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3 de Maio de 2014 | edição 721

Festa do Trabalhador Eu e Elas enaltece artistas de Paraíso Finais do Festival de Outono de Música e Dança abrilhantaram celebração do 1º de maio FOTOS: Lucas José de Araújo Oliveira

Por Ralph Diniz

Aconteceu na quinta-feira, feriado de 1º de maio, mais uma edição da Festa do Trabalhador em São Sebastião do Paraíso. Assim como no ano passado, a celebração foi realizada nas dependências da Arena “João Mambrini”. Durante o evento, ocorreu a final do 1º Festival de Outono de Música e Dança. Diferente dos anos anteriores, a tradicional comemoração não aconteceu durante todo o dia. Conforme explica a chefe do Departamento de Cultura e Turismo, Cinira Mumic, a prefeitura teve que adaptar a festa pelo fato de 2014 ser um ano eleitoral. “Por causa disso, não poderíamos distribuir pipoca e algodão doce e realizar as outras atividades, como fizemos no ano

passado. Mesmo assim, trabalhamos muito para oferecer o melhor possível para o povo paraisense”, comenta. Com o ajuste na organização, a Festa do Trabalhador, teve início às 18h com a apresentação de bandas e músicos de Paraíso. O público compareceu em bom número e preencheu grande parte das arquibancadas da arena esportiva paraisense. Logo após as apresentações, tiveram início as finais do 1º Festival de Outono de Música e Dança, que contou com artistas residentes na cidade. O grupo de pagode Razão de Viver, que apresentou a música “A Princesa e o Plebeu”, abriu a competição. Em seguida, a banda Exodus contagiou a plateia com o som do reggae “Mude sua cabeça”. Por fim, o músico Rafael Reparador arrancou aplausos dos

presentes com sua voz e seu violão. A música “Só pra ter você de volta”, no melhor estilo MPB, conquistou os jurados e o músico foi contemplado com o primeiro lugar do festival. A canção, segundo o seu criador, fala de um amor proibido entre o músico e a música. “Foi uma surpresa pra mim, de verdade. Fiquei em terceiro lugar nas duas fases anteriores e já estava me conformando com a mesma colocação para esta noite. Mas como a Bíblia diz: ‘os últimos serão os primeiros’, recebo essa dádiva do Senhor. É muito bom ganhar, mas foi melhor fazer novos amigos entre os competidores, havendo sempre respeito e carinho mútuo entre todos. Estou muito feliz”, disse o vencedor. Logo depois, foi a vez dos grupos de dança darem um verdadeiro show nas dependências da “Arena Olímpica”. O grupo de dança do ventre abriu a competição, seguidas das jovens do Balé Flávia Junqueira. Por último, o espetáculo de dança contemporânea, com projeções de luzes sombra e efeitos visuais, en-

cerrou o festival. Em disputa muito acirrada, os jurados deram a vitória ao dançarino da Escola de Artes Sebastião Furlan, que havia fechado as apresentações. Organizador do festival, o músico Túlio Costa ressalta a qualidade dos artistas paraisenses que participaram de todas as eliminatórias do evento. Conforme explica, o sucesso das apresentações levou o Departamento de Cultura a planejar o segundo Festival de Outono. “Nós sabíamos que Paraíso é um celeiro de grandes artistas, mas a quantidade de talentos nos surpreendeu. Todos merecem o primeiro lugar. Já estamos pensando no festival do ano que vem e, pode ser, que ele se torne regional”, conta. Renan, vocalista do grupo Razão de viver elogia a criação do festival. “Nossa banda tem 15 anos de estrada e poucas vezes participamos de um festival tão organizado e tão forte como este. A organização está de parabéns, pois incentivaram os artistas e a cultura de Paraíso. Isso demonstra uma grande evolução”, afirma. O vencedor do festival de música, Rafael Cardoso, faz coro com o colega. “Incentivar os artistas e a cultura é fundamental. Todos necessitam disso”.

“Eu e Elas” é o título do livro de autoria do médico Vanderlei Corradini Simões de Lima. O lançamento oficial em São Sebastião do Paraíso será na próxima sexta (9/5) com celebração de missa em ação de graças na capela da Santa Casa. Posteriormente a obra será lançada na 14.ª Feira do Livro em Ribeirão Preto no dia 23 deste mês, às 10h no estande de autores da região, na esplanada do Teatro Pedro II. Em 2010 Dr. Vanderlei foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenetariva que destrói neurônios motores responsáveis pela movimentação de todo músculo voluntário, incluindo os da respiração e da deglutição. Médico vocacionado, ele não se entregou à doença, e usando computador com equipamentos que captam os movimentos oculares (os únicos que lhe restaram), Dr. Vanderlei movimentando o mouse em um teclado digital tem acessado o mundo “através de redes sociais podendo novamente “abrir” seu consultório, agora como médico de almas, onde através de crônicas, deixa a seus pacientes gotas de sua sabedoria adquirida em quase trinta anos de uma profissão que ama, recusando o rótulo de “ex-médico”. “Eu e Elas”, portanto é uma alusão de sua convivência com a doença. O livro já se encontra à venda na Livraria e Papelaria Super Tog e na Livraria da Santa Casa. O autor irá reverter renda do livro para a Santa Casa. (com informações contidas no livro)


Jornal do Sudoeste

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São Sebastião do Paraíso-MG e Região 3 de Maio de 2014

Câmara aprova subvenção para a Festa da Congada em Guardinha FOTOS: Roberto Nogueira Por Roberto Nogueira

A Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso aprovou projeto de lei que prevê o repasse de verba de subvenção para a APDFB (Associação Paraisense de Defesa do Folclore Brasileiro). O repasse de R$ 15 mil é equivalente ao que foi destinado ano passado pela Prefeitura para a realização da Festa da Congada no Distrito da Guardinha. Através de emenda realizada pelo vereador Ailson Aparecido Nascimento (PT) foram reservados R$ 4 mil aos três ternos daquela localidade. Os desfiles acontecerão nos dias 30 de maio e 1º de junho. O projeto que estabelece o repasse de subvenção para a realização da festa de congo na Guardinha foi apresentado pelo Executivo, na reunião da Câmara, na quarta-feira,30 de abril. Atendendo aos pedidos dos vereadores Jerônimo Aparecido Silva (DEM) e Ailson Nascimento a Comissão de Finanças, Justiça e Legislação fez a análise da proposição no mesmo dia. “É preciso que aprovemos o projeto o quanto antes para a liberação da verba possibilitando aos ternos a compra de material, vestimenta, instrumentos e que a organização também tenha prazo suficiente para preparar a realização do evento”, assegurou Jerominho. Ailson, o Beto da Guardinha, disse ainda que em virtude do ano eleitoral a administração não pode destinar uma verba maior do que a que foi liberada ano passado. Ele chegou a comparar o recurso

convidados e diante das arquibancadas que ficaram lotadas durante as apresentações. “É uma grande festa que evoca a cultura e a religiosidade do nosso povo” assegura o vereador Ailson Nascimento. Ainda de acordo com o vereador Jerominho no ano passado houve sobra de R$ 1 mil que foram devolvidos aos cofres municipais. “Agora o valor é o mesmo e as despesas aumentaram e em virtude da legislação eleitoral não se pode aumentar a verba in-vestida, os organizadores terão de fazer milagre com a mesma verba, mas tenho certeza que será uma grande festa para a comunidade de Guardinha, os paraisenses e todos os visitantes”, concluiu.

Festa de Congo no Distrito da Guardinha celebra a religiosidade e cultura na comunidade

com o que é repassado, por exemplo, para um terno de congo grande em Paraíso. “Somente um terno recebeu mais R$13 mil, enquanto para toda a festa no nosso Distrito temos uma verba de R$ 15 mil. Os congadeiros, moçambiqueiros e a comissão terão de fazer milagres”, comentou. A pedido do vereador a liberação da verba garante o repasse de R$ 4 mil distribuído igualmente entre os três ternos existentes no Distrito. O recurso será destinado ao custeio e despesas com enfeites, vestimentas, instrumentos, custos com sanfoneiros e outras despesas. A liberação do

valor total aprovado ocorrerá com a celebração de convênio entre a Prefeitura e a Associação Folclórica. As atividades ficarão sobre a responsabilidade da Secretaria Municipal de Esporte, Lazer, Cultura e Turismo que fará a organização do evento. Em 2013 a Festa da Congada no Distrito da Guardinha conseguiu reunir mais de dois mil visitantes no dia do evento. Vários ternos de Congo e Moçambique de São Sebastião do Paraíso compareceram e desfilaram na passarela que foi montada que tinha um palanque oficial das autoridades, reis e rainhas e

Tradicional Festa de Congo reuniu mais de duas mil pessoas no Distrito da Guardinha em 2013

por Gérson Peres Batista e-mail: sergi.magalhaes@bol.com.br SERGIO MAGALHÃES

E se ele não tivesse morrido? Todo mundo lembra do trágico 1º de maio de 94. Lembra aonde estava, o que fazia e se não viu na hora como soube da morte de Ayrton Senna. O 1º de maio, dada as devidas proporções, virou efeméride tão lembrada e celebrada como as comemorações do dia do trabalho. Mas nem todos se lembram do desconhecido Roland Ratzenberg que um dia antes também perdeu a vida na pista de Ímola. Ratzenberg era austríaco, estreava naquele ano na Fórmula 1 por uma equipe nanica igualmente debutante na categoria. Era bem pior que a Marussia de hoje só para efeitos de comparação. Chamava mais atenção no carro preto e roxo o patrocínio da MTV. Em comum com Ayrton Senna a idade, 33 anos. Ratzenberg chegou à Fórmula 1 com um contrato de cinco corridas. A continuidade dependia de acordos com patrocinadores. Nas categorias de base teve êxito no badalado Festival de F-Ford em Brands Hatch, na Inglaterra. Passou pela F-3 inglesa, dois caminhos obrigatórios na época para se chegar ao topo do automobilismo. E no último estágio correu na não menos prestigiada F-3000 japonesa. A curta trajetória na Fórmula 1 se resumiu em apenas uma corrida, o GP de Ainda, no Japão, em que se classificou em 26º (último). Naquela época a Fórmula 1 tinha 14 equipes, 28 carros, e só 26 largava. Ratzenberg conseguiu a proeza de se classificar e receber a bandeirada em 11º, último também, cinco voltas atrás do vencedor, Schumacher. Seria sua primeira e última corrida. Porque na estreia, em Interlagos, não se classificou. A Simtek não tinha ferramentas e muito menos peças de reposição. Precisaram pedir emprestadas nos boxes vizinhos. Era comum isso na época com equipes pequenas. Hoje seria inadmissível. Em Ímola Ratzenberg tentava novamente colocar o modesto carro 32 entre os 26 que largariam. Faltavam poucos minutos para o fim da classificação quando o austríaco foi para a pista tentar melhorar seu tempo. Tinha a 26ª posição que lhe daria o direito de largar novamente em último. Foi quando as imagens de TV cortaram para os destroços do que sobrou do Simtek deslizando pela pista com a cabeça do piloto desgovernada. Manchas de sangue no capacete e uma evidente fratura no pescoço. A vida de Roland Ratzenberg ficou no muro da curva Villeneuve a mais de 250 km/h. Batida frontal. A causa? Uma suposta perda da asa dianteira. Na sequência das

Facebook

As homenagens não param. E confesso que fiquei impressionado com a avalanche de material disponibilizado nos mais diversos meios e canais de comunicação celebrando os 20 anos da morte de Ayrton Senna. E não foi só na mídia brasileira. Tamanho volume é a mais cabal das provas de que agora, já distante do calor e da emoção do trágico 1º de maio de 1994, Senna continua vivo na memória de muitos, e ratifica tudo o que ele significou para o esporte, para os fãs, para o Brasil e para o mundo. Até uma companhia aérea decorou o bico de uma de suas aeronaves com as cores do capacete de Senna e estampou nas turbinas a mesma mensagem que Frank Williams carrega no bico de seus carros: “Ayrton Senna sempre”! imagens uma interminável sessão de massagem cardíaca tentando reanimar o piloto. Tudo em vão. Teatro para inglês ver já que a morte não podia ser declarada na pista. Pelas leis italianas quando há vitima fatal em qualquer evento o mesmo tem que ser cancelado. E a Fórmula 1 nunca foi como nunca será humana e sensibilizada diante de fatos como aquele. Havia 8 anos que nenhum piloto morria diante das câmeras de TV, e aquilo não foi o bastante para quem comanda o esporte. O treino prosseguiu, e o 1min27s534 daria a Ratzenberg o 26º lugar no grid. Uma corrida que não aconteceu nem para ele nem para Senna. E melhor seria se não tivesse acontecido de forma alguma. Nos 20 anos de Ímola 94 fica a homenagem da coluna a Ayrton Senna e Roland Ratzenberg. O primeiro dispensa comentários. O segundo, o guerreiro esquecido.

