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FEVEREIRO / MARÇO DE 2018 - ANO 16 - Nº 102

No Caderno Application Três trabalhos científicos, de atualização e relatos de caso, são destaques nesta edição do Caderno Application, que abre com o tema “Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal para pesquisa da Endometriose”, de autoria da dra. Luciana Pardini Chamié, médica radiologista do Fleury Medicina Diagnóstica. “Distorção Arquitetural na Mamografia”, da equipe do InRad Instituto de Radiologia HCFMUSP e “Pseudotumor inflamatório relacionado a IgG4”, da equipe do Serviço de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio Libanês completam o caderno. Confira.

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No Caderno de Serviços

Atualização e Ensino

O mercado do diagnóstico por imagem registrou neste primeiro bimestre grandes movimentações, trazendo boas perspectivas para o setor neste ano de 2018. A Alliage, holding que integrou dois gigantes da área odontológica, inaugurou sua nova fábrica em Ribeirão Preto, com os olhos voltados para a área médica, em especial o segmento de diagnóstico por imagem. Assim, também, a Guerbet Produtos Radiológicos anunciou a aquisição da Accurate Medical Therapeutic, empresa de microcateres, ampliando seu portfolio. Veja muito mais a partir da pág. 7.

Programa de Fellow do Grupo Fleury entra no seu sexto ano e colhe resultados de um longo trabalho e do empenho de sua equipe de especialistas. Criado para completar o treinamento, o programa se ajustou às necessidades do mercado e hoje se constitui numa importante alternativa de ensino e atualização. Em entrevista ao ID, o prof. Giuseppe D´Ippolito analisa os resultados, “acima das expectativas”, mostrando que o investimento valeu a pena. Veja, também, na página, a experiência do RSNA com jovens médicos. Pág. 6

Inovações tecnológicas e os desafios para o Ensino da Radiologia

uando os primeiros mamógrafos com tomossíntese chegaram ao Brasil, há cerca de 10 anos, com alguma desconfiança, uma grande mudança de perfil começava a ser introduzida na área do diagnóstico por imagem. Foi um marco. Trazendo uma riqueza de informações, mudando princípios e abordagens, essa tecnologia mudou parâmetros, trouxe a imagem 3D para a mama, e ampliou as possibilidades de um diagnóstico tão necessário. Essa tem sido a regra nesse imenso universo do diagnóstico por imagem que, dia a dia, vem incorporando avanços – como a precisão das modernas mamografias, que mudaram os parâmetros da prevenção do câncer de mama e valorizaram ainda mais o diagnóstico precoce. E, quando dois importantes eventos, como o Imagine´2018, do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas – FMUSP e a JPR´2018 colocam no seu temário as preocupações com as

Descrição radiológica de um novo tumor

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rabalho pioneiro e inédito dos radiologistas, Sandro Fenelon, João Santos, Publio Viana e Marcio T. Garcia, do Serviço de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do ICESP, publicado na Revista Urology, descreve aspectos de imagem de um novo tumor renal: “carcinoma de células renais sólido-cístico eosinofílico”, descrito em 2016, pelo pesquisador Kiril Tipkov. Veja na pagina 3.

transformações no Ensino da Radiologia, a importância das inovações e a chegada da Inteligência Artificial, o papel da tecnologia entra na pauta das discussões pelos grandes desafios que incorpora à rotina do médico. Biomarcadores, Bioinformática, Big Date, Startups e Aplicativos já estão produzindo mudanças no dia a dia do serviços, exigindo uma nova atitude do médico da imagem, um ajuste a essa nova realidade, como enfatiza o prof. Jeffrey Petrella, na pág. 3, a partir de matéria veiculada no RSNA, que usou um dia inteiro do evento para falar de “demência”. Esse especialista da Duke University, faz um alerta: “na demência há uma lacuna crescente entre o que está acontecendo na pesquisa e com a radiologia praticada na sala de laudos”. Todo esse complexo quadro leva a reflexões importantes, por suas consequências no Ensino da Radiologia, na necessidade de programas ajustados aos avanços e propostas da tecnologia. (LCA)

Imagine´2018 avança nos temas de inovação

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ais compacto, com temas de inovação, inteligência artificial, impressão 3D e avanços na ultrassonografia, com ênfase na Elastografia, o Imagine 2018 abre seus trabalhos no dia 15 de março, no Centro de Treinamento do InRad. Nomes de grande expressão da especialidade já estão confirmados, participando da programação cientifica multidisciplinar do evento, que já está na sua 16ª edição. Além do dr. Augusto Antunes, de Minas, dr. Bruno Aragão, dr. Heron Werner, do Rio, o evento terá a participação do prof. Fuminori Moriyasu, do Hospital Sanno, do Japão, com grande experiência em Elastografia. Na foto, com a dra. Maria Cristina Chammas, da Comissão Organizadora do evento e diretora do Serviço de Ultrassonografia do InRad. Págs. 12 e 14, notícias da JPR´2018.


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OPINIÃO

* Dr. Agusto Antunes (MG)

Os desafios para o Radiologista na Era da Inteligência Artificial

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ma rápida passagem pelos periódicos médicos nacionais e internaAgência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), no ano de 2016 foram realizados cionais já é suficiente para perceber a importância que a Inteligência aproximadamente 70 milhões de exames de imagem (2). Os dados do setor público Artificial (I.A) têm ganhado nestes últimos anos. De todas as áreas não são tão bem conhecidos, mas relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e da medicina, o diagnóstico por imagem é provavelmente aquela que Estatística (IBGE) de 2009 mostra que a oferta de exames de imagem neste setor mais será afetada pela I.A, devido principalmente a sua capacidade seria cerca de 10% do setor privado, acrescentando cerca de 7 milhões de exames de geração de dados, tanto na forma estruturada (exames de imagem) (3). Em levantamento demográfico realizado pela Universidade de São Paulo (USP), quanto não-estruturada (laudos médicos não padronizados). existem cerca de 10 mil radiologistas no Brasil, a maioria deles concentrados nas Apesar do desenvolvimento em ritmo acelerado, o papel da I.A na Radiologia regiões Sudeste e Sul (4). ainda não está claro. A questão que ainda predomina é como a tecnologia poderá A imensa maioria dos diagnósticos hospitalares e ambulatoriais requer, em realmente agregar valor ao diagnóstico por imagem, valor este na forma de novos algum momento, a realização de algum exame de imagem. Este déficit entre exames conhecimentos médicos, melhor tratamento para os pacientes, maior eficiência nos realizados e número de radiologistas em atividade, além do nível atual e as projeções processos de trabalho do radiologista e redução dos custos para o sistema de saúde. de avanço I.A, são outros fatores que indicam que dificilmente o radiologista vai ser Mesmo que ainda com um impacto indefinido, a chegada da I.A desperta sentisubstituído. Ao meu ver, ocorrerá exatamente o contrario: a I.A irá contribuir para mentos de apreensão e desconfiança em radiologistas e profissionais ligados a área. o aumento da produtividade do radiologista e na ampliação de sua abrangência, Manchetes e afirmações como aquela dada por Geoffrey Hinton, o maior expoente equilibrando assim este déficit e contribuindo para um aumento da própria demanda da I.A da atualidade, para a The New Yorker em 2017 (“é bastante óbvio que nós por exames de imagem que, por consequente, acarretará no aumento da demanda deveríamos parar de treinar radiolopelo especialista. gistas agora”) (1), contribuem ainda Mais importante ainda, sempre mais para esses sentimentos, bem haverá a necessidade de engajamento do paciente com o seu médico. As como para a relutância na adoção pessoas lidam bem com o distanciada tecnologia. mento digital no caso de um atendiEm minha opinião, a I.A terá mento bancário ou mesmo para pedir um impacto profundo na área radiológica e trará consigo muitas comida em casa, mas não gostam do mudanças benéficas tanto para o mesmo distanciamento quando estão paciente quanto para o médico ratratando de sua saúde. Estima-se que diologista. E não, não acredito que o médico gaste cerca de dois terços a tecnologia irá substituir o papel de seu tempo com burocracia e com do radiologista dentro da linha de o uso de ferramentas digitais que não cuidado do paciente. são desenhadas para a medicina (6). Figura 1:Modificado de https://towardsdatascience.com/why-ai-will-not-replace-radiologists-c7736f2c7d80 Primeiro porque função do A automatização destes processos radiologista não é resumida somente à interpretação das imagens (figura 1). Se será extremamente vantajosa, pois deixará o radiologista livre para as tarefas cognitivamente mais elaboradas e também para prover aos pacientes o “toque humano” analisarmos todo o processo de diagnóstico que necessita de um exame de imagem que eles esperam de seus médicos e que os robôs são incapazes de fornecer. complementar, podemos constatar que a interpretação das imagens é apenas uma Os desafios que a I.A irá trazer para a radiologia serão imensos, mas estes parte do mesmo, e provavelmente aquela que melhor funciona no padrão atual. Além devem ser tratados como um incentivo, e não como um fator de desencorajamento. disso, há modalidades de imagem que invariavelmente requerem a execução manual Ao radiologista será imperativo dominar a tecnologia e suas aplicações, liderar as do médico, como por exemplo a ultrassonografia e a radiologia intervencionista. discussões sobre os seu uso e, sobretudo, ser maleável e aberto para repensar o seu Dentro deste processo existem passos que podem ser mais facilmente automatizados e otimizados do que o papel exercido pelo radiologista, papel. Citando o Dr. Curtis Langlotz, da Universidade de Stanford, “a inteligência levando-se em conta o estado da arte atual da I.A. Passos estes que inclusive artificial não irá substituir os radiologistas, mas radiologistas que usam a inteligência não sofrem regulamentação tão severa pelos órgãos responsáveis quanto o artificial vão substituir aqueles que não a usam”. diagnóstico em si. * Médico Radiologista com especialização Neurorradiologia - Université Strasbourg (França). Outro ponto a se considerar seria a relação deficitária entre a demanda de exames Médico Consultor em Inteligência Artificial de imagem complementares e a oferta de radiologistas. De acordo com dados da

ICESP

Descrição radiológica inédita de um novo tumor renal

O

s radiologistas do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), Sandro Fenelon, João Santos, Publio Viana e Marcio Garcia, em um trabalho pioneiro, publicado no início deste ano na conceituada revista Urology, descreveram os aspectos de imagem de um novo tumor renal. O carcinoma de células renais sólido-cístico eosinofílico (CCR SCE) é uma entidade com características clínicas, patológicas e molecu- Axial e Coronal T2. lares distintas e que foi descrita inicialmente CET. Por suas características clínicas, patológicas, em 2016 pelo patologista Kiril Trpkov. No entanto, os imunohistoquímicas e moleculares distintas, foi aspectos radiológicos do CCR SCE ainda não tinham proposto uma nova e emergente neoplasia renal, sido caracterizados na literatura médica. O CCR SCE encontrada predominantemente em mulheres jovens é uma nova neoplasia renal ainda não incluída na assintomáticas e que apresenta um comportamento classificação de tumores renais da Sociedade Interindolente. nacional de Patologia Urológica (ISUP) de 2013 e As características de imagem dos casos mosnem na atual classificação da Organização Mundial traram forte correlação com suas características da Saúde (OMS). Inicialmente, observou-se que patológicas. Um deles apresentou nódulo sólido ocorria em mulheres com complexo de esclerose tuhipervascular e com hipossinal em T2 na RM, seberosa (CET), mas recentemente uma neoplasia com melhante ao oncocitoma, angiomiolipoma pobre em morfologia similar foi identificada em mulheres sem

