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Braganรงa Paulista

Sexta 14 Maio 2010

Nยบ 535 - ano VIII jornal@jornaldomeio.com.br

jornal do meio

(11) 4032-3919


sexta 14 • maio • 2010 Jornal do Meio 535

Para Pensar

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EXPEDIENTE

UMA CIDADE NOVA?

MONS. GIOVANNI BARRESE

Em tempos pós-pascais somos convidados a olhar para um futuro que se constrói no presente. Os cristãos crêem na Ressurreição de Cristo. Ela é penhor da ressurreição de cada pessoa. Esta certeza da vitória sobre a morte deve ser a mola propulsora que dá sentido a empenhar a própria vida na construção de uma forma de relacionamento que coloque toda a humanidade na perspectiva da vida digna. Fraternidade, solidariedade, verdade, paz, amor devem ser as luzes de uma nova existência. Na parte final do livro do Apocalipse (capítulo 21) é projetada uma cidade nova: ela desce do céu. Nela Deus habitará com seu povo. Não haverá mais morte. Seu esplendor brilha como jaspe. Tem uma muralha forte, com doze portas. Cada lado tem três portas abertas para os pontos cardeais. Tem alicerces fantásticos. São doze. Feitos de safira, de esmeralda, de topázio, de ametista, etc. As portas são de pérola. A praça é de ouro puro. Ela não tem sol nem

lua. Sua lâmpada é o Cordeiro. Esta linguagem simbólica projeta, na verdade, não uma cidade material, mas uma nova forma de convivência e relacionamento. Vale recordar que o livro do Apocalipse reflete a situação vivida pela Igreja no final do primeiro século após Cristo. Não é nenhum livro de adivinhações ou com um sentido oculto que sirva de premonição factual para o presente. Os cristãos eram perseguidos. O Império Romano era o dragão que os queria destruir. Roma é comparada com a Babilônia, cidade prostituta, porque causadora das dores e miséria sofridas no tempo do Exílio. A Babilônia- Roma cai. É destruída. Surge a certeza de uma cidade nova! O Apocalipse não é livro de adivinhações. Muito menos baú de catástrofes. É um livro que quer levar os perseguidos a ter esperança de que a última palavra será a do Cordeiro imolado. Morto, ele vive. Nele serão superadas todas as dores. A dimensão profética desse livro está em proclamar que

a perseguição e a estrutura do Mal, por ela gerada, não prevalecerão. Neste contexto somos chamados a encarar os desafios do presente para dar a resposta que possa fazer com que a todo ser humano faça a experiência da filiação divina. Por isso o apóstolo João, no Evangelho (14,23-29), nos apresenta, no contexto da “despedida” de Jesus, a promessa da “habitação de Deus” em cada discípulo seu e a doação de sua paz. Esta presença de Deus se realiza pela adesão à pessoa de Jesus e à participação na sua missão. Este tema se relaciona com a “Glória de Deus”. Longe de ser elemento de culto – somente – “dar glória a Deus” é mergulhar com Jesus na doação plena para que o projeto divino de Salvação se concretize. A “glória” que Jesus dá ao Pai é a sua entrega plena para que o resgate da humanidade se realizasse. E porque Jesus morre na cruz o Pai o “glorifica” na Ressurreição. Fica muito claro o afastamento de qualquer possibilidade de seguimento de

Jesus que não passe pela entrega nas mãos do Pai. Para que isso seja possível Jesus nos promete seu Espírito e nos dá a sua paz. O dom do Espírito Santo para que tenhamos presente o sopro divino (a vida) que Deus nos dá. A paz de Jesus que é o encorajamento para não desanimar diante dos desafios e conflitos. Com estas balizas somos motivados a buscar formas de tornar presente a “nova cidade”, isto é, a encontrar meios de fazer com que a convivência humana seja marcada pelos valores que vêm do Senhor. A análise das situações de hoje nos mostra a enorme tarefa que temos. Desde a descrença total da existência de Deus até as atitudes totalmente contrárias ao mínimo respeito pelas pessoas e pela natureza. Percebemos claramente o império do dinheiro sobre tudo. Por ele não se duvida em sacrificar pessoas e a própria sobrevivência do planeta. As últimas enchentes, o vulcão da Islândia, o vazamento de petróleo nos Estados Unidos

