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O sorocabano Dalizio Moura, 47, é cover do Elvis Presley há 14 anos. Ele conta que tudo deu início por acaso, na época em que morava na Itália. Começou a ser fã do Rei do Rock em 1985, ainda em Sorocaba (SP), por influencia do pai. Dalizio ouvia as Rock’n’Roll e o pai as mais românticas. A partir de então começou a se interessar a tocar e cantar. Em 2000 trabalhava como motorista na Itália, onde recebeu proposta para cantar em uma pizzaria de Pescara. Após elogios em sua apresentação mista, o dono pediu para que ele cantasse algo mais animado, que atraísse o público de alguma maneira. Logo contou que era fã do Elvis, que cantava suas músicas e que poderia tentar vestir-se como o artista. Foi então a sua primeira apresentação, em 08 de julho de 2000, com camisa e calças brancas e o cinto da mãe. Na apresentação, o Sorocabano brincava com sua aparência como forma a minimizar o ‘ridículo’ que o improviso deixou; mas as brincadeiras continuam até hoje, tornou-se parte da apresentação. Embora sentisse caricata e até mesmo uma ofensa ao Rei do Rock, um repórter do jornal local e responsável por alguns concursos de misses e canto, assistiu a apresentação e se interessou pelo ‘cover’. Perguntou há quanto tempo imitava o Elvis, ele então respondeu: “que eu imito o Elvis, olha, faz umas duas horas e meia”, brincou. O jornalista então o convidou a participar de um concurso, com as seguintes condições: cantar apenas Elvis, sem ajuda financeira e aos finais de semana, onde as viagens também não seriam pagas. Dalizio aceitou. Ele então se apresentou por toda a Europa e ganhou o concurso. Como prêmio, gravou um disco com oito faixas. As vendas do CD foram revertidas a uma pesquisa sobre a cura o câncer. Foi então convidado a programas de TVs da Itália para apresentar o CD. “Só que eu fui desenvolvendo, lógico. Eu mandei uma pessoa fazer uma calça mais digna”, conta animado. Coincidência ou não, Dalizio trabalhou como cover por seis anos na Europa, loiro. Elvis também era. E só começou a tingir o cabelo quando começou as apresentações no Brasil, a pedido dos contratantes. Sua primeira apresentação no Brasil foi em 2006, em um botequim de Sorocaba, que através de divulgação atraiu os jornalistas da cidade. “A imagem do Elvis é muito forte”, justifica. Atualmente Dalizio é contratado para eventos corporativos, aniversários e casamentos. “Este ano já foram quatro aniversários de 15 anos, o que impressiona, pois Elvis Presley morreu há 37 anos”, recorda. Ser cover do Rei do Rock não é tarefa fácil. Voz, postura, conhecimento e figurino são essenciais para a aceitação do publico, ainda mais para ele, que considera-se pouco parecido com o artista, exceto pelas costeletas. Dalizio têm 15 peças de roupas para as suas apresentações, em que sua esposa, que

Dalizio Moura (Arquivo pessoal/Divulgação)

AO ROCK

é costureira, faz. Eles compraram os moldes dos Estados Unidos, ajusta para o seu corpo, e alguns acessórios são importados. Uma de suas peças sai a R$1600 reais a preço de custo. “A empresa que fazia as roupas do Elvis ainda existe e vendem as roupas. As peças vão de mil a quatro mil dólares, e quando chega ao Brasil, a receita cobra 60% do que você pagou. Então se você paga 10 mil na roupa ela fica em 16 mil reais. E é só uma roupa”, reclama. Ele conta que nos últimos cinco anos ele não ouve mais comentários preconceituosos do tipo “você não tem identidade, personalidade própria”. Dalizio conta que o maior preconceito que passou foi com os organizadores de um evento da cidade de Votorantim (SP), em 2008, que seria realizado no dia do rock. “Eu liguei para a organização e propus uma apresentação como tributo ao Rei do Rock, mas ouvi: ‘a gente não quer cover, só quer coisas originais. Você não tem musica própria?!’”, contou. Ele tentou justificar que seria um tributo ao Elvis e que não iria receber pela apresentação, queria apenas homenagear o seu ídolo, mas os organizadores não cederam. “Por fim não houve o festival, os bombeiros não deram o alvará e eu não fui cantar”, concluiu. Passados três dias ele foi contratado pela Prefeitura de Sorocaba (SP) para o show no Parque das Águas localizado na Zona Leste da cidade, também no dia do Rock. E assim fez sua esperada homenagem. Dalizio não esconde sua paixão pelo Elvis, onde criou o “Elvis Forever Fan Club Sorocaba Brasil”. A sede fã-clube fica em sua casa, que têm um salão que acomoda cerca de 80 pessoas. Ele também conta que deu ‘uma fugidinha’ de retiros espirituais para poder cantar músicas do ídolo em local mais isolado, e depois retornar. “Não tem um dia na minha vida, desde que sou fã do Elvis, em que não escutei uma música dele”, finalizou. 17 14

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18ª Edição - Revista Foca - Foca na música  

A 18ª edição é sobre a música no Brasil. Os ritmos sertanejo, samba, pagode, rock, MPB, eletrônica, funk e gospel estão entre os principais...

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