Nódulo com hipossinal em T2 no rim direito.

lipídios e alguns subtipos de carcinomas de células renais. O outro caso assumiu uma aparência de imagem cística complexa (Bosniak III). O artigo ressalta a importância de se conhecer as características de imagem e a correlação patológica desta nova neoplasia como forma de aumentar seu reconhecimento e melhorar o processo de tomada de decisão. Artigo completo pode ser acessado em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29391189

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O BIMESTRE Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

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ão Paulo – “Ultrassom de Ouro”, incentivo à produção científica no InCor – Com o objetivo de incentivar a produção científica, estimular médicos residentes e assistentes se atualizarem, o Prof. Wilson Mathias Jr., diretor da Unidade de Ecocardiografia do InCor-SP idealizou e instituiu um prêmio que será entregue anualmente, na reunião de encerramento ao ano letivo aos melhores trabalhos. A primeira premiação ocorreu no final de 2017, na festa de confraternização da equipe, reunindo mais de 100 pessoas, num clima de grande confraternização. Cada um dos premiados recebeu a láurea, e, no final, o Prof. Wilson Mathias Jr. proferiu palavras de agradecimento e destacou a qualidade do que foi produzido. Explicou que “a idéia” nasceu do crescimento da Unidade de Ecocardiografia do InCor. “No momento nós temos 20 novos estagiários de ecocardiografia todo ano aqui no serviço, além de termos parcerias com outras instituições como na área de ensino com o Grupo Fleury. Os estagiários desse grupo hoje podem fazer intercâmbio aqui no Instituto do Coração, não somente na área de Eco mas em outras áreas também”, enfatiza o Prof. Wilson. A Dra. Jeane Mike Tsutsui, médica pesquisadora do serviço anunciou os premiados nesse primeiro ano de um total de sete grupos que se inscreveram, cada um realizando um trabalho original e um estudo de caso. Foram premiados os grupos liderados pelos Drs. João Cesar Nunes Sbano, Gláucia Maria Penha Tavares e Marco Stephan Lofrano Alves. Ainda, em reconhecimento à sua dedicação ao ensino da ecocardiografia, nesta primeira edição, foi reconhecida a Dra. Cecilia Beatriz Bittencourt Viana Cruz, médica assistente da Unidade de ecocardiografia do InCor-HCFMUSP. Assim, a idéia por traz do prêmio é reconhecer o esforço dos residentes na produção científica e incentivá-los a produzir, sempre

Entrega do Prêmio Ultrassom de Ouro, idealizado pelo prof. Wilson Mathias, para motivar médicos residentes e assistentes para a produção de artigos e trabalhos científicos, no ano, no InCor-SP. A premiação será anual, buscando valorizar o método e o trabalho na instituição. As fotos registram momentos da entrega da láurea, realizada no final de 2017, com a participação da equipe do Departamento de Ecocardiografia do InCor.

focados na qualidade e na sua atualização. “O exercício prático da Medicina – enfatizou – é uma ciência de cada paciente. O médico utiliza o conhecimento para entender a complexidade de um único indivíduo, tentar pegar todo aquele conhecimento, transferir para um único ser biológico e tentar decidir

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ão Paulo – Valorizando a imagem do médico – A Sociedade Brasileira de Cardiologia elegeu, no final do ano passado, Oscar Dutra, seu 58º presidente, com o foco na valorização da especialidade, no ensino na luta por melhores condições de trabalho para o especialista. Ao ser empossado, em dezembro último, enfatizou que a imagem do médico tem sido desconstruída há mais ou menos quatro décadas, devido a inúmeros fatores, o que fez com que o respeito da profissão fosse abalado. Lembrou, entre eles, o grande número de faculdades de medicina abertas a longo desse período, sem a mínima infraestrutura para o estudante. Afirma existir uma inadequação na formação

qual é a melhor opção terapêutica para esse paciente. Então nós precisamos ter o espírito de cientista, temos que conhecer, saber ler, escrever e produzir ciência, porque sem ela, o médico não existe”. A láurea, uma peça em acrílico, traz a imagem de um exame de ecocardiografia,

instrumento de investigação dedicado, que ocupa posição de referência no exame. “Eu não tenho dúvidas hoje que isso se deve pelo fato de ser o exame mais acessível e por ser o que hoje tem a capacidade de resolução e quantificação das lesões cardiovasculares com mais precisão”, disse.

médica, além de péssimos suportes operacionais para um trabalho adequado. “O resultado é o que vemos todos os dias, a população absolutamente insatisfeita com o atendimento nos postos de saúde, com raras exceções”, comenta. Graças a isso, o novo presidente garante que sua gestão terá uma equipe de qualidade assistencial com a participação de todos os segmentos da Cardiologia com o objetivo de lutar por melhores condições de trabalho. Com mandato de dois anos,1018/2019, a nova diretoria está constituída pelos seguintes membros: Presidente - Oscar Pereira Dutra; Vice-presidente - José Wanderley Neto; Diretor Financeiro - Denilson Campos Albuquerque; Diretor Científico - Dalton Bertolim Précoma entre outros.

S Prof. Giovanni Guido Cerri

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ão Paulo – Inovação tecnológica no Complexo HCFMUSP – O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP criou o Centro de Inovação Tecnológica, para encorajar e dar sustentação aos jovens inovadores, e neste ano, lançou um programa de capacitação para treinamento de empreendedores com o objetivo de incentivar a criação de startups a partir de pesquisas e soluções desenvolvidas no Hospital das Clínicas da USP. Artigo publicado pela Folha de São Paulo, de autoria dos prof. José Otavio Costa Auler, diretor da FMUSP e pelo prof. Giovanni Guido Cerri, presidente do Conselho Deliberativo do InRad e Coordenador do Projeto de Inovação do HCFMUSP, mostra que “hoje o núcleo já possui 14 projetos em andamento, com investimentos de R$ 15 milhões. São 15 bolsas relacionadas aos projetos de inovação em curso, além de trabalhos apresentados em congressos internacionais. Representantes do MIT e da Universidade de Rotterdam estiveram no Hospital das Clínicas da USP para conhecer os projetos e viabilizar parcerias. Dentro desse contexto, no início de março será realizado um workshop internacional sobre inovação, com apoio da Fapesp e Agência USP de Inovação, com professores do Instituto Karolinska, da Suécia, Universidade de Leiden, da Holanda, MaRS Discovery District, do Canadá, e de representantes do governo de Israel. No campo privado, empresas já fecharam parcerias com o HC para pesquisas sobre esclerose múltipla e Alzheimer, entre outras”.

Prof. José Otavio Costa Auler


INOVAÇÃO Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

No diagnóstico da demência novos paradigmas para a Radiologia No momento em que todas as atenções estão voltadas para os novos avanços da tecnologia digital, com a chegada do Big Date, Bioinformática e Biomarcadores e todo o aparato da Inteligência Artifical, o papel do médico radiologista vive os efeitos dessas mudanças atento a esses novos paradigmas.

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m se tratando de demência, imagem na avaliação clínica e gerenciamento cujos índices são muito expresda demência. A sessão foi uma das mais consivos na atualidade, a Radiocorridas atividades e teve um dia inteiro de logia viverá uma mudança de sessões dedicadas à demência na RSNA 2017. ênfase, passando do diagnóstiArtigo publicado no RSNA News, co diferencial para a predição. Grande parte de autoria de Mike Basset, um dos editorialistas da publicação, coloca o assunto disso se resumirá aos “três Bs” – biomarcadores, big data e bioinformática, alertam na ordem do dia, com um importante especialistas americanos. questionamento, quando o O último evento da tema é “Demência”, por sua RSNA – Radiologial Society representatividade nas estatísticas do mundo moderno. of North America, no final de 2017, abriu muitas frenAo enfatizar essa postura o tes para a discussão dessa prof. Petrella destaca. “Na nova realidade, com temas demência há uma lacuna diversos, alertando para crescente entre o que está esse futuro muito próximo. acontecendo na pesquisa e “Os tratamentos de saúde como a radiologia é praticada na sala de laudos. O se deslocam em direção a que estamos fazendo todos um novo paradigma, o papel atual da radiologia na os dias na sala de laudos avaliação e gerenciamento Prof. Jeffrey Petrella, Duke parece ter estagnado”, complementando que “quando da demência que evoluirá University um paciente apresenta um problema clínico para um papel maior e mais pré-clínico na de comprometimento da memória, utilizaelaboração de perfis de risco personalizados mos alguns termos descritivos que não são e previsões personalizadas de como os pacientes vão responder ao tratamento”. necessariamente uniformes, e muitas vezes Essa foi a mensagem transmitida pelo não abordamos a questão almejada pelos Dr. Jeffrey R. Petrella, professor de radiologia colegas que nos encaminharam o paciente”. da Faculdade de Medicina da Universidade Essa conduta, segundo o prof. Petrella, Duke, durante a sessão que tratou do tema se deve ao que ele chama de velho paradigma da demência, no qual os médicos acom“O Diagnóstico por Imagem da Cognição – panham um declínio do nível cognitivo de Demência”, sobre o papel do diagnóstico por

verá uma mudança de ênfase, passando um paciente, até atingir um “ponto arbitrário do diagnóstico diferencial para a predição. chamado demência”. Nesse ponto, a terapia Por exemplo, a radiologia poderá utilizar é prescrita a esses pacientes. Mas o novo dados disponíveis em imensos bancos de paradigma é caracterizado pelo potencial dos dados (AI) para criar modelos preditivos biomarcadores como meio de diagnóstico quantitativos, e transformar tais modelos em precoce, bem como, pelo reconhecimento de avaliações de risco personalizadas. que a demência não é uma entidade única, Estudo de Intercâmbio afirmou o especialista. de Dados de Neuroimagem No novo paradigma, “Na demência, há sobre o Autismo (ABIDE), enfatiza-se o estágio inicial uma lacuna crescente na Holanda, mostram os pré-clínico ou prodrômico primeiros e positivos reda demência, onde há uma entre o que está sultados. Então, o que os patologia clinicamente siacontecendo na lenciosa, como afirma o radiologistas poderão ofepesquisa e como recer aos médicos que lhes neurorradiologista, e a idéia a radiologia é encaminham pacientes, no é que o tratamento “seja praticada na sala futuro próximo?, questiona mais eficiente antes que os de laudos. O que o professor. “Ainda haverá pacientes sofram uma perda um componente descritivo neuronal irreversível.” estamos fazendo em nossos relatórios, mas Com os avanços tectodos os dias na sala nológicos, hoje, além de também veremos a quantifide laudos parece ter cação não só de atrofias, mas quantificar a anatomia, que estagnado” de doenças vasculares, bem é realmente algo que se pode como a caracterização de pafazer atualmente, também estão no limiar de quantificar a carga das lesões drões de atrofia, e uma avaliação abrangente vasculares. “Então, a quantificação é algo que do perfil molecular do paciente”, afirmou. continuaremos a ver”, afirmou. “Vamos elaborar tudo isso em modelos de informática, de modo a oferecer avaO que os radiologistas poderão liações de risco pessoais. Isso renderá um oferecer aos médicos? produto muito melhor, e será mais útil aos Nessa nova tendência, que aponta camiclínicos que nos encaminham pacientes”, nhos para o “novo papel do Radiologista”, conclui o prof. Jeffrey Petrella. (Fonte RSNA em se tratando de demência, a radiologia News)

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ENSINO / ATUALIZAÇÃO Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

Programa de Fellow, um caminho para a especialização no Grupo Fleury Com o foco na qualidade, inicialmente pensando em fortalecer sua própria equipe, o Grupo Fleury criou há seis anos, seu programa de “fellow”, uma especialização pós-residência, para aqueles que desejam maior aprofundamento em alguma área específica da radiologia. Passado esse período comemora os resultados e atrai profissionais cada vez mais preparados.

