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Braganรงa Paulista

Sexta

10 Maio 2013

Nยบ 691 - ano XI jornal@jornaldomeio.com.br

jornal do meio

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para pensar

Jornal do Meio 691 Sexta 10 • Maio • 2013

Expediente

por Mons. Giovanni Baresse

Padre excomungado

No artigo da semana passada, falando sobre a ética sexual à luz da fé cristã, indiquei o fato do afastamento de um padre da diocese de Bauru por contrapor-se aos ensinamentos da Igreja. Retomo o assunto porque julgo oportuno esclarecer alguns pontos. Com idade de 48 anos, doutor em Teologia Moral. Conhecido na cidade pelo modo informal como se apresenta. Diz o noticiário que usa “piercing”, frequenta choperias, etc. Afirma-se que é muito querido na comunidade onde servia e que teria, na capacidade da acolhida, uma nota muito forte. Diz-se que começou a defender posições pessoais antagônicas à doutrina da Igreja. Chamado a atenção para retratar-se, ter-se-ia recusado. Quando estava para registrar em cartório sua saída dos empenhos sacerdotais - medida estranha porque a esfera civil nada tem a ver com isso - chamado à Cúria diocesana, tomou ciência que, por sua reiterada desobediência aos pedidos do bispo, tinha incorrido em s excomunhão. O fato levantou, como era de se esperar, repercussão. Membros de sua comunidade movem

manifestações a seu favor e contra as atitudes do governo diocesano. Manchetes de jornal aproveitam o momento para aquecer vendas. Uma destas, maliciosamente, afirmava que o padre estava sendo exco mungado porque afirmava que pode haver amor entre pessoas homo afetivas. Ora a verdade é que o padre defendia a hipótese de que a Igreja deveria aceitar as uniões homo afetivas como “casamento” (tese que está como diz a moçada, “bombando”. Haja vista a última revelação de Daniela Mercury). Não conheço os detalhes que levaram o bispo de Bauru e o seu Conselho presbiteral a chegar a tão dura medida. Não conheço o padre Beto. Conheço o bispo D. Caetano Ferrari. Foi dos cinco primeiros franciscanos a assumir a Universidade S. Francisco em Bragança Paulista e com que tive a honra e o prazer de trabalhar. Com ele convivi nos meus tempos de professor na universidade e no presbitério bragantino. Pessoa de trato sereno, bem humorado, culto e competente na função que exercia. Como sou padre há quase quarenta anos posso dizer, em

relação ao fato da excomunhão que, durante esse já longo caminho, “ne hò visto di tutto un pò”! Para chegar a retirar do serviço sacerdotal faz-se uma longa busca de entendimento e compreensão. Idas e vindas. Conversas. Caso consumado é fim de qualquer possibilidade (no momento) de trazer a situação ao equilíbrio que a Igreja pede. Preciso lembrar que quando da ordenação diaconal e presbiteral o candidato ao sacramento da Ordem promete obediência e reverencia ao bispo diocesano e a seus sucessores. Ao assumir um encargo na Igreja o padre faz um longo juramento, com testemunhas e assinaturas, onde entre outras determinações jura ensinar a doutrina da Igreja e nada que seja contrário a ela. Ao propor ensinamento oposto o Pe. Beto feriu o juramento feito. Chamado à atenção, não quis voltar atrás. É bom lembrar que na Igreja não se é proibido de pensar e de fazer propostas que se julguem oportunas. O que se pede é que as propostas sejam vistas debaixo da luz da fidelidade a Jesus Cristo e a vida vivida da Igreja, que chamamos de Tradição. Por exemplo: posso

dar minha opinião e expressar meu pensamento sobre o celibato dos padres. Posso pensar e propor a ideia de que está na hora de abrir a possibilidade de homens casados sejam ordenados. O que o Magistério da Igreja me pede e o que jurei obedecer é que não me contraponha ao ensinamento oficial. Que fique claro o que penso e que fique clara minha adesão à Igreja. Mesmo que um padre seja doutor múltiplas vezes, ele não pode sozinho, fazer de seus pensamentos e opiniões um desafio diminuidor do ensinamento magisterial. Sobra, igualmente, a consciência que mestrados e doutorados comprovam que se estudaram e aprofundaram aspectos limitados do saber. E que nem mesmo um conjunto de intelectuais ilustres e competentes tem o dom de ter toda a verdade e toda a melhor opinião. Uma das características básicas da Igreja é que ela é UNA. E deve caminhar sob a luz do Espírito Santo, guiada por aqueles que foram constituídos sucessores dos Apóstolos, unidos ao sucessor de Pedro. Os bispos são marcados pelo serviço de serem mestres da Fé e com o Papa devem confirmar os irmãos.

Jornal do Meio Rua Santa Clara, 730 Centro - Bragança Pta. Tel/Fax: (11) 4032-3919 E-mail: jornal@jornaldomeio.com.br Diretor Responsável: Carlos Henrique Picarelli Jornalista Responsável: Carlos Henrique Picarelli (MTB: 61.321/SP)

As opiniões emitidas em colunas e artigos são de responsabilidade dos autores e não, necessariamente, da direção deste orgão. As colunas: Casa & Reforma, Teen, Informática, Antenado e Comportamento são em parceria com a FOLHA PRESS Esta publicação é encartada no Bragança Jornal Diário às Sextas-Feiras e não pode ser vendida separadamente. Impresso nas gráficas do Bragança Jornal Diário.

Lamento toda essa situação que traz sofrimento para todos. Para o padre Beto, para seu bispo, para seus irmãos de ministério na diocese, para os paroquianos e pessoas a quem ele servia para os membros da Igreja que está em Bauru. Para todos nós que somos Igreja. Terei presente no coração essa situação. Rezo para que padre Beto não deixe de pensar sobre as realidades deste nosso mundo conturbado. Mas que o faça em comunhão com a Igreja. Para que os desafios que ele crê necessários colocar em pauta sejam refletidos e discutidos na fraternidade de todos os que desejam seguir os passos do Senhor.


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Não há nada mais gratificante cá. Depois da artrose eu não andava no Dia das Mães do que estar ao mais, então precisei vir. Meus filhos lado daquela que faz a data ter ainda não vieram me ver. Acho que sentido. Aqueles que, por um motivo sabem que estou aqui, nem sei direito. ou outro, não têm a mãe por perto, Eu sinto falta que venham me visitar, sabem o quanto vale a presença da eles e meus netos”, desabafa. Segundo mulher que ajudou a nos tornarmos Jefferson, a direção do asilo tentou quem somos. Conforme o tempo vai entrar em contato com a família de passando e nós próprios nos tornamos D. Silvia, mas não obtiveram retorno. mães – ou pais – começamos a notar D. Silvia adora usar bijuterias, prinainda mais o quanto estar próximo cipalmente anéis. Gosta tanto que de quem nos criou e se dedicou a usa um em cada dedo das mãos. As nós é importante. Certamente, para cuidadoras sabem disso e sempre todas as mães o único desejo nesta levam algo novo para ela. data de comemoração Brinco e pergunto se elas é estar perto dos filhos Tem parente que vem levam esses presentes e sentir-se amada. Para sabem que ela até a recepção, mas porque a senhora Maria Aparegosta ou se é porque não entra pra ver o gostam de paparicá-la. cida da Silva, conhecida como Silvia, que vive a idoso, pra dizer um oi Ganho o primeiro sortrês anos no Asilo São riso. “Não sei”, ela diz, Vicente de Paulo, o com aparente timidez. Jefferson maior desejo é que os coordenador do asilo Jefferson conta que D. dois filhos a venham Silvia adora fazer graça visitar. Assim como outras senhoras com as moças que trabalham na instique vivem na instituição, desde que tuição. Para idosos como ela, que não passou a residir no asilo, nunca recebeu recebem visita, os funcionários do lar visita de parentes. Segundo Jefferson se tornam a família que conhecem, Donizete Bueno, coordenador do lar ou que passam a conhecer. “Sempre de idosos, esse é um perfil bastante comemorei o Dia das Mães com meus comum dos internos, em sua maioria filhos. Depois que vim pra cá não passei mulheres. Muitas hoje já estão bem mais com eles. Comemoro com quem debilitas e mal conseguem falar. Não está aqui.”, fala. conseguem mais contar suas histórias e como foi o processo até que chegaram ali. Outras preferem ficar caladas, se Pergunto a D. Silvia o que ela falaria abrem aos poucos para os funcionários aos filhos, se tivesse oportunidade. e, normalmente, depositam neles o “Eu diria que estou com saudade. Que carinho que gostariam de partilhar queria poder dar um abraço neles, dar com filhos e netos. D. Silvia sente um beijo. Gostaria de ver meus filhos”, falta de saber como estão os filhos e diz. De acordo com Jefferson, haverá os quatro netos, hoje residentes fora festa no domingo, feita pela comunide Bragança. Ela não sabe dizer ao dade, em comemoração à data. Assim certo se eles têm conhecimento de como D. Silvia, diversas outras senhoque ela vive ali. Ela já morava sozinha ras que também não recebem visita em Bragança há alguns anos, quando, da família, não perdem a esperança por causa de problemas com artrose, de que os filhos apareçam para lhes precisou parar de trabalhar e passou fazer uma surpresa no Dia das Mães. a necessitar de cuidados, pois já não “Tem parente que vem até a recepção, conseguia mais se virar sozinha. Foi mas não entra pra ver o idoso, pra quando o asilo a acolheu. dizer um oi. Elas estão falando menos hoje, depende muito do dia. Acho que porque está perto do Dia das Mães, D. Silvia nasceu em Bueno Brandão. ela vão ficando mais tristes”, analisa. Veio morar em Bragança aos 15 anos. Para a equipe que trabalha no Asilo Por aqui se casou e criou os dois filhos, São Vicente de Paulo, o mais difícil únicos que “vingaram”, dos oito que é suprir a necessidade de afeto dos ele teve. “Não sei o que acontecia, velhinhos. Todas as tarefas diárias ficavam grandinhos, morriam. Só os como café da manhã, banho, almoço, mais novos viveram”, conta. Quando café, atividade de lazer, são cumpridas o caçula 7 anos e o mais velho 12, ela e com base em um cronograma a fim o marido se separaram. Daí em diante de deixá-los preparados e à vontade passou a criar os filhos sozinha, como para o período da tarde, que é o homuitas outras mulheres de sua geração. rário de visitas. Das 77 pessoas que Logo os filhos também precisaram vivem ali, apenas 8 são particulares. começar a trabalhar, para contribuir A grande maioria é assistencial e com o sustento da família. Aos poucos está sozinha no mundo, sem família cada um foi dando o próprio rumo à ou alguém que zele por eles. Toda a vida e D. Silvia passou a viver sozinha. responsabilidade fica por conta do “Eu morei com o mais velho quando asilo. “Temos necessidades financeiras, ele casou. Ele fez uma casinha pra mas também de um grupo efetivo de mim no fundo da casa dele, fiquei uns voluntários que realize atividade de três anos com ele, até que ele preci- recreação com eles. Para eles, o afesou vender a casa e eu precisei sair. to é o que mais faz falta. As pessoas Depois disso os dois foram morar em passam pela porta do asilo e parece Santos. Eu acabei indo também, mas que têm medo de entrar, como se isso voltei pra Bragança para trabalhar. estivesse muito distante da realidade Sempre fiz faxina. Hoje um ainda mora delas. Envelhecer é o destino de todo em Santos, o outro mora em Itatiba. mundo, a não ser que venham a Foi a prefeitura que me trouxe pra falecer cedo”, avalia.

