou na medicina de precisão”. afirmou. Reconhece o pesquisador que, na aplicação da IA e do aprendizado profundo ao diagnóstico por imagem, a ausência de protocolos padronizados ainda é a grande dificuldade. Os algoritmos de reconstrução são diferentes em vários estudos de imagem, dependendo do fabricante, mas, utilizando dados pareados de imagens e mudando as imagens de TC com algoritmo de alta frequência para um algoritmo padrão, encontraram caminhos para uma solução. Esse tipo de tecnologia pode ser uma ferramenta muito boa para minimizar as diferenças entre as medições e

obter imagens normalizadas em estudos multicêntricos, e também no ambiente clínico. As pesquisas proliferam e alguns especialistas consideram os protocolos padronizados um problema na utilização dos dados de estudos clínicos, pois esses dados coletados podem variar muito de um estudo para outro. Para o dr. Christopher Schlett, da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, também presente ao ECR 2018, os dados clínicos são uma ótima oportunidade para a análise de big data; porém, há alguns desafios, começando pela alta variabilidade e pelas limitações qualitativas dos dados adquiridos. Esses tópicos precisam ser trabalhados, caso contrário a quantidade de dados deve ser ainda maior para que se tenha resultados sólidos. “Os big data podem se tornar dados burros se a qualidade for muito baixa”, afirma o pesquisador. Ressalta o especialista que o diagnóstico por imagem é fundamental nesses estudos: por exemplo, o UK Biobank e o estudo Coorte Nacional Alemão devem adquirir, respectivamente, cerca de 200.000 e 300.000 exames de RM de corpo inteiro. Outros estudos de coorte (Big Data) com base populacional já estabelecidos também estão considerando o diagnóstico por imagem muito relevante. A grande mensagem que fica, é que a imagem de RM de corpo inteiro ajudará a adquirir um melhor entendimento das doenças em estado subclínico, as quais podem tornar-se alvo de tratamento antes de se manifestar clinicamente. Mas esses dados só fazem sentido se forem combinados o diagnóstico por imagem com resultados clínicos. Uma questão sempre levantada: como ficam os empregos dos radiologistas ? Diante dessa realidade, os pesquisadores enfatizam que a comunidade radiológica deve adotar a IA sem se preocupar em perder seus empregos; mas, alertam que a IA ainda terá um impacto no papel exercido pela comunidade médica. “Essa é uma questão bastante delicada. Não acho que perderemos nossos empregos nos próximos dez anos, mas depois disso, se o aprendizado profundo tiver deixado nosso desempenho 4 ou 5 vezes melhor, talvez seja necessário reorganizar nossos papéis”, ponderou o dr. Joom Seo. Esse potencial reposicionamento ainda levará algum tempo, já que o desenvolvimento de tecnologias de aprendizado profundo está só começando. “Tornar a IA realmente útil ainda vai exigir muito trabalho árduo. Então, a utilização do aprendizado profundo e dos big data na rotina diária é algo que só veremos mais adiante. Temos ainda um longo caminho, e os radiologistas precisarão fazer uso de seus ótimos cérebros para colocá-la em funcionamento,” concluiu Schlett. (Fontes ECR Today e colaboradores)

COMEMORAÇÃO

Focado na qualidade, ID comemora 17 anos

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o longo da nossa história, iniciada no ano 2001, constituímos o nosso Conselho Editorial com profissionais de relevância no ambiente do diagnóstico por imagem, que incentivaram e apoiaram o desenvolvimento do projeto, seja à distância, apenas referendando iniciativas, ou mesmo analisando algum tema. Enfim compartilhando de um posicionamento crítico e informativo, com o objetivo de contribuir para a valorização do veículo. Com o passar do tempo, incorporamos outros nomes, sempre visando o melhor, a melhor informação e o conteúdo, para que a especialidade seja sempre valorizada. E, acreditamos, ao completar 17 anos, justamente nessa JPR´2018, cujo tema é “Transformando a Educação em Radiologia”, que a

nossa missão tem sido cumprida respeitando os princípios traçados. A evolução desse processo de consolidação do nosso Projeto Editorial, a manutenção do ID Interação Diagnóstica nem sempre foi coberta de flores, nem sempre só sucesso, pois, imprevistos e intercorrências fazem parte da nossa rotina. Diz uma velha máxima, e se aplica bem ao Brasil, “Prá frente que atrás vem gente”, que tem nos acompanhado em toda nossa existência, dos primeiros trabalhos no Hospital do Servidor, na Folha de S.Paulo, SPR e CBR, e em todos os assessorados que tivemos o prazer de atender e até os dias atuais nossa palavra é de gratidão. Em especial, aos membros do Conselho Editorial, relacionados a seguir que, mesmo em silêncio, foram decisivos para que sobrevivêssemos até aqui.

Sydney de Souza Almeida (in memorian)

Dolores Bustelo

Nelson M.G. Caserta

Alice C. Coelho Brandão

Hilton A. Koch

Rubens Schwartz

Andre Scatigno Neto

Lara A. Brandão

Omar Gemha Taha

Carlos A. Buchpiguel

Maria Cristina Chammas

Selma di Pace Bauab

Carlos Eduardo Rochitte

Nelson Fortes D. Ferreira

Wilson Mathias Jr.

E, para comemorar, inserimos novos nomes que, ao lado de marcarem uma renovação, trazem novos desafios para o jornal. Marcio Ricardo Taveira Garcia

Regis Otaviano França Bezerra

Augusto Antunes

Bruno Rocha Aragão

A todos, os nossos agradecimentos.

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REGISTRO Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

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ão Paulo – Imagine 2018: foco nos temas de inovação – Realizado em março, teve característica mais compacta e um conteúdo robusto pautado nos temas de inovação, inteligência artificial, impressão 3D, avanços da ultrassonografia e ênfase na Elastografia, que contribuíram para o aprimoramento e preparo dos profissionais de Radiologia. Promovido pelo InRad HCFMUSP com o apoio da Manole Educação, o evento recebeu 773 inscrições presenciais e 286 on-line, com uma média de 20 alunos por sala que acompanharam a transmissão ao vivo. A 16º edição do Imagine, pela primeira vez contou com a realização de três workshops durante o horário do almoço, que apresentaram conteúdos

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especializados. No dia 15, com o apoio da Guerbet Produtos Radiológicos, dentro do item inovação, o dr. Augusto Antunes, de Minas Gerais, falou sobre “Inteligência Artificial e Radiologia do Futuro”, mostrando e analisando as expectativas que envolvem a chegada desses novos recursos na rotina médica, na área da imagem. E, na sequência o dr. Bruno Aragão Rocha, falou sobre a “Impressão 3D na Radiologia”, e seu papel no ensino médico. No dia 16, com o apoio da Canon Medical Systems, o dr. Fumimori Moriyasu, do Hospital Sanno, do Japão, falou sobre Elastografia “shear wave, impacto clínico da imagem de dispersão na caracterização do fígado” mostrando a importância da ultrassonografia no diagnóstico das lesões hepáticas. Em seguida, o

ão Paulo – Novo Diretor Clínico do InRad – O dr. Leandro Tavares Lucato acaba de ser designado diretor clínico do Instituto de Radiologia do HCFMUSP, indicado pelo Conselho Diretor da Instituição. Com uma história ligada ao Complexo HC e à Faculdade de Medicina da USP, onde fez sua formação, cresceu no Instituto de Radiologia, incentivado pela profa. Claudia da Costa Leite, a quem substituiu na direção da Unidade de Ressonância Magnética. Antes de assumir o novo cargo, ocupava desde 2013 a posição de coordenador do setor de Neurorradiologia Diagnóstica e a chefia da unidade de Ressonância Magnética do InRad. Sobre sua formação, ele afirma: “Trata-se de uma área que eu sempre gostei, mas posso dizer que devo minha trajetória à dra. Claudia Leite, diretora de Inovação e Pesquisa do InRad, que me chamou a atenção para o tema e foi uma mentora que me apoiou e orientou meu doutorado”. No cargo há pouco mais de um mês, destaca a importância do desafio e a necessidade de vencer as demandas, de acordo com o momento que vivemos.

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dr. Fernando Linhares, fez uma demonstração prática, com os principais aspectos dessa tecnologia. O terceiro workshop, com apoio da GE Healthcare, ocorreu no dia 16, com a participação do dr. Heron Werner, da Clínica CDPI, Rio de Janeiro, sobre Reconstrução 3D de malformações fetais. Participaram da exposição comercial, também, as empresas Bayer, FujiFilm, Livraria Ciências Médicas, Saevo/Figlabs, prestigiando com profissionais das suas equipes. As dras. Maria Cristina Chammas e Eloisa Santiago Gebrim, bem como o prof. Giovanni Guido Cerri, se revezaram como anfitriões do evento que foi marcado pela informalidade e por um novo formato, mais compacto e adequado à estrutura do Centro de Treinamento do InRad. Mesmo assim, o Imagine 2018 não abriu

io de Janeiro – Encontro de Residentes de Radiologia – A quase totalidade dos Serviços de Radiologia do Rio de Janeiro marcou presença no I Encontro de Residentes de Radiologia organizado pela SRad-RJ. Cerca de 160 residentes, além de alguns chefes de serviço e preceptores, se reuniram no Centro de Convenções do Hotel Windsor no dia 23 de março. O dr. Manoel Rocha, presidente do CBR, fez a abertura do evento e falou sobre o CBR e o Congresso Brasileiro de Radiologia, que será realizado no Rio de Janeiro, neste mesmo local. O evento inovador, com conteúdos não relacionados a diagnóstico de doenças, porém ainda extremamente relevantes para a formação de um radiologista, foi sucesso entre os residentes. Fellowship, noções de contabilidade e investimentos financeiros foram alguns dos temas que mais se destacaram na opinião do público. A palestra sobre o mercado privado da Radiologia, com o dr. Romeu Cortez Domingues e a palestra da dra. Suzana Cavalieri sobre o processo para montar uma clínica privada, dando exemplos que estão funcionando bem na prática, foram muito aplaudidas. “Ninguém aprende na residência como vai fazer para re-

mão da sua característica multidisciplinar. Toda sua equipe foi mobilizada, levando aos presentes informações atualizadas, mostrando os principais avanços da área da imagem, aplicados por um centro de referência, como o Instituto de Radiologia. A dra. Maria Cristina Chammas, diretora do Serviço de Ultrassonografia do InRad, destacou que “a avaliação positiva do evento confirmou que o formato mais objetivo e interativo criou uma nova dinâmica no Imagine, atendendo as expectativas dos participantes ao reunir em sua programação temas relevantes para a prática diária, demonstrações práticas (hands on) e simpósios satélites, além das informações atualizadas sobre a especialidade e suas principais tendências para o futuro”.

ceber o seu dinheiro no final do mês, que muitas vezes precisa ser por pessoa jurídica. Ninguém aprende como fazer para se especializar no exterior. Queríamos trazer especialistas nestes assuntos para mostrar para os residentes o ‘caminho das pedras’ e dar uma visão mais ampla do âmbito profissional que ele vai enfrentar”, explicou o presidente da SRad-RJ, dr. Leonardo Kayat Bittencourt. Representantes das principais empresas farmacêuticas de meios de contraste em mesa redonda, foi considerada um ponto alto para os presentes, pelo grande interesse do tema, e pela oportunidade de ouvir pela primeira vez os três representantes de empresas concorrentes trazendo de forma harmônica e alinhada a visão institucional do setor para a comunidade médica, foi um marco para a entidade. O evento se encerrou com o dr. Thiago Julio falando sobre Big Data e inteligência artificial, mostrando aos residentes novas perspectivas de trabalho no futuro. As atividades da SRad-RJ seguem a programação e os Cursos Abércio Arantes, de Tórax, de Emergências e AVR já têm data para acontecer, além das reuniões Nicola Caminha, radiologia mamária e neurorradiologia. Informe-se.


OPNIÃO Por Dr. Felipe Veiga Rodrigues (SP)

As habilidades necessárias dos médicos do futuro na radiologia e diagnóstico por imagem A radiologia e o diagnóstico por imagem sempre se destacaram dentre as demais especialidades médicas na rápida incorporação de métodos, equipamentos e tecnologias para aprimorar o diagnóstico e acompanhamento dos pacientes. E temos muitas novidades tecnológicas chegando.

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udanças dramáticas irão ocorrer em todas as frentes relacionadas a saúde: do modelo de alinhamento do sistema de saúde, com uma maior ênfase na manutenção da saúde ao invés da cura e tratamento; da forma de remuneração do sistema de saúde, com a substituição do pagamento por volume e serviço prestado por pagamento pelo impacto em um desfecho clínico; da incorporação de tecnologias na prática diária, com a necessidade da atualização e treinamento de médicos já extremamente especializados. É uma tempestade perfeita. Todo o hype (esforço publicitário) e receio da comunidade radiológica mostra seu grande diferencial em relação as demais áreas: estar fortemente conectada as novas tendências e tecnologias. Não há dúvida que a especialidade irá mudar com as novas tecnologias de inteligência artificial, impressão 3D e radionomics – caberá a cada um de nós estar preparado e treinar as habilidades necessárias para ter sucesso no futuro. A primeira grande habilidade necessária é compreender o valor gerado pela radiologia e diagnóstico por imagem no cuidado ao paciente. O ACR Imaging 3.0 compilou uma série de artigos disponibilizados no JACR https://goo.gl/hkZixS. A grande ênfase da iniciativa é ir além da interpretação de imagem – o que significa estar mais perto do paciente e do médico solicitante. Do momento em que é considerado um exame, o radiologista em conjunto com o clínico solicitante pode colaborar na escolha do melhor exame, após considerar a dose de radiação já recebida por aquele paciente. Na aquisição e interpretação, a escolha do melhor protocolo, otimizando radiação e contraste, além do cuidado enfocado no contato médico-paciente nos casos específicos, permitindo a criação de um relatório voltado a resolução e ação clínica. Na sequência a ampliação do relatório com imagens dirigidas, criação de relatórios ricos em uso multimídia e a pronta ação de achados críticos aumenta ainda mais o valor do relatório. Por fim, o envolvimento multidisciplinar com os clínicos fortalece o impacto da radiologia no cuidado ao paciente, além da cadeia de valor. A segunda grande habilidade necessária é a ampliação da individualização do tratamento através de ferramentas de pós-processamento. Conhecimento e uso rotineiro desses softwares de mensuração automática de lesão, controle e detecção de achados ao longo do tempo, além da reformatação das imagens para melhor diagnóstico e consumo pelo paciente e pelo solicitante devem ser incorporados na prática. A mensuração é parte fundamental da radiologia do futuro, pois permite a quantificação reprodutível, o que não só é fundamental ao tratamento (ex. Protocolo RECIST) como também para aumentar a eficiência no controle evolutivo de achados – dado que existem softwares que automaticamente detectam tais achados marcados e os comparam. Quantificadas lesões e achados, tornam-se informações adicionais ao banco de dados de um dado paciente, relevantes para o desenvolvimento

de inteligência artificial. A terceira grande habilidade necessária é a incorporação da análise de dados e da inteligência artificial como parte integral do trabalho do futuro do médico radiologista. Isso significa investir na aquisição de habilidades que ainda não fazem parte do treinamento e atualização radiológica, muitas das quais como conhecimentos

básicos de análise de dados e programação estão disponíveis em Udacity (https:// goo.gl/VMkHBD) e Udemy (https://bit.ly/2IiEwsC). Para quem já tem essas bases, utilizar bibliotecas prontas como fast.ai é um próximo passo interessante. Podemos comparar o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial com sequências de ressonância magnética nas quais o entendi-

mento da física por trás de cada sequência obviamente trás vantagens para o radiologista. No dia a dia não é necessário seu entendimento completo de tal, porém é preciso customizar as sequências para o seu parque tecnológico, paciente e médico solicitante, tal como será necessário nos modelos de desenvolvimento de inteligência artificial. Dr. Felipe Veiga Rodrigues Médico Radiologista Alliar e Hospital Sírio-Libanês. Coordenador Médico de TI e Imagens no Hospital Sírio-Libanes Contato https://goo.gl/LexNbm

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INOVAÇÃO Por Lucila Vigneron Villaça (SP)

Novas técnicas agilizam a detecção de isquemia miocárdica, com redução de custos Avanços nas áreas de ressonância magnética e tomografia tornam mais precisos os diagnósticos da doença arterial coronariana, que é uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo ocidental. Os métodos, já em uso no Hospital do Coração (HCor) em São Paulo, evitam procedimentos invasivos e tornam mais rápidas as avaliações.

