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Braganรงa Paulista

Sexta

09 Marรงo 2012

Nยบ 630 - ano X jornal@jornaldomeio.com.br

jornal do meio

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para pensar

Jornal do Meio 630 Sexta 09 • Março • 2012

Expediente

Em que se baseia a fé?

E-mail: jornal@jornaldomeio.com.br Diretor Responsável: Carlos Henrique Picarelli Jornalista Responsável: Carlos Henrique Picarelli (MTB: 61.321/SP)

Mons. Giovanni Barrese

Lendo a história de Abraão conforme a narrativa bíblica (no livro do Gênesis 12,1-25,8) surgem várias interrogações. Deus o chama a sair da sua terra para ir à outra que lhe seria indicada. Ele não começa a sua peregrinação sabendo para onde vai. Deve deixar o que conhece e caminhar para o desconhecido. A ele e esposa faz-se a promessa de multidão de filhos. Sendo que eles dificilmente poderiam tê-los. Por idade dos dois. E por esterilidade dela. Abraão tenta “ajudar” a Deus a cumprir o prometido unindo-se a Agar. Não será aquele o filho da Promessa e sim Isaac. Quando este começa a crescer é-lhe pedido que o sacrificasse. E Abraão está prestes a cumprir a ordem. Suspensa no último minuto! O texto sagrado deixa passar a ideia de que Deus está submetendo Abraão à prova. Para testar a sua fé, a sua confiança Nele. Claro está que este é o linguajar bíblico da época. Presente em outros

Jornal do Meio Rua Santa Clara, 730 Centro - Bragança Pta. Tel/Fax: (11) 4032-3919

escritos bíblicos (Livro de Jó, por exemplo). Na verdade nós sabemos que Deus não prova ninguém nem tem necessidade disso. Se tivesse necessidade não seria onisciente. E seria um Deus imperfeito. Não seria Deus. Se provasse estaria mais para uma espécie de jogo onde o resultado já é sabido e não passaria de uma brincadeira de mau gosto. O provar bíblico da fé quer colocar em evidência que Abraão apesar das dificuldades e adversidades nunca questionou a Deus. Acreditou Nele e foi fazendo o seu caminho mesmo quando os acontecimentos não correspondiam à realização da promessa divina. Não escapa aos leitores que vivemos um tempo onde a fé é estimulada pelos milagres. Creio que todos, vez por outra, podem ver e ouvir em templos, televisão e rádio pregações alicerçadas nos milagres imediatos, instantâneos de toda ordem e grandeza. Já cheguei a ver uma porção de radiografias que, segundo a leitura do momento, faziam

crer em bebes não nascidos, mortos no ventre materno e, milagrosamente, vivos! Eu creio em milagres. Mas creio que não é o jeito normal de Deus operar. Deus age de forma ordinária, isto é, normal, dentro das leis da Natureza que Ele criou. Pode agir de forma extraordinária, quebrando as leis da Natureza! Mas isso não é o normal. Hoje, contudo, dá-se enorme ênfase ao extraordinário para que isso fundamente a fé e a adesão a Ele. Claro que os milagres sempre aconteceram e acontecem porque as pessoas creem que isso é possível para Deus. Todavia, percebemos que Jesus sempre quis que os milagres que realizou fossem veículos para a aceitação Dele e de sua palavra que levariam ao anúncio da presença do Reino de Deus! Nós sabemos que a fé é um dom para nós. Deus o dá a todo ser humano. Para que germine e brote esse dom necessita da água do testemunho. Vale, neste caso, uma pergunta: quem nos

despertou para a fé? Nossos pais? Catequistas? Pessoas da nossa convivência? Quais foram os primeiros contatos com o “Papai do Céu”? Com o anjinho da guarda? Com a “Mamãe do Céu”? Vemos que para fazer o caminho da fé não aconteceu o extraordinário e sim o dado comum do testemunho que nos estimulou a fazer nossas as verdades “ensinadas por outros”! Ouso dar um passo a mais. Penso que uma base forte para a fé é a solidariedade. Sempre e em todos os tempos, hoje mais fortemente, sentimos o risco da solidão. Que pode ser vivenciada na doença, na dificuldade financeira, no desemprego, na falta de perspectivas, na velhice, etc. Parece-me que o agir do Deus que nos ama como Pai será manifesto pela atenção que recebermos nessas situações e outras semelhantes. A fidelidade de Deus – que pede a nossa – será tangível não pela enxurrada do extraordinário, mas pelo rio sereno dos que

As opiniões emitidas em colunas e artigos são de responsabilidade dos autores e não, necessariamente, da direção deste orgão. As colunas: Casa & Reforma, Teen, Informática, Antenado e Comportamento são em parceria com a FOLHA PRESS Esta publicação é encartada no Bragança Jornal Diário às Sextas-Feiras e não pode ser vendida separadamente. Impresso nas gráficas do Bragança Jornal Diário.

nos estão próximos quando somos “provados” pelos acontecimentos da vida. O amor a Deus do primeiro mandamento torna-se real quando fazemos a experiência de o tocarmos no próximo que não nos abandonou. Creio firmemente que o modo normal de Deus agir é através de nós todos que somos seus filhos e filhas. Sentir na atenção, no cuidado dos outros a presença do próprio Deus. E isso nos dará a certeza do aconchego divino. Uma verdade experimentada. Sabendo que Ele age no amor que se doa (não creio que exista amor que não seja doação. Mas isso é assunto para outra ocasião!).


casa & reforma

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Casa de

estudante por CARLOS ARTHUR FRANÇA/Folhapress

Além da expectativa de pais e filhos sobre os resultados dos vestibulares, quem terá de mudar de cidade enfrenta a ansiedade em relação ao custo do aluguel. A reportagem levantou preços de locação de 150 imóveis no entorno das principais faculdades da capital e descobriu que os custos com aluguel nessas áreas equivalem a uma mensalidade. A locação média da quitinete sai por R$ 1.235, fora o condomínio. Na Universidade Presbiteriana Mackenzie, um ingressante em administração paga R$ 1.248 mensais. Na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), a mensalidade da licenciatura em letras é de R$ 1.257. O balanço foi feito com unidades na região da Cidade Universitária da USP (Universidade de São Paulo), da Faculdade de Medicina da USP, da USP Leste, da Faculdade Cásper Líbero, do Mackenzie e da PUC-SP. A pesquisa ainda mostra que o aluguel de apartamento de um dormitório vale, em média, R$ 1.355 mensais, enquanto pelo dois-quartos são cobrados R$ 1.955 mensais. O preço varia bastante conforme a localização das faculdades (veja arte na pág. 4). Calouros da USP Leste encontram locações de dois dormitórios por R$ 700, mesmo preço do aluguel de uma quitinete na Santa Cecília. É por ali que a estudante Renata Buzolin, 18, caloura de comércio exterior, busca um apartamento para dividir. Próximos à Cidade Universitária, Vila Indiana e Rio Pequeno também têm valores mais baixos: o dois-quartos sai por R$ 1.000 ao mês.

Rumo ao interior Quem sai da capital paulista em direção a universidades públicas nem sempre deixa para trás os altos preços. Em Santos, o aluguel do um-quarto sai por R$ 1.000, pouco mais que em Santo André

(R$ 900). Em Campinas, a locação parte de R$ 650. Piracicaba, Ribeirão Preto e São Carlos têm locações mais baratas: cerca de R$ 400 ao mês. Locadores e prédios limitam tamanho de repúblicas em SP Reunião com pais de estudantes para explicar regras do condomínio pode ser exigida pela imobiliária Sem comprovante de renda do universitário, contrato de locação pode ser feito em nome de seus pais Para reduzir os gastos com aluguel, a criação de repúblicas é opção comum. No entanto, casas com mais de cinco estudantes --frequentes no interior-- estão mais raras na capital. Mais cômodo, dividir casa e ter um quarto só para si ainda custa menos que a locação de uma quitinete. “Já morei em repúblicas maiores e prefiro uma convivência individual, que dá menos problemas”, afirma a estudante Ivi Guedes, 22, que vai desembolsar R$ 800 mensais para compartilhar um dois-quartos próximo à ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). A diminuição de moradores não é apenas opção dos universitários. Donos de imóveis e condomínios têm definido o número de inquilinos no contrato. A prática visa, entre outras coisas, reduzir as reclamações de vizinhos. Outro recurso utilizado por imobiliárias para evitar dores de cabeça futuras é um encontro com os pais dos estudantes para apresentar as regras do condomínio. “É uma forma de não deixar espaço para mal-entendidos”, justifica Maristela Cosas, gerente de locação da Samuel Carvalho Imóveis.

Nome do pai

Sem renda própria, o contrato de locação pode ser feito no nome de um dos pais do estudante. Algumas imobiliárias aceitarão o contrato em nome do universitário caso seus pais sejam fiadores.

