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Uma publicação da comunidade do Jardim Paraíso

Edição 3

Ano 1

Setembro de 2007

tr is

D u ib ão iç gr ta ui at

Jovens bons de bola

Mesmo com dificuldades estruturais, meninos e meninas do Jardim Paraíso têm como lazer a prática do futebol. Um dos idealizadores das atividades é o comerciante Joel Oliveira. Nas horas vagas, ele e um colega treinam a molecada. Entre as modalidades estão presentes a areia, o campo e o futsal. A garotada é dividida e tem dia e horário específicos para treinar. pág. 07

Exemplos de superação para motivar o bairro Apenas neste ano foram 14 homicídios no Paraíso. Quase 100% das vezes, esses assassinatos tem envolvimento com produtos ilícitos. Quando não geram a morte, produzem dependência química. Mas não é apenas o consumo de drogas que provocam o vício, o álcool e o fumo também. No entanto, a cura é possível, e para estimular novas rupturas,

mostraremos as mais variadas situações de superação aqui do Jardim Paraíso. Com os depoimentos veremos que, as vezes, é preciso passar por constrangimentos, privações ou até mesmo pela prisão para valorizar a vida. Outros mostrarão à você que, mesmo nas recaídas é preciso ser forte e que nunca é tarde para tentar. pág. 04 e 05

Contando histórias

Para comemorar o aniversário de dois anos da Biblioteca Monteiro Lobato, no dia 22 de agosto, a Escola Rosa Maria Berezóski realizou a “I Mostra de Contação de Histórias”. Alunos e professores encenaram alguns clássicos da literatura brasileira. Apareceram por lá personagens como “O Menino Maluquinho” e “Emília” e juntos escreveram uma fábula que encantou o público. pág. 08

Direitos não são respeitados

Família recebe auxílio

Mesmo antes de nascer a criança já tem direitos que precisam ser respeitados. Há pais que procuram auxílio apenas no final da gestação. O bebê, no entanto, precisa de cuidado o mais breve possível. Leia o que você pode fazer nesta situação. pág. 03

A família de Alete Vogt, que mora na sala de catequese da igreja católica, recebeu, no mês passado, móveis e outras doações de uma pessoa desconhecida. Sensibilizada com a situação, Alete agradece a ajuda de alguém que nem ao menos sabe o nome. pág. 07

Tratamento que Tânia está fazendo há um mês, contra o tabagismo, já tem surtido efeito


Setembro de 2007

Superar é ultrapassar, vencer, conquistar e deixar para trás nossos medos, aquilo que nos atrapalha e o que torna nossa vida amarga e regada de lágrimas. Não é preciso ser super-homem ou mulher maravilha para superar os desafios, as barreiras, as dificuldades ou sabe-se lá que nomes damos aos bois. É preciso apenas querer, e este é o primeiro passo. Sem ele, não damos o segundo: o fazer. É a partir do querer e do fazer que a vida acontece, que os milagres surgem e os sonhos se realizam. Nada cai do céu, a não ser a chuva, (algumas vezes granizo ou neve). A Bíblia não é um livro

sagrado porque caiu do céu, mas porque foi escrita por pessoas usadas e inspiradas por Deus. As bênçãos não vêm do acaso, mas provém de Deus que andou entre nós, sofreu mais do que nós e venceu por nós. Nesta terceira edição do Jornal do Paraíso, queremos mostrar alguns exemplos de superação, de pessoas que experimentaram derrotas e fracassos, mas não se conformaram com a situação e conseguiram ir além. A superação não acontece num passe de mágica, mas num processo contínuo de aprendizado, perseverança e coragem. É preciso bravura para mudar, é preciso ser

homem ou mulher com coragem de assumir sua posição e o controle da vida. Ser humilde não é ser humilhado, mas assumir o que é, e não se colocar acima de ninguém. O alcoolismo não é apenas um pecado do qual a igreja quer se ver longe, mas é uma doença que pode ser curada, o tabagismo (cigarro) não é apenas um hábito inconveniente, mas um mal que fazemos ao próprio corpo e que também pode ser abandonado. Portanto, descruze os braços, largue o copo e apague o cigarro. A vida é mais do que isso, a vida é aquilo que fazemos dela, seja boa ou ruim, por isso aproveite-a!

