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Braganรงa Paulista

Sexta

21 Junho 2013

Nยบ 697 - ano XI jornal@jornaldomeio.com.br

jornal do meio

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para pensar

Jornal do Meio 697 Sexta 21 • Junho • 2013

Expediente

Namoro:

por Mons. Giovanni Baresse

Viajava, nestes dias, com um amigo para irmos participar das alegrias de um amigo comum que celebrava sessenta anos de idade e trinta e cinco de ministério sacerdotal. Entre tantas coisas que fomos conversando, num determinado momento, sou questionado sobre um artigo que escrevi há algum tempo sobre a ética sexual e o jeito como se vive o namoro hoje. Comentava o amigo se os critérios que eu defendia ainda tinham cabimento nestes nossos tempos de mudança de época. Cabia, ainda, defender a visão cristã sobre questões de sexualidade? Onde estava o embasamento bíblico-teológico da visão da Igreja nesse campo? Eu não teria reduzido, no meu artigo, a visão sobre a sexualidade, limitando-a? Não veria sem grande valor o modo de pensar dos que não são cristãos? Respondi que a visão do Magistério da Igreja na vivência do gesto sexual continua a mesma no que se refere aos valores fundamentais. Mas que não se desconhece a mudança dos nossos dias e

o que é isso? que a visão magisterial passa, necessariamente, pela análise da vida concreta. Na afirmação de que os princípios continuam válidos, mas eles devem ser aplicados às pessoas e que cada caso é um caso. A conversa me despertou para buscar o que tinha escrito. Por um erro meu parece que não salvei o tal artigo. Buscarei recuperá-lo. Valeu, no entanto, o questionamento para que retome o assunto. E o faço a partir da comemoração do Dia dos Namorados. Chamaram-me a atenção as propagandas. Foram muitas as que sugeriam noites românticas em motéis. Muitas as que sugeriam utilização de lingerie provocadora. Também da compra de objetos para apimentar a relação! Li em diversos jornais declarações de namorados e namoradas que se preparavam para passar a noite juntos em celebrações calientes! Um jornal deste fim de semana fala que 23% de adolescentes meninas, entre 10 e 15 anos, já usaram a pílula do dia seguinte. A reportagem fala que 75% das meninas e 60% dos meninos

já conheciam a utilização do medicamento para impedir gravidez. A coordenadora do Programa Estadual de Saúde do Adolescente afirma que a pílula expõe as jovens a situação de risco quanto às doenças sexualmente transmissíveis. Em relação a AIDS houve um aumento de 25% de casos em pessoas entre 10 e 19 anos. Percentual 25% maior que em 2010. Os fatos, como estes, para mim são suficientes para mostrar a validade da ética sexual marcada pela adesão a Jesus Cristo. Nela os relacionamentos sexuais só tem sua plenificação sob a ótica matrimonial. A relação sexual é uma das maneiras de homem e mulher afirmarem seu amor mútuo, sua fidelidade e expressarem, também fisicamente, sua unidade. O embasamento bíblico vai deste a declaração do Gênesis (2,24) até a sua confirmação por Jesus Cristo no Evangelho de Mateus (19,1-12). A partir da Palavra de Deus o Magistério da Igreja foi discernindo como essa Palavra deveria ser vivida. Se os tempos mudam e

o que eles propõem confronta com o dado da Fé e com a vida vivida da Igreja, devem mudar os comportamentos e não os princípios que nascem para dar ao ser humano a capacidade de viver valores que não coloquem em risco a sacralidade de sua existência. Se nossos tempos vivem uma dessacralização da sexualidade, aos cristãos cabe afirmar o seu valor. Não se trata de demonizar ninguém. Trata-se de ter a visão realista sobre o que constrói ou não a qualidade dos relacionamentos. A liberação sexual é movimento válido para que não haja tabus e discriminações. Mas quando cai no vale tudo é, para quem é cristão, inaceitável. Sejamos realistas: a qualidade dos relacionamentos tem melhorado o assumir o outro como companheiro/companheiro para amar? Não vivemos hoje a volatilidade das relações? Desde o ficar inconsequente aos encontros fortuitos de excitação erótica que se desfazem quando passa a novidade e se busca outro/outra mais “gostoso/a”? Sem falar em

Jornal do Meio Rua Santa Clara, 730 Centro - Bragança Pta. Tel/Fax: (11) 4032-3919 E-mail: jornal@jornaldomeio.com.br Diretor Responsável: Carlos Henrique Picarelli Jornalista Responsável: Carlos Henrique Picarelli (MTB: 61.321/SP)

As opiniões emitidas em colunas e artigos são de responsabilidade dos autores e não, necessariamente, da direção deste orgão. As colunas: Casa & Reforma, Teen, Informática, Antenado e Comportamento são em parceria com a FOLHA PRESS Esta publicação é encartada no Bragança Jornal Diário às Sextas-Feiras e não pode ser vendida separadamente. Impresso nas gráficas do Bragança Jornal Diário.

filhos do não-desejo? A norma comportamental apontada pela mensagem cristã, que constitui um “etos”, não é fácil. Por isso Jesus diz que nem todos tem capacidade de compreendê-la e vive-la! Não é por isso que se muda o que seria ideal. Este deve continuar iluminando o caminho. Cabe a cada pessoa que aceita ser cristã caminhar para ele. Concluo afirmando que também quem não é cristão tem valores. Sem dúvida valores como fidelidade, respeito, amor são chamados universais. Eles devem existir no coração de todos. Creio, porém, que o modo perfeito é aquele que Jesus indica.


comportamento

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O processo

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Em cinco anos de funcionamento, o Cadastro Nacional de Adoção só encontrou famílias para 1.899 crianças; mais de 45 mil continuam à espera em abrigos

Por IARA BIDERMAN / JULIANA VINES/FOLHAPRESS

O Cadastro Nacional de Adoção acaba de completar cinco anos, mas ainda está longe de atingir seus objetivos: agilizar processos na Justiça e reduzir o número de crianças em abrigos. Criado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o cadastro tem 29.284 adultos em busca de um filho e 5.471 menores aptos a serem adotados. Pouco para um universo de mais de 45 mil crianças e jovens à espera de um lar. Até hoje, 1.899 adoções foram feitas pelo cadastro. Os números não atendem as expectativas do CNJ. “Ainda está muito aquém do desejado”, diz Gabriel da Silveira Matos, juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça. O juiz Matos, no entanto, afirma que a ferramenta agilizou a aproximação e que o número de adoções resolvidas não pode ser desprezado. Há quase 40 mil crianças em abrigos que não estão no cadastro nacional porque ainda têm algum vínculo com a família biológica. É uma segurança: a criança só é cadastrada quando há uma sentença de destituição do poder familiar e não há mais qualquer possibilidade de a família recorrer, explica o advogado Antonio Carlos Berlini, presidente da comissão de adoção da OAB-SP. “Tem muito processo parado, muita criança crescendo em abrigos. Os números oficiais dizem cerca de 40 mil, mas estima-se que mais de 60 mil estejam em instituições hoje”, afirma Berlini. Esse problema é anterior ao CNA (sigla para cadastro nacional), diz a advogada Silvana do Monte Moreira, presidente da comissão de adoção do Instituto Brasileiro de Direito de Família. “Falta equipe técnica nas Varas da Infância e da Juventude. Isso faz com que todos os processos demorem. A habilitação dos pretendentes, que depende de entrevistas e visitas domiciliares, atrasa.” A gerente executiva do Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo, Mônica Natale, conhece pretendentes que esperam há dois anos para entrar na fila. “A situação é pior no interior”, avalia.

Caixa-preta

Uma das vantagens trazidas pelo cadastro nacional foi a “abertura da caixa-preta dos abrigos”, segundo Maria Bárbara Toledo, presidente da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção. Mesmo sem incluir todos os processos, os números registrados pelo CNA nesses cinco anos formam um retrato mais preciso da situação da adoção no Brasil e permitem uma análise do que melhorou e de onde estão os principais gargalos. Preconceito de cor, por exemplo, ainda atrapalha, mas vem caindo: em 2010, apenas 31% dos pretendentes afirmavam não se importar com a cor da pele da criança; hoje, 40% atestam isso no formulário do cadastro. O perfil da criança buscada já mudou muito, segundo Moreira. A mudança começou a partir de 2009, quando passou a ser obrigatório para os candidatos a pais adotivos fazer um curso na Vara da Infância ou em grupos de apoio. “Nesses cursos são debatidos aspectos da adoção inter-racial, de crianças mais velhas e de grupos de irmãos.”

