Page 1

n0

101 twitter.com/intdiagnostica

www.facebook.com/JornalID

www.interacaodiagnostica.com.br

DEZEMBRO DE 2017 / JANEIRO DE 2018 - ANO 16 - Nº 101

Com os avanços da tecnologia muda o papel do Radiologista: do diagnóstico à terapia

P

ensadores e pesquisadores mostram que a quarta revolução industrial está batendo as nossas portas, já entrou com a digitalização dos procedimentos, com arquivos na nuvem, com a telerradiologia e ao inesgotável acervo de terminologia, estão incluindo a inteligência artificial, com seus algoritmos, genômica, e, mais agora, “radiomics” que nos leva à medicina individualizada. As discussões prosperam e já estão saindo da rotina para entrar no pós processamento. Na essência de tudo, a imagem está na vanguarda e a partir dela, de áreas de interesses, através de algorítmos poder documentar de maneira matemática o fenótipo de um tumor, por exemplo. Toda essa terminologia povoa a cabeça de médicos, de profissionais de TI, e vagueia pelas salas de laudo para dar suporte a uma Medicina personalizada, individualizada, ou a Medicina do Futuro, onde cada caso terá a sua conduta. Os encontros para discussão prosperam, e a chegada de tecnologias como RM 7 Tesla, Perfil genético, num arsenal de inova-

Educação continuada na Medicina de precisão

Os desafios da medicina, com os avanços tecnológicos, a sofisticação dos fármacos e dos sistemas diagnósticos, e a chegada de novos ingredientes não se limitam mais ao segmento médico. Tanta informação tem que ser dividida e melhor entendida pela comunidade. Matéria com esse enfoque, na pág. 8, onde a dra. Jeane Tsuitsui, superintendente médica do Grupo Fleury, aborda o tema. “O conceito de educação continuada vem a tona, como instrumento fundamental para a Medicina de Precisão, cujo formato é bem abrangente, que prevê o tratamento da doença com base nas informações genéticas do paciente”, enfatizou.

ções que mudaram a rotina dos serviços, todo este potencial gera dúvidas, causa temor e preocupações. O “impacto dessa tecnologia será profundo e disruptivo. O radiologista vai ter que se adaptar às novas funções e repensar seu papel dentro do hospital, com uma atuação mais ativa nas condutas e apoio no tratamento dos pacientes”, destaca o médico Augusto Antunes, em palestra comemorativa à 100ª edição do ID. Por trás de tudo isso, uma grande preocupação: sustentabilidade. Novas figuras se interpõem no relacionamento medico-paciente, e o custo é o principal deles. Como compatibilizar tudo isso e oferecer o melhor para o paciente. Como se adequar a essa realidade? Para muitos desses questionamentos, as respostas podem estar nas reportagens e artigos desta edição, onde fazemos um resgate de assuntos inovadores discutidos em Chicago e que já interferem na nossa rotina. Confira. Nesta edição, que circula na sequência do Congresso da RSNA com temas diversos, interligados pelo objetivo final: o melhor para o paciente. Págs. 5, 6 e 7.

100ª edição do ID: mais uma etapa vencida

A

chegada da 100a edição do ID Interação Diagnóstica às bancas (sic...) foi comemorada com uma reunião no Instituto de Radiologia do HCFMUSP, com uma palestra do dr. Augusto Antunes, da Kunumi, que falou sobre “A Inteligência Artificial e a Radiologia o Amanhã”. (Foto) Foram 16 anos, 100 edições, e nesse processo todo, um agradecimento especial

A consulta agregando o diagnóstico

O

inovador projeto dr.consulta, criado em São Paulo e que já se prepara para chegar a outros estados da Federação, amplia o seu universo, investe no diagnóstico laboratorial e na imagem, e começa a ganhar adeptos. No RSNA 2017, marcaram presença para novos investimentos em tecnologia por imagem, tema de entrevista que realizamos com o dr. Marcos Fumio Koyama, vice presidente médico. Pág. 15.

aos colaboradores que nos honram com artigos, relatos de casos, artigos de revisão, os entrevistados que abriram espaço em suas agendas e, as empresas do setor, que acreditam no nosso projeto. O evento foi aberto pela profa. Claudia da Costa Leite, diretora de Pesquisa e Inovação do INRAD, que recepcionou o convidado e também falou sobre avanços da especialidade. Na pág. 4 uma íntegra desse material.

Veja também ✓ Caderno Application, com artigos de primeira linha, da equipe do Hospital Sirio Libanês, da equipe do Grupo Fleury e da dra. Lilian Lopes, da Ecokid. ✓ Empresas mostram lançamentos, premiações e mudanças na gestão. Caderno de Serviços, da pág. 9 a 14.


2

DEZ 2017 / JAN 2018 nยบ 101


EDITORIAL Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

Medicina do futuro tem papel relevante para a imagem diagnóstica

E

stamos terminando mais um ano e 2018 se abrirá com muitas expectativas, com a esperança de sempre. Já nos acostumamos com os desafios e o que se espera é que a situação econômica não desande, que os avanços e inovações sejam implantados e que a política tome vergonha. Recém saídos de mais um RSNA e se preparando para o nosso evento maior, que será a JPR´2018, é melhor que nos concentremos no bom, no que está por vir e nos avanços que estão mudando a rotina da radiologia e do diagnóstico por imagem. E as novidades não faltam. No evento americano, muitos lançamentos, grandes novidades tecnológicas, dos pequenos e dos grandes, mostrando que a tecnologia ocupa um lugar privilegiado na rotina médica. Dos tomógrafos com baixa radiação, ressonâncias cada vez mais potentes, ultrassons premiuns, a oferta de atrações foi muito grande e, assim, como a Meca está para o muçulmanos, o RSNA está para os imaginologistas. Sem a agilidade das mídias sociais que dispersam conteúdo de qualidade discutível a todo instante o ID Interação Diagnóstica, que está na sua 101ª edição, reconhece e valida a importância de todas elas, empenhado em oferecer informações e mostrar que, no final das contas, a qualidade está acima de tudo. A área da imagem está no fio da navalha. Todos os olhares para ela se concentram, e os recursos digitais estão ai, mudando tudo. Ou quase, apenas um fator não pode ser esquecido, por trás do monitor ou a frente do teclado (para quem usa) tem que ter um cérebro e um dedo. Com o aparecimento do dr. Google, o empoderamento do paciente, com a Inteligência Artificial, a integração dos domínios da informação, o fortalecimento da máquina. São tantos os caminhos do futuro, que “pensadores e formadores de opinião acreditam que estamos vivendo a 4ª revolução industrial”, como afirma o médico Augusto Antunes, especialista na área e que fez a conferência da 100ª edição. Enquadrando todos estes ganhos no item inovação, alguns olhares se voltam para o paciente, e como decorrência de tudo isso, a Medicina do Futuro, a Medicina de Precisão, já se preocupam – também apoiadas em avanços como a genômica, a radiologia intervencionista – em olhar o paciente de forma individualizada, estudado caso a caso, com condutas ditadas por estas novas conquistas. Percebe-se que há um ajuste em todo o processo, do primeiro contato com o paciente, ao resultado final. E, dentro de tudo isso, a imagem terá

um papel de vanguarda, acelerando os processos, indicando caminhos mais precisos, auxiliada pela genética. As pessoas estão vivendo mais. No Brasil, por exemplo, a nossa faixa etária já está nos 75 anos, e, como se preparar para este futuro que pode ser mais longo ainda? Todos os grupos que atendem pacientes estão cientes desse novo quadro. Ambulatórios, cheios, falta de leitos, falta de médicos (ou má distribuição), são ingredientes que preocupam autoridades e empresários da saúde. Administrar os avanços, custos, pessoal, cria uma cadeia de incertezas, que aos poucos vão produzindo iniciativas que também estão mudando o panorama. Todos tem que estar atentos a tudo. Se por um lado o dr. Google democratizou a informação, repetindo, “empoderou” o paciente, o dr. Consulta está chegando, silenciosamente e, porque não, resgatando o médico particular, a volta do médico de família. Para um final de ano, as informações são tantas, que não basta um taça de champagne. Há questionamentos que preocupam, um deles é o da valorização da qualidade em todo o processo de atendimento médico. Como conciliar tudo isso, como preparar os jovens para estes novos desafios, já que outros conflitos de interesse começam a aparecer na rotina diária, nas salas de laudo. A qualidade tem que ser meta, e instituições representativas dos médicos, como CBR e outras, estão muito atentas. Por trás de tudo isso, um componente muito importante: as empresas fabricantes e revendedoras de equipamentos. Acostumadas com as compras mirabolantes (que ainda existem) estão repensando suas politicas e, mais do que nunca, têm que lançar seus olhos para a educação e para o aprimoramento médico. O Brasil é mestre em criar alternativas. Sua grandeza territorial confronta com sua fragilidade econômica, com diversidades difíceis de superar. São muitos brasis, e o ensino virtual está ganhando espaço, com cursos e professores criando uma nova realidade. Há também as escolas, que precisam se reajustar e os cursos itinerantes. Com mais de 290 escolas médicas lançando médicos no mercado estas iniciativas vem muito a calhar. A qualidade, não nos cabe julgar, o importante é que todos já se deram conta que, além do ganho econômico, a atualização, a revisão dos conhecimentos, deve ser uma preocupação constante. E, se a JPR/RSNA terá seu foco na Educação, que o ano de 2018 seja dedicado à Qualidade. Feliz Ano Novo.

CONTEÚDO DE MARCA

Desafios e consequências Com o objetivo de ampliar o volume da informação, já que são tantas e tão intensas, que o ID - Interação Diagnóstica decidiu, a partir desta edição, abrir um espaço para veicular “Conteúdo de Marca”. Assim como internet de coisas, internet na nuvem, e muitos outros temas, é mais uma oportunidade de aproximar nossos anunciantes dos nossos leitores, mostrando aspectos técnicos analisados por profissionais habilitados dessas empresas. A decisão tem o objetivo de enriquecer com mais detalhes, sobre a tecnologia que está sendo comprada, sobre como melhor utilizá-la. “O que estou comprando”, saber um pouco mais do produto, na visão de quem vai ensiná-lo a usar. Não é publicidade. É técnico e estamos abertos a sugestões. Vamos começar, o objetivo, enriquecer o acervo de informações. Ainda como parte de todos estes desafios, o ID vai fortalecer a partir de janeiro, o envio digital, ampliando e aperfeiçoando sua lista que já é de 35 mil nomes. Além do envio impresso e digital, o veículo também estará mais presente na mídia digital, prejudicado neste últimos meses por fatores alheios a nossa vontade. Melhorar sempre.

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

3


O BIMESTRE Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

C

hicago – Evento homenageia Renato Mendonça – Num justo reconhecimento a sua atuação, o dr. Renato Adam Mendonça foi homenageado com o título de membro honorário da Radiological Society of North America, durante a sessão plenária da manhã do dia 27 de novembro, na abertura do evento, em Chicago. Uma das lideranças da radiologia brasileira, ocupa papel de relevância na Comissão Cientifica da Jornada Paulista de Radiologia. Como o diretor científico, o Dr. Mendonça foi fundamental na parceria contínua com a RSNA para acolher o evento no Brasil a cada dois anos. Presidiu a Sociedade Paulista de Radiologia, fundador da LATINSAFE, uma aliança de radiologistas na América Latina que defende a proteção contra radiação para pacientes. Atualmente é vice-presidente de Comitê Consultivo Internacional da RSNA e membro do Comitê Regional para a América Latina. É chefe do Departamento de Neurorradiologia do Delboni Auriemo, do Grupo DASA. Formado em 1976 pela Faculdade de Medicina de Universidade do Paraná em Curitiba, começou sua carreira médica na radiologia no Hospital Beneficência Portuguesa (agora Hospital BP) em São Paulo onde tornou-se chefe da seção de neurorradiologia. Durante seus 30 anos no Hospital BP, foi um defensor do desenvolvimento do residente em radiologia por meio de um programa de treinamento, que se tornou um dos mais prestigiados do país. A partir de 2010 a 2015, ele foi o diretor médico do Diagnósticos das Américas. Atualmente tesoureiro da Sociedade Internacional de Radiologia. A RSNA concedeu também título de membro honorário ao dr. Hassen A. Gharbi, MD, PhD, radiologista pediatra pioneiro no norte da África, ex-presidente da World Federation of Ultrasound in Medicina e Katrine Riklund, MD, PhD, líder respeitada em radiologia diagnóstica e medicina nuclear, pelas conquistas significativas no campo da radiologia.

S

ão Paulo – Decisão judicial confirma eleição na AMB – O concorrido pleito na Associação Médica Brasileira, com diversas controvérsias, acaba de ter uma decisão. O desembargador Rômolo Russo, da 7ª Câmara do Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferiu decisão dia 01/12/2017, confirmando os efeitos da decisão do Conselho Deliberativo da Associação Médica Brasileira, em suas sessões dos dias 19.10.2017 e 31.10.2017, que concedeu a vitória à Chapa 1 AMB sem Partido, presidida pelo dr. Lincoln Lopes Ferreira (foto), ao mesmo tempo que confirmou a posse da nova diretoria.

4

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

T

aipé – Cristina Chammas na diretoria da WFUMB – Durante o Congresso da World Federation of Ultrasound in Medicine and Biology, realizado em Taipé, China, foi empossada a nova diretoria da entidade, presidida pelo dr. Christian Nolsoe, da Dinamarca, que contará com a participação da dra. Maria Cristina Chammas, diretora do Serviço de Ultrassonografia do InRad-HCFMUSP como vice-presidente. Faz parte da diretoria, também, o dr. Leandro Fernandez, da Venezuela, grande parceiro do Brasil, onde fez a sua formação.

S

ão Paulo – Transformações marcam o ano na saúde – Modelo assistencial, ética, mudanças no modelo de remuneração na área da Saúde 4.0 pautaram as discussões, que devem se aprofundar em 2018, no painel Saúde: Balanço 2017 e tendências para 2018, promovido pela ABIMED. O evento reuniu nomes de grande experiência na área, como Antonio José Rodrigues Pereira, Superintendente do Hospital das Clínicas de São Paulo; Dirceu Barbano, consultor da B2CD e ex- Diretor Presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitário); Francisco Balestrin, presidente do Conselho de Administração da Anahp (Associação Nacional

dos Hospitais Privados) e Gonzalo Vecina, Professor Assistente da Faculdade de Saúde Pública da USP e ex-Superintendente Corporativo do Hospital Sírio Libanês. O debate foi realizado durante o encontro anual da ABIMED-Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde, que reuniu em São Paulo autoridades e lideranças de saúde. A entidade elegeu seu novo presidente, Felipe Kertzmann, da Alcon, e a área empresarial da imagem será representada por Renato Carvalho, CEO da Philips, como vice presidente, e Armando Lopes, CEO da Siemens Healthneers, como membro e André Figueiredo na Comissão de Ética.


