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Bragança Paulista

Sexta 27 Maio 2011

Nº 589 - ano IX jornal@jornaldomeio.com.br

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Para Pensar EXPEDIENTE

Tem explicação ou não?

E-mail: jornal@jornaldomeio.com.br Diretor Responsável: Carlos Henrique Picarelli

MONS. GIOVANNI BARRESE

Faz já alguns dias que a imprensa tem batido sobre a origem dos ganhos econômicos do ministro da Casa Civil Antônio Palocci. Teria ele visto seu patrimônio crescer vinte vezes em quatro anos. Segundo afirmações ele teria constituído uma empresa de consultoria que se transformou em imobiliária pouco antes das últimas eleições. Questionam-se o crescimento fantástico, a natureza da consultoria, etc. Não se pode considerar ninguém desonesto até que haja prova em contrário. Não se trata, portanto, de sair afirmando que o ministro não é correto. O que está dando o que falar - e a mim me impressiona - é o enorme esforço do Governo (entendendo-se também a nossa presidente e diversos colaboradores seus) em fazer de tudo para que o assunto não seja discutido e esclarecido. Parece natural que a pessoa que tem cargos públicos esteja sujeita ao esquadrinhamento de sua vida. Recordando o velho dito de

Jornal do Meio Rua Santa Clara, 730 Centro - Bragança Pta. Tel/Fax: (11) 4032-3919

que a “mulher de Cesar deve ser honesta e provar que é honesta!” Uma das grandes dificuldades da vida pública, a meu ver, é ter a pele de elefante. Dura e que não se lacera com facilidade. Conviver com a crítica, com a lente de aumento sempre focada sobre si é uma questão de vocação. Não nos é estranha a modulação a que a vida política, especialmente a partidária, expõe as pessoas. Os aliados de hoje podem ser os adversários de amanhã e vice-versa. Se as coisas ficassem delimitadas aos programas políticos ou às divergências de pontos de vista até que o caminho não seria tão árduo. Mas não é isso que acontece. Passa-se rapidamente para a ofensa pessoal. Não são poucos e raros pronunciamentos graves sobre a honra das pessoas que depois tentam ser atenuados pela desculpa do “calor da discussão”. Em todo caso, uma vez que se assume encargo público, no caso político-partidário, deve haver clareza em tudo o que está relacionado ao exercício da

função. Não entendo porque a dificuldade do ministro Palocci e de seus assessores em fazer saber como as coisas aconteceram. Respeitando-se as linhas contratuais com pessoas e grupos não há porque não deixar claro o que foi celebrado, pagamentos recebidos, etc. Mesmo que as empresas e ou pessoas tenham sido “doadoras” de campanha eleitoral. Se os limites que a lei impõe foram mantidos não há o que dizer ou condenar. Afinal se ajuda a quem defende interesses comuns. Ou não é isso? Alguém ajuda adversário? Só se for dando corda para enforcar-se! Na cola desse “imbroglio” tive a felicidade de ver o pronunciamento, numa audiência pública com presença de deputados e de uma Secretária da Educação (não entendi se municipal ou estadual) no Rio Grande do Norte, da professora Amanda Gurgel de Freitas. Serena e bem articulada questionou o que se estava dizendo na sessão, de modo especial, as palavras da Secretária. A professorinha,

em breves palavras, recordou o que está acontecendo nas escolas: salários baixos, falta de local e material, etc. Um pouco daquilo que os professores do nosso Estado também falariam. A professora foi clara, objetiva. Nada panfletária. Terminava dizendo que a secretária e os deputados deveriam sentir-se constrangidos diante da realidade que eles, certamente, conheciam. E que era necessário que agissem. Esta professora potiguar é um modelo a ser seguido. Se todo cidadão externasse sua opinião e sua cobrança aos que elege a realidade seria diversa. O grande problema é o descaso com o bem comum. Ainda temos a mentalidade do compadrio e do voto em benefício próprio. Muita gente é eleita para dar benefícios. O horizonte da construção de sociedade livre, igualitária, com oportunidade para todos continua a ser miragem. Há urgência na busca de mecanismos que levem a todos, eleitores, eleitos e mandatários,

Jornalista Responsável: Carlos Henrique Picarelli (MTB: 61.321/SP)

As opiniões emitidas em colunas e artigos são de responsabilidade dos autores e não, necessariamente, da direção deste orgão. As colunas: Casa & Reforma, Teen, Informática, Antenado e Comportamento são em parceria com a FOLHA PRESS Esta publicação é encartada no Bragança Jornal Diário às Sextas-Feiras e não pode ser vendida separadamente. Impresso nas gráficas do Jornal do Meio Ltda.

em todos os níveis, a responder, sem maiores delongas, aos questionamentos que surgem. Se for verdade que “quem não deve não teme” não há porque tentar fugir das perguntas. Até por uma questão: achar desculpas é muito mais complicado que dizer a verdade. E verdade dita encerra a questão! Não faz bem a ninguém conviver com dúvidas sobre a honestidade própria ou alheia. Melhor não ter nada para esconder! Ou então se está chocando “o dia da vergonha”! Tá certo que têm gente que já a perdeu! Há muito tempo!


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Em movimento Corrida 10K /5K chega à quarta edição

