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Braganรงa Paulista

Sexta

13 Agosto 2010

Nยบ 548 - ano IX jornal@jornaldomeio.com.br

jornal do meio

(11) 4032-3919


sexta 13 • agosto • 2010 Jornal do Meio 548

Para Pensar

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EXPEDIENTE

Vigilância e Morte

E-mail: jornal@jornaldomeio.com.br Diretor Responsável: Carlos Henrique Picarelli

MONS. GIOVANNI BARRESE

O segundo domingo de agosto, na Igreja, é dedicado em razão do Dia dos Pais, à reflexão sobre a grande dádiva que é a Família. A partir da recordação da figura paterna abre-se uma oportunidade para olhar mais aguçado sobre a realidade familiar dos nossos tempos. Creio que os que lêem estas linhas partilham comigo que o tema está se tornando, cada vez mais, desafiador. Não é difícil que a gente se pergunte de que família ou de que famílias queremos falar. Ainda nestes dias via a afirmativa de uma atriz do cinema americano dizendo que para ter um filho não havia necessidade de esperar um homem. Basta o desejo de ter um filho. O resto fica nas escolhas que o “mercado” oferece. Se alguém que me lê tem, por oficio ou ocasião, que abordar o tema da família certamente se encontrará com muitas perspectivas. E elas fazem parte do desafio daquilo

Jornal do Meio Rua Santa Clara, 730 Centro - Bragança Pta. Tel/Fax: (11) 4032-3919

que a modernidade e a pós-modernidade estão gerando. A visão antropológica da família pai-mãe e filhos parece ser apenas mais uma no leque das escolhas. Creio que este tema é mais um a desafiar, especialmente, a fé dos cristãos. Olhando a narrativa do Genesis (1,27ss.) que aponta a formação da unidade homem-mulher como um novo jeito de viver (uma só carne, uma nova existência) aberta à multiplicação da vida, vamos testemunhando o quanto se “criou” em contraposição à lição bíblica. O tema da família é um dos que está a exigir posicionamento claro daqueles que têm na verdade bíblica a razão de sua fé e de sua vida. Neste sentido analisei o texto do evangelho de Lucas (12,32-48). Após exortação para que não façamos dos nossos bens a razão de nossas vidas (nosso deus) Jesus fala, em três pequenas parábolas, que é preciso estar atentos porque não se sabe em que momento

o Senhor vai chegar. Muitos comentaristas unem este tema da vigilância ao tema da morte. Mais ou menos é dizer: vamos estar prontos porque não sabemos a hora em que a morte vai chegar. É oportuno ficar alerta para que não sejamos surpreendidos. Não é inoportuna esta maneira de ver o ensino de Jesus. Mas é limitada. Se vale pensar sobre a imprevisibilidade da morte parece que as parábolas estão muito mais a serviço da valorização da vida. Em que sentido? Chamando a atenção para que não estejamos desatentos aos apelos de Deus na construção da nossa história. Tenho convicção que o projeto divino da Salvação só consegue andar se aqueles a quem foi confiado fazem sua parte. Não porque Deus não pudesse agir sozinho, mas porque não foi esse o jeito que Ele planejou. Deus age na história através dos seus filhos e filhas. E se alguém estiver desatento (não

vigilante) abrir-se-á uma lacuna no encaminhamento desse projeto divino. Lacuna que causará consequências das quais não saberemos o alcance. Há algum tempo escrevi sobre a gravidade do desvio de dinheiro público destinado à saúde. E afirmava que mais que o roubo era preciso pensar nas vidas que se perderiam porque o dinheiro não chegou à sua destinação. Uma só vida que se tenha perdido é algo que não há dinheiro que repare. Por isso vejo na exortação evangélica da vigilância e prontidão um chamado importante à reflexão e ação. E aplico isso ao campo da vida familiar dos nossos dias. Parece que estamos assistindo aturdidos e inânimes ao desmantelamento do matrimônio cristão. Parece que estamos entrando na onda do “hoje é assim mesmo”, “os tempos são diferentes”. Se não formos capazes de valorizar nossas famílias e de incentivar os nossos jovens a não descrer

Jornalista Responsável: Alexandra Calbilho (mtb: 36 444)

As opiniões emitidas em colunas e artigos são de responsabilidade dos autores e não, necessariamente, da direção deste orgão. As colunas: Casa & Reforma, Teen, Informática, Antenado e Comportamento são em parceria com a FOLHA PRESS Esta publicação é encartada no Bragança Jornal Diário às Sextas-Feiras e não pode ser vendida separadamente. Impresso nas gráficas do Jornal do Meio Ltda.

do sacramento do matrimônio escancaramos a porta à negação do amor conjugal, à sua fidelidade e à sua indissolubilidade. Claro está que aquilo que cremos não pode ser imposto. Mas será que não está faltando a nós que cremos um posicionamento mais cristalino? Jamais se tratará de discriminar pessoas. Deverá ser sempre a atitude afirmativa daquilo que se crê e se procura testemunhar. A vigilância que o Evangelho pede não é só para ávida eterna. É para ser vivida. Porque aqui se planta a eternidade que se espera.