MATERIA DE CAPA Por Claudia Casanova (SP)

Inteligência Artificial na 100ª edição do Interação Diagnóstica Focado na qualidade, na valorização do conhecimento e na busca de inovações que realmente produzam benefícios para os pacientes e ampliem o universo médico, a ID Editorial promoveu, em São Paulo, com o apoio do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da FMUSP, encontro com pesquisadores, médicos, gestores de empresas e executivos para discutir a chegada de um novo desafio: a Inteligência Artificial e toda a temática com ela envolvida.

O

evento comemorativo aconteceu no dia 06 indústrias e mercados. “Machine Learning (ML) é uma área uma acurácia de 76% na predição da doença. Esse achado de novembro, no auditório do Centro de da I.A em que técnicas específicas tornam os computadores ainda está em validação metodológica e estatística”, revela o Treinamento do Instituto de Radiologia do capazes de aprender, sem terem sido programados para isto. dr. Augusto, complementando que “precisaremos nos adaptar a I.A., deixando as tarefas mecânicas e demoradas para HCFMUSP – InRad e marcou a comemoração Assim, a árdua tarefa da análise de Big Data é deslocada do as máquinas, e nos dedicarmos as tarefas cognitivamente da 100ª edição do jornal. Na abertura, a profa. humano para o algoritmo, que é capaz de aprender padrões mais elaboradas. Acima de tudo, prover os nossos pacienClaudia Leite, diretora de Ensino e Pesquisa da instituição, e gerar representações sem as restrições impostas por um tes com o “toque humano”, que os robôs são incapazes de neurorradiologista, abriu os trabalhos e enfatizou que o código pré-programado, permitindo-o achar relações e fazer dar”, finaliza o radiologista, agradeceu a oportunidade de Interação Diagnóstica, ou ID para os íntimos, é um jornal predições com elevados graus de acurácia e sensibilidade”, debater sobre esse tema, que é um dos principais desafios que começou físico e soube reconhecer a hora de apresenesclarece o pesquisador. tar também um formato digital, e hoje podemos tê-lo nos da radiologia do futuro. De acordo com o médico o impacto desta tecnologia computadores, tablets e celulares. “O sucesso do ID deve-se Ao falar sobre o evento, Décio Ogawa, disse estar muito será profundo e disruptivo e provocará mudanças no funa dedicação do Luiz Carlos de Almeida orgulhoso de participar da 100ª edição e sua equipe, que tem o meu respeito e do ID e, também, por acompanhar essa admiração pelo seu trabalho. A qualitrajetória de dezesseis anos da publicadade e esmero do ID são um reflexo da ção. “Parabenizo o jornal e fiquei muito pessoa ética que ele é”, afirma. satisfeito de assistir uma palestra sobre Ainda na abertura, a professora Inteligência Artificial, que é um tema falou sobre os Avanços tecnológicos do momento, com abordagem na área de na Radiologia – desde o início do radiologia, que trouxe informações muito diagnóstico por imagem em 1895, com valiosas para quem é do ramo”, resume. Roentgen, e a proximidade entre essa Uma referência para área e o desenvolvimento tecnológico – a nossa realidade para a plateia que é ligada a Radiologia Ao abrir a cerimônia, o jornalista e tem plena consciência desta interação responsável, Luiz Carlos de Almeida, com a tecnologia, que nos últimos 20 agradeceu a presença de todos, da sua esteve muito acelerada, com a evolução equipe e a colaboração recebida nestes das ferramentas digitais. anos para que o ID se tornasse uma refeOs avanços tecnológicos são inúrência editorial na área da Radiologia e meros desde a radiologia analógica com Diagnóstico por Imagem. filmes de raios-X à radiografia digital, até as RMs de baixo campo, agora com 7 t, liberada na Europa para uso clínico e, também dos laudos digitados em máquina de escrever, aos feitos no computador, aos datafones e o RIS e PACs. Mas o destaque no discurso ficou para o conceito de Big Data, que segundo a pesquisadora em neurorradiologia vai modificar a maneira como se faz pesquisa e como entendemos as doenças. O Big Data é um volume enorme de dados de radiologia existentes caracterizado por 4 Vs: volume, velocidade, variedade e veracidade. “Neste banco de dados podem ser aplicados algoritmos para proporcionar melhor compreensão e “insigts” possibilitando a geração de novos conhecimentos e informações mais fidedignas. Com o uso da maior quantidade As 100 edições do ID marcam o início de um novo desafio: valorizar ainda mais a qualidade da informação e acompanhar as novas conquistas com a mesma eficiênde dados é possível fazer análises mais cia até agora conseguida. Em três momentos a comemoração: dr. Algusto Antunes, o conferencista, dra. Regina Lucia Gomes, prof. Claudia Leite, prof. Manoel Rocha com o editor Luiz Carlos de Almeida. complexas e que apresentam grande Em seguida recebeu uma homenagem da profa. Claudia cionamento da Radiologia, pois o radiologista vai ter de se confiabilidade nos resultados, que serão a base para uma da Costa Leite, do InRad, que nesta ocasião, estava repreadaptar para as novas funções e repensar o seu papel dentro medicina personalizada e individualizada (precision mesentando o prof. Giovanni Guido Cerri, titular da FMUSP dicine), promovendo um atendimento mais eficiente para do hospital, com uma atuação mais ativa nas condutas e e presidente do Conselho Diretor do InRad. “Para mim é cada paciente”, explica a profa. Claudia Leite, encerrando a apoio para tratamento dos pacientes. “A técnica vai dar cada uma honra falar hoje nesta cerimônia quando estamos cosua fala parabenizando mais uma vez a equipe do ID pelo vez mais poder ao radiologista, diminuindo o seu esforço memorando o 100º número do Jornal Interação Diagnóstica, excelente jornal e agradecendo pela escolha do InRad para físico e aumentando o esforço da máquina, dando a ele a que se iniciou em 2001 e que traz notícias tanto acadêmicas este momento festivo. oportunidade de melhorar o atendimento ao paciente, pois quanto as novidades do diagnóstico por imagem no Brasil e o futuro precisa de nós”, enfatiza o pesquisador. A Radiologia do Amanhã no mundo. É um jornal gratuito e traz notícias sobre cursos, Também foram mostrados estudos em andamento de congressos, teses, radiologia no mundo, tecnologia e serviços aplicações de I.A na radiologia como o uso do Diagnóstico A seguir teve início a palestra “A Inteligência Artificial e cotidiano, e é esperado pelo público da radiologia a cada auxiliado por computador, que ajuda tanto na detecção como e a Radiologia do Amanhã”, com o médico radiologista, dois meses. Este jornal preza pela qualidade, precisão e na interpretação de alteração de nódulos pulmonares, por pesquisador e consultor Augusto Antunes, que se dedica ao correção das informações prestadas, características estas que exemplo. Outra aplicação é nos métodos de pesquisa com a desenvolvimento e uso dos algoritmos de Inteligência Artificial como cidadãos brasileiros hoje, mais do que nunca, devemos técnica de Data Mining, que é capaz de agregar e organizar – I.A. Em sua apresentação Antunes aponta que pensadores e prezar”, destacou a professora em seu discurso. quantidades massivas de dados e encontrar padrões, assoformadores de opinião acreditam que estamos vivendo a quarta No encerramento, Luiz Carlos, manifestou sua satisciações e anomalias relevantes. revolução industrial, que é impulsionada pela evolução da área fação e orgulho com o prestígio da publicação, que circula “Atualmente, eu e meus colaboradores estamos utida Computação, principalmente, no ramo da I.A. para mais de 30 mil médicos, e enfatizou a importância da lizando essa ferramenta para a identificação de possíveis Segundo Augusto Antunes esses avanços tecnológicos colaboração desse diversificado grupo que é corresponsável biomarcadores sanguíneos para a Doença de Alzheimer, e serão capazes de integrar os domínios físico, digital e biolópelo sucesso do Jornal Interação Diagnóstica. já pudemos identificar uma proteína que isoladamente teria gico, promovendo um grande impacto em várias disciplinas, DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

5


REPORTAGEM Por Luiz Carlos de Almeida (SP) (*)

A imagem na vanguarda da medicina de precisão No momento em que especialistas, gestores e empreendedores acabam de regressar de mais uma edição do Congresso da RSNA (Radiological Society of North America), onde conheceram os últimos avanços da especialidade e encontraram espaço para mostrar inovações, aplicativos, ou mesmo, uma nova versão de tecnologia, o momento é de reflexão sobre novas conquistas da área Médica.

P

ara pacientes e especialistas eventos dessa grandiosidade abrem espaço para discutir temas que são incorporados à nomenclatura e à rotina e começam a se consolidar. Neste ano de 2017, os focos estiveram voltados para a chegada da Inteligência Artificial, Medicina Personalizada ou Medicina de Precisão, que vai mudar o papel do médico radiologista frente ao diagnóstico e da terapia. O fascínio do evento de Chicago nesta época do ano tem muito a ver com a oportunidade, seja para os que foram para comprar, seja para os que foram para estudar e pesquisar. O evento é a grande vitrine, formador de opiniões, precursor de tendências, o despertar para quem está iniciando na área do diagnóstico por imagem. A grandiosidade do evento, que já foi maior, e está se estabilizando com este formato é indiscutível por agregar todas as tendências mundiais. Por quatro ou cinco dias o “RSNA se transforma numa ilha de tolerância, guardados os padrões americanos de convivência”, e todos os credos ali estão para discutir ciência, avanços, o melhor para o paciente. Até a linguagem muda, novos temas são inseridos no vocabulário, definindo estas tendências. E, neste ano de 2017, quando a palavra da moda é a Medicina de Precisão, o olhar se estende para a “Inteligência Artificial”, Big Data, sem se esquecer da Nuvem, do Conteúdo de Marca e de tudo que o diagnóstico por imagem possa gerar. Os assuntos repercutem no Brasil com rapidez, e milhares de eventos no formato “Summit” têm como propósito a discussão do tema como se já estivesse no nosso dia a dia, e não convivêssemos com assuntos graves como Febre amarela, Zika vírus, Viroses, Surtos de gripe, sem falar da Malária, da Tuberculose, da Lepra, e do crescimento assustador das estatísticas de câncer, de um modo geral. Em tudo isso, a imagem está na vanguarda dos procedimentos e, somada à Genômica, é fundamental na Medicina de Precisão, ou na Medicina Personalizada, onde o paciente é estudado de forma individualizada, e a conduta vai muito além de uma medicação. À frente e com muita competência, como sempre, a RSNA já vem debatendo estes assuntos desde o ano de 2016, reunindo o que há melhor e colocando o tema na ordem do dia para todo o mundo. “O câncer é uma doença do genoma e a imagem está intrinsicamente ligada à medicina de precisão como o principal método para observar – ou fenotipar – as regiões inexploradas do genoma”, enfatiza a dra Janet F. Eary, MD, diretora associada adjunta do Programa de Imagem do Câncer do NCI – National Cancer Institute, dos Estados

6

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

Unidos, em entrevista concedida ao informativo RSNA News. Nos grandes centros oncológicos do Brasil estes assuntos estão na ordem do dia. O potencial humano está na linha de frente, agregando imaginologistas, medicina nuclear, clínicos, cirurgiões e oncologistas. Mas, referências públicas e privadas tem investido muito e lutam contra as estatísticas que teimam em crescer. O ID acompanha de perto o trabalho de instituições especializadas, como o ICESP, InRad-HCFMUSP, o AC Camargo Cancer Center, Hospital do Câncer de Barretos, IBCC, Hospital Amaral de Carvalho, o INCA, que ao lado de Hospital Sírio Libanês, Hospital Albert Einstein, Grupo Fleury e BP-Beneficência Portuguesa, encabeçam as principais linhas de pesquisa no País. O assunto está na planilha de todos eles e de outros que, por desconhecimento, não citamos. “Como será olhar a medicina de precisão, ou personalizada, para o paciente oncológico no País?”

Mudando a Oncologia, individualizando a conduta A capacidade de alimentar informações sobre cada paciente é o grande diferencial destes novos tempos. A AI – Articial Inteligency está chegando. Somam-se a criatividade e o grande potencial dos recursos digitais, à inventividade e criatividade do homem, nessa luta que está trazendo grandes esperanças para o paciente oncológico. “O crescimento da medicina de precisão foi alimentado pelo aumento da capacidade de coletar informações sobre cada paciente e definir a doença em um nível mais granular. Embora a medicina de precisão não tenha uma definição única, os Institutos Nacionais de Saúde definem isso como “uma abordagem emergente para tratamento e prevenção de doenças que leva em consideração a variabilidade individual em genes, ambiente e estilo de vida para cada pessoa”. A partir de sua perspectiva como oncologista, com experiência em imunoterapia, o dr. Elad Sharon, MD, MPH, médico assistente do Programa de Avaliação de Terapia de Câncer do NCI, EUA, descreveu a medicina de precisão como o uso de um medicamento ou agente que foi desenvolvido

como resultado de um estudo molecular de um alvo particular ou mutação genética, em oposição a um tratamento mais inespecífico. “Esses tipos de terapias se enquadram na rubrica de medicina de precisão porque podemos discernir que alguém que não possui o gene ou a mutação em questão não deve ser tratado com um agente particular, porque é improvável que eles obtenham algum benefício”, disse o dr. Elad Sharon. Questionamentos a parte, o que se percebe é que a Oncologia está sendo encarada de frente. A equipe multidisciplinar não é apenas uma cabeça. É um conjunto de recursos, inclusive a quimioterapia, que somam esforços em busca do melhor para “aquele paciente”. E, a imagem, por sua versatilidade e precisão é parte integrante de todo esse processo, mudando o papel do Radiologista, de um emissor de laudos, para um gestor de informações médicas de imagem.

