Page 1

Uma publicação da comunidade do Jardim Paraíso

Edição 10

Ano 1

Julho 2008

ta ui e a t nt gr a o di çã e a ui ss ib a tr p is e D eia L

Não se esconda da violência!

Futuros colaboradores do Jornal do Paraíso aprendem a contar histórias através das imagens

Você já parou para pensar o que significa a palavra violência e quais suas conseqüências? Nesta edição o Jornal do Paraíso mostra que a definição vai muito além da criminalidade, dos abusos físicos e verbais. Ela pode estar inserida no meio público e político. Trazemos até você como a disputa pelo espaço do Mútliplo-uso entre a Associação de Moradores do Jardim Paraíso e o Centro de Referência de Assistência Básica, o Cras, pode gerar atos violentos. Não esconder o rosto e refletir sobre a violência é um modo de agir contra ela. pág. 4 e 5 Fotos: Priscila Noernberg

pág. 08

Jornal do Paraíso recebe prêmio ExpocomSul 2008, em Guarapuava - PR pág. 07

Não há foco de doença de Dengue registrado no Aventureiro e Iririú pág. 03

Jovens do Jardim Paraíso vão participar de oficinas de produção audiovisual

pág. 07


Junho 2008

VARIEDADES

Você sabe onde está o respeito? A era do corre-corre, de consumismo, de pensar em si e esquecer do próximo bateu faz tempo na porta e entrou em nossa vida ocupando o lugar do respeito. A palavra respeito está, cada vez mais, em desuso. Em muitos casos, ela não se encontra mais entre marido e mulher, pais e filhos, alunos e professores. Estamos carentes de respeito. Mas o que é respeitar? O dicionário Aurélio traduz de várias formas: “Tratar com reverência; honrar. Dar atenção ou importância. Agir de modo que não fira, prejudique ou ofenda”. Além do dicionário, para nós o respeito é um valor que sustenta outros valores, principalmente o limite. No século XX, o “respeito era mais respeitado”. Ironia ou redundância, respeito é artigo de luxo. O que será que está acontecendo? As pessoas trabalham para adquirir bens materiais e esquecem dos valores morais. O que está acontecendo hoje em nosso bairro? Será que só temos violência para

Cruzadinha

2-

1

estampar nas capas de jornais, manchetes de rádio e de televisão. E a violência social? Este preconceito discriminatório repudiável e condenável. O povo do Jardim Paraíso é trabalhador, honesto e precisa de respeito, mas para isso é preciso a união de todos. Caso contrário, não deixaremos de lado esta imagem negativa que insiste em nos perseguir. Precisamos manter este valor o quanto antes. Se continuarmos assim, o nosso futuro estará comprometido. Decadência das condições básicas para uma sociedade saudável e unidade de saúde fechada no bairro são alguns dos fatos que sustentam a geração da violência entre tantos outros. Nossa função é manter os valores que sustentam o respeito em nossa vivência comunitária, por isso nesta edição trazemos até você situações de violência que, nem sempre são pensadas como violência. A partir do momento que sabemos sobre o que falamos, podemos lutar para mudar.

-

-

6

4-

3

89-

10 5 -

t

71.Mover ou acionar o pedal/ 2. Micose crônica da pele do pé devida a certos fungos/3. Ato ou efeito de eleger/ 4. Soltar balões acesos é.../ 5. Qual é o nome da língua da maioria dos nomes das ruas do Paraíso? / 6. Qualidade distinta de sons da mesma altura e intensidade/ 7. Fazer reclamação/ 8. Sinônimo de donativo/ 9.Pessoa que vende ingressos fora das bilheterias/ 10. Sexto dia da semana. Confira as respostas na próxima edição.

Respostas da edição anterior. 1.Nublado/ 2. Lagoa/ 3.Ovário/ 4.Imprudente/ 5.Gaiola/ 6.Laquê / 7.Malabarismo/ 8.Uivo/ 9.Navio/ 10. Gaveta

Carta do leitor Li a matéria que trata da visão da imprensa sobre o Jardim Paraíso e achei excelente! Vocês conseguiram ser simples e não precisaram fazer rodeios ou qualquer tipo de melodrama para mostrar como o preconceito atua entre os jornalistas. O mais interessante foi deixar isso visível na fala de cada entrevistado. Baita pauta, muito bem executada. Parabéns!

Expediente

Roelton Maciel, estudante de jornalismo

Jornal do Paraíso é uma publicação mensal do bairro Jardim Paraíso, em Joinville (SC), numa cooperação entre as organizações sociais do bairro, com apoio do Núcleo de Estudos em Comunicação (Necom) como um projeto de extensão do Curso de Comunicação Social do Bom Jesus/IELUSC. Tiragem: 3 mil exemplares. Edição 10. Julho de 2008.