Ingredientes

• 3 beterrabas médias • 1 litro de água filtrada • 4 colheres de açúcar • 3 colheres de amido de milho • Baunilha e canela a gosto • Suco de uma laranja

Modo de fazer

Cozinhe as beterrabas na água sem adicionar sal. Você pode aproveitá-las para a

salada do almoço, pois iremos utilizar apenas a água do cozimento, que você irá ferver e acrescentar o açúcar e o suco da laranja. Engrosse o liquido com o amido de milho (prédissolvido em um pouco de água). Coloque numa tigela e adicione a baunilha e a canela. Deixe esfriar e, se preferir, leve à geladeira.

*Se você ficou com dúvidas no preparo desta receita ou se você sabe fazer algo gostoso, mande tudo bem detalhado para nós. As receitas mais saborosas serão publicadas neste espaço.

Cruzadinha

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Grito dos Excluídos Convidamos toda a população do bairro, os paroquianos e os irmãos das demais Igrejas para a grande celebração do Grito dos Excluídos que acontecerá

no próximo dia 6 de setembro, às 19h, em frente o Mercado Corsi. Teremos participação especial dos catadores de papel recicláveis do bairro. Participe!

1. Tratamento carinhoso dado à mãe/ 2. Profissional que trata das molétias dentárias/3 .Espécie de bolo de milho verde, cozido com folhas de milho ou de bananeira/ 4.Unidade de medida agrária, equivalente a 100 acres/ 5. Modo de ver, pensar, deliberar, idéia/ 6. Gato em inglês/ 7. Sexta nota musical/ 8. Angola fica na.../ 9.Vendedor de pipocas/ 10. Parte inferior do rosto, abaixo dos lábios. Confira as respostas na próxima edição.

Quer fazer parte desta equipe? Então envie-nos cartas ou matérias com até 15 linhas criticando ou dando sua opinião sobre assuntos do bairro. Se preferir, pode encaminhar fotos ou sugestões de pauta. Nosso endereço: Rua Crater s/n - Jardim Paraíso. CEP 89226-634 Joinville – SC E-mail:pmcjardimparaiso@pop.com.br

Respostas da edição anterior. 1.Paraíso/ 2. Júpiter/ 3.Ilegal/ 4.Bebê/ 5.Beleza/ 6.Cuiabá/ 7.Motocicleta/ 8.Sapataria/ 9.Neblina/ 10. Maçã

Expediente Jornal do Paraíso é uma publicação mensal do bairro Jardim Paraíso, em Joinville (SC), numa cooperação entre as organizações sociais do bairro, com apoio do Núcleo de Estudos em Comunicação (Necom) e do Núcleo de Expressão Gráfica (Negra) como um projeto de extensão do Curso de Comunicação Social do Bom Jesus/IELUSC. Tiragem: 3 mil exemplares Edição 03. Setembro de 2007. Conselho Editorial do Jornal do Paraíso Asemar Nogueira – Associações de Moradores Claudia C. Molina – Assistência Social Dejacir C. Pinho – Igrejas Rosimeri Godoi – Segurança Eliete F. da Luz – Educação Janette Vierheller – Meio Ambiente Joaquim A. dos Santos – Serviço Público Luiz C. Ramos – Comunicação Maria H. da Rosa – Educação Infantil Manuel F. Bento – Comércio e Indústria Sueli A. Castanha – Saúde

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SAÚDE

Direito à vida saudável

Pudim de beterraba*

Saúde pela alimentação

Editorial

VARIEDADES

Setembro de 2007

Coordenação: Oziel G. Marian Estagiária de Jornalismo: Priscila Noernberg Jornalista Responsável: Juciano Lacerda MTb 1177/PB Colaboradores: João Batista

