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M AG A Z I N E PAR TE INTEGR ANTE D ARTE INTEGRANTE DAA EDIÇÃO N.º 2871 DE 5 DE ABRIL DE 2012 DO JORNAL DO ALGARVE E NÃO PODE SER VENDIDO SEP AR AD AMENTE SEPAR ARAD ADAMENTE

Formação Profissional


Soluções de formação para quem se quer valorizar

Escola técnica promove cursos de saúde com estágio garantido Cursos na área da saúde, rápidos, baratos e com estágio garantido. Esta é a oferta da M.A. Escola de Formação Técnica Especializada, que garante ainda uma elevada taxa de empregabilidade para os cursos desta escola

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M.A. (Mente Avançada) - Escola de Formação Técnica Especializada, que tem escolas espalhadas por todo o país, está a promover em Faro e Portimão os cursos de Técnico Auxiliar de Farmácia, Auxiliar Técnico de Ação Educativa, Técnico Auxiliar de Fisioterapia e Técnico de Massagem Desportiva e de Reabilitação, entre outros. A diretora Mafalda Vaz Pinto explica que a escola nasceu em dezembro de 2009, após uma reunião com colegas, onde chegaram à conclusão que havia “um défice enorme de pessoas que podíamos contratar com conhecimentos em farmácia para fazerem parte das nossas equipas”. A grande vantagem destas formações, adianta a responsável, é que “os cursos na Mente Avançada têm uma elevada saída profissional, o que nos tempos que correm é uma clara vantagem”. Os responsáveis da escola garantem que, mesmo em tempos difíceis, a taxa de empregabilidade para os cursos ronda os 72 por cento. Isto porque, salientam, o objetivo dos cursos é responder precisamente às dificuldades de recrutamento de pessoal técnico qualificado. E, sendo o Algarve uma região onde se verifica carência em formação na área da saúde, a expectativa de Mafalda Vaz Pinto é “que as pessoas façam formação para que possam melhorar as suas condições de vida”. O público-alvo da escola é variadíssimo, desde licenciados no desemprego ou com empregos precários, quem não está contente com a sua profissão e quer melhorar, entre outras situações. Todas as formações são coordenadas e ministradas por um vasto grupo de técnicos superiores em diversas áreas, adianta Mafalda Vaz Pinto, frisando que os formandos são orientados com os saberes necessários para enfrentarem o mercado de trabalho. “Mesmo numa altura de crise económica, como a que atualmente atravessamos, os alunos da M.A. Escola de Formação Técnica têm toda a possibilidade de se integrarem de forma sólida nos vários ramos de trabalho a que se candidataram, sendo que na sua maioria acabam por ficar a trabalhar de forma definitiva nas empresas que os contratam”, adiantam os responsáveis da escola.

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4 Carlos Baía, Diretor Regional do IEFP:

“A aposta na formação pode fazer a diferença entre o «sobreviver» ou não à crise”

Em entrevista à JA Magazine, o diretor regional do IEFP explica a oferta em termos de formação profissional que o Estado disponibiliza na nossa região e as vantagens de enveredar por estes cursos. Carlos Baía revela, ainda, as novidades que estão preparadas para este ano em termos de formação profissional

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Jornal do Algarve Magazine - Qual a oferta do IEFP em termos de formação profissional no Algarve? Carlos Baía - A oferta formativa disponibilizada pelo IEFP, no Algarve, é bastante diversificada e flexível no que respeita aos públicos a abranger, saídas profissionais, horários praticados e local de realização das ações de formação. Para o ano de 2012, o IEFP, no Algarve, tem como objetivo abranger mais de 6.500 formandos, através de cerca de 400 ações de formação, correspondendo a um volume total de 2.000.000 horas de formação. Toda a oferta formativa do IEFP tem como suporte o Catálogo Nacional das Qualificações. J.A.M. - Concretamente, o que é que a população tem à sua disposição? C.B. - O IEFP integra nas suas ações, públicos empregados e desempregados, com idade superior a 16 anos, distribuídos por várias modalidades de formação: Aprendizagem, Educação Formação de Jovens, Educação Formação de Adultos, Formação Modular Certificada, Formação em Competências Básicas, bem como o programa Português para Todos. J.A.M. - ...e quais são as áreas de formação disponibilizadas? C.B. - As áreas de formação são bastante variadas, passando pelas ciências informáticas, comércio, construção civil e engenharia civil, contabilidade e fiscalidade, cuidados de beleza, eletricidade e energia, eletrónica e automação, finanças banca e seguros, floricultura e jardinagem, gestão e administração, hotelaria e restauração, turismo e lazer, marketing e publicidade, segurança e higiene no trabalho, saúde, entre outras. J.A.M. - Onde é que são realizadas essas formações? C.B. - Para além das ações desenvolvidas em espaços próprios, ou seja o Centro de Formação Profissional de Faro e os sete polos de formação distribuídos pela região (que são Olhão, Loulé, Lagos, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António), realizamos também formação noutras localidades. Com isto procuramos aproximar a formação das populações e eliminar barreiras de acesso à formação, que por vezes surgem, pela falta ou escassez de transportes públicos, em determinadas zonas. Esta flexibilidade que a oferta formativa na região apresenta, permite, entre outras coisas, que os trabalhadores sazonais possam aproveitar