Conselho Editorial do Jornal do Paraíso Asemar Nogueira – Associações de Moradores Dejacir C. Pinho – Igrejas Rosimeri Godoi – Segurança Janette Vierheller – Meio Ambiente Luiz C. Ramos – Comunicação Joel M. Oliveira – Comércio e Indústria Sueli A. Castanha – Saúde Valdete Daufemback - Bom Jesus/Ielusc

www.ielusc.br/necom (clicar em projeto de extensão)

Coordenação: Oziel G. Marian Colaboradora: Miriam Pedrotti

Ingredientes •Cascas de uma melancia média bem lavada; •800 gramas de açúcar; •10 cabinhos de cravo; •1/2 litro de água. Preparo Retire a película verde, mais escura. Corte a parte branca esverdeada em quadradinhos. Jun-

te a água, o cravo, o açúcar e deixe ferver por 10 minutos. Acrescente as cascas cortadas e deixe ferver em fogo brando. Se preferir uma calda mais fina é só retirar do fogo quando as cascas já estiverem cozidas. Se desejar mais seco, é só deixar mais tempo no fogo.

Agrião Ajuda na formação de ossos e dentes; evita a fadiga mental e está ligado à produção de glóbulos vermelhos do sangue. O suco de agrião, fervido com leite, em partes iguais, dá excelentes resultados contra enfermidade do peito, catarro e reumatismo, além de mostrar-se eficiente contra a bronquite quando misturado ao mel. Na hora da compra, escolha o maço que tiver folhas verdes e brilhantes, firmes, limpas e sem marcas de insetos. Nessas condições pode ser conservado em geladeira por 3 a 4 dias.

Julho 2008

EDUCAÇÃO

Pais no ambiente escolar

Doce de casca de melancia*

No projeto Escola de Pais, eles trocam experiências e aprendem a planejar

Saúde pela alimentação

Editorial

Precisamos ter mais respeito

2 3

* Esta receita está no livro Reinventando a Culinária, da Prefeitura de Itaiaia (RJ- 1995; 2 ª edição). Se você ficou com dúvidas no preparo destas receitas ou se você sabe fazer algo gostoso, mande tudo bem detalhado para nós. As receitas mais saborosas serão publicadas neste espaço.

Quer fazer parte desta equipe? Você pode contribuir com o jornal e com o seu bairro de diversas maneiras: enviando cartas, matérias com até 15 linhas ou encaminhando fotos e sugestões de pauta. Você fez um desenho legal sobre o Jardim Paraíso, uma charge ou compôs um poema? Escreveu uma crônica ou um texto na escola? Envie-nos! Na próxima edição publicaremos seu trabalho aqui no Jornal do Paraíso! Lembre-se, este jornal é da comunidade, somos nós quem o fazemos! Nosso endereço: Rua Cráter s/n Jardim Paraíso. CEP 89226634 Joinville – SC E-mail: jornaldoparaiso@gmail.com

Estagiária de Jornalismo: Priscila Noernberg Jornalista Responsável: Juciano Lacerda MTb 1177/PB

89226-634 – Joinville – SC Fone: 3427-2980 E-mail: jornaldoparaiso@gmail.com

Impressão: Grafinorte Apucarana/PR

Os textos assinados não refletem, necessariamente, o pensamento do Jornal.

Endereço: Amopar – Associação Moradores do Paraíso – Jornal do Paraíso CNPJ: 79.356.549/0001-73 Rua Crater s/n - Jardim Paraíso

Distribuição gratuita. Venda proibida. Leia e passe adiante!

No dia 27 de maio aconteceu o primeiro encontro da Escola de Pais, na Escola Municipal Professora Rosa Maria Berezoski Demarchi. O projeto está sendo desenvolvido pela orientadora Aurora Alcenir Zimerman e a auxiliar de direção, Josnéia Lopes Martins da Silva, em parceria com as psicólogas Eliane de Souza Rafael e Maria Lúcia Lehm. Nosso primeiro encontro foi muito interessante e foram desenvolvidas dinâmicas. Os pais participaram e oportunizaram situações em que cada um pôde co-

nhecer um pouco mais sobre si e o outro. “Os pais jamais devem abrir mão dos filhos”, relata Luis, um dos participantes. “Se eu não tivesse insistido em buscar ajuda e adotado medidas severas, hoje meu filho não estaria aqui. Foi difícil, mas valeu a pena. E enquanto estiver vivo não abro mão dos meus filhos”, conta Eduardo. Através destes encontros é possível trocar experiências para construir e desenvolver planos de ação, compreender, entender e ajudar na formação e na educação dos jovens para a vida.