É a garantia o maior problema da locação. Quando o fiador mora em uma cidade distante, a imobiliária pode se recusar a fechar o negócio. Das 15 consultadas pela Folha na capital, dez têm restrições a fiadores de cidades fora da região metropolitana. O jeito é bater perna e procurar grandes imobiliárias ou empresas especializadas, que flexibilizam regras. Na Lello, por exemplo, o fiador será aceito se houver imobiliárias parceiras em sua cidade. Na Simão Carvalho, o endereço do fiador não é empecilho.

Alternativa Seguro-fiança ou ações são garantia Na falta de fiador, o seguro-fiança é aceito como garantia. Para um aluguel de R$ 1.500, o seguro sai por R$ 2.460 na Porto Seguro e por R$ 2.488 no Bradesco. Outra possibilidade aceita é o uso de carteira de investimentos como caução. Rede de repúblicas e pensões facilitam a troca de endereço Associações de repúblicas, pensões e iniciativas de veteranos tornam menos complicada a tarefa de achar uma moradia para o calouro. Em Campinas, veteranos criaram o site Morar Unicamp, com mais de 200 vagas. Na Universidade Federal do ABC (UFABC), uma associação de repúblicas reúne as vagas próximas aos campi. Entrar em um imóvel alugado há mais tempo pode ser mais barato. Morar na casa do estudante Lincoln Alcântara, 22, custa R$ 340 ao mês. O um-quarto em Santo André parte de R$ 900 mensais. Para quem quer sossego e não se importa com regras, existem as pensões. Ali o aluno não terá de se preocupar com a limpeza da casa; em contrapartida, é proibido receber visitas ou fazer barulho após as 23h. Sob tais restrições, um quarto dividido no Butantã, por exemplo, custa R$ 450.

Foto: /Folhapress

Lincoln Alcantara (esquerda) ,24,estudante é um dos poucos moradores que restaram do ano passado em república da Universidade Federal do ABC e entratá na lista para conseguir bixos para 2012 . No centro Evandro Junior de Souza 22 e a direita Daniel Modesto, 24, que estao deixando a republica.

Aluguel de quitinete próxima às principais faculdades da capital custa o mesmo que mensalidade


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colaboração SHEL ALMEIDA

As comemorações do Dia Internacional da Mulher tendem a valorizar os aspectos positivos das questões femininas, tais como a maternidade, as conquistas no mercado de trabalho e a praticidade para se lidar com o dia-a-dia e os afazeres domésticos. Por estes três itens já dá pra perceber que ser mulher, em uma sociedade patriarcal como a nossa, não é uma tarefa fácil. A mulher é cobrada para que seja uma boa mãe, uma boa profissional, uma boa esposa e, ainda, uma boa dona de casa. E, claro, que se vista adequadamente para isso. Qualquer desvio dessa conduta perfeita e ideal é apontado como defeito, como inadequação, como algo inapropriado. Por mais que a mulher do século XXI tenha conquistado direitos importantes, ainda há muito que se debater. Mesmo que se diga o contrário e que se lute contra o padrão pré-estabelecido (por homens, é bom lembrar), a mulher ainda não é vista como um ser totalmente autônomo. Ainda precisa quebrar barreiras diárias para ser respeitada como um ser pensante e com vontades próprias. E essas barreiras precisam e devem ser quebradas por ambos os sexos, pois não é uma questão apenas feminina. É uma questão de mulheres e homens que desejam viver em um mundo mais justo e igualitário. E, é aí que entra a diferença entre o machismo e o feminismo e que muita gente confunde. Machismo é acreditar que a mulher é um ser inferior ao homem, que não é capaz de tomar decisões por si só, que pode ser julgada pura e simplesmente por ser mulher. Já o feminismo busca a igualdade entre os gêneros. Deseja um mundo onde homens e mulheres sejam julgados, admirados ou cobrados pelos seus atos como indivíduo e não pelo gênero que os define.

Lei Maria da Penha A Delegada Simone Ap. Tiozzi, da Delegacia de Defesa da Mulher, em Bragança Paulista, vê com certo receio a decisão do STF de que não é mais preciso a representação

“Geralmente ele é o tirano doméstico. É bom na rua, no trabalho, mas ruim dentro de casa” Simone Tiozzi

da vítima no caso de lesão corporal leve. “Essa decisão vel e sem valor. Rosana não foi à delegacia dar queixa de é contraditória porque tira autonomia da mulher. É estupro e nem fez exame de corpo e delito. Foi para casa como se dissessem: você não é capaz de decidir por si, e tomou um banho de duas horas, o mesmo tempo que então a gente decide”. “Por causa disso ainda não dá ele levou para se satisfazer no seu corpo. Deveria ter ido pra saber se vai ser boa ou não. A vítima pode colocar dar queixa? Sim. Por que não o fez? “Por medo do que as obstáculos e quando a vítima não colabora, fica difícil”, pessoas iriam dizer quando soubessem, do julgamento analisa. “O problema não está na falta de denúncia, que fariam de mim”, explica. Esse é o maior problema do está no suporte que se dá a vítima. Aqui não existe machismo. Enquanto a vítima for vista como a culpada, casa abrigo”, fala. “A Lei Maria da Penha foi criada para esse tipo de violência atroz continuará acontecendo. É dar poder de negociação à mulher. Sem esse poder eu preciso educar os meninos para que respeitem o sexo imagino que o número de registros feminino como autônomo ao invés de vá cair, porque a mulher não poderá repreender as meninas por terem auPara se mudar esse contexto é voltar atrás.”, explica. Em Bragança, de tonomia. O machismo é prejudicial e preciso trabalhar a educação acordo com a delegada, a maioria das opressor para ambos. “Minha irmã foi de gênero dentro das escolas. ocorrências registradas na Delegacia ótima comigo, não me obrigou a ir á Isso já está previsto na Lei da Mulher é justamente a de agressão Maria da Penha, mas não delegacia. Ficava me dizendo o tempo corporal leve, relacionada ao contexto acontece. Não adianta mudar a todo que a culpa não era minha”. “Eu familiar, ou seja, violência doméstica. lei, é preciso dar suporte não queria que ninguém soubesse e “Depois de feito o B.O. a tendência é ela respeitou isso. Quando contei aos Delegada de Polícia Simone Tiozzi que o agressor fique na dele, mesmo meus pais eu já era adulta e casada. que por algum tempo”, conta. “Mas Eles choraram muito. Mas minha esse agressor é corajoso apenas com a vítima. Ele resmãe nunca mais tocou no assunto”. Rosana se casou e peita quem representa a autoridade”, explica. Por isso se tornou mãe aos 18 anos. “Meu ex-marido sempre foi a importância da denúncia. “Geralmente ele é o tirano muito compreensivo. Acho que só consegui me relacionar doméstico. É bom na rua, no trabalho, mas ruim dentro com ele porque já éramos amigos e ele sabia o que tinha de casa”, avalia. “A mulher precisa denunciar, se não por acontecido,” fala. Mesmo assim, o começo da relação foi ela, pelos filhos, para que eles não venham a reproduzir algo complicado. “Às vezes eu tinha pesadelos. Demorou essa violência”, recomenda. Filho que vê a mãe apanhanum tempo para eu deixar de assimilar uma relação sexual do do pai vai achar que é normal bater em mulher. No de amor ao estupro que sofri. Ele sempre teve muita pacaso da filha, vai achar que o normal é apanhar. “Para ciência, sempre fomos muitos cúmplices” conta. Ela fala se mudar esse contexto é preciso trabalhar a educação que na primeira gravidez, quando soube que esperava uma de gênero dentro das escolas. Isso já está previsto na menina, entrou em pânico. “Tinha medo que acontecesse Lei Maria da Penha, mas não acontece. Não adianta com ela o que aconteceu comigo”. Hoje a relação entre mudar a lei, é preciso dar suporte”, avalia. ambas é muito aberta. Quando a menina começou com os questionamentos a respeito de sexo, Rosana se sentiu Marcas na obrigação de contar á filha por tudo o que passou para “Eu tinha 15 anos. Morava em Campinas. Tinha ido para não transferir a ela seus próprios traumas. “Quando ela a aula de balé, mas não estava me sentindo bem, fui até começou a me cobrar que eu era encanada demais, achei um orelhão perto da escola para ligar pra minha irmã ir que ela era hora de saber. Ela estava se sentindo presa”, me buscar. Quando passei por Ele, ele me apontou uma explica. “Eu contei porque confiando nela ela saberia que arma e mandou que eu entrasse, senão me matava. Eu dei pode confiar em mim. Quero que ela me conte tudo, que muito azar naquele dia”. Esse relato é de Rosana (nome não faça nada escondido”, fala. “Na época ela me perguntou fictício pra preservar a identidade da entrevistada). Hoje o que quis, e, eu respondi. Mas hoje não toca no assunto ela tem 33 anos e é mãe de uma adolescente de 14 anos pra não me magoar”. “A única cobrança dela foi porque eu e de um bebê. Mesmo depois de 18 anos, a violência que não contei pra polícia”. Rosana fala, ainda, que ao contrário sofreu - vinda de um homem que se achou no direito da filha, a sobrinha tem uma vida superprotegida. “Minha de usufruir de seu corpo de menina apenas porque ele irmã prende bem mais minha sobrinha do que eu prendo a desejava - ainda deixa marcas em seus gestos, em seu minha filha”. A sobrinha de Rosana nasceu pouco tempo olhar, em seu semblante. Rosana é uma mulher serena, depois do que aconteceu com a tia. Talvez a irmã tenha mas triste. “Ele me levou para um lugar vazio, uma antiga transferido a ela o seu sentimento de impotência diante fazenda, sem iluminação. No meio do caminho não pegamos de um fato tão grave. “Minha irmã se sentiu culpada por nenhum sinal fechado”, conta. “Eu não dei sorte naquele não estar comigo”. Mesmo sendo uma história tão cruel, dia”, repete para si mesma, tentando justificar o injustifiRosana conta com naturalidade. “Os amigos da minha cável. “Ele me fez tirar toda roupa e sair do carro pra ficar filha sabem, as pessoas com quem trabalho sabem”. desfilando nua pra ele,” relembra. “Quando terminou, me “Mas eu me policio o tempo todo. Se vejo um homem colocou no carro de novo e me levou de volta. Me deixou com uma criança no colo tento disfarçar o incômodo na esquina da escola e me deu um beijo na testa antes que sinto pra não fazer julgamento errado. de eu descer”. Sádico. “Quando eu vi minha irmã, fiquei Trabalhei isso bastante na terapia”. aliviada. Sentei no meio da rua, não entendia o que era aquele sangue escorrendo, não sabia se era assim mesmo. Eu era virgem”, lembra. “Eu tinha sonhos naquela época, Informações: que foram destruídos”. Destruídos por alguém que, pelo A Delegacia da Mulher fica na Rua Santa Clara, simples fato de ser homem, se sentiu no direito de tomar nº 101, e o telefone é 11 4033 – 3795 para si a inocência de Rosana, como um objeto descartá-