Pais negam benefício ao bebê quando procuram auxílio médico muito tarde A criança precisa ser amada e respeitada desde o ventre materno, mas, infelizmente, muitas famílias iniciam o prénatal após o 4º mês de gestação. Sabemos que algumas doenças devem ser tratadas nos primeiros três meses de gravidez como toxoplasmose e sífilis, ou a criança correrá o risco de nascer com alguma seqüela irreparável. O bebê quando está na barriga da mãe recebe tudo que precisa, mas ao nascer, além de amor, respeito, bom exemplo e limites, necessita de leite materno exclusivo até o sexto mês. A Estratégia Saúde da Família (ESF), em parceria com a comunidade, busca desenvolver ações de saúde de forma integral e coletiva, contribuindo para o pleno desenvolvimento da criança, desde a sua concepção, através do pré-na-

tal. Também faz visita aos domicílios dos recém-nascidos, consultas individuais e atividades em grupos - em que realiza a avaliação do crescimento das crianças de zero a dois anos. A ESF também promove rodas de conversa com os responsáveis sobre prevenção de doenças, alimentação saudável, acidentes domésticos, importância das vacinas, higiene, prevenção de cárie, além de estimular o contato social entre as famílias, o respeito mutuo, a fraternidade, a compreensão e o amor. Que mundo deixaremos para nossos filhos se continuarmos permitindo a violência e cultivando as desigualdades, deixando de lado nossas responsabilidade como cidadãos? Cada pessoa deve fazer a sua parte, amar, edu-

car, brincar e dar bom exemplo aos filhos é o primeiro passo para construção de um mundo melhor. Uma vez ouvi alguém dizer: “quando vejo uma pessoa idosa respeito-a por todas as contribuições que já deu à humanidade. E, quando eu vejo uma criança, respeito-a pelo que poderá vir a

Os textos assinados não refletem, necessariamente, o pensamento do Jornal. Distribuição gratuita. Venda proibida.

*Sueli Alves Castanha enfermeira

Direitos da criança Estas ações são responsabilidades do governo, e um dever dos pais, garantido por lei. • Acompanhamento do pré-natal; • Vacinação; • Teste do pezinho até o 5 º dia de vida; • Teste do olhinho e orelhinha; • Avaliação mensal para crianças de zero a dois anos. Crescimento, peso e desenvolvimento (Puericultura).

A Secretaria Regional do Jardim Paraíso está executando mais uma obra de drenagem pluvial. Iniciada no final do julho de 2007, na rua Tenente Antônio João no Bairro Jardim Kelly, a obra de tubulação custará R$ 715.000,00. Esta é uma solicitação antiga da comunidade e a conquista se deve a um bom entendimento das lideranças do bairro com o governo. Após a conclusão da tubulação, o próximo passo será a reivindicação da pavimentação. *Andréia Pavesi Supervisora de serviço Arquivo Secretaria

Tubos vão para as ruas

Vacine-se contra rubéola A rubéola chegou a Joinville e infectou cinco pessoas em apenas um mês, inclusive homens, por isso leve a carteira de vacinação até a unidade de saúde mais próxima de sua casa para verificar se você está protegido contra a doença. As mulheres em idade fértil, entre 11 e 49 anos, precisam ser imunizadas, caso engravidem, a doença será transmitida ao bebê.

Gráfica: Artes Gráficas Riosul Ltda Florianópolis/SC Endereço: Amopar – Associação Moradores do Paraíso – Jornal do Paraíso CNPJ: 79.356.549/0001-73 Rua Crater s/n - Jardim Paraíso 89226-634 – Joinville – SC Fone: 3427-2980 E-mail (provisório): pmcjardimparaiso@pop.com.br

ser e pelas contribuições que dará ao mundo”. Refletindo sobre esta frase, percebemos o quanto precisamos proteger nossas crianças. Assim, cada uma vai se tornar um adulto saudável, feliz e de bem com a vida.