Fotos: Josnéia da Silva

Os pais precisam trocar experiências, conscientes de que no momento se faz necessário parar, refletir e rever a importância do resgate de valores da autoridade da família e independente da formação. Para saber mais sobre o projeto, é só ir até

Através dos encontros, pais conseguem ajudar na formação dos filhos

a Escola Municpal Rosa Maria Berezóski Demarchi, na avenida Júpiter ou ligar para o telefone 3467 0028. * Josnéia da Silva auxiliar de direção

Projeto do Hans Dieter incentiva leitura A Escola Municipal Doutor Hans Dieter Schmidt – Extensão – iniciou o Projeto de Leitura na Escola. A aluna da 1ª série, Grazielly Vilmes, conta que todo dia, antes de dormir, pegava uma revista da avó: “Isso me ajudava nas letrinhas do abc. Foi assim que aprendi a ler”. A escola desenvolve o projeto para formar alunos leitores. Isto envolve diversidade textual, reflexões e prática: como ler, o que ler, por que ler. Além da mobilização interna para desenvolver o gosto e o compromisso com a leitura, aprender a ler exige esforço. As oportunidades dos alunos estão na leitura semanal na biblioteca escolar e na contação de histórias. O professor também faz a leitu-

ra diariamente em sala de aula. Você lê? Quanto lê? O que lê? Estudos mostram que livros contêm 50% mais de palavras não familiares e de difícil compreensão do que conversas ou programas de televisão. Crianças entre 4 e 5 anos aprendem aproximadamente cinco palavras novas por dia. Duas das cinco podem vir de leitura. Lendo muito você vai aumentar o vocabulário, além de ajudar na compreensão de textos. * Tânia Florêncio professora

Fotos: Tânia Florêncio

Não há registro de dengue no Aventureiro

Na última edição do jornal publicamos que a Dengue poderia chegar ao Jardim Paraíso porque o Aventureiro e o Iririú registraram foco da doença. Na verdade, o Aventureiro e o Iririú registraram o foco da larva do mosquito que transmite o vírus da doença. Pedimos desculpas pelo erro de informação. Porém, isso não quer dizer que não precisamos evitar a água parada. Se há foco do mosquito, também há possibilidade de que o inseto venha a ser contaminado e possa transmitir a doença.

Oficina de texto A Segunda Oficina de Texto do Jornal do Paraíso aconteceu no dia 14 de junho, no Bom Jesus/Ielusc. Devido a baixa participação (apenas cinco dos 14 inscritos compareceram) a próxima atividade será realizada no próprio Jardim Paraíso, em agosto. “Mesmo assim, com o número reduzido de alunos, foi possível ter maior atenção às dificuldades de cada aluno”, afirma o professor Juciano Lacerda.

Palestra meio ambiente

As alunas Mayara Maçaneiro e Grazielly Vilmes aprendem com os livros e com a contação de histórias

No próximo dia 10 de julho acontece mais uma palestra sobre Desastres Ambientais com a estudante de engenharia ambiental Fernanda Stasford. A palestra será na Escola Rosa Maria Berezoski, às 15h.

LOJA DO BENTO Venha conferir nossas novidades!

Avenida Júpiter, 553 Tel: 3467 - 1697


Violência

Pressão no Bairro Modelo

O que é violência?

Os significados desta palavra podem ir muito além das agressões físicas e verbais Talvez você nunca tenha parado para pensar sobre as definições da palavra violência, mas ela significa muito mais do que agressões físicas. A mestre em psicologia social, Andréia Titon, parte do princípio de que violência é qualquer ato que esteja relacionado à violação dos direitos humanos. Ser privado dos direitos garantidos por lei, não ter acesso à moradia e não ter oportunidade de trabalho são alguns dos atos violentos que muitos moradores do Jardim Paraíso sofrem. Quantos, ao preencherem uma ficha de emprego, ao realizarem um cadastro numa loja ou ao simplesmente descer do ônibus escrito “Paraíso” não se sentiram discriminadas? Andréia explica que estigmatizar um local ou alguém é humilhação social: “Hoje violência não é apenas algo criminal.

