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Saúde

Jornal do Dia

Editor responsável : Pablo Oliveira < pc.oliveira@hotmail.com

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Macapá-AP, quinta-feira, 14 de abril de 2011

Brasil testa novo implante para desobstruir artéria do coração

O modelo que será testado é feito de um material que é absorvido pelo corpo.

Risco de depressão pós-parto é maior para mãe de gêmeos

Fonte folha.uol.com.br

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aqui a duas semanas, terá início no Brasil e em mais 67 centros do mundo a maior pesquisa já feita sobre um novo dispositivo que desobstrui artérias do coração bloqueadas por gordura. O modelo que será testado é feito de um material que é absorvido pelo corpo. O implante, um stent, é uma espécie de mola colocada via cateter (sem cirurgia aberta) na artéria coronária, para abri-la e permitir o fluxo sanguíneo. A prótese é uma alternativa menos invasiva à ponte de safena. Depois de seis meses, quando o dispositivo já cumpriu sua função, ele começa a ser absorvido pelo corpo, diferentemente dos similares metálicos, usados hoje. Os stents de metal ficam no corpo depois de implantados, o que pode causar problemas em novas cirurgias cardíacas e prejudicar a contração e a dilatação dos vasos. Eles também podem atrapalhar a visualização de artérias coronárias em exames de imagem e causar inflamações, como queloides. Os dispositivos bioabsorvíveis, feitos de um tipo de polímero, já foram aprovados na Europa no começo deste ano, mas, segundo especialistas, ainda não começaram a ser usados na prática. Cardiologistas brasileiros dizem que as pesquisas sobre o novo stent são pequenas e faltam da-

G dos sobre sua segurança e eficácia a longo prazo. REVOLUÇÃO CARDÍACA Agora, o novo estudo envolverá mil pacientes, sendo cerca de 50 brasileiros. Eles serão avaliados no Instituto Dante Pazzanese e no hospital Albert Einstein, em São Paulo, e no Instituto do Coração do Triângulo Mineiro, em Uberlândia (MG). “Se a pesquisa comprovar que ele pode substituir os stents metálicos, teremos a nova revolução da cirurgia cardíaca”, diz

Alexandre Abizaid, chefe da seção de intervenções em coronárias do Instituto Dante Pazzanese. Abizaid é também um dos diretores do encontro de inovações na cardiologia intervencionista que acontecerá em São Paulo nesta semana. Várias palestras terão o stent bioabsorvível como tema. Segundo Expedito Ribeiro, supervisor do serviço de hemodinâmica do InCor, a tecnologia é promissora, mas ainda não há dados conclusivos. “Questões como os efeitos da absorção do ma-

Estudo questiona uso da acupuntura para tratar dores

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m trabalho publicado neste mês no periódico “Pain” analisou 57 revisões de estudos feitas na Europa, Ásia, nos EUA e no Canadá sobre a eficácia da acupuntura contra dores de cabeça, ombros, coluna ou causadas por fibromialgia, câncer, artrite reumatoide e cirurgias. De acordo com os autores, foram encontrados resultados conclusivos e positivos do tratamento com agulhas só para dores no pescoço. Já para os outros casos, não houve comprovação de eficácia da técnica. Os pesquisadores, das universidades de Exeter e Plymouth, no Reino Unido, e do Instituto de Medicina Oriental da Coreia

do Sul, destacam que uma das revisões mais recentes e com melhor metodologia concluiu que a acupuntura simulada (com palitos que não penetram na pele) teve os mesmos bons resultados que a feita com agulhas, para tratar dores nas costas. Isso sugere, diz a pesquisa, que a melhora observada se deve a “efeitos não específicos”, ou placebo, como convicção do terapeuta ou entusiasmo dos pacientes. EFEITO COLATERAL De acordo com o presidente da Sbed (Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor), João Batista Garcia, essa conclusão gera ceticismo quanto à terapia. “Mesmo pes-

quisas de alta qualidade [incluídas no estudo] não provaram efeito benéfico.” Outra conclusão “alarmante”, segundo Garcia, que é professor na Universidade Federal do Maranhão, são os efeitos colaterais relatados. A maioria deles foi decorrente de infecções bacterianas por agulhas contaminadas, tratadas com antibióticos. Mas quatro pacientes tiveram seus pulmões perfurados e morreram. Em comentário publicado com a pesquisa, a médica Harriet Hall, que se autodenomina “cética”, classifica a acupuntura como “nem eficaz nem inofensiva”. “A acupuntura é o melhor placebo que existe”,

terial na artéria não foram esclarecidas”, afirma. Para Marco Antônio Perin, chefe da cardiologia intervencionista do hospital Albert Einstein, o stent bioabsorvível só tem vantagens. Ele afirma, porém, que é necessário ver seus efeitos a longo prazo. “Precisamos analisar se não criará uma reação inflamatória maior nas artérias.” Abizaid acredita que o dispositivo começará a ser usado comercialmente no Brasil daqui a um ano e meio. afirmou a americana à Folha. “A terapia combina uma mística oriental a um ritual elaborado. O paciente relaxa durante o tratamento, e o terapeuta é persuasivo, confiante e carismático.” DEFESA Para o médico acupunturista Hong Pai, do HC de São Paulo, a falta de eficácia e os efeitos colaterais anotados na pesquisa se devem ao treinamento falho dos terapeutas em muitos países. “Os meus alunos fazem 600 horas de treinamento e ainda não saem perfeitos. Imagine quem tem cem ou 120 horas [como em países europeus]?” O especialista chinês, que trabalha no HC desde 1989, afirma que a equivalência entre a acupuntura placebo e a real pode acontecer em alguns casos, porque algumas dores exigem estimulação só superficial dos pontos.

