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Jornal do CCE Ano 3 Nº 13

Florianópolis, Setembro de 2010

www.jornaldocce.ufsc.br

Assembleia debate taxas acadêmicas

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Assembleia estudantil que aconteceu no dia dois deste mês no hall da Reitoria

Pontos eletrônicos Comitê formado pela Reitoria irá discutir a política para implantação dos pontos eletrônicos. São 79 aparelhos espalhados por todo o Campus da UFSC. Agora, aguarda-se a equipe do Núcleo de Processamento de Dados cadastrar os servidores e conectar os pontos ao sistema central. Enquanto a Reitoria discute a instalação, o Sintufsc realiza protestos contra o controle de carga horária.

PRAE estuda alternativa para bares

A PRAE apresentará na segunda-feira uma proposta alternativa para ser avaliada pela Procuradoria da UFSC para compensar a falta de bares no Básico. Uma suspeita de falsidade ideológica de um dos vencedores da licitação mantém o processo sob possibilidade de cancelamento. O espaço está fechado desde o dia 30 de agosto, quando o último bar fechou as suas portas, interrompendo a prestação de serviço à comunidade do CCE.

Merlim Malacoski

A assembleia convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e pela Frente de Luta por uma Expansão de Qualidade, que acontecerá nesta quina, tem como tema a cobrança das taxas acadêmicas. A medida foi aprovada por unanimidade no dia 05 de julho pelo Conselho de Curadores sem a presença dos estudantes. O DCE pretende entrar com uma ação judicial no Ministério Público Federal. No dia 06 deste mês, a Procuradora da República Analúcia Hartmann recomendou a suspensão das taxas à Pró-reitoria de Ensino de Graduação. A reunião que contará com o Reitor Álvaro Prata acontecerá às 17h00 no Auditório da Reitoria.

Karine Lucinda

Reitor participa de discussão sobre cobrança nesta quinta-feira

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Depois do fechamento dos bares, espaço serve de depósito para carteiras

Cursos de Pós recebem inscrições

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Noé Jitrik abre Simpósio de Literatura

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Documentário Entrevista resgata vida de com Professor Rodrigo Garcez JK no exílio Página 7

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Carta

ao

Leitor

Nesta edição uma nova turma assume a produção do Jornal do CCE. Apesar de ser o primeiro trabalho feito no segundo semestre, temos o desafio de continuar as atividades desenvolvidas pelos colegos de outros anos. A décima terceira edição destaca, entre outras notícias, a formação de um comitê para analisar a instalação dos pontos eletrônicos e o projeto da possível reforma da Praça da Cidadania, que pretende recuperar o projeto original dos jardins desenhados por Roberto Burle Marx na década de 1970. Além destes temas, publicamos matérias sobre as inscrições para os programas de Pós-Graduação, o projeto da nova identidade visual da Empreja Junior

de Design e sobre a licitação o novo bloco do CCE. Em Cultura, você encontra a estréia de novos programas na Rádio Ponto UFSC e a participação do professor do curso de Cinema Charles Cesconetto nas filmagens do documentário sobre o exílio de Juscelino Kubitschek. E ainda uma entrevista com o professor do curso de Artes Cênicas, Rodrigo Garcez, que orientou a polêmica performance de um aluno nu que aconteceu em frente ao RU na semana passada. Esperamos que a leitura seja agradável e que esta edição contribua para atualização dos leitores sobre os acontecimentos mais relevantes sobre o CCE. Até a próxima!

Mathias Liesenberg é aluno da quinta fase de Design Gráfico

Jornal do CCE

“Tudo normal”

D

ia desses, no ônibus, reparei como as pessoas se distribuem pelos assentos, sentam-se cada uma num banco, excetuando os que se conhecem e olham para a janela, torcendo interiormente para que ninguém resolva sentar-se ao lado. Parece até cena de alguma comédia na qual os personagens fossem misantrópicos ou de um romance, no qual alguém que se atrevesse a sentar do lado de um desses ermocoletivos teria um arrebatamento apaixonado, mas, infelizmente, essa cena, como tal, é retrato de um documentário. Não nos olhamos mais, não nos conhecemos, não vivemos nem experienciamos nada com o outro. Grande parte da “culpa” disso está nas novas formas de relacionamentos. É incrível como as relações humanas se tornaram, de repente, tão dissolutas, e o leitor há de me perdoar por continuar essa com tão comum clichê, mas de fato, tudo com o que convivemos e nos habituamos acaba não sendo debatido, muito menos percebido. Os dias diminuem, são 24 horas em 8, e os contatos que fazemos não passam de superficialidade, seja no trabalho, na escola, na faculdade, até mesmo em casa. A rotina tende a nos consumir e recorremos às relações genéricas: Conversas em mensageiros, recados em páginas sociais, mensagens de texto... A tecnologia, antes a favor do homem, agora medeia os contatos, as relações. Tão mais fácil terminar um relacionamento deixando um scrap, ou, para os tímidos, começar. E as pessoas não mais superam suas ânsias, nem definem seus objetivos, “O tempo é curto, estou com pressa”. E a “vida” nessa forma continua, conhecemos pessoas antes pelo perfil em redes sociais do que por mediação de amigos, as classificamos sem ter conhecimento real algum, gostamos e desgostamos de pessoas que ao menos conhecemos e é “tudo normal”. Aonde foram parar as amizades de antigamente? Os valores de amigos, quase fraternais, as experiências vividas em conjunto? Certamente não estão na “baladinha” ou no “luau do findi” que decoram a paisagem dos sorrisos amarelos nas fotos que se espalham pelos perfis referidos. Essas são só tentativas frustradas de mostrar o conteúdo que pouco existe, de gritar “eu sou alguém”. E mesmo que todos tenham direito de ter “um lugar ao sol”, que adiantará tê-lo sem ninguém para compartilhar? Rubens R. Neto é aluno da sexta fase de Letras Português