a época baixa da atividade turística, quando se encontram desempregados, para frequentar ações de formação em línguas estrangeiras, atendimento, higiene e segurança, entre outras, sempre com o objetivo de reforçarem as suas qualificações. Importa referir também que, para além das ações constantes do plano de formação, o IEFP está sempre disponível para responder às solicitações feitas por empresas, que procuram aumentar as qualificações dos seus trabalhadores, através da formação, ainda que em áreas que não constem desse plano. Recordo que o nosso plano de formação completo, para o ano de 2012, pode ser consultado na internet (www.iefp.pt). J.A.M. - Há algumas especificidades que sejam tidas em conta na nossa região pelo IEFP? C.B. - No Algarve, o facto de o tecido empresarial ser constituído, com exceção do setor motor do turismo, por um leque muito diversificado de atividades onde predominam as pequenas e médias empresas, e de serem, de uma forma geral, diminutas as intervenções formativas por parte de outros operadores de formação, coloca ao IEFP responsabilidades acrescidas. Por um lado, porque tem de garantir que os desempregados, que hoje são alguns milhares, tenham uma oportunidade de reconversão profissional para áreas e setores de atividade onde tenham possibilidades de reinserção profissional. Por outro lado, também tem de garantir que os ativos empregados possam melhorar as suas qualificações e, assim, continuar a contribuir para a melhoria da competitividade das empresas onde trabalham e finalmente, no que respeita aos jovens, o IEFP, ainda que tenha uma intervenção de caráter supletivo relativamente à oferta do ensino nas escolas, tem de garantir que os que já abandonaram o sistema escolar sem uma qualificação profissional tenham uma segunda oportunidade, e é isso que temos vindo a fazer através dos cursos de Aprendizagem e Educação e Formação de Jovens. Por outro lado, não nos podemos esquecer das características da população desempregada, maioritariamente constituída por adultos com baixas qualificações escolares e profissionais. Para estes desempregados, a melhoria da sua escolaridade e desenvolvimento de competências passa necessariamente pela formação

profissional, nomeadamente curso de Competências Básicas ou de Educação e Formação de Adultos, como forma de aumentar as suas condições de empregabilidade. J.A.M. - Quais as vantagens de enveredar por estas formações? C.B. - Relativamente à formação de ativos empregados, denominada de formação modular certificada, relevaria o facto de o IEFP possuir capacidade para promover ações de formação em colaboração, e muitas vezes a

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pedido de entidades empresariais, e de os referenciais de formação utilizados possibilitarem a capitalização de créditos em percursos de maior qualificação. Quer isto dizer que temos capacidade para responder a necessidades pontuais das empresas mas que essas respostas não são necessariamente pontuais para os trabalhadores, uma vez que podem, muitas vezes até em horário pós-laboral, completar essas formações mais curtas realizadas nas empresas com outras realizadas nos Centros


5 de Formação e obter uma certificação correspondente. Em relação à formação de jovens, a grande vantagem dos cursos de Aprendizagem que o IEFP promove reside no facto de a formação ser intercalada com períodos de experiências de trabalho realizada em empresas. Essa dimensão dual, idêntico ao sistema de formação alemão, potencia fortemente a inserção pós-formação dos jovens, pois um número muito significativo fica a trabalhar nas empresas onde realizaram a sua formação prática. Em resumo, direi que, para os desempregados, a vantagem em frequentar formação reside no aumento das suas qualificações, o que se traduz numa maior possibilidade de regresso ao mercado de trabalho, mais rapidamente. Relativamente aos empregados, o aumento das suas qualificações, por via da formação, reforçará a sua ligação ao mercado de trabalho. Quanto às empresas, ao apostarem na formação dos seus trabalhadores, podem, por essa via, tornar-se mais competitivas. J.A.M. - Há saídas para essas formações na nossa região? C.B. - Uma das principais preocupações do IEFP ao longo dos anos, na definição dos seus planos de formação, tem sido procurar responder às reais necessidade do tecido empresa rial da região, pois, só desta forma a formação será efetiva no que respeita à integração dos ex-formandos no mercado de trabalho. Nesse sentido, temos feito um esforço, com resultados que consideramos positivos, para nos aproximarmos do tecido empresarial a fim de perceber as suas necessidades. J.A.M. - Mas o desemprego continua a aumentar na região algarvia... C.B. - O Algarve tem atualmente mais de 30 mil desempregados. Em quase todos os setores de atividade se regista crescimento do desemprego. A construção civil e as atividades imobiliárias foram os mais duramente atingidos pela crise, mas também no comércio, na restauração e até em setores mais protegidos face à concorrência, como o das atividades de apoio às famílias, se registam níveis preocupantes de desemprego. Apesar de, nos tempos que correm, o nível de destruição de emprego ser maior do que o de criação de emprego, há saídas para a formação na nossa região. E por isso tem o IEFP, e todos os que procuram e necessitam de formação, de encarar esta situação com um novo espírito. J.A.M. - Como assim? C.B. - Para os que estão empregados e para as empresas, a aposta na formação pode fazer a diferença entre o “sobreviver” ou não à crise. Para os desempregados, a aposta na formação é não só a garantia de que o desejado regresso ao mercado de trabalho se fará com mais e melhor qualificação, mas também a possibilidade de um regresso mais célere pois grande parte da nossa oferta formativa possui uma componente de formação em contexto de trabalho, realizada em empresas, e aí pode ser possível obter um emprego ou um estágio profissional. Para o IEFP este momento é, também, uma oportunidade para investir em novas áreas de formação onde se detete maiores oportunidades de emprego, estando, por isso, atentos à evolução dos mercados e pro-

