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Publicação trimestral l dezembro 2019 l número L V (55)


Os nossos heróis

12.º J - Curso Profissional de Turismo, com a profª Carmo oliveira

Dia do Diploma . 12ºano . 2019

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sempre um dia de emoções contraditórias: se por um lado é uma alegria voltar a ver estes jovens que preencheram os meus dias nos últimos três anos, se é com orgulho que os ouço falar de praxes e de novos professores das faculdades, se é com satisfação que sei que estão a seguir o caminho que escolheram e estão felizes com isso, é, por outro, um momento em que a escola me parece mais vazia do que nunca. Toda esta gente partiu e os que chegaram ainda não conquistaram o seu

lugar: não lhes sei os nomes sequer e este setembro parece, por isso, mais triste e mais vazio. Resta-me o tempo e a fé - que deve ser - inesgotável na descoberta das várias dezenas de jovens que me vão acompanhar quotidianamente daqui em diante. As maiores felicidades para todos os que partiram.

Carmo Oliveira, profª de Português

12.º G - Um exemplo de empenho e dedicação, com as profªs Mª João Cerqueira, Carmo Oliveira, Clementina Silva e Zaida Braga


Dia do Diploma Sísifo Recomeça… Se puderes, Sem angústia e sem pressa. E os passos que deres, Nesse caminho duro Do futuro,

Drª Anabela Martins, Adjunta da Direção; Drª Zaida Braga, Presidente do Conselho Geral e Drª Margarida Teixeira, Diretora

Dá-os em liberdade. Enquanto não alcances Não descanses. De nenhum fruto queiras só a metade.

E, nunca saciado, Vai colhendo

Alunos do 11º E com a profª de Inglês e Adjunta da Direção, Draª Maria de Fátima Vanzeller

Ilusões sucessivas no pomar. Sempre a sonhar E vendo, Acordado, O logro da aventura. És homem, não te esqueças! Só é tua a loucura Onde, com lucidez, te reconheças.

Alunos do 11º D com a profª de Inglês e Diretora de Turma, Draª Maria José Bianchi

Poema escolhido e recitado por Dr.ª Zaida Braga, Presidente do Conselho Geral AEAS Dia do Diploma - 2019

Alunos do 11º C com a profª de Biologia e Geologia e Diretora de Turma, Draª Fernanda Rodrigues

Premiando a Excelência e o Mérito ESAS, 27 de Setembro 2019

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Miguel Torga Coimbra, 27 de dezembro de 1977


Mafalda

a melhor aluna da ESAS e da cidade do Porto escreve para o Jornalesas

Ano letivo 2018/2019

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ui parar à Aurélia (como me irei neste texto referir, com a mais afetuosa das simplicidades, à Escola Secundária Aurélia de Sousa) por acaso. De opção em opção, de sugestão em sugestão… Já não me recordo do caminho que percorri até chegar a esta escolha. Apenas sei que, num dia quente de setembro, com 15 anos e (profundamente) apreensiva com a incerteza que envolvia a etapa seguinte do meu percurso pessoal e escolar, percorria pela primeira vez os corredores daquela que viria a ser a minha segunda casa durante três anos.

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A Ana Mafalda Santos Silva, no momento em que recebeu o Prémio de Melhor aluna do Ensino Secundário da cidade do Porto. Da esquerda para a direita: Drª Anabela Martins, Adjunta da Direção, Ana Mafalda e Drª Margarida Teixeira, Diretora do AEAS C.M.P. 2019-11-06 Poderia dizer que a adaptação a este novo espaço e a esta nova fase foi rápida, simples, suave, espontânea. Revestiria este testemunho de um véu de esperança e harmonia (do “manto diáfano da fantasia”, é caso para dizer). Não estaria, contudo, a ser verdadeira, nem realista. A adaptação ao secundário foi um dos maiores desafios que encontrei no caminho que me trouxe até ao ponto onde estou hoje. Não conhecia ninguém, a escola era maior do que qualquer outra que havia frequentado, e a insegurança quanto ao curso que escolhera era maior do que aquilo que estava disposta a admitir. A pressão para me integrar num grupo, tão comum numa idade em que estamos a descobrir aquilo que somos e, no entanto, procuramos a resposta naquilo que os outros são, pesava na minha consciência. Mais tarde, viria a descobrir que esta tentativa, que tantas vezes me parecia frustrada, de integração foi talvez

uma das maiores aprendizagens que vivenciei. Foi o impulso necessário para que a “bolha” em que cresci rebentasse: conheci pessoas novas, todas com as suas particularidades e características próprias, que alargaram os meus horizontes, as minhas perspetivas quanto ao mundo que me rodeia, e me proporcionaram experiências que de outra forma nunca teria sequer considerado. Foi o impulso necessário para encontrar as pessoas admiráveis (aquelas que a sociedade qualifica como “amigas”) que me acompanharam, acompanham e acompanharão nos bons e nos maus momentos. Na Aurélia, viveria três anos, e perdoem-me a aparente frivolidade da afirmação que se segue, de alegrias e desânimos, de crescimento e descobertas. Mas também de (muito) trabalho. Uma quantidade de trabalho tal, que acabaria por me abstrair de tudo o resto. E se a minha (talvez excessiva) dedicação e o meu (talvez hiperbólico) estudo desempenharam um papel essencial para alcançar os meus (talvez desmedidos) objetivos, agora reconheço que uma gestão de tempo eficiente, na qual houvesse lugar para aproveitar o “período áureo” da adolescência, foi algo que fui incapaz de alcançar. Mas também isto encaro como uma aprendizagem, que partilho com os potenciais leitores deste pequeno testemunho: trabalho e lazer não são universos incompatíveis, mas complementares. O trabalho torna-se mais rentável quando acompanhado por uma boa disposição e energia que só o descanso e os momentos lúdicos são capazes de proporcionar; o lazer torna-se mais satisfatório quando acompanhado pela leveza de consciência que o atingir dos objetivos escolares possibilita. São premissas fundamentais que, com muita dificuldade e resistência, viria a interiorizar. Inicio agora um novo ciclo, que, certamente, me trará novos desafios e aprendizagens, levando em mente (e, para os mais poéticos, no coração) a herança que a Aurélia me deixou: uma “bagagem” de preparação para o ensino superior como poucos terão tido a oportunidade de usufruir, e uma “bagagem” de preparação para a vida, que em muito contribuiu para moldar a pessoa que sou. Por isso, e por muito mais, foi com um sentimento de profunda gratidão que me despedi desta casa, que (à boa maneira portuguesa) tanta saudade me deixará: gratidão pelos professores extraordinários que com tanta dedicação me acompanharam, por todos os funcionários e assistentes operacionais que “tomam conta de nós”, e pelos meus colegas, com os quais criei memórias que sempre recordarei com carinho. Porque uma casa é isso mesmo: o lugar ao qual, independentemente das vicissitudes que lá vivemos, desejamos sempre voltar. Ana Mafalda Silva


A nossa escola destaca-se, mais uma vez, pelos cuidados a ter com a nossa CASA!

Equipa Jornalesas

Entrega do certificado do “Coração Verde”, pela LIPOR Representante da Lipor, a Diretora do AEAS, Drª Margarida Teixeira e os alunos Vasco e Mafalda, do 11ºH

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Uma forma de honrar, respeitar e amar o próximo é cuidar da nossa casa, esse espaço imenso e maravilhoso chamado Terra. Assim, a ESCOLA SECUNDÁRIA AURÉLIA DE SOUSA preocupou-se com o estado de debilidade em que o planeta se encontra, e teve por incumbência contribuir para a preservação do ambiente. Deste modo, esta missão (consciencialização, postura e ação) foi reconhecida e autenticada pela LIPOR (Serviço Intermunicipalizado De Gestão de Resíduos do Grande Porto), pelo trabalho desenvolvido, no âmbito do Projeto LIPOR Geração +, cujos resultados evidenciam práticas ambientais estruturadas, que promovem a sustentabilidade da instituição e do meio. Parabéns, comunidade da ESAS, pela postura! Prossigam com a vossa atitude e consciência social e ambiental, o mundo está também nas vossas mãos!


O Grupo MUN da ESAS

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Model United Nations (MUN) consiste numa simulação da Assembleia-Geral das Nações Unidas e dirige-se aos alunos do ensino secundário. Divididos por comités, os delegados presentes na conferência discutem as questões internacionais da atualidade, para o que se preparam ao longo do ano letivo, habitualmente em reuniões semanais. Durante os dias da conferência, os jovens diplomatas trabalham em inglês e em contexto internacional, desenvolvendo competências de trabalho em equipa, pesquisa e análise crítica de informação, negociação, tomada de decisões, empatia, comunicação em público, relações internacionais e práticas diplomáticas.

O Grupo MUN da ESAS constituiu-se no ano letivo 2017/2018, a partir de um convite realizado pela escola holandesa The Stedelijk Gymnasium Leiden para a 15ª edição da conferência Leiden Model United Nations LEMUN 18 (16 a 18 de novembro). A participação dos alunos foi avaliada muito positivamente, tendo a escola sido convidada a participar na 18ª edição, LEMUN 2019. Ao longo de 2019, o grupo MUN participou na conferência GOMUN 2019, no Porto, na conferência TOMUN 2019, na Polónia, e na conferência LEMUN 2019, na Holanda.

