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JOÃO CANDIANI: a arte da ourivesaria comprar um adorno. Ao analisar o ramo da joalheria sei que estamos no topo da cadeia da futilidade, mas ela não para”, diz, explicando que o preço do ouro, às vezes, cai na bolsa de valores em torno de R$ 10, mas na semana seguinte sobe para R$ 20. “O ouro é um investimento grande” Já passou por três furtos, nas duas lojas em sua casa, mas nem por isso pensa em se aposentar. Segundo João, o forte da Candiani atualmente são os filhos gêmeos, que desde os dez anos acompanham o pai na lida com o ouro e com as pedras preciosas e hoje já confeccionam as peças exclusivas. “Vou deixar para eles, o que meu pai deixou para mim, um nome e a dignidade”, finaliza.

Por Heloisa Rocha Aguieiras

João Wagner Candiani, paraisense de 64, casado há 39 anos com Ana Maria Soares Aguiar, diz que sempre, nas datas mais importantes do casal, ela a presenteia com uma joia. Dessa união nasceu primeiro Tânia e depois vieram os gêmeos Fábio e Fernando, que hoje fazem o mesmo que o pai: trabalham com preciosidades João Candiani é proprietário das três lojas Candiani Joias, duas em Paraíso e uma em Monte Santo de Minas. Sabe lidar com ouro, com as pedras preciosas e as pedras brasileiras, não gosta do diamante e tem preferência pela esmeralda. Desenha joias exclusivas e confecciona a peça que o cliente imagina. Trabalha o ouro e a prata. Tudo isso teve início quando estava com seis anos. Mudou-se com a família para São Paulo, depois foram para Belo Horizonte e Furnas, até que em Campinas as portas dessa arte, a ourivesaria se abriram para João. Aos 11 anos conheceu quem lhe ofereceu o primeiro ofício como ourives. “Eu trabalhava entregando roupas para uma lavanderia, quando me dirigi a uma senhora e perguntei um endereço, onde ficava a rua Rodolfo Noronha, 88, onde eu precisava entregar um terno ao senhor Alberto Bassani”. Essa senhora era Francisca Bassani, conhecida como Nila. Além de lhe indicar o endereço, ela lhe perguntou se interessava uma vaga como ourives, que no mesmo local poderia se informar a respeito. “Eu lhe disse que nem sabia o que era isso, mas que se fosse interessan-

te eu queria” Foi feita a entrevista e oferecido o emprego. “Ele me perguntou quanto eu ganhava na lavanderia e eu, que recebia cem cruzeiros de salário, respondi que era 200 e ele me ofereceu 300”, conta João. Depois de conversar com o patrão na lavanderia e com o pai, João foi ser ourives. Ficou por 13 anos e aprendeu tudo o que sabe. “Nós nos demos tão bem que nunca recebi o mesmo salário. Ele sempre me pagava a mais e eu sempre correspondi com minha dedicação. Os Bassani foram até meus padrinhos de casamento”. Hoje João diz que não trocaria de profissão porque é apaixonado pelo que faz. “Tive oportunidade de ir para

os Estados Unidos, de trabalhar em outra coisa, mas nunca quis porque eu amo o que faço. Adoro confeccionar a miniatura, trabalhar principalmente o detalhe, a delicadeza das peças pequenas”. A COMPETÊNCIA E OS DIAS ATUAIS “Se não entender o que o cliente quer, não é possível fazer a peça. O primeiro passo é o desenho daquilo que o cliente está descrevendo”. Assim, além da criação de peças exclusivas, a Candiani é especializada em assistência técnica, que é o grande diferencial da empresa. Das peças prontas, o forte em vendas são as alianças de casamento e de compromisso.

E a experiência não para por aí. João chegou a adquirir ouro in natura, diretamente no extinto garimpo de Niquelândia, na divisa do Tocantins, onde se arriscou para comprar o metal precioso. O setor não tem crises econômicas sérias. “A joia mulher, não fica sem uma joia. Ela até deixa de comprar um vestido, mas não deixa de

Extinto garimpo de Niquelândia, na divisa do Tocantins

CHARGE


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A vida por um teclado e pela internet

Por Heloisa Rocha Aguieiras

Tendinites diversas, convulsões, doenças na vista e no globo ocular, náuseas, desvios de coluna, irritabilidade, falta de apetite e distúrbios alimentares, falta de sociabilidade, dificuldade de leitura e interpretação de texto, isolamento social, falta de criatividade e muitos outros problemas, todos decorrentes das horas acima do normal que as pessoas têm passado na internet e no celular, apontam diversos estudos. As pessoas estão dando a vida por um teclado conectado à internet ou acham que a vida é muito menos interessante quando estão longe dele. Nas redes sociais corre uma foto interessante que ilustra bem o problema: centenas de pessoas em uma estação de metrô, aguardando o trem chegar, todas olhando o celular e apenas uma observando o ambiente. Ela destoa da cena, parece que essa pessoa é que está em desacordo com a normalidade. O canal pago GNT apresentou um especial so-

bre o vício das pessoas com o celular e mostrou um casal que manda mensagem um para o outro dentro da própria casa. Ela reclama que ele não larga o celular nem quando estão fazendo as refeições e que diálogo entre os dois está cada vez mais difícil. Na verdade, a dependência ao celular não é apenas para aqueles fissurados por ligações telefônicas, ou temerosos de perderem um telefonema que “possa mudar suas vidas”. O que acontece é que possuem um aparelho celular mais moderno, conectado à internet, ou seja, o vício é relacionado à internet. A mãe de uma garota de 15 anos, em Paraíso, que prefere não ser identificada, conta que a filha chega passar 12 horas por dia conectada ao celular e ao computador, às vezes, aos dois juntos. A adolescente nega que se acha uma “viciada” em internet. “Ela não fica conectada aos aparelhos o tempo todo, mas o cérebro dela sim. Se ela vai ajudar em casa, ou fazer outra coisa, ela quer terminar rápido para poder voltar a se conectar. Chega a

fazer tudo rapidamente e mal feito”. A mãe conta que a jovem tem recaídas no rendimento escolar e no relacionamento com as outras pessoas, mesmo as de sua idade. “Ela fica ruim na escola, eu a repreendo, faço estudar, ela melhora, mas, passa um período, volta a ter recaídas”, conta a mãe. “Eu estou tentando colocar limites e quero que ela tenha um acompanhamento psicológico. Ela estava obesa e emagreceu 30 quilos, fazendo academia, mas o sobrepeso voltou e ela não está mais conseguindo emagrecer. Isso pode estar influenciando, como se ela se escondesse através do computador”, reflete. A psicóloga Patrícia Chicaroni disse que um estudo de 2102 mostra que naquele ano, aproximadamente 82% da população mundial esteve conectada e online e que isso pode ser interpretado como uma nova forma das pessoas estarem se relacionando. A profissional concorda com a pesquisa, que aponta que “os crimes na internet,

bulling virtual e pedofilia entre outros, podem causar vícios, pois as pessoas querem passar cada vez mais, seu tempo ‘teclando’, do que com elas mesmas, ou com seus pais, filhos e amigos”, diz a pesquisa. É a relação inversa, ao invés de estarem se relacionando mais e melhor, estão se afastando cada vez mais do outro ou tendo uma relação “virtual” perigosa com as outras pessoas conectadas. Patrícia reconhece que os transtornamos de personalidade e de humor, causados pela perda da identidade e do contato afetivo, têm sido queixas comuns nos consultórios de psicologia. “Penso que vemos poucas amizades sinceras nos dias de hoje, pois as pessoas estão cada vez mais desconfiadas e solitárias, naturalmente fechadas para esse tipo de relação, que causa dor e angústias, pois a convivência tem seus pontos negativos, mas a falta dela causa carência emocional”, finaliza a psicóloga Patrícia.