D. Silvia vive há 3 anos no Asilo São Vicente de Paulo. Desde então os filhos não vieram visitá-la.

Saudade

Falta

Vaidosa, D. Silvia não dispensa os anéis. Sempre ganha algum novo das cuidadoras.

D. Silvia se sente acolhida pela equipe de cuidadoras do asilo mas, no Dia das Mães, gostaria de ver os filhos.


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Numa época em que o tempo é o joia, adorava. Precisei vender, vender cortina bem mais precioso que uma pessoa que eu tinha em casa pra manter meus pode ter, torna-se cada vez mais filhos. Sempre gostei de trabalhar, sou comum o fato de idosos ficarem sob o costureira. Uma vez meu filho queria um cuidado de instituições ou profissionais de boneco do He-Man e eu não tinha dinheiro saúde. Se antes a família era constituída pra comprar. Eu tinha um conjunto jeans pela figura do pai provedor e da mãe que de casaco e saia que uma mulher queria permanecia no lar cuidando de crianças comprar de todo jeito. Vendi pra ela o e idosos, essa realidade mudou. Não só conjunto, deixei as crianças na escola vim pra Bragança pra comprar. as mulheres passaram a Nessa época eu morava em ter uma vida profissional Mãe tem saudade Extrema. Quando fui buscar fora do lar, como também a expectativa de vida dos dos filhos. Não as crianças na escola e dei o boneco pro meu filho, ele idosos aumentou. O resulquero presente, não se continha de alegria. tado disso é que a função de cuidador foi delegada quero a presença Mostrava pra todo mundo e dizia que foi a mãe dele à outras pessoas que não que tinha comprado. Até filhos ou parentes. É verdade D. Ana dormia com o boneco. também que muitos idosos se mantêm ativos e independentes, con- Acho que ele tem esse boneco guardado tinuam trabalhando e vivendo sozinhos. até hoje”. No domingo D. Ana aguarda os Mas, em dado momento, mesmo estes três filhos para a festa de Dia das Mães. precisarão de alguém para auxiliá-los com “Minha filha e meu genro já falaram que as tarefas do dia-a-dia. Foi assim com a vem. Meu filho mais velho veio semana senhora Ana Teixeira. Aos 65 anos, ela passada e eu já cobrei que quero ele e o vive há três meses no Asilo São Vicente de irmão aqui também. Mãe tem saudade Paulo. D. Ana tem dois filhos e uma filha dos filhos. Já falei pra eles que não quero e se mantinha ativa até o ano passado presente, quero a presença”. quando, por causa de problemas de saúde, precisou de cuidados. “Eu morava com meu filho mais novo. Mas minha casa tem Em casos bem diferentes do de D. Ana, escada, não dá mais pra eu ficar lá. Minha existem mulheres vivendo no Asilo São filha mora em São Paulo, queria que eu Vicente de Paulo que não tiveram filhos. fosse com ela pra lá, mas não gosto de São É o caso da senhora Leontina Bueno de Paulo. Minha filha entrou em depressão Souza, conhecida como D. Marta, de quando eu vim cá, mas eu estou bem 77 anos. Há sete anos vivendo no lar de aqui, estou sossegada. As meninas aqui idosos, D. Marta nunca se casou. Nascida gostam muito de mim”. Assim como em em família de muitos filhos, a maior parte muitos outros casos, D. Ana chegou a um de suas irmãs já faleceram. Segundo ela, momento da vida em que precisou tomar ainda estão vivos um irmão que “é bem uma decisão. Ela decidiu ficar no asilo. velhinho e a filha cuida dele” e uma irmã mais nova. “Minha irmã é muito boa, ela faz tudo pra mim. Qualquer coisa que “Foi meu filho que arrumou pra eu vir, porque eu quero é só ligar que ela já vem”, fala. ele precisa trabalhar e não pode cuidar de Assim como outros idosos, D. Marta é mim. Meu filho mais velho morava fora, nostálgica e fala muito sobre o passado, voltou pra Bragança pra ficar mais perto talvez da época da vida que tenha sido de mim. Minha filha mora em São Paulo, mais feliz, ou que tenha mais saudade. mas agora eu vejo ela mais vezes do que “Minha mãe teve oito filhos, só dois quando ela morava em Bragança. Aqui homens. A gente trabalhava na lavoura a vida dela era corrida demais. Meu filho pra ajudar. Meu pai morreu quando eu percebeu que era melhor pra mim ficar ainda era menina pequena. Lembro dele aqui. Antes eu ficava em casa o dia todo na cama e quando eu olhava pela porta sozinha e só chorava. Agora eu não fico do quarto ele dava com a mão pra eu ir mais sozinha e não choro mais”, explica. embora”, recorda. Quando lhe pergunto D. Ana conta que a vida toda os filhos sobre sobrinhos, ela ignora e volta a foram sua única família. Ficou casada falar das irmãs. “Quando eu nasci eu por apenas sete anos e a partir de então era doentinha, só chorava. Até hoje, por foi mãe e pai. “Quando meu marido foi qualquer coisa eu choro. Tenho muita embora, eles eram pequenos. Eu ralei pra saudade, muita saudade das minhas criar sozinha os meus filhos. Aonde eu ia irmãs, que até água pelos olhos corre”, os três iam junto. Sou de família grande, emociona-se. “Minha geração de gente mas não tive apoio. Eu não deixava meus tá acabando”, diz. Sobreviver no asilo ela filhos nem na casa da minha irmã. Hoje diz: “Graças a Deus eu estou bem aqui. minha filha fala que eu fui muito rígida Durmo em boa cama, arrumo minha com eles, que não deixava os meninos cama sozinha”. nem soltar uma pipa na rua, não deixava De acordo com o coordenador Jefferson ela ir pra casa das amigas. Mas era preo- Donizete Bueno, boa parte dos idoso cupação, queria mantê-los perto de mim, que vivem no local se sentem sozinhos protegidos”. Hoje D. Ana recebe visita e nostálgicos como D. Marta. E mesmo dos filhos todo final de semana e da filha para aqueles que, como ela, que não a cada 15 dias. Ela diz que cada um vem tiveram filhos, a equipe de funcionários, em um horário diferente para poderem em especial as cuidadoras, tornam-se ficar com ela mais tempo. “Eles ficam com filhos e netos. “A festa que estamos ciúmes, cada um quer que eu dê atenção programando para o Dia das Mães é para todas, as que têm filhos e as que só pra ele”, diz. D. Ana conta que os filhos tiveram uma não têm e também para as funcionárias, infância sofrida. “As vezes eles queriam já que muitas delas também são mães e brinquedo e eu não tinha dinheiro pra estarão aqui no dia cuidando das comprar. Quando eu era solteira eu tinha nossos velhinhos”.

Idosos sozinhos como D. Marta é um dos perfis mais frequentes de moradores do lar de idosos. Funcionários se tornam família.