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comportamento

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Desmatamento geral Novo padrão estético pede depilação ampla, total e irrestrita; adeptos acreditam que, além de sexy, a remoção dos pelos púbicos é mais “higiênica’ por LAURA CAPRIGLIONE/Folhapress

Médicos ainda batem boca, mas as mulheres parecem ter resolvido a polêmica: pelos pubianos, melhor não tê-los. O resultado é que nunca como agora vaginas foram observadas tão de perto e, por que não?, acariciadas. Uma pesquisa realizada com 2.451 americanas pela Universidade de Indiana e pelo Instituto Kinsey para Estudos sobre Sexo, Gênero e Reprodução mostrou que: 1. Quanto mais jovens as mulheres (18 a 24 anos), maior a prevalência da remoção total ou parcial de pelos pubianos (87,7% das entrevistadas). No grupo com mais de 50 anos, 51,7% declararam não ter arrancado um só fio no mês anterior. 2. Mulheres que removeram todos os seus pelos pubianos pelo menos uma vez nos 30 dias anteriores tinham maior probabilidade de ter observado seus genitais no mesmo período. 3. E em que grupo se encontraram as mulheres mais confiantes em relação a sua imagem genital? Pois é. Entre as que fizeram a depilação íntima total ou parcial. 4. Por fim, as “peladas” reportaram índices de satisfação sexual significantemente maior do que suas colegas “cabeludas”. A mudança no padrão estético, que nos Estados Unidos aconteceu de uma década para cá, motivou a produção de vários estudos científicos. Foram migrantes brasileiras trabalhando como esteticistas que levaram a moda da depilação pubiana, praticada por aqui desde o advento do biquíni cavadão, para o outro lado do Equador. Mas, mesmo na pátria das caça-pelinhos, os costumes estão mudando. As depiladoras admitem: se antes a moda era manter uma faixinha de pelos no meio (a parte que não apareceria mesmo usando biquíni), agora as meninas pedem a depilação ampla, total e irrestrita. “A maioria já pede a depilação total”, diz Maria Francisca Oliveira, do Salão Care, do Rio. “De 30 anos para menos, então, todas fazem.” Dói? “Dói sim, não vou mentir. E também custa caro --U$ 75 [ou R$ 132] a sessão. Por que elas então fazem? Três explicações: sexo, sexo e sexo”, afirma a depiladora paulista Reny Ryan, 58, há 35 anos vivendo em San Francisco, Costa Oeste americana. O pessoal do contra diz que se trata de mais um sintoma da clássica sujeição feminina aos homens, hoje convertidos à causa da depilação delas (para mostrar que não foi sempre assim, registre-se o furor que causou, em 1985, o nu peludo e cabeludo da atriz Claudia Ohana na “Playboy” nacional). Se fosse simplesmente sintoma da sujeição feminina aos homens, como explicar que, na pesquisa americana, 86% das bissexuais e 74% das lésbicas se declarem total ou parcialmente depiladas, índices em tudo semelhantes aos 80% das heterossexuais? Reny conta que, quando começou a depilar nos Estados Unidos, as mulheres chegavam pedindo para fazer sobrancelha e meia perna. “E só. Tive de ir com muito tato para convencer americanas puritanas a tirar toda a roupa e abrir as pernas para mim. É preciso ganhar a confiança, mas aí faço tudo: região pubiana, área anal, tudo.”

Descoberta

Para a depiladora, essas mulheres percebem uma parte do corpo que nunca antes tinham visto. “Muitas surpreendem-se com a delicadeza da pele lisa e com sua própria aparência. Saem daqui com a disposição de comprar uma calcinha sexy”, diz Reny, autora do livro “Confissões de uma Depiladora Brasileira nos Estados Unidos” (Matrix, 151 págs., R$ 24,90). Segundo a pesquisa americana, parece haver uma correlação direta entre depilação e sexo oral. Mulheres que não removem pelos pubianos relataram, em 58,7% dos casos, ter recebido sexo oral nas quatro semanas anteriores à pesquisa. O índice subia a 70,8% para as que haviam feito uma remoção parcial e chegava aos 81,6% para aquelas sem pelo nenhum. A dermatologista Mônica Aribi contraindica a depilação total: “Pelos protegem a região vaginal contra a invasão de bactérias e ajudam a manter a temperatura e o pH ideais para a região”. Cresce, porém, a corrente dos médicos que acham que a depilação --hoje em dia-- pode ser feita sem maiores prejuízos. “Com recursos como os sabonetes íntimos, a depilação não aumenta os riscos de infecção. Pode fazer, sim. Basta querer”, diz a ginecologista Rosa Maria Neme, diretora do Centro de Endometriose São Paulo. Entre as americanas, ainda é esmagadora a prevalência da

depilação feita em casa, com a lâmina de barbear como retratado na “Playboy” de agosto de 1995, com Adriane Galisteu no papel de raspadora e “raspadinha”.