Jornal do CCE O Jornal do CCE é um orgão de extensão do Departamento de Jornalismo, com textos, fotos, edição e diagramação dos alunos da disciplina de Redação II. Professor responsável Elias Machado DRT/RJ 16.936 Monitor Gabrielle Estevans Bolsista Rogério Moreira Jr.

Edição Carolina Franco, Géssica Silva, Jéssica Trombini, Joana Zanotto, João Gabriel Ziert, Marília Marasciulo, Merlim Malacoski, Natália Pilati, Patrícia Pamplona, Rafaela Blacutt, Sâmia Fiates, Victor H. Bittencourt Diagramação Carolina Franco, Géssica Silva, Jéssica Trombini, João Gabriel, Nogueira, Karine Lucinda, Laís Souza, Laura Vaz, Lucas Inácio, Merlim Malacoski, Natália

Pilati, Patricia Cim, Rafaela Blacutt, Sâmia Fiates, Victor H. Bittencourt Reportagem Carolina Franco, Derlis Cristaldo, Gabriele Duarte, Géssica Silva, Giovanna Chinellato, Helena Stürmer, João Gabriel Nogueira, Karine Lucinda, Laura Vaz, Luiza Lobo, Merlim Malacoski, Rafael Canoba, Rafaela Blacutt, Stefany Alves, Thaine Machado, Victor H. Bittencourt

Foto Helena Stürmer, Karine Lucinda, Jennifer Hartmann, Merlim Malacoski, Rafael Canoba, Thaine Machado Colaboração Mathias Liesenberg e Rubens R. Neto Tiragem 500 exemplares Impressão Gráfica POSTMIX Contato jornaldocce@cce.ufsc.br


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Jornal do CCE

Reforma na Praça da Cidadania Comissão do ETUSC começa análise de estudo para revitalização do local

do por Roberto Burle Marx na década de 1970, a pedido do então Reitor João David Ferreira Lima. A proposta prevê mudanças como a eliminação da rua que separa a Praça da Cidadania do jardim do CCE, as correções de imperfeições no piso, e o deslocamento da Concha Acústica. Como o novo Projeto ainda será elaborado, não há previsões de custo das obras nem de prazos para a finalização. A reforma da Praça da Cidadania, em frente à Reitoria, busca resgatar o projeto de Burle Marx Para desenhar e coordenar a revitalização, Floriano está sendo dado e a gente vai tentar falecido em 1994 e considerado um convidou o professor José Tabacow, adequar isso para que fique mais importante paisagista do século XX, co-autor do Projeto original junto confortável.” completa. com reconhecimento nacional e incom Burle Marx e atual docente Revitalização da praça - Em ternacional. O Projeto foi executado de Arquitetura da Unisul. “Serão dezembro de 2009, César Floriano parcialmente na época e com o temrealizadas pequenas mudanças realizou a I Oficina para a Revitapo a Praça incorporou detalhes que para tentar manter o espírito da lização da Praça da Cidadania, da não haviam sido idealizados pelos composição original. A ideia é que qual participaram autoridades da autores, como a Concha Acústica. A a comunidade universitária também UFSC, alunos e servidores. Na ocaintenção do professor Floriano, uma participe da discussão e manifessião, Floriano apresentou a proposvez finalizadas as obras, é solicitar te seus desejos”, explica Tabacow. ta e foram discutidas as possíveis o tombamento do Jardim de Burle “Por exemplo, percebi que em fren- modificações a serem feitas para Marx como patrimônio da cidade. te à livraria (no CCE) é um lugar de tentar recuperar o máximo possível encontro dos alunos. É um uso que do Projeto original de Burle Marx, Derlis Cristaldo Merlim Malacoski

O ETUSC (Escritório Técnico Administrativo da UFSC) recebeu na segunda semana deste mês o resultado do levantamento topográfico que detalha as condições atuais do terreno da Praça da Cidadania, localizada em frente à Reitoria, e do jardim do CCE. O trabalho foi realizado pela empresa CBR Engenharia, de Porto Alegre, contratada pela UFSC em janeiro de 2010. O contrato finalizou no mês de julho, mas teve que ser prorrogado pelo descumprimento do prazo inicial. A arquiteta Leila da Silva Cardozo, da Divisão de Projetos do ETUSC, disse que até o fim de setembro formará uma comissão para começar a análise do trabalho apresentado pela firma. Se o estudo da empresa for aprovado, o Projeto de Revitalização da Praça da Cidadania começará a ser elaborado. Caso contrário, a CBR Engenharia será acionada e a UFSC deverá fazer uma nova licitação pública para realização do serviço, o que atrasaria ainda mais a execução do Projeto. Projeto Original - A iniciativa de revitalização da Praça é do professor César Floriano, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC. O objetivo é resgatar parte do Projeto original desenha-

