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Braganรงa Paulista

Sexta

19 Fevereiro 2010

Nยบ 523 - ano VIII jornal@jornaldomeio.com.br

jornal do meio

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sexta 19 • fevereiro • 2010 Jornal do Meio 523

Para Pensar

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EXPEDIENTE Jornal do Meio Rua Santa Clara, 730 Centro - Bragança Pta. Tel/Fax: (11) 4032-3919 E-mail: jornal@jornaldomeio.com.br

ECONOMIA A SERVIÇO DA VIDA: É POSSÍVEL?

Diretor Responsável: Carlos Henrique Picarelli Jornalista Responsável: Alexandra Calbilho (mtb: 36 444)

MONS. GIOVANNI BARRESE

Faz muitos anos (mais de quarenta) que a Igreja Católica começou a unir ao tempo quaresmal temas que trouxessem, para mais perto do dia a dia, a efetivação do chamado à conversão provocado pela preparação da festa da Páscoa. No começo os temas estavam mais voltados para a vida interna das comunidades e mais relacionados à identidade da vivência da fé. Pouco a pouco os temas foram saindo do caráter tipicamente religioso para abranger a multiplicidade da realidade humana com seus desafios à fé. A esta forma de agir deu-se o nome de Campanha da Fraternidade. Porque a ação desejava ultrapassar os limites dos que professam a fé cristã e chegar a todas as pessoas, independentemente de suas opções religiosas, políticas. A finalidade era – e é - de abrir diálogo e buscar caminhos de vida e esperança para todos. Por três vezes (a deste ano é a terceira vez) a Campanha se fez com as igrejas cristãs que compõem o CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs – Igreja Episcopal Anglicana, Igreja Evangélica de

Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia e Igreja Católica Romana). O tema deste ano é “Economia e Vida”. O lema é a palavra de Jesus em Mateus 6,24: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro!” Por que este tema? A razão está no esforço sonhador de colaborar para o surgimento de uma economia voltada ao serviço da vida, a partir das opções de Fé (no caso a partir da visão cristã) para que se construa o bem comum e a sociedade não marginalize ninguém. Para a realização deste sonho se exige justiça social, consciência ambiental, sustentabilidade, empenho na superação da miséria e da fome, respeito à dignidade da pessoa humana. Caminhos para que o sonho se torne realidade são a conscientização de que todas as pessoas devem ser valorizadas; a superação do consumismo que faz valer quem tem e não se importa com o ser; a superação do individualismo e o fazer reflorescer o gosto pela convivência; mostrar aos cristãos que não se pode professar a fé sem que ela ilumine a vida; levar a cada

pessoa o senso da responsabilidade pessoal para a mudança. Para chegar a isso temos que denunciar o modelo de economia que privilegia o lucro a qualquer preço sem se importar com a desigualdade, a miséria, a fome e a morte. É preciso caminhar para uma educação que leve a uma economia solidária e cuide da natureza e das pessoas. Há que se fazer um trabalho de conscientização para unir as pessoas ao redor da defesa da vida e da Natureza. Oportuna é a lembrança da diferença entre o que chamamos de “bem comum” e de “interesse geral”. Bem comum é o conjunto das condições sociais que permitem e favorecem o desenvolvimento integral da pessoa. O bem comum abrange tudo o que a pessoa precisa para se desenvolver. O Papa Pio XII afirmava que a riqueza de uma nação não se media por critérios quantitativos, mas pelo bem estar do seu povo. “Interesse geral” considera somente o coletivo. Pode subentender o sacrifício de alguns (sempre os mais fracos, os que não contam) em relação a outros, gerando exclusão. Iluminando o sonho de uma economia

voltada não para si mesma, para o acúmulo, cola-se a palavra de Jesus citada acima. Este dito de Jesus não está relacionado somente à reflexão usual que fazemos no sentido de não sermos gananciosos e agarrados ao dinheiro (muito ou pouco) que temos. Segundo os estudiosos da Bíblia, a crítica de Jesus vai mais a fundo. Está denunciando a sociedade que passou do uso do necessário para viver com dignidade para a sociedade da acumulação que acabaria gerando miséria. Vivemos hoje o culto do consumo e da acumulação. Ainda temos ondas da crise que atingiu o mercado do dinheiro. A Europa está correndo para socorrer a Grécia para que não haja nova desestabilização. O consumismo nos faz ir atrás de necessidades que são criadas. Quem se lembra do tempo que telefone era para telefonar? Hoje o telefone é também para telefonar. E quem de nós não se sente tentado a comprar o “último” modelo para estar na “crista da onda”? Não se trata de querer anular o avanço da tecnologia e da ciência. Trata-se de objetivos de humanidade. Gastamos na sociedade opulenta quando

As opiniões emitidas em colunas e artigos são de responsabilidade dos autores e não, necessariamente, da direção deste orgão. As colunas: Casa & Reforma, Teen, Informática, Antenado e Comportamento são em parceria com a FOLHA PRESS Esta publicação é encartada no Bragança Jornal Diário às Sextas-Feiras e não pode ser vendida separadamente. Impresso nas gráficas do Jornal do Meio Ltda.

poderíamos e deveríamos investir a criatividade e recursos em muitas regiões onde ainda se vive sem o mínimo de condições. O Haiti não foi um alerta? E as regiões da África subsaariana que ninguém mais fala? E os países em guerra (Afeganistão, Paquistão, Palestina) com suas ruas poeirentas com massa humana sempre na rua, sempre maltrapilha e morrendo aos montes pelas bombas, tiroteios, etc.? A Campanha da Fraternidade é ocasião para aprimorar nossa consciência, cotejá-la com o que cremos. Para nos impulsionar a um agir redentor. Deixemo-nos questionar. E com ações pequenas (as nossas) construamos a possibilidade da fraternidade que todos desejamos!


