Issuu on Google+


2

Jornal do Sudoeste

19 de maio de 2012

Plano de Safra da Cooparaiso Economia, segurança e agilidade oferecidas pela A colheita do café iniciou-se na região de atuação da Cooparaiso e o Plano de Safra da cooperativa, idealizado para dar segurança e economia aos produtores, já começa a dar bons resultados, beneficiando os produtores e gerando economia. Um dos objetivos do programa é esse, levar economia ao produtor, para que ele possa aplicar melhor em manejos, aumentando a qualidade do café.

Foi pensando nisso que Maurício Volpe, associado à Cooparaiso há mais de 40 anos, fez o empréstimo junto à cooperativa de sacaria. “Devo colher mil sacas de café. Fiz o empréstimo de 300, já estou economizado R$ 810,00 que vou aplicar depois na melhoria da lavoura”, contou o produtor. A saca usada está sendo comercializada, em média, por R$ 2,70 cada. A Cooparaiso em seu Plano de Safra fará o empréstimo gratuito de 150 mil saca-

rias e mais mil big bag’s, reduzindo assim, o custo da armazenagem do café. O produtor Paulo Victor Gomes diz que prevê colher este ano 500 sacas de café e estava na sede da cooperativa buscando informações sobre o empréstimo de sacarias. “Quero o empréstimo das 500 sacas, assim vou deixar de gastar com isso. Também quero saber como posso utilizar a colheitadeira que a Cooparaiso está oferecendo. Tudo isso ajuda muito ao produtor economi-

zar na hora da colheita, que é uma das fases mais caras da produção”, argumentou Paulo. Maurício Volpe concorda: “O maquinário com desconto na hora trabalhada é um grande ganho e também pretendo utilizá-lo. Tenho conversado com meus colegas produtores que assim poderemos reduzir custos significativamente”. O programa “Colheita Nota 10” continuará este ano, trabalhando com 14


19 de maio de 2012

Jornal do Sudoeste

3

beneficia produtores

cooperativa são alguns dos atrativos para os cooperados FOTO: Divulgação

colheitadeiras, sendo quatro recém adquiridas, uma em cada núcleo, com o custo hora/máquina subsidiado pela Cooparaiso, no valor de R$ 210, com R$ 30 de desconto, possibilitados através do programa de retorno do ICMS para os cooperados que dele participam, que também terão desconto de 20% no frete. O gerente do departamento técnico da Cooparaiso, Marcelo Almeida, diz que “a economia que o Plano de Safra pode oferecer, deve ser traduzida em maior qualidade do café. Por exemplo, se ele economizar R$ 1 mil com o empréstimo de sacaria, poderá aplicar em melhorias do terreiro ou na contratação de um terreireiro, que vai ajudar na secagem do grão e o produto terá maior qualidade”, compara.

Marcelo explica que, por exemplo, o custo da hora de uma colheitadeira está atualmente em R$ 210,00; se for colher 50 medidas, sairá pro R$ 4,20 a medida. “Mas se o produtor participar do programa de retorno de ICMS que a Cooparaiso oferece, no Plano de Safra ele pagará R$ 180,00 a hora da máquina. Se colher as mesmas 50 medidas, o preço final será de R$ 3,60, por medida e na colheita manual esse preço seria de R$ 10,00, ou seja, esse produtor fará uma economia de cerca de 50%”, finalizou o gerente. Superintendente da Cooparaiso - Paulo Sergio Elias fala aos cooperados as vatanges do plano de 2012-2013


4

Jornal do Sudoeste

19 de maio de 2012

Merenda escolar: união de pequenos Associação da Queimada Velha repassa cerca de Por Ralph Diniz

