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M AG A Z I N E PAR TE INTEGR ANTE D ARTE INTEGRANTE DAA EDIÇÃO N.º 2948 DE 26 DE SETEMBRO DE 2013 DO JORNAL DO ALGARVE E NÃO PODE SER VENDIDO SEP AR AD AMENTE SEPAR ARAD ADAMENTE

1924-2013

António Ramos Rosa Morreu o poeta mas a poesia algarvia está mais viva que nunca


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Novo livro de Neto Gomes

"Podia Ter Sido Um Campeão - Edmundo Bota" apresentado este sábado em Loulé

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odia Ter Sido Um Campeão – Edmundo Bota” é o título do novo livro de Neto Gomes, que será apresentado no próximo sábado, às 12h00, na sala da Assembleia Municipal de Loulé, Edifício Eng.º Duarte Pacheco. Tendo como referência a obra, na Nota de Autor, Neto Gomes relembra um pouco de todas as facetas da vida do ciclista Edmundo Bota, o grande protagonista do livro que vai ser apresentado: “Sempre, ou quase sempre, as palavras do autor têm como caminho único a exaltação dos conteúdos da obra e dos seus protagonistas. Por isso, justificava-se – e baseado neste princípio de que a sustentabilidade da argumentação tivesse como ponto de partida e de chegada a vida desportiva de Edmundo Bota – associarmo-nos a tudo o que narrou, em paralelo com as voltas e as revoltas que viveu em cima da bicicleta. Todavia, sendo real que aqui e ali vamos merecidamente enaltecer a figura desportiva de Edmundo, que só o facto de ter estado várias vezes no pódio dos azares é que o impediu de estarmos agora a exaltar a sua longa história de vida assente nas suas virtudes como ciclista do Louletano, e os golpes que a vida lhe deu em plena estrada. Porém, o palco da emigração, para onde abalou à descoberta da França, em 1964, e assim fugir a tudo e todos que impediam a liberdade do nosso povo, foi escolhido por nós, com a mesma vibração com que o forcado espera o touro, e desta forma enaltecermos o que era a emigração nesses tempos marcados por uma evidente escravatura, também numa altura em que nos obrigam outra vez a saltar os muros de uma vida onde os enganos não sejam tão claros e absurdos. Toda a obra que caracterizamos como uma história de vida é murada de dificuldades comuns à época em que se desenrolam os diferentes acontecimentos desportivos e sociais. Como autor, e este é um desafio que propomos ao leitor, temos a certeza tratar-se de uma obra profundamente humana, não apenas pelas incidências vividas por Edmundo Bota enquanto ciclista promissor, que vários azares lhe derrubaram os sonhos, mas pelas aventuras que a emigração rude e devastadora lhe proporcionou. Todavia, os governantes e muitos políticos esclarecidos escondiam o fenómeno a sete chaves, e olhavam a emigração com o silêncio dos inocentes. É sobre esta passagem da vida portuguesa, vivida por milhões de nossos compatriotas, que pretendemos homenagear Edmundo Bota, um grande desportista a quem alguns azares vividos no ciclismo roubaram sonhos e

minguaram ambições e, desta forma, despertar a consciência dos novos emigrantes portugueses que agora voltaram às estradas do mundo, tendo outra vez, como sonho, o pão e a liberdade de viver melhor.” Neto Gomes nasceu em Vila Real de Santo António, a 27 de outubro de 1944, e é jornalista há mais de quarenta anos. Embora tivesse exercido várias atividades ligadas ao sector do turismo e do desporto, é notória a sua ligação à escrita tendo o jornalismo como rede de toda a sua vida profissional. Foi presidente do GEA – Grupo de Estudos Algarvios, com sede em Lagos, da AJAID – As-

sociação dos Jornalistas Algarvios da Imprensa Desportiva e foi diretor do CNID – Clube Nacional da Imprensa Desportiva. Foi Chefe de Gabinete de Imprensa das Câmaras Municipais de Lagoa, Loulé e Vila Real de Santo António. Nos últimos anos tem vindo a realizar importantes trabalhos na área da investigação com decisivos contributos para a História Local. É autor das seguintes obras: “Escutem” (Poesia, 1973, edição de autor), “Bancadas Vazias”, 1993, edição de autor), “Congresso de Almancil” (2002, edição Junta Freguesia de