Fronteiras da Medicina Tais tratamentos e terapias personalizadas não seriam possíveis sem imagem, diz Luis E. Selva, PhD, especialista em ciência da saúde e físico biomédico no VA Boston Healthcare System e no Centro de Pesquisa e Informação de Epidemiologia de Veteranos de Massachusetts (MAVERIC), Estados Unidos. “Podemos usar modalidades de imagem para encontrar o melhor plano de tratamento possível com base em alguma extração de informações da própria modalidade, seja CT, MRI ou PET”, disse Selva. Membro do Precision Oncology Program (POP), fundado em 2015, pelo New England Healthcare System da VA e MAVERIC, dr. Selva enfatiza que o programa de cuidados clínicos com um componente de pesquisa foi criado para oferecer cuidados de saúde personalizados e tratamento de câncer de ponta para veteranos. O programa está inicialmente focado no câncer de pulmão, mas provavelmente se expandirá para outras formas de câncer. “A imagem é fundamental para o POP, que mantém um conjunto de dados públicos des-identificados que descreve os tipos de cânceres, mutações do câncer, estágios e tratamentos que possam ser usados para promover pesquisas e terapias de ponta”, esclarece o pesquisador. “A idéia é disponibilizar todos esses dados para pesquisadores e clínicos no momento do diagnóstico, para que possamos conhecer a história anterior de resultados para pacientes tratados por um certo tipo de câncer. Aqui é onde a fronteira da medicina de precisão está indo”, disse Selva. “Ter todos esses fluxos de dados disponíveis para os clínicos para que eles possam colocar seus pacientes nos melhores e mais adequados planos de tratamento é o desafio. Eles serão capazes de orientar melhor os tratamentos com base em informações extraídas desses diferentes fluxos de dados”. (*) Com informações do RSNA News e cobertura local)


OPINIÃO

Por Dr. Bruno Aragão Rocha (SP)

Avanços tecnológicos em Radiologia: o que as novidades do último RSNA tem em comum? Dentre as especialidades médicas a Radiologia sempre se destacou pelo íntimo contato com novas tecnologias. A incorporação tecnológica está no DNA da especialidade. Se pararmos para refletir, a descoberta dos Raios-X foi em 1895 e já nos primeiros anos do século XX essa nova ferramenta já se espalhava pelo mundo inteiro como método diagnóstico na prática clínica. A exemplo do Raio-X, as outras ferramentas que foram surgindo ao longo das décadas também tiveram uma relativa baixa barreira de entrada para seu uso rotineiro.

N

o entanto, esses saltos tecnológicos ou mesmo o interesse gerado na comunidade radiológica acerca de determinados temas não obedecem uma curva linear. Passamos por anos de relativa “calmaria” seguidos de anos intensa discussão e produção científica, até a estabilização e real incorporação da tecnologia na prática diária. Neste último ano especificamente, estamos vivendo um período “fértil” de discussões na especialidade. A diferença em relação a outras épocas é que há temas um pouco diferentes sendo discutidos ao mesmo tempo. Dentre esses assuntos “da

sequela de fratura de colo umeral por exemplo passa a ter identidade própria, permitindo com que o cirurgião planeje seus passos operatórios de maneira bem mais individualizada, inclusive customizando a placas e parafusos de forma mais adequada para aquele caso. Os algoritmos de Inteligência Artificial por sua vez serão a grande ferramenta capaz de nos fazer entrar de vez na individuali-

zação do paciente. Isso porque todos esses avanços exigem trabalhar com uma quantidade absurda de dados e associações, as quais humanamente não conseguiríamos lidar. No “radiomics” por exemplo a aplicação de algoritmos de IA nos permitirá fazer inferências e previsões a partir de bancos de dados enormes, otimizando cada etapa do processo, desde a extração dos dados até os

cruzamentos com dados genéticos, clínicos e laboratoriais. Mesmo na impressão 3D, a Inteligência Artificial terá um grande papel, na medida que permitirá a criação de ferramentas de segmentação automática de imagens, fazendo com que o processo hoje trabalhoso de gerar o arquivo CAD se resuma a uma mera conferência de que todas as áreas de interesse foram incluídas na representação.

moda”, podemos elencar como principais os seguintes: algoritmos de inteligência artificial, a impressão 3D e o “radiomics”. Apesar de um pouco diferentes entre si, esses campos de estudo guardam um ponto em comum: não são novos métodos de aquisição de imagem, mas sim maneiras diferentes de pós-processar os dados que já existem e estão escondidos nos nossos exames convencionais, com o foco na individualização da expressão das doenças. O “radiomics”, por exemplo, seria a expressão mais fiel a essa tendência. Consiste na prática de extrair uma grande quantidade dados a partir da imagem de áreas de interesse (um tumor por exemplo) através de algoritmos de forma a documentar de maneira matemática o “fenótipo” de imagem daquele tumor específico. Esses dados serão armazenados e cruzados com uma série de informações clínicas, genéticas e laboratoriais com o objetivo de identificar marcadores prognósticos ou de tratamento individualizados baseados na expressão radiológica. Ou seja, não basta apenas detectar e dizer que um tumor renal tem característica de carcinoma de células claras, podemos ir além e extrair dados que mostrem o quão homogênea ou heterogênea é a textura, o grau de espiculação, o padrão de necrose central, dados perfusionais, dentre outros. A impressão 3D por exemplo é uma ferramenta que também reflete a mesma tendência a individualização do tratamento. Não é um método diagnóstico novo, apenas uma forma de representar uma informação anatômica que está contida no exame de uma maneira mais útil para o cirurgião. Desta maneira, uma Dr. Bruno Aragão Rocha Médico Radiologista - InRad HCFMUSP, Hospital Sírio Libanês e Grupo Fleury DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

7


PROJEÇÃO Por Luiz Carlos de Almeida e Valeria de Souza (SP)

A medicina personalizada ou de precisão, foco na individualidade Trazer as discussões para a comunidade, apontar os avanços nas especialidades e usar os canais disponíveis para que estes temas sejam mais conhecidos junto ao público leigo, marcaram a pauta de encontro realizado em São Paulo, promovido pelo Grupo Fleury.

M

edicina de precisão ou persentes nesse projeto. Atualmente, os meios competência em Big Data, Analytics, ou aplicava, a partir de sinais e sintomas um sonalizada, os múltiplos de comunicação têm colocado a questão da seja, Inteligência Artificial, entre série de tratamento mais ou menos similar, com caminhos da genômica e as medicina personalizada, do teste genético outras inovações que vem surgindo na área respostas diferentes, vai sendo substituído portas que se abrem para que ajuda o médico a indicar o melhor trade saúde. pelo tratamento individual, com inúmeras tamento, mas ainda precisamos saber o que esta Medicina do Futuro possibilidades de direcionamento para um Perfil genético: foco na ela é de fato, e o que muda no dia a dia do que se propõe a inovar, incorporar tecnoresultado mais eficaz com a avaliação de todo saúde das pessoas logias, sem abrir mão da sustentabilidade diagnóstico de uma maneira geral”. o mapeamento genômico do indivíduo, que foram os temas abordados pela equipe de Essa discussão vem ganhando corpo, desde 2001, está cada vez mais acessível, A medicina de precisão na verdade, especialistas da instituição, tendo como desde 2015, quando o governo do presicom o custo caindo e beneficiando a poputem um conceito mais abrangente, e numa dente Obama, dos Estados Unidos, iniciou lação ao permitir direcioná-la para o melhor público jornalistas especializados, entre abordagem bem atual se relaciona à pretratamento”, prossegue. os quais a equipe do ID - Interação Hoje, graças a essa evolução e Diagnóstica. inovação, alguns testes genéticos já Os trabalhos foram abertos pela estão no rol da ANS começando a ser dra. Jeane Tsuitsui, superintendente cobertos pelos planos de saúde, pois médica da instituição, professora livre uma das áreas de maior aplicação para docente em Cardiologia, que falou sobre a medicina de precisão da avaliação o tema Medicina de Precisão. Parte integrante do grande arsenal de conceitos genômica é a área de oncologia, onde que procuram definir a Medicina do o conhecimento levou ao desenvolvimento de drogas específicas que atuem Futuro, com a chegada da “era digital”, de acordo com as mutações no tumor, essas discussões colocam o assunto na como acontece nos casos de leucemia, ordem do dia, redefinem o trabalho do com os marcadores moleculares, que médico e justificam as políticas assistenciais das empresas. aumentam a sobrevida de pacientes O Grupo Fleury, hoje presente em com determinados tipos dessa doença um grande número de localidades, e com a avaliação preditiva. há 91 anos no mercado de medicina “Poder prever o bom prognostico diagnóstica, está – como tantos ouou o pior prognostico, define o melhor tros – atento à inovação tecnológica, a tratamento e a conduta do caso. Já sustentabilidade do setor de saúde e o existem muitas evidências científicas e seu impacto na vida das pessoas. Com publicações em revista de alto impacto uma visão muito forte de inovação e de que avaliaram ao longo do tempo um crescimento, mas sempre incorporando número bastante grande de pacientes tecnologias que “realmente agreguem que se beneficiam das novas tecnologias. Isso é muito importante para valor à vida das pessoas, indo além da comprovar os vários estudos e ter eviadição de custo, o foco dessas ações deve Encontro com jornalistas da área da saúde objetivou ampliar o acesso à informações que podem orientar os pacientes, como enfatizou a dra. Jeane Tsuitsui, na foto. dências que surgem de diretrizes para a estar na diferença que elas vão trazer sociedade médica fazer a recomendação com a reformulação do sistema de saúde no Pais, para a cadeia de saúde e para o indivíduo”, venção e tratamento da doença com base base em todo o conteúdo de literatura que com o “Obama Care”, e lançou a iniciativa da enfatizou a executiva. nas informações genéticas do indivíduo, existe”, destaca. medicina de precisão, reconhecendo alguO grande desafio será compatibilizar toassim como seu estilo de vida e o ambiente das estas conquistas, com a palavra mágica, mas tendências que são muito importantes do qual se encontra. “É uma mudança de Reflexos na cadeia “sustentabilidade”, e isso está claro em todas em todo o mundo e, também no Brasil: “ o paradigma da medicina onde se tira o foco da saúde as discussões que envolvem o setor saúde. envelhecimento populacional, que nos obrida doença e passa a olhar para a saúde das ga a fazer com que as pessoas cuidem mais O envelhecimento da população, a queda na “Também existem estudos de economia pessoas, enfatizou a dra. Jeane, pois as da sua saúde, pois aumenta a possibilidade rentabilidade e as dificuldades econômicas da saúde que mostram que essas novas coninformações sobre o perfil de variabilidade do indivíduo apresentar maior número de do País, são ingredientes importantes nessa dutas vão ajudar na redução dos custos na genética do seu meio ambiente permitem doenças crônicas e, portanto, maior custo nova equação. cadeia de saúde. Para os próximos anos há um tratamento personalizado e mais efetivo para o sistema de saúde”. Para isso, destacou a executiva, “a magrande expectativa do mercado internacioao considerar que os indivíduos podem ter nutenção de um relacionamento com o corpo Lembrou a médica, que outra impornal com o crescimento da área de medicina características genéticas que os diferenciam, tante tendência é a inovação que está perclínico, na educação continuada e um fluxo de precisão, beneficiada pelo uso e domínio como por exemplo, para responder ou não sonalizando a medicina e veio para ficar, de conhecimento saudável para disseminar da plataforma digital para serviços e geração a uma determinada terapia de acordo com porque tem meios de começar a aplicar na e informar as novidades do setor, de forma de conteúdo para compartilhar conheciseu perfil genético”. prática médica uma medicina mais precisa. que o seu entendimento alcance todas as mento em benefício da saúde integral do “Dessa forma, o modelo anterior em Mas, uma forte tendência é o aumento de camadas da sociedade têm que estar preindivíduo”, conclui. que só olhava a população de indivíduos e

8

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101


DEZEMBRO DE 2017 / JANEIRO DE 2018 - ANO 16 - Nº 101

Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

ENTREVISTA

Canon e Toshiba Medical concluem integração Mais uma etapa do processo de integração da Toshiba Medical Systems pela Canon Inc. será concluída no dia 4 de janeiro de 2018, com a mudança de nome da companhia de sistemas médicos para Canon Medical Systems Corporation. Em evento oficial no Japão nesta data, com a presença dos funcionários, direção e da mídia, o novo nome será apresentado. A partir desta solenidade, a Toshiba Medical do Brasil terá o seu nome alterado também, respeitando-se os aspectos legais e regulatórios do País, ainda no primeiro trimestre de 2018.

E

m entrevista ao ID Interação lançamos novos equipamentos em todas as Diagnóstica, Flávio Martins, modalidades, e agora em 2017, ampliamos Presidente & CEO da Toshiba este portfólio com outros produtos que Medical do Brasil, que está comintroduziram novos conceitos. Podemos afirmar que o processo de integração não pletando seu primeiro ano como alterou os planos da companhia nestes dois gestor da empresa e à frente do processo de últimos anos”. integração pela Canon no país, fez um baO grupo Canon ao estabelecer como lanço dos resultados e das expectativas que um dos pilares de seu processo de expansão se abrem nessa nova fase. global a futura Canon Medical System Cor“A mudança oficial do nome da companhia no Japão que acontecerá no dia 4 de poration, pretende expandir seus negócios na janeiro conclui o processo iniciado no final área de diagnóstico por imagem. O processo de 2016. Com a constituide expansão é real após as aquisições da VITAL IMAção da Canon Medical Systems Corporation inicia-se GES, que continuou com a alteração do nome nas a compra da KAROS, e companhias do grupo de principalmente da OLEA, sistemas médicos. Para a sendo esta, marca muito subsidiária brasileira, o forte no mercado europeu processo legal de mudança para equipamentos de Resde nome deverá ser consonância Magnética. “Até 2014 nós tínhacluído entre final de março e começo de abril. Então, mos um crescimento conso nome no Brasil passará tante na participação do oficialmente a ser Canon mercado. Entre 2015 e Medical Systems do Bra2016 tivemos de alterar nosso planejamento essil”, explica o executivo. Segundo Flávio Martratégico para o mercado brasileiro devido princitins, não haverá mudança Flavio Martins, presidente e CEO da de gestão na empresa, ape- Toshiba Medical do Brasil. palmente à crise política e econômica, que reduziu nas a alteração do nome. significativamente a atividade no mercado A empresa tem uma gestão sólida e estas médico de diagnósticos por imagem. O mudanças chegam para fortalecer a expansão ano de 2017 permitiu considerar como um da marca Canon no mercado. E o momento retorno das atividades, a economia do país é oportuno com os sinais de retomada da não demonstrou inconsistência em relação economia brasileira. as diretrizes informadas pelo atual governo Ampliando o portfólio e é perceptível que conseguimos uma estabilidade em relação aos anos anteriores que “Estamos monitorando as condições e a pode ser confirmada com os indicadores recuperação do mercado, que vem reagindo econômicos”, conta Flávio Martins. melhor do que nós esperávamos. Preparamos Uma das bases para uma expansão de a empresa para um cenário recessivo e isso nossos negócios passa pelo fortalecimento de nos permitiu reavaliar processos com mais um setor que é uma de nossas referências no solidez e tirar importantes conclusões. Mas Brasil: a ultrassonografia. No ano passado a os reflexos da consolidação do processo de empresa introduziu uma nova linha produto incorporação da Toshiba Medical System para esse mercado que qualificamos como Corporation pela Canon já podem ser obserUltra Premium. A família i-Series possui vados”, destaca o executivo. Investimentos tecnologia única em ultrassonografia. Em foram confirmados e expandidos. “Em 2016

2016 introduzimos dois produtos da família i-Series e em 2017 mais um equipamento da família i-Series foi liberado para o mercado brasileiro. Com este portfolio podemos possibilitar o acesso a está tecnologia em diferentes segmentos do mercado brasileiro. Outra das bases de nosso negócio, a tomografia computadorizada, recebeu durante o RSNA 2017, novos avanços em termos de eficiência, performance, aplicações clínicas e em qualidade de imagem para a família Aquilion nos modelos Lightning, PRIME e o ONE GENESIS. Outro destaque marcou profundamente o evento quando a companhia deu mais um salto tecnológico com a apresentação do Aquilion Precision. Este produto inaugurou outro segmento de mercado de tomografia: Ultra High Resolution! Nos últimos dez anos disponibilizamos um detector que permite aquisições com cortes de 0,5 milímetros de resolução, a menor entre os fabricantes e com baixa mais dose de radiação. A partir deste ano, o Aquilion Precision possibilita introduz nova tecnologia aquisições com cortes de 0,25 milímetros de resolução em uma matriz de 2048 x 2048 com avançadíssimo processamento e dose de radiação ainda mais baixas. “Estamos evoluindo rapidamente nos diagnósticos por ressonância magnética e conquistando reconhecimento e espaços cada vez mais importantes globalmente. A Companhia tem investido em universidades de excelência para desenvolvimento de novas tecnologias e em centros de excelência para os desenvolvimentos clínicos. A Canon Medical Systems Corporation implementou novos gradientes, sequências, softwares, aplicações e aumento da performance para ELAN 1,5T, TITAN 1,5T e GALAN 3T. Tudo para estabelecer novos padrões de diagnóstico. A companhia sempre olhou para o futuro e buscou inovar, considerando o melhor hardware para suportar os avanços dos softwares”, acrescenta.

