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IMAGINE´2017 Dias 24 e 25 de março, em São Paulo, o InRad HCFMUSP promoverá o IMAGINE´2017, com uma programação focada na Imagem na prática ambulatorial e hospitalar. Informe-se: www. imagine-inrad.org.br (pag. 13). twitter.com/intdiagnostica

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FEVEREIRO / MARÇO DE 2017 - ANO 16 - Nº 96

Profissionalismo, um legado da boa formação médica

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uem tem a missão de orientar as novas gerações de médicos nos centros de formação de residentes e fellows precisa manter o firme compromisso de abordar a conduta profissional como tema essencial. O dr. Stephen Brown, presidente do Comitê de Profissionalismo da RSNA, abordou algumas experiências notáveis da formação de médicos em artigo publicado recentemente na revista RSNA News. A estratégia que alcança de maneira mais consistente e definitiva a questão da qualidade da formação é a de instituições que incluem em seus currículos e nas estruturas de treinamento o profissionalismo como matéria de aulas práticas. No Brasil, algumas experiências semelhantes são realizadas em instituições como a Faculdade de Medicina da USP em formato de mentorias. Pag. 3

O estado febril da saúde pública

Empossada nova diretoria do CBR

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Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) empossou sua nova diretoria para o biênio 2017-2018, no dia 19 de janeiro, em sua sede, em São Paulo (SP), Representantes de entidades médicas como o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB), a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso) e a Sociedade Brasileira de Neurorradiologia Diagnóstica e Terapêutica (SBNR), além de presidentes de suas regionais e ex-presidentes, marcaram presença. Saudado pelo Dr. Antonio Carlos Matteoni de Athayde, que dirigiu o CBR nos anos de 2015 e 2016, agradeceu os referências falou sobre suas expectativas. Pag. 4.

O recente surto de febre amarela, ao lado da falta de solução para os demais problemas como o Zika Virus, o Dengue e Chikungunya, mostram as deficiências da nossa saúde pública e vem tirando o sossego de nossas autoridades. A dra. Sandra Franco, analisa o problema do ponto de vista jurídico na pag. 10

Neuroimagem lança novas luzes sobre o estudo do cérebro

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os últimos 10 anos, as inovações nas técnicas de neuroimagem estrutural e funcional ampliaram a compreensão dos médicos sobre novos aspectos do cérebro humano. A maior contribuição dos equipamentos e técnicas se dá sobre a avaliação quantitativa do cérebro, incluindo estrutura macroscópica, organização microestrutural, conectividade funcional, perfusão e metabolismo. O dr. Max Wintermark, professor de radiologia e chefe de neurorradiologia do Centro Médico da Universidade de Stanford, em Palo Alto, Califórnia,

fez uma detalhada análise sobre tais novidades em artigo publicado em recente edição da revista RSNA News, publicação da Sociedade de Radiologia da América do Norte. A reportagem de ID Interação Diagnóstica conversou com a dra. Claudia Costa Leite, diretora de Ensino e Pesquisa do Instituto de Radiologia do HCFMUSP (InRad), sobre estas técnicas de neuroimagem anatômica e funcional na prática clínica no Brasil. Confira também uma entrevista com o dr. José Guilherme Mendes Pereira Caldas sobre as perspectivas profissionais na neurorradiologia intervencionista. Págs. 5 e 6

Inovações mudam rotina do médico Telerradiologia, imagens na nuvem e inteligência artificial mostram as inovações que estão se integrando à área de diagnostico por imagem e mudando o papel do medico dentro da equipe. Nas pags. 7, 8, e no Caderno Application, entrevista com o dr. Marcelo Bordalo, e artigos dos drs. Roberto Cury e Daniel Avila, e dos drs. Rogerio Caldana e Gustavo Meirelles.

Confira no Application: ✔ Vantagens e desvantagens técnicas da espectroscopia cerebral multivoxel 3D por RM ✔ Avaliação dopplerfluxometria no transplante hepático ✔ Hernias lombares


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FEV / MAR 2017 nº 96

Por Luiz Carlos de Almeida e Sylvia Veronica (SP)

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EDITORIAL

Profissionalismo: decisivo para residentes e médicos em especialização

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ada mais oportuno do que uma reflexão sobre condutas profissionais agora que as principais residências médicas em todo País concluíram ou estão concluindo a seleção das suas novas turmas e que o CREMESP se prepara para divulgar os resultados da 12ª edição do exame para médicos recém-formados, com uma triste constatação: a piora nos resultados. Há muito tempo, os Estados Unidos são referência para os brasileiros e, de fato, há na medicina norte-americana muitos bons exemplos sobre práticas profissionais. No entanto, a experiência do país da América do Norte também tem problemas semelhantes aos brasileiros. Em artigo publicado recentemente na revista RSNA News, o dr. Stephen Brown, presidente do Comité de Profissionalismo da RSNA, levanta questões básicas que devem nortear o trabalho de quem tem a missão de conduzir novas gerações de médicos que estão chegando aos centros de formação de residentes e fellows. Em concordância com outra referência no assunto, o dr. Ronald Eisenberg, coordenador do Comitê de Residencia do Centro Médico Beth Israel, em Boston, e membro do Comitê de Profissionalismo da RSNA, o prof. Brown lembra que iniciativas educacionais que estimulam o profissionalismo são essenciais para a residência e a especialização, a fim de promover um atendimento de alta qualidade ao paciente. “Além disso, o profissionalismo é uma das competências cuja obtenção é exigida dos residentes antes que eles prestem os novos exames de certificação. Profissionalismo é, definitivamente, um dos componentes mais desafiadores para se adquirir e avaliar durante o treinamento de residência,” escreveu o prof. Brown. No Canadá, o Colégio Real de Médicos e Cirurgiões desenvolveu uma estrutura de

treinamento em programas de residência que inclui profissionalismo como um item do currículo. No programa de residência em radiologia da Universidade de Toronto, os residentes recebem instrução em profissionalismo por meio de aulas didáticas formais. Farto material didático sobre profissionalismo está disponibilizado nos Comitês de Ética e de Profissionalismo da RSNA e são revisados anualmente. Além disso, materiais online são oferecidos pela Academia de Liderança e Gestão em Radiologia, co-patrocinada pelo RSNA e pelo Instituto Liderança e Radiologia do ACR. Residentes, preceptores e coordenadores de residência podem se beneficiar deste amplo material, mas, como enfatiza o prof. Brown, “estratégias para tratar de colegas deficientes e/ou incompetentes começam com a educação para ajudar as pessoas a identificar tais comportamentos e entender como eles prejudicam a assistência médica. As estratégias também incluem o estabelecimento de expectativas claras e imediatas de conduta, mecanismos que facilitam o relato de tal comportamento, e entendimentos transparentes de como tal conduta será tratada”, analisou o especialista. A Faculdade de Medicina da USP criou e vem mantendo um programa de mentoria para os seus acadêmicos, a fim de traçar linhas de conduta e de profissionalismo. No ambiente do Instituto de Radiologia, por exemplo, uma iniciativa pioneira também criou o Projeto de Mentoria. A realidade apresentada aqui no Brasil e em outros países deixa clara a necessidade de que todos os residentes e médicos em especialização questionem-se: Como tratar de sua carreira e buscar o sucesso profissional sem abrir mão de valores imprescindíveis, como a ética e o profissionalismo? Eis um grande desafio.

REGISTRO

Parcerias de conteúdo, um esforço gratificante

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o momento em que o ID Interação Diagnóstica inicia uma nova etapa em sua história, é oportuno analisar a sua evolução e agradecer aos parceiros que têm contribuído para a existência do jornal, com informações atualizadas e relevantes. Preocupadas, sempre, com a qualidade da informação, com a atualidade e a necessidade de um conteúdo pertinente, a equipe do jornal ID desenvolve um intenso trabalho de planejamento e análise editorial.

A divulgação de notícias e artigos sobre a produção científica nacional é a prioridade e, considerando que as principais instituições de pesquisa médica do Brasil produzem material de excelente qualidade – o que se confirma pela quantidade de trabalhos aceitos e premiados pela RSNA –, é um desafio e imensa responsabilidade publicar tais conteúdos, seja na forma de artigo original, nota previa, revisão, relato de caso ou matéria. Com a criação do portal www.interacaodiagnostica. com.br, no ano passado, mais um veículo está disponível

para a divulgação dos conteúdos da área médica de forma mais intensa e dinâmica. Esta perspectiva indica a continuidade do trabalho com abrangência e qualidade cada vez maiores. Reiterando que a contribuição das instituições parceiras em todo o país é fundamental, os agradecimentos especiais às principais delas: InRad-HCFMUSP, InCor-SP, ICESP, Hospital Sírio-Libanês, A.C. Camargo Câncer Center, Hospital Albert Einstein, Grupo Fleury, Fundação IDI e DASA.


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O BIMESTRE

Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

Nova diretoria do CBR toma posse para mandato 2017-2018 O Colégio Brasileiro de Radiologia empossou sua nova diretoria, presidida pelo prof. Manoel de Souza Rocha, em ato realizado na sede da entidade, na av. Paulista.

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eleição do prof. Manoel Rocha, é um reconhecimento ao seu trabalho acadêmico e a sua história como professor da especialidade, em todo o País. Ao ser empossado, o novo presidente do CBR, enfatizou o trabalho das diretorias que o sucederam, com um registro especial às duas últimas, presididas pelos drs. Henrique Carrete Jr. e Antonio Carlos Matteoni de Athayde, onde ele começou sua trajetória na entidade e atuou como diretor científico. Lembrou as conquistas implementadas, para a integração e o fortalecimento associativo, valorizando a especialidade e seu papel na sociedade. Como projeto para o seu mandato, o prof. Manoel Rocha, pretende que o CBR trabalhe também para a valorização da especialidade junto aos pacientes, para que recebam os benefícios da evolução tecnológica. Durante a solenidade, o presidente da Associação Médica Brasileira, dr. Florentino Cardoso, agradeceu o apoio do CBR em todas as mobilizações realizadas pela entidade em defesa do médico. Finalizando, foi aberto um espaço para o descerramento da foto do dr. Antonio Carlos Matteoni de Athayde, na galeria dos ex-presidentes.

A posse da nova diretoria do CBR em três momentos, prof. Manoel Rocha com os drs. Florentino Cardoso, presidente da AMB e dr. Antonio C. Matteoni de Athayde, e com os ex-presidentes, Sebastião Tramontin, Fernando Alves Moreira, Henrique Carrete Jr., A.C Matteoni e Aldemir Humbero Soares.

Com os novos diretores que compareceram a reunião realizada na sede da entidade em São Paulo.

Mais de 2.000 médicos participam da avaliação anual

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Avaliação Anual dos Residentes e Aperfeiçoandos em Ultrassonografia, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, realizada em 29 de janeiro, contou com a participação de mais de 2 mil médicos. Foram 1.922 candidatos inscritos na XVIII Avaliação na área de radiologia e 86 no VII Exame anual em ultrassonografia. A organização foi do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e de suas filiadas Regionais. As provas aconteceram em 12 cidades e tiveram os seguintes números de participantes em cada uma delas: Belém (PA) – 46; Belo Horizonte (MG) – 132; Brasília (DF) – 109; Curitiba (PR) – 92; Florianópolis (SC) – 44; Fortaleza (CE) – 83; Porto Alegre (RS) – 157; Recife (PE) – 107; Ribeirão Preto (SP) – 242; Rio de Janeiro (RJ) – 261; Salvador (BA) – 67; e São Paulo (SP) – 668. “O Colégio considera a formação dos novos radiologistas como uma de suas principais missões e tem se dedicado a isso

Descentralizada, em 12 cidades, a prova do titulo do CBR é o diferencial para o profissional.

desde o início de sua história, inclusive com o incentivo a novas residências no Brasil, além de colaboração com elas”, lembrou o presidente do CBR, Dr. Manoel de Souza Rocha, na abertura do evento. Em relação ao mercado profissional, o médico será mais valorizado a partir do momento que obtém um Título de Especialista ou Certificado de Área de Atuação. Em re-

lação à sociedade, o profissional melhor capacitado é a garantia de oferta de qualidade de assistência à população. Por isso, o CBR realiza, desde 1999 (radiologia e diagnóstico por imagem) e 2010 (ultrassonografia), a avaliação busca auxiliar a formação de especialistas e qualificar os programas de residência reconhecidos pelo Ministério da Educação e os cursos de aperfeiçoamento

credenciados pelo CBR. É uma forma de os pós-graduandos e das instituições de todo o Brasil se autoavaliarem, permitindo a intensificação do ensino-aprendizagem em determinadas áreas, levando-se em consideração os resultados obtidos. É importante salientar que quem fez o exame de nível 3 em Radiologia e Diagnóstico por Imagem e obteve nota mínima de 7 na média aritmética das três provas será liberado da prova teórica do Exame de Suficiência para Concessão do Título de Especialista ou Certificado de Área de Atuação do CBR em 2017. O mesmo critério vale para quem realizou a prova de nível 2 em Ultrassonografia e conquistou média idêntica ao concluir as duas provas. No entanto será necessário fazer a inscrição para a prova de Título/Certificado no site do Colégio (www. cbr.org.br). Em 2016, na última edição, 24% dos participantes foram dispensados. Os novos pós-graduandos nível 1 terão de 1º de março até 30 de abril para se cadastrar no site do CBR (www.cbr.org.br/ residenciaaperfeicoamento), a fim de participar de sua primeira avaliação no próximo ano. Quem já está automaticamente inscrito (níveis 2 e 3) deve fazer a atualização de seus dados cadastrais nesse mesmo período, caso seja necessário.


