{' '} {' '}
Limited time offer
SAVE % on your upgrade.

Page 1

revista

|||

REVISTA

ANTES SÓ DO QUE VÍTIMA DE UM HOMEM AUMENTOU EM 127,45% O NÚMERO DE FEMINICÍDIOS NO INTERIOR DE SÃO PAULO, NO ÚLTIMO ANO

CR IMINALIDADE / INFR AESTR UTUR A UR BANA / P OLÍTICAS P ÚBLICAS

DATA DE PUBLICAÇÃO:

EDIÇÃO:

08/11/2018

n 01

FR ANCA - SP


revista

|||

revista

SUMÁRIO

te edien

Exp

REDAÇÃO IDO V IS TO E CON F ER

V IS TO E CON F ER IDO

04 05 E V I S Tdos A ARestrada I que N Q Uandam ÉRIT Opela R Erua VIS-

TA INQUÉRITO R ep ór te r

R ep ór te r

IDO V IS TO E CON F ER

V ISTO E CON F ER IDO R ep órt e r

R ep ór te r

DESIGN EDITORIAL V IS TO E CON F ER

IDO

V IS TO E

Des ig n er

CON F ER IDO

De s ig n e r

VISTO E CONF ER IDO

06

ROnde E V Iestá S T oA Ipúblico N Q U É Rdos IT Oespaços? REVISTA INQUÉRITO

RPLAEVISTA I N QUÉRINO T O RPARA EVIST A UMA INQUÉSEGU RITO

08

R EPlano VISTA IN Q U Éuma RIpara T Osegurança REVIST A Tátil INQUÉRITO

10 11 14 16

RE VISTA A realidade Igritante N Q U É Rdo ITfundo O R EdeVuma ISTA INQUÉRcela ITO

REVISTA

REVISTA sóRdo IAntes NQUÉ IT que O Rvítima EVISTde A um I Nhomem QUÉRITO

I N Qdescansa, UÉRIEle T ela O Rem E Vpaz IS-

TA INQUÉRITO

REVISTA I NMapa Q U Éda RIT O R E V ISTcriminalidade A INQUÉRITO

20 21 22 23

Com a orientação dos professores Igor Savenhago e José Augusto Reis

V IS TO E

Des ign er

2

|||

CON F ER IDO

De s ig n e r

1ª Edição Franca, SP - Brasil

REVISTA I NCaos Q U Écom RIhora TO R EVIST Amarcada INQUÉRITO

REVISTA

I N Qsolução U É R Iem Uma Tmeio O Rao E Vcaos ISTA INQUÉRITO

REVISTA IAlto N Q Uteor É Rde ITirresponsaO REVIST Abilidade INQUÉRITO

REVISTA I N Por QUÉRIT O R Eum VIST A Itriz NQUÉRITO

24 25 26

REVISTA I N QOuça: UÉRIT Segredos O R E V IdoS TA INQUÉConfessionário RITO

REVISTA INQUÉRITO REVISTO ADoutrinador INQUÉRITO

REVISTA I NAssista QUÉRIT OSegurança REVISTA INQUÉRITO

3


Políticas

Públicas

revista

Moara Ribeiro

|||

|||

A ESTRADA

dos que andam pela rua

Onde está o público dos espaços?

“Infelizmente, o álcool me deu uma das coisas mais tristes que o ser humano pode ter: a solidão”

Como a manutenção e a habitação dos espaços públicos podem influenciar na segurança dos locais

S

Segundo a Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS), o indivíduo em situação de rua se caracteriza pela condição de pobreza total, bem como por ligações familiares e afetivas interrompidas ou fragilizadas e falta de moradia regular. Os principais fatores que contribuem para uma pessoa morar na rua são: a perda de parentes, desemprego, violência, alcoolismo, saúde mental vulnerável, uso de drogas, entre outros. “Gostaria de estar em casa com a minha família, principalmente quando chega o Natal. Infelizmente, o álcool me deu uma das coisas mais tristes que o ser humano pode ter: a solidão”, diz Osvaldo Nascimento Cruz, de 52 anos. Ele nasceu em Belo Horizonte e hoje vive pelas ruas de Franca.

para o desenvolvimento de relações de solidariedade, afetividade e respeito. No entanto, com pouco investimento do poder público, medidas como as desemprenhadas no Centro POP não alcançam todo o público e perdem efetividade. Hugo Ferreira Miguel, de 18 anos, abandonou a casa onde vivia com seus pais. “Viver na rua não é o que eu quero, mas não tive opções. Foi a única alternativa disponível. O dinheiro que eu ganho acaba sendo mais do que eu tinha quando ficava em casa e desempregado, como ainda estou. Prefiro pedir esmola a precisar roubar.”

É previsto por lei, que o poder público municipal cuide da preservação e manutenção de espaços públicos e de lazer presentes nas cidades Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Heloísa Taveira Neves

O perfil do morador em situação de rua No país todo, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estima que mais de 100 mil pessoas estão nas ruas. O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome realizou, em 2009 – portanto, há quase uma década – o último levantamento com moradores em situação de rua, em 71 cidades do Brasil onde existem as maiores concentrações de pessoas desabrigadas ou fora de casa.

É

É possível que um espaço público influencie o comportamento social, fazendo do local uma área mais segura, e vice-versa. Entre as inúmeras possibilidades, a grande circulação de pessoas em lugares públicos pode ser uma alternativa para a segurança. É dever do poder público a implantação de praças e parques para lazer, segurança e acessibilidade da população. Um planejamento com projetos de alta qualidade, cultura de higiene urbana, iluminação e constante manutenção, são aspectos fundamentais para que espaços públicos sejam utilizados com sua devida finalidade e não se transformem em palco para a criminalidade. O sucesso não está apenas nas mãos das autoridades. A conexão entre pessoas e lugares contribui para a segurança dos espaços, sendo a participação ativa um elemento para a solução do problema. Um local somente se torna conveniente quando dele nos apropriamos culturalmente.

Os resultados de uma boa preservação

Torre da Catedral, localizada na praça Nossa Senhora da Conceição, em Franca - SP | Foto: Ana Laura Siqueira

da cidade rendem benefícios também para a saúde, tanto física quanto mental: as pessoas se sentem melhores e tendem a ser mais ativas em espaços atrativos. A liberdade de ir a um parque sem medos ou preocupações também faz parte de um estilo de vida mais saudável.

Políticas

Nos últimos meses, Franca começou a receber um programa de caráter contínuo, pelo qual espaços públicos recebem iluminação, pintura e limpeza. Segundo o secretário de Serviços e Meio Ambiente, Adriano Tosta, o trabalho vem trazendo um bom resultado e recuperando locais onde já não havia mais condição de habitação pela sociedade.

Públicas

Existem programas sociais, tanto municipais quanto estaduais, para regularizar a condição de pessoas como Osvaldo Cruz. Essas políticas, geralmente, buscam reunir essas pessoas e propor trabalhos conjuntos. Dessa forma, um auxilia o outro. Entretanto, ainda não são suficientes devido ao alto número de pessoas sem lar. A assistência social mu- Uma pesquisa realizada em 2009, pelo Ministério de nicipal despende a maior Desenvolvimento Social e Combate à Fome apontou que, A pesquisa apontou dos moradores em condição de rua são homens parte de seus recursos 82% que, a maioria é de homens entre 25 e 44 anos. Quase 30% dessas pessoas, são com medidas reparadoras, negras | Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil (82%) com idade entre 25 e como a entrega de cober44 anos. O estudo demonstores e alimentos, além da trou ainda, que a maior parmanutenção de alojamentos, como albergues. Não te nunca estudou ou concluiu o ensino fundamental existe um fundo para a promoção de ações pre- (63%). Quanto à cor e etnia, cerca de 39,1% eram ventivas ou que garantam que a pessoa retirada da pardos, 29,5% negros e 27,9% brancos. O restante, condição de rua não retorne mais para os espaços composto por indígenas e asiáticos. públicos. Entre as cidades com os maiores índices de pesA Secretaria Nacional de Assistência Social tam- soas em situação de rua, estavam: Rio de Janeiro bém é responsável por pensar e executar planos (4.585 pessoas); Salvador (3.289); Curitiba (2.776); de ressocialização e reintegração dessas pessoas Brasília (1.734) e Fortaleza (1.701). O primeiro munià sociedade. Com essa finalidade, o Centro de Re- cípio do estado de São Paulo a aparecer na lista era ferência Especializado para População em Situação São José dos Campos (1.633), seguido por Campide Rua, “Centro POP”, como ficou conhecido, foi nas (1.027) e Santos (713). Em Franca, atualmente, implantado na cidade. O local, além de abrigar mo- segundo a prefeitura, cerca de 800 pessoas vivem radores em condição de rua de forma segura, re- nas ruas. Em 2009, a cidade aparecia na pesquisa presenta um espaço para o convívio grupal, social e com 78 moradores nessa condição.

