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Bragança Paulista

Sexta

27 Agosto 2010

Nº 550 - ano IX jornal@jornaldomeio.com.br

jornal do meio

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Para Pensar EXPEDIENTE

Grave responsabilidade MONS. GIOVANNI BARRESE

Iniciado o horário de propaganda para apresentação dos candidatos às eleições de outubro nos deparamos, outra vez, com a banalização do grave direito-dever de votar. Os leitores mais jovens não se recordarão do voto dado a um rinoceronte. Ele nasceu no Zoológico de São Paulo. Ao nascer lhe deram, carinhosamente, o nome de Cacareco. Tornou-se a maior atração do Zoo. Na primeira eleição que aconteceu após seu nascimento (à época se escrevia o nome do candidato na cédula) recebeu estrondosa votação. E o voto-cacareco passou a ser emblema da repulsa generalizada em votar, em anular voto. OU banalizar o voto diante da descrença numa política séria. Em todas as eleições ressurge essa tendência. Vejo, agora, logo de saída, o voto-titirica. “Vote Tiririca. Pior não fica!” Tiririca é um humorista de TV. Nada contra a pessoa. Mas ele mesmo afirma que seu slogan nada mais é que

reflexo da realidade. Sabemos do descrédito que vivemos em relação à política de partidos, é verdade. Mas não sabemos o que Tiririca pode acrescentar para que as coisas melhorem. Ficar na mesma não parece boa opção. Surpreendo-me, nesta semana, com um pronunciamento do senador Eduardo Suplicy, via youtube: “Quero recomendar a Mulher Pêra... É muito importante que possamos ter essa mulher como candidata e eleita para o Congresso... Toda força a Mulher Pêra!” Ao que sei essa senhora está na somatória das outras mulheres-fruta: morango, melancia, etc. Será que os atributos físicos são suficientes para qualificar para cargos que devem cuidar do bem comum? Penso que a jogada obscura no apoio a candidatos do mundo do show business é uma armadilha dos donos de partido para amealhar votos de fãs ou de cacarecos da vida para alargar as redes do seu grupo de poder e perpetuar o clientelismo que

fortalece os currais eleitorais. Diante deste quadro não podemos cair na tentação de achar que a democracia é um sistema ruim porque permite barbaridades. A democracia, porém, é o caminho sofrido que devemos trilhar para que a consciência crítica dos cidadãos possa desabrochar e cresça a responsabilidade solidária. É um penoso caminho educacional. O aparecimento dos bons frutos é lento. É o único, todavia, que preserva a grande e indispensável riqueza da liberdade. Neste quadro lembro as palavras de fogo de Jesus nos evangelhos de Lucas e de Mateus. Em Lucas (13,22-30) Jesus manifesta o não acolher àqueles que fizeram da sua crença e do seu comportamento atitudes de fachada: ”Afastai-vos de mim, vós todos que cometeis injustiça!” Mateus (25, 31-46) explicita o que é praticar a justiça: “Tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e me recolhestes. Estive nu e me

vestistes, doente e me visitastes, preso e vistes ver-me”. Não se trata, evidentemente, da esmola oferecida em situações de penúria. Está cabe, sim, no momento emergencial da necessidade. Aqui se trata de toda uma postura de vida endereçada a erradicar os esquemas que geram miséria e impedem a vida digna. Todos temos ciência que a necessidade dos marginalizados pode ser fonte preciosissima de votos. Voto vendido e cabrestado por favores pessoais, mínimos que sejam, fazem parte vergonhosa do dia a dia. O que deve mover quem tem fé, no nosso caso a fé em Jesus Cristo, é o empenho na transformação das estruturas sócio-político-econômicas que não respondem às necessidades do povo. É natural que pessoas e partidos tenham a própria visão da realidade e de suas prioridades. É necessário que isso se apresente à sociedade para que ela decida que rumos tomar. O que não é moral é que projetos

Jornal do Meio Rua Santa Clara, 730 Centro - Bragança Pta. Tel/Fax: (11) 4032-3919 E-mail: jornal@jornaldomeio.com.br Diretor Responsável: Carlos Henrique Picarelli Jornalista Responsável: Alexandra Calbilho (mtb: 36 444)

As opiniões emitidas em colunas e artigos são de responsabilidade dos autores e não, necessariamente, da direção deste orgão. As colunas: Casa & Reforma, Teen, Informática, Antenado e Comportamento são em parceria com a FOLHA PRESS Esta publicação é encartada no Bragança Jornal Diário às Sextas-Feiras e não pode ser vendida separadamente. Impresso nas gráficas do Jornal do Meio Ltda.

de grupos de poder ou pessoais, com subterfúgios e corrupção, busquem a sua hegemonia e o engordar dos seus cofres! Creio que posso afirmar que votar por brincadeira é como que contribuir para a morte da esperança de vida digna para todos. Fazer política partidária para apaniguados e para vantagens pessoais ou de grupo é condenar à morte milhares de pessoas. Um genocídio silencioso, diluído em atitudes inócuas, placebo para quem precisava do remédio para viver. Talvez nos falte, ainda, a consciência do alcance das nossas atitudes. Para o Bem. Ou para o Mal.


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Cultura pop oriental Evento de Anime em Bragança divulga cultura japonesa para jovens e adultos

colaboração JANAÍNA AVOLETA

Jovens da minha idade ou de até menos se lembram saudosos da antiga rede Manchete. Foi lá que o Brasil começou a se interessar por uma infinidade de manias nipônicas que simplesmente dominaram nossa mente: Cavaleiros do Zodíaco (para os mais jovens), YuYu Hakusho, Shurato, Zilion, Jiraiya, Jiban, Cybercops, Jaspion, Changman e Flashaman (bem da minha época) e o vovô de todos os super- heróis japongas (pelo menos no Brasil), National Kid. De lá para cá, o Brasil tornou-se um dos grandes importadores de cultura pop japonesa e atualmente vivemos o auge dessa febre com a invasão dos anime. Para os japoneses, anime é tudo o que seja desenho animado, seja ele estrangeiro ou nacional. Para os ocidentais, anime é todo o desenho animado que venha do Japão. A origem da palavra é controversa, podendo vir da palavra inglesa animation (“animação”) ou da palavra francesa animée (“animado”). Animes e mangás (historia em quadrinhos feitas no Japão e que se lê de trás para frente), fazem parte da cultura pop japonesa, e mostram como o Japão passou de consumidor à exportador de influência cultural, num fascinante passeio pelo bilionário mundo do entretenimento japonês, preservando suas raízes e tornando-se exemplo imitado por uma geração jovem, urbana, globalizada e multimídia em todo o mundo. Ao contrario do que muitos críticos apregoam os personagens de animes e mangás não são ocidentalizados pelo fato de possuírem características físicas que destoam dos japoneses, como os olhos geralmente muito grandes, muito bem definidos, redondos ou rasgados, cheios de brilho e muitas vezes com cores chamativas. A idéia é que, desta forma, possam conferir mais emoção aos seus personagens. E isso eles tem conseguido! O casal Mauro de Freitas Silva, 24 e Gabriela Pimentel Silva, 24, e o amigo Davi da Rocha Mendes (conhecido como Phius, graças a um apelido que colocou em um personagem de game), fazem parte de uma geração de aficionados pelo tema. Segundo eles, desde criança já passavam horas entretido com os heróis e seus ataques e golpes especiais. Mesmo depois de crescidinhos o gosto continuou e se intensificou quando começaram a se aprofundar no universo dos animes, mangas e da cultura oriental no geral. “Muitas pessoas ainda acreditam que animes e mangás são feitos para crianças, ai está o FOTO: DIVULGAÇÃO

