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9 de Março de 2013 edição 661

Jovem atleta paraisense é convocada para a seleção brasileira de Kung Fu

Por Ralph Diniz

A atleta paraisense Raquel Mafra foi aprovada nos treinamentos seletivos organizados pela CBKW (Confederação Brasileira de Kung Fu/ Wushu) na última semana e vai integrar a seleção brasi-

leira da modalidade nas próximas competições internacionais. A jovem de 17 anos é tida pelos especialistas como uma das principais promessas das artes marciais do país. No evento realizado em Campinas, ela e seu treinador, o mestre Márcio Zaqueu, fo-

ram certificados com o diploma do curso de Taurus, modalidade que deverá ser olímpica nos próximos anos. Com isso, os dois são os únicos técnicos habilitados a ministrar aulas em Minas Gerais. Zaqueu exalta o talento da aluna: “Saber que uma aluna

de 17 anos chega nesse nível é um motivo de alegria. Ela tem altíssimo rendimento e é perfeicionista dentro daquilo que desenvolve. Isso caiu bem aos olhos do Sakanaka, que viu seu potencial. Acredito que estará no cenário mundial dentro de um ou dois anos”, aposta. Devido ao alto rendimento nos treinamentos, a dupla foi convidada pelo diretor da CBKW, Paulo Sakanaka, a particpar de um outro curso, dessa vez ministrado por uma

equipe chinesa. As aulas serão realizadas na Unicamp no próximo mês. De acordo com Zaqueu, os resultados obtidos referenciam, mais uma vez, Paraíso como um pólo do Kung Fu/Wushu nacional. “Isso é fruto de um trabalho desenvolvido há 13

anos”, comenta. O mestre também celebra o convite feito por Sakanaka. “Além de nos apresentarmos com a nata do esporte, vamos ter contato direto com a China e isso é muito importante para o desenvolvimento do Kung Fu paraisense”, conclui.


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São Sebastião do Paraíso-MG e Região 9 de Março de 2013

“Hoje, é gostoso ser mulher” Lizete Martins dos Santos é coordenadora municipal dos programas que envolvem a saúde da mulher, área pela qual se diz apaixonada. Participa também do grupo que promove a Semana da Consciência Negra e realiza um importante trabalho voluntário de evangelização na Comunidade Divino Espírito Santo. Aos 50 anos, a esposa de João Bento, mãe de Luiz Fernando, avó de Gabriel e Helena, reconhece a multiplicidade da mulher na sociedade atual e admite: hoje em dia, é bom ser mulher. Atualmente, há novas e múltiplas formas de estrutura familiar. Como é a sua? Minha mãe mora comigo e meu filho me deu um presente o meu netinho Gabriel, que também mora comigo. Meu filho separouse, casou novamente, vive com sua esposa e já tem minha neta, que mora com eles. Eu tenho meu marido, que me ajuda. Somos três famílias por conta do neto, na realidade: a mãe já tem outro lar com outra pessoa, e tem outro filho, que é irmãozinho do Gabriel. Há meu filho, que tem esse novo lar, também. E eu tenho meu lar. No mundo de hoje, os valores culturais da família toda certinha, na sequência “casa, cria filho e tem neto que vem só para visitar” mudaram. Hoje é diferente, há muitas famílias em igual situação, é outro recomeço. Você enxerga como um novo caminho na história das relações humanas?

onde coordena no município os programas do Governo Federal na área da saúde da mulher. Como você chegou profissionalmente até este posto?

Achamos que por Paraíso fazer aniversário em outubro, facilitava a divulgação do evento, que foi bem aceito pela comunidade. Por isso, achamos que devíamos dar continuidade.

Eu sempre trabalhei em empresas privadas, em vários escritórios. Depois, trabalhei como agente de saúde. Surgiu a oportunidade de prestar o concurso. Fui convocada e tive a sorte de entrar na regulação, onde de certa maneira tem-se uma visão de todo o movimento da Saúde. Tive a oportunidade de ser coordenadora do faturamento. Nessa caminhada, fui depois para a parte administrativa da secretaria. Vim para cá em 2011. A Vigilância está passando por uma modificação, um fortalecimento que exige todas as informações centradas para a estatística. Nos programas que estão comigo, as informações são processadas para gerar indicadores. Na realidade, a secretaria viu essa minha possibilidade em trabalhar com portarias, programas novos, instalar e fazer o programa funcionar.