Cerca de 35 produtores rurais de São Sebastião do Paraíso que se dedicam à agricultura familiar receberam das mãos do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (Cmdrs) e da Associação dos Produtores Rurais da Queimada Velha quase R$ 290 mil na sexta-feira (11/05). O montante é referente à venda de produtos para a merenda escolar das escolas estaduais e municipais no ano de 2012. De acordo com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), desde 2010, as escolas públicas devem adquirir, no mínimo, 30% da merenda escolar dos pequenos produtores. Do valor arrecadado, R$ 124.919,69 são oriundos das instituições do estado e R$ 133.416,42 provenientes das escolas do município. O presidente do Cmdrs, Marco Aurélio Alves de Paula, declara que o programa foi um divisor de águas na vida daqueles que vivem da agricultura familiar. Ele afirma que, além de completar a renda dessas pessoas, o estímulo leva alimentos de melhor qualidade aos alunos e aquece a economia da cidade. Ele também explica que, em 2012, a venda direta de alimentos para as instituições públicas de ensino se deu graças à obtenção da DAP (Declaração

de Aptidão ao Pronaf) Jurídica pela associação rural, com apoio da Emater. Antes dessa conquista, cada produtor habilitado pelo Pronaf possuía uma DAP individual, que lhe permitia vender apenas R$ 9 mil por ano para as escolas. “No último biênio, eles venderam pouco e de forma individualizada. Neste ano, conseguimos fazer a comercialização em grupo, aumentando o poder de venda de cada produtor”. Após receber seu cheque, Rosane Gonçalves Ferreira Aguiar, da comunidade rural de Queimada Velha, relata que ela e sua família estão satisfeitos com os benefícios oferecidos e o aumento nos lu-

cros da propriedade. Atualmente, a agricultura familiar é responsável por 50% de seu rendimento total. “Com a associação, temos mais facilidades e conseguimos financiamentos do Pronaf. Também recebemos ajuda da Emater, que nos faz caminhar com mais facilidade”. Animada com o programa, a produtora pretende aumentar a produção nos próximos anos. Eduardo Scarano, representante do Departamento Municipal de Agricultura, sugere que os produtores comecem a trabalhar com a possibilidade de fornecer para o comércio local e, também, das ci-


19 de maio de 2012

5

Jornal do Sudoeste

produtores começa a gerar lucro R$ 290 mil oriundos das escolas públicas de Paraíso

dades vizinhas. O Vereador Henrique Matheus, que também é produtor rural, reforça a fala de Scarano: “Podem arriscar porque o aumento populacional vai requerer mais alimentos no mundo”. Nivaldo Milanezi, presidente da associação de produtores da Queimada Velha ressalta a importância do trabalho em conjunto dos agricultores, mas lembra que eles ainda encontram certas dificuldades para lidar com a novidade. “Esse sistema

faz com que a gente trabalhe de forma mais organizada, mas é muito trabalhoso. O produtor está contente, mas precisa se modelar. Nós vamos buscar ajudar para mudar essa mentalidade e continuáramos a crescer”. O Cmdrs, que tem seu trabalho reconhecido pelo governo estadual, afirma que vai oferecer toda assistência necessária para que os produtores se adéquem à DAP Jurídica o quanto antes. “O produtor é especi-

alista em produzir e não nas questões burocráticas, para isso existe a associação. Estamos fazendo um trabalho de conscientização com os produtores para saber que, em conjunto, eles têm muito mais força”, completa Marco Aurélio. Além do valor repassado na semana passada, os produtores devem arrecadar ainda mais com possíveis acréscimos na lista de produtos solicitados pelas escolas municipais.


6

Jornal do Sudoeste

19 de maio de 2012

Dimaq Cooparaiso oferece tecnologia para ampliar produtividade e renda na lavoura FOTOS: Divulgação

A Divisão de Máquinas (Dimaq) da Cooparaiso, além de ser concessionária da marca Valtra para uma ampla região, oferece aos cooperados um completo portfólio em maquinário agrícola e também, oficina, orientações técnicas, acessórios, peças e atendimento diferenciado. O momento atual da lavoura de café, o da colheita, é crucial para garantir a qualidade do produto e também é o mais dispendioso. É por isso que a mecanização tem sido cada vez mais incentivada e adotada. Produtores começam a perceber que mais tecnologia é a resposta para atender à demanda crescente, o que pode resultar em maior renda e é por isso também que, para o produtor de café esse serviço da Dimaq Cooparaiso e da concessionária Valtra são fundamentais, que resulta, principalmente, em economia e melhor desempenho no manejo de sua lavoura. O cooperado de Itamogi, Aparecido Benedito de Moraes, comprou no ano passado quatro derriçadeiras manuais. Para poder trabalhar com elas fez o curso do Senar, oferecido em parceria com a Cooparaiso e Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de São Sebastião do Paraíso (Acissp). “Primeiro comprei duas máquinas derriçadeiras e depois mais duas. Fiz o curso do Senar para aprender a trabalhar com o maquinário e ensinei meu pessoal a usar. O ideal é que todos eles façam o curso. Posso dizer que o ganho foi muito bom”, explica Aparecido. O produtor conta que desde o ano passado está economizando na hora de colher o café. “O desempenho dessas derriçadeiras é ótimo. Fiz uma economia de cerca de 40% na colheita do café, comparando com a colheita manual”, disse Aparecido. O cafeicultor Ernesto Gonçalves Neto adquiriu um trator Valtra cafeeiro-BF 75 e também diz que está muito satisfeito com o desempenho. Ele ressalta que as orientações que recebeu dos profissionais especializados que trabalham na concessionária da Cooparaiso foram decisivas para a sua escolha, bem como as in-