Danças que retratam o universo da cultura pop oriental, também estarão presentes no evento deste ano

engano. No Japão existem animes, por exemplo, para diverso públicos, desde crianças a donas de casa”, explica à jovem. É bem verdade, já que no Brasil animes são transmitidos em rede nacional em horários destinados ao público infantil. E ai, segundo o casal nasce o preconceito contra esse gênero cultural. “Muitos pais acham um absurdo os filhos assistirem ‘desenhos’ que passam tantas lutas, violência, é que na verdade esses animes não foram feitos para crianças e sim para jovens ou adultos”, explica Mauro, que completa “Em função disso, os animes transmitidos no Brasil possuem muitos cortes, o que faz com que os fãs das séries prefiram os originais, puxados pela internet.” A diversidade de conteúdo de animes e mangás surpreende. De eróticos a históricos, no Japão existem animes para todos os gostos. Não seria exagero dizer que lá, as novelas são substituídas por animes e os livros por mangás. Para Mauro isso não empobrece a cultura, ao contrário. Um exemplo é o anime e também mangá Ruroni Kenshim (conhecido no Brasil como Samurai X). “Ele conta a passagem da era feudal japonesa para a monarquia, e é o meu preferido”. O anime chegou ao Brasil no final de 1999, trazido pela Columbia Pictures e foi exibido pela Rede Globo até meados de 2000, com várias cenas cortadas, episódios pulados e sem o final. Em setembro de 2001 a emissora por assinatura Cartoon Network passou a exibir a série, exibindo-a até o final. O anime ambientado nos primeiros anos da Era Meiji no Japão, conta a história de Kenshin Himura um pacífico espadachim que prometeu nunca mais matar. Entretanto, seu passado como retalhador a serviço da Ishin Shishi fará o jovem Himura bradar novamente sua espada contra velhos e novos inimigos. O mangá foi publicado originalmente na revista japonesa Shonen Jump. O trabalho completo rendeu 28 volumes encadernados, aliás, essa é uma das características dos mangás e animes: apresentar histórias com começo meio e fim, ou seja, séries limitadas que apresentam um final ao enredo e aos personagens. Outra característica dessas produções e apontada por Gabriela é que sempre são passadas mensagens positivas no final. “Sempre há uma máxima, um fundo moral. Muitas vezes temos raiva do vilão durante a saga inteira, mas chega ao final e é explicado o porquê dele ser assim”, conta. Essa dose de ‘humanidade’ é o que também distingue os heróis japoneses dos americanos. Ambos possuem super poderes, mas não é raro que os primeiros comecem fracos, inexperientes, tolos e que aprendam e se fortaleçam ao longo de suas jornadas Um bom exemplo é o anime já citado, Samurai X, onde o personagem principal precisa arriscar sua vida para aprendê-

la, pois sua base era se preocupar mais com a vida alheia que sua própria. Um verdadeiro conceito de vida estava por trás deste ensinamento final.

FOTO: DIVULGAÇÃO

AnimeNipo 2010 Tamanho o gosto pela cultura, fez com que Gabriela, Mauro e Davi se tornassem parte do grupo de jovens da NIPO - o Seinenkai, e formarem juntos um universo alternativo, ou melhor, o ‘Realidade Alternativa’, que busca estudar e divulgar mais da cultura pop mundial. A iniciativa deu tão certo que até evento a iniciativa rendeu. Em 2008 aconteceu em Bragança o 1º Encontro de Realidade Alternativa; com propaganda boca a boca o mesmo reuniu mais de 300 pessoas, que tinham em comum o gosto não só por cultura pop japonesa, mas por jogos eletrônicos, RPG, Magic e tudo que faz parte desse universo. Em 2009 o evento reuniu mais de 1000 pessoas e deu inicio a saga dos jovens em trazer para a cidade um evento que reunisse única e exclusivamente, o melhor da cultura pop japonesa em um só lugar, porque afinal, público para isso eles perceberam que teriam. E agora em 2010 acontece o 1º AnimeNipo, evento 100% voltado anime e cultura japonesa. O evento espera atrair mais de duas mil pessoas, em dois dias, entre as atrações programadas estão: interatividades com arco e flecha, palestras de videogames, animações, animeokê (musicas de animes, cantadas em karaokê), nigaoê (desenhos de caricaturas em estilos mangás), batalha campal, campeonato de Guitar Hero, Workshop de origami e muita

Muitos participantes do evento estarão vestidos como os personagens de anime. FOTO: DIVULGAÇÃO

Batalha Campal, emocionante duelo com armas de espuma, lembrando as batalhas medievais

culinária japonesa. Expositores de São Paulo também trarão camisetas e dvd´s com as últimas novidades do universo anime, além de mangás raros e importados. Ah! Se você é novato no universo, não se assuste ao chegar ao evento e se deparar com um Samurai te recepcionando ou um Ninja brincando de batalha campal, nem com uma pirata te servindo um saboroso Yakissoba, pois em meio ao universo de tanta fantasia não poderia faltar a febre do momento que são os Cosplay (pessoas que se fantasiam de personagens de anime, jogos e filmes). No evento vai haver ainda um campeonato. O AnimeNipo acontece em Bragança nos dias 28 e 29 de Agosto das 10h00 às 18h00, no Salão da Nipo, localizado a Avenida Nipo Brasileira – 340 – Jardim América. O valor do ingresso é R$ 7,00 ou R$ 5,00 mais 1 Kg de alimento não perecível.