colaboração SHEL ALMEIDA

Acostumados com a praticidade do após o término da corrida. Outra inovação é que novo século é difícil deixar de lado de- a prova agora poderá ser acompanhada online. terminados hábitos, como se locomover “Facilita para quem for assistir. Quem levar um de um lugar ao outro sempre com a laptop ou um celular com internet poderá ver ajuda de um carro. Esse costume das grandes os resultados na hora”, explica. Sabendo da metrópoles traz prejuízos não apenas às cidades, importância não apenas da atividade física, mas que já não comportam tantos veículos, como também da reposição de energias pós prova, também a quem faz uso dessa comodidade. Ir a através de uma alimentação saudável, Marinho pé ao trabalho contribuía, entre outras coisas, à conta que empresas parceiras do evento (Semear prática da atividade física. Fundamental ao bom Culinária Natural, Bauducco, Chocollatti, Natu funcionamento do corpo humano movimentar-se Produtos Naturais, Supermercados Hara, Varejão diariamente ajuda a envelhecer com qualidade Santa Maria, Mãe Terra, Banca da Cilene e Açaí BR) oferecerão aos particide vida. Traz benefícios à pantes um café da manhã aparência (como a melhora a fim de complementar os na postura), ao trabalho A intenção é que benefícios da atividade. Ele (aumenta a produtividade, alémdecombateroestresse todos terminem a aproveita e avisa: “Nunca deve praticar atividade e a indisposição), ao dia a prova da melhor forma se física em jejum. É mito que dia (maior disposição para possível, e não da isso emagrece mais.” Aos as tarefas cotidianas) e à saúde (aumenta a expecmais rápida iniciantes é recomendado que participem da caminhatativa de vida e melhora da. No entanto, Marinho o sistema imunológico). Marinho lembra que quem nunca Segundo Marinho Faralhi, personal trainer e participou de provas desse idealizador da Corrida tipo, mesmo na modalidade 10K/5K, o objetivo do evento é justamente caminhada é preciso que tenha autorização médica, fazer com que as pessoas tomem consciência principalmente acima dos 35 anos. “A intenção da importância da atividade física. Indicado não é que todos terminem a prova da melhor forma apenas a quem já está acostumado com a prática possível, e não da mais rápida.” Pela experiência de corrida, mas também aqueles que querem se profissional de Marinho, ele sabe que cada um aventurar pela primeira vez, o evento também deve respeitar os próprios limites. Ele explica que tem a modalidade da caminhada. “Teve gente para que uma pessoa consiga terminar a corrida que iniciou com a caminhada na 10K e depois 5K de maneira saudável precisará treinar de 4 a 6 até correu a São Silvestre”, conta Marinho. Já meses antes. Portanto, quem nunca correu toda na 4° edição, a “Bragança 10K/5K – Corrida e essa distância em uma prova, é melhor começar Caminhada” acontecerá no dia 3 de julho. O início mesmo pela caminhada e deixar a corrida para da prova será à 8h30. As inscrições poderão ser a próxima edição da Bragança 10K/5K. “O que feitas até o dia 28 de junho e os preços variam melhora a prática é a regularidade”. de R$52,00 a R$74,00, dependendo da modalidade: corrida 10K, corrida 5K ou caminhada Prática 5K. As inscrições feitas até o dia 31 de maio Marinho conta uma maneira curiosa de descobrir terão desconto. Homens e mulheres podem a frequência da corrida está em ritmo adequado: participar e terão a opção de se inscrever em dois dizer a frase “Eu fui para lá de Paranapiacaba”. Ele lugares em Bragança: no Studio Vida Saudável explica que se a pessoas conseguir completar a (Av. Marcelo Stefani, 68 - Centro Empresarial frase sem intervalos na respiração o ritmo está Jaguary – Taboão) ou na Tecno Bike (Avenida certo. Se ficar ofegante e tiver intervalos entre Alpheu Grimello 750, Lago do Taboão), ou online uma palavra e outra será preciso diminuir o ritmo. através dos sites: http://www.studiomft.com. Essa brincadeira na verdade se chama “talking br ou http://www.webrun.com.br. A previsão é test” e foi criada por Nuno Cobra. Outra dica que este ano o número de participantes chegue importante de Marinho no desempenho da ativia 850/900 pessoas. dade física é praticá-la de 2 a 3 vezes por semana, com intervalos de um dia. Ele explica que sem a Iniciantes pausa o organismo vai perdendo a capacidade Marinho conta que a corrida trará algumas no- de regeneração. É preciso tempo para que todos vidades em relação à edição do ano passado. O os aspectos da atividade física aconteçam, e o sistema de cronometragem, por exemplo, será descanso dos músculos é um deles. “O que pode feito com um chip descartável, ou seja, os partici- ser feito é uma atividade compensatória, como pantes não precisarão se preocupar em devolvê-lo a natação, que facilita a recuperação do corpo”,

FOTO: DIVULGAÇÃO

Participantes da 3° edição do evento. A previsão é que se supere o número de pessoas do ano passado FOTO: DIVULGAÇÃO

Equipe de produção. Todos estarão atentos e dispostos a auxiliar os participantes durante a prova

explica. Outra coisa fundamental é a hidratação antes, durante e após a atividade. Ele fala também que correr em um terreno plano faz com que o atleta consiga manter o ritmo por mais tempo, prolongando o benefício do esporte. “Eu percebo no dia a dia do Lago que as pessoas não tomam muito cuidado. Usam sapatos não adequados, carregam coisas pesadas na mochila, colocam plástico na barriga. Nada isso ajuda, na verdade prejudica”, fala.

Para mais informações sobre percursos, estrutura e regulamento da Bragança 10K/5K Corrida e Caminhada entre no site www.studiomft.com.br. O telefone dos locais de inscrição são: Vida Saudável 11 4032.4663 e Tecno Bike 11 4032.5788. Haverá também exposição fotográfica de Daniela Romanesi, sobre no tema “Água”, no bar Trairagem, durante a realização da prova. Além disso, a organização do evento firmou convênio com a Cooperativa Recicle Bragança que irá recolher todo os copos descartáveis usados para hidratação dos atletas


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Antenado

Nova tradução guarda estilo malicioso de Vladimir Nabokov Em ‘Lolita’ (1955), autor russo faz uso da sensualidade para retratar a crueldade humana nos EUA dos anos 50

por MARTIM VASQUES/FOLHAPRESS FOTO: PATRIMÔNIO VLADMIR NABOKOV/REPRODUÇÃO

Vamos despi-la dos clichês, querida Lolita. Todos sabem das suas histórias: a do padrasto que lhe estuprava todas as noites, a de sua morte cruel enquanto estava prestes a dar à luz. O que os outros não sabem é sobre a sua verdadeira natureza. Por isso ainda sentem fascínio sobre a sua história e personalidade. Talvez o seu criador, Vladimir Nabokov (1899-1977), não tenha calculado seu alcance duradouro. Mas, sem dúvida, pretendia que o efeito fosse equivalente ao de Humbert Humbert quando a viu no jardim da casa de sua mãe. Humbert ficaria ofendido se o chamassem de ‘pedófilo’. ‘Não sou nada disso’, exclamaria perante o tribunal do politicamente correto, ‘sofro de ninfolepsia’. Uma palavra bonita não esconde o lado perverso. Esta era a especialidade de Nabokov: um estilo malicioso, sensual, agasalhando a crueldade humana, mantido por Sérgio Flaksman na nova versão que nada deve à tradução pioneira de Jorio Dauster. Neste mundo onde os pervertidos acreditam ser poetas, o esteticismo é um pecado mortal de enorme prazer. Para Martin Amis, autor do posfácio desta reedição, é a estética bem trabalhada e detalhista que permite reencontrar detalhes que pareciam não estar lá, quando você surgiu pela primeira vez em 1955, em uma América com alguma inocência. Anos depois, Amis mostraria que Nabokov já sabia que esta não existia há tempos. Em ‘Koba, o Terrível’, livro sobre os crimes do stalinismo, o escritor mostra que nada há de lírico em sua história. Trata-se, na verdade, de um estudo sobre a tirania.

