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Abril de 2015  JORNAL DO CAENG 

Jornal do Ano 1 - Nº 0

Abril de 2015 - Notícias do Centro Acadêmico de Engenharia

CARTA ABERTA DO CAENG AOS CANDIDATOS À REITORIA Chegou a hora de escolhermos quem irá gerir a UFRJ pelos próximos 4 anos. Os estudantes do Centro Acadêmico de Engenharia da UFRJ escreveram uma carta aberta aos candidatos, concatenando nossas principais demandas. (Pág. 04)

Congregação: e você com isso? Saiba como isso interfere na sua graduação. (Pág. 03)

Estudantes de Engenharia presentes no ato realizado no Consuni (Conselho Universitário, maior órgão deliberativo da UFRJ e presidido pelo Reitor) no dia 12/03, em defesa da manutenção da BAP (Bolsa Auxílio Permanência).

Em tempos de polarização política e ataques ao ensino público, mobilização e engajamento ganham força na Politécnica e surgem novas organizações estudantis.

ENGENHARIA É COISA DE MULHER Entenda por que apenas 25% das pessoas que ingressam na Escola Politécnica são mulheres. (Pág 03)

Quer ajudar o CAEng? Entre em contato por e-mail e conheça os Grupo de Trabalho.

CAENG SEM FRONTEIRAS: Como é o ensino no Reino Unido? Um intercambista relata suas experiências no exterior e compara com o ensino brasileiro. (Pág 06) Facebook: www.facebook.com/VamosViraraEngenhariadoAvessoUFRJ Instagram: @caengufrj Twitter: @caeng_ufrj E-mail: caeng@poli.ufrj.br

(Pág 07)

www.caeng.poli.br

Data das Eleições:

14,15 e 16 de abril

Vamos votar!


JORNAL DO CAENG  Abril de 2015

EDITORIAL

Ficha Técnica Coordenação:

Thaís Oliveira Iago Bastos

Vencendo a inércia

Conselho Editorial:

“A UFRJ deve parar com a hipocrisia de achar que para ser pesquisador é preciso ensinar”

Integrantes do Grupo de Trabalho dessa edição do Jornal do CAEng

Colaboradores desta Edição:

Amanda Azevedo Ana Paula Menezes Andrey Takashi Brenner Oliveira Eduardo Leal João Victor Raulino João Vítor Ferreira Juliana Hashimoto Lucas Mazolli Matheus Soares Milena Giarola Renan Costa Paes Stéphanie Montalvão Thaís Rachel Zacharia

Diagramação:

Breno Esteves Lamassa

Revisão:

Gustavo Medeiros e Júlia Trinta

Enquanto no mundo inteiro o ensino está sendo debatido profundamente, como mostrou o jornal “Folha de São Paulo” em encarte especial do projeto “World Media Network”, aqui na UFRJ estamos estáticos. Onde está a discussão sobre o ensino? Estamos com grandes problemas na área pedagógica. Na Escola de Engenharia, temos muitos professores que não sabem ensinar! Parece contraditório, mas é verdade. E qual o motivo? É o excessivo peso que nossa universidade dá para a pesquisa. Cansei de ver professores que são considerados ótimos pesquisadores, com toneladas de artigos publicados em revistas estrangeiras (oh!) - um dos critérios de maior peso para ser professor daqui e conta muitos pontos para a ascenção profissional - que são péssimos educadores. Não estou querendo acabar com a pesquisa na UFRJ, mas para tudo há um equilíbrio. E nossa relação ensino/pesquisa está horrível. No curso de Engenharia Mecânica (não deve ser diferente nos outros), por exemplo, alguns professores encontram como desculpa para sua falha pedagógica o argumento de que o aluno deve saber se virar. Grande saída. Uns têm até raiva dos alunos, porque obviamente atrapalham sua pesquisa, já que perdem seu precioso tempo dando aulas. Mas qual será a solução? Não é difícil. Somente, a nossa universidade deve parar com essa hipocrisia de achar que para ser professor é preciso ser pesquisador, e que para ser pesquisador é preciso ensinar. Vamos discutir isso a fundo e ver qual é a nossa. Vamos determinar quantos educadores e quantos pesquisadores queremos em nossos quadros. No concurso de admissão faríamos essa distinção e exigiríamos perfis diferentes em cada caso. Haveria planos de carreira diferentes. E, é claro, não impediríamos que um fizesse a função do outro, desde que preenchesse os requisitos básicos da função desejada. É tão gritante a falta de discussão sobre o ensino no Fundão que o coordenador da Produção, com apoio de alguns gatos pingados, quer aprovar uma mudança de currículo sem que haja um debate maior sobre o assunto. O pior é que alguns alunos acham isso normal. Por que não utilizar o exemplo do curso de Contabilidade que, para fazer sua reforma curricular, realizou um seminário com participação de professores, alunos e executivos de grandes empresas como a Price Waterhouse e a Petrobras?

Centro Acadêmico de Engenharia UFRJ Ilha do Fundão - CT Bloco F (fundos)

Contribua também! Tem críticas, elogios e/ou sugestões? Quer ajudar no jornal? Entre em contato através do e-mail: caeng@poli.ufrj.br

Calendário

O mais interessante é a famosa “falta de verbas” não cabe como desculpa para impedir a solução dos problemas aqui levantados. Basta vontade para vencer a inércia. E inércia, é algo que, apesar de todo nosso conhecimento científico, tem sido um obstáculo maior que a carência de recursos financeiros. [Rodrigo Cabral - Candidato à turma extra da Produção]

ABRIL 14, 15, 16 - Consulta para Reitor 15 - Fim do Período de Trancamento 16 - Petrofest 17, 18, 19, 20, 21 - Intereng 20 a 24 - Recesso Tiradentes e São Jorge 29 - Congregação da Politécnica

Este texto é muito atual, mas até seu último ponto final foi escrito em 1993 em uma publicação no Jornal do CAEng. Depois de mais de 20 anos, as pautas dos estudantes continuam as mesmas, e temos a sensação de pouca ou nenhuma mudança. Gradualmente, porém, nosso incômodo tem se transformado em iniciativas, e isso vem se expressando nas conquistas dos estudantes e até no nosso Centro Acadêmico. Muito do que está nessa Edição nº 0 foi inspirado no espírito questionador desses antigos jornais, esquecidos no fundo de um arquivo por tantos anos. A gestão “Vamos Virar a Engenharia do Avesso” pretende reavivar a história do centro acadêmico mais antigo do Brasil neste informativo.

