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OUTUBRO / NOVEMBRO DE 2017 - ANO 16 - Nº 100

A Ultrassonografia avança, luta contra a má remuneração e com a qualificação

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om números que surpreendem, e as estimativas mostram que cerca de 60 mil profissionais, em todo o País, exercem essa atividade, seja como tarefa principal ou apenas complementar, a Ultrassonografia é presença obrigatória na rotina médica dos planos de saúde e dos hospitais. Em dois grandes eventos, o Congresso do CBR, de 12 a 14, em Curitiba, e o Congresso da SBUS, de 19 a 21 em São Paulo, a programação dedica

Prof. Wilson Mathias Jr.

Dra. Maria Cristina Chammas Dra. Lilian Lopes

expressiva porcentagem de temas para atualização em ultrassonografia. Todo este esforço, no entanto, não tem a necessária contrapar-

Dra. Rossana Pulcineli

tida e os esforços em formação e atualização na atingem a maioria dos profissionais, como mostra pesquisa realizada pela Fatesa/ EURP, de Ribeirão Preto, e nas

Prof. Francisco Mauad Filho

entrevistas com grandes especialistas da área que publicamos nesta edição. Da Ecocardiografia, à Ginecologia e Obstetrícia e a Medicina

Interna, a ultrassonografia só evolui, com novos aparelhos, cada vez mais sofisticados, dos mais diversos modelos e tamanhos. Entretanto, a qualificação e a remuneração na acompanham na mesma proporção. O Brasil desfruta de grande respeitabilidade internacional na área de ultrassonografia, contribuindo para o aperfeiçoamento da técnica, com grandes avanços na área de contraste por microbolhas, por exemplo. Veja nesta edição: págs. 6 e 7, págs. 14 e 16. Confira.

O médico do futuro, a tecnologia e a inteligência artificial

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melhora técnica dos métodos de imagem, produzindo altas resoluções, riqueza de detalhes sem precendentes, mudou a formatação dos Departamentos de Imagem e criou níveis de exigência e de complexidade nunca pensados. Como preparar o médico para esses novos desafios, como motivar o jovem médico a se integrar nessa nova realidade, convivendo com tanta informação, são os questionamentos principais. As instituições estão mobilizadas, estão se equipando cada vez mais, buscando na tecnologia reduzir custos, aprimorar métodos e vencer as barrreiras impostas pelo digital. No momento do fechamento da edição o ID Interação Diagnostica, comemorando sua 100ª edição, promoveu uma reunião para discutir o tema “A Inteligência Artificial e a Radiologia do Amanhã”, com a participação do médico e consultor, dr. Augusto Antunes. Ele escreve uma previa do seu pensamento na pag. 5, desta edição. Vale conferir, também, nas paginas 14 e 15, matéria sobre o papel dos Mentores na formação dos médicos, como especialistas ou na preparação para a vida.

Outubro Rosa, para lembrar da prevenção

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ela seriedade de propósitos, pela sua longevidade, o Programa de Controle de Qualidade em Mamografia do CBR é digno de todos os elogios. Ele insere o principio de que o profissional deve estar bem qualificado para a realização do diagnostico, e aquele que necessita desse exame,

Dra. Linei Urban

deve receber resultados de qualidade. Nesta edição, no momento em que todos os que estão envolvidos como diagnóstico precoce, com o exame de qualidade e com a boa conduta estarão mobilizados, a dra. Linei Urban faz uma análise do momento, dos rumos e dos resultados obtidos. Pag. 5

SPR comemora 50 anos e já prepara JPR´2018 com a RSNA Na pág. 8, entrevista com o dr. Carlos Homsi, novo presidente da SPR, que fala sobre o sucesso da entidade, os 50 anos de trabaho e os planos para o próximo evento, que será em parceria com a Radiologica Society of North America. O contrato entre as duas entidades foi prorrogado até 2024.

Application: temas de grande intresse Nesta edição, com temas de grande interesse, enviados pelos serviços de imagem de Fleury Diagnóstico, Unifesp, Hospital Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Universitário - Unicamp e InCor - Instituto do Coração, trazemos temas de grande interesse.


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EDITORIAL Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

Os desafios da Inteligência Artificial

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recisaremos nos adaptar à Inteligência Artificial, deixando as tarefas mecânicas e demoradas para as máquinas, e nos dedicando às tarefas cognitivamente mais elaboradas. Acima de tudo também prover nossos pacientes com o “toque humano”. Duas frases e grandes desafios para a Radiologia do Amanhã. Os avanços tecnológicos criam facilidades, agilizam procedimentos e aperfeiçoam a acurácia, mas, também acentuam os abismos, as diferenças, e marcam os territórios com maior precisão quando faltam recursos, quando há intensa diversidade econômica e cultural. Com esses questionamentos, principalmente nos países mais pobres, nos mais desorganizados, como o nosso, onde a Saúde Pública é questionada desde a recepção, com funcionários despreparados, má

gestão, vícios de conduta, e muito mais, nos assombra esse futuro tão próximo. Os computadores programados para aprender com a transferência do papel humano para o algoritmo, gerando representações e fazendo relações que nos levem a diversos graus de acurácia e sensibilidade, trarão uma nova realidade e uma grande questão: e o humano como fica? Para a Medicina, onde o toque humano, o contato, a empatia são atributos que agregam eficiência, produzem alterações na postura e na conduta, esse novo jogo, entre a máquina e o homem, carrega desafios ainda imponderáveis.

O assunto está na moda. Neste setembro que termina, grandes eventos foram promovidos, seja por instituições como o Grupo Estado, como o Colégio Brasileiro de Radiologia e, mais recentemente, o Hospital Sírio Libanês, para discutir o futuro, seja da ciência como um todo, da imagem ou do jovem médico. Tantas frentes reforçam esta complexidade de fatores. Um País, como o nosso, onde se criou a cultura do pedir exames se não o paciente não fica satisfeito, acha que não foi bem atendido; onde ir ao médico é quase uma obrigação, o assunto tem que ser bem amadurecido. O ID Interação Diagnóstica chega a sua 100ª edição. Nesse País de tanta desigualdade, de relevante contrariedade com os padrões de ética e de compromisso, é quase uma vitória. É vencer desafios todos os dias, e se tem alguma missão, esses ficam ainda maiores. Comemorar? Não é esse o termo. Registrar, para mostrar que o papel da informação de qualidade é ainda a mola mestra da ciência, da ciência médica, na contramão dos instrumentos sociais que proliferam no mundo. Atos sem compromisso, sem medir as consequências, e que estão se tornando a regra ao invés da exceção. Uma edição enigmática: no mês de outubro, quando estaremos circulando, Curitiba celebrará o Congresso Brasileiro de Radiologia, São Paulo, o Congresso da SBUS, e o período dedicado ao marketing da prevenção do câncer de mama. E, justamente o câncer de mama, que mexe tanto com a sensibilidade feminina, com as estruturas da família, dos amigos, gera “custos” para o governo, como será que a I.A. vai lidar com os fatores emocionais? Como conciliar todas essas informações, estes momentos, e procurar oferecer o que há de possível, na intenção do melhor. É a luta de um informativo que vive a 16 anos, que circula para mais de 30 mil médicos e que trabalha para mostrar o que há de melhor no País. O ID Interação Diagnóstica não é apenas um jornal, é também uma confraria, onde pessoas que pensam igual, empresas que acreditam no melhor, somam esforços e proporcionam a sua sobrevivência, de conteúdo e fisicamente. Chegar a 100ª edição acentua esse compromisso e nos motiva a agradecer a todos que colaboram, nossos membros do Conselho Editorial, Articulistas, Entrevistados, Gerentes de Marketing, Assessores e a nossa modesta, mas empenhada equipe que faz das “tripas coração”, pois, não temos ainda a Inteligência Artificial que escreva, entreviste, revise e edite o jornal. A Radiologia do amanhã será tão boa quanto a atual? Ninguém pode se fechar ao novo. O mundo digital está aí, com todas as suas inovações que mudaram o nosso modo de ver, tiraram um pouco do romantismo, mas, trouxeram outros confortos. O que nos resta é esperar.

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O BIMESTRE Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

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ão Paulo – Rede de atenção Oncológica é tema de tese na FMUSP – Apoiada na sua experiência no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, onde teve papel relevante na implantação da rede de atenção oncológica “Hebe Camargo”, a dra. Marisa Madi, diretora executiva do InRad submeteu-se a concurso para obtenção do titulo de doutor em ciências, na Faculdade de Medicina da USP. A tese, intitulada “O estabelecimento de uma rede de atenção oncológica: análise da estrutura de serviços habilitados”, resgata parte dessa atuação à frente, na oportunidade, da diretoria executiva do ICESP e traz grande contribuição para os que atuam na área, mostrando o papel da rede Hebe Camargo desses serviços. Ao definir seus objetivos, dra. Marisa Madi mostra a relevância do problema do câncer, hoje item obrigatório na agenda dos gestores de saúde, “provocando-os a pensar em novos modelos de organização do sistema, a criar estruturas integradas às redes de atenção à saúde no SUS, onde a população e suas necessidades determinam a oferta e a prestação de serviços especializados” A rede oncológica do estado de São Paulo, que leva o nome da apresentadora Hebe Camargo, é uma mostra bem sucedida desses projetos, e sua implantação

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vem ocorrendo de acordo com as Portarias ministeriais que determinam os critérios de atendimento. A partir de 2011, passou a contar com uma estrutura de governan-

Em seus objetivos, dra Marisa Madi enfatiza que o “estudo da rede oncológica do Sistema Único de Saúde no estado de São Paulo, que envolveu visita a 72 hospitais,

Dra. Marisa Madi ladeada, a partir da esquerda pelos profs. Marcelo Tati Sapienza, Linamara R. Batistela, Alvaro Escrivão Jr. e Giovanni G. Cerri.

ça composta por um comitê de referência técnico-científico com participação dos especialistas dos serviços habilitados de maior representatividade e coordenado pelo ICESP, como apoio ao gestor estadual.

ão Paulo – Novos editores na área da Cardiologia – Dois dos principais veículos da área de cardiologia tem novos editores-chefe. A Arquivos Brasileiros de Cardiologia acaba de eleger – num rigoroso processo de seleção, o dr. Carlos Eduardo Rochitte, diretor do Serviço de Imagem Cardiológica do Instituto do Coração, para editor-chefe. Com grande experiência na área do diagnóstico Dr. Carlos Eduardo Rochitte por imagem e, reconhecidamente, responsável por intensos trabalhos de pesquisa, atualização e valorização da imagem na Cardiologia. O International Journal of Cardiovascular Sciences terá como editor-chefe o dr. Claudio Tinoco Mesquita, especialista reconhecido internacionalmente e que dará, sem duvida, expressiva colaboração para o desenvolvimento da especialidade.

mobilizou 22 profissionais da Secretaria da Saúde e do Instituto do Câncer (ICESP), com uma taxa de retorno de 96%, promovendo uma intensa análise da estrutura da rede instalada e habilitada para tratamento do

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ecife – Em versos, a história dos “Mosqueteiros da Ultrassonografia” – Marcada por muitas homenagens, muita descontração – que é uma das marcas dos parceiros pernambucanos – a começar pelo poema em cordel, que auxiliou na divulgação do evento, a Jornada Pernambucana de Ultrassonografia e o Simpósio Hispano Luso Brasileiro de Medicina Fetal, realizados em Recife, em agosto, reuniu especialistas reconhecidos internacionalmente, como Jader Cruz, radicado em Portugal, Eduardo Gratacós, da Espanha, Adilson Cunha Ferreira, São Paulo, Clodoaldo Cadete, Bahia, Waldemar Naves do Amaral, Goias e Evaldo Trajano, Distrito Federal. Se o conteúdo da programação cientifica foi muito bom, as homenagens superaram as expectativas: três ícones da ultrassonografia, Luiz Eduardo Machado, Luiz Antonio Bailão e Fernando Bonilla Mussoles, marcaram presença, distribuíram conhecimento e experiência, e receberam da filial da SBUS de Pernambuco, presidida pelo incansável Pedro Pires, diversas honrarias. Um reconhecimento à historia e contribuição desses especialistas para o engrandecimento da ultrassonografia mundial, homenageados com placas comemorativas, com os versos feitos pelo poeta popular Dedé Monteiro, da cidade de Tabira, relatando feitos desses três mosqueteiros da ultrassonografia.

Homenagem póstuma Em sua palestra sobre US do Ducto venoso, na Jornada de US em Recife, o dr. Luiz Antonio Bailão abriu espaço para uma homenagem póstuma ao dr. Carlos Murta, falecido recentemente.

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ão Paulo – Os desafios do setor saúde – Pautas de grande interesse para o desenvolvimento sustentável do setor, movimentaram O 2º Congresso Internacional de Gestão em Saúde, promovido pela ABRAMED, que reuniu em agosto, na capital paulista importantes líderes da saúde no Brasil. O congresso da ABRAMED – Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica, que tem a frente a dra. Claudia Cohn e o radiologista Conrado Cavalcanti, como vice presidente, contou com a participação de mais de 300 lideranças da saúde no Brasil que discutiram temas relevantes da área como sustentabilidade na prescrição e utilização de exames diagnósticos, incorporação tecnológica e compliance. Para a dra. Claudia Cohn, presidente da ABRAMED, “o diálogo entre os setores da saúde pública e da saúde suplementar é um grande desafio, e tem por objetivo reunir e conciliar a agenda

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câncer. O trabalho detecta as características quanto ao perfil e distribuição dos estabelecimentos, elenca os serviços disponíveis, estabelece a produção mínima anual para a manutenção de níveis de excelência, e define os índices de utilização da capacidade de produção frente às necessidades epidemiológicas e a produtividade nas modalidades de tratamento oncológico, a saber, cirurgias oncológicas, procedimentos de quimioterapia e radioterapia.” Os números mostram que, de acordo com o CNES, em abril de 2013 estavam habilitados 72 estabelecimentos para atendimento de oncologia no SUS. Pelo critério populacional, o estado possuía 1 serviço habilitado para cada 581.961 habitantes, distribuídos de forma desigual pelas 17 RRAS. Conclui a dra. Marisa Madi, em sua tese, que “a rede instalada apresentava estrutura e tamanho suficiente para atender a demanda de casos novos de câncer, porém havia diferenças regionais e ampla variação de produtividade entre os serviços, o que provavelmente impactava no acesso dos pacientes, promovia a criação de filas de espera ao mesmo tempo em que havia serviços com ociosidade das instalações”. Na foto, a dra. Marisa Madi, e os profs. Alvaro Escrivão Jr., Linamara Rizzo Batistela, Marcelo Tati Sapienza e Giovanni Guido Cerri, orientador.

Dra. Claudia Cohn, ladeada pelo secretário David Uip e pelo dr. Conrado Cavalcanti.

Pedro Pires entrega láurea a Bonilla-Mussoles em ato que reuniu Luiz Eduardo Machado e Luiz Antonio Bailão, em Recife.

de todos estes profissionais que atuam de forma ativa e decisiva no setor para a busca de melhores soluções dos problemas, sejam os regulatórios, tributários e de modelos não sustentáveis. Davi Uip, Secretário de Saúde de São Paulo ao abrir os trabalhos falou sobre o impacto da crise econômica vivida pelo Brasil na área da saúde e abordou a questão do alto custo de manutenção dos hospitais, das parcerias público-privadas para a central de exames diagnósticos, que é uma novidade, e da judicialização da saúde. “A saúde no Brasil atua com base em um modelo hospitalocêntrico, ou seja, não existe um programa estruturado de prevenção, trata-se a doença, que tem um custo muito mais alto”. A segunda edição do congresso da ABRAMED além da reunião de lideranças, com palestras e mesas de discussões, encerrou sua programação com Carlos Alberto Sardenberg e Merval Pereira.


PONTO DE VISTA Por Dra. Linei Urban* (PR)

Refletindo sobre o mês de outubro: as rosas não falam, mas sofrem...