Aberto do Brasil de Xadrez no Mato Grosso Começou na quinta-feira (1/5) o Aberto do Brasil Contaud, em Cuiabá/MT. O MI Evandro Amorim Barbosa é o pré-4 do evento, que tem 72 jogadores sendo 20 titulados (5 GMs, 6 MIs, 2 MFs, 5 CMs e 2 MNs). O GM Rafael Leitão (do Maranhão) atual campeão brasileiro e número 1 do ranking nacional – ocupa a mesa 1. O Contaud 2014 distribui R$ 15 mil em prêmios, oferece duas vagas para a Semifinal do Brasileiro Absoluto e ainda conta pontos para os rankings nacional e internacional. A competição terá seis rodadas, com término no domingo (4/5). TRÊS RIOS A cidade fluminense de Três Rios recebe de 8 a 11 de maio o Festival Nacional da Juventude – Fenaj. O Fenaj reúne os Campeonatos Brasileiros Sub16 e Sub18 – Absoluto e Feminino. O evento classifica jogadores para o Mundial, Pan-americano e Sul-americano. O Prof. Gérson Peres Batista estará em Três Rios a convite da organização fazendo a cobertura de imprensa (fotográfica e também de reportagens em vídeo) para o Clube de Xadrez Online. RANKING Saiu 1º de maio de 2014 a nova lista do ranking internacional. Não houve movimentação de rating de nenhum enxadrista de Paraíso. O MI Evandro Barbosa continua à frente na lista entre os jogadores locais com 2472 pontos, vindo depois dois paraisenses inativos (sem movimentação na lista há mais de um ano): João Paulo Cassemiro Marques com 2245 pontos e Gérson Peres Batista com 2209 pontos. PARTIDA Reproduzimos partida da rodada

CXOL

Evandro Amorim Barbosa joga mais um Aberto do Brasil de Xadrez

inaugural do Aberto do Brasil Contaud em Cuiabá, iniciado na última quinta-feira. O mestre internacional paraisense Evandro Amorim Barbosa enfrentou Marcio Neron Camarq Dornelles. A partir teve 30 lances. Brancas: Evandro Amorim Barbosa (2472 Elo) Pretas: Marcio Neron Camarg Dornelles (1920 Elo) Aberto do Brasil Contaud 2014 Veneza Palace Hotel - Cuiabá-MT 1ª rodada – 1/5/2014 1.e4 c5 2.Cf3 g6 3.Bc4 Bg7 4.c3 e6 5.d4 cxd4 6.Cxd4 Ce7 7.0-0 0-0 8.Bg5 Cbc6 9.Cxc6 bxc6 10.Dd6 Cf5 11.Dd2 Ce7 12.Te1 d5 13.exd5 cxd5 14.Bxd5 Dxd5 15.Bxe7 Dxd2 16.Cxd2 Te8 17.Bc5 Td8 18.Tad1 Td5 19.Be3 Bb7 20.Cb3 a5 21.Cc5 Bc6 22.Tc1 a4 23.c4 Tdd8 24.b4 axb3 25.axb3 Tf8 26.Bf4 Tfc8 27.b4 Ta2 28.Be3 Bf8 29.b5 Be8 30.Ce4 Pretas abandonam. 1-0


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São Sebastião do Paraíso-MG e Região 3 de Maio de 2014

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CARLA ROBERTA SOUZA

“Reciclando sucata e contribuindo com a natureza” A entrevistada de hoje desenvolve um trabalho importante para o meio ambiente, recolhendo material que pode ser reciclado. Por mês, são mais de 250 toneladas. Antigamente ela tinha vergonha de mexer com esta atividade, mas tomou gosto e paixão pelo que faz. Bem votada nas últimas eleições municipais para vereadora, optou por não falar sobre este assunto. Devota de Santo Expedito, conheça um pouco mais de Carla Souza, uma jovem mulher de fibra, que adora pedalar e cuidar dos seus irmãos. Entrevista concedida a Adriano Rosa

Inicialmente, conte-nos onde você nasceu e como foi a sua infância. Eu sou natural de Ribeirão Preto (SP), tenho 38 anos. Vim para São Sebastião do Paraíso quando tinha 6 anos. Meu pai, Sebastião, já mexia com ferro velho e montou um aqui na cidade, na Vila Formosa. Minha mãe Marlene faleceu aos 29 anos, com um infarto fulminante. Eu tinha 11 anos nesta época e com a morte dela, ajudei meu pai a cuidar dos meus dois irmãos mais novos, o Rogério e o Marcos. Assim que minha mãe faleceu, passou um tempo e meu pai não quis mais mexer com ferro velho. Hoje ele atua no ramo de material de construção. Aí eu, meus irmãos e meu marido decidimos continuar com o negócio e passamos a trabalhar com ferro velho. Na minha infância eu brincava muito, mas depois que minha mãe se foi, as minhas responsabilidades aumentaram... Que outras recordações você guarda de sua adolescência? Muitas amizades? Baladas? Nada! Eu comecei a namorar o Geraldo, que hoje é meu marido, quando eu tinha 15 anos. Estamos juntos há 21 anos, ainda não tenho filhos. Como eu tinha que cuidar dos meus irmãos e ajudar o meu pai, não havia muito tempo para sair e ir para as baladas, mas foi um período bom! Não me arrependo de nada, aprendi muitas coisas e meus irmãos estão bem criados. Onde você estudou e concluiu sua formação? Eu estudei na escola estadual Ana Cândida de Figueiredo, mas só até a 5ª série. Parei os estudos para cuidar dos meus irmãos. No começo, tinha algumas pessoas para ajudar, mas depois, cada um tem que seguir sua vida, não é? Aí eu parei com a escola, mas tenho vontade de concluir os estudos. Sinto que, às vezes, me faz falta... Já tenho uma profissão, adoro mexer com reciclagem, tenho paixão, mas é sempre bom aperfeiçoar e aprender mais. A sua entrada no mercado de trabalho se deu através deste negócio que seu pai tinha: o ferro velho. No começo como foi? Muitas dificuldades? Sim. Foi muito difícil. Mas antes de mexer com ferro velho, eu trabalhei numa fábrica de doces e em outras empresas. Quando a gente assumiu o negócio, eu não gostava de trabalhar com reciclagem. Eu era muito nova, mas meu pai sempre pedia para a gente ajudá-lo. Ao atender este pedido dele, passei a ter gosto pela coisa. É um mercado complicado, varia bastante, com suas épocas boas e ruins, igual a todo segmento comercial. Às vezes os preços variam, mas é gratificante! De onde vem o material que você trabalha e para onde você envia? Nós temos os catadores que fazem a coleta do material em diversos lugares da cidade. Na minha casa eu também recebo o material que as pessoas recolhem e, além disso, a gente recebe material de toda a região: Itaú, Passos, Monte Santo, Jacuí, Carmo do Rio Claro, Alterosa, Santo Antônio da Alegria. Trabalho com papelão, plástico, vidro, sucata de fer-