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inistrado por sua equiuma sub-especialização. Muitas instituições nível. O participante do programa deve elape de profissionais, esse borar um número mínimo de laudos por ano já possuíam este quarto ano adicional (o bem-sucedido programa para demonstrar que praticou o que estudou, R4), mas o seu nome não poderia mais ser foi criado há 18 anos, no apresentar casos clínicos e artigos científicos o mesmo, uma vez que esta busca por um Hospital São Luiz, em São periodicamente e, no final do programa, maior conhecimento poderia se estender por Paulo, e incorporado ao portfólio do Fleury, deve participar de um trabalho científico que mais de um ano. “Muitos jovens colegas gostariam de cursar mais um ano além do quarto quando este assumiu o Serviço de Imagem poderá ser apresentado em um congresso nacional ou internacional e publicado, se tiver para ter maiores oportunidades de inserção da Instituição. qualidade”, completa o professor. no mercado. Atento à este movimento, o “É uma pós-residência destinada aos CBR – Colégio Brasileiro de Radiologia, que médicos que já concluíram seus três anos Diferenciais do programa regulamenta e credencia esse modelo de prode residência e que desejam ter um maior O programa do Grupo Fleury apresenta grama pensou em denominá-lo “Fellow”, aprofundamento em alguma área específica, três diferenciais quando comparado a outros uma expressão criada pelos americanos que como tomografia e ressonância; neurorraque existem no país: a longediologia; imagem da mama; vidade, já que só com o tempo medicina interna; e radiologia e a experiência a instituição é do sistema músculoesqueléticapaz de construir um programa co”, esclarece o prof. Giuseppe robusto, consistente e coerente D´Ippolito, um dos responcom as necessidades da empresa sáveis pela estruturação do e de quem a procura; a qualidade programa, que a cada ano, tem do corpo clínico, composto por tido uma procura maior. Mais um dos melhores grupos de prode 300 médicos se inscrevefissionais e contando com mais ram no programa desse ano, de 40 tutores que se dedicam a realizado nas cidades de São orientar os jovens colegas; e o Paulo e Rio de Janeiro, onde grande número de casos clínicos concorreram à 32 vagas. discutidos e vivenciados, já que o Criado inicialmente com Grupo Fleury coordena diversos o nome de R4, já que seria um hospitais como o São Luiz e o quarto ano de especialização Hospital Alemão Osvaldo Cruz. para completar o treinamento “Nós oferecemos mais de 300 após os três anos da residência Prof. Giuseppe D´Ippolito, um dos responsáveis pela estruturação do programa. horas de aula durante o ano para médica em Radiologia e Diagos fellows, os quais estão amparados por nóstico por Imagem, o programa se ajustou a poderia se traduzir por “seguidor”, ou seja, um estrutura modelo, são expostos a uma nossa realidade, focado em atender o rápido um radiologista supervisionado por um quantidade muito grande de informação de avanço tecnológico e a necessidade do profismentor ou tutor, alguém mais experiente, qualidade além de terem oportunidade de sional se incorporar ao mercado de trabalho. quase sempre mais velho que acompanha participar evidentemente da atividade clíni“Dos países ditos desenvolvidos, o Brasil é o desenvolvimento do jovem profissional. ca radiológica, não como observadores mas um dos poucos que possuem uma residência Este tutor não é necessariamente um profescomo protagonistas. Ao final do programa, é sor, mas um especialista que vai mostrar na em radiologia de apenas três anos. A maior natural que se abram portas de ingresso para prática a sua rotina de trabalho, suas compeparte dos países oferece um programa de o mercado de trabalho e mais especificamente tências e habilidades, indicar os caminhos quatro ou cinco anos porque a radiologia se para uma instituição de renome como o Grupossíveis a serem seguidos na especialidade, ampliou e se sofisticou. Os grandes avanços po Fleury”, comenta o prof. Giuseppe. e assim contribuir na formação profissional experimentados pela especialidade não Num rápido balanço os resultados do do radiologista iniciante”,analisa D´Ippolito. permitem mais que toda a informação necesprograma, até hoje, estão acima das expecsária para se exercer a atividade de maneira O conceito do programa é aprimorar o tativas. Com essa experiência, os fellows competitiva seja transmitida e absorvida profissional no início da sua carreira, com o poderão aprimorar não só seu conhecimento em apenas três anos de residência médica”, foco na qualidade e na ética, com o suporte científico e técnico como também sua caexplica o prof. Giuseppe. de colegas experientes que transmitem copacidade profissional em um sentido mais nhecimento e agregam valores que poderão Os próprios médicos-residentes partiamplo. Nos últimos cinco anos, cerca de 70% cipantes dos programas oficiais escolhiam fazer a diferença na vida do médico. Para dos participantes escolheram trabalhar no permanecer mais tempo neles, estendendo isso, exige-se pontualidade, assiduidade Grupo Fleury ao final do programa. seus estudos para um ou mais anos, buse comprometimento, tudo que se espera Para alcançar esses objetivos, ele acrecando um maior aprendizado e abraçando de um relacionamento profissional de alto

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dita que “o retorno será sempre em função do que é investido: energia, tempo, conhecimento e dinheiro. Se você me perguntar o que precisa para ter qualidade, em um sentido mais amplo, eu diria que é preciso abnegação, seriedade, sacrifício e conhecimento, porque não adianta só ter boa vontade e tempo disponível se não houver conteúdo. A qualidade é obtida através da perseguição de um conjunto de características virtuosas que contribuem por torná-la algo concreto”, finaliza.

A experiência da RSNA Formar profissionais de qualidade é objetivo de todas as instituições que valorizam a especialidade. Recentemente, o Comitê do Fellow da Radiological Society of North America (RSNA) divulgou em suas publicações iniciativas que visam empenhar os “trainees” (médicos residentes, para o Brasil) em suas atividades, e, com isso, criaram em 2015 o Programa dos Residentes Representativos da RSNA (R3), com o objetivo de estabelecer uma ponte entre a instituição e os jovens médicos. Para 2018, seus objetivos são melhorar o engajamento dos trainees e ajudar a preparar equipes de treinamento do Fellow para orientá-los em seus primeiros trabalhos, criando uma via de mão dupla ao garantir a troca de informações e idéias, com resultados positivos para o futuro especialista. Hoje, o programa conta com mais de 122 representantes nos Estados Unidos Todos os Residentes e Fellows podem também explorar outra novidade do programa na internet: a Conexão de Carreira da RSNA. A nova interface permite uma pesquisa intuitiva de métodos com a capacidade de filtrar o que procuram com base na geografia e nas palavras. Os que estão em busca de emprego podem também encontrar vagas potenciais e criar alertas para novas oportunidades de carreiras que atendam suas expectativas. (Fonte Ass. RSNA – 2017)


FEVEREIRO / MARÇO DE 2018 - ANO 16 - Nº 102

Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

ENTREVISTA

Carestream comemora resultados e amplia sua representatividade Há mais de 10 anos no Brasil, a Carestream chega a 2018 com um balanço positivo, marca presença nos centros de referência no País e se prepara para novos desafios, com a incorporação de novas tecnologias de US e CT lançadas nos Estados Unidos há 2 anos, com previsão de chegar ao Brasil até 2019.

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m entrevista ao ID Interação Diagnóstica em São Paulo, Irineu Monteiro, CEO da Carestream, fez um balanço dos resultados obtidos e anunciou oficialmente ao mercado a chegada de mais um distribuidor, a Única, sediada em Curitiba, e que atenderá a região do Paraná e também Santa Catarina. Inicialmente explicou o rigor da empresa na seleção de seus parceiros, “um processo muito estruturado, que leva em conta uma série de fatores, como valores, situação da companhia e competência, que são analisados num processo com duração de aproximadamente 6 meses”. Monteiro enfatiza que a empresa é avaliada por sua história, seu potencial e resultados recentes. “Esse processo inclusive passa pelo crivo de uma consultoria externa, para avaliar não só resultados financeiros, mas toda a história da empresa. Dentro desses critérios, a escolha da Única não foi surpresa.”

Os três pilares da empresa no Brasil “Hoje a Carestream está organizada em três verticais: a primeira, que trata de Filmes Médicos e Soluções de Impressão. A outra vertical é a de equipamentos, com as linhas de CR, DR e Salas de Rio-X, que num futuro próximo será enriquecida com ultrassom e tomografia, já disponíveis nos Estados Unidos há 2 anos. A previsão é que até 2019 já estejam no Brasil. E a terceira vertical é a que chamamos de Health Care IT, incluindo RIS + PACS além de soluções de VNA (Vendor Neutral Archiving), Cloud Services, Analytics e Orchestrator. A Única vai representar a Carestream, com o portfólio de produto completo. Graças a todos esses cuidados, a Carestream, ao longo desta década, fortaleceu sua posição no mercado, e hoje “estamos sem dúvida em uma posição de liderança. Na parte que nós chamamos internamente de HCIS - Health Care Information System, somos líderes do mercado. O produto Carestream é reconhecido e estamos presentes nos principais clientes do Brasil. O crescimento dessa área tem sido significativo. No ano passado especificamente tivemos um crescimento importante, trazendo grandes corporações para a carteira de clientes da Carestream nesse segmento. A marca Carestream, que vem com 100 anos de legado da Kodak, e todos esses fatores apontados, fizeram que essa linha de negócios no Brasil nos colocasse à frente dos nossos competidores.” Destacou.