de toda a linha Valtra, e a inda a opção do consórcio, formando um conjunto de instrumentos de venda que possibilita o acesso de todos os níveis de produtores que buscam a mecanização. OUTRAS VANTAGENS

formações em como trabalhar com a máquina. “É econômico porque faz o trabalho em muito menor tempo. Ao final do dia temos um grande rendimento com baixo custo”, compara. O gerente geral da Embrapa Café, Gabriel Ferreira Bartholo, diz que o emprego de tecnologia e maquinário na lavoura de café é essencial para obter

mais economia: “Cerca de 84% da cafeicultura é constituída de agricultores familiares e essas famílias, com a adoção de tecnologia, podem saltar de 10 a 12 sacas por hectares para 20 sacas por hectares, explica. No caso dos tratores além de poder adquiri à vista, existem ainda linhas especiais para o financiamento

O emprego de tratores e derriçadeiras nas lavouras de café representa não só um ganho econômico para os produtores, como também um ganho social em relação aos trabalhadores rurais. Para se adaptar aos novos tempos, tais trabalhadores estão buscando aprender a lidar com essas máquinas, transformando-os em mãode-obra especializada, o que faz com que eles ofereçam um serviço diferenciado. Essa é uma porta aberta para que se tornem micro empreendedores rurais, com direitos trabalhistas garantidos e dando-lhes a chance de serem proprietários de um negócio. Além disso, as máquinas permitem maior produção em menor tempo, o que dá ao trabalhador maior rendimento. Noutra ponta, o produtor estará economizando, além de ter qualidade em serviços.


7

Jornal do Sudoeste

19 de maio de 2012

AGRONEGÓCIO BRASILEIRO A versatilidade e a capacidade de superação do agronegócio brasileiro impressionam até mesmo os mais céticos dos economistas. Esse comportamento pode ser observado em 2009 onde a queda do PIB do agronegócio atingiu cerca de 5,5% em função da crise mundial e a incrível recuperação em 2010, onde saltou para 7%. Adiciona-se a isso, que em 2011, o PIB do agronegócio brasileiro cresceu 6,12%, totalizando R$ 822,9 bilhões, representando 1/3 do PIB nacional e proporcionando cerca de 35 % dos postos de trabalhos da economia nacional. Situação essa que coloca o Brasil em posição de destaque frente ao mundo, na questão de produção de alimentos. Dentro desse contexto, a diversidade de produção de produtos agropecuários associado a uma heterogeneidade de produtores, torna a agricultura brasileira imbatível nos dias atuais, pela sua versatilidade, variedade e capacidade de superação, muitas vezes associada à falta de políticas corretas voltadas ao setor. Esse merecido destaque das atividades ligadas ao agronegócio, tem fomentado iniciativas em nível econômico, tecnológico, político e social que permeia todas as regiões do país. Destaque esse advindo da importância que a produção de alimentos em quantidade e qualidade ocupa em qualquer grupo social.