Sozinha

Escolha

D. Marta não se casou e não teve filhos. Ela vive no Asilo há sete anos e sente muita falta das irmãs

Dormitório Feminino do asilo


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Muitas mulheres, por opção ou a hora do almoço e os funcionários comepor conta dos rumos que a vida çam a buscar os idosos para fazerem a toma, não têm filhos. No entanto, refeição. D. Angelina diz que não está com é comum que algumas acabem vontade de comer, mas que vai descansar exercendo o instinto materno com sobri- um pouco no quarto. Se despede, calada. nhos, ou mesmo com filhos de patrões. Dão carinho, afeto, ajudam a cuidar e a educar e depositam nessas crianças o amor que De acordo com Jefferson, as realidades dedicariam a um filho ou uma filha. As dentro do Asilo são muitas. Alguns momemórias de D. Angelina Siqueira Cesar radores estão ali por opção, mesmo com são mais ou menos assim. Ela ajudou a a família por perto. Outros vão para lá cuidar de muitos filhos dos outros. Aos e perdem totalmente o contato com a 83 anos, solteira e sem filhos, D. Angelina família. Há ainda os que não têm família está há dois meses vivendo no Asilo São alguma, mas que às vezes recebem visita Vicente de Paulo. Sua estadia ali continua de amigos e conhecidos. em fase de adaptação. “Eu ainda não acos- Jefferson explica que no período da tarde tumei muito bem. Gostaria de morar com as portas do Asilo São Vicente de Paulo a família. Mas é bom aqui, com a idade a estão abertas para que quiser visitar os gente gosta de ficar sossegada”, ela diz. velhinhos e velhinhas. “Todos os dias, D. Angelina passou a vida com as irmãs de segunda a domingo, das 13h às 17h”, ou trabalhando em casas de família. Nos fala. Outra forma de atrair visitas são últimos tempos estava as missas, realizadas na morando na casa de um Capela do próprio asilo e Eu ainda não que acontecem às 9h15 das dos sobrinhos. “Mas a situação pra ele também acostumei muito bem. terças-feiras e às 18h dos estava complicada então sábados, sempre abertas à Gostaria de morar população. Como forma de ele me trouxe para morara aqui”, explica. De acordo com a família. Mas atrair visitantes, entreter com o coordenador do os moradores do local e é bom aqui, com a ainda arrecadar fundos Asilo, Jefferson Donizete Bueno, muitos outros idade a gente gosta de para manutenção do lar senhores e senhoras têm de idosos, o Asilo São ficar sossegada Vicente de Paulo realiza histórias similares à de D. Angelina. Sempre foram alguns projetos no depessoas independentes e correr do ano. Alguns são D. Angelina não formaram a própria bem conhecidos, como família. Conforme a família a Festa Junina, que em de origem - pais e irmãos - vai falecendo, 2013 contará com a 59º edição, e o ‘Show eles vão ficando sozinhos. Os demais de Prêmios’ que acontece todo segundo moradores e a equipe de funcionários sábado do mês. Há ainda um projeto de do asilo acabam por tornam-se as suas música com apresentação de artistas, famílias no fim da vida. que acontecerá em um final de semana por mês e um projeto chamado ‘Casa das Flores’ que prevê a visita de escolas. “Eu sou da redondeza de Bragança. Tenho Os idosos plantarão flores e as crianças família grande, em casa éramos todas poderão levá-las pra casa. A intenção mulheres. Cresci trabalhando no cafezal, do projeto é estimular as visitas e fazer com a enxada. No tempo de jovem fui pra com que as crianças, através do cuidado São Paulo pra trabalhar de doméstica. que precisarão ter para manter as flores, Não casei porque não encontrei ninguém, percebam a importância de se cuidar bem conheci alguns rapazes, mas não tive sorte, dos idosos. “O Asilo precisa de recursos não valia a pena, aí eu não quis também. financeiros para se manter. Tem-se uma Sempre fui independente”, lembra D. An- falsa ideia de que, como temos alguns gelina. “Em São Paulo, trabalhei em muitas moradores particulares, não precisamos casas de família, as patroas me adoravam, de doações. Mas dos 77 idosos vivendo as crianças me adoravam. Sempre fiz mui- aqui, apenas 8 são particular, os demais são ta amizade com as crianças, eu cuidava todos assistencial. E muitos dos que estão bem, dava carinho. As patroas saiam e aqui já estão bem debilitados, não saem deixavam as crianças comigo, confiavam da cama, precisam de cuidado integral. em mim”, conta. Pergunto se ela manteve Aqui recebemos os idosos de nível 2 e 3, contato com alguma das crianças que aqueles que necessitam de mais cuidados, ajudou a criar, ela diz que não e abaixa que já não são mais independentes. Muitos a cabeça. Parece que está submersa em estão em cadeira de rodas, os que ainda seus próprios pensamentos. De repente conseguem andar têm muita dificuldade e volta a falar bastante sobre o passado e precisam do auxílio de bengalas”, explica. retorna às mesmas histórias. Relembra “Mas tão importante quanto os recursos a vida ao lado das irmãs, a juventude em financeiros, o que falta muito aqui são São Paulo trabalhando em casas de família visitas, voluntários e afeto”, conclui. e dos sobrinhos. “Minhas irmãs casaram, eu não casei. Eu vivia entre Bragança e No momento o que o Asilo São Vicente São Paulo. Quando estava na casa delas de Paulo mais tem precisado é de leite. eu ajudava a cuidar dos sobrinhos. Agora Para contribuir, você pode levar sua só fiquei eu, não tenho mais irmãs. Eu doação diretamente à instituição, que fiquei muito sozinha. Minha sobrinhada fica na R. Albino Dantas, 220, ao lado do hoje também já tem filho moço, filha ca- Jardim Público ou ligar para o número sada”, fala. Sobre o Dia das Mães, ela diz 4033-0545. Além disso, durante todo o que não tinha costume de comemorar, ano, o Asilo aceita doações em dinheiro, mesmo mantendo uma espécie de relação ou em materiais, como roupas, móveis maternal com os filhos das patroas e os e até mesmo materiais para reforma, já sobrinhos. “Minhas patroas eram as mãe, o local está passando por adaptações minhas irmãs eram as mães, eu só ajudava físicas. Aos sábados há ainda a venda a cuidar”, ela responde. Pergunto se ela de Feijoada Completa, das 11h às 14h. gostaria de receber a visita dos parentes As encomendas precisam ser feitas no próximo domingo. “Depende da von- antecipadamente pelo mesmo telefotade deles, se quiserem vir. Eu não forço. ne. Existem muitas formas de ajudar, Meu sobrinho veio me visitar uma vez, escolha a sua! falou que vinha toda semana, não veio”. www.facebook.com/asilosaovicenA conversa termina quando se aproxima tedepaulo

Visitas

Alguns moradores do asilo, como D. Angelina, perderam totalmente o contato com a família.

Lembranças

D. Angelina está no asilo há dois meses, mas ainda não se adaptou. Ela não teve filhos, mas ajudou a cuidar dos sobrinhos

Missa na capela do próprio asilo, acontecem às 9h15 das terçasfeiras e às 18h dos sábados, sempre abertas à população


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Reflexão e Práxis

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Aprendendo a escolher Por pedro marcelo galasso

A liberdade é a possibilidade e, ao mesmo tempo, o resultado das escolhas que fazemos todos os dias. Com um pouco de exagero pode-se dizer que a liberdade surge como uma exigência a qual, infelizmente, nem sempre conseguimos cumprir. As infinitas possibilidades diárias são controladas pela posição que assumimos e pelo papel social que desempenhamos, desde o momento em que nascemos no mundo, desde a nossa presença física no mundo, e para o mundo, desde o momento que temos consciência de nosso papel no mundo. As inúmeras situações que experimentamos exigem respostas e estas cobram responsabilidades de todos nós. No entanto, nem sempre é fácil ou possível ter plena consciência de ambas já que não somos educados para tanto, ou seja, as instituições que deveriam nos apresentar estas ideias, dentre elas a família e a escola, não se preocupam mais

com estas questões. É preciso que tenhamos a consciência de que o ensinar valores de liberdade e de responsabilidade em nada se parece com as disciplinas impostas aos brasileiros ao longo da ditadura militar. Quando pensamos nas ideias acima, na liberdade e na responsabilidade, percebemos que as nossas decisões e escolhas, conscientes ou inconscientes, podem nos levar a liberdade ou a domesticação. A escolha por qual dos caminhos iremos tomar depende de uma resposta coletiva que contemple o maior número de demandas sociais, políticas e econômicas que um país como o Brasil apresenta. Este processo não é fácil nem mesmo breve, mas é absolutamente necessário se analisarmos o quadro político que comanda o país. Cabe, por hora, nos perguntarmos por qual quadro social devemos começar. Uma sugestão é pensarmos a educação brasileira que parece ser concebida pro-

positalmente para ser algo desagradável e sem sentido prático, o que leva as crianças e adolescentes, desde muito cedo, a ver a escola como uma mera formalidade. Uma longa e chata formalidade. O espírito criativo e alegre das crianças é pouco a pouco domesticado, controlado e apagado. A própria palavra aluno, que significa ser sem luz, nos dá uma visão de como as pessoas responsáveis pela educação brasileira pensam nossas crianças. Seu espírito e vivacidade são sufocados por regras de disciplina questionáveis e aplicadas, muitas vezes, de forma injusta e arbitrária, em uma busca por resultados que nada tem a ver com a realidade da maioria da população brasileira. Para os adolescentes a idéia é a mesma. Um período cheio de dúvidas, de esperanças e de descobertas é visto como algo distante da escola, afastando-os de uma instituição que deveria acompanhar esta nova fase

de uma maneira aberta, discutindo temas como sexualidade, primeiro emprego, entre outros tantos, ajudando a formular uma visão de maturidade e de cidadania, ou seja, é difícil acreditar que a educação e a escola brasileira possuem outra função que não a domesticação de crianças e jovens para favorecer sabe-se lá quem. A tomada de responsabilidade e seu colocar-se no mundo, posições que compõem a liberdade, encontram-se distantes da realidade da educação brasileira e, sem isso, o que esperar destas crianças e adolescentes quando se tornarem adultos quando pensamos nas atribuições que eles possuirão? Que tipo de comportamento social assistiremos quando esta geração for a responsável social sem ter a noção clara do que seja liberdade e responsabilidade? Pedro Marcelo Galasso - cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@ gmail.com