Remoção com cera

Os especialistas no assunto (médicos e depiladores) afirmam que a depilação com cera oferece um conforto maior para a mulher, desde que feita em local com alto padrão de higienização, sem reciclagem da cera. O ginecologista Newton Busso diz que depilações feitas com cera reciclada expõem a mulher ao risco de contrair uma foliculite, inflamação do folículo piloso: “Como a cera é aplicada em uma temperatura alta, ela provoca a abertura do folículo, expondo-o mais a contaminações por bactérias.” Depilação é vista como questão de estética e higiene A remoção total dos pelos púbicos faz parte da fantasia de carnaval da passista Andréa Martins, 34. Ela vai sair totalmente nua, com o corpo pintado, na escola de samba Renascer de Jacarepaguá, do Rio de Janeiro. Fora da época de carnaval, porém, ela não adota a depilação total. “Acho mais higiênico tirar tudo, mas normalmente deixo um pouquinho. Os homens gostam de um detalhe. Meu marido gosta.” A bancária Edneusa Marques, 34, nunca tirou tudo, apesar das investidas da depiladora. “Ela sempre fala ‘vamos terminar de tirar, está na moda’. Eu não aceito, está bom assim”, diz ela, que depila só a linha do biquíni, nada mais. “Por mais que falem que é mais limpo, acho feio, fica parecendo criança.” Fernando Gravz, 35, consultor jurídico, discorda. “Criança também não tem pelo na axila. A mulher depila [debaixo do braço] e não fica parecendo criança. É uma questão de estética e higiene”, afirma. Defensor da causa publicamente (ele escreveu um texto em seu blog sobre o tema), Fernando é cheio de argumentos. “É mais bonito e mais funcional. Para o sexo oral é mais prático. Algumas mulheres já me disseram que aumenta o contato e dá mais prazer.” Para ele, deixar um pouquinho é até aceitável. “Não é preciso brigar por isso, mas sem nada é melhor. É uma opinião quase unânime entre os homens.” Sexo sem pelo não é sexo O mundo limpinho decreta o fim dos pelos púbicos. Sou da turma do contra. Por uma razão simples: sexo sem pelo não é sexo. Tudo bem, o estilo consagrado na “Playboy” amazônica da Claudia Ohana pode ter datado, mas a falta total de pelo infantiliza muito o enlace amoroso. Só há maldade e erotismo nos pelos. A depilação 100% sempre funcionou muito bem como um fetiche provisório, um presentinho ocasional ao amado. Não deve ser permanente. Onde estão o Greenpeace, o S.O.S. Mata Atlântica e todas as ONGs que não berram contra um crime desses? Humor ecológico à parte, temos que lutar contra o desmatamento radical das mulheres. Por mais que o pensamento metrossexual avance, não podemos permitir uma mudança tão significativa na paisagem sexual e amorosa. O macho-jurubeba, como este cronista de costumes denomina o homem inimigo do mestrossexualismo, resiste. Mesmo sabendo que será centrifugado pela história. Lembro do protesto dos leitores da “Playboy” diante das fotos da atriz Vera Fischer, em 2008. E o índice de pelos não chegava a 10% da escala Claudia Ohana. O nojinho dos novos marmanjos foi muito representativo como mudança de hábitos do homem brasileiro. A adesão masculina à depilação definitiva é mais assombrosa ainda. Uma marcha sem volta. Nesse cenário devastador, só o velho Clint Eastwood, 80, salva. Recentemente o ator e diretor de cinema tomou a decisão histórica de não permitir o uso do photoshop nas suas fotos para a revista “M”, do jornal francês “Le Monde”. Foi um duro golpe no metrossexualismo, com direito a tufos de pelos nas orelhas e às mais explícitas rugas, mas em um mundo moralmente raspado e asséptico, a guerra está no final e quase perdida.

Andréa Martins que foi destaque da escola de samba Renascer de Jacarepaguá. Neste ano, ela desfilou nua, com o corpo pintado, e, por isso, depilou-se


informática & tecnologia

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Suicídio virtual

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Em livros e artigos, cresce no exterior o debate sobre os aspectos nocivos de viver o tempo todo conectado à internet

por NELSON DE SÁ/Folhapress

Há dois meses, falando a estudantes em Stanford, Mark Zuckerberg desabafou que, se voltasse no tempo para recomeçar o Facebook, ficaria em Boston, longe do Vale do Silício, dos fundos de “venture capital” e da “cultura de curto prazo”. Ele tem um problema: a abertura de capital do Facebook se aproxima e a rede social dá sinais de, nos EUA, ter batido no teto. As visitas cresceram 10% de outubro de 2010 ao mesmo mês de 2011, segundo a comScore, contra 56% de aumento no ano anterior. Já se fala em “saturação social”, como publicou o “New York Times”. Segundo depoimento de David Carr, repórter e colunista da área cultural do “NYT”, 2011 foi o primeiro ano em que ele viu sua produtividade cair por causa de seu consumo de mídia. E, para 2012, Carr diz estar diante da escolha entre cortar passeios de bicicleta ou “alguns desses hábitos digitais que estão me comendo vivo”. Nas três primeiras semanas, nada. “Meu Twitter ainda está me comendo vivo, embora eu tenha tido certo sucesso em desligá-lo por um tempo”, diz ele à Folha. “Na maior parte do tempo, porém, é como ter um cão amigável que quer ser sempre acariciado, levado para passear. Em outras palavras, continua me deixando louco.”

Menos interação

Pouco a pouco, os americanos, bem como os europeus, restringem a interação on-line e se tornam “espectadores”, segundo o relatório Adoção de Mídia Social em 2011, da Forrester Research. Só um terço dos americanos e europeus atualiza seus perfis em redes sociais, Twitter inclusive, toda semana. Já nos emergentes, Brasil entre eles, dois terços dos internautas atualizam seus perfis semanal-

mente. Nos centros urbanos, três quartos. O relatório visa ajudar em estratégias de negócios, alertando que “essas tendências apresentam um desafio para o Facebook, conforme se aproxima de seu IPO [oferta pública de ações]”. Aos estrategistas de marketing, Gina Sverdlov, da Forrester, escreve: “Se você tem como alvo usuários nos mercados ocidentais, priorize dar a eles conteúdo que possam simplesmente ler ou ver. Não espere muita interação dos consumidores ocidentais”.

“Slow” tudo

A reação vai além das redes sociais. No final do ano, a revista “Travel + Leisure” publicou uma edição sobre “o futuro das viagens”, ouvindo futuristas e proclamando que “o maior luxo do século 21 será escapar da rede” em “black hole resorts”, refúgios buracos negros, com “total ausência de internet -até as paredes serão impenetráveis ao acesso sem fio”. Segundo Judith Kleine Holthaus, ex-Future Foundation, hoje responsável por estratégia e insight na McDonald’s Corp., “sejam instalados no alto de montanhas ou em vilas exóticas, os buracos negros serão o ápice do movimento ‘slow food’ [a favor de produção camponesa], ‘slow travel’, ‘slow’ tudo -o máximo em se livrar de tudo”. Na mesma direção, espalham-se pela Ásia os centros de recuperação de viciados em internet. Na Coreia, já seriam 200. Na China, 300. Ganham repercussão nos EUA os softwares criados por Fred Stutzman, da Universidade Carnegie Mellon, como o Freedom, um “software de produtividade” que restringe o acesso à web por um determinado número de horas.

Ataques à web

E no último ano e meio acumularam-se os livros

com questionamentos aos efeitos da internet: ela mina a criatividade, escreve Jaron Lanier em “Gadget - Você Não É um Aplicativo” (ed. Saraiva); sufoca os momentos de quietude, segundo “Hamlet’s Blackberry”, de William Powers, inédito no Brasil; e afasta as pessoas com ferramentas que serviriam para aproximá-las, segundo “Alone Together”, de Sherry Turkle, do MIT, também inédito por aqui. O porta-bandeira nas críticas é Nicholas Carr, autor três anos atrás de um artigo de grande repercussão na revista “Atlantic”, “Is Google Making Us Stoopid?” (“O Google está nos tornando burros?”), com argumentos que depois ampliou em “A Geração Artificial” (ed. Agir). Dele, na edição mais recente: “O que são os smartphones senão coleiras high-tech?”. Cansaço da web ainda está longe do Brasil O Brasil está longe da saturação social observada nos EUA: o Facebook cresceu 192% em um ano, chegou a 36 milhões de usuários e ultrapassou afinal o Orkut -que também cresceu, mas 5%, segundo a comScore. Em relatório, a consultoria Forrester Research até recomenda, aos investidores e profissionais de marketing: “Se você está colocando todos os esforços sociais nos EUA, é hora de mudar seu foco -e seu orçamento- para países onde os usuários são mais sociais”. “Os emergentes lideram o mundo na adoção de mídia social, enquanto mercados tradicionais ficaram para trás”, diz o estudo, destacando, entre os emergentes, China, Índia e Brasil. Mas já se percebem por aqui os primeiros sinais de uma reação à vida digital e aos seus efeitos sobre a produtividade, ao menos nos bolsões em que a disseminação de mídia social é maior e mais amadurecida. Num exemplo prosaico, a presidente Dilma

Rousseff abandonou o Twitter há mais de um ano, apesar dos reclamos gerais, “por falta de tempo”, segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Ela continua com a internet presente em seu cotidiano, mas como “espectadora”, na classificação da Forrester para internautas de mercados “maduros” como os EUA. No caso, Dilma usa a internet para consumo de jornais e revistas, o que ocupa entre uma hora e uma hora e meia de seu tempo, pela manhã. Tem como base um notebook, que fica em sua mesa, e usa tablet para leitura de títulos, inclusive internacionais, como o “Financial Times”. Iniciado o trabalho, não permite nem celular nas reuniões. Corroborando estudos que indicam que a internet prejudica não apenas a criatividade das pessoas mas a sua própria humanidade, o diretor de teatro Antunes Filho abandonou seu notebook, que deu para um assistente. “Eu gosto de ficar com a cabeça livre”, responde Antunes, ao ser questionado sobre criatividade. “A internet é o grande cheio. Você tem de ficar no grande vazio, no grande zen, solto, nuvem branca correndo no céu.”

“Desativei”

Também são comuns os casos de jovens que se desligam da rede para estudar. É o caso da estudante brasiliense Isabele Bachtold, 24, que fez uma pausa para se dedicar mais ao concurso do Instituto Rio Branco. “Eu acabava entrando [na internet] para tirar alguma dúvida, aí ficava no Facebook e, quando percebia, já tinha passado meia hora”, conta. Assim, tomou a decisão de desativar a conta. “Desativei, em vez de deletar, porque pretendo voltar”, diz Isabele. Até agora, a estudante não sentiu tanta falta da rede social -o Facebook era a única que usava. “Eu só sinto falta de saber o que está acontecendo na cidade.” Dos amigos que mantinha na rede, 13 eram os que Isabele interagia com mais frequência. “Sempre que tinha novidades, alguém postava nesse grupo. Continuo me encontrando com eles.”