Investimento, um referencial da empresa “A Carestream no Brasil é uma marca consolidada porque investe muito em inovação. E, quem esteve no último RSNA, onde se falou muito sobre inteligência artificial, pode constatar. A Carestream já tem 4 algoritmos de identificação de alguns sintomas dos possíveis achados do paciente em seu analytics”, inclusive já certificados com FDA e Anvisa, afirma Monteiro. “A expectativa para o próximo ano é termos mais 10 novos algoritmos, que vão auxiliar o radiologista na identificação de achados, permitindo que ele observe as imagens

Da esquerda para a direita. Fabricio Andrade, Davidson Araujo, Irineu Moreira e Darcy Santos, na sede da Carestream em São Paulo.

geradas nas modalidades, não só um possível sintoma do paciente, mas também outras ocorrências. Além da credibilidade da ferramenta, nós temos um alto nível de investimento nessa solução de Health Care IT”, informa o CEO. “Pessimismo não é palavra para a Carestream”, declara Irineu em relação ao mercado atualmente. “Com todas as incertezas, trabalhamos muito e 2017 foi um ano de muito êxito. Continuamos muito otimistas porque, aparentemente, a economia, se descolou um pouco da situação política no Brasil. Com o PIB que cresceu em 2017 e os indicadores macro econômicos mais favoráveis, acreditamos que 2018 será melhor. Nossa expectativa é que a inflação continue baixa, os juros não devem mudar muito, e a previsão de crescimento do PIB está chegando perto de 3%, o que é bom para os negócios. A nossa expectativa de 2018 é positiva e otimista”, destaca.

O filme radiológico na rotina: inovações Com novos produtos e soluções a Carestream pretende mudar a rotina dos serviços e hospitais. Primeiro, com um sistema chamado MPS (Managed Print Solution - foto), que ajuda clínicas e hospitais a gerenciar seu processo de impressão de imagem diagnóstica. Com ele, o cliente compra não só o filme e a impressora, mas a solução completa. Não é necessário colocar pedidos: a cobrança é automática, assim como o envio de filme e impressora. “Além dessa solução voltada para as clínicas, também estamos trabalhando em outra, com foco no paciente. São quiosques com impressão sob demanda, nos quais o próprio paciente vai poder imprimir suas imagens e seu laudo”, explica. Apesar das previsões positivas sempre em relação ao mercado de filmes radiológicos, a Carestream ainda trabalha com os pés no chão, levando em conta a rotina médica e as diferenças regionais no País. Segundo Fabricio Andrade, gerente de regional da Carestream, o filme analógico, que

utiliza revelação com químicos, está perdendo mercado em cerca de 20% ao ano. Já o filme dry, devido à essa transição, está em outro patamar e se mantém competitivo. O que tem sido feito é a busca do aperfeiçoamento da técnica e dos processos na busca de doses mais baixas de radiação. “As pesquisas também estão atreladas à melhora da produtividade e ao fluxo do paciente na instituição, para que ele fique menos tempo, sem sofrer com filas, com um atendimento rápido, de qualidade e o menor risco possível”, explica. “Investir na tecnologia de raios X no Brasil continua sendo uma necessidade”,complementa Irineu Monteiro. “O país tem hoje um segmento de mercado com equipamentos do século XIX, de radiologia convencional, analógica. Mas isso pode ser atualizado a partir de um dos dois segmentos em que a Carestream vem investindo. O primeiro é o de placas digitais que atualizam esses equipamentos, como as placas DRX, que produzem imagens digitais. Ou a tecnologia de DR, com salas de raio X full digital, com equipamentos que vão do teto ao piso, e de fluoroscopia. E tudo conectado sem fio com baixa dose e alta qualidade de imagem, inclusive em coluna total ou escanometria ”, intervem Fabricio Andrade.

Padrões de qualidade e parceria “Hoje o mercado está muito atento aos nossos detectores digitais como padrão devido à redução de dose, flexibilidade e qualidade da imagem. É possível utilizar uma placa em várias salas, inclusive com o raio X móvel. Você pode compartilhar a placa, o fator X. Hoje posso dizer que nossos detectores são um sonho de consumo”, afirma Andrade. É para representar essa tecnologia, que vem com os 100 anos de história da Kodak na área de filmes, que a Única, representada por seus diretores Darci Santos e Davidson Araujo, se associa à Carestream para representá-la no Paraná e Santa Catarina. Para Darci Santos, diretor da Única, a parceria com a Carestream já era previsível: “Estou no mercado há 22 anos, meus primeiros conhecimentos foram na Kodak em São José dos Campos, então o carinho pela marca existe”. Ele diz que sua empresa tem um propósito de atendimento regionalizado, um relacionamento sem exclusividade, estabelecendo um padrão de vínculo com a multinacional com bastante seriedade. FEV / MAR 2018 nº 102

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ENTREVISTA Por Claudia Casanova (SP)

Toshiba Medical agora é Canon Medical Systems Corporation Na etapa final do processo de integração da Toshiba Medical Systems à Canon Inc., iniciado em 2016, a empresa passou a se chamar oficialmente Canon Medical Systems Corporation. A solenidade que marcou a nova razão social e nome fantasia aconteceu no dia 4 de janeiro, no Japão, e a alteração será estendida à todas as subsidiárias do grupo. No Brasil, os trâmites legais e regulatórios para a mudança deverão ser concluídos neste trimestre, até a JPR´2018.

mos. Esse cenário manterá a tendência, se os indicadores macroeconômicos colaborarem, do setor de cuidados médicos crescer acima do PIB”. O executivo conta, ainda, que a subsidiária brasileira não sofrerá mudanças na gestão, e que seu objetivo é crescer e ampliar cada vez mais o rol de equipamentos produzidos por aqui. Atualmente, a fábrica localizada em Campinas, no interior paulista, produz quase todo o portfólio de ressonância e de tomografia, com exceção de poucos modelos, e cerca de 60% da linha de ultrassonografia.

Parcerias para pesquisa

A empresa também tem se dedicado à formulação de parcerias para pesquisas laboratoriais in vitro. Nesse segmento, recentemente assinou um protocolo de intenções com a egundo Flavio Martins, PresiUniversidade de Pernambuco, por meio do dente & CEO da Toshiba MediLaboratório de Imunopatologia Keizo Asami cal do Brasil, que já ostenta em (LIKA), para o desenvolvimento de um método sua sede o logo da Canon, a nova mais ágil na identificação de chikungunya, zika fase será marcada especialmente vírus e da febre amarela. pela expansão da marca Canon no mercado A área de serviços é outro pilar que a de diagnóstico por imagem. Com o objetivo unidade no Brasil pretende fortalecer. “Assode ser referência mundial no setor, o grupo ciado à fabrica, temos um centro de pesquisa tem investido todo o lucro gerado na divisão e desenvolvimento, cujo modelo desejamos de healthcare para seu próprio fortalecimenexpandir. Destinado hoje em dia a técnicos, to: “Uma das principais bases para a expanbiomédicos e operadores de equipamento, são global dos negócios passa pelas áreas no futuro a ideia é contar com um modelo de de ultrassonografia ressonância magnética atendimento médico-médico. Também invese de tomografia computadorizada. Assim, timos muito em Tecnologia da Informação além da ampliação de portfólio de produtos, Encontros nos diversos países, como na unidade fabril de Campinas, marcaram o inicio dessa para acelerar e ampliar o suporte à distância a companhia tem investido em centros de nova etapa na história da empresa. para os equipamentos e sistemas de nossos excelência para o desenvolvimento de novas clientes. Como comercializamos as ferramentas, nossa otimista. “Além de investimentos terem sido confirmados e tecnologias e na compra de outras estruturas e empresas”. intenção é oferecer o melhor suporte e pós-venda do expandidos pela matriz, percebemos sinais de recuperação Sobre a constituição da Canon Medical e seu reflexo mercado”, concluiu o CEO. da economia, que vem reagindo melhor do que esperávano mercado brasileiro, Martins afirma que a expectativa é

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FEVEREIRO / MARÇO DE 2018 - ANO 16 - Nº 102

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Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal para pesquisa de Endometriose

endometriose é uma das doenças ginecológicas mais comuns, caracterizada pela presença de tecido endometrial nas formas glandular e estromal fora dos limites uterinos, associada a fibrose e reação inflamatória crônica. Estima-se atualmente que 176 milhões de mulheres no mundo apresentem a doença. O cenário clínico mais comum é o diagnóstico tardio associado a infertilidade, em geral decorrente do uso prolongado de contraceptivos, por mais de 10 anos, que mascara os sintomas da doença e não impede a sua progressão. O diagnóstico representa um desafio na prática médica. O exame físico e os exames laboratoriais disponíveis podem não detectar a doença. Neste contexto, o diagnóstico por imagem apresenta papel fundamental tanto para a identificação dos focos de endometriose como para a avaliação da gravidade da doença. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal (USTVPI) é a primeira modalidade de exame que deve ser empregada na avaliação de pacientes com suspeita de endometriose e em alguns casos pode ser o único exame necessário. Este artigo tem por objetivo rever o método, o protocolo de exame, algoritmo de avaliação e aspectos de imagem nos diversos sítios acometidos.

Protocolo de exame A USTVPI dedicada para avaliação de endometriose consiste em um exame detalhado da pelve, que inclui não somente a avaliação do útero e dos ovários, mas também uma avaliação minuciosa da bexiga, vagina, retossigmóide, ureteres pélvicos e alças delgadas. O preparo intestinal inclui a véspera e o dia do exame. Na véspera as pacientes são orientadas a tomar um laxante por via oral (12 gotas de Guttalax ®) às 8 e às 14h e manter uma dieta pobre em resíduos. No dia do exame, devem manter a dieta e aplicar uma bisnaga de Phosfoenema ® por via retal uma hora antes do exame. Imediatamente antes do início do exame as pacientes são orientadas a esvaziar a bexiga e em seguida tomar cerca de 400 ml de água com o objetivo de auxiliar na avaliação dos ureteres.

Algoritmo de avaliação A avaliação de pacientes com endometriose deve seguir um algoritmo de investigação que inclui as localizações mais frequentes da doença, que costumam seguir uma distribuição repetitiva e previsível. Didaticamente a pelve feminina é dividida no plano do útero em dois compartimentos, anterior e posterior. Compartimento anterior: nesta região devem ser avaliados a bexiga, os ligamentos redondos, a parede uterina anterior e o peritônio vésico-uterino. Compartimento posterior: esta é a localização mais comprometida pela endometriose onde devem ser minuciosamente avaliados: a região retrocervical (incluindo o tórus uterino e ligamentos útero-sacros), a cúpula vaginal, a parede uterina posterior, retossigmóide, espaço retovaginal e os segmentos pélvicos dos ureteres. É mandatória a pesquisa de aderências em pacientes com endometriose, realizada durante o exame de USTVPI através da técnica bimanual: uma palpação abdominal combinada com a mobilização gentil do colo uterino através de pressão exercida com o transdutor.

Aspectos de imagem

São formações nodulares hipoecogênicas, que podem apresentar aspecto heterogêneo à custa de pequenas áreas císticas (Fig. 3).

Compartimento posterior Região retrocervical As lesões de endometriose na região retrocervical podem ser facilmente diagnosticadas através da USTVPI pois o método propicia excelente contraste entre o tecido normal, que é hiperecogênico e os focos da doença que são hipoecogênicos. Os focos podem variar desde pequenos espessamentos em placas até nódulos grandes e mais infiltrativos (Fig. 4). Os terços proximais dos ligamentos útero-sacros e o tórus uterino são as regiões mais afetadas.