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Almancil), “Pelo Mar Adentro Alimentando o Fumo das Fábricas” (história local, edição do Autor/Câmara Municipal de Vila Real Santo António, 2005), “1º Congresso de Almancil”, “Joaquim Apolo – Fiz Aquilo Que Pude Para a Alegria dos Louletano” (2007, edição da Câmara Municipal de Loulé), “Manuel Caldeira – Ágil, Combativo, Decidido, Um Leão” (2008, edição da Câmara Municipal de Vila Real Santo António), “Zé Aranha - A Sabedoria das Palavras” (história Local, 2009, edição Câmara Municipal de Vila Real de Santo António), “Governo Civil de Faro 175 Anos de História” (2009, edição Governo Civil de Faro), “Hospital de Faro 30 Anos de História Uma Vida de Afectos” (2010, edição Hospital de Faro, EPE.), “Vencendo a Estrada Tendo Loulé Como Bandeira” (2012, edição da Câmara Municipal de Loulé) e “Manuel José O Faraó de Vila Real de Santo António” (2013, edição da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António). É coautor de “25 Anos do Clube de Ténis de Loulé” (2007, edição Clube Ténis de Loulé) e “Algarve 1910–2010, 100 Anos de República, 100 Personalidades” (2010, edição Governo Civil de Faro). Neste momento o autor está a escrever mais dois livros: “História da Santa Casa da Misericórdia de Loulé (1834 / 2011)” e “Biografia de César Correia”.


4 "Ossos que Contam História" no Núcleo Islâmico de Tavira

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Nùcleo Islâmico do Museu Municipal de Tavira tem patente até ao próximo dia 25 de janeiro a exposição “Ossos que Contam História”, que poderá ser visitada de terça-feira a sábado, das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30. Esta exposição vem no seguimento de uma anterior, “Quando os Ossos Revelam História”, concebida há cerca de seis anos, no Centro de Investigação em Paleoecologia Humana e Arqueociências, do extinto Instituto Português de Arqueologia. Em resultado do interesse de diferentes instituições (museus, autarquias, escolas, associações locais, entre outras) e do apoio de uma fundação privada, renasce uma nova exposição, agora, com o título “Ossos que Contam História”. A mostra pretende efetuar a divulgação científica e patrimonial de um tema, raramente, contemplado na museologia portuguesa: os ossos dos animais na arqueologia. De um modo didático procura-se dar a conhecer, entre outros aspetos, o esqueleto de peixes, anfíbios, répteis, mamíferos e aves, o seu modo de locomoção, a sua dentição, entre outros aspetos. Ao mesmo tempo, serão mostrados ossos e objetos procedentes de intervenções arqueológicas realizadas no concelho de Tavira, dando a conhecer o vasto e diverso património da cidade.

Arte Contemporânea

"INDUSTRI ELA" em Loulé no próximo mês de outubro Exposição inclui "performances" musicais inéditas e permitirá vivenciar uma série de experiências surpreendentes, nomeadamente pequenas criações gastronómicas

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dérita, Miguel Ângelo Mendoza, Rui Silva, Paulo Duarte Filipe e The By David Laherrere são os artistas convidados do evento INDUSTRI ELA, promovido pela artista Adérita, apoiado pela Câmara Municipal e por outras entidades e empresas, que vai acontecer numas instalações de perfil industrial junto ao Convento de Santo António, em Loulé, nos dias 18 e 19 de outubro. A industrialização é o resultado da interação de diferentes fatores. A expansão da produção, o desenvolvimento das vias de comunicação e do progresso técnico instituíram a aglomeração de população à volta de novos centros. O movimento repetitivo e barulhento das pessoas e das máquinas de onde nascem novas matérias, cores, fumos, cheiros e sons transformaram incontestavelmente as referências culturais da época. Porque as diferenças compõem as nossas histórias e a própria história as nossas expressões, INDUSTRI ELA leva-nos numa viagem, de metal e madeira, gasta pelo tempo. Os mecanismos absorvidos pela memória já não refletem o labor e o suor mas sim o rasto de um tempo que nos trouxe até às novas tecnologias. Mais do que uma exposição de arte contemporânea, será possível assistir a performances musicais inéditas e vivenciar uma série de experiências surpreendentes, nomeadamente pequenas criações gastronómicas. A inauguração e abertura ao público terá lugar no dia 18 de outubro, pelas 18h30, com atuação de Ana Dacosta e performance dos Cloudleaf. No sábado, dia 19, pelas 11h00, no âmbito deste evento, acontece uma performance em frente ao Mercado Municipal e, ao longo do dia, estão previstas vá-rias atividades surpresa. Às 16h00, para além da Exposição de Goldwings no recinto onde decorrerá a INDUSTRI ELA, terá lugar a atuação conjunta do saxofonista Martin Teutscher e do DJ Mike Fish. No encerramento deste evento, pelas 21h30, irão atuar os Bad

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A arte contemporânea vai invadir Loulé no início do próximo mês

Luck&Trouble, numa edição especial com Paulo Strak. O preço das entradas é de 4 euros, sendo que 20 por cento desse valor reverte a favor da Associação Social e Cultural de Almancil (ASCA).