ro, alumínio, cobre, tudo que pode ser reciclado. A gente recolhe, faz a separação, trata. Por exemplo, o papelão a gente coloca em fardos. O plástico nós separamos pela cor. Depois a gente manda para as fábricas que fazem a reciclagem, em Ribeirão Preto, Piracicaba, Mococa. Cada material vai para uma cidade. Você acha que hoje as pessoas estão produzindo muito mais lixo do que antigamente? Elas têm consciência disso e, também, da destinação final do que elas produzem? Nossa! Muito mais! Até a gente da empresa estávamos com problema, pois não tínhamos onde jogar o nosso lixo no aterro sanitário. Agora que entramos num acordo com a Prefeitura e houve uma liberação. Mesmo assim, tem a quantidade certa que podemos mandar para lá. Só que o lixo é um problema de todos nós, não importa se é poder público ou cidadão comum. Infelizmente, o lixo não dá dinheiro... Diferente do material da reciclagem. O tanto que você tem, é o tanto que você vende. O que precisa é haver mais campanhas de conscientização para que as pessoas vejam a importância de se reciclar e, também, a necessidade de se produzir menos lixo, fazendo a separação adequada do que é orgânico e do que pode ser reciclado. Melhorou um pouco, mas falta mais. Neste ponto, a escola é fundamental, pois se começamos a educar nossas crianças sobre este problema e as soluções, teremos um futuro melhor. Quais os pontos positivos e negativos de se trabalhar neste ramo de atividade? Positivo eu vejo o trabalho que fazemos. Estamos contribuindo com o meio ambiente e sua preservação. Damos serviço direto e indireto. Além dos meus funcionários – hoje temos 24 pessoas, temos também os catadores autônomos. Se formos ver, nós estamos, entre aspas, “limpando” a cidade daquilo que as pessoas descartam e não tem onde colocar. Aqui em Paraíso temos outras pessoas que mexem com sucata e reciclagem. Só a minha empresa produz, por mês, cerca de 250 toneladas de material reciclável. Agora imagina todos juntos! E eu não vejo os demais como concorrentes, mas considero todos como amigos, a Josiane, o pessoal da Acomarp (Associação dos Coletadores de Material Reciclável). Então, eu vejo este nosso trabalho como um ponto positivo. Já o negativo, é a falta de apoio por parte do poder público e a legislação também. É bastante cruel. Como eu te falei, nós estávamos com problema de jogar o nosso lixo no lixo (aterro). São vários pon-

tos, coisas pequenas, mas que precisava um pouco mais de incentivo. Você compara um pouco a sua vida à personagem Maria do Carmo, interpretada pela atriz Regina Duarte na novela global “Rainha da Sucata” (1990)? Uma pessoa que começou a vida trabalhando com ferro velho até se tornar uma grande empresária? A minha realidade não foge muito desta fantasia... Eu também não sou nada, não tinha nada, vim de uma família humilde e tudo o que temos foi construído com o suor do nosso trabalho. Eu chego à empresa às seis e meia da manhã, não fecho para almoço, saio daqui às vezes tarde da noite. É uma luta! Antigamente era mais sofrido. Antes não havia este nome “reciclagem”. Tudo era considerado lixo. As pessoas não tinham conscientização e, quando pediam para a gente ir buscar o lixo delas, a gente chegava lá e realmente era lixo. Na escola, quando perguntavam para mim no que o meu pai trabalhava, eu tinha vergonha de dizer que era com lixo. Eu chorava. Havia discriminação. Hoje não! Tenho orgulho em dizer no que eu trabalho e considero muito digno. As pessoas também mudaram sua forma de pensar e hoje, quando ligam pedindo para a gente buscar o seu “lixo”, a gente chega lá e já é material reciclável. Você é mulher e uma jovem empresária. Como vê a atuação feminina hoje na sociedade? Eu vejo que a mulher tem tomado a frente de muitas coisas. No meu caso, tive que

aprender muitos afazeres sozinha. Dou os parabéns às mulheres, pois ainda há muito preconceito. Eu tenho carteira de habilitação para dirigir caminhão, carreta, viajo para qualquer lugar, saio pelas ruas para buscar material e as pessoas ficam olhando. Penso que precisa haver mais igualdade, pois os direitos são os mesmos para homens e mulheres. O que o homem faz, a mulher também pode fazer. E como você analisa o nosso país politicamente e sendo administrado por uma mulher? Neste ano eleitoral, o que espera dos futuros candidatos e eleitores? Agora você me pegou! (risos). Eu penso que faltam muitas coisas para serem mudadas, e esta história de mensalão e corrupção, é uma vergonha para o País. Gostaria de ver candidatos novos. Chega dos mesmos que estão lá dentro. Os eleitores precisam ser mais conscientes para promoverem esta mudança e não ficarmos no que estamos vendo aí hoje. Dinheiro, saúde, amigos e sabedoria. Qual a ordem destas palavras em sua vida e por quê? Primeiro vem a saúde. Ela é tudo e, tendo saúde, você consegue o dinheiro, a sabedoria e os amigos. Eu já fiquei doente e não consegui fazer nada. Com saúde, você trabalha, vai a luta e consegue os demais. Quais são as suas principais qualidades e defeitos? Eu sou muito sincera e gosto muito de trabalhar. Um defeito, sou um pouco ansiosa. Gosto das coisas para ontem e

