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Braganรงa Paulista

Sexta 28 Maio 2010

Nยบ 537 - ano VIII jornal@jornaldomeio.com.br

jornal do meio

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sexta 28 • maio • 2010 Jornal do Meio 537

Para Pensar

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EXPEDIENTE

UM DEUS UNO E TRINO MONS. GIOVANNI BARRESE

Permito-me retomar escrito de algum tempo atrás. Mesmo porque me parece que não saberia o que acrescentar. E creio que traz o essencial sobre o tema e sobre a finalidade desta página do nosso Jornal do Meio. Como que fechando o ciclo pascal, a Igreja celebra no domingo após Pentecostes a festa da Santíssima Trindade. Festa que entrou no calendário litúrgico por volta da metade do século XIV. Entrada tardia porque havia - e continua havendo - a convicção que todo domingo é dia da Trindade. Porém, já que a festa existe, vale a pena fazer uma parada e rever a imagem de Deus que fazemos e em que Deus acreditamos. Faço parte dos cristãos que receberam a primeira catequese no modo de memorização. Uma das primeiras perguntas do catecismo era: “Quem é Deus?” E toda a criançada (eu com seis anos) respondia: “Deus é um espírito eterno, não criado, perfeitíssimo, criador do céu e da terra!”. Deve haver mais algum adjetivo que, agora, não estou lembrando. Claro que para nós, crianças, a afirmação

dizia pouco no sentido da compreensão. A catequista ensinava. A gente aceitava. Mesmo porque em casa e na catequese havia coerência nas respostas. Tanto os pais como as catequistas mostravam por suas atitudes que acreditavam naquilo que ensinavam. Quando, depois, se dizia que Deus era uno e trino (Pai, Filho e Espírito Santo) éramos colocados diante da palavra mistério. O mistério da Santíssima Trindade. E lá se desdobravam as catequistas a nos explicar como um eram três e três eram um. A tentativa de explicação é a tendência de todos nós. Na história de Santo Agostinho nos é oferecida a chave para crer no mistério trinitário: o mistério não é para ser enfiado em nossas cabeças. Nós é que devemos mergulhar nele. Isso nos é mostrado na experiência singela - construção simbólica trazida até nós - do encontro de Jesus menino com Agostinho numa praia. Ao ver o menino pegando água do mar para colocar num buraquinho Agostinho pergunta o que o menino queria fazer. O garoto responde que queria colocar o mar dentro

do buraquinho. Agostinho fala que isso era impossível. E o menino lhe responde dizendo que ele estava fazendo a mesma coisa: queria colocar o mistério de Deus dentro de sua cabeça. Quando vamos à praia nós entramos no mar e ele nos envolve e nos dá o prazer de vivenciá-lo com multiformes sensações. Ao tentar falar de Deus nós podemos construir imagens que são reflexo daquilo que somos. Por isso surgem imagens de um Deus que castiga, que vigia, que persegue, que se vinga. Quando Jesus Cristo nos revelou que podíamos falar com Deus chamando-o de Abbá - Pai, abre-se a oportunidade de descobrir a face verdadeira de Deus. Um Deus que no Antigo Testamento se apresentara a Moisés como clemente e cheio de compaixão, paciente, misericordioso e fiel, que conserva a misericórdia até a milésima geração, que perdoa culpas, delitos e pecados (Êxodo 34,6). O v.7, que fala do castigo que filhos sofrem por erros dos pais, é a afirmação das conseqüências que acontecem a pessoas inocentes. É a constatação que a Bíblia faz daquilo

que a nossa vida apresenta. Não é desejo nem determinação divina. Nosso Deus, revelado a nós por Jesus Cristo, é uma comunidade de amor que nos chama a participar de sua vida. Um Deus que nos quer introduzir na alegria de sermos seus filhos e filhas. Ao descobrir essa alegria isso nos leva a comunicá-la aos outros. Deus nos ama tanto que no seu Filho se tornou um de nós e nunca mais se separou de nós. Deus não tem medo de misturar-se conosco. Ama-nos sempre. Com um amor incansável. O Deus que cremos - Pai, Filho e Espírito Santo - se revela a nós como Amor (1ª João 4,8). E nisto nos revela que só na sua convivência nos realizaremos plenamente. Recordo, novamente, com palavras livres a constatação de Santo Agostinho: “Nosso coração vive inquieto enquanto não repousar em ti”. Só o Deus revelado por e em Jesus Cristo é o Deus libertador. As outras imagens de Deus aprisionam e amedrontam. A missão, nestes tempos que nos levam as buscar os deuses do momento, é o anúncio daquele que nos criou

Jornal do Meio Rua Santa Clara, 730 Centro - Bragança Pta. Tel/Fax: (11) 4032-3919 E-mail: jornal@jornaldomeio.com.br Diretor Responsável: Carlos Henrique Picarelli Jornalista Responsável: Alexandra Calbilho (mtb: 36 444)

As opiniões emitidas em colunas e artigos são de responsabilidade dos autores e não, necessariamente, da direção deste orgão. As colunas: Casa & Reforma, Teen, Informática, Antenado e Comportamento são em parceria com a FOLHA PRESS Esta publicação é encartada no Bragança Jornal Diário às Sextas-Feiras e não pode ser vendida separadamente. Impresso nas gráficas do Jornal do Meio Ltda.