Tempo e gente

Idade é o gargalo. Nove em dez pessoas querem crianças de até cinco anos, faixa que corresponde a menos de 10% das cadastradas. Para 90% entre oito e 17 anos, o percentual de adultos dispostos a adotá-las é em torno de 2%. Bárbara Toledo afirma que os grupos de apoio fazem um trabalho de persuasão em favor das “adoções necessárias”. Mas não dá para atribuir aos candidatos a pais adotivos toda a responsabilidade para resolver a questão. “Falar que os pretendentes são preconceituosos por não quererem crianças mais velhas é covardia”, diz ela. A solução, para Silvana Moreira, passa pela contratação de profissionais para tornar os processos rápidos, sem arranhar os direitos

das famílias. “Hoje muitas crianças ficam no limbo jurídico e acabam sendo filhas do abrigo.” Três de uma vez “Nosso primeiro encontro não foi mágico’ Quando o economista José Marcelo Monteiro, 44, casou com a administradora de empresas Luciana Marques, 42, há 13 anos, ele sonhava em ter três filhos. “Nem pensar”, disse Luciana, e o marido se conformou em ter um só. Luciana não conseguiu engravidar. Depois de vários tratamentos de fertilização assistida fracassados, o casal resolveu adotar um filho, de até quatro anos, no máximo. Começaram a frequentar grupos de apoio à adoção, enquanto esperavam ser chamados pela Vara da Infância do Rio de Janeiro, onde moram. O filho idealizado foi sendo trocado pela expectativa de uma criança real. Primeiro, ampliaram a faixa etária até seis anos. Depois, em vez de um, pensaram em adotar dois. “Imaginava um casal”, diz Luciana. Quatro anos atrás, o casal recebeu um aviso sobre três irmãos aptos à adoção. “Era muita criança para administrar”, diz Luciana. Mas os dois foram ao abrigo para conhecer Alexandre, Thaiane e Kaio --na época com dez, oito e três anos. “As pessoas falam que é um momento mágico quando você encontra seus filhos, mas não foi nada disso. Não vimos estrelinhas brilhando, só a possibilidade de formar uma família”, diz Marcelo. Tiveram medo também. “Se você adota criança mais velha, precisa enfrentar o medo da rejeição. E se ela não nos aceitar?”, diz Luciana. Mas a afinidade foi forte. “Nos primeiros oito meses não fomos pais, fomos bombeiros”, diz a mãe. O mais difícil foi colocar limites naqueles três irmãos que moraram na rua e sofreram violência doméstica. “Claro, não iam confiar de cara na gente”, diz Luciana. Para ela, a adoção não é ato heroico ou caridade. “Já me perguntaram até se foi para pagar promessa. Não foi, não serei abençoada por isso. Foi o desejo de ser mãe, de constituir uma família. Formei a minha e sou superfeliz.” (IB) Criança com necessidades especiais “Nós só pensamos em cuidar dela’ A aposentada Maria Rosa, 59, e o representante jurídico Márcio Mesquita, 56, planejaram seguir à risca a recomendação da psicóloga: contar à Patrícia que ela era adotiva depois dos seus 12 anos. O aniversário chegou, mas a psicóloga estava de férias. Os pais decidiram esperar. “Queria o acompanhamento de alguém preparado, temia a reação dela”, diz a mãe. Patrícia, então, chamou a mãe para uma conversa: “Mamãe, por favor, sente aqui e me diga a verdade”. A menina já sabia havia dois anos, a empregada tinha lhe contado que ela fora adotada. “Nós estávamos tão nervosos, a Pati nos acalmou, foi um alívio. A cabeça dela é muito boa”, conta o pai. O casal encarou naturalmente a adoção de uma criança com necessidades especiais. Patrícia, 15, tem paralisia cerebral, provavelmente por falta de oxigenação na hora do parto. Como qualquer mãe, Maria Rosa temia ter um filho com deficiência. “Mas ela tem e eu aceitei numa boa e a amo do mesmo jeito.” Quando foram buscá-la numa maternidade no interior de Santa Catarina, os médicos não souberam explicar direito a gravidade da coisa. O problema afeta o sistema neuromotor e obriga Pati a usar cadeira de rodas e muletas para se locomover. “Meses depois, quando tivemos o diagnóstico de paralisia cerebral, só pensamos em cuidar dela”, disse o pai. Pati,15, tem sessões semanais com fisioterapeuta, fonoaudióloga e psicóloga. Frequenta escola regular, está na oitava série e é ótima aluna. “Não sei se dá mais trabalho que outra criança, não tive outros filhos. Para mim, Pati é tudo”, diz a mãe. (IB)

“A maior parte das adoções feitas no país não entra no cadastro’ Quando o Cadastro Nacional de Adoção foi criado, uma meta era facilitar adoções interestaduais. Não funciona. Durante o processo de habilitação na Vara da Infância, a pessoa declara se quer adotar crianças da sua região ou se pode viajar. “Poucos se dispõem a viajar e juízes também preferem resolver regionalmente”, diz o advogado Antonio Carlos Berlini. O uso do cadastro acaba sendo excepcional, de acordo com o promotor de Justiça da Infância e da Juventude do Estado de São Paulo, Luiz Antonio Miguel Ferreira. “Primeiro se busca um pretendente na comarca ou no Estado. Procura-se deixar a criança em seu próprio meio.” Segundo a advogada Silvana do Monte Moreira, o CNA acaba não registrando boa parte das adoções. “A maioria delas é resolvida regionalmente antes de a criança ir para o cadastro. E muitas Varas não atualizam o sistema como deveriam.” De acordo com ela, há pretendentes que já adotaram e não foram excluídos do sistema. Outro problema é que há cidades que não usam o CNA porque as Varas da Infância não são informatizadas. No país, há 2.969 Varas da Infância e da Juventude e 243 delas não entraram no sistema, segundo Gabriel da Silveira Matos, juiz da Corregedoria Nacional de Justiça. Ele afirma que o CNJ está fiscalizando a atuação dos juízes de todo o país: “Qualquer falha dos magistrados na alimentação dos cadastros é objeto de apuração”. A Corregedoria Nacional de Justiça prepara uma reunião com o Conselho Nacional do Ministério Público para o próximo dia 16, em Brasília, com todos os magistrados, promotores e coordenadores da Infância dos Tribunais de Justiça do país para “divulgar o rigor que todos devem ter com o preenchimento do CNA”, diz Matos. O juiz acrescenta que estão sendo estudadas melhorias no cadastro para garantir que dados como o número de adoções resolvidas regionalmente sejam incluídos, ao menos para fins estatísticos.

Cinco anos de espera

Meu encontro com Manuela Era um dia modorrento de outubro de 2011. Eu, à toa por conta do calor senegalês de Ribeirão Preto. Toca o telefone. Simone, psicóloga da Vara da Infância e da Juventude. “Como vai?”. Eu: “Esperando”. Ela: “Sua espera acabou. Sua filha chegou”. Eu me joguei no sofá, tremendo, suando, chorando. “Que idade ela tem?”. Disse que tinha dois meses. Bebezinho! O que eu mais queria! Uma criança de dois anos é considerada recém-nascida pelo Juizado. Portanto, difícil de adotar. Uma de dois meses é quase impossível. Simone disse que eu deveria ir ao fórum no dia seguinte para saber a história da menina e então decidir. Fui. Ela tinha sido abandonada ao nascer. A psicóloga perguntou se “traços negroides” eram problema. Nenhum. Então me disse que a bebê estava lá mesmo, no fórum. Quando a vi, pensei que iria desmaiar. Tão pequenina, magra, com olheiras. Minha filha! Peguei-a no colo, fiz força para não chorar. Quando nos deixaram sozinhas, ela segurou meus dedos com força. Ficou me olhando, como se dissesse “me leve”. Sussurrei: “Você é minha filhinha do coração, sou sua mãe”. Então eu soube: estávamos predestinadas. No pedido de adoção, o postulante diz o que quer. Cor, idade, se aceita doenças, deficiência etc. Nossas ressalvas eram só para soropositivo ou vítima de violência. Nosso pedido foi feito no fórum central de São Paulo, onde eu vivia então. A fila era de 1.200 candidatos. Nas conversas com a assistente social e a psicóloga fomos avisados de que o processo demoraria. Não imaginei que demorasse tanto. Foram cinco anos até minha filha surgir. Nesse tempo, tudo mudou: me separei, voltei para Ribeirão, de onde saí aos 18. O médico me aconselhou a levar uma vida menos estressante.