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Ajuda Necessária Mulheres recebem auxílio para prevenir agressão dentro de casa

colaboração SHEL ALMEIDA

Provavelmente você reconhece os nomes Eliza Samudio e Mércia Nakashima. Essas duas mulheres forma vítimas de crimes violentos que, ao que tudo indica, foram praticados por homens com quem se relacionavam. Aqui em Bragança, só este ano, três jovens também foram vítimas de crimes como esses, passionais, e talvez você não saiba o nome delas. Paula tinha 17 anos. Ana Carla tinha 23, e Fernanda tinha 18. Eram mães e deixaram suas crianças órfãs. Crianças que sofreram danos afetivos e psicológicos que as acompanharão pelo resto da vida. Mas o que fazer para que atos extremos como esses não voltem a acontecer? Como perceber sinais de propensão à violência doméstica? Como ajudar no equilíbrio emocional de uma pessoa que passa por esse tipo de conflito? Foi pela necessidade de cuidar para que outras mulheres e seus filhos não sejam vítimas desses atos cruéis, que surgiu a ADMC – Associação da Defesa da Mulher e Cidadania. Oferecendo, há cerca de dez anos, auxílio psicológico e jurídico, a ONG é presidida por Douglas José Ferreira, ele próprio um pai que perdeu a filha num caso de violência extrema e que encontrou motivação ao ajudar outras vítimas. A equipe da ADMC é formada também pela psicóloga Ana Maria dos Santos Romão e pela advogada Mie Kimura Barão, além de diversos colaboradores. “Quando começamos não existia a Lei Maria da Penha”, fala Mie, referindo-se à lei criada para coibir a violência contra a mulher. “Trabalhamos com as vítimas, e não com os agressores”, completa Ana. Na maioria das vezes quem procura auxílio da ONG não é a vítima, e sim algum membro da família. Em todo o período de existência a ADMC já tratou de casos de seqüestro, pedofilia, incesto e assédio moral, entre outros. O trabalho consiste em ajudar as vítimas em procedimento jurídicos, além

de abordagens psicológicas. Ana avalia cada caso por meio de uma triagem e define se é urgente ou muito urgente. Os urgentes são atendidos no prazo de no máximo uma semana, através de encaminhamento para assistentes sociais ou sociólogos. Os urgentíssimos são atendidos imediatamente, em alguns casos através de encaminhamento para a Delegacia da Mulher ou atendimento médico. Não há burocracia. Ana explica: “O papel do consultor da ADMC é contribuir, sem criar dependência, através de um processo de implementação de algo que cause mudança na vida da pessoa”. “Quando se tenta a reconciliazação é um desastre”, completa.

Família tentacular Para Ana a base familiar é fundamental para o desenvolvimento da criança, já que ela é fruto do meio em que vive. Se viver num meio harmonioso terá maior propensão para tratar conflitos com harmonia. Numa limites, responsabilidades, conter explosões, sociedade pós-moderna como a nossa, onde pulsões psicóticas do ser”. Porém ressalva as famílias seguem o modelo “tentacular” que nem sempre a responsabilidade por um – formada pela união de filhos de múltiplos ser agressivo é dos pais, em alguns casos casamentos e que além da figura do pai e da isso já é nato da pessoa. De qualquer forma, mãe há também as do padastro e madastra em geral, os pais se culpam pelos excessos – é necessário que seja passado para a crian- cometidos dos filhos. “A mulher moderna precisou se ausentar do lar ça o entendimento de que embora ela esteja separada Nem sempre a e consequentemente foi da figura familiar marido/ responsabilidade por mais exigida. Às vezes não mulher, ela continua unida um ser agressivo é dos consegue impor limites, ao pai e à mãe. “Criança pais, em alguns casos às vezes a criança não os sadia é fruto de pais bem isso já é nato da pessoa assimila já que, segundo a psicologia, trabalhar essa intencionados”, diz Ana. E questão é uma função pacompleta: “Honestos, com Ana Maria terna”, fala Ana. “Criança vida digna e organizados”. sem pai e que não for bem “São os pais que impõem limites e responsabilidade nas crianças”, preparada introjeta agressividade, cria analisa Douglas. Sobre os inúmeros casos confusão”, completa. Para Ana a psicologia de assassinatos de mulheres que invadem pode e deve preparar a família, em especial o noticiário Ana comenta: “Esse agressores os pais, por meio de conscientização de provavelmente não receberam limites na que não estão se separando dos filhos. Na infância.” E explica: “O verdade a responsabilidade após uma sepaser humano ao nascer não ração só aumenta, pois é preciso oferecer é ser humano. Irá passar às crianças e/ou adolescentes a melhor por um longo caminho de forma de relacionar-se, respeitando os investimento objetal para limites da guarda sem cometer exageros. A desenvolver-se. Colocar presença de outros parentes como avós, tios filho no mundo não torna e irmãos é importante, mas não substitui ninguém pai ou mãe. É as figuras centrais do processo de cada ser necessário vínculo afetivo, tornar-se sujeito: pai e mãe.