4

revista

5


Publicas

Políticas

revista

A n a Laura S i queira

PLANO PARA UMA SEGURAN฀A TÁTIL Voc฀ esteve excluído por duas páginas, eles estiveram por 27 anos

A

|||

raz฀es para a ineficiente execu฀฀o. ฀Estamos num processo de implanta฀฀o das políticas. Avan฀amos a passos lentos, principalmente nos últimos 30 anos, muitas áreas já avan฀aram, mas ainda é necessário enormes esfor฀os, com ฀nfase nas áreas de educa฀฀o, saúde, acessibilidade e trabalho฀, explica. A inexecu฀฀o dos termos no município faz com que alguns dos artigos previstos soem utópicos. Como o que indica que obras públicas nas ruas n฀o impe฀am o livre tr฀nsito de cadeirantes, cegos e pessoas com mobilidade reduzida e nem os ofere฀a riscos. Quanto ฀ acessibilidade e seguran฀a nas cidades, a presidente mencionou que, no governo anterior foi criado o ฀Projeto de Mobilidade Urbana฀. A iniciativa chegou a receber aprova฀฀o, mas nunca foi implantada. Nesse ฀mbito, a profissional comentou ainda que n฀o existe na cidade uma ฀cultura de respeito ฀ pessoa com defici฀ncia฀. Como exemplo, indicou as constantes viola฀฀es ฀s áreas reservadas para deficientes e idosos, como as que s฀o estabelecidas em transportes públicos e vagas para veículos em estabelecimentos. É impossível atestar políticas públicas relacionadas a seguran฀a das pessoas com defici฀ncias enquanto nas ruas, quando elas s฀o inexistentes. Esse é um dos aspectos comentados por Ricardo Willian Cruz, portador de defici฀ncia visual. O jovem trabalha como promoter e, a aus฀ncia de acessibilidade nas vias compromete diretamente o exercício de seu trabalho. ฀As ruas de Franca s฀o os espa฀os públicos menos acessíveis. Se elas te assustam, a mim elas amea฀am฀, disse Ricardo. O rapaz justificou sua declara฀฀o com a inexist฀ncia de semáforos sonoros, piso tátil nas cal฀adas e a falta de uma disciplina sobre o tr฀nsito coexistindo com pedestres como ele, para o curso de forma฀฀o de motoristas. Ricardo apontou o terminal rodoviário ฀Ayrton Senna฀ como um dos lugares públicos mais preparados em rela฀฀o ฀s políticas públicas de acessibilidade. A estrutura comporta a maioria dos equipamentos exigidos pelo estatuto, desde rampas de acesso e piso tátil a carros com locais adequados e seguros para cadeirantes. Para mudar o cenário em que Ricardo vive, Viviane esclareceu que, embora o conselho seja um órg฀o deliberativo e consultivo busca articular a฀฀es que acarretem em mudan฀as para os deficientes. ฀Temos várias frentes de discuss฀es para promo฀฀o e inser฀฀o no mercado de trabalho, da acessibilidade urbana, atendimento prioritário em servi฀os públicos e privado฀, concluiu a presidente.

Políticas

A Constitui฀฀o Federal Brasileira foi alterada pela última vez em 1988. Embora como ฀iguais฀ desde ent฀o, n฀o se havia notado que a balan฀a nas m฀os da justi฀a pendia. O Estatuto da Pessoa com Defici฀ncia foi criado em 2015, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff e incorporado ฀ Constitui฀฀o. A legisla฀฀o que trata das especificidades da vida da pessoa com defici฀ncia é dividida em dois livros. O documento tem pouco mais de dez capítulos. O Brasil se tornou signatário da conven฀฀o dos direitos da pessoa com defici฀ncia da Organiza฀฀o das Na฀฀es Unidas (ONU) em 2009. E mesmo o mundo chamando a aten฀฀o do país para uma quest฀o sobre a qual o Estado ainda se mantinha cego, a press฀o das na฀฀es resultou na época, em somente algumas modifica฀฀es na Constitui฀฀o. Por essa raz฀o, outra espera de seis anos. ฀A LBI (lei brasileira de inclus฀o) representa um patamar de cidadania e de abrang฀ncia legal de todos os direitos da pessoa com defici฀ncia. Considero que está em processo de implanta฀฀o efetiva, pois é muito recente a promulga฀฀o da lei฀, declarou Viviane Cristina Silva Vaz Ribeiro, presidente do Conselho Municipal da Pessoa Com Defici฀ncia (CMPCD) de Franca - SP. O CMPCD foi instituído na cidade no ano de 2000, antes mesmo de leis federais versarem pessoas em condi฀฀es de debilidade. No entanto, as atas da entidade datam movimenta฀฀es apenas nos tr฀s últimos anos. O estatuto permitiu que as políticas públicas em rela฀฀o aos portadores de defici฀ncia tivessem a aplicabilidade questionada nacional, estadual e municipalmente. Viviane Vaz disse que identifica no estatuto uma tentativa de promover os direitos fundamentais que prev฀ e atribui

revista

Publicas

6

|||

7


Públicas

Políticas

revista

|||

revista

|||

P LAN O PARA UM A SEGU R ANÇA T ÁT I L Você esteve excluído por duas páginas; pessoas com deficiência estiveram por 27 anos

A Ana Laura Siqueira

Nesse âmbito, a profissional comentou ainda que não existe na cidade uma “cultura de respeito à pessoa com deficiência”. Como exemplo, indicou as constantes violações às áreas reservadas para deficientes e idosos, como as que são estabelecidas em transportes públicos e vagas para veículos em estabelecimentos.

A Constituição Federal Brasileira foi alterada pela última vez em 1988. Embora como “iguais” desde então, não se havia notado que a balança nas mãos da justiça pendia. O Estatuto da Pessoa com Deficiência foi criado em 2015, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff e incorporado à Constituição. A legislação que trata das especificidades da vida da pessoa com deficiência é dividida em dois livros. O documento tem pouco mais de dez capítulos.

É impossível atestar políticas públicas relacionadas a segurança das pessoas com deficiências enquanto nas ruas, quando elas são inexistentes. Esse é um dos aspectos comentados por Ricardo Willian Cruz, portador de deficiência visual. O jovem trabalha como promoter e, a ausência de acessibilidade nas vias compromete diretamente o exercício de seu trabalho.

O Brasil se tornou signatário da convenção dos direitos da pessoa com deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2009. E mesmo o mundo chamando a atenção do país para uma questão sobre a qual o Estado ainda se mantinha cego, a pressão das nações resultou na época, em somente algumas modificações na Constituição. Por essa razão, outra espera de seis anos.

O Estatuto da Pessoa com Deficiência foi criado 27 anos depois da consolidação da Constituição Federal de 1988, em 2015, durante o governo Dilma Roussef. Em Franca – SP, um Conselho Municipal foi instaurado em 2000, mas apenas os últimos três anos registraram ações em prol dos deficientes Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

“A LBI (lei brasileira de inclusão) representa um patamar de cidadania e de abrangência legal de todos os direitos da pessoa com deficiência. Considero que está em processo de implantação efetiva, pois é muito recente a promulgação da lei”, declarou Viviane Cristina Silva Vaz Ribeiro, presidente do Conselho Municipal da Pessoa Com Deficiência (CMPCD) de Franca - SP.

8

A inexecução dos termos no município faz com que alguns dos artigos previstos soem utópicos. Como o que indica que

obras públicas nas ruas não impeçam o livre trânsito de cadeirantes, cegos e pessoas com mobilidade reduzida e nem os ofereça riscos. Quanto à acessibilidade e segurança nas cidades, a presidente mencionou que, no governo anterior foi criado o “Projeto de Mobilidade Urbana”. A iniciativa chegou a receber aprovação, mas nunca foi implantada.