Jornal do Meio Rua Santa Clara, 730 Centro - Bragança Pta. Tel/Fax: (11) 4032-3919 E-mail: jornal@jornaldomeio.com.br Diretor Responsável: Carlos Henrique Picarelli Jornalista Responsável: Alexandra Calbilho (mtb: 36 444)

As opiniões emitidas em colunas e artigos são de responsabilidade dos autores e não, necessariamente, da direção deste orgão. As colunas: Casa & Reforma, Teen, Informática, Antenado e Comportamento são em parceria com a FOLHA PRESS Esta publicação é encartada no Bragança Jornal Diário às Sextas-Feiras e não pode ser vendida separadamente. Impresso nas gráficas do Jornal do Meio Ltda.

servem de amostra perturbadora. O medo se manifesta. Tomamos algumas medidas de socorro. Logo, porém, nos esquecemos. E nos surpreenderemos no próximo acontecimento! Urge um testemunho mais firme. As escolhas políticas e econômicas devem ser direcionadas à conservação da vida. Se não fizermos isso não haverá futuro. Não porque Deus nos destruirá. Será porque nós tiraremos de nos mesmos a chance da vida. A “cidade nova” é possível! Se nós a construirmos!


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Programa em

família

A divertida interação entre os colecionadores por SHEL ALMEIDA

“Figurinha repetida não completa copa passada, mas não completei. Dessa vez álbum” Foi seguindo essa máxima resolvi completar”, explica. que Marcos Roberto de Moraes, 41 anos, dono de uma banca de revistas no As mais valiosas Lavapés, resolveu marcar encontros para Segundo Marcos, as mais difíceis de entrocas de figurinhas entre os colecionadores contrar são as de bolas prateadas. “As do do álbum da copa. O anúncio veiculado no Brasil também vem pouco. É mais fácil abrir BJD deu certo. Aos domingos, a partir das o pacote e achar os escudos do que achar 9h da manhã, muitos desses colecionadores de jogadores do Brasil.” Ele não participa vêm até a banca a fim de procurar por aquele das trocas, só os colecionadores. O que faz cromo que falta em sua coleção. Aos poucos para ajudar, além de promover o encontro, eles vão chegando. São crianças acompa- é vender cromos avulsos um pouco mais nhadas pelas mães, adolescentes e homens caros. “Assim a pessoa não fica gastando de todas as faixas etárias. De acordo com dinheiro à toa. Só compra a que realmenMarcos, os que mais procuram as figurinhas te precisa”, diz. Entre as que ele vende são justamente os adultos. avulsas, as prateadas são “A maioria diz que está as mais caras, por serem Um amigo meu comprando para o filho. Mas as menos encontradas. completou o álbum eles também colecionam.” Elton confirma e conta em 10 minutos só Donizete Aparecido Alves que as mais disputadas com as trocas de Oliveira, fresador de 49 são as dos escudos dos Rafael, 23 anos anos é um deles. Veio com países. Cada uma delas o filho João Gustavo de 13 vale duas de jogadores anos e o irmão. Segundo ele na troca. Mas só se não o álbum é do menino, mas é possível perceber for famoso. “Kaká, Ronaldinho Gaúcho, que se trata de uma coleção conjunta, já que Robinho, Messi, Drogba, Beckham e tanto o pai quanto o tio participam das trocas. Cristiano Ronaldo também valem mais”, Enquanto um procura uma figura aqui, o outro afirma. Rafael de Mesquita Pires, técnico senta para conferir as de outro colecionador de informática de 23 anos ressalta que as ali. “Na semana passada conseguimos trocar de qualquer jogador do Brasil também têm 11 números que ainda não tínhamos”, conta maior valor. “Só vale trocar brasileiro por Donizete, depois de constatar que o garoto brasileiro”, ele conta. Elton de Lima Medeiros, de 17 anos, não tinha nenhuma da qual o “filho” precisava. Coleção de álbuns Elton é empacotador no supermercado em Como já completou todos os álbuns de copa frente à banca de Marcos. Viu o movimento do mundo desde 1998, além de alguns de no domingo anterior, e como estaria de folga campeonatos brasileiros, Rafael já é bastante neste, resolveu par- experiente no assunto. “Se está faltando ticipar. Veio sozinho, menos de 50 figurinhas no álbum, não vale porque o amigo não mais a pena comprar. É mais fácil trocar, teve a mesma sorte. porque começa a vir muitas repetidas”, ele Por isso trouxe dois ensina. “Um amigo meu completou o álbum montes de figurinhas em 10 minutos só com as trocas”, afirma. Seu presos em elásticos: pai, Rosalvo de Souza Pires, aposentado de um dele, outro do 66 anos, o ajuda desde que é criança. Mas amigo. Ele diz que desistiu de comprar quando gastou uma boa gosta do encontro quantia em pacotes e todas eram repetidas. porque “é bom para “Agora ele só me ajuda nas trocas”, conta fazer amizade”. “Eu Rafael, enquanto o observa conferindo as Faixa em frente à banca anunciando o encontro tinha o álbum da figurinhas de Donizete. Robson Caroamigo, autônomo de 37 anos também tem experiência em relação a álbuns da copa. Coleciona desde 1982, época em que as figurinhas ainda vinham em chicletes. “Os de morango eram os que tinham as melhores”, ele lembra. Completou todos os álbuns desde então. Marcus Roberto de Moraes, proprietário da banca teve a iniciativa de reunir os colecionadores de figurinhas da Copa. Na ocasião ele vende figurinha à Robson Caroamigo