à sua imagem e semelhança e nos predestinou a ser filhos no Filho (Efésios 1,3ss.). É sempre tempo de encontrá-lo! Encerro esta reflexão, tomando, de novo, a palavra de Santo Agostinho como uma oração que deve estar sempre em nossos lábios e em nosso coração: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo... Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz!” (Do Livro das Confissões de Santo Agostinho)


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Espelho, espelho meu... Como os adolescentes encaram a si mesmos e ao grupo quando o problema é acne?

por JANAINA AVOLETA

Viver numa sociedade tão preocupada acne e descobriu como de fato essa doença com a imagem é uma das maiores reflete diretamente nos relacionamentos dificuldades pelas quais os adoles- sociais e comportamentais dos jovens de centes com excesso de acne atravessam, e, hoje em dia. ser aceito pela sociedade influi na maneira como esses jovens encaram a própria imagem. O que é acne Como prova dessa tese um estudo recente Antes de tudo é necessário entendermos feito pela psiquiatra, Eva Ritvo, da Univer- o que é a acne e como ela se manifesta em sidade de Miami, EUA e a American Acne & nosso organismo. A acne é uma doença de Rosacea Society (AARS), mostrou que a baixa predisposição genética cujas manifestações autoestima dos adolescentes que sofrem com dependem da presença dos hormônios a acne dificulta a interação social e podem sexuais. Devido a isso, as lesões começam a surgir na puberdade, época em que estes se refletir nos relacionamentos. A pesquisa, que ouviu aproximadamente mil hormônios começam a ser produzidos pelo adultos e o mesmo número de adolescentes, organismo, atingindo a maioria dos jovens entre 13 e 17 anos, procurou observar todos de ambos os sexos. os aspectos dos impactos emocionais do jovem As manifestações da doença (cravos e espinhas) adolescente com acne, incluindo a importância ocorrem devido ao aumento da secreção seda participação dos pais para o sucesso dos bácea associada ao estreitamento e obstrução tratamentos. O estudo apontou ainda que os da abertura do folículo pilosebáceo, dando jovens com acne tem maior origem aos cravos pretos probabilidade de serem Geralmente e fechados e aos cravos percebidos como tímidos eles falam por trás, brancos. Estas condições conheci gente que até favorecem a proliferação “nerds” e solitários. Já os chorou em razão dos de microorganismos que adolescentes que possuem apelidos. A pessoa fica provocam a inflamação a pele limpa e livre de acne traumatizada são facilmente caracterizados característica das espinhas. como felizes inteligentes e Mas como uma doença tão divertidos. comum e ao mesmo tempo Para quem já passou desse período, a pre- tão complicada causa sensíveis problemas ocupação pode ser das menores, mas ao emocionais aos jovens? jovem que passa pela fase mais complexa da vida o assunto é grave e reflete como bem Autoestima apontou a pesquisa, em diversos aspectos * A pedido os nomes dos entrevistados foram moemocionais, por isso, o Jornal do Meio foi dificados para preservar suas imagens. ao encontro de jovens entre 15 e 24 anos que O jovem *André hoje com 24 anos conta que possuem e que já possuíram a famigerada sofreu por muitos anos com o problema da acne. Apesar da doença não se manifestar com intensidade na face, seu corpo, incluindo costas e braços eram tomados pela espinhas. O jovem que até então tinha 17 anos, deixou de usar camisetas regatas e freqüentar piscinas e praia. Esses passeios foram riscados da agenda. ”Eu tinha 17 anos e me sentia muito mal. Foi uma fase em que a pele A Acne começa a surgir na puberdade atingindo tanto meninos quanto meninas ficou muito feia”, diz. FOTO ILUSTRATIVA

FOTO ILUSTRATIVA

Pesquisa realizada nos EUA aponta que a Acne dificulta a interação social

O tratamento, segundo ele, foi rápido. Não precisou esperar muito para sentir os efeitos dos produtos que usava. “Procurei um dermatologista logo que os problemas começaram”, conta satisfeito com os resultados. Se para os meninos o problema causa muitos constrangimentos, quem dirá para as vaidosas meninas que estão em fase de aceitação e num universo tão preocupado em procurar pela beleza quando se olha para os outros. Talvez esse seja o grande problema da acne: tirar o foco de atenção dos pontos belos e fortes do rosto do indivíduo, desviando a atenção para os aspectos menos interessantes da pessoa. *Luana de 16 anos vive isso na pele. Filha de mãe esteticista ela conta que foi a própria mãe que começou a perceber que a questão poderia ser mais séria que algumas simples espinhas pré- menstruais. “Estou fazendo há pouco tempo tratamento com cremes e espero que dê resultados, conta, emendando que: “A vantagem das meninas é que podemos esconder com maquiagem, quando saio para a balada uso muito esse recurso”. Sua colega *Daiane, 16 anos, confirma a estratégia, mas diz que apesar disso os constrangimentos para quem sofre com o problema da acne são grandes, e se intensificam quando pessoas próximas como os namorados comentam o assunto ou mesmo quando a turma coloca apelidos. “Geralmente eles falam por trás, conheci gente que até chorou em razão dos apelidos. A pessoa fica traumatizada”, observa a jovem. *Marcelo, 17 anos conta que demorou em