Aqui em Paraíso a campanha foi um pouco além do tema central, que é o câncer de mama. O Outubro Rosa é direcionado ao Câncer de Mama, mas aqui em Paraíso nós incrementamos. Aproveitamos a divulgação da mamografia, para falar também da importância da realização do exame Papanicolau. No ano passado, inovamos ainda mais, incluímos as DST´s, as doenças sexualmente transmissíveis, que acabam influenciando em toda a saúde da mulher. Abrimos ainda mais o leque, porque então se busca as mulheres em situação prisional e aquela mulher que se prostitui, que também está mais propensa. Acabamos tratando a mulher num todo, e trabalhando então na promoção da saúde. Acho muito interessante, trabalho nessa área e sou apaixonada pela Saúde. Acho que esse é o ponto para fazer um trabalho legal. Vamos aumentando a margem de trabalho e vamos fazendo mais parcerias. Precisa-se da atenção primária, que são as Unidades de Saúde, precisa das enfermeiras, das agentes de saúde, precisamos dos agentes da dengue, que batem em todas as casas e ajudam a divulgar, busca-se também o laboratório de infectolo-gia. E assim vamos buscando mais promoção de saúde.

vários fatores. Por exemplo, o trabalho. A maioria das mulheres trabalha, a própria catequese hoje é vista mais como um diploQuais são os programas ma. A igreja mudou muito e para a mulher de destao padre não tem mais que atualmente? aquele poder de persuasão. Mas a população preNo ano passado, o municícisa do espiritual, pois ninpio fez a adesão à Rede guém navega no mundo se Cegonha, que acompanha não tiver bem espirituala mulher desde o pré-namente. E o que é que acontal até os dois anos da critece? A igreja, vendo isso, ança. Isso dá uma estabiliresolveu: vamos fazer a dade para a mulher em reigreja nas casas. Vamos lação a sua gestação. Esse levar o missionário para a programa da Rede Cegocasa. Então, surge esse nha é o SisPrénatal, há o grupo de reflexão, já há alSisVan, onde se acompagum tempo. São pessoas nha a nutrição, o peso da que se juntam em alguma criança e da gestante, e há também o SisColo e Sis Você coordena também casa, seguimos um roteiro Mama, que acompanha a um grupo de reflexão. de um livrinho e fazemos o estudo. Então, é a igreja mulher na parte de oncolo- Como é esse trabalho? nas casas. De certa magia. Nós acompanhamos as mulheres que têm seus Comecei a fazer um traba- neira, é a mesma atitude exames de mama e de colo lho de catequista na Comu- dos agentes de saúde. A de útero alterados. Coloca- nidade Divino Espírito San- saúde na casa e a igreja na mos o Estado e a Federa- to. Como sou muito pró-ati- casa. Traz o evangelho ção informados, de acordo va com relação ao traba- para dentro da realidade. com esses programas. lho voluntário, acabei tor- E volta para aquilo que já nando-me coordenadora falamos: dentro das casas Você tem uma participa- na comunidade, e fazía- percebemos que tem mãe, ção efetiva na campanha mos um trabalho na Cape- neto, madrasta, e tal. Nis“Outubro Rosa”. O que é la Divino Espírito Santo, na so, a igreja, principalmenesta campanha e como Santa Maria. Nesse traba- te a católica, com sua esfoi desenvolvida no mu- lho, a igreja pede muita trutura, encontra uma macapacitação. Percebe-se neira de chegar naquele Como era sua família nicípio? quando você era crianque é a mesma dimensão católico que vive essa situação. Porque a pessoa ça? Quais são suas lem- O Outubro Rosa veio den- do tranão pode ser excluída. branças? É uma maneira de a rta ce De s. sa ca s na igreja levar essa miseMinha família é da Vila “Então, é a igreja de tes en ag s do ricórdia de inclusão, Mariana, daquele pedaa mesma atitude é , ira ne . ma sa ca dentro de seus preceiço onde hoje é a entrasa e a igreja na ca na e úd sa A e. levar essa palavra. da do Gedor Silveira. saúd da realidade. tos, ro nt de ra pa É uma maneira de a Fui criada com os avós, lho evange o az ro Tr nt igreja estar dentro datambém. É interessante que já falamos: de E volta para aquilo como a história se repemãe, neto, quela casa, sem forçar tem e qu s mo be rce a doutrina, te. Era a Dona Benedita das casas pe , a igreja, e o Seo Arthur. Meu avô madrasta, e tal. Nisso a, com sua Você também tem era muito conhecido, tólic porque fazia jogo de biprincipalmente a ca egar participação ativa no ch de ira ne ma a um grupo que organiza cho. Ele era um negro estrutura, encontra a Semana da Conscimuito apessoado, e mie vive essa situação. ência Negra. Ainda é naquele católico qu nha avó era muito siste.” ída clu ex r se de po difícil ser negra no mática, não era de muita rque a pessoa não Po Brasil? conversa. Minha mãe, balho do agente de saúMaria Conceição, é enfermeira aposentada e traba- tro desta questão do de. A mesma formação O preconceito hoje é velalhou vinte e cinco anos na SisColo e SisMama. Quan- para ser coordenador de do. Nas oportunidades que Santa Casa, mais na ma- do há resultado alterado comunidade, há dentro do nós temos, nossa cor cheternidade. Então, há mui- nos exames, nós precisa- setor público também. Es- ga primeiro. Não é o intetas mulheres que ainda mos enviar para Passos, tou coordenando este se- lecto que é visto, mas a cor. lembram: ah, Dona Concei- pois hoje a referência para tor de programas, mas re- Percebo que quando um ção foi quem me ajudou no o tratamento oncológico da cebo capacitação constan- subordinado é apresentaparto. Estudei no Coronel mulher na região é o Hos- te. Existe uma linha de tra- do a uma pessoa negra José Cândido. Graças a pital do Câncer de Passos. balho para trabalhar na Deus, tenho um histórico Para se adequar à deman- igreja que segue uma asde escolas legais. Estudei da, o HRC organizou um censão, gradual, você vai no Coronel e terminei no programa que se chama sendo capacitada. Clóvis Salgado, onde fiz Buscando Vidas. No comeContabilidade, na época ço do ano, os secretários Você faz um paralelo enem que chamavam de “In- assinam um termo de com- tre os dois trabalhos? promisso com o hospital em dustrial”. Passos, para cumprir cer- Como agente de saúde, Você voltou a estudar tas ações de manutenção trabalhamos nas casas. deste trabalho, tanto com Hoje, o governo quer que mais tarde? relação ao hospital como o doente saia do Pronto SoAgora, por conta das ativi- ao município. Dentro des- corro, do ambulatório, da dades, voltei a fazer facul- tas ações, está caminhada Santa Casa, e vá para a dade de Ciências Contá- e uma palestra para des- Unidade de Saúde para beis, que estava fazendo pertar as mulheres do mu- promover sua saúde. Traalguns anos atrás. Parei nicípio com relação a este tar enquanto ainda está devido à dedicação à famí- problema do câncer de saudável. Na igreja aconlia, neto, e tal. Estou encer- mama e seus altos indica- tece a mesma coisa. Hoje, rando neste ano, se Deus dores. Na época, quando um padre não consegue voltamos de Passos, vimos mais colocar todos os caquiser. que já existia o Outubro tólicos dentro da igreja Você exerce um cargo Rosa, realizado pela Avon. para uma missa, devido a É um novo caminho. Vou até citar um caso que aconteceu com meu neto, que acabou influenciando no modo educativo da escola. Nas datas comemorativas de Dia das Mães e Dia dos Pais, ele sempre arruma confusão na escola, pois não tem a presença da família. A mãe trabalha, meu filho também trabalha fora e viaja, nunca coincide de estar na festa. No ano passado, a escola pediu que a criança fosse com a camisa do pai. Ele já estava usando o cabelo do Neymar como rebeldia, e revoltou-se ainda mais com a proximidade do Dia dos Pais. Eu fui à escola e expliquei para a diretora: acho que hoje não dá para fazer esse tipo de evento com a família certinha, pai e mãe. A avó também não é mais aquela que fica em casa fazendo tricô, ela trabalha também. Falei que talvez fosse hora de mudar. Neste ano, a escola já avisou que não haverá Dia de Pai ou Mãe, haverá evento de família.