Números anotados Todos os colecionadores, além das figurinhas para

Os colecionadores em frente à banca de Marcos

troca, carregam um papel nas mãos. Ali eles anotam os números que ainda faltam em sua coleção. “Fica mais fácil na hora de trocar”, explica Robson. Por conta da experiência ele sabe que quem tiver mais de 50 figurinhas faltando, com certeza vai deixar passar alguma se não tiver os números anotados. Adriana Magalhães Melo, estudante de 36 anos, ajuda o filho Arthur, de 07, a conferir seus números. Ela acompanha o menino e o ajuda para que ele não se engane, já que é muito novo. As filhas, Ana Caroline, de 13 anos e Gabriela, de 11, também ajudam.

Adriana Magalhães Melo acompanha os filhos no encontro para troca de figurinhas

Diversão em família Esse é o segundo domingo que Adriana traz o filho para as trocas. Veio depois de ver o anúncio no jornal e gostou. “Acaba sendo uma diversão em família”, conclui. Desde que começou a ajudar o filho na coleção, passou a conhecer os jogadores. Antes disso, nunca foi ligada em futebol. As meninas também passaram a entender do assunto. Segundo elas, além das do Brasil, as figurinhas do Chile também são difíceis de encontrar. Adriana só deixa Arthur comprar mais figurinhas quando precisa. “Quando ele quer uma figurinha de alguém e não tem mais nenhuma pra trocar, aí dou o dinheiro”. Adriana faz o que pode para ajudar o filho. Na semana anterior viu um senhor ir embora chateado depois de oferecer cem figurinhas em troca de uma única que lhe faltava e não encontrar. Anotou o telefone dele. Quando percebeu que Arthur

Rosalvo de Souza Pires, 66 anos e Donizete Ap. Alves de Oliveira, 49, trocam figurinhas para os filhos

havia encontrado a tal figurinha, ligou, mas, o senhor já tinha conseguido.

Novos colecionadores: corram! Para quem pensa em começar sua coleção, uma dica de Marcos: seja rápido. Segundo ele, já está difícil encontrar álbuns pela cidade. “Não sei quando as figurinhas vão acabar. Pode ser a qualquer momento”. Se isso acontecer mesmo, mais um motivo para as trocas. E uma constatação da repórter: quem vai uma vez a esse encontro, quer voltar.