5 António Ramos Rosa, natural de Faro, faleceu aos 88 anos

Morreu o poeta mas a poesia algarvia está mais viva que nunca A obra de António Ramos Rosa atingiu uma dimensão global e foi decisiva para a afirmação e visibilidade da poesia do Algarve no panorama nacional. O poeta e ensaísta farense morreu na segunda-feira, aos 88 anos, depois de uma vida dedicada à escrita

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corpo de António Ramos Rosa já está no jazigo dos escritores, no cemitério dos Prazeres, em Lisboa. O funeral realizou-se ontem, com várias personalidades e figuras da literatura - e não só - a marcarem presença no último adeus ao poeta algarvio que venceu o Prémio Pessoa em 1988. António Ramos Rosa morreu na segunda-feira em Lisboa, aos 88 anos, em consequência de uma pneumonia. Deixou uma vasta obra na poesia, ensaio e tradução. O poeta nasceu em Faro em 17 de outubro de 1924. Em 1945 participou na formação do MUD Juvenil. Ao longo do tempo manteve sempre a sua atitude crítica em relação ao Estado Novo e, em 1970, recusou-se a receber o Prémio Nacional de Poesia da Secretaria de Estado de Informação e Turismo atribuído a “Nos Seus Olhos o Silêncio”. “Grito Claro”, o seu primeiro livro, foi publicado em 1958. Foi Prémio Pessoa em 1988. Três anos depois, em 1991, foi nomeado Poeta Europeu da Década pelo Collége de L'Europe. No dia em que comemorou 79 anos, em 2003, a universidade da sua terra natal atribuiu-lhe o grau de Doutor Honoris Causa. Na cerimónia, Ramos Rosa referiu que “não sei o que é chegar, porque a minha vida é feita de partidas”.

COLUNA POÉTICA LUSO-BRASILEIRA A coluna Rosa nasceu no dia em que o poeta português algarvio António Ramos Rosa faleceu. É um compromisso de duas artistas (Susana Travassos e Brisa Marques) que se conheceram nos caminhos entre Brasil e Portugal e tornaram-se irmãs. Uma homenagem ao escritor bordada a duas mãos, um brinde à própria poesia. Uma forma de imortalizar o Rosa, os rosas, ou seriam as rosas?

Ramos Rosa Palavras verdes, férteis, cheias de astros e poeiras Nascem, florescem e valem ouro no chão da feira No tempo fossilizadas para o consolo dos que ficam É agora, no tempo da eternidade, o livro que habito

Morreu um dos grandes poetas vivos da língua portuguesa João Guerreiro, reitor da Universidade do Algarve, considera que “morreu um dos grandes poetas vivos de língua portuguesa”. Natural de Faro, completaria em breve 89 anos, mas “é difícil em poucas linhas traduzir o percurso literário, humano e cívico do poeta Ramos Rosa. As gerações que conviveram com ele em Faro, nos anos 50 do século passado, recordam as tertúlias quase diárias que animava nos cafés da cidade e na Livraria Silva. A sua produção literária, poesia e ensaio, está dispersa num sem número de edições e a sua ação permitiu a projeção de poetas algarvios dessa geração, conterrâneos de Ramos Rosa”, salienta João Guerreiro. As reações ao falecimento do poeta algarvio estenderam-se também à política, com os candidatos do PS ao município de Faro a suspenderem a campanha no início da semana.

ROSA

É agora o princípio do grito que darei impresso É agora que me transformo em natureza e poesia E passeio livre pelas folhagens da verdade que respiro Sou agora alimento dos pássaros que cantam no seu ouvido

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propósito do falecimento do poeta algarvio António Ramos Rosa evocamos nas páginas seguintes, um pouco da sua vida e obra, através de peça da autoria de Ana Oliveira e outros textos publicados na nossa revista JA Magazine em 22 de fevereiro de 2007.

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Abrigado no coração do mundo Mudo e abraçado ao outro lado do umbigo Susana Travassos Brisa Marques


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António Ramos Rosa e a necessidade de respirar as palavras N