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Jornal do Meio 523 sexta 19 • fevereiro • 2010


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FOTOS: IMAGENS STOCK

FOTO: FABIANO COSTA/BJD

Preservação da vida Especialistas explicam histórica e geologicamente os mitos sobre o fim do mundo por MARIANA VIEL

Há duas semanas o Jornal do Meio acabar. “Datas marcantes e qualquer outro tipo trouxe uma reportagem especial com de coisa que fugisse àquela ordem tradicional uma das famílias desabrigadas em podia ser um indício. Até mesmo epidemias função das chuvas que castigaram Bragança como a peste negra foram encaradas como Paulista. O calor intenso e as fortes tempes- o juízo final”. tades que atingem a região Sudeste, desde O professor diz que, atualmente, essa ideia novembro do ano passado, foram consideradas de apocalipse é vivenciada com muito mais acima da média histórica para a época do ano. intensidade pelos evangélicos e protestantes. Cerca de 40 famílias de diversos bairros da “Para algumas pessoas isso já está até aconcidade tiveram que abandonar suas casas e tecendo. Muitos acreditam que o aumento da violência, os casos de assassinatos entre se instalar em abrigos improvisados. Mas enquanto Bragança faz um balanço do familiares, os grandes desastres naturais número de pessoas desabrigadas, algumas são indícios do juízo final. A própria Bíblia cidades contabilizam vítimas fatais de diz que haverá um período de trevas antes deslizamentos de terra. Entre os dias 1º de do apocalipse”. dezembro e 28 de janeiro haviam sido regisPrevisões Maias tradas 65 mortes, apenas no Estado de São Paulo. A Defesa Civil decretou ainda estado O filme 2012, lançado em novembro do ano de calamidade pública nos municípios de passado, faz referência a uma série de catásBarra do Turvo, Cunha, Eldorado, Juquiá, trofes climáticas que resultariam no fim do Miracatu, Pedro de Toledo, Registro, São mundo. Na trama, o bombardeamentos de Luiz do Paraitinga, São Paulo (capital) e erupções solares provoca o aquecimento do núcleo da Terra a um ritmo sem precedentes, Sete Barras. No último dia 12 de janeiro, um tremor de causando o deslocamento da crosta terrestre. magnitude 7 matou cerca de 200 mil pessoas, O resultado são eventos e cenários apocalípticos em série em várias e deixou outras 300 mil partes do planeta. Ainda feridas e aproximadaEstes fenômenos fazem parte mente 4 mil amputade acordo com o filme, da dinâmica de equilíbrio do os fenômenos climáticos das no Haiti. Ao todo planeta, que se processam e geológicos estariam um milhão de pessoas por longos períodos, gerando presentes em uma antiga ficaram desabrigadas. O uma adaptação pelos seres profecia Maia. epicentro do terremoto vivos - animais, vegetais e A previsão é baseada, aconteceu na capital, humanos. Não há a menor principalmente, no que Porto Príncipe, que teve chance de fenômenos eles acreditavam ser a vários prédios públicos, naturais originados na Terra data final do Calendário comerciais e residenprovocarem a destruição de Contagem Longa ciais completamente completa do planeta Mesoamericano. Para destruídos. Milhares de corpos foram enterrados os Maias o tempo se Rene em valas comuns sem comporta de maneira serem identificadas por cíclica (com início e familiares. fim), e não de forma linear ou indefinida. A Enquanto assistimos completamente para- teoria diz que cada um desses ciclos tem 5.125 lisados aos relatos de tragédias como essas, anos de duração e seria encerrado no dia 21 somos conduzidos, pelo senso comum, a ou 23 de dezembro de 2012. As catástrofes acreditar que o fim o mundo está próximo. climáticas aconteceriam em decorrência de O professor de história do cursinho pré- erupções solares e mudanças magnéticas. vestibular do Colégio Integral, José Gabriel A primeira profecia (são sete no total) fala Labaki Tomaselli explica que o fim do mun- sobre o final do medo. Segundo a previsão a do é um preceito do próprio cristianismo. a humanidade terá que escolher entre desa“Nossa cultura parte do pressuposto de que parecer do planeta como espécie pensante ou a qualquer momento haverá o Juízo Final, evoluir para uma integração harmônica com ou Apocalipse. Ao longo da nossa história, todo o universo. “Essa projeção dos Maias qualquer fenômeno climático, eclipse ou para 2012 não é sobre o fim do mundo, mas manifestação que saísse da normalidade sobre um recomeço. A ideia é que a partir da podia ser um indício de que o Apocalipse destruição da sociedade atual será reconstruída uma nova”, explica José Gabriel. estava chegando”. A expectativa da chegada do apocalipse está O professor diz que muitos elementos da presente no dia a dia de nossas vidas antes cultura Maia podem ser considerados immesmo de imaginarmos. Durante a virada pressionantes para época. “Eles possuíam do primeiro milênio as pessoas, fortemente técnicas de construção civil muito avanças, influenciadas pela Igreja, acreditavam em na matemática foram eles que inventrarm uma crença generalizada de que o mundo iria o número zero – algo que os ocidentais não