MAIO 1 - Dia do Trabalho (Recesso) 27 a 29 - SEng Beta JUNHO 4 e 5 - Corpus Christi (Recesso) JULHO 25 - Fim do Período

Boa leitura!

Realização

Grupos de Trabalho 1. Semana de Engenharia thaisrachel@poli.ufrj.br 2. Articulação brenner.eng@poli.ufrj.br 3. Assistência Estudantil takashi@poli.ufrj.br 4. Diversidade amandazevedo@poli.ufrj.br 5. Jornal do CAEng thaisolliv@poli.ufrj.br 6. Relações Institucionais paulaguedes@poli.ufrj.br 7. Comunicação giarola@poli.ufrj.br 8. Eventos guilherme_frontera@poli.ufrj.br 9. Cursos Extracurriculares iagobastos@poli.ufrj.br 10. Congregação anna.menezzes@poli.ufrj.br 11. Calourada eduardo.ferraz@poli.ufrj.br 12. Sede dfontinelli@poli.ufrj.br

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JORNAL DO CAENG  Abril de 2015

Abril de 2015  JORNAL DO CAENG 

CONGREGAÇÃO:

VOCÊ NÃO SABE MAS (PROVAVELMENTE) VAI PRECISAR DELA

Nós passaremos cinco - ou mais - anos das nossas vidas estudando dentro da Escola Politécnica. Mesmo que estressados com a rotina pesada, nós, como futuros engenheiros, sempre acreditamos na capacidade de transformação e na nossa habilidade de buscar novas alternativas para solução de nossos problemas. Uma dessas alternativas é a Congregação da Escola Politécnica, que é presidida pelo nosso diretor Prof. João Carlos Basílio, e é composta por todos os professores titulares e eméritos, representantes das outras categorias de professores, chefes de departamento, coordenadores de cursos, representantes dos técnicos-administrativos e representantes do corpo estudantil indicados pelo Centro Acadêmico de Engenharia. Essa reunião acontece todas as últimas quartas-feiras do mês e muito se decide sobre nossas vidas. O que é deliberado na Congregação? A Congregação é considerada o principal espaço deliberativo da escola e nela são tomadas todas as grandes decisões tais como: afastamento de professores para exterior, realocação de professores por departamento, plano de carreira dos professores, homologação de estágios para os estudantes, processos de cancelamento de matrícula (o tal do jubilamento), colação de grau extraordinária, revisão de pré e co-requisitos de disciplinas, criação de

novas disciplinas, revalidação de diploma, parcerias com universidades estrangeiras, entre outros. O CAEng ocupa sete cadeiras na Congregação e nossa intervenção se dá, principalmente, nos processos referentes a alunos. Estes processos passam previamente pela Comissao de Ensino. E o que é a Comissão de Ensino? A gestão “Vamos Virar a Engenharia do Avesso”, depois de muito debater em Congregação a necessidade dos estudantes terem mais poder de participação nos espaços de deliberação da Poli, conquistou uma cadeira na Comissão de Ensino, muito esquecida por antigas gestões. A Comissão de Ensino é composta por mim, Thaís Rachel, Prof. Elaine Vasquez, Prof. Paula Faraseno, Prof. Vinicius Cardoso e Prof. Luiz Otávio Cocito. Essa comissão antecede à Congregação e tem a função de emitir pareces sobre todos os casos de estudantes que serão avaliados na Congregação. Se é debatido na Congregação, por que ocupar esse espaço? Ter estudante na Comissão de Ensino é garantir que nós consigamos nos defender com melhor atuação, com conhecimento aprofundado dos casos e poder encaminhar com parecer favorável e fortalecer

Estudantes do CAEng prestigiam a professora Elaine no Dia dos Professores pelo exelente trabalho na Diretoria de Ensino. nossas defesas na congregação. Como na congregação temos pouco tempo para debater todas as demandas da Poli, é na Comissão de Ensino que conseguimos olhar para a realidade de cada estudante, acabando com a ideia de que é apenas um DRE, entendendo que a vida possui inúmeras variáveis que, infelizmente, fazem com que a nossa formação saía da trajetória

que planejamos. Thaís Rachel Zacharia Vice-Presidenta do CAEng, estudante de Engenharia de Petróleo e representante discente na Comissão de Ensino e na Congregação da Escola Politécnica

Engenharia é Coisa de Mulher O dia 8 de março foi intitulado no início do século passado como Dia Internacional da Mulher, sendo símbolo da luta por melhores condições de trabalho das operárias e fim das distinções de tratamento entre homens e mulheres no meio laboral. Cerca de um século após este dia ser estabelecido como marca de uma luta contra a distinção de gênero e pró tratamento igualitário, mulheres ainda se deparam com diversas dificuldades no meio profissional, apresentando baixos números em cargos de liderança, apesar de estudarem por mais tempo. A presença feminina nas atividades profissionais possui uma larga problemática histórica que engloba diversos fatores que geram o preconceito e afastamento das mulheres em determinadas profissões, em específico as de exatas. Historicamente, as mulheres foram afastadas do meio criativo e subjulgadas quanto à sua capacidade de aprender, estudar lógica e lidar com os números, sendo até mesmo questionado se ter mulheres no meio técnico e científico seria conveniente. A ideia de que a vocação profissional estivesse conectada a tendências instintivas que fossem diretamente ligadas ao gênero feminino ou masculino levou muitas profissões a serem classificadas como essencialmente para mulheres ou para homens, o que é refletido nas turmas de engenharia, nas quais o baixo número de mulheres denuncia que a relação entre profissões e gêneros precisa ser repensada e analisada. Com o passar dos anos, a presença feminina no meio científico começou a ganhar força, porém, o preconceito e as