Vários delegados viram as suas resoluções aprovadas e o seu desempenho distinguido: André Madureira no GOMUN 2019 e LEMUN 2019, Bárbara Freitas e Francisca Monteiro no GOMUN 2019, Benedita Aguiar no TOMUN 2019 e no LEMUN 2019, Matide Ribeiro no LEMUN 2019. De salientar o desempenho da delegada Francisca Monteiro, do 12º E, a quem foi atribuído o prémio CCHQ Dag HammerKjöld Award pelo seu desempenho no Crisis Committee no LEMUN 2019. Ana Amaro, profª Português

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Foto de grupo no TOMUN 2019, Polónia

Francisca Monteiro a trabalhar no Crisis Committee, no LEMUN 2019


um Encontro com um Espaço

Quando o olhar descobre um espaço, descobre e percorre esse e muitos outros a diferentes ritmos época, a vida cultural nacional, na sua arquitetura e nos espaços que integra. Alunos dos 10º J, 11º I e 12º G e professoras de História, Português e Educação Física participaram na descoberta de significados de indícios e de documentos vários. Uma descoberta feita através de imagens inéditas e de vestígios materiais deste lugar-síntese que indiciam o lugar, a geografia e a história, numa composição que ordena o espaço físico definido por uma arquitetura destinada a ser habitada, a acolher o homem. Partilharam conhecimento, interrogaram, leram e experienciaram os espaços deste espaço, os tempos deste tempo. Maria do Carmo Pires, profª de História de Arte Foto: Drª Maria do Carmo e alunos do 11ºI (Pedro, Rafaela, Cristiana Daniela, Rhuan, Catarina; Catarina, Joana, Beatriz Fonseca, Guilherme, Isabel, Adriana e Beatriz Vilas-Boas

Transportes Luís Sousa, Lda Rua da Cerâmica 226/230 Alfena, Porto, Portugal Ligar 22 969 1357 http://www.tlsousa.pt/ 7 l Jornalesas

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propósito de uma exposição realizada na rua Álvares Cabral sobre a génese deste espaço da cidade do Porto, lançámos um desafio a alunos dos 10º, 11º e 12º anos de HCA e História A e a professores da escola - o de descobrir um lugar rico de significações e História - um Encontro com um Espaço. Em qualquer espaço diariamente percorrido há objetos/espaços ao alcance das nossas mãos, do nosso olhar atento e curioso para serem descobertos, memórias materializadas de lugares e vivências que teimam em persistir numa cidade em contínua transformação. Esta rua da cidade recentemente classificada como conjunto arquitetónico de referência, em dezembro de 2012, representa um condensado de tempos e de espaços. Um espaço rural de Seiscentos, uma Quinta de rendimento e recreio de Setecentos e de Oitocentos, um espaço que participou diretamente nas alterações urbanas almadinas, conta a evolução urbana da cidade do Porto, espelha a sociedade burguesa portuense da


Um mestre no saber…um mestre para a Vida!

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á pessoas que nos tocam, que passam por nós e que espalham a sua aura, silentes e perspicazes…flores raras no deserto dos nossos dias. Conhecido e acarinhado por todos, o nosso Dr. José Portugal Dias inspirou gerações, pela sabedoria, pela amabilidade, pelo humor inteligente, pelo ouvido atento e, muitas das vezes, pelos conselhos sensatos. Conheci-o enquanto estudante, professora estagiária e, por fim, como professora da ESAS. Atravessámos os anos, e, no nosso reencontro, reconheci o brilho nos olhos, o olhar de menino, o sorriso malandro. Percebi que o nosso Zé continuava igual, na sua essência, e sempre renovado na sua sabedoria. Lembro os seus percursos, pelas ruas do Porto, em corridas desabridas, com colegas cúmplices, ou em deambulações vagarosas na cadência do vento, no brilho do sol, no êxtase de um pormenor que ninguém perscrutou. O Zé não tem idade! É uma alma antiga em permanente renovação. E é esse ser completo e complexo que perpassou pela

Rua Santos Pousada, 1204 - 4000 – 483 Porto Tel/Fax.: 225 024 938 / Tlm.: 911 710 979

nossa vida, e permanecerá como uma árvore antiga de profundas raízes, preenchida de flores viçosas que odoram e coloram o cinzento dos dias. Querido amigo, agora que te recolheste, para um mundo de muros confidentes, lareiras nos olhos e deleitosas quietudes, peço que continues a visitar-nos, a trazer um abraço, um sorriso, uma palavra que ajudem a enfeitar os nossos dias! Sê feliz, meu querido amigo, que o Destino te cubra a vida de glórias, sempre! Parabéns, Mestre! E…até já! Anabela Dias, profª de Português Foto: Junto ao prof, Drª Luísa e Drª Anabela Drª Julieta, Drª Mª da Luz, Drª Blandina, Drª Luísa Paula, Drª Cláudia, Drª Elisabete, Adelaide, Drª Isabel, Drª Mª do Céu, Drª Luísa, Drª Catarina e Drª Zaida


Tarde com a APPC

Associação do Porto de Paralisia Cerebral veio visitar a nossa escola, para nos explicar o processo de elaboração das obras que se encontram no átrio. De facto, muitos de nós não pararam para pensar nas caras que estão por detrás daquelas fantásticas pinturas e, então, esta pequena apresentação da APPC foi fulcral para uma melhor compreensão e educação, no que toca às capacidades dos indivíduos diagnosticados com esta doença. Deste modo, a partir dum pequeno diálogo, foi possível que os alunos do ensino básico e os do Curso CientíficoHumanístico de Artes Visuais esclarecessem as suas dúvidas, em relação ao processo criativo dos trabalhos realizados, com a ajuda dos empenhados funcionários desta associação que, por sua vez, nos mostraram um pequeno vídeo que exibiu os artistas a trabalharem nas suas pinturas. Na realidade, a partir deste mesmo vídeo, os alunos puderam não só apreender como é que pessoas com esta condição podem trabalhar em algo que é fisicamente exigente, como também aprender novas técnicas, como o stencil e a suspensão de tubos de tinta cujo conteúdo, com o efeito da gravidade, cai sobre o suporte pretendido.

Para além disso, muitos alunos tiveram oportunidade de questionar os funcionários da associação e os seus frequentadores sobre estas técnicas que se revelaram tão eficazes nas obras expostas, na entrada da escola, e também sobre os gostos pessoais dos próprios artistas, que se mostraram entusiasmados com o interesse da sua audiência. No final, foi feito um convite ,por parte da APPC, para os alunos visitarem o seu estabelecimento e trabalharem em conjunto com os seus utentes, criando um ambiente de partilha de ideias e de técnicas que poderão mudar a execução e a perceção da arte. Em suma, esta experiência foi gratificante, não só para os alunos, como também para os professores e a associação, pelo que todos puderam falar sobre a paralisia cerebral, bem como sobre a importância da arte, na vida das pessoas que padecem dessa patologia. Rita Castro 12º H Associação do Porto de Paralisia Cerebral ESAS, 13 novembro 2019

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Día de Muertos O

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Día de Muertos ou Día de los Muertos é uma celebração que existe em vários países hispanoamericanos, mas que é mais conhecida no México. É uma celebração que mistura tradições das civilizações pré-hispânicas com as da religião católica. As celebrações ocorrem nos dias 1 e 2 de novembro. A crença é de que os entes queridos, que já partiram, podem voltar do Além para visitar em o Mundo dos Vivos. A tradição inclui a construção de altares com variados elementos que compõem a “ofrenda”. O número de patamares e os elementos da “ofrenda” podem variar, mas existem alguns que estão sempre presentes. Na nossa Escola os alunos de Espanhol (7ºA, 8ºA, 9ºA e 11ºI) ajudaram a construir um Altar de Día de Muertos, homenageando a pintora Aurélia de Sousa. Os diferentes elementos foram elaborados pelos alunos. As alunas Alice Formosinho e Margarida Barbedo (9ºA) estiveram todo o dia a fazer pinturas faciais de “Catrinas”. Estes foram os elementos que incluímos, no nosso Altar, bem como uma pequena explicação sobre de cada um: Arco – representa a entrada para o Mundo dos Mortos Flores de cempasúchil – é a flor tradicional e o seu cheiro guia os espíritos ao Mundo dos Vivos Sal – simboliza a purificação dos espíritos Água - reflete a pureza da alma e o ciclo contínuo da regeneração da vida. Para além disto, acalma a sede da alma Comidas, sementes – representam a Terra e, normalmente, são colocadas as comidas favoritas dos entes queridos, assim como algumas tradicionais mexicanas. Servem para mitigar a fome das almas depois da viagem