A decisão de adotar surgiu por causa da minha saúde. Fiquei internada 15 dias com uma doença grave. No dia da alta, meu ex, ao lado da cama, me disse: “Não acha que é hora de fazermos algo importante?” Respondi: “Sim, adotar nossa filha.” E entramos com o processo. Mais tarde, já separada, fui a São Paulo saber do processo. Arquivado. Fiquei seis meses pensando se o desejo de um filho era projeto só do casal ou meu também. Pesei prós e contras de criar um filho sozinha e decidi: EU quero! Desarquivei o processo e o transferi para Ribeirão. Repetiram-se as entrevistas. Fui aprovada novamente. Recomeçou a espera. Tenho meus motivos para crer que meu encontro com Manuela estava decidido em algum lugar do Universo. Em agosto de 2011, fiz uma novena para Santa Rita de Cássia que incluía três pedidos: um impossível, um necessário e um de negócios. Mas só pedi pela minha filha. Pois foi em agosto, dia 4, que ela nasceu. Creio que Santa Rita a escolheu para mim. Manuela estava em um abrigo com outros recém-nascidos. Visitei-a todos os dias por uma semana. Já no primeiro dia levei minha mãe, Jacy, que se apaixonou por ela --paixão correspondida. Em três dias montei o quarto dela com a ajuda de minha cunhada. Berço com o anjo da guarda da família, banheira, roupinhas, tudo! Ela chegou na manhã de 12 de outubro. Minha irmã Patrícia e as filhas vieram recebê-la. E Lucia, minha empregada e amiga, com a filha. Ambas ajudaram muito. Recebi a guarda provisória por seis meses e depois de outros seis saiu a adoção definitiva. Está lá, na certidão de nascimento: Manuela Garcia Rangel. Minha filha! Manuela é linda, espertíssima e, melhor, alegre. Já tem 90 cm e 11 quilos. Dorme a noite toda, acorda cantando, fala numa língua que só ela domina, corre pela casa. Esperei cada dia desses meses todos que me chamasse de “mãe”. Em 17 de janeiro, correu em minha direção de braços abertos e gritou: “Mamãe!”. Fiquei eufórica. Manu corre pelo quintal, gosta de dançar. Às vezes, dança segurando as pontas do vestido. Já joga charme, a danadinha. É amada e acalentada por uma trupe: mãe, vovó, Lucia, babá e pai. Sim, surgiu um relacionamento. Vasco já vivia comigo quando Manu chegou. É louco por ela e ela, por ele. É pai de fato e será de direito. Vai entrar com pedido de adoção. Minha vida mudou. Estou bem de saúde, calma. Minha mãe, 82, renasceu. Manuela veio para renovar a família. Quando dizem que fiz algo maravilhoso ao adotá-la, digo: não, que maravilha ela fez por mim! Tenho um anjo em casa. O meu maior amor.


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colaboração SHEL ALMEIDA

Quem esteve na Rua do Mercado, à Bragança. Esse sorriso do povo que vem em algum sábado de junho, foi ver a apresentação, não tem dinheiro que surpreendido por uma inusitada pague”, fala. movimentação. Várias pessoas, na João começou a fazer oficina de teatro em maioria jovens, realizavam cenas curiosas 2009 e está no Bragança (En) Cena desde que, num primeiro momento, não tinham o início. Para Ariel, a experiência é nova. sentido ou conexão. Durante as cenas “Na primeira vez eu achei estranho, não ninguém pronunciava uma palavra: o sabia que existia teatro na rua. Minha irúnico som que se ouvia era a trilha sonora mã, Paola também está no grupo. Fomos tocada por músicos em frente ao Mercado. convidados pelo nosso primo, Bruno. Uma A maioria dos passantes parava para ver o vez, durante os ensaios, ela estava fazendo que estava acontecendo e acompanhava a a cena da pichação e os funcionários de sequência de ações realizadas pelo grupo. uma loja a seguraram, disseram que iam Outros passavam batido, sem nem tonar chamar a polícia”, se diverte. “Ela conseo que acontecia. O que faziam ali aquelas guiu escapar, mas sem falar que era uma pessoas, ora vestidas com máscaras de gás intervenção artística”, completa Sthefferou lenços tapando o rosto, ora descendo son Lima, também do grupo. Na cena em o calçadão carregando vasos de plantas questão, os atores, com os rostos cobertos ou ainda sentados em um sofá, em frente com lenços, capuzes e até máscaras de gás, a uma TV, enquanto alguém, da janela do simulam uma pichação usando frascos de Mercado, jogava farinha em suas cabeças? desodorante. Quem vê a cena de repente, A ação faz parte do projeto “Bragança (En) realmente acha que estão pichando, até Cena”, grupo de artistas da cidade que co- perceber que não sai tinta alguma ou sentir meçou como oficina de teatro e que agora o cheiro de perfume no ar. Para Sthefferson apresenta a peça “Lia encontra Jackson o mais importante da experiência é fazer e juntos constroem uma canoa”, todos os parte de algo que consegue provocar as sábados de junho, às 14h30, em frente ao pessoas. “Conseguimos despertar algo em quem assiste, cutucar Mercado Municipal. o olhar, fazer com A última apresentapercebam que o ção da temporada, Conseguimos despertar algo em que lugar em que estão em Bragança, será amanhã, dia 22/06. No quem assiste, cutucar o olhar, tem vida”. Para ele, o que mais marcou até próximo sábado, dia fazer com que percebam que agora foi a reação de 29/06, o grupo leva a mulher que parou peça à Atibaia, onde se o lugar em que estão tem vida uma para falar com ele e apresentarão em frente outros atores durante ao Mercado Municipal Sthefferson Lima a cena do sofá. “Ela de lá. De acordo com parou e começou a Chris Campos, um dos coordenadores do projeto, a peça voltará falar com a gente. Ela dizia: ‘moço, tão joa ser apresentada em agosto, durante o gando coisas na sua cabeça’. Não podíamos Festival de Teatro “Entrando Em Cena responder, mas a minha vontade era ir lá Apresenta”, dentro da mostra bragantina. e dar um abraço nela, ela foi sensacional. O festival está em fase de produção e, por Ela continuou falando e como a gente não enquanto, ainda não tem data nem pro- respondia, ela virou pro resto do público e gritou: ‘eles são mudos’ e saiu rindo”, conta. gramação definidas. Para Ivan a proposta da peça é que cada um crie sua própria interpretação do que ela As atividades do Bragança (En) Cena co- quer dizer. “Pode ter um história e pode não meçaram em 2011 com oficinas de teatro, ter. Cada um tira suas próprias conclusões, em diversos pontos da cidade. Em 2012 o são vários olhares, tanto do público, quanto projeto passou a ser desenvolvido no piso do atores. São imagens que estão aí para superior do Mercado Municipal. Até então serem ressignificadas”, diz. “Para mim essa não havia limite de participantes e nem a peça está sendo apresentada no momento intenção de que de que o grupo realizasse certo, há uma relação com o que está aconapresentações. “O Bragança (En) Cena tecendo em São Paulo, com o que estamos começou a partir de um projeto criado em vivendo no país, com todo o contexto atual. conjunto por uma galera para um sub-edital Eles começam vestidos de revolucionários, do ProAc. Bragança foi uma das cidades isso tem feito um sentido absoluto, tem sido escolhidas para que fosse desenvolvido. No muito importante esse link”, reflete. ano seguinte conseguimos apoio da Pre- Chris explica que por enquanto eles ainda feitura, mas eles interromperam antes da não sabem como se dará a continuidade conclusão. Chegamos a pensar em outros do projeto. O local em que ensaiam, o piso tipos de apoio. Mas aí tivemos a resposta superior do Mercado Municipal, foi pedido de que o projeto que havíamos enviado pela Prefeitura, pois o ‘espaço não estava ao ProAc, para o edital de criação de es- sendo usado’. Eles então serão realocados petáculos, tinha sido aprovado. Quando para o Matadouro. “O espaço está sendo o projeto começou, em 2011, tínhamos usado para a realização de produções arcerca de 60 participantes. Com esse edital tísticas. O Matadouro é muito longe e não precisamos selecionar 20 participantes e tem acesso ao público como aqui no centro. a criação e apresentação da peça já era Estamos dialogando e buscando um espaço prevista”, explica Ivan Montanari, também mais central. O centro precisa ser ocupado coordenador do Bragança (En) Cena. Ho- antes que fique degradado, como acontece je o grupo conta 16 integrantes, além de em várias cidades, ainda mais depois Chris e Ivan, que também são diretores, que vier o shopping, isso aqui vai ficar produtores e atores de teatro. De acordo às moscas”, enfatiza Ivan. com Ivan, as oficinas de seleção já foram parte do processo de criação do espetáculo. “Vimos e discutimos referências e já foram realizadas performances. A ideia sempre foi aliar criação com o processo pedagógico, nós os estimulamos para que eles próprios Amanhã, 22/06, a penúltima trouxessem ideias, para que pensassem e tivessem opinião sobre o que deveria ser apresentação da temporada de feito ou não. A peça foi uma criação em conjunto, por todo o grupo’, conta. “Lia encontra Jackson e juntos