Para mudar o cenário em que Ricardo vive, Viviane esclareceu que, embora o conselho seja um órgão deliberativo e consultivo busca articular ações que acarretem em mudanças para os deficientes. “Temos várias frentes de discussões para promoção e inserção no mercado de trabalho, da acessibilidade urbana, atendimento prioritário em serviços públicos e privado”, concluiu a presidente.

Políticas

Viviane Vaz disse que identifica no estatuto uma tentativa de promover os direitos fundamentais que prevê e atribui razões para a ineficiente execução. “Estamos num

processo de implantação das políticas. Avançamos a passos lentos, principalmente nos últimos 30 anos, muitas áreas já avançaram, mas ainda é necessário enormes esforços, com ênfase nas áreas de educação, saúde, acessibilidade e trabalho”, explica.

Ricardo apontou o terminal rodoviário “Ayrton Senna” como um dos lugares públicos mais preparados em relação às políticas públicas de acessibilidade. A estrutura comporta a maioria dos equipamentos exigidos pelo estatuto, desde rampas de acesso e piso tátil a carros com locais adequados e seguros para cadeirantes.

Públicas

O CMPCD foi instituído na cidade no ano de 2000, antes mesmo de leis federais versarem pessoas em condições de debilidade. No entanto, as atas da entidade datam movimentações apenas nos três últimos anos. O estatuto permitiu que as políticas públicas em relação aos portadores de deficiência tivessem a aplicabilidade questionada nacional, estadual e municipalmente.

“As ruas de Franca são os espaços públicos menos acessíveis. Se elas te assustam, a mim elas ameaçam”, disse Ricardo. O rapaz justificou sua declaração com a inexistência de semáforos sonoros, piso tátil nas calçadas e a falta de uma disciplina sobre o trânsito coexistindo com pedestres como ele, para o curso de formação de motoristas.

9


Públicas

Políticas

revista

A realidade gritante do fundo de uma cela O descaso do poder público com as penitenciárias resulta em mais detentos, mais doenças e menos segurança

O Heloísa Taveira Neves

O Brasil é o país que mantém a terceira maior população carcerária do mundo, atrás dos Estados Unidos e da China. Segundo a última atualização de dados do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), são cerca de 726 mil pessoas privadas de liberdade onde, na teoria, só caberiam 368 mil. O déficit de vagas chega a quase 360 mil, gerando superlotação nos presídios. Os homens são quase a totalidade da população carcerária. Eles somam 94%, sendo 75% negros e mais da metade entre 18 e 29 anos. Quatro em cada dez, das 726 mil pessoas presas, ainda não foram condenadas pelo Judiciário. Isso significa que 40% delas se encontram encarceradas, mas ainda aguardam julgamento. Os que cumprem regime fechado são cerca de 38% dos detentos.

Em Franca, existe uma unidade penitenciária, localizada no bairro City Petrópolis, na região noroeste. De acordo com a Lei de Execução Penal (LEP), uma penitenciária deve ficar localizada longe de áreas urbanas, mas, ao mesmo tempo, em um lugar que possibilite as visitas aos presos.

Entre os motivos de prisão, o tráfico de drogas, disparado, a principal causa. E a realidade não é diferente de todo o país, onde um em cada três

presos responde por tráfico de drogas ou crimes diretamente ligados. Segundo informações da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Franca (DISE), mais de 60% das autuações são decorrentes do narcotráfico, envolvendo, principalmente, cocaína, maconha, comprimidos de ecstasy e selos de LSD. Essas condições influenciam diretamente na superlotação dos presídios. O sistema prisional é uma estrutura cara em todo o mundo e que se torna ainda mais custosa em países pouco desenvolvidos. O alto custo para manter este problemático sistema pouco consegue atingir seu objetivo inicial: a ressocialização dos condenados. Um preso no Brasil custa pouco mais de R$ 2,5 mil por mês e, ainda assim, uma grande maioria vive em condições precárias. Condições de saúde e higiene nos presídios No que diz respeito à saúde, na lei de criação do Sistema Único de Saúde (SUS), está escrito que “a saúde é um direito do cidadão e dever do Estado, e deve ser garantida mediante a oferta de políticas sociais econômicas”. A lei é direcionada a todos os cidadãos, de forma integral e gratuita, independentemente de sua situação. No entanto, a realidade das pessoas que abarrotam as prisões brasileiras é bem diferente. Ao contrário do que muitos pensam, a violência dentro das penitenciárias é responsável por menos da metade das mortes que lá acontecem. Isso porque quase não é noticiado sobre outras causas. O Ministério da Justiça divulgou dados que comprovam que mais da metade das mortes são decorrentes de doenças como AIDS, sífilis e tuberculose.

rreevvi issttaa ||| |||

ANTES SÓ DO QUE VÍTIMA DE UM HOMEM Aumentou em 127,45% o número de feminicídios no interior de São Paulo, no último ano. Cinco mulheres são assassinadas por mês em cidades interioranas

O

O Ministério da Saúde também ofereceu um material, que, em conjunto com estudos do DEPEN, revela que “pessoas privadas de liberdade têm, em média, chance 28 vezes maior do que a população em geral de contrair tuberculose. A taxa de prevalência de HIV/AIDS na população prisional era de 1,3% em 2014, enquanto, na população em geral, era de 0,4%”. Trabalhos de reintegração A Secretaria de Administração Penitenciária possui uma coordenadoria de Reintegração Social e Cidadania, que oferece ações de reabilitação do detento, para que ele possa conviver em sociedade. São iniciativas que visam capacitações, boas práticas, programas de egresso e família, além de penas alternativas. Embora existam esses projetos, cerca de 70% dos presos brasileiros que terminam suas penas voltam a cometer crimes.

O ano de 2018 aponta um aumento expressivo no número de casos de feminicídio no interior de São Paulo. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP), foram registrados 14 assassinatos a mais que em 2017. Ainda de acordo com o levantamento, esse número poderia ter sido maior, já que houve mais tentativas de feminicídio. Foram 215 tentados, um aumento de 114,36% em relação a 2017. A média da quantidade de mulheres assassinadas nos últimos três anos revela que 57 mulheres são vítimas de feminicídio anualmente no interior. Quase cinco por mês.

Em 2018, as cidades interioranas de São Paulo, aquelas que não pertencem à região metropolitana da capital, somaram mais da metade de todos os casos de feminicídio do estado. Pelos dados da pesquisa da secretaria, o número de agressões contra mulheres no interior também teve um aumento percentual maior que o registrado em todo o território paulista. A quantidade de vítimas de agressão, nesse caso, saltou de 30.921 para 31.959, 3,35% a mais que em 2017. No estado todo, mesmo que pouco, também cresceu, de 50.665 para 50.688. A Secretaria de Segurança Pública divulga todas as ocorrências registradas anualmente por delito, discriminadas por município, exceto quando se trata do feminicídio. Para esse crime, as pesquisas realizadas pela SSP dizem respeito aos dados do estado, divididos por região metropolitana e interior. Para Graciela

David Abimael Ambrósio, responsável pela Delegacia da Mulher de Franca – SP, esse fator acarreta uma alta margem de erros no número de casos, já que são subnotificados pelas próprias vítimas. No Brasil, assim como no estado de São Paulo, as tentativas de feminicídio também representam um número alto. De acordo com o instituto “Maria da Penha”, a cada dois minutos uma mulher é vítima de arma de fogo e, a cada 22, de espancamento ou estrangulamento. Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado no ano passado informa que isso não é diferente no mundo. A cada seis horas, em algum lugar do globo, uma mulher é assassinada. Tanto para o instituto “Maria da Penha” quanto para a delegada da mulher Graciela Ambrósio, as mulheres que mais correm o risco de incorporar às estatísticas de feminicídio são aquelas presas ao “ciclo da violência”. O instituto destaca quatro fases principais para esse ciclo que, geralmente, são mantidas pelo agressor, cuja figura é, geralmente, a de homem, cônjuge, namorado ou companheiro da vítima. As fases são: aumento da tensão; ato de violência; arrependimento e comportamento carinhoso. “O abuso pode surgir nas mais diversas formas, não se restringindo apenas à violência física. As pessoas abusivas tentam controlar as outras através de ameaças, manipulações e outras táticas que envolvem, também, abuso emocional, psicológico e verbal, entre outras”, explica a de-

legada sobre as ações do agressor para a manutenção do ciclo. Segundo Graciela, romper este ciclo pode oferecer mais riscos à vítima que aqueles aos quais ela está exposta vivendo com seu agressor, mas é extremamente necessário. Por isso, ela defende políticas de proteção à mulher que se encontra nesse processo. “Há em Franca, a recém-criada ‘Casa da Mulher em Situação de Risco’, cuja implantação se deu pela conscientização da sociedade e do Poder Executivo sobre a importância desse órgão de apoio para o encerramento do ‘ciclo da violência’”, diz a delegada.