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momento no Hcor para investigações clíniara os médicos que trabalham pois os depósitos de gordura (placas) nas cas. A FFRCT consiste de um software que na área cardíaca, um dos diagartérias são as grandes responsáveis pela nósticos mais importantes permite o pós-processamento das imagens redução de fluxo cardíaco. Daí, baseados sobre seus pacientes com prode tomografia de coronária convencional, nessas informações, os médicos podem deblemas cardiológicos é o da cidir com mais segurança se devem seguir gerando a informação de se há ou não redução de fluxo sanguíneo causado por uma isquemia miocárdica. Pois é com base na com tratamentos medicamentosos ou se estenose específica nas artérias codetecção dessa condição que os ronárias. Esta informação não pode especialistas iniciam o tratamento mais adequado para evitar ser derivada da simples inspeção casos fatais, já que a isquemia visual da estenose pela angiotomografia de coronárias. É necessário é um dos principais fatores de um cálculo complexo baseado na mortalidade em todo o mundo ocidental. Portanto, novos anatomia das placas de ateroscleorse realizado pelo software de métodos para diagnosticá-la FFRCT da Siemens. “Atualmente são objetos de estudo continuamente. Uma das mais recentes estamos trabalhando com um aparelho da Siemens que faz cálculos evoluções e que deverá estar disponível em breve no Hospital do do fluxo fracional em pouco mais Coração (HCor), é a obtenção de de 15 minutos, sem necessidade dados completos sobre o fluxo do uso de stress com vasodilatores sanguíneo miocárdico absoluto como Dipiradamol ou Adenosina, e através da ressonância magnéque dispensa também uma segunda tica cardíaca. “A quantificação “Essa inovação é resultado de uma técnica desenvolvida pelo dr. Peter aquisição de imagem, como é o caso Kellmann”, enfatiza Dr. Carlos Rochitte. desse fluxo sanguíneo já pode da perfusão miocárdica de estresse será necessária uma intervenção cirúrgica. ser feita há algum tempo, mas demanda por TC”, diz o dr. Rochitte. Ainda, essa “A obtenção desses dados através da resmuito tempo e uma série de cálculos com técnica se revela mais vantajosa do que a já sonância é mais vantajosa, pois o custo é softwares específicos, o que fazia com que utilizada Reserva de Fluxo Fracionada (FFR) bem mais baixo, com um equipamento fosse usada apenas no cenário das pesinvasiva, em que a medida de diferença de quisas científicas. Mas agora já é possível que já está amplamente difundido e, além fluxo fracional é feita no ponto da estenose obter esse dado automaticamente, durante disso, não há radiação ionizante na ressonância. Não o exame de ressonância: ele aparece no é à toa que essa pesquisa display no próprio aparelho. Isso é uma foi premiada neste ano no evolução enorme”, conta o dr. Carlos Congresso de Ressonância Eduardo Rochitte, coordenador da área Magnética Cardiovascular de Ressonância Magnética e Tomografia de Barcelona”, relata o dr. Computadorizada cardiovascular do HCor. Rochitte. No trabalho do Essa inovação é resultado de uma técnica dr. Kellmann, demonstra-se desenvolvida pelo Dr. Peter Kellmann, engenheiro norte-americano pós-doutorado que a perfusão miocárdica e diretor do Programa de Processamento por ressonância traz resultados semelhantes ao método de Imagens da área Médica no Instituto de referência, a tomografia Nacional de Coração, Pulmão e Sangue por emissão de pósitrons, (NIH) dos Estados Unidos. Com a medida validando-a para uso clínico. do fluxo sanguíneo miocárdico absoluto antes e depois de introdução de cateter e com A outra frente de trabalho para o diag(em ml por minuto por grama de tecido) stress por vasodilatador, como a adenosina. nóstico da isquemia é a FFRCT, que é a demonstrada ainda no momento do exame, Pela queda da pressão, é possível obter-se Reserva de Fluxo Fracional Calculado pela é possível ter dados mais precisos acerca a queda do fluxo sanguíneo. “Essa técnica Tomografia (FFRCT), esta já disponível no do comprometimento cardíaco do paciente, é considerada padrão Ouro para detecção

de isquemia, mas é invasiva no cateterismo e requer o stress. Já a tomografia dispensa esses desconfortos, com a vantagem de ter um custo menor. Começamos a usá-la recentemente de forma parcimoniosa no HCor, testando-a em investigações clínicas, e os resultados têm-se mostrado muito animadores quando comparados com a FFR invasiva ”, completa o dr. Rochitte. Os resultados ainda são considerados como dados de investigação, uma vez que esta técnica ainda não tem regulamentação para utilização clínica no Brasil. Nos Estados Unidos, uma destas técnicas de FFRCT já obteve aprovação do FDA americano. Com essa nova técnica também ganha-se agilidade no diagnóstico, uma vez que nos casos em que se detecta uma lesão moderada na tomografia comum, o protocolo do clínico seria pedir uma ressonância com stress ou uma cintilografia. “Além disso, no caso de uma lesão de 60%, os médicos podem muitas vezes optar por fazer um cateterismo e com possível angioplastia. Mas não necessariamente esse resultado é indicação para o procedimento de revascularização. Já com a FFRCT conseguimos uma informação adicional, que é um índice fracional. Se ele estiver abaixo de 0,75, indica isquemia. Assim, mesmo para uma lesão que visualmente aparenta ser moderada, com o índice abaixo de 0,75 significa que o fluxo de sangue nas artérias está reduzindo, então é necessário um procedimento para tratar a lesão”, explica o dr. Rochitte. Assim, tanto com o uso da FFRCT quanto com a perfusão miocárdica por ressonância magnética, os médicos conseguem ter um diagnóstico mais preciso sobre a conduta a adotar nos casos de estenoses moderadas, indicando a necessidade de revascularização ou não. E tudo isso de forma mais barata e mais rápida.

Workplace reúne mais de 6 mil médicos Plataforma incentiva a troca de experiências e a difusão do conhecimento

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ançado em junho de 2017, o Workplace é a plataforma virtual do CBR para integração dos médicos que trabalham com Diagnóstico por Imagem. Em menos de um mês após o seu lançamento, a rede contava com mais de 2 mil usuários. Hoje, já são mais de 6 mil médicos radiologistas interagindo e trocando conhecimentos e experiências. Trata-se de uma iniciativa importante para a comunidade radiológica, haja vista que incentiva a interação, a ampliação de contatos e as discussões de caráter educacional, científico e de defesa profissional. O Workplace oferece as opções de curtir, comentar e compartilhar as postagens, permite que os médicos participem de grupos específicos de discussão de diferentes subespecialidades e também usem o Workchat para troca de mensagens instantâneas entre os colegas.

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Além disso, recentemente o CBR lanWorkplace podem interagir durante e depois do programa, enviando dúvidas çou os grupos das sociedades estaduais, e comentários. permitindo que tais associações divulDesde o seu lançamento já foram guem suas ações, eventos e discussões exibidos mais de 20 programas, aborrelevantes dentro de cada estado. Os médicos que já aderiram à pladando temas como Assessoria Jurídica do CBR, Defesa Profissional, Inteligência taforma e são usuários podem assistir Artificial, Engenharia Clínica, Diagnóstico ao Estúdio CBR ao vivo. O programa é por Imagem da Endometriose, Radiologia transmitido sempre às quintas-feiras pelo Pediátrica, entre outros. Workplace, no grupo “Acontece no CBR”, Além da transmissão ao vivo às a partir das 19h. quintas-feiras pelo Workplace, os vídeO programa é apresentado pelo Drs. Manoel Rocha e Rogério Caldana presidente do CBR, dr. Manoel Rocha, e os ficam disponíveis no YouTube e no pelo diretor de comunicação da entidade, dr. Rogério Caldana. portal do CBR, no menu “Publicações”, assim como através Todas as edições recebem dois convidados para debater assunde podcast. Se você ainda não faz parte do Workplace, junte-se a nós! tos importantes relacionados à especialidade. Os usuários do


PERFIL DE UM EVENTO Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

JPR coloca a Educação em Radiologia na pauta das discussões Neste ano, em que a Sociedade Paulista de Radiologia comemora o seu 50º aniversário de fundação, a JPR´2018 abre a sua programação no dia 3 de maio, e o tema central inovador, Transformando a Educação na Radiologia, coloca na ordem do dia um dos grandes desafios da especialidade no País.

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, para abrir os trabalhos, a presença da dra. Valerie P. Jackson, que fará uma avaliação do tema, como uma líder da RSNA, parceira da SPR nesta edição de 2018. Na sequência, o dr. James Borgstede discutirá o tema Inovações em Educação. Como já é uma tradição, nomes de referência são homenageados pela instituição e, neste ano, o prof. Carlos Alberto Buchpiguel, do Departamento de Radiologia e Oncologia da Faculdade de Medicina da USP, será o presidente Dra. Valerie P. Jackson Prof. Artur Rocha Fernandes Prof. Carlos Alberto Buchpiguel de honra e o dr. Artur Rocha Fernande atrativo. Aulas tradicionais, simpósios, a instituição vem assumindo, colocando o des, do Departamento de Radiologia da workshops, hands on, discussões de casos, e Brasil na roda das discussões, com qualidade Escola Paulista de Medicina – Unifesp, apresentação de painéis já fazem parte de sua e eficiência. como patrono. rotina, e os números quase sempre surpreCoincidência ou não, dois dos prinFoco no conteúdo e na endem, como principal vitrine para mostrar cipais centros de ensino médico no País, valorização da especialidade o que se produz cientificamente no País. com serviços de diagnóstico por imagem Cerca de 800 trabalhos inscritos como de referência, pesquisa e atuação intensa Desde a fundação, a valorização da painéis e temas livres, dos quais 512 painéis na formação de especialistas na área da especialidade através da difusão de conhedigitais e 186 impressos e 88 temas livres, imagem. cimento, da atualização e da troca de expesendo que 539 foram aprovados através dos As outras homenagens, como membros riências, foram a marca dos seus eventos. critérios de avaliação do evento, dão uma honorários da instituição, serão conferidas O aperfeiçoamento dessas ações ao longo dimensão do papel da JPR no incentivo à aos drs. James Borgstede, da Universidade desse período, refletem no prestígio que a produção de ciência e a valorização do ensido Colorado; dr. Sergio Mogillansky, da instituição conquistou e o respeito junto a no que é produzido nas instituições. Escola de Medicina da Universidade Nacioinstituições internacionais. Ao lado dos painéis, a Sessão de Internal de Comahue, Argentina e, finalizando, Uma programação multidisciplinar de pretação de Imagens, a conhecida CCRP, é dr. Guilhermo Azulay, do Hospital Aleman, alto nível, com as principais referências do outra concorrida e bem sucedida iniciativa, da Argentina. país, convidados da América Latina, hoje que neste ano será coordenada pelo dr. ReReflexo desse intercâmbio internauma parceria institucionalizada e, nesse nato Hoffmann, pela SPR, e dr. Jeffrey C. cional que a SPR vem desenvolvendo ao ano, parceria com a RSNA, fazem da JPR um Weinreb, pelo RSNA, com casos selecionalongo destas últimas duas décadas, as evento a ser vivenciado anualmente. dos de musculoesquelético, abdome, tórax e homenagens caracterizam esse perfil que A diversidade do seu conteúdo é o gran-

neurorradiologia. Será no dia 4 de maio, na sala P, às 17h45. O caráter inovador do evento se manifesta em quase todos os setores e, de um tempo para cá, colocaram na pauta a sessão Profissionalismo, num primeiro momento com a participação da dra. Valerie Jackson, hoje, na liderança do RSNA. No dia 5 de maio, às 12h30, dois temas de muita atualidade: Como pensam os radiologistas? Desde Sherlock Holes até dr. House, e desde Alan Turing até Watson”, pelo dr. Marcelo Gálvez, do Chile, e o dr. Mauricio Castillo, dos Estados Unidos, que falará sobre “Insatisfação, exaustão e desigualdade: três grandes desafios em radiologia”. E, finalizando, entre os destaques de conteúdo, a Sessão de Inteligência Artificial, no dia 5, sala P, às 17h45, com palestras dos drs Marc Kohli e Luciano Prevedello, com uma ampla abordagem histórica, e de aplicações atuais e perspectivas.

Exposição comercial, sempre um grande atrativo Consolidada como principal feira de equipamentos da área da imagem, a JPR´2018 será uma grande oportunidade para ver de perto o que estão fazendo, pela ordem dos nossos anunciantes, Samsung, Bracco Imaging, GE Healthcare, Philips Medical Systems, Guerbet Produtos Radiológicos, Siemens Healthneers, Carestream Health, Figlabs/Saevo, Bayer, Sul Imagem, MM Diagnostica, Fatesa/Eurp, Imagem Plus, FujiFilm e Canon Medical Systems.

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MATÉRIA DE CAPA Por Luiz Carlos de Almeida (*)

Governo suspende a criação de novos cursos de Medicina e abertura de novas vagas No momento em que a Radiologia se prepara para o maior evento da especialidade, a JPR´2018, de 3 a 6 de maio, com um temário focado na Educação em Radiologia, a área médica é surpreendida com uma almejada atitude do Ministério da Educação: a suspensão temporária da abertura de novas escolas de medicina.

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uas portarias assinadas em declara: “A demanda de médicos nos hospipois o Brasil não tem condições de formar afirma que a mesma não entraria em conflitais será atendida com os cursos já criados. A to com o Sistema Nacional de Avaliação da Brasília, no dia 8 abril, pelo médicos na quantidade de estudantes que abertura de postos já superou Educação Superior (Sinaes) do ministro da Educação, Menhoje são aprovados para as escolas de medidonça Filho e pelo presidente cina. Ao estabelecer bases para a reorganizaa demanda”. MEC. “Teríamos um olhar diferenciado sobre como e quais ção da formação médica, e tendo como foco Michel Temer, dão um novo Também foi anunciada a seriam as diretrizes curriculaa melhoria da qualidade profissional, estará alento para a Medicina, e instalação de uma comissão res, o número de professores, sendo preservada a qualidade assistencial da define critérios para a abertura de novos técnica externa que definirá os serviços de apoio”. Além medicina à população”. cursos. A medida estabelece moratória por os critérios que deverão ser disso, ele diz que o mais imcinco anos proibindo a abertura de novas seguidos pelas faculdades Exame de proficiência, portante é garantir a qualidade escolas, inclusive as públicas, e institui uma médicas já abertas e seguirá uma necessidade dos cursos e a certeza de que o comissão que irá definir critérios para as esas boas práticas nacionais e colas atuais. O número de cursos abertos no médico saia da faculdade apto internacionais para definir as Os números refletem o acerto da decisão País aumentou de 181 em 2010, para 302 em a fazer atendimento adequado exigências que serão cobradas e vem ao encontro do movimento centrali2016, com mais de 60 editais em execução. ao paciente. das escolas médicas. Dentre os zado no Conselho Regional de Medicina do “A expansão de vagas de forma desorPara José Otávio Costa membros da comissão estão Dr. Lavinio Camarin Estado de São Paulo, que há anos vem readenada coloca em risco a qualidade de enAuler Júnior, diespecialistas de universidades lizando exames para avaliação sino, e para o aumento das escolas é preciso retor da Faculdade de Medicirenomadas e representantes de associações das escolas médicas, a partir na da USP (FMUSP), a medida haver infraestrutura e corpo docente com médicas nacionais. dos candidatos aprovados na do MEC chega em boa hora e formação adequada”, afirmou o ministro O prof. Raul Cutait, da Faculdade de Prova do Cremesp. No mês concorda com a suspensão de Mendonça Filho, que está deixando seu Medicina da USP, que será um dos membros de março, a entidade aprenovos cursos e vagas em todas cargo para concorrer às eleições. da comissão, enfatizou durante a cerimôsentou pesquisa sobre Denia: “Não adianta só abrir as instituições de ensino do A medida será válida mografia Médica´2018, onde faculdade de Medicina sem país, até mesmo nas estadutambém para cursos que já o presidente Lavínio Milton ais. Segundo o professor não pensar na qualidade. Isso é estão em andamento, agora Camarin analisou e discutiu se trata apenas de autonomia um desserviço à população. proibidos de aumentar o núos resultados desse trabalho. mero de vagas e, mesmo as insuniversitária, mas também de É importante definir esses Dos 2.636 médicos que tituições estaduais, que, pela precisar de regulação e formucritérios, que passam por participaram da última prolação de uma política de ava- Dr. Lincoln Lopes Ferreira regra atual, têm autonomia questões como a qualidade va, segundo o estudo sobre a liação sistemática tanto para para criação de vagas, ficarão dos professores e as instalaDemografia Médica no País, ções necessárias para que o os estudantes, como para as suas escolas. sujeitas às regras da suspenproduzido com o apoio da Faculdade de são. As únicas exceções são os aluno tenha contato real com Medicina da Universidade de São Paulo, AMB e CRM comemoram editais formulados pelo MEC o paciente”. mais de 35% acertaram menos de 60% das a medida (total de 67) já lançados que “Depois de definidos os questões. O quadro fica ainda mais preopreveem a criação dos cursos Ministro Mendonça Filho critérios, as faculdades terão As duas portarias assinadas atendem cupante, quando 88% dos recém formados e vão poder expandir as vagas. um prazo para se adequar, e as às reivindicações da Associação Médica não souberam interpretar o resultado de Mendonça classificou a medida como que não preencherem os requisitos terão de Brasileira (ABM), do Conselho Federal de uma mamografia, 78% erraram diagnósticos “freio de arrumação” do setor. “Essa é uma ser fechadas”, explica Cutait. Ele também Medicina (CFM) e de outras entidades méde diabetes e 60% demonstraram pouco parada necessária para assegurar que todos afirma que a suspensão é necessária, e que dicas que vinham denunciando ao Governo conhecimento sobre doenças parasitárias e, os cursos tenham qualidade a necessária”, os Estados Unidos e Japão já tomaram a Federal os problemas da abertura desenfrefinalizando, 40% não souberam elaborar a afirma. As medidas valem para todos os mesma medida há anos. ada de escolas médicas no País. suspeita de um caso de apendicite aguda. cursos, mesmo para aqueles que estão bem O presidente da Associação Brasileira de O dr. Lincoln Lopes Ferreira, Presidente (x) Colaboraram Valeria de Souza e Isabelle avaliados. Questionado sobre o possível Educação Médica (Abem), Sigisfredo Luis da Associação Médica Brasileira (AMB), vê déficit de médicos nos hospitais, Mendonça Brenelli, em relação à criação da comissão, este momento como “um marco na história, Mantovanelli (SP)

Caminhos para vencer as deficiências do ensino

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om intensa atuação na formação médica, como diretor da Faculdade de Medicina da USP, por dois mandatos, onde é titular do Departamento de Radiologia e Oncologia, o prof. Giovanni Guido Cerri, tem participado desta movimentação ao longo destes anos, visando a melhoria do ensino médico. Inserido nos principais projetos educacionais, de inovação, e com intensa atuação acadêmica e de gestão, falou ao ID-Interação Diagnóstica, sobre a decisão do governo. Para ele, “o Brasil, não só na área médica, mas em geral, na área do ensino superior, não privilegiou a qualidade e, sim a quantidade. Nos últimos anos ocorreu um abertura indiscriminada de escolas médicas sem a mínima estrutura. Alguns milhares de médicos serão formados em escolas novas nos próximos anos sem que exista uma avaliação da qualidade do ensino que é oferecido e se essas escolas conseguem ter uma infraestrutura suficiente para formar esses profissionais que vão atender a população no país”, pondera. “Esse é um aspecto que preocupa muito porque o médico atua diretamente com o paciente. A recente tentativa de suprir médicos em regiões aonde faltam profissionais no país foi feita de uma forma equivocada”, enfatizou. Segundo Cerri aumentaram o volume de médicos, tentando saturar o sistema, mas isso não vai resolver o problema da distribuição, que tem de ser feita com planos de fixação do médico, plano de carreira, algo que valorize o bom médico e o motive a ir para regiões mais remotas, e não simplesmente aumentar a quantidade, destacou o professor. “É de conhecimento de todos que boa parte desses médicos não tem uma formação suficiente para exercer uma boa medicina, e isso vai se agravar nos próximos anos em uma

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proporção que é muito preocupante. Nós sabemos que vamos ter milhares de médicos sem formação adequada, pois, não houve preocupação real de fiscalizar e acompanhar o ensino nessas faculdades que foram abertas de forma indiscriminada nos últimos anos”, analisa.

desse sistema seria realizar exames ao longo do curso, a cada dois anos, para poder avaliar o grau de conhecimento que o estudante está acumulando, e informar a escola a respeito das suas deficiências para que pelo menos durante o curso, essas deficiências pudessem ser suprimidas e, não, só depois que ele já estivesse formado. Uma moratória tardia Esse problema de qualidade acaba refletindo também em Questionado sobre a publicação da portaria governamentodas as especialidades, inclusive no diagnóstico por imagem, tal, que impede a criação de novas escolas pelo prazo de cinco porque esse médico que é mal formado, acaba entrando em anos, o prof. Giovanni Cerri destacou: residências, muitas vezes também sem estru“É uma moratória tardia, ou seja, depois tura, e acaba se tornando um especialista com que tantas escolas foram abertas, em lugares uma bagagem de conhecimento insuficiente. mais remotos do país, sem infraestrutura, sem Não só a questão da má formação do professor, sem ter hospital-escola. A esta altura médico generalista que sai da faculdade de não vai resolver o mal que já foi feito. Por esse medicina é preocupante, mas também a formotivo, avaliar as escolas existentes e como mação deficiente do profissional que acaba os alunos estão saindo das faculdades, é uma ingressando na residência médica, e se transdecisão importante. Não existe outra solução forma num especialista sem uma formação que não seja realizar exames de avaliação para adequada. E o problema maior é que quem poder saber se o médico tem condições ou não vai arcar com o ônus de ser atendido por um de exercer a profissão”. mal médico e sem uma formação adequada é “Diferente do Direito, o estudande de a população, e as consequências serão sempre medicina investiu tempo, e na maior parte muito graves. dos casos, dinheiro, para se tornar médico. E “O exame terá um papel importante, ao Prof. Giovanni Cerri como é que vai ser depois de seis anos, dizer avaliar a evolução do estudante de medicina que a escola dele é ruim, não lhe deu conhecimento suficiente ao longo do curso e, assim, corrigir as deficiências apontadas para se formar. Isso é um drama. O ideal seria impedir que a enquanto ele ainda está na faculdade. Com isso, há tempo, escola formasse médicos. Hoje, eu vejo como única alternativa não só para que ele possa se corrigir, mas também para que realizar exames de avaliação, após o final do curso, para saber a faculdade tome medidas para melhorar o desempenho dos se o médico tem conhecimento suficiente para poder atender seus alunos em áreas onde ele não esteja sendo adequado. E o paciente”, explica Cerri. depois um exame final qualificando se o médico está preparado E, na sua opinião, uma outra opção ou aprimoramento ou não para atender pacientes”, conclui o prof. Cerri.