Made in Brazil Atualmente, com a fábrica em Campinas, interior do estado de São Paulo, a

Toshiba Medical do Brasil (futura Canon Medical Systems do Brasil), se prepara para nova expansão com a finalização dos estudos para a implantação de sua terceira fase. Após as etapas iniciais, a planta fabril praticamente dobrou de tamanho desde sua inauguração em 2012. Também recebeu em sua estrutura nosso Centro de Treinamento e nosso departamento de Pesquisas e de Desenvolvimento. Em processo contínuo, pretendemos colocar outros produtos no mercado nacional, agregando quase toda a linha de tomografia e de ressonância magnética. O mesmo pretendemos para o mercado de ultrassom. Estas ações resultaram do sucesso de nosso planejamento e da confiança de nossos clientes para nossos produtos e serviços. O CEO não esconde seu otimismo com os planos ambiciosos da empresa.

Serviços A área de serviços é outro dos pilares estratégicos de atenção da empresa, orientada para a qualidade, produtividade e eficiência de forma a buscar a satisfação de nossos clientes, para auxiliá-los no melhor atendimento aos seus pacientes. A companhia entende que atuar com excelência na área de pós-vendas está baseada em sua filosofia “Made For Life”, além de ser um de nossos diferenciais mercadológico e construídos ao longo de nossos mais de 40 anos de atuação no Brasil. Por isso, o pós-venda e a assistência técnica são fundamentais para manter essa relação de confiança com os nossos clientes. “Estar mais próximo do cliente, manter todas as tecnologias operando dentro de sua melhor finalidade, é nosso maior objetivo. Hoje investimos e insistimos muito em tecnologia da informação, para ampliar e acelerar o suporte para as máquinas à distância, além de expandir nossa rede de cobertura no país. Buscamos continuamente fortalecer nossa área de serviços e de aplicações para superar as expectativas do mercado para nossos produtos e soluções tecnológicas, refletindo nossa seriedade e nossa responsabilidade com o mercado brasileiro de sistemas de diagnósticos”, finaliza Flávio.

Serviços, tecnologias e vendas: agilize seus contatos

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

9


IMPRENSA INTERNACIONAL Da Redação

GE mais simples e mais fácil de operar Antecedendo a abertura do 101º Congresso da RSNA, Chicago, o novo presidente da General Electric, John Flannery, empossado em agosto, sucedendo a Jeff Immelt, apresentou os planos da empresa e falou à imprensa.

O

encontro realizou-se em Nova York, teve como foco Jeffrey R. Immelt, líderes da G.E. por 16 anos, depois que o Sr. os investidores, e o seu conteúdo foi publicado pelos Welch se aposentou em 2001, trabalharam para consolidar o conglomerado, Flannery vem com uma visão mais objetiva, focada na principais veículos de comunicação americanos, realidade atual. O objetivo do Sr. Immelt para GE foi criar uma mostrando o que a empresa pretende promover empresa industrial para a era da internet, adicionando software mudanças para os próximos anos. A estratégia e sensores a equipamentos industriais para criar máquinas “ininclui desfazer de ativos, no montante de US $ 20 bilhões, nos teligentes”. próximos dois anos. Era um plano arrojado, e o Sr. Immelt já predisse que a GE Ponto marcante, mesmo, foi a primeira aparição de John Flannery, empossado em agosto, como o novo chefe da GE, que mostra tornaria-se “uma empresa de software Top 10” até 2020. Embora a empresa se afastando dos projetos ambiciosos de seus dois predea estratégia digital ainda seja vital para o GE, o Sr. Flannery disse cessores. O novo executivo não deixou que estava cortando as despesas da unidade em US $ 400 milhões em 2018, e se dúvida “que a era do conglomerado já concentrando em alguns produtos. Até se foi e declarou repetidamente em sua mesmo o Conselho de administração está apresentação detalhada sobre seu futuro, sendo reduzido de 18 para 12 membros. que a GE será uma empresa menor, com O Sr. Flannery, procurou retratar o menos negócios”. caminho à frente, não como um recuo, De acordo com o material divulgado pelas agências internacionais, as mas como um desafio inspirador. “Esta operações à venda incluem empresas é a oportunidade de uma vida para reinventar uma empresa icônica”, disse ele. como lâmpadas e locomotivas ferroviárias. Mais de US$ 20 bilhões em ativos Ainda assim, a reinvenção esperada, serão destinados à venda nos próximos mesmo que bem sucedida, levará tempo. dois anos. Ele enfatizou sua crença na A GE baixou o seu objetivo de lucro para vitalidade de uma GE menor, e assentiu o próximo ano e reiterou que 2018 seria para produtos como geradores elétricos, um “ano de reinício”. E as perspectivas motores a jato, turbinas, enfatizou e vapara 2019, ao mesmo tempo que melhoJohn Flannery, novo presidente da General Electric lorizou o segmento de equipamentos de ram, deverão ser também desafiadoras imagens médicas. Por causa desses produtos, disse o Sr. Flannery, para o seu grande negócio de turbinas de energia. a empresa continuará a “impulsionar o mundo”, “transportar Também mudará a complexidade da empresa. A GE, a maior pessoas com segurança” e “salvar vidas”. empresa de fabricação do país, tinha quase 300 mil funcionários O executivo também descreveu outras partes dos negócios em todo o mundo no final do ano passado. As vendas iminentes como “fundamentalmente fortes”, incluindo turbinas eólicas para de várias empresas e outras iniciativas de redução de custos, sem energia renovável, e a unidade de equipamentos ferroviários da dúvida, a deixará com muito menos nos próximos anos, em áreas empresa, que deverá ser vendida. A estratégia do Sr. Flannery mais focadas. acelerará o trabalho de racionalização iniciado por seu antecessor Mas o maior movimento foi lançar quase todo o braço financeiro da empresa, a GE Capital. No seu pico, a unidade financeira imediato. Em síntese, o objetivo é fazer GE “Mais simples e fácil representava mais da metade dos lucros da empresa, e os empréstide operar”, disse Flannery. “A complexidade nos prejudicou”, mos variaram desde hipotecas domiciliares no Japão até resseguro justifica. de cuidados de longa duração para os idosos. (Agências noticiosas Essa complexidade fazia parte do discurso da empresa para internacionais e mídia virtual). os investidores. Se os executivos anteriores, como Jack Welch e

10

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

MERCADO

Bayer tem nova diretora para a área da imagem

Com experiência em marketing e inovação no segmento farmacêutico, a executiva Elke Mittelsdorf acaba de assumir a área de radiologia e diagnóstico por imagem da Bayer. O primeiro contato já foi no Congresso Brasileiro de Radiologia em Curitiba (na foto com a equipe) e, na sequência, no Congresso da RSNA, em Chicago. Atenta à realidade do mercado, onde o contraste ocupa papel importante nas decisões médicas, Elke Mittesldorf encara os novos desafios com otimismo, pois, considera que o potencial da área da imagem é muito grande e as perspectivas de crescimento muito interessantes. Com boa experiência na área famarceutica, onde está há seis anos, acredita que essa bagagem na área de inovação vai ser muito útil no seu novo desafio. “Acredito que essa experiência vai ser muito importante, meu background antes de Inovação era de Marketing, que me deu essa visão estratégica de negócio. Já a área de Inovação agregou novas perspectivas, que poderão ser aplicadas para área de Radiologia. Ter trabalhado na área de Inovação, me fez experimentar muitas coisas novas.”


DEZEMBRO DE 2017 / JANEIRO DE 2018 - ANO 16 - Nº 101

Apresentação atípica de tumor de Wilms com sangramento retroperitoneal: sinal de rotura tumoral? História clínica Paciente do sexo feminino, 7 anos, com dor abdominal difusa e vômito. Relatava um trauma contuso leve na região abdominal anterior. Ao exame físico apresentava sinal de Giordano positivo, e suspeita clínica de infecção do trato urinário. Foi solicitada uma ultrassonografia, que demonstrou nódulo isoecogênico no rim esquerdo, sendo a paciente internada para investigação. Foram realizados exames de tomografia computadorizada (TC) (figura 1) e ressonância magnética (RM) (figuras 2 e 3) que demonstraram extenso hematoma perinefrético associado a massa cortical hipovascular no terço superior do rim esquerdo, bem delimitada, medindo 6,5 cm, sem calcificações evidentes, com realce heterogêneo, sem sinais de extensão para o seio renal. A lesão mantinha contato com a fáscia pararrenal posterior, que se apresentava espessada. Havia, ainda, outro nódulo com padrão de realce semelhante, localizado no terço superior, bem delimitado, medindo 1,3 cm. Não havia sinais de acometimento da veia ou artéria renal esquerdas ou linfonodomegalia. A paciente foi submetida a nefrectomia esquerda, com diagnóstico imuno-histológico de de tumor de Wilms do tipo blastomatoso, com comprometimento da pelve renal e embolia vascular neoplásica e sem evidência de invasão capsular ou extra-renal, apesar do sangramento; não havia necrose, anaplasia celular, extensão neoplásica extrarrenal e as margens cirúrgicas foram livres de neoplasia.

Discussão O nefroblastoma, ou tumor de Wilms, é o segundo tumor pediátrico sólido mais comum, representando cerca de 90% dos tumores renais pediátricos (1,2) correspondendo pela terceira causa de massa renal em crianças, após a hidronefrose e os rins multicísticos displásicos(3). No presente caso, a paciente encontrava-se pouco fora da faixa etária habitual, já que o pico de apresentação ocorre entre 2 e 3 anos de idade e em até 80% dos casos com menos de 5 anos(1,2). Raramente é diagnosticado na fase perinatal ou em maiores de 15 anos. O tumor costuma apresentar-se como massa abdominal assintomática, descoberta pelos pais (1,2). Nossa paciente relatava leve trauma abdominal, o que ocorre em cerca de 10% dos pacientes e provavelmente é o precursor da investigação diagnóstica que detectará a lesão renal, como deve ter ocorrido no caso aqui apresentado (2,3). Além disso, o paciente apresentava sangramento perilesional, achado pouco descrito na literatura. O tratamento é essencialmente cirúrgico, com nefrectomia (3,4). Atualmente as taxas de sobrevida são superiores à 90% (4). A quimioterapia (QT) neoadjuvante pode ser utilizada para reduzir o volume tumoral e a radioterapia (RT) quando não é possível ressecar totalmente a lesão (3). O tumor de Wilms com sinais de ruptura na imagem ao diagnóstico deve ser considerado como estágio III (doença não ressecável) e, portanto, é tratado mais agressivamente, com QT e RT adjuvantes que possuem efeitos colaterais agudos e consequências em longo prazo, como surgimento

de cânceres secundários e redução da fertilidade. A ruptura pode ocorrer espontaneamente ou durante a ressecção cirúrgica do tumor; também é considerado roto o tumor que foi submetido à biópsia percutânea e que, portanto, costuma ser evitada. (5) A estimativa de rotura tumoral gira em torno de 3% dos casos (6). Apesar da importância de se estabelecer a ruptura tumoral, a sensibilidade tomográfica não excede os 70% (5); os sinais com maior associação com ruptura tumoral são: a) margens mal delimitadas; b) densificação da gordura adjacente ao tumor; c) líquido retroperitonial e extra capsular; e d) derrame pleural ipsilateral. Utilizando esses critérios a especificidade se aproxima à 90%. Por outro lado, a presença de sangramento intralesional ou peritumoral não parece ter associação com a ruptura tumoral(5), como ocorreu no caso aqui apresentado e não deveria ser utilizada para contraindicar uma cirurgia benéfica para o paciente. Apesar da história recente de trauma abdominal, a natureza, orientação e fraca intensidade do trauma relatado não nos parece ser a causa do sangramento, mas um fator precursor da avaliação radiológica que permitiu diagnosticar a lesão tumoral.

Figura 1 (A – D) TC sem e com contraste EV. Hematoma perinefrético (64 UH) e com componente subcapsular (setas em A e B). Massa renal sólida e hipovascular (setas em C e D), com tênue realce após a injeção EV do meio de contraste (densidade pré-contraste: 25 UH; densidade na fase nefrográfica: 53 UH).

Conclusão Relatamos um caso incomum de tumor de Wilms apresentando-se com sangramento perilesional, sinal este que, segundo a literatura, não deve ser considerado necessariamente como indicador de ruptura tumoral, enfatizando a importância do manejo radiológico neste contexto.

Referências 1 Chung EM, Graeber AR, Conran RM. Renal Tumors of Childhood: Radiologic-Pathologic Correlation Part 1. The 1st Decade: From the Radiologic Pathology Archives. Radiographics. 2016 Mar-Apr;36(2):499-522. 2 Lowe LH, Isuani BH, Heller RM, Stein SM, Johnson JE, Navarro OM, Hernanz-Schulman M. Pediatric renal masses: Wilms tumor and beyond. Radiographics. 2000 Nov-Dec;20(6):1585-603. Erratum in: Radiographics 2001 May-Jun;21(3):766. 3 Dumba M, Jawad N, McHugh K. Neuroblastoma and nephroblastoma: a radiological review. Cancer Imaging. 2015 Apr 8;15:5.

Figura 2 (A-D) RM com imagens ponderadas em T2 (A e B) e em T1, em fase (C) e fora de fase (D). Nota-se a volumosa massa no pólo superior do rim (setas em A-D), sem evidência de gordura, e o hematoma perinefrético e subcapsular (setas curvas).