curando sempre estreitar relações com o tecido empresarial. Neste particular, os Centros de Emprego têm um papel da máxima importância, não só porque contactam diariamente com aqueles que perdem o emprego, e portanto conhecem as atividades e empresas que estão em maiores dificuldades, mas também porque contactam com empresas que estão a criar emprego e, quando detetamos que se trata de um setor ou uma atividade profissional para a qual ainda não temos oferta formativa, temos capacidade para a conceber e implementar. Foi assim nos finais dos anos 90 na área da informática, do golfe e da manutenção hoteleira, foi assim na década passada com as formações nas áreas da geriatria, da ação educativa ou das energias renováveis, e assim continuará a ser. J.A.M. - Como é que tem sido a adesão dos algarvios às formações disponibilizadas pelo IEFP? C.B. - Julgo que os números falam por si. Se tomarmos como referência os últimos cinco anos, passámos de 4.688 formandos abrangidos por ações de formação no Algarve, em 2007, para aproximadamente 6.500 em 2011. O volume de horas de formação, no mesmo período, passou de 1.730.000 para 1.880.000, no mesmo período. O IEFP tem feito, ao longo dos anos, um esforço para aumentar a oferta formativa disponível para a população ativa. E esta tem dado uma resposta positiva, ao aumentar de ano para ano a sua frequência de formação profissional. J.A.M. - Há alguma zona da região (ou área de formação) que gostaria de destacar, em termos de adesão e de colocação no mercado de trabalho? C.B. - Como referi anteriormente, o IEFP tem procurado manter, ao longo dos anos, uma oferta de formação profissional sistemática e regular para um conjunto significativo de atividades e profissões, como sejam as profissões do comércio e da logística ou da área da gestão administrativa das empresas, as profissões associadas às instalações elétricas, à climatização e à construção civil, as profissões associadas às tecnologias de informação e comunicação, as profissões dos serviços pessoais (cabeleireiros e esteticistas, entre outros) e dos serviços à comunidade. As áreas dos serviços pessoais, de apoio a crianças e idosos e da eletricidade e energia têm sido aquelas donde tem resultado um mais fácil acesso ao mercado de trabalho, nos últimos anos. Quando se deteta uma área emergente, como foi o caso do ambiente e energias renováveis, ou do golfe, investimos na conceção e dinamização de oferta formativa para essa área. Neste momento começámos a perceber que havia um conjunto alargado de candidatos à criação do seu próprio emprego ou empresa, dotados de vontade e espírito empreendedor, mas aos quais faltavam algumas ferramentas básicas da gestão empresarial, estando por isso a apostar na sua formação. Outra área em que temos vindo a fazer algum investimento é a dos idiomas. Com efeito, particularmente no setor turístico e do comércio, o domínio do inglês, do espanhol, do alemão e até do francês são factores diferenciadores no nível

de empregabilidade e, portanto, dotar os desempregados dessas ferramentas linguísticas tem sido uma aposta ganha. J.A.M. - Quais são as novidades (novos cursos) que o IEFP pretende levar a cabo em termos de formação profissional? C.B. - O Programa de Relançamento do Serviço Público de Emprego, aprovado em Conselho de Ministros no início deste mês de março, prevê um acompanhamento mais regular e eficaz ao desempregado, potenciando o seu rápido regresso à vida ativa. Nesse âmbito, surgiu a medida Vida Ativa, que começa agora a ser implementada, e que pretende que os desempregados se integrem de forma mais célere em ações de formação de curta duração, com vista a adquirir competências relevantes para o mercado de trabalho, que potenciem ou valorizem as que já possuem, e se mobilizem para processos subsequentes de qualificação ou reconversão profissional, particularmente em setores de bens ou serviços transacionáveis. J.A.M. - Quais são as áreas de formação dessa nova medida? C.B. - Esta medida prevê formação num conjunto diversificado de áreas como a qualidade, o ambiente, segurança, higiene e saúde no trabalho, o e-marketing, multimédia ou o empreendedorismo, entre outras. A formação, já existente, em competências básicas será reforçada, visando criar condições aos desempregados com muito baixos níveis de literacia para acederem a percursos de qualificação de nível 2, no âmbito dos cursos de educação e formação para adultos. Surge como novidade o desenvolvimento de formação de competências empreendedoras, procurando contribuir para a definição de projetos pessoais de reintegração no mercado de trabalho, considerando a possibilidade de criação de autoemprego. J.A.M. - Há mais novidades para este ano? C.B. - Estaremos também atentos ao fenómeno da emigração, pelo que reforçaremos a formação em línguas estrangeiras, sempre que necessário, para dotar todos aqueles que optam por procurar emprego fora de Portugal, de mais instrumentos para atingirem os seus objetivos. Por outro lado, o RVCC Dual (profissional e escolar) trará uma nova forma de abordagem aos processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências Profissionais e Escolares, passíveis de serem desenvolvidos em diferentes contextos, de forma articulada, designadamente em centros, escolas, empresas e outras entidades empregadoras. Este processo será muito interessante para as empresas que procuram ver reconhecidas as competências profissionais dos seus trabalhadores. Será mais uma forma de demonstrarem a excelência do trabalho que desenvolvem, através dos seus trabalhadores. Como complemento a estas novidades continuará a existir toda uma oferta tradicional, que se continua a justificar pelas baixas qualificações dos desempregados, pelas necessidades das entidades empregadoras e pela procura por parte dos trabalhadores.