COMEMORAÇÃO Por Claudia Casanova (SP)

Residência Médica do ICESP celebra dez anos de atuação A Residência Médica do Serviço de Radiologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) está comemorando 10 anos. Para marcar a ocasião, o jornal Interação Diagnóstica conversou com os doutores Marcio Ricardo Taveira Garcia e Regis Otaviano França Bezerra, ambos do Serviço de Radiologia, que falaram sobre a evolução do serviço e do ensino em radiologia oncológica na instituição.

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programa oficialmente conhecido como complementação especializada em Diagnóstico por imagem em Oncologia está ligado ao programa de residência médica do INRAD/HCFMUSP coordenado pela dra. Regina Lucia Elia Gomes e já formou mais de 60 especialistas em radiologia oncológica, que atualmente estão espalhados por diversos serviços em todo o Brasil. Quando começou a oferecer o serviço de radiologia, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo contava com uma estrutura que incluía apenas um tomógrafo, três aparelhos de ultrassom e um de raio-X, além de uma pequena equipe de médicos. Os últimos dez anos foram marcados por uma crescente evolução da área, ampliação do parque tecnológico e seu reconhecimento pelo rigoroso padrão de qualidade. Atualmente, são 6 tomógrafos, 4 ressonâncias, 5 ultrassons e 4 aparelhos de raio-X, que fazem mais de 8000 exames/mês. Todo o serviço está integrado ao Departamento de Radiologia e Oncologia da FMUSP trabalhando em sintonia com o Instituto de Radiologia do HCFMUSP sob a direção do prof. Giovanni Guido Cerri. O Serviço de Radiologia do ICESP vivenciou toda a evolução da especialidade, agregou e venceu etapas para fortalecer a especialidade dentro de uma estrutura focada na Oncologia”. “Para nós, é muito prazeroso ver como a instituição e o serviço de radiologia evo-

luíram nesses dez anos, principalmente quando consideramos que, além do aumento do volume de pacientes atendidos, o nosso corpo clínico também amadureceu. Nosso

giões e radioterapeutas. Por conta disso, nunca deixamos de lembrar que a via principal do nosso trabalho é o bem-estar do paciente. O comprometimento profissional também é um ensinamento importante, o que é passado por meio do exemplo: nós sempre nos empenhamos em fazer um serviço bem-feito, que não se resume apenas a administrar ou distribuir ordens, mas também a realizar bons relatórios dos exames e participar das reuniões multidisciplinares”.

mesmo quem já seguiu por outros caminhos profissionais, acabou levando adiante o que aprendeu aqui, o que é muito importante para o trabalho do ICESP como um todo”. Os desafios atuais estão na área de produção de conhecimento e na participação do desenvolvimento de novos métodos diagnósticos, preditores de resposta e seguimento do paciente oncológico. O ICESP participa de Congressos nacionais como JPR, CBR,RSNA, ESGAR e ECR, dentre outros, com trabalhos premiados em vários eventos. Além disso, vem se dedicando na pesquisa sobre imagem quantitativa e de padrões de resposta que estejam à altura das novas terapias alvo, como os imunoterápicos. Outro orgulho para o serviço é o curso Hands on de Radiologia Oncológica oferecido pelo Centro de Estudos Rafael de Barros (CERB/INRAD) que completa serviço de ensino, que é um dos braços 6 anos de sucesso, fortalecendo o vínculo da residência médica do Departamento com o ensino e a troca de experiências de Radiologia e Oncologia da FMUSP, com radiologistas de todo o Brasil. também passou por um grande processo Para finalizar, o dr. Garcia afirmou de maturação, sendo reconhecido por sua que a principal conquista para a equipe excelência. Hoje, oferecemos dez vagas de nos últimos dez anos é o fortalecimento radiologia oncológica (R4), sendo que a primeira turma contava com apenas dois Drs. Marcio T. Garcia e Regis França Bezerra, ladeados pelos da própria radiologia dentro da oncologia e no mercado de saúde. “Esse proresidentes”, conta o dr. Marcio Ricardo drs. Sandron Fenelon e Ricardo Freitas do Icesp cesso todo aconteceu especialmente porque O dr. Regis Otaviano França Bezerra Taveira Garcia. a própria oncologia clínica se fortaleceu, o também falou sobre a residência médica, Sobre a especialização em radiologia que refletiu na área radiológica. Hoje em lembrando que muitos residentes que se oncológica, o dr. Garcia lembra que são dia, temos um olhar mais direcionado e em destacaram foram chamados para fazer parte trabalhados dois pilares essenciais: o cuidado com os pacientes e o engajamento conjunto com as outras especialidades para do corpo clínico. “O caminho final da formação na residência é a entrada no mercado de do profissional. “Sempre reforçamos que uma assistência focada no paciente oncológico. Isto possibilita que tenhamos pesquisas trabalho, e nós fazemos questão de chamar o papel dos médicos radiologistas é muito direcionadas e uma medicina mais personaos residentes que mais se destacaram para importante para a condução de cada caso, lizada para os nossos pacientes, auxiliando integrarem a nossa equipe, o que só reforça pois participamos ativamente das decisões muito o planejamento terapêutico”, conclui. um trabalho responsável e de qualidade. E juntamente com oncologistas, clínicos, cirur-

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ENTREVISTA Por Claudia Casanova e Luiz Carlos de Almeida (SP)

Einstein completa o ciclo, evolui e cria sua Academia de Imagem Utilizando-se das modernas instalações do Instituto de Ensino e Pesquisa do HIAE, em plena av. Paulista, com toda estrutura necessária, que começou a funcionar no final de 2017, com cursos de pós-graduação lato senso, e reunindo sob um mesmo guarda-chuva iniciativas de ensino que já faziam parte da área, o Departamento de Imagem do Einstein, inova e reúne todas as suas atividades didáticas, que incluem desde o curso acadêmico de medicina até a Pós-Graduação, na Academia de Imagem Einstein.

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ensino de qualidade e prática para os radiologistas, uma das novos profissionais e de estimular a troca de informações sta iniciativa deve criar de forma geral, novas premissas dos cursos: “Com uma estrutura equipada com o para além da radiologia, como foi o caso do curso de neurooportunidades de atualização tanto para acadêmicos de medicina, jovens médicos em início anatomia trimendisional, coordenado pela dra. Mariana Daque há de mais avançado em tecnologia e uma equipe de laqua. Esses formatos de conteúdo promovem um essencial de carreira, quanto para os profissionais da área especialistas de referência, somada à grande quantidade encontro de várias especialidades, o que só pode agregar à que desejam se aperfeiçoar. Para falar sobre de informações existente em nossa área, a Academia se nossa área”, finaliza o dr. Adriano. o tema, o jornal ID Interação Diagnóstica conversou com transforma em mais uma importante oportunidade para a seus coordenadores, os drs. Adriano Tachibana, Luiz Guilherme Hartmann e Miguel J. Francisco Neto. Com uma história de mais de 60 anos marcada especialmente pelo atendimento de ponta e a preocupação com a responsabilidade social, além de uma atuação de alto nível em ensino e pesquisa, o Hospital Israelita Albert Einstein inova mais uma vez e desenvolve múltiplas atividades didáticas pioneiras utilizando métodos de Imagem. Neste contexto, o Departamento de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do HIAE, cujo diretor é dr. Marcelo Buarque de Gusmão Funari, Da esquerda para a direita, dr. Miguel José Francisco Neto, dr. Adriano tem contribuído cada vez mais para Da esquerda para direita dr. Ronaldo Baroni, dr. Marcelo B. G. Funari e Tachibana e dr. Luiz Guilherme Hartmann a propagação de conhecimento e a dr. Mauro Miguel Daniel formação médica e para programas de revisão e melhora na formação dos profissionais da área. O ensino, a atualização e a especialização atualização. Assim, nós temos o privilégio de poder ensinar Assim, englobando todas essas atividades didáticas A estrutura Academia Einstein de Imagem nasceu com temas específicos e, dentro de grandes áreas como neuroloque envolvem os métodos de Imagem, o Departamento uma vocação focada no ensino e, portanto, “agrega hoje todo gia, cabeça e pescoço, musculoesquelético, abdome, tórax e desenvolveu a Academia de Imagem Einstein, que se Ensino – desde: 1. Morfologia e Semiologia para a Faculdade ultrassonografia, conseguimos manter uma atualização em propõe a fazer diferença no campo da educação continuade Medicina Albert Einstein - com utilização de modernas da em saúde. Iniciativa delineada pela área de Ensino do diversas frentes. É isso o que estamos agregando e trazendo técnicas de Imagem – a Faculdade inaugurada há pouco mais Departamento de Imagem, tem o objetivo de contribuir para oferecer dentro da Academia Einstein de Imagem”. de dois anos, tem no seu programa o Ensino e a utilização cada vez mais para a propagação de conhecimento e a de recursos de Imagem desde o início do curso; 2. Estágio Um cenário de ensino cada melhora na formação dos profissionais da área, utilizandopara acadêmicos; 3. Residência médica em nível R1, R2, R3 e vez mais completo -se de moderna tecnologia, com utilização conjugada dos R4 – todos os cursos credenciados pelo MEC e pelo Colégio métodos de Imagem de forma integrada para os diversos O dr. Luiz Guilherme Hartmann conta que a Academia Brasileiro de Radiologia; 4. Pós-graduação lato sensu; 5. cursos e níveis de aprendizado, englobando desde o curso está em sua segunda turma de pós-graduação o Estado da Cursos de Atualização e 6. Pós-graduação stricto sensu em de Medicina até a Pós-Graduação. Arte, com um curso destinado essencialmente aos radiolonível de mestrado e doutorado acadêmico, cuja coordenação Sob a coordenação dos drs. Adriano Tachibana e Luiz gistas, seja para os profissionais que já atuam no mercado em Imagem é do dr.Ronaldo H.Baroni. ou para recém-formados, além de pessoas Em outra frente, a iniciativa também prevê uma atuação que querem complementar sua residência voltada especialmente para a realização do CIDI – Congresso médica. Internacional de Diagnóstico por Imagem do Hospital Albert Os resultados têm sido muito favoráEinstein- que assume progressivamente cada vez mais releveis, conforme conta Hartmann: “No decorvância na área, também coordenado pelo dr.Baroni. rer dessas duas turmas de pós-graduação, Ainda o Departamento inaugura área na Unidade observamos que os alunos ganham de fato Morumbi, dedicada a integração de atividades estratégicas uma bagagem e conhecimento para aplicar ligadas ao Ensino e Pesquisa em Imagem. A Pesquisa, coo que estão aprendendo no dia a dia deles. ordenada pelo dr. Gilberto Szarf, estará integrada à gestão Para nós, isso é muito importante porque o estratégica e convivendo com projetos de Informática avannosso principal objetivo é transmitir toda a çada, com importante participação dos drs. Edson Amaro experiência e tecnologia que temos em um Jr., Marcelo de Maria Félix e Felipe Barjud. hospital que reúne uma equipe multidisciIntegrantes também do corpo docente, os drs. Miguel, plinar e de várias especialidades. O retorno Tachibana e Hartmann, veem a ação da Academia com ótimas tem sido mesmo muito positivo e as turmas perspectivas. Para eles, trata-se de uma ação estruturante vêm crescendo no número de participantes. e agregadora, ao desdobrar sua essência educativa, para Para 2018, por exemplo, as vagas da terceira conceder-lhe um caráter único e também mais sustentável turma de pós-graduação em radiologia foram a partir da indicação e formação de novas lideranças, cada Guilherme Hartmann, a Academia integrará as diversas esgotadas.” vez mais competentes e com perfil global. frentes de trabalho que já faziam parte do Departamento e Sobre a criação de novos cursos, todos ministrados “Ao ser comandada por jovens médicos competentes também desenvolverá novas alternativas para quem busca a pela equipe de profissionais do Einstein, o dr. Adriano e que podem utilizar técnicas extremamente modernas e especialização e a atualização continuada. “O Departamento Tachibana enfatiza que a Academia englobará todas as racionais de Ensino, com tecnologia e didática inovadoras, de Imagem já apresentava uma vocação inerente ao ensino, áreas que são trabalhadas no hospital, não só na área da o setor só tem a ganhar, especialmente com relação à sua com diversas iniciativas coordenadas pelo dr. Miguel J. FranImagem, mas integrando-as com especialidades correlatas, própria sustentabilidade. A imagem é hoje uma especialidacisco, gestor de Ensino do Departamento. Com a criação da valorizando a personalidade multidisciplinar da instituide multimodal que participa de todas as áreas da medicina, Academia, nosso objetivo é fazer com que todo esse conheção. Assim, entre outros temas, oferecerá dois novos cursos por isso tem ocupado um papel diferenciado, pois muda o cimento que é agregado em um Hospital de ponta seja cada de pós-graduação em radiologia – com foco em Imagem “workflow” do paciente, reduzindo custos e contribuindo vez mais compartilhado, o que vai ao encontro à essência Músculo-Esquelética e Abdominal – e também passará para uma medicina cada vez mais baseada em precisão e da própria Sociedade Israelita Brasileira Albert Einstein. A pela área de ultrassonografia. Nesta última, os cursos já integrada. Tudo isso resulta em prática médica realmente implantação de uma Academia integrada também nos dará estão sendo estruturados com a expectativa que possam ser melhor, mais diferenciada e com melhores resultados e uma visão mais global de como tudo está se encaminhando”, oferecidos ainda este ano. que somente se consolida quando se completa o ciclo com explica o dr. Adriano Tachibana. “Há ainda os cursos rápidos, com atualização em assuno compartilhamento do conhecimento através do Ensino”, O médico também falou sobre a importância de um tos específicos. Eles são criados com o intuito de agregar concluem os médicos.

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ENSINO Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

Sírio e Fleury celebram parceria técnico-científica em imagem Promover a capacitação e o intercâmbio científico voltados para médicos e residentes que atuam na área da imagem é objetivo da parceria técnico científica celebrada, no dia 20 de março, entre o Hospital Sírio-Libanês e o Grupo Fleury. Evento realizado no HSL, reuniu profissionais das duas instituições, e destacou os principais aspectos dessa parceria que tem no seu foco a qualidade, visando o aprimoramento médico e o aperfeiçoamento da assistência aos pacientes.

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m sintonia com os principais avanços da especialidade, o ato abriu espaço para o prof. Giovanni Guido Cerri, diretor do Centro de Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio-Libanês, falar sobre a Radiologia do Futuro. Na sequência, a dra. Jeane Tsutsui, superintendente médica do Grupo Fleury sobre a “Integração da Radiologia” e o do dr. Cesar Nomura, diretor de Estratégia em Diagnóstico

por Imagem do Hospital Sírio-Libanês anunciou os programas já definidos e a estratégia de trabalho. Para o prof. Cerri, que é titular do Departamento de Radiologia e Oncologia da FMUSP, a “Radiologia passa por grandes transformações, e o médico que estava preparado para ver algumas imagens de Raio-X na sua rotina, agora trabalha com milhares de imagens, na busca de um diagnóstico. “

Na sessão de apresentação os drs. Carlos Marinelli, Cesar Nomura, Jeane Tsuitsui, Giovanni Cerri e Paulo Chapchap

“A medicina está cada vez mais precisa, com terapias individualizadas para cada paciente, a automação de laudos, a integração de atividades e a medicina personalizada, passaram a fazer parte da rotina do Radiologista. Por isso, é preciso que o profissional esteja atento a sua atualização”, enfatizou. Para a dra. Jeane Tsuitsui, cardiologista focada na área de imagem, essa parceria científica HSL-Fleury marca o início de um novo tempo, com duas instituições que estão sempre olhando para o futuro. “Hoje vivemos o momento da integração entre as especialidades, que produz uma Medicina baseada em valores, fundamental para que o paciente receba o melhor em termos de atendimento”. “O objetivo desta parceria é proporcionar experiência acadêmica-profissional em campo de trabalho, bem como aprimoramento técnico-científico na formação de médicos e residentes. Os programas são direcionados aos médicos em formação, conhecidos como fellows, que buscam especialização prática em diagnóstico por imagem nas subespecialidades mama, músculo-esquelético, cabeça e pescoço”, informou o dr. Cesar Nomura, um dos idealizadores do projeto, ao lado do dr. Rogerio Caldana, coordenador da área da imagem do Grupo Fleury. Os programas de capacitação também contemplam encontros bimestrais, chamados de Grand Rounds, nos quais se discutirão os casos de pacientes entre os profissionais participantes do projeto. Para o segundo semestre, está prevista a organização de um evento multidisciplinar sobre a importância do diagnóstico do câncer de mama para mastologistas, promovido pelas duas instituições signatárias da parceria.