Figura 2. USTVPI no plano axial demonstrando lesão de endometriose profunda em manto no compartimento anterior da pelve (linha tracejada), recobrindo a superfície uterina anterior e infiltrando profundamente o miométrio subjacente.

Figura 3. Endometriose vesical. USTVPI no plano axial demonstrando formação nodular hipoecogênica contendo pequenas áreas císticas e localizada na parede posterior da cúpula vesical, infiltrando profundamente o músculo detrusor (setas).

Figura 4. USTVPI no plano axial oblíquo demonstrando espessamento nodular hipoecogênico comprometendo o terço proximal do ligamento útero-sacro direito (setas).

Compartimento anterior Nesta região, o peritônio vésico-uterino junto à parede uterina anterior e aos terços proximais dos ligamentos redondos é a localização mais frequente. As lesões apresentam-se como placas hipoecogênicas de contornos irregulares, frequentemente associadas a focos hiperecogênicos e pequenas áreas císticas (Fig. 1). As lesões do peritônio vésico-uterino, quando maiores, costumam confluir e recobrir a parede uterina anterior, podendo cursar com infiltração profunda do miométrio, padrão então conhecido como lesão em manto (Fig. 2). Os nódulos de endometriose que acometem a bexiga aparecem frequentemente na parede posterior da cúpula vesical, na linha média e infiltram profundamente o músculo detrusor.

Figura 5. Endometriose de cúpula vaginal. USTVPI no plano axial oblíquo demonstrando importante espessamento da parede posterior da cúpula vaginal, de aspecto heterogêneo a custa de área cística (setas).

Assim como no compartimento anterior, as lesões confluentes da região retrocervical podem recobrir a parede uterina posterior, em manto, e crescer em sentido oposto, infiltrando profundamente o miométrio subjacente.

Figura 1. USTVPI nos planos axial (a) e sagital (b) demonstrando lesão de endometriose profunda no compartimento anterior da pelve caracterizada por espessamento nodular hipoecogênico (setas) localizado no peritônio vésico-uterino junto ao terço proximal do ligamento redondo direito. Embora haja importante proximidade com a cúpula vesical, não há sinais de infiltração do músculo detrusor (*)

Vagina O envolvimento isolado da vagina pela endometriose é incomum. Em geral seu comprometimento se dá através de extensão inferior da lesão retrocervical que infiltra a parede posterior da cúpula vaginal. Esta infiltração pode ser focal ou difusa, conter pequenas áreas císticas e obliterar o fórnice vaginal (Fig. 5). CONTINUA


Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal para pesquisa de Endometriose

Figura 6. USTVPI nos planos sagital (a) e axial (b) demonstrando lesão de endometriose infiltrativa no retossigmóide (setas) com infiltração profunda até a camada muscular própria interna. A submucosa (*) hiperecogênica está preservada.

Figura 7. USTVPI com reconstrução 3D da lesão de endometriose intestinal demonstrada na figura 6. Observe o aspecto retrátil, em “C”do segmento acometido (setas).

Figura 8. USTVPI demonstrando lesão de endometriose infiltrativa no apêndice (setas). O corte sagital (a) demonstra nódulo hipoecogênico infiltrando profundamente o terço distal do apêndice e a reconstrução 3D (b) demonstra o aspecto retrátil da lesão.

Retossigmóide O retossigmóide é a localização mais frequente de endometriose intestinal e responsável pelas apresentações mais agressivas da doença. A USTVPI é a melhor modalidade de imagem na avaliação de endometriose intestinal. Os nódulos podem ser únicos ou múltiplos e apresentam-se como formações nodulares marcadamente hipoecogênicas e homogêneas, que infiltram a parede intestinal de fora para dentro. Acometem na maioria dos casos as camadas serosa e muscular própria e, quando mais infiltrativos, a submucosa (Fig. 6). A ultrassonografia 3D também pode ser utilizada na avaliação dos nódulos intestinais, demonstrando o aspecto retrátil em “C” típico das lesões infiltrativas (Fig. 7).

Alças delgadas e região ileocecoapendicular As alças ileais também podem ser acometidas pelos implantes de endometriose. O padrão de apresentação é semelhante às lesões do intestino grosso, como nódulos hipoecogênicos homogêneos e infiltrativos. A lesões da transição ileocecal podem ser maiores e em geral comprometem a base do ceco. Os nódulos apendiculares podem levar à obstrução de sua luz e estar associados a mucoceles ou intussuscepção para o ceco (Fig. 8). Ureteres O comprometimento dos ureteres por endometriose se dá, na maioria dos casos, de forma extrínseca, através da extensão lateral de uma lesão retrocervical ou paracervical maior que 2,0 cm ou uma lesão localizada na fossa ovárica (Fig. 9). Os segmentos ureterais pélvicos podem ser bem avaliados através da USTVPI. O aspecto de imagem consiste na presença de formação nodular de contornos irregulares localizada nas regiões retro e paracervicais junto ao trajeto dos ureteres pélvicos. Há redução abrupta de calibre do ureter, associada a espessamento hipoecogênico, com ou sem dilatação a montante (Fig. 10).

Figura 9. USTVPI no plano axial oblíquo à esquerda demonstrando a presença de espessamento em placa hipoecogênica no peritônio da fossa ovárica esquerda e aderido à cápsula ovariana (setas). Observe a proximidade entre esta lesão e o trajeto do ureter pélvico ipsilateral (linha tracejada).

Figura 10. USTVPI no plano axial oblíquo à esquerda demonstrando importante dilatação do ureter esquerdo (*) até o plano de formação nodular hipoecogênica e heterogênea paracervical esquerda (setas).

Bibliografia Recomendada 1. Comparison between clinical examination, transvaginal sonography and magnetic resonance imaging for the diagnosis of deep endometriosis. Abrao MS, Gonçalves MO, Dias JA Jr, Podgaec S, Chamie LP, Blasbalg R. Hum Reprod. 2007 Dec;22(12):3092-7. Epub 2007 Oct 18. 2. Transvaginal ultrasound after bowel preparation to assist surgical planning for bowel endometriosis resection. Pereira RM, Zanatta A, de Mello Bianchi PH, Chamié LP, Gonçalves MO, Serafini PC. Int J Gynaecol Obstet. 2009 Feb;104(2):161. doi: 10.1016/j.ijgo.2008.11.002. Epub 2008 Dec 10. No abstract available. 3. Transvaginal US after bowel preparation for deeply infiltrating endometriosis: protocol, imaging appearances, and laparoscopic correlation. Chamié LP, Pereira RM, Zanatta A, Serafini PC. Radiographics. 2010 Sep;30(5):1235-49. doi: 10.1148/rg.305095221. 4. Findings of pelvic endometriosis at transvaginal US, MR imaging, and laparoscopy. Chamié LP, Blasbalg R, Pereira RM, Warmbrand G, Serafini PC. Radiographics. 2011 Jul-Aug;31(4):E77-100. doi: 10.1148/rg.314105193. 5. Atypical Sites of Deeply Infiltrative Endometriosis: Clinical Characteristics and Imaging Findings. Chamié LP, Ribeiro DMFR, Tiferes DA, Macedo Neto AC, Serafini PC. Radiographics. 2018 Jan-Feb;38(1):309-328. doi: 10.1148/rg.2018170093.

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CONCLUSÃO X

Autores Luciana Pardini Chamié Médica radiologista diretora da Chamié Imagem da Mulher - SP Médica radiologista do Fleury Medicina e Saúde - SP Doutora em medicina pela FMUSP Especialista em radiologia e diagnóstico por imagem do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR)


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Distorção arquitetural na Mamografia: diagnósticos diferenciais

distorção arquitetural na mamografia é definida no BI-RADS® 5ª edição como: “Alteração normal do parênquima da mama é distorcido sem nódulo visível, o que inclui linhas finas ou espiculadas partindo de um ponto ou retração focal e distorção nos limites do parênquima.”.1 É encontrada em aproximadamente 6% das mamografias de rastreamento, e é a terceira apresentação mais prevalente do câncer de mama não palpável.2 Pode ser consequência de causas benignas, carcinoma ductal in situ e câncer invasivo. Quando não há antecedente de trauma ou cirurgia mamária, deve ser considerada como alteração suspeita para malignidade, sendo indicada investigação subsequente com biópsia guiada e analise histopatológica.1 O objetivo desta revisão é discutir os diagnósticos diferenciais mais comuns de distorção arquitetural mamaria, com ênfase na cicatriz radiada e no carcinoma invasivo.

Cicatriz radiada A cicatriz radiada e a lesão esclerosante complexa (CR/LEC) são lesões benignas da mama encontradas em 0,1-2,0 por 1.000 mamografias e em 1,7%-14% das autópsias, mais frequentemente em mulheres em idade reprodutiva, principalmente após os 40 anos. Ao contrário do que sugere o nome, não são cicatrizes verdadeiras, surgindo de forma idiopática. Na mamografia, essas lesões são descritas como distorção arquitetural ou assimetria focal, tendo a clássica apresentação de estrela negra (black star): centro lucente, com finas estrias radiais escuras em um fundo branco. São diferenciadas pelas suas dimensões, sendo o termo cicatriz radiada usado para descrever lesões menores que 1 cm e lesão esclerosante complexa para aquelas com 1 cm ou mais. Apesar de histologicamente benignas, a CR/LEC apresentam associação de até 30% com doenças malignas da mama, como carcinoma ductal in situ e carcinoma tubular. Tal associação é ainda mais prevalente quando Figura CR – Distorção arquitetural em “black star” na junção dos quadrantes superiores da atipia está presente na análise histológica. Não é possível a distinção da CR/LEC mama esquerda. Diagnostico subsequente de cicatriz radiada. com o carcinoma invasivo pelos métodos de imagem, e a biópsia com estudo histopatológico da lesão é recomendada para o diagnóstico definitivo.3

Carcinoma ductal in situ (CDIS) Tipo mais comum de carcinoma não invasivo da mama, sendo caracterizado por proliferação celular ductal sem evidência histológica de invasão através da membrana basal.4 A apresentação mamográfica mais comum é a de microcalcificações de morfologia suspeita. A distorção arquitetural sendo descrita em até 10% dos casos.5

Figura PO – distorção arquitetural do parênquima mamário na projeção dos quadrantes superiores em paciente com antecedente de quadrantectomia há esquerda por carcinoma invasor.

Figura Posbiopsia – distorção arquitetural do parênquima mamário no quadrante ínfero-medial da mama direita secundário a biopsia incisional. Nota-se material hiperdenso correspondente a clipe marcador no leito biopsiado.

