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CULTURA

Quinta-feira, 15 de agosto de 2019 - Folha Patrulhense ‑ 11

Ana Zenaide, escritora homenageada FOTO: DIVULGAÇÃO

A

na Zenaide Gomes Ourique, a Escritora Homenageada na edição deste ano da Feira do Livro, aberta oficialmente ontem, quarta-feira, fala de sua paixão pela Literatura e de como está hoje o Folclore, e como essa tradição de nossos antepassados continua sendo cultuada na atualidade. FOLHA PATRULHENSE: Como recebeste o convite para ser Escritora Homenageada? ANA ZENAIDE GOMES OURIQUE: Fiquei surpresa, pois jamais imaginava tal honraria! É algo que nos deixa muito felizes! Já ficava emocionada quando era homenageada pelo Projeto o “Autor Presente” ou o Sarau Poético no Museu Júnior. Imagina agora chegar ao Gabinete do prefeito Daiçon e ser recebida por ele, pela secretária da Cultura e Turismo, Eliana Cunha (minha ex-aluna), pela secretária de Educação Dalva P. de Carli e a Angelita Borges Cardoso, também da Educação, além do Jaime N. Müller, Dilce V. Gil Vicente (Polo), Antônio Valente da FURG, e o grupo de teatro. Atualmente como Presidente do Instituto Histórico, sempre há um enorme envolvimento com a história do Município, mas ali é uma equipe. Melhor ainda porque também nosso colega Jaime Nestor Müller é o Patrono da Feira deste ano. FOLHA: Qual sua expectativa? ANA ZENAIDE: Há uma expectativa enorme de que tudo saia perfeito. Há diversos eventos acontecendo junto e, por isso, a torcida é grande para que sejam dias de muita alegria e sucesso. Que os autores que estão lançando seus livros recebam o carinho merecido. Nunca se consegue realizar todas as atividades a que nos propomos porque também estamos envolvidos em outras tarefas. Mas tentaremos dar o melhor! FOLHA:Tens vivido com bastante intensidade o Mundo da Literatura. Como vês o surgimento de novos escritores em nosso município, partindo-se do

princípio de que, há poucos anos, eram raros aqueles que se mostravam dispostos a publicar suas obras aqui? Sabes que eu nunca vi tantos músicos e bons, escritores e poetas em nossa terra? ANA ZENAIDE: Criamos uma coragem imensa em escrever nossas histórias, nossas experiências de vida, poesias de uma sensibilidade que encanta. E ainda há muitos a se descobrirem! Alguns estão tímidos e acompanhamos pelo Instagram ou Face certas colocações que nos cativam e levam a pensar como sabem fascinar com palavras e fatos tão comuns! Só os poetas ou aqueles com dons de seduzir, de nos maravilhar! Tenho acompanhado no Polo, e sou aluna do Projeto 60+. Podes imaginar Hermogenes, pessoas das mais diversas localidades deste nosso Santo Antônio vindo para aprender a usar o computador, a comunicar-se com seus filhos distantes, muitos em outros países? Então, como não viver com intensidade este mundo da Literatura? Agradecemos à Dilce, Coordenadora do Polo homenageada e, ao Diretor do Campus/FURG, Antônio Valente também homenageado este ano. Agradecemos à Josélia nossa professora que tem incentivado, animado àquele que, em certos momentos, bloqueia ao relatar sua vida. No início do ano nos desafiaram com esta proposta “Minha vida dá um livro”. FOLHA: Com o surgimento da Internet, crianças e jovens, cada vez mais, estão aderindo ao celular, inclusive para assuntos ligados à Literatura. No teu ponto de vista, existe a tendência de que as obras impressas venham a desaparecer, dando lugar apenas à literatura virtual? ANA ZENAIDE: Não acredito. Acho que há uma tendência enorme do uso do celular, da pesquisa, do tirar dúvidas, mas as obras impressas não cairão. Nem tudo o Google vai trazer. A emoção não será da mesma forma. Deslizar a mão sobre uma folha de papel, virar um lado é muito gostoso! Sei que os jovens suprimem palavras o que acho um horror quando a leitura seria necessária, a interpretação de textos falha. Mas, ao mesmo tempo, vejo famílias se preocupando com as pesquisas com o que seu filho busca. Até porque, como há facilidade, também há o perigo. FOLHA: És uma grande defensora do folclore, e temos sempre a lembrança de teu pai, o velho Gita, ao lombo de seu cavalo participando das tradicionais Cavalhadas. Essa manifestação folclórica, no teu entendimento, deverá permanecer? ANA ZENAIDE: Sou defensora, Hermogenes, porque fomos criados na linguagem dos ditos populares. De qualquer lado. Tanto pai quanto a mãe. Era não deixar chinelo

virado, não derramar sal, não dizer bobagens à mesa, não falar a palavra crise, não usar chapéu quando estiver fazendo refeições, só começar o dia com o pé direito (e até hoje, nunca me verão entrar em algum lugar com o pé esquerdo) e nem falo nos ditos populares! O estudo dele te ensina o respeito, a educação, a valorização do outro e te dá lições de humildade e sabedoria. O pedir a bênção aos pais está fazendo falta! Moda antiga? Não! Educação! Muitos jovens hoje nem cumprimentam os outros! Acho uma falta de respeito incrível! Mas falta a eles, às vezes, a atenção, o olho no olho. Quanto às cavalhadas aprendemos a ver o pai participando, meus irmãos envolvidos no pintar lanças, a mãe bordando com carinho as roupas dele, o trato ao animal, cuidados, dar brilhos na prataria e, sem falar em encilhas, peitorais, confecção de flores e estrelas para os símbolos do Cristão e a lua crescente para o Mouro. Depois de casada era o marido para carregar cartuchos e meus filhos junto. No dia da apresentação, entraram também as crianças da Cavalhadinha do Projeto Pé Quente do Centro de Cidadania e os homenageados João Gomes dos Santos (Gita) e o Wilson Gil, juntamente com a Rainha da Moenda e Princesa. Era dia 10 de Maio. Em 2011, o pai fica doente e falece dia 22 de agosto, dia do Folclore (logo após o encerramento da Moenda) e o Wilson é hospitalizado e após um exame, teve uma parada cardíaca e falece em 8 de novembro de 2011. Coincidências de dois grandes amigos, corredores cristãos, falecerem no mesmo ano. Depois de 2010, não houve mais Cavalhadas. Este ano de 2019, também perdemos o Tula, nosso guia Mouro. Neste mesmo ano de 2011, a Rosa e eu recebemos a Medalha Dante de Laytano, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre das mãos de Paixão Cortes. FOLHA: Vês no meio estudantil, tendências para a Literatura e a Poesia em Santo Antônio da Patrulha? ANA ZENAIDE: Vejo sim. E muita Hermogenes. A Secretaria de Educação vem desenvolvendo há anos o Projeto de Incentivo à Leitura com lançamentos de livros construídos pelos alunos. Escrevem poesias ou textos que ficamos surpresos! “Palavra de Estudante”. Lançamento também de livros do projeto Pequeno Escritor. E esta tendência para a Literatura acontece também em Escolas Estaduais. Há um movimento, ainda tímido, mas de grande esperança, principalmente quando há teatro onde poderão expressar mais claro suas emoções. E atualmente, as escolas municipais voltam a trabalhar teatro com um grupo conveniado pela Prefeitura Municipal que trará grandes benefícios a essas crianças e adolescentes.

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Edição 150819  

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