por Cristiane Maria Bindewald

como chefe, há uma reação na expressão que não se vê quando é apresentada a uma pessoa branca. A pessoa não vai colocar que sente esse incômodo, vai falar do gênio, vai dar outro adjetivo para a rejeição que sente. Mas na realidade a pessoa sentirá que é devido à cor. Eu até tenho um nível de estudo melhorzinho, mas imagina a situação de quem o nível de escolaridade é menor, a situação financeira é menor. Em uma oportunidade de emprego, não é realmente pensado primeiro em sua capacidade, mas naquilo que se vê, mesmo. Comemoramos no dia 08 de março o Dia Internacional da Mulher. Como você analisa a situação da mulher moderna, diante das demandas da sociedade atual? É fácil ser mulher hoje em dia? Em primeiro lugar, fácil não é, não. Você tem várias mulheres dentro de uma só. Não é fácil, porque o tempo hoje acaba te roubando coisas. Não se tem muito tempo para si mesma. O próprio tempo não te dá tempo para você ser tudo isso. Você tem que ser isso a todo momento. Porque se você pudesse dizer: tal hora, eu vou ser tal mulher, mas não é assim. Você está no trabalho e seu marido, ou teu filho, te liga por causa de coisas particulares. Nesse momento, você está em seu trabalho, e tem que estar bonita, produzida. Você é essas mulheres todas, no todo, o dia todo. Não é fácil. Mas, ao mesmo tempo, acho que a mulher já tem essa tendência. Hoje, ocupa cargos que ninguém

imaginava, como servente de pedreiro, piloto de avião, motorista de carreira. A mulher é como um camaleão, tem essa facilidade de se adaptar as situações, o que não acontece com o homem. Nesse sentido, apesar da questão do tempo, fica mais fácil, porque isso é inerente a nossa condição de mulher. Já foi comprovado que conseguimos fazer muitas ações ao mesmo tempo. Acho um ganho da mulher brasileira, americana, porque temos uma cultura que nos dá a abertura para ser esta mulher. O que não acontece com as muçulmanas, por exemplo. E hoje a mulher faz a opção se quer ser, ou não, essa multimulher. Hoje, você fala não para o marido. Não há mais a desculpa da dor de cabeça, você fala não, quando não quer. Porque você precisa estar disposta, e ele tem que entender isso. A mulher aprendeu a falar não. Ela é multifuncional, mas sabe falar não. Ela é muito independente, e essa independência, dentro do difícil, acaba se tornando fácil e até prazeroso. Digo como mulher que para mim é prazeroso eu ter o meu trabalho, o meu horário, levantar mais cedo para tomar um banho e passar meus cremes, isso é prazer meu. De primeiro, havia a questão de fazer para os outros. Hoje não, o dia que você não quer, fala: vou de chinelo. Mas a questão é dar prazer para você mesma. A mulher de hoje é mais independente, ela se da a oportunidade de dizer não, para ela e para o outro. Nós mulheres chegamos a um ponto em que é bom ser mulher. Hoje, é gostoso ser mulher.