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A medicina mudou muito nos últimos anos. Deixou o modelo tradicional, onde existem tratamentos direcionados para cada doença, para um modelo personalizado, no qual existe um tratamento específico para cada indivíduo. A incorporação do perfil molecular e genético na última edição do TNM de câncer de mama representou uma linha divisória tanto na terapia quanto na pesquisa do câncer. E este avanço servirá de modelo para outras áreas da oncologia.

classificação histológica convencional do câncer de mama, que norteou o tratamento por muitos anos, ficou ultrapassada. A pesquisa clínica e a epidemiologia dependem agora não apenas de características clínico-patológicas, mas de uma melhor compreensão do comportamento molecular e genético. E os subtipos moleculares podem ser resumidos da seguinte forma: (i) câncer de mama com perfil de expressão luminal A, reminiscente de células mamárias de linhagem luminal, com comportamento clínico indolente e sensibilidade ao tratamento endócrino; (ii) luminal B, com agressividade maior em comparação com o luminal A devido a sua velocidade de duplicação tumoral e sensibilidade endócrina reduzida; (iii) HER2, associada à amplificação do gene HER2/ErbB2; e (iv) triplo negativo, associado à forte expressão do marcador epitelial basal, bem como a negatividade dos receptores hormonais e HER2, altos níveis de proliferação celular. E dentro de cada subtipo destes existem outros tantos sub-subtipos, com comportamentos clínicos distintos, que

com certeza ainda iremos conhecer. E a radiologia mamária tem acompanhado todos estes avanços da oncologia. Desde o surgimento da mamografia na década de 1960, ao avanço com a mamografia digital, tomossíntese mamária, mamografia espectral com contraste, ultrassom automatizado 3D, à ressonância magnética com perfusão e protocolos ultra-rápidos, imagem molecular e o PET-CT dedicado a mama, são alguns dos exemplos desta jornada impressionante com destino ao Dra. Linei Urban que hoje conhecemos como oncologia mamária personalizada. Paralelo a isto, as notícias não são tão boas. A incidência global de câncer de mama e a mortalidade continuam aumentando em muitos países. Em 2012, foram 1,67 milhões novos casos e 520 mil de mortes relacionadas ao câncer de mama. Mais da metade dos novos casos e mais 60% das

mortes ocorreram em países menos desenvolvidos. A relação mortalidade/incidência por câncer de mama (M/I) para as regiões menos desenvolvidas é 0,37, em comparação com 0,20 para regiões mais desenvolvidas. E essa diferença pode ser explicada. Somente nos Estado Unidos, houve uma queda de 30% na mortalidade pela doença desde 1990, quando foram iniciados os programas de rastreamento. Na Europa, alguns países, como a Suécia, registraram uma redução de 36% na mortalidade em comparação com a era pré-rastreamento, enquanto outros, como a Noruega, demonstraram uma redução de 10% relacionada somente com o rastreamento. Já nos países menos desenvolvidos, que não possuem programas de rastreamento organizados, não foi observada redução na mortalidade. E os sistemas de saúde desses países estão enfrentando

grandes dificuldades para responder ao aumento da morbidade, da mortalidade e dos custos sociais e econômicos do câncer de mama diagnosticado, na maioria das vezes, em fase avançada. A terapia melhorou, todos concordam. Mas isso não atenua o fato de que o rastreamento ainda é a principal razão pela qual as mortes por câncer de mama diminuíram. Numerosos estudos observacionais mostraram que a taxa de mortalidade para as mulheres que participaram de programas de rastreamento diminuiu drasticamente em relação às mulheres que não participaram, apesar de terem acesso às mesmas terapias. A evidência final vem de um estudo nos dois maiores hospitais de ensino de Harvard. Apesar de terem acesso às terapias mais avançadas, mais de 70% das mulheres que morreram devido ao câncer de mama nesses hospitais estavam entre aquelas que não fizeram rastreamento. No Brasil, infelizmente, não temos programa de rastreamento populacional organizado. As pacientes têm direito à mamografia, mas existem dificuldades ao acesso a ela e a outros ele-

mentos que fazem diferença em termos de tempo entre o exame suspeito, o diagnóstico e o início do tratamento oncológico. Além disso, a Comissão de Mamografia tem trabalhado diuturnamente pela melhoria da qualidade dos exames, sem a qual não teremos impacto em termos de sobrevida para as pacientes com câncer de mama. Exames de baixa qualidade prejudicam triplamente. Possuem acurácia reduzida, colocam as pacientes em risco por doses de radiação superiores às desejadas, e talvez a pior consequência, a falsa sensação de segurança. O rastreamento, claro, não é e nem deve ser a resposta final ao câncer de mama. Mas até que uma cura universal seja atingida, ou que exista uma maneira segura de preveni-lo primariamente, a maioria das vidas ainda é salva pelo rastreamento anual a partir dos 40 anos de idade. * Médica Radiologista, responsável pelo setor de mama da Clínica DAPI, Curitiba. Coordenadora da Comissão de Mamografia do Colégio Brasileiro de Radiologia

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INOVAÇÃO Por Luiz Carlos de Almeida e Claudia Casanova (SP)

US com contraste para as diversas áreas médicas Já se passaram mais de duas décadas desde que a primeira geração de contraste ultrassonográfico surgiu para despertar novas e imensas possibilidades para as mais variadas áreas médicas, elevando a ultrassonografia básica para um novo patamar. No entanto, ao passo em que estudos apontam para um uso diagnóstico e de tratamento cada vez mais revolucionário, ainda é preciso vencer alguns desafios para que a técnica seja melhor disseminada.

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ara falar sobre o uso de contraste na ultrassonografia geral e em cardiologia, o jornal Interação Diagnóstica conversou com dois especialistas e pioneiros no tema no Brasil, a Dra. Maria Cristina Chammas, Diretora do Serviço de Ultrassonografia do Instituto de Radiologia do HCFMUSP, e o Dr. Wilson Mathias Jr., Diretor da Unidade de Ecocardiografia do InCor.

Histórico e perspectivas na ultrassonografia geral Com um uso mais restrito em sua primeira geração, pois as microbolhas tinham uma sobrevida na circulação muito curta, cerca de 1 minuto, e adicionalmente não haviam softwares adequados para prolongar sua meia-vida, o contraste ultrassonográfico ganhou um importante avanço a partir de 1998, quando passou a apresentar melhor realce e a ter meia-vida mais longa por conta de seu imageamento por meio de imagem harmônica. O agente também ganhou uma segunda geração e muitas pesquisas começaram a ser realizadas no Brasil, América do Norte e Europa. Na área de ultrassonografia geral, as aplicações práticas do contraste delineiam um cenário animador. Para começar, a técnica pode ser utilizada em praticamente qualquer situação – com foco especial em fígado, rins, órgãos transplantados, mamas, exames vasculares, entre outros –, pois não apresenta radiação ionizante, e pode ser

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trassom com contraste apresenta a mesma administrado em pacientes com problemas eficiência da tomografia e da ressonância. renais (com contra-indicação para realizar “A diferença básica é que não possibilita TC e RM com contraste). Essa característica uma visão panorâmica, pois a ultrassonotambém tem incentivado muito avanços grafia deve objetivar a avaliação de uma na área pediátrica, como nos estudos de lesão focal de cada vez refluxo vesicoureteral e ou de um aspecto do de nódulos hepáticos em órgão, como perfusão no crianças. Outra vantacaso dos transplantes”, gem é que sua aplicação explica. Outras vantapode ser feita em campo gens relacionadas têm a aberto, como por exemver com a agilidade e o plo, à beira de um leito conforto proporcionado na UTI. a quem é claustrofóbico. O contraste ultrasFalando sobre as sonográfico possibilitou, perspectivas futuras, a ainda, a melhora do enDra. Maria Cristina citendimento da vascutou o uso da técnica em larização dos nódulos oncologia, uma vez que da mama, além de ser além de guiar biópsias, usado no estudo de peruma das possibilidades fusão para transplante será a de levar medicade órgãos. “Com um Dra. Maria Cristina Chammas ções ou células-tronco equipamento munido dentro da microbolha. Outra possibilidade do software adequado, o contraste de em estudo é, no caso do diabetes, carrear segunda geração e uma pessoa treinada células-tronco para tratar o distúrbio e até para fazer o exame, temos uma excelente mesmo curá-lo. “Há várias pesquisas senferramenta para monitorar e diagnosticar do feitas sobre o carreamento de material várias enfermidades de forma dinâmica e genético ou quimioterápico, já que, ao ser não estática como aconteceria na ultrassoinsonada, a bolha se rompe e pode liberar nografia convencional”, afirma a Dra. Maria o material no local-alvo”, esclarece. Cristina Chammas, que também esclareceu No entanto, mesmo com tantas posque praticamente todos os equipamentos sibilidades e benefícios à vista, ainda é high-end têm possibilidade de operar com necessário vencer alguns desafios para o software de contraste a partir da compra que a técnica seja melhor disseminada no da plataforma. Brasil. Para começar, conforme explicou a Segundo a Dra. Maria Cristina, o ul-

Dra. Maria Cristina, existe um certo receio com relação ao investimento em máquinas e treinamento, o que foi ocasionado por um histórico, aqui no país, de entrada e retirada do mercado de alguns agentes de contraste. Além disso, é preciso evoluir no que diz respeito à falta de reembolso por parte das operadoras de saúde, além da falta de cadastramento nas agências de regulação de saúde. “Atualmente, temos um contraste aprovado pela Anvisa e que está comercialmente disponível em todo território nacional. Também já foi realizado um estudo econômico que constatou que o ultrassom com contraste ajuda as operadoras a economizar, mas ainda não estamos no patamar que deveríamos estar, pois realizamos muito menos exames do que na Europa, Canadá e Ásia. Sem dúvida deveríamos explorar muito mais as possibilidades da ultrassonografia por aqui, ainda mais quando consideramos nossas dimensões continentais e o fato de a ressonância não ser tão acessível fora da região sudeste”. Por fim, a Dra. Maria Cristina contou que, após mais de 10 anos de uso em protocolos de pesquisa, a técnica entrará agora no rol de pedidos de rotina do HCFMUSP, com o cadastro de compra da medicação: “Para chegar a esse patamar, realizamos inclusive a manipulação do contraste até ele estar comercialmente disponível no Brasil. Tratou-se de um grande esforço para sermos pioneiros em usar esse método diagnóstico dentro da ultrassonografia”.


INOVAÇÃO Por Luiz Carlos de Almeida e Claudia Casanova (SP)

A cardiologia e os estudos de perfusão miocárdica e a sonotrombólise Mais avançada na utilização do contraste ultrassonográfico, inclusive com relação à regulamentação por agências de saúde, a área cardiológica tem um histórico que remete ao final dos anos 60, quando o efeito foi descrito por Gremiak e Shah durante um cateterismo cardíaco que teve ar injetado acidentalmente, gerando a formação de bolhas e, consequentemente, o “efeito contraste” na aorta do paciente.

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contraste evoluiu até a gevidos pela equipe do Dr. Wilson Mathias ração que possibilita a pasJr. em parceria com o grupo do Dr. Thomas sagem das microbolhas pela Porter, da Universidade de Nebraska, a circulação capilar pulmonar pesquisa está se encaminhando para seus e a consequente opacificação passos finais, como conta o Dr. Mathias das cavidades cardíacas esquerdas, permiJr.: “Ano passado, encerramos o estudotindo a avaliação da perfusão miocárdica. -piloto em seres humanos, o qual demonstrou a segurança de sua Assim, diversos grupos aplicação. Apoiado pela no mundo e o próprio FAPESP, o estudo segue Instituto do Coração (Incor) têm realizado cenem andamento e, no tenas de trabalhos para momento, só falta randomizar 18 pacientes para demonstrar a precisão da atingirmos o número técnica na avaliação em necessário, que é de 84, vários cenários da doença para demonstrar a efiarterial coronária crônica, cácia dessa técnica que aguda e na detecção de tem reduzido de fato o massas miocárdicas. tamanho do infarto dos Com base nessas linhas de pesquisa, trabapacientes”. lhos realizados a partir Após o término da do ano 2000 levaram a pesquisa, Mathias diz descobrir que o método que também procurará ajuda a restaurar o fluxo desenvolver o protótipo de sangue nas paredes Prof. Wilson Mathias Jr. em equipamento portátil do coração e a reduzir a morte do músque possibilitará a aplicação dessa técnica culo cardíaco decorrente do infarto. Isso por um profissional paramédico sem a necessidade de um aparelho mais sofisticado acontece porque as microbolhas, quando de imagem. associadas aos trombos e submetidas às Sobre a disseminação do contraste ondas do ultrassom, são dissolvidas conjuntamente com o coágulo. Chamado de ultrassonográfico, o Dr. Mathias Jr. citou sonotrombólise, esse processo possibilita como essencial a criação da International que o sangue volte a fluir e o seu oxigênio Contrast Ultrasound Society (ICUS), nos a nutrir o músculo cardíaco. Estados Unidos, e de outros centros do Com estudos experimentais desenvolmundo para ajudar a demonstrar que se

trata de um método extremamente seguro. se daqui a 10 anos, com o aprendizado dos Por conta desse trabalho desenvolvido pela princípios da utilidade desse contraste para ICUS, da qual Chammas e fins de diagnóstico e de terapia, não se espantaria se o uso Mathias são fundadores e “Um protótipo das microbolhas estiver premembros do Board of direcde equipamento tors, explica ele, percebe-se sente na rotina de múltiplos um aumento muito grande centros diagnósticos para o de ultrassom do uso da técnica em países tratamento de várias afecções. portátil está como Estados Unidos e na “Essa tecnologia ainda Europa. está nos primórdios, e como sendo estudado Para o especialista, a disé altamente sofisticada, acree possibilitará a seminação da técnica ainda dito que irá demorar para que aplicação dessa esbarra em questões burochegue realmente à prática cráticas relacionadas princiclínica. Acredito que a sonotécnica.” palmente às operadoras de trombólise será umas das primeiras a atingir esse patamar, saúde, que precisam entender e mesmo assim estamos falando de até dez como lidar com as novas tecnologias. À anos para frente”, conclui. parte disso, no entanto, Mathias diz que

Mudanças do eletrocardiograma (A e B), alterações de perfusão microvascular durante uma injeção intravenosa Definity® antes e 10 minutos após a sonotrombólise por meio de pulsos intermitentes de alta energia de ultrassom (C e D) e angiografia inicial (E) e após tratamento com angioplastia. As caixa em verde em A e B indicam a melhora do segmento ST e o repreenchimento microvascular com melhora no território artéria interveintricular anterior (LAD) (seta preta) após a sonotrombólise. Nesse caso, a descendente anterior (LAD) estava aberta antes da angioplastia de urgência; A estenose residual foi tratada com implante de STENT (F). Retirado sob permissão de Mathias at. al. J Am Coll cardiol, 67;21:2506-2515, 2016.

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COMEMORAÇÃO Por Luiz Carlos de Almeida e Claudia Casanova (SP)

SPR, 50 anos: uma história alicerçada no compromisso No momento em que a SPR vive os seus 50 anos, entrevistamos durante o Curso Feres Secaf, o novo Presidente da Sociedade Paulista de Radiologia, o Dr. Carlos Homsi, empossado na JPR´2017.

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m conversa com o ID Interação Diagnóstica, falou sobre o papel da SPR como entidade associativa e como organização de ensino radiológico, planos e parcerias, focando no seu mandato que vai até 2019, e que já está preparando a próxima Jornada Paulista em parceria com

a Radiological Society of North America. ID – Como explicar o sucesso da SPR e o seu constante crescimento ? Dr. Carlos Homsi – Tudo isso é fruto de um trabalho contínuo, integrado e progressivo, pois investimos em um processo, pelo menos nas últimas quatro diretorias, em que a pessoa que irá assumir a próxima presidência já trabalha de forma mais participativa com a diretoria anterior. Esse modelo de gestão garante uma transição mais tranquila, com a continuidade dos projetos e intenções, o que acabou se tornando uma faceta muito forte da SPR como organização de ensino radiológico e que possibilitou ampliar nossas linhas de atuação.