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Amado mestre por RODRIGO LEVINO/folha Press

Não são raros os casos de envolvimento entre professores e alunas. Eles existem na vida e na ficção -em romances, filmes e novelas. Em “Fina Estampa”, da Globo, Patrícia (Adriana Birolli) e Alex (Rodrigo Hilbert), aluna e professor, mantêm um romance assumido para a família e os amigos, não muito distante da realidade. “Há um fascínio do professor sobre os alunos. É normal admirarmos quem nos ensina”, afirma a atriz ao “Folhateen”. Ela, porém, contou nunca ter vivido algo assim. Em escolas, cursinhos e faculdades, as histórias circulam aos sussurros. Mas quase nunca os envolvidos estão dispostos a falar. É quando o romance vira memória, ou um relacionamento duradouro, que os impedimentos desaparecem. Aí, os casos vêm à tona. Foi assim com C., 21, e M., 37. Juntos há dois anos, eles se conheceram na universidade, em Porto Alegre. Mas o namoro veio a público agora, quando C. concluiu o curso. “Antes, assumir o namoro colocaria em risco o emprego dele e a minha privacidade”, avalia ela, que foi quem tomou a iniciativa no flerte. No caso da carioca Amanda Meirinho, 23, o tempo que ela precisou esperar foi o de a gravidez dar na vista. Em 2008, após dez meses com Bruno Santiago, 39, seu então professor de produção editorial na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Amanda não conseguiu esconder o relacionamento -os dois já moravam juntos- nem disfarçar Arthur, que estava para nascer. “Não sei se foi por causa da gravidez, mas nunca me senti julgada ou constrangida pelos colegas. Bruno muito menos, nem pelos professores nem pelos alunos”, conta. Os dois estão casados. ilustração: rafael coutinho

As implicações

Como qualquer história de amor, não é sempre que as surgidas em salas de aula terminam bem. Há questões éticas que dão contorno de drama ao assunto. É correto um professor se envolver com uma aluna? A partir de que idade isso pode ser considerado normal? A que tipo de riscos uma garota se expõe? Qual é a responsabilidade do docente? Por que isso acontece? “Não é sempre, mas a relação entre professor e aluna tem um quê de pai e filha. É ele a pessoa que ensina e guia, se converter em interesse sexual/amoroso”, explica o ginecologista Amaury Mendes, 60, membro da Sociedade Brasileira de Sexologia. Ouvidos pela reportagem sob a condição de anonimato, professores se dividiram sobre o assunto e destacaram que escolas e faculdades vetam esse tipo de relação ou pedem que sejam evitadas. Se a relação acontece ainda no colégio, pode se tornar abuso de poder, avaliaram alguns professores. A própria lei trata o envolvimento de um adulto com alguém menor de 14 anos como crime. Induzir um adolescente a atos sensuais é corrupção de menores e pode render de dois a cinco anos de prisão. A Justiça entende que, aos 15 anos, uma garota tem capacidade de fazer escolhas. M., 24, conta que começou a namorar seu professor de vôlei aos 17. Para a família foi um choque. Todos conheciam R. desde a infância de M. O sexólogo Mendes diz que “é preciso ter calma e não se alarmar”. “A família tem de tentar compreender o momento pelo qual a filha passa e ouvi-la, independentemente de aprovarem a relação.” O segredo é o diálogo. Ter abertura para falar dessas coisas em casa funciona como uma rede de apoio.

O envolvimento amoroso entre alunas e professores é um tabu, mas ele existe e já formou muitos casais


Seus Direitos e Dever

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Os partidos políticos por gustavo antônio de moraes montagnana/gabriela de moraes montagnana

“Só a ilusão ou a hipocrisia pode acreditar que a democracia seja possível sem partidos políticos”! “A democracia, necessária e inevitável, requer um Estados de partidos”! (Hans Kelsen) Atualmente, no Brasil, o regime de governo instituído é o da democracia semidireta, que se caracteriza pela preservação da representação política aliada a meios de participação direta. Os candidatos ao cargos políticos eleitos pelo povo, o representa no poder. Para que possam disputar ao cargo, contudo, precisam estar filiados a algum dos partidos políticos registrados no Superior Tribunal Eleitoral. Cada candidato representa, num primeiro momento, o partido político ao qual é filiado. A existência dos partidos políticos viabiliza o debate entre as mais diversas correntes filosóficas e doutrinárias existentes no meio social, em uma sociedade pluralística, possibilitando a representação de todos os segmentos sociais. Os partidos políticos são elementos fundamentais do jogo democrático, portanto, tendo a Constituição Federal reservado um capítulo específico para discipliná-lo. Prevê a Carta Magna que “é livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana”. E ainda, dispõe que deverão ser observadas, no funcionamento dos partidos políticos, o caráter nacional; a proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiro ou de subordinação o estes; a prestação de contas à Justiça Eleitoral e o funcionamento parlamen-

tar de acordo com a lei. A Constituição Federal veda a utilização de partidos políticos para fins paramilitares. Os partidos políticos são reconhecidos pela lei como pessoas jurídicas de direito privado, deste que obedeçam todas as etapas para a sua criação: O partido deverá requerer seu registro no cartório do registro civil de pessoas jurídicas do Distrito Federal, instruído, dentre outros documentos, com requerimento dirigido ao cartório, subscrito por 101 fundadores, com domicílio em 1/3 dos estados e a indicação do endereço da sede no Distrito Federal. É imprescindível o seu caráter nacional, conforme determinado pela Lei Maior, o qual é verificado através do chamado “apoiamento mínimo”. O apoiamento mínimo se verificará quando o partido político comprovar o apoiamento de eleitores que correspondam a, pelo menos, meio por cento dos votos dados na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, não computados os votos em branco e os nulos, distribuídos por um terço, ou mais, dos Estados, com um mínimo de um décimo por cento do eleitorado que haja votado em cada um deles”. Para tanto deverão ser colhidas assinaturas destes eleitores, sendo certo que o TSE não aceita como válidas assinaturas de apoiamento colhidas pela internet. As listas com as assinaturas deverão ser acompanhadas de certidões dos cartórios eleitorais que comprovem a sua veracidade. Em 2011, Gilberto Kassab e seus aliados tiveram pouco mais de seis meses para colher 500 mil assinaturas em nove estados apoiando a criação do PSD – caso falhassem, o novo partido não poderia concorrer às eleições municipais de 2012. Denúncias alegaram que havia até anal-

fabetos e defuntos entre os signatários. Chamado pela Folha de São Paulo para analisar a lista de assinaturas, Orlando Garcia, perito grafotécnico, concluiu que milhares de assinaturas eram falsas – era evidente que inúmeras assinaturas haviam saído do mesmo punho, Ainda assim o partido foi homologado. (Revista Piauí 65_fevereiro de 2012) Após a obtenção do apoiamento mínimo, deverá ser realizado o registro do novo par tido no TSE , através de requerimento acompanhado de exemplar autenticado do programa e do estatuto partidários, inscritos no Registro Civil; certidão do Registro Civil das Pessoas Jurídicas e certidões dos cartórios eleitorais que comprovem ter o partido obtido caráter nacional. Não havendo eventuais falhas no processo, o TSE registra o estatuto do partido no prazo de 30 dias. Os programas e estatutos dos partidos políticos podem ser encontrados no site do TSE: http://www.tse.jus.br/partidos/ partidos-politicos. Atualmente existem 29 partidos políticos registrados no TSE, em 2011 foram registrados dois novos partidos, o Partido Social Democrático (PSD), cujo presidente nacional é Gilberto Kassab e o Partido Pátria Livre (PPL), presidido em âmbito nacional por Sérgio Rubens de Araújo Torres. Apenas após o registro no TSE, garante-se ao partido o recebimento de recursos do fundo partidário, o acesso gratuito ao rádio e TV e a exclusividade de sua denominação, sigla e símbolos, bem como a possibilidade de participar das eleições. Após registrados os partidos políticos terão as suas finanças fiscalizadas pela Justiça Eleitoral. Até o dia 30 de abril

os partidos devem enviar à Justiça Eleitoral, balanços contábeis do exercício anual findo. No ano em que ocorrem as eleições, o partido deverá enviar balancetes mensais durante os quatro meses anteriores e os dois meses posteriores. O partido político não pode receber, sob qualquer pretexto, contribuição em dinheiro ou estimável em dinheiro, procedente de: entidade ou governo estrangeiro; autoridade ou órgãos públicos (ressalvado o proveniente do fundo partidário); autarquias; empresas públicas; concessionárias de serviços públicos; sociedades de economia mista; fundações públicas; entidade de classe ou sindical. Caso o partido receba recursos de origem não mencionadas ou esclarecidas, fica suspensa a sua participação no fundo partidário por um ano. Os recursos do fundo partidário, formado dentre verbas públicas também por valores provenientes de doações de pessoas físicas ou jurídicas, são distribuídos da seguinte forma: 5% em partes iguais, para todos os partidos com estatutos registrados no TSE e 95% na proporção dos votos obtidos pelos partidos na última eleição para a Câmara Federal. A existência dos partidos políticos é essencial, sendo reconhecida como um “mal necessário”, para a existência do regime democrático, afinal não há como deixar de reconhecer a incapacidade “do indivíduo formar, pela força isolada de sua razão, uma concepção de bem comum, de tomar por si, decisões conscientes e coerentes no plano político”, conforme afirma o doutrinador Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Até a próxima! Gabriela de Moraes Montagnana Gustavo Antonio de Moraes Montagnana Advogados


