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Jornal do Ano 1 - Nº 1

Janeiro de 2016 - Notícias do Centro Acadêmico de Engenharia

A CRISE ORÇAMENTÁRIA DA UFRJ. A UFRJ VAI PARAR? INTERCÂMBIO:

A UFRJ, assim como todas as universidades federais está passando por momentos de dificuldade, mas seus estudantes, incluindo os da Escola Politécnica, tem sido pioneiros na busca e nas mobilizações por soluções (Pág. 04)

Saiba como realizar esse sonho em um mundo pós CSF. (Pág. 03)

Assembleia realizada no Auditório Quinhentão (CCS), no dia 28/05/2015 que, com a presença de mais de 2000 estudantes deflagrou a greve estudantil na UFRJ.

Estudantes de todo o país debatem a formação de engenheiros no Encontro nacional de engenharia e desenvolvimento social e como podemos contribuir para a sociedade (Pág 06)

EM DEFESA DA MEIA ENTRADA! DIREITO SERÁ RESTRINGIDO À 40%... Entenda como essa restrição de direito afetará nossas vidas, como ela ocorreu e o que está sendo feito para mudar essa realidade (Pág 05)

ENGENHEIROS SEM FRONTEIRAS: Construindo um mundo melhor... Conheça mais sobre o Engenheiros sem Fronteiras e descubra que eles estão mais perto do que você imagina (Pág 03) Facebook: www.facebook.com/VamosViraraEngenhariadoAvessoUFRJ Instagram: @caengufrj Twitter: @caeng_ufrj E-mail: caeng@poli.ufrj.br

www.caeng.poli.ufrj.br

Quer ajudar o CAEng? Entre em contato por e-mail e conheça os Grupos de Trabalho.

Recesso de Carnaval: 7 de Fevereiro

Fim 2015.2:

18 de Março


2  JORNAL DO CAENG  Janeiro de 2016

Ficha Técnica

FIM DO CICLO BÁSICO Da forma como funciona hoje, o Ciclo Básico é nada menos do que um câncer para a ampliação do acesso ao Ensino. Com notas de corte geralmente mais baixas, o curso acaba servindo de bengala para aqueles que almejam uma vaga na Engenharia, já que um aluno pode entrar por essa modalidade e aguardar o SISU do meio do ano, quando as notas são mais acessíveis, e assim conseguir mudar para o curso desejado desde o início. No entanto, há um prejuízo oculto nessa história: não existe qualquer redistribuição dessas vagas do Ciclo Básico que foram deixadas para trás. Esse processo de mudança de curso simplesmente tomou duas vagas – já escassas – do nosso Ensino Superior. A solução para tal injustiça está em reformular a dinâmica de ingresso na Engenharia, em que todos deveriam começar pelo Ciclo Básico. Esse sistema é adotado em muitos países e em algumas universidades do próprio Brasil, já tendo sido utilizado, inclusive, pela nossa Instituição. Uma grande vantagem desse modelo é o simples e óbvio fato de ele possibilitar uma escolha mais acertada, na medida em que expõe os alunos às diferentes engenharias e só depois exige uma tomada de decisão. Além dos benefícios, existem, claro, os desafios. Uma pergunta cabível é qual seria um critério justo para classificar os alunos na hora da escolha do curso? Uma sugestão é que se leve em conta apenas o desempenho nas matérias unificadas, pois as demais deixam muito espaço para injustiças do tipo “carrasco-mamata” e estimulariam os alunos a cursarem apenas matérias fáceis. Também deve-se estabelecer um número mínimo de créditos em disciplinas não-unificadas, a serem cumpridos nos dois primeiros anos, assim evitando que alguns foquem apenas em unificadas e tenham mais chances de escolher o curso desejado. Para concluir, ressalto que considero a exclusão do Ciclo Básico – neste momento – um mal necessário. Mas é importante questionarmos quais serão os próximos passos: satisfazer-se com esse modelo estável ou iniciar um amplo estudo para avaliar possíveis evoluções?

Coordenação:

Eduardo Ferraz Iago Bastos

Conselho Editorial:

Integrantes do Grupo de Trabalho dessa edição do Jornal do CAEng

Colaboradores desta Edição:

Lucas Ribeiro Pedro Rosset Caio Saad Caroline Figueiredo Petronilho Tamiris Crepalde Alice Cunha

Diagramação:

Eduardo Ferraz

Revisão:

Isabela menezes

Centro Acadêmico de Engenharia UFRJ Ilha do Fundão - CT Bloco F (fundos)

Contribua também! Tem críticas, elogios e/ou sugestões? Quer ajudar no jornal? Entre em contato através do e-mail: caeng@poli.ufrj.br

Escolher a primeira opção é estagnar. Escolher a segunda é transformar nosso passo para trás em muitos, muitos para frente. Pedro Rosset Engenharia de Produção

Avante, Fundão!

Calendário JANEIRO 4 - Volta as aulas 8 - Campeonato de Sinuca do CAEng 15 - Roda de Samba CAMAT + CAEng

EDITORIAL

Nós da gestão “Vamos virar a Engenharia do Avesso“ nos esforçamos para construir um centro acadêmico sempre mais participativo e democrático, por esta razão, é com muito orgulho que trazemos essa edição do Jornal do CAEng repleta de contribuições vindas das mais diversas pessoas, que extrapolam os muros de nossa Universidade. Em tempos de crise é extremamente importante apresentar uma visão estudantil sobre os diversos assuntos que tocam a nossa vida cotidiana e essa é uma das propostas dessa edição. Com essa Edição nº 1 do Jornal do CAEng damos continuidade a nossa empreitada de reavivar a história do centro acadêmico mais antigo do Brasil, tentando, com muita humildade, escrever algumas linhas nossas.

