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Economia

Jornal do Dia

Editora responsável : Marcelle Corrêa< marcellecorrea@hotmail.com

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Macapá-AP, quinta-feira, 14 de abril de 2011

Rápido aumento de crédito deixa Brasil vulnerável, diz FMI O ministro afirmou que o governo não pretende tributar os investimentos estrangeiros diretos – investimentos externos que geram empregos Agência Brasil

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aceleração do crescimento do crédito em países emergentes, como o Brasil, aumenta a vulnerabilidade e o risco de superaquecimento na economia, de acordo com um documento divulgado ontem) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global (Global Financial Stability Report), lançado em Washington,

de 2007 a 2010 os empréstimos bancários em economias emergentes, sobretudo na América Latina e na Ásia, cresceram em um ritmo mais forte do que nos cinco anos anteriores à crise financeira mundial. De acordo com o FMI, os principais bancos no Brasil e na China expandiram seus balanços patrimoniais em mais de 100% no período, atingindo tamanho comparável ao de grandes bancos nos Estados Unidos e na Europa. O crescimento acelerado do crédito, diz o relatório, trouxe consigo um aumento da vulnerabilidade dos bancos e dos riscos de deterioração na qualidade do crédito. Uma série de medidas foi adotada no Brasil desde o ano passado na ten-

Setor de energia elétrica quer fim de encargo que custa R$ 2,5 bi por ano ao consumidor O fim da cobrança estava previsto para o fim de 2010, mas o encargo foi prorrogado pela Medida Provisória 517, no dia 31 de dezembro de 2010 Agência Brasil

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O manifesto defende o fim do RGR em nome da competitividade do setor elétrico, de modo a permitir maiores investimentos por parte das empresas

fim da Reserva Global de Reversão (RGR) é um dos temas do 2º Encontro de Negócios entre Agentes do Mercado de Livre Contratação de Energia (Enerlivre 2011), que começou ontem e vai até amanhã, em Brasília. A RGR custa mais de R$ 2,5 bilhões por ano aos consumidores brasileiros, mas, segundo manifesto do setor divulgado no encontro, esses recursos nunca foram utilizados para a sua finalidade inicial, que é cobrir gastos com indenizações de eventuais reversões de concessão de serviços de energia elétrica. Segundo o manifesto elaborado por entidades do setor, A RGR, que vem embutida nas contas de luz, foi criada há 54 anos

para constituir um fundo que, em 2009, acumulava R$ 15,2 bilhões e, apesar de várias renovações de prazo que o mantiveram em vigor, acabou “desviado para outras finalidades já cobertas pelos fundos setoriais existentes”. O fim da cobrança estava previsto para o fim de 2010, mas o encargo foi prorrogado pela Medida Provisória 517, no dia 31 de dezembro de 2010. O manifesto defende o fim do RGR em nome da competitividade do setor elétrico, de modo a permitir maiores investimentos por parte das empresas e diminuir os custos de investidores e consumidores. Além de empresários e entidades de classe, representantes do governo também participam do encontro. Para o secretário de Planejamento e Desenvol-

vimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, a forma de baratear a energia elétrica no país é “continuar investindo na operação otimizada do nosso sistema, por meio da maior geração das nossas hidrelétricas e menos na geração térmica, que consome combustível; escolher os projetos de menor custo de energia elétrica; continuar o processo de leilões dos projetos de geração e transmissão e desenvolver programas de eficiência energética”. Um desse programas, segundo o secretário, é o de substituição gradual das lâmpadas incandescentes por lâmpadas mais eficientes. “Juntando tudo isso, a energia elétrica no Brasil, no futuro, terá os menores custos possíveis. Isso não significa que haverá redução nas contas, até porque os novos projetos custam mais do que os antigos”, disse ele. O programa de substituição das lâmpadas incandescentes por modelos econômicos deverá ser implantado até 2017 pelo Ministério de Minas e Energia e pela Eletrobras. Segundo Ventura Filho, a nova lâmpada custa mais caro, mas tem um tempo de vida útil maior e um custo de energia menor. “A implantação de um programa desses tem que passar por uma transição, para que a indústria nacional se adapte a fabricála e o consumidor residencial tenha facilidade para adquirir esse produto”. Todo esse processo foi discutido com a indústria e as concessionárias de energia elétrica, segundo ele para que a transição aconteça sem problemas.

tativa de conter esse crescimento. Apesar dos esforços, dados do próprio Banco Central indicam que o crédito continua crescendo no país. O FMI voltou a alertar para as pressões inflacionárias em países emergentes que, como o Brasil, registraram crescimento “vigoroso” após a crise mundial – ao contrário do ritmo lento apresentado pelas economias avançadas. Segundo o documento, esse bom desempenho veio acompanhado de maiores entradas de investimentos em carteira que estão exercendo pressão sobre alguns mercados financeiros emergentes e podem contribuir para o surgimento de bolhas nos preços dos ativos e pressões inflacionárias.

“População pode participar de reunião com consórcio sobre problemas de Belo Monte”

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assessoria da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, informou que ela não é contra a participação de representantes das comunidades na reunião extraordinária que pretende promover com o consórcio responsável pela construção da Usina Belo Monte, no Pará. Maria do Rosário quer que, nessa reunião, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) discuta com o consórcio os problemas do empreendimento com base nos relatos feitos por moradores do Alto Xingu aos membros do conselho que estiveram na região. De acordo com nota da secretaria, “em nenhum momento, a ministra se posicionou contrariamente à presença da comunidade”. Durante a reunião do CDDPH, a ministra ouviu dos conselheiros denúncias de uma situação de “ausência absoluta do Estado” na região do Alto Xingu (PA), onde se localiza o canteiro de obras da Usina Belo Monte. O diagnóstico de ausência do Estado foi apresentado pelo conselheiro Percílio de Sousa Lima Neto, vice-presidente do CDDPH. Ele participou de uma visita à região onde a usina será construída e denunciou que funcionários do consórcio agem como se fossem “agentes do governo” para “coagir moradores” a abrir mão de suas propriedades para viabilizar a construção da obra. O conselheiro chegou chamar a região de “terra de ninguém” e disse que há problemas de todas as ordens, entre eles, exploração sexual de crianças e falta .

jdia 14 04 2011  

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