PEQUENO DITADOR Era um assunto que Nabokov entendia como poucos. Afinal, fugiu da Revolução Russa porque sua família apoiava o czar. Não por acaso Humbert age como um pequeno ditador em relação às suas vítimas: compra presentes, usa barbitúricos para sodomizar suas consciências, recita poemas de Edgar Allan Poe como se fossem cantigas de ninar. Mas Lolita também se mostrou uma perfeita tirana. Enganou Humbert como se fosse um palhaço e fez o mesmo com Clare Quilty, o rival de seu padrasto, hoje reconhecido pelo público através das feições de Peter Sellers. Neste conto amargo, Nabokov mostra a dupla escravidão de quem vive em função da pior das tiranias: a do desejo. Você ainda não perdeu o seu encanto simplesmente porque nos entregamos ao Stalin das nossas paixões. O que pedimos da sua história é que nos ensine, como diria John Donne, a não deixar que nossos afetos nos matem e nem morram. Sua morte foi apenas no papel. Sua verdadeira natureza é a imortalidade da nossa tirania interior _e isto é a única coisa, querida Lolita, que podemos compartilhar contigo. MARTIM VASQUES DA CUNHA é editor da revista ‘Dicta&Contradicta’ e doutorando pela USP LOLITA AUTOR Vladimir Nabokov EDITORA Alfaguara Brasil TRADUÇÃO Sergio Flaskman QUANTO R$ 49,90 (392 págs.) AVALIAÇÃO ótimo

O escritor russo Vladimir Nabokov (1899-1977)


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Comportamento

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Da boca para dentro Cantar melhora a capacidade pulmonar, fortalece os músculos da barriga e do rosto, aumenta a resistência física e, ainda, relaxa; solte a sua voz

por MANUELA MINNS/FOLHAPRESS

Cantar é divertido, quem não sabe. E é bem mais que isso: mexe com várias partes do corpo, faz bem à saúde. Para começar, quem canta melhora a capacidade pulmonar e o sistema imunológico, fortalece a barriga e alivia o estresse. O professor Graham Welch, especialista em Educação Musical da Universidade de Londres e pesquisador, diz que o canto ativa o corpo e a mente. Cantar é uma atividade física, psicológica, social e musical. Diferentes sistemas modulares no cérebro são usados para lidar com as características musicais do canto, como o tom, o ritmo e as letras, e integrá-las. “Há um entrelaçamento dos sistemas nervoso, endócrino e imunológico”, diz ele. O sistema nervoso é responsável pelo ato de cantar. Há também um envolvimento emocional com o som humano, desenvolvido na fase fetal, e um diálogo da pessoa com seu corpo, seu sistema respiratório e os espaços que oferecerá para essa voz soar. “Cantar não é só da boca para fora. Todo instrumento tem espaço interno e externo de ressonância, inclusive o corpo. A voz preenche o corpo, a melodia e a letra que escolhemos”, diz a fonoaudióloga Mônica Montenegro, professora da USP. A neurologista Paula Viana Wackermann, que desenvolveu pesquisa pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto com cantores líricos, diz que a atividade induz a um estado de prazer. O nível de cortisol (hormônio do estresse) fica reduzido, não importando se a pessoa é afinada ou não. “A sensação de bem-estar é aumentada pelo efeito sociopsicológico de fazer música como parte de um grupo”, completa Welch. Mesmo quem canta sozinho, acompanhando um CD ou iPod, sente esses benefícios. O sentido de se envolver em uma atividade compartilhada permanece. “Cansei de chegar triste ao karaokê e sair de lá muito bem”, diz Jane Tapxure, 62 anos, dona de um pet shop. Com o fim do casamento de 30 anos, ela passou dois anos deprimida, chorando no sofá. Até que uma amiga a chamou para cantar. Jane, que é fã de música italiana e Frank Sinatra, conta que voltou a sair de casa e a se arrumar. No karaokê, ela formou um grupo de amigos de idades variadas, que se encontra toda semana, comemora aniversários e faz festas temáticas, como Halloween e até do pijama. “É uma farra. Lá você não é julgado por ninguém.” Imunidade A cantoria ativa os sistemas cardiovascular e respiratório. O aumento da ventilação e da capacidade pulmonar melhora o condicionamento físico e mental. Os músculos abdominais ficam fortalecidos e os faciais, tonificados. Estudos sugerem que cantores têm sistema de defesa melhor. “Acredita-se que estados mentais positivos e de relaxamento induzidos pelo canto sejam responsáveis por um aumento na secreção da imunoglobulina A, responsável pela defesa contra infecções bacterianas ou virais das vias aéreas superiores”, explica a neurologista Paula Viana Wackermann. Mesmo quem não quer ou não está em condições de soltar o gogó pode se beneficiar da cantoria alheia. “Estudos apontam que escutar músicas prazerosas está relacionado à liberação de serotonina, que é o neuropeptídio da alegria, do prazer”, afirma a neurologista Paula Wackermann. O ato de fazer o bem ao próximo por meio do canto é praticado pelos hindus há séculos. As sessões de “kirtan”, que são vocalizações de mantras em grupo, com instrumentos, são vistas como um ato de doação. Meditação A professora de canto indiano Ratnabali Adhikari, natural de Calcutá, Índia, explica que entoar mantras é um tipo de meditação. Os mantras têm uma sequência sonora e uma representação significativa. Quando cantados repetidamente, é como se