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Por Luiz Carlos de Almeida e Sylvia Veronica Santos (SP)

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MATÉRIA DE CAPA

Avanços da neuroimagem dão novas ferramentas à medicina de precisão Os avanços na área da neuroimagem traçando novos caminhos para o conhecimento do cérebro e das enfermidades neurodegenerativas vem trazendo novos desafios para os especialistas da área de neurorradiologia. É o que mostram pesquisas em grandes centros especializados do Brasil e dos Estados Unidos.

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rês das cinco maiores inomicroestrutural, conectividade funcional, vações médicas dos últimos perfusão e metabolismo”, apontou. 25 anos estão relacionadas Em seu artigo, o prof. Wintermark ao diagnóstico por imagem: ressaltou serem cruciais para uma tradução imagens de RM e TC para clínica significativa as pesquisas de eficácia angioplastia com balão e a mamografia. comparativa e resultados, de modo a obter A afirmação é do prof. Max Wintermark, ampla aceitação no moderno sistema de professor de Radiologia e chefe do Deparsaúde, com suas restrições econômicas. tamento de Neurorradiologia do Centro Escreveu que a avaliação quantitativa de Medico da Universidade de Stanford, em tecido e função cerebral oferecem um potencial de avaliação imparcial e reprodutível, Palo Alto, California. em comparação com a interpretação visual O potencial da neuroimagem foi tema qualitativa mais tradicional. “As abordagens de recente edição da revista RSNA News, quantitativas em neuroimagem começaram a publicação da Sociedade de Radiologia da permear a prática clínica devido ao trabalho América do Norte, onde o neurorradiologista fez uma detalhada análise das maiode consórcios dedicados a doenças especíres contribuições ficas. Por exemplo, da especialidade na essa avaliação para pesquisa de doenças neuroimagem da do cérebro. O ID InDoença de Alzheiteração Diagnóstica mer (ADNI) coletou dados de MRI, repercutiu o assunto PET, genética, testes com a profa. Claudia da Costa Leite, cognitivos, fluído diretora de Ensino e cérebroespinhal e Pesquisa do Institubiomarcadores santo de Radiologia do guíneos para a investigação de potenciais Hospital da Clinicas, preditores da doença Para o prof. de Alzheimer”. Wintermark, que A dra. Claudia também preside o Costa Leite lemComitê de Informações Públicas da brou que, no Brasil, RSNA e é co-presio banco de dados de Prof. Max Wintermark, da Universidade de dente do Comitê de Stanford, EUA. pacientes com doença de Alzheimer Pesquisas da Sociedade Americana de Neurorradiologia. “estas é um objetivo a ser implementado, afim técnicas estão hoje firmemente integradas à de reunir dados de idosos normais, com prática clínica, e a radiologia como disciplidistúrbio cognitivo médio e com Alzheimer na merece imenso crédito pela integração para que sejam acompanhados ao longo bem-sucedida da física e da tecnologia do tempo e comparados com novos casos. computadorizada com aplicações clínicas”. Analisou, também, os impactos das técnicas de neuroimagem anatômica e funcional O especialista comentou as inovações na prática clínica no Brasil. Muitas destas nas técnicas de neuroimagem estrutural e técnicas, pontuou a especialista, já estão funcional ocorridas nos últimos 10 anos, na prática clínica, solicitadas por médicos que trouxeram ganhos na compreensão sobre novos aspectos do cérebro humano, os clínicos e cirurgiões para um diagnóstico quais transcendem a simples visualização mais preciso. “Alguns exemplos são a da anatomia. imagem de tensores de difusão, espectroscopia, volumetria e ressonância magnética “Novos scanners, mais rápidos, com funcional”, destacou. melhor qualidade de imagem e maior força “Diversos métodos de ressonância de campo magnético – bem como maior resolução espacial e temporal – permitem uma magnética funcional mapeiam grandes plena avaliação quantitativa do cérebro, inpopulações para entender como funcionam cluindo estrutura macroscópica, organização as doenças. Mas ainda são necessários mais

funcional, de forma semelhante ao projeto dados populacionais. As informações genéticas complementam cada vez mais os dados Genoma Humano, seja utilizada como ferramenta clínica para identificar biomarcadode imagem. É preciso entender melhor as res de doenças, bem alterações genéticas, como classificar paporque os dados vão cientes individuais se complementando”, analisou. em grupos diagnósticos/prognósticos A maior incidência das doenças e prever desfechos neurodegenerativas relacionados a intervenções terapêucom o envelhecimento da população ticas. e a maior sobrevida Para estudar a fisiologia do cérebro, a deste grupo etário aquisição simultânea desafiam a medicina no caminho pode permitir uma preventivo. “A neumelhor avaliação in roimagem traz invivo de múltiplos formações e o mais processos neuropsicológicos, tais como importante é identificar o potencial mudanças na hemodinâmica cerebral, de desenvolvimento Profa. Claudia da Costa Leite, diretora de Ensino e Pesquisa do InRad HCFMUSP. incluindo fluxo sanda doença antes que guíneo, volume e oxigenação cerebrais, o paciente a desenvolva. Um exemplo é a bem como as relações entre metabolismo possibilidade de reunir informação genética, e consumo de oxigênio (acoplamento neuquantitativa e de imagem para dizer anos rovascular). “Novas sondas moleculares antes se o paciente pode manifestar Alzheimer”, assinalou a dra. Claudia. permitem a aquisição direta de imagens de neuroinflamação e ativação microglial, hipóNovas descobertas sobre o xia, necrose e apoptose. Outros transtornos cérebro humano associados a mudanças no estado mental, O prof. Max Wintermark também como depressão, demência, esquizofrenia e abordou o esforço da neuroimagem para transtornos obsessivos compulsivos serão compreender a conectividade estrutural das caracterizados de novas formas, através redes cerebrais. A conectividade estrutural da combinação de medições anatômicas, pode ser observada em nível de sinapses funcionais e metabólicas durante condições individuais (microconectoma) ou em nível idênticas de exame, criando oportunidades de tratos entre regiões cerebrais (macrocoimpossíveis de duplicar com o uso de dados nectoma). adquiridos sequencialmente”, acrescentou “MRIs estruturais, tais como imagem Wintermark. por tensor de difusão e imagem por espectro A dra. Claudia Costa Leite finalizou, de difusão, podem fornecer informações enfatizando que a conectomia cerebral ainda relativas às conexões estruturais do macronão é realidade no Brasil. “Trata-se de um conectoma. Métodos de MRI, a exemplo das projeto caro e audacioso, mesmo no contexto imagens dependentes do nível de oxigênio norte-americano, demandando computadono sangue, adquiridas em repouso, podem res muito robustos e poderosos, com grande oferecer informações relativas à conecticonsumo de energia e horas de máquina. vidade funcional. A conectividade pode Mas, em médio prazo, o projeto trará vatambém ser estudada por meio da medição liosas informações para aplicação clínica”, da atividade elétrica e magnética associada afirmou. A especialista defende que as pesà despolarização neuronal, utilizando elequisas contribuam para o desenvolvimento troencefalografia e magnetoencefalografia, da chamada medicina de precisão, com inrespectivamente”, escreveu. dicação médica individualizada, a partir de Os pesquisadores norte-americanos dados do paciente comparados ao longo do esperam que a conectomia estrutural e tempo com relação a uma população.


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INOVAÇÃO E PESQUISA

Por Thaís Marins e Sylvia Veronica Santos (SP)

Intervenção muda processo de decisão diagnóstica Os avanços da especialidade trazem novas perspectivas profissionais para os médicos e significativos benefícios para pacientes

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om a evolução da inteligência artificial na radiologia, e os diagnósticos sendo cada vez mais efetuados pelas máquinas, o papel do especialista neste caso, do neurorradiologista, torna-se cada vez mais importante pois apenas esses vão encontrar espaço no mercado de trabalho. A neurorradiologia intervencionista também cresce na esteira dos diagnósticos não invasivos, cada vez mais frequentes e mais precisos e na busca incessante da medicina por procedimentos menos agressivos, de menor custo, de menor tempo na formação e especialmente com melhores resultados que os procedimentos de neurocirurgia clássica. Esta realidade deve orientar as estratégias de atuação na área, na avaliação do Dr. José Guilherme Mendes Pereira Caldas, um dos diretores do Serviço de Intervenção – área de neurorradiologia do InRad HC FMUSP. Ele falou sobre o assunto no Congresso Brasileiro de Neurorradiologia, realizado em São Paulo, no encerramento de sua gestão a frente da SBRN. O médico destacou a necessidade de pensar em termos estratégicos sobre o futuro dos profissionais da área. “Especializar-se em neurorradiologia intervencionista é uma alternativa interessante. Em alguns países e algumas áreas da neurocirugia já não há mais novos neurocirurgiões pois tudo passou para as mãos dos neurorradiologistas intervencionistas. Acredito que, dentro de algum tempo, a maioria dos casos poderão ser solucionados pela neurorradiologia in-

tervencionista”, projetou o Dr. José Caldas. A Sociedade Brasileira de Neurorradio“Tomando como exemplo o tratamento logia Diagnóstica e Terapêutica congrega os de aneurismas, em 1996, ou seja, não faz médicos que fazem diagnóstico e basicamenmuito tempo, realizei a embolização de um aneurisma pela primeira vez no Brasil. Hoje, no mundo inteiro, temos cerca de 80% dos casos de aneurismas embolizados, só 20% vão para cirurgias abertas. Em quase 20 anos conseguimos praticamente zerar as cirurgias. Imaginando essa evolução com outras doenças, teremos um enorme avanço em 50 anos”, considerou. O especialista lembrou que o aneurisma era uma sentença de morte para o doente. Com a intervenção, esta realidade mudou. “Temos dezenas de tipos de aneurisma e o problema em si é o volume da hemorragia que ele provoca, o que não depende do tipo de aneurisma, mas de uma série de fatores. Podemos dizer que 50% dos pacientes que têm hemorragia morrem. Dos outros 50%, 90% morrem se não forem tratados no primeiro mês; a outra parte morre se não for tratada Dr. José Guilherme Mendes Pereira Caldas na primeira semana. Quanto mais precoce o tratamento, melhor. E te produzem laudos e realizam ressonância, isso traz uma vantagem gigantesca para a tomografia, entre outros equipamentos e os intervenção, pois podemos trabalhar em médicos que se utilizam de aparelhos de qualquer momento, enquanto a abertura RX, normalmente angiógrafos, para tratar do crânio e a manipulação do cérebro tem percutaneamente doenças do sistema nermelhores resultados se o paciente estiver voso central. “Aviso que num futuro muito clinicamente bem”. próximo os exames de imagem serão lidos

junto com o estudo biomolecular, com a leitura do código genético do paciente, em sintonia direta com laboratório de patologia etc. A radiologia só poderá disputar com os computadores a primazia do diagnóstico caso se dedique à doença e não ao método. Não vai adiantar saber Tomografia ou Ressonância para diagnosticar por exemplo um aneurisma, há que saber como se comporta esse aneurisma em crescimento ou uma placa aterosclerótica em transformação ou ainda o envelhecimento do neurônio. Isso sim é o presente-futuro da neurorradiologia”.

Experiência brasileira O Dr. José Guilherme comentou o bom conceito da neurorradiologia intervencionista do Brasil no mundo. “Nossos profissionais sempre trabalham em situações difíceis e decisivas. Somos bem-conceituados, além de estarmos equiparados com os melhores centros. Nos últimos dois anos, por exemplo, nosso grupo foi escolhido para participar do tratamento de diversos casos transmitidos ao vivo para um congresso mundial em Paris. A boa notícia é que a reconhecida qualidade do trabalho dos profissionais brasileiros está disponível na rede do SUS, que ampliou de forma extraordinária seus atendimentos, a partir, por exemplo, do Instituto de Radiologia do HCFMUSP, e de centros em outros estados”, finalizou o especialista.


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FEVEREIRO / MARÇO DE 2017 - ANO 16 - Nº 96 Por Dr. Roberto Cury e Daniel Ávila (SP)

ARTIGO

PACS e Imagens Médicas na Nuvem: a convivência de gerações Todos nós que trabalhamos com PACS (Picture Archiving and Communication System) reconhecemos os avanços e benefícios proporcionados por essa tecnologia. Houve progresso substancial no cuidado com o paciente e em nossa rotina de trabalho.

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xames que antes eram impressos hoje podem ser disponibilizados digitalmente para médicos e pacientes. CDs, pen drives e outras formas ultrapassadas de armazenamento estão sendo aos poucos substituídas. Clínicas, hospitais e centros diagnósticos ganharam maior conectividade e eficiência, melhorando os fluxos internos de trabalho. Salas para realização de exames passaram a ter comunicação com estações de laudos, conferindo agilidade e organização no gerenciamento das imagens médicas. A capacidade de armazenar imagens, acessar e emitir laudos deu um salto enorme de qualidade, se comparado ao sistema impresso ou mesmo de equipamentos radiológicos que não se comunicavam. Mas não paramos por aqui.