dificuldades encaradas numa sociedade androcêntrica dificultam esse processo. Segundo o Censo divulgado pelo CNPq em 2004, o número de mulheres nos cursos de engenharia e a média de professoras e pesquisadoras em áreas como a engenharia e ciência da computação não ultrapassa 30%. Essa situação é bem expressa na Escola Politécnica da UFRJ: em meio a todos os membros votantes da Congregação professores, estudantes, técnicos administrativos e diretoria - se encontram poucas mulheres. Apesar de não existir nenhuma barreira legal quanto a mulheres estudarem e atuarem na área de Engenharia, a procura dessas pela profissão ainda é muito menor que a dos homens e esse número atinge escalas ainda menores quando são levadas em conta ênfases como elétrica e automação. Para analisar melhor as causas desse problema é preciso repensar os paradigmas sociais e os preconceitos passados de geração a geração, que são tomados muitas vezes como verdade absoluta e imune de qualquer reflexão. Exemplificando, a indústria de brinquedos ainda transmite uma distinção específica de papel social e gênero. Mulheres são pouco estimuladas desde a infância a lidar com atividades que envolvam lógica e raciocínio, comuns . Ao invés disso, o mercado incentiva brinquedos ligados ao trabalho doméstico para elas. Com todo esse cenário negativo, as mulheres que decidem ir contra o papel estabelecido socialmente e encaram cursos como a engenharia demonstram rendimento excelentes. De forma lenta, porém constante, paradigmas sociais estão

sendo quebrados e o espaço científico está caicas de comportamento e provando que ganhando maior pluralidade. Apesar de sim, engenharia também é coisa de mulher. todo o preconceito que mulheres precisam encarar durante sua rotina de estudos e Stéphanie Montalvão, Graduanda de profissional, a atuação de engenheiras tem Engenharia Ambiental e integrante do grucada vez mais ajudado a quebrar regras arpo de trabalho de Diversidade do CAEng.


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Carta Aberta do Centro Acadêmico de Engenharia da UFRJ aos candidatos à Reitoria Nós, estudantes da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a mais antiga e tradicional Escola de Engenharias das Américas, somos engrenagens fundamentais na construção de uma universidade crítica, democrática, pública, gratuita, de excelentíssima qualidade, que produza inovações tecnológicas que solucionem os problemas e contradições da sociedade brasileira. A Universidade Federal do Rio de Janeiro enfrenta, atualmente, uma estrutural crise de gestão, financiamento e autonomia, uma vez que o Governo Federal prioriza outros setores em detrimento da educação. Por isso, enfrentamos diariamente reflexos dessa crise como as filas enormes dos poucos bandejões, altas taxas de reprovação em disciplinas do nosso ciclo básico, disciplinas sem correlação prática, pouquíssima oferta de bolsas de assistência estudantil e de vagas no alojamento, lógica produtivista de pesquisas acadêmicas que levam às salas-de-aula professores desmotivados, imobilidade do transporte público para entrar e sair do Fundão, inexistência de cursos noturnos e de férias, entre outros. Nós, estudantes, somos peças insubstituíveis para que consigamos avançar e resolver todos os nossos problemas dentro e fora da universidade. Compomos a maior parcela da UFRJ e acreditamos que a saída e superação dessa crise é com uma forte unidade de todos os setores da comunidade acadêmica. Por isso, através do Centro Acadêmico de Engenharia da Escola Politécnica da UFRJ, gostaríamos do compromisso das três chapas organizadas e concorrentes à próxima gestão da Reitoria da Universidade com a resolução dos seguintes problemas. 1. Por um ensino que não estabeleça ligação entre reprovação e qualidade A universidade é concebida pelo tripé composto por ensino, pesquisa e extensão. Infelizmente, vemos pouca importância para o ensino e a extensão. A graduação é o pilar mais importante de uma universidade e, por isso, o reitor deve dar atenção especial a ela. Segundo a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), na última década, 56% dos estudantes que se matricularam em engenharia abandonaram seus cursos. Por isso, exigimos da próxima reitoria a reestruturação da nossa grade curricular e a utilização da Pró-reitoria de graduação para mediar o diálogo institucional entre o CAEng, a Escola Politécnica e os Institutos de Física (IF) e Matemática (IM) para mapearmos e resolvermos o problema das reprovações em massa, forte responsável pela evasão nos nossos cursos. O debate do CAEng, realizado no dia 01/04, sobre o nosso atual modelo de Ensino mostrou que os nossos problemas são estruturais e, portanto, devem ser tratados de maneira estrutural e institucional pela Reitoria. Alguns problemas como grade curricular, baixa oferta de cursos noturnos e falta de cursos de férias são questões