mandássemos sinais positivos para os neurônios que, por sua vez, levam essa mensagem para o corpo todo. “O mantra ajuda a focar a mente e deixá-la em equilíbrio com o corpo.” “Ao cantar em grupo, as pessoas fazem bem a si mesmas e, espalhando essa harmonia pelo universo, beneficiam todos os outros seres”, diz Ratnabali, que vive há 30 anos no Brasil. A professora afirma que é preciso inspirar profundamente e, na expiração, entoar o mantra. A coluna deve estar ereta para a energia vital, chamada de prana, fluir. Entender o que se está cantando e pronunciar direito as palavras para não trocar seus significados é legal, ajuda a potencializar os benefícios dos mantras, segundo a professora indiana. Mas não é preciso falar sânscrito nem entender a letra para tirar proveito de uma boa cantoria. Cantoria para acordar o cérebro Estudos mostram que aprender música antes dos sete anos provoca alterações cerebrais como aumento de sinapses e do tamanho do corpo caloso (região que faz a conexão entres os hemisférios). Isso melhora a capacidade de adaptação a novas condições e ajuda a reorganização cerebral, na eventualidade de alguma lesão. A música estimula diferentes áreas cerebrais, levando a um melhor raciocínio espacial e matemático, além de maior habilidade verbal e coordenação motora. A neurologista Paula Viana Wackermann frisa que é preciso estimular o cérebro sempre, mas, na infância, ele está mais maleável. Quanto mais cedo começa esse investimento, maior será o saldo positivo e maior a capacidade de assimilar novidades. O selo de música infantil Palavra Cantada, criado em 1994 por Sandra Peres e Paulo Tatit, é um sucesso entre crianças, pais e educadores. Para Tatit, a música exerce um fascínio irracional na criança e deve ser levada como uma brincadeira. “Muitas vezes as letras não fazem sentido, ou são cantadas errado. Mas não faz mal, o beneficio está no ato em si.” Seus CDs e DVDs já venderam mais de 1 milhão de cópias. “São brincadeiras que estimulam o lado intuitivo das crianças. Quando mais velhas, se quiserem, elas podem aprender a música de maneira mais formal.” Exercícios para aquecer a voz A professora de canto Fernanda Gianesella, 54, que dá aula para músicos e não músicos, indica alguns exercícios de limpeza e aquecimento pré-cantoria. Fazer o som de “brrrrr”, como se estivesse com frio, é um deles. Essa vibração labial ajuda a renovar a mucosa das pregas vocais. Já o “trrrrrrrr”, que imita um toque de telefone, é uma vibração lingual. “Qualquer pessoa pode fazer, principalmente quem fala muito e usa muito a voz, como cantores e professores.” Outra preparação é passar a língua entre os dentes e o lábio, fazendo um movimento circular, tanto para um lado quanto para o outro “Relaxa a língua e fluidifica a saliva, gerando um bem-estar vocal”, diz a professora. Cantar é 90% respiração. Para acordá-la, a dica é soprar imitando um inseticida, com jatos rápidos e curtos. “Segurar a barriga para ficar com o estômago chapado, muito comum entre mulheres, não é bom. É preciso movimentar o diafragma”, diz a professora. Em karaokês, a pessoa vai do som mais grave ao mais agudo, saindo de sua zona de conforto. Para alongar a voz, ela recomenda cantar uma música qualquer de boca fechada, com os dentes afastados e a língua solta na boca. Cantar e fazer técnicas vocais, que é uma espécie de musculação do aparelho fonador e respiratório, preserva a juventude da voz, que fica mais tônica e poderosa. Ajudam a garantir boa voz ao longo da vida: não fumar e beber muita água. Pigarrear é ruim, atrita as pregas vocais. “É importante pesquisar a origem do pigarro, pode ser refluxo, poluição e até alergia a perfumes e cosméticos”, diz ela.

FOTO: DANIEL MARENCO/FOLHAPRESS

A empresária Jane Tapxure, 62 anos, é personagem da matéria de capa do Equilíbrio, sobre os benefícios do canto. Ela sempre vai ao karaokê às quartas, adora cantar e até arrumou um namorado nas cantorias


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Informática

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&

Tecnologia

Queda de braço

Crescem reclamações sobre produtos eletrônicos; para empresas, é apenas reflexo do aumento das vendas por VERÔNICA COUTO/FOLHAPRESS

O consumidor brasileiro de produtos eletrônicos está reclamando mais, não deixando barato quando os fornecedores demoram para entregar produtos ou entregam equipamentos com defeitos. As queixas envolvendo problemas com eletroeletrônicos cresceram 18,6% em 2010, com 153,6 mil demandas registradas no Sindec (Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor), que consolida as reclamações que chegam às unidades do Procon em 23 Estados e no Distrito Federal. O balanço completo feito pelo Sindec será divulgado no final deste mês, mas a Folha obteve com exclusividade os dados relativos à área de tecnologia. Segundo o estudo, o aparelho celular lidera as reclamações, seguido por computadores e produtos de informática. As empresas com mais reclamações são Samsung e LG, seguidas pela Nokia. Além de buscarem as agências do Procon, os consumidores recorrem às redes sociais, gravam vídeos contando suas dificuldades, descrevem seus casos em sites especializados. Eles estão comprando mais, o que é uma das explicações dadas pelos fabricantes para o aumento das chamadas técnicas. O desempenho do setor de eletrônicos nas demandas colhidas pelo Sindec acendeu ‘uma luz de advertência para todo mundo’, afirma Juliana Pereira, diretora do DPDC (Departamento de Proteção de Defesa do Consumidor), órgão do Ministério da Justiça. ‘Da mesma forma que oferece a possibilidade de maior acesso aos bens eletrônicos, o mercado tem de garantir uma rede de pós-venda para o consumidor.’ No ano passado, o faturamento dos fabricantes de produtos de informática foi 13% maior do que em 2009; mas o dos fornecedores de celulares, principal alvo das críticas, caiu 2%, segundo dados da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).

FOTO: ZÉ CARLOS BARRETTA/FOLHAPRESS

José dos Anjos Pereira Neto, com problemas no seu iPhone 4 demorou quase 3 meses para conseguir a troca do aparelho enquanto pagava a franquia de dados do plano, nem a fabricante, nem a operadora nem a assistência técnica quiseram se responsabilizar pelo aparelho FOTO: ALAN MARQUES/FOLHAPRESS

Falta investimento

O diagnóstico inicial do DPDC é que a expansão da base de consumo não foi acompanhada por um investimento equivalente das empresas em atendimento, assistência técnica e suporte. ‘Há empresas que vendem no Brasil inteiro, mas só têm 11 assistências técnicas autorizadas’, diz a titular do DPDC. Segundo ela, em 80% dos casos registrados, os usuários procuraram a empresa, antes de irem ao Procon. ‘É bastante crítico quando o consumidor precisa enfrentar uma fila e procurar um órgão de defesa por conta de uma intermitência do televisor ou de um display que não funciona’, afirma.

Fornecedor não honra garantia, diz usuário

São vários os casos de demoras que ultrapassam 30 dias, prazo previsto no Código de Defesa do Consumidor para o fabricante resolver danos nos produtos em garantia. As falhas no cumprimento destas estão em primeiro lugar (38,4%) no ranking das demandas relativas a eletrônicos nas agências do Procon. O segundo problema mais citado (25,17%) se refere a produtos entregues com defeito. A prática mais comum é substituí-los. A Sony Ericsson levou 37 dias para trocar o smartphone Xperia X10 da analista de sistema Sabrina Yumi. Ela comprou o celular na loja virtual da Vivo por R$ 1.399. Após duas semanas, os recursos de touchscreen deixaram de funcionar, e o SAC (serviço de atendimento ao cliente) da Vivo indicou uma assistência técnica a três horas de distância da cidade de Sabrina, Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Em 19 de fevereiro, a consumidora levou o aparelho para a PLL Angélica, uma autorizada na capital, onde a informaram que o aparelho seria enviado à fabricante para troca. Durante a espera, Sabrina preencheu duas reclamações na loja virtual da Vivo, sem resposta. Tentou o link Fale Conosco do site, que não funcionou com seu navegador Firefox. Foi ao site Reclame Aqui. Em 28 de março, 37 dias depois, recebeu o smartphone novo. O jornalista Carlos Colonnese encarou o Samsung Service Center Angélica, em São Paulo, para tentar consertar um Blu-ray 3D, comprado na Fast Shop. Na loja, haviam informado que o problema ‘é comum’, e que ele deveria ‘atualizar o firmware’.