não sei esperar! O que eu tenho que fazer hoje, procuro não deixar para amanhã. Às vezes sofro um pouco com isso... O que você gosta de fazer nas suas horas de folga? Pedalar! Eu tenho uma turminha de amigas e a gente sai por aí andando de bicicleta todo dia às 5 horas da manhã. Já fomos até Jacuí, Altinópolis, no (antigo) Posto de Sol, algumas estradas de terra na zona rural. Gosto também de academia. O que você gosta de comer, beber, ver na TV e tipo de filme? Para comer, o famoso arroz com feijão, mais um bife e um ovo. Não sou ruim na cozinha, dá para o gasto (risos) e não tenho um prato em especial. Adoro refrigerante e não bebo nada de álcool. Não sou muito fã. Na TV, quase não tenho tempo devido ao meu trabalho, às pedaladas e academia. Nos finais de semana, quando posso, vejo jornais e pedaços de novelas. Filmes? Nossa! Faz tanto tempo que eu não vejo um filme... Sinto que tem faltado um pouco de tempo para mim mesma (risos). Música, eu gosto da Paula Fernandes, mas sou eclética, gosto de todos os estilos. Como é a sua relação com Deus? Você tem medo da morte? Ah, Deus é tudo! Tenho muita fé! Sou católica, não vou à missa com frequência e sou devota de Santo Expedito! Quando meu pai não quis mais mexer com ferro velho e a gente começou, nossa família devia muito e estava muito difí-

cil. Aí eu fiz uma intenção, pedi uma graça, fiz a novena, os “santinhos” e fui atendida. Antes de eu alcançar a graça, eu troquei o nome da empresa e coloquei o nome de “Sucata Santo Expedito” em agradecimento. Nós conseguimos pagar as dívidas e trabalhar. Hoje, quem não deve? Mas em vista do que a gente viveu... Todo ano, no dia 19 de abril, que é o dia de Santo Expedito, eu vou à cidade que tem o nome dele, pra frente de Presidente Prudente, divisa com o Estado do Paraná, participar da festa e da procissão. Dá mais de nove horas de viagem! É muito bom! Se Deus te chamasse hoje para outra vida, você estaria pronta, iria ou pediria mais um tempo? Com certeza, eu pediria mais um tempo, pelos meus irmãos. Eles, para mim, são tudo! Meu pai hoje tem 63 anos, casou-se novamente, formou outra família, tenho mais dois irmãos por parte de pai, o Sebastião e a Flávia. Como eu e meus primeiros irmãos perdemos a nossa mãe muito cedo, ficamos bastante unidos. Eu trabalho e vivo por eles. Só a gente sabe o que passamos! Falo deles até com emoção... Então, por isso, acho que não estaria preparada para partir! Tem os meus sobrinhos que, para mim, são como filhos também! Morro por causa deles. Meu sonho é poder trabalhar, cuidar e ajudar sempre a eles, expandindo a empresa, gerando mais empregos. Se não fosse isso, Deus poderia me levar. O que você espera encontrar do outro lado da vida? Paz e minha mãe, porque fiquei muito pouco com ela...


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O mapa da alma invisível por Cilas Campos

“De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.” (Romanos 14.12) O mal é sempre despótico e sempre escravo. Quem pratica o mal e teme que alguém possa descobrir, ainda tem neste mal uma sementinha do bem. Quem faz o bem e fica ansioso para que alguém descubra o seu feito, ainda tem uma semente do mal em seu bem. Conta-se uma história de um homem rico e mau caráter que insultou e maltratou cruelmente uma viúva e sua emprega doméstica. O filho da viúva, com oito anos de idade, presenciou a cena abominável e jamais pode esquecê-la. O garoto cresceu e mais tarde tornou-se um grande e famoso artista. Um dia, ele pegou uma tela e pintou com todos os detalhes, retratando o doloroso episódio conservado em sua mente amargurada. O quadro sombrio que era uma pintura notável e expressiva foi colocado numa galeria de arte muito visitada pelo público. Certo dia, casualmente, passou pela galeria, o próprio personagem que motivara a pintura daquele ignominioso cenário. O quadro era fidelíssimo em todos os seus pormenores e despeito do decurso de tantos anos. O agressor iníquo podia facilmente ser identificado na figura central do mesmo. Ao contemplar detidamente a ampla tela, o perverso torturador ficou trêmulo e pálido. Procurou o negociante dos quadros e perguntou a quantia, porque pensava ele: vou comprar e destruí-lo imediatamente. A qual a resposta foi: não está à venda. O avarento disse: tudo nesta vida tem um preço. A que o funcionário respondeu: tem razão. Vamos falar com o artista. O pintor então lhe disse: juízo não se compra e cada atitude do ser humano está posta a juízo. Este é o meu sentimento: de minha pobre mãe viúva, de um dia ter sido enxotada por esse algoz. O homem indagou novamente: eu pago em dinheiro vivo. O artista com muita calma disse: fui eu quem pintou. Ela é a memória de um garo-

to, e sentimentos não têm preço. Aquele tirano vendeu tudo que possuía naquela cidade e se retirou daquele lugar, pois a pintura fora tão bem feita, que todos sabiam quem ele era agora. Na nossa língua portuguesa tem um ditado: quem bate esquece e quem apanha não esquece. Quantas pessoas você já feriu? Existem pessoas que têm um sentimento tão frágil, que basta você não cumprimentá-las, que elas já ficam sentidas. Não é desse sentimento que estou falando. É daquele que com as nossas atitudes e palavras ferimos as pessoas. “Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.” (I João 3.15) Todas as nossas atitudes, gestos e palavras não estão sendo pintados por um artista em uma tela, mas estão sendo registrados no disco rígido de Deus. “Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saberse.” (Mateus 10.26) Reflita então sobre essas verdades. Haverá um dia em que todos nós teremos que nos apresentar diante de Deus. “Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas te trará Deus a juízo.” (Eclesiastes 11.9) Lembre-se que a tolerância que está havendo neste mundo com todo ato de violência e o descaso da impunidade, refere-se que o homem imagina que não existe Juízo a se enfrentar. Deus não se corrompe pelo mau e jamais será subornado. Aceite Cristo como seu Salvador. Ele é o único que redime os pecados entre Deus e o homem. Recorra a Ele antes do Juízo Final.