A tecnologia aplicada à saúde em números Pesquisa realizada pela CETIC (Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação) entre novembro de 2015 e abril de 2016 apontou que:

98% dos estabelecimentos de saúde no Brasil possuem computadores;

97% possuem acesso à internet banda larga;

27% dos estabelecimentos possuem o laudo de exames radiológicos do paciente disponíveis eletronicamente.

Os números despertam atenção e curiosidade. Se por um lado os computadores e o acesso à internet estão universalizados, o acesso à tecnologia ainda convive com contrastes. Estabelecimentos com até 50 leitos ficam abaixo da média nacional (26%) na disponibilização eletrônica de laudos de exames radiológicos. Estabelecimentos com mais de 50 leitos, por sua vez, apresentam um nível de digitalização expressivamente maior (60%). Certamente que o acesso à tecnologia tem como barreira a disponibilidade de orçamento e a capacidade de gestão. Instalar um sistema PACS é um desafio complexo e pode consumir centenas de milhares de reais, além de semanas ou meses de dedicação. Os benefícios podem ser facilmente percebidos para unidades de saúde. Mas a questão é: qual a próxima tecnologia que irá ampliar o acesso à solução de disponibilização de laudos de exames radiológicos de forma digital? Na década de 90, antes do plano real, nem se falava em internet no Brasil. Computador era artigo de luxo e telefone fixo precisava ser declarado no imposto de renda. Hoje estamos vivendo uma nova era.

A computação na nuvem aplicada às imagens médicas

no mercado, melhorando a cada dia sistemas, com melhor usabilidade ecusto muito mais acessível.

Havendo alguma ineficiência no mercado, há pelo menos uma mente no mundo pensando em como resolvê-la. A computação na nuvem (cloud computing) é uma ferramenta poderosa que tem revolucionado diversas indústrias. E a de sistemas é uma delas. Soluções em nuvem têm potencial para substituir um PACS para visualização e análise de imagens, impressoras e filmes para impressão de exames e CDs, pen drives ou HD externos para armazenamento. Hoje quem ainda não possui um PACS mas administra um centro de saúde e lida com imagens médicas deveria considerar seriamente as soluções em nuvem. Se houver orçamento disponível para contratar uma solução consagrada como um PACS, é preciso entender que em poucos anos ela poderá estar obsoleta. É só pensar naquela impressora velha que está parada em sua unidade radiológica e você terá uma visão do futuro bastante nítida. Milhares de reais de hoje podem se tornar hardwares ultrapassados, que ocupam espaço e consomem energia desnecessariamente, em poucos anos. A solução na nuvem, não. Além de dispensar a imobilização de capital com equipamentos, ela está em ascensão

Nova era tecnológica Nossa vida pessoal certamente já foi dominada por sistemas na nuvem - iCloud da Apple, Gmail, Netflix, Dropbox, Spotify, entre outros. Muitos setores já passaram por este tipo de supressão tecnológica. A telefonia fixa é um exemplo. Após as privatizações, mesmo com o acesso tendo sido ampliado, as pessoas sequer consideram a hipótese de contratar uma linha fixa residencial. Elas continuam existindo, mas não em sintonia com os conceitos de mobilidade e flexibilidade que foram construídos com a popularização de dispositivos móveis como smartphones e tablets. Acreditamos que os PACS devem continuar existindo e contribuindo para a melhoria da saúde. Mas esperamos que as próximas pesquisas da CETIC possam apresentar números cada vez mais expressivos de digitalização e a computação em nuvem seja um dos fatores de ampliação do acesso. ROBERTO CURY, Cardiologista, Especialista em Imagem Cardíaca e Co-fundador da Ambra Saúde DANIEL ÁVILA, Consultor da Ambra Saúde


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MERCADO

Alliage aposta na inovação e se prepara para investir em outras áreas Com planos de aumentar seu portfólio de soluções na área da imagem, a Alliage pretende lançar novos equipamentos de ultrassonografia e consolidar sua posição no mercado brasileiro em 2017, com produtos nacionalizados e montados em sua fábrica, em Ribeirão Preto.

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ara Thiago Almeida, sócio fundador da Figlabs e gerente de produtos da área médica da Alliage, a empresa, tanto no segmento médico quanto no odontológico, aposta em inovação, com investimento de mais de 5% do faturamento em P&D. Em entrevista ao ID Interação Diagnóstica, ele fez uma análise dos resultados, de investimentos e de possibilidades para a companhia. Interação Diagnóstica: Como avalia a receptividade do mercado aos produtos da Alliage? Thiago Almeida: As marcas Alliage são reconhecidas no mercado. São 110 anos somados de experiência da Dabi Atlante e da Gnatus, e apesar das dificuldades de 2016, os novos produtos tiveram uma boa performance, com aquecimento maior das vendas no segundo semestre. A área médica, com a marca Figlabs, nos deixou muito satisfeitos com os resultados. Os novos produtos FT 422 e FT 412 foram bem aceitos pelo mercado e surpreenderam pela qualidade de imagem, workflow e desempenho. A Figlabs encerrou 2016 em sólida posição no cenário da ultrassonografia brasileira. A nossa eficiência técnica e comercial tem sido a grande diferença. Temos uma equipe de supervisores, representantes e application especializada, além de atendimento técnico e boas condições comerciais para todos os modelos de ultrassom, diferenciais que favorecem o nosso cliente.

com base sólida para atender às expectatiID: Como uma das poucas fabricantes primário. Os equipamentos da Alliage têm vas dos clientes e enfrentar adversidades de US no Brasil, qual o grande desafio da competividade nesta área? no mercado. Figlabs para os próximos anos? TA: Nosso portfólio é completo e ID: Qual o papel da área de P&D na TA: Para uma empresa brasileira em temos a solução para praticamente todas história da companhia? um mercado que por muitos anos esteve as demandas médicas em suas diferentes TA: A origem da Figlabs é a pesquisa, nas mãos de estrangeiros, os desafios são especialidades e níveis de complexidade. que sempre estará associada ao desenrealmente grandes. Atualmente, temos Atendemos especialidades dentre elas volvimento técnico e científico de nossos market share superior ao de multinacionais a ginecologia e obstetrícia, cardiologia, produtos. Queremos ser recoque atuam há anos no país. O nhecidos como uma empresa desafio é fazer mais e melhor brasileira que inovou e contripelos clientes, levar inovação e buiu para o progresso da metecnologia em plataformas que dicina no Brasil e no mundo. tornem mais fácil o dia a dia dos Temos projetos de pesquisa em profissionais. andamento com governo fedeID: Dentro das linhas de ral, estadual e tivemos um dos produtos, quais os maiores sócios fundadores da Figlabs, destaques? Rogério Bulha, recentemente TA: Entre os produtos de participando do programa ultrassonografia, a linha 400 Leaders in Innovation Fellosurpreendeu a comunidade méwships (LIF) em Londres, dica pela qualidade de imagem, oferecido pela Royal Academy workflow e facilidade na aquiof Engineering, da Inglaterra sição dos produtos e serviços. em parceria com a FAPESP, ID: A companhia pretende agência que tem fomentado investir em novas áreas de Thiago W. Almeida, sócio fundador da Figlabs, empresa do Grupo Alliage, onde vários projetos na Figlabs. O imagem (CT, RM, RX) ? atua como gerente de produtos da área médica. Brasil tem excelentes pesquiTA: A expansão para ousadores, médicos e engenheiros e cientistas tras modalidades de negócios, produtos e ortopedia, urologia, vascular e anestesia. em hardware e software, profissionais com mercados faz parte do nosso planejamento Todos os modelos de equipamentos de potencial para desenvolver produtos de quaestratégico e estamos realizando pesquisas ultrassom atendem o processo produtivo lidade e com potencial competitivo mundial em diversas áreas a fim de identificar o nebásico e por isso somos a única empresa na área médica. Com gestão e investimento gócio que melhor se adequa ao nosso core com cartão BNDES e FINAME para todos em pesquisa e desenvolvimento, podemos business e também às demandas de mercado os Ecógrafos registrados na ANVISA. A com certeza trazer um crescimento econôno Brasil e no mundo. Alliage usa de forma eficiente todos os remico para o país. cursos e desta maneira é mais competitiva, ID: O US é referência no atendimento


FEV / MAR 2017 nº 96

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FEVEREIRO / MARÇO DE 2017 - ANO 16 - Nº 96

Vantagens e desvantagens técnicas da espectroscopia cerebral multivoxel 3D por ressonância magnética

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espectroscopia cerebral por Ressonância Magnética (ERM) possui o mesmo princípio físico da Ressonância Magnética Convencional (RMC), porém possibilita a análise dos metabólitos presentes no tecido normal e anormal expressando os resultados por meio de gráficos em unidade de partes por milhão (ppm), contendo a composição bioquímica da região cerebral estudada (Figura 01). Aplicada a neurorradiologia, é uma ferramenta importante para acompanhamento da evolução terapêutica do tumor, bem como estimar seu tipo e grau auxiliando no direcionamento terapêutico (figura2). Outras doenças metabólicas também são diagnosticadas no estudo da ERM.

Figura 1–Representação gráfica dos metabólitos em seus respectivos picos (representados em ppm), em um estudo da ERM cerebral em condições normais: creatina (Cr) – 3 ppm, N-acetilaspartato (NAA) – 2 ppm, colina (Cho) – 3,2 ppm, mio-inositol (Mi) – 3,55 ppm, lactato (Lac) – 1,3 ppm, lipídios (Lip) – 0,9 e 1,3 ppm e glutamina/glutamato (Glx) – 2,1 a 2,5 ppm.

Figura 3 – Representação da ERM multivoxel 3D. Comparação da abrangência anatômica entre as técnicas 2D (A) e 3D (B). Em (A) a chave vermelha demonstra uma redução na abrangência anatômica comparada a chave vermelha na imagem (B). A imagem (C) demonstra o mapa colorido do da concentração do metabólito NAA no tecido analisado.

Limitações da técnica ERM multivoxel 3D Comprando às aquisições multivoxel (2D e 3D), observou-se que a técnica 3D possui maior propensão ao comprometimento da qualidade dos gráficos quando adquiridas em situações de inomegeneidade do campo magnético - na presença de ar e/ou osso. Observou-se que a presença desses fatores “pertubadores do campo magnético” em apenas um voxel adquirido, contribui para interferência aos demais voxels – localizados em regiões com menor interferência - limitando a abrangência de utilização da ERM multivoxel 3D para a análise cerebral. (figura 05).

Figura 2–ERM multixovel PRES (TE: 135ms) para avaliação diagnóstica de gbm no corpo caloso. A) Gráfico espectral evidencia acentuado aumento do pico de colina (seta amarela) inferindo aumento do metabolismo de membranas celulares e redução do pico de N-acetilaspartato (seta azul) inferindo redução da viabilidade neuroaxonal. Observa-se também pico de lipídios/lactato (seta vermelha). B) Representação qualitativa perfusional evidencia aumento do volume sanguíneo cerebral relativo na lesão (seta rosa) quando comparado a substância branca normal, o que sugere neoangiogênese.

A técnica O estudo metabólico é realizado por meio da leitura de voxels posicionados na região de interesse. Essa análise pode ser realizada adquirindo informações de apenas um voxel (single voxel) ou por meio da aquisição de múltiplos voxels (multivoxel 2D e/ou 3D). Em sua apresentação 3D, a ERM possibilita a análise de uma maior abrangência anatômica – comparada a apresentação 2D - auxiliando na escolha do melhor local de biópsia em gliomas difusos de grandes dimensões (Figura 3).

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Vantagens e desvantagens técnicas da espectroscopia cerebral multivoxel 3D por ressonância magnética CONCLUSÃO X

foi reduzida. Como a ERM é uma técnica sensível a alterações de homogeneidade de campo magnético, a presença de metal compromete a análise dos gráficos independentemente da técnica aplicada.

Figura 4 – Exemplo de posicionamentos dos voxels, comparando a qualidade dos espectros nas aquisições multivoxel 2D (B) e (D) e 3D (A) e (C). A aquisição das técnicas multivoxel foram realizadas em regiões com a presença de fatores que comprometem a homogeneidade do campo magnético - como ossos da calota craniana (setas rosas) e ar (setas azuis). Preconizou-se a mesma região de escolha para análise do gráfico (voxel destacado em azul) para comparação entre às técnicas Comparando as imagens (A) e (B), observou-se que o espectro gerado pela aquisição 3D (A), apresentou a linha de base prejudicada (representada pela seta amarela) epicos anômalos dos metabólitos com maior impacto se comparado ao espectro gerado pela aquisição 2D (B). Na análise das imagens (C) e (D), o voxel de escolha foi posicionado em região diferente do exemplo anterior e observou-se que a técnica 3D também apresentou maior prejuízo na qualidade do gráfico rcomparado à técnica 2D.

Figura 6 - Comparação entre os gráficos. (A) técnica multivoxel 3D, (B) técnica multivoxel2D na presença de artefatos metálicos na cavidade oral. Em ambos os gráficos, foram observados prejuízos relevantes na qualidade do gráfico.

