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Braganรงa Paulista

Sexta

18 Setembro 2015

Nยบ 814 - ano XIV jornal@jornaldomeio.com.br

jornal do meio

11 4032-3919


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Para pensar

Jornal do Meio 814 Sexta 18 • Setembro • 2015

O cuidado de Francisco por Mons. Giovanni Baresse

Desde o começo de sua missão como Bispo de Roma – e segundo a Tradição Apostólica – sucessor de Pedro para ser ponto de unidade na Igreja e confirmar seus irmãos na fé (Mateus 16,18-20; João 21,15-17), o Papa Francisco tem tido uma preocupação marcante: que a Igreja manifeste o amor, a bondade, a misericórdia de Deus para com todas as pessoas. São muitas as suas manifestações, exortações nesse sentido. Quero lembrar três das suas preocupações mais recentes: a proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia; o empenho para a acolhida dos refugiados, vítimas das guerras no Oriente Médio e imigrantes de vários países da África e Ásia, em razão de graves problemas de corrupção, perseguição de minorias, etc., e a simplificação da burocracia que se refere ao processo de Nulidade Matrimonial. Ele faz a gente lembrar que na Bíblia a fonte de compreensão da misericórdia é a palavra “rahamin”. Esta faz referência

às entranhas, um amor visceral como o amor da mãe pelo filho. E isso faz a gente recordar o que diz o profeta Isaias (49,15): “Por acaso uma mulher se esquecerá da sua criancinha de peito? Não se compadecerá ela do filho de seu ventre? Ainda que as mulheres se esquecessem, eu não me esqueceria de ti”. No Ano Jubilar, a ter início no dia 8 de dezembro e que irá até o domingo de Cristo Rei de 2016, será possível vivência maior do Sacramento da Penitência e, ao mesmo tempo, um revigoramento da riqueza das Indulgências que poderão ser obtidas pela prática de atos de piedade e caridade. Pretendo abordar o tema das Indulgências em outra ocasião. Para quem desejar mais informações sobre o ano jubilar e sua intencionalidade recomendo a leitura do documento que o Papa escreveu (O rosto da misericórdia) que é facilmente encontrável. Quanto ao acolhimento dos refugiados e imigrantes o Papa tem insistido de forma muito clara. E, muitas vezes, tem sido criticado pelos

grupos xenófobos que estão pipocando por toda a Europa. Mas ele vai fazendo e indicando caminhos. Seu último pedido é que as paróquias e instituições eclesiais acolham as famílias que puderem. Quanto à modificação da legislação sobre o processo de nulidade matrimonial sua indicação é que agora caberá ao Bispo de cada Diocese, auxiliado por sacerdotes ou leigos, promover o encaminhamento dos casos e, quanto possível, sempre gratuitos. E que os casos sejam resolvidos na diocese. Com isto o Papa Francisco deu uma resposta às preocupações que surgiram quando da realização da III Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, realizada em outubro de 2014, em Roma, e que tornou clara a dificuldade de membros da Igreja terem acesso aos tribunais eclesiásticos. Já fazia tempo que se apresentava a necessidade de tornar mais ágil a solicitude para os muitos casos de separações de casais. Embora tenham sido criados diversos tribunais em nosso país o encaminhamento dos

processos era moroso no que se refere ao colhimento de provas, mobilidade para as audiências e, também, o custo financeiro. O cuidado do Papa Francisco é o de tornar possível um atendimento mais próximo, mais pessoal que burocrático, de modo a auxiliar àqueles que querem seguir os caminhos do Senhor possam superar obstáculos que tenham surgido diante da celebração de um sacramento que não existiu por erros humanos. O Papa afirma que o Bispo e os párocos devem seguir com ânimo apostólico os casais separados ou divorciados que por sua condição tenham eventualmente abandonado a prática religiosa. Não se trata nesta atitude pastoral de tornar menor o caráter indissolúvel e fiel do sacramento do matrimonio. Trata-se de dar auxílio para corrigir situações que geraram sofrimento e dor a partir de alicerces mal colocados quando do casamento. O rosto materno e paterno de Deus deve resplandecer nas atitudes de todos os cristãos para que os que estão afastados