ID – Quais os resultados práticos desse trabalho? Dr. Carlos Homsi – Além de fortalecer a JPR, que é o nosso maior evento e tende a permanecer forte, também se reflete no curso Feres Secaf, o qual vem alcançando recordes na participação de jovens radiologistas. Nosso curso de ensino a distância, que começou há cerca de três anos, também está criando novas modalidades: começamos com opções mais básicas, com foco em um público mais jovem, e agora estamos com cursos mais avançados para um público mais geral, além de cursos híbridos que mesclam aulas na internet com demonstrações ao vivo em eventos da Sociedade. Com as novas opções, conseguimos Dr. Carlos Homsi, presidente da SPR

aumentar as plataformas de ensino e atuar em várias áreas do conhecimento radiológico, o que acredito traduzir o grande papel da SPR: ser uma grande Sociedade de ensino que além de ajudar os associados a se aperfeiçoarem, acaba fortalecendo também a classe. ID – Como motivar as novas gerações de jovens que estão chegando à área? Dr. Carlos Homsi – Trata-se de um grande desafio porque é uma geração com um comportamento próprio – assim como todas as gerações –, e que tem sua forma de encarar a vida. Por isso, temos um olhar muito forte voltado para esse público – quando entrei na diretoria em 2009, inclusive, ajudei a criar a SPR júnior, que é o braço da Sociedade Paulista de Radiologia voltada para o jovem radiologista residente e para o radiologista com poucos anos de atividade. O curso Feres Secaf é idealizado para esse perfil, com um programa específico que se adequa ao costume que essa geração tem de se conectar pela internet, e isso nas várias atividades da rotina, inclusive no ensino e aprendizado. Além disso, um dos benefícios que oferecemos ao associado é a Star DX, uma plataforma de ensino diagnóstica fundamental para todo o radiologista, especialmente para quem está iniciando, uma vez que se revela muito competente no auxílio ao trabalho e ao aprendizado. Promovemos, ainda, concursos para bolsas e um concurso em parceria com a Bracco, o qual oferece estágio para três jovens radiologistas em instituições italianas. ID – Com um alto nível de qualidade consolidado, a SPR tornou-se muito receptiva a instituições internacionais e vice-versa. Quais os planos para os próximos anos e o que essas parcerias significam para a Sociedade? Dr. Carlos Homsi – Devido ao sucesso da parceria com a Sociedade de Radiologia da América do Norte (RSNA), o convênio foi renovado até 2024. Para nós, a experiência de uma instituição tão tradicional realmente agregou um valor muito grande, com aprendizados que estamos implementando em nossa estrutura organizacional e acadêmica. Para a RSNA, os resultados também têm sido positivos, pois foi observado um aumento significativo da participação dos brasileiros em seu congresso anual. Em outras frentes, temos parcerias de ensino e convênio com as Sociedades Radiológicas da América Latina, além de um curso em parceria com a Sociedade Europeia de Neurorradiologia – o qual terá uma segunda edição no início de 2018. Não podemos esquecer, ainda, que a JPR 2017 contou com a parceria da Sociedade Francesa de Radiologia. As parcerias internacionais são fruto de muito trabalho, o qual começou nas gestões de 2009 - 2010, e que está trazendo benefícios para a SPR e para a radiologia brasileira pelo fato de promover intercâmbios que são muito relevantes para o conhecimento e para a troca de informações com os outros países.

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OUTUBRO / NOVEMBRO DE 2017 - ANO 16 - Nº 100

Por Dr. Augusto Antunes (MG)

OPINIÃO

A Inteligência Artificial e a Radiologia do Futuro Pensadores e formadores de opinião acreditam que passamos pela quarta revolução industrial, na qual avanços tecnológicos serão capazes de integrar os domínios físico, digital e biológico, provocando um imenso impacto em várias disciplinas, indústrias e mercados (1). Esta revolução é impulsionada pelos poderosos desenvolvimentos provenientes da área da Computação, principalmente do ramo conhecido como Inteligência Artificial (I.A).

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e todas as áreas da Medicina, o Diagnóstico por Imagem é provavelmente aquela que mais será afetada pela I.A, principalmente pela sua dependência intrínseca aos desenvolvimentos técnicos e científicos. Não seria possível pensar em Radiologia como uma área médica sem remeter-se a descoberta do raio-X em 1895, por Wilhelm Röentgen, ou a sua “Era de Ouro” na década de 70, com os primeiros aparelhos de Tomografia Computadorizada (TC) e Ressonância Magnética (RM). É também na década de 70 que são observados os primeiros movimentos em direção à digitalização dos departamentos de Radiologia. Mesmo que, em retrospecto, pareça óbvio a Radiologia estar destinada a ser digital, foram precisos cerca de cinquenta anos e mudanças importantes nos paradigmas médicos e computacionais para que essa digitalização acontecesse. A primeira transformação essencial está relacionada a redução progressiva do custo dos equipamentos e computadores. Intimamente ligada a esta mudança, há também o aumento exponencial do poder computacional. Esta relação entre o poder computacional e o custo de produção pode ser facilmente observada no gráfico abaixo (figura 1).

Figura 1: O progresso computacional ao longo dos anos medido em custo/ MSOPs (million standardized operations per second), deflacionada pelo índice de preço ao consumidor e o valor do dólar em 1998 - Nordhaus, 2001 (2)

As outras transformações relevantes são os próprios avanços na aquisição das imagens de TC e RM, que inerentemente dependem de uma análise computacional, seguidos pela implementação de sistemas de armazenamento digital das imagens (PACS ou Picture Archiving and Communications System), a adoção de um formato universal para as imagens (DICOM ou Digital Imaging and communications in Medicine), e a integração destas informações com dados oriundos de outras fontes hospitalares e administrativas, através dos sistemas RIS e HIS (Radiology/Hospital Information Systems). Esta melhora técnica dos métodos de imagem, capazes de altas resoluções e uma riqueza de detalhes sem precedentes, bem como a formatação totalmente digital dos departamentos de Radiologia, trouxeram consigo um aumento expressivo na produção de dados gerados para cada paciente, tanto em sua forma estruturada (exames de imagem, resultados laboratoriais, cadastros hospitalares, etc) quanto não estruturada (laudos não padronizados, dados clínicos diversos, etc). Para

se ter uma idéia, é estimada a geração de 26 GB (gigabytes) do fluxo de trabalho dos próprios departamentos de Radiologia. Toda a geração de dados pode ser avaliada e transformade informação ao dia em um movimentado departamento da em ferramentas de inteligência que melhorariam o fluxo de radiologia (3). Durante um ano, um hospital inteiro gera de trabalho, a eficiência operacional, a distribuição adequada dados na ordem de petabytes (1015) (4). de recursos e profissionais, dentre outras aplicações. Este contexto é favorável para o aparecimento do que Entretanto, a chegada da I.A na Radiologia traz consigo hoje é denominado como Big Data. Este termo é utilizado para bancos de dados extraordinariamente grandes e complesentimentos de apreensão e desconfiança à radiologistas e xos, estando além da capacidade de processamento por métodos tradicionais. A complexidade torna a análise tão imprevisível, e os possíveis cenários de interpretação tão numerosos, que seria quase que impossível uma extração satisfatória de todas as informações contidas nos dados por um programador ou especialista da área de análise, independente da sua capacidade técnica ou experiência. Machine Learning (ML) é uma área da I.A em que técnicas específicas dão a capacidade de aprender aos computadores, sem serem explicitamente programados para isto. Assim, Dr. Augusto Antunes, médico neurorradiologista, consultor do Departamento de Pesquisa da Kunumi. o “fardo” da análise de Big Data é deslocado do humano para o algoritmo, que é capaz profissionais ligados a área. Acredito que nós não devemos de aprender padrões e gerar representações sem as constritemer esses novos avanços tecnológicos, mas sim acolhê-los. ções impostas por um código pré-programado, permitindoEmbora algumas análises ou processos são passíveis de -o achar relações e fazer predições com elevados graus de automação, outros não o são. Haverá um deslocamento de acurácia e sensibilidade. São múltiplos os algoritmos de ML nossas funções, os papéis serão redefinidos, mas essa mudança é tão natural quanto qualquer outra que acompanha que estão sendo usados em diferentes áreas da Radiologia, o desenvolvimento de novas tecnologias. observando-se resultados bastante robustos (5-7). Precisaremos nos adaptar à A.I, deixando tarefas mecâCom tudo isso, pode-se ver que os impactos desta nicas e demoradas para as máquinas, e nos dedicando à taretecnologia serão profundos e disruptivos, provocando mudanças sem paralelos em como a Radiologia funciona hoje. fas cognitivamente mais elaboradas. Acima de tudo, devemos A aplicação clínica mais evidente seria o uso do Diagnóstambém prover aos nossos pacientes o “toque humano” que tico auxiliado por computador, ou CAD (Computer-Aided os robôs são incapazes de dar. Além desta adaptação, creio Diagnosis), onde o computador ajudaria tanto na detecção que ainda temos o dever diante da sociedade de dominar e interpretação de alterações, como nódulos pulmonares, estas inovações e liderar as discussões sobre seu uso e suas quanto na conjugação de dados clínicos, laboratoriais ou implementações, formando uma verdadeira ponte entre a de outras modalidades diagnósticas à análise radiológica, Ciência da Computação e as Ciências Médicas. aumentando assim a sua acurácia. Isso tudo realizado de Em 1997, o Grão-Mestre de xadrez Garry Kasparov forma mais eficiente e menos trabalhosa para o radiologista. perdeu a revanche para o computador Deep Blue, sendo a As aplicações na área científica também seriam variaprimeira vez na história que um campeão mundial de xadrez das, mas provavelmente aquela que tenha maior impacto é foi derrotado para uma máquina. a técnica de Data Mining. Essa técnica é capaz de agregar e Em 1998, ele criou uma modalidade de competição organizar quantidades massivas de dados, encontrando neles chamada de Advanced Chess, na qual jogadores e computadores formam um time e competem entre si. Os jogadores padrões, associações e anomalias relevantes. Atualmente, desta modalidade receberam o apelido de Centauros. Até o eu e meus coloboradores estamos utilizando a ferramenta presente momento, nenhum Centauro perdeu para jogadores para a identificação de possíveis biomarcadores sanguíneos ou máquinas jogando isoladamente, mostrando o quão é para a Doença de Alzheimer. Utilizando o banco de dados poderoso o conjunto formado por humanos, com sua empada Alzheimer’s Disease Neuroimaging Initiative (ADNI), tia, intuição e a criatividade, e máquinas, com sua imensa atingimos uma acurácia de cerca de 90% na classificação e capacidade de processamento e cálculo. predição de pacientes com a doença somente por resultados Acreditando fielmente nisso, ouso dizer que os primeide exames de sangue, compatível com os resultados da ros Centauros que aparecerão na medicina seremos nós, literatura atual (8,9). No entanto, pudemos identificar uma radiologistas. proteína que isoladamente possuiria uma acurácia de 76% na predição da doença, achado que ainda está em trabalho As referencias bibliográficas podem ser encontradas no artigo, de validação metodológica e estatística. reproduzido no site www interação diagnostica.com.br Outra aplicação relevante seria o uso de ML na análise

Dr. Augusto Antunes é formado em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais, tendo especialização em Neurorradiologia/Cabeça e Pescoço pela Université de Strasbourg (França) e título de Mestre com Distinção em Advanced Neuroimaging pelo Institute of Neurology at Queen Square, University College London (Reino Unido). Atualmente é médico radiologista da Axial Medicina Diagnóstica e médico consultor no Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Kunumi, empresa dedicada ao uso e desenvolvimento de algoritmos de Inteligência Artificial. OUT / NOV 2017 nº 100

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REGISTRO Por Luiz Carlos de Almeida e Claudia Casanova (SP)

OrthoScan anuncia distribuição no Brasil A OrthoScan, Inc. acaba de anunciar a distribuição dos equipamentos OrthoScan no mercado brasileiro, através de seu parceiro Ziehm Imaging. Líder global em imagens geradas através de mini arcos cirúrgicos “C-arm”, a empresa – que tem a frente o executivo brasileiro, Nelson Mendes – está muito otimista com as expectativas que se abrem para essa tecnologia no País.

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stamos entusiasmados em adicionar os minis C-arms da OrthoScan à linha completa de soluções de imagem cirúrgicas que a Ziehm Imaging fornece no Brasil. A OrthoScan tem visto o grande interesse de profissionais brasileiros de saúde, tanto nos setores público como privado, para nossas soluções de imagem ortopédica”, disse Brandt Perry, vice-presidente de distribuição internacional da OrthoScan. “O mercado brasileiro de cuidados de saúde exige equipamento médico especializado de alta tecnologia para proporcionar um atendimento premium à população. Os sistemas da OrthoScan, atendem esta demanda, com tecnologia de ponta, fornecendo imagens das extremidades com qualidade superior e incomparável”. Primeiro e único mini C-arm com fluoroscopia pulsada o OrthoScan FD Pulse é uma tecnologia inovadora e diferenciada e chega ao Pais na sequencia do OrthoTouch ™ com uma nova interface de usuário. Esta interface avançada permite uma operação perfeita dos controles do sistema e fornece uma experiência familiar - semelhante a um smartphone ou tablet - que melhora a interação enquanto visualiza uma anatomia detalhada. O FD Pulse também fornece o maior campo de visão e a menor dose disponíveis em um mini arco em C. O OrthoScan Mobile DI é um dispositivo de imagem digital portátil que pesa apenas 16 kg, e que possui capacidade de produzir imagens fixas e fluoroscopia para clínicas, escritórios, depar-

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tamentos de emergência e procedimentos de medicina em locais remotos. O tamanho compacto do DI móvel oferece facilidade de movimento entre salas de exames, clínicas satélite, departamentos de emergência e permite o posicionamento ideal enquanto se está sentado ou em pé. Com 30 cm por 48 cm, o Mobile DI ocupa o menor espaço físico no mercado de mini-c-arms.

Sobre a OrthoScan A OrthoScan, uma subsidiária integral da ATON GmbH, é uma empresa global de dispositivos médicos com sede em Scottsdale, Arizona, EUA. Líder no mercado de mini arcos cirúrgicos e inovadora no fornecimento de imagens clínicas, continua a desenvolver dispositivos de imagem ortopédica. O foco principal da OrthoScan é fornecer valor aos nossos clientes através da evolução de nossa capacidade de gerar imagens ortopédicas. Inovamos continuamente com tecnologia de ponta nossos subconjuntos exclusivos, processadores de imagens médicas, mantendo enxutos nossa infraestrutura e custos administrativos.

Novo gerente da área digital da Siemens

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Siemens Healthineers anuncia a contratação do executivo Robson Miguel para sua área de Digital Services, com o desafio de expandir e de fortalecer a presença da empresa no segmento de digitalização da saúde no País. Com mais de 25 anos de experiência no mercado, o executivo inicia sua trajetória na Siemens Healthineers como gerente da unidade de negócios de Digital Health Services, e tem como principais desafios reestruturar a unidade no Brasil, desenvolver novos produtos e fortalecer a presença da companhia no segmento de Healthcare IT. “Somos um dos grandes players no cenário e temos um excelente portfólio de produtos para introduzir no mercado brasileiro, tais como eHealth e Population Health Management, além de nossa O executivo Robson Miguel plataforma de interoperabilidade e os produtos desenvolvidos localmente. Isso seguramente posicionará a Siemens Healthineers como um dos principais atores no segmento de Healthcare IT”, relata o executivo. Formado em Tecnologia da Informação, com um Bacharelado em Administração de Empresas e um MBA em Marketing de Serviços pela ESPM, Robson Miguel passou por renomados prestadores de serviços e há 11 anos direcionou a carreira para atuar do lado da indústria. Nos últimos três anos, atuou como diretor comercial e de entregas na Pixeon Medical Systems.