A equipe da ADMC trabalha para que casos de violência extrema não se repitam

Alienação parental Entre os inúmeros trabalhos da ADMC, um se destaca por se focar em crianças e adolescentes: é o acompanhamento psicológico daqueles que são vítimas da SAP - Síndrome de Alienação Parental. Mie explica do que se trata: “É uma prática perpetrada por um dos genitores, ou detentor da guarda do menor que visa destruir a imagem do ex-cônjuge perante o filho, após o fim da vida conjugal.” Ana explica que o menor precisa ser preparado quando for haver uma separação. “A família sentimental permanece e a desmoralização do outro desestimula a criança”, diz. A SAP acontece quando o filho é programado por um dos pais a odiar o outro sem justificativa. Essa motivação geralmente vem do sentimento de vingança e, em alguns casos também pode ser induzida por outra pessoa do vínculo familiar, como irmãos, tios e avós. Ana alerta que essas atitudes não prejudicam apenas o ex – cônjuge alvo do ataque, mas também o filho. “Isso provoca profundo danos psíquicos na criança, já que ela vive sob constante estado de tensão”. O trabalho dela com essas vítimas consiste em prepará-las para lidar com a situação da separação sem tomar partido de um dos lados. “Hoje em dia existem mais recursos disponíveis à família pós-moderna, como a guarda compartilhada, a fim de que devolvam à sociedade seres mais bem preparados”, conclui.

Quer conhecer o trabalho da ADMC Associação da Defesa da Mulher e Cidadania?

Douglas, presidente da entidade, teve a filha assassinada e encontrou motivação ao ajudar outras vítimas

A psicóloga Ana auxilia crianças que sofrem com a síndrome de alienação parental

Endereço: R. Vitório Panuncio, 76 Jardim Sevilha Bragança Paulista Telefones: 4033.1710 / 9520.4010


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Casa & Reforma

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Novos escritórios ocupam bairros de perfil residencial Salas comerciais são lançadas em distritos como Lapa, Morumbi (zona oeste), Moema (sul) e Santana (norte)

por ROSANGELA DE MOURA/FOLHAPRESS

Em São Paulo, morar perto do trabalho é sinônimo de qualidade de vida. De olho nesse comportamento, incorporadores pulverizam empreendimentos comerciais por bairros residenciais. Levantamento da consultoria Urban Systems para a reportragem aponta que os 59 conjuntos de escritórios lançados na Grande São Paulo de dezembro de 2007 a maio de 2010 se espalham por 30 regiões. Na capital, o Brooklin (zona oeste) liderou o ranking de novos, com seis lançamentos. “Lapa, Barra Funda, Morumbi [zona oeste] e Vila Mariana [zona sul] demandam conjuntos comerciais de pequeno e médio portes”, afirma Thomaz Assumpção, diretor da Urban Systems. Dois fatores explicam a diversificação de áreas. “As pessoas querem trabalhar perto de casa”, cita Claudio Alencar, professor do Núcleo de Real State da Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo). Além disso, “os preços de mercados [polos de escritórios] mais tradicionais são maiores”, complementa. Ricardo Betancourt, presidente da consultoria Colliers, estima que 20% dos lançamentos deste ano ocorreram fora de regiões como as das avenidas Engenheiro Luiz Carlos Berrini, Brigadeiro Faria Lima e Paulista e do Itaim. O consultor Flávio De Marco Júnior mora em Perdizes e vai comprar uma sala na Água Branca (zona oeste). “HojealugoumescritórioemMoema.Fechado o negócio, deixarei o carro na garagem.”

Escritório rende mais que apartamento Locaçãodeumasalacomercialdáaoinvestidor retornomensalmédio superior ao deumaunidaderesidencial por EDSON VALENTE Salas comerciais em bairros residenciais também têm sido opção de investidores. “Na maioria dos empreendimentos, correspondem à metade dos compradores”, aprecia Fabio Romano, diretor de incorporação da Yuny, incorporadora que aposta nesse tipo de lançamento. “São pequenos investidores, que compram uma ou duas salas para alugar.” Um escritório de 40 m custa de R$ 240 mil a R$ 600 mil hoje na cidade

de São Paulo, dependendo do padrão e da região dinheiro que poderia ser aplicado em um apartamento para a classe média, por exemplo. Na comparação entre esses dois tipos de investimento, o comercial leva vantagem sobre o residencial. “O rendimento do aluguel residencial gira em torno de 0,5% mensal [sobre o valor do imóvel], enquanto o do comercial tende a ficar entre 0,7% e 0,8%”, calcula Claudio Alencar, da Poli-USP. “Mas é preciso analisar cada caso, cada região”, ressalta o professor. “Isso depende muito da demanda e da oferta. Há flutuações cíclicas.”

Olho no entorno Alencar reforça que, antes de optar pela aquisição de um escritório, o investidor deve ater-se sobretudo ao entorno do empreendimento. “Precisa ter boa oferta de serviços, com restaurantes, lojas de conveniência, farmácias. E requer oferta de transporte público, com linha do metrô”, lista. O “timing” da compra também é importante. “Os preços são mais atrativos quando a região começa a se consolidar

FOTO: CARLOS CECCONELLO/ FOLHAPRESS

Flávio De Marco Júnior em frente a maquete do empreendimento Casa das Caldeiras. Ele fez reserva de duas salas comerciais

[como polo de escritórios]”, diz o especialista. “Depois, ela fica cara.” Alexandre Lafer Frankel, diretor-geral da incorporadora Vitacon, lembra que, se o preço de mercado do imóvel subir, a renda com o aluguel também crescerá. “Se a compra é feita na planta e depois o patrimônio se valorizar, o rendimento sobre o investimento inicial poderá chegar a 1,2% ou 1,3% ao mês.”