conseguim conceber – e também entendiam muito sobre astronomia. O calendário deles, por exemplo, é perfeito e não precisa de ajustes no ano bissesto, como o nosso, pois acompanha o calendário lunar”. Sobre uma possível relação dos maias com extraterrestres, o historiador explica que esse foi um pensamento difundido pelos europeus para tentar diminuir os conhecimentos produzidos por eles. “Quando os europeus, que tinham aquela concepção de civilização superior, passaram a ter contato com a cultura Maia, não concebiam que “um bando de índios” – como eles José Gabriel explica que previsões falam consideravam – pudessem de recomeço e não apenas de um fim ter construído tudo aquilo. Os principais controladores do clima global Dessa forma eles criaram, ao longo do século XX, uma série de teorias são o Sol, que fornece a energia fundamental para tentar tirar essa capacidade dos maias”. para os processos físicos, químicos e biolóApesar de serem extremamente evoluídos gicos na crosta da terra, e os oceanos que no campo da astronomia, o professor de armazenam calor e os distribuem através história lembra que todas as previsões de das correntes marítimas para todas as regifim de mundo produzidas pelos maias foram ões do globo, já que eles recobrem 70% da superfície terrestre. negadas pela comunidade científica. “O ciclo de atividade do Sol, chamado de Previsões geológicas Ciclo de Gleissberg é de aproximadamente 90 O geólogo Rene de Souza Viel explica que anos, tendo atingido sua máxima no final da os fenômenos climáticos que, muitas vezes, década de 1950. Já o ciclo do Oceano Pacifico assustam as pessoas fazem parte da própria é de aquecimento por 30 anos (1925-1946 e dinâmica do planeta. Segundo ele, apesar da 1977-1998) e resfriamento por outros trinta Terra possuir mais de 4,5 bilhões de anos, ainda (1947-1976). Estamos vivendo uma fase de está em processo constante de mutação. Rene resfriamento tanto no ciclo do Sol, como no exemplifica que sedimentos transportados ciclo do Oceano Pacífico. Não somos nós que dos rios para o mar, retornam ao interior estamos alterando o clima. Mesmo assim, da Terra através das placas tectônicas que também não devemos provocar desmatamenerguem as montanhas. tos indiscriminados para não contribuirmos “Estes fenômenos fazem parte da dinâmica ainda mais para a formação de um ambiente de equilíbrio do planeta, que se processam hostil para se viver”. por longos períodos, gerando uma adaptação O especialista diz que as chuvas fortes pelos seres vivos - animais, vegetais e huma- dos últimos meses provocaram um ennos. Não há a menor chance de fenômenos charcamento no solo, o que depois de naturais originados na Terra provocarem a alguns dias provocou os escorregamentos. destruição completa do planeta. Eles sim- Ele afirma que as principais formas do plesmente podem atingir localmente, sem homem prevenir incidentes climáticos maiores reflexos no resto do planeta”. é se atentar à situações simples, e que Sobre a possibilidade do homem provocar muitas vezes são ignoradas. “Podemos uma grande alteração na temperatura da evitar grandes tragédias levando em Terra, Rene diz que não existem provas cien- conta fatores climáticos e geológicos tíficas, mas especulações apontam que a ação antes de construirmos casas, estradas e do homem gera menos de 5% das emissões barrancos. As famosas áreas de risco, que de carbono, enquanto as emissões naturais são terrenos muito inclinados, várzeas (oceanos, vegetações e solos) somam entre de rios e regiões litorâneas devem ser 150 e 200 bilhões de toneladas por ano. sempre preservadas”.


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Informática

&

Tecnologia

Twitter sem mistério Confira dicas para conhecer melhor e aproveitar bem os recursos do microblog FOTO: REPRODUÇÃO

por RAFAEL CAPANEMA/FOLHAPRESS

O passarinho voa cada vez mais alto. O Twitter (twitter.com), serviço de microblog que tem a simpática ave azul como símbolo, continua a arrebanhar políticos, meios de comunicação, celebridades e, é claro, usuários comuns. Na contramão de dados que indicavam queda no crescimento do Twitter, seu executivochefe, Evan Williams, afirmou que o mês passado foi o mês em que o serviço atingiu seu pico de acessos. O que parecia um mero difusor de trivialidades, como cardápios de cafés da manhã e tediosos informes sobre o clima, hoje é uma ferramenta essencial para difundir globalmente informações e mobilizações, como a ajuda ao Haiti após o terremoto. Essa mudança se reflete no abandono do antigo mote ‘O que você está fazendo?’ em favor da pergunta ‘O que está acontecendo?’, que aparece sobre o campo de texto no qual os usuários podem escrever mensagens de até 140 caracteres. No Brasil, o Twitter ganha cada vez mais espaço. O país já é o segundo que mais usa o serviço, representando 8,8% dos usuários ativos no mês passado, em junho de 2009, chegava a apenas 2%. O país só fica atrás dos EUA, com 50%, segundo a Sysomos, empresa de análise de mídias sociais. Embora o Twitter seja focado na simplicidade, os primeiros contatos podem causar confusão mesmo em usuários versados em outras redes sociais. A dinâmica do serviço é bastante peculiar e é preciso dominar termos específicos, como followers, retweets e Trending Topics. EDITORIA DE ARTE\FOLHA IMAGEM