* Priscila Noernberg estagiária de jornalismo

Esconder o rosto pode ser um ato de violência

Próximos passos

Múltiplo-uso: a disputa O centro Múltiplo-uso demorou oito anos para ser construído (na edição de novembro/2007 você pode ler os relatos das pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da obra). Inaugurado em 5 de março de 2003, o local é uma das poucas áreas de lazer destinado a reuniões de mães, jovens, idosos, festas, aniversários e velórios. A permissão de uso foi concedida à Associação de Moradores do Paraíso, que mantém o lugar como sede do grupo. Em 2007, a Secretaria Municipal de Assistência Social (então Bem-Estar Social) implantou no mesmo local o Centro de Referência de Assistência Social, Cras. Com vários projetos de atendimento aos moradores, o Cras hoje é referência para outros programas que pretendem seguir o mesmo esquema de atendimento. De acordo com as normas de implan-

Fotos: Priscila Noernberg

Passa por todos esses momentos de convívio social. Se você convive numa comunidade ou numa sociedade onde a lógica é a do salve-se quem puder, você está em constante violência”. Andréia complementa que a omissão também pode ser considerada um tipo de violência. Esconder o rosto e cruzar os braços em situações que precisam do nosso auxílio é ser violento. Além dos estigmas que o Jardim Paraíso tem, falta de iniciativas públicas para construção de áreas de lazer, para o melhoramento na infra-estrutura e, principalmente, para manter em ordem e em condições de uso os ambientes já existentes, são alguns dos exemplos de violência que retrataremos para você.

tação do programa federal, no entanto, ele nunca deveria ter sido instalado num local onde já tivesse alguma atividade em desenvolvimento. Por isso, há momentos em que o lugar é pequeno para comportar tanta gente. Há alguns meses, as máquinas de costura da Oficina de corte e costura, desenvolvida pela associação de moradores, tiveram de ser retiradas para o local ganhar mais espaço. Em meio à luta por um cantinho a mais, as duas entidades estão vulneráveis. Uma ou outra precisará desocupar a área. Várias reuniões entre representantes da associação e da secretaria já aconteceram, mas será no dia 2 de julho, às 14h, no Plenarinho da Câmara de Vereadores que a situação deverá ser resolvida. *(PN)

A violência gerada por essa obrigação em dividir o mesmo espaço, no entanto, não pode afetar os moradores do Paraíso. O bairro precisa das duas atividades. Por isso, a situação vem sendo discutida há alguns meses. Tudo começou com o relatório elaborado por uma funcionária do Cras. No documento, Hanelore Miskseld apontava vários conflitos existentes e algumas “possíveis” e difamatórias ilegalidades que a associação de moradores fazia no local. No dia 4 de junho, em reunião com a Comissão de Cidadania da Câmara de Vereadores, o funcionário da Secretaria de Assistência Social, Cláudio Aragão, afirmou não conhecer o documento.

Ao apresentar a cópia do relatório assinada por Hanelore, Cláudio disse que iria se inteirar do assunto. “O pessoal da secretaria quer nos tirar de lá. Isso é uma injustiça”, expõe o presidente da associação, Asemar Nogueira. O fato, no entanto, foi negado por Cláudio, ao afirmar que a secretaria está com planos de ampliar o projeto. “Então é claro que vocês querem tirá-los de lá”, interrompeu o vereador e membro da comissão, Adilson Mariano. O vereador propôs uma nova reunião com os responsáveis pelo patrimônio público. O Jardim Paraíso não pode ficar sem o Cras e sem a associação. Seria uma violência ainda maior do que a que está sendo gerada por esse conflito. O impasse será resolvido na reunião do dia 2. *(PN)

Outro tipo de violência muito freqüente, e não apenas no Jardim Paraíso, acontece na relação entre chefes e empregados. Durante os quatro dias de ações do projeto Bairro Modelo, em setembro do ano passado, muitos profissionais da área da saúde se sentiram desmotivados e, principalmente, pressionados. A enfermeira Clarice* relata que em nenhum momento foi perguntado aos profissionais que trabalham no Paraíso quais eram os problemas do bairro: “O projeto veio de cima para baixo, em nenhum momento houve diálogo com a comunidade. Eles não tinham uma justificativa para o que estavam fazendo. Aquelas ações deram a impressão de ser algo para satisfazer o ego do secretário [na época era Norival Silva]”. Clarice conta que foram comprados 6 mil kits para verificar o colesterol e a taxa de glicemia (diabetes) e que, a exigência, era que cada equipe fizesse, no mínimo, mil testes: “Eles queriam e pediam números, apenas números. Nós só conseguimos uns 300 testes”. Já a enfermeira Maria* revela que, entre os profissionais da área da saúde do Paraíso, o projeto ficou conhecido como “Stress Modelo”: “Uns dias antes eles transferiram a equipe da unidade de saúde três com a promessa que reformariam o prédio. Duas semanas depois, disseram que não tinha verba”. A agente de saúde pública Rafaela* relembra com tristeza as dificuldades daqueles dias. Rafaela conta que a desorganização, em certos momentos, chegou num ponto tão grande que muitos avisos de que certo paciente seria atendido no mutirão de consulta com especialista só foram entregues no dia agendado para a consulta. Todos os anos esses profissionais recebem avaliações sobre suas atuações e trabalhos. Maria afirma que foi discriminada no conceito que recebeu: “Minha avaliação foi baixa porque critiquei muita coisa aqui. Se você puxa o saco e elogia, sua nota é boa, caso contrário, ela cai”. Enfim, a diversidade de ações violentas é infinita. Não são apenas as mães que batem em seus filhos, são os filhos que usam drogas e entristecem suas mães, são patrões fazem imposições aos seus funcionários, são empregados que abusam da boa vontade dos chefes... O movimento de parar e pensar é quase inexistente. Refletir sobre quais atitudes infligem os direitos humanos, para alguns, não é o importante. Saber o que é violento é um modo de poder pensar sobre esses atos de violência. *(PN) * Os nomes foram alterados para que a identidade das fontes seja preservada.