ascido e criado em Faro, António Ramos Rosa é um dos marcos da poesia nacional. Prémio Pessoa em 1988, e, em 1990, Grande Prémio Internacional de Poesia, no âmbito dos Encontros Internacionais de Poesia de Liège. Ramos Rosa olha para a sua vida com a simplicidade de um asceta, nada interessado na imortalidade da sua obra. Pela ligação violenta que a sua poesia tem à terra, Urbano Tavares Rodrigues considera-o o grande poeta das coisas primordiais: da pedra, da luz, da água. Doutor honoris causa pela Universidade do Algarve, fez o seu discurso de improviso, como se a sua vida estivesse sempre ligada à escrita e à poesia por impulsos que fogem ao racional. Com uma infância marcada por sofrimentos físicos e psíquicos muito marcantes, como foi o facto de ter sido operado à garganta sem qualquer anestesia, a sensação de ter nascido cansado e de estar sempre doente acompanhou-o ao longo da vida. Desde cedo começou a interessar-se pela poesia. Mas, independentemente de ter tido a ideia de começar a fazer uma história em verso sobre os autores que apareciam nos livros escolares, foi a sensação de distanciamento relativamente aos outros e à vida que esteve na origem do seu sentimento poético. A inquietação filosófica proveniente do questionamento do sentido profundo acerca da existência perturbou-o desde a adolescência, mas o diagnóstico dado à mãe pelo psiquiatra Barahona Fernandes, consultado em Lisboa, foi o de que aquele rapaz, que não conseguia encontrar sentido para a sua vida, ainda seria um grande homem. No entanto, sempre conviveu com uma falta de auto-estima que o obrigou a queimar centenas e poemas na sua juventude. No plano político sempre foi determinado e consciente da sua posição de antifascista. Subversivo, sempre ousou lutar contra toda a espécie de sistemas em prol de uma unidade de homens livres. Defende que ao poeta se deve exigir uma compreensão do que seja o paradoxo da poesia e da vida. Paradoxalmente advoga que a poesia é feita de uma revelação que, tendo mistério, não tem mistério, mantendo-se mistério na própria evidência. Por isso diz que só em termos paradoxais se pode falar de poesia. Considera que a descoberta de Pessoa aos 20 anos foi um dos grandes acontecimentos literários da sua vida. No entanto, as suas grandes influências residem mais na poesia francesa, como Paul Élouard ou Claude Roy. Com André Frénaud, Jean Tortel, Guillevic, Yves Bonnefoy, André du Bouchet ou Salah Sétié, manteve uma correspondência activa. No entanto, algumas das suas influências residem também em poetas espanhóis, como Pedro Salinas, Vicente Alexandre e Luís Cernuda, para além da geração de 27, como Jimenez e António Machado. Dos norte-americanos desta-

ca Wallace Stevens e Theodor Roethke. Acerca da poesia hispano-americana exprime uma profunda admiração pela humanidade intensa que verbaliza. O sentimento de liberdade constitui mesmo, segundo Ramos

Rosa, uma força telúrica e uma sabedoria corporal, que se exerce ao nível da percepção do real. O seu conhecimento profundo de outras culturas e o seu contacto permanente com poetas de outros países e continentes levam-

no a olhar para a poesia e para o sentimento poético como universal. Se todo o universo é relacional, o poeta também terá de o ser, uma vez que o exprime através do seu sentimento. Quando escreve fá-lo para o Outro, no seu sentido universal, e não para um leitor específico. Talvez por isso essa sua necessidade de publicar, de se relacionar com um Outro numa busca constante de dizer algo que ainda esteja informulado. A sua relação com a escrita tem sido feliz. Com mais ou menos dificuldades, o manancial de palavras que constituem o poema tem ultrapassado o habitual bloqueio dos escritores, facilitando a sua capacidade de escrever. Desde sempre que a sua poesia exprime uma tendência cósmica, universalista, ligada à terra. Uma tentativa da própria terra aflorar à palavra. A par da poesia António Ramos Rosa é detentor de um traço firme e rápido, quase intuitivo. Desenha de uma forma não pensada, à semelhança dos pássaros, que se pensassem no que iam cantar, nunca o fariam. Não há nada de místico nesta maneira de ver a vida. O seu ser poético tem sim alguma ligação à luminosidade característica do Algarve. O acto poético é, para Ramos Rosa, cognitivo. Existe uma inquietação metafísica que radica no sentido da procura do conhecimento do universo. No entanto, enquanto que o poeta recorre à palavra, o místico pode resolver a sua inquietação através do silêncio. A transcendência encontrada no livro como objecto estético leva-o a considerar que este nunca será completamente afastado da humanidade, por mais suportes técnicos que o substituam. Acerca das suas memórias, gostaria que fosse possível registar-se o mais insignificante, não no sentido de aí radicar o que é essencial, mas no sentido em que algo que não é significante é uma coisa tão complexa que não pode ser transposta para a linguagem. Para Ramos Rosa, escrever é, sempre, a necessidade de respirar as palavras e de às palavras fornecer o frémito do ser, os pulmões do sonho, e, com elas, criar a dádiva do poeta. Ana Oliveira

Candidato ao Prémio Nobel da Literatura Nascido em Faro, cidade onde viveu grande parte da sua juventude, António Ramos Rosa aí completou os estudos secundários e aí viria a descobrir grande parte dos autores que o influenciariam largamente, como José Régio e Fernando Pessoa. Parte para Lisboa em 1945, para trabalhar como empregado comercial, mas não consegue aí permanecer por muito tempo, pois dois anos mais tarde regressará à cidade que o viu nascer, onde se integra nas fileiras do MUD, que o conduz à prisão. De novo volta a Lisboa, mantendo o trabalho de escriturário a par da tradução e do ensino do Portu- guês, Francês e Inglês. Co-fundador, director e colaborador das revistas algarvias Árvore, Cassiopeia e Cadernos do Meio--Dia, deixaria a sua marca também

em vários órgãos de comunicação nacionais, como o Diário de Lisboa, Diário Popular, Capital, O Comércio do Porto, Diário de Notícias, Diário de Coimbra e nas revistas O Tempo e o Modo, Vértice, Colóquio, Sílex, entre outras. António Ramos Rosa é actualmente um dos poetas mais apreciados no panorama nacional e internacional, como também demonstra a sua recente nomeação, a par de Herberto Hélder, como candidato ao Prémio Nobel da Literatura de 2007. Os prémios nacionais e internacionais que al-cançou revelam-no como um dos maiores poetas da actualidade e grande parte da sua vasta obra está traduzida para francês, espanhol e búlgaro.