Conclusão Concluindo, a ERM multivoxel 3D possibilita uma maior abrangência anatômica da região estudada e a realização de pós-processamentos que contribuem para o diagnóstico. Um mapa colorido de metabólitos mais amplo gerado pela ERM multivoxel 3D pode auxiliar na escolha do melhor local de biópsia em gliomas difusos de grandes dimensões. Dentre as fragilidades encontradas, a interferência da inomogeneidade do campo magnético na qualidade dos voxels adquiridos é um fator limitante da técnica 3D, visto a maior degradação do gráfico e do mapa de cores em relação a técnica 2D. É aconselhável realizar a análise dos fatores interferentes na região de estudo e da patologia a ser estudada antes da escolha da técnica a ser utilizada, com o intuito de obter gráficos de qualidade que possibilitem uma análise adequada.

Referências ARDA K., AYDIN H. Proton Mr Spectroscopy, Fundamental Physics and Clinical Applications. Austin Oncol. 2016; 1(1): 1002 NELSON, S. J. Multivoxel Magnetic Resonance Spectroscopy of Brain Tumors. Molecular Cancer Therapeutics Vol. 2, 497–507, May 2003. LEITE, C. C. Espectroscopia de prótons por ressonância, Revista de Radiologia Brasileira 2001;34(1):V–VI. TRZESNIAK, C. M. F. Espectroscopia de próton por ressonância magnética do hipocampo em pacientes com transtorno do pânico. Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2008.

Autores Figura 5- Interferência no Mapa colorido para a análise do NAA obtido a partir do posicionamento inadequado dos voxels durante a aquisição da técnica multivoxel 3D. Setas amarelas indicam a presença de artefatos provenientes da inomogeneidade do campo magnético.

A técnica multivoxel (3D e 2D) foi analisada também quanto a influência do artefato de metal na cavidade oral, onde notou-se que em ambas as análises, a qualidade dos gráficos

Bruna Magalhães Monte Patrícia Terasaca Luis Filipe de Souza Godoy Ana Paula Piconi de Souza Médicos do serviço de radiologia do Hospital Sírio-Libanês


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Avaliação dopplerfluxométrica no transplante hepático: revisão

O

transplante hepático tem sido realizado em um número crescente de pacientes adultos e crianças. Terapia substitutiva indicada para pacientes com diagnostico de insuficiência hepática grave,(1,2) a incidência do procedimento do transplante hepático tem aumentado de 30% para 80% nos últimos anos.(3, 10) Consequentemente, há um aumento no número de pacientes que necessitam de acompanhamento do enxerto. O estudo ultrassonográfico, em especial o Doppler, tem papel fundamental na avaliação do transplantado hepático, tanto na avaliação não invasiva pré operatória, quanto na pós operatória.(2, 3, 10) As complicações do transplante hepático não são raras, portanto o médico ultrassonografista deve saber avaliar especificamente um fígado transplantado, diagnosticar as possíveis complicações e descrever o status pós cirúrgico do enxerto de forma adequada.(11) O exame ultrassonográfico do fígado: No fígado, o exame ultrassonográfico visa avaliar, a grosso modo: o parênquima (lobos, contornos, texturas, lesões focais), os ductos biliares e a vascularização interna (calibre, fluxo e ramos). Estes componentes hepáticos devem ser avaliados primeiramente na escala de cinza. Em seguida com o Doppler colorido e o Doppler espectral, para obter informações relacionadas ao fluxo sanguíneo.

Figura 3: Veia esplênica dilatada (1,4 cm), ao modo B (escala de cinza), cujo calibre não variou à expiração. Status sugestivo de hipertensão portal.

O fígado normal: O parênquima hepático deve ter ecogenicidade homogênea, contornos lisos e regulares, sem nodulações ou imagens sugestivas de ar (reverberação acústica posterior) ou cálculos (sombra acústica posterior). Os ductos biliares normais devem ter paredes finas, lisas e com ecogenicidade aumentada em relação ao parênquima hepático. Seu interior deve ser anecóico, sem imagens cálculosas, barro biliar ou qualquer tipo de conteúdo ecogênico. O trajeto do ducto deve ser homogêneo o regular, sem grandes diferenças de calibres em um único ducto. O Doppler colorido pode ser utilizado neste momento para diferenciar ductos biliares de vasos sanguíneos. A veia porta é normalmente o maior vaso intra-hepatico. Suas paredes são mais ecogênicas em relação ao parênquima hepático e seu calibre mede cerca de 12 mm.(11) Para melhor obtenção dessas medidas, deve-se aproximar a visão do aparelho (diminuir a profundidade, ajustar o foco e o zoom). O fluxo da veia porta, ao estudo Doppler espectral, deve ser monofásico, porém com fasicidade (oscilações provindas da respiração e do batimento cardíaco).(12) Assim, esse estudo não pode ser realizado com o paciente em apnéia, para que haja adequada obtenção da fasicidade do fluxo. A velocidade da veia porta varia entre 15 e 23 cm/s. Ao estudo do Doppler colorido, a veia porta, por convenção, é representada em vermelho. Seu fluxo normal é hepatopetal, ou seja, a corrente sanguínea entrando no fígado.

Figura 1: A imagem de um fígado normal, com ecotextura homogênea, mostra a variação do calibre da veia porta com a inspiração (0,8 cm) e expiração (1,0 cm) do paciente.

Figura 2: Veia porta ao ultrassom tríplex (modo B associado ao Doppler colorido e ao Doppler espectral). O Doppler colorido mostra a direção do fluxo: hepatopetal. Ao Doppler espectral, a pequena variação de velocidade do fluxo refere-se à fasicidade da onda.

A veia porta é formada pela junção da veia esplênica e da veia mesentérica superior, assim ambas devem ser igualmente visualizadas. Devem ter calibre máximo de 9 mm e fluxo hepatopetal.

Figura 4: Veia esplênica ao estudo Doppler colorido com fluxo hepatopetal.

As veias hepáticas apresentam paredes mais finas em relação aos outros vasos e seu calibre deve ter ate 10 mm. Embora seu fluxo seja mais complexo devido ao formato de onda espectral, recebem menos influência de hepatopatias e tornam-se mais alteradas na presença de cardiopatias. As ondas espectrais das veias hepáticas estão diretamente relacionadas ao batimento cardíaco, podendo ser bifásico, trifásico e tetrafásico.

Figura 5: Veia hepática direita com fluxo trifásico normal.

Figura 6: veia hepática média c om fluxo tetrafásico normal.

As artérias hepáticas podem ser examinadas mais facilmente com o Doppler colorido, pois tem calibre reduzido em relação aos outros vasos hepáticos e tendem a brilhar ao Doppler em decorrência da alta velocidade de fluxo.

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Avaliação dopplerfluxométrica no transplante hepático: revisão CONTINUAÇÃO

Ao Doppler espectral, aparentam padrão arterial normal, ou seja, alta velocidade, com pico sistólico e diastólico, e ritmo pulsátil. Seu calibre pode medir até 3 mm. A velocidade sistólica varia de 30 a 60 m/s, em pacientes em jejum, e o IR, de 0,55 a 0,81.

Figura 10: artéria hepática ao Doppler tríplex (escala de cinza, associado ao Doppler colorido e espectral). Figura 7: Fluxo da artéria hepática ao Doppler espectral.

O estudo ultrassonográfico no transplantado hepático: O estudo ultrassonográfico do transplantado hepático deve ser realizado pré e pós-transplante. (2) O esperado para o resultado ultrassonográfico de um exame, tanto de fígado pré, quanto de pós-transplante, é um fígado de ecogenicidade normal, sem qualquer diferença para um fígado não transplantado, com as características de parênquima, ductos biliares, veias e artérias, como as citadas anteriormente. Pré transplante: A avaliação geral do abdome visa detectar achados que possam alterar a seleção de pacientes a serem transplantados, como, por exemplo, um grande aneurisma de aorta, ou uma doença hepática maligna pré-existente.(3,9) Além disso, deve ser realizada na rotina e avalia tanto o receptor quanto doador. (2, 3) No receptor, o estudo Doppler deve pesquisar: - veia porta (permeabilidade e calibre); - veia cava inferior (permeabilidade e calibre).

Técnica cirurgica: A técnica cirúrgica de transplante varia em relação ao doador (vivo ou cadáver) e ao receptor (adulto ou criança)(2,8). Em crianças, é transplantado apenas o lobo esquerdo do doador, seja ele vivo ou cadáver(2,8). Em adultos, somente o lobo direito é transplantado quando o doador é vivo e, quando doador cadáver, o fígado inteiro é transplantado. Além disso, nos transplantes de doador cadáver, o enxerto traz consigo parte da veia cava inferior (VCI), que será anastomosada na VCI do receptor, por anastomose terminoterminal. Já nos enxertos de doador vivo, a veia hepática é anastomosada diretamente na VCI do receptor, por anastomose terminolateral. Essas variantes técnicas implicam diferentes pontos críticos quanto às complicações vasculares e devem receber atenção especial no pós operatório.(2) Receptor \ Doador

Vivo

Cadáver

Criança

Lobo esquerdo

Lobo esquerdo + VCI

Adulto

Lobo direito

Fígado inteiro + VCI

Tabela 1: refere-se à estrutura hepática que será doada e implantada no receptor.

Doador \ Anastomose

Vasos anastomosados

Tipo de anastomose

Doador vivo

Veia hepática + VCI

Término-lateral

Doador cadáver

VCI + VCI

Término-terminal

Tabela 2: refere-se ao tipo de anastomose e às estruturas anastomosadas, diferentes em cada tipo de doador.

Pós transplante:

Figura 8: Veia porta com fluxo hepatopetal. Ao Doppler espectral nota-se velocidade média de 39,4 cm/s.

Na vigência trombose ou diminuição do calibre da veia porta, é necessário avaliar a permeabilidade e o calibre da junção esplenomesentérica. (2) No doador, os vasos estudados serão: - veia porta (permeabilidade, calibre e ramos); - veias hepáticas (permeabilidade e anatomia); - artéria hepática (permeabilidade, calibre e ramos). (2)

O fígado transplantado normal apresenta ecotextura homogênea ou levemente heterogênea ao ultrassom modo B, ou seja, idêntico a um fígado normal não transplantado.(4) No inicio do período pós operatório existe pequena quantidade de liquido intraperitoneal livre, pequenos seromas ou hematomas peri-hepáticos, provenientes do próprio processo cirúrgico.(4) A arvore biliar tem aspecto normal e a anastomose biliar (termino-terminal ou biliar-entérica) deve ser visualizada e inspecionada em busca de alterações do calibre ou da espessura da parede.(4) A aerobilia é frequentemente observada em pacientes com coledocojejunostomia e seu desaparecimento pode indicar estenose na anastomose biliar entérica.(4) A patência vascular no fígado transplantado (artérias hepáticas, veia porta, veias hepáticas e VCI) pode ser estudada na ultrassonografia através da inspeção direta em busca de estreitamento do diâmetro e da presença de trombos no interior do lúmen vascular.(4) Além disso, a documentação dos comprimentos de onda devem avaliar a presença de fluxo e suas características no interior dos vasos anastomosados, ao estudo Doppler espectral. Vale ressaltar que a principal importância do Doppler hepático no fígado transplantado é o estudo das artérias hepáticas.(11) Além de responsáveis por grande parte da nutrição e oxigenação do órgão, sofrem anastomoses cirúrgicas, cujo insucesso está diretamente relacionado à rejeição do enxerto. Em suma, podemos enumerar os passos do exame no fígado transplantado da seguinte maneira: 1 1.1 1.2 1.3

Figura 9: veias hepáticas ao Doppler colorido, mostrando perviedade e o sentido do fluxo.

História do paciente: Idade com a qual realizou a cirurgia; Origem do fígado transplantado; Histórico do pós cirúrgico (se houveram complicações)

2 Avaliar o fígado de modo geral com a escala de cinza: 2.1 A ecotextura deve ser idêntica a de um fígado não transplantado 2.2 Liquido livre, pequenos seromas e hematomas intrahepaticos (normais no pós operatório). 2.3 Arvore biliar de aspecto normal:

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Avaliação dopplerfluxométrica no transplante hepático: revisão CONTINUAÇÃO

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parede e espessuras das anastomoses (termino-terminal ou biliar-entérica); aerobilia (normal quando jejunostomia) ATENÇÃO: O desaparecimento de aerobilia pode indicar estenose na anastomose biliar-entérica.

3 3.1 3.2 3.3 3.4

Patência vascular: em todos os vasos deve-se pesquisar presença de trombos e estreitamento do lúmen. Artéria hepática Veias hepáticas Veia Porta VCI

Quanto ao fluxo, os padrões normais do fígado ao Doppler são:

• Na artéria hepática: ondas com aceleração sistólica rápida e fluxo diastólico contínuo, sendo: - tempo de aceleração menor que 80 m/s e - índice de aceleração maior de 300 cm/s2, - velocidade de pico sistólico de até 200 cm/s, - índice de resistividade (IR) maior que 0,50;

Figura 11: artéria hepática de um fígado transplantado há 1 ano. Observa-se na imagem fluxo normal, com IR de 0,69.

• Na veia porta: fluxo contínuo, modulado pelos movimentos cardíacos e respiratórios;

Imagem 12: Doppler colorido e espectral da veia porta de fígado transplantado com amostra posicionada anterior ao ponto de anastomose, mostra fluxo hepatopetal e IR de 0,21.