Expediente Jornal do Meio Rua Santa Clara, 730 Centro - Bragança Pta. Tel/Fax: (11) 4032-3919 E-mail: jornal@jornaldomeio.com.br Diretor Responsável: Carlos Henrique Picarelli Jornalista Responsável: Carlos Henrique Picarelli (MTB: 61.321/SP)

As opiniões emitidas em colunas e artigos são de responsabilidade dos autores e não, necessariamente, da direção deste orgão. As colunas: Casa & Reforma, Teen, Informática, Antenado e Comportamento são em parceria com a FOLHA PRESS Esta publicação é encartada no Bragança Jornal Diário às Sextas-Feiras e não pode ser vendida separadamente. Impresso nas gráficas do Bragança Jornal Diário.

da Igreja, por qualquer razão, percebam que ela é a concretização de quem deve anunciar a Boa Nova “aos que estão perto e aos que estão longe” (Efésios 2,17). Esse é o cuidado, o zelo, a preocupação do Papa.


ReflexĂŁo e PrĂĄxis

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PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS

www.coquetel.com.br

um par de chifres

por MIRIAN GOLDENBERG /Folhapress

Desde 1988 venho estudando a

se sentem suficientemente reconhecidas

infidelidade na cultura brasileira.

pelos maridos e encontram nos amantes as

Um dos dados mais interessantes

provas do prĂłprio valor. Nestes casos, a ideia

que encontrei ĂŠ que a infidelidade feminina

de levantar a autoestima ĂŠ muito presente,

parece ser motivada, em grande parte, pelo

como mostrou uma professora de 41 anos:

desejo de vingança.

“Meu amante faz questĂŁo de me elogiar

A vingança mais óbvia Ê quando o marido

o tempo todo, diz que sou a mulher mais

ĂŠ infiel e a mulher quer “dar o trocoâ€?, como

linda e gostosa do mundo. EstĂĄ sempre

contou uma jornalista de 35 anos.

disponĂ­vel, me valoriza, faz tudo para me

“Descobri que meu marido estava me

agradar. É o oposto do meu marido, que só

traindo com uma mulher que conheceu no

me critica, implica com tudo e me bota para

Facebook. Fiquei com Ăłdio dele, mas nĂŁo

baixo. Se eu nĂŁo tivesse um amante, minha

quis me separar. Ele foi o meu primeiro na-

autoestima estaria no buraco.�

morado. Temos dois filhos pequenos, uma

As mulheres que pesquisei culpam seus

casa linda, muitos projetos em comum.

maridos pelas próprias traiçþes, demons-

Depois de descobrir a traição, tive um caso

trando que a falta de reconhecimento, de

com um colega de trabalho. Nem gostava

elogios e de valorização podem ser muito

muito dele, mas precisava sentir o gostinho

mais ameaçadoras para a fidelidade no ca-

da vingança.�

samento do que a falta de sexo, de dinheiro

Existem outros tipos de vingança, como a

e atĂŠ mesmo de amor.

de uma empresĂĄria de 49 anos que queria

Serå que a vingança Ê apenas uma desculpa

provar ao marido (e a si mesma) que ainda

utilizada por algumas mulheres para justi-

ĂŠ atraente.

ficar (ou tornar mais aceitĂĄvel) as prĂłprias

“Meu marido faz um sexo burocrĂĄtico, marca

traiçþes? Ou, como disse a empresåria,

ponto todo sĂĄbado ou domingo. NĂŁo me

“alguns maridos merecem mesmo um belo

sentia mais uma mulher atraente, desejĂĄvel,

par de chifres�?

sexy. AtĂŠ que conheci um rapaz que me trata como uma deusa do amor e do sexo. NĂŁo

MIRIAN GOLDENBERG ĂŠ antropĂłloga,

consegui resistir. Mas bem que meu marido

professora da Universidade Federal do Rio

merece um par de chifres�.

de Janeiro e autora de “A Bela Velhice� (Ed.