Velas e sírios – representam o Fogo. A luz simboliza a esperança e serve para guiar as almas Papel picado – representa o Ar. Normalmente, são coloridos e simbolizam a alegria pela visita dos entes queridos Incenso – desde a época pré-hispânica que se lhe atribui o poder de purificar o ambiente Caveiras – estão distribuídas por todo o Altar. Representam a Morte. Podem ser de açúcar ou de barro e são muito coloridas Cão Xoloitzcuintle – é uma raça de cão especifica do México (caracterizam-se por quase não terem pelo). Servem de guia às almas, na passagem para o Mundo dos Mortos Fotografias – recordam os entes queridos a quem se dedica o Altar Objetos pessoais – colocam-se aqueles objetos que os entes queridos mais gostavam ou que representem alguma atividade que gostavam de fazer Pan de Muertos – é o doce típico desta celebração. É um pão doce que tem um formato específico. Coloca-se no Altar, mas também é para ser comido por toda a família Catrina – Representa a Morte. Surgiu como crítica social. Foi José Posada quem primeiro desenhou “La Calavera Garbancera”. Mais tarde, o famoso muralista mexicano Diego Rivera incluiu esta figura numa das suas obras, tornando-a um ícone do Día de Muertos na cultura mexicana. Luísa Ribeiro, profª de Espanhol

As alunas Alice Formosinho e Margarida Barbedo (9ºA) estiveram todo o dia a fazer pinturas faciais de “Catrinas”


Hallowe’en at Aurélia de Sousa O

n the 31st October Hallowe’en arrived at our school. There were a lot of people involved to make the whole community come together and celebrate. Decorations were spread all around the school to make the environment a little more appropriate. The school entrance was decorated with the projects created by the youngest pupils of our school, awesome projects, some creepier than others. Also, we wanted to involve the youngest kids, so we went to their classroom and did “Trick or Treat”, so we could offer them candy. And don’t think teachers were left aside, they also got chocolate. In conclusion, it was an awesome day, not only for the ones organising the event (we stressed out to make sure everything went smoothly), but also for the whole community. We all came together and had an incredible morning. We can’t wait to do it again!

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Bruna Silva, 12.º I (Curso Profissional de Turismo)


Dia Mundial da Alimentação

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adoção de hábitos alimentares saudáveis é particularmente importante, em idades mais precoces, uma vez que o organismo ainda se encontra em desenvolvimento e existe uma maior probabilidade de esses hábitos se manterem na vida adulta. Por outro lado, verifica-se que, nos países desenvolvidos, a obesidade infantil e as doenças a esta associada têm aumentado nos últimos anos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo que é urgente mudar hábitos alimentares das crianças e adolescentes. Neste contexto e para comemorar este dia, realizaram-se um conjunto de atividades na Escola Secundária Aurélia de Sousa. Alguns professores de Ciências Naturais e Biologia e Geologia sensibilizaram os alunos das suas turmas para a importância de hábitos alimentares saudáveis, aliados à prática de exercício físico e ao consumo diário de água. Salientaram, ainda, a Dieta Mediterrânica como uma dieta de referência, junto de nutricionistas, e que deve ser adotada como parte integrante de um estilo de vida saudável. As professoras estagiárias do Núcleo de Estágio de Biologia e de Geologia desta escola, juntamente com as professoras do NIPES, decoraram a sala dos professores e o átrio de entrada da escola, de forma a motivar toda a comunidade

escolar. Foi também colocado um cartaz alusivo a este dia, bem como algumas notícias sobre o tema e um panfleto com recomendações para uma alimentação saudável, que deverá ser completa, variada e equilibrada. Algumas turmas de 7ºano foram visitadas, durante o decorrer das suas aulas de Ciências Naturais, pelas professoras estagiárias, que realizaram uma pequena apresentação sobre as porções diárias recomendadas na roda dos alimentos, hábitos alimentares saudáveis, a importância do pequeno-almoço e os grupos alimentares que nele devem estar incluídos. No final, as professoras distribuíram panfletos aos alunos, explicando o seu conte-

údo e esclarecendo algumas dúvidas. Os alunos demonstraram-se interessados e motivados, participando ativamente, colocando várias questões. Sendo a Escola um dos elementos principais na formação do aluno, é importante que estas ações de sensibilização continuem a ser realizadas, contribuindo para a adoção de estilos de vida mais saudáveis, por parte das crianças e jovens.

Dia Mundial da Alimentação 16 de outubro de 2019 Liliana Remuge e Daniela Sampaio Estagiárias de Biologia e de Geologia


Dia Mundial da Alimentação

https://observador.pt/2019/09/23/manifesto-do-bom-sao-e-local-tambem-quer-mudar-o-mundo/ Núcleo de Estágio de Biologia e de Geologia

Alimentação e sustentabilidade Uma alimentação saudável é completa, equilibrada e variada. Esta inclui os seguintes hábitos alimentares:

 Tomar o pequeno-almoço  Evitar estar mais de 3 horas e meia sem comer

 Reduzir o consumo de gordura  Não utilizar gorduras sobreaquecidas ou óleo queimado

 Privilegiar o consumo de azeite  Aumentar o consumo de hortaliças, frutas e

A alimentação saudável deve ser uma aliada da sustentabilidade. Para isso é necessário:

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Comprar a produtores locais, sempre que possível Preferir alimentos frescos, locais e da época Ter uma alimentação mediterrânica Repensar, reduzir, reutilizar e reciclar Ajudar a promover a alimentação saudável

legumes

 Evitar ingerir açúcar ou produtos açucarados e não adicionar açúcar ao leite, chá ou café Consumir peixe e carnes magras Diminuir o consumo de sal Preferir estufados, cozidos ou grelhados Beber água simples em abundância, ao longo do dia

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A Inutilidade de Guerras e Revoluções Painel Jornalesas É outono! As folhas caem desamparadas no desconchego dos dias, o ar pesa, traz uma sensação de spleen aos nossos dias, o mar escurece e o cansaço mora em nós… Longe e perto, outras angústias trespassam os Homens, indiferentes às folhas mortas, os braços reclamam terra, as armas elegem flores… Diz-nos o Poeta: “As guerras e as revoluções - há sempre uma ou outra em curso - chegam, na leitura dos seus efeitos, a causar não horror mas tédio. Não é a crueldade de todos aqueles mortos e feridos, o sacrifício de todos os que morrem batendo-se, ou são mortos sem que se batam, que pesa duramente na alma: é a estupidez que sacrifica vidas e haveres a qualquer coisa inevitavelmente inútil. Todos os ideais e todas as ambições são um desvairo de comadres homens. Não há império que valha que por ele se parta uma boneca de criança. Não há ideal que mereça o sacrifício de um comboio de lata. Que império é útil ou que ideal profícuo? Tudo é humanidade, e a humanidade é sempre a mesma - variável, mas inaperfeiçoável, oscilante mas improgressiva. Perante o curso inimplorável das coisas, a vida que tivemos sem saber como e perderemos sem saber quando, o jogo de mil xadrezes que é a vida em comum e luta, o tédio de contemplar sem utilidade o que se não realiza nunca que pode fazer o sábio senão pedir o repouso, o não ter que pensar em viver, pois basta ter que viver, um pouco de lugar ao sol e ao ar e ao menos o sonho de que há paz do lado de lá dos montes.

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Fernando Pessoa, in "Livro do Desassossego"


Dia Mundial do nĂŁo Fumador

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17 de novembro de 2019 Liliana Remuge e Daniela Sampaio EstagiĂĄrias de Biologia e de Geologia


500 anos da Viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães e Elcano 1519—2019 Um Testemunho do que fizemos. Um desafio para as novas gerações…

Rota Magalhães 1519

Rota da garrafa mensageira Escolas envolvidas neste projeto:     

Rota Magalhães 1519

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Rota Magalhães 2019

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Escola Artística Soares dos Reis ES Aurélia de Sousa AE Eugénio de Andrade ES Filipa de Vilhena EB Irene de Lisboa / AE Carolina Michaëlis EB Torrinha / AE Rodrigues de Freitas Conservatório de Música do Porto AE Infante/EB Gomes Teixeira AE Leonardo Coimbra EB Campinas / AE Viso AE Pêro Vaz de Caminha AE Cerco do Porto EB Fernão de Magalhães

ESCOLA SECUNDÁRIA/3 AURÉLIA DE SOUSA Rua Aurélia de Sousa - 4000-099 Porto Telf. 225021773 novojornalesas@gmail.com