Cerimônia de lançamento A cerimônia de lançamento foi realizada no Sírio-Libanês Ensino e Pesquisa, e contou com a presença do presidente Carlos Marinelli, do Grupo Fleury, e dr. Paulo Chapchap, diretor geral do Hospital Sírio-Libanês. “Esta cooperação técnico-científica é uma firme expressão do compromisso das duas instituições em gerar conhecimento e atuar com excelência na medicina em benefício das pessoas, da comunidade médica e da sociedade”, afirma Carlos Marinelli, presidente do Grupo Fleury. “Procuramos contribuir continuamente com o setor como um todo e compartilhar informações para que juntos possamos aperfeiçoar o atendimento aos nossos pacientes”, conclui dr. Paulo Chapchap, diretor geral do Hospital Sírio-Libanês. (x) Colaborarou Isabelle Mantovanelli (SP)

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Recomendações para Mamografia em Pacientes com Dispositivo Médico Implantado (DMI) (marcapasso, desfibrilador cardíaco e porth-a-cath)

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ssunto pouco comentado na literatura, mas que suscita dúvidas no dia-a-dia, foi abordado em artigo publicado no Br J Radiology em 2016, pelo grupo holandês LRCB (sigla em holandês para Dutch Reference Center for Screening), avaliando o impacto do dispositivo médico implantado (DMI) na qualidade da imagem, na dor durante a realização da mamografia e na ansiedade da paciente portadora do mesmo e do técnico que executa o exame. O marcapasso é implantado em duas localizações: subcutânea: abaixo da clavícula, próximo ao ombro, abaixo da pele ou, mais frequentemente, em situação submuscular. Fig. 1. A qualidade da imagem da mamografia é melhor quando o dispositivo está localizado completamente submuscular. Fig. 2 e 3

Rolke et al., em 1999, sugeriram que se deve considerar a interferência potencial do marcapasso na mamografia, demonstrando que o mesmo causou obscurecimento de parte da mamografia em 12% das mulheres portadoras do dispositivo. O autor recomenda a obtenção de uma mamografia de base antes da implantação do DMI e que, em pacientes de alto risco, uma localização não convencional do dispositivo poderia ser apropriada. Em relação à dor, as pacientes experimentaram maior dor e ansiedade durante o exame no lado com o dispositivo. Em relação aos técnicos, estes experimentaram maior ansiedade e realizaram menor compressão do lado com o dispositivo.

Fig. 1. Localização do marcapasso. A) subcutâneo (DMI-s) e b) submuscular.

Fig. 3. Mamografia de boa qualidade, antes e após o implante do Porth-a-cath

O grupo que realizou o estudo questionou a Netherlands Heart Rhythm Association (NHRA) (comitê da the Netherlands Society of Cardiology) e vários fabricantes, sobre qual seria a força de compressão adequada sobre estes dispositivos. As respostas não foram diretas sobre esta pergunta, indicando que, na verdade, não se sabe exatamente qual seria a compressão ideal sobre o DMI. O grupo considerou adequada uma compressão de no mínimo 50N, ou 5Kg, devido a possível incorreto processamento da imagem abaixo de uma compressão de 50N. O artigo seleciona algumas recomendações do LRCB sobre a realização da mamografia nas pacientes portadoras de DMI : - Quem pode fazer o exame e como abordar a paciente: Fig. 2. A) Mamografia de boa qualidade mostrando o DMI em um local que não interfere com a imagem da mama; b) Diminuição da qualidade da imagem devido à presença do DMI no centro da mama. BR J Radiology em 2016, pág. 5

Baseados no pequeno número de problemas observados neste estudo, os autores não acreditam haver alto risco na realização da mamografia em mulheres portadoras de DMI. Ainda neste estudo, os autores observaram que quando a paciente é portadora de um Dispositivo Médico Implantado (DMI), o radiologista e o técnico em radiologia devem considerar dois aspectos: 1) O impacto na qualidade da imagem, na dor durante a realização do exame e na ansiedade devido à presença do DMI 2) A segurança do procedimento em relação ao funcionamento do dispositivo No artigo, em relação à qualidade da imagem, observaram-se: - uma redução do contraste em 11 a 29% dos exames, - menor projeção da musculatura peitoral em 31,5% - menor projeção dos quadrantes laterais em 25,5%

1) Mulheres portadoras de dispositivo médico implantado podem realizar a mamografia após 6 meses da implantação do dispositivo 2) É relevante para reduzir a ansiedade: uma explicação cuidadosa sobre o procedimento, antes e após o exame, à mulher com o dispositivo médico implantado Em relação à localização do DMI, geralmente a mulher com o dispositivo médico implantado no tecido subcutâneo (DMI-S) tem conhecimento de sua localização e, segundo recomendação do NHRA (Comitê da Sociedade de Cardiologia) o LRCB aconselha que estas mulheres não deveriam fazer o exame fora de hospital. - Como fazer o exame, lembrando que a uniformidade e a reprodutibilidade são essenciais para uma imagem com alta qualidade técnica: 1) Trabalhe de acordo com o posicionamento técnico padrão e pelo menos, tenha certeza de que a mama está solidamente fixa no lugar. Apesar de não se encontrar entre as recomendações do LRCB, algumas tecnólogas recomendam que, se necessário, pode-se utilizar a incidência lateromedial oblíqua (LMO) 2) É importante mostrar tanto tecido quanto possível, para projetar o grande peitoral maior e comprimir (parte da) área onde o dispositivo está localizado, se necessário CONTINUA


Recomendações para Mamografia em Pacientes com Dispositivo Médico Implantado (DMI) (marcapasso, desfibrilador cardíaco e porth-a-cath) CONCLUSÃO X então utilizar os mesmos valores do kV e do mAs obtidos na mama sem DMI, com exposição manual na mama com o DMI. Fig. 4. Em relação à segurança na mamografia, em mulheres portadoras de marcapasso, Gauch et al., em 1996, observaram não haver relatos na literatura médica de alterações na função do marcapasso com métodos diagnósticos, como Ultrassonografia, Ecocardiograma, Teste Ergométrico, Vetocardiograma, Holter, Raio-X, Cinecoronariografia, Medicina Nuclear, Mamografia, Tomografia e Eletroencefalografia, desde que os equipamentos estejam em condições adequadas de manutenção e aterramento. Encontramos apenas um relato de dano permanente ao marcapasso, descrito por Sherman et al. em 2005, detectado 3 meses após a realização da mamografia, atribuído ao exame, devido a intensa dor referida pela paciente durante a realização da mamografia. O autor recomenda atenção estrita durante a mamografia, em mulheres com marcapasso cardíaco, para evitar danos. Após o conhecimento das recomendações do LRCB, passamos a utilizá-las na prática clínica e observamos que são recomendações reprodutíveis e de fácil execução, permitindo maior segurança tanto à paciente quanto à técnica e ao Serviço de Radiologia.

Bibliografia

Fig. 4. A) Interferência do desfibrilador cardíaco e do implante de silicone na qualidade da imagem ; B) A imagem pode ser melhorada com as recomendações descritas

3) Se a técnica de posicionamento e a qualidade da imagem estiver pior na incidência MLO na mama com o DMI do que na contralateral, faça outra incidência da porção caudal da mama (abaixe a posição do detector) 4) Quando a força de compressão é baixa, recomendamos que a paciente segure a respiração durante a tomada da incidência, evitando que a imagem saia tremida 5) Sugerimos força de compressão de no mínimo 50N (5Kg) 6) Geralmente a força de compressão é maior em mulheres com mamas grandes. Assim, aconselhamos a projetar a mama com o DMI na incidência MLO em duas partes, para evitar forte compressão no DMI. Algumas vezes observa-se que o processamento da imagem pode ser influenciado pelo DMI, diminuindo a qualidade técnica. Assim, uma alternativa, quando isto ocorrer, é o técnico fazer primeiro uma incidência da mama sem o DMI, com exposição automática e

1) Paap E, Witjes M, Verhoeven CVL, Pijnappel R et al. Br J Radiol 2016;89:20160142. Mammography in females with an implanted medical device : impact on image quality, pain and anxiety. 2) Roelke M, Rubinstein VJ, Kamath S et al. Pacing Clin Electrophysiol. 1999 Jul;22(7):1106-7. Pacemaker Interference with Screening Mammography. 3) Gauch PRA, Halperin C, Galvão Filho SS et al. Daec 1996. Orientações a Respeito das Interferências sobre Marcapassos Cardíacos. 4) Sherman MM.N.Engl J Med 2005 oct 27; 353(17) : 1865. Damage to pacemaker lead during mammography.

Agradecimentos: À Comissão de Controle de Qualidade em Mamografia do CBR, pela solicitação da pesquisa e à Dra. Silvia Sabino, do Hospital de Câncer de Barretos, por fornecer o artigo do LRCB

Autora Selma di Pace Bauab Médica Mamografia, diretora da Clínica MamaImagem - São José do Rio Preto - SP

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Classificação ultrassonográfica de nódulos tireoideanos (TI-RADS) – Revisão da evolução na última década / validação ACR Introdução: A prevalência de nódulos tireoideanos na população em geral é bastante elevada, sendo a maioria dos pacientes assintomáticos, com detecção aos métodos de imagem, incidentalmente, crescente, frente ao constante e progressivo desenvolvimento de novas tecnologias diagnósticas. No que tange à avaliação cervical e especificamente tireoideana a ultrassonografia é o método de imagem de eleição para o estudo e a caracterização adequada dos nódulos tireoideanos. Além disso, é sabido, que a grande maioria dos nódulos tireoideanos são benignos, valor que pode chegar a 90%, de acordo com as diferentes referências bibliográficas utilizadas. Apenas a minoria destes nódulos são malignos, nem todos com impacto sobre a morbidade e mortalidade dos pacientes¹. Dito isto, torna-se evidente a necessidade de tentar estratificar o risco de malignidade de um nódulo tireoideano, com vistas à orientação e à padronização de condutas, como a adequada indicação de aspiração por agulha fina (PAAF), seguimento clinico-imaginológico ou simplesmente o encerramento da investigação, pelo comportamento indolente, notadamente nos nódulos menores que 1 cm. Temos como exemplo o câncer de tireóide do padrão papilífero, que é o tipo histológico mais frequente, com um prognóstico relativamente favorável, estimando-se a sobrevida de até 90% dos pacientes ao longo de 30 anos². Baseando-se no BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System®), padrão de estratificação de risco e orientação de condutas em achados na mama, diversas publicações convergem na tentativa de uniformizar os achados diagnósticos de maneira similar na glândula tireóide. Fato concretizado pelo TI-RADS (Thyroid Imaging Reporting and Data System) cujo sistema utiliza de uma linguagem padronizada, que seja reprodutível e que facilite a comunicação entre especialistas da área, por conseqüência otimizando o tratamento. A primeira publicação sobre o tema data de 2009, de Horvath et al³, e trazia dez padrões diferentes de classificação, com aspectos rebuscados, de difícil reprodutibilidade, que invialibilazaram sua implantação e aceitação pelos radiologistas em geral. Apresenta o grande mérito, todavia, de ser o primeiro artigo no âmbito a utilizar a terminologia TI-RADS , elencando esta proposta.

O TI-RADS é uma classificação ponderada no risco de malignidade, portanto quanto maior a classificação do nódulo, consequentemente maior o risco desse achado radiológico ter origem neoplásica. A categoria 4 ainda fora dividida em 4a (um achado suspeito), 4b (dois achados suspeitos) e 4c (três ou quatro achados suspeitos). Caso o nódulo apresente todas as cinco características de suspeição, será então classificado na categoria 5. A categoria 1 seria sem nenhum achado, a categoria 2 inclui cistos colóides por exemplo, e a categoria 3 nódulos que não possuem nenhuma das características suspeitas. Em 2012, o ACR (American College of Radiology) convocou um comitê para fornecer recomendações para a notificação de nódulos acidentais da tireóide e desenvolver um conjunto de termos padrão (léxico) para relatórios de ultrassonografia, na proposta de desenvolver um TI-RADS balizado pela organização, à semelhança do que já ocorreu no passado com o BI-RADS. O comitê publicou os resultados dos primeiros esforços em 2015. Com o anseio de suprir a necessidade de padronização da linguagem médica, outras sociedades como a Associação Americana de Tireóide (ATA) e Academia Sul Coreana de estudos da tireóide (KSTR), tomaram a abordagem um pouco diferente, baseada em padrões, porém com a mesmo intenção. A abundância, complexidade e falta de congruência desses sistemas limitou sua adoção pelo ultrassom e inspirou esforços para publicar um sistema de classificação. No ano de 2017, os autores publicaram as recomendações “White Paper do Comitê ACR TI-RADS”6, que fornecem orientação sobre gerenciamento de nódulos tireoidianos com base nos achados e características da ultrassonografia. Os autores também descrevem as futuras orientações do comitê, mas a relatam que decisão final da conduta deve ser tomada individualmente, com base nos fatores de risco do paciente, ansiedade, comorbidades, expectativa de vida e outras considerações relevantes. Persiste em constante construção e haverá novas atualizações. Em abril de 2018, consolida-se publicação no Radiology, utilizando a versão do ACR como base para o TI-RADS.

Classificação ACR TI-RADS 2017: White Paper 6 Para a categorização dos nódulos, são avaliadas as características ultrassonográficas por um sistema de pontuação, seguindo critérios conforme a composição, ecogenicidade, formato, margens e focos ecogênicos internos. A classificação atual divide em 5 categorias: • TI-RADS 1: Benigno / 0 pontos • TI-RADS 2: Não suspeito / 2 pontos • TI-RADS 3: Levemente suspeito / 3 pontos • TI-RADS 4: Moderadamente suspeito / 4 a 6 pontos • TI-RADS 5: Altamente suspeito / 7 pontos ou mais As recomendações deste último consenso incluem que a PAAF não é realizada nas categorias TI-RADS 1 e 2, por serem benignos, e nas categorias TI-RADS 3, 4 e 5 o que orienta a necessidade ou não de punção é o tamanho do nódulo, para o que existe um valor base. Mas como regra geral, considera-se PAAF: - nódulos maiores ou iguais a 2,5 cm ; - nódulos com características suspeitas maiores ou iguais a 1,0 cm.

Ainda em 2009, foi lançada uma segunda versão por Park et al4 4, seguida em 2011 por uma terceira atualização proposta por Kwak et al. Propunha a utilização de cinco critérios de malignidade para a estratificação, sendo eles: presença de microcalcificações, margens microlobuladas ou irregulares, hipoecogenicidade, hipoecogenicidade acentuada e possuir o maior eixo no sentido antero-posterior (“mais alto do que largo”5). Com base nestas características de suspeição para malignidade, e na quantidade das mesmas apresentada pelo nódulo, Kwak et al 5 classificam os nódulos em seis categorias diferentes, sendo elas:

Isso porque em 2005, Machens et al, observou que nódulos malignos apresentam um maior risco de disseminação quando maiores que 2,0 cm e com mais de 3,0 cm há um risco aumentado na curva de mortalidade. A elastografia, vista ainda como uma técnica promissora, não foi incorporada ao TI-RADS ACR 2017 por não haver estudos sólidos que correlacionem com o risco de malignidade, além de ainda não estar amplamente disponível. O estudo Dopplerfluxométrico, outrora utilizado como estratificação de risco para malignidade, conforme proposto por Lagalla e Chammas, sofreu mudanças na sua forma de avaliação e tem sido utilizado para diferenciar o conteúdo no interior do achado ultrassonográfico, como sólido, cístico ou sob a forma de debris. Aquele antigo conceito de vascularização central e periférica, está hoje em desuso, devido a sua grande variação inter e intra-observador. Os critérios que devem ser avaliados para determinar a suspeição de um nódulo, são:

1 – normal,

• Composição;

2 – achados benignos,

• Ecogenicidade;

3 – achados provavelmente benignos,

• Formato;

4 – achados suspeitos,

• Margens;

5 – altamente suspeitos,

• Focos ecogênicos internos.

6 – malignidade confirmada por biópsia pregressa.

CONTINUA ABR / MAI 2018 nº 103

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Classificação ultrassonográfica de nódulos tireoideanos (TI-RADS) – Revisão da evolução na última década / validação ACR CONTINUAÇÃO

Composição:

– provavelmente representam as paredes de microcistos – 0 pontos.

Orientações:

Devem ser pontuados quanto a característica: • Nódulos císticos ou predominantemente císticos (acima de 80 %) não têm pontuação e são invariavelmente benignos. • Nódulos espongiformes, com componente predominantemente cístico (> 50% de composição), não devem ser acompanhados e não tem pontuação. •

Mistos, sólidos-císticos, e se o conteúdo predominante for sólido, deve-se somar 1 ponto.

Puramente sólido ou quase completamente sólido, somar 2 pontos.

Calcificação - 2 pontos, pois representa estrutura sólida.

Como reportar:

Será suspeito se: • •

Nódulos menores que 1,0 cm: Microcarcinoma papilífero – Não se recomenda biópsia de nódulos menores que 1 cm, mesmo se suspeitos (ACR 2017 / ATA 2015) Todavia alguns especialistas defendem ablação/lobectomia/acompanhamento: Biópsia pode ser feita entre 5-9 mm nas situações: linfonodos com características suspeitas para disseminação; extensão extra-tireoideana; multifocalidade; detecção de focos ativos no PET em pacientes com outro CA (se o tratamento de metástases intra tireoideanas modificar sobrevida); posição em que o crescimento seria crítico.

Componente sólido excêntrico, margens anguladas com a parede, marcadamente hipoecogênico, com lobulações, focos hiperecogênicos puntiformes. Doppler: ligar para avaliar a região central, a presença de fluxo dará certeza se é sólido (diferente de hemorragia / debris).

QUANTO À QUANTIDADE - Não descrever mais do que 4 nódulos; manter os de pontuação mais elevada. QUANTO AO CRESCIMENTO - Define-se como significativo um crescimento de 20% em pelo menos 2 dimensões do nódulo - no mínimo de 2 mm ou 50% de seu volume. A análise comparativa e evolutiva com exames antigos deve ser realizada ROTINEIRAMENTE.

Seguimento:

Ecogenicidade: Comparar a ecogenicidade do nódulo com o restante do parênquima, quanto maior a hipoecogenicidade, maior a suspeição para malignidade.

Ampla variação na literatura, inclusive para neoplasias conhecidas (vigilância ativa) Recomendação do TI-RADS:

Anecóico: 0 ponto;

• TI-RADS 5: Acompanhamento anual por até 5 anos.

Hiper ou isoecogênico: 1 ponto;

• TI-RADS 4: Acompanhamento nos anos 1,2,3 e 5.

Hipoecogênico: 2 pontos;

• TI-RADS 3: Acompanhamento nos anos 1,3 e 5.

Marcadamente hipoecogênico (equivalem a ecogenicidade da musculatura): 3 pontos.

Caso não exista certeza quanto à ecogenicidade do nódulo: 1 ponto.

Os nódulos anteriormente descritos como uniformemente hiperecogênicos (“white knight”) e os nódulos com aspecto em “pele de girafa”, que são áreas hipo entremeadas por áreas hiperecogênicas, vistos frequentemente na tireoidite de Hashimoto por exemplo (aspecto de pseudonódulos), foram deixados fora da classificação, por serem bem sugestivos de benignidade e por terem relatos esparsos na literatura.

Formato: Possui o maior eixo no sentido ântero-posterior. “mais alto do que largo”: Muito específico para malignidade - 3 pontos. Pode ser avaliado visualmente. Se não tem essa característica: 0 pontos.

Margens: Antigamente havia muita discussão em relação ao halo dos nódulos para predição de malignidade e nesta edição foi tirado da classificação por auxiliar muito pouco. Margens lisas e homogêneas: 0 pontos. Margem mal definida: Utilizar se não conseguir julgar - 0 pontos Lobulada ou irregular: Margens não homogêneas, espiculados, com protrusões para o parênquima adjacente - 2 pontos Extensão extra tireoideana: perda focal dos contornos da glândula - 3 pontos.