TambĂŠm existe outra justificativa feminina

Record)

para a traição: quando elas dizem que não

miriangoldenberg@uol.com.br

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Comportamento Meu marido merece

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Pedro Marcelo Galasso: cientista polĂ­tico, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com

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beneficiando algumas tribos ou etnias, ou quando impuseram novas fronteiras e, com isso, impondo o remanejamento físico de milhares de pessoas para que os interesses europeus fossem atendidos Ê possível identificar uma das origens históricas desta delicada e triste questão. Outro fator histórico a ser apontado envolve as questþes religiosas. E, aqui, dois fatos são muito relevantes. O primeiro Ê a criação do Estado de Israel um fato importantíssimo que criou uma sÊrie de quebras dentro da estrutura da religião islâmica, alÊm de modificar por completo as fronteiras nacionais existentes e transformar o Estado de Israel no alvo de alguns países da região contrårios a sua existência. Como segundo fato, o surgimento do fundamentalismo islâmico que surgiu como uma resposta clara e contundente a presença ocidental na região e, ainda, como oposição ao Estado de Israel foi capaz de oferecer ao menos afortunados um motivo e um modo de vida que lhes parece mais justo e acertado que o modo de vida ocidental que lå se experimentava. A leitura fundamentalista do islamismo criou grupos religiosos radicais que praticam atos terroristas e outros atos atrozes e que fazem com que grupos minoritårios ou países inteiros procurem refúgio onde lhes parece mais seguro. Curioso ler as notícias sobre os migrantes ou refugiados chegando aos milhares na Europa, pois como foi exposto acima, parece que a História oferece ao Antigo Continente a chance de reparar e assumir as responsabilidades que devem ser atribuídas as suas açþes expansionistas e, por isso, históricas.

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As imagens de milhares de pessoas buscando refúgio na Europa causam um forte impacto e desconforto por conta do desespero estampado nas feiçþes daqueles que buscam fugir de conflitos armados ou que migram em busca de melhores condiçþes de vida, basta pensar nas ilhas gregas que não conseguem mais recebê-los. Neste caso, a Europa, por conta de sua proximidade geogråfica com a à sia e a à frica, se torna a escolha mais lógica e acessível aos milhares de migrantes que vagam pelo Mar Mediterrâneo ou que caminham por milhares de quilômetros entre estes três continentes. É importante frisar que estes movimentos migratórios ou de refugiados tambÊm ocorrem no Oceano �ndico com milhares de barcos vagando em direção a morte e produzindo cenas assustadoras, como o canibalismo nas embarcaçþes ou barcos com milhares de mortos por doenças como a peste negra, doença que dizimou milhþes de europeus no sÊculo XIV, jå que alguns países fecharam suas fronteiras, lançando estes barcos a própria sorte. Entretanto, o que não tem sido discutido Ê a responsabilidade histórica da Europa frente a estes movimentos jå que o imperialismo europeu na à sia e na à frica, uma política expansionista e agressiva que buscava åreas fornecedoras de matÊrias primas e, quando possível, criar um mercado consumidor, foi responsåvel pela desestruturação tribal e pelas modificaçþes de fronteiras constituídas ao longo de incontåveis geraçþes com um equilíbrio de poder e costumes que permitia a ocorrência de conflitos locais e esporådicos que amenizavam as diferenças e perpetuavam as estruturas de poder ali existentes. Entretanto, quando os países europeus transformaram estas estruturas de poder,

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por pedro marcelo galasso

Europa

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Jornal do Meio 814 Sexta 18 • Setembro • 2015

por Shel Almeida

Quando se fala em Mobilidade Urbana, logo se pensa em ciclovia. Mas o assunto é muito mais amplo do que isso: mobilidade urbana diz respeito, como o próprio termo sugere, a como você se move dentro da cidade onde vive. E também no quanto essa cidade está preparada para as pessoas. Diz respeito à ciclovia sim, mas também ao transporte público, ao trânsito de carros e motocicletas, a acessibilidade. Pensar em mobilidade urbana é pensar em uma cidade para todos e em opções de locomoção para todos. Para refletir, debater e, principalmente, conscientizar sobre o assunto, a Comissão de Meio Ambiente da OAB, juntamente com o Coletivo Socioambiental, a Associação Bragança Mais e a Associação Bragantina de Ciclista, promove, no próximo domingo, dia 20 de setembro, a partir das 9h, a 1ª Caminhada de Conscientização, em celebração ao Dia Mundial Sem Carro, comemorado no dia 22 de setembro. O ponto de encontro é o Lago do Taboão, em frente ao Mini Mis - Casinha do Lago. A caminhada seguirá até a Praça Raul Leme e os ciclistas também estão convidados a participar. A advogada Gabriela de Moraes Montagnana, presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB, explica a intenção da ação: “Sempre tivemos a preocupação de deixar claro que a nossa campanha não é apenas em prol da uma ciclovia para a cidade. A gente está lutando para que o transporte coletivo e a mobilidade não motorizada sejam a prioridade. E não é uma luta vã, porque é algo que a própria legislação federal impõe que seja feito. Na verdade, a nossa luta maior é pela elaboração do Plano Municipal de Mobilidade Urbana. E esse plano tem que prever isso. Uma coisa que tudo mundo fala, por exemplo, é que aqui em Bragança é quase impossível se locomover a pé, ou porque a calçada está em péssima condição ou porque não existe calçada. Falar sobre isso é falar sobre mobilidade urbana. A nossa campanha é para a conscientização de que é preciso se discutir esse assunto”, fala Gabriela.