Oficinas

fotos Claudenice Eduardo

Cenas iniciais da peça acabam tendo ligação com o contexto atual pelo qual o país está passando fotos Claudenice Eduardo

Cor e movimento em frente ao Mercado Municipal. Cenas finais são as que mais chamam a atenção do público fotos Claudenice Eduardo

Mulher tenta interagir com atores durante a apresentação da peça. “Eles são mudos fotos Claudenice Eduardo

Não perca

Teatro de Rua

Entre os 16 integrantes, dois deles se destacam. João Batista Lima, de 57 anos, é o mais velho e o Ariel Silva, de 12 anos, o mais novo. Para João, a melhor parte da experiência de se apresentar na rua é a emoção. “Adoro a emoção e sensibilidade. Cada vez que a gente se apresenta é uma coisa diferente. A repercussão está sendo linda. A gente reconhece as pessoas que voltam. O que estamos fazendo é por amor

constroem uma canoa”. No próximo sábado, dia 29/06, a peça será apresentada em Atibaia. As apresentações acontecerão às 14h30 em frente ao Mercado Municipal, tanto aqui como lá.

Grupo conta com 16 atores. Intenção é ocupar o espaço público e despertar o olhar.


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Seu sorriso COM saúde

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Como evitar a cárie dental

alimentação saudável x guloseimas informe publicitário

Ainda é bastante comum crianças em tenra idade apresentarem lesões de cárie extensas afetando vários dentes. Podemos admitir que a alimentação prolongada nas mamadeiras ou no peito, em períodos de sono da criança, sem higiene adequada, favoreça o aparecimento destas lesões, pois o fluxo salivar é diminuído, em cerca de 60%, durante o sono permitindo que o leite fique estagnado nos dentes. Desta forma as bactérias presentes na cavidade bucal, a partir destes carboidratos estagnados, iniciam a formação de um ácido que irá acometer o esmalte do dente decíduo dando início à lesão de cárie. Este início é na forma de mancha branca opaca e com o tempo, sem nenhum tratamento, inicia-se o processo de cavitação (“buraquinho”). O dente de “leite” é menos calcificado que o dente permanente, desta forma podemos entender o quanto é importante a higienização logo após as refeições (mamadas). Quando a criança dorme tomando mamadeira ou fica sempre de dia com uma mamadeira na mão, tanto de leite quanto de suco de fruta etc., sua boca se torna um campo propício para a produção de ácidos pelas bactérias e a cárie começa rapidamente a se formar. É o que chamamos de “cárie de mamadeira”. À medida que a criança vai sendo desmamada, ela passa a ingerir a mesma dieta da família. É importante nessa fase educar a alimentação. Devem-se controlar os alimentos fora das refeições principais, ingerindo doces como sobremesa, ao invés de comê-los isoladamente entre as refeições. Substituir doces, caramelos e refrigerantes entre as refeições por outros alimentos como frutas, queijo e leite. Mas o que observamos é que muitas crianças têm o hábito de “beliscar” entre as refeições. Estão sempre com algum alimento cariogênico na boca e já se sabe que existe uma conexão clara entre o tipo

saúde

Por JOHANNA NUBLAT / MARIANA VERSOLATO /FOLHAPRESS

Durante três anos, os remédios da medicina tradicional chinesa serão avaliados em relação às prescrições feitas no país, às substâncias utilizadas, aos efeitos terapêuticos e às reações adversas. Ao final desse prazo, a conclusão pode ser registrá-los oficialmente, impor determinadas condições para seu uso ou, em último caso, bani-los. É o que propõe a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que abre uma consulta pública sobre o tema no início desta semana. A consulta, antecipada pela Folha em novembro, ficará aberta por 90 dias. Hoje, os compostos usados em tratamentos de medicina chinesa, que podem misturar substâncias de origem animal, vegetal e mineral, não têm registro no país porque não se enquadram em nenhuma categoria prevista: não são medicamentos, fitoterápicos ou alimentos. “Vamos poder conhecer um mercado que existe e, muitas vezes, fica

de alimento e a frequência da sua ingestão com o desenvolvimento da cárie dentária, especialmente se não forem tomadas medidas preventivas adequadas. Sabe-se também que o tempo que a comida é retida na boca é mais importante que o conteúdo desta em açúcar. Desta forma é bastante importante que se faça refeições regulares, em horários pré-estabelecidos e em seguida haja a higienização oral. Devemos salientar ainda que ocorra um tempo entre cada refeição, para que a saliva possa neutralizar os ácidos, proporcionar os minerais para a remineralização e ajudar a limpar mais rapidamente a comida que fica na boca. Porém, quando a frequência, ou seja, o número de refeições, é grande, os intervalos entre elas tornam-se muito pequenos impedindo assim a ação benéfica da saliva. Outra coisa importante é entender que a mastigação de alimentos consistentes favorece o desenvolvimento dos maxilares e estimula a produção de saliva, que como vimos acima é a melhor defesa da boca. Portanto a presença de dentes indica o momento de se iniciar outro tipo de alimentação que varia de pastosa a sólida, esta última quando a criança já tiver dentes posteriores (aproximadamente 18 meses). A ocorrência de cárie está relacionada à freqüência, qualidade, consistência e quantidade dos alimentos consumidos. Cada criança tem seu padrão de crescimento e desenvolvimento, mas é importante salientar que precisam de estímulo e direcionamento corretos que os levem a uma dieta saudável e prazerosa, impedindo assim hábitos inadequados. Maria de fátima martins claro CRO: 18374 especialista e mestre em odontopediatria

COM - Centro Odontológico Martins Dra. Luciana Leme Martins Kabbabe CRO/SP 80.173 Dra. Mariana Martins Ramos Leme CRO/SP 82.984 Dra. Maria de Fátima Martins Claro CRO/SP 18.374 Dr. Luis Fernando Ferrari Bellasalma CRO/SP 37.320 Dr. André Henrique Possebom CRO/SP 94.138

Dra. Juliana Marcondes Reis CRO/SP 70.526 Dra. Helen Cristina R. Ribeiro CRO/SP 83.113 DR. Luis Alexandre Thomaz CRO/SP 42.905 Praça Raul Leme, 200 – salas 45/46/49 Edifício Centro Liberal. Telefones: 11 4034 – 4430 ou 11 4034 – 1984

Anvisa propõe regras

para medicina chinesa obscuro porque a vigilância sanitária nega sua existência”, afirma Dirceu Barbano, diretor-presidente da agência. Paralelamente, a Anvisa pretende trocar informações com a vigilância sanitária chinesa, que tem um setor que trata da medicina tradicional.

De origem animal

Na consulta pública, a Anvisa propõe a proibição do uso de componentes de origem animal nos produtos a serem vendidos no país. Nas fórmulas chinesas pode haver pelos e até chifres e ossos de animais. “A legislação sanitária brasileira, quando envolve produtos de origem animal, é muito rigorosa e exigiria um conjunto de testes de qualidade que transformariam os produtos em medicamentos. Isso impediria que ficassem disponíveis segundo essa norma”, diz Barbano. O hepatologista Raymundo Paraná, porém, se diz “extremamente preo-

cupado” com a falta de exigência de estudos científicos que comprovem a segurança e a eficácia desses produtos. “É absurdo o movimento de legalizar esse tipo de produto sem a avaliação que a ciência médica exige. Afrouxar as regras para esse ou outro produto porque o uso é milenar é absurdo.” Segundo Reginaldo Silva Filho, presidente da Escola Brasileira de Medicina Chinesa, a maioria dos compostos utilizados no país é de origem vegetal.”Há alguns produtos importantes de origem animal, mas eles são bem menos usados. A proibição pode fazer com que alguns praticantes tenham de buscar alternativas dentro da farmacopeia chinesa”, afirma. Já Márcio de Luna, do Instituto Brasileiro de Medicina Tradicional Chinesa, acredita que o ideal seria liberar esses produtos, contanto que os fabricantes seguissem uma exigência de boas práticas de manufatura. “A proibição criará um problema

porque vamos ter que nos adaptar. Além disso, a censura abre margem para o mercado paralelo.” A Anvisa também sugere que, durante os três anos de monitoramento, as empresas que adquirirem insumos para produzir compostos deverão cadastrar todas as substâncias no site da Anvisa. O cadastro deve conter ainda dados dos fabricantes, revendedores ou distribuidores dos insumos, caso eles não tenham sido obtidos diretamente do fabricante. “O cadastramento permitirá que a Anvisa possa ter um maior controle sobre eventuais falhas em lotes de produtos, por exemplo”, completa Silva Filho. Coca-Cola anuncia que não fará anúncios para menores de 12 anos Medida faz parte de pacote para a redução da obesidade mundial A Coca-Cola anunciou na semana passada o fim de campanhas direcionadas a crianças menores de 12 anos e o início de incentivos a pro-

gramas que encorajem atividades físicas, como medidas de combate à obesidade. A companhia não informou, contudo, em que países a publicidade é direcionada às crianças. Segundo o comunicado, a empresa se compromete a não fazer publicidade nos meios de comunicação cujo público seja formado por mais de 35% de crianças com menos de 12 anos de idade. A nova política será aplicada na televisão, no rádio e na mídia impressa, e, quando os dados estiverem disponíveis, na internet e nos telefones celulares. A empresa também se dispõe a participar de auditorias realizadas por entidades externas que monitorem a sua publicidade. O Instituo Alana, ONG de defesa dos direitos das crianças, em nota, parabenizou o compromisso adotado pela Coca-Cola, que “acontece em um momento de ampla reflexão sobre a responsabilidade empresarial em questões de impacto social.”