OUTUBRO / NOVEMBRO DE 2017 - ANO 16 - Nº 100

Guia anatomoradiológico para o padrão de realce de lesões focais hepáticas Objetivo A avaliação de lesões focais hepáticas é altamente dependente do padrão de realce, sendo objeto de estudo em diversos trabalhos radiológicos. No entanto, a diferenciação das lesões hepáticas pode ser desafiadora devido à sobreposição de características e apresentações atípicas. Esta revisão tem como objetivo discutir sobre os padrões de realce típicos e atípicos das principais lesões hepáticas focais. As imagens de tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) serão acompanhadas de esquemas didáticos de anatomia-patológica.

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3. Hemangioma com padrão de realce atípico Pequenos carcinomas hepatocelulares (CHC) ou metástases podem apresentar o mesmo padrão, com realce homogêneo na fase arterial, podendo em alguns casos ser diferenciados pelo padrão de realce nas outras fases.

1. Fígado normal O fígado é uma estrutura tridimensional complexa e pode ser subdividido em lóbulos hepáticos - menor unidade funcional do fígado (Fig.1). Possui 75% da irrigação sanguínea proveniente da veia porta e 25% da artéria hepática. A estrutura central é a veia hepática terminal e a periferia é delineada pelos espaços-porta. As veias e artérias interlobulares drenam em direção à veia centrolobular.

Fase arterial: realce periférico, progressivo e globuliforme. Fase portal: progressão centrípeta. Fase tardia: persistência.

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Anatomopatológico: Composto por canais vasculares em meio a tecido fibroso. Possui vasos de calibre mais fino, que enchem mais rapidamente. (Fig.4) Enchimento completo na fase arterial e persistente nas demais fases. Comum em lesões menores que 1,5 cm, podendo ocorrer em lesões maiores.

Figura 1 - Lóbulo hepático em corte histológico: estrutura poligonal que apresenta no centro a veia centrolobular (1) e nas extremidades, veia e artéria interlobular (2 e 3, respectivamente). Representação da drenagem arterial e venosa no lóbulo hepático.

O contraste venoso aumentada a razão contraste-ruído entre a lesão e o parênquima hepático normal, ajudando na detecção de lesões focais. Também permite a avaliação da resposta de cada lesão frente as diferentes fases de aquisição da imagem: arterial, portal e tardia (Fig.2).

Figura 4 - Imagens de RM demonstrando o padrão de realce do hemangioma de enchimento rápido. Da esquerda para a direita: fase arterial, portal e tardia.

4. Hemangioma esclerosante Hemangiomas que sofreram degeneração e fibrose. O processo de esclerose geralmente inicia-se no centro e pode envolver toda a lesão. • • • • •

Anatomopatológico: Composto por canais vasculares em meio a tecido fibroso. Proliferação de tecido fibroso com obliteração e trombose de vasos internos. (Fig.5) Realce arterial lentificado (pouco fluxo devido pela fibrose dos vasos), Realce portal periférico progressivo Fase tardia se mostra com a adição de discreto sinal central.

Figura 2 - Representadas diferentes fases de aquisição de tomografia com contraste venoso e logo abaixo a correlação com o lóbulo hepático. Da esquerda para a direita: fase pré-contraste, arterial, portal e tardia (da esquerda para a direita..

O parênquima hepático normal é melhor avaliado na fase portal, enquanto que os tumores hipervasculares são mais facilmente identificados na fase arterial. Durante a fase tardia, as lesões podem persistir hiperatenuantes em relação ao parênquima, apresentarem-se isoatenuantes e em alguns casos tornarem-se hipoatenuantes quando comparadas ao parênquima adjacente sadio, fenômeno denominado de lavagem do meio de constraste (wash out).

2. Hemangioma com padrão de realce típico São tumores de origem mesenquimal e a lesão hepática sólida mais comum, com prevalência entre 1-20%, mais frequente na quarta e quinta décadas de vida, com predileção feminina (5:1). • • •

Anatomopatológico: Composto por canais vasculares em meio a tecido fibroso. Proliferação vascular de suprimento geralmente arterial. (Fig.3) Pré contraste: isodenso.

Figura 5 - Imagem de RM com contraste venoso, nas fases arterial, portal e tardia.

5. Hiperplasia Nodular Focal (HNF) com padrão de realce típico Lesão não encapsulada e não neoplásica. Segunda lesão hepática benigna mais comum, mais frequente em pacientes de meia idade e no sexo feminino (12:1). É dividida em HNF clássico (com padrão típico) e não clássico. A HNF clássica contém todos os componentes, incluindo arquitetura nodular anormal, malformações venosas e proliferação colangiolar. O tipo não-clássico contém dois dos três componentes e sempre apresenta proliferação de dúctulos biliares. • • •

Figura 3 - Imagem histopatológica com representação da histologia e TC com contraste venoso nas fases arterial, portal e tardia.

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Anatomopatológico: Cicatriz central com septos fibrosos irradiados para a periferia, entremeados por hepatócitos normais, porém com arquitetura de placa espessada. Obliteração dos vasos portais, com hiperplasia de vasos arteriais e drenagem pela veia hepática. Artérias na cicatriz e septos fibrosos, com hiperplasia da camada fibromuscular que limita o fluxo sanguíneo. (Fig.6) Fase arterial: hiperatenuante (sem realce no septo central); Fase portal: iso ou hipoatenuante. Fase tardia: cicatriz central com realce.

CONTINUA


Guia anatomoradiológico para o padrão de realce de lesões focais hepáticas CONCLUSÃO X • • • •

Vasos arteriais da tríade hepatocitária contribuem para a vascularização Drenagem ocorre por veias hepáticas e tumorais proeminentes, associado a vascularização portal ausente, geram o washout. (Fig. 9) Realce arterial intenso, com washout do meio de contraste iniciado na fase portal e mais evidente na tardia. Fase tardia com realce nas bordas da lesão (pseudocápsula).

Figura 6 - Imagem histopatológica e TC com contraste venoso demonstrando hiperplasia nodular focal de padrão típico nas fases arterial, portal e tardia.

6. Hiperplasia Nodular Focal (HNF) com padrão atípico • • • • •

Anatomopatológico: Cicatriz central pouco evidente ou ausente, bem como os septos fibrosos e seus vasos arteriais. Obliteração dos vasos portais, com hiperplasia de vasos arteriais e drenagem pela veia hepática (Fig.7) Fase arterial: hiperatenuante e rápido. Fase portal: iso ou hipoatenuante. Fase tardia: sem realce de cicatriz central.

Figura 9 – Imagens de RM com contraste endovenoso demonstrando CHC nas fases arterial, portal e tardia.

9. Carcinoma hepatocelular fibrolamelar É um tipo incomum de CHC acometendo mais jovens com fígado sem doença parenquimatosa prévia. Não causa aumento de alfa-fetoproteína e tem igual prevalência em ambos os sexos. • • • • • • •

Anatomopatológico: Células poligonais dispostas em cordões e separadas por tecido fibroso que coalesce no centro da lesão. Não possui tratos portais, com vascularização e drenagem por artérias e veias tumorais. Septo fibroso não é vascularizado. (Fig.10) Lesão focal de grandes dimensões, circunscrita, e com cicatriz central em 80% dos casos. Fase arterial: realce precoce e heterogêneo. Fase portal: iso ou hipoatenuante Fase tardia: iso ou hipoateanuante

Figura 7 - TC com contraste venoso demonstrando HNF com padrão atípico nas fases arterial, portal e tardia.

7. Adenomas Lesão hepática benigna incomum, ocorrendo mais frequentemente em mulheres durante a gravidez ou em uso de anticoncepcional hormonal oral. São neoplasias verdadeiras, não possuem a tríade portal ou ducto biliar interlobular. Classificados de acordo com características genotípicas e fenotípicas em três subtipos: inflamatório, HNF1-alfa-mutado e beta-catenina-mutados. • • • • •

Anatomopatológico: Cordões de hepatócitos com morfologia alterada, acúmulo de glicogênio citoplasmático associado à esteatose. Veias portais ausentes, vascularização por vasos arteriais solitários e drenagem por veias hepáticas proeminentes. (Fig.8) Fase arterial: hiperatenuante Fase portal: isoatenuante Fase tardia: isoatenuante

Figura 10 - Tomografia com contraste venoso demonstrando CHC fibrolamelar nas fases arterial, portal e tardia.

Para realizar o diagnóstico diferencial com segurança, é útil que o radiologista compreenda a base anatomopatológica de cada lesão e como a sua estrutura influencia no padrão de realce. O mapa visual desenvolvido visa proporcionar uma visão didática do mecanismo de realce das principais lesões focais, tendo como base a estrutura anatomopatológica alicerçando os diagnósticos diferenciais por imagem nas lesões hepáticas focais.

Referências Doyle, D., Khalili, K., Guindi, M., & Atri, M. (2007). Imaging Features of Sclerosed Hemangioma. American Journal of Roentgenology, 67-72. Elsayes, K., Narra, V., Yin, Y., Mukundan, G., Lammle, M., & Brown, J. (2005). Focal Hepatic Lesions: Diagnostic Value of Enhancement Pattern Approach with Contrast-enhanced 3D Gradient-Echo MR Imaging. Radiographics, 12991320. Hussain, S., Terkivatan, T., Zondervan, P. E., Lanjouw, E., S. d., IJzermans, J., & Man, R. d. (2004). Focal Nodular Hyperplasia: Findings at State-of-the-Art MR Imaging, US, CT, and Pathologic Analysis. Radiographics, 3-19. Krishna, M. (2013). Microscopic Anatomy of the Liver. American associantion for the study of liver diseases, S4-S7. Njei, B., Ditah, I., & rajesh, V. K. (2014). Prognosis of Patients With Fibrolamellar Hepatocellular Carcinoma Versus Conventional Hepatocellular Carcinoma: A Systematic Review and Meta-analysis. Official Journal of the international society of Gastrointestinal Oncology, 49-54. Sahani, D. V., & Kalva, S. P. (2004). Imaging the Liver. The oncologist, 385-397.

Figura 8 – Imagem de RM podenrada em T1 com supressão de gordura e contraste endovenoso evidenciando padrão típico de adenoma nas fases arterial, portal e tardia.

8. Carcinoma Hepatocelular (CHC) É a neoplasia maligna hepática mais comum, sendo mais prevalente em homens. A alfa-fetoproteína sérica é geralmente elevada nesses pacientes. • •

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Anatomopatológico: Composto por hepatócitos pouco diferenciados em distribuição trabecular ou acinar, podendo conter pseudocápsula. Vascularização por artérias não pareadas, que surgem durante a proliferação tumoral. OUT / NOV 2017 nº 100

Autores Afonso Oliveira Amorim de Sousa, Roberto Brasil, Felipe Lobato Costa, Nicolau Faria Correia Guerreiro, Bernardo Salgado Oliveira, Pedro Panizza, Regis Otaviano Franca Bezerra, Claudia Costa Leite e Giovanni Guido Cerri Radiologistas do serviço de diagnóstico por imagem do Hospital Sírio-Libanês