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Comportamento

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O bem-estar é colorido Nem verde, nem amarelo: quando o assunto é cor, é a variedade que produz, além de festa para os olhos, conforto físico e emocional

por IARA BIDERMAN /FOLHAPRESS

No mundo das cores, não faltam ideias preconcebidas, mas nada é preto no branco. Definições simplistas como cor quente/cor fria podem funcionar em manuais para decoradores, mas, na real, não é o que funciona. “Procuramos reproduzir a diversidade cromática que encontramos na natureza. Ninguém aguenta ficar muito tempo em um ambiente de uma só cor, é tortura”, afirma João Carlos de Oliveira César, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. É a diversidade de cores que produz o desejado bem-estar, “como quando estamos em contato com a natureza”, diz César. O conforto de um entorno mais colorido também é físico. “Se a pessoa fica olhando muito tempo para uma só cor, usa apenas um dos cones da retina, cansa a vista. Para descansá-la, precisa olhar para outra cor, para usar outro desses cones”, explica o arquiteto. Pensar a cor além do senso comum está ficando pop. No Reino Unido, um livro sobre a influência das cores no pensamento humano (“Through the Language Glass”, de Guy Deutscher) esgotou em menos de um mês. No Brasil, o artista plástico Marco Giannotti prepara a edição do livro “Reflexões sobre a Cor” (ainda sem previsão de lançamento). Baseado nos trabalhos do grupo de pesquisas cromáticas, da Faculdade de Comunicação e Artes da USP, a obra é uma reflexão sobre as cores que transcende as manifestações artísticas. “O trabalhador rural, ao ver as fachadas de Volpi, pode perceber por que suas fachadas são sempre coloridas(...) O médico pode interpretar a relação entre cor e fisiologia. O torcedor de futebol pode indagar sobre a cor característica de seu time”, escreve Giannotti. Há séculos, artistas, filósofos, físicos e, mais recentemente, neurocientistas, tentam entender as causas e os efeitos da percepção da cor. Algumas conclusões desses pensadores passaram a fazer parte do repertório popular sobre as cores. Todas podem fazer sentido, mas é de bom tom reavaliá-las de acordo com as condições de cada época. “Hoje, com a vastidão de novos pigmentos, criamos cores que nunca existiram. Isso derruba a noção de cor primária. Não existe cor pura. Você já viu um vermelho puro?”, pergunta Giannotti. Não, mas você já fez uma construção mental do vermelho. E é essa construção que vai levar à percepção subjetiva da cor que desencadeia uma série de emoções, comportamentos, pensamentos. Ao mesmo tempo, há uma percepção objetiva. Cada matiz (a cor básica) que é captado por uma célula-cone da retina e decodificado no cérebro pode causar reações fisiológicas mensuráveis. Estudos mostram, por exemplo, que uma exposição intensa ao vermelho faz a pressão arterial subir. “O predomínio de determinada cor causa reações

FOTO: MARCELO JUSTO/FOLHAPRESS

no organismo, mas os efeitos também dependem da luminosidade ou saturação (pureza) da cor”, diz João Carlos de Oliveira César. Paula Csillag, professora de cor e linguagem visual da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) de São Paulo, idealizou um modelo sobre comunicação de cor que combina a percepção objetiva com a subjetiva. O modelo que justapõe os efeitos objetivos da cor com o leque de interpretações subjetivas possíveis cria uma caminho para usar cores que extrapola as regras preestabelecidas. Por exemplo, se uma cor vibrante causa objetivamente reações de excitação (como o aumento da pressão), isso pode ser interpretado tanto como alegria quanto como perigo. Além dos aspectos fisiológicos, culturais e emocionais, questões individuais influem no efeito da cor.

Quartinho pastel

O arquiteto João Carlos de Oliveira César explica que, em crianças muito pequenas, o que surte mais efeito são as cores vivas. “Como a visão não está totalmente desenvolvida, bebês precisam de cores vibrantes e diferentes entre si para serem estimulados.” Portanto, quartinhos em tom pastel podem corresponder a algum ideal da mãe ou da família, mas não vão fazer muita diferença para o bebê. Para idosos, funciona mais delimitar áreas coloridas. “Mesmo se ele não tiver problemas visuais, as bordas de uma área colorida ficam embaçadas se ela for muito extensa”, diz César. Para aumentar a sensação de segurança em um ambiente, não importa tanto a cor em si, mas o jogo de luzes. “Um quarto com piso mais escuro que a parede, que é mais escura do que o teto, dá a sensação de limite”, afirma o arquiteto. A predominância de determinado tom pode ajudar a criar um clima mais propício à introspecção (como no caso do azul) ou à extroversão (vermelho). Mas a policromia total, o uso livre de diferentes cores, já é um efeito por si só. Isso pode ser visto nos trabalhos realizados pelos participantes do projeto “A Gente Transforma”, idealizado pelo arquiteto Marcelo Rosenbaum e patrocinado pelas tintas Suvinil. As propostas para transformar comunidades carentes envolvem várias ações. Mudar o tom do local, literalmente, é uma delas. “As cores diminuem a tensão nesses lugares, aumentam a autoestima dos moradores e criam associação entre eles”, crê Rosenbaum. As cores e combinações foram escolhidas pelos próprios moradores. Deu Volpi na cabeça. Não dá para saber o quanto de reações fisiológicas e de influências culturais contribuem para o efeito feliz do novo visual dos locais. Mas que as cores funcionam, funcionam.