Em Franca, São Paulo Em Franca, foram registrados 15 casos de feminicídio nos últimos três anos. Uma jovem francana de 24 anos, que prefere não ter a identidade revelada, relata a experiência que teve há dois anos. Após o término do relacionamento, foi agredida pelo ex-namorado. “Já havíamos terminado uma vez, mas foi uma fase muito perturbada e resolvemos voltar. Quando eu quis terminar de fato, ele não aceitou. Me perseguia, mandava mensagem todos os dias.” O fim da história é previsível. Após insistentes convites, a jovem aceitou se encontrar com o parceiro, de 26 anos, para esclarecer sua decisão e colocar um ponto final no relacionamento. Na casa do rapaz, a cena foi de violência. Socos, empurrões e tapas marcaram o fim da noite. “Ele não queria aceitar o fim

Ana Laura Siqueira, Heloísa Taveira Neves e Juliana Teodoro

Criminalidade

A Secretaria da Administração Penitenciária informa que a unidade, que antes atuava como Centro de Detenção Provisória de Franca, abriga presos em regime fechado, sendo uma média de novos detentos por mês de 143 homens na faixa etária de 27 anos. A última atualização, em novembro de 2018, revela que existem 1.985 presidiários em Franca, mas o prédio comporta 847 deles, ou seja, mais da metade das vagas ocupadas não existem.

10

|||

11


rreevvi issttaa ||| |||

rreevvi issttaa ||| |||

O tempo que leva o abuso

Criminalidade

A cada

10 minutos uma mulher sofreu lesão corporal em 2018 no Estado de São Paulo A cada

uma mulher sofreu uma tentativa de homícidio em 2018 no Estado de São Paulo

NA FRANCA DOS IMPERADORES

do namoro e ficou muito agressivo após nossa discussão. Me xingou, humilhou, fez ameaças de morte e me deu vários socos. Só parou quando ouviu o portão da casa abrindo.” Um dos motivos para a vítima não querer se identificar é a sensação de impunidade. Após um mês do ocorrido, ela decidiu denunciar, mas relatou que não teve mais informações. O agressor continua solto e provavelmente sem nenhuma punição. “Depois disso, eu bloqueei ele de todas as redes sociais e fiquei um tempo sem sair de casa. Vi ele poucas vezes, sempre procurei me afastar e, graças a Deus, não tive mais contato, mas ainda tenho medo.”

A estudante de psicologia do Centro Universitário de Franca (Uni-Facef) Ana Laura Fernandes comenta que a violência contra a mulher é um ato atemporal. “Ela vem ganhando mais visibilidade em nossa época. O fato é que esse tipo de violência sempre existiu e em todos os lugares. Hoje, os direitos humanos buscam igualar as situações entre os sexos que condenam a violência contra a mulher.”

Em memória de Rosane Berteli de Souza, 24 anos (2015) Rosane Berteli de Souza, de 24 anos, foi morta ao sair do banco onde trabalhava, com um tiro na cabeça em 2015. O atirador era o ex-namorado da vítima, Breno Costa Rezende, de 32 anos. Após o crime, ele atirou em si mesmo e foi encontrado com ferimentos graves na cabeça pela Polícia Militar, que o encaminhou à Santa Casa. Breno Rezende foi interditado pela justiça quase um ano após o crime. Ele ficou com sequelas do tiro que deu na própria boca e, portanto, foi considerado incapaz de responder judicialmente. Essa interdição deu a Breno o benefício da prisão domiciliar e de estar em recuperação sob os cuidados da família. Em memória de Cristiane Aparecida Rodrigues, de 39 anos - (2016) Cristiane Aparecida Rodrigues, de 39 anos, foi morta pelo ex-marido em 2016, no Jardim Paulista. Saindo do trabalho, a sapateira recebeu três facadas e não resistiu. O assassino fugiu, mas foi preso pouco depois e permanece detido. Segundo a polícia, a ação aconteceu após Cristiane cobrar a pensão dos filhos. Em memória de Amarinilza Maria Custódio, 46 anos – (2016) Tratado como homicídio na época, em dezembro de 2016, uma mulher de 46 anos foi brutalmente assassinada pelo companheiro. De acordo com a polícia, o autor do crime relatou desconfiança de traição por Amarinilza Maria Custódio e a golpeou com um par de muletas. O assassino confessou ser o culpado e ainda revelou que, depois de matar a companheira, manteve relação sexual com o cadáver. Logo após, tomou banho e foi para um bar. Ele foi preso. Em memória de Etiene Josefa Arruda Coelho, 33 anos – (2016) O caso de Etiene Josefa Arruda Coelho, de 33 anos, teve seu principal suspeito indiciado após um ano e cinco meses. O marido da vítima, Carlos Eduardo Coelho, de 35 anos, foi considerado culpado pelo delegado responsável, mas nega participação no crime e responde ao processo em liberdade há mais de um ano.

A cada

3 dias

uma mulher foi assassinada por feminícidio em 2018 no Estado de São Paulo

Interior de SP Estado de São Paulo

Ocorrência Homicídio culposo Tentativa de homicídio Lesão corporal dolosa Homicídio culposo Tentativa de homicídio Lesão corporal dolosa

Jan 2 16 2991 5 21 4800

Fev 6 13 2662 10 17 4223

Mar 7 23 3098 9 34 4973

2018 Abril 10 6 2648 26 10 4114

Maio 4 14 2565 10 28 4096

Jun 3 22 2386 4 26 3911

Jul 7 15 2433 7 24 3919

Ago 6 16 2455 8 23 3911

Set 4 21 2475 7 30 3919

Out 7 22 2863 9 28 4450

Nov 4 20 2541 6 29 4032

Dez 8 27 2842 11 33 4340

Total 68 215 31959 112 303 50688

Fonte: Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo

Aumento da Tensão

Reconciliação

Criminalidade

A maioria dos casos no Brasil é chamada de feminicídio íntimo, quando a vítima tem algum vínculo com o agressor. É por esses casos que a dificuldade em classificar e contabilizar o crime existe, já que se ligam à violência doméstica. Os registros de feminicídio estão sendo mais bem avaliados, mas é difícil fazer um balanço baseado em boletins de ocorrência da polícia.

12

28 horas

entenda o

ciclo da violência

Distanciamento

Ato de violência

13


Criminalidade

revista

|||

revista

|||

Inquérito - O que te fez permanecer tanto tempo nessa relação?

Ele descansa, ela em paz Moara Ribeiro

“Enxergava em mim, uma mulher fraca, incapaz, que não conseguia se livrar daquele cenário pavoroso”, lembra Raquel

A história a seguir é da dona de casa Raquel (nome fictício), moradora de Franca. Ela escapou por pouco. Conta que viveu, por 15 anos, num relacionamento abusivo, sofrendo várias agressões do marido. A mulher relata que só deixou de ser vítima da violência após o marido morrer, de complicações de uma doença causada por abuso de álcool. Enquanto ele estava vivo, Raquel nunca encontrou coragem para denunciá-lo.

Inquérito - Quando ele terminava de agredi-la, como se sentia? Raquel - Enxergava em mim uma mulher fraca, incapaz, que não conseguia se livrar daquele cenário pavoroso. Penso que, se ele não tivesse morrido por conta das suas bebidas, eu ainda estaria na mesma situação ou não estaria nem aqui.