Sessão Nostalgia Quem passou parte da infância na década de 80 e início das 90 bem deve se lembrar de um ‘desenho’ chamado Honey-Honey. Ele passava no SBT, no programa da Mara Maravilha e fazia o maior sucesso. Pois é, qual foi minha surpresa ao saber que aquele ‘desenho’, (que mostrava a as aventuras de uma menina órfã, a Favos de Mel e sua gatinha Lili, fugindo pelo mundo do ladrão Felix, o maior interessado em abrir a barriga da gatinha, para retirar um anel precioso, q ue havia sido colocado dentro de um peixe frito e comido pela gatinha, mas que pertencia a uma linda princesa egoísta e mimada, chamada Flora), tratava-se de um Anime! O Anime Honey-Honey é baseado numa série de mangá da década de 60. Sua adaptação para TV apareceria 20 anos depois, em 1981, produzido pela Kokusai Eigasha. A época em que se passa retrata o período da II Guerra Mundial (1939-1945).Esse era um desenho que primava pelo humor e que sempre surpreendia o público. Para quem como eu não assistiu ao final do anime e sempre teve a curiosidade de saber se a gatinha sobreviveu e se a doce Favo de Mel terminou enamorada pelo galante ladrão Fênix, lá vai a bomba: Um médico retira o anel de dentro da Lili, mas Fênix rouba o anel e foge como um raio. Favos de Mel descobre na verdade que não era órfã, e era irmã de nada mais nada menos de que: a Princesa Flora! Para matar a saudade vale dar uma espiada no Youtube e assistir a abertura do anime relembrando a música também: http://www.youtube.com/watch?v=xPOEr6gPU68.


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Casa & Reforma

Área útil de novos apartamentos em SP encolhe 52% em cinco anos Escassez de terrenos na cidade leva metragem dos lançamentos a cair de 151 m2 para 72 m2 por EDSON VALENTE /FOLHAPRESS

A área útil média dos apartamentos lançados na cidade de São Paulo tem diminuído ano a ano desde 2005. Levantamento da empresa de pesquisas imobiliárias Geoimovel para a reportagem aponta que, em 2005, uma nova unidade media 150,7 m2. Em 2010, considerados os lançamentos até julho, o espaço cai para 71,9 m2. Alguns fatores explicam o encolhimento dos imóveis, segundo os especialistas. Um deles é o público-alvo dos incorporadores. “Aumentou a produção imobiliária para a classe média baixa”, afirma Celso Amaral, diretor da Geoimovel e da Amaral d’Avila Engenharia de Avaliações. A falta de terrenos para incorporação nas regiões mais centrais da cidade, por sua vez, encarece os lotes ainda disponíveis e consequentemente o metro quadrado construído. Assim, a escassez e o encarecimento da terra impulsionam os lançamentos para lugares mais periféricos, onde áreas menores são mais compatíveis com o padrão econômico dos empreendimentos, destaca Fabio Romano, diretor de incorporação da incorporadora Yuny. “Em trechos da zona norte”, exemplifica, “os bairristas que migravam para a zona oeste ou a zona leste por falta de oferta agora podem comprar na região.” Romano destaca ainda o programa governamental Minha Casa, Minha Vida como atrativo para o surgimento de unidades menores. “Os incentivos para a sua construção ajudam a fechar a conta do incorporador”, diz.

Preços sobem em regiões mais centrais

Valor de apartamento de cerca de 40 m2 em bairros como Itaim e Vila Olímpia (zona oeste) ultrapassa R$ 300 mil. Três-quartos de 80 m2 custa R$ 220,5 mil no Tatuapé (zona leste) e R$ 386,5 mil em Santo Amaro (zona sul). Se, em média, os apartamentos diminuem de tamanho na cidade de São Paulo, seus preços percorrem o caminho inverso. “Subiram muito, mais que o razoável”, determina Celso Amaral, diretor da Geoimovel e da Amaral d’Avila Engenharia de Avaliações. “Dependendo da região, poderá ocorrer realinhamento de valores a médio prazo”, prevê. “Não há moradias no Itaim [zona oeste] por menos de R$ 8.000 o metro quadrado”, especifica Fabio Romano, da incorporadora Yuny. “Em um distrito como o da Vila Prudente [zona leste], esse valor cai para R$ 3.500 ou R$ 4.000”, calcula. Se tomarmos os valores do três-quartos médio 80 m2 lançado na cidade nos últimos 12 meses, percebemos que a variação de preços de um mesmo perfil de imóvel é significativa entre diferentes distritos da cidade. Em Santo Amaro, região da zona sul que tem se consolidado nos últimos anos como foco de incorporadores, esse tipo de unidade custa, em média, R$ 386,5 mil (veja no quadro), considerados os preços de lançamentos de 2009 e 2010 (até junho), segundo a Geoimovel. No Tatuapé (zona leste), o preço médio cai para R$ 220,5 mil, ou 43% menos. Nos últimos 12 meses, entre os distritos que mais receberam lançamentos em São Paulo estão os menos centrais Água Rasa e São Lucas

FOTO: LUIZ CARLOS MURAUSKAS/FOLHAPRESS

Marcela Ang, 28, arquiteta, vai receber as chaves do seu apartamento em novembro. Ela pensa em revende-lo e comprar outros, mas tem se assuatado com os valores praticado no mercado para imóveis de 3 e 4 quartos.

(zona leste), o que mostra a diversificação dos incorporadores na busca por terrenos. A arquiteta Marcela Ang, 28, comprou com o noivo um apartamento de três dormitórios em um dos atuais redutos de lançamentos desse tipo, a Vila Leopoldina (zona oeste). O imóvel, de 96 m2, será entregue em novembro. “Durante seis meses procuramos [a casa própria] pelo valor que podíamos gastar”, conta Ang. “Tivemos dificuldades para achar um apartamento de até 100 m2 em regiões boas.” Ela diz que já pretende revender o bem e procurar outro que esteja em uma localização mais próxima de seu trabalho ou do de seu noivo. “Andamos pesquisando, mas os imóveis estão muito caros. Nos Jardins [zona oeste] e no Itaim, há unidades de 40 m2 que custam R$ 300 mil”, dimensiona.