Imprensa ENTREVISTA: Nilson Gonçalves

Ele afirma que não “pode” aprofundar os fatos do Paraíso Na última edição do Jornal do Paraíso trouxemos até você a fala de profissionais da imprensa joinvilense. Todos falaram de suas experiências ao produzir material jornalístico veiculado em jornais e programas de televisão. Durante aquele mês, tentamos conversar com o apresentador do programa Tribuna do Povo, Nilson Gonçalves, mas devido às suas ocupações como deputado estadual, não foi possível entrevistá-lo. Como a figura do apresentador é algo muito marcante para os moradores do Jardim Paraíso, decidimos retomar o assunto iniciado na edição passada, com a entrevista a seguir. Jornal do Paraíso: Ao re- JP: E você acha que esse tratar os fatos que acon- modo rápido e superficial, tecem no Jardim Paraíso, sem aprofundamento, de existe algum tipo de trata- transmitir as notícias pode mento diferenciado? ter contribuído para a esNilson Gonçalves: De ma- tigmatização e taxação de o neira nenhuma, seria uma “Jardim Paraíso ser o bairro injustiça com o Jardim Pa- mais violento de Joinville”? raíso. Independentemente do NG: Claro que não! Não bairro que for, o tratamento contribui em momento alque nós damos é igual. Eu gum. Meu programa nunaté evito colocar o nome do ca contribuiu com isso, até bairro nas manchetes. porque, não existe aprofundamento no Jornalismo. De JP: Porque, ao mostrar um que maneira você faria isso? crime que aconteceu no O que é esse aprofundamenJardim Paraíso, vocês não to para você? tentam aprofundar e humanizar o que relatam? JP: Para mim é não apenas NG: O nosso programa tra- ir ao Jardim Paraíso e mosbalha com matérias factuais. trar o corpo de uma pessoa Não temos tempo e espaço e contabilizá-la como sendo para resgatar a história das mais uma vítima no ranking pessoas. Você sabe quantas das estatísticas policiais. É notícias recebemos por dia? relatar a história dela, é Inúmeras! Joinville é enorme problematizar a violência, e não existe só o Jardim Para- e não apenas com violência íso para noticiarmos. Da mes- criminal, mas também a ma maneira que acontecem falta de áreas de lazer para coisas no Paraíso, acontece os jovens, a falta de saneaem outros lugares. mento básico...

Reprodução

NG: Se em cada notícia falarmos isso o que você está me expondo, eu não conseguirei fazer o meu programa! O nosso caso é notícia! É transmitir as notícias. E eu não acho que transmitir essas notícias tenha estigmatizado o bairro. Afinal, nós não mentimos no programa, nós falamos a verdade. JP: Não é a transmissão de notícias que gera estigmatização, mas a forma como elas são transmitidas. NG: Não acho que a forma como transmitimos contribua. Até porque eu sempre ressalto em meu programa que a esmagadora maioria das pessoas do Jardim Paraíso são pessoas de bem. O bairro fica marcado por causa de meia dúzia de delinqüentes que lá estão e não pelo modo como eu noticio as coisas que lá acontecem. * Priscila Noernberg estagiária de jornalismo


Junho 2008

CULTURA

Escoteiros auxiliam na campanha de vacinação A campanha nacional contra paralisia infantil ocorreu durante todo o dia 14 de junho. Este ano, as equipes de saúde contaram com o apoio do grupo de escoteiros Rota do Sol. O ramo lobinho e escoteiros foram nas casas durante o sábado para lembrar aos pais sobre a importância de levar os filhos menores de 5 anos para tomar a vacina Sabin. Graças ao apoio, aproximadamente 700 crianças foram vacinadas. Para Fábio Cristiano, chefe dos escoteiros, essas atividades são importantes, pois as crianças e jovens aprendem valores como amizade e companheirismo e crescem conscientes sobre seu papel como cidadão. O grupo Rota do Sol também é parceiro no projeto “Estratégias intersetoriais e comunitárias para atividades com adolescentes”. Para a formação de um novo ramo que inclua adolescentes de 15 a 19 anos, o grupo necessita de mais 4 voluntários adultos. Os voluntários receberam capacitação gratuita para exercer a função de chefe de escoteiros. As pessoas interessadas podem entrar em contato pelo e-mail fabio_pastoriza@yahoo.com.br