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Estou vivo e escrevo sol Estou vivo e escrevo sol Se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam no vazio fresco é porque aboli todas as mentiras e não sou mais que este momento puro a coincidência perfeita no acto de escrever e sol A vertigem única da verdade em riste a nulidade de todas as próximas paragens navego para o cimo tombo na claridade simples e os objectos atiram suas faces e na minha língua o sol trepida (1)

De Estou vivo e escrevo sol (1966) Fonte: Ana Paula Coutinho Mendes, António Ramos Rosa, Imagens do Caminho das palavras e dos afectos, Dom Quixote, 2005.

(1)

Deixarei um rosto um rastro ou uma máscara

Aprés tout e hão-de dizer que fui eu eu que nunca deixe de ser o que não fui o que não pude ser e sempre mais do que quis ser o que não pude ser o meu desejo de ser para além do que fui o que não pude ser Aprés tout o incompatível o inconcluído o inadaptado inadaptável não terá feito melhor do que fez como qualquer ser comum como qualquer mortal irresolvido inconcluído consagrado numa pedra nua para todo o sempre ignorado mais do que o soldado desconhecido no seu exílio sem pátria pária da sua rede nómada prisoneiro da sua mónada obsidiante

Doutoramento Honoris Causa pela Universidade do Algarve, 2003, com o reitor da Universidade do Algarve (2007), Prof. Doutor Adriano Pimpão

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António Ramos Rosa


8 Vicente de Brito

Raizes da Terra E

STÁ patente, ao público, no Museu Municipal de Faro, a Exposição que o pintor-médico, João Vicente de Brito dedica à sua raiz: a cidade de Faro, o Algarve, em três salas dedicadas à sua pintura. Vicente de Brito pertence a uma família de tradições médica e artística que ditaram uma influência marcante no seu percurso profissional e cultural. Licenciado em Medicina, aos 27 anos, pela Universidade de Lisboa, logo voa para Paris, em busca de outros conhecimentos. Fixa-se, temporariamente, na Suíça, Lausanne, onde casa e estuda. Segue para Londres especializando em Ortopedia. No Reino Unido, já é chefe de equipa ortopédica. Trabalha, em continuidade, e estudo. Educa-se nos conhecimentos da grande música, frequenta museus. E os filhos vão nascendo. Os colegas apreciam o trabalho do Britten. O português Brito regressa a Portugal em 1973 e começa a trabalhar no Hospital Distrital de Faro, tendo, ao longo da sua vida profissional, dirigido o seu Serviço de Ortopedia. Medicina/pintura estão nas capacidades do homem sem intervenções puníveis para nenhuma delas. Vicente de Brito está prisioneiro de ambas as vontades e, por onde passa, tira o registo, nas horas disponíveis para a espátula. É valioso, em número, os quadros, a pintura feita ao seu prazer de pintor, nunca passando pela bitola ao capitalismo artista. Vicente, tal que o conheço como pintor, é uma entrega misto “Gozo e Sofrimento” em alcançar o desejado. Por que é assim mesmo o homem nas suas capacidades, mesmo plurais. Para além da exposição vem um livro editado pela “Chiado Editora”, em que se mostra muito da sua pintura, numa breve biografia da responsabilidade do pintor; outros amigos lhe dedicam palavras de apreço ,mas sinceras, pela obra do pintor desde: “Uma breve história de pintores”: com Monet, Degas, Rembrandt, Picasso e Vicente, atravessando os movimentos artísticos. Em inglês vem uma outra apreciação “A fellowoartis´s about Joao Brito´s work”, que se deixa à apreciação do leitor. Oitenta e oito ilustrações da sua pintura estão registadas no seu livro, apresentado em inéditos e trabalhos já expostos que contam 21 exposições individuais e 17 exposições no colectivo, Portugal e Espanha. Em pintura pública: Museu Municipal de Faro - Infante D. Henrique, Câmara Municipal de Faro, Museu de Arte - Portimão, Câmara Municipal de Loulé, Capela do Hospital Distrital de Faro, Derbyshire Royal Infirmary Derby - Inglaterra.