Matiz

É cor básica (azul, vermelho, verde). Há poucos matizes puros

Producao com tinta oleo para telas

Luminosidade

É o grau de claridade de uma cor, em uma escala que vai do branco ao preto

Saturação

É a pureza da cor. Diluir a cor básica em água ou misturá-la a outro pigmento reduz a sua saturação Verde - Harmonia Bem no meio do espectro de cores, o verde equilibra os atributos do azul e do amarelo. A cor mais presente na natureza favorece a tranquilidade. É, para os seguidores da antroposofia, a cor do “temperamento fleumático”, auto-controlado. Uma das formas mais fáceis de usufruir dos benefícios do verde é usar em casa plantas naturais com folhagem abundante. Roxo - Mistério Menos presente na natureza e um pigmento difícil de ser obtido, o roxo evoca o mistério das coisas raras. De certo modo, é algo que sai da experiência comum o que pode causar atração ou repulsa, dependendo da pessoa. A mistura de azul e vermelho produz muita vibração, o que pode provocar desconforto em caso de exposição muito intensa à cor. Por isso, pintar uma parede de roxo é um projeto que precisa ser bem ponderado: quanto tempo você aguenta essa energia? Amarelo - Excitação O amarelo cria uma certa agitação, pressanão por acaso, é uma cor que predomina em restaurantes fast food. A antroposofia associa o amarelo ao “temperamento colérico”,do tipo assertivo, ativo e agressivo. Em diferentes nuan-

ces, amarelo caibem em ambientes da casa que recebem pouco iluminação natural: a cor solar vai compensar a pouca luz e deixar o espaço mais aconchegante. Luzes amareladas (como as incandescentes) trazem mais conforto visual do que a luz azulada das lâmpadas frias. Vermelho - Expansão Vermelho estimula a exteriorização, a comunicação, a interação social. Pode causar elevação temporária da pressão arterial. É a cor mais eficaz para aumentar a atenção a detalhes. Para a antroposofia, é a cor do “temperamento sanguíneo”, mais passional. Para quem gosta, pode ser usado livremente nas salas de estar e de jantar e na cozinha. Ouso deve ser moderado no quarto das crianças. Em excesso, causa agitação e nervosismo. Preto - Frieza A neutralidade do cinza o torna uma cor extremamente impessoal e que, sozinha, praticamente não cria estímulos fisiológicos ou mentais. Mas a neutralidade faz dessa cor um excelente fundo ou contraponto para outras, já que não “briga” com nenhuma. O look “cinza total”, nos ambientes ou em roupas, é um convite à monotonia. Mas nada melhor que ela, quando se quer passar por invísivel. Azul - Contração O azul favorece a introspecção. Por essa característica, pode intensificar estados de tristeza e solidão. Ao mesmo tempo, a cor estimula o pensamento criativo, segundo pesquisa recente publicada na “Science”. Para a antroposofia, o azul está ligado ao “temperamento melancólico”. É ótima cor para pintar o teto de ambientes destinados ao estudo.


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Seus Direitos e Deveres colunadoconsumidor@yahoo.com.br

Adoção GUSTAVO ANTÔNIO DE MORAES MONTAGNANA/ GABRIELA DE MORAES MONTAGNANA

A adoção surgiu na antiguidade por motivações religiosas. O culto doméstico, considerado indispensável para que os mortos tivessem paz na eternidade só podia ser praticado pelos descendentes masculino do morto. Assim, a adoção foi criada como solução para aqueles que não tinham filhos homens. Hoje, a adoção tem a finalidade de satisfazer o instinto paternal, além de ser um instituto ligado ao sentimento de solidariedade humana, tendo em vista que vivenciamos um grande número de crianças abandonadas, pelas mais variadas razões, por seus pais biológicos. Recentemente entrou em vigor a Lei n.o 12.010/09, que adequou o Estatuto da Criança e do Adolescente às disposições previstas no Código Civil, unificando o sistema e revogando todas as regras referentes à adoção previstas neste Código. Restaram apenas dois artigos: Art.1618: A adoção de criança e adolescente se dará na forma como prevista no ECA; Art. 1619: A adoção de maiores de 18 anos dependerá de assistência efetiva do Poder Público e de sentença constitutiva, aplicando-se no que couber as regras gerais previstas no ECA. A adoção é, assim, hoje, tratada no Estatuto da Criança e do Adolescente, conceituada como sendo modalidade definitiva de colocação em família substituta e sobre ela incidem as seguintes regras: Trata-se de medida excepcional e irrevogável, pois, possui prioridade a permanência da criança ou adolescente na família natural ou extensa. Somente havendo absoluta impossibilidade, reconhecida por decisão judicial é que a criança ou o adolescente será colocado em família substituta. Família natural, corresponde aos pais biológicos e família extensa os parentes próximos com que a criança ou adolescente conviva e mantém vínculos de afinidade e afetividade, como avós e irmãos, por exemplo. Podem adotar, os maiores de 18 anos, independentemente do estado civil, quando por uma só pessoa. Para a adoção conjunta é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família, sendo que a união homoafetiva não é reconhecida como entidade familiar para o nosso ordenamento jurídico, apesar de haver decisões em sentido contrário. O adotante deve ser pelo menos 16 anos mais velho que o adotando. Não podem adotar os ascendentes, como avós e os irmãos do adotando.