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Domingos Viegas

Instituto de Emprego e Formação Profissional

Seis modalidades de formação Aprendizagem: Cursos de formação inicial, dirigidos a jovens com idade inferior a 25 anos, funcionando em regime de alternância, entre o centro de formação e a empresa enquadradora da formação em contexto de trabalho, que privilegiam a sua inserção no mercado de trabalho, mas permitindo também o prosseguimento de estudos. Têm uma duração aproximada de dois anos e meio e conferem equivalência ao 12.º ano de escolaridade, além de um certificado de formação profissional. Educação e Formação de Jovens: Estes cursos visam a recuperação dos défices de qualificação, escolar e profissional de jovens em situação de abandono escolar e em idade de transição para a vida ativa, através da aquisição de competências escolares, técnicas, sociais e relacionais, que lhes permitam ingressar num mercado de trabalho cada vez mais exigente e competitivo. Educação e Formação de Adultos: Cursos que visam elevar os níveis de habilitação escolar e profissional da população adulta portuguesa, através de uma oferta integrada de educação e formação que potencie as suas condições de empregabilidade. Destinam-se a públicos com idade igual ou superior a 18 anos. Formação Modular Certificada: Ações de curta duração (a partir de 25 horas) dirigidas a ativos empregados ou desempregados, com o objetivo de desenvolver competências em domínios de âmbito geral ou específico. Formação em Competências Básicas: Cursos dirigidos a públicos que não possuem habilitações escolares ou que apresentam lacunas ao nível da linguagem, matemática e tecnologias de informação. Português para Todos: Programa que visa facultar à população imigrante, residente em Portugal, o acesso a um conjunto de conhecimentos indispensáveis a uma inserção de pleno direito na sociedade portuguesa, promovendo a capacidade de expressão e compreensão da língua portuguesa e o conhecimento dos direitos básicos de cidadania, entendidos como componentes essenciais de um adequado processo de integração.


6 Nuno Ribeiro defende que região tem tudo para se distinguir ao nível da criatividade

Etic quer fomentar indústrias criativas no Algarve Cultura e criatividade podem ser uma resposta alternativa a um modelo esgotado de sol e praia. A visão é de Nuno Ribeiro, diretor da Etic Algarve, uma escola de formação, localizada em Portimão, que procura encontrar novos talentos nas áreas da produção cultural, artística e tecnológica. Segundo o responsável, o Algarve reúne todas as condições para desenvolver uma indústria criativa "forte e plena", capaz de dar emprego a milhares de jovens na região. Porém, lamenta, falta "uma aposta clara e concertada" nestas áreas

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s chamadas indústrias criativas podem ser a chave para o futuro da região algarvia. A opinião é do diretor geral da Etic Algarve, uma Escola Técnica de Imagem e Comunicação, com vários projetos nas áreas do vídeo, fotografia, conteúdos e design, inaugurada há cerca de ano e meio, em Portimão. Em declarações esta semana ao JA, Nuno Ribeiro considera mesmo que o Algarve pode rivalizar nesta área com os grandes centros urbanos, nomeadamente Lisboa e Porto, onde a concentração de indústrias criativas é mais elevada e vulgar. "Nós estamos aqui para combater essa normalidade e contribuir de forma intensa para que o Algarve se afirme como uma região muito mais interessante do que unicamente pelo sol e praia", frisa o responsável. O diretor da Etic Algarve diz ainda que acrescentar massa crítica, cultura e formação "é fundamental para que as portas se possam abrir e para que se possa desenvolver a sul uma indústria criativa forte e plena". Afinal de contas, sublinha Nuno Ribeiro, "o Algarve tem algo que o distingue do resto do país, a “vitamina D”, absolutamente vital para

Criatividade para reduzir dependência do turismo

o desenvolvimento da criatividade". "Aliás, não é por acaso que os alunos algarvios que tínhamos na Etic em Lisboa se destacavam dos restantes", comenta, lamentando, porém, a inexistência de uma rede de partilha e criação

de projetos que una os criadores de conteúdos do sul. "Existe muita vontade de mudar esse marasmo e nada melhor do que este momento para que se arrisque", refere Nuno Ribeiro.

É que, revela o diretor da Etic Algarve, as indústrias criativas são dos poucos setores que continuam em crescimento. Assim, estas áreas profissionais poderiam ajudar a região a soltar-se da dependência do turismo e trazer mais valias e mais empregos. "É uma indústria em crescimento e em desenvolvimento com inúmeras provas dadas. Basta analisar a última visita que Cavaco Silva fez ao Minho, onde se viu que a região Norte tem feito um trabalho fabuloso nesse sentido e, pouco a pouco, vai dando os seus frutos na internacionalização", destaca Nuno Ribeiro, salientando que "ao Algarve falta aposta e criação de mecanismos de retenção dos jovens na região", para além de "uma aposta clara e concertada nesta áreas". O responsável refere ainda que o Algarve tem imensas potencialidades no setor dos audiovisuais, apresentando uma "riqueza ímpar" para a produção de conteúdos. Assim sendo, o diretor da Etic Algarve considera que os setores do audiovisual, cinema e entretenimento ainda podem vir a ter um

À descoberta de novos talentos da imagem e comunicação O primeiro polo da Escola Técnica de Imagem e Comunicação (Etic) foi inaugurado há cerca de ano e meio, na cidade de Portimão. O objetivo é responder às necessidades de formação no setor dos audiovisuais no sul do país