4 Kieran K, Ehrlich PF. Current surgical standards of care in Wilms tumor. Urol Oncol. 2016 Jan;34(1):13-23. 5 Khanna G, Naranjo A, Hoffer F, Mullen E, Geller J, Gratias EJ, Ehrlich PF, Perlman EJ, Rosen N, Grundy P, Dome JS. Detection of preoperative wilms tumor rupture with CT: a report from the Children’s Oncology Group. Radiology. 2013 Feb;266(2):6107. 6 Leape LL, Breslow NE, Bishop HC. The surgical treatment of Wilms’ tumor: results of the national Wilms’ Tumor Study. Ann Surg. 1978 Apr;187(4):351-6.

Autores Daniel Padilha Rodrigues Giuseppe D’Ippolito Medicos Radiologistas – Departamento de Imagem do Hospital São Luiz Fleury Diagnóstico.

Figura 3 (A-D) RM antes e após a injeção EV do meio de contraste. Fase sem contraste (A), corticomedular (B), nefrográfica (C) e pielográfica (D). Nota-se que a massa apresenta lento realce progressivo e predominantemente homogêneo. Não há sinais de sangramento intralesional.


Novas tecnologias na avaliação do coração fetal – A ecocardiografia tridimensional em alta resolução A alta tecnologia tridimensional estática (3D) e em movimento (4D) tornou-se popular há mais de uma década por realizar o sonho da visibilização da face e de outras partes do corpo fetal, antecipando em parte o impacto da primeira visão do bebê, possível até então apenas no momento do nascimento. Mais recentemente a mesma tecnologia foi desenvolvida para a avaliação do coração fetal, ganhando impulso especial com o advento da nova técnica chamada ‘STIC” (spatial and temporal image correlation). Esta tecnologia consiste em milhares de imagens bidimensionais adquiridas de uma região de interesse (Region of interest-ROI) pré-determinada, durante uma única varredura em câmara lenta, com duração de alguns segundos (7.5 a 12.5 segundos). Apesar das vantagens óbvias da tecnologia tridimensional, a aquisição, exibição e manipulação dos volumes tridimensionais exige uma curva de aprendizado bastante difícil. Além do mais, a movimentação fetal aumenta as dificuldades técnicas, limitando seu uso, especialmente nas malformações cardíacas. A ecocardiografia tridimensional é realizada em três etapas: 1) Aquisição de dados através de uma única varredura automática. 2) Formas de exibição da imagem. 3) Manipulação da imagem.

Aquisição de volumes A aquisição é feita através de uma varredura com o transdutor volumétrico posicionado em um corte bidimensional de boa qualidade. Como a reconstrução tridimensional é totalmente dependente da imagem bidimensional capturada, não será possível uma boa reconstrução tridimensional a partir de imagens bidimensionais ruins. Desta forma, um conjunto de dados é obtido e agrupado em um bloco chamado “volume”, que deverá ser armazenado para posterior manipulação. A aquisição poderá ser feita em 3D estático, STIC (varredura volumétrica indireta para posterior análise, 4D “off-line”) ou 3D em tempo real (4D “on line”), sendo o STIC o mais usado para coração fetal.

Figura 3 Reconstrução tridimensional em modo alta definição “HDlive” com posicionamento da fonte de luz virtual por trás do volume, criando um efeito translúcido nesta posição transversal do ventrículo esquerdo (VE). VD= ventrículo direito.

Figura 4 Reconstrução tridimensional em modo alta definição “HDlive” Silhouette após aquisição de volume com “STIC”. Notar o delineamento das bordas do endocárdio dos ventrículos, valvas e átrios e a mudança de sombreamento possível com a mudança da posição da luz virtual.

Figura 1 Reconstrução tridimensional em modo alta definição “HDlive” após aquisição de volume com “STIC”. Posição de quatro câmaras em coração normal. AD= átrio direito; VD= ventrículo direito; AE= átrio esquerdo; VE= ventrículo esquerdo.

A vantagem do STIC é a apresentação da imagem em movimento, permitindo a análise de eventos relacionados ao ciclo cardíaco como movimento das valvas e contratilidade miocárdica. Como a varredura é muito rápida, pode-se também acessar o resultado da reconstrução imediatamente, ainda durante o exame, orientando o entendimento da cardiopatia. A aquisição pelo STIC é possível com a imagem bidimensional combinada com outras modalidade como Doppler colorido, power Doppler, B-flow, Doppler de alta definição e Hdlive. A desvantagem é o tempo de aquisição mais longo, que torna o processo de aquisição vulnerável à movimentação fetal e artefatos.

Formas de exibição da imagem Após a aquisição de um volume, a imagem poderá ser exibida em a) Modo bidimensional a. Plano simples. b. Plano multiplanar ortogonal. c. Plano multiplanar tomográfico/ TUI b) Modo reconstruído chamado “rendering” a. Modo de superfície. b. Modo transparência mínima c. Modo fluxo invertido/Invert flow d. Modo fluxo bidimensional/B-flow, e. Modo alta definição HDlive f. Modo em Doppler colorido com transparência de vidro/glass-body. Figura 2 Reconstrução tridimensional em modo alta definição “HDlive”, posição de quatro câmaras. À esquerda, hipoplasia de ventrículo direito. À direita, hipoplasia de ventrículo esquerdo. AD= átrio direito; VD= ventrículo direito; AE= átrio esquerdo; VE= ventrículo esquerdo.

Os modos de reconstrução em alta definição HDlive e HDflow representam a mais nova tecnologia para o estudo do coração fetal e serão abordados:

STIC (spatial and temporal image correlation)

Modo alta definição HDlive, HDlive Silhouette e HDflow

Este modo de aquisição é feito através de uma varredura lenta de imagens que extrai da movimentação dos tecidos e da movimentação do coração, informações do ciclo cardíaco. A duração da aquisição varia de 7.5 a 15 segundos, com ângulo de aquisição de 15 a 40º. O volume adquirido é então processado, sendo os picos sistólicos utilizados para o cálculo da frequência cardíaca. Este processamento consiste no rearranjo das imagens de acordo com a frequência cardíaca calculada e ciclo cardíaco”hipotético”, criando então um clip de um único ciclo cardíaco. Portanto, o STIC não pode ser aplicado em presença de extrassístoles.

2

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

É a reconstrução em alta definição (HD) em que o coração e vasos sanguíneos são vistos de maneira realística através da reconstrução de imagens que lembram tecido humano ou pele (figura 1). Isto é alcançado através da utilização de um modelo de iluminação avançada, com capacidade de calcular a propagação da luz através da pele e tecidos, criando imagens do coração e feto, semelhante ao órgão real visto na anatomia patológica (figura 2). CONTINUA


Novas tecnologias na avaliação do coração fetal – A ecocardiografia tridimensional em alta resolução

CONCLUSÃO X

bição de informações de direção e densidade do fluxo sanguíneo, o que facilita a visualização de vasos muito pequenos como as veias pulmonares do feto. Além disto, não é dependente de ângulo como o Doppler convencional assim como tem uma melhor resolução axial com menos artefatos, o que melhora a sensibilidade e pode, assim, auxiliar na detecção de vasos mínimos com fluxos de muito baixa velocidade. Os dados de volume podem ser processados em quatro maneiras: a) informação em escala de cinza isolada, b) informação em Doppler colorido isolada (figura 6), c) combinação de Doppler colorido com informação em escala de cinza, chamado de “glass-body” (figura 7 e 8), e d) combinação de Doppler colorido HDlive Flow com HDlive silhouette, ideal para definição de estruturas vasculares pequenas. O pré-requisito para o bom volume é o ajuste prévio de cor durante a varredura 2D (figura 9).

Figura 5 Reconstrução tridimensional em modo alta definição “HDlive” Silhouette após aquisição de volume com “STIC”. Notar o delineamento das bordas do endocárdio dos ventrículos, valvas e átrios. AD= átrio direito; VD= ventrículo direito; AE= átrio esquerdo; VE= ventrículo esquerdo.

Figura 8 Reconstrução tridimensional após aquisição de volume com “STIC”, em modo “HDflow” em Doppler colorido com transparência de vidro ou “glass body”. Notar o cruzamento das artérias emergindo dos ventrículos e os três vasos, veia cava superior (VCS), aorta (AO) e artéria pulmonar (AP). VD= ventrículo direito; VE= ventrículo esquerdo.

Figura 6 Reconstrução tridimensional em modo “HDflow” monocroma após aquisição de volume com “STIC”, do arco aórtico, sem nenhum tecido ao redor. Este corte mostra o arco aórtico (seta) e a cava inferior (VCI) chegando em átrio direito (AD).

Figura 9 Reconstrução tridimensional em modo “HDflow” monocroma combinado com modo alta definição “HDlive” Silhouette após aquisição de volume com “STIC”, do arco aórtico. Este corte mostra o arco aórtico (seta) e a cava inferior (VCI).

Bibliografia 1. Chaoui R, Hoffmann J, Heling KH. Three-dimensional (3D) and 4D color Doppler fetal echocardiography using spatiotemporal image correlation (STIC). Ultrasound Obstet Gynecol 2004;23:535. 2. Lopes LM and Zugaib M. “Evolução no diagnóstico de cardiopatias fetais: do ecocardiograma convencional à técnica tridimensional de STIC.” Rev. Soc. Cardiol. Estado de São Paulo21.4 (2011): 36-42.

Figura 7 Reconstrução tridimensional das veias pulmonares (VP) após aquisição de volume com “STIC”, em modo “HDflow” em Doppler colorido com transparência de vidro ou “glass body”. Notar as veias pulmonares reconstruídas entrando em átrio esquerdo (AE).

3. Lopes, Lilian Maria. “Diagnóstico intrauterino de cardiopatia: implicações terapêuticas.” Rev. Soc. Cardiol. Estado de São Paulo25.3 (2015): 122-125.

Métodos de processamento convencionais utilizam uma fonte de luz virtual fixa, que reflete a luz para fora da superfície da pele. HDlive difere dos métodos convencionais porque uma porção de luz é refletida enquanto o restante de luz entra na área de interesse e passa através dele. A luz que se propaga pelos tecidos é continuamente dispersa e atenuada, gerando sombras nos tecidos mais densos por onde a luz passou. O ecocardiografista pode posicionar livremente a fonte de luz virtual em qualquer ângulo em relação ao volume para aumentar os detalhes. O posicionamento da fonte de luz virtual por trás do volume irá mostrar um efeito translúcido (figura 3). HDlive silhouette cria um gradiente nas bordas dos órgãos, paredes dos vasos e cavidades com fluidos, onde existe uma abrupta mudança da impedância acústica (figura 4 e 5). Este modo de reconstrução permite que a porção interna de uma estrutura que contenha fluidos seja delineada através da superfície externa desta estrutura sendo chamado de modo transparente ou “look-through fashion”. O Modo HDlive Flow é uma forma avançada de aquisição de volume combinando 2D e Doppler colorido de alta definição com e sem transparência de vidro/glass-body (ou power Doppler), permitindo informações estruturais e hemodinâmica do coração fetal, como a exi-

5. Sklansky M, G Miller, G Devore, ET al. Prenatal screening for congenital heart disease using real-time three-dimensional echocardiography and a novel ‘sweep volume’ acquisition technique. Ultrasound Obstet Gynecol 2005; 25:435.

4. Pooh, Ritsuko K. See-through fashion in prenatal diagnostic imaging. Donald School J Ultrasound Obstet Gynecol 2015; 9.(2):111.

6. Sun X, Zhang Y, Fan M, Wang Y, Wang M, Siddiqui FA & Hu G. Role of four‐dimensional echocardiography with high‐definition flow imaging and spatiotemporal image correlation in detecting fetal pulmonary veins. Echocardiography 2017; 34(6):1.

Autora Lilian M. Lopes Diretora médica da Clínica Ecokid de São Paulo. Coordenadora do curso de pós-graduação em Ecocardiografia Fetal e Pediátrica do Instituto Lilian Lopes de Assistência, Unidade Filantrópica da Clínica Ecokid de São Paulo. Doutora em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo-FMUSP. Research Fellow no laboratório de Ecocardiografia Pediátrica e Fetal da Universidade da Califórnia, San Francisco, USA. Estágio especializado no Departamento de Cardiologia Pediátrica, The Children’s Hospital da Harvard Medical School, Boston, USA. Título de Especialista em Cardiologia, Cardiologia Pediátrica e Ecocardiografia conferido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

3


Defeito do ciclo da uréia: relato de caso História clínica A.B.A, nascida à termo de parto cesárea em 15/05/2017, com peso adequado e Apgar 9/10. Apresentou náusea e cianose no primeiro dia de vida, que melhorou após lavagem gástrica. Recebeu alta em 17/10 em boas condições. Em casa começou a apresentar irritabilidade, recusa alimentar e hipoatividade progressiva sendo levada novamente ao hospital em 19/05/2017, onde deu entrada no hospital desidratada e ictérica. Foi encaminhada à UTI neonatal, e apresentou piora progressiva do nível de consciência e crises convulsivas. Exames laboratoriais evidenciaram acidose metabólica com aumento de lactato. Feitos exames de LCR normal e ressonância magnética que afastou sangramento de SNC, demonstrando restrição à difusão bilateral e simétrica nos putâmens, núcleos caudados, tálamos, córtex perirrolândico alto (giros pré e pós-centrais) e porção posterior de ambas as ínsulas, sem áreas de realce anômalo pelo meio de contraste (figura 1). Foi observado leve hipersinal em T2 confluente e bilateral na substância branca periventricular, assim como redução da mielinização da substância branca em relação ao que seria esperado ao nascimento a termo (figura 2) A espectroscopia de prótons evidenciou acentuado aumento dos picos de glutamina/ glutamato em 2.4 e 3.8 ppm (figura 3). Em 22/05 apresentou apneia e foi intubada. Realizada investigação adicional que evidenciou amônia sérica de 629 micromol/L (valor normal de 11 a 51 micromol/L).

Figura 1. Ressonância Magnética. Sequências de difusão (fileira A) e mapa de ADC (fileira B) evidenciam restrição ao movimento das moléculas de água no córtex perirrolândico (setas brancas), núcleo lentiforme (setas vermelhas) e ínsula (setas amarelas).

Feita hipótese diagnóstica de erro inato do metabolismo, especificamente alteração no ciclo da uréia. Frente a esse resultado, foi indicado hemodiafiltração venovenosa contínua pelo risco da hiperamonemia. Em 23/05 foi liberado o resultado do exame do pezinho ampliado (TANDEM) confirmando o diagnóstico de acidúria arginossuccínica, confirmando a hipótese diagnóstica de defeito do ciclo da uréia. Em 24/05/2017 a amônia sérica diminuiu para níveis aceitáveis (76 micromol/L).