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São Sebastião do Paraíso-MG e Região 9 de Março de 2013

EM DEFESA DA POESIA (*) Ely Vieitez Lisboa

Muitas vezes já surgiram questionamentos sobre os gêneros literários, por que grandes editoras preferem o romance ao conto, para publicação e dificilmente editam poemas. Poesia vende pouco? Hoje estaria diminuindo o interesse pela poesia? Como estimular nos leitores, principalmente nos jovens, o gosto pela leitura de poemas? É muito raro surgir um consenso sobre tais dúvidas. Na realidade, o problema é muito mais amplo e algo globalizado. Detectar causas, encontrar soluções é meio utópico. Seria necessário um estudo mais cuidadoso. Hoje, com a televisão, a cibernética, a era da comunicação direta e objetiva, parece não haver mais lugar para a POESIA (em todos os sentidos; falamos, no entanto, aqui, de Poesia escrita). Assim devem pensar os editores, grandes empresários, que poesia não é comerciável, não vende bem, daí a enorme dificuldade de se publicar um livro de poemas. O problema não é novo. Carlos Drummond de Andrade publicou seu primeiro livro, “Alguma Poesia”, em 1930, com edição facilitada pela Imprensa Oficial do Estado, mediante desconto na folha de vencimentos do funcionário... Em 1934,

publica “Brejo das Almas” (200 exemplares) pela Cooperativa “Os Amigos do Livro” e em 1940, “Sentimento do Mundo” (150 exemplares, que são distribuídos entre os amigos). Somente em 1942, quando o poeta tem quarenta anos é que se dá o aparecimento de “Poesias”, pela Editora José Olympio, a primeira a custear a publicação dos seus livros. O mesmo aconteceu a vários poetas famosos, como Manuel Bandeira, que também pagou pela edição do seu primeiro livro “A Cinza das Horas”. O problema se arrasta até hoje, mas os poetas, como criaturas vocacionadas e renitentes, teimam em ofertar aos homens seu mundo mágico, captando belezas que só eles podem perceber, acordando sensibilidades, indo além da superfície das coisas. Não existe quem não goste de poemas. Há os que não os entendem, não foram iniciados ainda, dormem o sono letárgico, mergulhados no materialismo das coisas práticas, dos interesses econômicos, do trivial, do terra-a-terra, Sancho Pança que são. O poema é escrito em linguagem conotativa, figurada e ele diz sempre muito mais do que o significado primeiro. É uma plumagem nova das pala-

vras, um enfoque mais metafísico, mais profundo. Tomemos alguns versos de Drummond, do poema “Rola Mundo”, no livro “A Rosa do Povo” (1943-1945): “Como vencer o oceano se é livre a navegação mas proibido fazer barcos?” Uma possível interpretação é: como o homem pode vencer as grandes e abissais dificuldades da vida, concretizar sonhos, se, aparentemente, ele é livre, no entanto, todas as leis da sociedade e o superego o tolhem, o prendem? É o grande paradoxo. A realização completa não existe. Sua liberdade é uma falácia. Os poetas inventam saídas: criam Pasárgadas, poemas que realizam a catarse deles e de todos os que os leem. Assim, os poemas são bálsamos, embelezam o mundo, tornam a vida mais excelsa, porque a verdade é insofismável: a existência humana sem lirismo, sem poesia, é granito, espinho, fel, como denuncia o Mago de Itabira: “Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação”. (*)Ely Vieitez Lisboa é escritora. E-mail: elyvieitez@uol.com.br

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Aniversário Freder

Meu amigo Frederico Kirchner Ferreira, aniversariante do dia 27 de fevereiro co Shamrock Minash PUB na companhia de amigos mais próximos. Frederico inicia o Ribeirão. Ele é filho do Delegado de Polícia Civil Dr. Régis Antonio Reis Ferreira e Ferreira, irmão da advogada Fabíola, psicopedagoga Gisela e de Gustavo e

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Aniversário Frederico

go Frederico Kirchner Ferreira, aniversariante do dia 27 de fevereiro comemorou a data festiva no Minash PUB na companhia de amigos mais próximos. Frederico inicia o curso de piloto privado em e é filho do Delegado de Polícia Civil Dr. Régis Antonio Reis Ferreira e da professora Shirley Kirchner ira, irmão da advogada Fabíola, psicopedagoga Gisela e de Gustavo estudante de jornalismo.