Drenagem é realidade

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Setembro de 2007

SUPERAÇÃO

Setembro de 2007

SUPERAÇÃO

“Até quando o tambor vai girar e vai matar nossos manos?” A frase é do músico conhecido como Kiko*, 31 anos. Sua história se assemelha a de outros jovens que vivem no Jardim Paraíso. Kiko pretendia mudar de vida quando chegou em Joinville, a convite da irmã, mas foi seduzido por coisas que não conhecia na pequena cidadezinha do interior paranaense. Ele começou a freqüentar baladas, beber e fumar. Aos 20 anos, numa destas festas, foi apresentado à cocaína. “Fiquei dois anos me ‘ababacando’, me destruindo”, assume. Ta m b é m experimentou crack: “Aquela maldita. Isso é uma química que o ‘diabo’ inventou para acabar com todo mundo”, dispara. Há três anos parou com o tabaco; foi nesta fase que,

segundo ele, Deus surgiu em sua vida. Kiko decidiu pensar na família e cessou com as drogas ‘pesadas’, mas o uso de maconha continuaria até pouco tempo. No dia 2 de setembro do ano passado, ele e os colegas estavam ensaiando na companhia da erva. Enquanto tocavam, a polícia passou e sentiu o cheiro do produto que consumiam. Kiko foi preso por possuir um “toco meio grande”. Saiu da prisão em abril. Durante o tempo em que permaneceu lá admite ter aprendido uma lição: valorizar a família. Para ele, somente quem ama muito passa pela humilhação de ser revistado num presídio apenas para visitar quem está detido. Kiko assegura que, depois de tudo o que passou, aproveitará melhor a convivência com os familiares.

“Até quando, até quando o crime e o crack vão dominar os nossos cotidianos?”

Machado ganhou medalha de honra ao mérito quando completou 13 anos de sobriedade. Hoje, ao lado mulher (d), que também participa dos Alcoólicos Anônimos, garante realizar festas mais legais comparado-as às que participava quando estava doente.

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Além da promessa aos familiares, por pedido dos fãs ele afirma que não se envolverá mais em “besteiras”. A experiência vivida dá credibilidade ao recado: “Abram o olho, fiquem longe do craque e da treta. O inimigo te usa te coloca numa cadeia, te seiva. Viva, curta a família! Não precisa dar uma de louco. É bom demais estar de bem!”. Hoje empregado como motoboy ele ressalta que nenhum valor no mundo paga a liberdade, e que muito dinheiro corrompe o coração. Kiko é o fundador do Esquadrão JP. Ao grupo de rap agrega-se a esposa* e os amigos Pezão* e Andréia. As letras da banda falam sobre Deus e são baseadas em palavras de otimismo. Kiko é um dos compositores, com 12 músicas. Uma delas, a que nomeia esta reportagem, é a vitrine e mais querida pelo público: “Até quando?”. Diferente de outras bandas, para o Esquadrão JP, o reconhecimento e apoio vindos da comunidade são o pagamento dos integrantes. Vânio Oliveira, 31 anos, apontador de serviço, tem história semelhante. O baiano veio a trabalho para Santa Catarina e conta que passou por momentos de dificuldades enquanto consumia drogas. Hoje está recuperado e diz sentir uma grande satisfação: “Estou realizado, eu procurei Deus e ele me ajudou. Já vendi carro e gastei

muito com porcarias, hoje controlo tudo o que gasto, me sinto aliviado”.

“Até quando vamos ver esses filmes, esses fatos das nossas quebradas da vida acontecer?” Há 13 anos o tio de Machado* , 55 anos, convidou-o para ir ao grupo de Alcoólicos Anônimos (AA). Ele estava com vergonha e não queria ir só. Na terceira reunião, Machado, motorista autônomo, sentiu necessidade de participar, não como acompanhante, mas como membro. Estava com uma doença progressiva e fatal, o alcoolismo. Antes a família comentava, mas ele não aceitava e bebia o que estava à frente durante festas, pescarias e jogos de dominó. Machado descreve que o álcool faz a pessoa ficar boba com cara de palhaço e roubar para manter o vício. A vida começou a mudar com o ingresso no AA. “Fui tratado de igual para igual, ninguém me discriminou”, revela. O tratamento do grupo consistiu em dois remédios, a fala e a audição. Cada um desabafa suas angústias e aprende com o depoimento das outras pessoas. Através da ajuda do grupo e de “muitos pedidos a Nossa Senhora”, abandonou o cigarro. Hoje tem convívio social e diz “festar” muito mais se comparado a quando estava doente. A esposa* de Machado, 48 anos, afirma já ter passa-