FEVEREIRO 5 - Festa das Engenharias 7 - Início do recesso de Carnaval 13 - Volta as aulas MARÇO 19 - Fim do período

Boa leitura!

Realização

Divulgação GTs 1. Articulação thaisrachel@poli.ufrj.br 2. Assistência Estudantil brenner.eng@poli.ufrj.br 3. Diversidade thaisoliv@poli.ufrj.br 4. Jornal do CAEng eduardo.ferraz@poli.ufrj.br 5. Relações Institucionais iagobastos@poli.ufrj.br 6. Comunicação giarola@poli.ufrj.br 7. Eventos dfontinelli@poli.ufrj.br 9. Congregação anna.menezzes@poli.ufrj.br 10. Ensino paulaguedes@poli.ufrj.br 11. Sede lorranemorena@poli.ufrj.br 12. Esportes victorcf@poli.ufrj.br


Janeiro de 2016

JORNAL DO CAENG

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INTERCÂMBIO:

COMO REALIZAR ESSE SONHO EM UM MUNDO PÓS CSF ?

Diante do crescente deficit nas contas públicas, o Governo Federal resolveu congelar a oferta de novas bolsas do Programa Ciências sem Fronteiras, com seu orçamento do ano de 2016 apenas designado para a manutenção dos estudantes que já estão no exterior. O Governo abriu 101 mil bolsas no programa até o ano de 2014, sendo que o compromisso da presidente Dilma era de criar mais 100 mil bolsas até o ano de 2018. Além do deficit, a forte alta do dólar também foi um dos motivos para o congelamento. O CsF era o principal meio de realizar o sonho que muitos estudantes nutriam – e ainda nutrem – ao entrar na faculdade, mas, frente a isso, ainda há alternativas que possibilitam o tão desejado intercâmbio. Conheça algumas delas: ** BRAFITEC: é um programa de intercâmbio desenvolvido no âmbito da cooperação entre o Brasil e a França e que se organiza por meio de parcerias universitárias nas diferentes áreas da Engenharia. O estudante recebe as passagens e diárias para se manter. As inscrições

são gratuitas e admitidas exclusivamente pela internet, mediante o preenchimento do formulário de inscrição e o envio de documentos eletrônicos, dentro dos prazos estabelecidos em edital. Mais informações no site: http:// www.capes.gov.br/cooperacaointernacional/franca/brafitec ** ERASMUS: O Erasmus Mundus é um programa de cooperação internacional criado em 2004 e financiado pela Comissão Europeia, o qual permite a mobilidade de alunos que estejam no ensino superior. Graças a bolsas de estudo, estudantes e pesquisadores de todo o mundo podem realizar um intercâmbio ou mesmo ter sua formação completa em algumas das melhores universidades europeias. Mais informações no site: http:// www.scri.ufrj.br/index.php/pt/intercambio/erasmus-mundus ** REDE MAGALHÃES: A Rede Magalhães é um consórcio de universidades da Europa, da América Latina e do Caribe que tem como principal objetivo estimular o intercâmbio de estudantes de

graduação pertencentes a ela. O programa de mobilidade da Rede Confira os níveis de proficiência é chamado SMILE – Student Mobildo TOEFL ity in Latin America, Caribbean and (Teste de Inglês como uma Europe.Os estudantes selecionados Lingua Estrangeira) para o intercâmbio serão considerados estudantes da Univesidade anfitriã e terão os créditos reconhecidos pela sua própria instituição. O A1 - Elementar programa não oferece bolsas. Mais informações no site: http:// www.intercambio.poli.ufrj.br/pt-br/ redemagalhaes.php ** MOBILIDADE REGULAR: Por meio do Programa de Mobilidade Regular, o SCRI – Setor de Convênios e Relações Internacionais – promove o intercâmbio de estudantes entre a UFRJ e instituições de ensino superior estrangeiras parceiras. O intercâmbio é realizado graças a convênios de cooperação e outros tipos de parcerias estabelecidos entre a UFRJ e centenas de instituições de ensino superior estrangeiras. O programa não oferece bolsas. Mais informações no site: http:// www.scri.ufrj.br/index.php/pt/intercambio/mobilidade-regular-doscri

A2 - Pré-intermediário B1- Intermediário B2 - Intermediário avançado C1 - Avançado C2 - Proficiente

Iago Bastos Diretor de Relações Institucionais do CAEng Lucas Ribeiro Estudante de Engenharia Mecânica

ENGENHARIA SEM FRONTEIRAS:

MUITO MAIS PERTO DO QUE VOCÊ IMAGINA Muito se fala sobre o programa do Governo Ciência sem Fronteiras, em que um grande número de participantes são alunos de Engenharia com o objetivo de agregar valor ao seu currículo por meio de um intercâmbio em outro país. No entanto, poucos sabem que, para viver uma Engenharia Sem Fronteiras, não é preciso nem sair do Rio de Janeiro.

comunidades marginalizadas. Por ser uma cidade com relevância histórica e com ótimas escolas de Engenharia, o Núcleo Rio de Janeiro pretende ser um dos principais focos da ONG Engenheiros Sem Fronteiras-Brasil. Realizamos projetos de Engenharia multidisciplinar e, por sua vez, promovemos o desenvolvimento sustentável e consciência socioambiental em comunidades menos favorecidas, além de focar no crescimento técnico dos estudantes voluntários envolvidos.

Com o intuito de promover um trabalho mais voltado para o desenvolvimento social, eu descobri os Engenheiros sem Fronteiras (ESF). Trata-se de uma organização internacional que tem por objetivo incentivar o uso da capacitação em engenharia para auxiliar em carências existentes na sociedade.