Inquérito - Você chegou a pensar que mudanças positivas viriam da parte do seu agressor? Esse pensamento te fazia hesitar em relação a denunciá-lo? Raquel - Sempre pensamos que amanhã isso não virá acontecer mais e que a “fase” ruim irá passar. Entrei na igreja com um homem e, conforme foram passando os anos, realmente pude conhecer quem estava do meu lado. O sentimento que ainda restava e o medo que me sufocava deram um espaço de anos para esse relacionamento abusivo e para que as agressões de todo dia continuassem.

Inquérito - Em algum momento pediu ou recebeu ajuda durante os ataques de seu marido? Raquel - Minha família sempre soube do que acontecia naquela casa e diziam sempre que me apoiavam quanto à separação. Volto a falar: o medo acaba dominando a gente. E denunciá-lo me parecia ser algo muito difícil de fazer. Até porque eu não poderia prever se realmente aquilo teria um fim e se eu estaria totalmente protegida. Fico incomodada em pensar que ele nunca foi punido e que, mesmo com ele morto, eu não possa fazer nada. Dessa vez porque ele não está aqui. Da primeira, porque ele estava. “Entrei na igreja com um homem e, conforme foram passando os anos, realmente pude conhecer quem estava do meu lado”, lembrou Raquel | Foto: Ana Laura Siqueira

14

Criminalidade

Em 40% desses casos, os feminicídios são cometidos pelo ex ou atual companheiro da vítima. Segundo a lei, o réu pode ser condenado de 12 a 30 anos de prisão.

Raquel - Quando sofremos abusos de pessoas que gostamos, em algum momento, sentimos que somos culpadas de tudo o que está acontecendo. E não entendemos que realmente nos machuca física, psicológica e emocionalmente. Portanto, acaba sendo prolongado. Você sempre acredita que, uma hora, ele vai parar.

15


Criminalidade

revista

Ana Laura Siqueira

revista

|||

MAPA DA

criminalidade

Um ‘raio-X’ da cidade ajuda a compreender quais as ocorrências que mais incidem em cada região

A

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo divulgou dados sobre taxas de delitos e números de ocorrências registradas no último semestre de 2018, em cada cidade do estado. Por meio dos índices, é possível estabelecer relações entre os números deste

ano e os de dois anos anteriores e elaborar um mapa da criminalidade com as regiões de Franca. As informações evidenciam crimes que foram os mais incidentes ou que tiveram aumento/ queda expressivos.

Cen tro: Aciden tes de Trâ n sito “Lesão corporal culposa por acidente de trânsito” é a ocorrência com mais incidência depois de “Furtos”. Nos três anos analisados, a região central de Franca foi a responsável por mais de 20% de todos os acidentes com vítimas ocorridos na cidade. Em 2018, o número de acidentes no centro por pouco não atingiu 30%, se estabelecendo com 28,38% dos casos, o que correspondeu a 191 dos 673 feridos no trânsito em todo o município.

das as regiões e em todos os anos examinados. O ano seguinte apresentou queda no centro. Foram 154 vítimas (21,44% do total). Em 2018, o número de ocorrências na zona central foi consideravelmente mais alto porque todas as demais regiões apresentaram regressão. No entanto, o ano deixou mais feridos no trânsito em relação ao ano passado. Por isso, “Homicídio culposo por acidente de trânsito” é uma ocorrência com potencial de crescimento. Em agosto de 2016, foram duas mortes no centro. Em 2017, esse mesmo número havia sido alcançado em junho e, no mês seguinte, superado. Já 2018 teve três mortos.

que esci si a c i t , a v sest acta, o l i s s e s t poptiquam p u b l i s i n t e , t a hi, nortu rid acit, que converi pultorae, nostrav olissest publis hi, nor

Norte: Agressã o Chama a atenção, na zona norte de Franca, o número de ocorrências de “Lesão corporal dolosa”. A categoria é um tanto subjetiva. No Código Penal Brasileiro, ela está disposta no título “Dos crimes contra a pessoa”, no capítulo “Das lesões corporais”. De maneira concisa, diz respeito às agressões físicas, materiais, morais e psicológicas contra alguém. A região registrou a maioria dos casos, durantes os três anos analisados. Quase 30% desse tipo de crime em cada um dos anos foram cometidos em dependências da zona norte. O ano que constatou um percentual mais distante dessa margem foi 2017. Nesse período, 747 pessoas sofreram algum tipo de agressão e, desse número, 183 na parte norte da cidade, o equivalente a 26,75% das ocorrências. Esse valor corresponde ao número de casos ocorridos nas regiões central e leste daquele mesmo ano, somadas. O ano de 2016 foi de alta para esse crime. Ainda em julho, o número que encerrou o ano todo seguinte, 2017, já havia sido superado. Das 747 vítimas na cidade, 213 delas foram atacadas no norte, pouco mais que ¼ (28,51%). Dali para os dois próximos anos, o município atingiu uma redução média de aproximadamente 75 agredidos, colaborando para uma baixa significativa para todas as regiões em 2018. Neste ano, a zona norte concentrou 27,34% das agressões, representando 163 lesionados.

Criminalidade

A taxa tem apresentado regressivas. Em 2016, o centro somou 244 (24,37%) dos atingidos nas ruas. A quantidade de feridos naquele ano em toda Franca foi a maior entre to-

16

|||

17


Criminalidade

revista

revista

|||

Oeste: Estupro e a ciden tes de trâ n sito Foi no oeste de Franca onde ocorreu a maioria dos estupros registrados. Ao longo dos três anos em evidência, a taxa dessa ocorrência foi superior a das demais regiões, exceto em 2017, quando o número de agredidos sexualmente no leste excedeu o do oeste. Naquele ano, a zona leste contabilizou quatro vítimas. Oeste e sul somaram o mesmo número, três cada. Em 2016, a região concentrou quase metade dos estupros cometidos em toda a cidade. Cerca de 50% aconteceram no oeste, percentual que significa 13 vítimas. No ano seguinte, houve uma regressão significativa, de quase quatro vezes, caindo para três vítimas. No ano de 2018, este número permaneceu, correspondendo a ¼ dos crimes catalogados no município todo. A zona oeste detém, também, a maior média de acidentes com vítimas no trânsito entre todas as demais. A quantidade de ocorrências de “Lesão corporal culposa por acidente de trânsito” registrada nessa região é equiva-

Leste: Homicídios n o trâ n sito

lente aos registros pelas zonas sul e norte juntas, em todos os três anos. O percentual anual não é o mais alto, exceto pelo ano de 2017. Naquele ano, apenas a região oeste ultrapassou a marca de 200 feridos no trânsito. Foi responsável por 32,45% dos acidentes ocorridos em toda a cidade, o que corresponde a 233 vítimas. Em 2016, o lado oeste excedeu, consideravelmente, a média de 200 ocorrências registradas no ano pelos distritos policiais de cada zona. Com 42 feridos a mais que o valor médio, 24,17% de todos os acidentes de trânsito de Franca se concentraram na zona oeste. A quantidade de atingidos durante o período analisado neste ano já havia sido superada em maio do ano anterior e no mesmo mês de 2016. O intervalo de 2018 representou uma queda de 102 acidentes em relação ao ano anterior e de 111 na comparação com 2016, fechando com 131 das 673 ocorrências desse caráter acusadas no município.

mei pra esilicae cae pro entiem, mo consin virmanteat, Ti. Atus. Labultia que esci si sest actad ditarid acit, que converi pultorae, nostrav olissest publis hi,

A zona leste é a segunda região com maior número médio de homicídios culposos causados no trânsito. Configura uma ocorrência de “Homicídio culposo por acidente de trânsito” quando o causador da morte não possuía intenções de matar. Nesses casos, os motivos são, geralmente, negligência, imperícia ou imprudência. Esse tipo de ocorrência tem progredido no leste, mesmo a

região sendo a terceira com taxas mais baixas relacionadas a acidentes de trânsito. Em 2016, o período se encerrou com três mortos. No ano seguinte, o mês de fevereiro já havia superado ²/3 das mortes ocorridas no ano anterior, apesar de ter finalizado agosto com a mesma quantidade de vítimas fatais. O ano de 2018 contabilizou três perdas no trânsito no mês de abril. A quarta e última ocorreu em julho.