A adoção deve apresentar reais vantagens ao adotando e fundar-se em motivos legítimos. Deve existir consentimento dos pais ou representante legal do adotando. Esse consentimento deve ser dado em audiência, na presença do juiz e do Ministério Público. O consentimento será dispensado em relação à criança ou adolescente cujos pais sejam desconhecidos ou tenham sido destituídos do poder familiar. O adotando, maior de 12 anos também deverá ser ouvido e consentir com a adoção. Porém, é possível que o juiz conceda a adoção, excepcionalmente, contra a vontade dos pais ou mesmo do adotando, se verificar que ela apresenta reais vantagens a este. A adoção deve ser precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente, pelo prazo que a autoridade judiciária fixar, observadas as peculiaridades do caso. O estágio de convivência poderá ser dispensado pelo juiz se o adotando já estiver sob tutela ou guarda legal do adotante durante tempo suficiente para que se consiga avaliar a conveniência da constituição do vínculo. Esse estágio de conivência será acompanhado por equipe interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude, que apresentará relatório minucioso a respeito da conveniência da concessão da medida. O processo de adoção de menores correrá na Vara da Infância e Juventude nos casos de e na Vara de Família em caso de maiores. O vínculo da adoção constituise mediante sentença judicial, que será inscrita no registro civil mediante mandado do qual não se fornecerá certidão. Na inscrição será consignado o nome dos adotantes como pais, bem como de seus ascendentes, não podendo se referir a origem do ato. O mandado judicial, que será arquivado, cancelará o registro original do adotado. A sentença conferirá ao adotado o sobrenome do adotante e a pedido de qualquer um deles, poderá haver a modificação do prenome. Importante previsão legal é aquela que diz respeito ao cadastro de pessoas interessadas em adotar. A autoridade judiciária deverá manter em cada comarca ou foro regional, um registro de pessoas interessadas na adoção e outro de crianças e adolescente em condições de serem adotados. O deferimento da inscrição nesse cadastro somente se dará após prévia consulta aos órgãos técnicos do juizado que verificarão se os interessados na adoção mostram-se compatíveis com a natureza da medida e oferecem am-

biente familiar adequado. Tudo para se evitar que pessoas despreparadas para serem pais adotem, acarretando prejuízo ao adotando. Enquanto não localizada pessoa ou casal interessado na adoção, a criança e adolescente, sempre que possível, será colocada sob guarda de família cadastrada em programa de acolhimento familiar. Caso não haja, ficarão em abrigo pelo prazo máximo de 2 anos. Somente, excepcionalmente, poderá ser deferida adoção em favor de candidato não cadastrado, quando se tratar: de pedido de adoção unilateral; formulada por parente com o qual a criança ou adolescente mantenha vínculos de afetividade e afinidade; pedido de quem detém tutela ou guarda legal de criança maior de 3 anos, desde que o lapso de tempo de convivência demonstre laços de afinidade e afetividade. Essa regra tem a finalidade de garantir igualdade de condições às pessoas que

pretender adotar. Todo esse procedimento de adoção, regulado pela lei, tem por objetivo evitar que casais registrem como sendo seu filho, uma criança ou adolescente, nascido de outros pais. Esse procedimento ilegal que, inclusive, configura o crime de “Parto Suposto” previsto no Código Penal, é conhecido como “adoção à brasileira”. A adoção é um ato de amor, mas deve ser vista como um procedimento sério, que pretende proporcionar à pessoa adotada, convivência familiar e afeto, devendo o Poder Público ter a certeza de que estar protegendo os seus interesses. Até a próxima!

Advogados Gabriela de Moraes Montagnana OAB/ SP 240.034 Gustavo Antônio de Moraes Montagnana OAB/ SP 214.810


Antenado

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CRÍTICA POLICIAL

Humor compensa clichê de “Sinuca de Bico” Médico americano Josh Bazell se serve da profissão e da ironia para traçar retrato demolidor da vaidade humana

por JOCA REINERS TERRON/FOLHAPRESS

É temerário quando a orelha de um livro anuncia que seus direitos foram adquiridos por fulano e que a história será estrelada por sicrano. Ao ler isso, a cara de determinado ator se conformará imediatamente à do protagonista (à de Leonardo Di Caprio, no caso deste ‘Sinuca de Bico’, de Josh Bazell), e isso pode ser bem frustrante. Também é possível adivinhar o tipo de linguagem que virá a seguir _direta, repleta de bons diálogos e de ação. Em geral, é esse ramo da ficção que desperta o interesse de Hollywood. É óbvio que imaginação não deve ser exclusividade de escritores: o leitor, se estiver com boa vontade, poderá substituir a cara do personagem do modo que quiser. Eu, com escusas a Leo Di Caprio, determinei que o dr. Peter Brown, protagonista de ‘Sinuca de Bico’, tem a cara de Hugh Laurie, o dr. House. Já explico. Peter Brown na verdade se chama Pietro Brnwa. Ele está sob o serviço de proteção a testemunhas do FBI e se esconde sob o jaleco branco de médico no Manhattan Catholic Hospital, até um mafioso conhecido ser internado com suspeita de câncer. Pietro, vulgo Bearclaw (pata de urso), era um assassino da Máfia e agora, reconhecido pelo ex-parceiro, teme ser descoberto. Não faltam clichês à trama de ‘Sinuca de Bico’. Pietro fora criado pelos avós,