referentes à inviabilidade de separar as carreiras de Professor universitário e de Pesquisador. Essa pauta deve ser inesgotavelmente debatida para que tenhamos profissionais motivados em sala-de-aula e em laboratórios. Entendemos que a extensão universitária motiva e fortalece o papel do estudante como um futuro profissional preparado para dialogar com os diversos conhecimentos populares e técnicos, ampliando os laços da sociedade e da universidade. Sabemos as dificuldades que o Projeto MUDA, do SOLTEC, por exemplo, enfrenta para realizar suas atividades, por isso é papel da Reitoria a valorização da Extensão e a criação de um Conselho de Extensão correlato ao Conselho de Ensino e de Graduação (CEG). Essas medidas visam o diálogo e a transparência com o corpo discente, somados ao aumento no protagonismo dos estudantes no que diz respeito à graduação, como um dos pontos principais na gestão. 2 - Por uma assistência estudantil que garanta a nossa permanência Desde quando começamos o ano, com previsão de corte de R$ 7 bi na Educação, a assistência estudantil tem ficado cada vez menor na UFRJ. Temos passado por cortes nas bolsas, não só a bolsa auxílio e a bolsa auxílio e permanência, como houve uma redução da oferta das bolsas de Iniciação Cientifica, Monitoria e Extensão. Ainda, o valor atual de R$400,00 está congelado há mais de 2 anos. A próxima reitoria dessa universidade deve assumir o compromisso de ampliar a oferta e reajustar o valor da bolsa de acordo com a inflação. Também deve se comprometer a manter os bandejões funcionando e ampliar a sua capacidade. Por serem cursos integrais, muitos de nós temos uma aula que termina 12h e outra que começa às 13h e, atualmente, alunos nessa situação não conseguem almoçar nos bandejões devido ao alto tempo de espera na fila. Desde a migração do sistema de seleção para o Enem, muitos estudantes vêm de outros Estados sem dinheiro e sem moradia. Na posição de maior universidade federal do Brasil e uma das maiores da américa latina, nós temos um potencial atrativo muito grande, porém a estrutura da residência universitária não acompanha essa demanda. A reitoria deve garantir não só a continuidade do curso de graduação dos alunos, como também o acesso à uma moradia digna. A situação do alojamento é extremamente precária, operando com sua capacidade reduzida e apresentando diversos problemas, como infestação de ratos. Essa situaçao não é recente e precisa ser resolvida o quanto antes. O reitor deve se comprometer, durante o primeiro ano de seu mandato, a concluir o novo alojamento, o bandejão do CCMN e as reformas no alojamento atual, regularizando a situa-

ção dos estudantes. A assistência estudantil é fundamental para uma real democratização da universidade e é essencial acompanhar o aumento da oferta de vagas. Apesar de não haver mensalidade, o custo de uma faculdade de engenharia é muito alto. Todo o material, livros, xerox, alimentação e passagem tem um custo bastante elevado, por isso, muita gente depende de bolsas e do bandejão para poder se formar. Deve ser compromisso da próxima reitoria a criação de uma Pró-reitoria de Assistência Estudantil para tratar nossa permanência acadêmica com mais atenção e consequência. 3 - Por uma política e logística de mobilidade dentro do Fundão Estamos cansados da atual situação de mobilidade na Ilha do Fundão. Apesar das inúmeras sugestões do Programa de Engenharia de Transportes da COPPE e de terem havido melhoras depois da obra do BRT, ainda enfrentamos problemas nos ônibus internos, intercampi e para baixada fluminense, como a situação precária da empresa Cruzeiro do Sul, a inexistência de linhas diretas para regiões próximas à Tijuca, e a superlotação da linha 485. Outras sugestões de melhorias como acesso à barca no Fundão são inviáveis pela falta de diálogo da Universidade com a Prefeitura e com o Governo Estadual para pressionar as empresas de ônibus. Sabemos que o problema não é técnico, mas sim político, e exigimos da próxima Reitoria melhor mobilidade urbana para o Fundão, fortalecendo e recuperando o peso político de mobilização que a UFRJ traz em sua história. 4 - Por mais segurança no Fundão Entendemos que os problemas de segurança relacionados ao nosso Campus se resolveriam se tivéssemos a quantidade necessária de seguranças especializados e treinados para lidar com o público de uma universidade. Por isso, entendemos que é papel da próxima Reitoria, especialmente do próximo Prefeito da Cidade Universitária, pressionar o Governo Federal para a reabertura dos concursos para a Divisão de Segurança da UFRJ (DISEG) ou procurar soluções que garantam segurança autônoma e treinada para nosso campus. Acreditamos que a vida noturna no Fundão deve ser estimulada para que diminuam os casos de violência na UFRJ.

5 - Por uma maior facilidade à realização de estágio Por vários motivos, os alunos decidem fazer estágio mais cedo no curso de graduação, encontrando muitas dificuldades para viabilizar essa parte fundamental do processo de aprendizado. Acreditamos que, se há orientação acadêmica e planejamento curricular, é possível flexibilizar regras como ter ciclo básico completo para obtenção do estágio. Portanto, acreditamos que a pró-reitoria de graduação deve estabelecer o diálogo com a Escola Politécnica para possibilitar uma orientação acadêmica que cumpra seu papel desde o nosso primeiro período, e, também, que discuta a oferta de cursos de férias e noturnos, medida que facilitaria a realização do estágio sem atraso na formação. 6 - Pela autonomia da organização dos estudantes Para conseguirmos nos organizar frente aos nossos problemas e ter papel protagonista nos rumos da Universidade, precisamos fortalecer nossa capacidade de unidade, garantindo a autonomia do nosso Centro Acadêmico em se financiar, gerir e cuidar das nossas dependências, representando nossas opiniões mesmo que elas sejam distintas das opiniões da Direção da Poli, da Decania do CT, Reitoria, Prefeitura Universitária, e afins. Não são poucos os exemplos da dificuldade da instituição em dialogar com o corpo discente, bastando lembrar do fechamento do estacionamento para nós, das mudanças repentinas dos critérios para o Ciências sem Fronteiras, das atitudes autoritárias do atual decano, como por exemplo, de xingar um estudante durante debate e de cobrar aluguel da cantina dos estudantes dentro do CAEng. Há outros problemas que envolvem os estudantes da UFRJ em geral, como a recente história de proibição de bebida alcoólica no campus para os estudantes, cenário conflitante quando vemos até champagne em posse de dirigentes da nossa universidade. Por isso, autonomia e diálogo são fundamentais para que a nossa graduação seja a mais confortável possível. Entendemos que é papel da próxima Reitoria estimular, respeitar e dialogar com os estudantes organizados nos Centros Acadêmicos e nas Confrarias Acadêmicas, compreendendo que apenas a nossa própria articulação livre e independente é capaz de nos representar. Também reivindicamos a paridade entre estudantes, técnicos e professores nos colegiados da UFRJ, para democratizar os rumos da universidade com poder de decisão igualitário entre todos os membros da comunidade acadêmica.

Debate “Ensino: Ampliando o Papel do Estudante na sua (Trans)formação”.