O Núcleo do Rio de Janeiro, ESFRio, tem como objetivo o desenvolvimento de projetos junto às comunidades carentes de nosso município e/ou de municípios vizinhos, buscando qualidade de vida para a população, incentivo à formação de futuros engenheiros, educação ambiental, conservação, preservação e recuperação do meio ambiente e aumento das áreas verdes das cidades. Além disso, o grupo pretende trazer conhecimento prático para os alunos envolvidos, unindo sempre a excelência do ensino, a pesquisa e extensão universitária, a ética e o respeito ao próximo.

Seguindo o molde de outras organizações “sem fronteiras”, o ESF, também conhecido como Engineers Without Borders (EWB) ou Ingénieurs Sans Frontières (ISF), já se estabeleceu em mais de 40 países. Frutos de iniciativas isoladas em seus respectivos locais de origem, esses grupos estão diretamente envolvidos na elaboração e implantação de projetos de desenvolvimento humano de cunho regional ou internacional. A sua atuação é construída a partir da utilização das ferramentas apresentadas pela Engenharia na solução de problemas endêmicos, que afetam primordialmente pessoas ou

Nossa base é voluntária e, apesar de sermos os Engenheiros Sem Fronteiras, a organização é aberta e necessita de profissionais e estudantes de todas as áreas, complementando nos projetos, no regimento interno e no aprendizado multidisciplinar. No próximo dia 07.11, teremos mais

uma reunião com novos voluntários, onde apresentaremos nossos projetos e também receberemos aqueles que desejam fazer parte do nosso time. Vale lembrar também que o III Congresso Brasileiro dos Engenheiros Sem Fronteiras será realizado em setembro de 2016 aqui no Rio de Janeiro. Como toda organização de Congresso envolve muito trabalho pela frente, gostaria de convidar os interessados a estarem conosco nessa jornada. Seja você também um “Sem Fronteiras” e venha nos ajudar nesta tarefa de construir um mundo melhor! Nossa página no Facebook: https://www.facebook.com/esf. riodejaneiro?fref=ts. Nela, vocês podem encontrar maiores informações sobre todas as nossas atuações, que incluem palestras, participação em amostras, eventos sociais em abrigos e oficinas de projetos, como aquecedor de baixo custo, horta vertical, sabão ecológico, entre outras. Nosso e-mail para contato é: esf.riodejaneiro@gmail.com

Caroline Figueiredo Petronilho Aluna da Escola de Química/UFRJ e voluntária dos Engenheiros Sem Fronteiras Núcleo Rio de Janeiro


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A CRISE ORÇAMENTARIA DA UFRJ E A RESPOSTA DOS ESTUDANTES A PERGUNTA DA VEZ É: SERÁ QUE A UFRJ VAI PARAR? A UFRJ é a maior universidade federal do país, são 56 mil estudantes em 175 cursos de graduação e 114 programas de pós-graduação, 9383 servidores técnicos administrativos e 4047 docentes. Ela é reconhecida nacionalmente pela qualidade na formação de seus profissionais, na pesquisa e nos serviços que presta a comunidade, à exemplo das milhares de pessoas atendidas em nosso complexo hospitalar, o maior da américa latina, composto por oito hospitais de ensino credenciados. Em nossa Escola Politécnica não poderia ser diferente, temos 13 cursos de engenharia que refletem toda a nossa abrangência de conhecimento.

É importante lembrar que em 2011 o total de funcionários terceirizados era de 870 trabalhadores, mas devido à extinção dos concursos para as atividades de apoio – limpeza, segurança, portarias etc. – a universidade foi obrigada a contratar empresas que prestam esses serviços, pagando-as com os recursos que deveriam ser destinados ao custeio da UFRJ. Atualmente, o custo dos contratos destes serviços terceirizados é de R$ 219 milhões, correspondendo a 49% do total de recursos de custeio.

Essa nossa atestada excelência está cada vez mais dificil de ser mantida devido aos cortes no orçamento do Ministério da Educação (MEC), que já são superiores a R$11 bilhões em 2015 e repercutiram diretamente no custeio e nos investimentos das universidades federais. No caso da UFRJ, entre novembro de 2014 e novembro de 2015, a instituição perdeu R$140 milhões, em razão dos cortes e contingenciamentos orçamentários. O déficit foi agravado pelo aumento exponencial da energia e pelo peso crescente do pagamento das empresas prestadoras de serviços terceirizados, que somam, atualmente, 5 mil trabalhadores.

Limpeza e manutenção dos campi e hospitais: R$ 99,3 milhões (24% da despesa de custeio)

Devido a esta série de fatores hoje a dívida total da UFRJ é estimada em R$ 310 milhões, sendo necessário o aporte de pelo menos R$140 milhões para garantir o fechamento das contas emergenciais de 2015-2.

Como o corte afeta nosso orçamento? O orçamento de nossa Universidade é composto em sua maioria pelos repasses feitos pelo Governo Federal e demais agencias de fomento, existindo também uma parte que é chamada de verba própria, ou seja, verba gerada pela própria Universidade, através do aluguel de suas estruturas ou da prestação de serviço. A verba que faz a Universidade funcionar em seu dia a dia é prioritariamente repassada pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), sendo responsável pelo pagamento dos docentes e servidores técnicos administrativos, e pelo Ministério da Educação (MEC), responsável pelo custeio e investimento das universidades. As verbas de custeio, que deveriam ir para a manutenção e reformas de nossa infraestrutura, pagamento das despesas correntes como agua, luz e afins, foram as principais afetadas pelo corte. Além disso o aumento da terceirização nas carreiras A e B dos servidores técnicos administrativos gerou uma diminuição da verba total da universidade, pois estes postos de trabalho deixaram de ser pagos pelo MPOG e passaram a ser pagos com a verba de custeio de nossa Universidade, sem ocorrer no entanto um redimencionamento da mesma.