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oferta pedagógica apresenta um leque alargado de cursos de técnicos na área do audiovisual e inclui Design de Comunicação e Multimedia, Design gráfico, Fotografia, Fotografia publicitária, Pós-produção fotográfica, Ilustração, Motion design, Música eletrónica, Pós-produção vídeo, Produção de espetáculos e eventos, e ainda Webdesign. A escola, que privilegia a prática profissional como chave para o sucesso da formação, conta atualmente com 80 formandos na formação técnica, mais cerca de 30 que frequentaram cursos curtos e workshops. Existem ainda cerca de 50 colaboradores externos e cinco internos. Os percursos profissionais dos formandos são muito diversos, revela o diretor geral da Etic Algarve, Nuno Ribeiro. "Temos enfermeiros, arquitetos, contabilistas, arqueólogos, profissionais do turismo, designers ou simplesmente

estudantes universitários ou com o 12.º ano. Ou seja, existe uma enorme diversidade nos candidatos que nos procuram, sempre foi assim, porque somos uma escola que permite que a pessoa possa fazer aquela formação com que sempre sonhou ou então possa complementar a sua formação universitária ou mesmo profissional", realça.

É fundamental estar sempre atualizado Um ano e meio após a inauguração, Nuno Ribeiro faz um balanço positivo da atividade da Etic no Algarve. "Confirmaram-se as expectativas que nos trouxeram para o sul. Em Lisboa, sempre tivemos muitos alunos provenientes do sul e isso fazia-nos acreditar que existia por aqui muito interesse nestas áreas

de formação", revela. O diretor da Etic Algarve destaca ainda que, no setor das indústrias criativas e audiovisuais, "a formação ao longo da vida é hoje uma verdade absoluta neste mercado tão competitivo e global" e é fundamental estar sempre "up to date". "A Etic Algarve sabe isso muito bem e trabalha sempre nessa visão", garante. Por outro lado, Nuno Ribeiro destaca a área do vídeo como "setor que poderá contribuir e muito nas saídas profissionais", na medida em que a escola tem recebido muitas solicitações nesta área para projetos e parcerias que permitirão uma boa integração profissional. Ao mesmo tempo, o responsável sublinha que a formação técnica e de caráter prático da Etic consegue dar resposta a quem deseja entrar rapidamente no mundo do trabalho. "Esse sempre foi o lema na Etic, aproximar o mais possível o aluno da realidade laboral através

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da formação em contexto de trabalho com projetos reais e lidando com os equipamentos que vai encontrar no espaço laboral", refere. Por último, o diretor da Etic Algarve deixa um alerta em relação ao ensino profissional, criticando o facto de as escolas secundárias terem passado a ter responsabilidades nesta formação. "Durante anos as escolas profissionais desempenharam um papel muito importante nesta aproximação do aluno ao mercado de trabalho e com o surgimento do ensino regular a prestar também este ensino tudo se alterou... para pior", desabafa Nuno Ribeiro, referindo que "é muito importante que se forme com rigor e respeito pela atividade profissional". "Quando vemos professores de matemática convertidos em professores de Photoshop, então temos um problema", conclui o responsável. N.C.


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papel muito importante na economia regional. E esta escola de ensino especializado pretende criar novas oportunidades de investimento e emprego na região. "Se existir vontade e visão, esta região pode ganhar muito com isso. Até porque a Etic Algarve tem assinado muitos protocolos com empresas e instituições por forma a criar oportunidades e desenvolver conteúdos dentro da

formação, dando desde logo aos alunos uma perceção do que se pode fazer e abrindo portas no pós-formação", realça.

Lufada de ar fresco Nuno Ribeiro continua assim a acreditar que as indústrias criativas podem trazer uma lufada de ar fresco a esta região, cuja economia

está em franca recessão, com o desemprego a alastrar velozmente, especialmente entre os jovens. Nesse sentido, a Etic Algarve promete continuar focada nos seus objetivos, que passam por encontrar novos talentos nas áreas de produção cultural, artística e tecnológica. "É a nossa principal preocupação: identificar profissionais nessas vertentes para, de seguida,

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preparar e apresentar formação pertinente e complementar nas matérias culturais, artísticas e tecnológicas", acentua o diretor geral da escola de formação, revelando que a Etic já está a encetar contactos a nível nacional para "o desenvolvimento de certos projetos no âmbito das aplicações móveis e da interatividade entre outros". Nuno Couto


8 Formação Modular Certificada para mais competências e qualificação Centro de Formação Profissional de Faro acaba de divulgar os novos cursos no âmbito da Formação Modular Certificada (FMC), os quais vão decorrer um pouco por toda a região nos primeiros meses deste ano

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Centro de Formação Profissional de Faro, do IEFP, prevê no seu plano de atividades para este ano a realização de cerca de três dezenas de ações no âmbito da Formação Modular Certificada (FMC), que visam dar resposta às necessidades formativas dos ativos da região, quer sejam empregados ou desempregados. Estas formações têm como público alvo as pessoas que pretendam desenvolver as suas competências em variados domínios, proporcionando a adaptação ao mercado de trabalho cada vez mais exigente e competitivo. Refira-se que a Formação Modular Certificada tem por base as unidades de formação de curta duração, de 25 ou 50 horas, constantes do Catálogo Nacional de Qualificações. As ações realizam-se, em horários diurnos ou noturnos, nos espaços geridos pelo Centro de Formação Profissional de Faro, ou seja, Albufeira, Loulé, Faro, Tavira e Vila Real de San-

to António, numa lógica de proximidade aos públicos a que se destinam.