Caracterização de cisto da válvula mitral por ecocardiografia contrastada e tomografia computadorizada História clínica Uma mulher assintomática de 47 anos, durante a avaliação cardiológica de rotina, foi submetida a ecocardiografia transtorácica na qual encontramos incidentalmente uma imagem anexada à valva mitral suspeita de ser um tumor cardíaco. Ela foi então encaminhada para o nosso laboratório para investigação. Não tinha história de endocardite, doença vascular, do colágeno ou febre reumática. Não foram relatados sintomas embólicos ou neurológicos. O exame físico geral, neurológico e cardiovascular foram normais. Não foram Figura 2. Imagem ecocardiográfica em observadas anormalidades na radiografia de Figura 1. Imagens de ecocardiografia transtorácica nas vistas apicais de quatro câmaras (A) e duas câmaras (B) que mostram uma imagem de echodensa sugestiva de massa cística anexada ao aparelho subvalvular do folheto tempo real em tempo real em vista apical tórax e no eletrocardiograma de 12 derivações. mitral anterior (setas) e parece estar cercada por cordas. LA = átrio esquerdo; LV = ventrículo esquerdo. mostrando uma estrutura com baixa A ecocardiografia bidimensional transtorácica ecogenicidade anexada à à comissura da císpide anterior da valva mitra (seta). revelou um coração de tamanho normal com LA = átrio esquerdo; LV = ventrículo função sistólica normal e valvula mitral fina. esquerdo; RA = átrio direito Havia suspeita de uma imagem de echodensa anexada à cúspide anterior do aparelho subvalvar mitral, que parecia estar cercada por cordas tendíneas (Figura 1). Uma insuficiência mitral leve foi detectada por mapeamento de fluxo em cores. As outras estruturas valvares foram normais e não houve evidência de obstrução de via de entrada ou de saída do ventrículo esquerdo. O ecocardiograma tridimensional em tempo real foi realizado utilizando um sistema de ultrassom comercialmente disponível (IE33, Philips Medical Systems, Bothell, WA) equipado com um Figura 3. Imagens de ecocardiografia de contraste após a injeção de bolus de microbolhas transdutor de matriz. Embora o ecocardiogra- encapsuladas em lipídios na visão apical de quatro câmaras (A) mostrando opacificação do ventrículo esquerdo e massa cística de 1,5 x 0,8 cm (B), anexada ao aparelho de válvula submetida, ma tridimensional tenha demonstrado uma perto da comissura anterior da valva mitral. LA = átrio esquerdo; LV = ventrículo esquerdo. Figura 4. Imagem de angiografia por tomografia estrutura com baixa ecogenicidade ligada à computadorizada demonstrando a estrutura cística à baixa ecogenicidade dessas estruturas, elas podem não ser ponta da cúspide anterior da valva mitral, a caracterização arredondada (seta) anexada ao aparelho subvalvular detectadas por ecocardiografia bidimensional, especialmente da massa não foi completamente compreendida com esta da válvula mitral. LA = átrio esquerdo; LV = ventrículo as pequenas. técnica (Figura 2). esquerdo; RA = átrio direito; RV = ventrículo direito. Os agentes ecocardiográficos de contraste foram indicaPara uma avaliação mais aprofundada da massa suspeita, dos para delineamento da borda endocardica e opacificação o ecocardiograma com contraste foi realizado usando o agente Referências do ventrículo esquerdo (6) e podem adicionar informade contraste comercialmente disponível Definity® (Lantheus ções incrementais para a detecção de tumores cardíacos. Medical Imaging, Bothell, WA). O agente de contraste foi inMais especificamente, a imagem de perfusão de contraste jetado em bolus de 0,1 ml seguido de 10 ml de solução salina 1. Begg JG. Blood-filled cysts in the cardiac valve cusps in foetal life and infancy. J Pathol Bacteriol 1964; 87:177-8. ecocardiográfica pode diferenciar a neo-vascularização de e as imagens foram adquiridas usando um índice mecânico 2. Nesser HJ, Dwivedi G, Davogg K, Schneeweiss B, Ng CK, Senior neoplasias malignas da avascularidade de trombos e a baixo (0,2) com flash de impulso de índice mecânico de alto, R. Images in cardiovascular medicine. Bubble in the heart: a rare vascularização escassa de tumores estromáticos (7). Além utilizando gatilho manual. O ecocardiograma com contraste cause of mitral regurgitation. Circulation 2006; 113:e401-e402. disso, a melhora da imagem da interface tecido-sangue permitiu a definição clara de uma estrutura arredondada de 3. Abreu A, Galrinho A, Sa EP, et al. Hamartoma of the mitral valve por ecocardiografia de contraste permite fácil identificação 1,5 x 0,8 cm, anexada à comissura boceladura A2 da cúspiwith blood cysts: a rare tumor detected by echocardiography. da massa cística (2). O diagnóstico diferencial da massa de anterior da valva mitral, com alta mobilidade e que não J Am Soc Echocardiogr 1998; 11:832-6. cística cardíaca inclui cisto hidático, hemangioma e cisto preenchia com contraste (Figura 3). O diagnóstico de cisto 4. Leatherman L, Leachman RD, Hallman GL, Cooley DA. Cyst of hematogênico da valva mitral. A apresentação cardíaca da the mitral valve. Am J Cardiol 1968; 21:428-30. da valva mitral foi então realizado. O paciente foi submetido hidatidose geralmente está associada ao envolvimento de 5. Arnold IR, Hubner PJ, Firmin RK. Blood filled cyst of the papillary à tomografia computadorizada multislice, o que confirmou muscle of the mitral valve producing severe left ventricular outros órgãos. Foi relatado como sendo menos comum (0,5 a presença de um cisto da válvula mitral bem circunscrito outflow tract obstruction. Br Heart J 1990; 63:132-3. a 2%) do que a localização hepática (65%) ou pulmonar (Figura 4). A ecografia abdominal excluiu cistos hepáticos 6. Mulvagh SL, DeMaria AN, Feinstein SB, Burns PN, Kaul S, Miller (25%). Embora os cistos hídricos sejam mais freqüentemenou outras anormalidades. O paciente foi mantido sob terapia JG, et al. Contrast echocardiography: current and future applite intramiocárdicos, localizados no septo interventricular, médica empírica com aspirina. cations. J Am Soc Echocardiogr 2000 Apr;13(4):331-42. seguidos da parede posterior do ventrículo esquerdo e da 7. Kirkpatrick JN, Wong T, Bednarz JE, Spencer KT, Sugeng L, Discussão parede livre do ventrículo direito, estes podem aparecer Ward RP, DeCara JM, Weinert L, Krausz T, Lang RM. Differential diagnosis of cardiac masses using contrast echocardiographic Cistos de sangue pequenos que medem menos de 1 mm também nos músculos papilares (8). Foi relatado recenperfusion imaging. J Am Coll Cardiol. 2004;43:1412-9. foram relatados pocorrer em até 56% dos espécimes de autemente um caso de cisto hídrico imitando o mixoma do 8. Miralles A, Bracamonte L, Pavie A, Bors V, Rabago G, Gandjtópsia de neonatos e lactentes (1). Embora possam ser idenátrio esquerdo e causando obstrução do orifício de entrada bakhch I, Cabrol C. Cardiac echinococcosis. Surgical treatment tificados em neonatos e crianças, na maioria dos casos eles da valva mitral. Este paciente apresentava cisto hepático e and results. J Thorac Cardiovasc Surg 1994;107(1):184-90. regridem espontaneamente. É de notar que a ocorrência em em pulmão direito do pulmão direito (9). A manifestação 9. Biyik I, Acar S, Ergene O. Left atrial mobile hydatid cyst mimiadultos raramente é descrita (2, 3). O mecanismo de formação clínica mais comum da hidatidose cardíaca é a dor torácica. cking left atrial myxoma and mitral stenosis and causing heart de cisto não é completamente claro, e as explicações possíveis failure and arrhythmia. Int J Cardiovasc Imaging. 2007;23:193-5. Outras manifestações cardíacas como arritmias e parada incluem a formação do cisto durante o desenvolvimento da cardíaca também foram relatadas. No nosso caso, o envolválvula pelo sangue preso nas estruturas da cúspide com vimento hepático e pulmonar foi excluído. subsequente formação de cisto como resultado da dilatação Falta um consenso quanto ao manuseio clínico ideal das invaginações normais das cúspides valvares. Portanto, dos cistos sanguíneos. Este manejo variou desde a excisão Autores essas anormalidades congênitas são particularmente enconcirúrgica até o monitoramento clínico seriado, com ressecJeane Mike Tsutsui, tradas ao longo das comissuras da válvula mitral ou associação reservada apenas para cistos sintomáticos. Como não Ibrahim M. Pinto M, das a aparelhos valvulares. Nos adultos, os cistos geralmente houve história de sintomas, foi decidido manter a paciente Walther Ishikawa, são pequenos, não causando sintomas. Entretanto, os cistos sob avaliação médica e ecocardiográfica de rotina a fim de Pablo Pommerantzeff, sanguíneos grandes foram relatados como resultando em motitorar as dimensões e possíveis complicações deste cisto e Wilson Mathias Junior, MD estenose valvular ou regurgitação (4). Outras complicações o uso empírico de agente antiplaquetário foi instituido. Este possíveis incluem a embolização e a obstrução sintomática caso destaca a utilidade do ecocardiograma com contraste Instituto do Coração (InCor) - Faculdade de Medicina da do trato de saída do ventrículo esquerdo quando os cistos miocárdico no diagnóstico dessas anomalias raras que são Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil estão localizados no aparelho subvalvular mitral (5). Devido cistos intracardíacos preenchidos com sangue. OUT / NOV 2017 nº 100

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Lipoma Omental em crianças História Clínica Uma paciente do sexo feminino de 2 anos, atendida em sala de emergência, com antecedente de diarreia por cinco dias e fezes com sangue nas últimas 24 horas. O exame físico não revelou alterações significativas. A paciente foi submetida a avaliação com exames de imagem e os principais achados na ultrassonografia foram uma massa alongada, bem delimitada e sólida ocupada desde o hipocôndrio direito até a fossa ilíaca esquerda, deslocando as estruturas adjacentes. Na sequência, foi realizada ressonância magnética para elucidar o diagnóstico, corroborando com os achados ultrassonográficos e reforçando a hipótese diagnóstica de lipoma de omento. Após uma semana, a ressecção cirúrgica foi realizada por meio de videolaparoscopia, com boa evolução e anatomopatológico confirmando lipoma de omento. Durante o seguimento de 2 anos, não houve sinal de recorrência.

Introdução O omento maior é formado por dobras peritoneais derivadas do mesogástro, delimitadas pela grande curvatura do estômago, cólon transverso, duodeno proximal e ligamento gastroesplênico. Consiste em tecido adiposo, vasos sanguíneos, vasos linfáticos e linfonodos. Desde o nascimento, essas estruturas proliferam e, aos 5 anos, o omento maior se assemelha ao do adulto. Os tumores primários nessa localização são extremamente raros. Entre os tipos mais usuais, devem ser lembrados os lipomas, os tumores desmóides, fibroma, mesotelioma, leiomioma, leiomiossarcoma, fibrossarcoma e lipossarcoma. (1-3) O lipoma é uma condição comum em adultos, embora seja uma apresentação rara em crianças e adolescentes, com apenas 6% de tumores nessa faixa etária, dos quais 94% são benignos. A patogênese desta lesão é incerta, no entanto, em alguns relatos na literatura médica, há um aumento na incidência associada a alguns fatores: obesidade, diabetes mellitus, elevação do colesterol, trauma, radiação, história familiar e anormalidades cromossômicas. (3, 4)

Caso Clínico Uma paciente do sexo feminino de 2 anos, foi admitida na sala de emergência, com quadro de diarréia por cinco dias e fezes com sangue nas últimas 24 horas, sem outras queixas clínicas. O exame físico não revelou sinais de peritonite ou visceromegalias palpáveis. A ultra-sonografia mostrou uma massa alongada, com limites bem definidos, ecogênicos e discretamente heterogêneos (figura

Figura 1: a ultra-sonografia com massa alongada, com limites bem definidos, ecogênicos e discretamente heterogêneos, com baixo fluxo para a avaliação Doppler

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1), sem fluxo no mapeamento com Doppler, medindo 6,5 x 2,5 cm e estendendo-se do hipocôndrio direito para a fossa ilíaca direita, associado a uma pequena quantidade de líquido livre (figura 2).

Figura 5: A sequência de pós-contraste Axial T1 de RM mostra septos periféricos e internos com captação discreta.

Figura 2: ultrassonografia com baixo fluxo para a avaliação Doppler

A ressonância magnética revelou uma massa sólida, discretamente lobulada e bem delimitada, sem aspecto infiltrativo, em contato com a parede superior da bexiga e a superfície peritoneal anterior, deslocando as alças intestinais superiores e o cólon sigmoide posteriormente, localizado no meso / hipogastrio, que se estende do hipocondrio direito / fossa ilíaca até a fossa ilíaca esquerda (figuras 3 e 4). E isosinal na seqüência T2 e uma discreta captação de contraste na sequência T1 pós-contraste (figura 5). Face à esses achados de imagem,

Figura 3: A sequência T2 coronal de RM sem gadolínio mostra uma massa lobulada e bem delimitada, sem aspecto infiltrativo, em contato próximo com uma parede superior da bexiga e com uma superfície peritoneal anterior, deslocando-se as alças intestinais superiores e cólon sigmóide localizado no meso / hipogástio, estendendo-se para uma fossa ilíaca esquerda, medindo 7,5 x 3,2 x 2,5 cm.

Figura 4: A sequência de RM Sagital T2 sem gadolínio demonstra pequena quantidade de fluido livre na cavidade pélvica.

com uma massa bem definida e ausência de outras lesões ou fatores malignos, o diagnóstico de lipoma de omento foi a principal hipótese diagnóstica. A ressecção laparoscópica cirúrgica da massa abdominal foi realizada, com diagnóstico anatomopatológico de lipoma de omento confirmado. Durante os 2 anos de seguimento, não houve sinal de recorrência.

Discussão A avaliação de uma criança com massa abdominal envolve uma série de considerações diagnósticas e as possibilidades consideradas dependem da idade da criança, localização da massa, presença ou ausência de outros sinais e sintomas potencialmente relacionados. A determinação do órgão ou tecido de origem da massa pode reduzir consideravelmente as possibilidades diagnósticas. (1-3) Os lipomas de omento geralmente são assintomáticos. O desconforto abdominal (45,5%), protuberância abdominal (34,9%) e distensão abdominal (15,2%), náuseas e perda de peso podem ocorrer ocasionalmente. Eles são uma massa em crescimento lento e em movimento. Lesões grandes podem causar distensão e obstrução intestinal. Mais raramente, eles causam infarto e/ou torção omental. Uma história clínica cuidadosa seguida por exame físico completo é extremamente importante para alcançar um diagnóstico provisório. A maioria dos casos é diagnosticada apenas como uma descoberta incidental na laparotomia e nas autópsias. A descoberta incidental durante um estudo de imagem também é rara. (1,2) O diagnóstico diferencial na faixa etária pediátrica é principalmente nefroblastomatose, tumor de Wilms, neuroblastoma, hepatoblastoma e outros tumores primários do omento maior (lipoma, tumor desmoideo, fibroma, mesotelioma, leiomioma, leiomiossarcoma, fibrossarcoma e lipossarcoma). (4-6). O ultra-som é amplamente disponível e extremamente útil tanto no estabelecimento como na exclusão da patologia abdominal, além de constituir um método fácil de realizar, não invasivo e indolor, não requer material de contraste, exclui os riscos de radiação e é econômico quando comparado a outras modalidades radiológicas de diagnóstico. A ultra-sonografia, ajuda a fornecer informações, em relação ao site e órgão de origem, tamanho e extensão da lesão e invasão de sistemas de órgãos adjacentes (7,8). Os lipomas do omento são lesões benignas, que geralmente mostram na ultrassonografia como uma massa sólida bem delimitada, hiperecogênica, homogênea, não calcificada, avascular ou com fluxo discreto para o mapeamento Doppler

colorido, no entanto, às vezes não permite identificar o local de origem, bem como o relação precisa com estruturas adjacentes. Desta forma, é necessário outro método de imagem para direcionar ao diagnóstico (7-9). A ressonância magnética é mais específica na avaliação de massas gordurosas, como lipomas, que consistem em gordura macroscópica. Embora, o diagnóstico geralmente seja sugerido por ultrassom e TC, a ressonância magnética é melhor para demonstrar a anatomia circundante. Eles geralmente demonstram uma iso / hipersinal nas seqüências T1 e T2, com ausência ou apenas um pouco de captação nas sequências pós-contraste.

Conclusão Apesar da baixa prevalência de massas benignas no omento, como os lipomas omental, a ultrassonografia é o método de escolha na avaliação inicial, com a possibilidade de uma adequada caracterização dessas lesões. Considerando especificamente a primeira infância, este método é ainda mais indicado devido à ausência de radiação ionizante

Referências 1 Chaudhary V; Narula MK; Anand R; Gupta I; Kaur G; Kalra K. Giant Omental Lipoma in a Child. Iran J Radiology, 2011; 8 (3): 167-9. 2 Luo X; Gao W; Z Jianghua.. Giant Omental Lipoma in Children. Journal od Pediatric Surgery; 2005. 40, 734-736. 3 Brodeur, AE; Brodeur, GM. Abdominal Masses in Children. Pediatrics in Review, 1991; Vol 12, issue 7, pp 196-206. 4 Zhang DS. Soft tissue tumors. In: Jie Ping W, Fa Zu Q, editors. Surgery Textbook of Huang Jiasi. 6th ed. People Health 2002. p. 577. 5 Kimber CP; Westmore P; Hutson JM; Kell, JH. Primary Omental Torsion in Children. J Paediatr Child Health; 1996. 32, 22-24. 6 Tayeh C, Mneimneh S, El-Masri R, Daoud N, Rajab M. Giant mesenteric lipoma: A case report and a review of the literature. J Ped Surg Case Reports 3 (2015) 166-170. 7 Prando A, Wallace S, Marins JCL, et al. Sonographic features of benign intraperitoneal lipomatous in children— report of four cases. Pediatr Radiol 1990; 20:571 - 4. 8 Bhatnagar V, Mitra, M. Ultrasonographic evaluation of abdominal masses in children. Indian J Pediatr, 1985; 52 : 539-543. 9 Haller JO, Schneider M, Kassner EG, Slovis TL, Perl, LJ Sonographic Evaluation of Mesenteric and Omental Masses in Children. Am J Roentgenol, 1978; 130: 269-274.

Autores Priscila Mina Falsarella, Aline Andrade Doréa, Antonio Rahal Jr., Miguel J. Francisco Neto e Marcelo Buarque de Gusmão Funari Médicos – Departamento de Radiologia do Hospital Israelita Albert Einstein


Infarto da artéria de Percheron: relato de caso Introdução A artéria de Percheron é considerada variante anatômica rara da circulação cerebral posterior (2) em que um ramo arterial do segmento P1 da artéria cerebral posterior irriga os tálamos paramedianos bilaterais e o mesencéfalo rostral. A oclusão desta artéria manifesta sintomas variados (4) que compõe a tríade: paralisia do olhar vertical, comprometimento da memória e rebaixamento do nível de consciência de início súbito (1,2,6) que podem ser acompanhados de distúrbios oculomotores e de movimento, hemiplegia e ataxia cerebelar.(1) Há quatro variantes de suprimento vascular do tálamo e do mesencéfalo, segundo Percheron. Na mais comum, I (fig 1A), cada artéria perfurante surge das artérias cerebrais posteriores esquerda e direita. Na variante IIa, (fig 1B), as artérias perfurantes surgem do segmento proximal de uma das artérias cerebrais posteriores. Na variante IIb (fig 1C), denominada artéria de Percheron, as artérias tálamo-perfurantes bilaterais surgem de um tronco arterial do segmento P1 de uma artéria cerebral posterior, que irriga o tálamo paramediano e o mesencéfalo rostral, bilateralmente. A variante III (fig 1D) é uma arcada entre os segmentos P1 das artérias cerebrais posteriores com vários pequenos ramos perfurantes. (1,2)

(Fig 3) RM de encéfalo axial, FLAIR (A. B, C), DWI (D e E), ADC (F).