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Casa & Reforma

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Compra Segura Investigação inclui certidões negativas por EDSON VALENTE /FOLHAPRESS

Correr atrás de toda a documen-

e desapareça’, diz Eduardo Oliveira,

O atuário Luís Vidal, 30, conta que

tação necessária para comprar

secretário-executivo do Irib.

perdeu mais tempo, ’de quatro a cin-

um imóvel com segurança não

Essa prática é classificada como fraude

co meses’, nos vaivéns de transações

é tarefa simples. ‘É difícil buscá-la

ao credor e será dificultada com a marca

que não se concretizaram devido a

sozinho, recomenda-se a ajuda de um

de ações de execução na matrícula.

pendências dos imóveis.

despachante’, avalia Marcelo Lara, da

No caso do metalúrgico aposentado Pe-

‘Desisti de três compras ao fazer um

Marcelo Lara Negócios Imobiliários.

dro Luiz Pissini Peres, 49, o que salvou

pente-fino nas condições dos bens’,

‘Se o vendedor de um imóvel em São Paulo

seu apartamento, adquirido há cerca de

contabiliza. ‘Infelizmente os problemas

é dono de uma empresa no Paraná, há

20 anos no município de Sorocaba (99

aparecem nos “finalmentes’ das nego-

o risco de ele ter uma dívida trabalhista

km a oeste de São Paulo), foi o fato de

ciações, gerando desgaste emocional. Se

naquele Estado que comprometa o bem’,

o vendedor ter sido acionado na Justiça

não tivesse contado com a assessoria de

exemplifica.

depois de fechado o negócio.

um advogado, certamente enfrentaria

‘Obter todos os documentos demanda tempo, são certidões municipais, estaduais, cíveis, trabalhistas’, afirma. ‘Muitos negócios deixam de ser realizados porque o comprador não consegue toda a papelada em um prazo predeterminado e uma das partes acaba desistindo da transação.’ Um imóvel adquirido só pode ser requerido para a quitação de uma dívida do vendedor se esse débito é anterior à negociação. ‘Há quem, uma vez devedor, venda seu imóvel, pegue o dinheiro

Pente-fino ‘Comprei o imóvel por contrato de gaveta [acordo entre as partes sem formalização oficial]’, relata Peres. ‘O dono anterior cometeu um crime ambiental em outro município, e o Ministério Público bateu à minha porta. Precisei contratar um advogado. Sorte é que o juiz entendeu que eu não havia comprado [o imóvel] de má-fé. A situação até que se resolveu rapidamente, em uns dois meses’, comenta.

dificuldades mais tarde.’ Vidal chama a atenção para a necessidade de investigar atentamente os proprietários do imóvel que se pretende adquirir, ’principalmente aqueles que possuem empresa’. ‘É preciso analisar mesmo a vida pessoal, o regime de casamento. Deparei-me até com um caso de imóvel que era parte de um inventário que não saiu. O trabalho de verificação não é fácil, e muitas vezes quem vende [o corretor ou a imobiliária] é despreparado.’ FOTO: FRED CHALUB/FOLHA IMAGEM/FOLHAPRESS

Pedro Luiz Pissini Peres, 49, metalúrgico aposentado


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Informática

&

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Tecnologia

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Twitter chama a atenção de empresas Presença no microblog pode dobrar a quantidade de mensagens postadas sobre a marca no serviço, diz pesquisa por ALEXANDRE ORRICO/FOLHAPRESS