Outros diagnósticos diferenciais Adenose esclerosante Lesão definida histologicamente como proliferação glandular com fibrose e retração glandular em vários graus, mas que mantém a morfologia habitual. É uma patologia comum principalmente em mulheres na menacme, presente em 10% dos tecidos pós-mastectomia. Apresenta baixo risco de desenvolvimento de câncer subsequente.2 Necrose gordurosa Alteração benigna inflamatória que ocorre principalmente após cirurgia mamaria, radioterapia e trauma. À mamografia, tipicamente apresenta-se como cisto oleoso ou deformidade e espessamento da pele e subcutâneo, na maior parte das vezes associado a calcificações distróficas. Em alguns casos, pode estar associada a fibrose tecidual, causando a retração e distorção do parênquima mamário, simulando malignidade. Podem ser diferenciadas através da ressonância magnética, com a necrose gordurosa apresentando sinal igual a gordura em todas as sequências7 Alterações pós-cirúrgicas e pós-biópsia

Espessamento e cicatriz na pele é associado com alteração do parênquima mamário em áreas próximas a manipulação cirurgia podem ser encontradas após cirurgias como mamoplastia redutora, mastectomia e colocação de implantes. No pós-biopsia é comum a alteração da morfologia do parênquima habitual na área biopsiada com espessamento da pele e calcificações distróficas. A inserção de um marcador radiopaco no local para identificar o local biopsiado é recomendada, possibilitando associar as alterações com o procedimento pregresso. 8

Bibliografia 1. D’Orsi CJ, Sickles EA, Mendelson EB, Morris EA et al. ACR BI-RADS® Atlas, Breast Imaging Reporting and Data System. Reston, VA, American College of Radiology; 2013. 2. Shantanu Gaur, Vandana Dialani, Priscilla J. Slanetz, and Ronald L. Eisenberg. Architectural Distortion of the Breast. American Journal of Roentgenology 2013 201:5, W662-W670 3. D. Quentin Alleva, Dana H. Smetherman, Gist H. Farr, Jr, and Gunnar J. Cederbom. Radial Scar of the Breast: Radiologic-Pathologic Correlation in 22 Cases. RadioGraphics 1999 19:suppl_1, S27-S35

Figura CDIS – Distorção arquitetural em black star na junção dos quadrantes superiores da mama esquerda. Diagnostico subsequente de carcinoma ductal in situ.

Carcinoma invasivo O câncer de mama é o mais prevalente e o segundo mais letal em mulheres. Responde por cerca de 25% dos casos novos a cada ano. O INCA estima em que 2016, 57.960 mulheres serão diagnosticadas com câncer de mama. 6 A apresentação mais comum do câncer de mama é a identificação de um nódulo ou calcificações com morfologia e distribuição suspeitas. Contudo, a distorção arquitetural pode ser causada tanto pelo carcinoma ductal invasivo quanto pelo carcinoma lobular invasivo, os dois tipos de câncer de mama mais prevalentes. 2 Na mamografia de rastreamento, a distorção arquitetural causada pela malignidade geralmente é acompanhada de um nódulo central com espiculas radiadas retraindo e distorcendo o parênquima adjacente. Entretanto, nem sempre o nódulo central está presente, tornando impossível a distinção pelos métodos de imagem com a cicatriz radiada.

4. Yamada T1, Mori N, Watanabe M, Kimijima I, Okumoto T, Seiji K, Takahashi S. Radiologic-pathologic correlation of ductal carcinoma in situ. Radiographics. 2010 Sep;30(5):1183-98. doi: 10.1148/rg.305095073. 5. Brem RF, Fishman M, Rapelyea JA. Detection of ductal carcinoma in situ with mammography, breast specific gamma imaging, and magnetic resonance imaging: a comparative study. Acad Radiol. 2007 Aug;14(8):945-50 6. INCA, 2016; Ministério da saúde. Acessado em www.inca.gov.br em julho de 2016. 7. Margolis NE1, Morley C, Lotfi P, Shaylor SD, Palestrant S, Moy L, Melsaether AN. Update on imaging of the postsurgical breast. Radiographics. 2014 May-Jun;34(3):642-60. doi: 10.1148/rg.343135059. 8. Krishnamurthy R, Whitman GJ, Stelling CB, Kushwaha AC. Mammographic findings after breast conservation therapy. Radiographics. 1999 Oct;19 Spec No:S53-62; quiz S262-3.

Autores Raonne Souza Almeida Alves Menezes Médico residente do Hospital Sírio-Libanês. Nicolau Guerreiro Médico residente do Hospital Sírio-Libanês. Marco Antônio Costenaro Médico radiologista assistente do Hospital Sírio-Libanês. FEV / MAR 2018 nº 102

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Pseudotumor inflamatório relacionado a IgG4 com disseminação perineural – relato de caso História Clínica

Ressonância magnética. Imagens ponderadas em T1 (pós-contraste, com saturação de gordura) demonstram que a lesão (setas vermelhas) preenche o osso mandibular à esquerda, com áreas de descontinuidade da cortical óssea (trajeto do nervo alveolar inferior, ramo de V3).

Paciente do sexo masculino, com 36 anos de idade. Iniciou quadro de cefaleia holocraniana associada a náuseas cerca de 4 meses antes do início da investigação diagnóstica. Evoluiu 2 meses depois com diplopia, ptose palpebral à esquerda e diminuição da acuidade visual deste lado e, 1 mês depois, com sensação esporádica de “choque elétrico” na mandíbula à esquerda.

Exames laboratoriais sem particularidades. De antecedentes pessoais apresentava histórico de tuberculose pulmonar tratada na infância.

Propedêutica radiológica Para a investigação diagnóstica do paciente foram solicitadas tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) de crânio e face.

Cortes tomográficos axiais evidenciam lesão espontaneamente hiperatenuante centrada na dura-máter junto ao cavum de Meckel e seio cavernoso esquerdos, com intenso realce ao meio de contraste (setas vermelhas). Associa-se edema de aspecto vasogênico acometendo o parênquima cerebral circunjacente. Cortes em janela óssea demonstravam ainda esclerose da asa maior do esfenoide (seta verde) e alargamento do forame oval deste lado (seta amarela).

Realizada biópsia guiada por tomografia do componente mandibular da lesão. O estudo anatomopatológico revelou áreas compatíveis com fibrose e infiltrado inflamatório, que, à imuno-histoquímica, apresentava grande quantidade de plasmócitos IgG4+.

Discussão

Ressonância magnética. Imagens ponderadas em T1 confirmam a lesão, a qual apresenta realce ao meio de contraste paramagnético (setas vermelhas). Associa-se ainda realce leptomeníngeo regional.

Ressonância magnética. Imagens ponderadas em T2 demonstram que a lesão apresenta baixo sinal (seta vermelha). Associa-se edema de aspecto vasogênico regional.

Pseudotumores inflamatórios (PTI) são lesões não neoplásicas que mimetizam neoplasias. Histologicamente, são caracterizados por infiltração de células inflamatórias associadas a um grau variável de fibrose, na ausência de células neoplásicas e de micro-organismos patogênicos. Sua etiologia não está elucidada, mas acredita-se que tenham natureza autoimune associada a um eventual componente infeccioso. Uma parte destas lesões apresenta uma característica anatomopatológica particular: a presença de infiltrado linfoplasmocitário com grande quantidade de plasmócitos IgG4+. A ocasional associação de tais lesões com manifestações à distância, como pancreatite e sialoadenite, sugerem que este grupo de pseudotumores pode fazer parte do espectro da doença sistêmica esclerosante relacionada à IgG4. Na cabeça e pescoço, os locais mais comuns de acometimento por PTI relacionados a IgG4 são órbita, glândulas salivares, glândulas lacrimais e hipófise. Os PTI da base do crânio são raros, ocorrem predominantemente em pacientes adultos e costumam comportar-se de maneira mais agressiva. Clinicamente se apresentam com dor e edema local, associados ou não a déficit de nervos cranianos (quando presente, está geralmente relacionado ao efeito compressivo do tumor e menos comumente ao acometimento direto do nervo, como ocorreu neste caso). As principais características de imagem são: massa iso/hipointensa em relação ao parênquima encefálico nas imagens de ressonância magnética ponderadas em T2; realce homogêneo nas imagens em T1 pós-contraste; presença de esclerose, erosão ou remodelamento de estruturas ósseas adjacentes; presença variável de restrição à difusão. No nosso caso, o paciente apresentava ainda sinais exuberantes de disseminação perineural ao longo do nervo trigêmeo, achado, a princípio, sugestivo de processo neoplásico. Linfoma e sarcoidose (patologias que podem apresentar achados de imagem semelhantes aos PTI na ressonância magnética) também foram considerações iniciais, embora menos prováveis pela ausência de restrição à difusão (imagens não mostradas) e pela falta de sintomas sistêmicos. Os PTI não apresentam características patognomônicas nos exames de imagem, sendo necessária biópsia para estabelecimento do diagnóstico final. Seu curso clínico é geralmente benigno, sendo as lesões na maioria dos casos responsivas a corticoesteroides. Contudo, taxas de recorrência oscilam entre 30 e 40% e para os casos não-responsivos ao tratamento clínico abordagens cirúrgica e radioterápica podem ser consideradas.

Autores Hugo Costa Carneiro (x) Pedro Henrique Ramos Quintino da Silva (x) Eloisa Maria Mello Santiago Gebrim (xx) Leandro Tavares Lucato (xx)

Ressonância magnética. Imagens sequenciais no sentido superoinferior, ponderadas em T1 (pós-contraste), evidenciam que a lesão, indicada pelas setas vermelhas, preenche e alarga o forame oval esquerdo, atinge o espaço mastigatório deste lado e alarga o forame mandibular (trajeto do ramo mandibular – V3 – do nervo trigêmeo).

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(x) Medicos residentes (xx) Médicos radiologistas diretores de serviços Caso apresentado em reunião clínica do Departamento de Radiologia do Instituto de Radiologia HCFMUSP.


EXPANSÃO Da Redação

Alliage investe em nova fábrica com foco na área médica Área que mais cresce dentro da estrutura da Alliage, a ultrassonografia comemora os expressivos resultados de vendas em 2017, que marcaram a consolidação da marca e estabeleceram amplas expectativas para o setor, com a inauguração da nova unidade fabril.