do procurando vaga para estacionar. Se o trânsito está absurdo, é porque você também está nele. Tente outro teste, pelo menos uma vez: faça o mesmo trajeto que você faria de carro, a pé. E cronometre o tempo, para depois comparar. Você irá perceber, claro, que andar a pé não é tão fácil assim, nem sempre os motoristas param na faixa de pedestre, a calçadas, em geral, tem desnível, dependendo do lugar, você vai precisar esperar outro pedestre passar, porque não cabem dois ao mesmo tempo. Em outro ponto você poderá precisar andar do lado dos carros, na rua mesmo. É difícil, cansativo. Mas se você se propor a fazer esse teste, irá começar a ver a cidade de uma outra forma. Notar coisas que nunca havia notado por estar sempre dentro do carro. E só assim irá criar empatia suficiente para entender que isso também é mobilidade urbana. E que a cidade precisa estar preparada para quem anda a pé também. E para

quem precisa se locomover de bicicleta ou de ônibus. A cidade não foi feita para os carros, mas para as pessoas, para todos os tipos de pessoas. As calçadas e as ruas precisam ser acessíveis para quem se locomove de cadeira de rodas, para quem tem pouca mobilidade, para quem precisa do apoio de uma bengala ou de um cão guia. É preciso, antes de tudo, que haja uma mudança de pensamento, que as pessoas comecem a olhar ao redor e notar que, se a cidade não está preparada para as necessidades de um grupo específico de pessoas é porque na verdade não está preparada para nenhum.

Opção e escolha “É importante que as pessoas entendam que, no caso da ciclovia, a luta é para que haja opções na forma de nos locomovermos dentro da cidade. Muita gente acha que aqui em Bragança as pessoas só andam de bicicleta para se exercitar, mas não, Tem

muita gente que sai da zona norte da cidade e vem aqui para o centro de bicicleta, como meio de transporte. A ciclovia é essencial para garantir segurança para quem queira optar pela bicicleta. A mesma coisa vale para o transporte público. Eu tenho que ter um transporte público de qualidade para poder optar por ele. A luta é para que todas as pessoas possam escolher a forma como querem se locomover pela cidade. Se eu quiser me locomover de bicicleta, eu preciso ter opções seguras para isso, se eu quiser sair a pé, a mesma coisa, se eu quiser sair de ônibus, eu preciso ter um transporte público de qualidade para que eu possa optar por ele. E se eu quiser sair de carro, eu possa sair sem me estressar no trânsito. Hoje a gente não pode escolher porque não temos essas opções Muitas pessoa escolhem o serviço de moto táxi, por exemplo, porque o transporte público é terrível. O que a gente quer é que as pessoas possam escolher”, finaliza.