procurar um médico, foram os pais que insistiram, até quando ele viu que o problema piorava. “As espinhas não me incomodavam, não achava que tinha muitas e via aquilo como uma fase. Mas minha família e meus amigos começaram a comentar bastante e a insistir para que eu procurasse um médico”, diz. O tratamento que começou com cremes específicos, culminou no uso de um remédio forte e eficaz, mas que causa sérios efeitos colaterais. Indicado apenas em casos de acne moderada a grave, o medicamento é usado apenas por 2% dos adolescentes no primeiro tratamento. “Além de não poder ingerir álcool de maneira alguma e ter de modificar minha alimentação, ingerindo mais frutas e legumes, o tratamento causa forte secura nos lábios e na pele”. Apesar de tudo, ele confirma a eficácia: a acne que foi um problema desde seus 13 anos de idade, agora com 4 meses de uso do remédio, está sentindo uma grande melhora. É importante ressaltar a participação efetiva dos pais e de especialistas durante todo o tratamento das acnes, para que de fato vejam a questão como uma condição médica e que deve ser tratada adequadamente pelos dermatologistas e em muitos casos com acompanhamento até de psicólogos, afinal a acne envolve diversas questões e hoje já tem cura, por isso, procurar ajuda médica além de contar com o apoio dos pais é extremamente importante para que a autoestima e a melhor fase da vida desses jovens seja preservada.


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Comportamento

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A polêmica da palmada A Europa debate uma lei para proibir os pais de bater nos filhos; franceses e ingleses resistem em banir o tapa no bumbum por LUCIANA COELHO /FOLHAPRESS

O Conselho da Europa lançou uma campanha para acabar com as palmadas, esquentando um debate que divide a opinião pública europeia sobre como disciplinar crianças sem afetar seu desenvolvimento psicológico e físico. A mais proeminente entidade de monitoramento dos direitos humanos do continente quer que os países proíbam na lei qualquer tipo de castigo corporal, inclusive as palmadas no bumbum. Até agora já obteve garantias de 20 governos e promessas de outros oito de que assinarão o compromisso. Para os defensores da medida, qualquer tipo de punição que envolva violência física degrada a dignidade da criança e viola seu direito à integridade - garantidos na Convenção dos Direitos Humanos da ONU. “Punições corporais mandam a mensagem errada de que você pode usar violência para obter o que quer”, disse à reportagem por telefone Elda Moreno, do Conselho. “E fica mais difícil impedir outros tipos de violência. Onde estará o limite?” Moreno é assessora especial para o tema da vice-secretáriageral do Conselho da Europa, Maud de Boer Buquicchio, que lançou oficialmente a campanha na última terça-feira em um debate em Estrasburgo. No evento, foi apresentada uma petição com assinaturas dos jogadores do Real Madrid, do ex-presidente soviético Mikhail Gorbatchov, da rainha Sílvia da Suécia e da atriz italiana Claudia Cardinale. Apesar do apoio pomposo, no entanto, a proibição ainda encontra resistência da população. Segundo Moreno, mãe de duas crianças, este é o maior freio à adesão dos governos que ainda hesitam, como o britânico e o francês. Ela lembra ainda que na Suécia, país pioneiro em proibir por lei as palmadas, em 1980, foi necessária toda uma geração para mudar a mentalidade. “Uma pessoa confrontada com essa questão primeiro tem de questionar a forma como foi criada e depois examinar seu próprio comportamento como pai ou mãe”, afirma. “Do ponto de vista psicológico, é muito difícil lidar com essas questões.”

A imprensa europeia agora desperta para o tema. “A campanha está ganhando impulso”, diz Moreno. No Reino Unido, a cobrança em cima do governo cresce. Até recentemente, os britânicos permitiam castigo físico na escola. Um estudo assinado pela pesquisadora de saúde comunitária Catherine Taylor, da Universidade Tulane (EUA), mostra que crianças que levam palmadas frequentes por volta dos três anos se tornam mais agressivas aos cinco. Para a pesquisa, que será publicada na revista “Pediatrics”, foram ouvidas 2.500 mães e listados fatores de risco na maternidade. Quase metade delas (46%) afirmou que não havia batido em seus filhos nenhuma vez no mês anterior, e 28% o haviam feito uma ou duas vezes. Outras 27% bateram mais e eram as que reuniam mais fatores de risco, segundo o estudo. Em outra fase, as crianças que apanham mais manifestaram mais sinais de agressividade, como crueldade, bullying, brigar e fazer ameaças. Para Miriam Debieux Rosa, professora de psicologia da USP, a força física não é um bom método de educação, mas há ocasiões em que a situação escapa ao controle. “Pais que nunca se descontrolam são perfeitos, o que não existe”, diz. Ela afirma que educar pela palmada é autoritário e pode gerar pessoas medrosas e submissas ou que reproduzam esse padrão de se impor pela força. “Mas transformar em lei um excesso eventual é exagero e pode criminalizar formações culturais diferentes.”