Reunião discutirá Associação e Cras No próximo dia 2 de julho, as 14 horas, no Plenarinho da Câmara de Vereadores de Joinville, acontece uma reunião entre a Comissão de Cidadania da Câmara, a Secretaria Municipal de Assistência Social, líderes e moradores do Jardim Paraíso. Neste encontro será decidido o impasse entre o Centro de Referência de Assistência Social, o CRAS, e a Associação de Moradores do Paraíso. Ambos dividem o espaço no Centro Múltiplo-uso. Como o espaço é pequeno e não comporta tantas pessoas circulando ao mesmo tempo, o aglomerado, às vezes, gera conflito. Sendo organizações sociais importantes para os moradores do bairro, a solução precisa ser discutida com precisão. Participe da reunião.

6 7

Junho 2008

PARTICIPAÇÃO

Praça da cultura

Incentivo a participação

Alunos terão local para ler e desenvolver trabalhos artísticos

Equipe de saúde busca apoio para desenvolver projeto social

Foi inaugurada, no dia 30 de maio, a Praça da Cultura na Escola Municipal Doutor Hans Dieter Schmidt. O local cultural é fruto da parceria entre Projeto Missão Criança, um projeto social da Comunidade Evangélica Luterana de Joinville e a escola sede do projeto. A construção deste espaço só foi possível devido à mobilização de várias pessoas, pais e alunos, que participaram em seções de fotos e cadastro para que fosse possível buscar os recursos financeiros junto à Missão Aliança, uma organização cristã da Noruega (norte da Europa) que apóia iniciativas sócio-educativas em vários países em desenvolvimento. O resultado desta ini-

ciativa é um ambiente alternativo para elaboração e execução de trabalhos de leitura e arte, que irão contribuir na formação cidadã das crianças que residem no bairro Jardim Paraíso. O resultado desta iniciativa vai muito além de um espaço físico. Ele revela que um sonho pode ser realizado, basta ter apoio de pessoas que sonham juntas e deci-

dem não ficar esperando as coisas acontecerem. Além disso, revela uma escola aberta a interagir com a comunidade e o sentimento de fazer parte dela. Traz, também, uma igreja comprometida com a realidade e que busca a vida digna. * Oziel Marian coordenador do Projeto Missão Criança Oziel Marian

Do total de 339 adolescentes nessa faixa etária, que corresponde a cerca de 10% da população da área de abrangência da ESF Paraíso II, 28% (95 adolescentes) encontram-se fora da escola. O projeto tem a intenção de identificar dentro e fora da comunidade, junto com as lideranças e outras instituições, oportunidades aos jovens de desenvolver atividades ligadas principalmente à cultura com o intuito de incentivá-los a retornar à escola. Algumas delas já estão previstas, como os cursos de vidraçaria e artesanato oferecidos por pessoas da comunidade. Outra estratégia consolidada é o “Projeto Oficinas de Vídeo-

A ordem é exercitar

Estudantes se divertem durante o evento

Outras percepções Às 15 horas daquele 30 de maio, entramos na escola e um burburinho de vozes de crianças ecoava de uma forma muito prazerosa. Muitas crianças, se espalhavam pela Praça da Cultura. Um momento que materializou um sonho do qual a diretora Marines Luci Ev compartilhou emocionada. As crianças se apresentaram criativamente passando a limpo, através de poemas e cantos, um pouco da trajetória da cultura nacional. Elas passearam pela “praça” e com microfone em mãos, demonstraram o quanto este espaço será fonte de inspiração educativa — em busca de um mundo melhor e mais justo. Convidados especiais, representando o Prefeito Municipal, a Secretaria de

A equipe Estratégia Saúde da Família (ESF) Paraíso II está lançando o projeto “Estratégias intersetoriais e comunitárias para atividades com adolescentes”. A idéia do projeto surgiu durante o levantamento de dados do diagnóstico comunitário, para execução do Planejamento Local Estratégico que as equipes de saúde vem executando desde o final de 2006. Entre os dados coletados, o que mais chamou a atenção foi o elevado número de adolescentes com idades entre 15 e 19 anos fora da escola, que ainda não concluíram o 2º Grau (Ensino Médio) ou que abandonaram os estudos no ensino fundamental.