Nossas Escolhas

Senti-se especial por Felipe Gonçalves

Num pleno e ensolarado sábado à tarde, eu estava caminhando pelas ruas da cidade e encontrei um amigo que não o via à muito tempo, aqueles amigos de escola que você lembra pelas brincadeiras, pelas sessões de estudo, pela algazarra que fazíamos aos 10 anos de idade, lembramos destes amigos por uma amizade mais pura....... fiquei super feliz quando o vi saudável e bem, e espontaneamente perguntei a ele.: - Como está meu amigo ? Quanto tempo ! Moramos na mesma cidade e estamos à anos sem nos ver, afirmei. Com um olhar em declínio e uma voz quase silenciosa respondeu.: - Caminhando e você ? De certo estávamos caminhando, literalmente, mais confesso que não esperava esta devolutiva tão entristecida, sinceramente esperava um “ Estou ótimo “, “Estou bem”, algo mais convencional, mesmo que seja superficial. Acredito que todos nós nos deparamos com alguém querido ou até mesmo um conhecido, que mostra-se através de seu olhar, de suas palavras, de sua postura..... uma certa carência. Sentir-se carente é algo que acontece com todos os seres humanos, a carência afetiva pode ser mais ou menos intensa, pode durar um período curto ou longo, algumas pessoas vivem no estado de carência uma vida inteira. Na nossa luta diária, parece que é impossível viver bem consigo mesmo e com as pessoas, ninguém dá atenção a ninguém, às vezes as pessoas olham para seus olhos enquanto conversam, mostram uma atenção disponibilizada, mais ninguém garante que realmente estão ali, de corpo e alma. Ninguém mais diz: “Puxa, como você é importante para mim”. E é aí que começam as carências, come-

çam os conflitos. O Especialista em Análise Transacional Cecílio Kherma, diz que: “Quando você não estiver entendendo o que está acontecendo com alguém, pense em termos de carícias”. Assim: • Um adolescente pode usar drogas como forma de dizer aos pais: “Preciso de sua atenção”. • Uma jovem tem atos de rebeldia por talvez estar precisando de alguém que lhe diga: “Você é muito inteligente”. • Um universitário que vive estressado para tirar a nota máxima pode estar sofrendo da necessidade de que alguém lhe fale: “Eu amo você independentemente da nota que você tirar”. • Um funcionário exemplar que começa a atrasar pode estar dizendo: “Eu não me sinto importante aqui”. • Uma pessoa que se tranca no quarto para ficar horas na internet pode estar totalmente incapaz de criar um vínculo afetivo pessoal. • Uma mulher linda que começa a ficar desleixada pode estar precisando ser vista como competente. • Uma mãe com crise de alergia sem uma causa aparente pode estar dizendo que sente falta de carinho. Quando alguém, em qualquer lugar, tiver um comportamento que não faz parte do seu jeito de ser, pode estar falando bem alto: “Preciso me sentir importante para você!”. O corpo perde o viço, o olhar perde o brilho, a pessoa não consegue se sentir importante para quem ama ou quem considera importante e admira. Quando uma pessoa estiver agindo de modo autodestrutivo, em conflito, é preciso descobrir de que tipo de carícia ela está precisando.

Descobrir e dar a carícia essencial de que esse indivíduo precisa é a melhor maneira de esvaziar o comportamento distorcido dele, fazer com que ele volte ao eixo. E, sem dúvida, é a melhor maneira de ajudá-lo. Vejo que neste mundo de cobranças desumanas as pessoas precisam, mais do que nunca, se sentir importantes e reconhecidas naquilo que fazem de melhor. Quando esses sintomas aparecem, é hora de você agir, de sair do próprio umbigo e olhar para o outro com generosidade, e descobrir como você pode ajudá-lo a ser feliz. Neste mundo, está fácil dar todo tipo de presente, do eletrônico que o filho pede, a rosas para a mulher que se quer conquistar. O que não se encontra facilmente é alguém que nos ajude a nos sentirmos especiais. E você pode ser essa pessoa na sua família, no seu trabalho, na sua roda de amigos. Você pode fazer a diferença e viver bem com aqueles que ama, com as pessoas que são realmente importantes para você. Quando você se sentir carente, volte seu olhar para os outros setores de sua vida e perceba o quanto está perdendo em qualidade de vida afetiva. Preste atenção em: •Sua família - seus pais, por mais que vocês tenham problemas de convivência, demonstram o amor das mais variadas formas: fazendo aquela comida gostosa, cuidando da organização e sustento da casa, se interessando por seu bem estar. Abra seu coração para esse carinho silencioso, saiba receber e retribuir. Reconheça o afeto contido nas pequenas atitudes. •Seus filhos - pequenos ainda, ou adolescentes e mesmo já adultos, demonstram seu carinho com uma brincadeira, dividindo um segredo, partilhando uma alegria, demonstrando confiança. •Seus amigos - o convite para uma festa, a declaração de amizade, o ombro oferecido

sem outro interesse a não ser amparar você ou a busca de seu ombro confiando problemas. • Seus colegas de trabalho ou de colégio/faculdade - a ajuda prestada numa matéria ou a orientação sobre as diretrizes da empresa são uma atitude generosa, o convite para o almoço ou para a balada demonstrando que sua presença é querida... Se você aprende a reconhecer nos pequenos gestos uma atitude afetiva, você passa a se sentir muito mais suprido e feliz, mas tão importante quanto sentir-se nutrido por colegas, amigos, familiares e filhos, é aprender a nutrir a si mesmo, valorize suas qualidades e aprenda a reconhecer as coisas legais que você faz, a pessoa bacana que você é! Aprenda a dar a você mesmo pequenos presentes, desde uma xícara gostosa de café até uma merecida viagem de férias, mas faça isso com consciência, sem ligar o “piloto automático”, enquanto estiver preparando seu café, curta esse momento, perceba que você pode se afagar quando curte o prazer de deitar em lençóis cheirosos ou quando prepara a pipoca para assistir àquele filme que queria tanto ver. Amar e sentir-se amado é fórmula para resolver nossos problemas, a vida parece ficar mais leve e colorida quando somos amados e amamos, este sentimento ajuda em nossos trabalhos, melhora nossa qualidade de vida, nossos relacionamentos e nosso auto estima, sinta-se amado, ame ! Tenha uma boa vida ! Felipe Gonçalves Graduado em Química, MBA em Supply Chain, Especialização em Desenvolvimento de Líderes, Mestrando em Engenharia Química, Profissional Corporativo e Professor Universitário. E-mail: felipe.goncalves@usf.edu.br


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Seu sorriso COM saúde

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Lesões de lábio

Prevenção e Tratamento informe publicitário

A queilite actinica (do grego kheilos= lábio; actínico = danos causados pelos raios ultravioleta) é uma alteração principalmente dos lábios inferiores, já que estes são expostos constantemente ao sol. Esta lesão acomete preferencialmente pessoas de pele clara e é mais comum em pacientes mais velhos que se expuseram ao longo da vida à radiação ultravioleta, ou ainda, pessoas de meia idade com exposição intensa ao sol sem proteção, principalmente por exercerem atividades profissionais externas como agricultores, sitiantes, vendedores ambulantes, esportistas, pescadores, etc.. Esta exposição do lábio aos raios ultravioletas causa efeitos e danos cumulativos. Considerada uma doença potencialmente maligna, podendo evoluir para Câncer de lábio inferior (Carcinoma Epidermóide) assim como acontece com Ceratose actínica (lesão de pele também causada pelo sol) deve ser corretamente identificada e tratada afim de prevenir-se à transformação maligna em tempo de melhorar o prognóstico e evitar as sequelas, danos estéticos e funcionais nos pacientes envolvidos. Seus aspectos clínicos variam desde a descamação crônica do lábio, podendo apresentar ulceração (“feridas” que demoram à cicatrizar), áreas esbranquiçadas

(leucoplasias), edema do lábio inferior (“inchaço”), perda do limite da linha do vermelhão do lábio, popularmente chamado de “linha do batom” e perda de elasticidade do lábio. Estes achados podem acontecer no paciente de forma isolada ou em conjunto. O tratamento baseia-se principalmente na gravidade da lesão estabelecida, após uma consulta detalhada, o estomatologista poderá indicar o melhor tratamento para o paciente, podendo variar desde tratamento cirúrgico (vermelhonectomia ou remoção cirúrgica do vermelhão do lábio inferior), criocirurgia (cauterização pelo frio com nitrogênio liquido), ablação (com laser de CO2) e casos mais brandos e iniciais com filtros solares e medicamentos tópicos. Quaisquer que tenham sido as formas de tratamento escolhidas, os pacientes precisam ser acompanhados por longos períodos , sendo altamente recomendável medidas preventivas de exposição ao sol, como o uso de protetores labiais com bloqueadores de raios ultravioleta, uso de chapéu com aba larga e diminuição no tempo de exposição ao sol. Procure seu dentista para o diagnóstico e orientações. Dr. Alexandre Thomaz CRO/SP: 42.905 Mestre e Especialista em Estomatologia.