História clínica Paciente do sexo masculino, 72 anos, previamente hígido para as atividades diárias, encaminhado de outro serviço sem diagnóstico estabelecido. Há dois dias apresentou quadro de confusão mental, vertigem, anisocoria e hemiparesia à direita, com rebaixamento importante do nível de consciência (Glasgow 8), submetido à cricostomia de urgência. Realizou tomografia computadorizada de crânio na emergência sem alterações. Como comorbidades apresentava hipertensão arterial e diabetes mellitus. Em nosso serviço foi submetido a novo exame de tomografia computadorizada (64 canais) do crânio, que evidenciou hipoatenuação talâmica paramediana bilateral com comprometimento do mesencéfalo rostral. (Fig. 2)

(Fig 4) Reconstrução Angioressonância Magnética: artérias comunicantes anterior direita e posteriores hipoplásicas.

Como diagnósticos diferenciais por imagem das lesões bitalâmicas, incluímos infarto venoso e neoplasias infiltrativas, entidades que não devem ser confundidas com infarto da artéria de Percheron por acometerem mais de um território arterial. (2)

Conclusão O diagnóstico de infarto da artéria de Percheron é frequentemente tardio e até mesmo subdiagnosticado, retardando o tratamento e aumentando a morbidade. É função do radiologista conhecer as variações anatômicas da circulação cerebral posterior e, quando estiver diante de um exame de imagem apresentando poucas alterações e de um quadro clínico exacerbado, suspeitar do diagnóstico de infarto agudo da artéria de Percheron. (3)

Referências (Fig 2) TCAR crânio axial sem contraste.

Realizou ressonância magnética do encéfalo que evidenciou hipersinal em FLAIR (Fig 3A e 3B, 3C), com restrição nas sequências com técnica de difusão, (Fig 3D, 3E) e com repercussão no mapa ADC (Fig 3F) nas topografias supracitadas. Ao longo da superfície pial do mesencéfalo, adjacente à fossa interpeduncular, observou-se hipersinal em forma de “V” (fig 3C). Dos sintomas tipicamente descritos, o paciente apresentou importante queda do nível de consciência. Vertigem, hemiparesia e anisocoria à direita foram decorrentes do acometimento mesencefálico rostral. Evoluiu com infecção respiratória por pneumonia aspirativa e foi traqueostomizado. Durante dois meses recuperou os movimentos dos membros superiores e inferiores e, parcialmente, o nível de consciência. Foi submetido à gastrostomia para possibilitar a alta hospitalar. Permaneceu com ptose palpebral completa à direita e articulando poucas palavras.

1 Castaigne P, Lhermitte F, Buge A, et al. Paramedian thalamic and midbrain infarct: clinical and neuropathological study. Ann Neurol 1981;10:127–48 2 Lazzaro NA, Wright B, Castillo M, Fischbein NJ, Glastonbury CM, Hildenbrand PG, et al. Artery of Percheron infarction: imaging patterns and clinical spectrum. AJNR Am J Neuroradiol. 2010; 31:1283–9. 3 Urska Lamot, Ivana Ribaric and Katarina Surlan Popovic “Artery of Percheron infarction: review of literature with a case report”; Radiol Oncol. 2015 Jun; 49(2): 141–146. 4 Guillaume Cassourret, Bertrand Prunet, Fabrice Sbardella, Julien Bordes, Olga Maurin, and Henry Boret, Ischemic Stroke of the Artery of Percheron with Normal Initial MRI: A Case Report 5 Arauz A1, Patiño-Rodríguez HM2, Vargas-González JC2, Arguelles-Morales N2, Silos H2, Ruiz-Franco A2, Ochoa MA2. Clinical spectrum of artery of Percheron infarct: clinical-radiological correlations. 6 K.V. Vinod,a,* R. Kaaviya,a and Bhaumik Arpitab, Artery of Percheron Infarction

Discussão Tanto a tomografia computadorizada quanto a ressonância são úteis no diagnóstico de isquemia de Percheron. Na tomografia computadorizada há hipoatenuação talâmica paramediana bilateral com ou sem comprometimento do mesencéfalo rostral e na ressonância magnética, hipersinal em T2 e FLAIR, com restrição à difusão nos quadros agudos. Hiperintensidade de sinal em forma de “V” em FLAIR e DWI ao longo da superfície pial do mesencéfalo, adjacente à fossa interpeduncular, pode estar presente. (3) A individualização da artéria de Percheron por angiotomografia, angioressonância magnética e angiografia é dificultada devido ao seu reduzido calibre. (3)

Autoras Ana Carolina Ribellato Buissa Fellow do programa de TC/RM geral do Grupo Fleury Maria Lúcia Borri Grupo Fleury e EPM – Unifesp OUT / NOV 2017 nº 100

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Colite estercoral: um diagnóstico pouco lembrado

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colite estercoral é uma condição por vezes esquecida, tanto por médicos clínicos e cirurgiões, quanto pelos radiologistas, apesar da sua considerável gravidade. O termo “estercorácea” é também algumas vezes empregado embora “estercoral” parece ser preferencial em português. A definição de colite estercoral refere-se à situação de processo inflamatório da parede do colon relacionado ao aumento da distensão da luz, associado à presença por longa duração de fecaloma. Isto acontece em pacientes com constipação crônica e impactação fecal que pode inicialmente levar a necrose isquêmica da mucosa com ulceração e, posteriormente perfuração de toda a parede. Trata-se de condição inflamatória aguda, com risco de vida e que ocorre principalmente em pacientes idosos ou acamados com constipação crônica. Portanto, o grupo de maior risco é aquele mais propenso a desenvolver impactação fecal: idosos, inativos, debilitados, pacientes com distúrbio mental, transplantados, hemodialíticos , pacientes com Hirschsprung do adulto e aqueles usuários de alguns medicamentos como opiáceos. A fisiopatologia é desencadeada pelo acúmulo de fezes que acaba por formar um fecaloma. Esse fecaloma exerce pressão na parede do intestino, o que pode prejudicar a perfusão da alça colônica, em diversos graus, variando desde apenas um distúrbio de perfusão simples até necrose e perfuração da alça. Assim, é fácil entender suas formas de tratamento, que pode ser tanto desimpactação manual do fecaloma nos casos mais leves quanto cirurgia nos casos mais avançados. As porções mais suscetíveis são o colon sigmoide e o reto, já que são as áreas responsáveis por absorver fluidos das fezes, tornando-as mais duras e difíceis de evacuar. O diagnóstico clínico da colite estercoral é difícil, já que é facilmente confundido com outros diferenciais de abdome agudo. Dados de exame físico e de laboratório não são específicos para o diagnóstico final. Os exames de imagem são fundamentais para o rápido diagnóstico da entidade e, então, para o seu tratamento. Na maioria das vezes, o exame de mais fácil acesso para o médico que está cuidando do paciente é a radiografia convencional. A rotina de abdome agudo pode trazer informações como distensão colônica e mostrar complicações graves da colite estercoral, como pneumoperitônio nos casos de perfuração de alça, que pode, ainda associar-se a pneumomediastino . Estes achados não são entretanto específicos e quando a suspeita clínica é alta, tomografia computadorizada(TC) do abdome é necessária. Caso não haja contraindicações ao uso endovenoso do meio de contraste, esse deve ser empregado, pois ajuda a diferenciar outras causas de obstrução colônica como massa do colon, doença diverticular, volvo, bem como outras condições vasculares ou inflamatórias.. Os achados tomográficos mais comuns são um grande fecaloma combinado com distensão colônica e espessamento da parede do colon com densificação da gordura pericolônica, provavelmente refletindo o edema da isquemia e ulceração. Em casos mais graves, pode-se observar borramento difuso da gordura peritoneal, líquido pericólico ou líquido livre peritoneal, pneumatose intestinal e ar extraluminal. A TC é uma modalidade importante para o diagnóstico da colite estercoral, sendo essencial para a comunicação entre o radiologista, gastroenterologista e o cirurgião, aumentando o alerta e permitindo a prevenção das consequências devastadoras desta condição.

Leitura sugerida 1. Hudson J, Malik A. A fatal faecaloma stercoral colitis : a rare complication of chronic constipation. BMJ Case Rep 2015.doi:101136/bcr-2015-211732 2. Linda A, Heiken J Diagnosis of uncomplicated stercoral colitis: CT findings. Poster Educacional C-404 Apresentado no ECR- Congresso Europeu de Radiologia de 2009. Sistema EPOS. 3. Saksonov M, Bachar GN, Morgenstern S, et al. Stercoral colitis: a lethal disease-computed tomographic findings and clinical characteristic. J Comput Assist Tomogr 2014;38(5):721–726 4. Unal E, Onur MR, Balci S, et al Stercoral colitis: diagnostic value of CT findings Diagn Interv Radiol 2017;23:5-9.

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Figuras 1A,B e 2A,B de uma paciente de 90 anos, feminina, com pneumoperitônio e retropneumoperitônio consequentes a colite estercoral com perfuração. A radiografia do abdome (Fig. 1A) mostra as paredes intestinais bem definidas devido ao pneumoperitônio (sinal de Rigler).. Na radiografia do tórax (Fig. 1B) percebe-se a presença também de retropneumoperitônio com extensão torácica e pneumomediastino. A tomografia computadorizada (Figs. 2A e B) confirma extenso fecaloma com espessamento das paredes do reto e do sigmoide, além de focos de ar livre na cavidade peritonial e no retropneumoperitônio.

Autores Karla Lucca Cardoso de Oliveira¹ Vanessa Mizubuti Brito¹ Elisa Maria de Brito Pacheco² Nelson M. G. Caserta² ¹ Médicas Residentes do Depto. de Radiologia da FCM – Unicamp, Campinas, SP ² Docentes do Depto. de Radiologia da FCM – Unicamp, Campinas, SP


ENTREVISTA Por Luiz Carlos de Almeida e Valeria Souza (SP)

Toshiba Medical/Canon: tecnologia para o futuro Com uma nova bandeira, a partir de 2018, Toshiba Medical do Brasil prepara e fortalece sua estrutura, mostrando que a chegada da Canon Inc. só vai agregar valor e valorizar os investimentos em inovação tecnológica e busca de novos mercados. A Toshiba Medical/Canon, chega para dar continuidade a sua proposta de oferecer produtos de qualidade e com o respaldo de um pós-venda sem similar no País.

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ara Calil Ferreira, diretor Comercial da Toshiba Medical do Brasil, o fluxo do processo de aquisição vem na contramão dos rumores gerados na área da imagem. O grupo mostra que a mudança veio para agregar e trazer mais velocidade e agilidade para a empresa, pois a primeira atitude do grupo foi investir nos lançamentos mostrados na RSNA de 2016, e preparar as novidades que a Toshiba Medical/Canon vai trazer para o RSNA de 2017, o que é extremamente positivo. A Toshiba Medical Systems possui o portfólio de produtos de imagem médica mais amplo do Japão, com sistemas diagnósticos de radiografia, angiografia e vascular, tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultrassom e medicina nuclear e, também, participa do segmento de diagnóstico in vitro. Para a Canon, a aquisição da empresa oferece vários benefícios como a entrada acelerada em novos campos; melhorias na qualidade através da tecnologia de produção compartilhada, que vai combinar a união das tecnologias avançadas de produção da Canon com a capacidade de desenvolvimento de produtos da Toshiba Medical, com ênfase em tecnologias de design e micro fabricação de precisão. A introdução de novos sistemas de produção visa otimizações e a melhoria de qualidade, entre as diversas vantagens para construção de novos produtos e serviços inovadores. O executivo Calil Ferreira destaca a historia de fidelidade da Toshiba Medical com o Brasil e, por isso, se prepara para os grandes desafios e avanços do futuro. “O ano de 2017, tem sido um ano bom,

de recuperação, pois o mercado médico de diagnósticos por Imagem em geral sofreu muito em 2016. Então, foi uma queda muito alta, muito acentuada, e este ano tem sido melhor nos resultados, na quantidade de equipamentos, na demanda por compras, e com a percepção que o tempo de tomada de decisão diminuiu. Nesse contexto tem sido muito positivo para nós, com os negócios que permitem a expansão da base instalada e da renovação da mesma, sendo que ambas dependem do momento econômico do país”, resume. Nessa fase de transição, a Toshiba Medical sinaliza que a mudança é positiva para todos, o Congresso da RSNA de 2017 vai surpreender, com lançamentos de projetos que foram antecipados para o mercado, consequência do investimento de capital por parte da Canon, que traz uma visão de varejo muito forte no mercado americano. “A diretoria, a presidência e os executivos se mantem os mesmos. Inclusive o Sr. Takiguchi, que é o CEO da Toshiba Medical Systems Corporation, se manterá na posição como CEO da nova Canon Medical Systems Corporation que virá em Janeiro/2018. Nesta mesma direção, ele se tornou Vice-Presidente da área de HealthCare do grupo, passou a ser um novo pilar estratégico dentro da estrutura de negócios da Canon”, pontua Calil. A empresa deve ampliar o portfólio que hoje é fabricado no Brasil e, também, deve investir mais em educação continuada, usando a estrutura da fábrica de Campinas, tanto para técnicos como para médicos, e no futuro para administradores de serviços de diagnóstico por imagem em hospitais.

encontraram o que precisavam nessa linha de equipamentos”. Já, para o segmento de tomografia computadorizada, que é onde a empresa tem uma participação significativa e de liderança no Brasil, trouxe novidades apresentadas no Produção nacional repercute RSNA de 2016: O Aquilion ONE Genesis - a terceira geração da família Aquilion ONE, “Até o momento, esclarece Calil Fercom 320 detectores de 0,5 milímetros: noreira, já foram fabricados em Campinas, vos sistemas de redução de dose e soluções mais de mil equipamentos com o mesmo clinicas inovadoras. Foram padrão de qualidade do ainda apresentadas soluprocesso fabril seguido ções para o mercado de no Japão, onde o controle cardiologia que hoje a Cia é muito rígido, o que soa domina, principalmente positivo para o mercado com os equipamentos de brasileiro ao possibilitar 160 e 128 cortes, vários a ampliação do portfólio, sistemas serão instalados e dá uma vantagem ou os no país até o fim de 2017, coloca em igualdade para mostrando ao mercado competir no mercado de o diferencial da tecnolosaúde nacional. gia inovadora da Toshiba Ainda, segundo Calil, Medical. o impacto da JPR´2017 Com olhos para o merpara a empresa no Brasil cado de ressonância de 3 se reflete até hoje, prinTeslas, a Toshiba Medical cipalmente na área de Calil Ferreira, diretor comercial da procurou inovar e trazer ultrassom. “Um dos gran- Toshiba Medical. recursos diferenciais na abordagem a este des ganhos que tivemos foi na área da segmento. Então, hoje a Galan 3T, é um equiultrassonografia, porque faz parte do DNA pamento que compete abertamente e entrega da empresa. O lançamento da família muito mais valor que qualquer máquina de Aplio i-Series abriu um novo segmento de ressonância magnética, e traz alguns recursos mercado: o Ultra- Premium. Tecnologias adicionais inovadores, principalmente para realmente inovadoras desenvolvidas para musculoesquelético e neuro, com uma quaestes produtos gerará um efeito marcante no lidade de imagem que surpreendeu a todos mercado, que, com o tempo, influenciará os que a viram funcionando em sites do exterior. demais segmentos. Atualmente, temos em O lançamento na JPR 2017 mostra o grau andamento com o Hospital Sírio Libanês de maturidade e de competência da Toshiba um projeto com vários Aplio i800, para um Medical neste mercado. cliente que buscava uma plataforma nova e

Esse é um projeto, como a própria cultura japonesa de médio e longo prazo, no qual os investimentos na fábrica continuam com o objetivo de utilizá-la tanto em educação, como emtreinamento e pesquisa.

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REGISTRO Por Luiz Carlos de Almeida, Valeria de Souza e Claudia Casanova. (SP)

Guerbet consolida sua posição no País Ao ultrapassar 90 anos de atividades com uma forte presença no Brasil e marcada por ser a única companhia a ter uma fábrica de contrastes no País, a Guerbet concluiu o processo de aquisição da empresa Mallinckrodt junto ao CADE, ampliando e enriquecendo o seu portfolio de produtos.