Pequenos e caros

Em regiões mais centrais, onde os terrenos para incorporação são escassos e caros, empreendimentos pequenos com um padrão de acabamento elevado e serviços no condomínio são uma saída para os incorporadores. Fernando Sita, diretor-geral de vendas da imobiliária Coelho da Fonseca, menciona o exemplo de unidades de 43 m2 cujo metro quadrado é vendido a R$ 7.200 na Vila Olímpia, na zona oeste o preço fechado do imóvel gira em torno de R$ 310 mil.

Zonas sul e leste lideram lançamentos

Nos últimos 12 meses, os cinco distritos que mais receberam lançamentos imobiliários na cidade de São Paulo foram os de Santo Amaro, Vila Andrade e Sacomã, na zona sul, e São Lucas e Água Rasa, na zona leste. Os dados foram levantados a pedido da reportagem pela empresa de pesquisas imobiliárias Geoimovel. A maior área privativa média e o maior preço médio de unidade estão na Água Rasa: 217,6 m2 e R$ 1 milhão, valores para apartamentos de quatro dormitórios. Os três-quartos mais caros, por sua vez, encontram-se em Santo Amaro, com R$ 405 mil e 96,7 m2 médios. Também em Santo Amaro está o maior preço médio de apartamentos de um dormitório: R$ 185 mil, para uma área privativa média

de 37 metros quadrados. Em São Lucas, unidades de um quarto, com 28,6 m2 médios, custam R$ 89 mil, os mais baratos entre os distritos com mais lançamentos. De acordo com pesquisa realizada pelo Secovi-SP (sindicato de administradoras e imobiliárias), os três-dormitórios lideraram as vendas de novos apartamentos na cidade de São Paulo no último mês de maio. Essa tipologia respondeu por 38% do total dos negócios realizados. Em relação à área útil, os imóveis mais vendidos foram os de 86 m2 a 130 m2. Em segundo lugar aparecem os de 46 m2 a 65 m2.

Vendas em queda

A pesquisa do Secovi-SP aponta ainda que a comercialização de imóveis novos na cidade caiu 40% em relação ao número de vendas verificado em abril. Foram negociadas 1.949 unidades, contra 3.236 no mês anterior. Em relação a maio de 2009, quando as vendas somaram 4.010 moradias, a queda foi ainda maior (51%). Mesmo com esse resultado, a expectativa do sindicato de empresas do setor é que 2010 seja fechado totalizando de 37 mil a 38 mil unidades vendidas.

Números do Mercado R$ 1 milhão

217,6 m2

Metragem e preço médios de um apartamento de quatro dormitórios na Água Rasa (zona leste)

R$ 89 mil 28,6 m2

Metragem e preço médios de um apartamento de um quarto em São Lucas (zona leste)

R$ 405 mil

96,7 m2

Metragem e preço médios de um três-dormitórios em Santo Amaro (zona sul)


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Informática

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&

Tecnologia

Crescem as vendas dos

ultraportáteis

Pesquisas mostram que o mercado de netbooks representa quase 10% do total de PCs vendidos no Brasil

FOTO: DIVULGAÇÃO

SONY VAIO W211AX/P

por LUIZ GUSTAVO CRISTINO /FOLHAPRESS

Mesmo disputando espaço com os já tradicionais notebooks e com os recémchegados tablets, como o iPad, o netbook encontrou seu lugar no mercado brasileiro. Criado para atender a necessidade de portabilidade de seu público-alvo como estudantes e profissionais liberais, o produto acabou difundido entre diversos perfis de usuários. Os netbooks são definidos como computadores ultraportáteis. Com peso de aproximadamente 1 kg e tela de até 12,1 polegadas, apresentam menor custo que seu irmão maior, o notebook, além de mais autonomia da bateria. Em contrapartida, trazem uma capacidade limitada de processamento e não vêm com leitor ou gravador de CD, DVD ou Blu-ray. Entre o fim de 2009 e o início de 2010, os netbooks se aproximaram de 10% das vendas de computadores no Brasil, segundo Luciano Crippa, analista da IDC (International Data Corporation). Considerando apenas portáteis, foram pouco menos de 20% das vendas. Estima-se que, em 2011, haverá mais portáteis que desktops vendidos no país. ‘No primeiro trimestre de 2010, o número de vendas quase dobrou em relação a 2009’, diz Crippa. Agora, o caminho é um pequeno crescimento seguido pela estabilização. ‘Em 2009, muita gente comprou um netbook acreditando que aquele fosse o sucessor do notebook, mas não é o caso’, afirma o diretor de pesquisa da empresa de consultoria ITData, Ivair Rodrigues. Segundo ele, as consideráveis diferenças entre os dois produtos garantem espaço para ambos no mercado. E, em 2010, o consumidor tem maior consciência dessas distinções, e passa a comprar o produto mais adequado a suas necessidades.

Possíveis ameaças

O mesmo não pode ser dito sobre os tablets, como o iPad. ‘O tablet tem uma utilidade prá-

tica muito próxima da dos netbooks’, afirma Henrique de Campos Júnior, consultor sênior da Marco Consultora. Ele afirma que o mercado brasileiro não sentiu por enquanto o impacto desses produtos, já que vários deles ainda não chegaram oficialmente ao país. Outra preocupação para diversos segmentos, em especial os relacionados à tecnologia, é o ‘mercado cinza’ como é conhecido o grupo de produtos e peças contrabandeados ou piratas. A reportagem ouviu os fabricantes de netbooks no país, que não sentem forte ameaça desse mercado. ‘Para produtos de alto valor agregado, o sucesso do mercado cinza não é tão grande’, diz Sandra Chen, gerente de produtos para notebooks da Dell. Para minimizar o problema, as empresas acreditam em diferenciais como qualidade e assistência técnica.

História por EMERSON KIMURA

Até anos atrás, os ultraportáteis eram caros demais ou tinham desempenho muito fraco. Alguns venderam bem, mas nenhum conseguiu estabelecer uma nova e duradoura categoria. O cenário começou a mudar em 2006, com projetos para países em desenvolvimento que originaram o XO-1, do One Laptop per Child, e o Classmate PC, da Intel. No ano seguinte, veio o sucesso, com o Asus Eee PC 701. Por US$ 399 e pesando menos de 1 kg, ele oferecia tela de sete polegadas (800x480 pixels), processador Intel Celeron ULV, 512 Mbytes de memória, SSD de 4 Gbytes, 3,5 horas de bateria e sistema baseado em Linux. Era voltado ao consumidor final, que mostrou grande interesse por um ultraportátil barato. Em 2008, a Intel cunhou o termo ‘netbook’ para uma plataforma que incluiria um processador específico para ela, o Atom. A Microsoft, FOTO: DIVULGAÇÃO

O DZ6HKE16E, ds Kohjinsha

por sua vez, estendeu o período de vendas do Windows XP para que ele pudesse ser disponibilizado em netbooks. Então, dezenas de empresas passaram a investir em ultraportáteis baratos. Embora proporcionem uma baixa margem de lucro, seu volume de vendas é muito grande, o que os torna um negócio difícil de ser ignorado. O consumidor mostrou que não necessariamente precisa de computadores cada vez mais potentes, o que em parte levou ao surgimento de categorias com baixo poder de processamento, como nettops, smartbooks e laptops finos e leves com baixo consumo de energia.