Mão na Massa

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Oficinas integradas de férias Por Martha Vaz

A Casa das Mangueiras está lançando cursos de férias, com o objetivo de trabalhar o aluno como um ser holístico em oficinas integradas. Chamei alguns profissionais para compartilhar da ideia, assim teremos Rosiane Bellariado dando o oficina de yoga e Rogério Gomes ministrando oficina de marcenaria e marchetaria. As oficinas acontecerão em sequência, começando pela yoga, passando pela cerâmica, que será ministrada por mim, e terminando com a de marcenaria/marchetaria. Rosiane tem um lindo trabalho de yoga para crianças com aulas lúdicas. Por meio de jogos e histórias, elas conseguem adquirir mais consciência corporal, foco e tranquilidade. Com adultos Rosiane trabalha a “vinyasa flow yoga”. Por meio de movimentos fluídos e circulares, é possível liberar as tensões e propiciar um profundo relaxamento físico e mental. A postura diante do

trabalho artístico muda completamente após esta vivência, trazendo potência e presença com mais qualidade. Uma vez bem preparados e mais centrados, eu receberei os alunos para o trabalho de cerâmica. A ideia é trabalhar o processo criativo com liberdade, leveza e apoio técnico para a realização dos próprios projetos. Modelaremos expressões, que poderão ser tirada de seu próprio rosto através de máscaras de gesso ou mais livremente através da modelagem. Com a marcenaria a experiência será a de conhecer as máquinas e desenvolver uma caixinha com detalhes em marchetaria como primeira peça, o que funcionará como conhecimento para desenvolver um projeto próprio. As aulas terão duração de uma semana, sempre com os profissionais trabalhando em parceria, como forma de desenvolver melhor o conteúdo e subsidiar o processo criativo latente.


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Reflexão e Práxis

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Manifestações

no Brasil

Por pedro marcelo galasso

O antropólogo Darcy Ribeiro escreveu que o Brasil é inexplicável por conta da História de nossa formação. Esta sempre foi tensa e pautada em modelos e ideias que nem sempre são nossas, ou seja, se pensarmos a formação do povo brasileiro veremos que somos o resultado da mistura, nem sempre justa, de três matrizes – o branco europeu, o índio brasileiro e o negro africano, que se miscigenaram no interior de uma estrutura que foi imposta ao nosso país, o engenho de açúcar. Por que ir tão longe, no nosso passado, para tentar pensar o motivo das manifestações que se espalham pelo país e que assustam a elite econômica e política? Parece ser justo dizer que a tensão do início de nossa formação está sempre presente, de forma latente, como se esperando os momentos mais oportunos para sua manifestação, ou seja, é como se alguns momentos históricos possibilitem que as tensões e as desigualdades da sociedade brasileira apareçam com força e, portanto, questionem e perturbem o status quo. Além disso, o imaginário coletivo brasileiro não

vê com bons olhos as manifestações que partam das camadas menos favorecidas da população já que, historicamente, as mudanças e os rumos do país são definidos e apontados pelas camadas mais favorecidas. Ao pensar a manifestação como um momento coletivo, seja por qual motivo for, ela tem a força e a intensidade características das grandes aglomerações sendo impossível a sua generalização Omo movimento organizado ou desorganizado. Elas, normalmente, se formam contra alguma posição política ou decisão econômica, luta por direitos, enfim, por uma gama enorme de motivos que causam alguma comoção social. Entretanto, a manifestação traz consigo o caráter de movimento de massa, ou seja, mesmo que a sua formação seja consciente ela carrega a possibilidade da perda de controle, de direção e pode se tornar um movimento que perde a sua referência. No que tange a violência, ela pode ser uma das inúmeras ações que a manifestação pode exibir e pode ser legítima, ainda que nem sempre seja fácil justificá-la, pois aqui caímos no infinito das questões subjetivas.

O que vale a pena pensarmos é de que forma o Estado brasileiro lida com as manifestações, constitucionalmente legítimas porque permitidas por lei. É curioso ouvir que uma greve de metroviários, por exemplo, atrapalha a vida de milhões de pessoas, pois, por definição, esta é a função da greve, ou seja, as greves ocorrem quando setores sociais ou categorias de trabalhadores não são ouvidos e precisam se manifestar. Aqui, alguns dirão que as greves são manifestações políticas ou fruto de manipulação, enfim toda greve é política, toda manifestação, manipulada ou não, é política. Entretanto, é certo que o Estado tem uma visão pré definida sobre o que é permitido e aquilo que não o é. Toda manifestação que não questiona alguma posição do Estado é permitida e dentre elas podemos citar a Parada Gay, a manifestação de torcedores de times de futebol; todas elas importantes e legítimas, mas nunca questionadoras. Porém, se temos uma manifestação de professores ou de grevistas a ação do Estado é, majoritariamente, violenta e excessiva, pois nos esquecemos, ou fingimos

esquecer, que vivemos em uma sociedade violenta. O Brasil é um país violento, mas que se acostumou com este fato, tido e defendido como natural. Se, portanto, somos uma sociedade violenta o Estado por sua vez deve ser tão ou mais violento que a sociedade sobre a qual ele exerce o monopólio legítimo da força física e seu aparato repressivo deve se impor de forma clara e direta. A preocupação com relação ao que será dito ou escrito sobre as manifestações que ocorrem em São Paulo, aquelas que mais chamam a atenção devido ao seu teor de conflito aberto e que atrai a audiência para os canais de televisão, e que fazem parte de uma série de protestos que ocorrem em vários lugares do mundo, ao mesmo tempo e em um mesmo contexto, ou seja, demonizamos ou não as manifestações? O que devemos nos perguntar é: e a mídia, como tem se comportado frente ao que experimentamos? Pedro Marcelo Galasso - cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com

Nossas Escolhas

por Felipe Gonçalves

Esses dias parei para refletir sobre meus aprendizados ao longo da minha história, e nessa reflexão consegui perceber como é importante dar-nos esse tempo para pensar, pois só assim conseguimos avaliar a dimensão do que chamamos vida. E lamentavelmente na correria diária nos perdemos nas lamentações e deixamos de exercitar a gratidão. E como é importante agradecermos para que possamos perceber o quanto somos seres capazes de aprender em cada momento de nossa vida, e assim celebrarmos! Perceberam o quanto dinâmica é a nossa vida, de repente nossos planos são frustrados, nossos sonhos são roubados e a gente fica lá, com cara de tacho, tentando encontrar alguma lógica no que parece não ter sentido algum. São muitos os sentimentos que nos visitam nessa situação, frustração, raiva, tristeza...Vem também um cansaço, afinal tínhamos dado o nosso melhor, tentando finalmente acertar! Tínhamos nos esmerado em fazer tudo certo, como manda o figurino, colocado em nossa vida as melhores intenções, cheios de planos de sucesso e felicidade e de repente tudo ruiu bem em frente aos nosso olhos, mil pedacinhos espalhados aos nossos pés... mais uma vez.