Grandes itens de despesa de custeio da UFRJ (previsão 2016)

Energia elétrica: R$ 75,9 milhões (18% ) Segurança: R$ 40,6 milhões (10%) Serviços terceirizados de Apoio Acadêmico e Hospitalar: R$ 35,4 milhões (8%) Serviços profissionais nos Hospitais Universitários: R$ 31 milhões (7%) Técnicos-administrativos - Geral 2011........................................9241 2014.........................................9383 Terceirizados - Geral 2011...........................................870 2014.........................................5071 Alunos - Graduação 2011........................................38706 2014.........................................43417 Alunos - pós stricto sensu 2011........................................11039 2014.........................................12005 Professores 2011..........................................3792 2014...........................................4047

precárias e desumanas.

O orçamento para 2016 Em 2010, após anos de reivin dicação dos estudantes o Programa No dia 9 de Dezembro de Nacional de Assistência Estudantil

2015 foi realizado de maneira inédita, no auditório Roxinho, localizado no CCMN, uma audiência pública convocada pela Reitoria da UFRJ para discutir de maneira ampla com toda a comunidade acadêmica o orçamento para 2016. A partir da análise dos dados apresentados pela Reitoria podemos ver que o grande aumento de gastos da Universidade em 2016, se comparado com o ano de 2015 é puxada pelo aumento no gasto com energia elétrica, água e esgoto e com os serviços de terceirização básicos, que juntos consomem mais da metade do orçamento. Com a análise do orçamento podemos ver que a Reitoria reafirma o seu compromisso com a Assistência Estudantil aumentando o total de recursos destinados para esse fim.

A resposta dos estudantes Na última década, criaramse 22 mil novas matrículas que em conjunto com a politica de cotas, promoveram uma maior democratização do acesso à educação superior pública, apesar de ainda estar muito aquém do que necessitamos. Acompanhamos com felicidade e satisfação a presença de estudantes que nunca antes tiveram a oportunidade de estar nestas salas de aula, mas esta expansão de vagas não veio acompanhada de uma expansão proporcional nas verbas, nem no quadro de servidores e nem ao menos na politica de assistência estudantil. Hoje a maior Universidade Federal do país conta com uma péssima política de assistência estudantil, a UFRJ não conseguiu colocar em prática nem mesmo o seu Plano Diretor. A previsão para 2016 era que os Restaurantes Universitários deveriam servir 15 mil refeições/dia, hoje não chega nem a 6 mil. Para o Alojamento, era prometido até 2016, 3 mil vagas em condições “dignas e saudáveis”, desde 2014 não temos edital para novos moradores e os que os que hoje habitam a Casa do Estudante vivem em condições

(PNAES) foi criado com o objetivo de democratizar as condições de permanência dos jovens na educação superior pública federal, reduzindo as taxas de retenção e evasão. Segundo estudo feito pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federaisde Ensino Superior (ANDIFES) seria preciso, para garantir todos os pontos do PNAES, ou seja, moradia estudantil, alimentação, transporte, saúde, inclusão digital, cultura, esporte, creche e apoio pedagógico em todas as Universidades Federais do país R$ 3 bilhões de reais, hoje são investidos apenas R$ 900 milhões. Devido a toda esta situação em 2015 os estudantes da UFRJ protagonizaram importantes manifestações que serviram de exemplo para estudantes e trabalhadores em todo o Brasil. Desde o inicio do ano com as manifestações contra os cortes nas bolsas de acesso permanência e de apoio aos trabalhadores terceirizados, passando por uma ocupação de reitoria vitoriosa e culminando em fim em uma greve que durou mais de 100 dias.

A greve iniciou com uma pauta extensa que foi sendo direcionada no decorrer das assembleias e comandos de greve. Diversos atos foram construidos na Cidade Universitária, em Brasília e no centro do Rio. Além de gerar uma importante pressão no Governo Federal os estudantes em greve conseguiram que o Reitor assinasse um termo de compromisso, garantindo a entrega de três restaurantes universitários (Macaé, Santa Cruz da Serra e Praia Vermelha), aumento do número de bolsas, a finalização da obra do módulo feminino do Alojamento e outras importantes vitórias. Enquanto outras universidades discutem cortar bolsa e aumentar o valor dos RU’s, a UFRJ está pautando retomar obras paradas e construir bandejões. Apesar dessas importantes vitórias ainda precisamos, em conjunto com toda a comunidade acadêmica, nos mobilizar para reverter estes cortes que ameaçam o funcionamento de nossa Universidade e avançar para garantir uma politica de permanência de qualidade.

Eduardo Leal estudante de Engenharia Mecânica e Vice-Presidente do CAEng


Janeiro de 2016

JORNAL DO CAENG

CONTRA A RESTRIÇÃO DA MEIA ENTRADA QUEREMOS NOSSO DIREITO POR INTEIRO A s s i n a d o recentemente pelo governo, o decreto que visa limitar o direito a meia-entrada em eventos culturais e esportivos ao patamar de 40% dos ingressos, entrou em vigor no dia 1 de dezembro, o decreto ainda preve que os ingressos deverão ser comprados com até 48 antes do início do evento, após isso não será garantido o direito, pois os ingressos poderão ser vendidos a qualquer preço. Essa é mais uma perda pois sabemos que pouquíssimos estudantes compram ingresso para um cinema 48 hora antes da sessão. Para eventos com público de 10 mil pessoas (shows e jogos de futebol) a antecedência terá que ser de 72h. Essa é, sem duvida, mais uma tentativa de atacar o direito à meia-entrada estudantil, direito este conquistado pela luta dos estudantes brasileiros e que é cotidianamente ignorado pelos produtores de eventos, e o que vemos na prática é que os órgãos de defesa do consumidor não conseguem acompanhar ou fazer valer o direito dos estudantes de pagar 50% no valor dos ingressos.