FOTO: IMAGE SOURCE/CHRISTOPHER ROBBINS

ARGUMENTOS PARA PROIBIR • Palmadas violam os direitos da criança à integridade física e à dignidade. Se não é legal dar um tapinha em um adulto, então em uma criança também não é • A prática de bater pode deixar sequelas graves: estudo americano com 2.500 mães mostra que crianças educadas com palmadas tendem a se tornar mais agressivas do que as que não foram • As crianças entendem que a violência é uma forma aceitável de resolver um conflito • Há dúvidas sobre a eficácia da palmada para disciplinar crianças ARGUMENTOS CONTRA A LEI • Os governos não devem se meter na maneira como os pais educam os filhos • A atual legislação já é suficiente para punir pais que espancam os filhos • A melhor forma de evitar castigos físicos seria com campanhas educativas, não por meio de lei • A geração que tem filhos agora e as anteriores foram,na maioria, criadas sob a premissa de que uma palmada eventual é aceitável em casos de excessos dos filhos. A questão é como impor os limites Fonte: Conselho da Europa


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Casa & Reforma

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Contra a parede Cresce o número de queixas a construtoras sobre defeitos na obra, cobranças indevidas e atrasos na entrega por ROSANGELA DE MOURA/FOLHAPRESS

O boom imobiliário caracterizado pela alta do número de lançamentos foi acompanhado de outro crescimento: o de reclamações contra construtoras e imobiliárias em órgãos de proteção ao consumidor. A comparação entre os meses de março deste ano e do ano passado aponta um aumento de 85% na quantidade de queixas no Procon-SP (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) -229 contra 124. Atrasos na entrega, falta de qualidade nas construções, cobranças de taxas indevidas e não devolução de sinal lideram o ranking dos problemas reclamados em relação à compra de imóvel novo ou na planta. Antes de fechar negócio, o comprador pode se precaver. Para evitar surpresas, o primeira passo é verificar se o projeto da incorporação foi aprovado pela prefeitura e registrado no cartório de imóveis. A analista do Procon-SP Valéria Cunha frisa que, sem essa aprovação, há risco de embargo da obra. Dois documentos merecem atenção: o contrato e o memorial descritivo. No primeiro está a data de entrega e o limite que a construtora tem para o atraso, em geral de 180 dias. “Essa cláusula deve estabelecer a multa que a empresa terá que pagar pelo atraso excedente”, comenta Cunha. Um projeto de lei quer definir parâmetros para calcular o valor da indenização. Gastos como o de aferição de idoneidade do comprador -levantamento de certidões negativas de débito- ou o de elaboração do contrato não devem ser repassados ao mutuário. A qualidade final do imóvel pode ser balizada no memorial descritivo, que relaciona padrão de acabamento e marcas dos componentes. Alterações devem ser negociadas antes de assinar o contrato, diz

Marcelo Dornellas, advogado especializado em direito imobiliário.

Projeto de lei na Câmara dos Deputados prevê multa por atraso na entrega por EDSON VALENTE /ROSANGELA DE MOURA/ FOLHAPRESS

Contra a demora na entrega -maior reclamação de compradores de imóvel na planta-, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que pretende estabelecer como indenização uma multa, por mês de atraso, equivalente ao aluguel de uma unidade semelhante à que estiver sendo adquirida. O projeto nº 3.019/2008 aguarda parecer da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, “onde espero vê-lo aprovado ainda neste ano”, disse seu autor, o deputado Antonio Bulhões (PRB-SP), à reportagem. Atualmente, os contratos em geral estabelecem uma carência de seis meses, ou 180 dias, para as construtoras em relação à data de entrega prevista. “Algumas construtoras colocam 180 dias úteis”, alerta o advogado Tiago Antolini, diretor da AMM (Associação dos Mutuários e Moradores das Regiões Sul e Sudeste do Brasil). Vencido esse prazo de carência, Antolini lembra que o mais comum é os documentos estipularem 0,5% ao mês durante o período de atraso excedente. “É preciso checar se há essa cláusula [no contrato]”, ensina. Para o cálculo do valor da multa na nova legislação, a Comissão de Defesa do Consumidor sugeriu tomar como base a média de mercado do preço do aluguel de imóveis similares na localidade em que se situar o bem comprado. Outro dispositivo acrescentado ao texto nessa comissão é o de “permitir a transferência do empreendimento a outra incorporadora em caso de inadimplência no pagamento da

indenização”, relata Bulhões. Se o combate ao atraso na entrega pode ser reforçado com uma nova lei, a precaução em relação a promessas de venda não cumpridas e defeitos construtivos precisa ser pensada antes das chaves.

Promessas Com relação às promessas, a recomendação é guardar até folders e anúncios publicitários -eles servem como prova de itens anunciados que, assim, terão de ser entregues. Outra dica é pedir ao corretor informações por escrito. Identificar erros construtivos, por sua vez, costuma pedir o olhar de um especialista. Dessa forma, antes de se mudar, é indicado fazer uma vistoria cuidadosa do imóvel com a ajuda de profissionais -encanador e eletricista, por exemplo.