A presença de uma empresa no Twitter é capaz de dobrar a quantidade de mensagens postadas sobre a marca no serviço de microblog. A conclusão é de uma pesquisa do iDigo (Núcleo de Inteligência Digital). O estudo analisou 91.145 mensagens trocadas no microblog sobre 50 marcas de relevância nacional, de oito setores econômicos, durante o período de 20 de setembro a 24 de outubro de 2009. Cláudio Torres, consultor em marketing digital que participou da pesquisa, diz que o aumento expressivo no número de internautas brasileiros contribui para que as empresas deem mais atenção às mídias sociais. ‘Eram cerca de 28, 29 milhões de internautas em 2007. Hoje em dia os últimos números já falam em mais de 67 milhões’, diz. Das 50 empresas pesquisadas, 42% têm perfil no Twitter e postam, em média, cinco mensagens por dia. Embora as empresas que não têm Twitter também sejam citadas, o grupo que atua no microblog concentra 74% do volume total de mensagens trocadas sobre marcas no período. Outros 11,2% das mensagens postadas que citam as empresas são retransmitidas a outros usuários. No setor de cosméticos, essa taxa chega a dobrar.

Sucesso Algumas empresas entenderam o funcionamento das mídias sociais e fazem mais do que promoções ou divulgação de produtos e serviços. No perfil da Sacks Perfumaria (@sacksperfumaria), cada seguidor representa uma doação de R$ 0,25 feita pela empresa para o Instituto Criar, dedicado à inserção de jovens de baixa renda no mercado de trabalho. Outro exemplo é o perfil da Livraria Saraiva (@saraiva online), que mantém um relacionamento bem pessoal no tom das respostas aos usuários, além de realizar concursos exclusivos para os usuários do microblog. Em Porto Alegre, a rede Pizza Hut (@pizzahutpoa) abriu o perfil para sugestões de sabores de pizza enviados pelos seguidores. ‘Recebemos 80 sugestões, numero que consideramos muito bom’ diz a gerente de comunicação da empresa, Dana Chmelnitsky. ‘As cinco melhores foram escolhidas e colocadas em votação em nosso site’. O prêmio para o ganhador será um jantar com 8 acompanhantes.

Falta de planejamento causa problemas em ações na rede A falta de ações estruturadas, a escassez de

profissionais qualificados e o atraso em marcar presença no mundo das mídias sociais são alguns dos motivos listados pelo consultor em marketing digital Cláudio Torres pelas trapalhadas protagonizadas pelas empresas nos últimos meses. ‘Muitas das empresas ainda não entenderam que nas mídias sociais elas devem fazer marketing de relacionamento, e não pensar só em vendas sempre’, diz Torres. Entre os casos mais recentes está o da Locaweb, que acabou demitindo seu diretor comercial, Alex Glikas, por causa de um incidente ocorrido no microblog. A empresa fechou um contrato de patrocínio com o São Paulo Futebol Clube. Gilkas, durante o clássico contra o Corinthians, tuitou mensagens se referindo ao clube do Morumbi como ‘bambizada’. O diretor apagou rapidamente as mensagens, mas acabou deixando a empresa. ‘No Twitter, o perfil corporativo e o pessoal se invadem e as empresas não estão preparadas para lidar com isso’, afirma o consultor.

Potencial subaproveitado Além do uso sem planejamento, um

levantamento divulgado no fim do ano passado pela agência Weber Schandwick revela que 76% das contas empresariais criadas no mundo inteiro têm pouca atividade e que 11% delas foram abertas apenas para reservar lugar. O estudo, que teve como base a lista das 100 maiores da revista ‘Fortune’, mostrou que metade das empresas da lista conquistou menos de 500 seguidores, um número considerado modesto. Outras 4% foram abandonadas logo após poucos tuítes, publicados durante alguma ação específica. FOTOS: REPRODUÇÃO


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Seus Direitos e Deveres colunadoconsumidor@yahoo.com.br

AÇÃO CIVIL PÚBLICA GUSTAVO ANTÔNIO DE MORAES MONTAGNANA/ GABRIELA DE MORAES MONTAGNANA

Muito tem se ouvido falar sobre “ação civil pública”. Isso se deve à crescente atuação de órgãos que atuam em defesa dos interesses sociais, como é o caso do Ministério Público. Mas no que consiste essa ação? Quem pode ajuizála? Para responder a essas perguntas passaremos a tecer alguns comentários sobre esse poderoso e eficaz instrumento processual. A ação civil pública é, como dito, um instru-