COM - Centro Odontológico Martins Dra. Luciana Leme Martins Kabbabe CRO/SP 80.173 Dra. Mariana Martins Ramos Leme CRO/SP 82.984 Dra. Maria Fátima Martins Claro CRO/SP 18.374 Dr. Luis Fernando Ferrari Bellasalma CRO/SP 37.320 Dr. André Henrique Possebom CRO/SP 94.138

Dra. Juliana Marcondes Reis CRO/SP 70.526 Dra. Helen Cristina R. Ribeiro CRO/SP 83.113 DR. Luis Alexandre Thomaz CRO/SP 42.905 Praça Raul Leme, 200 – salas 45/46/49 Edifício Centro Liberal. Telefones: 11 4034 – 4430 ou 11 4034 – 1984

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Rock do Século passado por DANILA MOURA/FOLHAPRESS

Fomos a última geração que fazia canções mais transgressoras. Rolava uma abertura maior para bandas com letras ferozes e riffs fortes. Atualmente, a indústria fonográfica, amedrontada pela pirataria, prefere investir em fórmulas fáceis de vender. É uma pena”, declara Canisso, baixista do Raimundos. Grupo que se manteve na ativa desde os anos 1990, com Digão assumindo o microfone depois da saída do vocalista Rodolfo --que virou evangélico--, Raimundos está de volta às radios e aos shows lotados. Mas esse renascimento passa longe de tiozinhos saudosistas. “A grade da plateia dos shows é dominada 90% por garotos de 15 anos. É gratificante!”, exalta Canisso. “Essa melação pop de Restart e genéricos eu não aguento ouvir de jeito nenhum”, brada o estudante Fernando Costa, 14, que fala de bandas brasileiras como se estivesse numa rodinha de amigos há 20 anos. “Tinha despontado o Charlie Brown, rolava Rumbora, era uma época de bandas com letras muito mais divertidas, escrachadas. Hoje eu não sinto a mesma pegada”, declara o estudante Felipe Holanda do Nascimento, 21, que visita frequentemente os estúdios da rádio UOL 89 FM e tem pavor de rock bonitinho demais. mudança de gênero Até hoje o paulistano Gabriel de Souza Shon, 25, consegue se lembrar do dia em que voltou do colégio, em 2006, e ligou o rádio. Tomou um susto que deu um nó em sua garganta roqueira. “Ouvia a 89 FM direto, era a trilha sonora do meu dia a dia. Do nada, começou a tocar dance music.

Chocante, tinha virado uma rádio pop!” Após um período em que mudou radicalmente seu estilo musical, a emissora famosa como “a rádio rock” voltou ao gênero. Além de se manter no dial, passou a ser hospedada na internet com a marca UOL 89 FM. “Esperávamos atender somente um público na faixa dos 35 anos, saudosista dos anos 1990. Mas nos surpreendemos com o grande número de adolescentes que nem era nascido no auge da emissora e hoje prefere ouvir bandas daquela época. E o ibope está respondendo com sucesso”, afirma Ricardo Dutra, diretor de marketing do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha. É gente como Shon e outros adolescentes que ainda usavam fraldas enquanto os shows do Raimundos agitavam rodinhas de pogo ao som de “Quero Ver o Oco”. Falta de transgressão nas letras, melodias sobre o amor e o visual meigo da maioria das bandas brasileiras de hoje são reclamações de uma legião de teens fãs das mesmas bandas da adolescência de Shon. Inclusive sua irmã Heloísa, 18, que tinha só dois anos quando o Planet Hemp foi detido pela polícia, acusado de apologia às drogas. “Até gosto de algumas bandas atuais, mas acho quase sempre bobinhas. Prefiro ouvir Raimundos, Planet Hemp e Charlie Brown Jr.”, afirma a garota. Outro termômetro que atesta essa tendência no gosto dos adolescentes é a presença desses grupos nos grandes festivais de música. No próximo dia 31, o Planet Hemp fecha a noite do palco Butantã no Lollapalooza Brasil, em São Paulo.

Escritor e músico Tony Bellotto, 52 anos, na sede da editora “Companhia das Letras” no bairro Itaim em São Paulo. Tony lança seu novo livro “Machu Picchu”


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A atualidade de Heidegger

Volume apresenta ao leitor leigo os conceitos do filósofo, autor de “Ser e Tempo”, e discute urgência de sua obra por CADÃO VOLPATO/folhapress

“Heidegger está à altura do nosso tempo. Para questões fundamentais de nossa época, ele é mais adequado que o próprio Nietzsche.” É assim que Oswaldo Giacoia Jr., professor de filosofia da Unicamp e autor de vários estudos sobre Friedrich Nietzsche (18441900), explica sua recente dedicação a Martin Heidegger (1889-1976). Um dos frutos desse interesse é o livro “Heidegger Urgente - Introdução a um Novo Pensar”, do selo Três Estrelas, que se propõe a apresentar o filósofo ao público leigo e a discutir a atualidade de suas ideias. “É ‘urgente’ no sentido de necessário”, diz Giacoia sobre o chamado filósofo da Floresta Negra. Do começo ao fim do livro, o autor enfatiza a importância e a peculiaridade de Heidegger, considerado um dos pensadores mais relevantes dos últimos tempos. De acordo com estudiosos, Heidegger se destaca por tentar responder por que existe o ser em vez do nada, isto é, por que existem algumas coisas em vez de coisa nenhuma. Giacoia reconhece o valor dessas meditações de Heidegger, mas o professor da Unicamp está particularmente interessado nas discussões sobre a tecnologia moderna. “Sua reflexão acerca da técnica é ‘sui generis’, e não podemos pensar a época contemporânea sem a técnica. Ela se espalhou como lógica planetária, e parece que não vê nenhum tipo de limite.” Enquanto diversos filósofos pensaram a tecnologia como instrumento a serviço do homem (para o bem ou para o mal), Heidegger a caracterizou como uma espécie de mecanismo de criação. Para Heidegger, porém, a tecnologia, em

Foto: Divulgação

sua forma moderna, provoca, de certa maneira, uma distorção nesse mecanismo, que termina por exercer um controle cada vez maior sobre a natureza. Seu exemplo clássico é a geração de energia. Se, no passado, as pás de um moinho eram movidas pela passagem do vento, hoje uma hidrelétrica barra o curso das águas e põe o rio à disposição da criação de eletricidade. O problema é que o controle do homem sobre esse processo poderia ser uma ilusão ingênua. O desenvolvimento da tecnologia atômica e o fenômeno das mudanças climáticas são dois exemplos que jogam a favor do argumento heideggeriano. Embora a discussão sobre a tecnologia moderna conste sobretudo dos escritos mais tardios do filósofo alemão, o livro “Heidegger Urgente” abrange a chamada primeira fase do pensador, na qual ele produziu “Ser e Tempo”, sua obra de maior destaque. “É um erro achar que o primeiro Heidegger esteve alheio a questões da técnica”, diz Giacoia, que reserva boa parte do livro à apresentação dos conceitos do alemão. “Uma tarefa difícil”, reconhece o professor da Unicamp. “O pensamento de Heidegger é hermético, e falta o recuo histórico para haver decantação até de seu léxico.” Além da parte conceitual, “Heidegger Urgente” ainda traz uma apresentação do contexto filosófico e da vida do pensador alemão, com comentários inclusive a respeito de sua polêmica ligação com o nazismo. Heidegger urgente Autor: Oswaldo Giacoia Jr. Editora: Três Estrelas Quanto: R$ 29,90 (144 págs.)

Filósofo alemão Martin Heidegger

SPASSU da Elegância

O buquê certo Por Ana Carolina Serafim e Nazaré Brajão

O buquê da noiva merece uma

de forma estratégica pelo florista para

as flores do buquê é escolher flores

Assim, o seu verdadeiro buquê pode

atenção especial e deve ser feito

a noiva brilhar ainda mais!

da época, pois além de mais fáceis de

permanecer intacto e a noiva poderá

por mãos habilidosas de um floris-

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encontrar, custam menos.

leva-lo para casa.

ta especializado, sendo ele a verdadeira

pedem um buquê mais simples. E se o

Sobre a tão aguardada hora de jogar o

Mande suas sugestões para nosso e-

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vestido for muito simples, o buquê deve

buquê para as convidadas que desejam

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convidados com seu toque jovial e alegre!

ser mais elaborado e com um toque de

encontrar um par, a noiva pode optar por

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fazer um buquê menor e mais simples,

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e ao ar-livre combinam com folhagens

mas semelhante ao verdadeiro buquê

Ou se preferir, venha conhecer nossa

usar, qual o sapato, o véu, penteado e ou-

verdes junto ao buquê. A dica para

para que este seja jogado para as moças!

loja, estaremos prontos para atendê-los.

tros. Mesmo assim, o buquê do casamento é um item bastante especial, pois quando bem escolhido, complementa o visual da noiva. Existem várias opções de buquê, de combinações de flores e acessórios que fazem parte do estilo da noiva. O fator principal para a escolha do buquê de noiva ideal é a personalidade da noiva. Para noivas conservadoras, a dica são buquês clássicos, como os brancos, com poucas flores e delicados. Para as noivas mais modernas, o buquê pode ser com cores vivas, lilás, vermelho, amarelo, ou composto com várias tonalidades. O mais comum é o buquê redondo. Este buquê deve ter um formato cheio em um arranjo compacto. Prefira usar os botões ao invés de flores abertas, preenchendo o restante dos espaços com flores miúdas, para dar delicadeza ao conjunto. O acabamento pode ser feito com fitas e brilhos que são colocados


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comportamento

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Amargo e gordo Por JULIANA VINES/FOLHAPRESS