Auto estima Cuidar de si nem sempre quer dizer autoestima elevada, assim como cirurgias plásticas, casamento, trabalho, dinheiro, carro, nada disso cria autoestima. Muito pelo contrário, quem precisa disso para ter valor, na verdade só quer ser aceito por uma sociedade e uma mídia que “vendem” o que deseja que seja comprado. A pessoa que busca tudo isso pode querer compensar algo que não sente ter internamente. Mas gostar de si, se aceitar e se cuidar é um passo importante na conquista de uma autoestima elevada, mas não a determina. A arrogância, querer ser superior ao outro é apenas uma maneira de diminuir o outro para se elevar, porque na verdade se sente inferior. Quem tem consciência de seu valor é acima de tudo humilde. Quando a pessoa transmite segurança, valorização excessiva de si mesma, está sempre brincando, querendo ajudar, nem sempre corresponde à verdade. No fundo, pode esconder uma pessoa também sem amor-próprio, só que busca o reconhecimento e amor por outros caminhos. Pode transmitir uma imagem de total segurança, mas na verdade está apenas querendo ocultar uma autoestima bem frágil. O autoestima oscila de acordo com as situações que vivencia-

mos. Por exemplo, se há uma situação de perda, seja de um trabalho ou de uma pessoa, a tendência é a autoestima ficar baixa. Autoestima é sempre uma questão de grau. Todos podem elevar sua autoestima. Quando criança pode-se alimentar ou destruir sua autoconfiança, ou seja, as experiências do passado exercem influência significativa quando adulto. Pais exigentes, agressivos, críticos, autoritários, que demonstram que a criança não é digna de confiança, impondo suas próprias vontades, não ouvindo o que as crianças têm a dizer, criam filhos inseguros e dependentes. A superproteção durante a infância também pode gerar muita insegurança quando adulto, pois essas pessoas quando crianças não foram incentivadas a acreditarem em si mesmas. Assim, crescem, ainda que inconscientemente, acreditando que faziam tudo por ela por não terem a capacidade de fazer por si mesma. A baixa autoestima interfere nas relações como um todo, pois a pessoa tende a ser crítica, rígida, exigente, controladora, porque na verdade é insegura, não confia em sua própria capacidade, mantendo relações profissionais e afetivas mesmo que sejam destrutivas. Quanto maior a autoestima mais possibilidades em manter relações

saudáveis. O perfeccionismo, aquele pessoa que não permite erros, nem seu e nem dos outros, tudo tendo de ser perfeito, na verdade quer provar o quanto é capaz, porque ele mesmo não acredita em sua capacidade. Demonstra insegurança - não se permite errar e nem assume quando erra. A insegurança interna é compensada pelo perfeccionismo excessivo. Quem faz de tudo para agradar é porque precisa do reconhecimento constante para se sentir importante, útil, porque no fundo não se aceita, não tem autoconfiança. Quer ser agradável para mostrar que sua presença é importante. É facilmente manipulada ou induzida a fazer o que não quer. Não consegue dizer “não”. Está sempre tentando adivinhar o que os outros querem que ela seja e como deve agir. Em geral, pessoas que trabalham muito para obter bens materiais, poder, sucesso, estão distante da família, da espiritualidade e dos próprios sentimentos. As conquistas externas podem estar compensando outras relações que são insatisfatórias, e também pode ser uma forma de obter aprovação e reconhecimento, mas na verdade a busca interna e inconsciente é de atenção e amor. Na verdade, as pessoas não

valorizam o que têm de mais sagrado: a saúde e seus sentimentos! Quando o ser humano aprender a identificar o que sente, perguntando-se o que ele deseja no fundo de sua alma, valorizar suas próprias conquistas, acreditando ser capaz de conquistar aquilo que realmente o faz feliz, com certeza a busca no prazer momentâneo irá diminuir e teremos seres humanos muito mais satisfeitos consigo mesmos, buscando muito mais ser do que apenas a ilusão em ter! Mas afinal, o que é autoestima? É ter consciência de seu valor pessoal, ou seja, acreditar, respeitar e confiar em si, é a soma da autoconfiança com o autorrespeito. É ter a certeza de ser merecedor, digno de ser feliz e ser amado, principalmente, por si mesmo. É acreditar que você é capaz! De ser você mesmo, acreditar em si, aceitar-se, e acima de tudo, se amar! Tenha uma boa vida ! Felipe Gonçalves Graduado em Química, MBA em Supply Chain, Especialização em Desenvolvimento de Líderes, Mestrando em Engenharia Química, Profissional Corporativo e Professor Universitário. E-mail: felipe.goncalves@usf.edu.br


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SPASSU da Elegância

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Vestido de noiva

com ombros cobertos Por Ana Carolina Serafim e Nazaré Brajão

Sabemos que o casamento é um dia especial e aguardado por todas as mulheres. Para isso, cuidadosamente temos nos aperfeiçoado para atendermos as expectativas de nossas clientes. Cada noiva tem sua peculiaridade, e um detalhe super comum que algumas pedem é algum acessório ou ajuste no vestido que permita que os ombros sejam cobertos! Essas peças são indicadas para noivas que pretendem se casar nos dias mais frios, ou noivas querem deixar o vestido mais comportado durante a cerimônia, ou por questões religiosas. Também são indicados para as mulheres que desejam um visual mais romântico. Mas como cobrir os ombros sem perder a elegância e o glamour do vestido? Trouxemos algumas dicas para satisfazer esse pedido. Mande suas sugestões para nosso e-mail, spassuplazanoivas@yahoo. com.br Podemos auxiliá-los em suas dúvidas! Acesse nosso Facebook: Spassu Plaza. Ou se preferir, venha conhecer nossa loja, estaremos prontas para atendê-los.

O vestido pode contar com um acabamento feito com o mesmo tecido do vestido e que cubra apenas os ombros; como manguinhas

Bolerinho com mangas longas, muito requisitado nas estações mais frias

Ou até mesmo um pelerine, feito com tecido leve

Não esquecendo a opção de escolher um vestido de mangas longas, o qual fica muito elegante e charmoso!


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Foi com imensa alegria que fotografei o casamento desse lindo casal: Ingrid e Bruno.

Duas pessoas de bem com a vida e com uma turma de amigos incríveis que fizeram do Grande Dia do casal um momento inesquecível. Sem contar que tanto Ingrid quanto Bruno são apaixonadamente divertidos e souberam, desde que eu os conheci, cuidar de todos os detalhes com muito carinho. A cerimônia aconteceu na linda igreja do Rosário na simpática cidade de Atibaia onde todos os amigos e familiares do casal lotaram a igreja. Quem presidiu a cerimônia foi o nosso querido Monsenhor Giovanni que, sabiamente, fez um uma oratória maravilhosamente emocionante onde tocou todos os presentes. O juramento do casal foi especialmente tocante pela emoção da Ingrid que, com os olhos marejados e a voz embargada, jurou amor e fidelidade para toda a vida. Lindo demais! Após os cumprimentos dos pais e padrinhos o casal passou pela nave da igreja sob os aplausos dos convidados. Na sequência demos uma fugidinha para a casa dos pais da Ingrid para fazermos o primeiro brinde do casal e aproveitarmos para tirar mais algumas fotos. Foi muito divertido! Logo após seguimos para o luxuoso Hotel Residence em Atibaia onde o casal ofereceu uma belíssima recepção aos convidados com muita alegria, requinte e bom gosto. Uma banda sensacional animou o começo da festa colocando toda a galera na pista. Claro que o casal aproveitou tudo até o último momento. Mais um dia que guardo com muito carinho no meu coração.

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Apliques visuais dão força e ajudam nas vendas do Renault Sandero GT Line

por Rodrigo Machado/Auto Press - Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z

Depois de 15 anos de Brasil, a Renault já entende perfeitamente o mercado brasileiro. Para transformar o Sandero em seu modelo mais vendido por aqui, a fabricante francesa apelou para uma tática já conhecida da indústria nacional: variações sobre o mesmo tema. São configurações que demandam quase nenhuma alteração mecânica – portanto, de baixo investimento e fáceis de produzir – e que dão bom retorno ao fabricante. É o caso da versão “esportiva” do hatch, a GT Line, reeditada em agosto do ano passado. As diferenças em relação a um Sandero tradicional são puramente visuais, mas ajudam a ampliar o leque de interessados no modelo. Atualmente, a Renault estima que o GT Line responda por entre 8 e 10% de todos os Sandero vendidos – de 550 a 700 unidades mensais. Média esta que deve crescer muito este ano. É que a Renault fechou a sua fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, no começo do ano para uma grande expansão. Aumentou a capacidade produtiva de 280 mil para 380 mil veículos/ano. Isso vai permitir, inclusive, que o Sandero suba em relação ao décimo lugar que conseguiu no ranking brasileiro de mais vendidos do ano passado. O GT Line voltou à vida no ano passado depois de ter aparecido em 2010 como série limitada. Mas a versão “ressuscitada” apareceu com uma diferença básica. O atual Sandero GT Line usa o repaginado motor 1.6 8V, agora apelidado de Hi-torque. Recalibrações e o uso de novos materiais permitiram um ligeiro aumento de potência e torque, aliado à queda no consumo de combustível. O 1.6 8V passou de 95 cv e 14,1 kgfm para 106 cv e 15,5 kgfm. O primeiro modelo, por outro lado, trazia o 1.6 16V de 112 cv e mesmos 15,5 kgfm, hoje restrito apenas às variantes com câmbio automático do Sandero. A diferença de força entre os dois é bem pequena, mas o renovado 8V tem a vantagem de fornecer o torque máximo em rotações mais baixas. Na parte estética, a Renault manteve a estratégia. Do lado de fora, o GT Line adiciona novos para-choques, com detalhes em preto, máscara nos faróis, adesivos na carroceria, rodas em preto e um chamativo aerofólio traseiro. Por dentro, o exagero continua. O quadro de instrumentos tem grafismo único e há detalhes em vermelhos para todos os lados. Inclusive no cinto de segurança. O GT Line já vem “completinho” de série. Traz vidros elétricos, ar-condicionado, direção hidráulica, detalhes internos em couro, rodas de liga leve e rádio por R$ 40.680. Um Sandero “normal” igualmente equipado sai cerca de R$ 2 mil a menos. É o preço da esportividade visual.