JUSTIÇA Os criminosos somos nós? Eu tinha uns treze anos e fui para a porta da casa de um de meus amigos bater papo, falar de meninas e futebol. A certa altura começamos a discutir, eu e o dono da casa. A coisa toda começou com Cruzeiro e Galo e acabou descambando para aquelas pequenas provocações pessoais que apimentam discussões futebolísticas mais acaloradas. Deu-se, então, que ele falou da minha irmã, eu falei da mãe dele, Renato Zouain naquele típico bate boca besta e juvenil, sem pé nem cabeça. Só que o rapaz tinha um fraco, um calo, que era a mãe. Não suportava que falassem dela, nem por brincadeira, e meu comentário saiu sem querer. Queria hostilizá-lo e soltei um “é a mãe” intuitivo. Bastou isso para o sujeito, até então meu amigo, pegar um vaso de planta, daquelas samambaias de xaxim replantadas em latas de cinco litros de óleo, que existiam antigamente, e atirá-lo no rumo da minha cabeça. Claramente queria me matar, ainda que por um átimo de segundo. Sorte minha que o vaso de plantas improvisado foi bater contra o muro da casa, a uns vinte centímetros do meu rosto. Se pegasse, não estaria aqui escrevendo estas mal traçadas linhas e o mundo teria perdido mais um cruzeirense. Fiquei parado, apatetado, vendo o latão com a planta espatifado, parte do reboco do muro arrebentado com o impacto. O moleque babava de ódio por tão pouca coisa, mas também pareceu ter se assustado com as possíveis consequências de seu gesto assassino. Fiz questão de ir embora e nunca mais conversar com ele. Não sei o que foi feito de meu ex-amigo, e dali em diante sempre que falavam dele em conversas comuns entre os demais membros da turma, eu fazia questão de não tocar no assunto, ou no nome dele, e até saía de perto, porque sempre fui assim: quando não gosto de uma pessoa não procuro vingança, não faço o mau, nem falo dela. A pessoa simplesmente morre simbolicamente para mim. Foi o que fiz com ele, e hoje ressuscito este defunto porque me lembrei que ele, como tantos, era e é pessoa de boa índole, mas que pode cometer um desatino em cinco segundos de bobeira, cometer um crime, e nem por isso se torna um facínora, um ser hediondo. Noventa por cento dos criminosos são assim. Poderíamos ser eu e você, amigo leitor. Todos cometemos erros, uns mais graves que os outros. RECOMENDAÇÃO DO DR. HOUSE Meu bom amigo Dr. House de Araxá, o bam-bam-bam da medicina, me recomendou um livro: A Esquerda Caviar, de um economista e jornalista chamado Rodrigo Constantino. Aliás, não só me recomendou o livro, como acabou me presenteando com um exemplar, com dedicatória e tudo. A par do carinho do gesto, porque o Dr. House de Araxá é um grande cara, ele também me agraciou com uma obra prima, daqueles livros reveladores e ricos de ensinamentos, reminiscências e causos verídicos a cada parágrafo, a cada linha. É obra que te faz parar para pensar entre as páginas viradas de sua leitura sôfrega e intermitente. É aí que você se põe a pensar: que bom que não estou sozinho, tem alguém que pensa como eu! Rodrigo Constantino desmistifica nossa esquerda incoerente, com seus intelectuais filósofos de botequim com teorias que não vão a lugar nenhum, seus artistas que adoram o comunismo cubano enquanto cobram cachês milionários para cantar e tocar para o governo, seus servidores públicos sindicalizados e pseudopolitizados que matam serviço para fazer campanha eleitoral e coçar o saco. Leitura obrigatória para todo brasileiro que ainda é um livre pensador. CURA GAY O pastor evangélico e deputado Marco Feliciano é um grande orador, simpaticíssimo e muito melhor do que as pessoas que a ele se opõem de uma maneira escandalosa. É o que já se está chamando de “o poder do grito”, um símbolo da falta de educação de nosso povo. Não concordo com ele, mas viva a diferença, como costumo dizer. O que acho insuportável é que queiram calar-lhe a boca os mesmos arruaceiros que gritam contra a ditadura e bradam por democracia. Democracia só até que discordem de ti, cara pálida? Quanto à cura gay, bandeira que Feliciano defendeu na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, não acredito que seja possível. O sujeito simplesmente nasce homossexual, como nasce diabético ou daltônico. É impossível escolher isso, e não concordo que seja uma escolha. Ninguém escolhe pertencer a uma minoria, essa é que é a verdade. O homossexualismo, assim como a homofobia, é incurável. O sujeito fica no armário, é discreto, não se manifesta, mas nem por isso deixou de ser o que já nasceu sendo. Mude de bandeira, Feliciano, e não perca tempo. Renato Zupo, Juiz de Direito na comarca de Araxá, e Escritor.