Rua Santos Pousada , 1222 4000-483 Porto Tlf. 225029821


500 anos da Viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães e Elcano 1519—2019 primeiro desafio, para celebrar os 500 anos da Viagem de Circum-Navegação, partiu das Escolas Associadas da UNESCO. Em outubro de 2018, tendo como ponto de partida a “Resolução do Conselho de Ministros 52/2018” contendo propostas para as comemorações do V Centenário da Circum-Navegação de Fernão de Magalhães, a CMP convidou as escolas e agrupamentos a integrarem o projeto “Rota da Garrafa Mensageira”. As quatro reuniões preparatórias com a CMP e as escolas participantes decorreram na Casa do Infante e na Escola Artística Soares dos Reis, entre 24 de janeiro e 25 de Setembro; em março de 2018 foi informalmente constituída uma comissão organizadora na ESAS com as docentes Catarina Cachapuz, Luísa Saraiva e Maria do Carmo Pires. Em Setembro de 2019, a prof. Carla Guedes associou-se ao grupo. Ainda no 3º período do ano letivo 2018/19, foi criado um infopoint de leitura, na Biblioteca; em setembro de 2019, foi lançado o “Concurso Literário e de Fotografia” e solicitouse aos DTs da EBAG e ESAS divulgação aos alunos das atividades “Espetáculo e Cordão Humano” respetivamente para celebração e organização de comitiva que iria proceder à receção e transmissão da Garrafa Mensageira. O objeto a colocar na “Garrafa Mensageira” foi pensado pela comissão organizadora tendo em consideração o espaço reservado na Garrafa especialmente construída pelos alunos da Escola Artística Soares dos Reis. A conceção do objeto - um testemunho, no qual foi posteriormente colado o link de acesso aos trabalhos

realizados - foi da responsabilidade do prof. Armando Canelas, do grupo de Educação Tecnológica – EBAG. As atividades dinamizadas durante a semana foram desenvolvidas em diversos espaços da escola: Nas instalações da Biblioteca, além do infopoint com bibliografia alusiva, foi colocada a instalação “A Unidade do Mundo habitável “– concebida e elaborada por Catarina Cachapuz, Luísa Saraiva e Maria do Carmo Pires, com a colaboração da prof. Hercília Gonçalves e dos alunos do 7º B, C, D e E (construção de origamis). O ambiente evocativo completou-se com uma projeção de imagem alusiva a “Navegações XIV” de Sophia de M. B. Andresen e Poemas da Semana alusivos. O átrio da escola recebeu um painel alusivo à Viagem de CircumNavegação – concebido e elaborado pelos alunos do 12º H, no âmbito da disciplina de Oficina de Artes e pela prof. Carmo Rola. O Concurso Fotográfico teve a participação de 9 alunos das turmas do 8º B e E, orientados pela prof. Paula Cunha, no âmbito da disciplina de Expressão Plástica, e no Concurso Literário participaram 10 alunos das turmas do 11º G, H e K, orientados pela prof. Anabela Dias, no âmbito da disciplina de Português, tendo participado igualmente uma aluna do 7º E. O Jogo Kahoot foi desenvolvido pelas turmas do 8º A, B, C, D, sob a supervisão do prof. Paulo Moreira, no âmbito das disciplinas de TIC e Cidadania. No dia 25 de outubro, na cantina da ESAS, alunos da escola tiveram oportunidade de experimentar a atividade preparada pelos colegas,

durante o intervalo das 10.15h.

[Link de acesso ao jogo: https://bit.ly/2P0YOO5] No dia 21 de Setembro teve início a Semana de Magalhães. Na ESAS, na presença da comitiva da Escola Soares dos Reis, representantes da CMP e comunidade escolar, foi apresentado o muito conseguido espetáculo “Redondo”, que contou com a participação 6 alunas do 5º A, 2 do 12º H e 1 do 12º A, orientados pelas professoras Catarina Cachapuz e Maria do Carmo Pires, com o apoio logístico da DT do 5º A da EBAG, prof. Ana Castro. Este foi um dos momentos altos das nossas celebrações. A Comitiva, para receção da Garrafa Mensageira da Escola Artística Soares dos Reis e entrega da mesma ao Agrupamento de Escolas Eugénio de Andrade, era constituída por 8 alunos do 9º B, 4 alunos do 11º A e 5 alunos do 11º L, orientados pela Comissão Organizadora. O cortejo contou com o apoio do “Orfeão da Madalena”, que cedeu os adereços e fez o respetivo transporte. De referir que o percurso da Garrafa Mensageira englobou 13 escolas. A última, foi a EB1 Fernão de Magalhães, que envolveu todos os alunos e professores em inúmeras atividades e foi responsável pelo fecho da Semana, a 25 de outubro. Os registos das atividades podem ser consultados em

https://bit.ly/2MiwmW4 Luísa Mascarenhas, profª Coordenadora Biblioteca/CRE

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Concurso Literário

500 ANOS DE CIRCUM-NAVEGAÇÃO DE FERNÃO MAGALHÃES

Mafalda, Júlia, Gustavo, Ricardo e Carlota, com a profª de Português, Anabela Dias

Vencedores do Concurso Literário 1º Lugar - Mafalda Peixoto (11ºH) 2º lugar ex-aequo - Carlota SantosJ e Júlia Burmester (11ºG) 3º lugar ex-aequo - Gustavo Couto e Ricardo Pereira (11ºG) Os alunos do 11ºG e do 11º H destacaram-se pelos belos textos que escreveram sobre “Os 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães”. Inundados por génio e talento, os alunos incorporaram personagens do passado, contemporâneos de Fernão de Magalhães ou projetaram-se numa realidade futurível.

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arialva Peixoto, CurandeiroMor d’el Rei, encontro-me em mares desconhecidos, a exercer o meu ofício. Após a estadia na Terra do Fogo, ultrapassámos o Estreito de Todos os Santos e encontrámos um mar cálido. Curiosamente, creio que a quietude e calmaria deste mar, apelidado de “Oceano Pacífico” pelo ilustre Capitão da tão nobre caravela Trinidad, é ameaçadora e imponente, na mesma proporção que os mares anteriormente cruzados. Preciso de mais ervas...se não alcançarmos terra antes, só me poderei abastecer já nas Índias. O número de combalidos acresce diariamente e não sei como proceder... Por todo o lado vejo vestígios desse Mal

Parabéns, miúdos! Não se esqueçam de recordar o passado, sempre com os olhos no futuro.

de Angola, todo os dias me procuram, na ânsia de que lhes possa prolongar o fôlego. Não sei que mais fazer, sangrias e sanguessugas não resultam, infelizmente, parece-me que, na posição de físico, nada posso fazer para combater a podridão que se alastra. O odor nauseabundo aloja-se agora, não só nas cobertas inferiores, como também em toda a embarcação. Pergunto-me se será essa uma das razões de tantas pestes e maleitas... talvez seja mesmo uma das razões, entre muitas outras. É lamentável que, antes do embarque, não haja requisito de uma inspeção clínica, pois suspeito que muitos já traziam as doenças consigo, especialmente os que vieram do Limoeiro. Aos muitos que me buscam, apenas a alguns posso dar alento. Aos condena-

dos, pela natureza da vida ou desprezo de Deus, mando-os ao Capelão. Receio, na verdade, que este esteja mais preocupado em denunciar possíveis casos de sodomia. Aos nauseados peço-lhes que respirem fundo e vislumbrem o horizonte, aos que alucinam julgo que a causa seja o calor excessivo, pois todos aparentam temperaturas elevadas, digo-lhes que cubram a cabeça com um lenço. Aos febris e doentes dos pulmões, procuro distribuir pílulas comuns, sem nunca, verdadeiramente, saber se os estarei a poupar ou condenar. Talvez viver nestas condições seja pior do que expirar... Longe de casa, já a alma se desgraça e sortudos são os que, entre trabalhos e desmaios, encontram tempo de ir ao

1º Lugar

17 de dezembro de 1520

Como diz o talentoso escritor José Luís Peixoto: “…O futuro está cheio de coisas impossíveis à espera de acontecerem… “


Capelão para que possam viver mais tarde puros, sob a piedade de Deus. E quantos deste tormento terreno se livram, que não depois do seu último suspiro já não têm nada. O pajem encarrega-se de confiscar os bens e os sãos de os cobiçar. Quando chega o sétimo dia do falecimento, já não se lhe conhece a identidade, pois tudo o que era e tinha se perde no mar, sem retorno, e tudo o que desejava continua no olhar dos que ficam ansiando por uma sina melhor, que a do companheiro que viram partir. Já o sol se levanta, mas a escuridão não abandona os homens que, a troco da ganância e almejando o seu proveito, abusam do poder que lhes foi atribuído por sua Majestade, procurando magnanimidade. Tudo, menos a saúde, se compra, tanto em terra como no mar. Se, na proa, o piloto se encarrega do leme e os tronqueiros da vela, já, nas cobertas inferiores, os despenseiros põem e dispõem do seu cargo, vendendo a quem mais oferecer o que de todos jaz direito. Não admira que faltem alimentos, os que vendem, os que compram e os que escondem não conhecem senão o que almejam alcançar. Os que compram… já assim faziam em terra, os que se escondem… esperam por nunca mais ter de o fazer e os que vendem… nesses a moral se desmorona com medo de não poderem comprar um lugar no novo mundo ou na Terra de Deus, se o inevitável chegar mais cedo. Que a Santíssima Trindade nos proteja

senão porque é meu, porque sei o que se seguirá... Os sintomas já não são recentes, mas confesso que é mais fácil diagnosticar os sinais nos outros do que em nós mesmos. Porque os outros, por muito bem que os queiramos, não somos nós, não sou eu. Procurava nos outros o que em mim e de mim tentava esconder... Detetive da verdade, hás de morrer por vaidade, no mar, pela peste da viagem que a terra não vê, senão sem usar os olhos. O paladar que me inunda a boca, o sangue que me mancha os dentes, tudo recorda do dia-a-dia deste enfermo. Enfermo não, inferno! Pode Deus deitar ao mar coisa tão ardente?! Barco do demónio que me obrigas a