PL segue decisões judiciais “A lei vai normatizar o que já é praxe em decisões jurisprudenciais”, afirma o advogado Olivar Vitale Junior, coordenador do curso de pós-graduação em negócios imobiliários da Faap (Fundação Armando Álvares Penteado). “Hoje, a jurisprudência é totalmente favorável ao dever de indenizar [o comprador em caso de atraso na entrega]”, diz. Para o advogado, usar um percentual fixo para definir o valor da multa facilitaria a cobrança, mas é “mais justa” a fórmula de cálculo proposta pelo projeto (tomar como base o aluguel médio de imóveis semelhantes e de localização próxima ao que estiver sendo adquirido). “O percentual [do valor do imóvel que equivale ao seu aluguel mensal] varia de acordo com o mercado. Em época de poucas ofertas disponíveis para locação, por exemplo, ele aumenta.” FOTO: CECCONELLO/ FOLHA IMAGEM

Karina Tanaka, 32 anos, Dentista, reclama da burocracia para conseguir reformar o seu apartamento para o qual se mudou em março. Reclama também da sujeira das paredes da faixada e das áreas de convívio do condomínio


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Informática

&

Tecnologia

Saiba como proteger melhor seus dados Precauções básicas no Twitter, no Facebook e no Orkut podem tornar uso dessas redes sociais mais seguro por AMANDA DEMETRIO/FOLHAPRESS

A privacidade pode ser tênue quando você está on-line, mas é possível fazer pequenos ajustes nos seus perfis das redes sociais para que menos informações estejam abertas a todos. Além disso, é bom avaliar os comentários que você coloca na rede. A dica dos especialistas procurados é que você seja criterioso em relação ao que publica na rede. Veja dicas para ajustar perfis:

Facebook Em www.facebook.com/safety, está disponível o centro de segurança do site. Se você tem filhos, é educador ou é adolescente, existe material específico para leitura. Em geral, a política de privacidade do Facebook se divide em três níveis: Apenas amigos, Amigos de amigos e Todos. Nas configurações, você pode escolher para qual nível quer que os dados sejam mostrados. Segundo o Facebook, ‘você possui também um conjunto de informações públicas, que ajudarão seus amigos a lhe encontrar e a conectarem-se a você: seu nome, foto do perfil, gênero e qualquer conexão que você tenha feito’. Apesar disso, você pode esconder algumas dessas informações indo à página do seu perfil e clicando nos pequenos ícones em forma de lápis que existem nas caixas que guardam informações. FOTO: DIVULGAÇÃO

Para controlar outras informações, vá a Conta e depois a Configurações de privacidade. São cinco campos a serem ajustados. Veja exemplos: Em Informações do perfil, você configura informações do seu perfil, como a biografia e as fotos. Nessa fase, pode escolher, para cada informação, em qual dos níveis ela será vista. Também é possível criar uma lista específica de pessoas para qual os itens poderão ser mostrados. É nessa parte do processo que você controla quem poderá escrever no seu Mural. Já em Informações de Contato, você controla como os usuários terão acesso a dados como seu endereço e telefone. No item Aplicativos e Sites, você gerencia aplicações e sites que funcionam dentro do Facebook, o que inclui jogos como o Mafia Wars e o FarmVille. É importante saber que esses programinhas usam as informações que você colocou disponível para Todos, além das já públicas, para funcionar. Também é o momento de se livrar dos incômodos convites para fazer parte de jogos no Facebook. Clique em Ignorar convites para aplicativos e escolha de quais amigos você quer ignorar as requisições. Ao postar comentários no Mural é possível ajustar o nível em que cada post será mostrado. Clique no cadeado ao lado de Compartilhar e escolha. Veja mais explicações em bit.ly/facebpriv.

Twitter

O My Privacy 4.0 faz uma varredura no computador e mostra sites visitados, cookies e outros traços deixados no computador, a versão demo não deleta os rastros FOTO: DIVULGAÇÃO

Free Hide IP é uma ferramenta grátis que promete mudar o endereço de IP do computador para fazer uma navegação anônima e que não possa ser monitorada

No Twitter, as opções para a configuração da privacidade são mais simples. Para controlar quem vê seus posts, vá a Settings, depois a Tweet Privacy, e escolha

Protect my Tweets. O microblog também dá a opção de colocar sua localização nos tuítes. Verifique em Tweet Location, ainda em Settings. Em Connections, você controla os serviços que permitiu que se integrassem à sua conta, como o Foursquare ou os jogos que postam automaticamente seus resultados no Twitter. Você pode cancelar o acesso desses programinhas clicando em Revoke Access.

Orkut No Orkut, as configurações são feitas em Configurações e depois em Privacidade. Lá, você seleciona opções como se quer ser marcado em fotos de amigos, mostrar quem visita seu perfil (e deixar que as pessoas saibam que você as visitou) e restringir quem vê determinadas partes do seu perfil. A restrição para as fotos pode ser feita a cada álbum. Quando você vai para sua lista de álbuns a opção Quem pode ver mostra para qual nível as informações estão sendo mostradas. Você pode escolher Só alguns amigos, Meus amigos do Orkut ou Todos do Orkut.

No Foursquare: Ajuste quais informações seus amigos receberão Ao criar uma conta no Foursquare, o serviço ajusta as configurações para que seus amigos vejam seu número de telefone, e-mail, links para o perfil no Facebook ou Twitter e para que algumas empresas vejam se você fez o check-in, o ato de avisar aos amigos que chegou a um lugar. Se considera as informações muito pessoais, é possível mudá-las clicando em Settings e depois em My Privacy. Lá, você ajusta as opções que o site marcou. Além disso, você configura em qual momento irá mandar

FOTO: DIVULGAÇÃO

O free internet Window Wahser é um programa gratuito que limpa rastros deixados no PC depois da navegação

FOTO: DIVULGAÇÃO

Net Shred X.4 for Mac é um programa que limpa os traços deixados na internet por computadores com o sistema da Apple

um tuíte enquanto usa o Foursquare.