São Sebastião do Paraíso-MG e Região 15 de Março de 2014

PROPAGANDA & CRIATIVIDADE (*) Ely Vieitez Lisboa Propaganda sempre me fascinou, desde que ela seja perspicaz e inteligente. Tive problemas com ela, no passado. A primeira vez, eu dava aulas no Cursinho. Entrei na Sala dos Professores, criticando uma Propaganda de extremo mau gosto sobre oferta de móveis. Um professor abespinhou-se, atacando-me: “Vejo que você não entende nada de propaganda!” E continuou explicando que os móveis oferecidos eram para pessoas de baixa renda. Eu me rendi e silenciei. Ele devia ter razão. Era o autor da Propaganda... Outra vez, chamei a atenção dos alunos para uma Propaganda, com verdadeiro abuso de símbolos sexuais, ao anunciar lençóis. Aparecia um casal fazendo sexo; depois a heroína descia do quarto, para um lanche. Pegava um ovo, quebrava a parte superior e nela surgia a figura de um hímen rompido. Logo em seguida, ela molhava várias vezes, no orifício do ovo, uma torrada de forma evidentemente fálica... Os alunos me criticaram. Eu via coisas demais, inventava... Já briguei por causa de uma Propaganda imbecil, que mostrava pessoas idosas fazendo travessuras, como crianças, ou com começo de Alzheimer. Mas sejamos positivos. Há Propagandas inteligentes e criativas, verdadeiras pequenas obras-primas. Quando morei em Paris, antes dos filmes exibiam, durante duas horas, propagandas muito boas, atraentes, em uma sessão que se chamava Séance, que atraia grande público. Vamos agora para o Facebook, um grande sucesso. Postam, às vezes, versos, poemas, textos, brincadeiras, com ironia. É um meio de comunicação leve, ameno. Raramente surgem matérias sérias. O espaço é um oásis no deserto da vida moderna, tão conturbada. Se assistimos aos jornais televisivos (é preciso estar informado, dizem...) eles começam sempre com desastres, mortes, violência, prisões. É raro dar uma notícia boa, positiva. Muita gente começa a fugir deles. Voltemos ao Facebook. Esses dias, alguém postou algo muito inteligente, fazendo a paráfrase da famosa frase de Descartes: “Penso, logo existo”. O cartaz dizia: “NÃO PENSO. NÃO EXISTO. SÓ ASSISTO”. Genial! Haverá uma crítica mais sintética, sábia e ferina contra a alienação, alimentada pela Televisão, com seus programas escusos? A assertiva final, com o verbo assistir, após duas negativas, denuncia uma realidade terrível e perigosa, expressando em duas palavras, mencionando um grande problema universal, efeito “dangerosíssimo”, como diria Drummond, de um problema atual: a má qualidade da Programação da TV, em geral, quase na sua totalidade, é a causa maior (e globalizada!) de um hábito que robotiza o homem, coisifica-o, o imbeciliza e aliena. É uma denúncia séria, verdadeira e preocupante. Infelizmente¸ a profilaxia é utópica. Só há dois antídotos para essa chaga moderna: uma Programação de qualidade e educar os telespectadores para que tenham mais bom gosto e abominem esse fast food diário, que os alimenta. Sabe-se que mudanças estruturais e profundas necessitam de homens corajosos e bem intencionados, não de quem só se preocupa com o Ibope de uma plateia ingênua, acomodada, pouco exigente e, aos poucos, reificada. O telespectador acaba virando um autômato, coisa, transformando-se em um mero e pálido simulacro de um ser humano. (*) Ely Vieitez Lisboa é escritora. E-mail: elyvieitez@uol.co.br

por Gérson Peres Batista e-mail: sergi.magalhaes@bol.com.br SERGIO MAGALHÃES

Fórmula 1 será de pilotos inteligentes A aposta é de Fernando Alonso: “os pilotos mais inteligentes vão sobressair”. A mais aguardada temporada de Fórmula 1 de todos os tempos começa nesta madrugada, em Melbourne, na Austrália. Foram anos de preparativos – Frank Williams revelou que começou a trabalhar visando o novo regulamento ainda no final de 2012 – horas e horas de estudos em túnel de vento e simuladores, e apenas 12 dias de pista para colocar tudo em ordem para a largada. Tudo em ordem vírgula! Porque não tem A ou B que esteja totalmente pronto para o campeonato e sim equipes mais bem preparadas como Mercedes e Williams. O que também não significa que vão vencer o GP da Austrália. As opiniões são das mais variadas, bizarras até, como a de Roberto Dalla, da Magneti Marelli, responsável pela eletrônica dos motores Ferrari e Renault que acredita que nenhum carro cruze a linha de chegada na Austrália. Ou de Christian Horner, chefe da Red Bull, de que a Mercedes pode ganhar com duas voltas de vantagem sobre o 2º colocado. Nunca a Fórmula 1 passou por tantas mudanças radicais de uma só vez. Vamos por partes: 1) Motores V6 turbo limitados a 15 mil rpm com 700cv no lugar dos V8 aspirados com a mesma cavalaria a 18 mil giros. Cada piloto terá apenas 5 motores por ano e não mais 8. 2) Dois sistemas de reaproveitamento de energia que substitui o kers – um recupera o calor dissipado pelos freios traseiros, o outro o calor dos gases expelido pelo escapamento e armazenam tudo em duas baterias que transformam o calor em cerca de 160 cavalos de potência que poderão ser usados durante 33s por volta. O antigo kers gerava apenas 80 cavalos durante 6s por volta 3) Os dois sistemas híbridos farão parte também da estratégia de poupar combustível já que os tanques tiveram 1/3 de sua capacidade reduzida. O limite é de 100 kg de gasolina por corrida, e quem pisar fundo no acelerador desde a largada vai correr o risco de ficar pelo caminho com pane seca. 4) Para otimizar a energia das frenagens, os freios traseiros são totalmente eletrônicos, o sistema “brake by wire”, uma espécie de ABS, lê a força exercida pelo pé do piloto no pedal e determina a maneira como os freios devem trabalhar. O objetivo é aproveitar o máximo da energia gerada pelas frenagens para alimentar a bateria do ERS (nome que se dá ao novo sistema de reaproveitamento

Xadrez ganha mais espaço em escolas brasileiras

Getty Images)

Para Fernando Alonso os pilotos mais inteligentes vão sobressair no campeonato que começa nesta madrugada, na Austrália

de energia que substitui a sigla kers). 5) O câmbio passa a ter 8 marchas e cada um terá que durar 8 corridas e não mais 5. 6) As equipes usarão nas 19 etapas a mesma relação de marchas independente do tipo de pista, alta, média ou baixa velocidade. 7) Por fim, a aerodinâmica. Para aumentar a segurança em caso de colisão frontal, os carros tiveram o bico rebaixado na sua porção inicial de 55 para 18,5 cm, o que causou aspecto estranho e ao mesmo tempo proporcionou diferentes designs, como o da Lotus com duas pontas, uma mais cumprida que a outra. Doeu nos olhos à primeira vista, mas a gente sempre acostuma com os carros. A salvação foi a nova pintura retrô da Williams com as cores da lendária “Martini” que volta à Fórmula 1 como principal patrocinadora da equipe inglesa. O FW36 de Massa e Valtteri Bottas é candidato a carro mais bonito do ano. 111 dias se passaram desde a bandeirada do GP do Brasil que selou a 9ª vitória consecutiva de Sebastian Vettel. Brincadeira que custou caro, admitiu Adrian Newey, o fato de ter focado tanto no desenvolvimento de um carro vencedor quando todo mundo já trabalhava nos projetos deste ano. O campeonato começa dois meses antes da hora para a Red Bull. Com tantas mudanças faz sentido a aposta de Alonso de que os pilotos mais inteligentes vão se sobressair. Eles terão que lidar com muitas particularidades, novo estilo de pilotagem e principalmente administrar o consumo de combustível. E o espanhol faz parte do seleto grupo dos pilotos mais cerebrais da Fórmula 1.

Um dos jogos de tabuleiro mais populares do mundo, o xadrez pode ajudar a desenvolver melhor o aprendizado dos estudantes. Escolas no exterior, como na Alemanha e Estados Unidos, já incluem o esporte em seus currículos de ensino. O Brasil está seguindo o exemplo. No ano passado, um projeto de xadrez na escola foi o vencedor da sétima edição do Prêmio Professores do Brasil, na categoria temas livres, oferecido pelo Ministério da Educação e que tem como objetivo premiar e valorizar o trabalho dos professores da rede pública. O projeto Xadrez Como Ferramenta de Inclusão Social foi criado pelo professor de Educação Física da Escola Municipal Jardim das Palmeiras, Cleiton Marino Santa, na cidade de Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso. Em 2012, o professor passou a desenvolver aulas de xadrez na escola, após o horário das aulas. “Voluntariamente, passei a ensinar o jogo às crianças. A escola fica em um bairro carente, onde os alunos não tem muito o que fazer, então as aulas lotaram. Todos queriam jogar”, conta. Com o sucesso das aulas, Cleiton começou a pensar em ampliar o projeto, que já foi até apresentado por ele em um congresso em Cuba. Após passar por um processo de seleção entre 250 projetos do Brasil inteiro, na Fundação André Maggi, o Xadrez Como Ferramenta de Inclusão Social venceu e recebeu recursos financeiros para ser ampliado. No ano passado, uma sala de aula especial para o ensino do jogo foi montada, com lousa digital, computadores e tablets, além dos clássicos tabuleiros de mesa. “A tecnologia é o principal da sala, pois o mundo digital atrai mais os estudantes hoje em dia. A lousa chama mais atenção e também agiliza a aula. Os alunos podem treinar nos dispositivos eletrônicos para depois jogar uns contra os outros nos tabuleiros”, explica Cleiton. Alunos se tornam monitores O jogo na escola Jardim das Palmeiras é utilizado como ferramenta para disseminar o conhecimento, além de estimular outras habilidades como o raciocínio lógico, a concentração, a socialização e a responsabilidade. Os participantes são divididos em dois grupos: alunos monitores e participantes. “Como não tínhamos muitos professores disponíveis, a solução foi capacitar os próprios alunos para ensinarem os colegas. Eles ensinam e ajudam os iniciantes, reproduzindo assim o conhecimento. O jogo mudou a minha vida quando entrei em contato com ele. Então meu objetivo, além de melhorar o desempenho escolar, era que os alunos se tornassem multiplicadores do conhecimento. O que se aprende no tabuleiro, se usa para a vida”, diz Cleiton. Atualmente, os monitores ensinam inclusive nas outras cinco escolas municipais da cidade. Desde o ano passado, a estudante de 13 anos Maria Gabrieli Silva de Lima, é uma das monitoras escolhidas pelo professor. A pequena jogadora repete as palavras do professor e também diz que o xadrez “mudou sua vida”: conforme foi ensinando o esporte, percebeu que é isso o que quer fazer quando crescer.