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iferente de outras empresas, nós começamos O Presidente da afiliada Brasileira, também informa, investindo no Brasil, reformando e adequanque a fábrica ainda não está trabalhando com sua produção do a fábrica, preparando-a para atender as máxima, porque sua capacidade foi ampliada .“Além disso, necessidades do mercado e absorver novas estamos investindo em toda parte de serviço e cuidado demandas, tanto do mercado nacional quanto ao cliente e de farmacovigilância, no sentido de prover o do mercado internacional, certificando-a melhor serviço. Esse é o nosso grande e reforçando a exportação para a América compromisso com os clientes: prover a Latina e Europa”, explica o Presidente melhor experiência”, enfatiza. Roberto Godoy. “Com isso solidificamos Roberto Godoy aproveitou para esclarecer as preocupações sobre possíveis cada vez mais nossa presença no Brasil efeitos negativos do contraste linear, como uma grande geradora de empregos, surgidas na última decisão da agência que hoje conta com cerca de 200 colaboradores no país”, acrescenta. europeia. Segundo ele, a diferença entre o contraste linear e o macrocíclico é Roberto Godoy enfatiza que uma das a menor estabilidade dos lineares, que grandes preocupações nestes anos foi justamente essa readequação da fábrica, que pode permitir que o gadolínio escape do hoje tem total capacidade para atender complexo, ficando retido no paciente. todas as necessidades de demandas, sem Por outro lado, os macrocíclicos permanecem contidos na molécula e acabam riscos de falta de material. “Nós temos por ser excretados completamente. produção e estoque mais do que suficiente para atender a toda essa demanda. “Isso é que levou a uma recomendação do órgão regulador europeu, Não temos falta de contraste, mesmo com Roberto Godoy, presidente da Guerbet semelhante à Anvisa aqui no Brasil, que toda essa mudança que o mercado está regula a produção e uso de medicamentos, a decidir pela preconizando de contrastes lineares e macrocíclicos. Nós suspensão do registro dos contrastes lineares na Europa”, não temos nenhuma preocupação com o fornecimento de diz o presidente da Guerbet. contraste para o mercado brasileiro”, garante Godoy.

Mutirão de mamografia da FujiFilm no Outubro Rosa Mulheres dos estados SP, MG, PR, RN, GO e PB poderão realizar o exame gratuitamente após agendamento prévio

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ela segunda vez consecutiva, a Fujifilm, realiza o mutirão de mamografia em diferentes estados do Brasil, em parceria com clínicas e laboratórios proprietários de mamógrafos Fujifilm, durante o Outubro Rosa. Em 2016, mais de 1100 mulheres foram beneficiadas com a campanha, que visa diminuir a fila de espera para realização do exame em redes públicas e atender a população mais carente e mulheres sem recursos para planos de saúde. Após o sucesso da primeira edição, a Fujifim vai repetir a parceria e pretende ultrapassar esta quantidade de exames preventivos gratuitamente. “A FUJIFILM é uma empresa que tem como um de seus pilares a promoção da saúde, bem estar e qualidade de vida. Vimos nessa campanha uma maneira de materializar esse pilar da companhia, além de contribuir com essa importante campanha mundial”, destaca Eduardo Tugas, diretor da Divisão Médica da Fujifilm Brasil. O câncer de mama é o tipo que mais atinge as mulheres e a quinta causa de morte, segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer). A realização do autoexame aliado com os exames de rotina são os principais meios de prevenção e combate a doença e, no caso de um diagnóstico precoce, aumenta a chance de cura com o tratamento adequado. Para realização do exame de mamografia gratuito durante a campanha da Fujifilm será necessário um agendamento prévio nas clínicas e laboratórios participantes, pois estes terão um limite de atendimento. Mais informações estarão disponíveis em nossas redes sociais, a partir do dia 01 de outubro.

Alliage anuncia parceria da Figlabs com a Saevo A Alliage, empresa detentora de diversas marcas no setor de Saúde no Brasil anunciou nessa última semana um movimento estratégico entre duas de suas marcas, Figlabs e Saevo. No caso, a Figlabs, uma marca do setor médico com forte atuação na comercialização de equipamentos de ultrassom para diagnóstico humano, a partir de agora, estará associada à marca Saevo.

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movimento estratégico de associação de ambas as marcas, Figlabs e Saevo, visa fortalecer a marca Saevo, marca que tem se destacado na área odontológica, tendo tido sucesso e crescimento sem iguais desde que foi lançada no início de 2016. Essa união destacará as potencialidades de cada uma, já que ambas possuem a saúde no seu DNA”, destaca Francisco Rehder, responsável pela área de Marketing junto a Alliage.

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“Estamos confiantes de que juntos fortalecemos as bases já existentes de cada marca para nos consolidarmos como referência na área da Saúde no Brasil, ampliando nosso escopo de atuação e nossa capacidade de gerar produtos e serviços de altíssima qualidade e assim conquistar novos mercados”, afirma Thiago Almeida, responsável pela área Médica junto à Alliage; grandes investimentos devem movimentar o cenário de 2018 e projetamos crescimentos superiores a

10% com a expansão de nosso portfólio médico com novos produtos e serviços, destaca Thiago. Com 4 anos de atividade no Brasil, a Figlabs está onde os brasileiros precisam, simplificando o acesso à melhor qualidade de imagem e apresentando tecnologias essenciais para promover qualidade de imagens e diagnósticos precisos e seguros. Destacada pela sua competência e proximidade na prestação de serviços a Figlabs possui equipamentos de ultrassonografia

aplicados a diversas especialidades: ginecologia e obstetrícia, vascular, cardiologia e radiologia geral. Apresentada ao mercado em 2016, a Saevo é uma marca comprometida com o desenvolvimento da Odontologia em todos os sentidos. Com um portfólio completo de produtos que aliam tecnologia e design ao alto desempenho. Os investimentos da marca Saevo são para constante Inovação e geração de tecnologia que superem as expectativas dos profissionais.


ATUALIZAÇÃO

Controle da Qualidade: essencial na ultrassonografia Presente na rotina dos serviços por sua versatilidade e baixo custo operacional, a ultrassonografia consolida-se como método fundamental na rotina dos serviços e abre o caminho para o diagnóstico. O rápido avanço tecnológico colocou a ultrassonografia num outro patamar, para um diagnóstico preciso em todas das as áreas da medicina.

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os últimos vinte anos o avanço tecnológico dos computadores, melhorou a resolução e o processamento das imagens, transformou esse método em um instrumento poderoso de investigação médica dirigida e a as áreas de ginecologia e obstetrícia não abrem mão do método da ultrassonografia. A dra. Rossana Pulcineli Vieira Francisco, professora associada da disciplina de Obstetrícia da FMUSP e candidata a presidência da SOGESP em entrevista ao jornal ID Interação Diagnóstica, fala sobre o tema e chama a atenção para um dos maiores problemas em relação à ultrassonografia, a necessidade de um controle de qualidade mais rigoroso. E, um dos principais passos para que isso aconteça, é preciso valorizar o título de especialista, pois não existe fiscalização sobre os exames realizados. Em países da Europa, há programas de controle de qualidade sérios que garantem a atualização dos médicos e também a qualidade dos exames. “Infelizmente, em nosso País. a banalização da ultrassonografia, a realização de cursos com carga horária insuficiente e, parte prática aquém da necessária à boa formação, leva à desvalorização do trabalho do médico que se dedica e se importa com a qualidade do exame, inclusive por ser indispensável para uma assistência ética e segura”, pondera Pulcineli. Em sua análise, a dra. Rossana, afirma que o título de especialista e a certificação periódica, devem ser entendidos como um processo de va-

lorização da profissão, e não, como uma obrigação a mais, principalmente, se o processo for claro e transparente, todos vão entender que é uma forma de proteção tanto aos bons profissionais quanto para os pacientes. Outra questão importante é a interdisciplinaridade, essencial para que o paciente possa ser atendido em plenitude. O reconhecimento de que cada profissional tem sua atuação bem definida e que o trabalho interdisciplinar gera benefícios é a melhor opção para que todos sejam valorizados na sua expertise. Todos precisam reconhecer no outro as especificidades de cada profissão e utilizar o melhor do conhecimento das diferentes áreas com o objetivo de prestar a melhor assistência. Na área da saúde da mulher a ultrassonografia tem um papel fundamental, pois trouxe uma melhora significativa na qualidade da assistência prestada. “Hoje não é possível imaginar a atenção à saúde da mulher, seja ela gestante ou não, sem a ultrassonografia”, avalia a especialista. A ultrassonografia na medicina do Brasil iniciou-se nos anos de 1970, como um novo campo profissional, ligado principalmente a obstetrícia, na qual, inicialmente, era considerado como uma ferramenta de valor diagnóstico no acompanhamento pré-natal. Sua evolução e penetração no meio médico ampliaram-se a ponto de se constituir praticamente como uma subespecialidade no campo do diagnóstico por imagem, exigindo treinamento constante e uma conduta participativa do paciente.

Eleição SOGESP

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andidata à presidência da SOGESP, a dra. Rossana Pulcineli, que concorre pela chapa SOGESP Renovação Democrática, declara que os profissionais precisam de uma associação mais envolvida com a defesa profissional e que os represente com uma gestão moderna e descentralizada. Sua plataforma de campanha tem como objetivos: resgatar a valorização profissional; mais autonomia e suporte às Regionais para atendimento aos associados; ter uma gestão plural e participativa; investir em qualificação profissional; realizar cursos teóricos e práticos que possam agregar verdadeiro valor à prática clínica diária; oferecer ao associado atividades sem custo adicional e que sejam realizadas de acordo com as necessidades de cada região; manter contato contínuo com órgãos públicos que cuidam da saúde da mulher; promover avanços contínuos no Congresso; prosseguir com o Consultório Digital SOGESP gratuito; e ouvir, sempre, as queixas e sugestões dos associados em todos os eventos e sobre todas as atividades, promovendo melhoria contínua. A eleição acontece no período de 01 a 10 de novembro de 2017, em formato eletrônico. Os detalhes dessas propostas poderão ser acompanhados no site: sogesprenovacaodemocratica.com.br e no Facebook; https://www.facebook. com/SogespRenovacaoDemocratica/ NR. O ID está aberto a apresentação de outras plataformas de candidatos.

Apontando caminhos para a ecocardiografia fetal e pediátrica

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ma história que se funde com a própria evolução da ecocardiografia pediátrica e fetal, com a necessidade de preparar novos especialistas focados na qualidade, é o tema de entrevista com a Dra. Lilian Lopes, Diretora da clínica Ecokid – uma das pioneiras no País, autora de livros e hoje a frente de um bem sucedido Curso de Pós-Graduação em Ecocardiografia Fetal e Pediátrica e de seu programa lato sensu de pós-graduação. A relação da Dra. Lilian Lopes com a Ecocardiografia começou há cerca de 30 anos, em uma época em que a técnica era praticamente inexistente no país. Ao mesmo tempo em que esse pioneirismo a tornou responsável por grandes realizações – entre elas, a fundação do primeiro serviço universitário de ecocardiografia fetal na USP –, significou também uma trajetória marcada por dificuldades e barreiras. “No início, quando voltei da minha residência em São Francisco, cheguei a ouvir

que a ecocardiografia fetal não servia para nada. Por isso, fico muito feliz ao ver que agora o mundo todo entende o quanto essa técnica é importante, e o quanto muitas vidas são salvas pelo diagnóstico pré-natal. Hoje em dia há excelentes especialistas no Brasil e tenho muito orgulho em perceber que muitos deles foram meus alunos. Isso é uma honra”, conta a médica. Para a Dr. Lilian, a evolução da área foi tão grande, que hoje o ultrassom do coração fetal, o ecofetal, chega a ser solicitado como exame de rotina nas principais maternidades de São Paulo, tendo se transformado em uma importante ferramenta preventiva para detecção da cardiopa-

tia congênita. Muitas vezes gravíssima, essa condição pode, em alguns casos, demorar alguns dias até se manifestar. “Quando é possível fazer o diagnóstico fetal, há mais segurança para garantir que o problema não se manifeste, por exemplo, quando o bebê já estiver em casa. Acredito que muitos casos de morte súbita, principalmente em cidades menores ou quando não há tempo de chegar ao hospital, podem ser causadas por conta das cardiopatias congênitas”. Autora de três livros sobre ecocardiografia pediátrica e cardiologia fetal, a médica conta que desenvolveu suas habilidades didáticas durante experiência no Hospital

das Clínicas, quando passou a ter contato com muitos estagiários que queriam aprender ecofetal, e também com os residentes da Beneficiência Portuguesa, que se interessavam pelo ecopediátrico. Foi a partir dessas experiências que acabou criando a escola de ecocardiografia e o curso de pós-graduação lato sensu, do qual está à frente das aulas: “sou a responsável pelas aulas teóricas e conto com a ajuda de professores-assistentes para as aulas práticas. Com duração de um ano, o curso já está indo para sua terceira turma”. Destinado a médicos que já exercem como especialidade a ecocardiografia pediátrica e/ou de adultos, e a medicina fetal e/ou ultrassonografia obstétrica, o curso tem como objetivo a formação e habilitação dos profissionais no reconhecimento dos aspectos técnico-científicos em relação aos principais temas da ecocardiografia fetal, bem como a capacitação em congregar conhecimentos que, entre outras frentes, promovam o acolhimento humanizado nos atendimentos de gestantes.

Serviços, tecnologias e vendas: agilize seus contatos

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PROJETO Por Luiz Carlos de Almeida e Valeria de Souza (SP)

Mentoria para os radiologistas do futuro Os programas de mentoria para a futura geração de médicos radiologistas têm sido uma real contribuição na sua formação e a referência de conhecimento, habilidades e atitudes necessários para o pleno exercício da profissão.