Guia do netbook Como escolher

Como o netbook é um equipamento pequeno, e muitos modelos oferecem configurações e desempenho semelhantes, a ergonomia tem um peso grande na hora da escolha. Por isso, é recomendável testar o computador antes de comprar atente principalmente à tela, ao teclado e ao touchpad. A maioria tem tela de cerca de dez polegadas (1.024x600 pixels). Há opções menores, maiores e com melhor resolução (como 1.366x768). Uma tela maior oferece mais conforto visual e menos portabilidade; em contrapartida, consome mais energia e custa mais caro. Uma resolução maior resulta em melhor definição de imagem e espaço de trabalho maior, mas texto e ícones menores. Poucos modelos têm tela fosca (em vez de brilhante), útil para ambientes iluminados. Evite teclados muito pequenos, pois tendem a ser excessivamente desconfortáveis. Procure teclas firmes. Preste atenção à sensibilidade do touchpad. Botões em posições inusuais podem ser incômodos. Alguns modelos oferecem suporte a gestos multitoque, o que pode facilitar muito a navegação. O processador e o chip gráfico costumam ser adequados para o básico, mas há opções mais potentes o problema é que consomem mais energia e têm preço maior, a ponto de quase negar a proposta dos netbooks. O Intel Atom é o processador mais comum. Prefira os modelos da série N4xx, mais

atual do que os da N2xx, e evite os da Zxx. Se optar por um da VIA, procure pelos da série Nano e evite os da Cx. Algumas opções mais potentes são modelos Celeron e Pentium, da Intel, e Athlon Neo e Turion Neo, da AMD, voltados a notebooks convencionais finos e leves. Chips gráficos mais avançados são recomendados para ver vídeos em alta definição sem problemas. O ideal é buscar componentes com aceleração para H.264/ AVC como o processador Intel GMA 4500MHD (chipsets GL40, GS40, GM45, GS45), os chipsets VX855 e VX900, da VIA, a plataforma Nvidia Ion ou a solução Broadcom Crystal HD, mas eles são raros em netbooks no Brasil. Se puder, procure baterias de seis células ou mais. Elas aumentam o peso e o tamanho do equipamento, mas sua duração compensa geralmente aguentam mais de seis horas, e alguns modelos ultrapassam dez horas sem precisar recarregar. O meio de armazenamento mais comum é o disco rígido de 160 a 320 Gbytes. O SSD (drive de estado sólido) promete menor consumo de energia e maior segurança, mas a um preço muito alto. Prefira modelos com 2 Gbytes de memória (embora 1 Gbyte seja aceitável) e atente a diferenciais como número de portas USB, sintonizador de TV e conexões Bluetooth, Wi-Fi 802.11n e 3G.


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Teen

Famílias fora do armário Como você reagiria se seu pai lhe contasse que é gay? Leia histórias de jovens cujos pais decidiram não se esconder

por IURI DE CASTRO TÔRRES/FOLHAPRESS FOTO: LUCIANA WHITAKER/ FOLHAPRESS

Há quatro anos, Aléxia Gaspari, 16, estava no carro com seu pai, Alexandre, quando ele começou: “Olha, aquele amigo do papai não é só um amigo, entende? Ele vai morar lá em casa.” “Na hora, levei numa boa. Mas, quando vi os dois se beijando, fiquei muito mal e tive uma crise de choro. Na teoria, é fácil aceitar. Na prática, é diferente.” Com o tempo, a situação melhorou. “Hoje, somos uma família normal”, diz. Na semana do Dia dos Pais, a reportagem conversou com jovens criados por pais que “saíram do armário”. As famílias homoafetivas ainda não figuram nas estatísticas do Brasil (os primeiros dados começaram a ser levantados no Censo 2010), mas elas existem e levantam uma questão para os adolescentes de hoje: como você reagiria se seu pai dissesse que é gay? Flávia*, 17, por exemplo, “costumava xingar homossexuais na rua”. Quando o pai e, depois, a mãe assumiram que eram gays, a garota entrou em parafuso. “Fiquei transtornada. Não conseguia acreditar. Tudo virou de pernas para o ar”, lembra. Flávia começou a culpar a mãe pelos porres que tomava. Tentou fugir de casa. E tinha vergonha de apresentar os amigos aos pais. Ela se refugiou nas letras e começou a escrever contos. “Amo meus pais e, quando vi que não tinha mais volta, passei a aceitá-los. Eu me coloquei no lugar deles e entendi o quanto deve ser difícil se assumir”, explica. O desafio desses jovens é aplacar, de uma vez, o ciúme e o próprio preconceito. “O jovem pode achar que “ser gay” é uma forma de traição, e isso gera angústia”, explica Ana Cláudia Bortolozzi Maia, professora de psicologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e autora do livro “Adoção por Homossexuais” (ed. Juruá). “Eles têm de entender que o pai

não deixou de amá-los, só está tentando ser feliz”, diz.