Divulgação/Luciana Dotto

Prof. Cleiton Marino da Silva “Com o xadrez, aprendi a respeitar o próximo, a ajudar as outras crianças. Muitas delas, em vez de andar pela rua, podem fazer algo legal como jogar xadrez. Me sinto tão bem jogando que não sei explicar”, diz, empolgada. Maria conta que, além de dar aulas, treina muito, pois quer continuar participando de competições e, inspirada pelo professor Cleiton, continuar a dar aulas. Sobre ensinar outros alunos, Maria conta que, no início, não era tão fácil, mas agora se diverte muito. “Eu penso que poderia ser eu ali, querendo aprender. Então se eu der atenção a elas, as crianças irão aprender”, ensina. O projeto deu tão certo que, neste ano, o jogo foi incluído no currículo da escola e todos os alunos terão uma aula semanal para aprender a jogar, além das aulas complementares. O professor explica que tenta utilizar o xadrez das mais diversas formas, para atrair cada vez mais alunos. Atividades como oficinas, palestras com jogadores profissionais, jogos nas praças da cidade e torneios são desenvolvidas. Um exemplo é o xadrez gigante, onde os alunos jogam em cima de um grande tabuleiro disposto no chão. “O jovem quer novidade. Se tivéssemos mantido apenas o tabuleiro tradicional, o projeto não teria crescido tanto. Atualmente, atendemos cerca de 800 alunos. Os estudantes também irão produzir um curta-metragem relacionado ao xadrez nesse ano”. Segundo o professor, com o ensino do xadrez, o desempenho em sala de aula melhorou não só nas disciplinas exatas, mas também em matérias da área de humanas, além de desenvolver a socialização. Em uma análise feita com 17 monitores, foi constatado um crescimento das notas de 4,3% do primeiro para o terceiro bimestre do ano letivo. Também foi verificado que, em comparação com alunos que não jogam xadrez, 93,3% das médias dos alunos adeptos ao esporte são maiores. Também houve resultados esportivos: o aluno Clécio França dos Santos, em menos de um ano desde que aprendeu a jogar, conquistou o 14º lugar no Campeonato Brasileiro de Xadrez. Fonte: Portal Terra – 10 de março/2014


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São Sebastião do Paraíso-MG e Região 15 de Março de 2014

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Tiago Bordini

“Fazendo o bem sob a tutela da lei” A profissão-perigo do entrevistado de hoje exige uma dose cavalar de adrenalina, mas que ele tira de letra, pois trabalha em equipe, com ética e seriedade. Na luta: bandido x mocinho ou polícia x ladrão, ele tem se saído bem. O sonho de ser promotor de Justiça foi deixado para traz e, hoje, ele almeja a ascensão profissional e seguir a carreira acadêmica. A seguir, um pouco do delegado Tiago Bordini, um homem que procura, a cada dia, fazer o bem ao seu semelhante. Tiago, onde você nasceu e como foi sua infância? Eu nasci em Itápolis, interior de São Paulo. Tive uma infância normal, como a de qualquer outra criança criada numa cidade do interior paulista. Morei até os meus 18 anos com os meus pais, meu avô paterno – que hoje está com 94 anos, é o patriarca da família, e meu irmão que é um ano e quatro meses mais novo que eu. Meus pais sempre foram muitos rígidos com a nossa educação, primaram por isto. Era um relacionamento com muito amor, carinho, respeito, companheirismo e amistoso, acima de tudo. E sua adolescência, como foi? (risos). Foi tranquila, estudando bastante, jogando muito futebol. Desde pequeno eu queria estudar Direito para ser delegado de polícia ou promotor de Justiça. Claro, tinha bastante diversão com os amigos, principalmente uma turma formada por colegas desde a 3ª série até o colegial – éramos muito unidos e tínhamos uma amizade muito grande. Aproveitei bem esta fase! E onde você estudou as primeiras séries e, depois, onde se formou? Do primário até o 2º colegial, eu estudei em escola pública, na então escola estadual Valentin Gentil, lá em Itápolis. O 3º colegial eu fiz numa escola particular conveniada com o COC e sempre junto da mesma turma. Em seguida prestei vestibular para Direito em Bauru/SP e passei. Fiz na Instituição Toledo de Ensino, conhecida como ITE. Morei lá cinco anos, cursava o período diurno. Dentro do curso a gente estuda diversas áreas do Direito. Depois que a gente sai da faculdade, somos bacharéis em Direito, não podemos advogar ainda; só quando passamos no exame da Ordem (dos Advogados do Brasil – OAB). Eu passei no exame e advoguei muito pouco na área cível ao lado de um tio meu, que tinha um escritório lá. Fiz mais para contar tempo de serviço jurídico. Logo eu comecei a estudar para prestar e passar no concurso público, ou para promotor ou para delegado. Aí eu mudei para São Paulo, capital, fiz um ano de cursinho preparatório lá e mais um ano estudando em casa. Prestei o concurso para delegado aqui em Minas Gerais e passei. Fiquei na fase oral do concurso em São Paulo, fiquei na 2ª fase do concurso de delegado no Rio Grande do Sul, na 2ª fase de promotor aqui em Minas e também em São Paulo. Quando você passou no concurso como delegado, quais foram os primeiros passos? Assim que eu passei, tive que aguardar todos os trâmites legais de um concurso. Passada esta fase, fui para Belo Horizonte ter aulas o dia todo na Academia de Polícia. Morei lá seis meses. Assim que terminou o curso, eles nos deram opções de escolha de cidades para onde a gente gostaria de ser designado. Em 1º lugar eu indiquei São Sebastião do Paraíso, em 2º Guaxupé e por último Frutal. Na verdade, Paraíso foi minha primeira opção porque, tirando a capital, eu não conhecia cidade nenhuma em Minas e quando eu morava em Itápolis, eu passava por aqui para ir a Belo Horizonte. É a primeira cidade que faz divisa com o Estado de São Paulo e é a mais próxima da minha cidade natal. Por mérito na Academia de Polícia e pela classificação no concurso, eles procuraram atender as nossas indicações. Foi aonde eu vim para cá e já estou aqui há mais de seis anos! E ao chegar aqui, o que você encontrou e como foi recepcionado? De que forma iniciou sua atuação na Delegacia? Minha chegada aqui foi bem tranquila, tanto eu como o Dr. Leandro (Zucolotto). Nós fomos designados junto para cá e nos apresentamos no mesmo dia, em março de 2008. Tivemos uma recepção muito boa. Na época o delegado regional era o Dr. Mário Macedo, o delegado civil era o Dr. Roberto Barbosa junto com o Dr. Marcos Piedade – que hoje é delegado regional. Existiam poucos escrivães e investigadores de polícia. A estrutura que pegamos era de mudança, porque, sempre que há uma nova designação na Academia de Polícia, eles costumam remover o pessoal, mandando os novos para cidades aonde não tem mais gente. Então, logo que chegamos aqui, a maioria do pessoal foi transferido ou permutado. Ficaram somente os investigadores. A Delegacia, quando chegamos aqui, era junto com a cadeia pública, lá no São Judas. Trabalhamos no mesmo prédio onde o delegado também era o diretor da cadeia, a Polícia Civil tomava conta da guarda, custódia e deslocamento de preso. A atividade de investigação por parte da Polícia Civil era muito deficitária, praticamente ela não existia. Logo chegaram escrivães novos e foi uma época de adaptação para a Delegacia. Depois teve novos concursos e demorou um pouco até que a cadeia se transformou em presídio e passou aos comandos da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi). Com isso, a Delegacia de Polícia Civil ganhou um prédio próprio, lá no Jardim América, em frente ao parque de exposições, passando a exercer exclusivamente suas atividades fins. Isso foi um grande avanço! Chegaram novas viaturas, mais pessoal, equipamentos e, com isso, passamos a desenvolver um bom trabalho na cidade que, até então, “não aparecia” – entre aspas, para a sociedade. Do jeito que estava, a gente não tinha como trabalhar. Inicialmente eu fui designado para a Delegacia de Falsificações e Defraudações, onde fiquei por um ano cuidando de crimes como estelionato, falsificação de documentos. Depois eu fui para a Delegacia de Homicídios, para a de Carta Precatória – e eu estou nela ainda. Já fui delegado de Trânsito, do setor de Inteligência e da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes. Hoje sou delegado responsável pelas adjuntas de Carta Precatória, setor de Inteligência e repressão ao tráfico de drogas. E como é o seu dia-a-dia atuando nestas três áreas da Delegacia? O delegado de polícia em geral, não só eu, mas os demais são responsáveis pela coordenação e administração das equipes de policiais. Aqui eu coordeno um escrivão que cuida das cartas precatórias, que são os pedidos de outras cidades para se cumprir as diligências aqui. Esta parte operacional é muito pouco, é mais administrativo e burocrático mesmo. Tenho também a coordenação do setor de Inteligência, com três investigadores, que não se restringem apenas às interceptações telefônicas, mas há outros serviços neste setor que municiam todas as outras áreas da Delegacia. E, por fim, tenho a delegacia de tóxico, que é a mais operacional de todas, com certeza! Diferente das outras, ela exige mais operação de rua, sair, fazer campana, prender, cumprir mandado de busca e apreensão, cumprir mandado de prisão e fazer prisão em flagrante. A delegacia de tóxicos usa muito o setor de Inteligência. Hoje em dia, no geral, a criminalidade está muito atrelada ao tráfico de drogas. Mais de 80% dos crimes tem alguma ligação, ainda que não tão próxima, com o tráfico ou o uso de drogas. A parte burocrática eu faço nas três delegacias, coordenar equipe, instaurar um inquérito, iniciar e