Políticos ainda engatinham no microblog POR VERA MAGALHÃES /FOLHAPRESS

Já virou lugar comum dizer que o Twitter terá um papel fundamental na campanha eleitoral brasileira em 2010, repetindo e ampliando o que aconteceu nos Estados Unidos na eleição de Barack Obama. Por conta dessa máxima, os políticos brasileiros migraram em peso para o microblog desde o ano passado. Afora o hype, no entanto, ainda são poucos os que sabem usar a ferramenta. Os números são superlativos. Na última sexta, o perfil Twiticos (@twiticos), especializado justamente em seguir os perfis ligados a políticos e a partidos, certificando sua autenticidade, tinha em suas listas mais de 900 políticos cadastrados. Eram 271 deputados federais, 207 perfis ligados a partidos, 131 vereadores, 111 deputados estaduais, 56 senadores, 11 ministros e seis governadores. Dos quatro principais candidatos a presidente da República, só a ministra Dilma Rousseff (PT) ainda não tem perfil oficial no Twitter, embora existam vários alimentados por seus simpatizantes, e perfis falsos criados por opositores. O tucano José Serra é o mais ativo entre os outros três, seja em número de seguidores, seja em presença na rede. No mês passado o número de seguidores era de 156.243. Com posts quase sempre de madrugada, o governador de São Paulo mescla divulgação de sua agenda e de obras da gestão a comentários pessoais sobre filmes, músicas e personalidades públicas. O deputado Ciro Gomes (PSB), com 6.426 seguidores na última sexta-feira, começou em ritmo acelerado no Twitter, mas foi perdendo o fôlego. O último de seus singelos 25 tuítes foi em dezembro. A senadora Marina Silva e seu partido, o PV, estão na vanguarda da definição das redes sociais como espaço privilegiado para a campanha, já que ela terá direito a um espaço bastante reduzido no quinhão da propaganda eleitoral gratuita. Sua presença no Twitter, no entanto, ainda está aquém do discurso sobre o papel estratégico da ferramenta. Com quase 3.000 seguidores na semana passada, Marina não tuíta desde novembro

de 2009. Os silêncios prolongados são apenas um dos pecados que os políticos brasileiros ainda cometem no Twitter. Há os que delegam a tarefa de postar a assessores, o que fica visível seja pelo uso da terceira pessoa, seja pelo tom de ‘release’. Existem ainda os que tentam driblar Exemplo de lista no Twitter a exigência de 140 caracteres fracionando um texto longo em vários tuítes, o que entope a timeline dos seguidores e não cumpre o papel de uma comunicação ágil e direta. Por fim, poucos exploram todo o potencial do Twitter, lincando para textos de interesse, vídeos e conteúdo extra, demanda dos usuários e, aí sim, diferencial na campanha.

Aprenda os recursos básicos doTwitter

Saiba como criar uma conta no serviço de microblog, postar mensagens, seguir usuários e responder a outros tuítes

FOTO: REPRODUÇÃO

escrever aparecerão na sua página inicial. Para procurar seus amigos no Twitter, clique em Find People. Você pode fazer a busca pelo nome, sobrenome ou nome de usuário. Clicando em Find on other networks, você preenche usuário e senha das suas contas de e-mail do Gmail ou do Yahoo! para localizar contatos seus que tenham perfil no Twitter. Para seguir um perfil, clique em Follow, representado pelo ícone de uma pessoa com o sinal +. No canto direito, abaixo do seu nome de usuário, aparece o número de pessoas que você está seguindo (following). O número de followers (seguidores) indica quantas pessoas estão seguindo você.

por RAFAEL CAPANEMA/FOLHAPRESS

À primeira vista, o Twitter pode parecer uma grande confusão. Mas, à medida que você estiver familiarizado com os termos e os recursos do site, a experiência se tornará muito mais simples e fluida. A seguir, aprenda os recursos básicos do Twitter. Criando sua conta Para criar sua conta, vá a twitter.com e clique em Sign up now. Preencha seu nome completo, nome de usuário, senha e e-mail, além das duas palavras geradas automaticamente para evitar cadastros automatizados. O nome de usuário que você escolher fará parte de seu endereço no twitter (twitter. com/ nomedeusuario), use-o para divulgá-lo aos seus amigos. Começando Para fazer login, clique em Sign in e preencha seu nome de usuário e senha. Você terá acesso à página principal, que agrega as mensagens (tuítes) das pessoas que você segue , área conhecida como timeline, além de trazer links para os principais recursos do Twitter. Como seguir Ao seguir alguém, os tuítes que essa pessoa

Tuitando Para tuitar, basta escrever sua mensagem de até 140 caracteres (incluindo espaços) no campo de texto abaixo da frase ‘What’s happening?’ (o que está acontecendo?). Se você estourar o limite, o Twitter avisará, em vermelho, quantos toques excederam. Quando terminar seu tuíte, clique em Update. Respostas Clicando em @nomede usuario, no canto direito, você vê uma lista com tuítes que mencionam você e respostas às suas mensagens. Para responder a um tuíte, clique em Reply. Surgirá no campo de texto o nome do autor precedido pela arroba. Escreva a mensagem em seguida. Hashtags As chamadas hashtags são formadas pelo símbolo # seguido por uma expressão escrita sem espaços e sem acentos. A hashtag vira um link, clicando nele, você é direcionado a uma página de busca de tuítes com aquela expressão. No Brasil, uma das hashtags mais populares é a #prontofalei, para sublinhar confissões.