Sul: Homicídios n o trâ n sito

O Código Penal Brasileiro configura “estupro de vulnerável” toda relação ou moléstia sexual cometida contra menores de 14 anos. E em relação a essa ocorrência, a zona sul se destaca. O número de vítimas de estupro é maior na região oeste da cidade, mas impressiona que 57% dos estupros registrados no sul de Franca sejam cometidos contra menores de 14 anos. Dos anos analisados, o único sem registro dessa ocorrência foi 2016. Coincidentemente, nenhuma das regiões apontou vítimas no período em questão. No ano seguinte, a zona sul concentrou 31,42% dos casos de estupro de vulneráveis fichados na cidade, o equivalente a 11 das 35 crianças que foram sexualmente abusadas.

Em 2017, houve uma redução no número de vítimas em todas as regiões. No entanto, a zona sul permaneceu como a responsável pela maioria dos registros. Naquele ano, a taxa foi de 36% de todos os casos da cidade. O ano somou oito menores agredidos. Sobre ocorrências de “estupro”, a região fica em segundo lugar. A zona oeste catalogou 13 (34,21%) dos casos que ocorreram em 2016, enquanto que a Zona Sul, nove (26,68%). No ano seguinte, ambas as regiões registraram ¼ dos estupros ocorridos em Franca. Ao todo, foram 12 vítimas. Cada zona contou três. Em 2018, a parte sul somou uma ocorrência a mais que a oeste. A primeira registrou quatro casos (33%). Já a segunda, três (25% do total).

Criminalidade

18

|||

19


Urbana

Infraestrutura

revista

Juliana Teodoro

|||

Caos com hora marcada Número de ocorrências aumenta durante três períodos do dia e motos lideram o ranking

A

A correria das cidades, cada vez mais intensa, é ainda maior nos temidos horários de pico. A pressa para chegar ao trabalho ou levar as crianças na escola de manhã, para aproveitar ao máximo o tempo na hora de almoço e para voltar para casa à tarde transforma três períodos em pesadelos para o trânsito e, com isso, o número de acidentes também cresce.

resgate é sempre solicitado”, diz o soldado.

Entre às 6h e 7h, das 11h às 13h e, depois, das 16h às 18h, o trânsito de Franca se transforma e fica caótico. “Esses três horários são preocupantes. É quando a maioria dos acidentes acontece”, comenta o soldado Oliveira, do 9º Grupamento de Bombeiros.

A chuva deixa esses horários ruins ainda piores. Além de provocar o aumento do número de carros nas ruas, diminui a visibilidade e deixa o asfalto perigosamente escorregadio. Nesse momento, é preciso manter a atenção redobrada.

Cerca de 30% dos óbitos no trânsito ocorrem por volta das 18h. A porcentagem mantém relação com o horário de pico, quando geralmente trabalhadores e estudantes estão retornando para as suas casas. Em contrapartida, o período da tarde que não faz parte do horário de pico responde, por exemplo, por 13% dos acidentes. Quem lidera o número de ocorrências são elas, as motos, costurando as filas de carros e tentando chegar ao seu destino mais rápido. “Isso acontece principalmente porque as motos são mais frágeis. Um acidente pequeno com uma moto pode se tornar grave para o motoqueiro. Então, o

De 38 acidentes com óbitos de janeiro a agosto de 2018, 18 foram provocados por motocicletas. O segundo lugar fica com os pedestres, com 10 acidentes, depois com os carros (5), os caminhões (3) e as bicicletas (2). Em mais de 65% dos casos, o condutor morreu.

Pâmela Santana, de 23 anos, se envolveu em um acidente com uma moto durante a chuva às 17h. A motoqueira não respeitou o sinal de pare: “Estava muito difícil de enxergar por causa da chuva. Então, quando a moto ultrapassou o sinal de pare dela, não deu tempo de desviar o carro antes que ela me atingisse. Ainda bem que ninguém se machucou, porque nós duas estávamos dirigindo bem devagar”. A maioria dos acidentes, seja de carro, moto ou atropelamento, acontece pela falta de atenção do motorista. Impacientes e cansados, acabam por não respeitar muitas das sinalizações do trânsito durante os horários de pico.

COMO EVITAR ACIDENTES DE TRÂNSITO

EVITE O USO DE CELULAR Os riscos de acidente aumentam em 400% quando o motorista usa o celular no trânsito

FAÇA A MANUTENÇÃO DO SEU VEÍCULO REGULARMENTE Fique atento às condições do seu veículo. Verifique pneus, freios, água, óleo, etc

OLHE PARA OS MOTORISTAS Faça um contato visual com os motoristas antes de atravessar para se certificar que eles te viram

EVITE PONTOS CEGOS Não atravesse em curvas ou por trás de carros, ônibus, postes ou árvores, os motoristas podem não te ver

UTILIZE A FAIXA DE PEDESTRE Ela é o local mais seguro para a sua travessia

ATENÇÃO À SINALIZAÇÃO Respeitar as sinalizações de trânsito é uma regra básica para a segurança

20

RESPEITE OS LIMITES DE VELOCIDADE Os limites consideram as condições da pista e chegam a um valor seguro para todos

ESTEJA EM BOAS CONDIÇÕES PARA DIRIGIR Evite a direção em caso de estresse, cansaço ou ingestão de bebidas alcoólicas

CAMINHE PELA CALÇADA Evite caminhar pela pista, mas, se for necessário,caminhe em direção contrária aos carros

MANTENHA A ATENÇÃO Olhe para os dois lados da via antes de atravessar e evite caminhar falando ao telefone ou com fones de ouvido

Uma solução em meio ao caos

No último ano os motoristas de Franca tiveram que se adaptar a um novo mecanismo de trânsito. As faixas elevadas, icos da cidade com o intuito de diminuir o número de acidentes de trânsito, em especial os atropelamentos. A instalação da lombofaixa é planejada para a segurança do pedestre e tem contado com investimento público

D

Durante os dois últimos anos, os motoristas de Franca tiveram que se adaptar a um novo mecanismo de trânsito. As faixas elevadas, que ficaram conhecidas como “lombofaixas”, foram implantadas em diversos pontos estratégicos da cidade com o intuito de diminuir o número de acidentes, em especial os atropelamentos.

A faixa elevada é pensada principalmente para os pedestres. Por causa da elevação, é mais visível e deve fazer com que os motoristas diminuam a velocidade, o que facilita a travessia das pessoas. Por isso, a maioria é instalada em locais de grande fluxo, como em frente a supermercados, hospitais e escolas. Ela segue a mesma altura das calçadas, o que ajuda, também, na travessia de cadeirantes e deficientes visuais. As implantações são feitas pelo Departamento de Serviços de Trânsito, vinculado à Secretaria de Segurança e Cidadania, com apoio operacional dos técnicos da Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Fran-

Pouco mais de 30 lombofaixas foram implantadas na cidade de Franca – SP desde julho de 2017 até maio deste ano | Foto: Agência Brasil

Juliana Teodoro

ca (Emdef), que faz a pintura das faixas indicativas. De julho de 2017 a maio deste ano, foram implantadas 34 lombofaixas na cidade. E agora que os motoristas estão se acostumando ao novo dispositivo, os pedestres começaram a ver resultados. “Os motoristas param para as pessoas atravessarem, o que é muito bom, porque antes demorava muito até que eu conseguisse passar. Mesmo assim, atravesso devagar e com cuidado, porque algumas motos vêm correndo entre os carros e não param na lombofaixa”, comenta Terezinha Moraes, de 68 anos, que utiliza todos os dias a faixa da avenida José da Silva. A conscientização dos motoristas ainda deve levar um tempo. Por isso, segundo ela, é necessária a atenção. Do próprio motorista, para que respeite quem tenta atravessar, e do pedestre, para que se certifique se os veículos reduzem a velocidade mesmo quando se aproximam da faixa.