Entrevista concedida a Adriano Rosa

coordenar uma investigação, descobrir onde há tráfico de drogas e quem está traficando, quem está praticando crime aqui ou acolá, e colocar tudo no papel com o auxílio dos escrivães, que são os responsáveis em materializar toda a prova colhida nas diligências. Temos toda esta incumbência na Delegacia. Já fizemos inúmeras prisões por tráfico, através das operações que elaboramos, grandes ou pequenas. E temos também um fator técnico nesta delegacia que observamos muito, porque, à medida que reprimimos o tráfico, muitas vezes se aumentam os crimes contra o patrimônio. Dentro da política de segurança pública, este fator exerce um papel muito estratégico na cidade e faz com que tenhamos bom relacionamento com os outros delegados, policiais e demais corporações que auxiliam no combate à criminalidade, como a Policia Militar e, no caso de Paraíso, também a Guarda Municipal. Este feedback é importante face aos outros tipos de delitos que ocorrem na cidade. Você sempre afirma que combater o tráfico de drogas é “enxugar gelo”. Por quê? Houve aumento ou diminuição do comércio e uso de entorpecentes após a sua chegada aqui em Paraíso? Olha, o problema relacionado às drogas, incluindo a disseminação do seu uso, não só aqui em Paraíso, mas eu acredito que em nível nacional, é mais uma questão social, de saúde pública, do que um problema policial. Nós fazemos a nossa parte. Trabalhamos, prendemos o traficante, mas em pouco tempo esta pessoa está na rua novamente. A ação policial torna-se uma medida paliativa. A gente prende um traficante aqui e, em uma semana, já tem dois, três indivíduos brigando pelo ponto dele, a disputa da “bocada”, no mesmo local. Até a gente conseguir prender estes outros três, o primeiro que a gente prendeu, já vai estar na rua porque o sistema judiciário e policial são assim. A gente prende, a justiça condena, mas a lei permite benefícios para a pessoa que cumpriu um tanto da pena, e ela volta para a rua. O ciclo é muito bonito, é louvável, a lei é bonita no papel, reputo correto por conta da ressocialização dos presos, só que o Estado – seja ele qual for, não tem condições de bancar, a risca, toda a estrutura que a legislação manda. Por exemplo: o preso que sai do presídio, seja em condicional ou liberdade, ele tem que ser fiscalizado por algum tempo e isto é humanamente impossível. Fala-se em colocar “tornozeleiras” nos presos que estiverem em regime aberto ou semiaberto, estão estudando esta possibilidade, mas ainda vai demorar um pouco para o sistema se aprimorar. Então, combater o tráfico de drogas é uma atividade de “enxugar gelo”, sim. Em que pese isto, a Polícia Civil tem, sim, que exercer o seu papel de prender criminosos e traficantes. É um problema social? Sim! É a Polícia Civil quem vai resolver isto? Não! Se a pessoa não teve uma estrutura familiar perfeita, não é problema nosso. A sociedade também nos cobra e se esquece de que ela é também responsável pela segurança pública. A própria Constituição diz que Segurança é um “dever do Estado e um direito e responsabilidade de todos”. Então, se estiver ocorrendo um crime do lado da sua casa, debaixo do seu nariz, e você tem conhecimento, mas não denuncia à Polícia, não faz nada e fica quieto, você também se torna cúmplice. A gente entende a postura daqueles que denunciam e não querem aparecer, devido aos riscos, o receio, o medo, a falta de estrutura para se defender às possíveis represálias por conta das informações prestadas, mas isto não justifica a pessoa ficar omissa. Se você não denunciar, não adianta depois jogar a culpa só na Polícia. Eu gosto de deixar claro que a Polícia não é a culpada por todos os problemas que ocorrem na sociedade. Todos nós, policiais, sabemos disso. É uma carreira de muita pressão psicológica, social, política, fora os riscos que a gente sofre. Você já recebeu alguma ameaça? Não! Eu nunca recebi nenhuma ameaça desde que cheguei aqui. O infrator sabe que é infrator e sabe que a função dele é não se deixar ser pego pela polícia, pois a nossa função é prendê-lo. Então, existe uma, digamos que, entre aspas, “certa ética” entre o policial e o criminoso. E esta “ética” se consiste em que? Na maioria das vezes, sem generalizar, o criminoso sabe que, se ele for preso com elementos suficientes, provas, é porque ele vacilou e nós fomos mais inteligentes do que ele. É o que eles mesmo falam: quando eles caem “na moral”, em tese, em princípio, não haverá este enfrentamento da polícia com eles. Na minha área e atuação na Delegacia, eles são tratados, sim, com respeito, dignidade. São criminosos? Sim! Serão tratados com o rigor da lei? Sim, mas não faz sentido você torturar, bater, brigar, xingar, usar de meios violentos com uma pessoa que já está presa e numa situação em que você ganhou dela. Não há necessidade destes recursos. Quando isto acontece, não existe este lance da raiva, do desejo de vingança por parte do criminoso, porque ele entende, não é tonto. O problema está se você agir de forma contrária: agredir, torturar, plantar ou forjar provas e prender esta pessoa sem que ela deva. É uma profissão de risco? Sim! Existe esta “ética”? Sim, mas nunca fui ameaçado. E como você analisa a participação de policiais em diversos crimes que ocorrem pelo País, como vemos pelos noticiários, ou aqueles que recebem propina para, por exemplo, não multar uma pessoa errada no trânsito? Em minha opinião, este policial é muito pior do que um bandido. Por quê? O bandido ele é declaradamente bandido, criminoso. Entre aspas, ele já é um “inimigo seu”. Agora o policial corrupto, que está ali para proteger o cidadão de bem, para combater o crime e que deveria se portar como seu aliado, participando de forma escusa de crimes, ele é muito pior! É como “um lobo na pela de cordeiro”. Eu considero este tipo de pessoa muito mais perigosa. O caminho da Polícia Civil é mais investimentos, tanto material, intelectual e pessoal. Fazer reciclagem, aprimoramento e o combate à corrupção dentro da própria Polícia. Isto vem ocorrendo. Só assim ela melhora, com uma Corregedoria cada vez mais forte, atuando contra os policiais corruptos. Infelizmente ainda carregamos este peso, esta nódoa de ser uma Polícia corrupta, truculenta e torturadora, mas por quê? Devido aos fatos ocorridos no passado e que a história conta. Muita gente de bem, ao ouvir falar em polícia, já torce o nariz. E por quê? Porque associa a corporação aos tempos antigos e hoje em dia, com a reciclagem dos policiais, já não é mais assim! A mentalidade e a estrutura da Polícia mudaram muito, tanto que a política pública dos governos é aproximar cada vez mais a Polícia dos cidadãos, através das Polícias Comunitárias. A maior fonte de informação da Polícia vem da população, do cidadão de bem, e temos que trazer estas pessoas para perto da gente e não afugentá-las. É claro que, grande parte da população de bem está ao nosso lado, mas, infelizmente, parte das pessoas ainda desacredita do nosso trabalho. Só que eu não critico. Talvez estas pessoas já passaram por situações onde a Polícia deixou a desejar... Por isso, temos que nos aperfeiçoar cada vez

mais e correr atrás do prejuízo. Tiago, existe rivalidade entre as polícias Civil e Militar ou ambas procuram trabalhar em harmonia para o bem comum? Como analisa as ações aqui em Paraíso e o apoio da Guarda Municipal? A questão de integração das forças de segurança pública é uma política de Estado, e é essencial. A própria Constituição Federal especifica o que cada uma das polícias deve fazer. Os deveres das duas polícias não se confundem. A Polícia Militar tem um dever ostensivo, de patrulhamento e prevenção para evitar que o crime aconteça. A Polícia Civil tem a incumbência de apurar as circunstâncias e autoria do crime depois que ele aconteceu. Um trabalho complementa o outro. Essa “rixa” que existe entre as duas polícias é mais uma questão ligada, muitas vezes, aos profissionais de ponta do que a própria corporação. Estes profissionais de ponta é que deveriam ser mais integrados, e isto é, também, um preço que pagamos pelo passado. Gradativamente esta mentalidade está perdendo espaço e as duas polícias estão atuando junto. O que existe é muito “lero-lero”. Agora, o que não pode é uma polícia querer fazer o papel da outra, haver ingerência, puxadas de tapete, senão, quem vai se dar mal nesta integração é o cidadão de bem. Cada uma tem que atuar na sua função e promover a troca de informações. Em alguns municípios, como é o caso de Paraíso, existe também a Guarda Municipal, considerada uma força de segurança. Ela é uma polícia? Não! A Guarda tem uma função diferente e importantíssima. Cada um tem que “aparecer” na medida do seu trabalho. Felizmente aqui na cidade o trabalho destas três forças de segurança é feito de forma integrada e com parceria. É um relacionamento sadio entre as três instituições. É perfeito? Não! Acredito que em lugar nenhum seja, mas pelo o que a gente conhece nas outras cidades de Minas, aqui, realmente, é um “paraíso”. Quais os seus próximos passos profissionalmente? Ainda quer ser promotor? Eu quero ficar aqui em Paraíso, mas o policial é um servidor do Estado. Teoricamente e com motivo justificado, que pode ser a necessidade do meu trabalho noutro local, eu posso ser transferido de uma hora para outra. Hoje não existem mais aquelas punições como represálias a alguma atuação sua, principalmente vindo por influência de políticos. Antigamente você ia investigar alguém e se esta pessoa tivesse alguém lá em cima (costas quentes), você poderia ser transferido de uma hora para outra, para alguma cidade do outro lado do Estado. Hoje é tudo mais estável. Esta cidade me acolheu muito bem e pretendo ficar um bom tempo aqui. Já me casei, minha esposa era de Belo Horizonte e veio morar aqui, já estou fixando residência própria aqui em Paraíso. Existe uma hierarquia. Logo, se eu for designado para outro local, tenho que cumprir a ordem e desempenhar minha atividade da mesma forma. Minha intenção profissional é me desenvolver na carreira de delegado. Já fui promovido do nível 1 para o 2 e quero chegar ao nível especial e geral, que são promoções mais difíceis e que requerem antiguidade no cargo e merecimento. Quero também me aperfeiçoar intelectualmente com um mestrado. Eu gosto da carreira acadêmica e pretendo dar aulas em faculdades.