Hora certa “Não deve ser fácil contar que é gay para o filho”, diz Natália*, 15, cujo pai vive com outro homem há quatro anos. “Eu pensava: “Por que não me contou antes?”. Acho que foi para me poupar.” Existe hora certa para contar? Para Bortolozzi, em geral “a criança assimila melhor esse tipo de situação do que um jovem”. E é uma boa falar sobre isso com os amigos? Matheus Mattos, 15, só contou que a mãe, Viviane, é gay para o melhor amigo. “O grupo social é importante para o jovem, mas pode ajudá-lo tanto a aceitar quanto a discriminar”, diz a psicóloga. Certa vez, um garoto xingou o pai de Aléxia na escola. Desconcertada, ela pediu conselhos ao pai, que a ajudou a lidar com a situação. “Mas isso nunca mais aconteceu. Todas as minhas amigas adoram meu pai”, conta.

a sérios constrangimentos”, como não conseguir explicar aos colegas por que tem dois pais ou duas mães. Jorge diz que nunca se importou com a orientação sexual dos pais. “Se eles se sentem felizes, por que vou me incomodar?”, questiona. Segundo Bortolozzi, ao contrário dos mitos que rondam as famílias de pais homossexuais, “a única diferença é que os jovens criados por eles tendem a ser Adoção No mês passado, a Argentina aprovou uma menos preconceituosos e mais tolerantes lei que permite o casamento entre homos- com as diferenças”. Flávia faz o resumo da sua própria ópera: sexuais e a adoção de crianças por eles. O Brasil está atrás dos “hermanos” na “Apesar dos maus bocados por que passamos, questão dos direitos dessa minoria. Nem meu pai nunca deixou de ser meu melhor casamento nem adoção são regulamentados amigo. O que menos importa é se ele é gay por aqui. O jeito encontrado por eles foi o ou se é hétero”. (*Nomes fictícios) improviso: há 15 anos, Jorge*, 15, foi adoAnálise tado por dois homens, mas foi registrado por ROSELY SAYÃO no nome de apenas um deles. Na Câmara, o deputado Zequinha Marinho “Adolescência é o fim!” A frase, tão (PSC-PA) propôs uma alteração no ECA verdadeira em seu sentido literal, foi (Estatuto da Criança e do Adolescente) para dita por uma garota de 15 anos para proibir que casais gays adotem crianças. expressar o descontentamento com a Sua justificativa: isso “exporá a criança relação com seus pais e seus pares. E

Pais gays com seus filhos. Alexandre Gaspari com sua filha Alexia e seu namorado Ivan Amaro. Viviane Mattos com seu filho Matheus.

talvez consigo mesma também. A adolescência é o fim de um ciclo da vida e o começo de outro. Um processo de maturação sexual física acompanhado de muitas outras novidades. Algumas boas, outras nem tanto. É a hora em que você busca saber quem é, quem gostaria de ser e constata, pouco a pouco, quem realmente é. Por isso, um luto é necessário: a perda dos pais. Sabe aqueles pais poderosos, quase perfeitos? Pois é: essa imagem vai-se na adolescência para ceder espaço aos pais que você realmente tem. Do jeito que eles são. Aí a coisa pega para muita gente. Como estabelecer uma identidade, sexual inclusive, em meio a pais de mais ou pais de menos? A boa notícia é que você tem grandes chances de sobreviver a esse período. Seus pais? Você precisa aprender que a conquista da autonomia passa inevitavelmente pelo processo de separação entre você e eles, isto é, eles lá com seus problemas, e você cá com os seus.


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Comportamento

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Explosão, lado bom

O uso constante de mecanismos de controle emocional pode elevar demais os níveis de tensão, prejudicando a saúde física e mental por IRENE RUBERTI /FOLHAPRESS

A sensação de calor percorre o corpo, o coração dispara, a mente fica confusa: ataque de raiva a caminho. Manter esse tipo de emoção sob controle é visto como sinal de equilíbrio. Mas novos estudos apontam que evitar a explosão pode fazer mal, tornando a pessoa mais tensa e fechada. Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, entrevistaram jovens que estavam entrando na faculdade. Concluíram que os que receberam maiores notas por suprimir emoções tinham mais dificuldade para fazer amigos. Em outro estudo, pessoas instruídas a demonstrar indiferença ao comentar um documentário sobre bombardeios não conseguiam disfarçar a tensão nas conversas. De acordo com o estudo, as pessoas desenvolvem estratégias para controlar o que expressam, e essas técnicas se tornam subconscientes. Não esconder a raiva pode até ajudar no desenvolvimento profissional, dizem os pesquisadores. Só uma explosão pode ser capaz de demonstrar, em alguns casos, o quanto se foi ofendido. “Às vezes, é preciso mostrar o grau de absurdo de uma situação reagindo com espanto. Mostrar que se está perdendo o controle é um caminho para o outro perceber que limites foram invadidos”, diz a psicóloga e psicoterapeuta Suely Mizumoto. Não significa transformar o “rodar a baiana” em padrão. “É preciso usar a tonalidade emocional certa para se fazer entender: o importante não é o que é dito, mas como é dito”, afirma Mizumoto. Fazer uso constante dos mecanismos de controle emocional eleva o nível de tensão, que se manifesta em dores, estresse ou são base de doenças psicossomáticas. “Sempre que não damos vazão às emoções e

sentimentos, não temos vida plena. Há um colapso e o termo é esse mesmo do nosso equilíbrio”, afirma Elko Perissinotti, coordenador do grupo de resiliência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. A pessoa vai aos poucos se descaracterizando, por não lidar com conflitos e nunca discordar, diz Mizumoto. “O indivíduo pode chegar à depressão, fica triste com ele mesmo ao não revidar.” Qualquer posicionamento pode, por vezes, ser experimentado como oposição. “Isso obriga aquela pessoa que sente muita necessidade de se sentir aceita, a estar em constante posição de uma concordância aparente. Torna-se falsa para si mesma.” Às vezes, o ataque de fúria é desproporcional à situação que o causou porque foi alimentado por fatos anteriores, acumulados. A auxiliar administrativa Marisa Massetti, 52, diz que prefere explodir a engolir sapo. “Até os 30, não era assim. Com o passar dos anos e os problemas que surgiram, aprendi a me defender.” Ela diz que procura sempre expor seu ponto de vista e conversar, mas, se for preciso, “arma um barraco”. “Reprimir a raiva causa um mal danado”, afirma Vera Martins, mestre em comunicação e especialista em medicina comportamental. Segundo ela, a pior forma de manejar emoções negativas é engolindo sapos. A reação ideal é a assertiva, que pode ser atrapalhada pelo medo. Medo de magoar os outros, criar conflitos, perder o emprego, por exemplo. O trabalho é o ambiente mais fértil para que a explosão germine. “É o local onde a pessoa se sente mais ameaçada, cobrada”, diz Vera, que dá consultoria de desenvolvimento em empresas. A consultora fez uma pesquisa com 220 funcionários e detectou que 48% reagem de maneira defensiva: ou engolem sapos, ou são agressivos ou são dissimulados. “O problema é tomar decisões sob o efeito exclusivo da raiva, a pessoa se torna vulnerável.” Um estudo de Harvard mostra que a raiva pode ser benéfica para a carreira. Os empregados que não hesitam em defender seus pontos de vista

são respeitados e lembrados para promoções. Mas o resultado só é positivo se houver assertividade: acesso descontrolado de fúria não tem o mesmo efeito.