Paulo Rená viveu momentos kafkianos ao pedir assistencia técnica à HP; mandaram um cd de instalação do windows para uso em seu netbook que NÃO TEM leitor de CD


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GUSTAVO ANTÔNIO DE MORAES MONTAGNANA/ GABRIELA DE MORAES MONTAGNANA

Constitui crime, punido com pena de detenção de 06 (seis) meses a 02 (dois) anos, e multa, restituir á circulação, depois de conhecer a falsidade, moeda falsa ou alterada, ainda que recebida de boa-fé como verdadeira. Referido delito encontra-se tipificado no parágrafo segundo do artigo 289 do Código Penal. Ao prever como crime esta conduta, o legislador procurou proteger a fé pública, no que tange á emissão de moedas. É certo que é o Estado, mais precisamente a União, o titular do direito de emitir e fazer circular moeda. A competência para julgar este crime, em razão estar envolvido interesse da União, é da Justiça Federal. Qualquer pessoa pode praticar o crime de moeda falsa na modalidade aventada. É certo que também constitui este crime, na modalidade prevista no “caput” do aludido artigo, “falsificar, fabricando-a ou alterandoa, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro”. Sem dúvida o crime, aqui, é mais grave e por isso merecedor de um tratamento mais severo. Neste caso a pena cominada ao tipo penal é de 03 (três) a 12 (doze) anos de reclusão, e multa. O sujeito passivo do crime, ou seja, a vítima, será a coletividade, bem como, secundariamente, eventual lesado pela conduta do agente. Importante frisar que o tipo básico, consistente na conduta de falsificar moeda, somente se configura quando a falsificação for apta a iludir os destinatários da moeda. Se grosseira, de modo que facilmente se possa identificá-la por análise superficial, o crime

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Restituir à circulação moeda falsa é crime

não se configura, de modo que o objeto não se mostra capaz de iludir a fé pública. Por esta razão, torna-se indispensável a realização de perícia sob a moeda apreendida. Contudo, se mesmo sendo grosseira a falsificação, ela for capaz de iludir alguém, mais desavisado, a conduta poderá caracterizar o crime de estelionato e nesse caso a competência para o julgamento será da Justiça Estadual. Passemos a análise da conduta que atinge mais diretamente a maioria da população, que em regra, não conhece que a praticando está cometendo crime. Trata-se da conduta de colocar a moeda falsa em circulação. É o caso daquele que tendo recebido a moeda falsa de boa-fé, ou seja, acreditando ser ela verdadeira, posteriormente verifica que foi enganado e a restitui á circulação, depois de conhecer a falsidade. Infelizmente, pode-se afirmar, que grande parte da população brasileira, já se deparou com uma moeda falsa, ressaltando-se que o termo moeda é empregado aqui de forma genérica, abrangendo tanto o papel-moeda como a moeda metálica. Muitas vezes, sentindo-se injustiçado por ter sido ludibriado e por isso, prejudicado financeiramente, o sujeito, verificando posteriormente que a moeda era falsa, não enxerga outra forma de colocar fim a essa injustiça que não reinserindo a moeda em circulação. Tal conduta, contudo, é vedada pelo ordenamento jurídico, que, conforme ressaltado, a

tipifica como crime. Mister salientar, contudo, que é imprescindível para a caracterização do delito que o agente tenha recebido a moeda de boa-fé, pois, se no momento do recebimento, identifica como falsa a moeda, responderá por crime mais grave, previsto no parágrafo primeiro do art. 289 do Código Penal. Referido dispositivo pune esta pratica com a mesma pena do “caput”, qual seja, reclusão de 03 (três) a 12 (doze) anos, e multa. Já o sujeito que age de boa-fé no momento do recebimento da moeda, para responder por aquele crime, deve, quando da colocação do dinheiro em circulação agir com dolo, o que significa que deve agir com a consciência e vontade de entregar a outrem, como forma de pagamento, moeda falsa e por isso, desprovida de qualquer valor econômico. Desta forma, não percebendo o sujeito a falsificação, ao repassar a moeda não comete crime. O conhecimento da falsidade posterior a transferência pelo agente não integra o delito. Não comete crime, portanto, aquele que se recusa a receber de volta a moeda que entregou de boa-fé ou de indenizar aquele que recebeu. Vê-se que para a configuração do delito é muito importante que se identifique o elemento subjetivo do tipo, entendido como a intenção com que agiu o sujeito no momento em que repassou a moeda falsa. Ante o que fora exposto, percebe-se que deve existir muito cuidado no momento do recebimento de moeda. Sabe-se que quadri-

lhas especializadas em falsificar moedas são atuantes e por isso, há muitas moedas falsas em circulação. O Poder Público, por meio do Banco Central, é autor de inúmeras campanhas destinadas informar a população sobre os métodos existentes para se lograr a identificação de uma moeda falsa. O ideal é se prevenir, evitar ser prejudicado com o recebimento de moeda falsa. Contudo, não obtendo êxito na prevenção, a melhor atitude a tomar é a de entregar o papel moeda ou moeda metálica à qualquer banco, que providenciará a remessa do objeto ao Banco Central, órgão encarregado de realizar o exame pericial para constar a sua validade. Em sendo constatada a falsificação o sujeito não será ressarcido, sendo obrigado a arcar com o prejuízo. Poderá, por outro lado, comunicar à Policia o fato, em sabendo identificar o responsável pelo repasse. Caso não opte por essa conduta, recolocando em circulação a moeda que sabe ser falsa, responderá pelo delito em apreço, podendo ser condenado à pena de prisão. Com relação as moedas metálicas, o maior índice de falsificação recai sobre as R$ 0,50 (cinqüenta centavos). De acordo com o Banco Central, a melhor forma para checar a veracidade é prestar atenção nos detalhes das moedas. A de R$ 0,50, além do alto relevo nas faces, tem escrito em baixo-relevo ao redor de toda lateral a frase “Ordem e Progresso” da bandeira nacional.