A atividade policial é uma coisa que incorpora e mesmo nas horas de folga, é complicado você deixar de lado totalmente a parte policial. Então eu gosto de ler livros policiais que contam histórias reais. Não sou muito de assistir televisão, vejo mais o noticiário e fico mais tempo navegando na internet. Música, sou um pouco discrepante. Eu gosto de sertanejo raiz – devido à minha criação numa cidade do interior, e de rock, quanto mais pesado melhor. Isto foi uma escolha, opção, devido ao período de escola e faculdade. Gosto de barulho. Muitas vezes pensei em ter banda, mas a ideia não foi para frente, mas eu toco, arranho um pouco no violão, cavaquinho, gaita e, agora, fiz algumas horas de bateria e pretendo voltar aos estudos de bateria. Quem sabe, futuramente, eu possa ter uma banda! Para comer e beber, gosto de tudo, sem exceção. Não tenho problema com nenhuma bebida ou comida. Feijoada e churrasco com uma cervejinha são minhas opções preferidas. Como você analisou a movimentação do povo nas manifestações que ocorreram pelo Brasil, inclusive aqui em Paraíso reivindicando melhorias e que, em muitas cidades, foi preciso haver a intervenção policial por conta da onda de vandalismo? Em minha opinião a mobilização é importantíssima e, até, exigível da população, pois, se as pessoas querem melhorias, é preciso se mobilizar de forma organizada, pacífica e ordeira para reivindicar. Muitas vezes a população se revolta contra a criminalidade. Aí ela se mobiliza, sai às ruas e algumas pessoas depredam prédios públicos e particulares, agridem, ameaçam, põe fogo em ônibus, entram em confronto com a polícia. Oras, agindo assim a população acaba se igualando com o criminoso. Aí, quando isto acontece, a polícia tem que intervir e o prejuízo acaba sendo de todos. Em que pese haver envolvimento político por trás de algumas manifestações, eu vejo o ato de mobilizar como excelente, mas de forma ordeira, senão ninguém consegue nada. Este ano teremos eleições no Brasil. O que você espera dos candidatos e dos eleitores durante a campanha? Como analisa o nosso País sendo administrado por uma mulher? A questão de o Brasil ser governado por uma mulher, para mim é indiferente. Se a pessoa está lá, é porque foi capaz, independente de sexo, cor, etnia, orientação sexual. Para mim pouco importa. O que vale é o exercício do mandato de forma bem feita. Não sou filiado a nenhum partido e nem simpatizante deles. Eu gosto é da boa política. Em todos os segmentos da sociedade a política está presente, mesmo que a pessoa não goste. Você vive política, querendo ou não. Eu espero que a população analise bem as propostas dos candidatos, acredite na possível melhoria do nosso Estado e País e busque pessoas capacitadas e gabaritadas ao cargo em que são candidatos. Não votar simplesmente por votar, ou porque conhece a pessoa, ou é simpatizante do partido ou ganhou alguma coisa em troca do voto. E, depois que a pessoa ganhar – mesmo que não seja com o seu voto, vem o mais importante de tudo: cobrar do vencedor o cumprimento daquilo que se propôs. Tão importante ou até mais importante que o voto é esta cobrança pós-eleição.

E sua participação no Conselho Municipal Antidrogas, Comad? Como foi e está sendo? Eu fiquei por quase dois anos vice-presidente do Conselho e entrei num momento em que o Comad estava desativado. Fui convidado a fazer parte da nova diretoria que estava assumindo naquele momento e toda atividade, no seu início, requer um pouco mais de dedicação e cuidado. Na ocasião, nós conseguimos ajustar toda a parte legal e burocrática do Conselho, colocando em ordem a legislação pertinente às questões envolvendo o trabalho do órgão. Eu reconheço que a parte prática não foi tão bem desenvolvida e, com a renúncia da diretoria da qual eu fazia parte, foram eleitos novos membros para darem continuidade aos trabalhos e eu continuo fazendo parte, mas apenas como conselheiro, membro titular, representando a Polícia Civil. Digo que é de extrema importância a existência e atividade do Conselho Municipal Antidrogas porque dá subsídios ao poder Executivo para que políticas públicas voltadas à questão das drogas sejam implementadas, coordenadas e executadas.

Dinheiro, saúde, amigos e sabedoria. Qual a ordem destas palavras em sua vida e por quê? Saúde em primeiro, porque, sem ela, você não consegue nada. Depois vem a sabedoria, porque, com ela, você pode ter os bons amigos (3º) e conseguir, por último, o dinheiro honestamente. Esta ordem não é exclusiva, mas uma coisa complementa a outra. A grana é necessária, imprescindível para a vida de todos, mas não podemos viver por conta do dinheiro. Até porque, depois que morremos, não levamos nada com a gente.

O que você gosta de fazer nas suas horas de folga, Tiago? Eu gosto de ir ao clube, participar de reuniões festivas com os amigos, dedicar-me às atividades físicas – atualmente musculação e artes marciais. Gosto muito também de viajar, conhecer lugares novos e me dedicar também à minha família e esposa. Para o ano que vem, quem sabe, pretendo me tornar pai... (risos – a esposa estava ao lado). A hora de lazer do policial tem que ser muito bem aproveitada – igual vida de médico. Temos que aproveitar da melhor forma, porque podemos ser acionados a qualquer momento. Apesar de o policial ser uma pessoa normal, como outra qualquer, eu penso que a superexposição dele em locais públicos não é muito boa. De certa forma, temos que servir de exemplo para outras pessoas, ficando mais reservados a fim de não expor nossos erros ou vacilo, pois não somos perfeitos. Penso que é prejudicial para a própria carreira esta superexposição.

Como é a sua relação com Deus, Tiago? Eu fui criado na religião católica. Atualmente não tenho nenhuma religião específica. Eu acredito no bem, num bem maior. Esta é a minha crença e religião. Sou agnóstico, logo, eu não acredito e nem desacredito que Deus existe...

O que você gosta de comer, beber, ouvir, ver na televisão e filmes?

Quais são as suas principais qualidades e defeitos? Qualidades: honestidade, dedicação e lealdade para tudo o que eu me disponho a fazer. Defeitos: eu sou uma pessoa excessivamente metódica, muitas vezes chato por conta disso. Sou também muito tenso e ansioso e faço, semanalmente, sessões de terapia para conter isto que me acompanha desde criança. Com a atividade policial, aumentou muito. Depois que eu me casei, aí triplicou (risos).

E se hoje fosse seu último dia aqui na Terra, você estaria pronto para partir? Para onde? Ou pediria mais um tempo? A quem? O que espera encontra do outro lado da vida? Olha, eu não penso nisso! O dia que chegar o meu dia, chegou! Eu iria com a sensação do dever cumprido. Deus, para mim, é o bem e eu procuro, sempre, me dedicar e fazer o bem enquanto vivo, independente do que vai acontecer comigo depois desta vida. Eu não procuro entender o significado de Deus e a existência ou não de outra vida, ou de onde eu vim ou para onde eu vou. Eu não me questiono muito. Para mim, religião é praticar o bem. De nada adianta eu frequentar religiosamente uma igreja – seja ela qual for, se eu não fizer o bem, esperando que, o que acontecer comigo depois que eu morrer, e que eu não sei o que é, seja algo bem também!