O chocolate tem sido um dos alimentos funcionais preferidos pelas pesquisas. Poderes contra doenças cardíacas, envelhecimento precoce e até sobrepreso são atribuídos ao produto, principalmente na sua formulação amarga. A razão apontada são as substâncias antioxidantes presentes no cacau. A Folha e a Unicamp decidiram medir a quantidade dessas substâncias, os polifenois, em barras das três marcas mais vendidas do mercado. Foram comparadas as composições dos tipos “ao leite” e “meio amargo” (porcentagem de cacau entre 30% e 50%) dessas marcas. Preferidos dos nutricionistas e valorizados em estudos, os chocolates mais escuros são tão calóricos e gordurosos quanto os com leite. A diferença está mesmo nos polifenois: sua quantidade dobra nas versões meio amargas. Das marcas testadas, o meio amargo da Nestlé foi o que apresentou o maior teor de antioxidantes por 100 g do produto (2,4 g de polifenois). A menor quantidade da substância foi encontrada no Lacta ao leite, 0,98 g. O produto meio amargo da Lacta, que ficou em terceiro lugar no quesito antioxidante, é, entretanto, o menos calórico de todos. Mesmo assim, não é pouca coisa: são 504 calorias por 100 g. O fato de o chocolate ter o gosto mais amargo sugere mais antioxidantes. Mas isso não é determinado diretamente pelo teor de cacau. “Na porcentagem de cacau entram tanto a massa quanto a manteiga de cacau. Esta última não tem nada de polifenois”, diz a engenheira de alimentos Priscilla Efraim, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, onde foi feito o teste. O amargor também não significa que o produto tem menos açúcar: em todos os chocolates testados, o açúcar é o ingrediente em maior proporção na fórmula--maior do que a do cacau, inclusive. “Nessa época já se come muito chocolate, os benefícios não podem ser desculpa para exageros”, diz Lara Natacci, nutricionista do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo.

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Para a endocrinologista Rosana Radominski, do Departamento de Obesidade da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), a indústria estimula a divulgação da ideia de que comer chocolate todo dia é bom para a saúde. “Não há prova disso. O que podemos dizer é que a pessoa pode comer uma coisa gostosa que não vai fazer mal se for consumida em pequenas quantidades”, diz a médica. A maioria das pesquisas indicando benefícios do chocolate utilizou extratos com alta concentração de polifenois, segundo Efraim. Para obter esses efeitos com as marcas testadas, por exemplo, a pessoa precisaria comer quase cem gramas do tipo meio amargo por dia, avalia a professora. “Do ponto de vista do consumo de antioxidantes, o meio amargo é melhor. Mas não vale apostar no chocolate como um superalimento. Não é tudo isso. Mas é gostoso”, diz o nutrólogo Daniel Magnoni, do HCor (Hospital do Coração) de São Paulo. O consumo “controlado” das pesquisas dificilmente é replicado na vida real. Uma sugestão da nutricionista Lara Natacci para quem come o doce habitualmente é trocar a versão ao leite pela meio amarga. “O teste mostrou uma diferença significativa na quantidade de antioxidantes, mesmo em produtos populares e facilmente encontrados no mercado”, diz. Os resultados sobre a concentração de polifenois são coerentes com o que se espera de um chocolate mais amargo, na opinião de Carlos Thadeu de Oliveira, gerente do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). “O que não dá para entender é por que poucos fabricantes colocam a porcentagem de cacau na embalagem dos produtos vendidos no Brasil”, diz ele. Dos produtos testados, só o amargo da Lacta tem essa informação. Segundo Oliveira, o dado é comum nos chocolates importados e em “edições limitadas” de produtos gourmet. “Quanto mais barato o produto, menor o número de informações oferecido ao consumidor”, diz. Alimento ganha a coloração azul na experiência em laboratório O teste do chocolate foi feito no laboratório de frutas e hortaliças da FEA (Faculdade de Engenharia de Alimentos) da Unicamp. Para a análise, a Folha entregou ao laboratório duas barras grandes (entre 150 g e 170 g) de cada

chocolate a ser testado, compradas em supermercado de São Paulo. No local, as barras foram derretidas e homogeneizadas, para que os pesquisadores tivessem cem gramas de cada amostra. Em seguida, um reagente químico foi usado para retirar a gordura do produto, restando apenas a massa de cacau. O material foi colocado em uma solução de acetona, que tem a propriedade de extrair os polifenois da massa. Para determinar a quantidade de antioxidantes, o extrato líquido de polifenois foi colocado em uma solução com produtos químicos que, ao reagirem com o antioxidante, deixam o líquido azul: quanto mais intensa a cor, mais polifenois presentes. “Nessa etapa, já dá para perceber visualmente as diferenças nas amostras”, diz Priscilla Efraim, professora da FEA que conduziu o teste. Em seguida, as amostras foram colocadas em um equipamento eletrônico chamado espectrofotômetro. Por meio do comprimento de ondas de luz, o aparelho consegue “ler” a intensidade da cor e traduzir isso em quantidade (gramas) de polifenois. A metodologia usada é validada por estudos publicados em revistas científicas.

Outro lado

Lei não obriga a informar teor de cacau, diz fábrica A reportagem procurou os fabricantes dos chocolates analisados para que comentassem a relação entre quantidade de antioxidantes e valor calórico dos produtos e explicassem a ausência de informações sobre o teor de cacau nas embalagens. A Mondelez Brasil, responsável pela marca Lacta, informou em nota que, até o momento, não fez análise dos polifenois no produto. “Não exploramos esse nutriente na embalagem. Além disso, a legislação não pede esse monitoramento”, diz a nota. Em relação ao sódio presente nas barras de Lacta, a empresa afirma que não adiciona sal nas formulações de seus chocolates e que a quantidade encontrada nos produtos da marca é proveniente do sódio naturalmente presente nas matérias-primas. Na nota, a empresa, que declara o percentual de cacau na embalagem do chocolate meio amargo, mas não na do chocolate ao leite, diz que a legislação da Anvisa não prevê que a quantidade de cacau seja informada na embalagem. A Chocolate Garoto (que pertence ao grupo Nestlé) informa que, “a exemplo das outras empresas do setor”, optou por colocar a informação apenas em linhas especiais, com maior percentual de cacau. Não se manifestou sobre aspectos nutricionais analisados. Já a marca Nestlé não enviou resposta até o fechamento da edição. Chocolate amargo pode até ajudar a emagrecer, sugerem pesquisas Vedete de pesquisas científicas recentes, o chocolate, além de tudo, é agora um possível aliado na luta para a perda de peso, conforme um estudo feito pela Universidade da Califórnia. O trabalho, publicado na revista americana “Archives of Internal Medicine”, analisou os hábitos alimentares de 972 pessoas entre 20 e 85 anos sem doenças cardiovasculares, diabetes ou colesterol. Entre os voluntários, aqueles que relataram comer chocolate mais vezes, mesmo mantendo no cardápio uma quantidade maior de gordura saturada e calorias, foram os que tiveram menor IMC (índice de massa corporal). O benefício atribuído ao alimento foi identificado até entre os participantes que não praticavam atividades físicas. O trabalho não investigou como isso acontece. Porém, há algumas hipóteses. Beatrice Golomb, autora do estudo, afirmou a jornais americanos que os ácidos fenólicos presentes no cacau, como os flavonoides, ajudam a equilibrar a produção do hormônio leptina, que se comunica com o hipotálamo, no cérebro, aumentando a sensação de saciedade e acelerando a queima calórica. Outro estudo, da Universidade Real de Copenhague, avaliou o apetite de 16 jovens saudáveis antes e depois da ingestão 100 g de chocolate amargo ou ao leite. “Sempre que comiam o chocolate amargo, os participantes sentiam menos fome e consumiam menos alimentos”, afirmou à Folha a pesquisadora Lone Sorensen, coordenadora da pesquisa. A ingestão de calorias pós-chocolate amargo foi 15% menor em comparação com consumo pós-chocolate ao leite. Para ela, uma explicação é o alto teor de manteiga de cacau no produto, que significa mais ácido esteárico (tipo de ácido graxo). A substância retarda o esvaziamento do estômago e do intestino.

Chocolate na versão amarga tem o dobro de antioxidantes em relação ao produto convencional, mas, apesar do rótulo de saudável, é rico em calorias, gordura e açúcar


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por Michael Figueredo/Auto Press