CHAPA 10: “Juntos pela UFRJ: unidade na diversidade”

CHAPA 20: “UFRJ Autônomo, Crítica e Democrática”

Reitora: Angela Rocha Vice: Carlos Rangel

Reitor: Roberto Leher Vice: Denise Nascimento

CHAPA 30: “Somos todos UFRJ” Reitora: Denise Pires Vice: Walter Suemitsu

Fonte: http://www.aduferj.org.br

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JORNAL DO CAENG  Abril de 2015

Abril de 2015  JORNAL DO CAENG 

LIXO ACUMULADO E AULAS ADIADAS: POR QUÊ? Uma recente onda de assaltos tem assolado os estudantes do Fundão. Ocorrências são relatadas com uma frequência preocupante. Além de alertar a toda a comunidade acadêmica, um passo essencial é levar essas denúnsicas aos órgãos responsáveis pela Segurança do nosso campus. “Três garotos entraram ali no 410T (São João - Barra, sentido Barra), renderam o motorista e fizeram a limpa. Um deles estava armado e se encarregou do terrorismo, os outros dois coletaram os pertences: principalmente celulares e dinheiro, mas também levaram colares, alianças e carteiras. Saltaram do ônibus ainda naquela ponte que dá acesso à Linha Amarela. Fizemos o registro na delegacia. Para que saibam: a delegacia responsável por aquela área é a 37ª, lá na Estrada do Galeão, na Ilha do Governador. Não havia policiamento no ponto no momento do assalto. Fiquem ligados, galera...” (Relato de Isabela Brandão, da Engenharia Eletrônica)

O ano de 2015 mal começou e a comunidade da UFRJ já sente o impacto do corte de 7 bilhões da Educação por todos os lados,e como sempre os que mais sofrem são aqueles que menos têm. Já tivemos um enorme atraso no recebimento das bolsas de assistência em janeiro; logo depois, em março, a Superintendência de Assuntos Estudantis divulga uma nota que assusta toda a comunidade acadêmica, principalmente os alunos ingressantes cotista e de baixa renda, noticiando que receberiam, no lugar de uma bolsa mensal de R$ 400,00, uma cota única de míseros R$ 800,00 para se manter durante o ano inteiro. E depois, ainda tivemos a notícia de que o início do período letivo seria adiado em 2 semanas por falta de pagamento aos trabalhadores terceirizados. Desde a década de 90 que a terceirização vem sendo usada como forma de fugir das responsabilidades trabalhistas, o que gera uma enorme precarização do trabalho. Os trabalhadores terceirizados sofrem de uma total invisibilização de seus problemas e têm de conviver com condições insalubres de trabalho e de descanso. Regularmente podemos encontrar esses trabalhadores realizando suas refeições nos banheiros do CT, ou no subsolo do bloco A, local totalmente inapropriado, com ratos e baratas,

Paralisação durante as férias de fim de ano pelo imediato pagamento dos salários, vale refeição e transportes.

únicos locais que eles possuem para descansar. Como se não bastasse essa péssima condição para exercerem suas profissões, sofrem recorrentemente com atrasos e descontos indevidos em seus já pequenos salários. A precarização gerada pela terceirização afeta vários serviços de nossa Universidade, como portaria, limpeza e até mesmo segurança. No caso do serviço de portaria, a empresa AJCL quebrou o contrato e simplesmente parou de pagar os trabalhadores, que só após muito batalhar conseguiram ter seus direitos como FGTS e salário assegurados. A limpeza é outro caso

alarmante. Todos os trabalhadores da empresa Qualitécnica tiveram 10 dias indevidamente descontados de seus salários, assim como descontos no valetransporte e alimentação, que, somados, chegam a mais ou menos R$ 440,00, mais da metade do salário da maioria desses trabalhadores. A situação é tão caótica que, no início do período, o atraso no pagamento dos salários levou esses trabalhadores a pararem suas atividades e as aulas foram adiadas em duas semanas. O absurdo, entretanto, não para por aí. Em pleno mês de abril, esses trabalhadores estão com seus salários atrasados novamente, fato este que pode gerar novas paralisações e mais atrasos nas aulas.

Quando parecia que não podia piorar... Enquanto isso, na Câmara dos Deputados, em Brasília, vemos acontecer um absurdo: a aprovação da PL 4330, proposta de lei que permite que atividades fins sejam terceirizadas. Dados mostram que um trabalhador terceirizado recebe, em média, 24% a menos que outro com vínculo empregatício direto com a empresa onde o serviço é executado - apesar de, em geral, trabalhar três horas semanais a mais. Além disso, 8 em cada 10 acidentes de trabalho ocorrem com trabalhadores terceirizados, mesmo a quantidade de empregados diretos sendo maior que a de terceirizados: 33 milhões contra 12 milhões. Diversos setores da sociedade já estão se articulando para mostrar seu descontentamento com a PL 4330 e impedir mais esse ataque aos direitos dos trabalhadores. Já está marcada, para o dia 15/04/2015, uma paralisação geral.

Paralisação dos trabalhadores terceirizados da DISEG em 2014 pelo pagamento de seus salários e pormelhorias nas condições de trabalho.

Eduardo Leal, estudante de Engenharia Mecânica e Diretor de Relações Institucionais do CAEng

Conhecendo a Assistência Estudantil Na UFRJ possuímos a SuperEst, Superintendência Geral de Políticas Estudantis, que tem como objetivos: Ampliação dos programas de assistência estudantil já existentes e proposição de novas ações a serem traçadas/ buscadas pela instituição. Implementação de ações que visem à permanência dos estudantes, particularmente os que se enquadram ao perfil traçado pela política de assistência do PNAES. O Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) apoia a permanência de estudantes de baixa renda matriculados em cursos de graduação presencial em instituições federais de ensino superior. O objetivo é viabilizar a igualdade de oportunidades entre todos os estudantes e contribuir para a melhoria do desempenho acadêmico ao buscar combater a repetência e a evasão. Ana Paula Menezes e Andrey Takashi, Diretores de Assistência estudantil do CAEng.