judeus poloneses que sobreviveram a Auschwitz mas acabaram sendo assassinados por bandidos num batismo de fogo exigido pela Máfia. Ganha uma lasanha quem adivinhar o próximo passo de Pietro: se você pensou a palavra ‘vingança’, ganhou. Os diálogos mal humorados do dr. Brown com enfermeiras e residentes egípcios são engraçadíssimos, facilitando ainda mais a identificação dele com o dr. House. Num dado momento, quando a bela paciente está prestes a ter a perna amputada por causa de um osteossarcoma, dá-se o seguinte: ‘_Ai, merda, estou com medo_ ela diz, enquanto a colocam na maca. E segura minha mão, que está suando. _Vai ficar tudo bem_ asseguro. _Provavelmente eles vão cortar a perna errada. _É verdade. Mas vai ser mais difícil fazerem merda da próxima vez que operarem.’ O estreante Josh Bazell é médico e isso dá um molho interessante ao livro: suas notas de rodapé. É fato que notas de rodapé são um indicativo confiável para livros chatos, mas não neste caso.

FOTO: TAMAR HURWITZ/DIVULGAÇÃO

Josh Bazel

A franqueza de Brown sobre a vaidade humana na rubrica ‘médicos’ é demolidora. Joca Reiners Terron é autor de ‘Do Fundo do Poço se Vê a Lua’ (Companhia das Letras). SINUCA DE BICO

Autor: Josh Bazell Tradução: Ana Carolina Bento Ribeiro Quanto: R$ 39 (288 págs.) Avaliação: bom


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Teen

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2 + 2 = Rock

Escola nos EUA ensina a tocar baixo, bateria e guitarra e a ter uma atitude rock and roll, nos palcos e fora deles

por FERNANDA EZABELLA /FOLHAPRESS FOTO: DIVULGAÇÃO

Chelsea Dollar tem 17 anos e uma meta na vida: ser uma estrela do rock. Se não rolar, vai se inscrever numa escola de enfermagem (e esquecer desse sonho de vez). A americana trabalhava como recepcionista e nunca tinha cantado numa banda. Até resolver entrar na School of Rock (Escola do Rock). Neste ano, ela cantou “Dani California” e “Classic Girl” num concerto de covers de Red Hot Chili Peppers e Jane’s Addiction. A Escola do Rock é uma franquia com quase 70 unidades pelos EUA para jovens de até 18 anos. Chelsea estuda na unidade de Los Angeles, uma das mais agitadas do país, com cerca de 100 alunos. No mês passado, fizeram um show com músicas do Radiohead. E, no dia 27, tocam na lendária casa Whisky a Go Go, cenário da efervescente cena musical de Los Angeles nos anos 60, onde já estiveram Janis Joplin e The Doors. “Não tenho nada contra Beyoncé e amo Lady Gaga. Mas aqui o aluno vai aprender os alicerces do rock: Black Sabbath, Queens, Beatles e Led Zeppelin”, diz o diretor da escola, o músico e produtor Carl Restivo, 34. “Por exemplo, não rola fazer um show de Green Day. Nirvana, talvez. Tem coisas que não vamos ensinar porque são derivativos.” Na escola, as salas e os estúdios têm nomes de astros como Jimi Hendrix e Frank Zappa. No currículo, há dois tipos de programas anuais. Um é básico, para quem nunca pegou num instrumento (pode ser bateria, guitarra, baixo, teclado e voz). O outro é focado em performances. Em ambos, cada aluno tem, por semana, 45 minutos de aula individual e três horas de ensaios em grupo. A mensalidade é de cerca de R$ 600. Nas férias de verão, há aulas de composição; nas de inverno, de gravação. O brasileiro Marcelo Feldman dá aula de baixo há dois anos na escola, depois de passar por outras mais tradicionais nos EUA. “Em geral elas são muito focadas em aulas individuais. Aqui, a ênfase é em shows. Ensinamos os alunos a tocar uns com FOTO: DIVULGAÇÃO

Aluna da Escola do Rock

os outros, em banda”, diz. Num fim de tarde da semana passada, Chelsea ensaiava músicas do The Police com uma turma de 15 estudantes. Ao seu lado, estava Samson Young, 14, que toca bateria, baixo e guitarra. Samson entrou na escola há dois anos, sem saber tocar nada. Recentemente, criou uma banda de música experimental. Ao contrário de Chelsea, ele quer estudar música na universidade. Muitos alunos da Escola do Rock têm família já com um pé na indústria musical, como Kaya Stewart, 10, que toca piano e canta: seu pai era da dupla britânica Eurythmics, dos anos 80. Apesar da pouca idade, sua estreia foi neste ano, num cover do “Álbum Branco” dos Beatles. “Na primeira canção, você fica nervosa. Na segunda, percebe que todo o

mundo te ama. Na terceira, tudo fica fácil e divertido.”