Em segmentos superiores, os sedãs são associados à beleza e ao requinte. Com os sedãs compactos não é bem assim. Os consumidores são movidos pelo preço e pelo espaço que o carro oferece. Ainda assim, a emoção não pode ser desprezada. É isso que o Toyota Etios vem comprovando desde que foi lançado. O objetivo inicial era apelar para o lado racional em mercados emergentes. Oferecer a confiabilidade da marca com espaço e preço acessível. Mas no Brasil, essa lógica não funcionou de cara. Principalmente porque o preço de R$ 43.400 estabelecido pela Toyota confrontou o Etios sedã com rivais de respeito, como o Chevrolet Prisma e o Hyundai HB20S. No primeiro momento, o bom conjunto mecânico e o baixo consumo de combustível do modelo não foram capazes de fazer o consumidor abstrair do design pouco inspirado e do interior com acabamento abaixo da média. O caso é que as compras alimentadas pela emoção são as feitas por impulso, enquanto as racionais são feitas de forma calculada e levam um tempo para ganhar fôlego. O comportamento das vendas do compacto da Toyota seguiu rigorosamente esta lógica. A média esperada pela marca era de pouco menos de 70 mil unidades nos três primeiros anos do Etios no Brasil. Isso corresponde a 6 mil unidades mensais, sendo 4 mil para a versão hatch e 2 mil para a sedã. Só que a média dos primeiros meses de comercialização do sedã ficaram bem abaixo disso, em torno de 800 unidades mensais. Mas neste começo de 2013 a coisa mudou. Nos três primeiros meses de 2013, o Etios sedã manteve a média de 1.770 licenciamentos mensais – número bem próximo do almejado pela montadora. O fator tempo tem contado a favor do sedãzinho da Toyota. Isso porque suas qualidade passam a ser mais conhecidas, mas também porque a desarmonia de suas linhas ficam menos notáveis. Outro fato que certamente ajuda nesta recuperação é a “correção informal” do preço do modelo promovida pela marca. A partir de feirões e promoçòes, o Etios sedã fica, na prática, mais barato que os rivais e do que o valor inicialmente pretendido pela fabricante. Seja por descontos diretos, seja através de brindes valiosos como aparelhos de TV, bônus em combustível ou IPVA pago para os compradores. O que o Etios tem a oferecer, além do distintivo da Toyota, é uma grande vocação para o dia a dia na cidade. O sedã é equipado por um motor de 1.5 litro flex, com comando duplo no cabeçote. A potência de 96,5 cv a 5.600 rpm e o torque máximo de 13,9 kgfm na faixa de 3.100 giros sugerem boa agilidade. O propulsor é sempre acoplado a uma transmissão manual de cinco velocidades. O design pouco atraente e conservador segue a tradição da Toyota. As linhas do Etios são extremamente simples e não há sequer um detalhe que desminta a intenção espartana do projeto. A linha de cintura é retilínea e os vincos do capô ajudam a melhorar o aspecto do sedã. Mas o friso cromado na tampa do porta-malas e a grade frontal, com uma curva que dá um aspecto “sorridente” ao compacto, são as principais características estéticas do modelo. No interior do Etios, fica evidente que é um

carro destinado a mercados emergentes. E o excesso de objetividade deixou a cabine com aparência simplória. O quadro de instrumentos fica em posição nada comum, no centro do painel. Os mostradores seguem a pobreza peculiar ao sedã. O velocímetro e o conta-giros são analógicos. Há ainda uma tela de LCD com o hodômetro e um minúsculo marcador de combustível. O básico rádio e os comandos do ar condicionado aparecem logo abaixo. Não há qualquer indício de requinte, mas também não falta espaço – principal atrativo do interior do sedã. A lista de equipamentos de série é razoável. Na versão testada, a XLS com motor 1.5, estão presentes ABS e airbag duplo, obrigatórios a partir de 2014, além de ar-condicionado, alerta de portas abertas, direção, vidros e travas elétricos e desembaçador traseiro. Também são de série o rádio/CD/USB, os faróis de neblina e rodas de liga leve de 15 polegadas. Uma receita simples para atingir planos objetivos.

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.5 tem força suficiente para mover o Etios. Associado ao baixo peso, de 980 kg, o propulsor dá alguma agilidade ao sedã. Além disso, o bom torque deixa o carro rápido nas arrancadas e retomadas, com boas respostas nas situações exigidas pelo cotidiano urbano. Nota 8. Estabilidade – Pode-se dizer que o Etios é “bom de curvas”. Significa que o carro é bem acertado, que resulta em firmeza e equilíbrio. Nem mesmo as curvas mais exigentes tiram do motorista a sensação de controle. Ao trafegar em velocidades mais elevadas, a estabilidade diminui, pois o sedã flutua um pouco. Nota 7. Interatividade – Fica claro que a Toyota privilegiou o comportamento dinâmico em detrimento da relação “motorista-carro”. O compacto, mesmo em sua versão topo, não oferece itens banais como ajuste elétrico do retrovisor ou computador de bordo. O rádio está longe de ser moderno e o sistema de áudio também não é dos melhores. A posição do painel de instrumentos, centralizado, além de não agradar visualmente e é pouco funcional, já que as informações ficam confusas e distantes do condutor. A maior interatividade ocorre com os sons exteriores, pois o isolamento acústico do Etios é inexistente. Ao menos a visibilidade externa é boa. Nota 5. Consumo – O Programa Brasileiro de Etiquetagem classificou o Etios como “A” no segmento e “B” no geral. A média registrada pelo InMetro é de 8,7 km/l com etanol e 12,6 km/l com gasolina. Nota 8. Tecnologia – O lado tecnológico não é o forte do Etios, que oferece poucos equipamentos em todas as versões. O rádio é simples e não há sequer computador de bordo. Também faz falta o ajuste elétrico dos retrovisores. Porém, é montado sobre uma plataforma nova, de 2010, e movido por um motor que consegue aliar desempenho e bom índice de consumo. Nota 7. Conforto – A Toyota acertou ao calibrar a suspensão do Etios de forma macia, mas os pneus finos permitem que os impactos das irregularidades sejam transmitidos aos passageiros. O sedã oferece espaço para cinco adultos, mas falta ergonomia aos bancos. A marca evitou usar qualquer

material fonoabsorvente e diminuiu até a espessura dos vidros para deixar o carro mais leve. Os ruídos externos e do motor invadem diretamente a cabine e impedem até uma conversa em tom normal. Nota 5. Habitabilidade – O Etios proporciona bom espaço. Há poucos porta-objetos, mas o existente no console central é bastante acessível e supre a necessidade. A abertura do porta-luvas e o formato da tampa quase reduzem a efetividade de seu tamanho. Nota 7. Acabamento – O interior do Etios impressiona mal. Não há qualquer sinal de requinte e os plásticos utilizados não agradam. Como são peças inteiriças, geram poucos rangidos – pelo menos no modelo testado, com pouco uso. Não há desleixo ou rebarbas na montagem, mas o material usado tem sempre aspecto e textura desagradáveis. Nota 4. Design – A Toyota costuma ser conservadora no visual de seus carros. Mas o Etios eleva essa característica ao máximo. Suas linhas parecem ter saído de uma prancheta dos anos 90. Não há nada que chame a atenção no design do compacto, que exibe linhas bem diretas e um perfil bastante comum. Pequenos detalhes, como o recorte da tampa do porta-malas e o formato da grade dianteira tentam amenizar a simplicidade do sedã, mas sem qualquer sucesso. Nota 5. Custo/benefício – O Etios é um modelo que briga declaradamente com carros de entrada das outras marcas. O sedã tem bom comportamento dinâmico. O problema é que a maioria dos rivais conta com mais recheio e charme. Enquanto o compacto da Toyota custa R$ 43.400 e fica devendo itens como travamento automático das portas em movimento, retrovisores elétricos e computador de bordo, o Chevrolet Prisma 1.4, com esses equipamentos inclusos, custa R$ 42.390. O Hyundai HB20S, com motor 1.6, sai por R$ 44.995. Não conta com os retrovisores elétricos mas oferece, entre outros itens, regulagem de altura do banco do motorista. De positivo, o bom consumo de combustível. Nota 6. Total – O Toyota Etios somou 62 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

O Toyota Etios não atrai pelo impacto visual. Ao contrário. Tudo no carro é pragmático. As linhas são previsíveis e nada surpreendentes. O interior do sedã segue o mesmo estilo. Todos os materiais passam a sensação de falta de requinte. Por outro lado, a exatidão dos arremates agrada, mas a aparência dos revestimentos internos transmite a sensação de falta de qualidade. E, se a cabine não é sofisticada, ao menos oferece bastante espaço. O habitáculo é grande internamente e comporta cinco adultos sem problemas. Alguns itens que facilitariam a vida do motorista fazem falta. Como a ausência de ajuste elétrico para os retrovisores, mesmo na versão de topo. O banco do motorista não tem regulagem de altura e o volante só é ajustável na altura. Ao girar a chave, o conforto é insultado pelo fraco isolamento acústico, que permite a entrada de todos os ruídos do entorno na cabine. Já dinamicamente o Etios vai um pouco melhor. A direção elétrica facilita a condução e as manobras e o conjunto dinâmico

é correto. O motor, aliviado por empurrar um carro emagrecido de itens de conforto, mostra uma boa agilidade. A transmissão tem engates certeiros e a suspensão é bem ajustada, mas é um tanto atrapalhada pelo pneus finos. Ainda assim, há pouco oscilação de carroceria nas curvas. Como é muito leve e pouco aerodinâmico, o sedã sofre explicitamente os efeitos de ventos laterais – o balanço da cabine é sentido não só pelo motorista, mas por todos os ocupantes. Em velocidades mais elevadas, o Etios fica excessivamente impreciso. No trânsito da cidade, porém, o motor 1.5 não tem qualquer dificuldade para mover o sedã. O torque não demora a aparecer, o que resulta em rapidez nas arrancadas e boa resposta nas retomadas. E, por mais que a música da campanha publicitária fale das “curvas da estrada de Santos”, a maior vocação do Etios é claramente o uso urbano.