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ENSINO NO REINO UNIDO:

ORGANIZAÇÃO POR TRÁS DE EXCELÊNCIA

Partir em intercâmbio é um mergulho no desconhecido e nem sempre uma decisão fácil. Distância da família e amigos, língua nova, outros costumes, clima estranho: são várias as barreiras no meio do caminho. Mas dentre esses empecilhos, o maior de todos talvez ainda seja a abrupta mudança no sistema de ensino.

QMPlus: Plataforma digital utilizada pela Queen Mary University of London

Autor do artigo durante o recesso de páscoa em Brighton, Reino Unido.

Para um aluno acostumado com o sistema brasileiro de ensino superior, o primeiro fator a ser notado na chegada ao Reino Unido é, sem dúvidas, a diferença na quantidade de horas-aula por semana: enquanto no Brasil o aluno habitua-se a cursar de 6 a 8 disciplinas por período, desdobrandose para atender à uma média de 30 horas semanais, aqui ele ingressa em 4 módulos semestrais com 12 horas por semana: nem mais, nem menos. Os professores acreditam que, assim, o aluno terá mais facilidade e menos estresse para absorver o conteúdo exposto. Além das aulas expositivas, cada módulo conta com, no mínimo, 1 hora semanal de aulas exclusivas para a resolução de exercícios (Problem Solving Classes ou PSCs), onde são apresentados aos alunos resoluções de questões similares às que serão cobradas em prova. Porém, menos horas em sala de aula não significam mais horas de lazer. Essa diferença de carga horária é compensada por uma enorme carga de trabalhos extraclasse (aqui chamados de courseworks), que incluem a

resolução de listas de exercícios, elaboração de projetos, formulação de relatórios, participação em visitas técnicas, dentre várias outras atividades. Além disso, em módulos com uma vertente mais experimental, é comum a inclusão de aulas em laboratórios com aplicação prática daquilo que foi visto em sala de aula. Após os laboratórios, os alunos precisam elaborar uma redação (ou essay) explicando todos os procedimentos executados e a base teórica para a realização dos mesmos, tudo nos moldes de artigos internacionais. A organização das universidades britânicas também é um ponto a ser notado (e exaltado): através de uma plataforma digital, desde o primeiro dia os alunos já têm informações sobre os courseworks propostos em cada módulo bem como as datas de entrega (deadines). Nesta mesma plataforma, os professores disponibilizam seus materiais de aula: desde slides e arquivos de texto até videoaulas completas, gravadas diretamente das salas de aula equipadas com modernos sistemas de vídeo e som.

Aqui, a tecnologia é uma forte aliada do ensino. Um sistema de projeção interligado aos computadores da sala permite que o palestrante mostre, em tempo real, o que está sendo feito em sua própria tela. Dezenas de alunos lotam os anfiteatros da universidade, onde caixas de som espalhadas pela sala permitem que todos escutem o que está sendo dito pela pessoa em frente ao quadro. Com um ensino totalmente organizado e utilizando a tecnologia à seu favor, o Reino Unido mostra porque é um dos países com um dos melhores índices mundiais de educação superior: das 100 melhores universidades do mundo, 20 estão aqui. A valorização do ensino, da pesquisa e da extensão também são evidentes: incentivos governamentais são dados às universidades que realizam ações para melhorar a comunidade na qual estão inseridas; verbas são destinadas para a retenção de alunos e ampliação do acesso ao ensino; e investimentos diretos em pesquisas são realizados em áreas primordiais como saúde, segurança e meio ambiente. Enquanto isso, no Brasil, as grandes universidades ainda se veem presas a modelos arcaicos de educação. Acreditando na errônea ideia de que quantidade é igual

a qualidade, milhares de alunos são submetidos semestralmente a elevadas cargas de aula que poucas vezes resultam num aproveitamento real de conteúdo. A falta de organização e a burocracia, muitas vezes sem sentido nenhum, dificultam ainda mais o acesso ao conhecimento. O baixo investimento em ensino e extensão, áreas muitas vezes negligenciadas por professores e até mesmo pelas próprias instituições, transforma as universidades em pequenas ilhas de conhecimento exclusivas para a pesquisa. Em termos de capacitação e conhecimento, os estudantes brasileiros não devem nada a nenhum país do mundo. Mas se tratando de modelo de educação que seja de qualidade e acessível a todos, precisamos voltar à sala de aula para aprender: ainda temos um longo caminho a percorrer.

João Victor Dantas Raulino Aluno do curso de Engenharia de Petróleo da UFRJ, encontra-se em intercâmbio na Queen Mary University of London desde setembro de 2014. Atua como Diretor de Relações Institucionais do Centro Acadêmico de Engenharia da UFRJ.

DIAGNÓSTICO DE ENSINO NA POLITÉCNICA Existem inúmeras discussões sobre diferentes métodos de ensino, modelos de faculdade e suas respectivas vantagens e desvantagens. Em nossa universidade e na Escola Politécnica não é diferente. Um dos pontos de maior polêmica é o ciclo básico, mais especificamente matérias como os Cálculos e Físicas, nas quais temos, repetidamente, taxas relativamente altas de reprovação e abandono. No período passado (2014.1), foi feito um levantamento das reprovações por média - excetuando alunos que reprovaram por falta e/ou não fizeram duas provas - nas seguintes disciplinas: Cálculo III (MAC238), Física II (FIT122) e Física III (FIM230). Em Física II foi verificada uma taxa de reprovação de 68%, chegando a 80% em uma das turmas. Além disso, no geral, houve uma taxa de 21% de abandono. No caso de Física III, houve uma taxa de mais de 53% de reprovados, além de aproximadamente 19% de abandono, totalizando 702 alunos reprovados, de um total de 1125 inscritos. Em Cálculo III houve uma taxa de aproximadamente 54% de reprovação. É de se questionar o motivo de tais números. Será consequência de pouco empenho por partes dos alunos, ou será que o modelo de ensino é ineficiente e não consegue atender às particularidades de cada aluno?