Neste âmbito, Faro vai acolher mais de metade dos cursos agendados e que vão des-

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de formações na área do atendimento comercial até soldadura, passando por línguas estrangeiras, informática, entre outros. Para Loulé estão previstas quatro formações, das quais duas de línguas (para atendimento, restauração e hotelaria), bem como uma de técnicas de vendas e outra de prestação de cuidados básicos de saúde. Tavira foi o local escolhido para a realização dos cursos de conceitos básicos de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, bem como de língua espanhola e alemã (para restauração e hotelaria), língua inglesa (para atendimento) e preparação de bar (mise-en-place). Para Vila Real de Santo António estão agendadas as formações de língua alemã (para a restauração e hotelaria), língua inglesa (para atendimento), bem como de sistemas de normalização contabilística, que inclui também o código de contas e normas contabilísticas. Os responsáveis do Centro de Formação Profissional de Faro garantem que, além das ações que já estão agendadas, poderão ser acrescentadas outras cuja necessidade se manifeste. As referidas ações serão desenvolvidas durante o primeiro semestre deste ano e será dada prioridade a indivíduos com habilitações iguais ou inferiores ao 12.º ano de escolaridade. Os interessados devem contactar as diversas delegações do Centro de Formação Profissional de Faro (Albufeira, Loulé, Faro, Tavira e Vila Real de Santo António), ou o próprio centro distrital de Faro, e preencher a respetiva ficha de inscrição dos cursos FMC.


9 Importância da formação no desenvolvimento e na empregabilidade dos profissionais O panorama profissional mudou nas últimas décadas sendo actualmente o percurso académico e profissional “tradicional”, por si só, insuficiente para responder às necessidades das empresas e organizações A evolução do mercado levou a que actualmente seja necessária uma constante adaptação dos profissionais às novas necessidades das Organizações em que se inserem: são necessários conhecimentos e familiaridade com as mais variadas tecnologias e uma elevada capacidade de adaptação a novas funções. Esta realidade profissional, exigida pela necessidade de tornar as Empresas mais competitivas, apresenta aos Profissionais constantes desafios no mercado de trabalho e nas Organizações onde estão inseridos. Desenvolver as competências necessárias O mercado de trabalho exige diferentes graus de competências, de acordo com a área de actuação de cada profissional. A um nível geral, são actualmente exigidos conhecimentos básicos de informática, no entanto os profissionais de Tecnologias de Informação deverão ainda desenvolver competências específicas nas suas áreas de actuação, como por exemplo Sistemas Operativos, Redes, Sistemas, Segurança, Bases de Dados, Programação e Internet (arquitectura, desenvolvimento), entre outros. É ainda necessário juntar a estas, competências relacionais ou Soft Skills. Trata-se de um conjunto de competências que geralmente não é desenvolvido no meio académico mas que é altamente valorizado pelas Empresas, por permitir uma optimização de processos levando à obtenção de mais e melhores resultados através de um conjunto de Colaboradores bem preparado.

culminando com a obtenção de Certificações. Estas validam determinados graus de conhecimento e competências e conferem o reconhecimento por parte do tecido empresarial. Uma das grandes vantagens da Formação Profissional é a possibilidade de ser ajustada às necessidades dos Profissionais e das Empresas, contribuindo para a optimização de processos e melhorando a competitividade das Organizações ao mesmo tempo que reforça a autoconfiança dos profissionais. O ambiente privilegiado de aprendizagem, com acompanhamento por Formadores Certificados e com experiência na área, com conteúdos oficiais e relevantes ao desempenho das tarefas profissionais faz da formação especializada uma ferramenta essencial ao desenvolvimento e empregabilidade dos profissionais, permitindo um alargamento de conhecimentos e a especialização profissional e levando a um aumento das possibilidades de progressão salarial e de carreira. A formação tem especial relevo na competitividade dos Profissionais no mercado de trabalho: As entidades empregadoras exigem actualmente um elevado nível de competências sendo que, a nível do recrutamento, a formação e as certificações de topo são pontos diferenciadores de candidatos a uma posição. Assim, torna-se extremamente importante incutir nos Estudantes e Profissionais a importância de uma constante actualização de conhecimentos através de um percurso de Formação e Certificação iniciado logo na vida académica e prolongado ao longo de toda a vida profissional.

Cláudia VIcente Directora, GALILEU - algarve@galileu.pt

Vantagens da formação profissional A formação é uma forma segura e completa de adquirir ou consolidar estes conhecimentos,

Contos Curtos De vez em quando...

O Centenário de Joaquim Rebocho* J

oaquim da Costa Rebocho nasceu em Vila Real de Santo António a 21 de Junho de 1912 e faleceu em Faro a 5 de Fevereiro de 2003. Era então, com Maria Keil dos últimos discípulos de Veloso Salgado, um dos mestres da Escola de Belas Artes de Lisboa, por cujas aulas passaram grandes figuras do modernismo em Portugal como, entre muitos outros, Eduardo Viana e Dórdio Gomes. Comemora-se então este ano, o 1.º Centenário do Nascimento do mais ilustre pintor vila-realense que depois de cursar pintura, formou-se também em arquitectura que lhe deu acesso à função pública que exerceu no ministério das Finanças, até atingir o limite de idade. Tinha um projecto que não se concretizou: instalar num espaço do alto do Arco da rua Augusta, voltado para o Tejo e para a Baixa,

um museu com todos os elementos relativos à reconstrução pombalina. Todavia o retrato, a paisagem e a composição histórica constituíram algumas das áreas em que o ilustre vila-realense se afirmou como pintor. Tinha pouco mais de 30 anos quando foi escolhido juntamente com Domingos Rebelo para completar a decoração do salão nobre do Palácio de São Bento concebido pelo arquitecto Pardal Monteiro. A obra havia sido confiada ao pintor Sousa Lopes que, entretanto, falecera. O conjunto abrange a expansão portuguesa na África e no Oriente evocando algumas das personalidades que, nos séculos XV e XVI, intervieram nas viagens marítimas e na ocupação humana. Coube ainda a Joaquim Rebocho concluir os seguintes frescos: o infante D. Henrique, a