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om investimentos da ordem de R$ 10 milhões, a Alliage inaugurou oficialmente no dia 30 de janeiro seu novo parque fabril, em Ribeirão Preto, com área de 25 mil metros quadrados às margens da Rodovia Abrão Assed. Projetada para dar um salto de qualidade na sua produção, a nova fábrica criará os dispositivos necessários para que seu produtos médicos ganhem maior representatividade. Na sessão de inauguração, o presidente Luiz Roberto Kaysel Cruz (foto), enfatizou que os recursos investidos marcaram uma nova etapa na historia da empresa, com a modernização deste novo parque fabril. “Prevemos outras melhorias em 2018, sempre com foco em uma produção com qualidade e tecnologia de ponta para atender às de-mandas de nossos clientes e continuar com nossa trajetória de competitividade em todo o mundo, provendo, ainda, conforto à nossa equipe que faz tudo isso acontecer”, explica. Dentro dessas metas, a área do diagnóstico por imagem receberá especial atenção. Esse é um dos setores que mais cresce

na Alliage, a área médica, e vem se destacando dentro da holding com a linha de ultrassom para diagnóstico por imagem. “Em 2017 o crescimento das vendas de equipamentos de ultrassom colocou a Alliage entre os principais players do Brasil”, relatou Thiago Almeida, gerente de produtos da área

médica. “Nosso trabalho está sempre focado em oferecer ao cliente a melhor solução, e por isso a pesquisa científica apresenta novas frentes e um produto cada vez mais robusto, que fez a linha de equipamentos de ultrassom ter o seu reconhecimento pela equipe médica em 2017 e neste ano, teremos novidades. A evolução não para.”, afirma. Com expressiva participação no mer-

“open space”, que garante maior interação entre os colaboradores. A expansão contemplou no setor administrativo conceitos de sustentabilidade como iluminação natural, arborização do boulevard e jardins internos. Na área fabril, a Alliage utilizou os conceitos mais modernos seguindo as premissas da Indústria 4.0, que contará com a automação de processos fabris; Internet das Coisas (IoT) e Robótica, que ajudarão na minimização de erros, no não desperdício de recursos e com foco na produtividade, mudanças essas que influenciam no processo de to-mada de decisões e que, dentre outras vantagens, irão refletir na qualidade da cadeia Com a nova fábrica, a Saevo terá condições de crescer e se fortalecer no de produção e na enmercado da ultrassonografia. trega do produto ao consumidor final, com rapidez e agilidade. área da saúde, com produtos e equipamentos De acordo com Luiz Roberto Kaysel para Odontologia, resultante da fusão das Cruz, 5% do faturamento da Alliage é inempresas Dabi Atlante e Gnatus. A holding vestido em Pesquisa e Desenvolvimento. é responsável por um terço das exportações “Somente na área de Inovação, contamos nacionais e está presente em 150 países. com mais de 60 profissionais trabalhando Projeto Arquitetônico em projetos que garantem o aprimoramento A direção optou pela tendência munconstante de nossos produtos”, complementa Cruz. dial das grandes organizações e priorizou o cado brasileiro e internacional, a Alliage é a segunda maior fabricante de cadeiras odontológicas no mundo, e somente no Brasil são mais de 150 mil consultórios em funcionamento. A expansão foi totalmente desenhada e concebida para suprir os desafios da Alliage, empresa especializada na

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CONTEÚDO DA MARCA Da Redação

Guerbet amplia sua estratégia na área de Radiologia Intervencionista Empresa inovadora que desenvolve microcateteres, com tecnologia única para procedimentos de embolização guiada por imagem, a Accurate Medical Therapeutics acaba de ser adquirida pela Guerbet Produtos Radiológicos e amplia sua estratégia na área de Radiologia Intervencionista. O anuncio dessa importante aquisição foi feito em Paris, onde foi celebrado o acordo entre as empresas, e, o ID Interação repercutiu o assunto com Roberto Godoy, presidente da Guerbet no Brasil.

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estaca o executivo, que a aquisição dessa empresa israelense vem expandir a linha de atuação da Guerbet Produtos Radiológicos, abrindo uma “outra frente de trabalho para a empresa, com a linha de microcateteres e que fortalecerá sua presença na radiologia intervencionista”. A Accurate Medical Therapeutics, empresa de origem israelense, desenvolveu essas duas linhas de microcateteres para procedimentos de embolização de tumores e aneurismas vasculares, com uma proposta de navegação intra-arterial, versátil, que pode atuar com grande sucesso mesmo em caso de rede vascular tortuosa e lesões de difícil acesso. E, a outra opção, que detém as mesmas qualidades de navegação otimizada, enquanto também incorpora a exclusiva tecnologia antirrefluxo. “Este efeito é alcançado graças aos orifícios laterais localizados na parte terminal do cateter, que criam uma barreira fluida que impede o refluxo de microesferas de embolização”, explica o executivo. Estes produtos estão atualmente sendo registrados com as autoridades de saúde americanas e europeias e, em breve chegarão ao Brasil. Esta nova tecnologia torna possível administrar mais microesferas de embolização para a área alvo de tratamento enquanto também impede o refluxo a montante para as artérias, irrigando tecidos saudáveis (áreas

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não específicas que precisam ser preservadas. Microcateter padrão, posicionado na artéria que irriga o tumor: as microesferas de embolização percorrem não só a jusante (efeito desejado), mas também a montante (efeito indesejado), em tecidos saudáveis irrigando a artéria que precisa ser preservada. Microcateter antirefluxo: a tecnologia antirrefluxo envia todas as microesferas de embolização a jusante para a área a ser tratada. O tecido saudável continua a ser irrigado pelo sangue livre de microesferas.

A Radiologia Intervencionista A Radiologia Intervencionista abrange todos os procedimentos guiados por imagem que permitem diagnosticar e tratar pacientes de forma minimamente invasiva. O âmbito dos procedimentos é muito grande e inclui, entre as mais conhecidas, a dilatação de artérias estenóticas, ablações de tumor, substituição de válvulas cardíacas, vertebroplastia, etc. Este mercado vale vários milhões de euros, mas é difícil avaliar globalmente por causa de sua heterogeneidade. O segmento que é atualmente pretendido pela Guerbet é a embolização arterial para tumores e aneurismas; é avaliado em cerca de 600 milhões de euros. Neste segmento, a parte dos microcateteres é de cerca de 120 milhões euros e está crescendo a uma taxa anual de 5% a 10%. “Esta aquisição alimentará o crescimen-

to da Guerbet em radiologia intervencionista e irá completar seu portfólio atual. Esta nova linha de microcateteres nos permitirá ajudar as equipes de Radiologia Intervencionista a proporcionar uma maior qualidade de cuidados durante os procedimentos de embolização guiados por imagens”, disse Yves L’Epine, CEO da Guerbet. “Estamos muito satisfeitos com este Microcateter padrão, posicionado na artéria que irriga acordo entre Guerbet e Accurate. Estamos o tumor: as microesferas de embolização percorrem confiantes de que a Guerbet tem ativos não só a jusante (efeito desejado), mas também a montante (efeito indesejado), em tecidos saudáveis e recursos significativos que permitirão irrigando a artéria que precisa ser preservada. que a nossa linha de microcateteres se torne líder de mercado, em particular os microcateteres que possuem a única tecnologia antirrefluxo. Permite aumentar a embolização da área-alvo, evitando danos aos tecidos saudáveis, que deve ser preservado”, disse o dr. Michael Tal, inventor e co-fundador da Accurate. Sob este acordo, Guerbet vai adquirir 100% do capital da Accurate, com um pagamento inicial de 19,5 milhões Microcateter antirefluxo: a tecnologia antirrefluxo de Euros e os pagamentos adicionais envia todas as microesferas de embolização a jusante parcelados por vários anos, dependendo para a área a ser tratada. O tecido saudável continua a ser irrigado pelo sangue livre de microesferas. da realização dos objetivos comerciais e Israel e continuará a ser conduzida pelo seu regulamentares. O montante total da aquisiinventor, co-fundador e CEO, Eran Miller. ção não será superior a 57 milhões euros. A transação está prevista para começar a gerar Nota da redação. (Informações forvendas no final deste ano e ser aumentada necidas à imprensa, pela Guerbet.com e no quarto trimestre de 2019. A Accurate, podem ser encontradas em seu site, assim fundada em 2015, manterá sua estrutura em como restrições cuidados técnicos).


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ATUALIZAÇÃO

Imagine´2018: Inovação, Inteligência Artificial e avanços na Ultrassonografia De 15 a 17 de março o Instituto de Radiologia HCFMUSP realizará a 16ª edição do Congresso de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, pela primeira vez em seu Centro de Treinamento, com uma programação focada no ensino da especialidade, inovações e avanços em ultrassonografia. Com o apoio de empresas do setor promoverá simpósios para discutir estes temas, entre os quais a Inteligência Artificial e impressão 3D em Radiologia.

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evento, que foi iniciado no ano de 2004, como um encontro de radiologia, desde o ano passado, assumiu um novo formato, Com inscrições presenciais e participação via digital, numa parceria com a Manole Educação, para levar seu conteúdo a todos os interessados, o evento amplia seu universo e

atingirá um público ainda maior. Distribuído em módulos como Mama, Cardiologia, Ginecologia e Obstetricía, Musculoesquelético, Neuroradiologia, o Imagine abre espaço para as áreas correlatas, como Enfermagem, Técnicos e Tecnológos e para o segmento de gestão, com temas de muita atualidade. Ajustado à sua nova realidade, o

Imagine destinará o horário de almoço, a simpósios com conteúdos especializados, onde temas de inovação serão abordados por profissionais de referência. No dia 15, o dr. Augusto Antunes falará sobre Inteligência Artificial e Radiologia do Futuro e o Bruno Aragão, sobre impressão 3D na Radiologia. No dia 16, o Dr. Fuminori Moriyasu, do Sanno Hospital, do Japão, abordará o tema

Instrução de Aplicação Principal e Clínica da Elastografia e, no dia 17 o Dr. Heron Werner, do Rio de Janeiro, falará sobre Reconstrução 3D no Diagnóstico das Malformações Fetais. Sem abrir mão de sua característica multidisciplinar, o Imagine 2018, promoverá workshops, como o que ocorrerá no Dr. Augusto Antunes dia 15, às 9 horas com o tema “Principais emergências musculoesqueléticas no plantão: Ultrassonografia e Tomografia. O que o radiologista geral deve saber?”, que está dentro do módulo emergência direcionado por Gustavo Okanobo Azuma. Outro exemplo de tema de ensino é o workshop “Avaliação ultrasso- Dr. Fuminori Moriyasu nográfica dos nervos periféricos: como eu faço?”, pela dra. Julia Diva Zavariz, no dia 16, às 15 horas. A Comissão Científica, constituída pelo prof. Giovanni Guido Cerri, dras. Maria Cristina Chammas, Eloisa Santiago Gebrim e Claudia da Costa Leite, deu ao evento Dr. Bruno Aragão um formato mais Rocha compacto, objetivo, com demonstrações práticas (hands on) e os simpósios satélites, visando oferecer informações muito atualizadas, a partir a experiência do Complexo HCFMUSP. Com a inscrição, o participante terá direito, além de ir ao evento, ao conteúdo online Dr. Heron Werner. com acesso às aulas divulgadas no Congresso após seu término, assim como emissão pelo InRad-HCFMUSP um certificado de participação. Informe-se: www.inrad.manoleeducação.com.br

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PREVENÇÃO Por Luiz Carlos de Almeida e Valeria Souza (SP)

Previsões e incidência de câncer preocupam e apontam caminhos Números apresentados pelo INCa, em evento no Rio de Janeiro, a propósito do “Dia Mundial do Câncer” abrem espaço para uma grande reflexão sobre o problema, que atinge todas as camadas sociais e mostram, apesar de todos os esforços das autoridades, que não há muito o que comemorar.