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Cuidados antes do nascimento Lei Federal garante às mulheres gestantes direito à pensão alimentícia por MARIANA VIEL

Até novembro de 2008 centenas de mulheres grávidas de todo o Brasil permaneciam desamparadas do apoio financeiro dos pais de seus filhos até o nascimento dos mesmos. A Lei de Alimentos (5478/68) deixava uma lacuna de nove meses nos direitos e necessidades das gestantes e, consequentemente, dos futuros bebês. O advogado e vice-presidente da OAB de Bragança Paulista, Leandro Ferreira de Souza Netto explica que muitas vezes as mulheres tentavam amigavelmente pedir ao futuro pai que colaborasse com as despesas. Como nenhuma lei previa ou determinava esse tipo de auxílio, o benefício só podia ser legalmente requerido após o nascimento da criança. “Pela Lei de Alimentos o direito à pensão acontecia apenas depois do nascimento. A mãe era obrigada a suportar sozinha os gastos durante a gravidez e somente após o nascimento do filho ingressar na Justiça com pedido de investigação de paternidade e alimentos”, explica Leandro. Para pedir os Alimentos Gravídicos basta que a mãe indique quem é o pai do filho que está esperando e apresente algumas provas de seu envolvimento com ele como, troca de emails, mensagens, cartas e até mesmo testemunhas. Ela deve ainda apresentar um exame que confirme a gravidez. Não há a necessidade de se comprovar que o relacionamento entre os futuros pais seja antigo. “Para o juiz fixar os alimentos gravídicos basta estar convencido da existência de indícios da paternidade. Diante disso, fixará os alimentos em favor do filho e da gestante”. A Lei Federal nº 11.804, também conhecida como Lei dos Alimentos Gravídicos, prevê que todos os gastos das gestantes com planos de saúde, consultas médicas, exames laboratoriais, remédios, alimentação especial e demais prescrições preventivas

e terapêuticas sejam divididas com o pai da criança. “Dependendo do estado de saúde da mãe a gravidez pode ser um pouco mais conturbada, com a necessidade de cuidados e gastos médicos especiais. Todos esses fatores devem ser levantados para que o pai também venha a suportar esses gastos. Os alimentos devem ser fixados proporcionalmente, ser suficientes para cobrir as despesas adicionais do período de gravidez e que sejam dela decorrentes – desde a concepção até o parto”. Para a fixação dos alimentos gravídicos o juiz levará em conta as condições econômicas do pai, da mãe e os gastos decorrentes da gestação. A mãe deve ainda informar, durante o processo, os gastos que realizou e os que ainda irá efetuar durante a gravidez. Para isso ela deve juntar receitas médicas, pagamentos de plano de saúde, consultas, recibos de compra de remédios, exames, e todos os documentos demonstrem o gasto suportado durante a gravidez. Após o nascimento os alimentos gravídicos são convertidos em pensão alimentícia em favor do menor. O valor é fixado de acordo com a necessidade do filho e a possibilidade do pai. “A lei não fixa uma regra para que o pai pague uma determinada porcentagem do salário. Tudo vai depender de cada situação”.

Aplicação Apesar de ter sido sancionada há pouco mais de um ano o número de casos de mulheres que ingressaram com o pedido dos Alimentos Gravídicos é pequeno. “Não sabemos se pelo fato da lei não ter sido muito difundida, pelo desconhecimento da população ou até em função da incerteza da paternidade, não temos tido conhecimento de muitos pedidos dos Alimentos Gravídicos”, diz o advogado. Segundo ele existe a possibilidade de que após o nascimento da criança seja comprovada

– através de exame de DNA – que o pai apontado pela mãe não é o verdadeiro. “É preciso que a mãe tenha muita certeza porque existe o risco de que uma investigação de paternidade mostre que aquele não era o pai biológico da criança. Isso pode inclusive estragar a vida do suposto pai”. Leandro explica que a lei considera que os alimentos são irrepetíveis, o que significa que partir do momento que foram pagos não podem ser devolvidos. Um dos artigos vetados na lei previa que se a mulher indicasse um homem que não fosse o verdadeiro pai da criança, posteriormente, ela poderia ter que “devolver” o que havia recebido.

Necessidade O advogado considera os alimentos gravídicos como uma lei muito importante para as mulheres. “Quem trabalha, principalmente na assistência judiciária de Bragança, vê muitas mulheres pobres e sem condições que, muitas vezes, vão até lá grávidas para dizer que o pai da criança não quer ajudar. Os alimentos gravídicos vieram justamente para tapar esse buraco que a lei antigamente deixava”. Leandro diz que: “Essa é mais uma ferramenta que está à disposição das gestantes e que não pode ser esquecida, pois, com essas medidas, atende-se o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana (art. 1o. inciso III da Constituição Federal), resguardando-se ainda mais a saúde do futuro filho e da gestante”.

Leandro afirma que lei atende princípio constitucional da dignidade da pessoa humana


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Casa & Reforma

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Lavanderia enxuta Espaço pequeno requer planejamento para alojar máquinas de lavar e de secar, tanque, armários e varais