Nesse aspecto, a safra brasileira de 2010/ 2011, apresentou um aumento de 10% em relação à safra anterior. No Estado de Minas Gerais, o Valor Bruto da Produção da agricultura em 2011, alcançou R$ 21,8 bilhões, onde café responde sozinho por 51,4% do VBP mineiro e sua participação contribui expressivamente para a receita agrícola do Estado. Para 2012 é esperado que o Valor Bruto da Produção (VBP) ultrapasse os 215 bilhões de reais com destaque para o café, batata inglesa, tomate e cana-deaçúcar. Esses resultados expressivos acontecem, em boa parte, pela conjuntura econômica favorável, bem como pelo crescente aporte de novas tecnologias nos seus diversos níveis, caracterizando o constante processo inovativo como mecanismo de desenvolvimento sustentável da agricultura e pecuária brasileira. Para esse novo ciclo produtivo, ou seja, a safra 2011/2012, percebe-se uma ampliação de políticas públicas, notadamente o crédito rural, bem como os mecanismos de apoio à comercialização e gestão de riscos. Os recursos aportados para esse novo ciclo deve ficar na ordem de: R$ 107,2 bilhões. Um aumento de 7,2%em relação à safra anterior. Parte desses recursos será destinada para operações de custeio, investimento, comercialização e

subvenção ao prêmio do seguro rural. Novos destaques são medidas de apoio à pecuária, cana-de-açúcar e agroenergia, além da estocagem de suco de laranja. Outros pontos relevantes que vão estar presente nas questões relacionadas ao agronegócio são as ações referentes ao uso de tecnologias direcionadas à sustentabilidade da produção agropecuária,consolidando o Programa de Agricultura de Baixo Carbono (Programa ABC) que concederá incentivos ao produtor que adotar boas práticas agrícolas com objetivo de minimizar a emissão de gases de efeito estufa. Portanto criando mecanismos para ampliar a competitividade do setor, aprofundando os avanços tecnológicos nas áreas de sistemas produtivos sustentáveis, microbiologia do sistema solo-planta e recuperação de áreas degradadas. Nas questões relacionadas ao meio ambiente a agricultura vai contribuir para a preservação do meio ambiente, seja por meio do sequestro de carbono, pelo desenvolvimento vegetal ou pela redução do desmatamento. Outros pontos como, biotecnologias para pequenos agricultores, produzir mais em espaços menores, transporte, industrialização rural e rastreabilidade no varejo são pontos de destaque no futuro do agronegócio brasileiro.

Pelo mencionado percebe-se a complexidade de interações que existem no agronegócio, e os inúmeros mecanismos de geração de valor e de distribuição desse valor entre os agentes desse “grande sistema complexo”. Assim novas situações surgem e/ou as existentes são aprimoradas. Essas novas abordagens criam demandas de novos profissionais no mercado dentre eles gestores capacitados e entendedores dessas complexas relações. Baseado nesse princípio, o curso de Técnico em Agronegócio do Centro de Educação Profissional do Sudoeste Mineiro (CEDUC/ FECOM), oferece um curso com uma matriz curricular atraente e inovativa, que visa atender as demandas do mercado regional e nacional de gestores agropecuários. A abordagem metodológica durante todo o curso, objetiva formar profissionais capacitados a lidar com situações reais e também entender de forma crítica e racional as interações no ambiente agropecuário, não só dentro da propriedade rural, mas também entre os diversos agentes envolvidos. PROFESSOR DOUTOR DARLAN EINSTEIN DO LIVRAMENTO Professor do CEDUC e da Libertas – FACULDADES INTEGRADAS


8

Jornal do Sudoeste

Café Arabica, parece que quanto mais quente melhor J.B. MATIELLO Eng Agr Mapa e Fundação Procafé