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Teen

Eu odeio meus pais Histórias de quando a vida familiar vira um inferno

por DIOGO BERCITO/FOLHAPRESS FOTO: IMAGE SOURCE/FOTOGRAFIE KLAUS TI/FOLHAPRESS

Aos 16 anos, Isabel* decidiu se afastar da própria mãe. A relação entre ambas, que já vinha sendo áspera, havia chegado a um extremo. O irmão mais novo da garota flagrou a mãe transando com um amigo de escola. A briga causada pelo encontro envolveu toda a casa e foi apartada pela polícia. Foi mais um episódio na convivência familiar conflituosa. “Eu sempre me frustrei, ela não tinha postura de mãe”, afirma Isabel, 21, que passou meses afastada. “Tive de me acostumar a não ter a melhor mãe do mundo. Ou a nem ao menos ter uma boa mãe”, conta. A história da garota é a variação sobre um tema comum a outros jovens ouvidos pela reportagem: a má relação com os pais que vai além das brigas para sair à noite ou ter aumento na mesada. “Antes eu não tivesse conhecido meu pai. Assim eu ainda poderia sentir amor por ele”, diz Ferdinando*, 16. “Hoje eu sinto apenas raiva.” O rapaz conheceu o pai aos oito anos. “Ele só dá atenção aos meus irmãos. A mim, nada”, afirma. “Liguei no aniversário dele. Estou esperando há dois meses ele retornar a minha ligação.” Alguns relatos envolvem violência ou negligência, mas há disputas que vêm de má convivência e, às vezes, de intolerância mútua. Além da relação ruim com a mãe, Augusto*, 20, também não se dá com o padrasto. E não cede: “Já desisti. Tentei, tentei, mas não consigo conviver com eles.” A disputa, no caso de Fábia*, 20, chegou à Justiça. A garota pediu a um juiz que obrigasse o pai a pagar a faculdade. Foi atendida. Aos 11, ela já havia prestado queixa contra ele, no processo de separação dos pais. “Ele era violento. Nunca fiz nada, sempre quis saber por que ele me tratava mal. Hoje, se o encontro na rua, não o cumprimento.” Crescer brigado também gera dúvidas. Lúcio*, 17, que não fala com o pai há três anos, diz sentir falta dele. “Penso em retomar o contato, mas tenho medo de dar com a cara na porta”, diz. Tadeu*, 18, que voltou a falar com o pai após anos de brigas diárias, sugere paciência. “Demora para mudar esse hábito. Mas vimos FOTO: IMAGE SOURCE/CHARLES GULLUNG/FOLHAPRESS

que não brigávamos porque gostávamos de discutir, e sim porque éramos diferentes.”

Delegacia

Um caso de briga entre mãe e filho é o da ex-modelo Cristina Mortágua e Alexandre, 16, nascido da relação com o ex-jogador Edmundo. Em fevereiro, o garoto foi à polícia reclamar de maus-tratos. Cristina apareceu por lá, avançou nele diante das câmeras e, mais tarde, reclamou para a imprensa que o filho é gay e drogado. Hoje, Alexandre mora com a avó. “Estava no auge do desgaste psicológico”, disse Cristina. “Não dormia com medo de ele fugir de casa.” Ela credita parte das brigas a uma vontade “muito triste”

de Alexandre querer ser famoso. Mas assume, também, parte da responsabilidade. “A ausência da mãe em casa, para trabalhar, faz querer compensar com bens materiais, e a distância vai ficando maior. Não há tempo para vigiar. Cometi esses erros.” Cicatrizes David Small Editora Leya 336 págs., R$ 39,90

HQ autobiográfica narra conflito familiar

Um psicólogo olha para um garotinho e diz, franzindo a sobrancelha: “Sua mãe não ama você”. O menino desaba de joelhos, chorando. A cena está no gibi “Cicatrizes”, publicado recentemente no Brasil pela Leya. E narra

uma cena verdadeira. “Esse psicólogo salvou minha vida”, afirmou ao Folhateen o quadrinista norte-americano David Small, 66, que narra a própria vida no livro. “Ele disse em voz alta aquilo que eu estava proibido de dizer.” David sofreu violência física e psicológica em casa. Enfrentou um câncer na garganta por erro médico do pai, um radiologista, devido ao qual ele perdeu a voz durante a adolescência. Escrever e desenhar “Cicatrizes” foi, já na vida adulta, uma maneira de se resolver com o passado e de aceitar que, às vezes, não há amor entre pais e filhos. “Eu tive de confrontar minhas memórias para descobrir por que, mesmo estando na meia idade, eu às vezes ajo como um menino problemático. Não queria ser um adulto como meu pai.”


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PROCLAMAS DE CASAMENTO - CARTÓRIO DE REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS DE BRAGANÇA PAULISTA - Rua Cel. Leme, 448 - Tel: 11 4033-2119

REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL ESTADO DE SÃO PAULO Cidade de Bragança Paulista

Bel. Sidemar Juliano - Oficial do Serviço de Registro Civil das Pessoas Naturais desta cidade e Comarca de Bragança Paulista, faz saber que do dia 11 a 17 maio de 2011 foram autuados em cartório os seguintes Proclamas de Casamento:

Protocolo: 708/2011 - NICOLA CEVITANOVA NETO e VALDINELIA DA SILVA CANUTO. Ele jardineiro, solteiro, natural de Bragança Paulista-SP, nascido no dia 11/06/1977, res. e dom. no Sítio São Sebastião, Bairro Biriçá do Campinho - Bragança Paulista, filho de PAULINO CEVITANOVA e de APARECIDA GONÇALVES DE ARAUJO CEVITANOVA. Ela empregada doméstica, solteira, natural de Arapiraca-AL, nascida no dia 10/12/1979, res. e dom. no Sítio São Sebastião, Bairro Biriçá do Campinho - Bragança Paulista, filha de JOÃO DE FREITAS CANUTO e de TEREZINHA DA SILVA CANUTO Protocolo: 711/2011 - BRUNO RIBEIRO DE OLIVEIRA e THAIANE CAMPOS FURLAN. Ele médico, solteiro, natural de Araguaína-TO, nascido no dia 15/04/1982, res. e dom. à Rua Martinica, 29, Residencial das Ilhas – Bragança Paulista, filho de NILSON GUEDES DE OLIVEIRA e de MARIA DO SOCORRO RIBEIRO DE OLIVEIRA. Ela advogada, solteira, natural de Laranjal Paulista-SP, nascida no dia 27/05/1982, res. e dom. à Rua Wenceslau Braz, 40, Santa Terezinha – Bragança Paulista, filha de JOSÉ ADEMIR FURLAN e de NEUSA MARIA DE CAMPOS FURLAN Protocolo: 712/2011 - MARIO LUIZ ANTUNES DE MORAES e MARCIA PEREIRA DOS SANTOS. Ele metalúrgico, divorciado, natural de Itapetininga-SP, nascido no dia 28/05/1960, res. e dom. à Rua Luiz Lopes Cardoso, 46, Lavapés – Bragança Paulista, filho de LAUSINHO ANTUNES DE MORAES e de MARIA DE LOURDES LOPES DE MORAES. Ela auxiliar de serviços gerais, divorciada, natural de Santo Anastácio-SP, nascida no dia 17/01/1971, res. e dom. à Rua José Del Roio, 645, bloco 6, apartamento 43B, Uberaba - Bragança Paulista, filha de JOÃO PEREIRA DOS SANTOS e de ALICE ALCANTARA DOS SANTOS Protocolo: 720/2011 - JONATHAN MACIEL ALVES e DANIELA APARECIDA DUARTE. Ele ajudante geral, solteiro, natural de Bragança Paulista-SP, nascido no dia 04/05/1991, res. e dom. à Rua França, 563, Vila Garcia - Bragança Paulista, filho de ANTONIO NOGUEIRA ALVES e de MAIA NEUSA MACIEL. Ela do lar, solteira, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 23/03/1982, res. e dom. à Rua França, 563, Vila Garcia - Bragança Paulista, filha de JOSÉ ANTONIO DUARTE e de MARIA APARECIDA CHAVES DUARTE (*) Protocolo: 721/2011 - EDIVAN NASCIMENTO ALVES DE LIMA e ARIANE CORREIA DE SOUZA. Ele pedreiro, solteiro, natural de Colinas-MA, nascido no dia 17/01/1984, res. e dom. à Rua Voluntário Antonio dos Santos, 442, Vila Bianchi - Bragança Paulista, filho de JOSÉ RODRIGUES ALVES DE LIMA e de MARIA SEVERINA DO NASCIMENTO. Ela auxiliar administrativo, solteira, natural de São Paulo-SP, nascida no dia 06/01/1993, res. e dom. à Rua Voluntário Antonio dos Santos, 442, Vila Bianchi - Bragança Paulista, filha de OSIAS LEANDRO DE SOUZA e de MARA DALVANIZE CORREIA Protocolo: 722/2011 - JOSÉ FELIPE DE LIMA VIEIRA e DANIELA BATISTA MOREIRA. Ele inspetor de qualidade, solteiro, natural de Bragança Paulista-SP, nascido no dia 02/08/1989, res. e dom. à Rua Espírito Santo, 91, Parque dos Estados – Bragança Paulista, filho de DANIEL JOSÉ BUENO VIEIRA e de MARIA CLAUDETE MOREIRA LIMA. Ela enfermeira, solteira, natural de São Paulo-SP, nascida no dia 14/06/1980, res. e dom. à Rua das Violetas, 77, Jardim das Palmeiras – Bragança Paulista, filha de JOÃO ALVES MOREIRA e de AGNADI BATISTA DE OLIVEIRA Protocolo: 723/2011 - VALTENCIR APARECIDO GONÇALVES e ISABEL DE MORAES. Ele pedreiro, solteiro, natural de Bragança Paulista-SP, nascido no dia 16/11/1979, res. e dom. no Sítio São José, Bairro Boa Vista dos Silva – Bragança Paulista, filho de JOSÉ APPARECIDO GONÇALVES e de JUVENTINA TEIXEIRA GONÇALVES. Ela faxineira, solteira, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 01/09/1984, res. e dom. no Sítio São José, Bairro Boa Vista dos Silva – Bragança Paulista, filha de ADELINO APARECIDO DE MORAES e de LAZARA APARECIDA DE OLIVEIRA MORAES Protocolo: 724/2011 - ROGÉRIO APARECIDO DA SILVA LEITE e CRISTIANE FADIL. Ele instalador de vidro, divorciado, natural de Bragança Paulista-SP, nascido no dia 18/02/1979, res. e dom. à Rua Augusto Ferreira da Silva, 144, Hípica Jaguari - Bragança Paulista, filho de ABEL SILVA LEITE e de MARIA BENEDITA DA SILVA LEITE. Ela técnica de enfermagem, solteira, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 15/08/1975, res. e dom. à Rua Dorival Machado de Oliveira, 65, Jardim Iguatemi - Bragança Paulista, filha de ELIAS FADIL e de ELIZABETH DIB DE ARAUJO FADIL Protocolo: 725/2011 - JOSÉ FRANCISCO ALVES e GISELE APARECIDA DA SILVA. Ele auxiliar de transpaleteira, solteiro, natural de Graça Aranha-MA, nascido no dia 21/08/1978, res. e dom. à Rua Belmiro Ramos Franco, nº 391, Vila Batista - Bragança Paulista, filho de FRANCISCA ANTONIA ALVES. Ela do lar, divorciada, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 05/05/1982, res. e dom. à Rua Belmiro Ramos Franco, nº 391, Vila Batista - Bragança Paulista, filha de ANTONIO DONIZETTI FERREIRA DA SILVA e de MARIA IVONE RUSSI DA SILVA Protocolo: 739/2011 - FERNANDO NAKAMURA TORICELLI e MARIA GILMARA DA SILVA AUGUSTO. Ele metalúrgico, solteiro, natural de Bragança Paulista-SP, nascido no dia 12/02/1989, res. e dom. à Rua Mário Russo, nº 220, Vila Edna – Bragança Paulista, filho de JOSÉ APARECIDO TORICELLI e de LOURDES KAZUKO NAKAMURA TORICELLI. Ela corretora de imóveis, solteira, natural de São Paulo-SP, nascida no dia 21/12/1990, res. e dom. à Rua Coronel Afonso Ferreira, nº 22, Vila Municipal - Bragança Paulista, filha de MANOEL AUGUSTO FILHO e de MARIA DE FATIMA DA SILVA AUGUSTO