Conscientização e mudança de pensamento A elaboração de um Plano Municipal de Mobilidade Urbana faz com que a cidade tenha que se adaptar ao que está previsto no plano. Por isso é de extrema importância que a população tome consciência de que é preciso se discutir e debater o assunto. Todo mundo que vai para o centro da cidade sabe que o trânsito local está se tornando bem complicado, estamos nos tornando uma pequena São Paulo. Os fatores para que isso esteja acontecendo são vários: cidade construída sem planejamento, aumento populacional e, consequentemente, aumento de automóveis. Mas, o maior problema de todos é a falta de conscientização das pessoas. Faça um teste: pare, a pé, em qualquer ponto da Av. Antônio Pires Pimentel, ou de qualquer outra rua do centro, e fique olhando os carros que passam. Conte quantos estão ocupados por mais de uma pessoa. Aposto que, de cada 10 carros, no máximo três estarão com mais alguém além do motorista. Quanto mais carros, mas tempo no trânsito, mais estresse, mais atraso, mais tempo perdi-

A advogada Gabriela Montagnana propões o debate sobre mobilidade em comemoração do Dia Mundial Sem Carro, que, em Bragança, será comemorado no domingo dia 20.


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Novos Rumos

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Treinamento para alavancar

a produtividade por José J. B. Freire

Caros leitores, hoje eu gostaria de abordar um assunto importante e que costuma gerar muitas dúvidas para os empresários e líderes, TREINAMENTO. De forma geral, os líderes almejam performances cada vez melhores e para isso precisam vender cada vez mais, gastando cada vez menos, mantendo sua equipe satisfeita e produtiva e o cliente feliz. O treinamento é fundamental para que sua equipe se mantenha motivada e produtiva. Antes de realmente abordar o tema deste artigo, sugiro uma breve reflexão: qual é o modelo de gestão que você adota ou gostaria de adotar? Basicamente, temos dois modelos de gestão, o modelo autocrático e o modelo de gestão por competência. O modelo autocrático não abre espaço para os colaboradores darem opiniões e influenciarem na tomada de decisão, tampouco existe confiança por parte do empresário no fato de que seu funcionário irá cumprir com seus deveres. Já o modelo por competência compreende quais são as competências organizacionais críticas para o sucesso da organização, desdobrando-as em competências profissionais de seus colaboradores, o que invariavelmente se resume em ter, para cada cargo, uma descrição de quais são as competências, habilidades e atitudes relacionadas a esse cargo. Este modelo de gestão é o mais moderno e também o que

gera melhores resultados, uma vez que as e gaste em torno de 1% de seu faturamento pessoas exigem cada vez mais respeito e com esta área. desejam crescer profissionalmente. Mas, o mais comum é uma empresa não Se sua empresa opta, ou deseja optar, pelo ter condições de ter uma área de recursos modelo de gestão de pessoas por competênhumanos, muito menos uma área de T&D. cia, é necessário fazer bem feito duas coisas: Para estes casos, seguem dicas importantes: recrutamento e treinamento. Recrutar 100% 1- Fixe um orçamento entre 1% e 3% de da equipe já pronta, que tragam consigo seu faturamento para treinamento de sua as competências, habilidaequipe; des e atitudes necessárias é 2- Mapeie quais as compeEmpresas que muito difícil, por isso existe tências, habilidades técnicas investem em a necessidade de se realizar e atitudes são necessárias treinamentos que busquem para cada função na sua emtreinamento são continuamente manter a presa. Verifique quais são as equipe produtiva e satisfeita. mais bem sucedidas. principais características de Para demonstrar que o treiseus colaboradores e quais as namento é crucial, segundo a pesquisa do dificuldades de cada um. Crie um plano de SEBRAE sobre mortalidade das empresas, desenvolvimento individual para os mesmos as chances de sucesso de uma empresa aue explique para cada funcionário quais são mentam em 10% quando a mesma realiza os pontos que ele deverá desenvolver; algum tipo de treinamento básico para seus 3-Para dar treinamentos, procure emcolaboradores. presas especializadas (cursos técnicos e Uma vez que os líderes decidem que devem profissionalizantes); já se o conhecimento treinar seus colaboradores, as dúvidas coestiver dentro da empresa, no próprio líder meçam a surgir. Normalmente, as principais da empresa ou em algum funcionário, crie dúvidas são: Como estruturar o treinamento condições para que estas pessoas transmidos meus colaboradores? e: Quanto devo tam o conhecimento de forma estruturada gastar? e organizada; A resposta mais básica seria, crie uma área 4- Busque cursos gratuitos na internet e, de treinamento e desenvolvimento (T&D), dentro do horário de trabalho, oriente seus dentro da estrutura de RH de sua empresa. colaboradores a realizarem os cursos; as Tal estrutura conta em média com 1 espepossibilidades e ofertas são muitas, pesquise cialista de T&D para cada 250 funcionários e aproveite;