ravidez múltipla é um dos principais fatores de risco para depressão pós-parto. Entre as hipóteses para isso está a maior exigência física e emocional, segundo a psicóloga Gabriela Andrade Silva, pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo). Na sua pesquisa de mestrado, feita com 245 mães, ela avaliou alguns fatores que levam ao desenvolvimento do transtorno. Constatou que a sensação de impotência e insegurança podem ser determinantes. “Gravidez de gêmeos é uma gravidez mais complicada. É mais provável que a mulher pense que não terá suporte emocional, familiar e financeiro suficiente.” De acordo com a pesquisadora, as duas únicas mães de gêmeos que participaram do estudo tiveram depressão. O dado não foi considerado porque a amostragem era pequena, mas há pesquisas na literatura internacional que já apontaram maior prevalência do distúrbio em gestações múltiplas. Um estudo publicado em 2009 na revista “Pediatrics”, feito com 8.069 mães americanas, mostrou que o risco de ter o distúrbio é 43% maior nesse tipo de gravidez. Outra explicação, para a ginecologista Carolina Ambrogini, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), é a variação hormonal. “Grávidas de gêmeos têm mais hormônios durante a gestação. O desequilíbrio depois do parto é ainda maior.”

Doses altas de vitamina D evitam perda da visão

Jovens privados de laptops e C celulares sofrem crise de abstinência

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s sintomas de abstinência experimentados por jovens privados de seus computadores e smartphones são comparáveis aos de viciados em drogas, afirma uma pesquisa realizada pela Universidade de Maryland. A informação foi publicada no site do jornal britânico “The Telegraph” . O estudo analisou 1.000 alunos com idade entre 17 e 23 anos em dez países. Pesquisadores os impediram de usar

telefones, redes sociais, internet e TV por 24 horas. Eles foram autorizados a utilizar telefones fixos ou ler livros e foram orientados a manter um diário. Segundo os investigadores, 79% dos estudantes relataram reações adversas que vão desde desconforto a confusão e isolamento. Os adolescentes falaram de ansiedade enquanto outros relataram sintomas como coceira, uma sensação familiar

para viciados em drogas que lutam contra a dependência. Alguns ainda relataram sintomas semelhantes a bulimia, onde eles se privaram de seus telefones ou computadores para que, em um momento posterior, pudessem acessá-los por horas. Um em cada cinco relataram sentimentos de abstinência, enquanto 11% disseram que estavam confusos ou se sentiam fracassados. Quase um em cinco (19%) rela-

taram sentimentos de angústia e 11% se sentiam isolados. Apenas 21% disseram que poderiam sentir os benefícios de ficar desconectado. Alguns estudantes relataram estresse por simplesmente não poder tocar o telefone. Um participante relatou: “Eu sou um viciado. Eu não preciso de álcool, cocaína ou qualquer outra forma de depravação social. A mídia é minha droga, sem a qual eu fico perdido”.

MAIS HORMÔNIOS Cerca de 12% das mulheres têm depressão pós-parto. O transtorno pode começar logo nas primeiras semanas ou até um ano depois do nascimento do bebê. A duração e a intensidade dos sintomas variam muito e não devem ser confundidas com as de “baby blues”, tristeza que dura de quatro dias a duas semanas e afeta cerca de 50% das mulheres. “Os sintomas da ‘baby blues’ são mais leves. Ela sente um pouco de irritação pela privação do sono e pelo cansaço, mas a sensação passa sozinha”, diz Joel Rennó Junior, psiquiatra da USP. Na depressão, além do cansaço e da melancolia serem mais fortes, pode acontecer de a mãe perder o interesse pela criança -ou, no outro extremo, cuidar excessivamente do bebê e perder interesse por outros filhos e membros da família. “É muito comum a mulher ter um sentimento ambivalente. Ela quer e não quer estar estar com a criança. A culpa é muito forte em todos os casos”, explica Amaury Cantilino, psiquiatra e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco. Reconhecer o problema e procurar ajuda são determinantes para garantir a saúde do bebê e da mãe. “O transtorno pode prejudicar o cuidado da criança, as relações familiares e causar sofrimento intenso. É preciso procurar tratamento o quanto antes”, diz Cantilino.

onsumir 18 microgramas de vitamina D por dia, por meio de alimentos ou suplementos, diminui em 60% o risco de degeneração macular. A doença, relacionada ao envelhecimento, é a principal causa de cegueira no mundo todo. Um estudo feito na Universidade de Búfalo (EUA) avaliou os níveis de vitamina D no sangue de 1.313 mulheres de 50 a 79. Elas responderam questionários sobre hábitos alimentares e tempo de exposição ao sol. Os pesquisadores concluíram que quanto menor o consumo da vitamina, maior a chance de desenvolver o problema. A de-

terioração progressiva da retina não tem cura. RECOMENDAÇÕES A atual recomendação diária de vitamina D para idosos é de 15 microgramas. Segundo os responsáveis pelo estudo, é possível chegar às 18 mcg por meio de alimentos como peixes, ovos, leite e laticínios. A exposição ao sol também é importante para aumentar os níveis da vitamina no corpo. No entanto, a análise dos questionários sobre hábitos das participantes da pesquisa mostrou que a alimentação foi o fator que fez a diferença para aquelas mulheres.

jdia 14 04 2011  

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