Ficha técnica

Toyota Etios XLS 1.5 Motor 1.5: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.496 cm³, quatro cilindros em linha, com quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico. Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração. Potência máxima: 92 cv com gasolina e 96,5 cv com etanol a 5.600 rpm. Aceleração 0-100 km/h: 11,3 segundos Velocidade máxima: NI. Torque máximo: 13,9 kgfm com gasolina e etanol a 3.100 rpm. Diâmetro e curso: 75 mm X 84,7 mm. Taxa de compressão: 12,5:1. Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com triângulos inferiores, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira com rodas semi-independentes, com eixo de torção e molas helicoidais, amortecedores telescópicos hidráulicos e barra estabilizadora. Não oferece controle eletrônico de estabilidade. Pneus: 175/65 R14. Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás com ABS. Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares com 4,26 metros de comprimento, 1,69 m de largura, 1,51 m de altura e 2,55 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais. Não oferece airbags laterais nem de cabeça. Peso: 980 kg em ordem de marcha. Capacidade do porta-malas: 562 litros. Tanque de combustível: 45 litros. Produção: Sorocaba, Brasil. Lançamento mundial: 2010 Lançamento no Brasil: 2012. Itens de série: Airbags frontais, luz indicadora de portas abertas e para-choque na cor do carro, freios ABS, direção elétrica, desembaçador traseiro, ar-condicionado, vidros e travas elétricas, conta giros, rádio/ CD/MP3/USB, maçanetas e retrovisores na cor do carro, apliques cromados no exterior, rodas de liga leve de 15 polegadas, faróis de neblina, alarme com acionamento à distância. Preço: R$ 43.400. Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias


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por Eduardo Rocha e Rodrigo Machado/Auto Press

As vendas de motocicletas no Brasil se concentram em modelos de baixa cilindrada, focados para o transporte urbano. Mas lá na outra extremidade, o mercado é frequentado pelas superesportivas mais potentes, as maxitrails mais robustas e as touring mais luxuosas do planeta. É nesta casta que surgem motos impresionantes como a BMW K 1600 GTL. Além de todo o requinte exigido naturalmente pelo segmento, a marca alemã injetou no modelo uma dose cavalar de tecnologia. Com um novíssimo motor de seis cilindros, sistema de som embarcado de primeira linha, controle de tração, suspensão com ajuste eletrônico e outros “mimos”, é uma das maiores traduções do que a BMW pode fazer quando resolve investir em duas rodas. A empresa alemã já tem alguma tradição no segmento de touring, mas em “escala” menor. Até 2011, os seus modelos tinham motores de quatro cilindros e tamanho entre 1.000 e 1.200 cc. Há dois anos surgiu a necessidade de fazer um ataque mais agressivo ao segmento liderado por Honda Goldwing e Harley-Davidson Electra Glide Ultra Limited. O mercado norte-americano, por sinal, é o principal destino desses modelos, geralmente dotados de um ótimo desempenho em estradas retas e menor agilidade para lidar com sinuosas serras. A linha K1600 hoje é composta de dois modelos. A GT é uma espécie de sport touring. Uma abordagem menos “séria” do conceito de moto estradeira. O rádio é opcional e a posição de pilotar é um tanto mais voltada para a esportividade. A GTL é o “pacote completo”. Traz para-brisa eletricamente ajustável, três cases de bagagens, assento duplo, manoplas e assento do piloto aquecido, controle de cruzeiro, computador de bordo e sistema de som com entradas auxiliares. A linhagem K da BMW significa motores com cilindros em linha. No caso da 1600, são seis deles. Para alinhá-los em uma área tão estreita, a engenharia tomou várias providências. A construção traz pouco espaçamento entre os cilindros e a própria arquitetura do propulsor o transforma em um motor extremamente estreito. A economia de espaço acarretou uma economia de material e o resultado foi um propulsor com pouco mais de 100 quilos – cerca de 20% abaixo de um motor 1.6 normal, utilizado em automóveis. A diferença é que este gera 160 cv de potência a 7.750 rpm e 17,9 kgfm de torque a 5.250 rotações. O controle de tração oferece três ajustes para dosar a forma que o motor atinge a roda traseira, tracionada por cardã. O mais suave é o “Rain”, para chuva. O “Road” permite uma certa filtragem da potência e é para o uso cotidiano. A configuração “Dynamic” é a mais esportiva e promove um despejo de potência bastante “cru”. A suspensão também é ajustável de acordo com o peso e a distribuição dele sobre a moto. Um sistema eletrônico consegue alterar propriedades como amortecimento e pré-carga das molas, além da rigidez do conjunto em si. Também são três modos: Sport, Normal e Comfort. A pequena hélice estilizada encravada no tanque e a alta tecnologia embarcada geram um preço bem alto para a K1600 GTL. A touring da BMW custa R$ 108.500, valor significativamente superior ao de seus concorrentes. A Honda cobra R$ 92 mil pela Goldwing, a Kawazaki pede R$ 74.990 pela Concours 14 e a Harley-Davidson tabelou sua Electra Glide Ultra Limited em R$ 70.900. Custo alto que não impediu um bom desempenho de mercado da K1600 neste ano. De acordo com dados da Fenabrave, já foram 52 unidades vendidas no três primeiros meses de 2013, uma média de 17 por mês que a coloca como segunda de seu segmento. A líder é a Harley-Davidson, com média de 36 mês. A Goldwing emplaca oito unidades mensalmente enquanto a Concours vendeu as mesmas oito unidades em todo o primeiro trimestre. Em um segmento tão exclusivo, o preço acaba se tornando apenas mais um detalhe.

Impressões ao pilotar

Parada, a BMW K 1600 GTL impressiona pelo enorme aparato tecnológico que dispõe. No primeiro contato, é preciso consumir um tempo para conhecer os sistemas que ela oferece e personalizar as regulagens. A partir daí, a GTL se torna uma motocicleta extremamente simples. Os quase 350 kg de peso desaparecem assim que ela é posta em movimento. O banco baixo, de apenas 75 cm de altura, e o escudo formado pela carenagem frontal e pelo para-brisas deixa o piloto confortável e protegido – sob chuva em movimento, quase não se é atingido pela água. É quase como se estivesse numa scooter, com diversas vantagens. Nas várias situações enfrentadas em mais de 1 mil km de teste, a GTL saiu-se bem em praticamente todas. Em estradas e em vias expressas é onde ela fica mais à vontade. As acelerações e retomadas são extremamente ágeis e ela é capaz de enfrentar curvas sem qualquer reserva. A boa altura para o solo e a suspensão regulável mantém o conforto e a estabilidade mesmo em pavimentos irregulares. A GTL também se dá bem em ruas e áreas urbanas menos rápidas, desde que haja caminho livre à frente. As limitações da touring da BMW só aparecem mesmo no trânsito pesado. A tarefa de andar entre os carros é inglória. E não só pela larga área frontal, capaz de cobrir o motor de seis cilindros em linha, mas principalmente pelos enormes baús laterais, que ancoram a moto entre os carros. O melhor desta BMW é seguir à risca a vocação touring e aplicá-la em passeios não muito apressados. E assim poder usufruir do ótimo sistema de som, dos assentos confortáveis e do suave e agradável ruido do motor seis cilindros.

Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias


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Visual especial por Augusto Paladino/autopress Foto: Divulgação

A Ford lançou

nos

Estados Unidos uma série especial da já exclusiva F-150 SVT Raptor. Chamada apenas de Special Edition, a picape ganhou novo visual, com decalques específicos, novos tecidos e acabamento mais caprichado. A parte mais interessante continua sendo a mecânica, capitaneada pelo motor 6.2 V8 de 417 cv e 59,9 kgfm de torque e pela imensa capacidade off-road proporcionada pelas dimensões e altura da carroceria

Ford F-150 SVT Raptor Special Edition


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automotiva por Augusto Paladino/autopress

No trote – A Fiat lançou uma curiosa série especial para a Strada. Agora, a picape compacta passa a poder vir com o pacote Mangalarga Marchador, resultado de uma parceria com a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador. Entre os itens exclusivos da versão estão as novas rodas de liga leve, adesivos alusivos na carroceria e padronagem diferente dos bancos e nos tapetes. Os preços são de R$ 46.550 para a Trekking 1.6 cabine estendida e R$ 59.440 para a Adventure 1.8 cabine dupla. A própria Fiat admite que público-alvo são associados à entidade, cavaleiros e criadores e da raça Mangalarga Marchador. Cobra brasileira – O Viper ainda não é trazido oficialmente pelo Grupo Chrysler ao Brasil. Porém, um empresário paulista decidiu ser o primeiro brasileiro dono do novo SRT Viper. O modelo foi comprado através de uma importadora com sede em São Paulo e custou R$ 462,9 mil. O cliente escolheu a clássica cor vermelha “Adrenaline” para combinar com o motor V10 de 8.4 litros que desenvolve 640 cv de potência. O câmbio é manual de seis velocidades. Ainda este ano – A Triumph não esconde a sua animação com o mercado brasileiro. Depois de ampliar a sua produção e acelerar o processo de criação de novas concessionárias, a marca inglesa

vai apresentar duas novidades no Salão Duas Rodas, que acontece entre 8 e 13 de outubro, em São Paulo. Uma delas é a Trophy, touring com motor de três cilindros de 1.215 cc, 132 cv e 12,2 kgfm de torque, que vem para brigar com Honda Goldwing e BMW K1600 GTL. A outra a chegar é a Tiger 1050 SE, versão mais urbana da Tiger Explorer. Leão da montanha – A Peugeot revelou as primeiras imagens do 208 preparado para competir na tradicional corrida de Pikes Peak, no estado norte-americano do Colorado. O 208 T16 Pikes Peak é mais largo que o 208 e ostenta grandes arcos de roda, uma entrada de ar no teto e um generoso spoiler traseiro. A marca não divulgou dados técnicos, mas especula-se que o carro seja movido por um V6 biturbo de 850 cv de potência. O piloto escolhido pela Peugeot é Sebastien Loeb, nove vezes campeão do WRC – mundial de rali –, pela Citroën. Ecológico e veloz – A Aston Martin vai entrar nas 24 Horas de Nurburgring com o Hybrid Hydrogen Rapide S. Como o próprio nome já antecipa, o cupê de quatro portas ganhou um sistema de propulsão a hidrogênio para ajudar o V12 a gasolina instalado sob o capô. De acordo com a marca, o Rapide S vai poder percorrer 20% da competição apenas com o uso do hidrogênio, combustível que não produz emissões.


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Edição 10.05.2013