Fúria calculada

A modelo gaúcha Aline Garcia, 20, diz que não se deixa intimidar pelas pressões do mundo da moda. “O cliente fala o que ele espera de um trabalho, mas eu sempre digo o que eu penso”, afirma. “É preciso se expressar, sim, mas não se deve ficar calculando as reações. À medida que vamos ganhando maturidade, mais automatizada estará a expressão dos sentimentos”, diz o psiquiatra Perissinotti, do HC. O ser humano fica mais capacitado a controlar seus impulsos e suprimir suas emoções à medida que cresce. Crianças usam as mãos para esconder um sorriso, mas um adulto consegue disfarçar suas expressões. Também é possível escolher as emoções, prestando atenção a um elogio e ignorando uma crítica. Estudo da Universidade de Brandeis descobriu que pessoas com mais de 55 anos têm mais facilidade do que jovens para focar imagens positivas quando estão de mau humor. Perissinotti diz que quanto maior a percepção da realidade, maior a flexibilidade para lidar com confrontos. “Todas as pessoas buscam independência, liberdade e felicidade, mas é preciso se conformar com uma pequena cota de cada; quem não se dá conta de que as três condições não existem em plenitude acaba se decepcionando.” FOTO: MARCELO JUSTO/FOLHAPRESS

Balão de ar, para ilustrar reportagem sobre explosao emocional.


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O McDia Feliz 2010 acontece no dia 28 de agosto Jorge Negretti é McAmigo do McDia Feliz em Bragança Paulista DIVULGAÇÃO

Falta pouco para o McDia Feliz 2010, a maior campanha do país em benefício de crianças e adolescentes com câncer, coordenada nacionalmente pelo Instituto Ronald McDonald. Toda a renda obtida com os sanduíches Big Mac no dia 28 de agosto, vendidos separadamente ou na McOferta, exceto alguns impostos, será revertida para 69 projetos de 58 instituições espalhadas por todo o Brasil. Diversas personalidades entraram em campo para apoiar a 22ª edição da campanha e formar o time de estrela dos McAmigos. É caso do piloto bragantino Jorge Negretti, campeão de Motocross e especialista em Free Style e Weelling, que reforça a mobilização em Bragança Paulista, pelo combate ao câncer infantojuvenil, principal causa de morte por doença entre 5 e 19 anos. A arrecadação no McDonald’s da cidade, e também de Atibaia, Campinas, Indaiatuba, Mogi Guaçu, Piracicaba, Valinhos e Poços de Caldas (MG).será revertida ao Centro Infantil Boldrini e a Casa Ronald McDonald, administrada pela Associação de Pais e Amigos das Crianças com Câncer e Hemopatias – APACC. Dois outros destaques do esporte também apoiam a campanha: o técnico campeão mundial de vôlei por nove vezes, Bernardinho, no Rio de Janeiro (RJ), e o piloto de Stock Car, Atila Abreu, em Sorocaba (SP). Em Belo

FOTO: MARCELO JUSTO/FOLHAPRESS

Horizonte (MG), o McDia Feliz deste ano conta com a participação do músico Marco Túlio, guitarrista da banda Jota Quest. A revelação Luan Santana veste a camisa pela ação em Campo Grande (MS) e Di Ferrero, vocalista da banda NX Zero, incentiva os esforços em Curitiba. Em Brasília (DF), Dona Mariza Campos Gomes da Silva, esposa do vice-presidente da República José de Alencar, é um dos destaques da campanha, assim como a atriz Ingra Liberato, em Porto Alegre (RS). Carlos Nascimento, em Jaú (SP), e Fabiana Scaranzi, na capital paulista, são os McAmigos no jornalismo. Todos estes nomes chegam para somar à lista de personalidades que apoiam o McDia Feliz e que cresce a cada ano. Em edições anteriores, a campanha já contou com o apoio de nomes como Ana Maria Braga, Alexandre Borges, Julia Lemmertz, Gustavo Borges, Thiago Lacerda, Xuxa, Sandy & Junior, entre muitos outros.

Apoio em rede As redes sociais também têm se mostrado aliadas para promover a causa do câncer infantojuvenil. Diversas personalidades manifestam o apoio às ações em benefício de crianças e adolescentes com câncer. “Ótima causa. Tô dentro”, incentivou Guga Kuerten. Gui Pádua, do Programa Legendários, o bailarino Carlinhos de Jesus, as

atrizes Bianca Rinaldi, Camila Rodrigues e Bruna Marquezine, além de ex-BBBs Juliana Góes e Flavio Steffli também enviaram mensagens para a realização desta que é a maior campanha pela causa do câncer infantojuvenil do país. No Twitter, os internautas podem acompanhar todas as novidades sobre a campanha seguindo os perfis twitter.com/mcdiafeliz e twitter.com/ institutoronald.

Trocando Big Mac por sorrisos Ao longo dos últimos 21 anos, os recursos obtidos com o McDia Feliz têm viabilizado a implantação de unidades de internação, ambulatórios, salas de quimioterapia, casas de apoio e unidades de transplante de medula óssea, entre outros projetos em benefício de crianças e adolescentes com câncer. São mais de R$ 100 milhões arrecadados e destinados a mais de 100 instituições de todo o Brasil.

Sobre o Instituto Ronald McDonald e programas O Instituto Ronald McDonald é uma instituição sem fins lucrativos que promove e apoia iniciativas em benefício de crianças e adolescentes com câncer com o objetivo de aumentar o índice de cura da doença no

país. Para isso, a organização desenvolve e coordena Programas - Diagnóstico Precoce, Atenção Integral e Casas Ronald McDonald - que promovem diagnóstico precoce, encaminhamento adequado e atendimento integral e de qualidade para os pequenos pacientes e seus familiares. As principais fontes de arrecadação do Instituto são o McDia Feliz – maior e mais abrangente campanha nacional no combate ao câncer infantojuvenil – e a Campanha dos Cofrinhos, iniciativa que conta com a doação dos trocos dos clientes McDonald’s. Em 2009, o Instituto comemorou dez anos de atuação e desde a sua criação, já foram arrecadados mais de R$ 130 milhões destinados a projetos de construção e reforma de casas de apoio e unidades médicas, compra de equipamentos e veículos, suporte a capacitação profissional e apoio psicossocial a pacientes e familiares, entre muitos outros. Saiba mais sobre as fontes de arrecadação, os programas e as instituições beneficiadas em www.instituto-ronald.org.br. Aproveitamos a oportunidade para convidá-los à comparecer em nosso restaurante no dia do evento, à partir das 11:00hs, onde contaremos com o “Show de Motocross-FreeStyle” de Jorge Negretti e Equipe, nosso McAmigo mais uma vez, além de outras atrações.