partir, não por não me quereres, mas por não te servir. Perdoai-me Deus, que já sinto o fim! Trazei-me algum alento, a mim que semMarialva Peixoto (Curandeiro Mor d’El Rei) pre o dei aos outros! 22 de dezembro de 1520 Subitamente, lembro-me de tudo: da Deitei-me e acordei cansado. minha querida irmã ( que Deus a tenha Faço uso da mão esquerda para escreque não está solteira), dos meus amigos, ver, pois já a direita me falha. companheiros de vida, aos quais jurei O ar parece mais quente, mais seco, levar boas novas deste tão fascinante quase podia jurar que não me encontro mundo. Fascinante mesmo! Que ousadia a bordo duma caravela, não fosse o é esta que nos leva à perdição? Quem balançar. afirmou que sucumbir no mar o faria Ainda não tinha o sol subido no mar, já nobre e escolhido por Deus? Esquecido, eu sangrava. Não é um sangue diferennem me velarão, senão as rezas que te, bem pelo contrário, é igual ao de paguei e pagarei! Tão jovem, tão ingétodos os outros, com a mesma cor, tenuo fui! Julguei vir para curar, e fui vennho os mesmos sintomas, semelhante cido pela doença! destino! Porém, desta vez, e para variar, Recordo o guardião, senhor chefe dos enoja-me! Aquele sangue, igual ao de grumetes, que tanto chorava, pois não todos os outros, igual ao que eu via era tolo e sabia o que o esperava. Velava todos os dias, tem em mim um efeito por si, pela mulher, pela filha, até por El tão contraditório ao meu ser…RepugnaRei, cuja ambição pode ser perdida no me e aflige-me, não por outra razão… mar, em poucos dias. Recordo o solda-

do cansado, o pajem que morria de amores e sucumbiu entre fervores, e todos os que, na ânsia de se libertarem se veem ainda mais presos neste batel, cujo destino é reservado para os afortunados. Pela primeira vez, compreendo a maleita sem ouvir os sintomas, pela primeira vez sinto a dor sem olhar os olhos do defunto! Sou eu…e essa é a causa de toda a minha infelicidade, pois o que conseguia consolar nos outros, a mim ninguém o pode fazer. Por ser quem sou, por saber o que sei, não poderei ser feliz no meu último suspiro, pois sei que será o derradeiro, não vale de nada enganar a mente, quando o corpo apodrece! Que uma onda de ignorância me abale, que não consigo dar esperança a esta causa perdida, que sou eu. Eu que morro, eu que parto, eu que curo. O dia está a acabar, também eu me aproximo do fim. As lágrimas, que encharcam este papiro, são lágrimas de quem se abraça à vida, por muito incerta e dura que seja, lágrimas de quem não quer partir. Sou como um filho, agarrado à saia da mãe. A mãe dá vida, a mãe é vida. Quero viver! Mas a dor supera e a resignação chega. Olho para o mar e nunca, durante toda a viagem, me senti tão em sintonia com ele. O vento balança os meus suspiros, quero estar sozinho. O mar, em breve, me embalará num longo e leve sono. Se aos outros pude aliviar o sentimento da vida decadente, a mim não sou capaz. Benzido e em paz, entrego o meu corpo ao mar para me poupar à dor. Para fugir deste hospício que me torna louco. Anseio o fim e faço o que sempre me orgulhei de fazer: dar alento. O único alento para mim é não sofrer, de nada serve prolongar, sucumbo neste oceano. Morro neste mar, no contínuo berço das ondas embaladas pelo vento: o seu último suspiro também será o meu. Que Deus, Nosso Senhor, me receba e me perdoe as minhas fraquezas, por me sujeitar a ser mantimento dos Peixes, o vosso servo, na Graça de Deus, Marialva Peixoto (Curandeiro Mor d’El Rei) 1º Lugar Concurso Literário Mafalda Peixoto , 11ºH 1º Lugar do Concurso de Fotografia Rafaela Sousa , 8º E

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Concurso Literário / Concurso de fotografia


Concurso Literário / Concurso de fotografia Circum-navegação nos Sonhos cordei numa sala repleta de camas flutuantes, apenas iluminada por um rodapé de luzes LED azuis. A luminosidade era confortável para os meus olhos e, ainda meio entorpecida, ganhei coragem para me levantar. Não estava ninguém no quarto. Calquei o chão frio e muito branco, e ordenei: “Alexa, abre as persianas!”. Automaticamente, o robô fê-lo por mim. Vesti o uniforme e dirigime para a porta, que imediatamente trouxe até mim barulho e agitação. Misturei-me com a multidão e dirigi-me à cantina para me alimentar. Há meses que tinha a mesma rotina, mas não a considerava monótona. Aos poucos, foram-se juntando mais membros da minha equipa de investigação, com os seus tabuleiros e pequenosalmoços. Íamo-nos reunir para discutirmos detalhes sobre a pesquisa que andávamos a fazer, há cerca de três anos. A vida na Terra estava no seu limite, por privação, sobretudo, de água. Toda a água potável do planeta Terra tinha chegado ao fim. Os períodos de seca tinham sido longos, e quando chovia, caíam chuvas-ácidas. Era na nave C-230 que tratávamos de todas as questões ambientais, que requeriam uma resolução urgente, Enquanto estávamos no Espaço, a tentar solucionar diversos problemas ambientais, entre eles a privação de água, milhões de pessoas, na Terra, tentavam manter-se vivas com água do mar, tratada por aparelhos de última geração. A dessalinização foi uma brilhante solução, durante quase dois séculos, mas, neste instante, esses recursos também se estão a esgotar. Assim, mal acabámos de nos alimentar, uma outra equipa chegou, anunciando a descoberta de um novo planeta. Houve choro descontrolado, risos nervosos e esperança nos corações. Já tínhamos explorado vinte e sete planetas em busca de água, contudo, foram explorações em vão…por isso, tínhamos esperança que este nos trouxesse uma solução para a nossa “CASA”. Fui destacada para esta expedição, uma vez que apenas pessoal autorizado e especializado poderia partir em missões extraterrestres. Apesar da ciência ter evoluído notavelmente, na última déca-

2º Lugar ex-aequo 20 l Jornalesas l dezembro 2019 l L V

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da, fazer esse tipo de expedições era, ainda, um risco enorme. À velocidade da luz, pousamos no novo planeta! Mal saí da nave, o meu peso desvaneceu! Surgiu-me, diante dos olhos, um solo de cor fúchsia, que manchava o meu fato branco. A cada passo que dávamos, levantavam-se milhares de minúsculas poeiras. Multicolores! Os rochedos erguiam-se no horizonte, das

Eu fui incorporada na equipa de busca à superfície, tendo ordem de, juntamente com a minha equipa, nos afastarmos até vinte metros da nave-mãe. Tínhamos um aparelho de GPS, incorporado nos fatos, que nos guiava e ordenava que parássemos em determinados locais, e iniciássemos as escavações, em busca do “precioso licor”! Estacámos onde o chão mudara de cor, e passara a ser escarlate. As rochas da mesma cor, camuflavam-se cuidadosamente na paisagem. Parecia uma visão extraída de um filme de ficção, de cor tão vermelha como o inferno. Para meu espanto, o lugar trouxe-me uma certa tranquilidade, uma paz interior inexplicável. Do nada, fiquei absorvida por pensamentos profundos, questões sobre a minha existência…” Quem sou?...O que fiz da minha vida?...” Ao longe ouço uma voz… e acordei estremunhada! Encontrava-me no meu quarto, no ano de 2019! Este tipo de sonhos tem-me assolado, nos últimos tempos, onde o sonhado parece tão verdadeiro, que duvidamos se foi devaneio ou realidade! Aquilo que me move, neste momento, é aquilo que me faz crescer, sobretudo em termos emocionais. O meu propósito de vida é descobrir QUEM SOU EU!? O que posso fazer pela evolução emocional do Homem?? Assim, na minha viagem de circumnavegação, não fui em busca de especiarias, fui em busca da chave para a salvação da vida humana.

mais variadas cores e feitios. Contudo, apesar de toda a animação visual, o silêncio absorvia tudo à sua volta. O planeta não tinha oxigénio para o som se propagar, parecia que tínhamos sido cuidadosamente colocados numa garrafa fechada e selada. O silêncio tornavase ensurdecedor! Finalmente alguém falou! Todos tínhamos um pequeno microfone dentro do fato e podíamos comunicar uns com os outros. A mensagem chegou de uma voz metálica: “Levem os materiais de escavação e deem início às buscas!” E foi assim que começou a saga da investigação da existência de água. Decidimos dividir-nos em equipas; uns eram responsáveis por procurar água no interior do novo planeta, e os outros tinham a missão de a investigar à superfície.