Discussão O ciclo da ureia consiste em uma série de reações enzimáticas que convertem a amônia, produzida durante o catabolismo das proteínas e outros produtos nitrogenados, em ureia, que é excretada na urina (figura 4). Os defeitos do ciclo da uréia (DCU) ocorrem quando há deficiência na atividade ou ausência total de uma das seis enzimas (ou também de dois transportadores), resultando no acúmulo de amônia (hiperamonemia) e outros metabólitos precursores, nos primeiros dias de vida. Em alguns casos, pode haver apenas uma deficiência parcial de enzimas, e o acúmulo de amônia e a sintomatologia podem ser desencadeados em qualquer idade, em geral após algum período de estresse. O DCU é um erro inato do metabolismo que apresenta prevalência de 1:35000 nascidos vivos e quase sempre possui uma herança autossômica recessiva. O principal mecanismo de dano neuronal na hiperamonemia, apesar de não ser totalmente compreendido, é o edema cerebral, além da alteração de neurotransmissores. A amônia ultrapassa livremente a barreira hematoencefálica e é armazenada sob a forma de glutamina, através da enzima glutamina sintetase. A glutamina é osmoticamente ativa, levando ao edema celular e hipoperfusão cerebral, manifestando-se como edema citotóxico (visto nas imagens como as áreas de restrição à difusão), que acomete principalmente o cortex insular, perirolândico e o núcleo lentiforme. O diagnóstico é feito na suspeita clínica, exames laboratorias e genéticos e exames de imagens característicos. Amônia plasmática > 150 micromol/L com ânion gap e glicemia normais são altamente indicativos de DCU. Para diagnosticar qual enzima específica está deficiente / ausente, deve-se dosar alguns aminoácidos plasmáticos específicos. Na Ressonância Magnética, as principais regiões acometidas são os córtex perirrolândico, insular e o núcleo lentiforme, com restrição à difusão, além de edema cerebral difuso. A espectroscopia de prótons é bastante característica, com aumento do pico de glutamina/glutamato em 2.4 e 3.8 ppm. Os principais diagnósticos diferenciais são a encefalopatia hipóxico-isquêmica neonatal e outros erros inatos do metabolismo. Em relação à clínica, na encefalopatia hipóxico-isquêmica neonatal, Figura 4. Esquema do ciclo da ureia. O defeito em qualquer uma das seis os RN já nascem com enzimas ou dois transportadores do ciclo pode levar ao acúmulo de amônia e dos metabólitos intermediários. estado geral ruim, enquanto nos DCU os recém-nascidos nascem bem e nos primeiros dias de vida, à medida que o níveis séricos de amônia aumentam, pioram o estado geral. Já na imagem, na encefalopatia, os putâmens são classicamente acometidos, enquanto na DCU eles classicamente são poupados, embora isso nem sempre ocorra (na paciente do caso, eles estavam acometidos). O coma hiperamônico é uma urgência. O tratamento visa reduzir os níveis séricos de amônia, inicialmente com hemodiálise, e depois com drogas e com restrição proteica na dieta. Nos casos refratários, o transplante hepático é uma opção terapêutica.

Referências Gropman, A. Brain imaging in Urea cycle disorders. Mol Genet Metab. 2010 ; 100(Suppl 1): S20–S30. Takanashi, J et al. Brain MR Imaging in Neonatal Hyperammonemic.

Figura 2. Ressonância Magnética. Sequências ponderadas em T1 (fileira A) e em T2 (fileira B) evidenciam áreas de alto sinal em T2 na substância branca, sobretudo frontal bilateral, sugestivas de edema vasogênico (setas brancas).

Jun-ichi Takanashi, A. James Barkovich, Sabrina F. Cheng, Kara Weisiger, Carol O. Zlatunich, Christine Mudge, Philip Rosenthal, Mendel Tuchman and Seymour Packman. Encephalopathy Resulting from Proximal Urea Cycle Disorders. AJNR Am J Neuroradiol 24:1184–1187, June/July 2003. Devastating Metabolic Brain Disorders of Newborns and Young Infants. Yoon,, H. et al. RadioGraphics 2014; 34:1257–1272. Ibrahim, M. Inborn Errors of Metabolism: Combining Clinical and Radiologic Clues to Solve the Mystery. AJR:203, September 2014. Poretti, A. Neonatal Neuroimaging Findings in Inborn Errors of Metabolism. J Magn Reson Imaging. 2013 February ; 37(2): 294–312. Gropman, AL. Patterns of Brain Injury in Inborn Errors of Metabolism. Semin Pediatr Neurol. 2012 December; 19(4): 203–210. Bireley, WR. Urea cycle disorders: brain MRI and neurological outcome. Pediatr Radiol (2012) 42:455–462.

Autores Matheus Waitman, Júlia Azevedo Miranda, Jucélio Pereira Moura Filho, Luis Filipe de Souza Godoy Figura 3. Espectroscopia de prótons. Comparação entre espectroscopias de um RN com defeito do ciclo da ureia (figura A) e uma espectroscopia de RN normal (figura B), demonstrando aumento do pico de Glutamato/Glutamina em 2.4 e 3.8 ppm (setas em A).

4

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

Médicos Radiologistas Departamento de Radiologia e Diagnóstico por Imagem - Hospital Sirio Libanês


INOVAÇÃO Da Redação

Ziehm: edição premium chega no Brasil em 2018 A Ziehm Imaging, que é presidida pelo brasileiro Nelson Mendes, mais uma vez surpreendeu o mercado e mostrou todo o seu potencial, que a coloca atualmente em posição de destaque na área de arcos cirúrgicos moveis apresentando em Chicago, durante o Congresso da RSNA, um portfólio completo de equipamentos Flat Panel com tecnologia CMOS, que se estende de compactos mini arcos cirúrgicos até equipamentos high-end.

C

omo enfatiza a equipe de marketing, “o novo CMOSline destina-se para profissionais que não estão satisfeitos com o comum e que buscam a ex-

celência.” Esta edição premium, que chegará ao Brasil apenas em 2018, “ oferece uma cadeia de imagem CMOS aprimorada, desde o gerador ao detector Flat Panel. Além disso, eles vêm com um detector CMOS Ziehm Imaging que é adaptado às necessidades dos profissionais da área. Baseado no verdadeiro flat panel, o novo CMOSline permite uma qualidade de imagem superior, o que mostra mais detalhes e oferece maior sensibilidade, permitindo obter uma melhor resolução, especialmente nos modos de ampliação, minimizando os níveis de dose. As novidades da nova linha CMOSline consistem em: Flat Panel CMOS de 31

cm x 31 cm para os modelos Ziehm Vision RFD 3D, Ziehm Vision RFD Hybrid Edition e Ziehm Vision RFD, e Flat Panel CMOS 20,5 cm x 20,5 para o modelo Ziehm Solo FD.

Redução de dose Sempre atenta a este item, ao executivos da Ziehm, enfatizam que “om a nova tecnologia CMOSline, o conceito SmartDose² da Ziehm Imaging agora vem em uma versão mais desenvolvida com a inovadora tecnologia Beam Filtration³. A nova técnica de redução de dose para um espectro otimizado de raios X, faz parte da cadeia de imagem CMOS aprimorada. Esta combinação permite uma redução expressiva na dose de entrada da pele para todos os sistemas CMOSline. A linha premium

dos arcos cirúrgicos da Ziehm proporciona uma excelente qualidade de imagem com uma dose significativamente mais baixa”.

Resolução ideal em imagens 3D Os 10 anos de experiência em imagens 3D, mostram que o equipamento Ziehm Vision RFD 3D CMOSline possui tecnologia CMOS de ponta, que agrupa funcionalidades 2D e 3D para um maior controle intra-operatório, reduzindo a necessidade de tomografias pós-operatórias e cirurgias corretivas. Este arco cirúrgico é, portanto, ideal para intervenções ortopédicas, traumáticas e espinhais, bem como para procedimentos maxilofaciais e cocleares altamente especializados. A linha CMOSline oferece uma

liberdade de escolha entre uma variedade de tamanhos de volume 3D para atender às diversas necessidades na rotina clínica. Além do modelo padrão de 16 cm x 16 cm x 16 cm, o Ziehm Vision RFD 3D agora também oferece dois tamanhos adicionais para aplicações especializadas. Um maior campo de visão dedicado, com 19,8 cm x 19,6 cm x 18,0 cm (axial x sagital x coronal), cobre regiões anatômicas maiores e oferece mais estrutura para procedimentos como cirurgia de pelve com resolução de 512 voxel. O maior número de voxel em todos os tamanhos garante uma melhor resolução sem aumentar os níveis de dose, comparado a resolução anterior de 320 voxel. Além disso, com um comprimento de borda de 10 cm x 10 cm x 10 cm, o arco cirúrgico 3D oferece uma opção adequada para imagens ampliadas ou intra-operatórias em implantações cocleares.

InRad conquista nível de excelência em acreditação

M

ais uma etapa no processo de Certificação do Instituto de Radiologia do HCFMUSP foi comemorado em novembro, coroando com êxito, o trabalho de toda a equipe no ano de 2017. Um solenidade no auditório do Centro de Treinamento, que foi aberta pela dra. Marisa Madi, diretora executiva, marcou a entrega do Certificado de Acreditação com nível de Excelência para o Instituto de Radiologia do HCFMUSP – InRad. Lembrou a dra. Marisa Madi que a “cooperação e empenho de todos os funcionários foi decisiva para conseguir mais uma certificação, no nível 3, da ONA Organização Nacional de Acreditação. E, por ser uma instituição pú-

blica essa conquista tem um significado especial”. O eng. Antonio Jose Pereira, superintendente do HC, enfatizou “que essa busca pela qualidade é a marca da instituição, e a conquista da certificação vem premiar o esforço de toda a equipe”. O prof. Manoel de Souza Rocha, diretor clinico, e o prof. Giovanni Guido Cerri, lembraram que essa conquista reforça todo o empenho da instituição, na valorização da qualidade, levando o conceito a todos os níveis profissionais da instituição, como uma politica da empresa. E entrega do certificado ONA 3 foi no dia 8 de novembro, “Dia Internacional da Radiologia”, quando o físico Wilhelm Conrad Roentgen descobriu os raios X.

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

11


CONTEÚDO DA MARCA Por Adriano Bordignom (SP) (*)

A evolução da manutenção remota de equipamentos médicos Os primeiros sistemas de manutenção remota no Brasil datam do final da década de 90. Naquela época, devido às limitações da velocidade de conexão e à necessidade de linhas telefônicas dedicadas, forneciam possibilidades de acesso bastante restritas, mais caras, e que permitiam algumas poucas ações para a manutenção de equipamentos médicos.

A

procurando minimizar os tempos o longo desses quase 20 anos, de parada. A ferramenta tem tivemos uma melhora da cocomo objetivo, resolver problenectividade e, de forma ampla, grande aumento da velocidade mas que ocorrem durante o uso de conexão disponível. Os dos sistemas procurando agir sistemas de manutenção remota evoluíram preventivamente, otimizando surpreendentemente, saindo do âmbito processo de atendimento de puramente técnico para um mais âmbito de serviços de suporte e a experisuporte integral, melhorando o atendimento ência do cliente. O Innervision e a experiência do cliente. também permite A Toshiba Medical suporte de opevem investindo fortemenração em caso de alguma dúvida durante a te nessa estratégia de suexecução dos exames pelos porte, agregando valor a operadores ou pelo corpo seus equipamentos e aumédico. mentando a satisfação com Os equipamentos são o pós-venda da empresa. monitorados através de um A companhia já disponi“dashboard” que informa bilizou e já opera com um para a equipe de suporte novo sistema chamado da empresa quais foram os Innervision 2.0. Trata-se alertas gerados pelos equide uma ferramenta que Adriano Bordignom, da Toshiba tem a capacidade de anapamentos dentro da base instalada que estão conectadas na central de lisar a “saúde” dos equipamentos médicos, observação. Dessa forma, a Toshiba Medical quantificar e qualificar as informações de pode tomar ações de forma antecipada, mais performance do sistema e agir de forma rápida e mais efetiva que outras soluções preventiva, além de agregar um aumento da do mercado, e buscar resolver eventuais proteção contra ataques cibernéticos. problemas seus clientes, mesmo antes A geração do Innervision, agora com que os mesmos possam identificá-los e/ou a plataforma 2.0, vem trazendo ganhos percebê-los. substanciais de produtividade aos equipaEste conceito foi fundamentado em mentos fornecidos pela Toshiba Medical,

12

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

tecnologias da informação que foram desenvolvidas, em sua maior parte no Brasil, com recursos próprios de P&D oriundos de nossa fábrica em Campinas/SP. Evoluímos no entendimento e nos procedimentos da manutenção remota para ações de suporte integral, preventivo e remoto.