mento processual. Encontra-se prevista na nossa Constituição Federal e também em leis ordinárias, principalmente na Lei 7347/73 e no Código de Defesa do Consumidor. Trata-se de uma espécie de ação coletiva, que não pode ser usada para defender o interesse meramente individual, mas tão somente interesses coletivos, chamados também de transindividuais. Interesses transindividuais são aqueles que excedem o âmbito estritamente individual,

dizendo respeito a toda população ou a um grupo ou categoria de pessoas. Na maioria das vezes, a satisfação da necessidade não se pode mostrar de forma individualizada, pois, se assim fosse, o homem não precisaria viver em sociedade. A vida em sociedade é muito mais complexa e os interesses, em sua grande parte, devem atender aos anseios de muitos, ou de quantidade considerada de pessoas, não ficando ao luxo do um interesse de um só. Quando ocorre um dano que se alastra e incide em uma parcela numerosa de indivíduos, o Estado deve intervir e garantir que uma solução seja tomada de forma justa e uniforme, pois, o tratamento desigual de interesses massiçamente atingidos, sem dúvida, traria certa injustiça. A ação civil pública possui essa função de resguardar a harmonia das relações sociais. Os bens jurídicos focados pela ação civil pública compreendem um rol de direitos que não podem ser considerados como pertencentes a indivíduos isolados, como mencionado, visto que atingem a coletividade no todo ou mesmo parcialmente. Tais direitos estão relacionados com a preservação do patrimônio histórico e cultural, com a proteção ao consumidor, com a defesa do meio ambiente, da ordem urbanística, econômica, da economia popular e de qualquer interesse coletivo, em sentido amplo. Sem se falar que a ação civil pública se presta também para questionar políticas públicas, visando que os Poderes e serviços de relevância pública observem os direitos assegurados na Constituição. Entretanto, apenas algumas “pessoas” podem ajuizar essa ação, somente aquelas indicadas pelo próprio legislador. São elas: o Ministério Público; a União; os Estados, os Municípios e o Distrito Federal; as autarquias, as empresas públicas, fundações públicas e sociedades de economia mista; as associações civis constituídas há mais de um ano e que incluam, entre suas finalidades institucionais a proteção ao interesse coletivo objeto da demanda. É possível que o cidadão que verifique que alguma lesão a um interesse coletivo está ocorrendo, leve o fato a conhecimento de algum desses órgãos, os quais possuem legitimidade para se valer do instrumento processual adequado para afastá-la. Assim, por exemplo, caso alguém ateste que as águas de um rio ou ribeirão existente próximo a sua residência estão recebendo poluentes advindos de uma indústria localizada nas redondezas, pode levar esse fato ao conhecimento do Ministério Público. Esse órgão, verificando a veracidade da informação, poderá tomar as medidas necessárias para fazer com que a

poluição cesse, afastando o dano ambiental. Isso porque o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado não pertence apenas àquela pessoa que noticiou o fato ao MP, mas a todos os habitantes do bairro, senão dizer da cidade e do País. Outro exemplo de interesse que diz respeito a todos é o de ver uma propaganda enganosa retirada do ar. Assim como a construção de um posto de saúde, pois, se o Estado deixar de construí-lo na comunidade, pode ser acionado pelo prejuízo que estará causando, violando o direito ao acesso a saúde por parte dos moradores de uma determinada região. O aludido instrumento processual poderá ser usado também, para a defesa de um grupo certo de pessoas, ligadas por uma mesma relação jurídica. Imagine o interesse dos consorciados de ver declarada nula uma cláusula abusiva inserida no contrato de adesão pela empresa de consórcios, a qual viola o Código de Defesa do Consumidor. A ação civil pública pode obrigar a outra parte a fazer (construir passarelas para deficientes, por exemplos), deixar de fazer (deixar de jogar lixo em um local inadequado, deixar de promover poluição sonora) ou de indenizar (nos casos em que danos sejam impossíveis de serem reparados). A lei que regulamenta a ação civil pública prevê a possibilidade de concessão de liminar para que a demora da prestação jurisdicional não atrapalhe a consecução dos seus resultados. A ação civil pública terá o condão de fazer com que a sentença que a julgar atinja a todos os interessados pelo direito que nela se busca proteger. Podendo-se dizer que aqueles órgãos a quem a lei confere legitimidade para propô-la representam todo o grupo de pessoas lesadas. Não sendo, por isso, necessário que cada cidadão, individualmente, proponha uma ação no poder judiciário para compor o dano que lhe adveio do mesmo fato. O que confere uniformidade para a decisão, justiça efetiva, já que todos os lesados serão beneficiados e não apenas os que recorrerem ao Poder Judiciário. Como se vê, a ação civil pública é um poderoso instrumento para garantir que os interesses coletivos sejam protegidos, visando uma adequada e harmônica convivência de todos numa sociedade justa e solidária e em um ambiente saudável. Até a próxima! Advogados Gabriela de Moraes Montagnana OAB/ SP 240.034 Gustavo Antônio de Moraes Montagnana OAB/ SP 214.810