Sem crescimento significativo: cessar acompanhamento (benignidade). Crescimento significativo, porém ainda abaixo do limiar para biópsia, pode-se ainda acompanhar - controverso. Mudança de categoria: repetir em 1 ano, independente da categoria inicial.

Biópsia aspirativa: Não se recomenda mais do que 2 nódulos; os de maior pontuação, não necessariamente o maior. Existindo vários nódulos sugestivos de benignidade, nenhum sugerindo características que sugiram punção, não há evidência que favoreça a punção do maior somente pelo seu tamanho.

Conclusão: Nossa instituição toma como referência e adota a classificação proposta por Kwak et al de 2011, publicação que, por época da introdução do sistema de classificação em nossos laudos, apresentou-se como mais factível e aplicável em termos de larga escala, visando ao

Quadro 1. Ilustra a sequência das publicações sobre as diversas versões do TI-RADS.

Focos hiperecogênicos: Característica ainda em estudo e com múltiplas classificações e variáveis, sendo que nesta última edição ACR TI-RADS, ainda não está totalmente definida a correlação com malignidade.

Artefato em cauda-de-cometa exuberantes: focos ecogênicos com ecos posteriores maiores que 1 mm em forma de “V” - benignos; Representam material colóide no interior de um cisto. Macrocalcificações: focos ecogênicos grosseiros com sombra posterior - associação pobre com malignidade - 1 ponto; Calcificações periféricas: muito discutível, entretanto 2 pontos, por falta de evidência. Focos ecogênicos puntiformes: Pequenos focos hiperecogênicos com ou sem artefato mais discreto – artefatos em cauda-de-cometa tênue são associados com nódulos sólidos; Associação com corpos psamomatosos do CA papilífero – Suspeitos – 3 pontos.

Situações especiais: Nódulo com calcificações cuja sombra impede a análise do próprio nódulo – 3 pontos (2 pela composição provavelmente sólida e 1 ponto pela ecogenicidade). Nódulo espongiforme com focos ecogênicos em seu interior

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CONTINUA


Classificação ultrassonográfica de nódulos tireoideanos (TI-RADS) – Revisão da evolução na última década / validação ACR CONCLUSÃO X Quadro 2. Diversas publicações em ordem cronológica, sobre as diversa versões do TI-RADS, a partir da primeira versão de 2009 de Hortvath et al.

a fim de facilitar a nomenclatura, descrições e otimizar condutas para os pacientes. O TI-RADS elencado pelo ACR pode ser uma referência para a implantação definitiva em termos mundiais de um sistema efetivo e confiável de classificação de nódulos tireoideanos. Destacamos que na última edição de abril 2018, da conceituada revista Radiology,7 há importante publicação neste sentido, o que deve contribuir sobremaneira para a aderência de tal sistema em escala global.

Referências 1 Rahal Junior A, Falsarella PM,, Rocha RD, Lima JP, Iani MJ, Vieira FA, Queiroz MR, Hidal JT, Francisco Neto MJ, Garcia RG, Funari MB. Correlação entre a classificação Thyroid Imaging Reporting and Data System [TI-RADS] e punção aspirativa por agulha fina: experiência com 1.000 nódulos Einstein 2016;14(2):119-23. 2 Ito Y, Uruno T, Nakano K, et al. An observation trial without surgical treatment in patients with papillary microcarcinoma of the thyroid. Thyroid 2003;13:381-7. 3 Horvath et al. An ultrasonogram reporting system for thyroid nodules stratifying cancer risk for clinical management. J Clin Endocrin Metabol 2009; 94: 1748-51. 4 Park et al. A proposal for a thyroid imaging reporting and data system for ultrasound features of thyroid carcinoma. THYROID 2009; 19: 1257-64. 5 Kwak et al. Thyroid Imaging Reporting and Data System for US Features of Nodules: A Step in Establishing Better Stratifi cation of Cancer RiskRadiology 2011; 260: 892-99. 6 Tessler, F.N., Middleton, W.D., Grant, E.G. et al, ACR Thyroid Imaging, Reporting and Data System (TI-RADS): white paper of the ACR TI-RADS Committee. J Am Coll Radiol. 2017;14:587–95. 7 Tessler, F.N., Middleton, W.D., Grant, E.G.Thyroide Imaging and Data System( TI-RADS): A user˜s guide.Radiology 2018; 267: 29-36.

treinamento e curva de aprendizado da equipe de radiologistas. Consideramos as características suspeitas de malignidade na ultrassonografia, e na dependência da quantidade dessas características apresentadas, para que assim seja adequadamente classificada e estratificada. Em 2016 publicamos o primeiro artigo brasileiro com nossa experiência na classificação TI-RADS, com grande semelhança técnica e normativa com os padrões propostos por Kwak et al, com mínimos pontos de divergência. Evidenciam-se na última década diversas publicações com o objetivo de normatizar e uniformizar um sistema de classificação de risco para nódulos tireoideanos. Há uma variabilidade considerável entre as classificações propostas até a presente data, o que dificulta uma padronização universal e a comunicação entre os médicos assistentes. Tais fatos deixam clara a necessidade de união da comunidade científica a fim de uniformizar o léxico para achados ultrassonográficos na tireóide, idem ao acontecido com o BI-RADS,

Autores Suheyla Ribeiro, Luis Ricardo Marques Peixoto, Juan Marcelo Fernandez Alcala, Andre Brunheroto, Antonio Rahal, Jr., Lilian Zanini, Marcos Roberto Gomes de Queiroz, Rodrigo Gobbo Garcia, Alexandre Maurano, André Renato Cruz Santos, Felippe José Corrá de Freitas, Carmos Augusto Vicentini, Julie Marie Abe, Miguel J.Francisco Neto, Marcelo Buarque de Gusmão Funari (x) Medicos residentes (xx) Médicos radiologistas diretores de serviços Depto de Imagem do Hospital Israelita Albert Einstein

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Avaliação por imagem de gestantes deficientes visuais

O

apego materno-fetal (AMF) é definido como Todas as Gestantes foram acompanhadas até o parto que foi submetido a USG 2D e 3D obteve pontuação mais alta no grau de AMF do que as submetidas apenas à USG e todos os recém-nascidos apresentaram fenótipo normal. o surgimento de novos comportamentos em mulheres grávidas, que traduzem o vínculo e a interação que ocorre entre as gestantes e seus filhos ainda por nascer. A capacidade de identificar o feto como um ser único já nos estágios iniciais da gravidez contribui para o desenvolvimento desse apego de uma forma mais precoce 1. A utilização da ultrassonografia (USG) no acompanhamento pré-natal possibilita a análise quantitativa do AMF. Essa análise se dá pela avaliação da forma como as imagens geradas durante o exame são partilhadas, pela capacidade da mãe em formar uma imagem mental do bebê, pelos comentários feitos pelas mães sobre as imagens obtidas, assim como pelo grau de diminuição da ansiedade materna. Estudos sugerem que a idade gestacional na qual a avaliação por USG é Fig. 2: Modelo 3D do corpo fetal (28 semanas) obtido a partir da Ressonância realizada influencia no desenvolvimento do AMF. Fig. 1: Modelo 3D da face de feto com 22 semanas obtido através da Magnética. ultrassonografia. Normalmente, o grau de AMF tende a ser maior, quando os movimentos fetais se tornam mais perceptíveis 1. 2D. De qualquer forma, não existe uma forma objetiva para avaliar o grau de AMF em mulheres com deficiência visual, Foram realizados alguns estudos comparativos entre não sendo possível acessar durante a avaliação ecográfica. o grau de AMF alcançado com o uso da USG 2D e aqueles Em nosso estudo, demonstramos além da possibilidade alcançados com o uso da USG 3D, mas os resultados foram da quantificação do AMF, a possibilidade de maior interação inconclusivos, embora a USG 3D e 4D possibilitem visuamaterno-fetal em pacientes desprovidas da possibilidade de lizar com mais detalhes a face e o comportamento fetal nos utilizar uma representação gráfica de sua gestação. diferentes estágios da gestação além de proporcionar uma melhor compreensão do exame por parte dos pais 1,4. Referências As imagens tridimensionais, obtidas tanto por USG quanto Ressonância Magnética (RM) possibilitam a geração 1) Campbell S. 4D and prenatal bonding: still more questions de modelos físicos com características e aparência muito than answers. Ultrasound Obstet Gynecol 2006; 27: 243 – 4. similares às dos bebês após o nascimento 5,6. 2) Ji EK, Pretorius DH, Newton R, et al. Effects of ultrasound on maternal–fetal bonding: a comparison of two-and threeEstes métodos podem ser utilizados quando ocorrem -dimensional imaging. Ultrasound Obstet Gynecol 2005; 25: malformações congênitas, auxiliando a compreensão e estu473–7. do das mesmas, como também para auxiliar na visualização Fig. 3: Casal recebendo modelo impresso (3D) do seu feto de 28 3) Rustico MA, Mastromatteo C, Grigio M, et al. Two-dimensional semanas. do feto pelos seus pais 6. De qualquer forma, não existe uma vs. two-plus four-dimensional ultrasound in pregnancy and the effect on maternal emotional status: a randomized study. forma objetiva para avaliar o grau de AMF em mulheres O grau de AMF foi avaliado de forma quantitativa atraUltrasound Obstet Gynecol 2005; 25: 468–72. com deficiência visual, não sendo possível avaliar o grau vés de um questionário constituído por três perguntas, em 4) Werner H, Lopes J, Tonni G, Edward Araujo Júnior E. Materde apego durante a avaliação ecográfica. cada uma se aplicava uma nota que variava de 0-3: nal–fetal attachment in blind women using physical model from three-dimensional ultrasound and magnetic resonance Os modelos tridimensionais físicos têm apresentado 1. Como você se sente segurando o seu bebê? (3=muiscan data: six serious cases. J Matern Fetal Neonatal Med. grande desenvolvimento nos últimos anos, graças ao desento feliz, 2=feliz, 1=indiferente e 0=triste). 2015; 1-4.
 volvimento de “software” de alta performance 5,6,7,8. Na 5) Werner H, Lopes J, Tonni G, Araujo Junior E. Physical model 2. Você acha que este modelo melhora a interação com área de medicina fetal, o uso de modelos tridimensionais from 3D ultrasound and magnetic resonance imaging scan o seu Bebê? (3=completamente, 2=sim, 1=talvez e data reconstruction of lumbosacral myelomeningocele in a obtidos por USG 3D e RM já foi descrito por Werner et al. 0=não). fetus with Chiari II malformation. Childs Nerv Syst 2015; 31: tanto em fetos normais, quanto em fetos com malformações 3. Você consegue imaginar como será o seu bebê? 511–13. congênitas, como em casos de malformações tais como Chiari 6) Werner H, dos Santos JR, Fontes R, et al. Additive manu(3=completamente, 2=sim, 1=talvez e 0=não). facturing models of fetuses built from three-dimensional II e teratomas 5,9. Estes modelos obtidos são de grande imAs perguntas foram feitas imediatamente após a apreultrasound, magnetic resonance imaging and computed portância para uma avaliação do grau de AMF por gestantes tomography scan data. Ultrasound Obstet Gynecol 2010; 36: sentação do modelo aos pais, e foi considerado como presencom deficiência visual 4. Baseados nestes dados, decidimos 355–61. ça de AMF quando a soma dos valores era maior que 7. As realizar um estudo, avaliando o grau de AMF em mulheres 7) Werner H, Rolo LC, Araujo Junior E, Dos Santos JR. Manufactupacientes tiveram seguimento até o momento do parto, e os ring models of fetal malformations built from 3-dimensional com deficiência visual. As avaliações foram realizadas dudados do período pós-parto e lactação não foram avaliados. ultrasound, magnetic resonance imaging, and computed rante o segundo e terceiro trimestres da gestação, época em Os resultados quantitativos do grau de AMF atingiram tomography scan data. Ultrasound Q 2014; 30: 69–75. que a movimentação fetal é mais perceptível à mãe. 8) Werner H, Santos JL, Araujo Junior E. Physical models of the o valor máximo (9) em todas as gestantes avaliadas. foetus created using magnetic resonance imaging, computed Entre setembro de 2012 e outubro de 2017 realizamos Alguns estudos sugerem que a idade gestacional na tomography, and ultrasound data: history, description, and um estudo observacional de doze gestantes deficientes viqual a avaliação por USG é realizada influencia no desenpotential uses. Rev Bras Gynecol Obstet 2015; 37: 149–51. suais. Em 10 casos, os maridos também portavam a mesma volvimento do AMF. Normalmente, o grau de AMF tende a 9) Werner H, Lopes J, Tonni G, Araujo Junior E. Plastic reconsser maior, quando os movimentos fetais são percebidos pela deficiência. Esses casais foram atendidos na Clínica de Diagtruction of fetal anatomy using three-dimensional ultrasound and magnetic resonance imaging scan data in a giant cervical mãe. Baseados nesses dados, decidimos realizar o experinóstico por Imagem (CDPI) e Alta Excelência Diagnóstica no teratoma. Case report. Med Ultrason 2015; 17: 252–5. mento durante os segundo e terceiro trimestres da gestação. Rio de Janeiro. As pacientes consentiram em participar do A USG 3D permite uma visualização realista da face e estudo assim como autorizaram a publicação de suas imado comportamento fetal. Foram realizados alguns estudos gens. Este estudo foi a primeira experiência do grupo com o Autores comparativos entre os graus de AMF alcançados com o uso de uso de modelos físicos em gestantes com deficiência visual. USG 2D e aqueles alcançados com o uso de USG 3D, mas os A obtenção dos arquivos tridimensionais por USG e Heron Werner1,2; resultados foram inconclusivos. Rustico et al.3 realizaram um RM foram realizadas por apenas um médico examinador. Pedro Teixeira Castro 2; estudo randomizado comparando o grau de AMF quando as Todas as pacientes foram submetidas à avaliação ecográfica Ana Paula Pinho Matos 2; avaliações no segundo e terceiro trimestre eram feitas apenas e das 12 pacientes, 9 foram submetidas a avaliação por RM. Pedro Daltro1,2, por USG 2D e quando as avaliações eram feitas também com Nenhum feto apresentou qualquer malformação. A avaliação Jorge Lopes3 imagens em 3D além das em 2D. Os autores do estudo não por USG foi realizada com um aparelho Voluson E8 (General 1. Clínica de Diagnóstico por Imagem – CDPI. identificaram diferenças estatisticamente significativas entre Eletric Medical System, Zipf, Austria) equipado com sonda 2. Alta Excelência Diagnóstica. os dois grupos quanto ao grau de AMF. Por outro lado, Ji volumétrica (RAB 4-8L). A Avaliação por RM foi obtida 3. Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-RIO. et al.2, compararam os resultados no grau de AMF de um utilizando 1.5 T scanner (Magneton Avanto e Aera; Siemens, Rio de Janeiro grupo de 50 mulheres que foram submetidas a USG 2D e outro de 50 que foram submetidas a USG 2D e 3D. O grupo Erlangen, Germany).

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Timo ectópico simulando massa patológica ao ultrassom - relato de caso Resumo O timo é uma glândula com importante função imunológica, principalmente na infância, ao ser responsável pela maturação e ativação das células T linfocitárias. Sua localização habitual é no tórax, dentro da faixa anatômica denominada mediastino superior, anteriormente à traquéia e aos grandes vasos da região. Ao ultrassom, pode ser visualizado na região restroesternal, através do uso de um transdutor de alta frequência ou com um transdutor endocavitário que se encaixe na fúrcula esternal, direcionando o feixe sonoro em direção ao mediastino. A sua localização ectópica inclui todo o trajeto do ducto timo-faríngeo, ou seja, desde o ângulo da mandíbula até o mediastino. Em conjunto com faixa etária e características ultrassonográficas particulares, sua inclusão como diagnóstico diferencial em casos de nodulações cervicais deve ser considerada para que o número de procedimentos invasivos desnecessários possa ser reduzido.

Objetivo

Figura 1A - Imagem ultrassonográfica mostrando corte axial da nodulação (M) localizada na região cervical à esquerda, adjacente à glândula submandibular, que corresponde ao timo. Note a nodulação (M) hipoecogênica, limites bem definidos, múltiplos pequenos focos ecogênicos lineares e puntiformes no seu interior, sem efeito de massa às estruturas adjacentes.

Figura 3- Imagem ultrassonográfica ressaltando as características peculiares do tecido tímico: hipoecogênico, limites bem definidos, múltiplos pequenos focos ecogênicos lineares e puntiformes no seu interior. Nesta imagem nota-se a presença do timo ectópico anteriormente à artéria carótida comum e lateralmente à laringe (seta vermelha).

Destacar a importância do conhecimento das variações anatômicas do timo para que sirva como diagnóstico diferencial nos casos de nodulações cervicais dos estudos ultrassonográficos. Com isso, diminuir o número de procedimentos invasivos desnecessários. Palavras-chave: Timo, variantes anatômicas; ultrassom.

Introdução O timo é um órgão responsável pela maturação e ativação das células T linfocitárias, tendo assim, grande importância para o Sistema Imune, principalmente na infância. Sua origem embrionária inicia por volta da 5ª semana intraútero, desenvolvendo-se à partir das células do terceiro par de bolsas faríngeas, migrando ao longo do ducto timo-faríngeo até o mediastino. A etapa seguinte consiste no agrupamento e desenvolvimento destas células de origem, formando os corpúsculos de Hassal, das quais o timo irá ser formado. O timo é composto por dois lóbulos envoltos por cápsula de tecido conjuntivo, dos quais contêm a zona periférica cortical e a zona central medular. Possui um tamanho relativamente grande na infância, chegando a pesar até 30-40 gramas, e involui à partir da puberdade tanto por ação dos hormônios sexuais quanto pela substituição gordurosa do seu parênquima. Apesar da sua involução na fase adulta, não prejudica o funcionamento do sistema imune. Além da localização ectópica do timo, pode-se encontrar outras condições congênitas relacionadas a este órgão, como por exemplo:Síndrome DiGeorge, caracterizada pela aplasia tímica congênita e ausência das glândulas paratireoides associada à condições clínicas como: baixa implantação das orelhas, malformações da boca e/ou anormalidades cardíacas; Tecido tímico acessório ; Cistos tímicos e condições neoplásicas.

Figura 1B – Mesma imagem com Doppler colorido

vascularização ou pequena vascularização. O estudo com tomografia computadorizada sem contraste da região de interesse também pode auxiliar no diagnóstico. Caso não apresente prejuízo clínico (como por exemplo: disfagia, dispéia, quadros álgicos, repercussão hemodinâmica por compressão dos vasos circundantes), o timo ectópico, desde que sem condições patológicas associadas como timomas ou hiperplasia tímica pode ter um seguimento ultrassonográfico sem a necessidade de cirurgia para remoção.

Conclusão

Figura 2 A- Imagem ultrassonográfica mostrando corte sagital da nodulação (M) localizada na região cervical à esquerda, anteriormente à artéria carótida comum.