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Seus Direitos e Deveres colunadoconsumidor@yahoo.com.br

Lei que determina a regularização dos anúncios em Bragança Paulista GUSTAVO ANTÔNIO DE MORAES MONTAGNANA/ GABRIELA DE MORAES MONTAGNANA

A Prefeitura do Município de Bragança Paulista comunicou em seu site oficial que, através da Divisão de Projetos e Posturas, TODOS os empresários da cidade serão notificados para procederem à regularização do anúncio/fachada de acordo com a Lei 2.725 de 15/09/1993 e decreto nº 977 de 02/07/2010 sob pena de multa e demais cominações legais. Os empresários cujos anúncios se enquadrarem na legislação vigente deverão solicitar autorização através de procedimento administrativo simplificado. Caso os anúncios não se enquadrem na legislação, os mesmos deverão ser adequados após aprovação. No exercício das competências municipais predispostas no artigo 30 da Constituição Federal, referida lei teve por fundamento promover a tutela, ordenação e preservação do meio ambiente urbano, visando o bem estar comum. Inicialmente, há de se ressaltar que a atitude do Poder Público Municipal é louvável, haja vista que hoje, ao lado da poluição do ar e das águas, destaca-se a poluição visual, que destrói a beleza, o bem estar e o patrimônio histórico e cultural e a própria identidade da cidade. É mesmo papel do Poder Público garantir a observância do princípio da função social da cidade, previsto na Constituição Federal e no Estatuto da Cidade. Esse princípio deve orientar todo o planejamento urbanístico e o Plano Direto, os quais devem garantir o bem estar social na urbes. Da leitura do artigo primeiro da Lei 2.725/93 pode-se perceber que além de garantir a estética da cidade ela também possui como finalidade assegurar a segurança das edificações e da população. A lei é benéfica a todos e merece ser, devidamente, observada. Para isso, mister se faz conhecer o seu conteúdo. Ela estabelece regras para que os anúncios de produtos e serviços sejam afixados em locais públicos ou de acesso ao público. Prevê que todo veículo de comunicação visual afixado nesses locais, realizado com ou sem finalidade comercial, fica subordinada a prévia autorização da Municipalidade. O Decreto n.o 977/2010, que regulamenta a aludida lei, dispõe que da área total da fachada, no máximo 30% poderá ser ocupada por placas, painéis, letreiros ou luminosos, devendo os 70% restantes permanecerem visíveis e originais. Para que a municipalidade autorize a colocação dos anúncios nos locais indicados é necessária a existência de requerimento do interessado instruído com:

1) Memorial descritivo, contendo entre outras informações sobre as dimensões do anúncio, os materiais utilizados e os sitemas de armação, afixação, instalações elétricas ou outras instalações especiais empregadas; 2) Cartão de anotação de responsabilidade técnica (ART) quando o anúncio apresentar risco à segurança da população e, sob o ponto de vista técnico-urbanístico, apresentar problemas de segurança ou de impacto ambiental. Importante notar que a lei apenas exige a cartão de anotação de responsabilidade técnica quando o anúncio apresentar risco à segurança da população ou degradar o meio ambiente. Contudo, ela não prevê quem será o responsável por constatar a presenças desses riscos. Nem mesmo o decreto 977/2010 traz essa previsão. Apenas é possível pressupor, diante de seu texto, que tal atribuição é de competência da Secretaria Municipal de Obras, através da Divisão de Projetos e Posturas (DIP). Para a aprovação, é imprescindível que o anúncio, de forma geral, ofereça condições de segurança ao público, devendo ser mantido em bom estado de conservação quanto à estabilidade; não cause problema de segurança ao trânsito de veículos ou pedestre, quando luminosos ou apresentarem mensagens variadas, através de sistema mecânico ou eletrônico; não obstrua a visibilidade da sinalização viária, assim como da numeração imobiliária, da nomenclatura de logradouros públicos e outras destinadas à orientação do público e utilize a forma correta de grafia exigida pela língua portuguesa. A legislação veda a colocação de anúncios nos passeios públicos, em revestimentos das vias públicas do Município, em árvores, jardins, parques, nas margens dos lagos, represas, rios, nos bens protegidos por legislação municipal, estadual ou federal e nos tapumes de obras. O decreto, publicado em 02 de julho de 2010, regulamentou a lei ora comentada, dispondo que os anúncios já existentes e afixados deverão ser enquadrados em procedimento especial de regularização nos seguintes termos: I-Aqueles que não se encontram em divergência com os padrões requeridos serão regularizados por meio de procedimento administrativo simplificado, sendo o prazo para a regularização é até 02 de janeiro de 2011. II-Aqueles que desrespeitam às exigências do decreto, deverão ser adequados até 02 de setembro de 2010.

O descumprimento desta determinação sujeitará o infrator à penalidade equivalente a 300 (trezentas) UVAMs, por anúncio irregular. Sendo que o valor da unidade da UVAM, corresponde a R$ 1,9972. Desta forma o infrator deverá pagar à Municipalidade multa no valor de R$ 599,16. A aplicação desta penalidade deverá ser precedida de processo administrativo com notificação do infrator, concedendo-lhe prazo de 30 dias para regularização, garantindolhe ampla defesa. Em caso de reincidência a penalidade será cobrada em dobro. É certo que não há que se falar que a lei em tela restringe um direito de todo empresário e comerciante, consistente da divulgação de seus produtos e serviços e, por isso, violaria a livre concorrência, sendo inconstitucional. Isso porque cabe ao Poder Público impor limitações administrativas com a finalidade de restringir um direito particular em benefício de

um interesse maior, o interesse público, na espécie o direito de todos ao meio ambiente urbano equilibrado. Como ressaltado, a lei veio a calhar e é carreada de grande significado social, extremamente benéfica à toda população Bragantina, bem como àqueles que à cidade vem à passeio. Ela tem por finalidade o bem estar social, devendo ser cumprida, traduzindo-se a sua observância em autêntico exercício de cidadania! Conforme determina a Constituição Federal , “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público E À COLETIVIDADE o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” Advogados Gabriela de Moraes Montagnana OAB/ SP 240.034 Gustavo Antônio de Moraes Montagnana OAB/ SP 214.810


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