Sempre pensando na satisfação de seus clientes e na excelência de seus produtos e serviços, a empresa está investindo em novos conceitos e técnicas de análise, que possam expandir ainda mais a produtividade de seus sistemas e ampliar o retorno do investimento de nossos clientes, para que no fim, os mesmos possam fornecer um atendimento ainda melhor aos seus pacientes. Conceitos como Internet das Coisas, BigData e MachineLearning, poderão trazer ainda maior rapidez, previsibilidade e analises de dados não correlacionados que colocarão os sistemas de suporte remoto em um novo patamar de atuação. Adriano Bordignom Diretor do Centro de Pesquisa e Suporte ao Cliente Toshiba Medical do Brasil


CONTEÚDO DA MARCA Por Marina Viana (SP) (*)

Soluções para gestão de ativos na Era Digital

Fuji Film laureada como líder de Saúde

A

P

elo segundo ano consecutivo, a Fujifilm, líder no desenvolvimento de equipamentos para o diagnóstico de imagens, foi uma das empresas vencedoras do prêmio Líderes da Saúde, promovido pelo Grupo Mídia, na categoria Diagnóstico por Imagem. A premiação aconteceu na noite de terça-feira (5), durante um jantar que reuniu os principais players do setor. Na oportunidade, Eduardo Tugas, diretor da Divisão Médica da Fujifilm Brasil, esteve presente no evento para receber o prêmio em nome da companhia. “Nós, da Fujifilm, investimos constantemente em novas tecnologias para o desenvolvimento de soluções inovadoras para a área da saúde, e estamos honrados em conquistar esse reconhecimento pelo segundo ano consecutivo”, destaca o executivo. Atualmente, o portfólio de sistemas médicos da Fujifilm conta com mamógrafos digitais, analisador bioquímico, multiplataforma PACS para o gerenciamento de imagens clínicas, soluções de endoscopia, sistemas de ultrassonografia, radiografias digital e computadorizada, que contribuem para a qualidade e eficácia do diagnóstico clínico. O prêmio Líderes da Saúde, realizado desde 2013, avalia e premia as principais empresas do setor da saúde no Brasil.

tualmente, aplicativos e outras tecnologias foram desenvolvidas para facilitar as tarefas diárias da população e já estima-se que 3,2 bilhões de pessoas no mundo estão conectadas à internet. No mercado da saúde, vemos cada vez mais a utilização de soluções pelos envolvidos na cadeia, que vão desde a consulta online, até o upload de seus relatórios e outros documentos para avaliação gerando uma melhor experiência ao paciente. Além do benefício ao usuário final, muitas destas soluções estão sendo desenvolvidas para ajudar os diferentes profissionais que atuam no setor e que precisam lidar diariamente com desafios de gestão e produtividade. Nesse cenário, encontramos ferramentas capazes de gerenciar os ativos e produtividade das máquinas com o objetivo de otimizar sua utilização e suportar a Engenharia Clínica na tomada de decisões. Algumas das soluções são baseadas na nuvem e permitem que o engenheiro clínico tenha acesso a todos os seus ativos remotamente, analisando status de funcionamento, mapeamento de manutenções programadas e executadas assegurando um planejamento mais efetivo em relação ao uso do ativo. Conseguimos verificar também o número de exames realizados pelo equipamento, média de duração de cada um, bem como intervalos entre exames permitindo análises de produtividade. Esta análise poderá resultar em ações de otimização dos protocolos, adequação da agenda de

pacientes, a fim de buscar extrair a capacidade máxima dos recursos da instituição. Este avanço das soluções digitais para a gestão de ativos é impressionante. Aqui na GE, já oferecemos aos nossos clientes a possibililidade de acompanhar à distância o status dos seus equipamentos, monitorar as máquinas para evitar falhas indesejadas e poder em conjunto, planejar manutenções evitando perdas. E em 2018 trabalharemos para lançar um novo produto digital que permitirá aos clientes acessar e disseminar protocolos remotamente para toda a base de equipamentos de imagem, resultando em eficiência e produtividade. Cada vez mais nossos clientes buscam essas soluções no momento de adquirir um novo equipamento e é um diferencial para nós, já oferecer ferramentas como o iCenter e o OnWatch. Desta forma, além de colaborarem para a possibilidade de redução de custos e otimização de recursos, as soluções de gestão de ativos tem se tornado cada vez mais um pedido do mercado aos fornecedores, que estão se adaptando para oferecerem essas ferramentas em todo o seu portfólio, fazendo com que essas facilidades tornem-se essenciais na transformação que vem acontecendo no segmento da saúde.” Marina Viana Líder de Produto e Marketing de Serviços GE Healthcare América Latina

Quer divulgar a venda de algum produto, consulte-nos sobre anúncios econômicos Informe-se: comercial@interacaodiagnostica.com.br

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

13


MERCADO

Novo sistema de gestão do A.C.Camargo Cancer Center Com o objetivo de aprimorar os processos e promover maior eficiência operacional, o A.C.Camargo Cancer Center, Centro Integrado de Diagnóstico, Tratamento, Ensino e Pesquisa do Câncer, implantará um novo sistema de gestão e informação hospitalar. O software Tasy, da Philips, é o novo parceiro da Instituição para a gestão de informações relacionadas a prontuários eletrônicos, fluxo de pacientes, processos clínicos e banco de dados.

A

informatização dos processos promovida pelo Tasy trará ainda mais eficiência operacional para a Instituição. A gestão inteligente de processos clínicos, como realização de consultas, exames e aplicação de medicamentos, representará maior eficiência nas interações e ganhos no processo de segurança da informação. O software da Philips controla diversas etapas do processo de tratamento oncológico, que vão desde processos de enfermagem como o acolhimento do paciente e monitorização, as prescrições e cuidados médicos até os processos de farmácia como gestão

de ordens, diluição e dispensação de medicamentos, controle de estoque entre outros. Todo o fluxo de prontuário e prescrição da instituição passará a ser eletrônico e gerenciado pelo Tasy. A partir dele, médicos e profissionais de saúde poderão registrar todos os cuidados do paciente com mais agilidade e confiabilidade. “Nosso objetivo é implementar uma solução aderente às estratégias do Cancer Center, e que permita ampliar a eficiência e segurança de nossos processos operacionais e de suporte à assistência”, afirma Vivien Navarro Rosso, Superintendente Geral do A.C.Camargo Cancer Center. “Estamos entusiasmados em contribuir para que o A.C. Camargo siga sua reco-

nhecida trajetória na pesquisa, no ensino e no tratamento do Câncer. Essa parceria reafirma nossa intenção de atuar ao lado de instituições de saúde e profissionais para proporcionar acesso e atendimento à saúde de qualidade para milhões de pessoas todos os anos”, completa Renato Garcia Carvalho, CEO da Philips Brasil.

Sobre o A.C.Camargo Cancer Center Referência internacional em oncologia, o A.C.Camargo Cancer Center é um dos mais importantes centros especializados e integrados de diagnóstico, tratamento, ensino e pesquisa do câncer. A instituição provê

assistência integrada, de alta complexidade, humanizada e centrada nas necessidades e segurança dos pacientes, em todas as etapas, desde o diagnóstico até a reabilitação. No A.C.Camargo, médicos e cientistas atuam em conjunto no desenvolvimento de pesquisas que serão aplicadas no futuro da oncologia, resultando nas melhores alternativas terapêuticas e, consequentemente, no aumento dos índices de cura e de sobrevida do paciente. No Ensino, é a principal Instituição formadora de especialistas, residentes, mestres e doutores em oncologia do país, aptos a compartilhar o conhecimento e atuar no combate ao câncer em benefício de toda a sociedade.

Guerbet investe em soluções digitais para 2018 A empresa anunciou o lançamento do Contrast & Care®, uma nova injeção de mídia de contraste e solução de gerenciamento para centros de radiologia, durante a RSNA.

A

Guerbet, especialista mundial em produtos e soluções de contraste para imagens médicas, reforça sua experiência em acompanhar as tendências do mercado com o lançamento do Contrast & Care®, disponível para o comércio no início de 2018, que faz parte da estratégia da Guerbet para desenvolver um portfólio de soluções digitais para otimizar o atendimento e o gerenciamento de pacientes sob os cuidados dos profissionais de saúde. De acordo com Levi Cheng, diretor da Unidade de

14

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

Negócios de Soluções e Serviços de Imagens, o “Contrast & Care®” foi concebido pela Guerbet para melhorar a rastreabilidade e ajudar os profissionais de saúde que tomam decisões diariamente. “Com estas novas tecnologias digitais, a empresa completou suas ofertas integradas, de modo que os centros de radiologia possam fazer uso da maioria dos avanços tecnológicos disponíveis hoje”, comentou. O Contrast & Care® é uma solução de TI integrada que agrupa toda a informação relacionada aos exames que requerem a injeção de meios de contraste (mídia de contraste, injeção, protocolo, dados de pacientes, etc.) e que interage com sistemas de informação usados em radiologia, como o Sistema de Informação de Radiologia (RIS) ou o Arquivo de Imagem e Sistema de Comunicação (PACS). As informações geradas por injetores compatíveis são transmitidas automaticamente para a solução no final de cada

exame. Isso permite aos usuários visualizar o histórico de cada paciente, os exames com injeção que foram realizados e as doses de mídia de contraste administrada. O Contrast & Care também oferece a opção de revisão dos protocolos, criando bibliotecas e visualizando estatísticas e tendências em relação a atividade de injeção e uso de meios de contraste. A Guerbet é pioneira no campo do agente de contraste com mais de 90 anos de experiência e é um dos líderes em imagens médicas em todo o mundo. O Grupo oferece uma gama completa de produtos farmacêuticos, médicos dispositivos e serviços para scanners de raios-X (RX) e de Ressonância Magnética (MRI) e Radioterapia Terapêutica Intervencionista (IRT) para melhorar o diagnóstico e tratamento dos pacientes. Com 7% da sua receita dedicada à I & D e mais de 200 funcionários trabalhando em três centros na França e os Estados Unidos, a empresa investe fortemente em pesquisa e inovação.


ENTREVISTA Por Luiz Carlos de Almeida e Valeria Souza (SP)

Imagem diagnóstica agrega nova realidade ao dr.consulta Com planos de expansão para outras localidades, a rede de atendimento em saúde dr.consulta, que já dispõe de 45 centros de saúde em São Paulo, com um corpo clínico multiprofissional e se prepara para fechar o cerco, com uma bem equipada estrutura de exames de diagnóstico por imagem e laboratoriais. “Uma oferta de exames para atendimento integral ao paciente e uma estrutura digital eficiente, que integre os procedimentos e mantenha o paciente sob vigilância constante”.

S

egundo Marcos Fumio Koyama, vice-presidente médico do dr.consulta, a rede é uma empresa de impacto social que começou suas atividades em 2011, como alternativa para a população que não tinha acesso adequado a uma saúde de qualidade, seja na área pública ou privada. No início, atendia pacientes na comunidade de Heliópolis e, após um período de três anos, entendendo as dificuldades do paciente com a saúde pública e privada, desde a demora para atendimento no Sistema Único de Saúde, até a falta de acesso aos especialistas por usuários de planos de saúde, o dr.consulta foi pensado a partir de um modelo para atender as necessidades desse público. Priorizando como essas pessoas gostariam de ser tratadas, a rede dr.consulta, tornou-se opção viável para quem precisa de atendimento médico rápido, com qualidade e a um preço que cabe no orçamento. Nos últimos dois anos começou uma fase de expansão agregando médicos formados em centros de ensino universitários como a USP, Santa Casa, UNIFESP, que dedicam uma parte do seu tempo para esse projeto. “Usando várias formas de tecnologia para marcar consultas online, aplicativos no celular, que permitem fornecer esse nível de serviço rápido, fácil e acessível, que são três palavras que a gente realmente defende, para que a qualidade do atendimento médico possa ser levada para essas pessoas que sofrem muito no dia a dia, de uma forma simples”, explica Marcos Fumio, acrescentando que “a rede está expandindo, para estarmos cada vez mais presentes em locais de fácil acesso como metrô, shoppings centers, e lugares próximos a transporte público e ter essa comodidade que não encontram em outros serviços”.

Exames complementares, o novo foco Com 45 centros espalhados em toda São Paulo, com vários profissionais da saúde, o dr.consulta já oferece além das consultas médicas, uma lista de aproximadamente 1.200 exames, como mamografia, densitometria, raio-X, ultrassom, MAPA, Holter,

teste ergométrico, tomografia e ressonância, e ampliando a quantidade de serviços e procedimentos. Esperando resolver boa parte das questões que envolvem um paciente, seja aquela cirurgia simples, a consulta com especialista, conta com 56 especialidades, entre elas, neuropediatria, cardio-pediatria, reumatologia, que até o SUS tem dificuldades em oferecer, pois ainda são raras, e ajudam a enfrentar a maioria das questões que os pacientes precisam de um serviço de saúde.

O diagnóstico nos centros médicos “Cada vez mais temos colocado a parte de diagnóstico dentro dos nossos centros médicos para que os pacientes não tenham que se deslocar para um outro estabelecimento e fazer um raio-X, por exemplo. Queremos que o paciente tenha o mínimo de deslocamento para facilitar a sua vida e, por isso, estamos colocando os equipamentos próximos dele”, informa Fumio. Segundo o vice-presidente médico, o dr.consulta está investindo em centros especializados para atendimento e tratamento em oftalmologia e saúde da mulher, que conta com exames de densitometria, mamografia e ultrassom, em uma unidade com layout, desenho específico e mobiliário exclusivo para o público feminino. “Está previsto a ampliação e diversificação desses centros temáticos especializados em toda a rede, pois nosso objetivo é estar sempre perto da casa e do trabalho das pessoas, para facilitar a sua vida. Nesse modelo de trabalho, além do paciente conseguir marcar uma consulta ou um exame rapidamente, de forma acessível e simples, é importante que avalie o médico. O profissional é mais valorizado pela relação médico-paciente efetiva e satisfatória, contribuindo para a evolução da sua carreira dentro do dr.consulta, que defende o humanismo na saúde, desburocratizando a rotina médica, liberando o médico dessa carga de trabalho para que ele possa se dedicar só e tão somente ao paciente. A empresa defende essa valorização da relação médico-paciente num formato tecnológico e atualizado, ou seja, um resgate da valorização desse encontro entre paciente e médico para que

ele possa se dedicar integralmente para o paciente sem perder tempo com as outras coisas que envolvem o processo assistencial.

controlados, sem perder a qualidade e a acessibilidade, mesmo nesse momento de crise e dificuldades.

Um resgate do médico de família

Centro de Diagnóstico por Imagem

Para isso oferece suporte por meio de Para um melhor atendimento da demanda por exames de imagem, essenciais prontuário eletrônico desenvolvido com a para suporte ao diagnóstico, a rede conta opinião dos próprios médicos, que customizaram as telas; os dados dos pacientes estão em sua estrutura com equipamentos dotados integrados em um único histórico; tem os de tecnologia digital, sendo três máquinas guidelines, que são os protocolos médicos de ressonância magnética, cinco aparelhos dentro do sistema, atualmente em 120, para de tomografia, três mamógrafos digitais e maior agilidade e segurança nas condutas, de radiologia, suprindo as exigências do totalmente automatizado, para liberar tempo corpo clínico qualificado, para oferecerem na consulta e conversar mais com o paciente, o melhor para o paciente. seguindo as diretrizes e a filosofia do médico Segundo Fumio, é preciso acompanhar da família. esse alto nível de qualidade, portanto, a Graças a essa tecnologia todos os dados empresa só trabalha com grandes fabricantes clínicos do paciente, inclusive os exames lade equipamentos, que tem suas marcas reboratoriais e de radiologia, estão acessíveis, conhecidas no âmbito mundial e preferência e situações complicadas ou dos hospitais de primeira casos crônicos de diabetes, linha que priorizam o benefício ao paciente. cardiopatias, hipertensão, Para o vice-presidevem se beneficiar da gestão de pacientes crônicos, dente médico, que marcou presença em um dos conduzida por uma equipe maiores congressos do multiprofissional, para mundo, o RSNA´2017, que esse paciente consiga em Chicago, que reúne melhorar e resolver o problema de saúde e controlar os lançamentos das novas de uma forma efetiva ao tecnologias e apresenta as longo do tempo. principais novidades da Com esse processo área de imagem, “é essencial para a consolidação de melhoria contínua, o do projeto do Centro de dr.consulta consegue iden- Dr. Marcos Fumio - vice-presidente médico do dr.consulta tificar os pontos que não Diagnóstico, pois nesses estão bons e lançar versões melhores para o fóruns de grande visibilidade e importância paciente, para o médico e podendo praticar é onde se busca os equipamentos que aliam um serviço acessível e com um diferencial, qualidade e produtividade para acompanhar não só na parte de diagnóstico, mas também o ritmo da empresa e, para isso, conta com na parte de tratamento. Atualmente, já tem os grandes parceiros internacionais padrão 150 cirurgias (catarata, pedra na vesícula, Word Class, para trazer serviços com a devida e uma série de procedimentos cirúrgicos qualidade e benefício ao paciente. De acordo mais simples) negociadas com os hospitais com o executivo “tudo que tiver alinhado parceiros, onde o paciente tem uma série de a isso a gente quer incorporar e adquirir e condições especiais. oferecer isso sempre focando no médico e Assim, o dr.consulta não é só consulta, no paciente, porque eu acho que a saúde é também, exames e tratamentos de média e brasileira sofreu tanto até hoje, e a gente baixa complexidade, que se resolve de uma quer ser diferente, quer ser transformador, forma simples e cômoda. Outra questão é a não queremos mais do mesmo, mas inovar preocupação com os custos, mantendo-os trazendo esse benefício para os pacientes”.