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JUSTIÇA TERRA DOS EMBARGOS Se um determinado órgão é colegiado - seja ele o conselho de uma empresa, um tribunal ou a diretoria de uma escola - subentende-se, está claro e é óbvio que dele se admitam decisões não unânimes. A única exceção que conheço a esta regra é o Tribunal do Júri inglês e americano, formado por doze Renato Zouain jurados e que tem que decidir unanimemente. Fora isso, decisão colegiada pode ser por maioria simples, maioria qualificada, por sete a zero, quatro a três, seis a cinco, etc... Diante disso, não há explicação jurídica que me entre na cabeça para a existência em nosso sistema processual brasileiro dos chamados “embargos infringentes”, que serviriam para atacar decisão colegiada não unânime. É o que está vitimando o julgamento do mensalão. O fato de uma decisão não ser unânime não quer dizer que seja menos justa e correta, mas simplesmente que o Tribunal que a prolatou funcionou, verdadeiramente, como um colegiado. Leitor amigo, desconfie sempre das unanimidades, nos processos e na vida. Voto divergente significa que ao menos quem divergiu o fez após estudar o processo, e não simplesmente acompanhou a boiada. Como dizia Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”. FAVELAS PACIFICADAS? Não conheço outro colunista, jornalista ou escritor, ou simplesmente palpiteiro, que tenha mais desconfiado das tais “favelas pacificadas” do que eu. Pacificar favela é a mesma coisa que amansar tigre dente de sabre! É tarefa impossível, uma incoerência, são dois conceitos que lutam entre si, a paz e a favela, e não há nisto qualquer preconceito. Tudo bem que nas comunidades pobres existam pessoas letradas, trabalhadoras e honestas, como em todo o lugar há, até porque no Brasil vivemos um fenômeno interessantíssimo, que é a epidemia de estupidez e burrice, que atinge todas as classes sociais e profissionais, e bairros e cidades. Ser bandido ou ser ignorante não é exclusividade da classe mais pobre, e não é por ser pobre e favelado que o sujeito é bandido. - Se fosse assim, com mais de 40% da população abaixo da linha da pobreza, o restante da população estaria acuado em condomínios de luxo, o que ainda, ainda não aconteceu. Mas, voltando ao assunto: apesar de haver gente boa em todo lugar, inclusive (e graças a Deus) em favelas, imagine o leitor um povo que nasce e vive discriminado, esquecido pelo Estado, com precárias condições de higiene e saúde e assistindo pela TV gente rica esbanjando dinheiro, imaginem o sujeito humilde enchendo de água a boca com a fortuna alheia e impossível de ser alcançada. Esse pessoal já nasce revoltado e revolucionário, e sua bronca com o abismo social em que vivemos só fica mais forte com o tempo. Não será com policiais dando bom dia na porta de casa que se vai amansar quem vive apanhando da sorte e da vida. Agora, com agressões, piquetes, atentados e homicídios, se demonstra que eu lamentavelmente estava certo: é uma ilusão falar em favela pacificada. As comunidades carentes irão ser pacificadas quando tiverem educação e cultura e quando o Estado subir o morro para cuidar das crianças que o tráfico arregimenta para o crime diariamente. VELHICE E QUADRINHOS Sempre adorei quadrinhos, desde a infância e ainda hoje. As histórias em quadrinhos melhoraram muito, se tornaram mais maduras, coisa de gente grande, e hoje são consideradas uma modalidade respeitável de literatura de boa qualidade, quando o quadrinho é de boa qualidade, claro. O quadrinho brasileiro está ótimo, obrigado. Dia desses li um gibi de um dos melhores autores nacionais da atualidade, Raphael Salimena, cara novo e brilhante. Tem um personagem seu no gibi “Imaginários em Quadrinhos” que me deu uma aula sobre a velhice, eu que estou ficando inexoravelmente velho. Ele disse, anote aí: “Já passei da validade, fui bom em coisas que não existem mais e sinto dores em lugares que nem sei o nome. Mas pode ter certeza, cada ruga valeu a pena.” Viram? Prosa finíssima, arte pura. Confiram. Renato Zupo, Juiz de Direito e escritor.

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Jornal do Sudoeste une mãe e filho após 41 anos

Por Heloisa Rocha Aguieiras

Após 41 anos mãe legítima encontra o seu filho que lhe foi tirado e dado para a adoção. É difícil de descrever a emoção dos dois e a transformação que esse encontro promoveu em suas vidas. O reencontro só foi possível depois que o Jornal do Sudoeste conseguiu localizá-la e passar o contato do filho. A esposa de Flávio Antônio Pinheiro, Ednalva Maria de

Santana, ao se deparar, descobriu que havia um caminho para tirar o marido da tristeza em que se encontrava. Ela procurou diversos órgãos em Paraíso, pois sabia que era a terra de sua sogra, já que Flávio possuía certidão de nascimento que trazia o nome de sua mãe legítima, Maria das Dores Pinheiro, bem como de seus avós maternos. Foi por isso que Ednalva, em nome de Flávio, encaminhou um e-mail ao Jor-

Mãe teve seu filho arrancado de seu convívio Nascida em Paraíso, Maria das Dores Pinheiro tinha 16 anos quando se mudou para São Paulo, com autorização de seu pai. “Uma conhecida família de fazendeiros vendeu a propriedade para ir viver em São Paulo e pediu ao meu pai duas moças para trabalharem lá e eu fui com uma amiga”. Foi assim que ela começou a trabalhar como doméstica. Em junho de 1971, aos 28 anos, desempregada, descobriu-se grávida. “Encontrei uma senhora viúva que estava precisando de uma empregada. Eu contei sobre a gravidez e ela disse que não tinha importância eu ir trabalhar para ela assim, mas me alertou que não gostava de criança”. No dia 14 de março de 1972 Maria das Dores Pinheiro foi levada pela patroa ao hospital para dar a luz. Nasceu um menino saudável, que ela chegou a amamentar com muita alegria de mãe. Mas, problemas renais provocaram a sua internação, afastando-a do filho recém nascido. “A minha patroa, juntamente com um funcionário do hospital, registraram o bebê e fizeram uma carta, com minha assinatura falsificada, como se eu estivesse autorizando doar o garoto para a adoção”, diz ela emocionada. A suspeita de estar com hepatite levou Maria das Dores a ser internada no hospital paulistano Emílio Ribas, o que a afastou definitivamente do filho. “Passei o resto de minha vida rezando todos os dias por ele, pedindo para revêlo. Sofri demais, chorei por anos e emagreci muito. Minha mãe me dizia que eu teria o apoio dela para criá-lo e eu nunca soube para onde tinham levado meu filho”. Agora, em São Paulo, de posse do email de Flávio, Maria das Dores pediu que a sobrinha entrasse em contato e ele respondeu, informando o telefone. “Quando eu ouvi a voz dele, meu coração quase saiu pela boca, eu pensei que não ia aguentar tanta emoção. A primeira pergunta que ele me fez foi: ‘por que a senhora me deu’. E eu contei a história, dizendo que eu não tinha feito isso. Conversamos bastante e combinamos o almoço para o domingo seguinte. Eu disse que iria esperá-lo no ponto ônibus para que não tivesse o risco de ele errar o caminho”, diz. Quando Flávio desceu do ônibus, acompanhado da esposa, abriu os braços e correu ao encontro da mãe. O choro de ambos foi inevitável e irreprimível. “Estou com 71 anos e tenho saúde. Quero aproveitar o tempo que me resta para ter o que eu perdi. Descobri que sou avó de dois meninos, um de nove e outro de 11 anos. Tenho muitos motivos para apagar tanta tristeza que vivi”, finaliza Maria das Dores Pinheiro, hoje mãe de Flávio Antônio Pinheiro, sogra de Ednalva Maria de Santana, avó de Isaías Eduardo do Nascimento Pinheiro e de Victor Hugo de Souza Pinheiro.

nal, pedindo para verificar o paradeiro dela. A equipe do Sudoeste localizou Maria das Dores morando no bairro Verona e, por coincidência, em visita a parentes em São Paulo, cidade que ela frequenta muito por tratamento de saúde e a passeio. Ao telefone, a reportagem falou com uma irmã de Maria das Dores, que confirmou que ela havia tido um filho, em São Paulo, há 41 anos e que iria conversar com ela para saber se tinha interesse em encontrar o rapaz. Uma semana depois, em visita à sede do Jornal, a mãe pediu o contato de e-mail de Flávio, confirmando que realmente ele poderia ser seu filho e que iria a São Paulo no-

vamente, na intenção de procurá-lo. Foi quando a sobrinha entrou em contato com ele através da internet e informou o telefone daquela que poderia ser sua mãe, enviando uma foto dela para que ele verificasse que realmente havia encontrado a pessoa que tanto procurava por 41 anos. Ele ligou, conversaram, descobriram que se tratava realmente de mãe e filho e combinaram um encontro. Mãe e filho almoçaram juntos pela primeira vez na vida de ambos no dia 9 de março passado, um domingo, na casa de uma irmã de Maria das Dores, tia de Flávio, na capital paulista, quando a emoção foi a presença mais marcante.