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Teen

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Eu tenho a força Entenda o que pensam os jovens que praticam bullying e aterrorizamos colegas mais fracos por TARSO ARAUJO /FOLHAPRESS

Mariana, 21, tinha 15 anos quando maltratou sistematicamente, e sem dó, uma colega de escola, nova em sua turma. Ela se tornou a protagonista de uma perseguição preconceituosa em relação à origem da menina, recém-chegada da região Norte. ‘A gente fazia várias piadinhas sobre o Estado dela, falávamos para ela voltar para lá, fazíamos desenhos dela na lousa com uma faixa de Miss Rondônia’, diz. A vítima ia para o banheiro chorar e pedia aos pais, por telefone, para voltar para casa. Toda essa perseguição porque, segundo Mariana, a menina era ‘puxa-saco’ de uma professora que todos odiavam. ‘Para mim, [persegui-la] era um mecanismo de defesa.’

O motivo apontado pela estudante é apenas um entre os vários que levam jovens a praticar bullying, segundo especialistas e os próprios agressores. Outras causas comuns são a inveja e o medo de perder popularidade, que fizeram Nathalia, 14, viver seu momento de vilã. ‘Eu me achava a última bolacha do pacote. Aí entrou uma menina no colégio, alta, com corpo bonito e olhos claros. Os meninos olhavam para ela. Eu me senti ameaçada.’ Primeiro, Nathalia criou um perfil de Orkut para espalhar boatos sobre a vida sexual da menina, dizendo que ela era ‘uma biscate’. Logo depois começaram as agressões verbais, na própria escola. ‘Ela começou a mostrar tristeza, abaixava a cabeça quando passava. Aí é que a gente ria mesmo’, diz Nathalia, que considera a adesão dos colegas rindo outra causa importante de bullying. ‘Se as pessoas não rissem, a gente não faria, porque fazemos para aparecer.’

Cena de cinema Por exemplo: Marcos, 15, e alguns amigos partiram para o bullying violento depois que a turma se divertiu por meses com eles zoando um colega, apelidado (por eles) de ‘Caquinha’, em plena sala de aula. ‘Nem todo o mundo fazia [o bullying], mas todo o mundo participava rindo’, diz. O filme ‘Tropa de Elite’, diz Marcos, inspirou o grupo a ser mais agressivo.

O colega agredido parou de sair da sala na hora do recreio, depois de ser alvejado com pedaços de melancia no pátio. Marcos e os amigos iam atrás do menino sozinho na sala, cobriam sua cabeça com um saco de supermercado e lhe davam tapas no rosto e na cabeça. ‘Uma vez ele chorou muito e repensei um pouquinho o que fazia: passei a dar só na cabeça.’ Hoje, dois anos depois, ele consideraessecomportamento ‘imbecil e vergonhoso’. E diz que não pratica mais o bullying. ‘Quando a gente envelhece, perde um pouco a graça’, diz. Nathalia trilhou o mesmo caminho após a escola dar uma aula sobre bullying. ‘Achava graça em fazer mal aos outros, me rebaixava tentando mostrar superioridade. Eu era ridícula. Só pensava na minha alegria, nunca na dos outros.’