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formação profissional de cessidade do médico de se reaproximar qualidade é um desafio consdo paciente, passar a ter mais contato e tante para as faculdades saber se comunicar de forma adequada, de medicina que precisam o que também inclui seus pares e outros formar seus jovens médicos médicos”, explica Giovanni Guido Cerri, e, também, prepará-los para uma carreira professor titular da disciplina de Radiologia e Oncologia da FMUSP e presidente na qual os seus valores e outros aspectos do Conselho Diretor do InRad-HCFMUSP. que permeiam a sua história de vida, De acordo com Cerri, a mentoria pode estejam contemplados. Ao enxergar as ajudar o médico nessa transformação necessidades de seus alunos num contexto que vai ser a saúde global, as instituições na próxima década, e de ensino, enriquecem mostrar a importância a sua formação com a de valorizar o profisoferta de mentores ou sional que não deve tutores, ou seja, médicos experientes para o só ficar vinculado à papel de mediador e questão tecnológica. facilitador do novo a A tecnologia é importante, evidentemente, ser conhecido, enfrentado e assimilado pelo traz benefícios para o aprendiz, para orientápaciente, mas o que -lo e ajudá-lo nas suas diferencia é o médico, escolhas durante todo o seu conhecimento, e o processo de aprena relação médico-padizagem. ciente, que tem de ser Há um ano o Insnovamente valorizada. tituto de Radiologia “Então, a mentoria eu do HCFMUSP – InRad Prof. Giovanni Guido Cerri acho que é uma contribuição importante implantou o programa para poder ajudar o jovem profissional a de mentoria para aprimorar a formação construir sua imagem, a descobrir a direção dos médicos residentes que escolheram a certa e a forma que ele deve encaminhar a especialidade de radiologia e diagnóstico sua carreira”, afirma o professor. por imagem, com seu campo de atuação Para a coordenadora do Programa de profissional. “É muito importante mudar Residência Médica em Radiologia e Diage preparar esses novos médicos para as nóstico por Imagem do Departamento de grandes mudanças na área de saúde. Por Radiologia e Oncologia da FMUSP, Dra. exemplo, nós vimos que existe uma ne-

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Regina Lúcia Elia Gomes, que é uma das “Nós tornamos obrigatória a adesão lideranças no processo de implantação pensando no acolhimento de cada R1 pelo da mentoria para os jovens médicos da seu grupo, que é constituído pelo mentor instituição, a mentoria informal sempre e mais ao menos 3 residentes. Embora a existiu e vai continuar - que é o residente entrada tenha sido obrigatória, depois, nos procurar uma pessoa com quem tenha próximos anos, como R2 e R3, eles poderão afinidade para trocar experiências e esoptar se vão continuar ou não. Assim, o caclarecer dúvidas quanto à profissão. Com ráter do projeto continua sendo voluntário. a implementação da tutoria formal no Além disso, nós fizemos outra inovação, Programa, após o projeto piloto de seis mepois vários dos nossos residentes que terses, a coordenação deu minaram a residência continuidade devido e se tornaram preceptores ou R4 gostariam ao sucesso, validado de continuar participelos residentes - cuja pando dos grupos de participação é voluntária -, em uma enquete mentoria. Então, na onde foi apontado um reunião da coordenação, decidimos criar o alto índice de aceitação do projeto que papel do co-mentor. completou um ano. O co-mentor, é justamente esse R4 ou Após o projeto piloto de 6 meses, um o atual preceptor que novo desafio foi enjá passou pela expefrentado com a chegariência inicial, já se da dos R1, devido ao formou e também vai início do ano letivo, trazer a sua experiência ao continuar colageando dúvida na comissão formada pelos borando com o grupo Dra. Regina Lúcia Elia Gomes mentores, preceptores ao lado do mentor”, e coordenadores do Departamento sobre a relata Regina Gomes. introdução dos recém-chegados no projeto A estatística do programa mostra mentoria, se seria também voluntária ou que neste ano houve uma adesão maior obrigatória, decidindo que a entrada seria dos residentes, com cerca de 80%, fora a obrigatória para se sentirem acolhidos, obrigatoriedade dos R1, em relação aos pelo fato de não conhecerem o sistema, os 70% de participantes em 2016. Resumincolegas, os assistentes, o que dificultaria a escolha do seu mentor. CONTINUA


PROJETO Por Luiz Carlos de Almeida e Valeria de Souza (SP)

Mentoria para os radiologistas do futuro CONCLUSÃO X

do, o projeto mentoria ajuda muito na troca de experiência e esclarecimento de dúvidas, mas deve-se considerar o fato que tanto o residente quanto o assistente/ mentor, sempre vão estar num processo de mudança, como conseqüência do seu crescimento e amadurecimento. Portanto, dependendo das novas escolhas ou uma nova meta na carreira, nada mais natural o mentorado optar por um novo mentor, o que é possível. Há na literatura relatos de vários mentores para uma mesma pessoa. “Nós estamos nesse passo inicial que é a mentoria apenas para os R1, R2 e R3, mas, como perspectivas futuras, pretendemos englobar os nossos R4, para que também participem. Ainda não temos a disponibilidade de vários mentores para uma mesma pessoa, mas provavelmente seguiremos nesse sentido também, conforme o progresso do projeto e seu sucesso. Além disso, a literatura também relata mentoria para o próprio corpo clínico, por exemplo, um assistente em fase inicial, pode ter um mentor ou mais de um, dependendo de sua área e de seus interesses”, informa a coordenadora. Já em relação à experiência dos mentores, o que é preconizado na literatura, é que sejam pessoas experientes, inclusive, alguns recomendam os da geração Baby Boomers - pessoas nascidas entre 1945 e 1960. São profissionais que buscam estabilidade na carreira e um emprego fixo, onde possam construir sua carreira e permanecer até a aposentadoria. Para esta geração o mais importante é ser reconhecida por sua experiência. Porém, essa prática não foi

adotada, o grupo tem expoentes de várias gerações, pois os mais jovens também se destacam no mercado e têm sido excelentes mentores, predominantemente da geração X. Segundo Regina Gomes, também da geração X, essa experiência difere da literatura por englobar ainda a geração Y com a participação dos R4 e dos preceptores como co-mentores, permitindo a integração e interação de diversas gerações, com experiências de vida e profissional diferentes, mas todas contribuindo para o sucesso do projeto. A preocupação com os futuros profissionais não é privilégio das instituições de ensino brasileiras. As universidades americanas investem em programas de mentoria que já apresentam resultados muito positivos, confirmados por estudos que também mostraram retorno financeiro. Segundo uma publicação recente do Journal of the American Medical Association (JAMA), professores mentores melhoraram sua prática de ensino e de atendimento, assim como a satisfação profissional. Outro estudo veiculado na Academic Medicine demonstrou maior retenção de professores como resultado da mentoria. O artigo de Mary Henderson, “Radiology Mentors Leave a Lasting Imprint on Students” (Mentores em Radiologia deixam uma marca duradoura nos estudantes), no RSNA News, mostra a opinião de renomados professores sobre os programas de mentoria, que são modelos de sucesso nas universidades americanas. Nele, o membro do Comitê de Melhoria da Qualidade da RSNA, dr. James Rawson, e chefe de radiologia e imaginologia do Medical

College of Georgia (MCG), da Augusta University, nos Estados Unidos, diz acreditar no valor dos médicos experientes para ajudar a desenvolver as gerações futuras. Além do programa de mentoria formal da residência médica do Medical College of Georgia (MCG), os residentes são incentivados a encontrar mentores afins que possam supervisionar projetos de pesquisa ou guiá-los no processo de aplicação para bolsas de estudo ou participação em congressos de âmbito nacional. “Parte de nosso trabalho é ajudar a desenvolver os indivíduos que acabarão por nos substituir, e temos essa cultura de ter muitos mentores. Sou um fã das relações de mentoria formais, complementadas por vários mentores informais”, informa ele. O dr.Rawson também aconselha

futuros mentores e mentorados a entrar em acordo quanto às áreas de foco e estabelecer limites para a relação, pois uma mentoria bem-sucedida exige uma compreensão mútua das expectativas. “Não estipular esses limites desde o início da relação aumenta a possibilidade de que alguém se decepcione”, disse. Para ele, a mentoria é muito recompensadora, especialmente quando ele vê ex-mentorados atingindo bons resultados. “Quando você mentora alguém, você deixa uma marca na pessoa que nunca se apaga. É um impacto de longo prazo sobre a carreira e a trajetória da pessoa.” Para os residentes e futuros profissionais, encontrar o mentor certo pode abrir as portas e mostrar o caminho para uma carreira bem sucedida em radiologia.

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PESQUISA Por Luiz Carlos de Almeida e Claudia Casanova (SP)

US: Valorização do mercado e seu papel na profissionalização Pesquisa realizada pela FATESA/EURP traz uma importante avaliação da ultrassonografia nas diversas regiões do país, com resultados que nos fazem refletir não somente sobre a qualidade da formação profissional dos ultrassonografistas, mas também sobre a falta de diferenciação entre as tecnologias empregadas e a importância de se valorizar a área.

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om uma estimativa de participação nacional de 60 mil profissionais que atuam na área, para um parque de 35 mil máquinas, o tema foi abordado pelo Prof. Francisco Mauad Filho em entrevista ao ID– Interação Diagnóstica, durante o Congresso da FLAUS, em São Paulo, ocasião em que analisou a situação e sugeriu caminhos. Atualmente a solicitação de exames de ultrassonografia é alarmante, revelando-se, muitas vezes, o principal recurso diagnóstico. É um cenário, portanto, em que o médico tem de estar bem preparado, mas nosso questionário constatou que mais de 70% dos profissionais não têm nenhuma titulação.

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Esse percentual reflete uma realidade do país, que é o desafio de se submeter a concurso para obter o título de especialista, seja pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) ou pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Estas são as entidades credenciadas pela Associação Médica Brasileira para a realização do exame. As provas realizadas por essas entidades têm um perfil bastante rigoroso e pautado na valorização da qualidade, mas não são obrigatórias, por isso os médicos precisam querer submeter-se a elas. Dos profissionais que participaram na pesquisa, apenas 14% disseram ter obtido a titulação pela FEBRASGO e 12% pelo CBR.

A pesquisa, que foi realizada pela equipe da FATESA/ EURP, tendo à frente os professores, Francisco Mauad Filho e Fernando Marum Mauad também mostrou um dado importante com relação ao perfil de quem opta pela ultrassonografia: 40% entram na área em busca de mudança no estilo de vida e de melhores oportunidades no mercado, e não por conta de aptidão. A realidade é ainda mais preocupante quando se fala da formação de quem já está no mercado, pois 1/3 dos ultras-

sonografistas tem menos de 180 horas de formação – embora os próprios participantes da pesquisa acreditem que o tempo ideal para a capacitação deveria ser de dois anos, sem contar que a grande maioria, 70% faz ultrassom com clínica, mostrando que o ultrassom não é a atividade somente em diagnóstico de imagem mas de importância clínica, demonstrando que está praticamente em todas as áreas clínicas. Na entrevista com o Prof. Mauad Filho, também foi abordada a questão da falta de diferenciação entre as tecnologias aplicadas na área da ultrassonografia, o que faz com que um exame básico e um especializado acabem ficando em um mesmo patamar de honorários. É o caso, por exemplo, de uma elastografia em alto nível, um aparelho de altíssimo custo, e fundamental para o diagnóstico do certas patologias, mas que não tem diferenciação nenhuma pelas seguradoras que pagam por essa nova tecnologia. Outro problema relacionado à questão dos custos da tecnologia empregada e a falta de profissionalização, diz respeito aos diversos exames que um paciente costuma fazer, ou refazer, pela mesma causa, o que acaba sendo oneroso tanto para a seguradora quanto para o Estado. Para melhorar todos esses cenários relatados, o Prof. Mauad Filho tem algumas sugestões que passam pela formação do indivíduo, pela sistematização de exame em todas as áreas e também pela criação do consentimento esclarecido. Sobre a formação dos profissionais, o professor afirma que criar sistemas para dar curso de aperfeiçoamento, como já foi feito pelo CBR, é um bom caminho, mas que é fundamental que tenhamos uma carreira de ultrassonografista níveis um, dois e três. “Isso já existe na Europa, Chile e Uruguai, onde indivíduos mais especializados podem ser melhor remunerados, e estimularia a atualização constante dos ultrassonografistas.” Mauad acredita que a existência desse nivelamento na formação profissional, somado ao preparo e a equipamentos adequados e na qualidade necessária, deixará tudo mais confiável e com menos repetições de exames desnecessários, por exemplo. Interpretações equivocadas ainda poderão acontecer, mas os erros diminuem muito quando há preparo tanto do profissional quanto da máquina, diz o Prof. Mauad Filho. Outro caminho apontado pelo professor para melhorar a área da ultrassonografia seria a criação de um consentimento esclarecido pós-informado em todos os exames. Embora seja difícil encontrar o número de processos jurídicos envolvidos na ultrassonografia, uma vez que por aqui o CRM não considera essa área para aplicação, na Europa e nos Estados Unidos ela já é a quarta causa mais importante em um processo jurídico. Essa evolução somada ao grande número de indivíduos não preparados irão se transformar em um sério problema na área médica. Por isso, acreditamos que as entidades responsáveis têm o compromisso de criar órgãos ou sistemas de ensino/ aprendizagem e avaliações para formação dos ultrassonografistas, pois a qualificação é realmente preocupante. Por fim, o Prof. Mauad Filho afirma que as sociedades responsáveis devem atuar para mostrar que a ultrassonografia é um procedimento muito oneroso em termos de mão de obra, e que os valores pagos pelas seguradoras são muito pequenos, o que provoca desprestígio e pouca valorização. É muito importante dar o devido valor à ultrassonografia, o que não será conquistado se não houver também a valorização em termos financeiros, conclui.


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EVENTOS

RSNA 2017 vai homenagear neurorradiologista brasileiro

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neurorradiologista Renato Adam Mendonça, ex-presidente da Sociedade Paulista de Radiologia e presidente da Comissão Científica da Jornada Paulista de Radiologia será homenageado pela RSNA – Radiological Society of North America, durante o próximo evento, em Chicago. Doutor em Ciências pela Unifesp e diretor do DASA, o Dr. Renato Mendonça, receberá essa merecida homenagem, como membro honorário da RSNA, na 103ª Assembleia Científica e Reunião Anual, que acontece de 26 de novembro a 01 de dezembro, em Chicago. É um reconhecimento ao seu trabalho em prol da especialidade, contribuindo ao longo dos anos, juntamente com demais diretores da entidade, para expandir a atuação da JPR internacionalmente e fortalecer os laços com a entidade americana. Também vão receber a homenagem: Hassen A. Gharbi, MDTunis, Tunísia e Katrine Riklund, MD, PhDUmea, Suécia.

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Interação Diagnóstica é uma pu­bli­ca­ção de circulação nacional des­ti­n a­d a a médicos e demais profissio­n ais que atu­am na área do diag­nóstico por imagem, espe­cia­ listas corre­lacionados, nas áreas de or­to­pe­dia, uro­logia, mastologia, gineco-obstetrícia. Conselho Editorial Sidney de Souza Almeida (In Memorian), Alice Brandão, André Scatigno Neto, Carlos A. Buchpiguel, Carlos Eduardo Rochite, Dolores Bustelo, Hilton Augusto Koch, Lara Alexandre Brandão, Maria Cristina Chammas, Nelson Fortes Ferreira, Nelson M. G. Caserta, Rubens Schwartz, Omar Gemha Taha, Selma de Pace Bauab e Wilson Mathias Jr. Consultores informais para assuntos médicos. Sem responsabilidade editorial, trabalhista ou comercial.

Renato Adam Mendonça

Trabalho brasileiro premiado

studo realizado pelo Departamento de Radiologia e Disciplina de Urologia do HCFMUSP foi selecionado como o melhor trabalho científico publicado na revista CardioVascular and Interventional Radiology (CVIR) em 2016. A premiação foi feita durante o Congresso da Sociedade Européia de Radiologia Intervencionista (CIRSE) em Copenhagen durante os dias 1620 de Setembro de 2017. O trabalho foi um estudo prospectivo randomizado comparando a técnica da Ressecção Transuretral da Próstata (RTU-P) com a Embolização das Artérias Prostáticas

Expediente

(PAE) nos pacientes com sintomas do trato urinário inferior em decorrência da hiperplasia prostática benigna de autoria, de autoria de Carnevale FC, Iscaife A, Yoshinaga EM, Moreira AM, Antunes AA, Srougi M. O prof. Francisco Cesar, com intensa atuação editorial, membro de várias sociedades nacionais e internacionais, e além, da sua posição como Editor CVIR (Brasil), colabora na Revista “Radiologia Brasileira”, do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e “Intervencionismo”, da Sociedad Iberoamericana de Intervenção (SIDI).

Jornalista responsável Luiz Carlos de Almeida - Mtb 9313 Redação Alice Klein (RS), Daniela Nahas (MG), Lizandra M. Almeida (SP), Claudia Casanova (SP), Valeria Souza (SP), Lucila Villaça (SP) e Mariana Ferreira (SP) Tradução: Fernando Effori de Mello Arte: Marca D’Água Fotos: André Santos, Cleber de Paula, Henrique Huber e Lucas Uebel Imagens da capa: Getty Images Administração/Comercial: Sabrina Silveira Impressão: Meltingcolor Periodicidade: Bimestral Tiragem: 12 mil exemplares impressos e 35 mil via e-mail Edição: ID Editorial Ltda. Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2050 - cj.108A São Paulo - 01318-002 - tel.: (11) 3285-1444 Registrado no INPI - Instituto Nacional da Pro­prie­dade Industrial. O Jornal ID - Interação Diagnóstica - não se responsabiliza pelo conteúdo das men­sagens publicitárias e os ar­tigos assinados são de inteira respon­sa­bi­lidade de seus respectivos autores. E-mail: id@interacaodiagnostica.com.br


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Jornal Interação Diagnóstica #100 Outubro/Novembro 17  

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Jornal Interação Diagnóstica #100 Outubro/Novembro 17  

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