Há tempos esse tem sido um problema dos estudantes contra os promotores de eventos, que tentando burlar o direito a meia-entrada se valem de promoções em que todos pagam meia, ou ainda de vender ingresso de meia sem nenhum controle entre estudantes e não estudantes, claro, com preços de meiaentrada que se equivalem a preços de bilheteria normal.

O que está pro trás desse decreto? Com base nesse discurso, o decreto limita o direito à meiaentrada e cria um limite que na prática dificilmente poderá ser verificado. Se os produtores alegam dificuldades para o controle das carteiras emitidas, como se dará o controle dos 40% de ingressos em cada evento?

O falso discurso da Para piorar, as diretorias falsificação das carteiras de majoritárias da UNE e UBES estudante passaram a defender a aprovação do projeto unicamente para Desde a promulgação da garantir o monopólio na emissão MP 2208, no ano de 2001, houve da carteira de estudante, tirando uma proliferação da emissão de a autonomia das entidades carteiras de estudantes, muitas estaduais, municipais e dos DCE´s, a partir de entidades criadas que apenas poderão emití-las se por empresários unicamente filiadas às mesmas, tirando assim para ganhar dinheiro sobre os o direito ao estudante de escolher estudantes, tirando a emissão por qual entidade ele emitirá sua do controle das verdadeiras carteirinha. entidades estudantis em muitos estados. No final de Dezembro o ministro do STF Dias Toffoli Mas, com certeza, suspendeu a restrição em relação os produtores não foram às entidades autorizadas a emitir os prejudicados, e sim os a carteira de estudante, alegando estudantes, com essa situação. O direito à meia-entrada passou a ser reduzido no diaa-dia, sem nenhum controle ou fiscalização por parte do poder público. Na verdade os eventos passaram a descumprir deliberadamente o direito à meia-entrada, prejudicando diretamente os estudantes.

que esta restrição fere o direito constitucional de livre associação . Precisamos garantir o direito da meia-entrada para os estudantes, o controle da emissão de carteiras de estudante estar sob responsabildiade das entidades estudantis, e o poder público, através dos órgãos de defesa do consumidor, acompanhar de perto o cumprimento desse direito, bem como, combatendo as fraudes nas emissões de carteira de estudante. Em um país que investe menos de 1% do orçamento em cultura e tem preços de ingressos caríssimos esta nova lei colabora para distanciar, ainda mais, a juventude da cultura. Não podemos aceitar mais esse ataque aos direitos da juventude, por isso convidamos todos os estudantes, que não concordam com esse absurdo à ocupar ruas, cinemas e teatros pelo nosso direito a meia entrada.

Em atos puxados pela FENET e pela AERJ, estudantes secundaristas ocupam cinemas na Região dos Lagos contra a restrição.

Em ato organizado pela Federação Nacional dos estudantes de Escolas Técnicas, estudantes de Belo Horizonte ocuparam diversos cinemas para chamar atenção a luta contra a restrição

Eduardo Leal estudante de Engenharia Mecânica e Vice-Presidente do CAEng

POSICIONAMENTO DO CAEng SOBRE A EMISSÃO DE CARTEIRINHAS Entendendo a realidade imposta por essa nova lei e atendendo a uma demanda dos estudantes a gestão “Vamos Virar a Engenharia do Avesso”, informa que estará realizando a emissão de carteirinhas estudantis do CAEng o quanto antes. Ressaltamos também que este posicionamento não nos impede de criticar a postura da direção majoritária da UNE, nem esta lei que restringe um direito que os estudantes possuiam. Mais Informações serão divulgadas em nossos meios de comunicação. Gestão “Vamos virar a engenharia do avesso”

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A POLITECNIA E O IPUFRJ SOMOS REALMENTE POLITÉCNICOS? A educação politécnica foi inicialmente esboçada por Karl Marx em meados do século XIX e consiste na união da teoria com a prática, do trabalho intelectual com o “trabalho físico” e traz o trabalho como princípio educativo (educação pelo trabalho), visando unir as diferentes áreas de trabalho, seja ele físico ou intelectual, proporcionando uma compreensão integral do processo produtivo. Além deste princípio básico a educação politécnica também supõe uma educação gratuita, obrigatória e única para todas as crianças e jovens, a formação multilateral e integral da personalidade de forma a tornar o ser humano capaz de produzir e fruir ciência, arte, técnica e a integração recíproca da escola à sociedade. Na Região dos Lagos a única instituição politécnica de ensino é o Instituto Politécnico da UFRJ (IPUFRJ), localizado no município de Cabo Frio. No IPUFRJ os alunos trabalham em projetos nos quais todas as áreas de conhecimento trabalham juntas para concluir um objetivo comum, sempre unindo a teoria com a prática. Um dos projetos, por exemplo, culmina na construção de uma prancha de surfe feita de agave (uma planta exótica existente na região). À partir disto os alunos estudam aspectos técnicos, tecnológicos, sociais, econômicos, históricos, políticos, etc, que cercam o mundo do surfe. Questões sobre a biologia da planta (neste caso a agave), técnicas para a construção de uma prancha, etc, também são objeto de estudo. E toda a produção sempre é feito pelos próprios alunos em um processo que objetiva que todos entendam a teoria e a prática que envolve o que foi feito.         Sendo assim, com esta metodologia de estudo os alunos conseguem, com maior facilidade, interligar vários assuntos. Na educação politécnica o aluno não é formado apenas enquanto estudante, mas também como cidadão, um cidadão crítico e consciente. Com a politecnia um estudante não decora conteúdos para uma prova, ele realmente aprende algo para levar para o resto da sua vida.