Veja como definir quem poderá ver seus vídeos Os vídeos que são publicados na rede não precisam ser públicos. Você pode fazer configurações para que apenas pessoas escolhidas vejam imagens consideradas pessoais. No YouTube, ao subir cada vídeo, você pode configurar o modo Privado, em Privacidade. Os vídeos já colocados no ar podem ser editados ao entrar em Meus Vídeos e depois no item Editar do vídeo cujos ajustes você quer alterar. Entre as opções de privacidade, o YouTube lhe dará a opção de fazer com que o vídeo possa ser visto somente por você e mais 25 pessoas ou visto somente pelos seus contatos do site. Também é nesse campo que você define opções como se quer que o vídeo aceite comentários, se os comentários poderão ser votados e se as pessoas poderão incorporar o vídeo em sites externos. Na sua conta do YouTube, também podem ser feitas configurações de privacidade. Após entrar no site com suas credenciais, clique no seu nome de usuário no canto superior direito, depois em Conta. Na opção Privacidade, você definirá quem poderá lhe enviar mensagens e compartilhar vídeos. Também é possível escolher se você quer que o site use as informações da sua conta para lhe informar sobre publicidade. No Vimeo, outro site de compartilhamento de vídeo, as configurações são parecidas. No vídeo, clique em Settings e depois em Privacy. Assim, você pode escolher quem verá o arquivo e até mesmo colocar uma senha para que apenas os que a souberem possam ver as imagens. Em sua página de privacidade (bit.ly/privacidadevimeo), o Vimeo garante que os vídeos privados não irão aparecer como resultados de pesquisa. Também é possível definir se as pessoas poderão fazer o download do arquivo.


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SEUS DIREITOS E DEVERES COLUNADOCONSUMIDOR@YAHOO.COM.BR

BULLYING E CYBERBULLYING... VC JÁ FOI VÍTIMA ? GUSTAVO ANTÔNIO DE MORAES MONTAGNANA/ GABRIELA DE MORAES MONTAGNANA

O termo “bullying” de origem inglesa, é utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por indivíduos caracterizados como Bully ou por um grupo deles, de forma direta ou indireta, seja na escola, na rua, em casa ou no meio virtual. Embora muitos o identifiquem como aquela velha brincadeira, que sempre existiu, às vezes sem graça, em que pessoas são apelidadas conforme suas particularidades, por serem obesos, muito magros, por terem orelha de abano e etc...., na verdade não é uma brincadeira. Sem dúvida é um problema mundial presente em todas as escolas e outras instâncias da sociedade, não estando restrito a nenhum tipo especifico de instituição. O que diferencia uma antiga “zoada” do atual bullying é a intenção daquele, que provoca um colega, de magoar repetidamente e por muito tempo outrem abrangendo comportamentos agressivos, insultos, discriminação e exclusão da vítima. Na maioria das vezes ocorre sem um motivo aparente. A sua manifestação pode sofrer influência de alguns fatores tais como: o clima escolar, as relações interpessoais entre os alunos e entre professor-aluno, ou desestruturação familiar, falta de relacionamento afetivo, maus tratos físicos e excesso de tolerância. As manifestações do fenômeno nem sempre são percebidas pelos adultos que, de uma forma equivocada, o associam a brincadeiras infantis. A não identificação das manifestações do bullying pelos professores e pela família pode ocorrer, pois, as crianças evitam expor o problema, por entenderem que nada podem fazer para ajudá-la.

O bullying é muito mais complexo do que se pode imaginar, englobando características diversas, pois, trata-se de uma violência contínua e sufocante, que às vezes aparece mascarada em pequenos atos que comprometem o desenvolvimento da criança, impulsionando-a a desenvolver diversos traumas e bloqueios, os quais repercutem sobre toda a sua vida, acarretando sérias conseqüências ao desenvolvimento psíquico do agredido, gerando desde queda na auto-estima até, em casos mais extremos, o suicídio e o homicídio. Atualmente convivemos ainda com o CIBERBULLYING, que nada mais é que a versão virtual do bullying, que ocorre na Internet e em outras tecnologias de informação e comunicação móveis e fixas. Essa modalidade vem preocupando especialistas, juristas e educadores, por seu efeito multiplicador do sofrimento das vítimas e pela velocidade em que essas informações são veiculadas, com intuito de maltratar, humilhar ou constranger, sendo uma forma de ataque perverso que extrapola em muito os muros das escolas, ganhando dimensões incalculáveis, sendo elas os conhecidos orkut, msn, blogs, flogs, chats e celulares. Nestes casos, o bullying ocorre através de e-mails, torpedos e/ou scraps, muitas vezes de forma anônima. A principal diferença do bullying para o ciberbullying está nos métodos e ferramentas utilizadas pelo praticante. Enquanto o bullying ocorre no mundo real, o ciberbullying ocorre no mundo virtual. Os agentes de bullying, se não tratados por profissionais, têm grande probabilidade de se tornarem adultos com comportamentos anti-sociais e/ou violentos, podendo vir a adotar, inclusive, atitudes delinqüentes ou