Fotos: Priscila Noernberg

do por momentos que serão difíceis apagar da memória. O ex-marido tinha a mesma doença que Machado, mas ele não teve a consciência do atual esposo e acabou morrendo. “Meu filho reclamava que o pai não dava colo”, comenta. Ela salienta que não confiava no ex-marido, porque, quem bebe, hora fala uma coisa, hora diz outra. “Hoje o Machado está recuperado e eu tenho total confiança nele”.

“Até quando, até quando que as donas Marias vão chorar ao ver seus filhos se embalando?” Machado nunca deixou de participar do AA. Ele explica que para se tornar membro, basta ter um único propósito: “querer parar de beber, então, basta comparecer nas reuniões, não há custo”. O lema deles é “evite o primeiro gole”. Não há grupo no Jardim Paraíso, mas quem já está consciente do seu problema e quiser apoio pode telefonar para o escritório central do AA, 3455-2966, ou para 34671501 ou 9106-2039 (perguntar sobre o AA). Para quem pode se deslocar, no bairro Espinheiros, na sala da igreja Nossa Senhora dos Navegantes, próximo ao Barco Príncipe, todas as segundas, às 19h30, acontecem encontros do AA.

“Os irmãos não vão ver que viver é o melhor plano?”

Tânia destaca que é preciso ter força para superar o tabagismo Faz um mês que Tânia Mara Salles, 44 anos, entrou no grupo de tabagismo da Unidade de Saúde I e II. A dona de casa reconhece que se não fosse o apoio do grupo não estaria conseguindo. Além disso, o estímulo da família é fundamental para o tratamento. Tânia relata que, quando era fumante, ninguém gostava do cigarro, mesmo assim ela respeitava quem convivia ao seu lado. Durante os trinta anos que o tabaco fez parte do cotidiano, as relações sociais estiveram ameaçadas. Tânia diz que às vezes era convidada a participar de retiros espirituais, mas, por não poder levar a carteira de cigarros, não ia. O vício veio através da imitação: “Na minha juventude era moda fumar”, alega a mulher que se encantava com os fumantes globais e hollywoodianos. No início, ela até se “afogava” para aprender a fumar. Já a força para conseguir superar o mal causado pelo cigar-

ro vem dos benefícios obtidos, entre eles, a melhora na respiração e o retorno do paladar. Tânia descreve que os primeiros dias do tratamento são horríveis: “De cinco em cinco minutos aquela vontade aparece e penso em desistir. Nesta hora, masco chicletes ou bebo um copo com água. É preciso ter muita força de vontade”. Com o passar dos dias, ela assegura que a vontade diminui. Para ela, a pior coisa é jogar a carteira fora, pois o fumante fica desesperado ao saber que não tem o tabaco, o que precisa ser feito é conscientizar, antes de parar. Tânia lembra que as pessoas precisam persistir. Se alguém iniciou o tratamento ou está tentando parar de fumar, e teve alguma recaída, não há necessidade de ter vergonha, isso é um processo natural.