A Uipi, empresa júnior do curso de Design da UFSC, fundada há pouco mais de um ano, está trabalhando em um projeto de nova identidade visual para a entidade. Uma equipe composta por quatro membros, Thiago Afonso Borges Júnior, Vinícius Foscaches da Cunha, Marina Cuneo Aguiar e Giovanni Luigi Piazza, está desenvolvendo o sistema de identidade visual e a criação da página da empresa na internet. “Estamos atualmente na etapa de geração de alternativas, tendo já realizado as etapas de estudo do problema, objetivos do projeto, pesquisa de referências e concorrentes, estabelecimento dos conceitos e requisitos de forma”, disse o diretor de marketing da Uipi, Giovanni Luigi. O objetivo da mudança do visual é atualizar a marca de acordo com a nova fase que a empresa está passando. “Incorporamos novos membros, visto que tivemos um processo seletivo no final do primeiro semestre deste ano, com o qual agregamos a habilitação de Design de Produto (an-

Jennifer Hartmann

UIPI cria nova identidade visual

Membros da UIPI discutem mudanças

teriormente a empresa possuía membros apenas das habilitações de Design Gráfico e Design de Animação),” explica Luigi. O lançamento da identidade visual está previsto para final de outubro e o lançamento da página da Uipi na internet deve ocorrer até dezembro.

Stefany Alves

Abertas inscrições para cursos de Pós

Os Programas de Pós-Graduação em Design e Expressão Gráfica, (Pós-Design), de Pós-graduação em Inglês (PPGI) e de Pós-graduação em Estudos da Tradução (PGET), estão realizando a seleção dos alunos que vão ingressar em mestrado ou doutorado no primeiro semestre de 2011. O Pós-Design oferece vinte vagas para o mestrado. Os resultados da primeira fase serão divulgados no dia 30 de setembro, os da segunda fase, no dia 15 de outubro e os da terceira fase, no dia 29. O Programa de Pós-graduação em Inglês recebe inscrições até o dia 29 de outubro. São 14 vagas para a área de Língua Inglesa e Linguísitca Aplicada e 12 vagas para Literaturas de Língua Inglesa. No dia seis de dezembro serão realizadas duas provas escritas e, no dia seguin-

te, serão feitas as entrevistas com a banca examinadora. Os resultados serão divulgados dia 13 de dezembro. No Pós-graduação em Estudos da Tradução as inscrições estarão abertas de 11 a 22 de outubro para o preenchimento de 27 vagas para mestrado e doutorado. No dia 1º de novembro, será aplicado o teste de proficiência em inglês e o resultado desta etapa será divulgado dia cinco. O período de seleção por orientador vai de oito a 12 de novembro e os resultados finais da seleção estão previstos para o dia 18 de novembro. Os editais para a seleção do Pós-Design, PPGI e PGET podem ser encontrados na íntegra nos endereços dos programas : http://www.posdesign.ufsc.br/ e http://www.cce.ufsc.br/pgi/ .

João Gabriel Nogueira


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NUSPPLE aceita projetos

O Núcleo de Suporte Pedagógico para Professores de Língua Estrangeira (NUSPPLE) está aberto a propostas para o desenvolvimento de projetos sociais. O aluno interessado deve procurar as coordenadoras do Núcleo, Maria José D. Costa e Vera R. de Aquino, e apresentar um projeto de pesquisa e de extensão. Além do ensino de uma língua estrangeira, o trabalho deve colaborar na formação das crianças, já que muitas delas trazem problemas sociais. O Projeto Incluir, coordenado pelo NUSPPLE, é desenvolvido desde 2004 e tem como objetivo ensinar espanhol para crianças na Casa São José – ONG que fica no bairro Serrinha, em Florianópolis. Atualmente, nove alunos de graduação e pós-graduação em Letras-Espanhol participam de forma voluntária e realizam o trabalho com 13 crianças, entre seis e oito anos, uma vez por semana. A coordenação do NUSSPLE fica na sala 519 no Bloco B do CCE. Mais informações no endereço: www.nuspple.cce.ufsc.br.