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

15


DESTAQUE Por Luiz Carlos de Almeida e Cols (SP)

A RM 3D fetal nos casos de difícil diagnóstico O ano de 2017, mais uma vez, marcou expressiva participação brasileira no evento do RSNA, a começar pelo homengem ao dr. Renato Adam Mendonça, a quem foi concedido o titulo de membro honorário, a expressiva participação e premiação de brasileiros com trabalhos paineis científicos, e, também, o reconhecimento da qualidade dos trabalhos que aqui se realizam

E

sse crescimento do Brasil dentro do RSNA tem muito a ver com o empenho da SPR, através de sucessivas diretorias, em promover uma aproximação com a entidade, tanto que neste ano de 2018, mais uma vez, a JPR será realizada em conjunto, de 3 a 6 de maio, com o tema central focado na Educação. Ao falar em reconhecimento, nos referimos a entrevista/artigo publicada no Daily Bulletin, o informativo diário, distribuido no evento, que dedica grande materia sobre a experiência do dr. Heron Werner, com MRI 3D fetal. Mostra o nível de desenvolvimento da especialidade no Brasil, reconhecida como uma das melhores. De autoria da jornalista Jennifer Alyyn, o artigo aborda o papel da MRI Fetal 3D, comparando-a com o US 3D, enumerando as vantagens, quando alterações de dificil diagnóstico são descobertas durante o ultra-som 3-D no terceiro trimestre da gravidez. O especialista mostra que muitos radiologistas estão se voltando para a ressonância magnética 3-D para a exploração anatomopatológica do feto e para apoiar as decisões desse diagnóstico. Esse foco na qualidade não defende o uso rotineiro durante o pre-natal do método, mas reconhece que a “ressonância magnética 3-D oferece excelente contraste de tecido e é uma segunda avaliação em casos difíceis ou para reforçar o diagnóstico” enfatiza o dr. Heron Werner.

16

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

“O exame de ultrassom é o principal de máxima foram reconstruídas e o saco método de avaliação fetal, enquanto a gestacional foi segmentado manualmente. ressonância magnética é complementar na As imagens foram então renderizadas em medida em que é uma técnica de diagnósvolume e o líquido amniótico foi removido por técnicas de limiar”. tico que pode fornecer imagens ma precisas Conclui o autor, que “para condições do corpo humano, e o seu grande campo genéticas raras, malde visão permite a reconstrução 3-D de formações complexas todo o corpo fetal, ou mesmo no caso permitindo que os de gêmeos ou triradiologistas identigêmeos, a RM 3-D ajuda o médicos a fiquem alguns fenóentender as caractetipos de diferentes síndromes, como crarísticas anatômicas do feto. A MRI 3-D niossinostose, fissutambém ajuda duranra labial, redução de membros, síndrome te discussões multide Beckwith-Wiededisciplinares entre médicos que podem mann, gêmeos unidos inicialmente diferir e outros”, exemplifica Dr. Heron Werner da Clínica CDPI do Rio. no diagnóstico ou a o médico. urgência da condição”. O entrevistado, que está ligado a cliniO dr. Heron Werner prevê que a resca de referência no Rio de Janeiro, enfatiza o papel complementar da RM 3D, inforsonância magnética 3-D será mais benéfica para os pais, ajudando-os a visualizar o mando que de setembro de 2009 a dezembebê por nascer e os desafios que o bebê bro de 2016, 52 fetos foram selecionados de pode enfrentar depois que ele nasceu. “É casos avaliados por malformações externas. uma coisa dizer a um pai que seu bebê tem As anormalidades morfológicas foram um tumor ou uma anormalidade grave, mas criadas pela 3-D e as varreduras digitais é outra coisa poder mostrá-los”, resumiu 3-D foram realizadas transabdominalmente o Dr. Werner. “A MRI 3-D pode ajudar o utilizando sondas de alta resolução com médico e os pais a entender o prognóstico imagens harmônicas, enquanto a MRI era das anormalidades fetais e ajudar a facilitar um scanner de 1.5-T com bobina corporal. as decisões de tratamento”. (Fonte Daily As imagens 3-D foram pós-processaBulletin – RSNA´2017- 27 de novembro). das. As imagens de projeção de intensida-

Congresso do CBR será no Rio em 2018 O Rio de Janeiro sediará o 48º Congresso Brasileiro de Radiologia, previsto para o período 11 a 13 de outubro, numa realização do Colégio Brasileiro de Radiologia, com o suporte da Associação de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do Rio de Janeiro, presidida pelo dr. Leonardo Kayat. A Comissão Científica do CBR já está elaborando a programação científica e os objetivos mostram que o sucesso obtido no ano de 2017, deve ser uma meta a ser mantida. Em Curitiba, o evento teve uma expressiva participação, as salas sempre lotadas, o temário foi muito elogiado e o formato, de um modo geral atendeu a todas as expectativas. Algumas iniciativas, como os cursos de hands on de ultrassonografia, os cursos Prof. Manoel Rocha intensivos, os simpósios serão mantidas e o temário valorizado ainda mais, embora as aulas tenham sido muito elogiadas, despertando grande interesse nos presentes. Inovações, como Maratona de Residentes e o Concurso de Fotografia agregaram outros profissionais que buscam no evento não apenas o conhecimento científico. Outro grande ponto de motivação, conforme avalia o prof. Manoel de Souza Rocha, presidente do CBR, foi a realização da prova para titulo de especialista do CBR antecedendo ao inicio do evento. Foi um retorno, que trouxe um novo valor ao evento, agregando uma geração de novos profissionais, interessados na obtenção do documento. Professores convidados do Exterior e do Brasil já foram contatados, e as parcerias que o CBR mantém com instituições internacionais estão sugerindo e indicando temas e nomes que, por certo, serão de grande interesse.


PREVENÇÃO Da Redação

Cobertura mamográfica em São Paulo é insuficiente Pesquisa revela que menos de 30% das mulheres do Estado de São Paulo na faixa etária indicada pelo governo realizou a mamografia. Os números mostram que os atendimentos às pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda estão longe do aceitável.

O

estudo realizado por pesquisadores da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa constatou que a cobertura mamográfica em 2016 de mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos que residem no estado foi de 28,6%, ou seja, bem abaixo dos 70% recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Passado o Outubro Rosa, a SBM faz o alerta sobre

esse cenário na maior estado da federação do país, alertando que a preocupação com o tema deve ser o ano todo. De acordo com o presidente da SBM, Antônio Frasson, a maior dificuldade para conseguir realizar a mamografia e iniciar o tratamento quando existe uma queixa mamária ainda é a falta de acesso. “Se em São Paulo que é o estado mais desenvolvido do país há essas dificuldades, o que podemos esperar de outras regiões mais carentes e longínquas desse país com dimensões continentais?”, indaga o presidente. Segundo Frasson, a preocupação constante com o desenvolvimento de novas estratégias diagnósticas e terapêuticas infelizmente deixa de ser aplicada em nosso país pela falta de acesso e de recursos. A distância entre o conhecimento e a sua utilização para o bem de pacientes oncológicos é cada vez maior. “Trabalhamos em prol da população brasileira, especialmente

as mulheres. Nosso objecâncer de mama de acordo tivo é sempre oferecer o com as necessidades de melhor atendimento, mas cada paciente, adequando para isso elas precisam ter a tendência de reduzir a acesso. Se não estão tendo extensão do tratamento é preciso lutar por isso. sempre que for possível, Os direitos delas também tanto do ponto de vista da são a nossa luta”, afirma o cirurgia quanto da quimioterapia e radioterapia, vem mastologista. sendo muito debatida com Frasson lembra que o os especialistas da área, papel da SBM é ajudar na tentando buscar caminhos conscientização da mulher para um atendimento mais sobre a importância de se eficiente. cuidar, disseminando informação qualificada. “Não Dr. Antonio Frasson, presidente da “São temas de extrema Sociedade Brasileira de Mastologia podemos de forma alguma importância para a qualidade de vida das pacientes”, lembra. O avanço ignorar os altos índices de casos e óbitos por da avaliação genética dos tumores e as teraconta da doença. Isso é uma realidade que pias personalizadas de acordo com cada perprecisa ser considerada”, diz o presidente. fil genético do câncer estão trazendo novos Destaca, também, o dr. Antonio Frasson, caminhos na luta com o câncer de mama.” que “a personalização do tratamento do

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

17


EVENTOS

A Imagem na prática diária, a Inovação e a Radiologia do Futuro

O

IMAGINE ´2018 - XVI Congresso de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do InRad-HCFMUSP será realizado no período de 15 a 17 de março, no Centro de Treinamento da instituição, num formato mais compacto, com sessões de hands on e demonstrações práticas. Durante três dias, os participantes terão contato com temas de grande interesse, focados na rotina do Hospital das Clinicas e de convidados de centros de referência, valorizando o caráter multidisciplinar da especialidade. Mais compacto, o evento – que será realizado em parceria com a Manole Cultural – terá inscrições presenciais e conteúdo on line, para facilitar o acesso à distância dos interessados, em especial ex-alunos e ex-estagiarios. A comissão organizadora, formada pelos profs. Giovanni Guido Cerri, Claudia da Costa Leite, Maria Cristina Chammas e Eloisa Maria Mello Santiago Gebrim, está introduzindo diversas modificações na estrutura do evento, na exposição comercial, ampliando o seu caráter de atualização com temas da prática

diária, com aspectos importantes da inovação, dos avanços tecnológicos e das novas conquistas da especialidade. A Radiologia do futuro, gestão e inovações como a Inteligência Artificial, Impressão 3D e outras conquistas, serão abordadas por especialistas do InRad e convidados. Mas, as novidades não param e o formato mais compacto será suplementado pelo conteúdo on line. Um módulo exclusivo de Densitometria Óssea; dois períodos inteiros dedicados para o módulo de Medicina Nuclear; Inovação tecnológica para o módulo de Multiprofissionais; transmissão ao vivo do Congresso e flexibilidade na participação: presencial e on-line, são algumas dessas novas atrações. Cerca de 1.200 participantes no ano de 2017, oriundos de todos os estados do país, tiveram acesso ao evento, que mobilizou mais de 200 profissionais, como médicos, residentes, técnicos, tecnólogos de RX e enfermeiros, biomédicos, gestores e engenheiros clínicos e hospitalares, entre outros interessados. Mais informações no site Imagine2018.com.br ou pelo telefone 11 2661-7057, e email: centro.estudos@hc.fm.usp.br.

Transformando a Educação na Radiologia

D

e 3 a 6 de maio de l918, a Sociedade Paulista de Radiologia realizará a Jornada Paulista de Radiologia, no Transamerica Expo Center, em parceria com a Radiological Society of North America, com um tema “transformando a Educação na Radiologia”. Cerca de 35 convidados estrangeiros, dos Estados Unidos em sua maioria, já tem presença confirmada, como os profs.Aytekim Oto, de Abdomen, Ilona Schmalfess, de Cabeça e Pescoço, Harold Litt, em Cardiovascular, Jeff C. Weureb, em Educação e Iniciação à Pesquisa, Andrea G. Rochell, em Imagem da Mulher, Marc Kohl, em Informatica em Radiologia, Anne G. Roberts, em Intervenção guiada pela Imagem, que ao lado de nomes conhecidos, de indiscutível competência, como os profs. Mauricio Castillo, George Bisset III, Marylin Siegel, e Valerie Jackson, estarão trazendo os principais avanços da especialidade.

Paineis, temas livres, uma mostra da produção cientifica Os interessados em apresentar trabalhos nos formatos de painéis e temas livres tem até o dia 8 de janeiro para submete-los para avaliação à Comissão, e as informações e o regulamento podem ser obtidos no site da jpr.org.br.

18

DEZ 2017 / JAN 2018 nº 101

Expediente Interação Diagnóstica é uma pu­bli­ca­ção de circulação nacional des­ti­n a­d a a médicos e demais profissio­n ais que atu­am na área do diag­nóstico por imagem, espe­cia­ listas corre­lacionados, nas áreas de or­to­pe­dia, uro­logia, mastologia, gineco-obstetrícia. Conselho Editorial Sidney de Souza Almeida (In Memorian), Alice Brandão, André Scatigno Neto, Carlos A. Buchpiguel, Carlos Eduardo Rochite, Dolores Bustelo, Hilton Augusto Koch, Lara Alexandre Brandão, Maria Cristina Chammas, Nelson Fortes Ferreira, Nelson M. G. Caserta, Rubens Schwartz, Omar Gemha Taha, Selma de Pace Bauab e Wilson Mathias Jr. Consultores informais para assuntos médicos. Sem responsabilidade editorial, trabalhista ou comercial. Jornalista responsável Luiz Carlos de Almeida - Mtb 9313 Redação Alice Klein (RS), Daniela Nahas (MG), Lizandra M. Almeida (SP), Claudia Casanova (SP), Valeria Souza (SP), Lucila Villaça (SP) e Mariana Ferreira (SP) Tradução: Fernando Effori de Mello Arte: Marca D’Água Fotos: André Santos, Cleber de Paula, Henrique Huber e Lucas Uebel Imagens da capa: Getty Images Administração/Comercial: Sabrina Silveira Impressão: Meltingcolor Periodicidade: Bimestral Tiragem: 12 mil exemplares impressos e 35 mil via e-mail Edição: ID Editorial Ltda. Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2050 - cj.108A São Paulo - 01318-002 - tel.: (11) 3285-1444 Registrado no INPI - Instituto Nacional da Pro­prie­dade Industrial. O Jornal ID - Interação Diagnóstica - não se responsabiliza pelo conteúdo das men­sagens publicitárias e os ar­tigos assinados são de inteira respon­sa­bi­lidade de seus respectivos autores. E-mail: id@interacaodiagnostica.com.br


DEZ 2017 / JAN 2018 nยบ 101

19


20

DEZ 2017 / JAN 2018 nยบ 101

Jornal Interação Diagnóstica #101 Dez/Jan 2018  
Jornal Interação Diagnóstica #101 Dez/Jan 2018