“Infelizmente irmão, Essa dor demora a ir embora das pobres --

descasque uma fruta, caminhe ou beba água. Para fazer parte do grupo, agende uma consulta de avaliação com o médico. Na primeira fase são quatro encontros, realizados todas as Quando Leilane Francieli quintas, às 15h. A segunda Costa, 23 anos, sentia von- fase são dois encontros quintade de fumar, ela assaltava zenais e a terceira um encona geladeira. A balança ago- tro mensal durante um ano. ra acusa 13 quilos a mais. A agente comunitária, no en*Os nomes foram mudatanto, garante que o aumen- dos ou contém apenas o apeto da sua massa não a deixa lido por opção das fontes. triste. Pelo contrário, prefereo ao fumo. Leilane também “Porque é sua participou do grupo de tabamãe quem chora, gismo e há quatro meses não Mãe que implora acende um cigarro, fato que quando vê seu filho. durante nove anos fez parte Causa dor de ver de sua vida. entrando para o criA jovem reconhece que me ou para a nóia. não são todas as unidades É só viver meu!” de saúde que oferecem esse (Letra, Kiko) tipo de apoio. “É necessário pressionar o seu médico para que ele traga o tratamento. Quem o tem precisa dar valor e agarrar a oportunidade com as duas mãos”. Quem está com dificuldades para deixar o cigarro, deve evitar bebidas alcoólicas, café e permanecer ao lado de fumantes. Quando a vontade aparecer,

Marias. Das suas memórias, Que viram seus filhos entrando nesse mundo indo logo embora”.

Kiko, integrante da banda Esquadrão JP


Setembro de 2007

COMUNIDADE

E o “Força Tarefa”... No dia 02 de agosto de 2007, aconteceu um evento promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Regional de Joinville, precisamente, o que eles denominam “Força Tarefa”. Queremos esclarecer que, para nós aqui do Jardim Paraíso, isso teria outro nome: “ação cidadã”. Contudo, o mais adequado, talvez, seria denominar de “ação solidária relâmpago”. Relâmpago porque tudo aconteceu numa tarde. Depois de tantos anos de abandono do Estado, em relação ao nosso bairro, o governo desce de pára-quedas com toda sua estrutura de poder e despeja em

nossa comunidade tudo o que nós não temos e estamos cansados de reivindicar ao poder publico: esporte, lazer, cultura e lanche da tarde. Não quero dizer que isso foi ruim, mas nós precisamos de esporte, lazer e cultura todos os dias. Só deixaram o gostinho nos olhos contentes das nossas crianças que passaram uma tarde com “gente fina” ao seu redor. No mesmo local do evento, há cinco meses uma “Força Tarefa” com cinqüenta policiais despejou duas famílias de nossa comunidade. Para que o povo esqueça as injus-

de educação informal para o público alvo, que é a razão principal deste ideal. A coordenação realizará um bingo com o objetivo de arrecadar fundos para o grupo, no dia 15 de setembro (sábado), às 19 horas, no galpão de eventos da Comunidade São João Batista,

tiças, faz-se festas. Por isso, dispensamos estas atitudes passageiras. Sabemos o que precisamos e o que queremos: responsabilidade política. O governo demonstrou sua solidariedade autoritária. Ninguém sabia o que iria, seria e ou estaria acontecendo. Nem os próprios funcionários do Estado, que aqui residem, sabiam direito o que significava tudo aquilo, nem mesmo as lideranças políticas. O evento tinha uma cara de politicagem, não conseguimos ver de outra forma. *Dejacir Pinho Padre

em Ribeirão do Cubatão. A iniciativa vai dar um passo a mais para o futuro, rumo a uma melhor qualidade de vida para todos.Contamos com a presença de todos os leitores do Jornal Paraíso. *Everaldo Luiz Fagundes Coordenador do “Em prol da vida” Arquivo “Em prol da vida”

COMUNIDADE

Desconhecido ajuda família

Grupo de dança auxilia crianças O trabalho de inclusão social do Grupo de dança e teatro “Em Prol da Vida” tem transformado a vida de muitas crianças, adolescentes e jovens na Comunidade Ribeirão do Cubatão. Fundado em 03 de maio de 2004, o grupo apresenta performances artísticas de cunho social e religioso no município de Joinville e cidades vizinhas. Com uma nova proposta de reestruturação, o grupo pretende formalizar-se como instituto e dar novas opções

Conseg Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) é um grupo de pessoas da comunidade que se reúne para discutir, analisar, planejar e acompanhar a solução dos problemas de segurança, assim como estreitar laços de entendimento e cooperação entre as várias lideranças locais. Segurança não é só problema de polícia. Há várias questões que podem ser tratadas no Conseg. NÃO É FUNÇÃO DO CONSEG, construir, reformar posto policial, comprar ou reformar viaturas.