Protocolo: 740/2011 - FELIPE MESSIAS DE PAIVA LIMA e ANA CLAUDIA DE MORAES. Ele balconista de farmácia, solteiro, natural de Loanda-PR, nascido no dia 07/05/1986, res. e dom. à Rua Antilhas, 71, Residencial das Ilhas – Bragança Paulista, filho de JOSÉ MESSIAS DE LIMA e de MÉRY DE PAIVA LIMA. Ela professora de educação infantil, solteira, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 24/06/1982, res. e dom. à Rua Coronel Teófilo Leme, 582, Centro - Bragança Paulista, filha de CLAUDIONOR PEREIRA DE MORAES e de SUELI NUNES IDAVINO DE MORAES Protocolo: 741/2011 - PAULO RAIMUNDO DA SILVA e VALQUÍRIA PEREIRA DE ANDRADE. Ele caminhoneiro, divorciado, natural de Munhoz-MG, nascido no dia 03/05/1976, res. e dom. à Rua Cásper Líbero, 781, Vila Aparecida - Bragança Paulista, filho de APARECIDO RAIMUNDO DA SILVA e de BENEDITA APARECIDA GONÇALVES DA SILVA. Ela empregada doméstica, solteira, natural de Bueno Brandão-MG, nascida no dia 21/09/1983, res. e dom. à Avenida Engenheiro Vitor Justino Markowicz, 521, Jardim Santa Helena - Bragança Paulista, filha de OSMAR PEREIRA DE ANDRADE e de CLAUDETE BENEDITA DE SOUZA ANDRADE Protocolo: 742/2011 - ROGÉRIO DANIEL DE SOUZA e SONIA MARIA DE GOES ROSA DIAS. Ele funcionário público municipal, divorciado, natural de Bragança PaulistaSP, nascido no dia 09/02/1974, res. e dom. à Rua Santa Rosa, 73, Jardim Comendador Cardoso – Bragança Paulista, filho de ROQUE MARIANO DE SOUZA e de DORALICE DE SOUZA. Ela funcionária pública municipal, viúva, natural de Camanducaia-MG, nascida no dia 11/10/1964, res. e dom. à Rua Santa Rosa, 73, Jardim Comendador Cardoso – Bragança Paulista, filha de ARNALDINO JOSÉ DA ROSA e de NEUSA DE GOES ROSA Protocolo: 746/2011 - LEANDRO TURELLA SIQUEIRA DA COSTA e ADRIELI DE FÁTIMA TOLEDO. Ele comerciante, solteiro, natural de Bragança Paulista-SP, nascido no dia 03/01/1985, res. e dom. à Rua Le Mans, 82, Residencial Euroville - Bragança Paulista, filho de OSMAR SIQUEIRA DA COSTA e de VERÔNICA MARGARETE TURELLA DA COSTA. Ela analista de logística, solteira, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 13/05/1987, res. e dom. à Rua Emília, 284, Vila Motta - Bragança Paulista, filha de ADILSON EDMUR DE TOLEDO e de SANDRA MARA DE MIRANDA TOLEDO Protocolo: 747/2011 - ANTONIO CARLOS SARACCHINI e ANDRÉIA TORRES MARTINS. Ele funcionário publico estadual, divorciado, natural de Bragança Paulista-SP, nascido no dia 23/07/1963, res. e dom. à Rua Expedicionário José Franco de Macedo, 574, Distrito Industrial II - Bragança Paulista, filho de ORLANDO SARACCHINI e de NILZA MARIA CLOSEL SARACCHINI. Ela do lar, solteira, natural de Bragança Paulista-SP, nascida no dia 23/09/1977, res. e dom. à Rua Expedicionário José Franco de Macedo, 574, Distrito Industrial II - Bragança Paulista, filha de PAULO MARTINS e de SUELY TORRES MARTINS. Obs.:- Refere-se a Conversão de União Estável em Casamento. Bragança Paulista, 17 de maio de 2011 Sidemar Juliano – Oficial SERVIÇOS, CONSULTAS E INFORMAÇÕES: visite nossa página na Internet: www.cartoriobraganca.com.br


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Casa & Reforma

Preços de novos em bairros mais centrais restringem uso do FGTS Lançamentos de até R$ 500 mil rareiam em regiões como Pinheiros, Moema e Vila Mariana

por CRISTIANE CAPUCHINHO/FOLHAPRESS

Se você quer comprar um imóvel novo em Pinheiros (zona oeste), pode esquecer seu FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Nesse distrito não há ofertas abaixo dos R$ 500 mil -teto para uso do fundo-, nem mesmo apartamentos de apenas um dormitório. Em 2009, era possível comprar um doisquartos novo na região com R$ 374 mil. Em outros dez distritos paulistanos (veja no mapa desta página), a maioria das unidades lançadas em 2010 e 2011, segundo a empresa de pesquisas imobiliárias Geoimovel, está acima de R$ 500 mil, limite para obter financiamento pelo SFH (Sistema Financeiro da Habitação). Assim, mesmo quem vai comprar seu primeiro imóvel -condição para sacar o FGTSnão poderá acessar linhas de crédito com juros mais baixos (9% anuais), só aquelas a partir de 11,5%. “Dentro de algum tempo, para morar em bairros mais centrais [de São Paulo], não será possível o uso do fundo de garantia”, avalia Roberto Coelho da Fonseca, diretor de novos negócios da imobiliária Coelho da Fonseca. A valorização central da cidade se expandiu em significado. A distritos já conhecidos pelos altos preços, uniram-se outros que há dois anos pouco eram requisitados, como Lapa (zona oeste), Liberdade (centro) e Vila Prudente (zona leste). Além disso, o limite de R$ 500 mil, que se adequava a imóveis de três quartos, hoje se encaixa a duras penas em unidades de dois. Em 2009, só dois-quartos lançados no Itaim Bibi (zona oeste) custavam acima desse valor; em 2010 e 2011, isso ocorreu em mais sete distritos. Para quem não pode prescindir do uso do fundo de garantia, pode ser necessário recorrer aos imóveis usados.

de imóvel novo abaixo do teto dos R$ 500 mil. É preciso que o banco financiador, na entrega, avalie-o até esse valor, para que ele se encaixe nas regras do uso do FGTS. Ou seja, um apartamento de R$ 400 mil na planta corre o risco de não ter parte de seu custo pago pelo fundo de garantia dos compradores. “Isso é sinal de que houve valorização do imóvel. Só é um problema para quem não pode prescindir do fundo”, frisa Roberto Coelho da Fonseca, diretor de novos negócios da Coelho da Fonseca. Imobiliária facilita Para resolver a questão, pedir uma reavautilização do fundo liação para sacar o FGTS será a primeira O imóvel comprado na planta tem dois alternativa se o cálculo ficar até 7% acima valores: aquele da venda assinada com a construtora e o preço de mercado da uni- do limite. dade no momento da entrega das chaves. A “A avaliação é um processo estatístico com valorização média entre esses dois estágios valores de mercado, mas pode ter distorções”, asseveraCelsoAmaral,diretordaGeoimoveleda do residencial chega a 30%. Dessa forma, não basta assinar um contrato Amaral D’Avila Engenharia de Avaliações.

FOTO: PIERRE DUARTE/FOLHAPRESS

Bairro de Pinheiros, zona oeste da cidade. Região teve lançamentos imobiliários com metro quadrado mais caro no mercado e imóvies que nao podem ser comprados com dinheiro do FGTS. Vista parcial do bairro

Jeitinho

Outra solução é trocar de imóvel. Se a construtora tem unidades à venda com o preço adequado, o consumidor pode negociar um intercâmbio antes do financiamento. “O comprador pode adquirir um imóvel mais barato que fique pronto antes daquele em que esteja interessado, usar seu fundo de garantia nessa compra e revendê-lo para comprar o outro”, afirma Leôncio Martins, diretor comercial da Abyara. A Caixa Econômica Federal, administradora do fundo, diz, por meio de sua assessoria, não haverimpedimentosparaessetrâmite:épossível usar o saldo da conta individual do FGTS do trabalhador para a aquisição de um imóvel que venha a ser comercializado futuramente. Não existe tempo de titularidade para essa venda, a não ser em linhas especiais de crédito, como o programa Minha Casa, Minha Vida.


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