2º Lugar do Concurso Literário ex-aequo Carlota Santos, 11ºG 3º Lugar do Concurso de Fotografia Sara Sousa, nº 21, 8º E


Concurso Literário / Concurso de fotografia az hoje rigorosamente cinco anos que o Sol morreu e se tornou numa Gigante Vermelha! Já era espectável, segundo as descobertas dos nossos cientistas, e, desde então, começou o plano de evacuação do planeta Terra. Assim, foram escolhidos vinte mil humanos para a missão de repovoar Tétis. Por isso, desde o ano de 1 499 999 400, que se têm efetuado transferências de bens essenciais para esse planeta, pois será habitado por nós, humanos, por tempo indefinido. Escrevo este testemunho, quando me restam apenas alguns minutos para aterrarmos, segundo o nosso medidor astral. Sinto-me ansiosa e nervosa, tal como toda a população que ocupa esta nave. Há anos que esta missão foi preparada, foram enviados cerca de cem cientistas de diferentes áreas para prepararem o local, para auscultarem os perigos, a densidade do ar, da água…enfim, verificarem as condições necessárias para podermos viver ali. Contudo, assim que aterrarmos, vinte especialistas serão responsáveis pela averiguação da segurança do local. E nós, entretanto, teremos que residir na nave, por um período amplo, uma vez que ainda teremos que edificar o lugar, construir edifícios, jardins, hospitais, escolas… enfim, construir a nossa nova “Casa”. A bordo encontram-se cerca de mil crianças e jovens, e eu, como professora e mestre, sou responsável pela sua educação e segurança. Por serem o futuro do planeta, os novos tetianos têm de crescer saudáveis e felizes, a fim de ser criada uma sociedade moralmente perfeita. Agora que estamos a chegar, relembro o momento da partida…foi o momento mais difícil das nossas vidas! Não sabemos se os terrestres irão sobreviver às condições adversas da Terra, ou se nós vamos conseguir chegar sãos e salvos ao nosso destino. Habitam a terra, nesta Era, ainda 500 biliões de humanos. Por isso, teve de haver uma cuidada seleção dos que deviam embarcar, e foi preciso encontrar soluções para os que iam manterse, por tempo indeterminado, no nosso planeta que definha, arde, desaparece aos poucos. Eu encontrei uma solução para a sobrevivência, no planeta Terra. Fruto da minha última invenção, tenho o cognome de “Cupulária”, dado o facto de ter inventado uma cúpula que protege a Terra, que a climatiza e reúne as condições para os humanos sobreviverem por

cúpula! Morreu muita gente, inclusive o meu pai, que se encontrava a trabalhar no subsolo e não conseguiu regressar. As pessoas ficaram sem subsistência, durante muito tempo, e apenas quem tinha provisões conseguiu aguentar. Ironicamente, recordei uma história, contada pelo meu tetravô, retirada de um objeto ancestral chamado “Livro”, existente na “Era Humanoide” de nome “A Cigarra e a Formiga”, uma espécie de insetos extintos, que ensinavam as pessoas a serem responsáveis e trabalhadoras, para poderem subsistir no tempo das chuvas e da neve.Foi um tempo de pânico e de insegurança, especialmente, porque as pessoas faziam de tudo para obterem alimentos, viveu-se uma época de trevas, de dor e de morte. Entretanto, a fonte foi consertada e tudo regressou à normalidade. A minha mãe sobreviveu graças a um hábito ancestral, a agricultura. Com a sua

horta bem cultivada conseguiu sobreviver e ajudar os vizinhos e amigos. Ontem, ao ouvir a minha mãe, senti -me culpada por os ter deixado para trás! Contudo, percecionei que tive de escolher, e elegi o meu marido e os meus filhos, os novos Tetianos, a única forma da raça humana a não ser extinta. O processo de escolha dos primeiros passageiros, para esta viagem, foi uma das piores experiências por que a humanidade passou. As pessoas matavam-se, superavam-se para serem as eleitas, pois não se sabia quanto tempo restava ao planeta Terra. Por isso, a escolha era feita no maior sigilo, para que as pessoas apuradas não fossem um alvo a abater. A triagem não foi feita segundo raça, género ou religião, a preferência baseou-se na humanidade, na capacidade de criar e de desenvolver afetividade, com o objetivo de criarmos um maravilhoso mundo novo. Técnicos especializados em todas as áreas foram admitidos na nossa nave, para iniciarem a construção da nova “Casa”. Esse foi o nosso maior objetivo, fazer de Tétis um planeta idêntico à Terra, mas com uma sociedade evoluída, sobretudo no que respeita ao dever humanitário.Tencionamos habitar o novo planeta por tempo impreciso. Talvez esta bela lua de Saturno se torne uma segunda casa, sendo a Terra, após reedificação, a casa-mãe onde possamos sempre regressar. Estamos a minutos de aterrar e já se avista o belo planeta! As emoções estão “ao rubro”, que misto de sensações…medo, fascínio, esperança… Amanhã regressarei para contar as aventuras por que passamos. Que o Astro Criador nos proteja! JB NOTA INFORMATIVA: ESTE TESTEMUNHO FOI ENCONTRADO NUMA NAVE DESTRUÍDA, QUE COLIDIU COM O PLANETA TÉTIS. NÃO HÁ EVIDENCIAS DE SOBREVIVENTES.

2º Lugar do Concurso Literário ex-aequo Júlia Burmester, 11ºG 5º Lugar do Concurso de Fotografia Zoe Andrade, 8º E

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algum tempo, até serem evacuados para outros planetas. Tenho esperança de salvar grande parte da população e de poder resgatar os meus familiares e amigos.Hoje estou triste, apesar de a viagem estar a correr bem! De tempos a tempos, no nosso tempo astral, podemos contactar a Terra! São raras as vezes em que o podemos fazer, dado o desperdício de energia que pode comprometer a estabilidade da nossa nave! Mas ontem foi a minha vez! Comovi-me ao ouvir a voz da minha mãe! Todavia, logo a seguir, a minha alma esmoreceu! As notícias foram desoladoras, a fonte de alimento tinha ficado destruída por uma chuva de meteoros, que provocaram fissuras na

2º Lugar ex-aequo

27 outubro de 1 500 000 026


Concurso Literário / Concurso de fotografia 30 de novembro do ano da Graça de 1519

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3º Lugar ex-aequo

qui me encontro eu, Gustavo Couto, em mar aberto, com a embarcação a oscilar, ensopado de água e de vinho, pois ainda não houve sol que me aquentasse. Venho de me encontrar com o capitão Magalhães, que enviou um pombo-correio, oriundo de Sevilha, com um convite irrecusável: encontrar-me com ele, nos Alcáceres Reais da cidade, e reaver antigos camaradas. E lá fui eu, sedento de um bom abraço e de uma boa caneca! Sou um modesto nobre da região de La Alondra, os meus servos não possuem grandes terras, nem bens de espécie nenhuma, nos tempos que correm, mas o título e o respeito ninguém mos tira! Continuo a ser o seu Senhor! No passado, viajei com o mestre Colombo, na sua primeira jornada ao novo Mundo. Nesse tempo, eu ainda era alguém importante! Mas tudo mudou, após ter sido atacado pelos corsários de sua majestade, a rainha de Inglaterra, e de ter perdido três dedos da mão esquerda e o olho direito, nas pelejas contra os inimigos. Porém, apesar de tudo, devido à amizade desenvolvida nas cortes de el-rei D. Manuel, mestre Magalhães convidou-me para participar no seu projeto. Aceitei de imediato, e aqui me encontro, “em vinhaça de mares”, à aventura! Relembro que, na última viagem, após chegada ao palácio de Sevilha, deparei-me com três antigos companheiros de viagem ao novo mundo: Diogo Ribeiro, um cartógrafo de Piães; Álvaro de Vaz de Almada, primeiro conde de Abranches e Duarte de Lemos, terceiro senhor da Trofa. Abracei-os efusivamente, cerrando os dentes (porque um homem não chora!) e relembrei as nossas saídas em Nassau, o cheiro a mar, os braços das prostitutas, de rostos pintados e promessas de amor barato, o baloiçar dos barcos e o mascar tabaco nas longas madrugadas… Entretanto, chegou o mestre Magalhães, cortando-nos as lembranças e a cumplicidade. Não esquecerei nunca as palavras que proferiu, em tom firme e determinado: “Caríssimos, enunciou ele - encontramo-nos em frente deste palácio porque acabei de fazer uma negociação com o Rei D. Carlos e com o Bispo de Burgos. Acabaram de nos conceder 5000 reis para realizarmos uma expedição, à volta do mundo, e demonstrar-

mos mais uma vez que a sua forma é esférica!” Eram precisas estas palavras de alento, por parte do mestre, para alegrarem o meu dia! Tive a possibilidade de regressar aos meus tempos gloriosos de marinheiro, vinte anos depois da primeira viagem, e de poder revivificar tudo de novo com os meus companheiros! Fui bafejado pela sorte! Assim que voltámos ao mar senti-me em casa novamente! É embriagante tornar a sentir o cheiro a madeira molhada, ver o horizonte próximo e distante, sentir o balançar do barco que me sacode o corpo, ébrio de vinho e de emoção. Neste momento, atravessamos os mares do Norte de África, cortamos as águas azuis e salgadas do Atlântico, repletos de esperança e satisfação. Por hoje vou-me! Os velhos ossos pedem lençóis improvisados, em convés balançante, embalo eterno no conforto das ondas. Amanhã voltarei, se Deus, Nosso Senhor, assim o quiser! Tenham uma noite serena, in Domine Dei, Ámen Capitão Gustavo Couto. 3º Lugar do Concurso Literário ex-aequo Gustavo Couto , 11ºG 5º Lugar do Concurso de Fotografia Ana Lúcia Camelo, 8º E