criminosas. É importante que os pais dialoguem sempre com seus filhos, orientando-os e participando mais de sua vida escolar e fora dela, estabelecendo limites. É necessário também que os pais estejam mais presentes e atentos ao comportamento de seus filhos, observando qualquer mudança brusca de suas atitudes, sempre ensinando o respeito às diferenças, o que é fundamental. É preciso ainda saber ouvir o seu filho, sem julgá-lo ou criticá-lo, reforçando os sentimentos de segurança e confiança no ambiente familiar, não ignorando a timidez do filho ou o seu jeito mais gozador, pois ambos precisam de ajuda e acompanhamento. As escolas devem investir na prevenção, através do esforço permanente de sua equipe procurando sempre incluir nas suas práticas educacionais diárias e atividades extras, temas para discutir com a família e os alunos. Destaca-se a necessidade do preparo dos professores e profissionais especializados para lidarem com o bullying, que interfere no processo educacional, não só dos alunos que o praticam, ou que são vitimas, mas de todos aqueles que convivem no ambiente escolar. A escola necessita ser um ambiente seguro para o desenvolvimento do cidadão. Importante que o adolescente saiba que o autor do bullying ou cyberbullying, uma vez identificado, não pode e nem deve ficar impune, porque a legislação (Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA) determina que os menores de 18 anos que praticam atos dessa natureza responderão a procedimento judicial, ficando sujeitos a cumprir medida sócio-educativa proporcional ao ato praticado, equiparado a crime, quer o de injúria,

difamação, ameaça constrangimento ilegal, entre outros a depender do caso concreto. Já os pais, podem ser responsabilizados civilmente pelos atos de seus filhos, uma vez que o exercício do poder familiar impõe a obrigação dos pais de educar seus filhos. Sendo que esta responsabilidade será objetiva, ou seja, independerá da existência de culpa dos pais ou responsáveis para existir. Em alguns casos, até mesmo a escola poderá ser responsabilizada pelo ato praticado por seus alunos, quando estiverem sob os seus cuidados e vigilância. E da mesma forma como ocorre com os pais ou responsáveis, essa responsabilidade independe de comprovação da culpa da escola pelo dano ocasionado à vítima, qual seja, outro aluno ou até mesmo um professor da instituição de ensino. Vê-se, que somente com o fortalecimento da relação PAIS, ALUNOS e ESCOLA, cada um colaborando dentro de sua competência, haverá resultado no trabalho desenvolvido para coibir as manifestações de violência, cada vez mais comuns em nossa sociedade. Mister se faz que o espírito de solidariedade e o respeito às desigualdades sejam fomentados entre os jovens, pessoas em desenvolvimento, onde for que se encontrarem, seja em seus lares, nas escolas ou mesmo em ambientes de propícios ao divertimento. Até a próxima!

Advogados Gabriela de Moraes Montagnana OAB/ SP 240.034 Gustavo Antônio de Moraes Montagnana OAB/ SP 214.810


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De Geração em geração Heranças de valor mais sentimental do que financeiro são cultuadas por jovens que as recebem por HELOISA NEGRÃO /FOLHAPRESS

A o contrário do que acontece nos filmes, na vida real as heranças nem sempre envolvem milhões de dólares e uma viúva gananciosa. Muita gente herda, em vez de grana, objetos cujo valor sentimental é maior do que o de mercado. As heranças mais valiosas de Thaís de Almeida, 22, estão em uma caixa abarrotada de papéis. Ela guarda um recorte de jornal que fala sobre a morte de seu pai, os poemas que ele fez para a mãe dela e a carta escrita por ele um dia antes de morrer, vítima de enfarte. ‘Isso me marcou muito. Eu fui a última a vê-lo com vida e tive a sorte de pegar essa carta, que ele tinha acabado de escrever’, conta Thaís. FOTO: FRED CHALUB/FOLHA IMAGEM/FOLHAPRESS

Na carta, o pai falava o quanto amava e confiava nos filhos, e se desculpava por não ter se dedicado mais. ‘Ele trabalhava muito’, diz Thaís, que tinha 14 anos quando o perdeu. Em vez de guardar, Nicholas Vallone, 17, preferiu expor sua herança logo na entrada de casa. Ele pendurou na parede o bastão de madeira com um cavalo de prata na ponta que o avô ganhou de Tancredo Neves, na época (1985) recém-eleito presidente da República. ‘Meu avô sempre me conta as histórias antigas dele e eu sou o neto que mais se interessa. Eu sempre pergunto’, diz. E foi durante uma dessas conversas que Nicholas soube que Tancredo ficou hospedado na casa do avô em Uberaba (MG). O bastão foi dado como agradecimento pela estadia, e repassado ao neto interessado. ‘Fiquei muito orgulhoso, quero guardar isso para mostrar para todas as gerações da minha família’, diz. Juliana Annes Erbolato, 17, também pretende mostrar para os filhos a máquina de FOTO: RODRIGO CAPOTE/FOLHA IMAGEM/FOLHAPRESS

Nicholas Valonne, 17, ganhou um bastão de madeira com a cabeça de um cavalo de prata na ponta. Este bastão foi do avô de Nicholas que ganhou o presente do Tancredo Neves

Juliana Annes Erbolato, 17 anos, ganhou de herança de sua avó uma máquina de custura de 30 anos

FOTO: RODRIGO CAPOTE/FOLHA IMAGEM/FOLHAPRESS

Caio João dos Santos Rossi, 22 anos, recebeu herança de sua avó, mobiliou sua casa e comprou um carro

costura que pertenceu a sua avó. ‘Não quero me desfazer dela. Ela é linda e ficou muito tempo com a minha avó’, afirma. ‘Quando eu era pequena, ia na casa dela e ficava costurando à mão, enquanto ela costurava nesta máquina’, lembra Juliana, que ganhou a herança de aniversário. Já Tamiris Moraes, 17, não chegou a ver a avó usar os três óculos de sol que ela herdou. ‘Mas, pelo o que meu pai conta, minha avó era muito vaidosa na juventude.’ Como os acessórios já têm mais de 40 anos, Tamiris é supercuidadosa e não

os empresta. ‘Eles são velhinhos e têm valor sentimental.’