Os fatores climáticos que influenciam no processo de crescimento e produção do cafeeiro são, principalmente, a temperatura e as chuvas. As temperaturas consideradas, teoricamente, ótimas para o crescimento do cafeeiro são de cerca de 23ºC durante o dia e 17ºC à noite, sendo que a máxima fotossíntese ocorre a uma temperatura de 24ºC, havendo um decréscimo de 10% no processo, com o aumento de cada grau da temperatura acima. Assim, a 34ºC a fotossíntese é nula. Diante destes parâmetros, determinados em condições de estufa, resta a pergunta- Por que em áreas quentes se está produzindo muito café arábica. Parece que, como o cafezinho que tomamos, quanto mais quente melhor para produzi-lo. A resposta está no seguinte- As condições de temperatura aqui citadas, como níveis registrados no macro-ambiente, não se aplicam, na mesma intensidade, dentro do cafezal, pois ali se diferenciam de acordo com as condições topo e micro climáticas. Enquanto a temperatura pode estar maior no topo e na parte externa das plantas ela estará bem menor na saia e no interior das plantas. Os estudos de zoneamento dizem que regiões aptas às variedades arabica devem ter temperatura média de 19-22º C, sabendo-se que nas regiões com temperaturas médias anuais superiores a 22-23ºC é comum ocorrer problemas de abortamento das flores e formação de estrelinhas. No entanto, este problema não tem estado presente em sistemas de cultivo de alta tecnologia, com irrigação, conforme tem sido demonstrado em ensaios e em extensas plantações de café arabica atualmente cultivadas em regiões mais quentes, antes consideradas aptas apenas para o café robusta. Na condição de altas temperaturas, o ano todo, os cafeeiros arabica respondem rapidamente aos tratos, crescem continuadamente, resultando em altos níveis de produtividade. Veja-se o exemplo de produtividade em cafezais conduzidos em Pirapora, com temperatura média anual de 24,3º C, a 520 m de altitude, onde na média de 8 primeiras safras foi obtida uma produtividade de mais de 60 sacas por ha. Em função desses bons resultados de produtividade em zonas quentes é possível oncluir que o abortamento floral ocorre devido aos botões florais amadurecerem rapidamente e, deste modo, estariam aptos

Reprodução

Formação de flores anormais, tipo estrelinhas, em ramo de cafeeiro catuai, em região quente, sem stress hídrico e alta produtividade em cafeeiros da cultivar Catucai amarelo 24-137, sob irrigação, em Pirapora-MG, em condições de ta média superior a 24º C

a abrirem em flores mais cedo. Então, com um diferencial hídrico adequado, que se promove através de stress seguido de retomada de irrigação mais cedo, não ocorrem problemas de pegamento da florada. Deste modo, conduzindo com irrigação e tratos adequados , pode-se, com segurança, cultivar variedades apropriadas de café arábica em climas mais quentes, observações estas que concordam com o que ocorreu no passado, em zonas baixas e quentes dos Estados do Espírito Santo e Rondônia. Na época, com solos de mata e períodos mais chuvosos, toda a produção nessas regiões era de cafés arabica. Somente o município de Colatina-ES, a 150m de altitude e com temperatura média de 23,6ºC, chegou a produzir 1,5 milhão de sacas de café arábica (na época Bourbon) nas décadas de 1950-60. Deve-se considerar que em regiões mais quentes a evapo-transpiração aumenta e também a exigência de água na irrigação é maior. É preciso aumentar a dose de adubo nitrogenado na adubação, ter cuidados com a escaldadura, com bicho-mineiro, com ácaros e com a cercosporiose e os ciclos de poda devem ser mais curtos, a intervalos menores, já que as plantas crescem mais e, também, produzem mais. O efeito de temperaturas altas sobre o cafeeiro foi aqui destacado, mesmo por que, com o fenômeno do aquecimento global, é previsto o aumento das temperaturas e os estudos de zoneamento estão prevendo o deslocamento da cafeicultura, especialmente a de café arábica, mais para o Sul do país e, até, para países vizinhos.

19 de maio de 2012


19 de maio de 2012

Jornal do Sudoeste

9


10

Jornal do Sudoeste

19 de maio de 2012

Expectativa de bons resultados leva Por Ralph Diniz

Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso começam a cuidar dos últimos preparativos para o início da colheita da safra 2011/2012, que deve acontecer nos próximos dias. Mesmo com a queda no preço da saca nos últimos meses, os produtores se mostram esperançosos com a alta produtividade de suas lavouras e continuam investindo na mecanização e na estrutura das propriedades. Antonio Adolfo de Souza, proprietário da Fazenda Machados, localizada no bairro Nossa Senhora das Mercês, espera colher 2 mil sacas de café durante os próximos três meses. Destas, cerca de 60% deverão ser apanhadas de forma mecanizada. Segundo ele, essa opção lhe renderá cerca de 40% de economia. Além da economia, o agricultor declara que encontrar mão de obra qualificada está cada vez mais complicado, mesmo assim, afirma que contratará cerca de 20 apanhadores, todos oriundos do norte de Minas Gerais. “Hoje, mexer com gente está cada vez mais complicado. Já fizemos algumas mudanças no pessoal. Os que vieram no ano passado não vêm neste ano, pois o serviço deles não me agradou”. Ele discorda dos comentários de que as máquinas seriam responsáveis pela extinção da profissão de apanhador de café. “O pessoal fala isso, mas não é verdade. Se não fossem as máquinas, nós não daríamos conta de fazer a colheita em todas as lavouras da região.