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4º Lugar do Concurso de Fotografia Estrela Pinto, 8º E

blog da biblioteca http://bibliotecaesas.blogspot.pt/


Concurso Literário / Concurso de fotografia Memórias de um sonhador

3º Lugar ex-aequo

gado a minha hora. Assim, passei três meses a desenvolver um fato, com estrutura de borboleta, que me permitisse voar apenas com a ajuda da luz solar e do vento. Após a conceção do fato, procedi à fase dos testes e fui percebendo que conseguia atingir cada vez mais velocidade. De início, voava a partir de locais baixos, saltava de uma altura de apenas quatro metros, e, com a ajuda de um mecanismo movido por partículas solares, as asas do fato davam-me estabilidade ao voo, conseguindo a altura e velocidade esperadas. Após vários meses de testes, decidi que estava na altura de começar a minha viagem, levando apenas bens essenciais,

3º Lugar do Concurso Literário Ricardo Pereira, 11ºG ex-aequo 4º Lugar do Concurso de Fotografia ex-aequo Rafaela Rangel, 8ºE

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m pleno ano de 2066, decidi viajar pelo mundo. Contudo, depareime com um grande problema: todos os transportes estavam suspensos pois, após décadas de uso excessivo, o petróleo, que havia sido usado em grande escala, acabou por se extinguir. A energia elétrica, portanto, não estava disponível para uso massivo, pois houve, entretanto, uma busca alucinada de fontes energéticas para abastecer naves espaciais, dada a possibilidade de emigrarmos para outro planeta, o Trappist1. A loucura tomou conta da humanidade, todos se voltaram para a possibilidade de habitarmos um novo planeta e a maioria dos humanos esqueceu-se da Terra. A exploração foi tão excessiva que se esgotaram todos os recursos energéticos, a começar pelo petróleo que já estava há séculos em vias de extinção. A distração e a alucinação levaram a que não desenvolvêssemos tecnologias inovadoras e eficazes, por isso vivíamos um momento de crise. Essa crise, segundo os nossos cientistas, demoraria mais de uma década a ser resolvida, e a humanidade não podia esperar esse tempo. Para além da consciência do que se estava a passar, eu próprio queria viajar pelo mundo! Foi então que decidi pôr em prática uma ideia antiga, que considerava ingénua e até impossível…mas a urgência faz a ocasião, por isso tinha che-

para ir leve e poder sobreviver. No dia 26 de novembro de 2066, parti da cidade do Porto para o mundo! A viagem decorreu sem grandes problemas. Voei por horas seguidas e estava muitíssimo feliz, de tal modo que nem pensei em que local estava, sabia que me dirigia para Norte, mas não sabia a minha localização. Então, após tantas horas de voo, decidi aterrar. Aterrei numa cidade que me pareceu bastante pacata, pareceu-me ser uma povoação espanhola; nesse preciso momento avistei uma senhora idosa, a quem me dirigi em espanhol, depois em inglês, e eis o meu espanto quando ela me responde em Português, tipicamente nortenho, que não entendia nada do que eu dizia. Senti-me desolado por ter voado tantas horas e estar tão perto de casa. Voltei para o Porto e refleti que nada do que fizera fora em vão! Foi uma experiência que me fez perceber que nem sempre conseguimos o que queremos, e que cair ensina-nos a levantarmo-nos! “Pelo sonho é que vamos…” e eu fui! E só por isso me senti concretizado. Voltava a repetir tudo outra vez.


Escrita Criativa A primeira e a última frase*

N dia 6 de novembro de 2019 foi comemorado por todo o país! Esta data assinalava o centésimo aniversário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen. Celebrou-se a ocasião com iniciativas diversas que passaram por concertos, declamação de textos da autora, exposições e espetáculos teatrais. A ESAS também relembrou e homenageou esse momento, com a leitura de poemas e de excertos das obras da escritora e poetisa, em algumas aulas. Sibila e maga na arte das palavras, Sophia deixounos mensagens singulares e mágicas. Aqui fica uma gota do seu mar de inspiração e talento. Obrigada, SOPHIA! Anabela Dias, Professora de Português

MAR Mar, metade da minha alma é feita de maresia

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Pois é pela mesma inquietação e nostalgia, Que há no vasto clamor da maré cheia. Que nunca nenhum bem me satisfez. E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia Mais fortes se levantam outra vez, Que após cada queda caminho para a vida, Por uma nova ilusão entontecida.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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o primeiro dia de junho, a turma do Manuel realizou, na disciplina de Ciências Naturais, uma visita de exploração à mata próxima da escola. Esta foi a primeira vez que uma turma entrou na mata, pois, ao longo dos anos, foram associados à mesma vários mitos, perigos e lendas. Durante a caminhada, apesar de toda a cautela, três alunos caíram num buraco, acabando por ir parar a uma gruta. Ao ligarem as lanternas, aperceberam-se de que esta, até onde a vista alcançava, estaria cheia de ossos. Manuel, um dos alunos mais aventureiros, explorou mais a gruta e encontrou um ovo de proporções nunca antes vistas. Após o resgate dos três alunos, o professor recebeu a notícia de que a cidade estaria sob ataque e os cidadãos teriam de ser evacuados. Todos estavam em choque ao descobrirem que o autor do ataque seria o Tentaculossauro, um dinossauro gigante com os tentáculos do tamanho de prédios. Aterrorizado, Manuel revelou a descoberta do ovo aos amigos do bairro e todos decidiram, às escondidas, regressar à cidade aterrorizada por esta besta, com o intuito de entregar o ovo ao dono (eles pensavam ser do Tentaculossauro). Assim foi feito. O Tentaculossauro, após ter visto o ovo, acalmou-se e regressou ao lugar de onde viera. E foi assim que a malta do bairro salvou a cidade. *A atividade foi produzida numa aula de oficina de escrita. Jéssica, João, Júlia e Luís, 11.º C

E se vou dizendo aos astros o meu mal É porque também tu revoltado e teatral Fazes soar a tua dor pelas alturas. E se antes de tudo odeio e fujo O que é impuro, profano e sujo, E só porque as tuas ondas são puras Sophia de Mello Breyner Andresen

Ilustração de Ariana Martinez, 12º H


L i v r o s I livros I L i v r o s O Fantasma de Canterville Oscar Wilde Nunca, em nenhuma parte do mundo, haverá um livro, em género de «literatura gótica», com as espetacularidades deste. Esta obra conta-nos a história de um fantasma que recebeu novos moradores norte-americanos, em Canterville Chase, um local mal - assombrado. Mas esse facto não amedrontava aquela família corajosa e sem medo do transcendente, levando o fantasma a tomar medidas malignas para os conseguir assustar. Acho que o que o autor nos tenta passar, nesta obra é que o sobrenatural sai sempre a perder, não devemos acreditar que o que não existe

alguma vez nos pode vencer. É um livro recheado de suspense, e emoção. O fantasma é um dos personagens mais engraçados de entre todos os livros que já li, devido às figuras que fazia quando não conseguia assustar alguém da família Otis. As ilustrações, magníficas e de grande qualidade, são de Ângela Vieira, que tanto contribuiu para tornar o livro ainda mais atrativo. A linguagem é totalmente adequada para os verdadeiros fãs da leitura infantil. Diverti-me muito com esta leitura e recomendo-a a todos.

José Pedro Falcão Ferreira, 7º C

História de um gato e de um rato que se tornaram amigos História de um gato e de um rato que se tornaram amigos é uma ótima escolha para quem não gosta de ler livros muito volumosos e de difícil compreensão. É um livro pequeno, bastante simples e também muito interessante. O primeiro aspeto que me chamou à atenção, no livro, foi a moral da história, extremamente cativante, pois trata-se de um texto sobre a amizade, como manter uma amizade saudável, ou seja, o que fazer para se ser um bom amigo. Ao longo do livro, vão aparecendo frases com intenção moral, geralmente sublinhadas a cor, como por exemplo: “Os amigos compreendem as limitações do outro e ajudam-no.” O segundo aspeto que posso destacar é a fascinante história sobre a amizade de um rato, de um gato e de um ser humano. A história começa quando Max, o humano, era criança e lhe foi oferecido um gato de perfil grego, Mix, e termina quando Max já é adulto e vive no seu próprio apartamento, com o seu gato já velho e cego, e com um novo animal, um ratinho chamado Mex.

A História de um gato e de um rato que se tornaram amigos é um livro que fala também sobre o facto do gato Mix acabar por ficar cego, o que o fez ficar muito triste, pois Mix era aventureiro e curioso, adorava saltar pelos telhados e observar, pela janela de casa, as pessoas que iam passando na rua. Passado algum tempo, aparece uma nova personagem, Mex, o rato que se torna amigo de Mix e é acolhido por Max e passa a fazer parte da família. Mex senta-se ao lado de Mix, na janela, e descreve tudo o que consegue ver, fazendo com que Mix se sinta muito feliz por poder saber o que se passa. Quando os dois vão para o telhado da casa, Mex põe-se nas costas de Mix e dá-lhe instruções sobre a distância dos telhados, assim Mix consegue saltar de um telhado para o outro. Isto ensina-nos que não devemos deixar de fazer aquilo de que gostamos, por causa de alguma limitação que possamos ter. Devemos, sim, fazer o que queremos com a ajuda dos amigos. Ana Victória Froufe Harris 7ºC

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Luís Sepúlveda


Dança - 10 curiosidades  Durante a II Guerra Mundial, Hitler proibiu as manifestações de arte moderna. No entanto, a dança foi a única disciplina que se salvou.