Complicações vasculares: As complicações vasculares pós transplante incluem estenose e trombose da artéria hepática, da veia porta e das veias hepáticas.(2, 3) Como a irrigação das vias biliares depende exclusivamente do fluxo arterial, condições que provoquem isquemia podem com frequência cursar com complicações biliares (lagos biliares, bilomas, infarto e necrose)(8), manifestando-se ao US por áreas de heterogeneidade e de menor ecogenicidade do parênquima hepático e/ou coleções intra e extra-hepaticas. (3, 8) • Trombose da artéria hepática: A trombose da artéria hepática é a complicação mais grave e mais comum no pós transplante(5,8). Mais frequente em crianças, ocorre, nas primeiras semanas de pós operatório e, em geral, precocemente ao local da anastomose. (3) Pode causar necrose hepática maciça, com presença de gangrena ou ar no parênquima hepático, associada associada ou não à trombose da veia porta. (5) Ao estudo Doppler colorido, evidencia-se ausência de fluxo arterial no hilo hepático e nos seguimentos intra-hepaticos, ou, no caso de revascularização via colaterais, padrão tardus parvus no fluxo intra hepático, sendo IR menor que 0,50 e índice de aceleração menor que 300 cm/s2. (3)

Figura 13: Trombose da artéria hepática vista através do Doppler colorido. A hipoecogenicidade parenquimatosa proximal à artéria representa a região de infarto arterial. Imagem retirada do artigo US of Liver Transplants: Normal and Abnormal, de Jane D. Crossin, Derek Muradali e Stephanie R. Wilson. R adioGraphics 2003; Vol 23, n5; 1093-1114.(8)

• Estenose da artéria hepática: Ao estudo Doppler da artéria hepática estenosada, encontra-se um fluxo turbilhonado, principalmente na região da anastomose ou em áreas de acotovelamento acentuado, com pico sistólico maior que 200 a 300 cm/s.(3, 8, 11) Pode ser observado também fluxo de padrão tardus parvus nos ramos intra hepáticos.(3, 8) Vale ressaltar que o padrão tardus parvus intra-hepático nunca é normal e sempre estará relacionado a trombose da artéria hepática com revascularização via colaterais, ao acotovelamento grave ou à estenose significativa da artéria na região do hilo. Já o fluxo arterial intra-hepático de baixa resistência, com aceleração normal, está com frequência associado à fistula arteriovenosa intra-hepática.(3) Assim, o diagnóstico falso-positivo para trombose da artéria hepática pode ocorrer quando houver hipotensão sistêmica, devido ao fluxo de velocidade baixo na artéria hepática, no período pós prandial, no edema hepático acentuado ou na estenose acentuada da artéria hepática.(3, 11)

Nas veias hepáticas e VCI: fluxo multifásico, modulado pelas variações pressóricas cardíacas. (2, 3, 8)

No pós transplante imediato, o IR da artéria hepática pode estar entre 0,8 e 1,0, o que é considerado normal devido aos danos causados pela isquemia fria do tempo cirúrgico. Nesses casos, convém acompanhar a redução do IR para até 0,8 nas 2 semanas seguintes. (3) No caso de o IR permanecer elevado, pode não haver necessariamente qualquer relevância clínica, mas deve-se suspeitar da síndrome do roubo do fluxo da artéria hepática para a artéria esplênica ou para a artéria gastroduodenal, provocando hipoperfusão do enxerto. (3) Além disso, no pós operatório imediato, a evidência de fluxo arterial com diástole zero e velocidade sistólica muito baixa deve alertar para risco de hipoperfusão, sendo mandatório o monitoramento diário por meio do estudo Doppler colorido e, caso não ocorra a normatização do fluxo em até 4 dias, sempre suspeitar de complicações vasculares.

Complicações no transplantado hepático: As complicações pós transplante hepático podem ser vasculares (arteriais ou venosas) ou biliares.

Figura 14: artéria hepática estenosada no local da anastomose, ao Doppler tríplex. Nota-se presença de aliasing (sugestivo de turbilhonamento) na luz da região de anastomose. Imagem retirada do artigo US of Liver Transplants: Normal and Abnormal, de Jane D. Crossin, Derek Muradali e Stephanie R. Wilson. RadioGraphics 2003; Vol 23, n5; 1093-1114.(8)

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Avaliação dopplerfluxométrica no transplante hepático: revisão CONCLUSÃO X

Figura 15: estenose da artéria hepática, ao Doppler espectral, mostra padrão tardus parvus. O Doppler colorido evidencia presença de aliasing no interior do vaso. Imagem retirada do artigo US of Liver Transplants: Normal and Abnormal, de Jane D. Crossin, Derek Muradali e Stephanie R. Wilson. RadioGraphics 2003; Vol 23, n5; 1093-1114.(8)

• Trombose e estenose da veia porta: A veia porta é responsável por 75% do suprimento hepático(6), assim, sua obstrução, tanto por trombose quanto por estenose, é sintomática e pode corresponder a: hipertensão portal, falência hepática, edema ou ascite volumosa. No transplantado hepático, os principais fatores predisponentes são: desproporção entre o calibre da veia porta do doador e do receptor, fluxo portal reduzido, shunt portossistemico e esplenomegalia prévia.(3, 11) Os achados da trombose da veia porta, ao estudo Doppler, são: presença de trombo lumial ecogênico/hiperecogênico, colaterais no hilo hepático, ausência de sinal Doppler na veia porta. (3, 8, 11) Na estenose da veia porta, há dilatação do segmento pós-estenótico, com calibre reduzido no local da anastomose, além de aliasing focal ao Doppler colorido, com fluxo turbulento e a velocidade média aumentada em três a quatro vezes em relação ao segmento pré-estenótico.(3, 12) A presença de ar na veia porta é comum depois do transplante e, embora de etiologia incerta, deve ser considerado sinal de prognóstico grave.(5) Os sinais ao Doppler espectral de presença de ar são focos vivamente ecogênicos e móveis no interior da veia porta e um som borbulhante. (5)

Figura 17: estenose da VCI. Ao Doppler colorido, nota-se afunilamento do fluxo e padrão de turbilhonamento. Imagem retirada do artigo US of Liver Transplants: Normal and Abnormal, de Jane D. Crossin, Derek Muradali e Stephanie R. Wilson. RadioGraphics 2003; Vol 23, n5; 1093-1114.(8)

Figura 18: trombose da VCI visualizada ao modo B. Imagem retirada do artigo US of Liver Transplants: Normal and Abnormal, de Jane D. Crossin, Derek Muradali e Stephanie R. Wilson. RadioGraphics 2003; Vol 23, n5; 1093-1114.(8)

Complicações biliares: As complicações relacionadas a anastomoses biliares entéricas geralmente se apresentam dentro dos primeiros meses de cirurgia(11) e podem estar relacionadas com vascularização insuficiente da artéria hepática, fonte única de oxigenação dos ductos biliares.(4,8) Os sintomas incluem ruptura da anastomose, sangramento e aumento do risco de colangite ascendente decorrente do crescimento bacteriano excessivo.(4) O fígado transplantado, no entanto, não apresenta inervação suficiente, podendo assim mascarar uma complicação biliar, com quadro totalmente assintomático. As principais complicações são: - Estenoses biliares - Extravasamentos biliares - Colangite esclerosante - Cálculos biliares - Disfunção do esfíncter de Oddi

Referências 1 McNAUGHTON, Dean Alexander; ABU-YOUSEF, Monzer M. Doppler US of the liver made simple. RadioGraphics. Jan. 2011; 31:161 – 188.

Figura 16: Trombose da veia porta (ausência de fluxo ao Doppler).

• Trombose e estenose das veias hepáticas: Os sinais de estenose e trombose das veias hepáticas e VCI costumam ser congestão hepática, ascite, derrame pleural, e edema de membros inferiores. A incidência é muito baixa, sendo a ocorrência mais comum nos casos de retransplante, na população pediátrica, ou associada a fatores técnicos, como desproporção entre os vasos do doador e do receptor e acotovelamento na confluência da veia hepática na VCI por rotação do enxerto. (2) Ao estudo Doppler, identifica-se um fluxo turbilhonado, de velocidade elevada no local da estenose, gradiente de velocidade entre a região da anastomose e o seguimento pré-anastomose de até quatro vezes em adultos e crianças. Vê-se também fluxo reverso nas veias hepáticas, principalmente quando há estenose na anastomose da VCI e dilatação do segmento distal à estenose com fluxo portalizado, de baixa velocidade. (2) • Trombose e estenose da veia cava inferior: A trombose da veia cava inferior pode ocorrer por dificuldades técnicas na cirurgia, estados de hipercoagulabilidade do paciente ou compressão por coleções líquidas adjacentes à região de anastomose e não é clinicamente significativa. (4.5, 11) O ultrassom em escala de cinza pode exibir estreitamento óbvio no local da anastomose ou trombo ecogênico no interior da VCI que pode continuar para dentro das veias hepáticas.(4, 8, 11) Ao Doppler colorido vemos região focal de turbilhonamento e as veias hepáticas perdem sua fasicidade normal. (4, 8)

2

ROMUALDO, André Paciello. Doppler sem segredos. 1. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

3

BOTTER, Luciano Augusto, et al. Ultrassonografia nos transplantes hepáticos e pancreáticos. Einstein 2005; Supl 1: 25-31

4

RUMACK, C. et al. Tratado de ultrassonografia diagnostica. 4. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.

5

MITTELSTAEDT, Carol A. Ultrassonografia Geral. Rio de Janeiro: Revinter, 2000.

6 PARKH, Sameer; SHAH, Riddhi; KAPOOR, Prashant. Portal vein trombosis. The American Journal of Medicine, February 2010; vol 123, no 2: 111-119. 7

SOON KOO BAIK. Hemodynamic evaluation by Doppler uktrasonography in patients with portal hypertension: a review. Liver International 2010; 1403-1413.

8

CROSSIN, Jane D, et al. US of Liver Transplants: Normal and Abnormal. RadioGraphics 2003; Vol. 23, n5; 1093-1114.

9

FERREIRA, Cristina Targa, et al. Transplante hepático. Jornal de Pediatria 2000; vol. 76, supl. 2; 198-208.

10 CASTRO-E-SILVA JR, Orlando, et al. Transplante de Fígado: indicação e sobrevida. Acta Cirúrgica Brasileira 2002; Vol. 17, Supl. 3; 83-91. 11 CAIATO, Angela Hissae Motoyama, et al. Complications of Liver Transplantation: Multimodality Imagins Approach. RadioGraphics 2007; Vol. 27, n5; 1401-1418. 12 SILVA, Luciana Costa, et al. Evidências de Hiperfluxo portal no pós-operatório de transplantes hepáticos. Radiologia Brasileira 2005, Vol. 38, Supl. 4; 261-264. 13 MACHADO, Marcio Martins, et al. Coleção líquida adjacente ao ligamento falciforme no pós operatório imediato de transplante de fígado: achado ultrassonográfico normal ou anormal? Estudo retrospectivo. Radiologia Brasileira 2003; Vol. 36, Supl. 2; 77-79.

Autores Andréia Tarraf Fernandes Médica aperfeiçoanda do curso de ultrassonografia da Fundação IDI Harley De Nicola Coordenador do curso de aperfeiçoamento em ultrassonografia da Fundação IDI Membro da Comissão Nacional de ultrassonografia do CBR


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Hérnias Lombares (Dorsais) s

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hérnias lombares são raras que devem ser lembradas para que haja adequada avaliação por exames de imagens. A ultrassonografia permite o diagnóstico de certeza que é relativamente simples, porém, sem os devidos cuidados pode deixar de ser feito ou então implicar em interpretação errônea. Representando 1,5 a 2% das hérnias da parede abdominal, foram descritos pouco mais de 300 casos de hérnia lombar na literatura em língua inglesa. Hérnia pode ser definida como uma protrusão anormal de tecido ou órgão de seu local anatômico através de um orifício natural ou defeito no septo fibromuscular. A hérnia lombar ou dorsal surge por um defeito na fáscia fibromuscular. Podem ser adquiridas ou congênitas. Se adquiridas podem ser espontâneas, sendo a maioria dos casos ou eventualmente de origem traumática. A maioria das hérnias lombares é unilateral e as adquirida. São mais comuns do lado esquerdo ( 2:1 ), no sexo masculino ( 3:1 ) e na faixa etária entre a 5ª e 7ª década de vida. As hérnias lombares ocorrem em locais de maior fraqueza da parede lombar: • no espaço de Grynfelt ou triângulo lombar superior ou • no espaço de Petit ou triângulo lombar inferior O triângulo lombar superior ou de Grynfelt é delimitado superiormente pela 12ª costela e borda inferior do músculo serrátil póstero-inferior, anteriormente, pela borda posterior do músculo oblíquo interno do abdome e, posteriormente, pelos músculos paravertebrais e quadrado lombar. Tem como assoalho a aponeurose do músculo transverso do abdome e é recoberto pelo músculo grande dorsal. O espaço lombar inferior ou triângulo de Petit é limitado inferiormente pela crista ilíaca, anteriormente, pelo músculo oblíquo externo e posteriormente, pela borda do músculo grande dorsal , e tem como assoalho a fáscia lombar e sendo recoberto pela fáscia superficial e pele. A hérnia de Grynfelt é a mais comum do que a de Petit e ocorre em pacientes mais idosos. A hérnia de Petit ocorre mais em mulheres atléticas e jovens. A principal queixa é a percepção de um tumor de consistência firme no dorso e pode haver relato de dor ou ardência local. Ao exame físico a tumoração tende a ser reduzida por manobras de compressão e se expande às manobras de esforço (Valsalva). As complicações como encarceramento ou estrangulamento podem ocorrer em cerca de 10% dos casos. O diagnóstico diferencial deve-se excluir tumores de partes moles (incluindo lipoma ) abscesso, hematoma, tumores renais e até contratura muscular. O conteúdo herniário pode ser de apenas tecido adiposo ou pode conter estruturas viscerais. O quadro clínico deve ser confirmado por exames de imagem. Com o diagnóstico confirmado o tratamento cirúrgico está indicado. Em resumo, como diretrizes para um diagnóstico ser bem conduzido, o imaginologista deve: • Pensar na hipótese de hérnia lombar como diagnóstico diferencial ao receber um pedido de avaliação de tumores de partes moles nesta localização. • É imperativo um exame detalhado, inclusive em posição ortostática e associado a manobras de Valsalva. • Pensar em locais de maior fraqueza, espaço superior para pacientes mais idosos (5ª e 7ª década), sexo masculino onde as hérnias de Grynfelt são mais frequentes. Atenção para pacientes com perdas excessivas de peso, situações de aumento de pressão intra-abdominal. • Lembrar que pacientes jovens e atléticas que podem apresentar hérnias lombares no triângulo inferior (hérnia de Petit).