Um tesouro em risco! O Instituto Politécnico da UFRJ (IPUFRJ) existe desde 2008 na cidade de Cabo Frio na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. O IPUFRJ funciona como um projeto de extensão, de formação de profesores em educação politécnica do NIDES (Núcleo Interdisciplinar de Desenvolvimento Social) da UFRJ. Este, foi criado em um convênio entre a prefeitura municipal de Cabo Frio, o estado do Rio de Janeiro e a UFRJ, e inicialmente operava com alunos do ensino médio e do segundo seguimento do ensino fundamental. Porém, em 2010, município e estado romperam o convênio com a UFRJ, e esta por sua vez decidiu manter o projeto. Em 2012, após passar por diversas sedes provisórias, em colégios municipais, estaduais e federais da região, finalmente o Instituto Politécnico foi para a sua própria sede, construída em madeira em um terreno cedido pela Prefeitura Municipal de Cabo Frio. Por problemas com a documentação de cessão do terreno à UFRJ, o Instituto foi impossibilitado de instalar rede de luz elétrica e de água/esgoto (problema que perdura até hoje). Desde o momento do rompimento do convênio, o Politécnico da UFRJ, passou por diversas crises e possibilidades de fechamento. Por volta de setembro do ano de 2014 o IPUFRJ começou a passar por o que seria mais uma crise, pois desde esse período, os professores (residentes docentes) vêm sofrendo com atrasos recorrentes nas bolsas. Por causa dos atrasos de pagamentos, os residentes docentes já iniciaram o ano de 2015 fazendo um revezamento entre si, o que prejudicou a prática da metdologia politécnica praticada no Instituto. O problema se agravou por volta do mês de julho de 2015, quando o reitor Antônio Carlos Levi terminou o seu mandato com 3 meses de bolsas atrasadas aos residentes, porém, com um compromisso de pagamento de todas as bolsas referentes ao seu mandato.

hecer o mérito acadêmico do projeto, porém so efetuaria o pagamento, após a institucionalização se efetivar. Apesar de toda a situação, não podemos ter a reitoria da UFRJ na atual gestão como única vilã e culpada pelos acontecimentos. O governo federal, fez um corte que já ultrapassa os 10 bilhões de reais no orçamento para  a educação, por causa destes cortes diversas universidades em todo Brasil, inclusive a própria UFRJ, passaram por greves e sofrem com a falta de dinheiro. Portanto, desde o início do ano de 2015 os estudantes vêm trabalhando em conjunto com entidades como a AERJ (Associação de Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro), a FENET (Federação Nacional de Estudantes em Ensino Técnico) na luta contra o corte de verbas para a educação, que traz problemas não só ao IPUFRJ, como a todas instituições públicas de ensino do Brasil. Devido às condições apresentadas, desde meados de agosto de 2015, as atividades regulares no Instituto estão paralizadas. Corpo docente e discente do IPUFRJ se unem para tentar propor atividades que mantenham a escola ocupada. São feitas reuniões regulares entre todos os membros da comunidade acadêmica para discutir ações e estratégias de resistência. O IPUFRJ tem uma linda história de luta e de resistência que nunca vai acabar. A politecnia é uma metodologia inovadora e revolucionária, não podemos deixar que ela se perca. O IPUFRJ resiste!!! Enquanto houver ar, estaremos respirando e lutando pelo nosso colégio, pela nossa “arca”.

#arcaviva

Quando a nova reitoria assumiu a UFRJ, a comunidade acadêmica do IPUFRJ foi pressionar em busca do pagamento das bolsas, o que possibilitaria o pleno funcionamento do Caio Sad colégio novamente. Desde o ínicio o reitor coordenador geral do Grêmio Roberto Leher se mostrou resistente, pois a institucionalização e regularização do colégio Politécnico, militante da AERJ e FENET na para a UFRJ não é plena, e este disse recon- região dos lagos

ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL Dos dias 12 ate 15 de agosto ocorreu em Salvador, Bahia o XII Encontro Nacional de Engenharia e Desenvolvimento Social (ENEDS), com o proposito de evidenciar a relação da engenharia, em todas as suas áreas de atuação, com o desenvolvimento social, fazendo conexões entre universidade, movimentos sociais e poder público, repensando a formação e a prática de engenheiras e engenheiros. Desde sua criação, em 2004, através da iniciativa de estudantes e professores do Núcleo de Solidariedade Técnica – SOLTEC, o evento vem trazendo várias pautas para problematização da academia e exemplos de projetos bem sucedidos na área de tecnologias sociais de baixo custo e impacto ambiental, economia solidária, organização de trabalhadores de forma associativa ou cooperada exercendo a democracia, diferentes formas de geração de trabalho e renda, economia social, políticas sociais e públicas, metodologias participativas e desenvolvimento local.

Em 2008, já no V ENEDS, o encontro sai pela primeira vez da UFRJ, sendo realizado na USP, com o tema “Os impactos da Engenharia e os Limites da Sustentabilidade”. A partir de então o ENEDS passou a ter sua localização alternada, tendo já passado pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Pará e Salvador. A partir de 2011 houve mais uma novidade que foi o início dos EREDS (Encontro Regional de Engenharia e Desenvolvimento Social), encontros regionais que precederiam os ENEDS, como uma forma de mobilização de novas pessoas para as nossas discussões e incentivá-las a ir ao ENEDS.

tuindo uma das maiores e mais ativas bancadas estaduais. Os mais de 65 estudantes da UFRJ presentes mostraram que cada vez mais estamos percebendo que nossa formação tem que dialogar com os reais problemas da sociedade e pensar uma forma de soluciona-los coletivamente. Entendemos que o CAEng deve atuar não somente de forma a garantir que todo o corpo estudantil tenha acesso a uma formação curricular plena, mas também crítica, que dialogue com as reais necessidades da sociedade em que estamos inseridos, sendo a extensão uma ferramenta primordial nesta aproximação.