por MARIANA DESIMONE /FOLHAPRESS

Poucos espaços mudaram tanto de 20 anos para cá quanto a lavanderia. Mais enxuta com o passar dos anos, ela hoje é planejada para ser usada principalmente pelos donos da casa - e não exclusivamente por seus empregados. Mas, como sua área diminuiu muito, sobretudo em apartamentos novos, fica mais difícil deixar o cômodo bem equipado e funcional, levando-se em conta a quantidade de itens a serem alojados ali. Para a arquiteta Fernanda Bortoluzzo, a metragem mínima do local deve ser de 1,5 m x 1,5 m. “Assim dá para colocar uma máquina de lavar e outra de secar, uma em cima da outra, um tanquinho e armários.” Existe ainda a alternativa de uma única máquina que reúna as funções de lavar e secar. Ao escolher o tanque, os tradicionais, de 50 cm de largura, podem ser substituídos por menores, de 40 cm. “Qualquer espacinho ganho já vale”, pontua Bortoluzzo. A arquiteta sugere a instalação de um armário vertical, para acomodar vassouras e rodos, e outro, com prateleiras, para panos e produtos de limpeza. “O ideal é que dê para guardar também aspirador de pó e tábua de passar roupa”, diz. Ainda pode ser necessário colocar varais, que requerem ventilação e iluminação adequadas. Às vezes a falta de espaço leva à integração de áreas. A empresária Therezinha Lima Peres, 52, usou o quarto dos fundos do seu apartamento para aumentar a lavanderia. “Há a parte de lavar, com um tanque, a máquina de lavar, dois cestos de roupa e a tábua de passar. No quarto estão os ar-

FOTO: ADRIANO VIZONI/FOLHA IMAGEM

mários e as prateleiras. Não fica nada exposto”, descreve.

Aparências Responsável pelo projeto, o arquiteto Rômulo Russi lembra que o uso de revestimentos maiores - em vez de pastilhas, por exemplo - ajuda a “ampliar” o cômodo: “Se o local é pequeno, vale usar peças maiores para disfarçar o tamanho”. Revestimentos cerâmicos de cores claras são uma boa pedida, segundo Russi. “Branco, bege e gelo continuam sendo ótimas opções e ajudam na sensação de limpeza”, avalia. Para manter o “padrão de beleza” da cozinha, uma possibilidade é manter o mesmo tipo de revestimento aplicado nela. “A lavanderia é vista como um prolongamento da cozinha, que é bem valorizada pelas famílias atualmente. Portanto deve ser igualmente bonita”, aponta Antonio Cláudio Fonseca, professor do curso de arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Arquitetos mostram como melhorar luz e ventilação Apesar de sua importância ao abrigar as funções de lavar, secar e passar roupas, a lavanderia sofre de um mal comum a ambientes apertados: a falta de iluminação e de ventilação. O arquiteto Donni Fernandes sugere a colocação de pontos extras de luz no cômodo. “Em geral é um local com pouca iluminação natural. Se as pessoas vão passar roupa ali, é importante que enxerguem bem”, analisa. Ele sugere dois ou três pontos diferentes, de preferência de luz fria, para não queimar as roupas no varal. Outra preocupação é facilitar a circulação de ar. A arquiteta Maria Luiza Urban recomenda não deixar o varal de roupas bloqueando totalmente a janela. “Pode-se optar por um modelo que seja fixado ao teto, mas que deixe um espaço entre as roupas e a janela.” Uma alternativa são os varais de piso. “Dá para mudá-los de local de acordo com o sol”, sugere a arquiteta.

Dois em um Para acabar com o problema da falta de sol na hora de secar as roupas, uma solução cada vez mais presente nas pequenas lavanderias dos grandes centros urbanos é a lavadora e secadora, a chamada dois em um. Fred Seixas, gerente de produto de linha branca da LG, diz que o produto foi pensado para as regiões Sul e Sudeste, onde “há mais dificuldade de secar a roupa, principalmente no inverno”. Ele frisa a funcionalidade do produto dois em um: “Como as lavanderias estão menores, qualquer espaço ganho é bem-vindo”, argumenta.

A empresária Therezinha Lima Peres, que incorporou no quarto dos fundos uma lavanderia

A designer Érica Artuso, 32, resolveu o problema da falta de espaço, mas, ao comprar uma dois em um, ganhou outra dor de cabeça, já que seu aparelho estava com defeito de fábrica. “Troquei por outra da mesma marca duas vezes, mas todas tinham o mesmo problema na centrifugação. Depois, troquei por uma dois em um de outra marca, que está trabalhando muito bem”, relata. A gerente de produto da Electrolux, Joana Dias, diz que, mesmo que a pessoa opte pelos dois aparelhos separados -uma lavadora e uma secadora de roupas-, eles podem ser empilhados para ganhar espaço, como sugeriram os profissionais ouvidos pela reportagem. “Não é a alternativa mais ergonômica, mas é possível colocar os dois equipamentos sobre um gaveteiro, elevando a altura do conjunto todo. Assim, não é preciso se curvar tanto para operar o aparelho de baixo.”

Divisão Mesmo contando com cuidados como a ajuda de profissionais para deixar a lavanderia mais organizada e bonita, muita gente prefere separar o cômodo da cozinha. A advogada Juliana Assis, 35, por exemplo, não gostava da vista para o varal que tinha da mesa da cozinha. “Eu não queria ficar olhando a roupa secar durante as refeições”, relata. Para barrar a vista indesejada, Assis adotou uma porta de correr de vidro jateado. “A luminosidade continua entrando, e eu resolvi o problema.” Rômulo Russi sugere uma meia parede de tijolos de vidro ou uma porta camarão de vidro jateado ou leitoso. “Quebra o visual, que fica mais agradável. As portas também evitam a passagem de cheiros da cozinha para a lavanderia.”