Educação, a Comunidade Evangélica de Joinville, o Projeto Missão Criança, a própria Escola anfitriã e a Missão Aliança sentaram-se junto às crianças em mesas espalhadas pela praça. O palco estava repleto de crianças e seus rostinhos revelavam alegria e uma ponta de curiosidade pela festa! * Péricles Couto Representante do Missão Aliança no Brasil Oziel Marian

Crianças usaram o espaço na inauguração

Paróquia São Domingos Sávio

Amazônia Madeiras

O Dia Nacional do Desafio é uma competição entre os cincos continentes onde a regra é levar o maior número de pessoas a praticarem exercícios físicos por no mínimo, 15 minutos. Objetivo é incentivar as pessoas sobre a importância desta prática. O Jardim Paraíso não ficou fora desta competição, os escoteiros mirins Rota do Sol foram até o colégio Hans Dieter Shimit, no último dia 28 de maio, às 9h. Os escoteiros fizeram, tanto alunos quanto professores, de 1ª a 4ª séries, se divertir e se exercitar durante 15

Participação no Jardim Paraíso”, que foi aprovado pela Fundação Cultural com apoio do Bom jesus/Ielusc. O projeto está aberto a quem quiser oferecer seus conhecimentos, contribuindo como voluntário, ministrando e ajudando a organizar cursos, e na capacitação dos jovens. Os interessados podem procurar a Unidade de Saúde Paraíso II. Toda contribuição é bem vinda. Os adolescentes merecem atenção, pois também são detentores da possibilidade de transformar a realidade atual em algo melhor e mais prazeroso. * Sueli Castanha enfermeira

Quadra é inaugurada

minutos. Cada exercício era acompanhado por uma marchinha, para deixar a prática mais parecidas com brincadeiras. Ao final da sessão, após muitos sobe, desce e risos, ficou a satisfação, o cansaço e a mensagem que: “Exercício físico é fundamental para uma boa saúde”. * Lizandra C. Nunes equipe São Domingos

Arquivo pessoal

Mexer, mexer e mexer...

Arquivo Rosa

No último dia 4 de junho aconteceu na Escola Municipal Professora Rosa Maria Berezoski Demarchi o torneio Novo local para esportes de inauguração da quadra poliesportiva coberta. Os jogos contaram com 13 times masculinos de futsal e 13 grupos de animadoras de torcidas. O campeão do futsal foi a 8ª série A. Os jurados levaram em conta o grito de guerra, performance, figurino, faixas e harmonias entre as meninas. A sala premiada foi a 7ª série A. A cerimônia de inauguração contou com a presença de autoridades. A entrega das medalhas foi feita pela apresentadora Belinha, da Rede Brasil Esperança, que também esteve pela manhã gravando os jogos. * Jaisson Blau colaborador do Jornal do Paraíso

São Lázaro Indústria de Fundição — Ltda. Rua Tuiuti, 5000 Distrito Industrial Joinville — SC

Av: Plutão, n° 155 Jardim Paraíso Joinville/SC CEP: 89226-700 Telefone: (47) 3467-4465

Rua Dorotóvio do nascimento nº 2260 Fone: (47) 3467 - 7727 Joinville - SC

Av. Santos Dumont, 6464,

Agulhas Negras, 1533

Fone: (47) 3481-1700

Bairro Aventureiro

Bairro Fátima

Fax: (47) 3481-1704 -CEP: 89226-001

Fone: 3467 - 6767

Fone: 3417 - 2000

Jornal do Paraíso recebe prêmio No dia 31 de maio, em Guarapuava – PR, o Jornal do Paraíso recebeu o primeiro lugar no prêmio ExpocomSul 2008 na categoria Jornalismo, modalidade Processo – impresso. O prêmio é oferecido pela Sociedade Brasileira de Estudos em Comunicação, Intercom. O Jornal do Paraíso concorreu com outros 17 trabalhos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná. Um dos maiores concorrentes era o jornal Vila Princesa, produzido há oito anos numa comunidade carente de Pelotas – RS. Diferente do Jornal do Paraíso, o Vila Princesa é elaborado por estudantes de jornalismo e não pelos moradores da comunidade. Entre os dias 2 e 6 de setembro o Jornal do Paraíso concorrerá com outros quatro trabalhos na etapa nacional, que será disputada em Natal, no Rio Grande do Norte.