Nota - O autor não escreveu o artigo ao abrigo o novo Acoro Ortográfico.

entregar o plano dos descobrimentos ao capitão da Armada; Diogo Cão, na foz do Zaire, depois da colocação do padrão a assinalar a presença portuguesa e a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil. Mas realizou, ainda, nos vãos das paredes motivos da flora de África, da Índia e do Brasil. Encontra-se representado na Galeria Presidencial do Palácio de Belém na medida em que é autor do retrato do marechal Costa Gomes. A maior parte da obra de Joaquim Rebocho que permanecia no "atelier" (que pertencera ao rei D. Carlos) na tapada das Necessidades onde trabalhou intensamente durante mais de meio século, foi legada a Vila Real de Santo António para constituir um museu e logo que os trabalhos sejam apresentados ficará em destaque a vasta e diversificada produção de um pintor que soube conciliar a tradição com a modernidade. Para além dos vitrais que estão colocados, na majestosa igreja dos Jerónimos, os dois primeiros do nosso conterrâneo, Joaquim Rebocho deixou-nos ainda um conjunto daqueles elementos de arte que enriqueceram de forma muito significativa, a igreja matriz de Vila Real de Santo António. Quem não se lembra da luminosidade deslumbrante e do ambiente tranquilo produzido pelos raios solares que pela manhã atravessam os vitrais do lado nascente da igreja? E que dizer dos efeitos produzidos por aqueles raios, que ao pôr-do-sol atravessam os vitrais do lado poente, para além das "nuances" que se observam ao longo do dia e em função de diferentes condições climatéricas?

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Sublinhamos a presença de Joaquim Rebocho que através dos vitrais referidos, do busto de António Aleixo e dos retratos a óleo do Marquês de Pombal e do ministro Duarte Pacheco (wste a necessitar de urgente restauro), nos deu uma valiosa prova do seu enorme talento, enriquecendo o património artístico da sua terra. Sejamos capazes de cuidar e valorizar tal espólio, e Comemorar o seu 1.º Centenário. Nota: O autor não escreveu o artigo ao abrigo o novo Acordo Ortográfico * Valdemar, António (2003) Rebocho: Um algarvio de Lisboa. Artigo publicado na imprensa nacional. Informações recolhidas em diversos números do Semanário Notícias do Algarve (1953/54/55);


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Castro Marim rende-se ao BTT

Associação Rodativa nasceu há cerca de seis meses e já reúne mais de meia centena de amantes das bicicletas (estrada e BTT). Além da organização de passeios, a nova coletividade pretende sinalizar cinco percursos no concelho de Castro Marim. Tudo para fomentar a prática desportiva e para promover o património cultural e paisagístico do Baixo Guadiana

Miguel Lopes

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com paisagens extraordinárias", sublinha José Valentim. Numa altura em que a maioria das

Miguel Lopes

omeçou por ser um grupo de meia dúzia de amigos que se juntavam nos tempos livres para percorrer, em bicicletas todo-o-terreno (BTT), os diversos trilhos do sotavento algarvio. No passado mês de setembro, e quando o grupo já ultrapassava as duas dezenas de praticantes, decidiram fundar a Associação Rodactiva que, atualmente, já reúne mais de meia centena de praticantes. "Juntámos praticantes de BTT, mas também de ciclismo de estrada, que não integravam qualquer clube e que praticam a modalidade, mais por lazer do que em termos de competição", explica o presidente do clube, José Valentim, frisando que o principal objetivo da nova coletivida-de é "fomentar a prática desportiva entre as pessoas que gostam de BTT, de convívio, da natureza e da parte cultural que o concelho de Castro Marim proporciona". O dirigente não coloca de parte a hipótese de o clube poder enveredar pela competição no futuro, mas garante que, por agora, o principal objetivo dos membros da associação é desfrutar e cativar outros amantes do BTT e da natureza para praticarem a modalidade naquele município. "As características do concelho de Castro Marim são as ideais para a prática da modalidade e há, também, uma série de pontos estratégicos

coletividades desportivas passa por grandes dificuldades devido à falta de apoios, o facto de nascer uma nova associação até pode parecer contraditório. Mas José Valentim explica que o espírito da Rodactiva é completamente diferente. "Pretendemos organizar eventos, principalmente passeios de BTT, mas a nossa intensão é a de que esses eventos sejam autosuficientes, sem depender de subsídios públicos. Para isso, temos as inscrições dos participantes, as quotas dos sócios e a ajuda de alguns patrocinadores privados", garante o dirigente. O primeiro destes passeios decorreu no início do mês de março e levou os 150 participantes a percorrer a zona serrana do concelho de Castro Marim. "Superou as nossas expectativas", conta José Valentim, em jeito de balanço. "Tivemos que fechar as inscrições uma semana antes da data prevista e tivemos que rejeitar várias dezenas de pessoas que pretendiam participar, porque não dispunha-mos de logística para inscrever mais de 150 participantes", explica. O próximo passeio deverá realizar-se nos finais do mês de maio ou no início de junho, mas desta vez o objetivo é levar os participantes a conhecer as margens do rio Guadiana. Além dos passeios, a Rodativa também prevê organizar workshops de mecânica de bicicletas, bem como gincanas pedagógicas e técnicas destinadas a crian-

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ças que pretendam iniciar a atividade.