Ponto a ponto

Desempenho – O “reengenheirado” motor 1.6 8V mostra bom fôlego em giros baixos. O torque máximo de 15,5 kgfm aparece já antes das 3 mil rotações, o que beneficia as arrancadas e o uso no trânsito urbano. Entretanto, na hora de explorar o máximo o hatch, fica uma sensação de falta de potência em giros maiores. Além disso, as marchas parecem ter relações longas demais para um carro com pretensões esportivas. Nota 7. Estabilidade – O Sandero é um hatch bem acertado dinamicamente. Algo que a versão GT Line não altera. O comportamento da suspensão agrada nas curvas, com rolagens de carroceria controladas. A direção hidráulica é precisa e traz um bom feeling da estrada. Não é um “puro sangue”, mas dá para se divertir com o Renault. Nota 8. Interatividade – Com o último face-lift da linha, a Renault melhorou o convívio com o Sandero. Os comandos dos vidros elétricos foram para as portas, por exemplo, e o rádio é mais completo – apesar de ter funcionamento um pouco confuso. A direção é precisa, enquanto a transmissão poderia ser mais “certeira”. A maior falha vem na ergonomia dos bancos. Mesmo com a tal proposta esportiva do GT Line os assentos não ganham abas laterais ou

sequer um melhor apoio para as coxas. Nota 7. Consumo – O InMetro não fez medições do Sandero GT Line. O computador de bordo marcou a média de 8,7 km/l de gasolina em trajeto misto. É muito para um carro que não tem comportamento esportivo de verdade. Nota 6. Tecnologia – O motor 1.6 8V ganhou atualizações que resultaram em um desempenho e consumo interessantes. A lista de equipamentos é boa e traz o que se espera de um hatch compacto completo. A plataforma não é nada sofisticada e já é antiga, datada de 2004, mas ainda tem espaço interno acima da média da concorrência e traz rigidez torcional satisfatória. Nota 7. Conforto – O tamanho da cabine é um dos destaques do Sandero. Cinco adultos conseguem viajar no hatch sem grandes problemas, algo que não acontece em quase nenhum de seus concorrentes. A suspensão é robusta e bem calibrada ao solo brasleiro. Os bancos, no entanto, são pouco confortáveis e cansam depois de algumas horas na direção. Nota 7. Habitabilidade – Entrar e sair do Sandero é algo simples devido às grandes e amplas portas. Lá dentro, até há uma boa oferta de porta-objetos, mas a maioria deles é rasa demais. O porta-malas de 320 litros é bom para o segmento. Nota 7. Acabamento – Não é o forte dos Renault de origem Dacia. O problema não é nem a grande presença de plásticos rígidos, algo esperado no segmento, e sim o aspecto pobre dos materiais usados. Nem os apliques em vermelho da versão melhoram a situação. Nota 6. Design – Mesmo com algum tempo de mercado, o Sandero ainda agrada visualmente. Há um balanço entre as linhas do hatch da Renault. Por fora, as alterações da variante GT Line agradam e dão um aspecto mais agressivo ao carro. Na cabine, a impressão é que a marca francesa perdeu a mão e exagerou nos detalhes em vermelho. Nota 7. Custo/beneficio – A lista de rivais com apelo esportivo não é das mais extensas. Se resume basicamente a Nissan March SR e Fiat Palio Sporting, ambos equipados também com motor 1.6, mas com desempenho ligeiramente superior. A favor do modelo de origem japonesa também está o preço mais em conta: R$ 38.590. Já o carro da Fiat parte de R$ 40.020 e ainda pode atingir R$ 47 mil. Entretanto, é o único do trio a de fato contar com mudanças mecânicas, como câmbio com relações mais curtas e suspensão ligeiramente rebaixada. O Sandero fica no meio do caminho, com um conjunto comportado e maior nível de espaço interno e conforto. Nota 7. Total – O Renault Sandero GT Line somou 69 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

A Renault não foi nada conservadora na hora de imaginar um Sandero mais esportivo. O GT Line é, inegavelmente, chamativo. Principalmente por dentro, com todos os apliques vermelhos. Por sinal, na cabine, a impressão é que a fabricante francesa passou dos limites e “emperiquetou” demais o hatch. Exagero que não foi extendido à parte mecânica. Com o mesmo acerto dinâmico de todos os outros Sandero, o GT Line não chega a empolgar. Mas passa longe de decepcionar. O conjunto de suspensão é muito bem acertado e até incita o motorista a dirigir de maneira mais “animada”. Dá para contornar curvas com agressividade sem medo de rolagens exageradas de carroceria ou extremas perdas de tração. O renovado motor 1.6 8V é menos instigante. Principalmente por ser um tanto murcho em rotações elevadas. Mas, em relação ao antigo GT Line, traz comportamento mais suave e acertado para o trânsito urbano. Principalmente pela maior oferta de torque em giros baixos. Melhora que não foi acompanhada pelo câmbio manual, ainda pouco preciso e com relações longas demais para um esportivo. O maior trunfo do Sandero, entretanto,

se mantém em sua grande cabine. Lá, cinco adultos se posicionam com bastante espaço – embora os bancos contem com poucos apoios laterais e para coxas. O acabamento ainda é feito com plásticos com um aspecto tosco, rude demais. Mas não se distancia tanto do que é oferecido pela concorrência.

Ficha técnica

Renault Sandero GT Line Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, quatro cilindros em linha, com duas válvulas por cilindro. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico. Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração. Potência máxima: 98 cv com gasolina e 106 cv com etanol a 5.250 rpm. Torque máximo: 14,5 kgfm com gasolina e 15,5 kgfm com etanol a 2.850 rpm. Diâmetro e curso: 79,5 mm x 80,5 mm. Taxa de compressão: 12,0:1. Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com triângulos inferio-

res, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira com rodas semi-independentes, com molas helicoidais, amortecedores telescópicos hidráulicos e barra estabilizadora. Não oferece controle eletrônico de estabilidade. Pneus: 185/65 R15. Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,02 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,52 m de altura e 2,59 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais. Peso: 1.055 kg em ordem de marcha. Capacidade do porta-malas: 320 litros. Tanque de combustível: 50 litros. Produção: São José dos Pinhais, Paraná. Itens de série: Airbag duplo, ABS, ar-condicionado, aerofólio esportivo, banco do motorista com regulagem de altura, computador de bordo, faróis de neblina, vidros dianteiros e travas elétricas, rodas de liga leve de 15 polegadas, volante revestido em couro e rádio/CD/MP3/ Bluetooth. Preço: R$ 40.680.


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Dinheiro italiano por Augusto Paladino/autopress

A Mini se aliou ao estilista italiano Roberto Cavalli para criar uma versão exclusiva do Paceman, o utilitário cupê da marca. Na personalização, o SUV ganhou uma nova pintura que muda de cor conforme a incidência de luz, além de detalhes em dourado e diversas logos da grife do italiano. O modelo foi leiloado em um evento próprio da Mini por 150 mil euros, algo em torno de R$ 400 mil. Dinheiro todo doado a projetos de combate à AIDS.