Figura 1. Paciente em repouso, hérnia reduzida.

Figura 2. Hérnia protruída durante a manobra de Valsalva.

Figuras 3. Ultrassonografia com mensuração do colo do saco herniário.

Figuras 4. Ultrassonografia realizada durante a manobra de Valsalva, evidenciando a protrusão do saco herniário pelo triângulo de Grynfelt.

Referências 1. Alcoforado Camila, Lira Natália, Kreimer Flávio, Martins-Filho Euclides Dias, Ferraz Álvaro Antônio Bandeira. Hérnia de Grynfelt. ABCD, arq. bras. cir. dig. [Internet]. 2013 Sep; 26( 3 ): 241-243 2. Zanini Maurício, Timoner Fábio R., Machado Filho Carlos D’Aparecida. Hérnia de Petit: comentário de um caso. An. Bras. Dermatol. [Internet]. 2004 Apr; 79( 2 ): 235-236 3. Alves Jr ; A Maximiano, l; Fujimura , I; Pires, P.W.A ; Birolini, D. Hérnia de Grynfelt. Relato de caso e revisão da literatura. Ver Hosp Clin Fac Med S Paulo 50, 111-114,1995 4. Eubanks, S. Hérnias. In Sabiston Jr,, D.C,,Lyerly, H.K: Sabiston tratado de Cirurgia, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1999 pp 1130-1147 5. Cesar D, Valadão M, Murrahe RJ.Grynfelt hernia: case report and literature review.Hernia. 2012 Feb;16(1):107-11

Autores Christiane Rose Ribeiro Médica Radiologista, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Radiologia, Membro do Corpo Clínico da Diagnósticos da América S/A Wagner Iared Médico Radiologista, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Radiologia, Doutor em Ciências da Saúde pela UNIFESP, Coordenador do Setor de Ultrassonografia da Diagnósticos da América S/A


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Novos tempos na Radiologia: sobre o uso da inteligência artificial e a radiogenômica

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era atual é marcada pela onipresente digitalização de todos os aspectos da vida. Na área da saúde, e principalmente no diagnóstico por imagem, recursos digitais têm sido usados de forma cada vez mais disruptiva, muito além dos softwares de gerenciamento de trabalho incorporados à prática radiológica através dos sistemas de RIS e PACS. O conceito de CAD (computer aided diagnosis) evoluiu para o desenvolvimento de algoritmos diagnósticos cada vez mais elaborados, com desempenho auto-corretivo de “machine learning”. Através de cruzamento dos dados clínicos registrados nos prontuários eletrônicos, programas de inteligência artificial são capazes de fazer sugestões diagnósticas ou sinalizar situações de potencial risco, como nas possíveis interações medicamentosas, que eventualmente não seriam identificadas pela conduta humana. Esse universo não tão distante deve passar a integrar a prática médica de forma progressiva nos próximos 5 a 10 anos. Das diversas especialidades médicas, a radiologia é uma das principais envolvidas por essa evolução. Em 2015, por exemplo, uma das maiores empresas de telerradiologia dos Estados Unidos firmou parceria com uma startup tecnológica dedicada a programas de inteligência artificial, com o intuito de desenvolver programas facilitadores de qualidade e acurácia para laudos radiológicos. A primeira iniciativa dessa parceria foi dedicada ao reconhecimento de padrões de imagens indicativos de urgência, que deveriam ser priorizados automaticamente na lista de exames para laudos do RIS, como, por exemplo, na detecção de sinais suspeitos para hemorragia intracraniana nos exames de imagem do crânio. Com desempenho progressivamente melhor por “machine learning”, o programa é capaz de sinalizar os casos suspeitos, que passariam então a

ser avaliados de forma imediata pelo radiologista à distância. Também no final de 2015, surgiam sistemas baseados em computação cognitiva, capazes de identificar automaticamente sinais de tromboembolismo pulmonar em estudos contrastados do tórax, através de algoritmos de reconhecimento dos padrões anatômicos, e das falhas de enchimento vascular. A evolução de experiências como essas prosseguiu com o conceito de “deep learning”, que consiste na aplicação de redes neurais artificiais em grandes volu-

mes de dados, de modo a gerar inferências sobre a probabilidade de comportamento das amostras futuras. Isso abre potencial de uma nova era para os conhecidos CADs radiológicos, que além do auxílio no suporte de detecção e caracterização de doenças, podem assumir papel em sugestões prognósticas nos casos de maior gravidade ou potencial maligno. O desenvolvimento das redes neurais artificiais aproximou a radiologia do que

tecnológica aponta para avanços disruptivos na radiologia, por outro a velocidade dessas transformações traz receios quanto aos seus possíveis impactos, principalmente no grau de substituição de mão-de-obra humana, num modelo mental de “uberização” dos serviços. Os impactos éticos estarão adiados enquanto os algoritmos continuarem a ser utilizados de forma controlada e supervisionada pela inteligência humana. Há um paralelo recente a este cenário ocorrido com a implantação dos sistemas de prontuário eletrônico (EHR), apontados como responIlustração sáveis pelo sequestro da atenção médica em detrimento da humanização do atendimento e devido acolhimento ao paciente. Muito mais realista que o receio da substituição do radiologista pela inteligência artificial, as novas ferramentas tecnológicas favorecerão o deslocamento da atuação do radiologista para modelos mais importantes de atuação, como nas diretrizes de qualidade, validação dos resultados e maior interface com médicos de outras especialidades, tornando o papel do radiologista muito maior do que simplesmente participar da emissão de relatórios de exames. Adequadamente utilizada, essa revolução tecnológica tenderá a hipertrofiar o papel do médico radiologista como curador de todo o processo, com ampliação do impacto de seu trabalho na saúde das pessoas. No xadrez, após a derrota do campeão Kasparov pelo supercomputador Deep Blue, a combinação homem + máquina mostrou-se mais poderosa que o homem lando os cenários mais prováveis de cresou a máquina isoladamente. Tudo indica cimento celular, comportamento biológico, que o mesmo deva ocorrer na Radiologia, respostas a quimioterápicos, e em última com a máquina sendo cada vez mais utilizada para auxiliar o radiologista na detecção análise, as próprias variações em perspectivas prognósticas. Esta etapa de correlação de padrões, sugestões diagnósticas, análises dos aspectos radiológicos com a genética prognósticas e auxílio na conduta. O papel tumoral, denominada radiogenômica, tem do radiologista e de outros profissionais sido apontada como um dos principais fatomédicos deve se tornar cada vez mais releres no desenvolvimento futuro da medicina vante e nobre. personalizada e de precisão. O maior beneficiado por todas estas Se por um lado essa forte inovação mudanças? Sem dúvida, o paciente.

já é feito em outras áreas do conhecimento, como a genômica e a proteômica. Publicações de estudos em radiômica têm sido cada vez mais frequentes na literatura médica. Por essa área do conhecimento radiológico, os algoritmos de inteligência artificial são usados na interpretação sistematizada do aspecto radiológico de lesões, e o resultado dessa análise correlacionado com mineração de dados em larga escala. Em outras palavras, a combinação dos sinais radiológicos encontrados são extrapolados para os perfis de expressão gênica já conhecidos, reve-

Leitura Recomendada

Autores

• Decoding tumour phenotype by noninvasive imaging using a quantitative radiomics approach. Aerts HJWL, Velazquez ER, Leijenaar RTH, et al. Nature Communications. 2014;5:4006

Rogério Caldana Médico radiologista e gestor do Centro Diagnóstico no Fleury Medicina e Saúde

• Applications and limitations of radiomics. Yip SSF; Hugo J W L Aerts 2016 Phys. Med. Biol • Predicting the Future: Big Data, Machine Learning, and Clinical Medicine. Obermeyer Z; Phil M; Emanuel EJ. N Engl J Med. 2016 Sep 29;375(13):1216-9 • Implementing Machine Learning in Radiology Practice and Research. Kohli M; Prevedello LM; Filice, RW; Geis JR. AJR 2017; 208:1–7 • The Digital Doctor: Hope, Hype, and Harm at the Dawn of Medicine’s Computer Age. Wachter R. Hardcover, 352 pagess. Published April 1st 2015 by McGraw-Hill Education.

Gustavo Meirelles Médico radiologista e coordenador dos grupos de radiologia torácica e cardiovascular no Fleury Medicina e Saúde

Serviços, tecnologias e vendas: agilize seus contatos


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REGISTRO

Toshiba Medical e Canon celebram o inicio de uma nova etapa Reunião realizada em Otawara, Japão, no final do ano, selou a união da Toshiba Medical Systems (TMSC) com a Canon Inc, marcando o início de uma nova etapa para as duas empresas; mais fortalecidas e com grandes desafios.

ecos para visualizar o mapa de cartilagem. Em relação à tomografia computadorizada, a Toshiba Medical mostrou o Aquilion One Genesis. Trata-se do único aparelho no mercado com tecnologia de “Model Based IR” incorporada ao produto que garante ser o tomógrafo de mais baixa dose – comparado aos níveis de um raio x convencional – do s presidentes da Toshiba Medical mercado. Durante o evento, as imagens mostradas Systems, Toshio Takiguchi, e da Casurpreenderam, principalmente pela possibilidade non Inc, Fujio Mitarai, concederam de realização de “screenings” de tórax com doses 70% entrevista coletiva aos principais menores do que as de um RX convencional, o que veículos de comunicação do Japão, pode revolucionar a rotina dos pronto-atendimentos e, ao final, confirmaram que a TMSC prossegue nos de grandes hospitais. O design, avançado e compacto, negócios na área da saúde com independência e é outra vantagem, possibilitando sua instalação em autonomia na gestão. pouco mais de 19 m². Para Fujio Mitarai, a Canon adquiriu a TMSC Os presidentes Toshio Takiguchi, da Toshiba, e Fujio Mitarai, da Canon, na entrevista A Toshiba Medical também apresentou a nova com o propósito de expandir suas atividades de negó- coletiva em Otawara linha de sistemas de ultrassom Aplio i-series, com cios, agora direcionados à área de saúde. Ele explicou tecnologia iPerformance, que permite a visualização ótima que o mercado de câmeras e equipamentos de escritório, no Inovação nos lançamentos de imagens com penetração de até 50 cm. Os sistemas Aplio qual a Canon atua, está se tornando maduro e, por esta razão, na RSNA 2016 i800 e Aplio i900 contam ainda com a nova tecnologia iBeam não se pode esperar um significativo crescimento futuro. que otimiza a eficiência do feixe de ultrassom, aumenta a Durante a conferência RSNA 2016, no final do ano pasE a aquisição da Toshiba Medical Systems abre um novo penetração e a resolução espacial e de contraste, ao mesmo sado, em Chicago, nos Estados Unidos, a Toshiba Medical caminho para a empresa. Expressou seu desejo de que “a tempo em que reduz os artefatos e distorções. apresentou seus novos equipamentos de tomografia comTMSC continue suas atividades de negócios com um alto Também foi lançado o Xario 200 Platinum, uma versão putadorizada, ressonância magnética, um sistema “doublegrau de independência e autonomia na gestão. ” premium compacta do modelo Xario 200 com avançadas -sliding” de intervenção vascular e uma nova plataforma de O encontro foi logo após o RSNA, onde a Toshiba Medical tecnologias, como “Precision Imaging” e “Advanced Dyultrassom para a classe Ultra Premium. apresentou um grande portfolio de inovações, com grandes namic Flow” (ADF). Também estão disponíveis o “Superb O Vantage Galan 3T é o novo aparelho de ressonância avanços em tecnologias para o diagnóstico por imagens. Uma Microvascular Imaging” (SMI), para melhor visualização do magnética de 3 teslas, desenvolvido para proporcionar constatação, como enfatizou seu presidente, Toshio Takiguchi, fluxo sanguíneo microvascular de baixa velocidade, e o Xario altíssima qualidade de imagem com um novo patamar de que a companhia vai continuar contribuindo para o desenvol100, que dispõe da mesma tecnologia “Precision Imaging”. conforto para os pacientes, atenuando ruídos em até 99,8%. vimento de soluções que permitam aos profissionais médicos Já o Infinix Sky + é uma nova opção na linha de proO aparelho possui uma variedade de novas sequências muito determinar as mais efetivas estratégias de tratamento para dutos de raios-x vasculares. O sistema apresenta um novo mais rápidas que permitem estudar todo o cérebro em menos seus pacientes, através da coleta, integração e processamento design com duplo deslocamento do arco em C que oferece de cinco minutos. de todos os tipos de informações médicas essenciais. 210° de cobertura anatômica em qualquer ângulo. EmpreAinda para o segmento de ressonância magnética, foram “A rica história de 100 anos da Toshiba Medical na área ga detectores digitais de tela plana de 12x16 polegadas, apresentadas novidades para as linhas de equipamentos de saúde e sua filosofia ‘Made for Life’ continuarão a direciocom rotação para aquisição 3D de alta velocidade de 80°/s. Vantage Titan e Vantage Elan, a exemplo do novo software nar a companhia. Isso significa que nossa cultura focada em Imagens tomográficas de baixo contraste também podem “M-Power”. Foram incluídas, entre outras, funções e aplialto desempenho na qualidade dos produtos e liderança no ser realizadas a partir da extremidade dos pés à cabeça e de cações para aprimorar os exames de cardiologia, estudo da suporte pós-venda permanecerão sem mudanças”, destacou qualquer lado do paciente. difusão tecidual com “multi-B-value” e T2 com múltiplos Toshio Takiguchi em carta distribuída à imprensa.