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Foi com muita alegria que fotografei o casamento desse lindo casal:

impecável. Os votos dos dois foi outro ponto forte na cerimônia porque

Talita e Alex.

dava pra sentir que os dois estavam profundamente comprometidos

Foi um dia que me senti muito a vontade porque já é o segundo casamento

no matrimônio. Após os cumprimentos emocionados o casal saiu pelo

que fotografo na família e tenho um carinho muito especial pelo Dr.

corredor ovacionados pelos convidados.

Paulo Marques, pai da Talita. Presenciei todo o carinho dispensado

Na sequencia fomos até a Avenida Paulista fazer algumas fotos bem

pelos pais na realização deste dia maravilhoso.

descontraídas. Foi muito bacana porque todo o momento alguém

O making of da Talita já foi um verdadeiro acontecimento . Ela estava

desejava felicidades ao casal. Aliás as fotos saíram ótimas! Depois fomos

acompanhada pela mãe e algumas amigas num clima muito descontraído

até o Buffet Esplêndido onde o casal ofereceu uma linda recepção para

e alegre.

os convidados e tudo com muito bom gosto e requinte. Foi uma noite

O casamento da Talita aconteceu em São Paulo numa noite muito

maravilhosa e inesquecível pra mim.

gostosa onde todos os amigos e familiares prestigiaram o Grande Dia de Talita e Alex. A cerimônia foi linda e marcada com muitas musicas e um discurso maravilhoso. Alex cantou uma música para a Talita de forma


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Freelander a diesel Versão diesel do Freelander tem bons predicados, mas anda ofuscada pelo Evoque nas vitrines da Land Rover

por Igor Macário / AUTO PRESS

Quando a Land Rover lançou o Freelander a diesel, em junho de 2011, a intenção era melhorar as vendas do menor – e mais barato – jipe da marca. A nova opção de motor ampliou a “pegada” do modelo, que passou a ser o único entre os utilitários esportivos compactos premium no Brasil a ter esse tipo de motor. A estratégia funcionou e, nos meses seguintes ao lançamento, o Freelander mais que dobrou as vendas – passou de 190 unidades mensais para cerca de 390 carros entre junho e novembro. O problema foi que no penúltimo mês do ano, a Land Rover lançou o Range Rover Evoque, cuja versão mais simples – a Pure, com quatro portas – é mais barata que os Freelander mais caros. E ainda tem o “plus” de fazer parte da gama mais luxuosa da Land Rover – sem falar do óbvio apelo estético do novo modelo, que conquistou prêmios de design em todo o mundo. Com isso, em novembro, o Freelander vendeu apenas 86 unidades, um terço do mês anterior. Em dezembro o panorama melhorou – foram 183 carros vendidos. E, em janeiro, 196 Freelander ganharam as ruas. Um recuperação ainda tímida. A queda nas vendas se deve em parte pelo posicionamento de preços. A versão diesel Freelander SD4 HSE custa R$ 172.900, R$ 3 mil a mais que a versão topo a gasolina. O quatro cilindros de 2.2 litros turbinado rende 190 cv e volumosos 42,8 kgfm a apenas 1.750 rpm, e garante força suficiente para empurrar com disposição as 1,8 toneladas do modelo. No entanto, a divisão de preços entre as versões joga contra o Freelander. Os R$ 26 mil que separam o HSE da versão intermediária SE – sem falar nos R$ 43 mil em relação à básica S – não parecem se justificar. As diferenças entre a versão intermediária e a top de linha são apenas as rodas maiores, de 19 polegadas, sistema de som mais sofisticado, GPS e teto solar panorâmico. Além disso, SE e HSE possuem sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, e banco do motorista com ajustes elétricos. O visual da versão diesel é exatamente o mesmo do Freelander a gasolina. O jeitão bruto confere ao modelo um ar aristocrático e funcional, características coerentes com a realidade do menor Land Rover. Na frente, faróis retangulares e a enorme grade símbolo da marca. No alto, a assinatura “Land Rover” em alto relevo para deixar claro a origem do carro. Atrás, linhas retas e uma barra cromada que tenta dar alguma sofisticação ao conjunto. Ficou para o Evoque a missão de ser o modelo mais “fashion” da marca. O Terrain Response é um dos principais equipamentos do carro e está presente em todas as versões. O sistema é capaz de ajustar a distribuição de força de forma independente para cada roda, de modo a manter o Freelander rodando sob qualquer condição. São quatro modos de atuação, onde o ótimo 2.2 a diesel

tem até mesmo a curva de torque alterada para entregar respostas adequadas a situações de asfalto, lama, areia ou cascalho. O controle de estabilidade também muda sua atuação, ficando mais condescendente a deslizes em pisos muito escorregadios. Ao ganhar o motor a diesel, o Freelander conseguiu mostrar suas melhores qualidades. O problema do modelo, e não só da versão a diesel, está mesmo nas vitrines das concessionárias da marca. O Evoque roubou o posto de “objeto de desejo” dos consumidores da marca – e arrebata até gente que jamais se imaginou comprando um Land Rover. Resta às versões mais simples do Freelander a árdua missão de serem a porta de entrada da marca inglesa. Quando os preços começam a se aproximar com os do Evoque, a concorrência é desigual.

Ponto a ponto

Desempenho – O 2.2 litros a diesel dá um show e empurra o Freelander com uma decisão surpreendente. Há força abundante em praticamente qualquer regime, o que garante boas arrancadas e retomadas muito rápidas. A Land Rover fala em 200 km/h de velocidade máxima e zero a 100 km/h em 9,5 segundos. Nada mal para um jipe de quase duas toneladas movido a diesel. O câmbio é bem escalonado e as trocas são rápidas e sem trancos. Nota 9. Estabilidade – Mesmo sendo um carro alto, o jipinho não faz feio nas curvas. A suspensão bem acertada, além de passar confiança para o off-road, evita que o carro balance demais em estradas sinuosas. Ainda que não seja nenhum kart, o Freelander surpreende também no asfalto. As saídas de frente são inevitáveis, mas basta aliviar o pé no acelerador que o carro retoma a trajetória sem sustos e com a discreta ajuda do controle de estabilidade. A frente começa a flutuar apenas acima dos 160 km/h. Nota 8. Interatividade – Todos os comandos estão bem posicionados e, apesar da quantidade de botões no painel, é fácil se acostumar com seu uso. A versão HSE inclui uma tela sensível ao toque no alto do painel que exibe informações do navegador por GPS. Mas todas as outras funções do sistema de som são comandados por botões específicos, o que confunde inicialmente. Há conexão bluetooth para celulares, mas não é possível fazer o som tocar músicas pela ligação sem fio. Falta também uma entrada USB, comum até em carros de segmentos inferiores. Nota 7. Consumo – O Freelander HSE SD4 marcou uma média de 11,2 km/l de diesel em circuito misto, abaixo dos 14,2 km/l indicados pela Land Rover. O Inmetro ainda não tem medições da versão específica. Nota 8. Tecnologia – O Terrain Response é o maior atrativo do modelo. O sistema controla eletronicamente o funcionamento da tração integral e é capaz de enviar força para cada roda de modo a manter o carro andando mesmo em terrenos

Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

difíceis. No Freelander são quatro modos de atuação. Um para o uso corriqueiro, no asfalto, outra para areia – onde as respostas são mais imediatas e o torque máximo aparece mais cedo –, um para lama e outro para pedras. A plataforma é recente, a atual geração data de 2006 e ainda tem alguns anos de estrada antes do substituto. Como configuração “top”, o Freelander HSE tem equipamentos bem interessantes, como o GPS e o sistema de som mais completo. Nota 8. Conforto – O Freelander é um carro surpreendentemente confortável. A suspensão é bem acertada e filtra as imperfeições do solo, ainda que balance mais do que o esperado em terrenos irregulares. Os bancos têm espuma de densidade correta e não cansam em viagens longas, onde o motorista ainda desfruta de um ótimo apoio para o pé esquerdo. Atrás, há espaço suficiente para dois adultos, já que a presença de um terceiro elemento é dificultada pelo túnel central alto. Mas o espaço para a cabeça de todos os ocupantes é mais do que suficiente. Nota 8. Habitabilidade – Entrar e sair do jipe só é dificultado pela altura do solo, mas as portas têm bom ângulo de abertura e são grandes. A base do porta-malas é algo alta, e dificulta a colocação de itens mais pesados. O interior, por sua vez, tem muitos porta-objetos – inclusive nichos nas portas capazes de acomodar garrafas de até 1,5 litro. Nota 8. Acabamento – Materiais de boa qualidade e ótimos encaixes predominam no interior. A atmosfera geral é de sofisticação e refinamento. O isolamento acústico é dos melhores e as vibrações do motor a diesel ficam do lado de fora. Mesmo os plásticos rígidos são agradáveis ao toque. Nota 8. Design – As linhas quadradas dão uma impressão de robustez ao Freelander. O carro exala a aura “off-road” dos Land Rover e ainda se impõe no trânsito com a frente alta, ornada pelo nome da marca estampado em alto relevo no capô. Mas é inegável que o lançamento do Evoque mudou os parâmetros estéticos da marca inglesa. E o Freelander é a maior vítima dessa mudança. Nota 6. Custo/beneficio – A versão topo de linha do Freelander acabou ofuscada pelo próprio colega de linha, o belo Evoque. Mesmo sem motor a diesel, a versão mais barata do novo crossover custa menos que o jipinho – o Evoque Pure de cinco portas sai por R$ 164.900 –, e ainda oferece o requinte superior de ser um Range Rover. Apesar dos ótimos predicados, o Freelander HSE ficou caro demais – o preço de tabela é R$ 172.900. A versão a diesel não possui concorrentes diretos, já que os rivais não oferecem opção pelo motor a óleo ou a disposição para o off-road. Nota 5.

Total – O Land Rover Freelander SD4 HSE somou 75 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Definitivamente, o motor a diesel é a estrela do Freelander HSE SD4. O propulsor brinda o motorista com muita força, quase que instantânea, sempre de prontidão aos comandos do acelerador, e vale cada centavo extra em relação à versão a gasolina. O quatro cilindros de 2.2 litros deu ao modelo o comportamento digno da alta estirpe inglesa, com muita suavidade e silêncio aq bordo, quebrado apenas pelo instigante sopro do turbo cada vez que o acelerador é pressionado. O carro é impulsionado para frente com um vigor até inesperado, graças aos saudáveis 42,8 kgfm de torque disponíveis a apenas 1.750 rpm. O interior é bem acabado, com botões grandes e displays e mostradores de fácil visualização. O estofamento em couro de cor terracota da unidade avaliada dá um toque de requinte a mais, apesar da cor pouco comum. Todas as superfícies são agradáveis ao toque, sejam de plástico, tecido ou couro. A posição de dirigir também é boa, e facilmente encontrada com os ajustes elétricos do banco do motorista. O teto solar panorâmico ajuda na iluminação interna, mas merecia um forro mais espesso. A fina tela deixa passar luz e calor demais. Além disso, a versão topo HSE poderia ter uma tela sensível ao toque com mais funções do que o navegador por GPS. Todas as outras funções do sistema de som são comandadas por botões espalhados pelo painel – ainda que fáceis de usar, acabam poluindo visualmente o interior. E uma entrada USB seria mais útil que a disqueteira para seis CDs disponível. O Terrain Response permite ao Freelander encarar praticamente qualquer parada. O sistema – que também equipa todos os outros Land Rover – controla as respostas do motor, a distribuição da tração pelas quatro rodas e até altera a curva de torque dependendo do modo selecionado, que varia entre asfalto, areia, lama e pedras soltas. Pena que os pneus totalmente voltados para trabalhar “on-road” desencorajam incursões fora da estrada. O câmbio trabalha bem e faz trocas rápidas e suaves, além de o escalonamento aproveitar muito bem a força do motor a diesel. Mesmo com toda a parafernália eletrônica que o habilita a um fora-de-estrada pesado, o Freelander se dá muito bem na cidade. O propulsor entrega ótimas respostas em baixa rotação, e ainda retribui com baixo consumo de combustível, calcanhar de aquiles da versão a gasolina. Na estrada, também é possível manter velocidades de cruzeiro sem prejuízo ao conforto, tão bom quanto nos jipes maiores da marca. A suspensão filtra bem as irregularidades e ainda segura o carro nas curvas mais fechadas, nas quais os pneus de perfil baixo também contribuem bastante. Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

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Mais uma por Augusto Paladino/AUTO PRESS

A Mini parece

Foto: Divulgação

não se cansar de lançar versões especiais dos seus carros valorizando o estilo de vida e algumas localizações britânicas. Agora foi a vez do Mini Cabrio receber a série especial Highgate, que começa a ser vendida logo após o Salão de Genebra, em março. O diferencial fica apenas pelo apelo estético. Estão lá as faixas decorativas na carroceria e o interior que acompanha o visual externo. A versão ainda traz a capota pintada em marrom, repetidores de seta brancos e rodas de 17 polegadas.

Mini Cabrio Highgate


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Atraso acentuado por Augusto Paladino/AUTO PRESS

Até hoje a Peugeot

Foto: Divulgação

continua a vender no Brasil a primeira geração do Partner. Mas, na Europa, a história é bem diferente. A marca francesa mostrou recentemente uma reestilização já da segunda geração do modelo. O furgão recebeu um visual ligeiramente renovado, com destaques para os novos faróis, lanternas e para-choques. A dianteira ainda ganhou a nova identidade visual da marca, com o emblema do leão rompante e o nome “Peugeot” escrito logo abaixo. Assim como no Brasil, são oferecidas configurações para trabalho e para passeio da Partner

Peugeot Partner


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Questão de etiqueta Fiat Freemont Emotion tem qualidades, mas é prejudicada por preço próximo demais da versão topo

por Igor Macário / AUTO PRESS

A Fiat apostou alto ao lançar o Freemont no Brasil. O modelo aproveita toda a arquitetura do conhecido Dodge Journey, assim como o motor, que também tem origem norte-americana. Se não foi um grande sucesso de vendas e conseguiu vender 2.247 unidades apenas no segundo semestre de 2011, exatos seis carros a mais que o Dodge emplacou no ano inteiro. E, até a primeira quinzena de fevereiro de 2012, mais de 800 Freemont já ganharam as ruas. O que indica uma tendência de vendas crescentes. Desses, apenas 30% correspondem pela versão mais barata, a Emotion, que custa R$ 82.740. A menor procura pela versão mais simples se deve à pequena diferença de preço entre esta e a topo de linha Precision. São R$ 4.820 de diferença a favor da mais barata, mas que perdeu diversos equipamentos. É difícil visualizar alguma vantagem em custo/ benefício quando o desaparecimento de itens como airbags laterais e de cortina, banco do motorista com ajustes elétricos, sensor de estacionamento, rodas de 17 polegadas, barras no teto e a terceira fileira de bancos resultam em uma economia abaixo de R$ 5 mil. Com o que restou, o modelo até que não é mal equipado, vem de série com toda a parafernália eletrônica que garante o bem-estar a bordo e ainda mantém o bom nível de conforto do Freemont Precision. Mas, na faixa acima dos R$ 80 mil, é inegável a desvantagem do Emotion. Externamente, apenas as rodas menores, de 16 polegadas, indicam que se trata do modelo mais barato. O jeitão imponente e familiar se manteve. O Freemont é praticamente idêntico ao Journey já conhecido no Brasil, e faz os emblemas da marca italiana até destoarem do ar norte-americano do carro. A frente alta se impõe no trânsito e o perfil lembra o de uma station grande, num conceito semelhante – mas já aprimorado – à primeira geração do Subaru Forester. A traseira recebeu apenas mudanças nas lanternas, além do nome do carro estampado logo abaixo do vidro. Ele é radicalmente diferente de tudo o que a marca italiana vende e já vendeu no país. E é um claro fruto da incorporação da Chrysler ao grupo Fiat. O Freemont Emotion é equipado com o mesmo quatro cilindros da versão topo de 2.4 litros, 172 cv a altas 6 mil rpm e 22,4 kgfm a 4.500 rotações. O propulsor é o também mesmo utilizado no antigo Chrysler PT Cruiser, mas passou por algumas evoluções para entregar mais potência e força através de um câmbio automático de quatro marchas. Segundo a Fiat, o conjunto é capaz de levar o modelo de zero a 100 km/h em 12,3 segundos, 0,3 segundo mais rápido que a versão topo, graças à pequena redução de peso de 54 kg em relação à versão mais equipada em

função da retirada de equipamentos. Por dentro, nenhuma mudança em relação ao modelo de sete lugares, a não ser a óbvia falta da última fileira de bancos. O interior é idêntico ao do Dodge, assim como a dotação de equipamentos. Mesmo sendo o mais barato, o Freemont Emotion vem bem equipado de série, com acabamento em couro, airbags frontais, controle de estabilidade e sistema de som com tela sensível ao toque de 4,3 polegadas. O único opcional são as barras para cargas no teto, de série na versão Precision.

