Issuu on Google+

4

OPINIÃO

ES de Fato, Quarta-Feira, 11 de Janeiro de 2017

Mentira tem perna curta MARILENE DEPES

rmdepes@hotmail.com

Não sou adepta de mentiras, inclusive considero que nunca deveríamos utilizar dessa prerrogativa, nem em situações constrangedoras. Quando uma pessoa fora de forma, vestida inadequadamente, ou que apresenta algum dom que não possui, nos pede a opinião à seu respeito é melhor calar-se do que mentir. Preferível sentir-me constrangido momentaneamente, do que com a consciência pesada pela desonestidade cometida. Mentir não é atitude inerente ao gênero, porém os homens tem maior facilidade para mentir quando se trata de proteger a si próprio ou a algum amigo de enrascada. Um marido comunicou que ia jogar futebol e como não retornava a esposa começou a ligar para seus amigos, e sua surpresa foi descobrir que ele tinha dormido na casa de todos. Já as mulheres mentem para proteger a si próprias, não fazem muita questão de resguardarem as amigas, inclusive o fato da outra se estrepar é até bom álibi para si, resultado da pouca autoestima de muitas delas. E a capacidade criativa feminina é infinita, bem mais desenvolvida que a masculina, até por questão de sobrevivência. Criança mente por medo de reprimenda e adolescentes para se safar de alguma coisa que aprontou. A classe profissional que mais mente, descaradamente, é a dos políticos. Nem cito os envolvidos em falcatruas - esses são hors concours, estou falando dos que prometem mundos e fundos nas campanhas políticas e depois não cumprem, simplesmente esquecendo do prometido. O resultado da última eleição, em que foram eleitos tantos candidatos que não são políticos de carreira, foi uma demonstração clara de que o povo não admite mais ser enganado. Cito como exemplo de mentira o acontecido com minha tia, que já idosa decidiu adotar dois meninos. Talvez pela idade dela, que não conseguia mais educar, ou pelo fato dos dois serem levados demais, eles cresceram a enrolando de todas as formas, até desonestamente. Quando foram para o Tiro de Guerra ela teve esperanças de que melhorassem e lá aconteceu o inusitado. Certo dia um deles procurou o sargento e comunicou que a mãe havia morrido e por esse motivo teriam que faltar por algum tempo. O sargento preparou toda a tropa e se dirigiram para a casa da minha tia para participarem do velório. Lá chegando foram recebidos por ela, vivinha da silva. Deu expulsão. Como afirmei, mentira tem perna curta! Marilene De Batista Depes

es.fato@terra.com.br twitter.com/jornalfato

Massacres anunciados

POIS ZÉ JOSÉ R. BRUMANA

(28) 3511-7481

jrbrumana@hotmail.com

O cantor Flesh Martins, e banda, canta nessa sexta-feira, às 22h00, na praia de Marobá, em Presidente Kennedy.

Viaturas deterioradas no pátio da 9ª CIA, sediada na Barra do Itapemirim, Marataízes. Mesmo assim, a PM vem realizando um belo e elogiado trabalho na região.

Esse caranguejo gigante do Restaurante Espera Maré virou point para fotógrafos na praia da Areia Preta, em Marataízes.

O cantor gospel Leandro Fernandes, ladeados por Ewerson “Ceará” e sua esposa Sara Dutra Viana, do RV Restaurante, patrocinadores do Canta Marataízes, que acontece no próximo, dia 21, no pátio do Supermercado Jucy.

MAURILIO CARVALHO

mauriliocarvalho1@gmail.com

Se não bastassem as tragédias econômicas e políticas que marcaram o ano que findou, o que se inicia já registra duas grandes tragédias sociais. No dia primeiro de janeiro, 60 presos foram mortos – destes, 42 tiveram as cabeças arrancadas – em presídios de Manaus. Cinco dias depois, 06/01, mais 31 presos mortos com os mesmos requintes de crueldade. Desta vez, o palco da carnificina foi Roraima. Pelo menos nestes dois casos, o pessoal dos Direitos Humanos não pode culpar a polícia. A matança foi deflagrada por causa de brigas entre facções rivais que dominam os presídios nesses dois estados – aliás, facções dominar presídios é regra na grande maioria dos estabelecimentos penais brasileiros. O Estado até tenta se impor, mas em presídios com superlotações – outra realidade do sistema penal do Brasil – e com número de presos muito grande, ele “manda” do portão das galerias para fora. Lá dentro são outras regras que vigem. Eu mesmo passei por uma experiência desse tipo de situação. Em 1997, passei num concurso da Secretaria de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, e fui trabalhar na Penitenciária Milton Dias Moreira, no extinto Complexo da Frei Caneca, onde estavam presos os chefões do Comando Vermelho do Rio Janeiro. Quando a cadeia “lombrava”, e isso poderia causar problemas para a Administração da penitenciária, a gente chamava o “Japonês”, o “Reizinho da Barra”, o “Macumba” e o “Dênis da Rocinha”, e dizia para eles colocarem “ordem na casa”, pois havia presos desrespeitando as regras da Administração e desrespeitando funcionários. Recado dado, paz total. Essa “comissão”, presidida pelo “Japonês”, tomava conta de tudo, afinal, se a baderna continuasse, quem perderia visitas e outras regalias, como, por exemplo, circular livremente dentro do pavilhão, portanto, com acesso a todas as celas, eram eles, os chefes. No caso de Manaus, a coisa saiu do controle. Fazer acordo com vagabundo em troca de votos dá nisso. “Nossa facção é tão fraca que nós elegemos foi um governador”, é o que diz o chefão máximo da “Família do Norte” (FDN), José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, que em 2014 ajudou a eleger o atual governador do Amazonas, José Melo, do Pros, e em 2015 garantiu a assessores do governador que haveria “paz na cadeia e nas ruas”, em troca de algumas regalias, conforme publicado pela revista Veja no final de 2015. Só que, no caso de Manaus, as regalias foram longe demais e custou a vida de sessenta presos rivais da FDN. Conforme matéria da revista Veja desta semana, a virada de ano no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compej), palco da matança, foi do tipo “liberou geral”. Ignorando um ofício da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado, datado de 31 de dezembro, portanto, véspera do massacre, que dizia que “havia risco de fuga” naquele estabelecimento penal, bem com a presença de pelo menos “8 armas de fogo” lá dentro, o que a Administração do Compej fez foi liberar as visitas na tarde do dia 31, sem passarem por revista, inclusive, com direito a baile funk até alta madrugada, segundo a reportagem de Veja. Ou seja: o governador do Amazonas e toda a cúpula da Administração do Compej têm muito a explicar aos familiares dos mortos. Não é justo todos os brasileiros pagarem pela conivência de um governo aliado ao narcotráfico, como quer o presidente Michel Temer, grupos de Direitos Humanos, e, quem diria: até o Supremo Tribunal Federal. Que as famílias das vítimas do massacre têm de ser indenizadas... pode até ser. Mas, espetar na conta de todos os brasileiros uma tragédia previamente anunciada – com dia, hora e meios – aí não é justo. Cada Estado tem a sua “tragédia” para cuidar. A União não tem de se meter nisso. Afinal, a matança de Manaus e de Roraima são apenas o começo de muitos massacres que virão. Ou alguém acha que o Primeiro Comando da Capital (PCC), principal alvo das mortes bárbaras deste começo de ano, vai deixar isso barato? Preparem os rabecões. Muito sangue vai jorrar.

MAURÍLIO CARVALHO é Coordenador do CONSCIÊNCIA POLÍTICA - não negocie seu voto!


Jornal fato 1101 17