 Numa única aula de Ballet podes queimar cerca de 250 kcal, a mesma quantidade que se perde ao correr 90 minutos ou uma distância de 30 km.

 Conheces pole dance? É uma dança que se faz ao redor de um varão. O que provavelmente não sabes é que provém de um antigo exercício índio chamado Mallakhamb, que conta com mais de 900 anos de história e fazia parte do treino dos guerreiros. Na atualidade há muitas pessoas que se inscrevem nas aulas de dança de pole dance.

 O samba é um exercício excelente para os futebolistas, sendo-lhes recomendado. De facto, ajuda a desenvolver o controlo sobre o nosso corpo, e melhora bastante o nosso rendimento físico. Se gostares de jogar futebol e queres melhorar a tua técnica é um ótimo complemento.

 Se danças, nunca o faças no 26 de julho, pelo que é uma data obscura nesta disciplina: nesse dia, no ano 1862, morreu a bailarina Emma Livry, cujo tutu se incendiara durante um ensaio. Devido a este acontecimento trágico, hoje fabricam-se fatos de ballet com tecidos ignífugos, de maneira a evitar este tipo de incidentes.

 Segundo alguns estudos, demora, em média, cerca de 80 horas a produzir um

Ilustrações Ariana Martinez, 12ºH

tutu a mão.

 A palavra “flamengo” provém do árabe e significa "camponês sem terra".  Luís XIV foi um dos monarcas franceses mais famosos da história, nomeada-

mente no que toca à sua contribuição nas artes performativas, tal como a dança. Com efeito, foi um grande impulsionador desta arte e, inclusive, criou a primeira academia profissional dedicada exclusivamente à dança, La Académie Royale de Danse. O melhor de tudo é que, para além de apreciares dançar, esta atividade é um antídoto perfeito para combater os problemas de saúde; é um método preventivo de doenças super eficaz.

 A dança não tem idade. De facto, há pessoas que com 90 anos são capazes de dançar... e incrivelmente bem! Dançar melhora de forma considerável o equilíbrio e reduz o risco de lesões provocadas por possíveis quedas.

26 l Jornalesas l dezembro 2019 l L V

Ariana Martinez, 12ºH

Rua Aurélia de Sousa,49


Corta-mato em números - 2019

índice Dia do diploma

2

Melhor aluna da ESAS e do Porto

4

Coração Verde

335 alunos: 128 raparigas e 207 rapazes 

61 alunos do 1º ciclo (EB da Fontinha, Florinhas e Fernão Magalhães)

5

93 alunos do 2º ciclo (EBAG)

ESAS na Polónia e na Holanda

6

117 alunos do 3º ciclo (EBAG + ESAS)

Rua Álvares Cabral

7

64 alunos do secundário (ESAS)

O professor Portugal Dias

8

50 alunos a colaborar na organização

APPC

9

Día de muertos

10

Hallowe’en at Aurélia de Sousa

11

Dia Mundial da Alimentação

12

Dia Mundial do Não Fumador

15

Viagem de Fernão de Magalhães

16

Concurso Literário

18

Sophia de Mello Breyner Andresen

24

Livros

25

Dança

26

Desporto

27

I

2º lugar no Megasprint Nacional Fase regional João Barão com a profª Rita Pacheco (profª de Educação Física e Coordenadora do Desporto Escolar)

ntegrei a comitiva que partia para Faro, representando o Desporto Escolar do Porto e as respetivas escolas. No 1º dia, depois de assistirmos à cerimónia de abertura da competição, dirigimo-nos para a pista de atletismo, onde competi, na prova de velocidade (40 metros). Contudo, não consegui obter os resultados que esperava e fiquei em 4ºlugar na minha série. No 2º dia, voltámos à pista para realizar a 2ª jornada de provas, em que participei na estafeta de 8x40 metros. Foi uma experiência bastante interessante, pois tive a oportunidade de conhecer outros alunos, que também estavam em representação das suas escolas. Porto/Faro - 5 abril 2019 João Barão, 9ºC


FICHA TÉCNICA

Editorial

Coordenadores: Anabela Dias (profª) Carmo Rola (profª), Julieta Viegas (profª) e Maria João Cerqueira (profª) Revisão de textos: Anabela Dias (profª) e Maria João Cerqueira (profª)

O Longe aqui tão Perto

H

ouve um tempo em que conceber as longitudes mais remotas, as terras do outro lado do mar, as correntes marítimas de outros oceanos, as profundezas de outros chãos, parecia uma impossibilidade. Foi preciso o engenho e a coragem dos muitos que se aventuraram a navegar o desconhecido, para começarmos a ter uma visão mais real deste magnífico planeta que habitamos. Foi assim que o longe começou a ficar mais perto. Nesse outro tempo, pensávamos que o oceano era uma massa de água sem fim, que podia tudo, onde tudo se sumia, onde tudo era absorvido e resolvido. Hoje, sabemos das fragilidades dos mares, das marés, das correntes. Sabemos como o impacto dos objetos, das lamas, dos gases que nele lançamos perturbam o equilíbrio das forças naturais deste planeta que foi ficando cada vez mais curto. Houve um tempo em que pensávamos que o espaço à volta do nosso planeta era imenso. Hoje, depois de décadas de exploração espacial, sabemos que a nossa atmosfera, na relatividade do universo, não tem senão a dimensão de uma casquinha de cebola que nos envolve e protege. Contudo, agredimo-la constantemente. À medida que o imenso ficava menor, que o desconhecido ficava mais visível, a nossa responsabilidade como guardadores deste nosso planeta, desta que é a casa de nós todos, foi ficando cada vez maior. Não há hoje, mais nenhum lugar nem nenhum prazo para a indiferença, ou para a demissão. Cabe a cada um e a cada uma de nós, nestes dias após a Cimeira do Clima em Madrid, a responsabilidade de fazer o que tem que ser feito, no plano da nossa pequena esfera pessoal e no plano da esfera maior das comunidades em que vivemos. Cabe-nos mudar de vida, mas também nos cabe exigir das instituições, das empresas, dos governos que mudem as nossas vidas todas. É preciso que o longe e o perto coabitem, que os equilíbrios se refaçam e que coloquemos a sustentabilidade do nosso planeta em primeiro lugar. Por amor do presente e do futuro.

Alda Macedo Profª de Inglês

Clínica 24 Restaurações estéticas Ortodontia Estética de Branqueamento Coroas e Pontes – Próteses

Capa: Painel comemorativo dos 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão Magalhães - trabalho colectivo da disciplina de Oficina de Artes (12ºH) Paginação e Maquetagem: Julieta Viegas (profª) Colaboradores e Equipa redatorial: Ana Amaro, profª de Português, Ana Mafalda Silva, ex-aluna; Anabela Cruz Dias, profª de Português; Ariana Martínez, 12ºH; Ana Victória Harris, 7ºC ; Bruna Silva, 11ºI; Carlos Morais, profº responsável do Lugar da Ciência; Carlota Santos, 11ºG; Carmo Oliveira, profª de Português; Carmo Pires, Profª História de Arte; Catarina Cachapuz, profª responsável pelo Clube Europeu; Equipa Jornalesas; Fátima Alves, profª de Português; João Barão, 9ºC; prof. José Fernando Ribeiro, prof. de Português; José Pedro Ferreira, 7º C; Liliana Remuge e Daniela Sampaio, Estagiárias de Biologia; Luísa Ribeiro, profª de Espanhol; Paula Cunha, profª de Educação Visual; NIPES; Rita Castro, 12ºH; Jéssica, João, Júlia e Luís, 11.ºC; Leonor Antunes, profª de Biologia; Luísa Mascarenhas, profª Coordenadora Biblioteca/CRE; Mafalda Peixoto, 11ºH; Ricardo Pereira, 11ºG; Rita Pacheco, profª coordenadora do Desporto Escolar; Zaida Braga, Presidente do Conselho Geral. Concurso de Fotografia: Ana Lúcia Camelo; Estrela Pinto; Rafaela Rangel, Rafaela Sousa, Sara Sousa e Zoe Andrade - 8ºE Financiamento: Barrigas l restaurante; Clínica Dr. Alberto Lopes l Psicologia l Hipnoterapia; Estrela do Lima l Café Restaurante; Estrela Branca l Pão quente, pastelaria; Futuro em Relevo l talho do Povo; Helena Costa l cabeleireiro; Susana Abreu | cabeleireiros, estética e cosmética; UrbanClinic l Estética; TLS transportes; Clínica 24 I dentistas; Brun’s l Pão Quente; Tls l Transportes; Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa.

dezembro. 2019 http:// www.issuu.com ESCOLA SECUNDÁRIA/3 AURÉLIA DE SOUSA Rua Aurélia de Sousa - 4000-099 Porto Telf. 225021773

918 494 010 Rua Santos Pousada nº 1169 4000-489 Porto

Os textos para a edição L V (55) do Jornalesas foram redigidos segundo as normas do acordo ortográfico

1,50 €

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Jornalesas  

Jornal Oficial da Escola Secundária Aurélia de Sousa, Porto, Portugal

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