Onde devemos colocar este homem no gosto pictórico? Iremos, um pouco, pela história da pintura no decurso do século XX, donde Vicente de Brito se iniciou a partir desse meio século, nessa tradição familiar. Que a arte é como a ciência e a técnica, uma realização humana. Citando João José Cochofel, em “Iniciação Estética”- ano 1958: Belo é o que na realidade afecta a nossa sensibilidade e a nossa afectividade de um modo inusitado, raro, raridade proveniente da intensidade com que afectuando-nos, nos revela simultaneamente algo da natureza do ser humano, estimulando o que em moderna linguagem fenomenológica apelidaríamos de vivências. E foi essa a oportunidade que Vicente de Brito esteve, a meio século XX, trabalhando e participando em costumes e vivências diversas em família ,em reuniões burguesas, em

José Saramago (numa técnica mista) de Vicente de Brito (100X81) – 2008

contra- revolução , em música, em religião, em amigos, em Sol e Mar, em gentes num social abrangente, marcando o registo das pedras centenárias das suas catedrais, onde o surrealismo se expressa: Sé-Catedral de Faro , Igreja do Carmo e Arco da Vila. Surrealismo, movimento que aparece entre as duas guerras mundiais. É evidente que desde logo aparece a irredutibilidade entre o que se preconiza: a criação automática de fenómenos estudados na psicologia do subconsciente. Max Ernst aderiu ao super-realismo em 1923. Este pintor alemão revelou sempre inesgotável inventiva e bizarra fantasia servidas pela cultura filosófica. Em 1908, Max Ernst e Miró (assim como o farense Carlos Porfírio, segundo informação de Picasso (1972) - trabalharam na célebre cenografia dos bailados russos, em Paris. (1) Nas artes não se entende, de súbito, nem se vê a beleza; há, é, a descoberta dela. Que o belo é o que na realidade afecta a nossa sensibilidade e a nossa afectividade de um mundo inusitado, raro, raridade proveniente da intensidade com que, afectando-nos, nos revela simultaneamente algo da natureza do ser humano, estimulando o que a moderna linguagem fenomológica apelidamos de vivências. Repetindo João José Cochofel: Beleza é a qualidade do que é belo! Encontramos modalidades e evolução das formas de arte na pintura de Vicente de Brito, lá isso encontramos! O livro é um catálogo de informações visuais que vão nos diversos olhares do pintor. Há exemplos variados das formas de artes, que vão da arquitectura, ao cinema, à fotografia, à pintura. Temos exemplos de modalidades que vêm em metamorfoses que acentua-se ainda até se tornar a forma d´um puro esquema, atingindo até à abstração. Auguste Comte (1798-1837) definiu as regras da evolução: Há paralelismos nas várias artes: no Arcaísmo dá-se o apogeu da arquitectura, no classicismo impõe-se a escultura, no barroquismo atinge a pintura o seu ponto mais elevado.

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Como a evolução se dá na força dos movimentos, em que a terra é um exemplo contínuo, mas não no ser humano... que nada impede nos seus movimentos constantes. Atente-se na actividade de certos artistas “os malditos” que durante a vida são incompreendidos, marginalizados ,vindo, no rolar dos tempos, em aceitações apoteóticas; Jonn Nash, Eiffel, Gauguin, René Binet e a sua Parisiense, na Exposição Universal de Paris (1900), Edward Munch (1863-1944) que mais influenciou os expressionistas; Amadeo Modigliani nessa persistência de representar o nu feminino deformado para o tornar elegante; Marcel Gromaire (1892), em que as suas figuras de mulheres são Vénus que trabalham duramente, feias a fortes, não são deusas inspiradoras de poetas, Gromaire tornouse a personalidade mais saliente na pintura da intensidade. Que, como Marcel Duchamp declarou a propósito: Se uma pintura não impressiona é porque nada vale. Temos Amadeo de Sousa Cardoso (1887-1918),o mais célebre pintor português do abstraccionismo geométrico que, instalado na “Cité Falguière” convivia em Paris com, Walyer Pach, Max Jacob, Delaunay, com Gertrud Stein. Expõe em vanguarda (1911), no 28.º Salon des Indépendants, em Munique, Hamburg, Chicago, E.U.A.. Amadeo foi o mais destacado pintor do abstraccionismo geométrico português.. O Futurismo, onde Faro teve uma participação de notar... Aqui na cidade do sul e do sol, que fez eco em Lisboa que rejeitara o movimento, com Carlos Porfírio, a deslocar Fernando Pessoa até à capital do Algarve, não deixando o movimento raizes, em que só mais que outrem, Porfírio, no final da sua vida (1960-1970), pinta, por cá, a admirável colecção em que o Algarve se mostra nessa pintura de laivos expressionista. No entanto, o futurismo regista-se em Faro como acontecimento histórico... O movimento de Filippo Marinetti cabia numa cidade provinciana e burguesa, em que os futuristas europeus perceberam o divórcio entre a cultura habituada, fossilizada, pelo academismo e a civilização tecnocrata do futuro. Os artistas do início do século XX, pretenderam criar arte que expressasse o dinamismo, a modernidade, a força que foi expressa nessa continuidade de artistas, prevendo o futuro da máquina, em que não existiu a menor oposição entre tempo e espaço. Em sentido inverso partirão do futurismo impulsos para o expressionismo, cubismo e surrealismo. Vicente de Brito seguiu o movimento da intensidade. Os seus quadros estão cheios do Algarve forte, cromático e de êxtase. Não perdeu, na pintura, a raíz da terra e do sol.. Tal como Picasso, sempre, sempre o mediterrâneo esteve com ele na pintura. O pintor de Málaga acabou a sua arte, deixando as cores de tons cinza e ocres de antes, determinado na aplicação das cores vivas. . Falar da pintura de Vicente de Brito, homem do Sul, adorador da cor, transbordando, derramando em telas imensas, essa vontade incontida, em plasmar toda essa força de artista na sua própria identificação. Teodomiro Neto (1)