O CAEng torna-se um espaço para articulação da necessidade de uma formação com mais consciência Participação da UFRJ no XII ENEDS política, por meio da retomada do papel influenciador das engenharias não apenas no âmbito universitário Neste ENEDS os estudantes da UFRJ ti- e das grandes empresas. Esta reestruturação só pode veram uma participação notável, consti- acontecer através do reconhecimento das vivências


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de todas e todos, com o compreensão do contexto social e político em que a universidade está inserida. A construção de consciência é vital para a problematização das origens dos problemas que enfrentamos e guiar uma onda de transformações para uma engenharia crítica, através do debate e participação de todos os grupos presentes.

Na plenária final do ENEDS 2015 foi decidido o local dos próximos eventos. O ENEDS 2016 será na região sul em Florianópolis e o EREDS Sudeste será em Minas Gerais, Belo Horizonte. Plenaria final do XII ENEDS

RAIO X UFRJ MINERVABOTS: MAQUINA DE VITORIAS O Jornal do CAEng entrevistou a capitã da equipe de competição MinervaBots, Tamiris Crepalde, sobre seus recentes resultados na Robocore Summer Challenge 3ª Edição: Beetleweight - 3lb (1,36kg) (1° Lugar) Beetleweight - 3lb (1,36kg) (3° Lugar) Sumô - 3kg (Auto) (3° Lugar) Hobbyweight - 12lb (5,44kg) (4° Lugar) Mini-sumo - 500g (Auto) (8° Lugar) Sumô LEGO - 1kg (Auto) (5° Lugar) Sumô LEGO - 1kg (Auto) (5° Lugar) Seguidor de Linha - Pro (24° Lugar) Confira a seguir esta entrevista que nos possibilita conhecer um pouco melhor esta incrivel equipe que tanto orgulho trás a nossa Engenharia: JORNAL: A Minerva Bots tem 3 anos e 7 meses de existência. Disputou 9 campeonatos, incluindo um mundial. E nesse último campeonato, a equipe conquistou resultados sensacionais. A que se deve este salto de rendimento? Qual foi o diferencial do planejamento para esse torneio?

lidam com as equipes de projeto. Importante ressaltar que as pessoas, embora alocadas em um projeto, podem participar dos outros e aprender sobre outras áreas. Sobre os projetos: é uma das partes mais empolgantes; trabalhamos com propostas de projetos que são apresentadas por um grupo de pessoas que tenha se interessado por ele. A equipe toda aprova e organiza um grupo para realizá-lo. J: Numa escala de 1 a 5, o quão relacionado está o conteúdo dado em sala de aula e os desafios encontrados na oficina? Os conceitos com que vocês lidam na prática estão ligados a quais áreas além de elétrica/eletrônica? T: Não sei precisar, isso varia de curso para curso. Em certas áreas, como eletrônica e mecânica, a prática se torna complementar ao que é visto em aula. Pesquisa de materiais é fundamental, principalmente para o chassi e as rodas. Eletrônica, controle e automação, programação e mecânica são as áreas mais fortes dentro da equipe, mas temos membros de diversas outras engenharias, como nuclear, elétrica, materiais, computação e nanotecnologia.

Tamiris: Estávamos em baixa por conta de um resultado ruim no meio do ano, foi um choque de realidade para todos nós. Era preciso mudar a postura, e todos os membros abraçaram esse objetivo. Além disso, na troca de gestão, essa mudança já era vista como algo essencial. Decidimos levar apenas projetos que fossem realmente competitivos, mudamos um pouco a gestão dos projetos e os resultados foram bons. Agora esperamos que mais resultados positivos venham, e a mudança do processo seletivo e a inclusão de muitos J: Quais os pontos positivos e negativos de fazer parte calouros bem preparados na equipe vão de uma equipe de competição como a Bots sob a sua causar um diferencial. perspectiva? J: Você pode resumir como funciona T: Pontos positivos: • crescimento pessoal muito o planejamento hierarquicamente e a grande. Pessoas sem experiência em ter que lidar com execução dos projetos dentro da equipe? compromisso e pressão por resultados encontram lá a sua primeira experiência desse tipo. Além disso, T: A equipe é dividida entre a gestão desenvolvem pró-atividade em relação a pesquisas e e as equipes de projeto. Cada projeto tem a como administrar recursos limitados. É interessante um líder e conta com técnicos mecânicos observar o acréscimo do crescimento técnico e a e eletrônicos. Dentro da gestão, tem a interdisciplinaridade que temos acesso na equipe; diretoria administrativa, composta pelas • integração entre os membros. Nós nos sentimos direções financeira e de marketing e o muito à vontade uns com os outros, somos pessoas capitão, além da coordenação de projetos com os mesmos objetivos e interesses, isso também é mecânicos e eletrônicos. networking. A diretoria administrativa cuida do Pontos negativos: • algumas pessoas podem desenvolvimento da equipe. O capitão lida encarar a dificuldade de ter que conciliar o trabalho na com os coordenadores, que por sua vez

Bots com a faculdade como negativo, mas, para mim, bem como para a maioria dos membros, não vemos como algo prejudicial. J: A Engenharia como um todo ainda é um ambiente muito fechado para as mulheres e esse perfil se acentua em áreas como a robótica e a eletrônica, que estão intimamente ligadas à Minerva Bots. Isso se reflete dentro da equipe de alguma forma? Você acha que é um espaço onde deveria contar mais com a presença feminina, ou o trabalho na Bots ajuda a encurtar essa distância? T: Acho que encurta. Quanto mais a equipe cresce, mais atrai esse público. Quando começou, tinha apenas uma menina na equipe e hoje somos 9. Esse fato é positivo por atrair ainda mais meninas, quebrando essa visão de que robótica é coisa de homem. A Bots é um lugar onde essa diferença é desmentida na prática. J:

Algo mais que deseja falar?