Urbana

MANTENHA UMA DISTÂNCIA SEGURA DO VEÍCULO DA FRENTE Quanto maior a velocidade em que estiver dirigindo,maior deve ser a distância entre os veículos

PEDESTRE

|||

Infraestrutura

MOTORISTA

revista

21


Urbana

Infraestrutura

revista

Heloísa Taveira Neves

Alto teor de irresponsabilidade Presente na grande maioria dos casos de morte no trânsito, o álcool é o protagonista das autuações de quase duas mil pessoas em Franca até novembro deste ano

F

A fiscalização teve de se tornar mais rigorosa. Quase duas mil pessoas foram autuadas de janeiro a novembro deste ano, incluindo as que não se submeteram ao teste do bafômetro. A medida foi tomada por ser a única solução, na visão da polícia, capaz de quebrar o hábito da direção sob efeito de álcool. A lei que determina a proibição entrou em vigor em 2008, mas ainda contava com brechas permissivas que não intimidavam os motoristas.

Com tantas variáveis, profissional de serviços emergenciais conta como é lidar com a mais determinante delas: o tempo

S

O último é o esforço legal, em que entram as leis, a fiscalização e todo o sistema de justiça do trânsito. “Se os motoristas não tivessem cautela por saber que, em qualquer lugar, podem ser parados ou multados, continuariam a cometer infrações de trânsito, seja por embriaguez ou qualquer outro motivo. Se todos tivessem a consciência de fazer o que é certo porque acreditam que é certo e não porque vão ser fiscalizados, sem dúvida o número de incidências no trânsito despencaria.” O tenente também afirma que, na maioria dos acidentes de trânsito, existe uma infração, salvo por exceções do tipo mal súbito, tempestade, queda de árvores ou animal na pista. “Analisando os casos concretos, em grande parte deles, vislumbramos infrações de trânsito. Seria muito simples se não houvesse violações. Praticamente, iria zerar o número de mortes.”

Projeto “Bem-te-Vi” Está programado para o próximo ano letivo. O Detran em parceria com o Governo Municipal, trabalha em um projeto de educação no trânsito nas escolas de Franca. Com o título de “Bem-Te-Vi”, a proposta conta com o auxílio de policiais militares especializados para ministrar palestras em salas de aula sobre segurança nas vias, tanto para pedestres quanto motoristas. A ideia é que as crianças sejam agentes multiplicadores da ação e levem as orientações de trânsito também para a família.

Para profissionais que prestam algum tipo de socorro, cada segundo conta. Maraene Ferreira dos Santos Lopes, protética, afirma saber muito bem a diferença que o tempo pode fazer. Em março de 2015, ela saiu de Franca e seguia pela rodovia sentido Claraval, no sul de Minas Gerais, quando uma tempestade a pegou de surpresa. A caminhonete onde estava aquaplanou e despencou cerca de 10 metros em uma ribanceira.

Imagens do acidente que Igor Araújo sofreu com mais quatro amigos, no cruzamento da rua General Osório com a avenida Hélio Palermo, em Franca - SP. O capotamento aconteceu em julho desse ano, em razão de um motorista que não respeitou a “parada obrigatória” | Foto: Igor Araújo / Arquivo pessoal

lecer uma “hierarquia do socorro” é tão importante quanto. “Considero que, se não fosse a identificação da lesão no meu pescoço de imediato, provavelmente minha situação teria se agravado”, diz o estudante de Jornalismo Igor Araújo Batista. Em junho desse ano, Igor estava com quatro amigos em um carro que seguia em alta velocidade pela rua General Osório, em Franca. No cruzamento com a avenida Hélio Palermo, foram cortados por um veículo que não respeitou a parada obrigatória. Para não chocar contra o outro carro, o condutor do veículo no qual Igor estava jogou o automóvel contra um muro, capotando várias vezes até atingirem um poste. Os jovens foram socorridos pelo SAMU. Outro envolvido no acidente e Igor ficaram gravemente feridos. Os demais tiveram ferimentos leves. “É prioridade chegar até onde

a vítima se encontra o mais rápido possível, mas respeitando toda a via e o trajeto até o final. Não acionamos sirenes sem necessidade e andamos na velocidade em que ruas, trechos e rodovias nos permitem. É preciso manter nossa segurança e dos demais que cruzam nosso caminho”, relata Aline. SAMU pede socorro O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Franca enfrenta problemas de infraestrutura. Veículos utilizados, como ambulâncias, e materiais, como álcool, luvas, gel, e eletrodos, indispensáveis para realizar o socorro adequado das vítimas, estão em falta. Segundo o Secretário Municipal de Saúde, José Conrado Netto, esses problemas já foram identificados e já estão sendo providenciados os reparos nas ambulâncias. Acrescenta que R$ 450 mil foram pedidos ao Governo Estadual para regularizar as outras questões.

A mulher conta que, quando parou, conseguiu acionar o resgate, que chegou em pouco menos de 15 minutos. “Durante o acidente, senti muitas dores. As minhas pernas estavam para o lado de fora do carro, enquanto eu estava presa no cinto de segurança, o que poderia ser mais grave caso o socorro demorasse, já que eu estava sendo comprimida.” De acordo com a socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Franca Aline Cristina Matos, não somente o tempo de deslocamento para o atendimento é crucial. A habilidade de identificar rapidamente os principais riscos da situação e estabe-

Segundo o Corpo de Bombeiros de Franca, o tempo máximo de chegada até o ponto de uma ocorrência é de 15 minutos Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Infraestrutura

O segundo pilar mencionado por ele é a infraestrutura. Condições da pista, redutores de velocidade, faixas de segurança, semáforos e sinalização vertical e de solo são elementos que podem configurar acidentes mais ou menos graves. Ainda assim, os maiores problemas no trânsito são causados por falha humana.

Por um TRIZ Serviços emergenciais são de extrema importância para a população. Ir até o local o quanto antes para atender quem está em situação de risco e necessitando de socorro é um dos principais desafios daqueles para quem o tempo é determinante para salvar vidas. Segundo o Corpo de Bombeiros de Franca, o tempo máximo de chegada até o ponto de uma ocorrência é de 15 minutos. Contudo, o clima, o trânsito e até mesmo as condições do solo são variáveis que podem alterar esse tempo.

Em Franca – SP, quase duas mil pessoas foram autuadas pela Lei Seca entre janeiro e novembro deste ano, incluindo as que não quiseram fazer o teste do bafômetro | Foto: Agência Brasil

|||

Urbana

Os três pilares do trânsito O primeiro e principal pilar para um trânsito seguro é a educação. Valores construídos no lar e nas escolas são fundamentais em todos os momentos, incluindo na direção. “A sociedade brasileira tem o hábito de quebrar regras em diversas áreas. Essa cultura também tem consequências no trânsito, resultando em um alto número de acidentes”, diz o tenente do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar de Franca, Régis Mendes.

revista

Moara Ribeiro

Franca registrou um saldo de 50 mortes no trânsito até novembro deste ano. O número ultrapassou a marca de todo o ano passado, quando 48 pessoas foram vítimas da imprudência ao volante. De um ano para outro, o índice de infrações por embriaguez praticamente dobrou e, por isso se tornou comum avistar uma blitz de lei seca nas principais ruas da cidade.

A partir de 2016, ela foi aprimorada e as penas se tornaram mais duras. Atualmente, a multa aplicada é de categoria gravíssima e chega a R$ 2.934,70. Além do peso no bolso, o motorista perde o direito de dirigir por 12 meses e, em alguns casos, tem a CNH cassada. Este foi o caso dos 1.926 francanos que arriscaram a vida e a de terceiros. Muitos deles alegaram estar dirigindo após uma “simples lata de cerveja”.

22

|||

23


Entretenimento

revista

|||

revista

|||

Ouça:

Segredos do Confessionário O documentário é, sobretudo, para restaurar memórias e não deixar que as pessoas esqueçam que casos como os de 2010 acontecem todos os dias

Juliana Teodoro e Ana Laura Siqueira

O documentário de rádio “Segredos do Confessionário” narra um caso real que aconteceu há nove anos em Franca. Inspirado e redigido sob a visão da imprensa francana da época, a produção acompanha os passos de nove meninos que denunciaram um suposto esquema de pedofilia sustentado por um padre e outros encarregados religiosos, por pelo menos dois anos. Padre José Afonso Dé, padre Dé, como era mais conhecido, tinha 74 anos quando meninos entre 12 e 17 anos começaram a denunciar abusos que teriam acontecido na casa do clérigo. As denúncias assolaram a cidade, ainda mais porque os adolescentes contaram que pelo menos outros seis padres sabiam dos crimes do pároco e optaram por não denunciar.