“Carlos Porfírio na Pintura Contemporânea Algarvia ”Anais Município de Faro- 1992"


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A "megapaella" e a discoteca no cais foram duas das grandes atrações das Festa

Milhares de portugueses e espanhóis convivem na Festa de Alcoutim A

Festa de Alcoutim, que decorreu na passada semana ao longo de três dias e três noites, revelou ser um dos mais importantes pontos de encontro e de convívio para as populações de ambas as margens do rio Guadiana, desde jovens a menos jovens. Tal como acontece há 62 anos, os festejos voltaram a reunir portugueses e espanhóis e, desta vez, a vila do nordeste algarvio foi pequena para acolher os milhares de pessoas que não quiseram perder pitada da festa. A discoteca no cais, até ao nascer do sol, é um dos principais atrativos desta festa, que também conta com muitas atividades desportivas no rio, animação de rua, espetáculos na Praça da República, o tradicional bai-

le à antiga, os concertos e o característico “cacau no rio”. Este ano, foram cabeças de cartaz o cantor Quim Barreiros (dia 13, Dia do Município), o conhecido humorista Herman José (dia 14, Dia de Espanha) e a banda Expensive Soul (dia 15, Dia da Juventude). De sublinhar as comemorações do Dia do Município, que integraram a inauguração de dois espaços há muito desejados pelos alcoutenejos: o Museu Dr. João Dias e o Lar de Balurcos. A Festa de Alcoutim é uma organização da Câmara Municipal de Alcoutim, cujos lucros reverteram, nesta edição, a favor da Associação de Cultura, Desporto e Arte dos Balurcos, dos Bombeiros Voluntários e Grupo Desportivo de Alcoutim.

A animação na Praça e as estrelas que subiram ao palco principal: Quim Barreiros, Herman e Expensive Soul

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Música I Cinema

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Fernando Proença

LITERATURA INCLUSA Número de Setembro 1 – Quando ouço um disco, uma música, vejo um filme e sei que gosto é porque naquele preciso momento, nada mais me ocorre dizer. No porquê pensarei depois. Primeiro gosta-se depois e só depois se percebem influências, paralelismos. Se um dia, à força de tanto ouvir a música na rádio, me começar a entediar, ou simplesmente me irritar, sem mais, nessa altura falo de outra coisa: por exemplo que gostei, mas que ouvi tanto que me fartei e entretanto perdi o momento mental em que pela primeira vez a escutei e passei para o meu lado. Falando de música. Se ela é contra ou acima da norma e demostra potencial para ser ruptura ou cânone, já são outras cavalgadas, exige memória, saber e ouvido. Mas acredito pouco na razão quando não existe identificação emocional imediata. Gostar só depois de se saber a história completa da gravação, datas de nascimento dos músicos, relação de amigos e dis-cografia completa, parece-me frouxo. 2 - Outro dia li (no ípsilon) sobre a banda, os Death que apareceram no início dos anos setenta em Detroit e que faziam o punk rock, que mais tarde iria lançar no estrelato os Ramones. Ou seja eram punk quando ainda ninguém sonhava soar assim. E não foram percursores porque estariam demasiadamente à frente do tempo, diz o meu departamento de estudos pessoal, baseado no estudo de grandes ideias que não o foram só porque não calhou. Por uma razão ou outra – parece que o nome do grupo foi um dos grandes entraves – não conseguiram reunir vontades e estética à sua volta, e lá se foi a oportunidade. Só contam com uma nota de rodapé para a história porque alguém mais avisado se lembrou deles,