Na edição anterior, trouxemos a conturbada história do despejo de Alete, da reconstrução da sua casa e da angústia em ter de viver numa sala de catequese. Sensibilizado pela situação da família de Alete Vogt, 46 anos, no dia 06 de agosto, as 8h30, um senhor magro, não muito alto, pele branca e cabelos castanhos chegou de bicicleta na sala da igreja. Leila Aline Kutzner,16 anos, filha de Alete, ficou desconfiada no primeiro momento, mas logo o sorriso doce daquele homem, que não quis

se identificar, amoleceu o coração dos que ali moram. “Ele chegou e fez um monte de pergunta e disse que veio nos ajudar. Perguntou o que faltava para acabar a casa e o que eu estava precisando”, recorda Alete. Sem falar nada o benfeitor saiu. Depois de alguns minutos ele voltou com uma vale de R$ 400 de uma loja de material de construção do bairro. Perguntou se a família passava fome e sem demora a chefe da casa respondeu: — Ontem acabou meu gás, não consigo aquecer a água.

O homem lhe entregou R$ 200 em dinheiro, usados para comprar o botijão de gás, fraldas, leite, carne, tomate, cebola e pagar a prestação de uma máquina de costura usada. As surpresas não pararam, dois dias depois um caminhão, por ordem daquele mesmo homem, entregou um guarda-louça com duas partes, uma mesa com quatro cadeiras, um roupeiro com quatro portas e um sofá-cama com dois colchões. “Ganhei presente de dia dos pais e o Papai Noel

Há quatro anos Joel Moraes de Oliveira, 46 anos, dono de uma confecção, e seu amigo Zequinha, vêm difundido o esporte no Paraíso. Através destes dois cidadãos, jovens e crianças têm a oportunida-

de de jogar bola, ao menos, uma vez por semana. O mito de que mulher não é boa de bola é desmentido pelo time feminino do bairro. Elas treinam todas as quartas, às 18h, na quadra

de areia, ao lado da base da Polícia Militar. Já os garotos têm mais de uma equipe. Há o sub-9, que joga futsal, o time de areia e o de campo que, pelo terceiro ano, participa do torneio Priscila Noernberg

Objetivo

Prioridade Aproximar e integrar mais a polícia e o cidadão. Planejar a ação comunitária e avaliar os resultados. Levar diretamente à autoridade as reivindicações da comunidade. Auxiliar no combate às causas da violência e da criminalidade. Desenvolver campanhas educativas visando orientar a população. Quem pode participar Organismos Policiais que atuam no local, o cidadão comum que resida, estude ou trabalhe na comunidade, autoridades públicas de diversos órgãos e esferas de governo, as organizações não-governamentais que atuam na comunidade, comerciantes locais e imprensa.

LOJA DO BENTO Venha conferir nossas novidades!

*Jair Ferreira Nonato Cabo e integrante do Conseg

Avenida Júpiter, 553 Tel: 3467 - 1697

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veio bem adiantado esse ano. Eu só tenho a agradecer esse anjo do fundo do meu coração. Agora poderei sarrafear e colocar forro. Graças a ele nós não passaremos frio!” comemora Alete. Os móveis antigos já têm destino garantido, serão doados para irmã de uma amiga da família. O vale do material de construção está sobre responsabilidade da associação de moradores que, junto com outros voluntários, vêm auxiliando Alete. Com o auxílio destas pessoas, a moradia já está pintada e com água, fal-

ta apenas instalação de energia elétrica. A família deve se mudar em menos de um mês. Priscila Noernberg

Móveis novos para a casa

Voluntários realizam atividade esportiva no Paraíso

Mobilizar e congregar forças da comunidade para a discussão de problemas locais de segurança.