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Psicoletrando “Gosto da escola, mas não gosto de estudar!” Josimara Neves, psicóloga e escritora Marília Neves, professora e escritora Contato: psicoletrandojm@gmail.com Blog: http://psicoletrandocomvoce.blogspot.com/

É comum ouvirmos alunos afirmarem que gostam do ambiente escolar, pois convivem com os colegas, conversam sobre assuntos de seu interesse, porém, quando questionamos a parcela que não consegue visualizar e/ou compreender a real função do estudo, alega: • Vou pra escola porque meus pais me obrigam; • Os adultos dizem que estudar dá futuro, mas muitos jogadores de futebol, cantores de música sem letra e atores de filme pornô ganham dinheiro fácil e sequer falam bem; • Escola serve pra curtição, pra criar rapor, pra descolar gente legal e pôr as fofocas em dia; • Estudar cansa à beça, e eu não entendo nada do que os professores dizem; • Detesto cumprir regras, fazer deveres de casa e ter que ficar sentado ouvindo o repeteco que parece não ter fim; • Escrever é muito chato, falar que é bom. Envoltos nessa realidade, cabem-nos algumas observações: • A escola tem um papel fundamental na formação do aluno-sujeito. Entretanto, ela não pode se restringir ao espaço físico destinado à socialização, posto que, para tal fim, existem outras esferas, como a família, a igreja, lugares de entretenimento, vizinhança, casa de amigos, restaurantes, entre outros. Escola é lugar de aprender, partilhar vivências e construir conhecimentos; • Cabe aos professores repensar constantemente sua prática pedagógica, utilizar metodologias diferenciadas a fim de possibilitar aos alunos uma aula de qualidade, visando à aprendizagem significativa; • O aluno é o foco do processo educativo e ele precisa ser cativado pelo professor, saber o porquê de estudar os conteúdos que lhe são propostos, utilizar estratégias pessoais para desenvolver todo o seu potencial, atrelando a teoria à prática. Assim, compreenderá o papel da escola; • A família tem que ser parceira da escola, inteirar-se do desenvolvimento do educando e cumprir as funções que lhe cabem; • A equipe escolar precisa ser unida, conhecer a realidade dos discentes, planejar aulas diversificadas, realizar seu trabalho com responsabilidade – de acordo com as atribuições de cada segmento – mantendo uma postura respeitosa com os alunos e com toda a comunidade; • É dever dos professores de todas as disciplinas o trabalho bem direcionado com a leitura e a produção de texto, objetivando o despertar dos alunos para essas práticas – ferramentas de inserção social. Sabemos que existem alunos que realmente não querem estudar – assim como há pessoas que não gostam de carne, outras que detestam queijo, ou ainda aquelas que não suportam computador. Todavia, quando o professor valoriza a profissão que tem, acredita no seu “poder de transformação” e usa todas as ferramentas de que dispõe para dinamizar e despertar interesse, a probabilidade de os alunos se sentirem motivados para a aula é relevante. Para ilustrar esse argumento, narro-lhes um episódio verídico. Certa vez, uma aluna chegou até a professora de Língua Portuguesa e lhe disse: – Eu não gosto da sua matéria! Intrigada, a professora argumentou: – Mas você é excelente aluna, escreve tão bem e participa tanto da aula! Então, não estou entendendo. A aluna, sorrindo, explicou: – Eu não gosto da matéria, professora, gosto das aulas que a senhora dá!

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Aniversariantes

Segredinhos do Casamento

A organização do casamento deve ser um tempo de “festa”. Ter alegria e prazer em buscar e decidir cada item é importante para o resultado final. Algumas noivas optam por compartilhar com várias amigas as suas escolhas. Para que isto não venha a trazer algum aborrecimento posterior, é bom pensar sobre isso antes de espalhar aos quatro cantos como será seu casamento. Planejamento existe para ser mudado, ou seria regra. Por vários motivos, como doença, viagem ou quebra de contrato de um profissional, um item pode ser substituído. Se foi comentado, haverá a expectativa para “conferir” aquele item, principalmente se for algo diferente, incomum. Algumas amigas se empolgam e passam do colaborar a sugerir, às vezes insistir, que uma idéia seja aceita. No intuito de ajudar, acabam forçando a noiva a fazer o que não quer. A noiva deve ter a certeza de que seu casamento é único e só seu. Tudo deve ser de acordo com seu estilo, sua personalidade. Como a moda é buscar sempre um diferencial, este trará melhor resultado se for surpresa. Aceitar prontamente uma sugestão e agradecer, evita que o assunto seja prolongado. Depois, é analisar com calma e ver se a sugestão realmente faz parte do contexto do casamento. Evitar fazer algo apenas para agradar uma ou outra pessoa, priorizando o que realmente foi sonhado pela própria noiva é o caminho ideal para tudo dar certo e não haver arrependimentos depois.

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O prezado amigo Joel Henrique, responsável pela coluna Joel da Balada, neste Sudoeste, muda de idade neste sábado, dia 9. Ao cumprimentá-lo, lhe desejamos felicidades, e, principalmente o pronto restabelecimento de sua saúde, de vez que na semana passada nos pregou um susto.

Dia 8, o médico Dr. João de Almeida Paula Jr. Dia 9, sábado, Maria Carmelita Alcântara. Em Maringá a paraisense Isabela Neto Piccirillo. Domingo, dia 10 Alcione (Original Chopp) Dia 11, William Marfório Mendes. Dia 12 Dra Sandra de Carvalho, Rosilena Grillo (RG Cerimonial). Dia 15 a atriz Beatriz Arantes.