quarenta anos depois. Para se fazer parte de uma revolução, qualquer que ela seja, pequena ou grande, há que beneficiar de uma série de grandes e pequenos acontecimentos (geralmente são mais para o pequeno) que na proporção certa contribuem (muitas vezes aleatoriamente) para essa revolução. Por exemplo, parece que não existem dúvidas que os Viking terão estado na América muito antes dos verdadeiros colonizadores mas por não terem sido isso, colonizadores, não contam. Chegaram, não gostaram da cara dos índios e voltaram atrás, para a sua cerveja e móveis tipo IKEA. Nada tem uma valor absoluto, a contingência é a mãe de todas as revoluções. 3 - Ou seja, podemos lembrar nesta altura o termo cultura, vista como cultura musical, mesmo que achemos tudo isso uma grande pepineira, quando falamos de música pop. Vemos, escutamos um disco ou músicas, pelas sensações que nos dão imediatamente, mas também pelas ligações com o passado e presente que a partir dele ou delas, podemos fazer. Já escrevi tudo isto antes e mantenho. Quando ouvimos e vemos arte, popular ou erudita, não somos tábuas rasas. O problema na música, é que à medida que envelhecemos passamos a estar demasiado longe dessa tábua rasa, o que não deixa de ser um handicap. Deixamos demasiado depressa de ouvir o que lá está para passarmos cedo demais a estabelecer conexões. Perde-se rapidamente uma certa dose de inocência e com ela a alma das coisas. Ficar apenas com o universo intelectualizado de quem não é capaz de ver nada fora de influências, causas e consequências é como se diz nos programas da RTP 2, redutor. Recuperei estas ideias, nem imaginam onde pode chegar a minha parvoíce, das provas cegas dos vinhos. Eu sei que os dis-

cos também deviam ter a sua prova cega. Bora lá ver o que aqui está, não sabendo de antemão de quem se trata, de quem toca. Mas já vi muita gente no meio, pôr em causa os alicerces da crítica. O que é um bom ou mau disco? Qual o papel da moda nas nossas escolhas, etc. No vinho, não. Ou não suficientemente. Não consigo entender o que pode no vinho ultrapassar a sensação de o beber, respeitando as regras da temperatura e acompanhamento. Como pode a prova principal de vinho não ser só e apenas cega? Acredito que saber se um vinho tem potencialidades de envelhecimento ou se a proporção das castas não é a mais aconselhável, precisa de um conhecimento prévio das características do mesmo, além de cultura e conhecimento. Agora, beber, saborear, com ou sem acompanhamento, tem que ser e não há outra hipótese, um acto momentâneo. Vão-me dizer, mas é que calhou naquele dia a temperatura do néctar não ser a perfeita. Que o céu ameaçava chuva e aquilo é um vinho de Verão, está escrito na cara. Não é suficiente: que tenham que saber a marca do vinho para dizerem de sua justiça é que me parece antes de mais um truque publicitário; baixo. Desconfio sempre de jornalistas de vinhos e de automóveis. Não desconfio das capacidades nem da honestidade (neste caso da falta dela), mas que existe uma zona de sombra grande, que não atravessam com medo de pôr em causa os fundamentos da sua escrita. Só para vos dar um exemplo de automóveis: nas revistas da especialidade, são os mesmos jornalistas que alertam para os excessos de velocidade dos condutores, que dizem de um automóvel que tem como velocidade máxima, cento e oitenta, que tem como ponto fraco … a baixa velocidade máxima.

Apontamento de Vídeo Alice "Passaram 193 dias desde que Alice foi vista pela última vez. Todos os dias Mário, o seu pai, sai de casa e repete o mesmo percurso que fez no dia em que Alice desapareceu. A obsessão de a encotrar leva-o a instalar uma série de câmaras de vídeo que vigiam o movimento das ruas. No meio de todos aqueles rostos, daquela multidão anónima, Mário procura uma pista, uma ajuda, um sinal... A dor brutal causada pela ausência de Alice

transformou Mário numa pessoa obstinada e trágica, é talvez a única forma que ele tem para continuar a acreditar que um dia Alice vai aparecer." Um drama que se repete no mundo inteiro, dado com muito emotividade. Edição em DVD. Argumento e realização: Marco Martins. Com: Nuno Lopes, Beatriz Batarda, Miguel Guilherme, entre outros. Distribuição: Lusomundo. Vítor Cardoso

JORNAL DO ALGARVE MAGAZINE - SETEMBRO/2013

O Disco – The Bryan Ferry Orchestra – The Jazz Age – 2013 – BMG A minha sugestão de hoje é uma espécie de mostruário de tudo o que escrevi atrás, no que sugere e esconde. Bryan Ferry quis comemorar os quarenta anos de carreira, fazendo uma releitura no mínimo original de alguns dos êxitos, da sua carreira (Roxy Music, incluído). Ele e Rhett Davies (que já tinha sido seu produtor em As Time Goes By) pensaram como podiam ser as versões dos seus temas, se tivessem sido arranjados e tocados por uma banda de Nova Orleãs. A banda de Nova Orleães é aqui formada por músicos de sessão britânicos, que soam sempre impecáveis; a música é excitante e simples e sugere a atmosfera pouco límpida, captando a ideia talvez de se estar num clube nocturno, em modo de baixa fidelidade. Mas o que mais gosto é que não se está aqui em presença de um pastiche dos originais (que podia ser o caminho) mas de uma verdadeira reinvenção tão reinventada que às vezes custa a conhecer onde está o original (o que esconde). Para mim que não gosto de jazz é uma delícia: imediato no prazer que dá a ouvir e culto nas leituras que permite ao ouvinte.

JA Magazine  

Edição nº2948 | SET 2013

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