Rafaela Blacutt

Alunos durante a aula do curso de línguas espanhol Manifestação do Sintufsc no CCE prepara mobilização contra os pontos

A próxima reunião ocorrerá tão logo as comissões estejam constituídas, no máximo até o começo de outubro. “A implantação deste controle de assiduidade é algo institucional que não pode engessar o funcionamento da Universidade”, explica a Pró-Reitora de Desenvolvimento Humano e Social, Carla Cristina Dutra Búrigo. “Nós temos que dar conta do aparato legal da implantação deste ponto, de maneira a construir a política de

normatização em conjunto com os pares da instituição”, conclui. Cobrança para todos - O reitor Alvaro Prata, ao ser abordado sobre o assunto, disse que se houve dúvida da sociedade quanto à assiduidade dos funcionários da UFSC, o ponto eletrônico é apenas mais um elemento para dar respostas. Já ao fato de ser obrigatório apenas para os servidores técnico-administrativos, Prata justificou que os docentes também serão cobrados

por outros meios, como avaliações. “Eu mesmo usarei o ponto”, garantiu o Reitor. Dos 79 aparelhos instalados pelo campus da UFSC, mais de 21 já estão prontos para entrar em atividade. Com o avanço nos trabalhos de instalação dos pontos, o Sindicato dos Trabalhadores da UFSC decidiu convocar atos de protesto, distribuir panfletos e afixar faixas em pontos estratégicos do campus. O Sintufsc realizou o oitavo ato no CCE, no último dia 23, local em que o aparelho já foi instalado, mas ainda não está em funcionamento. Em assembleia geral realizada no dia 31 de agosto a categoria aprovou o estado de greve, podendo ocorrer a paralisação, a depender das negociações com a Reitoria. Os pontos eletrônicos atendem à determinação de uma ação social movida pela Controladoria Geral da União contra a UFSC, ainda em 2008, após inspeção que concluiu falhas no controle da assiduidade dos servidores.

Thaine Machado

Nova proposta para bares

PRAE estuda alternativa para volta dos bares ao Básico

Merlim Malacoski

O Reitor Alvaro Prata e os Pró-Reitores decidiram, em reunião no dia 20 de setembro, criar um comitê para coordenar o processo de implantação e desenvolvimento da política de controle através de pontos eletrônicos. O comitê será formado por cinco comissões: uma vai implantar e acompanhar o controle de assiduidade e pontualidade dos servidores, sob responsabilidade da Pró-reitoria de Desenvolvimento Humano e Social (PREG); outra estudará a implantação do ponto eletrônico no HU; uma terceira trabalhará o marketing institucional; haverá outra específica para a questão do próprio sistema (como está e como irá funcionar); e, por fim, uma vai gerenciar os pontos. Representantes de categoria - Todas as comissões contarão com representantes das várias categorias envolvidas. O Sintufsc e a Apusfc serão convidados, assim como representantes do Fórum dos Diretores, a PREG, e o Diretório Central de Estudantes (DCE).

Thaine Machado

Comitê discute pontos eletrônicos

Reabertura dos bares depende de aval da Procuradoria

O Diretor da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis, (PRAE) Dalton Barreto informou no dia 21 de setembro que irá propor ao Procurador Federal na UFSC Nilto Parma a instalação de pelo menos um bar no Básico através de carta-convite. A proposta será feita na segunda-feira, dia 4 de outubro, quando o procurador volta de férias. O CCE está sem bar aberto desde 30 de agosto, quando o “Assim e Assado”, fechou as portas.

O bar, que é da rede “Ponto Natural” - com concessões no CSE, CFH e Centro de Cultura e Eventos -, foi absolvido pela Justiça Federal da acusação de ligação ilegal de energia elétrica e pode continuar operando até o fim da concessão. O processo envolvendo os bares e uma suposta conexão ilegal de energia já havia levado a UFSC a solicitar o despejo das lanchonetes “Café do Brasil” e “Laranjá”. Em abril de 2010, dois novos

proprietários foram licitados para o Básico. Antes da entrega formal dos espaços, a PRAE recebeu uma denúncia de fraude no processo licitatório por parte da “Marshmallow Comércio de Alimentos”, vencedora da licitação de dois dos bares. Se comprovada a denúncia, que ainda está sendo investigada, se anularia todo o processo da licitação. Proposta do DCE - Na terça feira, dia 21, a PRAE e o DCE propuseram à direção do CCE a sessão do espaço antes coupado pelos bates para sede provisória da entidade. A direção do Centro manifestou-se contrária à proposta. Em outubro de 2009, uma comissão da Pró-Reitoria de Infraestrutura (PROINFA) considerou os bares “Assim e Assado”, “Laranjá e “Café do Brasil” culpados por uma conexão ilegal de energia elétrica. Todos os recursos dos bares à UFSC foram negados e em março de 2009 a Justiça determinou a desocupação do local. Giovanna Chinellato Rafael Canoba


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Jornal do CCE

Taxas acadêmicas em discussão O reitor Alvaro Prata participará de assembleia organizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e pela Frente de Luta por uma Expansão de Qualidade nesta quinta-feira, dia 30 de setembro às 17h, no Auditório da Reitoria para discutir as taxas acadêmicas. As novas tarifas foram propostas pela Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PREG) e aprovadas por unanimidade – em reunião sem representação do DCE – pelo Conselho de Curadores, em sessão extraordinária realizada no dia cinco de julho. A data da assembleia foi escolhida em reunião que aconteceu dia 21 de setembro na Reitoria, entre Marino Mondek, Natan Krutzsch, Tiago de Azevedo e Tito Pereira (membros do DCE), o Reitor Alvaro Prata, o Secretário de Planejamento e Finanças Luiz Alberton, a Pró-Reitora da PREG, Yara Müller, e Dalton Barreto, Diretor de Departamento de Assuntos Estudantis. No dia do ato, que seguirá as mesmas regras de uma reunião aberta, estarão presentes, além do