Discussão A localização ectópica do timo é uma condição rara, sendo possível ao longo de todo trajeto do ducto timo-faríngeo, ou seja, desde o ângulo da mandíbula até o mediastino. Apresenta-se clinicamente como massa sólida palpável, geralmente na região cervical, indolor, podendo apresentar aumento volumétrico, mais comumente na infância e jovens púberes.

Dentro do contexto clínico adequado, a ultrassonografia é um exame de imagem que pode confirmar o diagnóstico do timo, mesmo na sua localização ectópica, evitando assim procedimentos invasivos desnecessários como punções, biópsias ou até mesmo cirurgias para remoção de um timo normal.

Referências

Relato do caso Menino, 14 anos, com nódulo indolor palpável na região submandibular (esquerda) há 1 ano. Refere crescimento de tamanho em curto espaço de tempo. Sem outras queixas clínicas. Foi realizado como exame de entrada a ultrassonografia da região cervical em outro serviço, tendo como laudo inicial : “Presença de linfonodo atípico contendo microcalcificações no seu interior. Restante do estudo sem alterações.”. Em seguida, o caso chegou ao nosso serviço por ser solicitada punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por ultrassom com dosagem de tireoglobulina no material aspirado. Ao realizar o exame pré-punção, foi levantada a hipótese de tecido timo ectópico. Feito contato com o médico solicitante e, discutido o caso, foi solicitado a prosseguir com a PAAF. O diagnóstico citológico final apontou “Células tímicas típicas”.

Figura 4: PAAF guiada por ultrassom da área nodular (timo ectópico). Seta vermelha mostrando a agulha dentro do tecido tímico.

1. Farbod Nasseri, MD • Farzin Eftekhari, MD - Clinical and Radiologic Review of the Normal and Abnormal Thymus: Pearls and Pitfalls : RadioGraphics 2010. 2. Saito O, Cerri GG. Massas cervicais. In: Saito O, Cerri GG. Ultra-sonografia: pequenas partes. São Paulo, SP: Sarvier, 1999:1–13. 3. Artigo de Revisão: Thymus: ultrasound characterization, Chammas.M.C. , Fausto. C.S.C.V., Saito. O. Radiol Bras vol.37 no.3 São Paulo May/June 2004. 4. Wilson Savino, Daniella Arêas Mendes-da-Cruz, Ailin Lepletier & Mireille Dardenne: Hormonal control of T-cell development in health and disease, Nature Reviews Endocrinology 12, 77 – 89 (2016).

Figura 2B: Mesma imagem com Doppler colorido.

A ultrassonografia é um exame complementar não invasivo, de fácil acesso, baixo custo e que não utiliza radiação ionizante, que pode facilmente diagnosticar o timo. As suas caraterísticas ultrassonográficas são particulares, ao apresentar-se como nódulo, hipoecogênico em relação às glândulas adjacentes (submandibulares ou tireóide), limites bem definidos e apresenta múltiplos pequenos focos ecogênicos no seu interior que correspondem aos septos e vasos sanguíneos e sem efeito de massa com estruturas ao seu redor. Ao estudo Doppler, pode apresentar ausência da

Autores Rodrigo Okumura 1 Harley de Nicola 2 1 – Médico aperfeiçoando em ultrassonografia na Fundação Instituto de Pesquisa em Diagnóstico por Imagem (FIDI) – SP. 2 – Doutor assistente do departamento de radiologia da Unifesp/ Membro titular do CBR/ Membro da comissão nacional de ultrassom do CBR/ Coordenador do curso de aperfeiçoamento em Ultrassonografia da Fundação Instituto de Pesquisa em Diagnóstico por Imagem (FIDI) – SP.

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Little Leaguers Shoulder: relato de caso Introdução O Little Leaguer’s Shoulder é uma lesão relacionada ao estresse que acomete a placa fisária proximal do úmero em atletas pediátricos, muito conhecida e estudada nos Estados Unidos. Comumente encontrada em praticantes de atividades que envolvem arremesso repetitivo ou movimento do membro superior ao nível da cabeça (dentre os quais se destaca o baseball), manifesta-se clinicamente com dor e desconforto no terço proximal do ombro, com piora durante o arremesso. Uma vez que no Brasil existem poucos relatos desta condição, reforçamos com este trabalho os principais achados por imagem e a importância de se fazer o diagnóstico correto, evitando-se complicações e possibilitando assim um retorno precoce às atividades físicas pelo paciente.

Relato de Caso Paciente do sexo masculino, 12 anos, praticante de baseball, iniciou há três meses quadro de dor no ombro direito, com piora ao arremesso. Não possuía história de trauma ou comorbidades associadas. No exame físico apresentava dor localizada no contorno lateral do úmero proximal. Foi solicitada ressonância magnética do ombro direito, que evidenciou alteração de sinal com padrão de edema e discreto alargamento da placa fisária proximal do úmero no seu contorno lateral, bem como leve edema medular ósseo adjacente (Figura 1).

Descrito por Dotter em 1953 (2,4), o Little Leaguer’s Shoulder, é uma condição observada em atletas pediátricos, entre 13 e 16 anos (2,5), principalmente jogadores de baseball, embora atualmente também existam alguns relatos envolvendo ginástica, badminton, críquete, voleibol e natação (6). Acredita-se que os movimentos de rotação repetitivos gerem um mecanismo de estresse e cisalhamento na fise proximal umeral, resultando em uma ruptura reversível do fornecimento de sangue fisário-metafisário, produzindo proliferação de condrócitos e alargamento da fise, representando uma fratura de Salter-Harris tipo I (1,3,6). Os adolescentes são mais propensos a esse tipo de lesão em razão do crescimento acelerado que ocorre nesta faixa etária, juntamente com o fato de que 80% do crescimento longitudinal do úmero ocorre na fise proximal (2,6). Manifesta-se com dor no úmero proximal lateral, principalmente durante o arremesso (1,2,5,6). As radiografias de ombro anteroposterior (AP) podem estar normais inicialmente (menos de 10 dias do início do quadro), mas usualmente confirmam o diagnóstico clínico com o achado de alargamento anormal da fise do úmero proximal, o qual pode estar acompanhado de outras alterações como desmineralização, esclerose da metáfise, fragmentação lateral da metáfise e alterações císticas adjacentes à placa fisária (1,2,6). A ressonância magnética é útil quando for necessário excluir lesões sobrepostas, geralmente evidenciando um aumento progressivo do edema medular ósseo em ambos os lados da fise, podendo estar acompanhado por edema periosteal adjacente e cistos (6). O tratamento é definido por pelo menos seis semanas de repouso, seguido de fisioterapia e um retorno gradual ao programa de lançamento (1,2,5). A remodelação radiográfica da fise alargada pode levar meses (2).

Conclusão O Little Leaguer’s é uma condição pouco descrita na literatura e deve ser incluído no diagnostico diferencial de dor no ombro em atletas jovens, sobretudo aqueles envolvidos em atividades com arremessos repetitivos. O radiologista tem papel importante no diagnóstico desta condição, possibilitando assim um adequado tratamento e retorno precoce do paciente às atividades físicas.

Referências 1. May MM, Bishop JY. Shoulder injuries in young athletes. 2013; 43: 135-140; 2. Fleming JL, Hollingsworth CL, Bisset GS, et al. Little Leaguer’s Shoulder. Skeletal Radiol. 2004; 33: 352-354; 3. Popkin CA, Levine WN, Ahmad CS. Evaluation and Management of Pediatric Proximal Humerus Fractures. J Am Acad Orthop Surg. 2015; 23: 77-86; 4. Marshall KW. Overuse Upper Extremity Injuries in the Skeletally Immature Patient: Beyond Little League Shoulder and Elbow. Seminars in Musculoskeletal Radiology. 2014; 18(5); 5. Braithwaite KA, Marshall KW. The Skeletally Immature and Newly Mature Throwing Athlete. Radiol Clin N Am. 2016; 54: 841–855; 6. Paz DA, Chang GH, Chung CB, et al. Upper extremity overuse injuries in pediatric athletes: clinical presentation, imaging findings, and treatment
. Clinical Imaging. 2015. Figura 1. A) Coronal T1 sem saturação, B) Coronal T2 com saturação, C) Sagital T1 sem saturação e D) Sagital T2 com saturação, observa-se discreto alargamento da placa fisária proximal do úmero no seu contorno lateral, bem como leve edema medular ósseo adjacente.

Discussão Lesões de ombro são comuns em atletas. Aquelas ocasionadas pelo uso excessivo e crônico da articulação são típicas de atividades que envolvem movimentos repetitivos, enquanto que lesões agudas e traumáticas são mais comuns em esportes de colisão (1). Já as fraturas pediátricas do úmero proximal são infrequentes. Estima-se que correspondam a cerca de 2% das fraturas pediátricas e cerca de 5% de todas as fraturas fisárias (2,3).

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Autores Beatriz Morais Rodrigues da Cunha 1 Fernando Mesquita Lima 2 1. Fellow de Radiologia Geral do Grupo Fleury, São Paulo, SP, Brasil. 2. Médico Radiologista MSK do Hospital São Luiz – Rede D’or / Grupo Fleury e do DASA, São Paulo, SP


ABRIL / MAIO DE 2018 - ANO 17 - Nº 103

Lucila Vigneron Villaça (SP)

ENTREVISTA

Samsung se reinventa e fortalece sua presença com tecnologia própria em ultrassonografia Com um intenso programa de restruturacão operacional, iniciado em 2016, a Samsung Healthcare Brasil reformulou por completo sua atuação no mercado local de ultrassom, apoiado fortemente na história de sucesso das linhas de produtos eletrônicos amplamente conhecidas da Samsung Elletronics.

H

á cerca de 18 meses sob a liderança de Nelson Ozassa, Diretor Executivo da Samsung Healthcare Brasil, a operação local ampliou e renovou seu portfólio com lançamentos de novos modelos de ultrassom, 100% com DNA Samsung, e gradativamente vem se reposicionando no mercado do Diagnóstico por Imagem. “A receptividade do mercado para novas tecnologias Samsung e o apoio dos tradicionais clientes superaram minha expectativa”, enfatiza o executivo, e nessa entrevista, exclusiva ao ID Interação Diagnóstica, conta como se deu esse processo, e revela alguns dos planos para o futuro. A aquisição da Medison, que marcou a entrada da Samsung na área da imagem médica, foi anunciada em 2011 e sua incorporação Samsung-Medison se deu em 2013. Nos anos subsequentes, as diferenças de conceitos, estruturas e operações dos modelos de negócios B2C (tradicional no universo de Eletrônicos), e B2B (a realidade para mercado de saúde), se mostraram operacionalmente desafiadoras e refletiram na operação de ultrassom na época, e a unidade de negócio HME (Health Medical Equipment) da Samsung passava por esse momento no Brasil. A partir de Out/2016, com a missão de consolidar e transformar a atuação da Samsung no mercado brasileiro de Ultrassom, nós nos concentramos fortemente na restruturação interna, onde revisamos e atualizamos os processos operacionais, otimizamos os recursos humanos, mas principalmente, atuamos focados na gestão, liderança e controle dos recursos financeiros. Formamos um time de profissionais experientes no mercado de Ultrassom, com forte conhecimento nas práticas de vendas, produtos, e aplicações clínicas. Isso nos deu credibilidade interna na corporação e também confiança na base dos clientes e parceiros no mercado médico. Pela primeira vez no Brasil, em 2017, disponibilizamos um portfólio de novos modelos de Ultrassom, desenvolvidos com as mais modernas tecnologias 100% Samsung. A receptividade do mercado foi excelente e as vendas dispararam. Os primeiros resultados, como esclarece o executivo, já estão sendo colhidos com a forte aceitação dos novos produtos no mercado, mas principalmente pela conquista da credibilidade junto aos fiéis clientes e parceiros comerciais. Num país de grandeza territorial como o Brasil, as coberturas regionais são essenciais. Desta forma, temos reorganizado nossas estruturas comerciais e ampliado nossa presença regional com um atendimento ainda melhor aos clientes finais.

Resgatamos parcerias antigas e criamos novos projetos com expressivos investimentos em educação.

Para 2018, as melhorias seguem... Atualmente, nosso maior desafio está concentrado no desenvolvimento de um novo formato de prestação de serviços pós-venda. Fornecer produtos e soluções adequados, com um time de profissionais experientes e motivados, através de um pronto atendimento e um relacionamento mais próximo aos clientes, orquestrando tudo isso, sinergicamente, com a matriz (Coréia do Sul) e as respectivas lideranças da Samsung Electronics. Dessa forma, seguimos pelo caminho certo. Esse novo momento da empresa, passa por uma nova postura em relação ao mercado de imagem, como um todo. Embora exista a segmentação, do ponto de vista clínico em Radiologia, Gineco-Obstetrícia e Ecocardiografia, como a própria especialização, está havendo também um alinhamento em termos de desenvolvimento. Nosso portfólio tem equipamentos que são totalmente flexíveis e híbridos. Com um mesmo equipamento podemos atender um radiologista, um cardio, um gineco ou um ortopedista, justamente prevendo a conectividade que vem acontecendo entre esses segmentos. Em outras palavras, “o desenvolvimento tecnológico em Ultrassonografia da Samsung, nos últimos anos, está fornecendo um valor clínico significativo para o setor em todos os níveis de especialização”, analisa Ozassa. A Samsung, que já obtém excelentes resultados em equipamentos de ultrassom para obstetrícia e ginecologia nas diversas linhas Premium, High e Mid, esta também crescendo no segmento de radiologia. O RS85, um ultrassom Premium com uma arquitetura completamente distinta, com extrema qualidade de imagem e focado na radiologia, terá seu lançamento no Brasil previsto para a JPR2018. Atenta à diversidade do mercado brasileiro e latino americano, e também ao crescimento constante do mercado de ultrassonografia, “a Samsung está preparada para oferecer o que o cliente espera”, lembra o diretor, destacando que as questões econômicas e de estrutura são muito diferentes, de país para país, e em relação aos países de primeiro mundo. Diante disso, a Samsung, que investe e desenvolve tecnologia voltada para o mercado Premium (WS80/RS80/ RS85), também disponibiliza toda inovação para as linhas de entrada, o que pode ser verificado nos lançamentos recentes Mid e Low para usuários de especialidades distintas e com diferentes necessidades (HS60,

maior acessibilidade aos cuidados médicos, HS50, HS40). Estamos voltados para esses precisão no diagnóstico com algoritmos mercados com o mesmo cuidado e atenção, avançados e eficiência no fluxo de trabalho seja para a América Latina, o Brasil, a China e nas tarefas dos médicos. Queremos exceder ou a Índia’. as expectativas dos profissionais e oferecer Enquanto reconhece essa diversidade, e ferramentas para diagnósticos cada vez mais o ultrassom se consolida como modalidade rápidos e precisos. mais acessível e, com o desenvolvimento da Em 2017, no RSNA foram apresentadas própria tecnologia realiza tarefas de RM ou inovações no portfólio de ultrassom, radioCT, a Samsung amplia seu foco para o ensino, através de parcerias com instituições, grafia digital, tomografia móvel e imagem escolas e entidades, vencendo a diversidade de ressonância magnética. regional, apoiando projetos de ensino e de Em ultrassom: Abrangente portfólio de atualização em ulultrassom para imatrassonografia, para gem geral, incluindo os novos sistemas propagar o método. HS60, HS40, RS80A “É interessante ressaltar que, no com o Prestige e o Brasil, o ultrassom RS85. é uma modalidade Segmento de radiografia digital: Dois que pede a presença novos sistemas mondo médico, diferentemente de outras tados no teto, GC85 modalidades da rae GC70, além de dar diologia, em que o destaque ao raio-X trabalho de rotina portátil GM85. A mobilidade avançada do pode ser feito por GM85 e o fluxo de uma equipe técnica, e o médico fica trabalho simplificado permitirão que os apenas com o laudo. usuários experimenEntretanto, como no tem um novo nível de ultrassom é imprescindível ter a preeficiência, qualidade sença do médico, eu de imagem com baixa entendo que a reladosagem para elevar ção médico-paciente Nelson Ozassa, Diretor Executivo da Samsung a segurança do paciente. melhora devido à Healthcare Brasil Tomografia Comproximidade e isso putadorizada Móvel (mCT) – OmniTom de faz com que o ultrassom se propague cada 16 cortes, com inúmeros aprimoramentos vez mais”. originários do premiado CereTom. Os protótipos de sistemas de ultrassom A Samsung apresentou também o com nova ergonomia e transdutores de alívio conceito do CT espectral com detector de de estresse, bem como uma solução de TI contagem de fótons (PCD - Photon Counting baseada em nuvem, apresentaram resposta Detector), a próxima geração de tecnologia positiva à solução que foi projetada para em tomografia computadorizada. oferecer eficiência para as exigentes tarefas Segmento de imagens por ressonância do médico. “A Samsung tem uma visão magnética: protótipo do Specialty MRI. muito clara a respeito da inovação. Isso Um dispositivo de imagem por ressonância contempla não só a tecnologia dos aparelhos, magnética para extremidades. Espera-se mas também o aprimoramento constante do que o protótipo seja revolucionário no setor. fluxo de trabalho e a eficiência do usuário. A Tudo a seu tempo. “A ressonância de pesquisa constante e a busca pela excelência extremidade vai estar disponível comercialem todos os campos em que atua faz com mente em 2019. No Brasil em geral leva um que a empresa desempenhe um papel fundamental como revolucionária no futuro”. ano a mais. Acredito que em 2020 teremos Questionado sobre os planos da empreessa modalidade de ressonância no país . sa para o Brasil, na área do diagnóstico por Mas atualmente estamos trabalhando com imagem, Nelson Ozassa, destaca: outra frente muito interessante, o Retrofit, “A Samsung segue em uma busca incesque transforma o raio-X analógico em digisante pela excelência. Esse movimento foi tal: basicamente é uma placa digitalizadora muito claro durante o ano de 2017. com uma estação de trabalho que faz a digitalização e a reconstrução das imagens. Para A estratégia “AccE” (Access, Accuracy esse projeto já temos três unidades em teste, & Efficiency), implementada pela empresa, e logo mais as máquinas serão comercialitem como objetivo estabelecer um novo patamar no mercado, entregando aos pacientes zadas”, conclui o executivo. ABR / MAI 2018 nº 103

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EMPRESAS Da Redação

RM de 1.5 e CT de baixa dose, as novidades da Philips Durante a Jornada Paulista de Radiologia (JPR), a Philips apresentará seu novo equipamento de ressonância magnética ao mercado brasileiro, a Prodiva 1.5T. O dispositivo tem como proposta, possibilitar que os radiologistas encontrem um caminho mais simples, rápido e inteligente para um diagnóstico confiável, melhoria no fluxo de trabalho e no atendimento ao paciente.