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Teen

Caminhos eficientes Deficientes físicos contam como vivem a adolescência, driblando suas limitações e encontrando saídas contra o preconceito por DIOGO BERCITO /FOLHAPRESS

Por conta de complicações em seu nascimento -aos prematuros seis meses de gestação-, Elisa Moreira, 13, hoje caminha com dificuldade. Mas a muleta, que a garota deveria usar para andar, ela deixa em casa. “Prefiro ir segurando nas paredes”, explica. Assim, afirma, evita passar vergonha. “Já tiraram sarro.” Esse tipo de vexação faz parte da história de Elisa e também da vida de outros jovens que lidam com deficiências físicas, além de enfrentar as complicações típicas dessa idade. Nesse momento, estímulos ajudam a superar preconceito e vergonha, segundo Ana Maria Barbosa, coordenadora da Rede Saci -de apoio a deficientes. “O jovem precisa se reconhecer como alguém capaz”, diz. Foi como quando Elisa, que faz fisioterapia desde pequena, começou a nadar. Hoje, tomou fôlego e quer competir. “No caso dela, o esporte deu mais resultado do que a psicologia”, explica Telma Previatto, fisioterapeuta da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) e responsável pelo tratamento da garota.

Cadeirante e atriz Esse impulso Vanessa Romanelli, 24, encontrou nos palcos. Atriz dos Menestréis Cadeirantes -trupe formada apenas por quem anda de cadeira de rodas-, a garota já esteve em cinco musicais nos últimos quatro anos. Devido a uma atrofia espinhal, não pode caminhar. Vanessa faz fisioterapia desde os cinco anos. “Hoje, consigo empinar a cadeira!”, comemora. E ri ao contar causos de suas primeiras noitadas. Uma vez passou por cima do pé de alguém e ouviu: “Onde é que já se viu vir de cadeira de rodas para a balada?”. “Queriam que eu fosse como, levitando?”, brinca a atriz.

Por mais que seja independente para dançar sozinha (“Vou para o meio da pista, sou cara de pau”), Vanessa nem sempre foi convidada para sair. “Na época do colégio, minhas amigas iam ao shopping e não me chamavam, talvez porque eu precisasse de alguma ajuda”, conta. “Eram amigas para todas as horas, menos para essa.” Geisa Vieira, 18, é outra que gosta de sair de casa. Atleta do time de basquete Magic Wheels (rodas mágicas, em inglês), se junta aos colegas de quadra na hora de passear. Atropelada aos cinco anos, teve de amputar a perna direita. “Acho que há uma certa admiração por causa do basquete, tipo “poxa, essa menina está superando obstáculos’”, diz. “Mas não adiantaria ficar sofrendo.”

Lutando por respeito A sensação descrita pela garota é semelhante à de Mateus dos Santos, 17, que treina judô. “O pessoal me respeita por conta do esporte”, diz. No ano passado, ficou em terceiro lugar no mundial da modalidade para cegos -perdeu a visão aos seis anos, por causa genética. Entre suas dificuldades de adaptação estão os estudos. Aluno de escola estadual, diz que, por falta de material adequado, ainda está no segundo colegial -quando, por sua idade, deveria estar no terceiro. No quesito vida amorosa, porém, não fica para trás. “Já namorei, é lógico.” As antigas parceiras não eram deficientes. Hoje, o garoto está solteiro - assim como Luís da Silva, 24. Com paralisia nas pernas e dificuldade para movimentar o braço direito, o garoto vê em sua deficiência uma das razões pelas quais deu seu primeiro beijo apenas

no ano passado, mais tarde do que seus amigos. “Há menos interesse sexual por mim”, diz, lamentando que nem todos saibam que suas limitações não impedem a ereção. Além disso, diz que, por ser deficiente, passou muito tempo com medo de levar um fora. “Mas tem de tentar, como todo o mundo”, aconselha.

FOTO: LETÍCIA MOREIRA/FOLHA IMAGEM

Ajuda Thalita Abreu, 21, não só namora como conta com a ajuda de seu namorado para passear. Tetraplégica - não move nada do pescoço para baixo -, vai com ele a lugares desde o zoológico até a rua 25 de Março. Já o antigo companheiro da garota - por coincidência, paraplégico - hoje está preso. Por ciúmes, foi ele o autor do disparo que, há dois anos, danificou a coluna cervical dela. “Já o perdoei, não tenho raiva, só causaria mais danos.” Em sua vida atual, a garota ressalta a solidão. “Meus amigos pararam de me visitar, ninguém gosta de ficar o tempo todo no quarto conversando.”

Eu vivi por JAIRO MARQUES /FOLHAPRESS

Demorou para que eu conseguisse entender o que se passava ao meu redor durante os anos em que eu começava a sentir o poder do som do Metallica, a dar atenção às manifestações mais assanhadas dos meus

Vanessa, 24, bióloga e atriz de teatro, em sua cadeira de rodas

hormônios e a querer experimentar o sabor de beijar na boca. Da infância rodeada de amigos, me vi adolescente meio que “abandonado”, um ser esquisito numa cadeira de rodas. E não foi fácil tolerar o fato de que o ser “diferente” e relativamente “dependente” tem poucas chances de se dar bem na adolescência, período em que o espírito de aventura se aguça em todo o mundo e em que ser descolado tem pouco a ver com muletas, cão-guia, aparelho no ouvido, rodas e pneus. Aos poucos, percebi que, para chamar a atenção da mulherada, eu tinha de dar um tempo e me “preparar” para o futuro. Nele, ser “descolado” teria menos relevância do que ser um cara que curte a vida e que sabe contar boas histórias. Isso não quer dizer que eu tenha me trancafiado, com vergonha de minha condição física. Superar é quase um sobrenome de quem tem alguma deficiência. Então, a bordo da minha cadeira, reinventei amigos de fato amigos, firmei a ideia de que minhas pernas finas tinham lá o seu charme e curti um bocado de rock.