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studos feitos pelo INCa – Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), instituição de referência no Brasil, estimam que no ano de 2018/2019, 582.590 novos pacientes com câncer serão diagnosticados, sendo os mais frequentes, o câncer de pele, de próstata, de mama, de intestino e de pulmão. Esses números foram divulgados, como acontece anualmente, no Dia Mundial do Câncer (5 de fevereiro) e refletem uma realidade incontestável. Preparados com cuidado por especialistas, geraram uma publicação técnica, intitulada Estimativa 2018 – Incidência de Câncer no Brasil, divulgada em ato realizado no Rio de Janeiro. A diretora-geral do INCA, dra. Ana Cristina Pinho (foto) enfatizou que “esta publicação é uma importante ferramenta para o controle da doença, uma vez que auxilia no planejamento de políticas públicas e gestão dos recur-

sos, além de alertar a população para a adoção de hábitos saudáveis”. As pesquisas foram publicadas com o intuito de oferecer um painel sobre o cenário atual da magnitude do câncer.

Fatores relevantes, entre eles a mudança de hábitos Os estudos revelaram que cânceres de próstata, mama feminina, intestino e pulmão estão relacionados as mudanças de hábitos ocorridas no Brasil. O movimento exponencial de moradores da zona rural para os centros urbanos fez com que a população entrasse em processo de envelhecimento, e os problemas do passado substituídos por outros. O câncer no Brasil assume um perfil parecido com os chamados de primeiro mundo. Exceto os cânceres relacionados à histórico familiar, cerca de um terço da doença pode ser prevenida. O peso corporal inadequado é um dos fatores que propiciam o

câncer de intestino e podem ser prevenidos pela população. “O câncer de intestino já é o segundo entre as mulheres, perdendo apenas para mama, e o terceiro entre os homens, ficando atrás de próstata e pulmão”, ressalta a médica epidemiologista Liz Almeida, chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do INCA/MS. Ela comenta que é necessário praticar atividades físicas e reduzir o uso de produtos processados para se prevenir. Os cânceres de próstata e mama, que são os mais comuns em homens e mulheres, estão ligados à longevidade e fatores hormonais. Já o câncer de pulmão, o principal fator é a exposição ao tabagismo. Ambos justificam a transição epidemiológica brasileira. Como forma de prevenção, a dra. Ana Cristina alerta: “Não fume e não se exponha à fumaça de pessoas próximas a você. Faça alguma atividade física e coma alimentos frescos. Mantenha o peso corporal adequado. Proteja-se da exposição solar excessiva. Minimize a ingestão de bebidas alcoólicas. Evite, sempre que possível, se expor à radiação ionizante e poluição do ar”.

Acesso de mulheres entre 40 a 49 anos ao exame de mamografia pelo SUS A noticia não é nova e passou despercebida. Um longo trabalho feito por mastologistas, ginecologistas e imaginologistas, ao longo de mais de uma década, chegou a um bom termo.

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ais freqüente e a principal causa de morte por câncer entre as mulheres no Brasil e no mundo, o câncer de mama é o tumor que mais apresenta evidências científicas sobre o impacto do rastreamento na redução da mortalidade. Somente nos Estado Unidos,

houve uma queda de 30% na mortalidade pela doença desde 1990, quando foram iniciados os programas de rastreamento. Na Europa, alguns países, como a Suécia, registraram uma redução de 36% na mortalidade em comparação com a era pré-rastreamento. No Brasil, infelizmente, não foi demonstrado uma redução significativa nas taxas de mortalidade, pois não existe um programa de rastreamento organizado, apesar de todos os esforços das instituições, entre elas o CBR, que criou há mais de 15 anos o seu Programa de Qualidade em Mamografia. Ouvida pelo ID Interação Diagnóstica, a dra. Linei Urban, destacou decisão da “comissão do Senado que sustou a Portaria

nº 1.253, editada em novembro de 2013, que estava reduzindo o acesso das mulheres entre 40 a 49 anos ao exame de mamografia pelo SUS”. Essa portaria restringia o repasse de verbas da União apenas para os exames de mamografias em mulheres de 50 a 69 anos. A medida contrariava diretamente a Lei 11.664/08, em vigor desde 29 de abril de 2009, segundo a qual todas as mulheres têm direito à mamografia a partir dos 40 anos. Os programas de prevenção câncer de mama defendem que a faixa etária mais indicada seja a partir dos 40 anos. Um estudo publicado na revista Lancet, demonstrou que o número de mulheres com câncer de

mama nos países em desenvolvimento é dobro dos países desenvolvidos nessa faixa etária (31% versus 14%). Outro estudo, realizado na cidade de Goiânia mostrou que cerca de 42% dos casos de câncer de mama registrados na cidade ocorreram em pacientes abaixo de 49 anos. É por isso que a maioria das sociedades médicas no mundo, assim como o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), defendem o rastreamento mamográfico para todas as mulheres acima de 40 anos. Vamos comemorar essa vitória!

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JPR’2018

Transformando a Educação na Radiologia

Expediente

De 3 a 6 de maio, São Paulo sediará mais uma Jornada Paulista de Radiologia, em parceria com a Radiological Society of North America, tendo como tema central, “Transformando a Educação na Radiologia”.

Interação Diagnóstica é uma pu­bli­ca­ção de circulação nacional des­ti­n a­d a a médicos e demais profissio­n ais que atu­am na área do diag­nóstico por imagem, espe­cia­ listas corre­lacionados, nas áreas de or­to­pe­dia, uro­logia, mastologia, gineco-obstetrícia.

Mais de 700 trabalhos inscritos, dos quais 409 no formato de painéis, dão uma dimensão deste evento que se iniciou há mais de 50 anos, numa iniciativa de radiologistas, da capital e do interior. Hoje, com suas portas abertas para toda a América Latina, com uma estrutura que se aperfeiçoa a cada gestão, a JPR não perdeu o seu encanto, como um “encontro de amigos”, e ampliou sua atuação levando atualização científica para todos os setores interessados do País e do Exterior. Principal vitrine para professores brasileiros, que tem a oportunidade de mostrar seus conhecimentos, para jovens médicos que podem apresentar seus trabalhos científicos, a JPR`2018 consolidou ao longo dos últimos anos parcerias com as principais entidades internacionais, um referendo ao esforço desse grupo que vem tocando seus destinos.

Esse reconhecimento marca, mais uma vez, a presença da RSNA nesse evento conjunto, e, dá uma dimensão da qualidade do que vem sendo feito. E, para nós brasileiros, é mais uma demonstração do que somos capazes. O evento trará nomes de referência, com 34 professores internacionais confirmados, e mais de 300 brasileiros, dos principais centros do País. O tema central, “Transformando a Educação na Radiologia” neste ano de 2018 vai colocar na pauta das discussões o grande desafio das novas gerações, como conciliar o processo de aprendizagem e o interesse do médico, e integrá-lo aos dispositivos tecnológicos que estão sendo disponibilizados, como Inteligência Artificial e as novas conquistas digitais. Na área de Programação do site da JPR, é possível conferir quais serão as aulas ministradas pelos especialistas nos módulos “Abdominal, Digestivo e Geniturinário”; “Cabeça e Pescoço”; “Cardiovascular”; “Educação e Introdução à Pesquisa”; “Imagem da Mulher”; “Informática em Radiologia”; “Intervenção Guiada por Imagem”; “Mama” e “Medicina Nuclear” entre outros. Saiba mais: https://goo.gl/N9iPf2 (www.spr.org.br)

ESTANTE

Atlas de Imagem revisa os avanços na infertilidade “Atlas of Imaging in Infertility”, obra de autoria dos drs. Luis Ronan M.Ferreira de Souza, da Universidade Federal do Triangulo Mineiro, Ana Luisa Alencar de Nicola, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Harley de Nicola, da Universidade Federal de São Paulo, está disponível na versão digital e traz os principais avanços no estudo da infertilidade, sob a ótica do diagnóstico por imagem. Distribuído em 12 capítulos, com mais de 300 imagens, o Atlas of Imaging in Fertility levanta, com imagens de utrassom, ressonância e tomografia, as principais causas da infertilidade em homens e mulheres, mostra estudos sobre as mudanças mundiais nos padrões de reprodutividade. Avanços foram feitos durante a última década, possibilitando por exemplo criopreservar gametas e embriões com as mesmas taxas recorrentes nos laboratórios IVF, com o objetivo de fertilizar oócitos desde o momento em que se encontram em condições severas, ou até realizar biópsias em embriões para evitar uma hospedagem genética desastrosa.

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Dentro dessa realidade, os avanços nas diversas técnicas de imagem, entre elas a ultrassonografia, tem papel relevante no estudo da infertilidade, proporcionando, orientação com o uso do método, para estimular uma simulação de ovário e permite uma recuperação do oócito ou um correto posicionamento do embrião na cavidade uterina, no processo de fertilização, por exemplo. E, graças ao método, até uma avaliação da cavidade pélvica com grande detalhe e precisão, tornam possível detectar patologias em seu estado inicial na gravidez. Os estudos mostram essas revoluções que mudaram a forma de entender a reprodução e de promover melhores decisões para melhorar os resultados de gravidez. Com isso, uma área onde pode ser possível ter grandes avanços é na endometriose, onde os diagnósticos iniciais precisos poderiam modificar a gestão terapêutica e também prevenir cirurgias sem a abordagem correta. NR. A radiologista Dafne Melquiados, integrante do corpo clínico da Clínica de Diagnóstico por Imagem, participou da obra.

Conselho Editorial Sidney de Souza Almeida (In Memorian), Alice Brandão, André Scatigno Neto, Carlos A. Buchpiguel, Carlos Eduardo Rochite, Dolores Bustelo, Hilton Augusto Koch, Lara Alexandre Brandão, Maria Cristina Chammas, Nelson Fortes Ferreira, Nelson M. G. Caserta, Rubens Schwartz, Omar Gemha Taha, Selma de Pace Bauab e Wilson Mathias Jr. Consultores informais para assuntos médicos. Sem responsabilidade editorial, trabalhista ou comercial. Jornalista responsável Luiz Carlos de Almeida - Mtb 9313 Redação Alice Klein (RS), Daniela Nahas (MG), Lizandra M. Almeida (SP), Claudia Casanova (SP), Valeria Souza (SP), Lucila Villaça (SP) e Mariana Ferreira (SP) Tradução: Fernando Effori de Mello Arte: Marca D’Água Fotos: André Santos, Cleber de Paula, Henrique Huber e Lucas Uebel Imagens da capa: Getty Images Administração/Comercial: Sabrina Silveira Impressão: Meltingcolor Periodicidade: Bimestral Tiragem: 12 mil exemplares impressos e 35 mil via e-mail Edição: ID Editorial Ltda. Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2050 - cj.108A São Paulo - 01318-002 - tel.: (11) 3285-1444 Registrado no INPI - Instituto Nacional da Pro­prie­dade Industrial. O Jornal ID - Interação Diagnóstica - não se responsabiliza pelo conteúdo das men­sagens publicitárias e os ar­tigos assinados são de inteira respon­sa­bi­lidade de seus respectivos autores. E-mail: id@interacaodiagnostica.com.br


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Jornal Interação Diagnóstica #102 Fevereiro/Março 2018  

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