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Janeiro/Fevereiro/2013

Momento família com a esposa e o filho

o que acontecia na cidade. E, justamente o bullying era a única arma para aqueles que, em suas cabeças, ao fazer tal intimidação se sentiam bem e “cheios de poder”. Em quase todos os lugares por onde passei, tanto no Brasil quanto no exterior, percebo que muitos sofreram ou ainda sofrem com este tipo de problema. Hoje, minha cabeça cresceu, minha orelha ficou em tamanho proporcional. Sempre que retorno a Boa Nova percebo que algumas pessoas, aquelas mesmas que me apelidavam e intimidavam a mim e a tantos outros, não se desenvolveram com o passar do tempo. Continuaram as mesmas pessoas: na maneira de pensar, de agir, de se portar perante a sociedade. Bom, para estas pessoas não tenho muito a dizer. Apenas que ler um bom livro é um bom começo. E para aqueles que se sentem intimidados com tal prática ainda nos dias de hoje, o melhor é não se importar.

Gamboa nha dinheiro. Ele me perguntou para onde eu estava indo, eu disse que ia para a casa do meu pai na Pituba (até então pensava que meu pai morava nesse bairro, mas era em Brotas, e iria descobrir mais tarde). O motorista retornou e me deixou no mesmo lugar (no ponto de ônibus do Iguatemi). Então, procurei um lugar às 5 horas da manhã e decidi dormir em meio a um barreira de plantas em forma de pequeno muro. Às 9 horas o sol resolveu me acordar. Liguei a cobrar para um amigo de meu pai para ir me buscar. Finalmente cheguei à casa de meu pai e, enfim, após toda essa aventura conheci o tão sonhado mar. Aos 28 anos, após uma série de viagens pelo Brasil, por conta de trabalhos voltados à música, fui convidado para ir à França para tocar acordeon por 1 mês. Duas semanas depois conheci uma francesa pelo fato de ela ter me convidado para dançar forró num lugar onde iria tocar acordeon. Após várias danças, convidei-a para tomar uma bebida e assim começamos um batepapo. O problema: ninguém entendia o outro... A comunicação foi criada usando um tradutor no telefone. Começamos a sair e antes de meu contrato completar um mês, eu decidi não voltar para o Brasil e ficar com ela. Após 3 meses de relacionamento, ela ficou grávida acidentalmente. Retornei duas vezes ao Brasil em fevereiro para gravar o meu primeiro disco autoral. Em maio fui contratado para tocar acordeon. Mesmo com longa separação e distância, retornei no início de julho para a França para

5 acolher o meu bebê e reencontrar minha francesa. Ainda em julho recebi um convite para fazer o lançamento oficial de meu disco na Inglaterra. Percorri vinco países (França, Inglaterra, Portugal, Bélgica e Holanda) tocando e fazendo o que gosto: música. Após o lançamento do disco, fui convidado por uma rádio de Paris para uma entrevista para falar sobre meu disco. No dia 4 de setembro meu filho nasceu. O nome dele é Noah. Estou muito feliz, radiante, sem palavras para descrever o que é ser pai. Acho que estou passando por um momento mágico em minha vida. A partir de todas essas produções nasceu um novo Ricardo: mais atencioso, mais pensante e com mais responsabilidade tanto para com a família quanto para com a música. Retornei ao Brasil para ajeitar a vida e trabalhar como jornalista numa revista, após ter recebido um convite de um amigo para fazer parte dessa sociedade. A revista será lançada no primeiro semestre de 2013, mas ainda não tem data prevista. Em 2011 consegui fazer um reencontro juntamente com amigos e familiares – de minha mãe e sua família (por parte de mãe, após quase 37 anos de afastamento). O reencontro foi maravilhoso, pena que não estava lá na hora. Cheguei depois e senti uma emoção muito grande ao ver pela primeira vez minha mãe, sua mãe e suas irmãs felizes, conversando, sorrindo, vivendo. Deste dia em diante a vida ganhou um pouco mais de brilho para minha mãe, assim como para todos daquela família.

Causos e histórias Acredito que sou uma pessoa que sabe o que quer na vida. Sou decidido a responder ao que sinto. Por exemplo, quando quero conhecer algo novo, lugares, cultura, faço o possível para que isto aconteça. Falo disto em relação a alguns causos que ocorreram em minha vida. O primeiro deles foi Quando eu era pequeno (6/7 anos de idade) e queria descobrir onde ficava a “biquinha” (fonte de água potável) da cidade. Fui caminhando com um amigo, mas tinha tomado a direção oposta. Após termos caminhado uma longa distância, um amigo de sua mãe, que retornava da roça com o seu Jipe, nos trouxe de volta para a cidade. Aos 10 anos, meu pai me prometeu que me levaria a Salvador para conhecer a praia. Após 3 anos ele não cumpriu a promessa. Quando completei 12 anos eu decidi, sem a permissão de meus pais, entrar no ônibus Boa Nova-Salvador (que sai aos domingos por volta das 21 horas), com apenas duas balas no bolso e o RG. Em cada parada de ônibus me escondia debaixo dos últimos assentos para escapar dos fiscais. Assim fiz até chegar a Salvador. Quando cheguei à capital baiana às 4 horas, pulei a janela ao lado do motorista, enquanto o mesmo recebia os bilhetes dos passageiros. Segui a fila e atravessei a passarela do Shopping Iguatemi e dei sinal para um ônibus parar. Entrei, sem dinheiro, pulei a catraca, porque disse ao motorista que não ti-

Ricardo menciona o reencontro da família por parte da mãe Arlete (1a dir.) como um momento...

... muito importante em sua vida. Nas duas fotos estão os irmãos de sua mãe (centro)

Jornal GAMBOA digital - ed. 55 - fev/mar/2013  

O Jornal GAMBOA, que começou a circular em maio de 2000, é uma publicação educativo-cultural, de circulação bimestral gratuita, feita a vári...