“Sofri demais e me perguntava por que eu não tinha mãe” Flávio Antônio Pinheiro tinha uma certidão de nascimento que foi entregue à mãe adotiva. Era para esta mulher que ele olhava desde pequeno e achava que havia algo estranho. “Eu olhava para ela e pensava: essa mulher não parece ser minha mãe. Eu não consegui me reconhecer nela”, diz. Os anos foram se passando. Aos 12, ela lhe contou que ele era adotado. Foi quando começou a sofrer de bulling por parte dos primos, amiguinhos e vizinhos, que ficavam a todo o momento lembrando ele de que não pertencia à família. A partir daí não conseguiu mais viver sem pensar em sua mãe e tinha uma vontade crescente de encontrá-la. “Eu me sentia um estranho, me olhava no espelho e me perguntava todos os dias porque eu não tinha mãe, porque isso tinha acontecido comigo”. Aos 17 anos foi ao hospital onde havia nascido, procurar o seu padrinho de batismo, que era o mesmo funcionário do hospital que havia ajudado a patroa de Maria das Dores a forjar uma carta que autorizava que ele fosse doado para adoção. “Ele disse que eu já era um rapazinho e deveria seguir em frente, não deveria me preocupar com essas questões e se negou a me contar qualquer fato”. Ele também foi atrás da antiga patroa da sua mãe, mas ela já havia falecido. Aos 36 anos foi novamente conversar com seu padrinho, que rejeitou qualquer possibilidade de falar do passado. Logo depois ele faleceu. Também chegou a procurar a filha desse homem, que era advogada, mas não seria dessa vez que encontraria notícias da mãe verdadeira. Os pais adotivos morreram e Flávio se viu no mundo sem referências familiares. Por isso não desistia e procurou a orientação de um advogado, que o instruiu a procurar pelo nome de sua mãe no cartório eleitoral da cidade de origem dela, ou seja, Paraíso. A esposa, Ednalva Maria de Santana, não agüentava mais ver a tristeza do marido e foi atrás de informações. Via e-mails procurou o cartório de São Sebastião do Paraíso, a Prefeitura, e vários outros órgãos, sem sucesso. Foi quando resolveu tentar encontrar Maria das Dores Pinheiro por meio do Jornal do Sudoeste. E foi assim que a mãe foi localizada. Contatos informados para ambos, em São Paulo, ela ligou para o filho. “Quando a sobrinha de Maria das Dores me mandou um e-mail com a foto da minha mãe, eu me reconheci de imediato. Logo depois ela me ligou e quando falei com ela, um sentimento indescritível tomou conta de mim, uma alegria enorme. Eu só pensava na minha vontade de abraçá-la”. Levou de presente para a mãe, ao encontro no domingo, (9/3), um jogo de toalhas. “Agora eu quero ir conhecer Paraíso e meus tios e primos, devo ir ao fim do ano. Quero também levar meus filhos para conhecer a avó. Daqui para frente vai ser uma alegria atrás da outra. Eu sou outra pessoa agora, sou feliz!


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Bia Arantes A atriz Bia Arantes recebe cumprimentos neste sábado por mais um ano de vida. A coluna lhe deseja saúde e que cada vez mais galgue sua bem sucedida trajetória, fruto de sua competência artística e valores pessoais, dentre os quais sobressai sua simplicidade em lidar com o crescente sucesso.

Aniversariantes Dia 18 Professor José Vilson Amaral. Dia 20 Em Passos, o médico veterinário Dr. Antônio de Souza Lemos.

Aniversário de Cauê O carro da Noiva O transporte da noiva deve ser escolhido com critérios além do sonho de um determinado tipo de carro. Este deve combinar com o estilo do casamento, se clássico ou descontraído. O conforto e espaço no banco traseiro são fundamentais. O banco do carona da frente, pode estar em uma posição mais à frente. A manutenção do carro deve estar em dia na mecânica, elétrica, itens de segurança e limpeza impecável. Para motorista, o melhor é contratar um profissional ou contar com uma pessoa que não esteja diretamente ligada à cerimônia (pais e padrinhos). É importante verificar o trajeto evitando possíveis pontos de congestionamento e ter o telefone da organizadora do evento para comunicar qualquer eventualidade. O motorista deve estar desacompanhado, pois certamente a noiva já providenciou sua companhia, funcionária do cerimonial ou uma amiga, e após a cerimônia, o noivo irá junto, portanto não haverá espaço para outra pessoa. O motorista deve conhecer com antecedência os detalhes do carro, como possível chave de segurança, pisca-alerta, travas, etc. evitando pequenos embaraços que podem gerar insegurança na noiva. O carro não deve ter adesivos chamativos, e o foco principal é a noiva e não deve ser ofuscada por exageros em decoração no veículo mesmo que divertidas. Pontualidade é imprescindível. O ideal é que o carro esteja à disposição da noiva 30min antes do horário estipulado para sua saída rumo ao sim.

Jônatas, Flávia , Cauê e Bisa Sãozinha

Pais, Cauê, amiguinhos Gabriel e Amanda e priminho João Victor

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RG Eventos Assessoria e Cerimonial

Horóscopo Semanal ÁRIES: A semana começa influenciada pela Lua Crescente em Gêmeos, que vai dar andamento aos seus acordos de negócios e a tudo o que diz respeito à comunicação, especialmente a projetos que começaram há uma semana. Saturno e Sol, em ótimos aspectos entre si, movimentam de forma positiva suas emoções. A fase é de concretização de sentimentos. Júpiter, Plutão e Urano em tensos aspectos prometem continuar trazendo mudanças, muitas vezes... TOURO: A semana começa sob a influência de uma Lua Crescente em Gêmeos, movimentando positivamente suas finanças e todos os acordos que envolvem dinheiro. Um novo projeto pode começar a ser concretizado com a promessa de aumentar seus rendimentos. Ótimo para novos investimentos. Saturno unido ao Sol através de um ótimo aspecto promete concretização de projetos que envolvam sociedades e trabalhos em equipe. Uma nova amizade mostrará a você que chegou para ficar. As mudanças relacionadas aos seus projetos envolvendo viagens continuam. GÊMEOS: A semana começa influenciada pela Lua Crescente em seu signo, trazendo um grande movimento a todos os setores de sua vida. Projetos e relacionamentos que começaram há alguns dias mostram que podem dar certo. Saturno e o Sol em ótimo aspecto prometem uma semana de concretizações em projetos financeiros que envolvam parceiros e sócios. A semana promete aumento de responsabilidade no setor. Mudanças, nem todas bem-vindas, continuam movimentando seus trabalhos em equipe e as amizades. CÂNCER: A semana começa influenciada pela Lua Crescente em Gêmeos e deixa você mais fechado e introspectivo. Deve manter o auto-controle e não se deixar levar por pensamentos negativos do passado. O momento é ótimo para estar em sua intimidade junto aos seus. Sol e Saturno em ótimo aspecto prometem aumento de responsabilidade e comprometimento em questões que envolvem o amor e seus projetos de viagens e negócios com pessoas e empresas estrangeiras. As mudanças continuam em seus relacionamentos. LEÃO: A semana começa influenciada pela Lua Crescente em Gêmeos, movimentando de forma bastante positiva seus projetos e trabalhos em equipe. A vida social ganha também um novo movimento, trazendo convites para eventos e encontros com antigos e novos amigos. Sol e Saturno em ótimo aspecto entre si prometem concretização de projetos relacionados à sua vida doméstica e aos seus projetos financeiros que envolvem sócios e parceiros. A promessa é de aumento da responsabilidade e criação de estruturas. VIRGEM: A semana começa influenciada pela Lua Crescente em Gêmeos, movimentando sua carreira e seus projetos profissionais. O momento é ótimo para dar andamento a planos de negócios e projetos que começaram há alguns dias. Saturno e Sol em ótimo aspecto movimentam de forma bastante positiva seus relacionamentos, tanto os profissionais quanto os pessoais, prometendo concretização e criação de estruturas. As mudanças continuam acontecendo, abrindo cada vez mais seu coração. LIBRA: A semana começa influenciada pela Lua Crescente em Gêmeos, movimentando seus projetos futuros, especialmente os que envolvem pessoas e empresas estrangeiras. Você estará imensamente otimista e cheio de fé durante toda a semana. Saturno e o Sol em ótimo aspecto entre si movimentam positivamente seus projetos de trabalho, podendo trazer uma ótima noticia a você. Aquela entrevista que você fez há alguns dias pode trazer os resultados esperados e concretizar seus desejos. No entanto, espere por muito mais responsabilidades. ESCORPIÃO: A semana começa influenciada pela Lua Crescente em Gêmeos, movimentando suas emoções que podem trazer algumas mudanças positivas em seus sentimentos. As finanças também passam por um bom período, especialmente as que envolvem sócios e parceiros. Saturno em seu signo e o Sol fazem um ótimo aspecto entre si, trazendo a concretização de um romance ou, ao menos, deixando claro para você muitas de suas necessidades relacionadas ao amor. Um namoro pode começar nos próximos dias. SAGITÁRIO: A semana começa influenciada pela Lua Crescente em Gêmeos, movimentando seus relacionamentos, tanto os pessoais quanto os profissionais. Um novo movimento pode indicar um namoro ou uma boa parceria comercial. Vida social movimentada e novas amizades surgindo. Saturno e Sol em ótimo aspecto entre si melhoram sensivelmente sua energia vital e suas emoções ganham mais força. Mais responsabilidades em sua casa e família. CAPRICÓRNIO: A semana começa influenciada pela Lua Crescente em Gêmeos, movimentando seus projetos de trabalho e sua saúde de maneira bastante positiva. Um novo projeto pode ser proposto a você ou mesmo um convite para mudar de emprego. A saúde melhora significativamente. Saturno e Sol em ótimo aspecto entre si trazem a promessa de concretização de tudo o que envolve a comunicação. Ótimo momento para reuniões de negócios e fechamento de acordos. Concretização de viagens e estudos. AQUÁRIO: A semana começa influenciada pela Lua Crescente em Gêmeos, movimentando um relacionamento que começou há alguns dias. O amor fica mais intenso e, caso ainda esteja só, fique atento, pois uma pessoa especial pode mexer com você. Saturno e Sol em ótimo aspecto entre si prometem a concretização de um projeto profissional ou um plano de negócios que pode levar você à realização de suas metas profissionais. Carreira e trabalho serão seu foco durante toda a semana. As mudanças continuam, especialmente as emocionais. PEIXES: A semana começa influenciada pela Lua Crescente em Gêmeos, movimentando sua vida doméstica e os relacionamentos familiares. Um projeto envolvendo sua casa, como uma reforma, alteração na decoração ou mesmo a mudança de residência pode começar. Saturno e o Sol em seu signo, em ótimo aspecto entre si, prometem concretização de projetos, especialmente os que envolvem pessoas e empresas estrangeiras. O momento envolve também aumento de responsabilidades.