Karine Lucinda

Assembleia r ealizada nesta quinta conta com a paticipação do Reitor

Manifestação contra taxas no Restaurante Universitário mobiliza estudantes

reitor, Luiz Alberton e Yara Müller, para defender os pagamentos. Medida Judicial - O DCE abrirá ação judicial no Ministério Público Federal, coordenada pelo advogado Marcos Palmeira, alegando que as taxas recém aprovadas contrariam o artigo 206 da Constituição Federal, que trata do princípio de gratuidade do ensino público. “No momento estamos juntando os documentos necessá-

Até dezembro deste ano, a obra do novo bloco do CCE, que será construído em 2011, entra em licitação. O projeto, que já foi discutido com a direção, passará agora por uma avaliação final da arquiteta responsável Leila da Silva Cardozo, do ETUSC, antes de ir para o Departamento de Licitação. A chefia do CCE e as coordenadorias dos cursos de Cinema, Artes Cênicas e Design definiram a divisão de espaço do bloco. O projeto está orçado em 5 milhões e 250 mil reais e prevê a construção de uma área de 3.500 m ², dos quais 2.500 serão de um novo prédio que ficará nos fundos do bloco B do CCE (onde funciona o CA de Química) e que contará com 5 andares. O térreo concentrará os auditórios e os demais serão para salas de aula, de professores e de administração. Os outros 1000m ² serão construídos no Sapiens Parque, em Canasvieiras, e vão ser destinados a oficinas do Curso de Design. Atualmente os cursos mais recentes do centro têm enfrentado problemas de infraestrutura. Os

Rafael Canoba

Licitação do novo prédio prevista para dezembro

Novo prédio ocupará local do CA de Química

alunos de Artes Cênicas, por exemplo, têm aulas no CFM por falta de espaço. “Essa obra é só o começo. O projeto de construção dos 6500 m ² restantes já existe e será concretizado nos próximos anos”, explica o vice-diretor do CCE, Arnoldo Debatin Neto. Estudo feito pela Comissão Permanente de Espaço Físico (COPLEF) constatou que para atender a demanda desses cursos seria necessária uma ampliação de 10 mil m ².

Merlim Malacoski

rios”, declarou Carolina Zambonato, estudante de Direito e membro do DCE, que auxilia na preparação da medida judicial. O DCE pretende encaminhar a ação na quarta-feira, dia 29, com reivindicações reforçadas por recomendação enviada à Pró-Reitoria de Ensino de Graduação pela Procuradora da República, Analúcia Hartmann, pedindo a suspensão de todas as taxas.

A resolução que regulamenta as tarifas foi encaminhada ao Conselho de Curadores a pedido do reitor Alvaro Prata. Os valores foram estabelecidos a partir de pesquisas feitas pela UFSC e apresentadas ao Ministério Público Federal (MPF). Segundo documento enviado pelo Gabinete do Reitor ao Conselho de Curadores, a UFSC gastou em 2008 mais de 14,5 milhões de reais devido a alunos que reprovaram por FI. “A decisão sobre a constitucionalidade das taxas acadêmicas foi determinada pelo Ministério Público e não por nós da Universidade”, disse o Procurador Geral da UFSC, Nilto Parma, ao ser questionado sobre a possível irregularidade da resolução normativa. A pedido da Pró-Reitora da PREG, Yara Müller, o valor arrecadado será destinado a investimentos na área de ensino. A prestação de contas estará disponível para consulta a partir do próximo ano, em uma página a ser criada na internet.

Karine Lucinda

Secretariado realiza encontro acadêmico Na noite desta quinta-feira, 30, acontece o I Encontro de Acadêmicos de Secretariado Executivo da UFSC. O evento inicia às 18h30 e vai até as 22h, no auditório do Centro Sócio-Econômico. Todos os interessados podem participar sem necessidade de fazer inscrição. A programação conta as participações de Katia Moreira, egressa do curso, e da professora Eliane Wanser, especialista em desenvolvimento profissional e capacitação de profissionais do secretariado. Katia, que é atual secretária executiva dos Conselhos da UFSC, conduzirá a solenidade de abertura. A professora Eliane Wanser vai abordar o tema O secretário/assessor executivo no mundo corporativo: desafios e perspectivas. A participação de Eliane será dividida em duas palestras. No primeiro momento o as-

sunto é Assessoramento e Revisão das Técnicas Secretariais. O segundo tema será Cerimonial, etiqueta e protocolo. O Encontro é organizado pelos alunos e tem o apoio da coordenação do Curso. Para o acadêmico da 5ª fase Philippi Jacinto Pedro a intenção do Encontro é dar visibilidade ao curso para a Universidade em geral. “Muitas pessoas não sabem da existência dele no departamento de Letras”, justifica Philippi Jacinto. “Os alunos promovem o evento para mostrar o crescimento da área”, completa a professora Susana Maria Fontes, coordenadora de Secretariado. O curso de Letras-Secretariado Executivo Inglês faz parte do Departamento de Letras e Literatura Estrangeira e tem 197 alunos.