Mecanização da colheita e certificações garantem maiores lucros e benefícios ao produtor Nelson P. Duarte

Antonio Adolfo de Souza, proprietário da Fazenda Machados

Elas vieram para nos ajudar a aproveitar melhor o produto, pois não conseguimos mais coletar só de forma manual”. Antonio Adolfo tem 170 mil pés de café espalhados em uma área de 45 hectares. Desses, 130 mil estão produzindo.

A topografia da Fazenda Machados possibilita que a colheita mecanizada atue em quase toda propriedade, no entanto, o cafeicultor diz que prefere usar os recursos humanos para a lida com os pés que produzem pela primei-

ra vez. Mas avisa: “A tendência é diminuir cada vez mais”. O PREÇO DO CAFÉ Nos últimos meses de 2011 e nos primeiros dias deste ano, a saca do café chegou a ultrapassar a casa dos R$500.


19 de maio de 2012

11

Jornal do Sudoeste

cafeicultor a investir na propriedade Animados com a valorização da commoditie, os agricultores acreditavam que esses números aumentassem ainda mais, já que toda a produção estava aquém da demanda mundial. Entretanto, um duro golpe atingiu os proprietários das lavouras: a queda dos preços foi de quase 30%. Antonio afirma que o governo é um dos culpados por essa realidade. Ele se lembra dos tempos em que um sistema regulador de estocagem amparava e dava tranquilidade aos cafeicultores nos momentos de baixa. “Acho não dão muita bola para a agricultura como antigamente. Tem dias que a bolsa oscila mil pontos em um dia. Tivemos café a R$ 530 e ele caiu para R$ 360. Esses dias que ele voltou para a casa dos R$ 400”, lamen-

ta. Mesmo com o atual momento, o produtor crê que, a partir de outubro, o mercado cafeeiro se aqueça novamente e atinja aquele patamar que recuperou as finanças de muitas fazendas. Por isso, nos próximos meses, deverá vender apenas uma parte de sua safra para quitar algumas contas e adquirir insumos para o ano seguinte. O restante da produção ficará estocado até que a oferta do produto no mercado diminua. INVESTIMENTOS E CERTIFICAÇÃO DA PROPRIEDADE Com o objetivo de melhorar a qualidade de seu produto e conseguir melhores preços, Antonio Adolfo não mede esforços e melhora sua propriedade.

Novas máquinas e a construção de um mais um terreiro para a secagem do café, com 2.500 metros quadrados, custaram ao produtor cerca de R$230 mil. Auxiliado pela filha, engenheira agrônoma da Cooparaíso, o cafeicultor participa do Certifica Minas, programa estruturador do Governo de Minas executado pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e pela EmaterMG. Uma de suas ações é o programa de Certificação de Propriedades Cafeeiras, que tem por objetivo atestar a conformidade das propriedades produtoras com as exigências do comércio mundial, que possibilita ao café mineiro consolidar e conquistar novos mercados. As orientações para adequações das propriedades são feitas

pela Emater-MG, enquanto as auditorias preliminares para checar as adequações de acordo com os padrões internacionais são realizadas pelo IMA. Mesmo não tendo ainda nenhum retorno financeiro pela certificação estadual, Antonio conta que o programa foi um divisor de águas em sua atividade. O resultado pode ser visto na organização de sua fazenda. “Você sabe quanto custaram as sacas, quais talhões dão prejuízo e quais dão lucro. Isso é muito bom. Nos dá trabalho, mas vale a pena”, completa. Satisfeito com os resultados, o proprietário da Fazenda Machado diz que vai continuar investindo em melhorias para obter novas certificações.