Ponto a ponto

Desempenho – O 2.4 16V tem bons 172 cv de potência, mas o alto peso do Freemont joga contra o crossover. O modelo fica “pesadão”, e tem respostas mais lentas que o esperado. Falta força nas arrancadas e principalmente nas retomadas, onde o carro demora a “acordar”. A Fiat declara 12,3 segundos para cumprir a aceleração de zero a 100 km/h, número que já indica a placidez do desempenho do Freemont. O câmbio automático de quatro marchas ajuda pouco com os grandes intervalos entre cada marcha. Nota 6. Estabilidade – O modelo é surpreendentemente estável em virtude à altura de rodagem, semelhante a um carro de passeio. Ele se comporta como uma station grande e faz curvas sem dar sustos no motorista. Ao menos aí o alto peso é um ponto positivo. A suspensão é bem calibrada e não faz com que os passageiros sejam chacoalhados de um lado para o outro em estradas sinuosas. Mas são vocação são as estradas retas e planas, onde ele se mostra estável e seguro. Nota 8. Interatividade – O interior é bem resolvido, com comandos fáceis e de localização acertada. Apenas a alavanca única que controla farol alto, setas e limpadores de para-brisa é algo complicada de usar num primeiro momento. Até mesmo os botões atrás do volante que controlam o sistema de som são de fácil uso. No painel, os botões são grandes e bem posicionados, ainda que tenham comandos redundantes na tela de 4,3 polegadas no alto da peça. O sistema de som contempla conexões USB, auxiliar e por bluetooth com celulares. Nota 8. Consumo – O Freemont Emotion registrou média de 6,5 km/l em estrada e 5,8 km/l na cidade. O Inmetro ainda não tem medições da versão específica. Nota 5. Tecnologia – O sistema integrado de comando com tela sensível ao toque no painel é o maior destaque da versão Emotion. Para a variante topo de linha está prevista uma unidade ainda mais completa, com direito a câmera de ré e GPS. O modelo possui chave presencial e partida por botão. A plataforma do modelo tem origem na Chrysler e

Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

é relativamente moderna, de 2005. Traz suspensão traseira independente do tipo multilink. O motor já tem muitos anos de estrada, mas foi aperfeiçoado e rende 172 cv. Nota 7. Conforto – Certamente é o ponto alto do modelo. Os bancos dianteiros são verdadeiras poltronas, com espuma macia – que ainda assim não se tornam cansativos – e couro agradável ao toque. Há espaço de sobra para todos os cinco ocupantes graças às dimensões generosas da carroceria. A suspensão filtra bem as imperfeições do asfalto e contribui para o conforto a bordo. Nota 9. Habitabilidade – O Freemont é muito bem fornido de porta-objetos, como deveria de ser em um carro familiar. Não faltam nichos para guardar garrafas e há até dois alçapões no assoalho traseiro para mais coisas. As portas grandes facilitam o entra e sai do modelo e ninguém deve reclamar de aperto. A falta da terceira fileira de bancos se traduz em um enorme porta-malas de 580 litros. Nota 8. Acabamento – A Fiat refez o interior do Journey antigo e o empregou também no Freemont. Os materiais são de boa qualidade, assim como os encaixes das peças. O modelo consegue exalar uma sofisticação inédita na marca. O isolamento acústico é dos melhores, e consegue deixar de fora ruídos da rua e do motor, mesmo quando este está sob esforço para empurrar o crossover. Nota 8. Design – As linhas já são conhecidas no Brasil desde o primeiro Journey, de 2008. Salvo detalhes, como a grade dianteira, o porte imponente e classudo se mantiveram no modelo. Apesar disso, ele destoa muito do restante da gama da marca italiana e deixa clara a origem “ianque” do carro. Nota 6. Custo/beneficio – O Freemont básico tem como maior concorrente a própria versão topo. O Emotion, que custa R$ 82.470, perdeu a terceira fileira de bancos e equipamentos importantes como airbags laterais e de cortina e o controle de estabilidade. Ainda assim, a conta é apenas R$ 4.820 menor, o que deixa o modelo mais barato em clara desvantagem. Ao menos, ele é mais barato que os rivais de cinco lugares, como Honda CR-V, Peugeot 3008, Hyundai ix35 e Chevrolet Captiva. Além disso, oferece mais espaço e versatilidade que eles. Mas não é a toa que, mesmo mais em conta, a versão Emotion corresponde por apenas 30% das vendas do modelo. Nota 5. Total – O Freemont Emotion somou 70 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Divã italiano O visual do Freemont já o torna um carro

familiar logo à primeira vista. A semelhança com o “clonado” Dodge Journey – que empresta toda a arquitetura – o faz passar quase despercebido nas ruas e apenas um segundo olhar indica que se trata do maior Fiat já lançado. O jeitão imponente e americanizado se manteve na mudança de emblemas, assim como o ar familiar que as grandes dimensões lhe conferem. Mas, mesmo grande, ao volante o Freemont Emotion não passa a impressão de ser um utilitário esportivo e sim um automóvel. É emblemático que a Fiat apresente o modelo como um SUV e a Dodge se refira ao Journey como um crossover. Ainda bem, já que as melhores qualidades do modelo estão longe da lama. O modelo brinda os ocupantes com muito conforto a bordo, silêncio e materiais de boa qualidade, ainda que o desenho interno não lembre em nada nenhum Fiat em produção. Os comandos são todos bem localizados, ainda que a operação da única alavanca que concentra o comando das setas, farol alto e limpadores de para-brisa seja algo confuso, e tarefas simples – como esguichar água no vidro – sejam dificultadas. O freio de estacionamento, acionado por um anacrônico pedal, também poderia ser elétrico, e agregar mais tecnologia ao modelo. Por enquanto as duas versões, Emotion e Precision, vêm com o mesmo sistema de som, com tela sensível ao toque de 4,3 polegadas, mas futuramente a topo de linha passará a contar com um equipamento mais sofisticado, com navegador por GPS e câmera de ré, enquanto a Emotion permanece com o básico. O motor 2.4 14V de 172 cv é outro que contribui para a “calmaria” a bordo do modelo. Mesmo que tenha força para empurrar os quase 1.800 kg do Freemont, ele parece fraco. Os 22,4 kgfm de torque aparecem só nas 4.500 rpm e o câmbio de apenas quatro marchas não ajuda muito na hora de acelerar. O resultado é um consumo acima do esperado, já que o propulsor parece sempre se esforçar mais do que o necessário. Na estrada, a situação não melhora e o Fiat gigante sofre para manter o ritmo em trechos de serra. Ao menos, quando a rodovia é plana, as marchas longas se traduzem em baixas rotações em velocidades de cruzeiro e silêncio a bordo. Mas, mesmo assim, o Freemont tem um bom conjunto. O carro agrada na maior parte das situações e oferece boa dose de conforto para os ocupantes. Pena que a versão Emotion tenha como maior inimigo a própria Precision, que oferece um pacote ainda mais completo por pouco menos de R$ 5 mil extras. Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Fiat Freemont


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veículos

Futuro comercial por Augusto Paladino/AUTO PRESS

A Mercedes-Benz

Foto: Divulgação

exibiu as primeiras imagens de seu próximo veículo comercial. Batizado de Citan, o furgão será o comercial leve de entrada da marca na Europa, que já conta com o Vito, o Sprinter e o Vario. O novo modelo será feito em parceria com a Renault-Nissan e irá usar a base do Renault Kangoo. A fabricante alemã pretende alcançar com o Citan uma participação de 4 a 5% do segmento de vans pequenas no continente europeu, que hoje conta com cerca de 700 mil veículos/ano

Mercedes-Benz Citan

Mimo vermelho por Augusto Paladino/AUTO PRESS

A incor poração da Chrysler e de suas marcas ao Grupo Fiat rendeu bons frutos até para Fernando Alonso e Felipe Massa. Os pilotos da equipe Ferrari de Formula 1 receberam edições especialmente decoradas do Jeep Grand Cherokee SRT8 com as cores da Scuderia italiana. A carroceria do jipão é pintada de vermelho com uma faixa preta e ainda existe uma bandeira da Itália pintada na traseira. O interior é revestido com couro ver melho, enquanto os mostradores são amarelos. No quesito desempenho, o Grand Cherokee SRT8 também não deixa a desejar. O utilitário tem um V8 de 6.4 litros de 477 cv capaz de fazer zero a 100 km/h em 5 segundos.

Foto: Divulgação

Jeep Grand Cherokee SRT8


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