Victor H. Bitterncourt


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Noé Jitrik abre Simpósio Argentino O professor Noé Jitrik, catedrático e diretor do Instituto de Literatura Hispanoamericana na Universidade de Buenos Aires (UBA), abriu ontem, dia 29, às dez da manhã, o 1º Simpósio Internacional de Literatura Argentina, com uma conferência no auditório Henrique da Silva Fontes. A mesa teve como debatedor, Jorge Monteleone, da UBA. A escolha de Noé Jitrik para iniciar o ciclo de palestras foi uma homenagem dos organizadores, os professores do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas (DLLV) Raul Antelo, Jair da Fonseca e Jorge Wolf, Liliana Reales Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras (DLLE) e Roberto Ferro, da UBA. “Noé renovou o debate teórico e político na literatura argentina dos anos 60. Também possui características peculiares devido à sua vasta bagagem como crítico cultural”, disse Antelo. Prática da literatura - O tema do homenageado, “Três Imersões Fugazes”, será debatido com base em três textos. O primeiro é sobre a relação que existe entre a ideia de “desprendimento” e a “retenção”, em uma perspectiva psicanalítica, a partir de situações literárias. O segundo é sobre as operações da memória, em especial o esquecimento. Uma reflexão sobre o conceito de

Merlim Malacoski

Catedrático recebe homenagem durante Congresso de Literatura

Diretor do Instituto de Literatura Hispanoamericana da UBA ontem do auditório do CCE

ensaio é o assunto do último texto e foi escolhido por ser um gênero textual com definição não muito clara. O objetivo desse debate é que o público “se aproxime a uma maneira de ver determinados assuntos relativos à literatura a partir de uma óptica não convencional, como um convite a repensar os modos de entender e praticar a literatura”,

Curso gratuito destaca cultura afro-brasileira O projeto, organizado pela professora do Departamento de Letras, Susan Oliveira, e o professor Silvio Marcus Correa, do Departamento de História, está na primeira edição e termina em novembro. A terceira e última etapa acontece no próximo dia 25 de outubro, na sala Hassis no CCE. São 90 vagas oferecidas, 30 para cada módulo, e os participantes recebem certificado de conclusão. Os temas abordados nas aulas relacionam história, literatura e artes africanas com a língua portuguesa e a cultura afro-brasileira. Os dois primeiros módulos do curso ocorreram de maio a agosto, com aulas direcionadas à influência da Língua Portuguesa na Literatura Africana. Os participantes do projeto Ana Carolina Schveitzer, da 4ª fase do Curso de História, e Diego Moreira, da

6ª fase de Letras-Português, consideram a iniciativa um modo de aperfeiçoamento dos assuntos tratados em sala de aula. A temática concentrada na literatura, eles destacam, ajuda a criar uma base para pesquisas mais amplas. A proposta surgiu a partir da lei 10.639, que tornou obrigatório o estudo da História e da Cultura Afro-brasileira. “Nós buscamos expandir o campo de conhecimento relacionado a aspectos da cultura africana, com uma abordagem voltada para a área da educação. Os diálogos são mais abrangentes e menos técnicos”, diz Susan Oliveira, professora de Língua Portuguesa e uma das organizadoras. Quem quiser obter mais informações pode entrar em contato através do e-mail curso: africaufsc@hotmail.com.

Laura Vaz

explica o crítico. Aberto à comunidade - Além de Jitrik, pesquisadores como Carlos Eduardo Capela (DLLV), Eduardo Becerra (Universidad Autonoma de Madrid), Gabriela Nouzeilles (Princeton University) e Ana Cecília Olmos (USP), também participarão de mesas redondas e debates. O simpósio vai até amanhã, com pa-

lestras das nove e meia da manhã às seis da tarde. Antrada é gratuita, aberta à comunidade. Este evento é uma realização dos núcleos ONETTI e NELIC com o apoio do CNPq, FAPESC, UFSC, Ministério das Relações Exteriores e Consulado da República Argentina.

Géssica Silva

9ª SEPEX começa receber inscrições para minicursos As inscrições para os minicursos oferecidos pela 9ª Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão (SEPEX), que ocorre entre os dias 20 e 23 de outubro, estão abertas até o dia 12 de outubro. As mais de 250 opções tratarão de temas relacionados aos diversos cursos da UFSC. Haverá estudos nas áreas de Jornalismo, Letras, Design, Cinema, Artes Cênicas, Línguas estrangeiras e Língua Brasileira de Sinais. As inscrições para os minicursos são gratuitas e devem ser feitas no endereço do evento (www.sepex.ufsc.br). Qualquer um pode participar. “Alunos de outras universidades também estão convidados”, diz Janaina

Santos, uma das organizadoras. Os minicursos terão duração de quatro ou oito horas, dependendo da opção, e as aulas serão ministradas por professores, servidores e alunos de graduação e pós-graduação da Universidade. Serão fornecidos, pela organização, certificados a ministrantes e participantes, gerados a partir das listas de presença fornecidas pelos proponentes. Os visitantes também terão acesso a estandes, atrações culturais e palestras. A SEPEX é o principal evento de divulgação científica de Santa Catarina e é anualmente realizada no campus da UFSC, sob a coordenação do Departamento Artístico Cultural (DAC).