5- Quanto aos cursos que a empresa terá desembolso, ofereça-os inicialmente para os colaboradores com melhor performance e maior engajamento com a empresa, depois ofereça aos demais; 6- Para medir se a ação de treinamento está dando resultado, sempre compare a produtividade de cada colaborador treinado, medindo como era a produtividade antes e depois do treinamento. Mas lembre-se que o resultado não é imediato. Após os treinamentos, dê um prazo de até três meses para fazer a comparação. Para refletir... Os estudos de produtividade e desempenho de funcionários das empresas no mundo colocam o Brasil como um país abaixo da média, ou seja, somos pouco produtivos. Também repasso a vocês alguns dados retirados da pesquisa anual da ABTD (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento), resultado do ano 2014, sobre o assunto. Nos Estados Unidos, a quantidade média de horas de treinamento por colaborador em um ano, é de 30 horas. No Brasil, a média é de 17 horas. E para finalizar, no Brasil, o governo treina em média 22 horas cada funcionário e o setor privado treina em média 16 horas. Espero que tenham gostado do artigo de hoje. Sugestões ou dúvidas, entrem em contato por email: jose.freire@rroe.com.br.

Antenado

O Amor das Sombras Ronaldo Correia de Brito traça painel memorável e sombrio em novo livro por MARCELO O. DANTAS/FOLHAPRESS

Ronaldo Correia de Brito é escritor de talento, com passagens bem-sucedidas pela literatura infantil, pelo teatro e pela prosa de ficção. Seu mais recente volume de contos, “O Amor das Sombras”, prima pela coerência temática e pela qualidade. O volume tem como fio condutor o olhar crítico sobre a sociedade nordestina. Com estilo límpido, o autor traça retratos memoráveis do choque entre a herança patriarcal morrediça e um presente despido de esperanças. Sua matéria-prima, contudo, é o drama humano. As engrenagens sociais e as forças da natureza nunca roubam a cena, mas subordinam-se ao ritmo patético das pequenas tragédias quotidianas. Em contos como “Noite”, “Bilhar” e “Lua”, a força telúrica da narrativa se une a um caleidoscópico resgate da memória, com intrincados diálogos entre presente e passado. Mais que um seguidor de Ariano Suassuna ou Graciliano Ramos, o autor cearense mostra-se leitor atento do mexicano Juan Rulfo e de seu compatriota Octavio Paz. Também a delicadeza no trato das figuras femininas merece destaque. Contos como “Força”, “Amor” e “Sombras” mergulham com empatia na alma das protagonistas. Já em “Atlântico” ou “Véu”, a crueza do universo masculino se faz contrastar com a integridade de mulheres nas quais nossa triste humanidade se refugia. “Os homens são fracos”, diz o velho Gonçalo, em “Perfeição”. “Não nascemos com paciência para a abnegação, nem para os cuidados prolongados. Essa força amorosa pertence às mulheres.” Um subtom hierático perpassa toda a obra, cujo desalento diante da realidade remete a uma imemorial sede de Deus, hoje desacompanhada de verdadeira fé. Nessa linha, temas piedosos como o afeto pelos

filhos das diásporas e o lamento pela sorte dos pobres-diabos se fazem presentes em “Mellah”, “Helicópteros” e “Magarefe”, que completam o painel sóbrio (e, por vezes, sombrio). Talvez um trabalho mais rigoroso de revisão pudesse ter enxugado um par de contos, conferindo-lhes maior objetividade e pujança. Ainda assim, trata-se

de livro proveitoso, que merece ser apreciado com vagar e atenção. O amor das sombras AUTOR: Ronaldo Correia de Brito EDITORA: Alfaguara QUANTO: R$ 44,90 (224 págs.) Foto: Divulgação