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E A PALAVRA HABITOU EM MIM (*) Ely Vieitez Lisboa Dizem que quem nasce nas Minas Gerais, só escapa da loucura ou da melancolia, pela Arte, usando-a como função catártica. É o caso de Rita Mourão, poetisa nascida em Piumí, como ela mesma diz, nos sertões do Mago de Cordisburgo, Guimarães Rosa. Os poetas têm uma alma desassossegada, que não cabe na prisão do corpo. Sentem necessidade de voar. As serras os atraem para o alto, para o infinito. Rita Mourão é uma personagem rica, com uma história inusitada. Fez cursos tardios, quando já era mãe de sete filhos e dezesseis netos. Uma heroína. Frequentou o Grupo Flamboyant durante treze anos, participando de suas quatro Antologias. Lecionou dezesseis anos no Colégio Metodista, de Ribeirão Preto, publicou catorze Antologias com o material poético dos alunos do Fundamental. Escreveu quatro livros de poemas, muito elogiados pela Crítica: Chama e Mormaço (2000), Um Jeito de (Re)Viver, Meu Sertão Meu Brasil, Entre Pedras, Girassóis e Poesia (2010). Em setembro de 2000, entrou para a ARL (Academia Ribeirão-pretana de Letras). Hoje é membro da ARE (Academia Ribeirão-pretana de Educação, da União Brasileira de Escritores, da Casa do Poeta e do Escritor, de Ribeirão Preto e da União Brasileira de Trovadores. Como explicar o lirismo de Rita, o excelente teor literário de seus poemas, o vocabulário rico, as alusões gramaticais, até uma ousadia, na Linguística? E A Palavra Habitou em Mim é seu quinto livro. Houve crescimento, um amadurecer. Nessa obra Rita Mourão é mais ousada, vasculha seus porões sem medo, enfrenta um desnudamento do seu interior, canta a infância, a família, o campo e, obcecadamente, a importância da Palavra. Desde muito jovem, Rita tem uma sensibilidade rara, uma visão de raios-x que vê além. Seus poemas de E A Palavra Habitou em Mim têm um vocabulário rico, metáforas inusitadas, o termo justo. Analisa minuciosamente seus sentimentos, procura definições, ousa fazer assertivas categóricas, como no poema Meu Caminho: “E se a vida é uma ordem, / morre sem ter vivido quem tem medo da caminhada”. RM cria neologismos poéticos, tem finais magníficos em alguns poemas. Há que se realçar uma característica da poetisa: um rico sentimento telúrico, que dá vida à Natureza, um sensualismo forte, mas delicado e poético, como no poema Sensualismo. Nossa poetisa de Pium-í canta, em muitos poemas, A Palavra, como tesouro maior dos poetas. Juntem-se a isto versos fortes, sem nuances, tudo ungido por uma sensualidade única, delicadezas. O poema Transmutação é uma joia rara, assim como Definição. A Poetisa fala de suas ilusões, tenta definir-se através da Palavra. Há melancolia, outras vezes ela define os momentos de amor. Algo notável em E A Palavra habitou em Mim é a diversidade de temas, alguns recorrentes e também os tons variados de sentimentos, às vezes doces, outras amargos; alguns poemas são de um lirismo sensual, outros com enfoques mais lúcidos e realistas, permeados por delicadas lembranças da infância da Poetisa, ou a dura realidade dos sonhos mortos, das ilusões perdidas. Citem-se a amargura e frustração, como no final do poema Desabafo. Enfim, a poesia forte de Rita Mourão, nesse seu novo livro, caracteriza-se também pelo linguajar poético muito rico, com uma roupagem nova. Cada leitor garimpará com sua experiência e sabedoria e poderá achar gemas valiosíssimas. A garimpagem deve ser um ato pessoal e solitário (*) Ely Vieitez Lisboa é escritora. E-mail: elyvieitez@uol.com.br

JÁ NAS BANCAS


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Jornal do Sudoeste

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Aniversariantes Sábado, dia 3 Graciela Libório. Domingo 4, Júlia Oliveira Pannaci. Dia 5, José Reinaldo Magalhães, Francisco de Paula e Silva (Chiquito), Ana Maria Saullo Vasconcelos. Dia 6 Gelson Abrão (Cantoria), André Luiz Bozelli. Dia 7 Professora Maria Rita de Melo, Áurea Zampieri Montaldi. Dia 8 Dr. José Antônio de Faria, Juiz de Direito aposentado. Dia 9 Terezinha (esposa de Marcos Duarte), Neusa Gusmão Duarte.

Colégio Objetivo

Simone e Paulo

Uniram-se pelos sagrados laços do matrimônio, dia 26/04/2014, na Igreja Matriz de São Sebastião em cerimônia presidida pelo Padre Rodrigo Papi. As músicas foram executadas por Ângela e Arthur. Simone é filha de Aécio de Oliveira Junior e Maria Antonia M. C. de Oliveira e Paulo é filho de Alberto Donizete Lança e Rosemeire Aparecida Lança (Serrana-SP). Após a cerimônia religiosa os convidados foram recepcionados no Italian Eventos, decorado por Italian Decorações. Assinou o cardápio e serviços Buffet Italian e os doces foram de Susi Chocolates. Todos os detalhes foram cuidados com muita atenção pelos noivos e o ambiente descontraído aliados à animação do DJ Colombo e à apresentação da bateria da Escola de Samba Minas de Ouro resultaram em uma animadíssima festa. Os registros das imagens foram de Fama Photo Studio. Parabenizamos os noivos e agradecemos a confiança em nossos serviços. Agradecemos a todos os demais profissionais contratados que de forma harmônica colaboraram para o sucesso do evento.

Momentos inesquecíveis requerem cuidados especiais... Conte com nossos serviços para o sucesso de seu evento.

RG Eventos Assessoria e Cerimonial

Horóscopo Semanal CAPRICÓRNIO (22/12 a 21/01) A Lua se une a Netuno e você pode ficar um pouco confuso, mais emocional do que racional. Procure dar importância à sua intuição no dia de hoje. Use sua criatividade para solucionar problemas de trabalho. Melhora no relacionamento afetivo. AQUÁRIO (21/01 a 18/02) A Lua se une a Netuno e você deve tomar bastante cuidado com novos investimentos, pois pode haver perda. Não se envolva em novos negócios nos próximos dias e não assine nenhum contrato importante. PEIXES (19/02 a 19/03) A Lua se une a Netuno em seu signo e você fica ainda mais sensível e com as emoções à flor da pele. O romantismo toma conta de você, mas deve tomar cuidado para não cair em armadilhas como a ilusão ou as confusões. ÁRIES (20/03 a 20/04) A Lua se une a Netuno em Peixes e você fica com as emoções à flor da pele. Você pode sentir-se confuso e mais frágil hoje. Caso isso aconteça, busque certa reclusão e proteção junto aos seus. O passado pode incomodar. TOURO (21/04 a 20/05) A Lua se une a Netuno no dia de hoje e pode trazer alguma confusão com relação a um projeto ou um trabalho em equipe em andamento. As dificuldades continuam e sua saúde também pode estar passando por um momento delicado. GÊMEOS (21/05 a 20/06) A Lua se une a Netuno e sua carreira é mobilizada. Uma pequena confusão ou engano pode preocupar você. Tranquilize-se. Você continua fechado e introspectivo, na sua, sem nenhuma vontade de burburinhos sociais. CÂNCER (21/06 a 21/07) Seu regente, a Lua, se une a Netuno e você fica ainda mais sensível e com as emoções à flor da pele. A tensão que Saturno provoca em questões relacionadas à sua vida social ou amizades continua. Mantenha o equilíbrio. LEÃO (22/07 a 22/08) A Lua se une a Netuno e suas emoções ficam à flor da pele. Tente manter a calma e não permita que confusões mentais tomem conta de você. Saturno continua exigindo organização e método, especialmente em questões que envolvem seu trabalho. VIRGEM (23/08 a 22/09) A Lua se une a Netuno e você fica mais romântico do que nunca. Não se deixe levar por fantasias destrutivas de ciúme e controle. Ame simplesmente. Caso um projeto esteja dando problemas, espere somente mais alguns dias. LIBRA (23/09 a 22/10) A Lua se une a Netuno e um pequeno problema ou confusão no trabalho não deve tirar seu equilíbrio. Tente não controlar nenhuma mudança que venha ocorrendo em sua vida. Deixe as coisas acontecerem naturalmente. ESCORPIÃO (23/10 a 21/11) A Lua se une a Netuno em Peixes e você fica com as emoções à flor da pele. O amor romântico toma conta de você. Aproveite o dia com seu amor. Relacionamentos continuam sendo o foco principal de sua vida. SAGITÁRIO (22/11 a 21/12) A Lua se une Netuno e você fica mais fechado em seu mundo. Emoções importantes que você viveu no passado podem incomodar. O trabalho continua exigindo de você. Procure dar mais atenção à sua saúde.