Por vingança, ex-vítimas tornam-se agressoras ‘Eu era um pouco gordinho e pegavam no meu pé. É horrível, a gente se sente um lixo’, diz Jonathan,18, de Pindamonhangaba (SP). Mas a experiência não o fez mais solidário. Ao contrário. ‘Emagreci e fiquei mais confiante. Aí comecei a pegar no pé dos outros.’ A psicóloga da USP Maria Isabel Leme, especialista em violência escolar, explica que há dois tipos de vítima: a que se encolhe e a que reage. ‘Algumas são mais agressivas e impulsivas, entendem tudo como provocação’, diz. Bruno, 16, estudante de Catalão (GO),

ILUSTRAÇÕES DE LUCAS PÁDUA SOBRE FOTOS DE LETÍCIA MOREIRA/FOLHA IMAGEM

foi vingativo. ‘Eu era muito excluído, não tinha amigos’, diz. A coisa mudou quando ele tornou-se um dos melhores jogadores de handebol da escola e, de novo, quando outra aluna mostrou jogar tão bem quanto ele. ‘Eu era bastante popular e ela era uma ameaça a isso. Acho que o fato de eu ter passado por isso [o bullying] me fez descontar nela.’ O troco veio na forma de boatos e de humilhações públicas. ‘Inventei que ela era lésbica e que tinha feito um aborto. E joguei macarrão do lanche no cabelo dela’, diz.


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INFORME PUBLICITÁRIO

Toda assistência hospitalar começa pela recepção Qualquer pessoa que se dirija a um hospital para atendimento, passa obrigatoriamente pela sua recepção. Assim também acontece na Santa Casa de Bragança. Seja pelo Pronto Socorro SUS, seja pela Pronto Clínica, Ortopedia, Internação ou Ambulatório, a recepção é o primeiro contato de paciente e familiares com os serviços médico-hospitalares. A Santa Casa conta com 44 recepcionistas e 05 telefonistas , comandadas pela chefe de recepção, Cibele Bazarim Tenório. Ao todo, são 49 profissionais exercendo atividades que vão desde o atendimento telefônico, informações, cadastramento e encaminhamento de pacientes, agendamento de consultas, até internação, transferências e organização de todos os papéis gerados nos atendimentos para enviar ao fatura-

mento. As inúmeras recepções da Santa Casa realizam serviços de apoio estratégico ao trabalho médico-hospitalar. Há alguns anos, os diretores da Instituição investem em assistência humanizada, procurando qualificar permanentemente seus profissionais, para que estejam aptos a prestar atendimentos e serviços solidificados tanto em questões técnicas quanto no caráter humanitário, na solidariedade e no respeito a que todos têm direito. A recepção, presente em inúmeros setores do hospital, esteve envolvida em diversos eventos de qualificação profissional, dentre eles o treinamento de liderança “Agindo em Sinergia”, em outubro de 2009, e o 19° Congresso da Fehosp “Qualidade e Sustentabilidade”, realizado em abril de 2010. A própria equipe de recepção pro-

move reuniões mensais com o objetivo de avaliar os resultados do trabalho desenvolvido, apresentar dificuldades e soluções e implementar novas posturas em busca de melhor atendimento. Esta humanização pode ser identificada no trabalho das recepcionistas, desde o momento em que o paciente chega ao hospital até sua alta. A recepção atende pacientes, seus familiares, médicos, enfermagem e demais funcionários administrativos. Assim, sua função se torna estratégica para o bom andamento dos serviços hospitalares. Semanalmente são atendidas pelas recepcionistas aproximadamente 4 mil pessoas, o que representa, em média, 16 mil atendimentos mensais, distribuídos entre 44 colaboradoras. Estas profissionais se dividem num trabalho

ininterrupto, durante todos os dias da semana, sábados, domingos e feriados, nos períodos diurno e noturno, buscando, assim, prestar serviços com qualidade, acolhimento e humanização a toda população bragantina.


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