Foto: Divulgação

Mini Paceman Roberto Cavalli


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Notícias

automotivas por Augusto Paladino/autopress

Mudanças leves – Sem alarde, a Fiat começou a vender a linha 2014 do Bravo. As atualizações no hatch médio foram pequenas. A versão Essence recebeu rodas de 16 polegadas e padronagem de tecido novas, enquanto o Sporting tem acabamento interno pintado de preto. Já o esportivo T-Jet tem novos adesivos que enfeitam a carroceria. Os preços começam em R$ 54.750 no Essence e atingem os R$ 68.500 do T-Jet. Nostálgica – Os 90 anos da divisão de motocicletas da BMW, a Motorrad, estão rendendo algumas novidades. Como a moto-conceito que a marca alemã mostrou, que faz referência à R 90S, um de seus modelos mais icônicos. O desenho é inspirado na esportiva de 1973, com direito a carenagem arredondada. A Concept Ninety tem quadro em alumínio feito à mão e um motor boxer refrigerado a ar, como os originais. As especificações, porém, não foram divulgadas. Show do milhão – Uma edição especial do jogo de video-game Grid 2 entrou para a história como o game mais caro do mundo. É que a produtora do jogo está vendendo na Europa o Grid 2: Mono Edition por nada menos que 125 mil libras, algo em torno de R$ 387 mil. Por esse valor, o comprador leva o jogo, um macacão de corrida personalizado e até um carro. É o inglês BAC Mono, um monoposto feito para ser usado diretamente nas pistas e com capacidade para acelerar de zero a 100 km/h em 2,8 segundos. O carro – que custa originalmente 75 mil libras – vem com a mesma pintura com que aparece no jogo. Apagão – Depois de muito anunciar e lançar até protótipos, a Audi decidiu paralisar o projeto de um R8 elétrico. De acordo com a revista inglesa “Autocar”, a empresa alemã chegou à conclusão de que o superesportivo ficaria caro demais e não seria viável economicamente. Além disso, a Audi

Fotos: Divulgação

não estaria satisfeita com a autonomia do conjunto de baterias, estimada para 220 km. Dez unidades do R8 e-tron chegaram a ser produzidas no começo do ano, mas agora servirão como “mulas”, para desenvolvimento de outros modelos elétricos. Ajuda vital – A Mercedes-Benz está estudando uma maneira de facilitar o resgate de pessoas acidentadas em seus veículos. A empresa alemã começou a desenvolver um projeto que usa QR Code – código visual lido por celulares – para dar a bombeiros e paramédicos informações importantes sobre o carro, como fiações elétricas, airbags e até onde os profissionais de saúde devem cortar o automóvel para resgatar um sobrevivente sem nenhum risco. O adesivo com o código deve ficar no bocal de combustível, lugar de fácil acesso mesmo em situações de colisão. Em branco – A indústria automotiva gosta de comemorar qualquer data redonda. Dez anos do lançamento do modelo X, 20 do primeiro motor Y, e por aí vaí. A Volkswagen, no entanto, teve um motivo bem forte para não celebrar os 75 anos de fundação da sua fábrica principal, em Wolfsburg, na Alemanha. É que quem realizou a cerimônia de inauguração da indústria em 26 de maio de 1938 foi o líder nazista Adolf Hitler – o mesmo que idealizou o Fusca. A Volks, espertamente, decidiu ignorar esta parte de seu DNA para não fazer qualquer relação ao ditador. Rival de entrada – Atualmente, a Tesla ataca apenas o mercado de carros de luxo com o Model S. Mas de acordo com o CEO da empresa, Elon Musk, a fabricante de elétricos vai criar em breve um rival para o Nissan Leaf, o modelo a baterias mais vendido do mundo. De acordo com o executivo, o seu objetivo é criar um elétrico com preço mais competitivo, mas que mantenha os bons atributos mecânicos do Model S, sedã muito elogiado pela crítica norte-americana.

Fiat Bravo 2014

BMW Concept Ninety

BAC Mono Grid 2 Edition


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Amplo espectro Michelin aumenta linha de pneus e mira nas motocicletas de baixa cilindrada

por Eduardo Rocha e Michael Figueredo/Auto Press

A Michelin sempre cultivou uma imagem de produto premium no Brasil. Principlamente no segmento de duas rodas. Entre as motocicletas, a marca só atacava modelos mais sofisticados, de cilidradas maiores e alta performance. E tudo conspira nesse sentido. Afinal, os produtos da fabricante francesa sempre foram mais caros que os oferecidos pelas rivais. Em motos de luxo, que normalmente são apenas montadas no Brasil, os pneus da Michelin são bem considerados. Mas como não produz nada para veículos de duas rodas no Brasil, não consegue aparecer como equipamento original das motocicletas de pequena cilindrada, quase todas produzidas no país. Nada disso, porém, parece ter demovida a marca a apresentar uma nova gama, com cinco tipos de pneus para motos de todos os segmentos. E mesmo que só vá atuar no mercado de reposição – com um preço 10% acima da concorrência –, a empresa está otimista. Espera dobrar a participação no mercado, que hoje anda na faixa de 6%, ou 45 mil unidades mensais. Segundo o marketing da empresa, os novos pneus transferem para as motos de menor cilindrada, o mesmo nível de tecnologia oferecido nos compostos de alta gama. O conceito radial, por exemplo, onde a disposição das lonas é feita a 90º da linha do pneu, foi utilizado na concepção do Pilot Street Radial, destinado a motos de média cilindrada – acima de 250 cc. Pneus radiais são mais comuns em motocicletas esportivas ou de cilindrada mais alta, pois tem construção mais sofisticada e usa materias mais caros, como a sílica, que reduz o desgaste. O pneu radial aumenta a estabilidade em alta velocidade. A contrapartida negativa é que reduz o conforto em rodagem mais lenta e tem menor capacidade de carga, comparado ao tradicional diagonal. Mas a grande novidade para a Michelin é mesmo atuar no segmento de baixa cilindrada. O Pilot Street, que tem construção diagonal, usa como argumento de vendas a durabilidade. Segundo a Michelin, o desenho da banda de rodagem - com grande área de contato no topo e sulcos maiores nas laterais favorece a dirigibilidade em retas

e a aderência nas curvas. As motos da faixa entre 150 e 250 cc são as de maior volume comercial no Brasil e no mercado global. Nesse caso, a briga maior da marca francesa será com a italiana Pirelli, grande fornecedora para primeira montagem nas fábricas e que normalmente é escolhida na hora da reposição. Para elas, o Michelin Pilot Street promete até 30% a mais de durabilidade, o que compensaria os 10% a mais no preço. O modelo é oferecido em 12 dimensões, que abrangem quase a totalidade dos modelos utilitários. Para as gamas mais altas – onde a Michelin lidera com folga –, a aposta da fabricante é em oferecer pneus mais específicios para cada utilização. O Power Supersport é indicado, como o nome explicita, para os modelos superesportivos, com uso partilhado entre a pista – em track days, por exemplo – e uso normal em cidade e estrada. Segundo a Michelin, o pneu garante maior aderência geral e amplia a cacidade de tração nas saídas de curvas, quando é submetido a pressóes mais fortes. Já o modelo o Pilot Power 3 também é indicado para modelos superesportivos, mas sem uso muito severo. É para uso principalmente nas estradas e tem como ponto forte a aderência em piso molhado. O quinto pneu da nova linha é o Anakee III. Concebido para equipar motocicletas do segmento de maxtrails. Os sulcos são pensados para melhor performance em estradas, para condutores que enfrentam trajetos “off-road” apenas ocasionalmente. Na terra, os sulcos são desenhados de tal forma que criam um efeito autolimpante, que expulsa a lama e as pedras. Os novos pneus são fabricados na Tailândia e vão ocupar apenas os mercados de reposição. Além de elevar sua participação nos mercados de baixa e média cilindrada para 90 mil unidades mensais – o que vai corresponder a 12% do segmento –, está nos planos da marca a ampliação de sua rede para 700 revendedoras autorizadas até 2016 – hoje são 350 em todo o país. Com os cinco novos modelos, o portifólio da Michelin cobre 90% do universo de motocicletas a venda no Brasil.

Foto: Divulgação


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Jornal do Meio 697 Sexta 21 • Junho • 2013

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Grandão renovado por Augusto Paladino/autopress

A nova geração do maior utilitário da Mercedes-Benz já está à venda no Brasil. O novo GL chega importado dos Estados Unidos com duas motorizações. A GL 500 com um V8 de 435 cv e a topo de linha GL 63 AMG com um imodesto propulsor de 557 cv de potência. Os preços são de US$ 196.900 e US$ 273.900 – aproximadamente R$ 400 mil e R$ 550 mil. Entre os destaques está o maior uso de eletrônica, com equipamentos como o que compensa alterações de trajetória provocadas por ventos laterais e um melhorado sistema de proteção passiva dos ocupantes.

Foto: Divulgação

Mercedes-Benz GL 500


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697 Edição 21.06.2013  
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