Quando herança vira briga A partilha dos bens quando alguém da família morre pode ser bem mais complicada. Caio Rossi, 22, levou quase um ano para receber o dinheiro deixado pela avó, morta em 2006. Para ter direito à herança, a mãe dele, que é filha adotiva, recorreu à Justiça. O caso foi resolvido por meio de um acordo com a família. Quando o dinheiro foi liberado, Caio o administrou pela mãe, que estava em Portugal. ‘Paguei contas, comprei um carro, mandei dinheiro para minha mãe e guardei o resto.’ Ele também mobiliou o apartamento em que mora. ‘A vontade da minha avó sempre foi nos dar uma casa. O dinheiro não dava para tanto, mas deu um empurrãozinho.’


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Jornal do Meio 537 sexta 28 • maio • 2010 INFORME PUBLICITÁRIO

por SHEL ALMEIDA

O EZ Laboratório, fundado e liderado pelo médico fomentar o crescer científico. patologista Dr. Eduardo Zappa oferecerá aos seus Além disso, o EZ Laboratório ainda enquadra-se no clientes, a partir de 1° de junho, a facilidade de re- sistema de gerenciamento de resíduos, através de um ceber resultados de exames na tela do computador. projeto de qualidade que visa o meio ambiente, reduzinDessa forma o diagnóstico chegará rapidamente ao do significantemente o uso de papel, já os diagnósticos médico que poderá orientar o paciente o quanto antes poderão ser obtidos pelo site. sobre um possível tratamento. . Mesmo sem poder Fator Humano diminuir o tempo da técnica de processamento de material, que dura em média 24 horas, esse serviço Dr. Eduardo Zappa, formado e com residência pela agilizará a liberação de resultados de exames o que UNICAMP – Universidade de Campinas - e especialista trará conforto e comodidade a médicos e pacien- em Anatomia Patológica pela Sociedade Brasileira de Patologia, tem 30 anos de trabalhos tes, que não precisarão se deslocar até o laboratório. Para isso bastará É o médico patologista dedicados à anatomia patológica e acessar o site do laboratório através quem define o diz que o mais interessante na área diagnóstico do é a possibilidade da visão geral da de cadastro e senha pré fornecidos. paciente, por meio de medicina. Ele explica: “É o médico Pronto: o resultado estará à espera, análise detalhada do patologista quem define o diagnóstico sem complicações. material coletado e do paciente, por meio de análise deapuro técnico talhada do material coletado e apuro Dr.Eduardo Zappa Novo conceito técnico”. Mesmo com o aprimoramenO EZ Laboratório é estruturado para to da tecnologia, o fator humano é atender os diversos tipos de exames necessários dentro responsável por cerca de 60 a 70% de todo o processo da área patológica e citopatológica. Dentre os proce- de análise patológica. É através desse conhecimento dimentos mais comuns estão as biópsias – teste de técnico adquirido que o médico patologista terá prediagnóstico que analisa a natureza de um fragmento de cisão nos diagnósticos, já que as máquinas, ainda que tecido humano – na área patológica, e o Papanicolaou, necessárias, não são capazes de identificar diferentes na área citopatológica. sutilezas da anatomia de tecidos celulares. Já entre os mais complexos estão as pesquisas de anExpansão tígenos celulares, procedimento eficaz para definir o tratamento adequado para os diferentes diagnósticos Foi devido à necessidade de expansão que o Dr. Eduardo de câncer, por exemplo. Segundo Dr. Eduardo Zappa, Zappa decidiu criar o EZ. Com excelente localização e para cada possível órgão que originou a doença há um estrutura física, o laboratório está pronto para atender, além de médicos, também os profissionais da área da tratamento específico. Dessa forma, o EZ Laboratório procura oferecer aos Odontologia e Medicina Veterinária. E para facilitar a clientes serviços e resultados de exames com trans- vida dos clientes, o EZ oferece também a sistema de parência, ética e sabedoria, acompanhando todo o retirada de exames e entrega de diagnósticos, conforme avanço tecnológico de outras áreas médicas, além de a necessidade das clínicas. Visando os rígidos controles valorizar parcerias e relacionamentos. Dentro desse de qualidade, o EZ pretende tornar-se o mais eficiente novo conceito, outra proposta da EZ Laboratório é laboratório de Anatomia Patológica e Citopatologia da promover reuniões com médicos para discussões de região bragantina. Com tudo, o EZ tem a missão de ser questões científicas, além de casos e procedimentos. um laboratório apoiado na confiança adquirida por meio Dr. Eduardo Zappa vê a necessidade dessa troca de de resultados tecnicamente eficientes e atendimento experiência entre os profissionais da área a fim de adequado aos profissionais de saúde e aos pacientes.


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