Pais, Cauê, Tia Cybelle e vovó Maria Luiza

Se tiver como usar só o Cauê

Sãosinha

Cauê um garotinho lindo, olhos castanhos e brilhantes, sorrindo sempre, encanta pela doçura e alegria. É filho de Flávia Ferreira Westin Ribeiro de Jônatas Samuel Ribeiro. Seu primeiro aniversário comemorado no dia 2 de março no salão da Asscoop. O tema escolhido foi uma explosão de entusiasmo para Cauê e seus amiguinhos, Coelhos e Carnaval. As crianças foram pintadas de coelhinho, usaram orelhinhas e se divertiram muito, pulando, dançando marchinha de carnaval, jogando confetes e serpentinas. Brincaram de pescar, e havia muitos presentes. Servidos deliciosos salga-

Vovó Regina, Pais, Cauê, vovô Aumir e Bisa Aparecida

dinhos, sucos e refrigerantes. Um grande arco de balões azuis deu encanto especial à mesa de doces artisticamente decorada com o bolo em for-

mato do rosto de um coelho, beijinhos coloridos, brigadeiro de colher, docinhos de leite Ninho e as tradicionais balas de coco, envoltas em papéis azuis,

bem repicados. As lembrancinhas de acordo com a festa, um verdadeiro mimo, um coelho feito num pote de vidro e dentro jujubas coloridas e também uma enorme cenoura, como se fosse um cartucho, recheadas de coisas gostosas, típicas de aniversário infantil. Após o “parabéns” a criançada foi estourar balões azuis, que estavam na entrada do salão, cheios de balas e chocolates. Muito felizes, os pais, avós e bisavós, cantando e batendo palmas para o pequeno aniversariante. O primeiro aniversário do Cauê foi comemorado com muito amor e carinho. Um beijo da Bisa para Cauê, minha terceira geração, muito querida e amada.

A Língua Portuguesa é rica Antropologia é o estudo do homem, independente do sexo. Quando dizemos o homem é mortal, referimo-nos ao ser humano. “Andros” é masculino. Usamos termos como androide e, na Botânica, androceu. A meu ver, os países deveriam se dividir em províncias ou em termos correlatos. Estado é governo, nação. Em latim é “imperium” e “regnum” que traduz império e reino. Países europeus, a exemplo, Alemanha, França, Inglaterra dentre outros, não são divididos por estados. Assisti um filme em 1960 com o título “Man Without Star”, traduzido como “O homem sem rumo”. Atualmente tenho assistido outro filme com o nome “Brasil Without Star”. O ministro Joaquim Barbosa é culto, patriota e probo. E seus pares estão julgando o mensalão com parcialidade, e, levando em consideração a ideologia partidá-

ria, já que alguns deles foram nomeados pelo partido do qual fazem parte diversos mensaleiros. Muitas pessoas estão se manifestando contra a Copa do Mundo de Futebol. Será que não sabem que entrarão muitas divisas para o nosso País? Deveriam preocupar-se com a construção, pelo Brasil, do porto em Cuba, do desvio do Rio São Francisco, da impunidade do menor criminoso, e, da liberdade de Gil Rugai, que assassinou o pai e a madrasta, em São Paulo. Antigamente o ano era de dez meses. Júlio César exigiu que tivesse um mês com analogia ao seu nome, e foi criado o mês de julho. O rei Augusto também pediu que tivesse um mês em sua homenagem, e foi criado agosto. Com isso, o mês sete virou nove, o oito tornou-se dez, novembro é onze, e, dezembro, de origem latina, dez, agora é doze. Sebastião Teixeira Duarte.


Jornal do Sudoeste

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Psicoletrando Saga da mulher contemporânea Josimara Neves, psicóloga e escritora (CRP-04/37147) Marília Neves, professora e escritora Contato: psicoletrandojm2013@gmail.com

1º Round 1. O celular toca dizendo que é hora de acordar! 2. Levanta, chama o marido e os filhos. 3. Arruma-se, faz o café, leva os filhos para a escola e vai para o trabalho. 4. Trabalha muito e volta para casa. 2º Round 5. Prepara o almoço para a família. 6. Almoça e volta para o trabalho. 3º Round 7. Trabalha... resolve problemas... trabalha... 8. Retorna para casa. 4º Round 9. Toma banho. 10. Ajeita a casa. 11. Verifica se os filhos estão alimentados. 12. Enquanto faz o jantar, põe a roupa para bater na máquina e ajuda os filhos a fazerem o dever. 13. Após o jantar, decide passar roupa e deixar os uniformes dos filhos organizados para o dia seguinte. 14. Põe os filhos para dormir. 5º Round 15. Aproveita para ler um pouco, pois está sempre se informando, fazendo cursos on-line, participando de formações, de fóruns, chats... 16. Olha os e-mails e responde os mais importantes, enquanto ouve o que o marido assiste na tv. 17. Lá pelas tantas da noite — ou da madrugada —, assustase com o horário e vai dormir. 18. Chama o esposo, que ronca em frente à televisão. 19. Faz todo o ritual costumeiro antes de dormir (o marido diz que ela demora muito com isso). 6º Round 20. Deita-se, mas... 21. Parece que o sono não vem, afinal, está tão cansada, preocupada com o amanhã que vai chegar logo, ansiosa, estressada, que não consegue dormir. 22. Em pânico, chora quietinha (é que não quer atrapalhar os sonhos do marido, que dorme feito um anjo, livre, leve e solto...). Essa é a realidade de diversas mulheres contemporâneas, as quais acham que são a Mulher-Maravilha, que precisam dar conta do marido ou do namorado, dos filhos ou dos pais, do trabalho, da faculdade, dos cursos, dos amigos, da academia, do lazer... Cobram muito de si mesmas, comparam-se desmedidamente com as amigas, com as colegas de trabalho, com as artistas e até com as modelos. Algumas têm extrema necessidade de agradar e, para isso, anulam sua própria vontade. Outras realizam as ações cotidianas mecanicamente, parecendo robozinhas. Há, ainda, aquelas que se tornam compulsivas, melindrosas, irritadas, autoritárias, perfeccionistas, melancólicas ou depressivas. A mulher de século XXI assumiu mais compromissos do que deveria. Talvez pela necessidade financeira; talvez pelo desejo de se equiparar ao homem; talvez por não visualizar o seu próprio destino. Assim, seu corpo pede cuidados. Sua mente implora repouso. Sua família clama carinho, atenção. Seus livros de literatura sentem-se abandonados. Os filmes, rejeitados. A trilha sonora que marcou sua adolescência há anos não é escutada, relembrada... Não ouve o gorjear dos pássaros que visita sua varanda. Não observa o sol, não contempla as estrelas, não enxerga a lua. Arco-íris? Isso é ficção. Não acha graça dos desenhos que o filho faz. Não se permite sorrir, dar gargalhada, correr pela estrada — em disparada. Não sabe mais o que é poesia. Não escreve mais no seu diário. Não sabe mais o que é mandar e receber cartas, cartões, telegramas... Não valoriza as flores porque não tem tempo de cuidar delas. Não gosta de ganhar chocolate porque engorda. Acha que serenata é coisa do passado, que declaração de amor é piegas, que homem romântico é cansativo... Adora estar no poder, ama decidir, mandar. Óbvio que nem todas são assim. Existem muitas que dariam tudo para passar mais tempo em casa, curtindo a família, mas não podem. Entretanto, a reflexão que fazemos é : “O que quer, realmente, a mulher? Que sonhos tem? O que deseja? O que a faz feliz?” Questionamo-nos: Quanto vale a vida de uma mulher? Temos certeza de que a resposta não cabe neste espaço. Portanto, caras leitoras, aproveitam as pequenas alegrias que perpassam seu dia a dia, respirem profundamente, façam o que conseguirem em cada momento e, caso não cumpram fielmente o planejamento esquematizado em dada circunstância, não se sintam diminuídas, incompetentes. Reelaborem seus esquemas, refaçam suas metas, mudem suas tabelas, inserindo a paz, o equilíbrio e o autoamor em suas planilhas. Valorizem-se, respeitem-se, afinal, nascemos para espalhar a fragrância do amor onde a vida nos colocar. Ser mulher é ouvir a súplica da criança em desespero e acalmá-laÉ organizar a rotina familiar com destreza e carinhoÉ manter vivos os sentimentos nobres que alimentam a vidaÉ ser namorada, noiva, esposa, amiga, confidente, filha, tia, mãe...É rir, chorar, cair, levantar, errar, corrigir, perdoar e, sobretudo, amar!Marília NevesJosimara Neves

São Sebastião do Paraíso-MG e Região 15 de Março de 2014


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