Não são apenas as denúncias que unem passado ao presente, mas também a impunidade. As audiências para investigar o sistema de pedofilia em Franca levaram mais de dois meses e as conclusões, anos. Além disso, das nove acusações de estupro de vulnerável e atentado violento ao pudor aos quais o padre Dé foi submetido, em sete delas ele foi inocentado. “Segredos do Confessionário” incita, por meio de um contexto antigo, a realizar questionamentos bastante atuais: como efetivamente proteger as crianças? Redes de proteção aos padres pedófilos dificultam que uma rede de proteção às vítimas seja criada?

Dividido em dez partes para contar a história, o áudio retoma as primeiras denúncias, as investigações da polícia, o surgimento de novas vítimas, o posicionamento da igreja, a defesa do padre e o encerramento do caso. Depoimentos reais das vítimas estão presentes no documentário, como também o do advogado de defesa de Dé e da delegada responsável pela instauração do inquérito sobre o caso.

O documentário é, sobretudo, para restaurar memórias e não deixar que as pessoas esqueçam que casos como os de 2010 acontecem todos os dias. O próprio Papa Francisco tem lutado pela resistência da memória, se posicionando ao lado das vítimas e pedindo para que elas denunciem os abusos.

Embora narrando uma história que aconteceu em 2010, o documentário é atemporal. Em agosto desse ano, cerca de 300 padres americanos foram acu-

A produção é independente e conta com um roteiro escrito por estudantes do 5º semestre do curso de Jornalismo da Universidade de Franca (Unifran).

O Doutrinador Como é o herói brasileiro feito para o cinema? Um filme que procura apenas entreter tocando em um dos assuntos mais polêmicos do país: política. O Doutrinador, lançado dois meses após as últimas eleições, traz como trama principal a luta contra os políticos corruptos. Baseado nas histórias em quadrinhos de Luciano Cunha, o herói é Miguel, um agente federal que vê sua vida desmoronar após uma tragédia na família, e a culpa recai sobre os políticos. Assim, com a denominação de “Doutrinador”, o policial começa a travar uma guerra contra a corrupção. Diferente de outras produções nacionais, não é possível fazer relações dos personagens fictícios com os políticos brasileiros e, com isso, o filme evita gerar discussões e reflexões e cumpre a proposta de entretenimento. O longa conta com um visual lindo e cenas de ação muito bem-feitas, tudo envolvido em uma ótima escolha de trilha sonora. Os elementos dos quadrinhos são bem inseridos na realidade conhecida pelos brasileiros. No entanto, o roteiro tem suas falhas.

Juliana Teodoro

O primeiro ponto é a superficialidade dos personagens, que não se diferenciam em nada dos outros filmes de vigilantes vingativos que vemos por aí. Além de Miguel e sua ajudante, Nina, os vilões passam pelos mesmos problemas. Suas personalidades são muito caricatas, com risadas altas e frases feitas – escandalosamente maléficas. O enredo precisava de um personagem mais forte como principal antagonista, alguém com um ar ameaçador. O desenvolvimento da trama também deixa a desejar. Além de ser bastante previsível, o formato de episódios em que foi adotado no filme deixa o enredo com divisões muito marcadas nos momentos de tensão. Isso ocorre, provavelmente, porque a história foi gravada para ser usada como filme e série de TV. Com bons tiros e boas lutas, a complexidade da história que falta pode aparecer na série que está por vir no próximo ano, o que dará mais tempo para o desenvolvimento do enredo e dos personagens.

Entretenimento

24

sados de abuso sexual. De acordo com as investigações que estão sucedendo em Nova Iorque, essa rede de pedofilia teria gerado mais de mil vítimas de religiosos católicos.

25


Entretenimento

revista

|||

revista

Assista segurança Filmes sobre segurança e criminalidade que colocaram aspas na “ficção” Juliana Teodoro

|||

Tropa de Elite (2007) – 1h15 Classificação indicativa: 16 anos

O filme acompanha o dia a dia de um grupo de policiais e um capitão do BOPE que quer deixar a corporação e está à procura de um substituto. Ao mesmo tempo, o longa mostra a indignação de dois policiais iniciantes – destacados por sua honestidade e honra – ao se depararem com a corrupção existente no batalhão. Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) – 1h52 Classificação indicativa: 12 anos

Laranja Mecânica (1972) – 1h36 Classificação indicativa: 18 anos

A história está situada no futuro e começa quando o líder de uma gangue de delinquentes, Alex acaba preso. Para reduzir seu tempo de cadeia, ele recebe uma proposta: ser cobaia de experimentos que pretendem parar os impulsos destrutivos do ser humano. Mas Alex se vê impotente diante da violência que o cerca.

Cidade de Deus (2002) – 2h10 Classificação indicativa: 16 anos

Por meio do olhar de um jovem fotógrafo conhecido como Buscapé, conhecemos a favela do Rio de Janeiro que é um dos locais mais violentos da cidade, chamada Cidade de Deus. O rapaz, que cresce apavorado com a possibilidade de se tornar um bandido, acaba mudando o seu destino com o talento para a fotografia.

Dois anos depois do surgimento de Batman, o herói luta contra o crime organizado com a ajuda do tenente James Gordon e do promotor público Harvey Dent. Preocupados com o combate, os chefes do crime aceitam a proposta de Coringa: contratá-lo para combater o Homem-Morcego.

Código de Conduta (2009) – 1h09 Classificação indicativa: 16 anos

O pai de família Clyde Shelton testemunha o assassinato de sua filha e de sua esposa. Um dos culpados pega uma pena de apenas cinco anos e, dez anos depois, é encontrado morto. Clyde acaba sendo preso pelo ocorrido mesmo sem provas de que ele tenha cometido o crime. Inimigos Públicos (2009) – 1h39 Classificação indicativa: 14 anos John Dillinger tinha a opinião pública a seu favor, mesmo sendo um criminoso audacioso e violento, já que dizia retirar o dinheiro que as instituições financeiras roubavam da população. Obcecado por prendê-lo, o burocrata J. Edgar Hoover coloca Dillinger como o inimigo público número um.

Onze Homens e Um Segredo (2002) – 1h57 Classificação indicativa: 12 anos

Classificação indicativa: 12 anos

A Força Aérea Brasileira consegue a autorização para atirar, perseguir e abater aeronaves que entrem sem autorização no território brasileiro, uma atitude que acaba prejudicando os negócios de traficantes de drogas. Por isso, Hector Gasca, um desses traficantes, decide atacar o quartel do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM). Uma Noite de Crime (2013) - 1h26 Classificação indicativa: 12 anos

Carandiru (2003) – 1h45 Classificação indicativa: 16 anos

26

Um médico se oferece para trabalhar na prevenção da AIDS no maior presídio da América Latina, o Carandiru. Lá, se depara com a realidade do local, repleto de violência, superlotação e condições precárias. Mas percebe que há, dentro da prisão, solidariedade, organização e muita vontade de viver.

O governo norte-americano percebe que as prisões do país estão cheias demais para continuarem recebendo novos detentos. Uma nova lei é criada, permitindo todas as atividades ilegais durante 12 horas – assim, os cidadãos poderiam libertar seus impulsos violentos, o que garantiria a paz nos outros dias do ano. O período, que ficou conhecido como “noite do crime”, é repleto de assassinatos, roubos e outros atos de violência.

Entretenimento

Em suas primeiras 24 horas fora da penitenciária de Nova Jersey, Danny Ocean coloca seu mais novo plano em prática: assaltar, em apenas uma noite, três cassinos de Las Vegas. Para isso, decide reunir 11 especialistas em uma equipe que poderá ajudá-lo. Mas todos devem seguir três regras básicas: não ferir ninguém, não roubar alguém que realmente não mereça e seguir o plano como se não tivessem nada a perder.

Segurança Nacional (2010) – 1h20

27


revista

|||

revista

|||


revista

|||

Profile for Igor  Savenhago

Revista Inquérito  

Revista sobre segurança pública, que se propõe a abordar o tema a partir de um olhar social, para além da vertente que considera a violência...

Revista Inquérito  

Revista sobre segurança pública, que se propõe a abordar o tema a partir de um olhar social, para além da vertente que considera a violência...

Advertisement