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ARTIGO

Por Sandra Franco (SP)*

O estado febril da saúde brasileira Um novo capítulo do caos da saúde marca o começo de 2017. Apresenta-se no país uma nova epidemia: a da febre amarela. Já foram registradas mortes em Minas Gerais e há uma série de suspeitas em diversos estados brasileiros. Reflexo da inoperância e má gestão, capitaneada pelo Ministério da Saúde e reforçada pelos prefeitos, governadores e secretários. Tal qual em epidemias de tempos passados, os gestores revelam que os cidadãos estão à deriva.

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s sintomas da febre amarela incluem febre, dores de cabeça, icterícia, dores musculares, náuseas, vómitos e fadiga. Uma pequena percentagem de doentes que contraem o vírus possui sintomas graves e cerca de metade deles morrem no prazo de 7 a 10 dias. Interessante refletir que a incidência da febre amarela está presente na América do Sul e Central e na África. Mas, nos séculos. XVII a XIX, a febre amarela também foi

Dra. Sandra Franco

levada para a América do Norte e Europa, causando enormes surtos que destruíram as economias e o desenvolvimento, tendo, em certos casos, dizimado as populações. Hoje, porém, não existe mais nesses lugares. Por que não podemos erradicá-la como ocorreu com os países desses continentes, mais desenvolvidos? Fato é que os dados sobre a febre amarela neste começo de ano sinalizam que teremos mais um ano preocupante na saúde. São pelo menos sete mortes provocadas em Minas

Gerais. Os óbitos destas primeiras semanas de janeiro já superam a marca registrada em 2016, quando cinco casos foram comprovados. Em 2009, ano em que foi identificado um surto da doença em vários Estados do País, 17 pacientes tiveram a morte confirmada pela doença. Além disso, a Secretaria de Saúde de Minas informou haver 184 casos suspeitos de febre amarela no Estado, com 53 óbitos. Desse total, 37 pacientes são considerados como portadores prováveis da infecção. Outros 15 casos (além dos 7 anunciados como confirmados) são considerados como prováveis. Espírito Santo e São Paulo também têm suspeitas. No núcleo da epidemia, os representantes do Ministério e autoridades municipais e estaduais parecem perdidos sobre a vacinação, o tratamento e a gestão dessa crise. Vacinas, aplicação de larvicidas nas regiões mais suscetíveis ao desenvolvimento das larvas, fiscalização intensa do comportamento dos cidadãos no sentido de evitar a proliferação de focos do mosquito devem ser medidas constantes. A principal queda de braço está relacionada às doses da vacina. Enquanto o Ministério da Saúde recomenda que a população adulta receba duas doses do imunizante, com intervalo de 10 anos entre as aplicações, o Estado de São Paulo indica que apenas uma dose seja dada, seguindo a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Não importa, neste momento, quem tem a razão ou não, mas é necessário se chegar a um rápido consenso, pois os brasileiros precisam ser imunizados imediatamente, pois a vacina fornece uma imunidade eficaz no prazo de 30 dias a 99% das pessoas vacinadas. Uma vez presentes os sintomas, a detecção imediata e cuidados hospitalares adequados aumentam a sobrevida dos doentes. A rede SUS precisa disponibilizar postos de laboratórios em todos os locais, especialmente os de risco, além de oferecer condições para que se possa iniciar mais rapidamente o tratamento necessário. No meio desta polêmica, logicamente, milhares de cidadãos não conseguem encontrar a vacina nos postos de saúde dos municípios brasileiros. Seria descaso? Fato é que o ministro Ricardo Barros evita reconhecer a possibilidade de surto, mas admitiu que a situação gera alerta. A suspeita de 53 óbitos em Minas Gerais não seria o bastante para se falar em epidemia ou surto? A certeza de que os modos de se evitar a contaminação também não estão sendo observadas não servem como indício de que o Estado gastará muito mais para cuidar de seus doentes do que para prevenir a doença? Lamentavelmente, parece que não aprendemos nada com as epidemias de dengue, zika vírus, entre outras. A febre é alta no que se refere à gestão de recursos públicos e pode ser um indicador de infecções incuráveis. Mas remediar não é a solução, é preciso evitar a doença. É preciso sim fazer uma intervenção mais séria, mais humana e menos demagoga e política. * DRA. SANDRA FRANCO é consultora jurídica especializada em Direito Médico e da Saúde, presidente da Academia Brasileira de Direito Médico e da Saúde, membro do Comitê de Ética da UNESP para pesquisa em seres humanos e Doutoranda em Saúde Pública – drasandra@sfranconsultoria.com.br


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EXPANSÃO

Demanda por qualidade na informação promove o crescimento da telerradiologia no Brasil Especialista aponta os benefícios do serviço e as possibilidades de melhoria na formação profissional

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acesso à informação radiológica de alta qualidade sem limitações geográficas é um dos maiores benefícios da telerradiologia para o melhor atendimento ao paciente. Modelo em expansão no Brasil, a telerradiologia também é alvo de críticas por parte de alguns segmentos médicos, que alegam prejuízos para profissionais da área, a exemplo da perda de postos de trabalho. O método e os seus benefícios para todo o sistema de saúde, no entanto, são defendidos pelo dr. Marcelo Bordalo, diretor técnico da STAR telerradiologia, empresa criada recentemente, com sede em São Paulo e atuando em diversas regiões do País. “É uma tecnologia que já se consolidou, sobretudo pelos benefícios que ela pode trazer em um país como o nosso, com extensão continental”, apontou o especialista. A telerradiologia utiliza a transmissão digital de imagens radiológicas por meio das tecnologias de informação a fim de permitir o diagnóstico à distância ou emitir uma segunda opinião especializada. No Brasil, foi regulamentada e normatizada como especialidade em janeiro de 2009

pelo Conselho Federal de Medicina. Nos fim de obter a avaliação de outro profissional”, comentou. Estados Unidos, mais da metade dos hospitais utilizam esta tecnologia. O suporte diagnóstico a comunidades Em entrevista ao jornal ID Interação em regiões geográficas distantes dos grandes centros urbanos e a clínicas e hospitais Diagnóstica, o dr. Marcelo Bordalo Rogrigues, diretor técnico carentes de profissionais especializada STAR, esclarece dos ou de segunda que a empresa tem opinião médica em um foco direcionado casos específicos é para levar qualidade a demanda mais coe apoio aos serviços mum do modelo de contratados. Explicou serviço no Brasil. A que o modelo já é uma quantidade insufirealidade no Brasil. ciente de radiolo“A vantagem da gistas em algumas telerradiologia é que regiões e o crescenpode ser utilizada te uso de métodos para realizar desde avançados de imaradiografias simples, gem, o que também em situações de carência de profissioeleva as expectativas nais em algumas rede pacientes e mégiões, até os exames dicos sobre a qualidade do serviço, mais avançados. Outra questão é a possi- Dr. Marcelo Bordalo Rodrigues estão promovendo o bilidade da segunda opinião. Caso deteraumento do uso da telerradiologia. minada clínica tenha dúvida com relação ao Outra questão constantemente discutida em relação à telerradiologia é a conresultado de um exame, ela pode enviar os corrência com os próprios radiologistas. dados para um serviço de telerradiologia a

Rio Preto abre o calendário do Manoel de Abreu

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om os temas Retroperitôneo e Próstata, o Clube Manoel de Abreu, da Sociedade Paulista de Radiologia abre no dia 17 de março o seu calendário de atividades no ano de 2017. Neste ano, será realizada a eleição da nova diretoria da SPR, tradicionalmente sediada em reunião do Clube Manoel de Abreu, e para suceder ao dr. Antonio Soares de Souza, o nome indicado é o dr. Carlos Homsi. O evento será realizado em São José do Rio Preto e os anfitriões, Antonio Soares de Souza, Arthur Soares de Souza e Tufik Bauab Jr., ao lado de Douglas Racy, e do

presidente do Clube Manoel de Abreu, Nelson Cazerta, se incumbirão da programação cientifica, por certo, das mais interessantes. As demais cidades que abrigarão esse tradicional evento, um dos braços importantes da SPR desde a sua criação, serão as seguintes: Campos do Jordão, de 19 a 21 de maio, Araçatuba, de 30 a 2 de julho, Botucatu, de 22 a 24 de setembro e Ribeirão Preto, de 20 a 22 de outubro. Veja todos os eventos da entidade pelo seu site: www.spr.org.br

O dr. Bordalo lembra que a telerradiologia surge como mais uma oportunidade de trabalho para os radiologistas, que apresentam uma excelente oportunidade de se incluirem nesse mercado.

Papel no ensino médico O dr. Bordalo falou sobre a importância da telerradiologia na melhoria da qualidade da radiologia, no que diz respeito à produção dos laudos e à formação dos radiologistas. “O ensino profissional é explorado por alguns serviços de telerradiologia. Possibilita a qualificação de profissionais que não tinham acesso a uma supervisão de seus laudos e, consequentemente, a um aperfeiçoamento técnico de qualidade. No entanto, para isso funcionar, é preciso ter critério sobre a capacitação dos médicos que supervisionarão esses laudos e serão os “formadores” dos demais radiologistas”, defendeu. O especialista adiantou ainda que pretende, por meio da STAR, lançar programas de ensino da radiologia. “O objetivo é aprimorar a qualidade técnica dos radiologistas e levar formação de qualidade a todo o Brasil. Acredito que esse também é um dos potenciais campos da telerradiologia”, concluiu.

NOTAS & INFORMAÇÕES

Novos cursos na programação do InRad

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ovos temas foram inseridos na programação de Cursos do Centro de Estudos Radiológicos “Rafael de Barros”, do InRad HCFMUSP, além dos cursos tradicionais, cujas datas estão sendo programadas, algumas novidades já foram

definidas.

Radiologia Oncológica Hepática Nos dias 19 e 20 de maio, será realizado o Curso de Hands on de Radiologia Oncológica Hepática, coordenado pelo prof. Manoel de Souza Rocha e pelo dr. Regis Otaviano França.

Radiologia em Emergência Outra novidade, será o Curso de Radiologia em Emergência, coordenado pelo drs. Paulo Savoia, Fabio Vieira e Shri K. Jayanthi.

Temas de Mama A área de doenças da mama já definiu, também, três temas de grande interesse para o ano de 2017: em maio, de 26 a 28, coordenado pelo prof. Nestor de Barros e pelos drs. Flavio Spinola de Castro e Carlos Shimidzu, será ministrado o Curso BI RADS – Enfoque prático – Correlação com a Ultrassonografia. Em agosto, de 4 a 6, coordenado pelo prof. Nestor e pela dra. Su Jim Kim Hsieh e dra. Erica Endo, será o Curso BI RADS RM de Mamas e, nos dias 1 e 2 de setembro, o Curso Multidisciplinar das Doenças da Mama, pelo prof. Nestor de Barros, dra. Su Jim Kim Hsieh e pelo dr. Marcelo Abrantes Giannotti.

Hands On em Oncologia Coordenado pelo dr. Marcos Roberto de Menezes e pelo dr. Marcio Taveira Garcia, o Curso de Hands On em Oncologia, será realizado nos dias 22,23 e 24 no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Os interessados devem entrar em contato, pelo tel. (11) 2661-8190 ou cerb.inrad@hc.fm.usp.br www.eventick.com.br/organizador/centrodetreinamentoinrad


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COMEMORAÇÃO

Por Luiz Carlos de Almeida (SP)

Os 70 anos da Clínica Lucilo Maranhão: nova geração ganha espaço com os olhos voltados para a inovação A Clínica Lucilo Maranhão está completando 70 anos de atividades, como um centro de referência em diagnóstico por imagem para Recife e região, onde os números diários de atendimentos atestam uma realidade focada na qualidade.