Seus Direitos e Deveres

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TESTAMENTO GUSTAVO ANTÔNIO DE MORAES MONTAGNANA/ GABRIELA DE MORAES MONTAGNANA

Você já pensou em como pretende que seus bens sejam partilhados após a sua morte? O testamento é um instrumento apto à assegurar seus últimos desejos e possui extrema importância, pois, evita brigas familiares e gastos desnecessários de tempo e dinheiro com disputas judiciais. Os brasileiros de uma forma geral não dedicam muita atenção ao testamento, seja por desconhecimento, seja por repúdio a assuntos que envolvam a morte. O testamento é a forma mais segura de garantir que os bens sejam partilhados como deseja o seu titular. Contudo, ele precisa ser elaborado corretamente para que tenha validade, respeitando-se as formalidades legais exigidas para o ato. Em princípio, cumpre esclarecer que se o testador for casado ou tiver filhos ou pais vivos, só poderá destinar a terceiros (tios, sobrinhos, primos, amigos) 50% de seu patrimônio, pois, aqueles compõem a classe dos herdeiros necessários, que têm direito a metade de todo o patrimônio. Assim, na ausência de testamento os chamados herdeiros necessários ficarão com todos os bens existentes na ocasião da morte. O testamento pode servir também para definir o modo de partilhar os bens deixados, entre os herdeiros. Se há a intenção de se destinar o patrimônio a pessoas diversas e/ou em proporções desiguais, será necessária a elaboração desse intrumento. Em nossa legislação existem três tipos de testamento: público, particular e cerrado. Após a

tomada da decisão de elaborar um testamento deve-se, em princípio, optar por um dos tipos acima mencionados, desde que o testador seja maior de 16 anos e mentalmente capaz. Para fazer um testamento público, basta ir até um cartório de ofício de notas com duas testemunhas, maiores de 18 anos, que não podem ser seus parentes. O cartórios cobram uma taxa para a realização desse serviço. O tabelião lavrará o documento, que conterá as disposições a respeito da sua sucessão, ou seja, o que será feito com o patrimônio por ocasião da morte. Esse tipo de testamento é de grande valia, pois, uma vez registrado em cartório surge a garantia de que será cumprido. Por outro lado, por seu um documento público, qualquer pessoa pode ter acesso a seu conteúdo através de uma certidão emitida pelo cartório. Assim, se a intenção for evitar o conhecimento do conteúdo de testamento deve-se optar pelas outros dois tipos existentes: particular ou cerrado. O testamento particular dispensa registro em cartório e pode ser escrito e assinado em casa pelo testador, na presença de três testemunhas que o subscreverão. Nesse tipo de testamento não pode haver rasuras ou espaços em branco. A desvantagem do testamento particular é que todas as testemunhas devem estar presentes no momento da partilha para atestarem a veracidade de seu conteúdo. Assim, caso alguma testemunha tenha falecido ou esteja ausente, o testamento só será confirmado por um juiz, que irá estudar a sua veracidade,

razão pela qual esse tipo de testamento não traz certeza absoluta de cumprimento após a morte do testador. Por fim, o testamento cerrado (secreto) é feito pelo testador e ninguém conhecerá o seu conteúdo, nem mesmo as testemunhas. O conteúdo somente será lido pelo juiz, por ocasião da morte. Nesse tipo de testamento, deve-se redigir o documento e leva-lo ao cartório, em companhia de duas testemunhas. O documento será posto em um envelope, que será lacrado e devolvido para o testador. Se no momento da abertura do testamento houver algum indício de violação do lacre, o documento perde a sua validade e não será aceito pelo juiz. Nesse caso, o patrimônio sera dividido entre os herdeiros necessários. Vale salientar, que o testamento pode ser revogado ou modificado a qualquer momento. Se após elaborado o testamento sobrevir o interesse de vender algum bem, não haverá impedimento. A cláusula que dispunha sobre esse bem será automaticamente revogada, sem que se precise elaborar outro documento. Para fazer um testamento a lei não exige a presença de um advogado. No entanto, por ser um tema que envolve direitos sucessórios é de extrema importância a consulta a um profissional de sua confianaca, para que o mesmo o oriente acerca das disposições legais sobre a divisão do patrimônio. Além disso, o advogado pode ficar incumbido de redigir o testamento, evitando que cláusulas confusas ou contraditórias comprometam

a sua eficácia. Cumpre-nos observar, por fim, que além de ordenar a respeito dos bens (móveis e imóveis), o testamento pode conter disposições não patrimoniais, como o reconhecimento de filhos ou a nomeação de tutor para filhos menores. Existem, ainda, limitações que se pode impor ao fazer o testamento como cláusula de inalienabilidade, que impede que o bem seja vendido durante um período determinado, que pode ser parcial ou vitalício. Pode-se constatar que o testamento não é mais um instrumento obsoleto criado pelo legislador, mas ao contrário, um mecanismo de grande importância e valia, que possui o condão de fazer valer a vontade do sujeito mesmo após sua morte e, ainda, de evitar o conflito entre pessoas da mesma família, ligadas por laços de sangue ou afinidade. Sabe-se que inúmeros são os casos em que famílias, na luta pelo dinheiro, são inteiramente destruídas após o falecimento de um dos seus membros, sem que o mesmo deixasse por escrito a manifestação de última vontade. Trata-se o testamento de um poderoso e eficaz instrumento de pacificação social. Até a próxima!!

Advogadas Gabriela de Moraes Montagnana OAB/ SP 240.034 Natália Penteado Sanfins OAB/ SP 241.243


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