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Momento Pet

Castração por Dr. André Alessandri

Hoje vamos abordar um tema que gera muitas dúvidas nos donos de animais de estimação: castrar ou não castrar? Embora ainda haja receio por parte de alguns donos, a castração traz muitos benefícios para nossos animais e tem se tornado cada vez mais frequente. Nas fêmeas, a castração previne muitos problemas, tais como tumores de mama, gravidez indesejada, outros tumores e infecção uterina. Isso ocorre, pois com a retirada do ovário e útero, a fêmea para de desenvolver os hormônios que um dia poderiam gerar tais problemas. Nos machos, muitos recorrem à castração dado ao fato do animal urinar muito e fora do lugar. Esse comportamento diminui, pois com a retirada dos testículos e consequente fim da produção da testosterona, o animal para de marcar território. Além disso, evita tumores e hiperplasia de próstata e tende a diminuir a agressividade. Ao contrário dos mitos populares, a castração não aumenta o apetite, apenas deixa o animal um pouco mais tranquilo,

o que gera um gasto energético menor e, por isso, sua alimentação deve ser regulada. Para algumas raças com maior tendência a obesidade, é interessante que, após a cirurgia, passem a se alimentar com ração light, que evita que engordem. Outro fator que gera algum desconforto nos proprietários é o medo da anestesia. Contudo, hoje são usadas técnicas modernas de anestesia, em que o animal é monitorado durante toda a cirurgia, que diminui imensamente o risco de algum problema. É importante ressaltar que a castração não é uma cirurgia simples. Exige exames pré-operatórios, técnica cirúrgica adequada e métodos anestésicos seguros, como a anestesia inalatória. Esse procedimento deve sempre ser realizado por um médico veterinário e somente dentro de um Hospital ou Clínica Veterinária. Qualquer dúvida ou sugestão de matéria, contate-nos pelo facebook da Simplício Clínica Veterinária 24h. Bom final de semana a todos e até o próximo momento pet!

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Veículos

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Yamaha R3

Por R$ 19.990, Yamaha R3 disputa mercado entre as motos ‘miniesportivas’ por GUILHERME SILVEIRA/FOLHAPRESS

A Yamaha apresentou em

Nota-se cuidado no acabamento

grande estilo seu mais recente

da R3, que dá a impressão de ter

lançamento: ao guidão da R3,

porte maior graças à carenagem e

o piloto de MotoGP (a Fórmula 1 do

aos faróis sisudos. Os espelhos são

motociclismo) Jorge Lorenzo levou

amplos, simples de regular.

a esportiva compacta ao limite no

Destaque para o painel iluminado

autódromo de Mogi-Guaçu (a 180 km

por LEDs, que indica o consumo

de São Paulo).

médio de gasolina e traz também

Produzida na Tailândia e montada em

“shift light”, uma lâmpada que pisca

Manaus (AM), a novidade sai por R$

ao atingir a rotação ideal para troca

19.990 na versão básica e R$ 21.990

de marcha.

quando equipada com ABS.

Confortável diante da proposta,

Sua mira está apontada para a Kawa-

o assento do piloto é mais largo

saki Ninja 300, que chega a R$ 22.990

somente em sua porção posterior.

com ABS.

Isso permite trocar de posição com

Amigável

rapidez ao “atacar” curvas, algo auxiliado pelo tanque com a base

Como sugere seu visual, a R3 tem fô-

estreita. O banco do garupa é ra-

lego para render boas emoções, mas

zoável em espaço.

sem abrir mão de conforto.

A Yamaha R3 terá consórcio próprio e

Dona de um guidão mais alto e recuado,

um ano de garantia. A venda tam-

esterça bem e tem as pedaleiras mais

bém será feita por financiamento.

baixas do que o usual. Assim, a posição de guiar não sacrifica o condutor. O motor de 321 cm³ e dois cilindros oferece respostas lineares e boa entrega de força. É feito para quem gosta de altas rotações, já que seu torque máximo (3 kgfm) chega a 9.000 rpm, com os 42 cv (ante 39 cv da Ninja) surgindo a 10.750 rpm. O câmbio de seis marchas faz engates certeiros, enquanto a embreagem a cabo tem acionamento macio. Quanto à suspensão, há um meio-termo entre o firme e o confortável. Nas voltas dadas no sinuoso traçado de Mogi-Guaçu, a ciclística chamou atenção em especial pela precisão de trajetória. Com discos simples (298 mm na frente e 220 mm atrás), os freios funcionam bem, mas pedem atenção em freadas mais fortes.

Bem acabada

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação


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Jornal do Meio 814 Sexta 18 • Setembro • 2015


814 Edição 18.09.2015