O fato é que alguns alunos se sentem mais produtivos e à vontade estudando em casa, no seu próprio ritmo. Para tais, o modelo tradicional de universidade poderia ser atualizado, mas que opções existem além das aulas e monitorias tradicionais? Reunimos aqui algumas opções interessantes:

Cursos Unicamp: Essa é uma das opcões que tem se tornado mais popular entre os estudantes, devido à qualidade do material apresentado. Trata-se de vídeos das aulas ministradas na Universidade de Campinas (http:// univesptv.cmais.com.br/cursos).

Poli Open Course: O Poli Open Course (https://sites.google. com/a/poli.ufrj.br/opencourse/) é uma plataforma que reúne uma vasta quantidade de material, de praticamente todas as matérias presentes no ciclo básico, além de matérias dos cursos de Mecânica, Eletrônica, Naval Química, Ambiental e Civil. Provas antigas, apostilas, cadernos e vídeos estão abertos para download, além disso, a ferramenta está com uma nova versão em desenvolvimento (http://poliopencourse. weebly.com/).

Estes são apenas alguns exemplos de iniciativas que tentam repensar e complementar o modelo de universidade atual, utilizando as novas ferramentas disponíveis para atender às diferentes demandas dos estudantes. O mais importante nesse processo de reformulação do ensino é o envolvimento de toda a comunidade acadêmica, particularmente os estudantes, visto que esses são os mais afetados e, em geral, ficam à parte dessa discussão.

MIT OpenCourseWare: Outra opção é o MIT OpenCourseWare (http://ocw.mit.edu/index.htm) advindo, obviamente, do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Essa opção, que serviu de inspiração para a anterior, possui material específico das engenharias Ambiental, Civil, Elétrica, Mecânica, dos Materiais, dentre outras.

Matheus Soares, estudante de Engenharia Elétrica Eduardo Leal, estudante de Engenharia Mecânica


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JORNAL DO CAENG  Abril de 2015

Abril de 2015  JORNAL DO CAENG 

[UFRJ se agita] Em tempos de polarização política e ataques ao ensino público, mobilização e engajamento ganham força dentro da Politécnica e a efervescência repercute no dia a dia dos alunos Ao longo dos últimos meses, é visível uma mobilização entre os estudantes em prol de seus direitos, de obter conquistas coletivas no âmbito da formação pessoal e profissional, de marcar posição frente aos acontecimentos atuais e tudo o mais que estiver ao alcance. Organizações estudantis recentes, com diferentes objetivos e motivações, surgiram desse ímpeto e prometem fazer a diferença na vida do universitário. A exemplo de entidades já existentes, como a consolidada CANa (Confraria dos Acadêmicos da Naval), suas colegas de blocos vizinhos também criaram suas versões: a CAMec na Engenharia Mecânica e a CAPetro, Confraria Acadêmica de Petróleo, são as mais recentes. “O Núcleo ABCM-ASME da UFRJ é um capítulo de estudantes pioneiro criado em parceria com duas importantes instituições de Engenharia Mecânica: a Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM) e a American Society of Mechanical Engineers (ASME). O Núcleo visa a auxiliar os alunos de graduação em Engenharia Mecânica da UFRJ a se tornarem profissionais mais completos, diversificados e valorizados através da realização de palestras informativas, cursos, visitas técnicas e eventos relacionados à área. Este é um projeto nacional e temos como objetivo criar núcleos universitários ABCM-ASME nas principais escolas de engenharia em todo o país, facilitando a interlocução entre os jovens dessas instituições e aumentando o poder de impacto de nosso trabalho como futuros engenheiros.” (Victor Ramos, Engenharia Mecânica) “Havia uma necessidade: suprir a falta de representação discente na Engenharia de Petróleo. Um grupo de alunos motivados se engajou nessa demanda do curso e criou a nossa Confraria. A CAPetro nos ajudará a ter mais força na busca de melhorias para o nosso curso, como criação

do Departamento de Engenharia de Petróleo, melhoria de salas de aula etc. Sem contar que podemos contribuir na formação e integração dos alunos com palestras, mesas redondas, debates, campeonatos esportivos e qualquer outra coisa que julguemos válida. Oficialmente a CAPetro é uma recém nascida, mas esse bebê promete.” (Lorena Basílio, Engenharia de Petróleo) Estudantes da Engenharia Nuclear estão em vias de oficializar a SEEN (Seção Estudantil da Engenharia Nuclear). GECOM (Eletrônica), GAEA (Ambiental) e CAEP (Produção) são outros exemplos de organizações estudantis já existentes na Politécnica. E o furor estudantil se estende a todas as áreas. Seja acadêmica, seja política, esportiva ou festiva. Por falar em esporte: dia 17 abril, em Vassouras, ocorre o famoso InterEng, os jogos integrados da engenharia de diversas faculdades cariocas, dentre elas UFF, UERJ, CEFET, PUC, UVA e, claro, a campeã UFRJ. A UFRJ, além de ser detentora do título geral de todos (TODOS) os torneios disputados até esse ano, também tem a tradição de ser a maior delegação. A expectativa para esse ano é que supere 800 pessoas, todas viajando para Vassouras apoiar a faculdade. Nesse mês, aliás, o CAEng recebeu a festa da ambiental, a famosa Alcoolamb. Os estudantes do curso, junto da Diretoria de Eventos do CAEng, participaram ativamente de todas as etapas da construção dessa atividade de integração, que deu super certo. Quem compareceu, pôde terminar a semana se divertindo nessa festa pensada com muito carinho. E Não dá para negar: a UFRJ é a maior do país, e não é à toa. Aqui, são muitas as oportunidades oferecidas, e serão mostradas, parte a parte, aqui no seu novo jornal. Seja qual for a sua afinidade, certamente você encontrará espaço aqui.