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oje, se vivo, o dr. Lucilo Maranhão teria muito a comemorar. Equipada com o que há de mais moderno em ressonância magnética de alto campo, ultrassonografia geral e com dopplerfluxometria colorida, tomografia computadorizada multislice, essa clinica ganhou projeção ao longo das últimas três décadas pelo trabalho na area de mamografia e ultrassonografia, onde é uma referência. A alta especialização em diagnóstico por imagem, investimentos em estrutura e em qualidade do atendimento explicam o crescimento da unidade de saúde sediada no bairro do Derby, e que realiza cerca de 800 exames por dia em Recife (PE). A clínica multiplicou por oito a quantidade de serviços prestados, aumentando, assim, o número de pessoas atendidas diariamente, a partir de 2010, quando reposicionou a marca e

Dr Lucilo Maranhão Neto, Dra Beatriz Maranhão, Dra Norma Maranhão, Dr Ricardo Maranhão, Dr Ricardo Maranhão Filho e Dr Marcos Miranda Filho

investiu em qualificação. Hoje, a equipe é formada por mais de 20 médicos. Os procedimentos são realizados pela própria clínica e por empresas parceiras. A Lucilo Maranhão Diagnósticos foi fundada em 1947 e iniciou suas atividades em radiologia geral, sob a reponsabilidade do fundador. Anos depois, os dois filhos do dr. Lucilo se formaram em medicina e decidiram se es-

pecializar na área: a dra. Norma Maranhão em radiologia mamária e o dr. Ricardo Maranhão em ultrassonografia.   Com o mamógrafo digital, a clínica foi pioneira em realizar biópsia percutânea de fragmentos da mama guiados pela estereotaxia de lesões mamárias não palpáveis. A terceira geração da família passou a integrar o corpo clínico

e a diretoria da clínica a partir de 2010, o que ampliou a abrangência diagnóstica com novas técnicas de exames. Atualmente, os drs. Marcos Miranda Filho e Ricardo Maranhão Filho atuam nos exames de raios-x, tomografia computadorizada, densitometria óssea e ultrassonografia; a dra. Beatriz Maranhão especializou-se na área da mama, realizando mamografia, ultrassonografia, punção/biópsia e

ressonância magnética mamária; e, por fim, o dr. Lucilo Maranhão Neto atua nas áreas de tomografia computadorizada, ultrassonografia, procedimentos guiados por USG (tireóide e mama) e ressonância magnética. O registro torna-se importante porque os últimos 16 anos de vida do ID Interação Diagnóstica foram marcados por muita proximidade com esta clinica, através de uma de suas referências, a dra. Norma Maranhão, cuja evolução tivemos o prazer de acompanhar desde a primeira entrevista que nos concedeu, ainda no Jornal da Imagem, em Natal. Vimos essa especialista galgar os degraus de uma carreira muito bem sucedida, onde a ciência e a pesquisa na área da mamografia, no Pais receberam importantes contribuições. É uma das fundadoras da Comissão de Qualidade em Mamografia do CBR, presidiu com sucesso a Sociedade de Radiologia de Pernambuco, criou o Curso de Atualização em Mamografia da SRPe e, ao lado do irmão, Ricardo Maranhão, deu sequencia à história de Lucilo Maranhão. E, no momento que comemoram 70 anos, integrando a nova geração de sucessores, é importante lembrar que pessoas fazem as instituições e Norma Maranhão é uma dessas pessoas.


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EVENTO

15º Imagine traz inovações e promove maior interação entre participantes Sarau, premiações e conteúdo diversificado vão movimentar o congresso em São Paulo (SP)

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s profissionais que participasite: www.imagine-inrad.org.br. rem da 15ª edição do Imagine A partir deste ano, o Imagine, que é nos dias 24 e 25 de março, em realizado pelo Instituto de Radiologia (InRad) do HCFMUSP, passa a denominar-se São Paulo, vão experimentar XV Congresso de Radiologia e Diagnóstico um evento que vai aliar o por Imagem do HCFMUSP. Entre os palestradicional conteúdo abrangente e diversificado a uma série de inovações a fim de trantes, destacados profissionais da equipe ampliar a interatividade e tornar ainda mais do InRad e convidados de instituições de rico o contato entre os congressistas. Uma das inovações é um sarau, que será realizado no dia 24, sexta feira, para um debate sobre os avanços e os novos rumos da especialidade. O tema do encontro será a radiologia na era digital. O prof. Giovanni Cerri, profa. Claudia da Costa, prof.Manoel de Souza Rocha vão conversar com a plateia a respeito dos desafios do uso da inteligência artificial, dos aspectos corporativos e do papel do médico neste novo contexto. Além da participação presencial, o conteúdo científico multidisciplinar do evento, com o foco na revisão e nas atualidades da Conteúdo focado no dia a dia dos médicos. imagem na prática ambulatorial e referência, a exemplo do dr. Marcos Loreto hospitalar poderá ser acessado on-line por Sampaio, brasileiro que atua na Universimeio de uma plataforma adaptada também dade de Ottawa, no Canadá. para mobile. Como incentivo à participação cientíQuem optar pela presença no evento fica, estão disponíveis no portal do evento terá desconto de 10% no valor da inscrição usando o cupom IMAGINE10. Os casos clínicos para que os participantes participantes do congresso também vão possam analisar e definir o diagnóstico. Para ganhar o e-book Tratado de Radiologia. se habilitarem a concorrer aos prêmios, os Os interessados podem ver todos os deinscritos deverão acertar com precisão os talhes e fazer a inscrição no evento no diagnósticos propostos nos casos clínicos.

As respostas corretas serão validadas pela equipe do InRad designada para essa avaliação e será permitida apenas uma hipótese diagnóstica para cada caso proposto.

Conteúdo de qualidade em diversos módulos A área de Musculoesquelético, um dos temas centrais do evento, vai abordar de forma prática a realização dos exames e a necessidade de melhor comunicação com o médico solicitante. O dr. Marcelo Bordalo Rodrigues, coordenador do módulo, explicou que o objetivo é simplificar a radiologia musculoesquelética. Um dos palestrantes convidados, o dr. Marcos Loreto Sampaio, que trabalha no Canadá, vai mostrar a realidade da radiologia no país e como é explorado o máximo potencial de cada método, sobretudo raio-X e a ultrassonografia. Já a programação do módulo da Neurorradiologia Diagnóstica terá tópicos básicos e avançados, a fim de atender às expectativas dos diferentes públicos do evento. “Grande atenção foi dada às doenças vasculares do sistema nervoso central (SNC). Teremos uma apresentação sobre estenoses arteriais e estudo da placa ateromatosa. Este último tópico tem trazido informações adicionais para o clínico na tomada de decisão terapêutica em doença cerebrovascular”, destacou o coordenador, dr. Leandro Lucato. Outros temas relevantes do módulo são as doenças tóxico-metabólicas do SNC e os

padrões relevantes para conhecimento do radiologista; a nova classificação dos tumores do SNC e as implicações práticas no laudo radiológico; e as doenças desmielinizantes, com foco nos diagnósticos diferenciais da mais prevalente entidade desta categoria diagnóstica, a esclerose múltipla.

Temas exclusivos para a equipe multiprofissional A equipe multiprofissional da radiologia, composta pela enfermagem, o serviço físico-técnico, a engenharia, a tecnologia de informação e a gestão, terá conteúdos exclusivos concentrados em um curso único no Imagine. Entre os temas, Operações Híbridas na Radiologia – impactos na equipe multiprofissional terá palestra principal do prof. Carlos Buchipiguel, com participação de um representante de cada equipe multiprofissional, além de convidados de outras instituições. O futuro da radiologia – adequações necessárias ao longo do cenário será tema apresentado pelo dr. Marcos Roberto de Menezes, que vai falar sobre os rumos da radiologia, a questão da intervenção, a medicina nuclear, e o impacto dos softwares que lêem imagens no futuro dos radiologistas. Também serão discutidos temas de grande atualidade, a exemplo da sala de comando de operações em área de radiologia e a radiologia dentro da sala do trauma. Uma novidade este ano são as oficinas práticas, que vão abordar a qualidade, a gestão de processo e a gestão de risco.


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EVENTOS

A experiência da radiologia francesa no centro das discussões na JPR’2017 Evento abordará grandes temas da especialidade com palestras e sessões interativas

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47ª Jornada Paulista de Radiologia e o II Congresso França-Brasil-América Latina de Radiologia, que terá como tema central “Radiologia Francesa: as relações humanas e a boa prática médica”, serão realizados de 4 a 7 de maio, no Transamérica Expo Center, em São Paulo (SP). A JPR 2016 reuniu 15 mil pessoas e a expectativa é a de crescimento do número de participantes, neste que é considerado o maior encontro da especialidade na América Latina e o quarto maior do mundo. Os grandes temas do evento estão distribuídos em módulos, entre eles o Cardiovascular, com coordenação de Henrique Simão Trad e que terá como destaque o dr. Jean Dacher, professor de radiodiagnóstico da Universidade Rouen, na França. Em Enfermagem em Radiologia, a coordenação será de Eliana Porfírio, com os temas segurança do paciente e simulação realística no eixo de ensino. Com coordenação de M. Cristina Chammas, especialistas da FLAUS abordarão

temas de atualização em tópicos de emergência e ultrassom. O módulo Educação e Introdução à Pesquisa será coordenado por M. Cláudia da Costa Leite e apresentará temas a exemplo das melhores práticas de publicação de artigos científicos e de apresentação oral, além do convidado internacional dr. Alfredo Buzzi, da Universidade de Buenos Aires. Em Mama, a coordenação será de José Michel Kalaf, com renomados especialistas nacionais e atualização geral em diagnóstico mamário. O módulo Tórax, com coordenação de Gustavo de Souza Portes Meirelles, promete interação com a plateia, com destaque para as sessões interativas denominadas “como eu laudo”. A JPR será realizada pela Sociedade Paulista de Radiologia em parceria com a Sociedade Francesa de Radiologia pela segunda vez; a anterior ocorreu em 2009. As inscrições para a JPR 2017 estão abertas e todos os detalhes disponíveis no site www.jpr2017.org.br.

Saúde da mulher é o tema do Simpósio Radimagem

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23º Simpósio Radimagem de Diagnóstico por Imagem, com enfoque principal na saúde da mulher, será realizado entre os dias 31 de março e 2 de abril, no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre (RS). De acordo com a dra. Beatriz Amaral, coordenadora do evento, professores com atuação nacional e internacional vão discutir temas em mama, ginecologia, obstetrícia e osteoporose. Entre os palestrantes, a dra. Anne Kennedy, vice-presidente do Departamento de Radiologia da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, abordará temas sobre a ultrassonografia ginecológica e obstétrica. Ainda nesta área, vai se apresentar o professor Fábio Peralta. Em mama, fará palestra a dra. Selma Bauab, médica radiologista, especialista em mamografia, de São Paulo. Durante o evento, será realizado o Workshop de Medicina Fetal, coordenado pelo dr. Eduardo Becker Júnior, e o 13º Curso de Atualização para Técnicos e Tecnólogos em Radiologia, sobre diagnóstico da mama, tomografia, ressonância magnética, tomografia computadorizada e medicina nuclear. Dra. Anne Kennedy A inscrição no simpósio é gratuita para os residentes em radiologia, ginecologia, obstetrícia e mastologia, a fim de incentivar a participação dos profissionais pela relevância e importância do evento no cenário médico brasileiro.

Expediente Interação Diagnóstica é uma pu­bli­ca­ção de circulação nacional des­ti­na­da a médicos e demais profissio­nais que atu­am na área do diag­nóstico por imagem, espe­cia­ listas corre­lacionados, nas áreas de or­to­pe­dia, uro­logia, mastologia, gineco-obstetrícia. Conselho Editorial Sidney de Souza Almeida (In Memorian), Hilton Augusto Koch, Dolores Bustelo, Carlos A. Buchpiguel, Selma de Pace Bauab, Carlos Eduardo Rochite, Omar Gemha Taha, Lara Alexandre Brandão, Nelson Fortes Ferreira, Nelson M. G. Caserta, Maria Cristina Chammas, Alice Brandão , Wilson Mathias Jr. Consultores informais para assuntos médicos. Sem responsabilidade editorial, trabalhista ou comercial. Jornalista responsável Luiz Carlos de Almeida - Mtb 9313 Redação Alice Klein (RS), Daniela Nahas (MG), Denise Conselheiro (SP), Lilian Mallagoli (SP), Milene Couras (RJ), Rafael Bettega (SP) Sylvia Verônica Santos (SP) e Valeria Souza (SP) Arte: Marca D’Água Fotos: André Santos, Cleber de Paula, Henrique Huber e Lucas Uebel Imagens da capa: Getty Images Administração/Comercial: Sabrina Silveira Impressão: Vox Gráfica Periodicidade: Bimestral Tiragem: 12 mil exemplares Edição: ID Editorial Ltda. Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2050 - cj.108A São Paulo - 01318-002 - tel.: (11) 3285-1444 Registrado no INPI - Instituto Nacional da Pro­prie­dade Industrial. O Jornal ID - Interação Diagnóstica - não se responsabiliza pelo conteúdo das men­sagens publicitárias e os ar­tigos assinados são de inteira respon­sa­bi­lidade de seus respectivos autores. E-mail: id@interacaodiagnostica.com.br


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Jornal Interação Diagnóstica #96 Fevereiro/Março17  

Profissionalismo, um legado da boa formação médica

Jornal Interação Diagnóstica #96 Fevereiro/Março17  

Profissionalismo, um legado da boa formação médica

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