Carolina Franco


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Novos programas na Rádio Ponto Noticiários, programas de esportes e debates ao vivo voltaram a fazer parte da programação da Rádio Ponto a partir deste mês. Produzidos e apresentados pelos estudantes de Jornalismo, os programas estiveram suspensos durante as férias e a emissora passou a veicular apenas trabalhos gravados. Além da programação normal do primeiro semestre, três novos programas foram incluídos: UFSC Esporte Clube, Lança Perfume e Papos de Orégano. O Núcleo de Jornalismo Esportivo continua com o noticiário semanal Bola na Trave e, para a cobertura da Champions League e do Campeonato Europeu, a Grande Jornada Esportiva. A novidade no Núcleo é o programa UFSC Esporte Clube, um noticiário com informações exclusivas do esporte em Florianópolis, com destaque para

Jennifer Hartmann

Produções desenvolvidas por alunos renovam a grade da emissora

Alunos durante a apresentação do programa esportivo Bola na Trave

o futebol, o futsal e o vôlei. Além do esportivo, entram no ar dois novos programas, o Lança-perfume e o Papos de Orégano, com o objetivo de

O professor de fotografia do Curso de Cinema, Charles Cesconetto, produziu e dirigiu o filme Novo Brasil-JK no Exílio, junto com o francês Bertrand Tesson. O documentário retrata o período em que Juscelino Kubitschek esteve exilado em Paris por um ano durante a Ditadura Militar. Entre os entrevistados estão a filha do Presidente, Maria Estela Kubitheck, a secretária dele na época, Maria Alice Gomes Berengas, parentes, e amigos como Oscar Niemeyer e Ivo Pitanguy. A história se passa entre 1964 e 1965, quando JK teve os direitos políticos cassados no Brasil e partiu obrigado para o exílio. Segundo Cesconetto, o objetivo do filme foi mostrar a trajetória política mais difícil na vida de Juscelino, baseada nas memórias e relatos da secretária Maria Alice. A partir de 2009 a equipe de produção intensificou as pesquisas e filmaram em Paris, Brasília e Rio de Janeiro. O projeto, que contou com o apoio do Ministério da Cultura, teve produção da brasileira Geofilmes e da francesa Cinérgie, ganhadora do Cesar, prêmio anual do cinema francês. A reconstrução cronológica dos acontecimentos foi possível devido aos arquivos

Divulgação

Exílio de JK vira filme

Cartaz de divulgação do filme

obtidos no Ministère des Affaires, na Embaixada da França no Brasil e nos relatórios do Ministère de l´Intérieur. Novo Brasil-JK no Exílio tem 52 minutos de duração e está agora em processo final de edição. O lançamento está previsto somente para ano que vem na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, no Memorial JK, em Brasília e na Embaixada do Brasil na França, em Paris. O documentário é destinado à TV e DVD.

Helena Stürmer

discutir assuntos polêmicos em forma de uma conversa descontraída. O Lança-perfume é voltado para o público feminino e contará com reportagens,

entrevista e quadros de entretenimento. Produzidos como atividade da disciplina de Radiojornalismo I, o Estação UFSC e o Culturama são transmitidos em duas edições, quinzenalmente, e foram os primeiros a retornar à programação, já na primeira semana do mês. Em forma de noticiário, trazem informações gerais e sobre cultura, que envolvem a comunidade universitária. A Rádio Ponto UFSC é um projeto de extensão que funciona desde 1999 como emissora virtual do Curso de Jornalismo, atualmente com a orientação da professora Valci Zuculoto. Dentro do campus, a rádio pode ser sintonizada na frequência 106.1 FM, e fora dele pode ser acessada através do endereço www.radio.ufsc.br.

Luiza Lobo

Ciclo de cinema debate Idade Média Quem estiver interessado em conhecer um pouco mais da realidade da Idade Média pode conferir até o dia 29 de outubro o I Ciclo de História e Cinema, que é marcado pela análise cinematográfica aliada ao debate do contexto histórico trazido pelos filmes. As próximas apresentações são “O Decameron” no dia 1º de outubro, e a mostra será finalizada no dia 29 do mesmo mês com o filme “O Senhor da Guerra”, de Franklin J. Schaffner. Com o tema “A Idade Média no Cinema – O fantástico e o medo”, o Ciclo, que começou no dia 27 de agosto, acontece no auditório do CFH, sempre às 14 horas. A promoção é do Curso de História e conta com a participação e coordenação de dois professores do Curso de Cinema: Alexandre Busko Valim e Henrique Oliveira. Após cada sessão, o professor Henrique Oliveira é um dos responsáveis pela análise das realidades retratadas nas obras.