12

Jornal do Sudoeste

19 de maio de 2012

Produtor inicia colheita do café e deve planejar melhor momento da venda

O coordenador do departamento de Café da cooperativa, Gilson Aloíse de Souza

Em tempos de volatilidade dos preços de café o produtor pode ter dúvidas sobre qual é o melhor momento para vender o seu café, obtendo maior rentabilidade. Para isso, a Cooparaiso mantém profissionais especializados para fornecer orientações sobre qual o momento certo e a melhor maneira para comercializar o produto, incluindo opções de comercializações, como a modalidade de trava futura. O coordenador do departamento de Café da cooperativa, Gilson Aloíse de Souza, diz que “para o produtor vender café na colheita depende do seu custo de produção e de sua capitalização. É com base nisso que ele paga suas dívidas e define sua margem de lucro. O melhor é poder fazer fluxo de caixa”, ressalta o especialista. Gilson diz que a principal recomendação é de que o produtor conheça seu custo de produção. “O produtor sabe o quanto isso é importante. Ele deve fazer seu custeio com margem, o mais indicado é vender aos poucos e realizar algumas travas”, diz. Segundo Gilson, ainda é difícil determinar como será comportamento do mercado

quando finalizar a colheita, que deve ser em meados de setembro. Tudo indica que o equilíbrio entre demanda e oferta que vemos hoje continuará, mesmo com a entrada dessa safra. Isso pode mudar se o estoque que está na mão do produtor passe para a mão do torrador, o que seria o pior cenário. “O melhor cenário seria a permanência deste estoque na origem e que ele permanecesse até chegar 2013, quando saberemos a tendência da safra 2013/ 2014”, disse. Nesse aspecto lideranças do setor cafeeiro trabalham para que o governo federal adote em caráter de urgência, medidas para a safra 2013 para evitar prejuízos letais para o produtor, entre as quais, defendem um programa de opções de até 5 milhões de sacas como forma de ordenar a próxima safra. Gilson diz que outro fator que não afetou diretamente as quedas no preço é o consumo. “O café não é um produto que foi afetado na cesta do consumidor internacional, nem do nacional”, finaliza. (Heloisa Aguieiras - Coffee Break)


19 de maio de 2012

Jornal do Sudoeste

13


14

Jornal do Sudoeste

19 de maio de 2012

Somassey presente na Agrishow 2012 A Somassey marcou presença mais uma vez na Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação – Agrishow, realizada em Ribeirão Pre-

to (SP), entre 30 de abril a 04 de maio. Com estrutura de atendimento montada dentro do estande da Massey Ferguson, a Somassey superou o vo-

Novo Trator MF4290, agora com 95 CV e motor turbo

Colhedora de Café Jacto K3 Millennium opção do leque de produtos distribuídos pela Somassey

Linha de Implementos Massey Ferguson

Stand da Somassey Equipe de Vendas com atendimento diferenciado

lume de negócios fechados em 2011, com um crescimento aproximado de 150%, reafirmando a força e a liderança de mercado da marca Massey Ferguson, além do enorme volume de vendas de implementos agrícolas. Dentre os destaques desta edição da feira, estão alguns lançamentos que a marca trouxe para o ano de 2012, como a nova série MF8600 dos Trato-

Grande público presente no stand da Massey Ferguson

res Grandes de 320 e 370 CV e as Colheitadeiras Axiais MF9690 e MF9790, que com o rotor mais longo do mercado proporcionam economia de combustível e menor índice de perda de grãos. Destaque também para a nova versão do trator MF4290, agora com 95 CV de potência e motor turbo. Grande público compareceu ao estande para conferir de perto as novidades e os já tradicionais equipamentos Massey Ferguson, como a consagrada linha de tratores MF4200 Agrícola (de 65 a 130 CV), a linha MF4200 Compacto (de 65 a 85 CV) e a linha MF7000 Dyna 6 (de 150 a 215 CV). Presentes também a linha completa de colheitadeiras de grãos, o pulverizador automotriz MF9030 e a linha de implementos agrícolas, desde plantadeiras e adubadeiras até plainas dianteiras. A Somassey também marcou presença nos estandes da Jacto, onde tem a representação das Colhedoras de Café, e da Dragão Sol, marca também representada pela empresa. Confira algumas imagens captadas durante a 19ª Agrishow:


19 de maio de 2012

Jornal do Sudoeste

15


16

Jornal do Sudoeste

19 de maio de 2012


/1337517512