T: Quem quiser conhecer nossa sala de trabalho é só aparecer na sala I-101, subsolo do bloco D, embaixo dos correios. Estamos sempre dispostos a apresentar nosso trabalho a quem se interessar. De modo geral, o mais importante que posso falar é que participar de uma equipe é muito enriquecedor. Queremos incentivar o aspecto técnico, gestor e pessoal de cada um. Não vamos sobrecarregar ninguém, queremos fazer as pessoas crescerem. Quem ainda tiver dúvidas, procure se informar, pois é uma experiência que só quem está dentro pode dizer como é. #MinervaBots #AvanteMinerva


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ENTREVISTA COM ALICE CUNHA VENCEDORA DA OLIMPIADA NUCLEAR MUNDIAL A estudante de Engenharia Nuclear da Escola Politécnica, Alice Cunha da Silva, de 25 anos, venceu a edição de 2015 da Olimpíada Nuclear Mundial, evento organizado pela Universidade Nuclear Mundial (WNU, na sigla em inglês) que foi realizado em Viena, na Áustria. Única candidata mulher, Alice superou os outros quatro finalistas, dois estudantes da Índia, um da Malásia e um das FIlipinas. O Jornal do CAEng entrevistou Alice com exclusividade para que ela pudesse contar um pouco dessa experiência incrível. JORNAL: Para o pessoal que ainda não viu o vídeo, você poderia explicar brevemente o que você abordou no seu trabalho? ALICE: A competição teve algumas etapas. Na primeira, tive que fazer um vídeo sobre uma aplicação da área nuclear que não fosse produção de energia. O tema da competição era “Técnicas Nucleares para o desenvolvimento global”. No meu vídeo, eu falei sobre uso de técnicas nucleares para o diagnóstico e tratamento de doenças – o câncer, no caso. Na última etapa, fizemos um trabalho sobre produção de Radioisótopos, isótopos radiativos que podem ser usados para os mais diversos fins, inclusive na medicina – os radiofármacos – e em Vienna fizemos uma apresentação sobre esse tema.

J: Suas experiências na UFRJ de alguma forma para entrar no mercado de trabalho, seremos lhe ajudaram a lidar com esse momento ? avaliados por diversos fatores, como trabalho em equipe, integridade, capacidade de A: Sim. Organizar e participar de comunicação, liderança, entre outros. Acho eventos, fazer apresentações de trabalhos em que essas caraterísticas também devem congressos e até na JIC ajudam a desenvolver ser desenvolvidas pelos estudantes, e as a capacidade de comunicação, que foi um atividades extracurriculares são de extrema critério de avaliação durante a apresentação importância para esse crescimento acadêmico final. e profissional dos alunos. J: Sem dúvidas, a sua conquista irá inspirar outras pessoas a buscarem objetivos J: Algum recado para dar aos seus colegas parecidos. Como você avalia o cenário engenheiros? acadêmico na UFRJ no que diz respeito a incentivo de projetos e trabalhos inteiramente A: Escolhemos uma das melhores desenvolvidos por alunos ? carreiras que existem. Na faculdade, estamos desenvolvendo a capacidade de solucionar A: Sinceramente, não conheço bem problemas, de transformar as maravilhas todo cenário de incentivo a projetos da UFRJ. da ciência em algo palpável, algo útil Também sei que a realidade da Poli/CT é para as pessoas. Então, aproveitem todas diferente da realidade de outros centros. Com as oportunidades de aprendizado que a isso, não me sinto capaz de dar uma posição Universidade oferece dentro e fora da sala de precisa sobre esse assunto. O que eu posso aula. dizer é que acho de extrema importância o aprendizado fora da sala de aula. Fazer IC fez uma diferença enorme para mim e para muitos amigos meus. Acho essencial que os alunos tenham oportunidades extras de aprendizado (IC, projeto de extensão, empresas Juniors, Clubes, Capítulos, etc.)

J: Como ficou sabendo dessa competição? O que a motivou a participar? J: A pergunta mais indiscreta. Você se importa em falar o seu C.R.? Você o considera A: Fiquei sabendo por e-mail e Facebook. um parâmetro importante na avaliação da Eu curto a página da World Nuclear University, formação estudante ? organizadora da competição e também assino Newsletter. Eu achei uma competição muito A: Meu C.R.A. é 8,1. Acredito que é um interessante, uma oportunidade de aprender e parâmetro importante sim, mas também envolver estudantes de diversas partes do mundo a acredito que apenas o C.R. não define a divulgar as aplicações desse universo nuclear. capacidade do aluno. Na minha opinião,

SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA PROF. JOEL RUFINO DOS SANTOS Quem constrói a universidade? Esse foi o tema da atividade da Consciência Negra do CAEng, em parceria com a Decania do CT, que ocorreu de 23 a 27 de novembro de 2015, semana em que também se comemora o dia internacional da nãoviolência contra a mulher. Através de intervenções com cartazes pelos blocos do CT, exposição fotográfica “Limites humanos”, de João Barreto, cinedebate e mesa redonda, o Grupo de Trabalho da Diretoria de Diversidade do CAEng tentou expressar o quanto a importância de pessoas negras ao nosso redor é menos evidenciada do que deveria. Existem motivos para isso, e o debate é fundamental para entender e superar as questões raciais no país.

São estudantes, professores, funcionários terceirizados e técnicoadministrativos, negras e negros que constroem a universidade, dia-a-dia, cada qual com sua contribuição indispensável. Agradecemos em especial à

mobilização do GT de Diversidade e à Decania, que realizaram o evento que leva o nome de um ex-professor da Escola de Comunicação da UFRJ, símbolo de resistência e luta do povo negro e sua história.

Autor: Dino15 - Diego Novaes

Você tem alguma contribuição artística? Nos envie e ela poderá aparecer na próxima edição do jornal!

Jornal do CAEng - Edição nº 1  

Depois da nº 0, é chegada a edição nº1 do Jornal com notícias da Engenharia, da UFRJ e do país.

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