O primeiro filme exibido foi “Häxan”, de Benjamin Christensein, no dia 27 de agosto, que tratou da intolerância religiosa na Europa durante a Idade Média. “O Ciclo traz a importância da união da arte cinematográfica com o aprofundamento histórico para os acadêmicos e interessados em geral, na tentativa de alcançar maior grau de compreensão”, explica Alexandre Valim. Até agora já foram debatidos Häxan, O sétimo Selo, do sueco Ingmar Bergman, e O Incrível Exército de Brancaleone, do italiano Mario Monicelli. O evento é aberto à comunidade e as inscrições são gratuitas, podendo ser feitas no Departamento de História por ordem de chegada. Em média 40 pessoas têm assistido aos filmes da mostra. Essa primeira edição do evento promete ainda a realização de outros dois Ciclos que abrangerão assuntos como a Guerra Fria e Akira Kurosawa, um dos maiores cineastas japoneses.

Gabriele Duarte


8 | Entrevista | Setembro 2010

Professor fala sobre prática de performance e nu artístico no Restaurante Universitário

Helena Stürmer

Rodrigo Garcez

Jornal do CCE

Doutor em artes pela USP, Rodrigo Garcez é pesquisador e leciona Teoria e Prática da Performance no curso de Artes Cênicas da UFSC. Recentemente orientou a apresentação “Na Brasa de Pindorama”, feita por Betinho Chaves, aluno da 6ª fase, que acabou interrompida pela equipe de segurança do campus porque o estudante estava nu. “Na Brasa de Pindorama” fez parte da 3ª Semana Ousada de Artes, que aconteceu de 20 a 24 de Setembro, na UFSC e na UDESC. Jornal do CCE: A performance arte mistura várias expressões artísticas e, por isso, é facilmente confundida com teatro, dança, música. Como o Sr. define a performance arte? Rodrigo Garcez: É mais fácil começar pelo que a performance não é: ela não é teatro, não é dança, não é música. A performance não tem personagem e não tem dramaturgia, é uma ação de multi-linguagens, uma ruptura de padrões estabelecidos. Usualmente, ela também se difere por não acontecer em algum lugar consagrado, como um palco, ela ocorre em um ambiente em que a investigação do artista é orientada para a sua arte. JCCE: Apesar de estar relacionada com artes milenares, a performance vem sendo difundida há poucas décadas. Em que contexto ela surgiu? RG: Historicamente, primeiro vieram as vanguardas europeias, na virada dos anos 60, como dada e surrealismo, abrindo caminho para uma série de manifestações, como a performance, que começaram a acontecer em Paris, Nova York, Londres. A per-

formance surgiu rompendo com as artes plásticas e buscando um novo mercado de arte, assim o artista passou a procurar novos espaços, valorizando mais o processo que o produto final. Hoje, existem organizações de pesquisa e congressos mundiais sobre o assunto. A performance não se trata mais de uma pioneira de vanguarda, ela está estabelecida como linguagem e mercado, podendo ser comprada por um museu e até repetida.

Garcez defende nu artístico e apresentação da perfomance

JCCE: As inovações que algumas performances trazem podem causar espanto e serem mal interpretadas, como aconteceu com “Na Brasa de Pindorama”. O que Betinho Chaves, quis passar em sua apresentação? RG: Ele estava baseado no manifesto antropofágico oswaldiano, fazendo uma releitura no próprio corpo sobre os indígenas massacrados. Antes da chegada dos portugueses, Pindorama era o nome que índios chamavam o Brasil. Foi uma poética elencada por Betinho como prioritária, o nu entrava em alguns momentos para estabelecer esse diálogo. De forma alguma foi algo delibe-

rado como um ofensa ao público. JCCE: Muitos artistas exploraram o nu, consagrando-o na história da arte. Em uma universidade, como o Sr. analisa a reação do público à “Na Brasa de Pindorama”? RG: Os artistas podem experimentar e esse tipo de manifestação faz parte do cotidiano de uma faculdade de artes. Portanto, num ambiente universitário, onde a performance está no currículo de algum curso, as pessoas já deveriam estar acostumadas. O choque causado foi pelo ineditismo, colocado em público numa universidade que até o momento é muito voltada para a área de ciências exatas. “Na Brasa de Pindorama” acabou sendo julgada por muitos como apenas um ato de molecagem, uma ousadia adolescente, mas não se trata disso, a performance é muito consolidada na história da arte e, nos grandes centros metropolitanos, já é algo comum.

“Esse tipo de manifestação [o nu artístico] faz parte do cotidiano de uma faculdade de artes. ”

Com a sua apresentação, Betinho tentou abrir um diálogo com a comunidade, que não soube ler o fenômeno artístico, deixando as artes numa total incompreensão. JCCE: Betinho Chaves foi preso e está respondendo por atentado ao pudor. Na condição de professor, como o Senhor avalia o caso? RG: Não estou aqui para ser um professor revolucionário. A posição que eu e toda a coordenação do curso estamos tomando é para abrir um diálogo e conseguir o apoio da Universidade. Vamos dialogar enquanto for possível, mas iremos brigar pelos direitos de Betinho, se for necessário. Embora não soubesse de todo o conteúdo da perfomance, inclusive o nu, assumo total responsabilidade pelo que aconteceu.

Luiza Lobo

Jor - 13  

13a. edição do Jornal do CCE