Ralph Diniz, e sua esposa Mirian

Ralph Diniz, repórter do Jornal do Sudoeste inaugura idade nova no dia 14. Parabéns. Um grande abraço da equipe ‘JS”.

RG Eventos Assessoria e Cerimonial A coluna antecipa cumprimentos ao Deputado Carlos Melles, secretário de estado de Transportes e Obras Públicas do Estado de Minas Gerais, que muda de idade nesta segunda, dia 11.

Horóscopo Semanal CAPRICÓRNIO (22/12 a 21/01) Procure manter seus pensamentos em equilíbrio, pois as energias que chegam até você podem trazer algumas confusões e decisões errôneas. Medite, procure relaxar e deixe o controle de lado. Você vai sentir-se bem melhor. AQUÁRIO (21/01 a 18/02) Esta não é uma boa fase para se envolver em novos investimentos ou para assinar contratos que envolvam ganhos ou compra e venda, especialmente de imóveis. As energias continuam confusas no setor. PEIXES (19/02 a 19/03) As energias continuam intensas em sua vida, com inúmeros acontecimentos que fogem de seu controle. Entregue-se ao que a vida trouxer e comece a se preparar para uma mudança brusca nas energias. Fique de olho nas mudanças. ÁRIES (20/03 a 20/04) As coisas ainda continuam confusas e sua energia não anda lá essas coisas. A melhor maneira de lidar com essa energia é trabalhar e, se for preciso, trabalhar sozinho. Os resultados serão melhores e você recuperará seu equilíbrio. TOURO (21/04 a 20/05) As amizades continuam em alta, mas o mais importante deste momento são as negociações que podem surgir dos bons contatos que você fez com grandes empresas, clubes ou instituições nos últimos meses. Tempo de colheita. GÊMEOS (21/05 a 20/06) Sua carreira continua em alta, mas algumas mudanças importantes podem seguir sem seu controle. Uma mudança de foco ou de caminho é bastante possível neste momento, a partir de um convite para trabalhar em um outro projeto. CÂNCER (21/06 a 21/07) Os estudos continuam sendo seu foco principal e novos caminhos podem se abrir a partir desta fase. Preparese para uma grande mudança profissional. Pode ser um novo projeto de trabalho ou um convite para atuar em uma nova empresa. LEÃO (22/07 a 22/08) Neste período de reclusão e sensualidade você deve se conscientizar de suas verdadeiras necessidades emocionais e não mais fugir delas. Prepare-se para uma nova fase que começa em poucos dias, carregada de planos e projetos. VIRGEM (23/08 a 22/09) Seus relacionamentos continuam sendo mobilizados por energias que podem trazer alguma confusão. No entanto, a fase promete movimento, especialmente nas amizades e na vida social. Prepare-se para uma nova fase que começa em poucos dias. LIBRA (23/09 a 22/10) Nesta fase o trabalho continua intenso, mas ainda pode trazer algumas confusões. Prepare-se para um novo momento, carregado de mudanças importantes, que em poucos dias pode levá-lo a novas escolhas. ESCORPIÃO (23/10 a 21/11) Mesmo com Saturno impedindo que alguns acontecimentos caminhem com mais rapidez, o momento é bastante positivo, especialmente para a criação de novas estruturas e início de um sério relacionamento. Fique atento. SAGITÁRIO (22/11 a 21/12) Sua casa e vida doméstica continuam sendo o seu principal foco de atenção. Caso esteja querendo mudar de endereço, o momento é agora. Venda e compra de imóveis estão em alta, portanto, aproveite ou crie oportunidades.

Dr. João de Almeida Paula Junior Mais que especiais os cumprimentos a essa pessoa maravilhosa que considero como meu segundo pai, Dr João de Almeida Paula Junior esse conceituado e respeitado médico em Paraíso. Sempre está preocupado comigo, principalmente com a minha saúde, esteve comigo em vários momentos difíceis da minha vida, como foi nesta última semana quando passei mal e tive que ir pra UTI com taquicardia sinusal. Ele se prontificou em me acompanhar o tempo que foi necessário. Dr João de Almeida, essa pessoa especial que é comemorou ontem dia 08 de março mais um ano de vida.

Thiago Leite Ernesto completou 11 anos Você é uma benção em nossas vidas... Feliz aniversário de seus pais Vaninha e Marcelo e seus irmãos Lucas e Emanuelle.