“Em Prol da Vida” traz inclusão social

Setembro de 2007

Jovens se reúnem semanalmente para jogar bola

Um século na arte de educar! Av. Juscelino Kubitschek, 440 Tel: 3433-3877 --

“Copão”. Os menores treinam aos domingos, às 9h, na Escola Hans Dieter Schmidt. Os meninos da areia jogam no mesmo dia e local das meninas, mas às 17h. Quem se interessou e quer fazer parte de algum time pode procurar Joel Oliveira, em qualquer local dos treinos. Joel faz um alerta:

poderá jogar apenas quem tiver o comprometimento e apoio dos pais. Aos garotos que pretendem não ter compromisso, todos os sábados, à tarde, há sempre uma “pelada” na areia. Se você quiser ajudar esta iniciativa também, pode procurar o Joel num dos lugares de treinamento citados.


Setembro de 2007

EDUCAÇÃO

Três, dois, um... ação! Arte e fotos: Priscila Noernberg

Era uma vez uma escola chamada Rosa Berezóski. Lá os alunos gostavam tanto de ler, que no dia 22 de agosto, o autor...

Monteiro Lobato decidiu fazer uma visitinha. (Heron) Para comemorar a chegada, Karolina, Manoela, Sanciara, Keli, Caroline e Juliana resolveram apresentar “A dança da Aritmética”

Até um burrinho surgiu. (Tamires, Tais, Jéssica, Jaqueline, Israel, Bruno, Heron, Alisson, Geremias e Fernando)

Todos poderiam chorar com as encenações, mas Joseph Climber não! (Eduardo, Kellen, Dalciane e Marina)

A professora Eliane também não quis ficar para trás. Como toda boa história, havia até um príncipe. (Wellinton, Émerson, Camila, Elenita, Tuane, Bárbara, Alexandro, Jéssica, Mabile, Carlos, Brenda e Lizangela)

Expectativas da juventude Uma pesquisa realizada por psicólogos constatou que 91% dos estudantes do Paraíso acessam, de alguma forma, à Internet. A análise foi desenvolvida em 2006 por Gisele Schwede e Nasser Haidar Barbosa, na escola Deputado Nagib Zattar. Na ocasião, 375 jovens foram entrevistados. O objetivo era descobrir aspectos da vida destes estudantes, seus sonhos e interesses. Na última reunião do Conselho Comunitário, realizada no dia 9 de agosto, os pesquisadores apresentaram o fruto do trabalho. Entre muitos dados do diagnóstico, foi comprovado que há falta de áreas de lazer. A idéia de cidade provinciana, de pais que

criam seus filhos com visão trabalhista também foi confirmada com o resultado da pesquisa. Dos entrevistados, 16% almejam emprego, 9,9% pretendem ter bens materiais, 10% querem ter sucesso ou fama e apenas 10% sonham continuar estudando. Outro dado, apontado pelos pesquisadores como alarmante e que precisa ter um rápido retorno comunitário, refere-se à orienta-

ção sexual: 34% não fazem uso freqüente de métodos anticoncepcionais quando julgam estar numa relação estável com o parceiro. A partir destas informações, agora é crível ter dados mais próximos da realidade local e coerência em tudo o que é discutido no bairro. Através do material, também será possível fundamentar projetos e planejar com maior rigor as atividades desenvolvidas.

Onde uma ovelha foi, a outra ia atrás... (Jéssica e Caroline)

O Menino Maluquinho estava com tanto sono.. (Willian)

O amor compareceu! (Ysadora, Priscila, Mariana, Gleidison, Cristiano, Daniela, Patrícia,)

T me eve n b (Ta on ina mi ita Bru res, ... Je n oe

s He sica, on)

Priscila Noernberg

Até um ladrão se arrependeu! (Keila, Renan, Gabriel, Alessandra, Tarla, Karina e Angélica)

Ao final da “Dança da Emília”, todos ficaram felizes para sempre ao voltar para a sala! (Caroline, Kellen, Juliana, Manoela, Karolina)

Psicólogos entrevistaram 375 estudantes em 2006

Fim!

Edição 3 ano 1 Setembro de 2007  

Exemplos de superação para motivar o bairro

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