O diretor do Jornal do Sudoeste, jornalista Nelson Duarte, a convite do Colégio Objetivo NHN falou sobre jornalismo e a rotina em uma redação, para alunos do 1.º ano, sala sob responsabilidade da professora Rosana Campolongo. Profissionais de diferentes áreas que também visitaram aquele tradicional estabelecimento foram homenageados na tarde de quarta (30/4) por alunos, professores e diretores do Objetivo.

Sheila Stefani Duarte Rezende recebe cumprimentos neste sábado quando comemora idade nova. Ana Flor Bianquini Proença completa quatro anos no dia 9. Alegria de toda família, Ana recebe o especial abraço de sua mãe, Daiane.

O advogado Marco Antonio Westin Oliveira, procurador da Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso aniversaria neste domingo, 4 de maio.


Jornal do Sudoeste

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Psicoletrando Quem é o trabalhador? Josimara Neves, psicóloga e escritora (CRP-04/37147) Marília Neves, professora e escritora Contato: psicoletrandojm2013@gmail.com

A estafa percorre as veias de muitos trabalhadores que labutam dia e noite para se sustentarem. Hodiernamente, o tempo é ouro e, assim, a expressão “não tenho tempo” virou clichê. Mas, quem é mesmo o protagonista do fazer? O cidadão que acorda de madrugada para arar a terra ou aquele que estende o dia até a madrugada para preencher suas planilhas? Trata-se do funcionário uniformizado, que segue à risca o relógio de ponto ou o jogador de futebol? Seria o bombeiro que põe a vida em risco ou professor de tai chi chuan? É o engravatado do senário ou o artista da tevê? São os cozinheiros dos restaurantes renomados ou os modelos das passarelas? Quem é o trabalhador? Aquele que trabalha muito e ganha pouco ou o que trabalha pouco e ganha muito? Difícil conceituar esse vocábulo, pois não se trata apenas de definição, envolve preceitos, valores, visões de mundo. Usemos, então, a miscelânea textual para brincar de argumentar. O trabalho é uma escolha, nem sempre acertada. Mesmo que inconscientemente, escolhemos o que queremos. É assim com os nossos relacionamentos, com os familiares, com as amizades, com a nossa profissão. Estamos sempre atravessando a estrada A ou B; correndo pela avenida C ou D; escutando a música X ou Y; sonhando com azul ou vermelho. Todavia, na esfera profissional, às vezes, demoramos para optar pelo percurso promissor — aquele que nos proporciona bem-estar, que preenche as nossas horas e nos faz sentir úteis — e, dessa forma, levamos muitos tombos, machucamo-nos e, às vezes, as feridas que advêm das quedas demoram anos para serem cicatrizadas. Por isso, é importante consultar, verdadeiramente, o que almeja o nosso íntimo, o que aquela voz do âmago nos diz, o que nosso cérebro aconselha, sem nos deixar levar por “conselhos” desprovidos de argumentação convincente. Trabalhar pressupõe esforço. Alguns estudiosos defendem o legado de que esforço causa cansaço extremo, repulsa, desgosto e sofrimento. No entanto, aqui o concebemos como sinônimo de dedicação, planejamento. Qualquer trabalho bem feito exige um dispêndio energético considerável, já que envolve aspectos cognitivos e físicos. Nosso corpo, sendo uma máquina inteligente, requer comandos direcionados. Do contrário, ele passa a demonstrar sinais de preocupação, dar uns tiques, desorientando-se e, consequentemente, falha. Portanto, trabalhar significa agregar razão e emoção; teoria e prática. “O trabalho dignifica o homem” Tal frase nem é tão usada na contemporaneidade, restringindo-se ao campo religioso. Todavia, se o que fazemos produz bons frutos, certamente tem valia. Se o trabalho que executamos traz benefícios para o outro e para nós mesmos, ele nos dignifica, torna-nos indivíduos melhores, cidadãos no sentido real da palavra. Do contrário, recorrer a essa expressão quando se faz o oposto, quando se exerce tarefas que denigrem a imagem do próximo, ofendendo-o ou lhe provocando danos, é uma insensata ironia. Sobre esse prisma, o trabalhador é tanto o negro como o branco, o rico como o pobre, o bem-arrumado quanto o desalinhado, o que acorda cedo e dorme cedo, o que acorda tarde e dorme tarde, ou mesmo o que acorda cedo e dorme tarde, o que estuda muito ou o que não teve acesso aos bancos escolares. Ele não tem cor, cheiro ou forma. Tem apenas cara de trabalhador. De “gente como a gente”, que tenta, inventa e faz de cada dia uma oportunidade valiosa de alçar voos mais altos. Para onde vai? Para algum lugar perto ou longe, não importa. Vale se fizer bem feito, se agir com precisão, com convicção, com respeito e com amor. O trabalhador brasileiro pega sua bandeira verdeamarela e veste-a diuturnamente nas ações que pratica. No sol ou na chuva, mostra por que nasceu e, assim, vai rabiscando o diário de sua existência... Marília Neves Josimara Neves

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