Raio X UFRJ Fórmula SAE A Equipe Icarus de Formula SAE é uma das equipes de competição da UFRJ, tendo como propósito a projeção, fabricação e validação prática de um bólido de competição do tipo monoposto (mais ou menos como um Fórmula 1), participando de uma competição anual. A competição conta com mais de trinta equipes de faculdades de todo o Brasil e nela os protótipos passam por provas estáticas, como a de Design (onde são avaliados os projetos), Custos, Marketing, e provas dinâmicas, como Aceleração, Skid Pad, Autocross e Enduro. Antes de realizar qualquer prova dinâmica, os carros devem passar por uma inspeção de segurança, o Tilt Table (que inclina o fórmula a 60°), prova de ruído e de frenagem. A Icarus possui uma organização interna para a distribuição de tarefas e responsabilidades à seus membros por meio de áreas. São elas: Eletrônica, Estrutura, Freio, Motor, Suspenção/ Direção, Transmissão e Marketing. Além disso, existem cargos individuais como Gerente de fabricação, de projeto, diretor financeiro e o Capitão. Como tudo na equipe é pensado e

gerido pelos estudantes, o aprendizado é imensurável e inevitável. Para a consolidação do projeto, muito do que é visto em sala de aula é aplicado na realidade, onde se deve assumir a responsabilidade pelos erros, cumprir prazos e lidar com o grupo, algo que é inédito na vida de muitos universitários. Com isso, a experiência obtida acaba sendo proporcional ao empenho e dedicação dos integrantes da equipe. Apesar de ser um projeto majoritariamente mecânico, alunos de outras engenharias são muito bem-vindos e desejados. A Icarus abre um processo seletivo todos os anos. Renan Costa Paes, da MetalMat e Secretário-Geral do CAEng

Primeira apresentação da Confraria Acadêmica de Petróleo na aula de introducão aos calouros em março deste ano.

Iago Bastos, estudante de Engenharia Mecânica e integrante do CAEng

Autor: André Dahmer Fonte: http://www.malvados.com.br/

Você tem alguma contribuição artística? Nos envie e ela poderá aparecer na próxima edição do jornal!


JORNAL DO CAENG  Abril de 2015

VIRANDO A ENGENHARIA DO AVESSO Loading... 75% MAIO JULHO Mai - Eleições pra Decano: promovemos e fizemos os vídeos do debate. Defendemos a paridade de pesos entre os votos de professores, técnicos e funcionários nessas eleições. 10/Mai - Por 581 votos a 410, a chapa “Vamos virar a Engenharia do Avesso” ganha as eleições do Centro Acadêmico mais antigo do país.

JUNHO Jun - Seminário de gestão: estudante da chapa se preparam para assumir a Gestão do CAEng.

11/Ago - A nova gestão assume o CAEng, já dando novos ares ao ambiente.

14/Agosto - O CAEng recebeu o Red Bull Sounderground, com a banda Astrovega.

22, 23/Jul - O CAEng recepcionou os calouros na matrícula realizada na Faculdade de Letras.

AGOSTO Cálculo 3: provas diferentes na unificada? O CAEng abriu um processo pra discutir essa questão. O CAEng realizou a recepção dos calouros na inscrição em disciplinas na Poli.

26/Agosto - Reunião aberta pra discutir os critérios da Poli do CsF, a qual teve grande aderência dos novos critérios fosse adiada para 2015.1.

SETEMBRO 2/Set - Estudantes do CAEng estiveram presentes no III EREDS SUL - Encontro Regional de Engenharia e Desenvolvimento Social, em Florianópolis.

21/Agosto - 1a Calourada de Petróleo: Festa de Recepção dos novos alunos da Engenharia de Petróleo.

23/Set - Participação na Plenária de Assistência Estudantil, no Alojamento.

10/Set - Realização do Conselho de CA’s CT - CCMN para discutir os critérios da UFRJ para o CsF.

11/Set - Realização da Reunião aberta de Assistência Estudantil.

12/Set - A Festa Urâneo-235, da Engenharia Nuclear, toma conta do CAEng.

4/Setembro - Inauguração da Cantina “Cantinho do CAEng”: mais uma demanda dos alunos que foi atendida.

OUTUBRO 7/Out - Cine-debate “Histórias Cruzadas (The Help)”. 3/Out - Forró no CAEng, com a banda “CT que Dançar”.

13/Nov - Reunião aberta para discutir o processo de Cálculo 3.

8/Out - Estreia de mais uma novidade para a sede: nosso maravilhoso tapete. NOVEMBRO

11/Nov Ato dos trabalhadores terceirizados pelo atraso de salário, CAEng presente.

14/Nov - Debate “Consciência Negra: a inclusão em debate” e cultural.

27/Fev - O CAEng e a EP apresentam o evento de recepção dos calouros de engenharia, montando uma super estrutura no hall do Bloco A.

31/Out - Festa de Halloween do CAEng

7/Nov - Alcoolamb, a festa da Ambiental.

18/Nov - Reunião aberta sobre o ENADE.

19/Nov - Da autonomia não abro mão: mobilização contra o autoritarismo do Decano do CT.

29/Out - Prestamos homenagem à Profa Elaine, pelo dia dos Professores.

20/Nov - Lançamento do formulário para consultar sobre os livros mais demandados na Biblioteca do CT.

FEVEREIRO 25, 26/Fev - CAEng recepciona os calouros de Engenharia na matrícula.

JANEIRO/2015 14/Jan - Ato contra o atraso das Bolsas.

DEZEMBRO 5/Dez - Conselho de Entidades de Base da UFRJ, CAEng presente.

24/Out - Over Voltage Party, a festa da Elétrica

27/Nov - Chapa composta pelos presidentes do CAEng e do DAEQ ganham as Eleições do CCCT. 27/Nov - Início das mobilizações por cursos de verão na Poli, com mais de 1000 aderências.

ABRIL 1/Abr - Realização do debate sobre Ensino.

MARÇO 28/Fev - Plenária em defesa da Bolsa de Acesso e Permanência.

23/Out - Cine-debate “Privatizações, a Distopia do Capital”, produção de Silvio Tendler, 2014.

16/Out - Participação no conselho de CA’s da UFRJ, no IFCS.

Reabertura da Cantina do CAEng, agora sob direção do Netinho.

10/Abr - Alcoolamb

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Jornal do CAEng - Edição nº0  

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