O

aparelho apresenta sistema de configuração de focamos em fornecer não somente as melhores soluções e paciente simples e intuitivo, que combinado equipamentos, mas também modelos de negócios e parcerias a outras tecnologias presentes que se adequam às necessidades dos nossos na solução, fornece imagens clientes”, afirma Renato Garcia Carvalho, consistentes e de alta qualiCEO da Philips. dade em menos tempo. Os benefícios para A solução de tomografia computadorizada Access CT16 também será um os pacientes se traduzem na redução do destaque na JPR 2018. O aparelho permite desconforto durante a realização do exame, que instituições tenham acesso a um equidevido a possibilidade de personalização pamento de alta tecnologia por um bom do ambiente virtual e redução de ruído. custo-benefício, possibilitando maior aces“A Philips terá como foco o aumento so da população a exames de diagnóstico da produtividade, seja por meio de equipamentos que aprimoram o fluxo de trabalho, por imagem. Ele é capaz de realizar exames o diagnóstico e o desempenho clínico a ainda mais precisos e ideal para diagnosticar pacientes pequenos e pediátricos, uma custo-benefício para instituições de saúde, vez que utiliza baixa dose de radiação. quanto por meio de conectividade, com o Também entre os destaques estará a auxílio de softwares de gestão clínica, de Renato Garcia Carvalho plataforma de visualização IntelliSpace informação e visualização avançada, como Portal 9.0, um conjunto completo de ferramentes para suporTasy e Multimed. A empresa mostrará suas soluções com te a decisões clínicas, o MultiMED, tecnologia desenvolvida base na informática clínica, tomografia computadorizada e para otimizar a gestão de clínicas e centros de imagem, e serviços em saúde”, informam os tecnicos. o IntelliSpace PACS, uma solução para gerenciamento de “Faz parte dos objetivos da Philips contribuir com a imagens radiológicas. melhoria do sistema de saúde como um todo. Para isso,

Renato Carvalho na presidência do Conselho da ABIMED Acaba de assumir a presidência do Conselho de Administração da ABIMED (Associação Brasileira de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde), o CEO da Philips Brasil, Renato Garcia Carvalho. A mudança decorre de uma regra do estatuto da associação, segundo a qual somente podem pertencer ao Conselho de Administração representantes de empresas associadas a ABIMED. Até então, Renato Carvalho ocupava a vice-presidência do Conselho da ABIMED. Ele inciou sua carreira na Philips em 2011, como Diretor de Estratégia e Excelência Operacional, assumindo posteriormente a Direção de Operações da América Latina. Antes de assumir a posição de CEO, liderou as divisões da Philips Lightining e Philips Health System no Brasil.

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Grupo de trabalho para estudar a adoção de tecnologias 4.0 na área da Saúde

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ABIMED-Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde criou um grupo de trabalho com representantes de mais de 10 empresas do setor de dispositivos médicos para acelerar a adoção das chamadas tecnologias 4.0 na área. Inteligência artificial, realidade aumentada, Big Data, Internet das Coisas, computação em nuvem são algumas das principais tecnologias que se encaixam no conceito de Saúde 4.0, segundo Fabrício Campolina, coordenador do grupo de trabalho. “Com essas tecnologias poderemos ampliar significativamente o acesso da população à saúde, uma vez que elas podem contribuir para aumentar a produtividade do sistema, com melhor gestão dos recursos. Possibilitam também maior autonomia do paciente em relação à própria saúde, acesso remoto e integração dos dados que resultam em prevenção e tratamentos mais eficazes, e uma medicina mais personalizada”, analisa. Por meio de estudos, workshops e eventos com especialistas, o grupo pretende ampliar o conhecimento do mercado e da própria indústria da saúde em relação às tecnologias 4.0. Irá ainda promover uma interação entre as empresas que disponibilizam essas tecnologias e os principais atores do setor, com o objetivo de acelerar sua adoção. “Queremos também contribuir com as discussões sobre marcos regulatórios relacionados especialmente a cybersecurity e interconexão de dados”, explica Campolina. O conceito de indústria 4.0 surgiu na Alemanha em 2011 para traduzir como as tecnologias de conectividade e processamento inteligente de dados poderiam alavancar a produtividade dos processos de produção. “Chegou no setor de saúde do Brasil com força no ano passado e deve se intensificar em 2018. Temos ainda um caminho a percorrer e o investimento em inovação e educação é uma das formas mais importantes para acelerarmos sua adoção na saúde e nos diversos setores do país


ENTREVISTA Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

Tommaso Montemurno assume direção geral na Bracco do Brasil Presente no mercado brasileiro desde 2010, focada na oferta de produtos inovadores e na difusão das melhores práticas médicas, a Bracco Imaging anuncia um novo Country Manager para o Brasil, Tommaso Montemurno, e se prepara para uma expressiva participação na Jornada Paulista de Radiologia.

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m entrevista ao ID Interação Diagnóstica, Tommaso Montemurno falou sobre sua experiência na empresa, perspectivas de mercado e sobre a participação da Bracco nessa próxima Jornada Paulista de Radiologia, que marcará, também, as comemorações dos 50 anos da Sociedade Paulista de Radiologia. Atuando na empresa desde o ano de 2012, como CFO da América Latina, teve intensa participação no processo de incorporação da Justesa Imagem, suportando a definição de estratégias para o mercado brasileiro. Exerceu essa função até o último mês de Janeiro, tornando-se Country Manager da empresa para o Brasil em Fevereiro. ID – Como analisa a posição da empresa desde sua fundação no Brasil e quais suas expectativas? Tommaso Montemurno – A Bracco cresceu de forma sistemática e sustentável, e hoje é um player relevante no mercado brasileiro. Hoje, no Brasil podemos contar com um portfólio completo de produtos diagnósticos para as modalidades de raio X e tomografia (injetoras e contrastes iônicos e não iônicos, de várias concentrações e volumes), ressonância magnética (injetoras e contraste macro cíclico a base de gadolínio) e ultrassonografia (contraste de microbolhas). O que caracteriza a nossa atuação é a oferta integrada de produtos e serviços: nossos clientes valorizam o fato de apresentarmos uma solução que inclui, além de meios de contrastes, equipamentos para injeção de contraste, em conjunto com o treinamento e a formação das equipes mé-

dicas, de enfermeiros e de técnicos, assim como todo o suporte para a manutenção das nossas injetoras. Temos o objetivo de ser também uma referência científica, ajudando o cliente tanto no desenho dos protocolos de aplicação do contraste, quanto na atualização do corpo médico e das suas equipes técnicas por meio das inovações do mercado. ID – Qual o grande desafio das empresas que produzem contraste com os avanços tecnológicos que vêm ocorrendo nas áreas de TC e RM? Tommaso Montemurno – Acredito que as evoluções técnicas desses equipamentos estão levando a uma maior acurácia nos diagnósticos, e o contraste é uma ferramenta extremamente valiosa para ajudar nesse processo. Nosso papel é oferecer suporte para garantir um uso mais eficaz e otimizado do contraste e, de outro lado, atuar para minimizar os impactos e a exposição do paciente à dose de radiação e contraste. Em nosso dia a dia, buscamos oferecer para nossos clientes, que são os médicos radiologistas ou os radiologistas intervencionistas, toda a inovação desenvolvida no Centro de Pesquisa da Bracco no mundo todo – vale lembrar que estamos presente em 100 países no mundo, seja por meio da presença direta de filiais ou subsidiárias, ou por meio da joint ventures, parcerias ou contratos de distribuição ou representação. Nesse sentido, nosso esforço aqui no Brasil é trazer as melhores práticas para aprimorar a atividade radiológica. ID – A linha de contraste para ultrassom da Bracco é única no Brasil. Como o senhor vê esse segmento e

quais as expectativas da empresa para um setor tão promissor? Tommaso Montemurno – O contraste de microbolhas é, no momento, o produto mais inovador que oferecemos. As microbolhas revolucionaram a imagem diagnóstica no campo do Contrast Enhanced Ultrasound (CEUS) – uma modalidade de alta sensitividades, não invasiva, em tempo real, com eficiência de custos e sem exposição a radiações, que melhora a avaliação de cavidades cardíacas, grandes vasos e vascularização. Sendo uma ferramenta estável e robusta, as microbolhas estão hoje sendo consideradas também como uma plataforma terapêutica para administração focada de medicamentos. Mas embora apresente um potencial diagnóstico muito alto, ainda é pouco usado em centros de excelência do país. O que nos deixa muito felizes é que nosso agente de contraste de microbolhas já é muito aceito por todos os líderes de opinião, iniciando e disseminando o método no Brasil, como já acontece em outros mercados. Acreditamos que a tendência seja seguir o sucesso que essa modalidade tem no exterior, onde além de ser considerada uma modalidade efetiva e segura, é valorizada pelo impacto fármaco-econômico: existem por exemplo estudos publicados sobre o

sistema de saúde Inglês, que mostram como o uso do contraste de microbolhas associado a Ultrassonografia reeduca o custo total dos diagnósticos. ID – Como será a participação da Bracco na próxima Jornada Paulista de Radiologia? Tommaso Montemurno – O foco será a apresentação do portfólio e a realização de eventos satélites focados principalmente em ressonância magnética. Além disso, como o tema da JPR deste ano estará ligado à educação, teremos algumas iniciativas bem interessantes nesse sentido. Em um dos eventos satélites, vamos promover uma mesa redonda com a participação dos nossos estudantes bolsistas e médicos que são referência na área para discutir o futuro da radiologia. Vale ressaltar que o nosso foco na educação e no futuro da Radiologia vai além dessa Jornada Paulista. A Bracco possui um programa chamado “Progetto Diventerò” onde após um processo de seleção rigoroso, feito em parceria com a SPR, os residentes selecionados têm a oportunidade de passar uma temporada de estudo em centros de referência na Itália. O projeto teve início no Brasil em 2016 e agora está em sua 3ª edição. Nós já enviamos 9 residentes e pretendemos aumentar este escopo para o próximo ano.

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REGISTRO Da Redação

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Omar Taha eleito presidente da Unimed de Londrina

médico radiologista Omar Taha foi eleito Presidente da Cooperativa Médica de Londrina - UNIMED recentemente em disputa onde participaram 799 votantes. Desde 2014 Taha dirigia o setor de Provimento em Saúde da Unimed Londrina, onde pode participar de diversas realizações daquela gestão como a construção do PA - Pronto Atendimento, reforma no Hospital Infantil, estruturação da Clínica de Multiespecialidades, desenvolvimento de Projetos de APS - Atenção Personalizada à Saúde (modelo de Atenção Primária à Saúde) dentre outras realizações. “A proposta de uma gestão segura, com sustentabilidade e bons rendimentos aos colegas médicos, mesmo em tempos de crise econômica foi aprovada pela maioria dos Cooperados“ afirma Taha que parte para mais 4 anos de Gestão. A Unimed de Londrina é uma das Cooperativas médicas mais bem estruturadas do País. Com 47 anos , atende a mais de 180.000 beneficiários

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de Londrina e Região, 1200 médicos cooperados associados e um faturamento acima de 500 milhões anuais. Faz rede de intercâmbio com todas outras Unimeds do Pais e oferece ampla estrutura médico hospitalar, inclusive de Diagnóstico por Imagem, atingindo cerca de 60 % da população atendida pela saúdre suplementar na Região. Segundo Taha, os radiologistas não devem fugir da participação das Cooperativas Médicas: “ao contrário, devemos ocupar esses espaços de atuação, buscando uma relação de equilíbrio com as especialidades e mostrando a importância da nossa especialidade na construção de uma medicina melhor”. O médico que atuou durante alguns anos no Colégio Brasileiro de Radiologia e na Sociedade de Radiologia do Paraná sempre participou de todos eventos da área inclusive tendo colaborado assiduamente por um período com as publicações da Sociedade Paulista de Radiologia, CBR e Jornal Interação Diagnóstica onde participa do Conselho Editorial.

Com foco no digital e na exportação, VMI retorna ao mercado

pós um período de 10 anos, a VMI Tecnologias, retorna ao mercado do diagnóstico por imagem, com o objetivo de recuperar seu espaço e ampliar suas fronteiras para o mercado nacional e exportação. Para isso a empresa conta com uma nova estrutura e uma área mais ampla, em Lagoa Santa, região metropolitana de Belo Horizonte. A nova fábrica é considerada maior matriz industrial de equipamentos de diagnóstico por imagem do hemisfério sul. Uma das novidades na Jornada Paulista de Radiologia, ao lado de suas parceiras, Alfamed e Serv Imagem, integradas dentro da holding Prime, que tem a frente o empresário Otavio Viegas, fundador da VMI, as empresas já apresentaram suas linhas de equipamento, de Raios X, ultrassom e processamento de imagem, fabricados no Brasil e já disponíveis no mercado. Resgatando um pouco da história dessa empresa familiar, fundada em 1985, Otavio Viegas, lembrou que a “VMI começou fabricando equipamentos de raios X médico e, na sequência, para uso em aeroportos. Com a evolução da tecnologia, ampliou o processo de fabricação de equipamentos para diagnóstico por imagem, entrando nas linhas de tomografia computadorizada, mamografia – lançando o primeiro mamógrafo digital fabricado no Brasil -, e equipamento de ressonância magnética, em fase de produção, quando a empresa foi comercializada com a Philips.” Depois de quase uma década, o grupo então, adquiriu novamente a propriedade em Lagoa Santa, e reiniciou a fabricação de equipamentos, alguns em fase de registro na Anvisa, focado em uma realidade do Brasil e de quase toda a América Latina, que é o papel da radiologia na estrutura da saúde pública.

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FUJIFILM expande portfólio com ultrassom portátil da marca Sonosite

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omo parte da estratégia da empresa para 2018, a FujiFilm na JPR,2018, além de toda sua linha de soluções para o diagnostico por imagem, ampliará seu portfolio para a área da saúde, e passa a distribuir aparelhos de ultrassom portáteis da marca Sonosite no Brasil. A integração dos produtos Sonosite, já conhecidos pela área da saúde, aos equipamentos da companhia que completa este ano 60 anos no país, trará aos clientes, a partir deste mês, um maior leque de opções e aquisições de soluções completas. Para Eduardo Tugas, diretor da Divisão Médica da Fujifilm Brasil, a decisão faz parte da estratégia de viabilidade operacional e comercial da companhia no país, que visa oferecer soluções que atendem às necessidades existentes na área da saúde. “A portabilidade e robustez desses equipamentos permite que a aquisição de imagens de ultrassom chegue a lugares de pouco acesso ou de pouca tradição de uso”, destaca o executivo. As principais áreas de atuação dos aparelhos de ultrassom Sonosite são point of care, anestesia, terapia intensiva, ecocardiografia funcional, emergência, nefrologia e vascular. Recentemente tem sido muito utilizado no músculo esquelético como uma alternativa para tratamento de dor. A FUJIFILM Brasil já é fornecedora de produtos e soluções de diagnóstico por imagem como as soluções de raios-x digitais, Synapse® (marca de PACS), sistemas avançados de mamografia digital, ideais para qualquer ambiente de imagem. “A junção com essa linha de produtos fortalece cada vez mais a importância e forte presença de mercado da marca FUJIFILM e, com certeza, os clientes Sonosite se beneficiarão desta parceria”, reforça Tugas.


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LEGISLAÇÃO Por Prof. Dr. Francisco Mauad Filho (Ribeirão Preto, SP)

O uso do termo pós-graduação, quem pode usá-lo O presente texto objetiva apresentar alguns esclarecimentos sobre pós-graduação lato sensu, sua abrangência e sobre a legislação e normativa atual em vigor a ela pertinente. Primeiramente, cumpre informar que o inciso III, do artigo 44 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (Lei nº 9.394/96) caracterizou o curso de pós-graduação lato sensu como espécie do gênero cursos superiores. A referida lei federal estabeleceu ipsis verbis:

Art.44. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: I

Cursos sequenciais por campo de saber, de diferentes níveis de abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino, desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente (Redação dada pela Lei nº 11.632, de 2007);

II

De graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo;

III

De pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino;

IV

De extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino.

A oferta de tais cursos é regulamentada, sobretudo, por normativas do Conselho Nacional de Educação, em especial as Resoluções CNE/CES nº 01/2007 (naquilo em que não se encontra revogada), nº 4/2011 e nº 7/2011, e por dispositivos da Portaria Normativa MEC nº 40/2007, republicada em 29/12/2010, e pelo Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017. Esclarece-se que somente estão habilitadas a ofertar os cursos de pós-graduação lato sensu: as Instituições de Ensino Superior – IES – credenciadas junto ao MEC para a oferta de curso superior do Sistema Federal de Ensino, conforme o disposto na LDB, e regulamentado no Decreto 5.773//2006 e na Portaria Normativa nº 40/2007, republicada em 29/12/2010; e as Escolas de Governo, criadas e mantidas pelo Poder Público, principalmente para a formação e o desenvolvimento de seus servidores, desde que se submetam a processo de credenciamento educacional pelo Ministério da Educação. Para iniciar a oferta de curso superior, as instituições devem, portanto, ser credenciadas. O credenciamento deve ser renovado periodicamente, por meio de recredenciamento. Uma instituição será regular se estiver devidamente credenciada ou recredenciada , de acordo com as normas e prazos estabelecidos pela legislação da educação superior. No caso das instituições privadas de ensino superior, o credenciamento e recredenciamento são feitos pelo Ministério da Educação. É ele quem estabelece os critérios de constituição dos cursos de pós-graduação lato sensu (carga horária, corpo docente, etc) e a instituição de ensino superior (IES) tem autonomia em abrir o curso sem sua verificação. Os cursos de especialização somente podem ser oferecidos por instituições de ensino superior já credenciadas que poderão oferecer cursos na área que possui competência, experiência e capacidade instalada. Apenas os portadores de diploma de curso superior podem ser neles matriculados; Estão sujeitos à supervisão dos órgãos competentes, a ser efetuada por ocasião do recredenciamento da instituição, quando é analisada a atuação da instituição na pós-graduação (ministério da Educação, no caso dos cursos oferecidos por instituições privadas e federais, bem como ofertados na modalidade a distância, sistemas estaduais, no caso dos cursos oferecidos por instituições estaduais e municipais). A instituição de ensino superior devidamente credenciada deve ser diretamente responsável pelo curso (pelo projeto pedagógico, corpo docente, metodologia, etc), não podendo se limitar a “chancelar” ou “validar” os certificados emitidos por terceiros, nem delegar essa atribuição a outra entidade (escritórios, cursinhos, organizações diversas). Não existe possibilidade de “terceirização” da sua responsabilidade acadêmica; Observados esses critérios, e atendido o disposto n Resolução do CNE/CES nº 1, de 08 de junho de 2007, os cursos de especialização em nível de pós-graduação independem de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento (o que lhes garante manter as características de flexibilidade, dinamicidade e agilidade), desde que oferecidos por instituições credenciadas.