Mulher A chama de amor para a humanidade. Alma iluminada é apreciada e amada. Nasce, cresce, suave e delicada sob olhares, discretos, apaixonados e carentes. O Dia Internacional da Mulher é uma grande conquista. Uma luta que levou anos para alcançar reconhecimento. Elas fazem o mesmo que os homens, e um pouco mais. A mulher moderna cuida da casa, dos filhos e trabalha fora, ajudando na renda doméstica. E mais, além de cuidar da casa, dos filhos do trabalho cotidiano ainda tem de se preocupar em ficar bonita e atualizada. São inúmeras tarefas, que pela versatilidade conseguem executar com grande desenvoltura. Há alguns anos vêm se destacando no mercado de trabalho

e conquistando espaço no mundo empresarial. Versáteis, otimistas e determinadas, trabalham em diversos setores da sociedade. São nobres contribuintes para o progresso da nação. Atuam em profissões variadas, como variado é o universo de sentimentos que trazem guardados na alma. Observe o que está acontecendo à sua volta. Os mínimos detalhes foram um mundo maravilhoso sem preconceitos e machismo onde as pessoas se respeitem independentemente do sexo, cor raça, crença. Mulher, uma palavra sua pode salvar uma vida! “Amar é estar distante presente, esquecer pensando sempre, chorar sorrindo”. LAÉRCIO FELÍCIO DA SILVA – MEMBRO DA APC.

Parabenizamos Dr Lucio Duarte por mais um ano de vida neste sábado, 09. Na foto com sua neta Julia Manuela Duarte.


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São Sebastião do Paraíso-MG e Região 9 de Março de 2013

Artista de Paraíso expôs suas telas em São Paulo e Milão Cristiane Bindewald

Ainda pouco conhecido em São Sebastião do Paraíso - cidade que consta como de sua origem em catálogos de arte - o artista plástico Marcio Cintra já expôs até mesmo em Milão, na Itália. O pintor autodidata e professor de História e Filosofia nasceu em Jacuí, mas escolheu Paraíso para viver. Começou sua carreira pintando na garagem do fundo de sua casa. Com 47 anos, Marcio tem seu nome reconhecido em rodas de artistas brasileiros, desde 2010, após receber prêmio de jurados da USP em um salão de arte em São Paulo. Em entrevista ao JS, Marcio Cintra fala do início de sua carreira, suas influências e sobre as transformações artísticas. JS: Como a pintura entrou em sua vida? Marcio: Sempre desenhei, desde criança. Isso sempre me trouxe a paixão pelo desenho e pela arte. Conhecer artistas, vários pintores, despertou a vontade de pintar, também. Mas comecei a pintar mesmo mais tarde, por volta dos trinta anos. Comecei como muita gente começa: copiando telas de outros artistas. Depois, veio a vontade de fazer meu próprio trabalho, mas eu não tinha recursos. Na época, eu vivia em Jacuí e não havia recursos para se ter aula, estúdio. Comecei a pegar objetos de casa para usar

como modelo e fazer minhas telas. Assim, surgiu o estilo pelo qual fiquei conhecido dentro da arte, que foi a natureza morta. Eu pegava panelas antigas, tachos, e colocava suas características. Assim, comecei a desenvolver meu estilo. Hoje, parti para outra coisa, estou em um estilo mais contemporâneo, mas minha formação é autodidata e clássica, devido a isso. Fora que sou muito realista, minhas primeiras telas são muito realistas. Mesmo porque, os artistas que eu gostava eram realistas. JS: Quem são estes artistas? Marcio: Holandeses, Rembrandt, Vermeer... A arte holandesa é minha paixão dentro da arte, do século XVI, XVII e XVIII. Depois, Velasques, e alguns mais modernos, por exemplo, os impressionistas. Mas o que me atraiu sempre na arte foi a perfeição da arte holandesa. Acho que é uma coisa que vou carregar sempre. Posso até mudar de estilo, mas aquilo vai estar presente. JS: Quando sua arte saiu da garagem de casa para ser conhecida nacional e internacionalmente? Marcio: Eu sempre vendi, oferecia e as pessoas compravam. No final de 2010, não haveria a Semana Cultural que sempre há em Jacuí, e resolveram que deveria haver ao menos um evento. Fizeram uma

exposição do meu trabalho. A Casa da Cultura foi fechada só com a exposição de minhas telas. E foi o evento cultural com maior número de pessoas em Jacuí até hoje. Foi uma semana de exposição sempre cheia. Até eu fiquei surpreso. Essa exposição acabou chamando a atenção de artistas de São Paulo. Não sei como, uma galeria de São Paulo me contatou e, a partir daí, eles me catalogaram. Fiz uma exposição nesta galeria, a Mali Villas Boas. Eles pediram para eu participar de um salão de arte, mas era de arte contemporânea. Meu estilo, na época, ainda era muito clássico, mas expus uma tela no salão, que tinha júri da USP. E o que aconteceu? Eles não podiam dar o prêmio para meu trabalho, porque não era arte contemporânea. E criaram um prêmio para o meu trabalho. Ganhei um prêmio como “destaque do júri”. Isso me deu o direito de expor em Milão. Foram duas telas minhas, que ficaram em exposição durante dois meses em um evento Itália-Brasil. E também fui convidado para participar de um grupo de vinte artistas convidados para uma exposição sobre os cem anos de Portinari. Fiz uma tela exclusiva sobre Portinari. JS: Como segue sua carreira depois destas exposições? Marcio: Meu nome passou a ser citado em rodas de arte em São Paulo. Muitos artistas me conhecem, conheci muitos ar-