Escola virou documentário e filme com Jack Black

Como ser um astro do rock

A School of Rock foi criada em 1998, na Filadélfia, pelo músico Paul Green. 1 Tenha uma atitude positiva, relaxada e Polêmico, ele estrelou um documentário em divertida 2005 sobre a escola, chamado “Rock School”, 2 Seja competente em seu instrumento (ou no qual brinca com os alunos, errando acordes instrumentos) ou cantando fora do tom. 3 Nunca se atrase Ele também foi a inspiração para o perso4 Diga obrigado a qualquer pessoa que nagem de Jack Black no filme “Escola de elogiar você Rock” (2003). Em 2009, a empresa se uniu 5 Saiba cada acorde da música pela qual você a um grupo de investimentos, e Paul Green é responsável deixou a escola. 6 Fique por dentro de esportes, política e Assistir a uma apresentação dos garotos eventos atuais (para poder ter uma conversa é como ir ao um show de rock de verdasobre outras coisas além de música) de, ainda que a plateia seja basicamente 7 Capriche no visual, não use qualquer roupa formada por pais. 8 Aprenda a jogar pôquer (para ter sinJá assistir a um ensaio pode ser meio doloroso. cronia, paciência, estratégia de negócios A reportagem acompanhou um grupo de 15 e senso de sobrevivência) estudantes ensaiando músicas do The Police. 9 Apresente sempre novos riffs, novas letras, Como o show será em setembro, muitos ainda ideias para músicas e grave tudo não sabiam as canções de cor. 10 Não assine nada se você não precisar “Está estranho. Que tal acertarem todas as notas da música?”, provoca o professor. “Cara, você tomou café da manhã? Mais energia por favor!”, grita para outro. Para Leslie Fram, mãe de um aluno, as aulas são quase como eventos esportivos. “Mas a disciplina para aprender novas músicas é incomparável, e a experiência de tocar ao vivo dá às crianças uma habilidade de se apresentar aos outros sem medo, algo que amedronta muitos adultos”, disse. Alunos da Escola do Rock FOTO: DIVULGAÇÃO

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Sob a tutela do Google, Chrome cresce Navegador apoia expansão em publicidade nos sites da gigante das buscas e se consolida como terceiro maior

por AMANDA DEMETRIO/FOLHAPRESS

Em menos de dois anos, o Chrome passou de zero a quase 10% do mercado de navegadores nos Estados Unidos. Naquele país, em junho, o programa do Google para navegação na internet superou o Safari, da Apple, e pela primeira vez conquistou a terceira posição entre os browsers. Os dados de junho da StatCounter retratam a expansão de um navegador que tem se apoiado em velocidade de navegação, extensões, estética minimalista, publicidade e, claro, no padrinho Google. Publicidade é um fator importante para o Chrome, já que sites como o Google. ou o YouTube.com trazem links e recomendam o download do navegador. O Google também aposta em ações para promover o Chrome. Em sua última versão, por exemplo, o navegador ganhou suporte ao Flash, complemento da Adobe. Para destacar a função, foi desenvolvido um jogo em Flash para o YouTube (bit. ly/gchromejogo). Para realçar a velocidade do navegador, a equipe do Google produziu um vídeo (bit.ly/diATOH) comparando a velocidade do Chrome à de ondas do som e à de um raio. Também deram força ao navegador atualizações recentes que trouxeram a possibilidade

FOTO: DIVULGAÇÃO

de usar extensões (www.chromeextensions. org) e a de mudar a estética do navegador por meio de temas (bit.ly/cGebkM). O formato das extensões foi consagrado entre os usuários do Firefox. Elas são como pequenos programinhas que trazem novas funções ao navegador do usuário.

Nova versão do Firefox está disponível

por ALEXANDRE ORRICO Principal concorrente do Internet Explorer no mercado dos navegadores, o Firefox tenta se reinventar e aproveitar o que há de melhor entre seus concorrentes. Na última semana, a Mozilla, que gerencia o desenvolvimento do programa, anunciou o lançamento da versão de testes da nova edição do navegador, o Firefox 4 (mzl.la/fire4). A atualização inclui um gerenciador de extensões mais fácil de ser usado, compatibilidade com HTML5 (linguagem

MERCADO DOS NAVEGADORES

CHROME 8,97 % do total Nos Estados Unidos

Tela do Google Chrome

para escrever sites que pode substituir o complemento multimídia Flash) e um desempenho mais veloz que o de seus antecessores. Cada site será executado como se fosse um processo separado. Na prática, isso significa que um site problemático não travará mais o navegador inteiro, como acontece hoje em dia. A quarta versão também redesenhou algumas funções. Inspirado no Chrome, do Google, o Firefox agora tem abas no topo da janela, acima da barra em que se escreve o endereço da página, para economizar espaço.

Ainda com o objetivo de tornar a navegação mais limpa, o menu também foi modificado. Agora todas as opções, como Arquivo, Editar e Ferramentas, estão agrupadas em um único botão laranja no canto superior esquerdo do browser.

Testes

A nova versão do Firefox ainda está em fase de testes e pode causar perdas de dados (como favoritos e cookies), travamentos ou ser incompatível com extensões e temas.


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