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As instituições que oferecem cursos de especialização devem fornecer todas as informações referentes a esses cursos, sempre que solicitadas pelo órgão coordenador do Censo do Ensino Superior, nos prazos e demais condições estabelecidas. O Cadastro da educação superior (cadastro e-MEC) é uma ferramenta que permite ao público a consulta de dados sobre a instituição de educação superior e seus cursos. Em relação às instituições de ensino, é possível pesquisar informações sobre as universidades, centros universitários e faculdades vinculadas ao sistema federal de ensino, que abrange as instituições públicas federais e todas as instituições privadas de ensino superior do país. O cadastro informa dados como a situação da regulação das instituições e dos cursos por ela oferecidos, endereços de oferta e indicadores de qualidade obtidos nas avaliações do Ministério da Educação. Todos os interessados em cursos de especialização em nível de pós-graduação podem pesquisar as instituições de ensino superior credenciadas da sua região. Existe um portal que oferece informações sobre as instituições de educação superior credenciados e os cursos superiores autorizados: http://emec.mec.gov.br. Todas as instituições de ensino superior credenciadas que constam desse cadastro podem também oferecer cursos de especialização para os já graduados, sem prévia autorização, nem posterior reconhecimento, nas áreas em que atuam no ensino de graduação. Quanto aos cursos de especialização, apresentados no cadastro e-MEC, as informações prestadas pelas instituições são de cunho declaratório e quaisquer irregularidades são de responsabilidade exclusiva destas instituições, seja em âmbito cível, administrativo ou penal. É importante frisar que para a oferta e funcionamento dos cursos de pós-graduação lato sensu, o posicionamento do Ministério da Educação encontra-se consolidado por meio da Resolução CNE/CES 01/2007, a qual determina que ficam dispensados os atos de autorização, de reconhecimento, de renovação de reconhecimento de cursos de pós-graduação lato sensu, mas jamais os atos de credenciamento da IES ofertante. Isso se deve à caracterização da pós-graduação lato sensu como educação superior, tal como previsto no art. 44, da LDB.

Nossos tribunais já se manifestaram no seguinte sentido: CONCORRÊNCIA DESLEAL – Oferecimento de cursos de aperfeiçoamento e de pós-graduação “lato sensu” por entidade não credenciada como instituição de ensino superior – Inadmissibilidade – Cursos de pós-graduação exclusivos de entidades de curso superior – Inteligência da lei nº 9.394/96 e do Decreto nº 5.773/06 – Propaganda enganosa configurada – inibitória procedente para determinar que a ré se abstenha de oferecer quaisquer cursos de pós-graduação, avisando o consumidor que oferece exclusivamente cursos livres e que está autorizada a expedir apenas certificados de frequência e/ou participação – Ação parcialmente procedente – Apelação provida para este fim. (Apelação nº 1108456-96.2015.8.26.0100 do Tribunal de Justiça de São Paulo).

Ressalta-se, outrossim, que os cursos ofertados por meio de entidades não habilitadas, conforme os requisitos supra, para a oferta e funcionamento de tais cursos, serão considerados “cursos livres”, não autorizados a expedir certificados de pós-graduação lato sensu, mas apenas certificados de participação, sem valor de título de curso superior para fins do disposto no art. 48, da Lei 9.394/96. Ademais, a eventual oferta de curso livre como se fosse curso de pós-graduação lato sensu poderá configurar indícios de irregularidades no campo dos direitos civil e do consumidor, além da irregularidade penal, devendo o prejudicado, conforme o caso, recorrer aos órgãos de defesa do consumidor, além de irregularidade penal, devendo o prejudicado, conforme o caso, recorrer aos órgãos de defesa do consumidor (como os PROCONS e a Secretaria de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça ) AOS ÓRGÃOS DE PERSECUÇÃO CRIMINAL (MINISTÉRIOS Públicos e Polícias), ou recorrer diretamente aos órgãos do Poder Judiciário. Assim sendo, em caso de oferta de cursos de pós-graduação por instituições não habilitadas, deve-se alertar o consumidor de que oferece cursos livres e que está autorizada a expedir apenas certificados de frequência e/ou participação. Ademais, a Instituição de Ensino SuperiorIES que não está devidamente credenciada junto ao Sistema Federal de Ensino para a oferta de cursos superiores, poderá incorrer no crime de estelionato, previsto no artigo 173, § 3º do Código Penal. Nesse sentido a jurisprudência de nossos tribunais. Conforme decisão da 2ª Câmara Criminal Tribunal de Justiça de Rondônia: “Caracteriza o crime de estelionato o oferecimento, sem autorização do Conselho Estadual de Educação, de curso de nível técnico-profissional, mediante pagamento dos alunos, que foram induzidos em erro pelas informações por elas prestadas. (Apelação, Processo nº 0007744-28.2012.822.0005, Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia, 2ª Câmara Criminal, Relator (a) do Acórdão: Desembargador Valdeci Castellar Citon. Data do julgamento: 09/03/2016). Nesse sentido a decisão emanada do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª região, pela qual: “o crime de estelionato é praticado por diretores de instituição de ensino, que oferece, sem autorização, cursos de graduação e pós-graduação, haja vista que compete ao Conselho Nacional de Educação, órgão do Ministério da Educação, autorizar o credenciamento de instituição de ensino para ministrarem cursos em nível superior.” (ACR 2007.39.01.000485-5/ PA, Rel. Desembargador Federal Hilton Queiroz, Conv. Juiz Federal Marcus Vinicius Reis Bastos, quarta turma, e-DJF1 p. 297 de 15/09/2011). Observe, portanto, que , independente da modalidade, apenas e tão somente instituições de ensino credenciadas junto ao Ministério da Educação- MEC têm o direito de oferecer cursos de pós-graduação. (x) Prof. Dr. Francisco Mauad Filho – médico ginecologista, ultrassonografista, diretor da FATESA e professor da FMUSP Ribeirão Preto).


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ELASTOGRAFIA Por Lucila Vigneron Villaça (SP)

Diagnósticos mais precisos para as enfermidades do fígado Presença garantida na Tabela do SUS desde 2015, a Elastografia se consolida como uma importante alternativa no diagnóstico de doenças do fígado.

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assunto recebeu especial atenção no 16º Congresso de Diagnóstico por Imagem, em workshop que contou com a presença do dr. Fuminori Moriyasu, diretor do Centro de Terapia de Remoção do Câncer do Hospital Sanno e professor da Universidade Internacional de Saúde e Bem-Estar, ambos em Tóquio, no Japão. Na sequência, o dr. Fernando Linhares, do Serviço de Ultrassonografia do InRad-HCFMUSP fez uma demonstração prática do método, focado na tecnologia Shear Wave, produzida pela Canon Medical Systems. O ID Interação Diagnóstica ouviu o dr. Fuminori Moriyasu em entrevista, em São Paulo, antecipando informações e esclarecendo os avanços ocorridos com essa tecnologia que, cada vez mais, se aproxima das rotinas dos principais centros de diagnóstico, em todo o mundo. Um método não-invasivo, indolor, rápido e que dispensa compressão manual: essa é a elastografia Shear Wave desenvolvida pela Canon Medical Systems Corporation, capaz de diagnosticar diversas enfermidades no fígado ao avaliar quantitativamente a rigidez dos tecidos do órgão. “É um jeito bem eficaz para identificar fibroses hepáticas, hepatites e tumores sem ter que submeter o paciente a biópsias”, explica o dr. Fuminori Moriyasu, que é especialista em gastrenterologia e hepatologia, com muita experiência na área. Usada desde os anos 2.000, a Elastografia atinge um

SUS a partir de 2015, informam os especialistas da Canon novo patamar, com a tecnologia Shear Wave. “Enquanto a Medical Systems. tecnologia existente avalia a tensão dos tecidos em resposta à pressão, a Shear Wave mede a velocidade de propagação Imagens de dispersão na Esteatose de ondas de cisalhamento (deformações) ao emitir pressão e nas inflamações do fígado acústica, o que dispensa a compressão manual do órgão. Método ultrassonográfico, área da imagem que se Através do exame, detecta-se a rigidez do tecido do fígado. aperfeiçoa e se democratiza na rotina médica, Elastografia Quanto maior a fibrose, maior a velocidade de propagação Shear Wave acompanha esses avanços das ondas”, relata o médico. Na poe continua em evolução. A mais recente pulação normal, a velocidade média inovação incorporada à tecnologia são as é de cerca de 0,8 a 1,1 cm/seg, com imagens de dispersão, que trazem ainprogressão de acordo com o aumento da mais eficiência para os diagnósticos da fibrose. relacionados à esteatose e a inflamações Com base nos resultados da Elasno fígado. “A dispersão é muito útil tografia Shear Wave, são obtidos diagpara diferenciar inflamações de fibroses. nósticos precisos de hepatite, esteatose Enfermidades como a doença hepática hepática (gordura no fígado), cirrose e gordurosa não alcoólica e hepatites agutumores. Além disso, a técnica permite das aumentam a viscosidade do órgão, e que se avalie o sucesso do tratamento esse dado é obtido com mais eficiência indicado em cada caso, uma vez que o pelas imagens de dispersão”, explica o exame visualiza a melhora ou piora do médico. É que a viscosidade pode difitecido hepático. “Os resultados dessas cultar uma avaliação precisa da rigidez avaliações também ajudam os médicos do fígado, que depende também de sua a considerar qual tratamento é mais elasticidade. Mas com o novo método, eficaz”, completa o dr. Fuminori. Na Dr. Fuminori Moriyasu convidado da que sobrepõe valores de velocidade e detecção do início da fibrose assim Canon Medical Systems. frequência das ondas de cisalhamento (shear waves) nos tecomo de seus estágios subsequentes essa tecnologia concidos é possível visualizar graficamente a dispersão. “Quansegue maior acurácia, ou maior exatidão. Alguns estudos to maior for a viscosidade, maior também é a inclinação que mostram – enfatiza o especialista – que a tecnologia também demonstra o grau da dispersão da frequência. Como esses pode ser útil na avaliação do grau de malignidade e de dois parâmetros estão diretamente relacionados, é possícaracterísticas dos tecidos de tumores. vel obter-se uma melhor avaliação da viscosidade, o que Tais vantagens confirmaram o potencial do método, a torna mais eficiente a análise de mudanças inflamatórias e sua praticidade e rapidez, com valores mais acessíveis, e a depósitos de gordura no fígado”, conclui o dr. Fuminori. tecnologia passou a fazer parte dos exames oferecidos pelo

Equipes do ICESP e INRAD lançam eBook gratuito de casos radiológicos “Interesting Cases in Oncologic Imaging: Gastrointestinal and Urogenital” é o titulo de e-book lançado pelos médicos radiologistas Sandro Fenelon, Marcio Taveira Garcia, Marcos Roberto de Menezes Menezes, Públio Viana, Regis Bezerra, Milena Cerqueira e Tiago Morita, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e Instituto de Radiologia (INRAD) do Hospital das Clínicas da FMUSP. Disponível para acesso, é o primeiro livro interativo de Radiologia que reúne somente casos incomuns, raros e interessantes de imaginologia gastrointestinal e genitourinário em um mesmo volume. O livro é destinado a residentes, fellows e radiologistas e foi criado para oferecer uma ferramenta de aprendizado gratuita, com diagnósticos mais complicados de radiologia oncológica, com o objetivo de colaborar para uma melhor performance e expertise desses profissionais. Os 50 casos incluem história clínica, achados de imagem pertinentes, diagnóstico diferencial, discussão, teaching points e leitura sugerida. A publicação eletrônica – informam os autores – apresenta texto conciso e imagens de alta qualidade que podem ser visualizadas sequencialmente no modo de tela cheia. Permite aos leitores interagir com milhares de imagens radiológicas como na vida real, ao contrário das publicações tradicionais com imagens estáticas. Tem fácil navegação, boa

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usabilidade e funcionalidade, oferecendo uma experiência semelhante ao aprendizado em uma workstation na sala de laudos (hands-on). A obra possui links de artigos no PubMed, que ajudam também no auto-aprendizado. Com versão disponível apenas em Inglês, para maior alcance do público-

-alvo, o livro eletrônico já teve mais de 1.200 downloads em 40 países diferentes, principalmente no Brasil, EUA, Reino Unido, França, Espanha e Noruega. Para adquirir o eBook é necessário um dispositivo com sistema iOS (Apple), com o aplicativo iBooks instalado. Depois, basta procurar pelo nome do livro no campo de busca. Está disponível em 51 lojas da Apple (iBookstores) ao redor do mundo. O download está disponível em: https://geo.itunes.apple.com/us/book/ interesting-cases-in-oncologic-imaging/ id1342049756?mt=11


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EVENTOS

CBR18: inscrições com desconto até o dia 6 de maio

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Congresso Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, tradicional evento da Radiologia brasileira, chega em sua 47ª edição este ano. O evento ocorrerá entre os dias 11 e 13 de outubro, no Windsor Convention & Expo Center - Windsor Oceânico, na Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro. Uma das novidades este ano é que não houve reajuste no valor da inscrição em relação ao CBR17, ou seja, os participantes poderão desfrutar deste importante congresso com o mesmo investimento do ano anterior. Além disso, nas inscrições realizadas até o dia 6 de maio haverá desconto especial de 10% em relação ao valor de 30 de julho da tabela. Esta edição do congresso contará com convidados internacionais nas áreas de Neurorradiologia e Imagem de Cabeça e Pescoço, Tórax, Abdômen, Musculoesquelético e Mama. Atividades no modelo “como eu faço” e hands-on, que foram destaques no ano passado, também estão na programação. Os cursos hands-on em imagem dos AVEs, Tomossíntese, Bi-RADS®, densitometria óssea e ultrassonografia serão ofertados, além de um novo sobre Pi-RADS. Inscreva-se pelo site www.congressocbr.org.br e garanta já a sua vaga!

Radiologia Intervencionista e cirurgia endovascular: evento em SP

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Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE), presidida por Daniel Abud, realizará seu 21º congresso, que ocorrerá nos dias 9, 10 e 11 de agosto, no Centro de Convenções Rebouças. As conferências e moderações serão realizadas por renomados convidados internacionais, como Alexander Coon e Gloria Salazar, dos Estados Unidos, Emanuel Houdart, da França, Thomaz Helberger, da Alemanha, Tiago Bilhim, de Portugal e o brasileiro, Guilherme Dabus, radicado nos Estados Unidos. Cresce cada vez mais a importância da Radiologia Intervencionista e da Cirurgia Endovascular, consolidando-se nos centros de referência, graças aos recursos tecnológicos hoje disponibilizados, e à preparação dos médicos para estes procedimentos, cada vez menos invasivos. Diante dessa realidade, a SOBRICE – Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endoscópica, vem fortalecendo, cada vez mais, o seu evento, com um temário diversificado e Dr. Guilherme Dabus sessões interativas, de grande interesse para os participantes. Neste ano, a Comissão Científica – presidida pelo dr. Denis Sjzenfeld – não economizou em conteúdo. Sessões sobre o Estado da Arte em Intervenção Venosa, Tumor Board,

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Aneurismas de Aorta e Torácicos, Abdominais Infra-renais e Angioplastias, dão uma ideia da diversidade de propostas, que refletem os avanços ocorridos na área. O crescimento da especialidade, que no Brasil tem sido acompanhado de perto, com nomes de grande expressão, referências para o mundo, aponta caminhos e recoloca o profissional da imagem numa posição diferenciada. A especialidade encurta caminhos, reduz riscos e agiliza procedimentos, até então nunca imaginados. Com esta visão, a Comissão Organizadora enfatiza o papel do radiologista intervencionista, hoje presente em procedimentos que antes eram considerados exceções. A oncologia, por exemplo, gerou áre- Dra. Gloria Salazar dos EUA as de interesse específico como a oncologia intervencionista, com tratamentos minimamente invasivos de grande impacto sobre a qualidade de vida dos pacientes, como ablações, quimioembolizações, radioablações, colocação de cateteres de longa permanência, procedimentos de controle da dor, entre outros, como embolizações de miomas, próstata, traumas, que têm mostrado cada vez mais benefícios sobre as cirurgias tradicionais. Assim como na área da oncologia, a Comissão cita as correções endovasculares de aneurismas de aorta, que antes também eram limitadas e, hoje evoluíram com técnicas que permitem o tratamento minimamente invasivo do radiolo-

EXPEDIENTE Interação Diagnóstica é uma pu­bli­ca­ção de circulação nacional des­ti­n a­d a a médicos e demais profissio­n ais que atu­am na área do diag­nóstico por imagem, espe­cia­ listas corre­lacionados, nas áreas de or­to­pe­dia, uro­logia, mastologia, gineco-obstetrícia. Fundado em Abril de 2001 Conselho Editorial Sidney de Souza Almeida (In Memorian), Alice Brandão, André Scatigno Neto, Augusto Antunes, Bruno Aragão Rocha, Carlos A. Buchpiguel, Carlos Eduardo Rochite, Dolores Bustelo, Hilton Augusto Koch, Lara Alexandre Brandão, Marcio Taveira Garcia, Maria Cristina Chammas, Nelson Fortes Ferreira, Nelson M. G. Caserta, Regis França Bezerra, Rubens Schwartz, Omar Gemha Taha, Selma de Pace Bauab e Wilson Mathias Jr. Consultores informais para assuntos médicos. Sem responsabilidade editorial, trabalhista ou comercial. Jornalista responsável Luiz Carlos de Almeida - Mtb 9313 Redação Alice Klein (RS), Daniela Nahas (MG), Lizandra M. Almeida (SP), Claudia Casanova (SP), Valeria Souza (SP), Lucila Villaça (SP) Colaboradora: Isabelle Mantovanelli (SP) Tradução: Fernando Effori de Mello Arte: Marca D’Água Fotos: André Santos, Cleber de Paula, Henrique Huber e Lucas Uebel Imagens da capa: Getty Images Administração/Comercial: Sabrina Silveira Impressão: Meltingcolor Periodicidade: Bimestral Tiragem: 12 mil exemplares impressos e 35 mil via e-mail Edição: ID Editorial Ltda. Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2050 - cj.108A São Paulo - 01318-002 - tel.: (11) 3285-1444 Registrado no INPI - Instituto Nacional da Pro­prie­dade Industrial. O Jornal ID - Interação Diagnóstica - não se responsabiliza pelo conteúdo das men­sagens publicitárias e os ar­tigos assinados são de inteira respon­sa­bi­lidade de seus respectivos autores. E-mail: id@interacaodiagnostica.com.br

gista em grande parte dos casos. O mesmo aplica-se para as angioplastias periféricas, que também são o tratamento padrão de diversos tipos de lesão, tanto nos segmentos arteriais como venosos. O tratamento de AVCs, aneurismas e malformações vasculares através da neuro intervenção também está crescendo. Segundo a Comissão, atualmente é o tratamento de escolha de diversas doenças do sistema nervoso central, assumindo grande impacto positivos sobre elas. O evento vai contar com uma Sala da Neurointervenção, que terá uma programação dinâmica composta por conferências e apresentações de casos clínicos interativos envolvendo a participação da plateia. Nesta edição haverá premiação para os melhores trabalhos, e a fase de inscrições com desconto se encerra no dia 21 de maio. Os interessados podem obter maiores informações, pelo site: congressosobrice.com.br/2018


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Jornal Interação Diagnóstica #103 Abril/Maio 2018  

Edição 103 # Abril-Maio 2018

Jornal Interação Diagnóstica #103 Abril/Maio 2018  

Edição 103 # Abril-Maio 2018

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