tistas. Isso foi muito bom para mim. Fiz contato com alguns artistas famosos, como Caciporé, Peticov, que são nomes da arte brasileira que hoje são bem conhecidos. JS: Houve uma mudança no seu estilo? Marcio: Até então, minha arte era considerada clássica, mas agora dei uma mudada no estilo, até porque acho que o artista não pode ficar sempre preso a mesma coisa. Você tem que procurar outro caminho. E, se não der certo, voltar para o caminho onde estava. Hoje, estou em um trabalho um pouco mais contemporâneo. Quem conhecia meu trabalho, se assusta com as telas que pintei ultimamente. Eu acho isso legal, quando o artista consegue surpreender é legal. Acho importante quando crio impacto. Agora, meu trabalho está mais contemporâneo, mesmo. JS: O que está inspirando seu trabalho neste momento? Quais as vozes, até mesmo de outras artes, com as quais você está conversando em suas telas? Marcio: Como eu disse, sempre vou manter aquela minha coisa clássica. Dentro do meu contemporâneo, ainda coloco elementos clássicos. Mas quando eu resolvi mudar o estilo, fui buscar a inspiração na pop art, Andy Warhol, outros artistas que acho legais. Fala-se em Picasso, Matisse, mas eu até acho que a pop art é mais contemporânea que eles. Por exemplo, tem hora que ponho uma tampinha de coca-cola aqui, um símbolo da Chanel ali, e vou fazendo referências pop. Gosto muito de literatura e música, também. Então, leio muito, ouço muita música, isso acaba chegando a minha arte de alguma forma. Tudo o que gosto, procuro transmitir de alguma forma dentro do que faço. E o legal é que muita gente percebe isso. Por exemplo, essa minha tela que ganhou prêmio, é uma natureza morta com livros que eu sempre gostei de ler, Dom Quixote, O Vemelho e o Negro. Dentro da arte, coloquei o que gosto, e acabei ganhando um prêmio com isto. Achei sensacional. JS: Como está seu volume de trabalho e a procura por suas telas? Marcio: Não vou dizer que sou uma pessoa que produz em grandes quantidades. Às vezes, acho até que demoro um tempo para concluir um trabalho. Mas chego a pintar uma ou duas telas por mês, se eu me esforçar muito. Se tiver tempo, até mais. Então, meu trabalho gira em torno de vinte telas por ano. A procura acaba acontecendo muito mais fora daqui. Em Paraíso, eu sou praticamente desconhecido, porque aqui temos dificuldade de expor, não há uma procura por arte. A cultura aqui é muito difícil, você não tem um espaço para divulgação. Embora eu

tenha sido catalogado pela galeria de São Paulo como artista de São Sebastião do Paraíso, isso não apareceu aqui. Eu tenho mais reconhecimento em São Paulo. O meu mercado é em São Paulo e, felizmente, a procura tem sido razoável. JS: A arte brasileira tem espaço no cenário mundial? Marcio: O mercado de arte brasileira está se expandindo internacionalmente, não há dúvidas. Mas se você quer ter seu nome no meio da arte internacional, o caminho é por São Paulo. É onde estão os grandes marchands, as galerias famosas, é onde acontecem as grandes exposições. O Rio de Janeiro compete, mas não chega a ser tão importante. Vamos dizer que São Paulo é a Nova Iorque da arte no Brasil. Se você quer ser reconhecido no mundo inteiro, tem que ser conhecido em Nova Iorque. No Brasil, você tem que ser conhecido em São Paulo. Muitos artistas brasileiros, como citei, Caciporé, que talvez seja o maior escultor vivo no Brasil hoje, Antônio Peticov, Paulo Queiroz, Cláudio Tossi, são artistas brasileiros que passam a ter um reconhecimento muito grande. Você tem um cara como o Vik Muniz, que hoje é um artista de reconhecimento internacional, saiu de São Paulo e foi se estabelecer fora. Por aí, se vê que São Paulo é uma passagem. Não quer dizer que seja a única, mas é a mais fácil. Eu posso sai daqui de Paraíso de repente para o mundo, mas é muito mais difícil. JS: Dentro da sua arte, haverá mais mudança? Marcio: Eu estou em uma fase de transição. Saindo do estilo clássico para uma arte mais contemporânea. Ainda não sei aonde vou chegar, mas é lógico que eu quero mudar. Claro que nunca vou chegar a fazer arte abstrata, que é uma coisa que não me prende. Mas também não quero permanecer de novo muito tempo no mesmo estilo. Estou em um estilo de transição, daqui a pouco talvez eu faça alguma coisa só moderna, mesmo. De repente, resolvo voltar para o que sempre amei, que é a arte mais clássica. Mas parado eu não vou ficar. Acho que o artista tem que ter inquietação, não ficar conformado ou estagnado. Como dizem: pedra que não rola, cria limo. Eu não quero criar limo, quero estar sempre inovando, buscando informações novas. Instalar-me fora, ter contato com vários artistas, me traz cada vez mais ares diferentes. Eu quero estar sempre colocando isso no que faço. Estar sempre respirando e transformando as coisas. Talvez, quem sabe, saia até um pouco da pintura, faça escultura, outras formas de expressão. Mesmo porque, acho que o artista deve procurar isso. Eu quero realmente sempre buscar outros caminhos. Parado, eu não vou ficar.


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