Jovens do Paraíso produzirão vídeos Noventa e cinco jovens do Jardim Paraíso võa participar de oficinas de vídeo no segundo semestre deste ano. O objetivo é, através da produção audiovisual, atrair jovens que estão fora da escola a retornarem às aulas. O projeto Oficinas de Vídeo-Participação foi elaborado a partir do diagnóstico da equipe Estratégia Saúde da Família II, que revelou a existência de quase 100 adolescentes e jovens em idade escolar fora da sala de aula. O primeiro encontro acontece ainda em agosto. Um roteirista conversará com os participantes da oficina sobre o processo de produção de filmes e vídeos. Duas vezes por mês, entre agosto e novembro, professores e alunos do Curso de Comunicação do Bom Jesus/Ielusc ministrarão oficinas de produção de vídeos no Jardim Paraíso. Em novembro, será a vez dos interessados na edição. Será oferecida uma oficina sobre o assunto. No último mês do ano, a comunidade poderá conferir o resultado do projeto. As produções serão exibidas na I Mostra de Vídeo-partcipação no Jardim paraíso em algumas escolas, unidades de saúde e igrejas. As atividades não serão paralisadas em 2009. A idéia é de que os participantes desta primeira etapa do projeto atuem como “oficineiros” e ensinem o que aprenderam neste ano. Os equipamentos serão comprados com recursos do Edital de Apoio às Artes 2008 da Fundação Cultural de Joinville, que disponibilizou cerca de R$ 19 mil para a execução do projeto.


Treinando o olhar

Durante todo o sábado do dia 7 de junho, 13 futuros colaboradores do Jornal do Paraíso (re) aprenderam a utilizar suas máquinas fotográficas. Além das técnicas, o fotógrafo Pena Filho deu dicas para treinar o olhar e a percepção na hora de produzir as imagens. Confira parte do resultado do trabalho da Segunda Oficina de Fotografia do Jornal do Paraíso. As outras imagens serão publicadas na próxima edição.

Lisiane Fernandes

Jéssica e Victor Prusse Margarete e Pedro Pastoral

Mais uma pastoral no bairro Alessandra e Bruna Boeing

Jaisson Blau Projeto

Jardim Paraíso sediará o Fucas O Jardim Paraíso será o segundo local a receber o Projeto Social fundação Casan (Fucas) no estado de Santa Catarina. O primeiro já está sendo executado na cidade de Florianópolis. O objetivo do projeto é ensinar técnicas e disciplinas para uma mudança na forma de agir e no convívio social e familiar. As atividades que serão desenvolvidas vem de encontro às necessidades da comunidade do Jardim Paraíso – não há local de lazer e existe carência de cursos profissionalizantes. Todos os cursos e atividades do projeto serão ministrados gratuitamente por professores formados na área de educação física, teatro e dança. O projeto é destinado somente para os estudantes de ensino fundamental, ensino médio e pais de alunos. Ainda não está definida a data de início nem o local para a sede.

Agenda

* Brenda Gonçalves e Alessandra Boeing equipe do Jornal do Paraíso

A Paróquia São Domingos Sávio ganhará mais uma pastoral, a do idoso ou Pastoral da Pessoa Idosa, a PPI: grupo de convivência preocupado com as dificuldades de cuidar terceira idade. Durante a assembléia nacional da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI), quando aconteceu a fundação desta pastoral (novembro de 2004), também foi aprovado um dos objetivos do estatuto da PPI – assegurar a dignidade e a valorização integral das pessoas com mais de 65 anos. Através da promoção humana e espiritual, devem se respeitados seus direitos, num processo educativo de formação continuada destes, de suas famílias e de suas comunidades, sem distinção de raça, cor, profissão, nacionalidade, sexo, credo religioso ou político. Assim as famílias e as comunidades podem conviver respeitosamente com as pessoas idosas, protagonizando sua

auto-realização. Recebemos a proposta de acolher esta pastoral e as lideranças serão capacitadas para seguirem na coordenação. Entre elas estão Maria Zulmira da Silva, Pedro José Rogério, Maria Luiza Araujo, Angelo Eleotério Araujo, Izidoro Klasmann e Lucia Klasmann Cada líder comunitário recebe material básico, composto pelo manual “De bem com a vida” e o caderno do líder comunitário. Nele, o líder cadastra os dez idosos que acompanha mês a mês e anota os indicadores, desta forma, constitui-se uma base de dados. A pastoral se forma por pessoas dispostas a serem voluntárias um busca de um bem comum. Lutar para que os idosos tenham uma vida mais digna no presente é garantir um futuro mais digno a todos. * Paróquia São Domingos Sávio

Julho de 2008 • 02/ 07 — Reunião da Comissão de Cidadania, às 14h, na Câmara de Vereadores (ver p. 3) • 09/07 — Reunião do Conselho Local de Saúde, às 19h30, na Unidade de Saúde I e II

• 10 /07 — Reunião do Conselho Comunitário, às 9h, no Nagib Zaatar • 10/07 — Palestra “Desastres Ambientais”, às 15h, no Rosa Berezóski

Edição 10 ano 1 Julho 2008  

Não se esconda da violência

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you