Sinalização de percursos Outra das iniciativas previstas é a marcação de cinco percurso para a prática da modalidade no concelho de Castro Marim. Os circuitos já estão definidos no papel, falta apenas sinalizálos com as respetivas placas informativas, que incluirão também informação sobre pontos de interesse. "Sentimos essa necessidade porque aper-cebemo-nos de que há muitas pessoas que gostam de praticar o BTT mas não se aventuram porque têm receio de se perder", refere o dirigente. "Pretendemos aliar a prática desportiva à cultura, dando a conhecer a beleza paisagística e o património do concelho, não só a quem nos visita, mas também às pessoas que vivem na nossa região e que desconhecem esta zona", explica José Valentim, acrescentando que os percursos, depois de devidamente sinalizados, além do lazer, também podem ser aproveitados por qualquer entidade que pretenda organizar provas de competição. Aliás, outro dos objetivos da criação da associação Rodactiva é, precisamente, o de auxiliar outras associações que pretendam organizar eventos desportivos, principalmente no âmbito do BTT. Domingos Viegas


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Música I Cinema Fernando Proença

LITERATURA INCLUSA

Número vinte e nove 1 – Leio um artigo da “Letras Libres”, a excelente revista mexicano – espanholita, sobre o abominável / esplendoroso mundo da cultura e afins e penso a possibilidade muito pouco remota de, daqui por uns tempos, comprar um daqueles aparelhos eletrónicos, que permitem armazenar milhares de livros. No caso vertente, o objeto é o Kindle, mas podia ser uma outra plataforma qualquer. Não se ponham já a agourar, os maníacos do livro de papel que têm em mim um defensor oficial e oficioso em modo distendido é certo, mas defensor. Com o tempo aprendi que não tenho estrutura para grandes bravatas. Podia dizer que sim, que sou um irredutível situacionista, mas como sabem é mais fácil apanhar um mentiroso que um coxo. Num dos meus primeiros artigos para este jornal – talvez no primeiro, escrito no tempo em que as galinhas tinham perdido os dentes há bem pouco – lembro-me de ter defendido o vinil, com dentes e dentes (unhas não, porque sou um roedor), contra a introdução, na altura, recente, do CD. Passados uns meses era verem cá o maduro comprar CD, já sem se lembrar do anterior amor. É que a questão principal nestas merdices está toda do lado da indústria. Eu era um indefetível do vinil, mas não fui capaz de contrariar um facto: deixaram de ser fabricados e só agora voltaram a sê-lo, rebocados pelo trabalho dos DJ, caros e apenas para colecionadores. Penso que os consumidores de livros e discos (não escrevo sobre coleccionadores de latas de conserva de sardinha em azeite e aviões telecomandados) são essencialmente conservadores (daí que me tenha lembrado das

conservas) e vão constantemente mostrá-lo ao longo da sua vida. Por exemplo o autor do artigo em questão sobre o Kindle, afirma gostar do gadget, porque, contrariamente ao que se passa por agora em que os telefones fazem tudo e também telefonam e em que frigoríficos têm televisão, o Kindle apenas serve para ler e armazenar livros. Ou seja, eletrónico mas não demasiado. O que me fica – para o bem e para o mal – sempre, é esta capacidade que todos temos de nos agarrar a qualquer coisa que já ouvimos e lemos, construindo coordenadas que podem depois ser reconstruídas ou derrubadas. Não somos a tábua rasa que podíamos ser, ouvindo como se fosse a primeira vez que é sempre na três. E ninguém escapa felizmente a esta ordem de ideias, qualquer que seja o gosto ou a liga cultural em que joga. Eu, por exemplo, sempre menorizei o videoclip, segundo o princípio em que a imagem me afasta e distrai da música. Por esse princípio da sagrada pureza do som, devia pensar que a gravação digital em ficheiros, prontos a ser consumidos, sem a presença física de um CD, com capa, cartão ou plástico, letras e fotos, seria o culminar de um certo e magnânimo ascetismo musical. A música ou seria boa ou não por si só, não dependendo de mais nenhum suporte que não fosse a internet. O problema é que no fundo eu quero é um sistema que me permita comparar, valorizar, desvalorizar, sobre o que já ouvi ou li. Nada veio de Marte, por via aérea, direito aos nossos ouvidos virgens. Por isso, construímos constantemente listas de discos e quando sai um trabalho novo de alguém que conhecemos, rapidamente o engavetamos em relação ao que conhecemos: é o melhor disco desde tal, ou, depois de escrever coiso e tal (tal em alta), o escritor X nunca mais me interessou. Claro que existe sempre o perigo de criar uma teia excessiva de balizas, que é o problema das pessoas com pendor para a

culturite aguda. Podemos passar a ser uns tipos terrivelmente cerebrais, ligando sempre tudo e todos, tornando a audição de um disco (até quando um disco?), um martírio onde não se encontra vestígio de emoção. Xô!

Disco - Yo la Tengo - "I am not afraid of you and I will beat your ass" - CD - Matador – 2006 A primeira ideia em torno dos Yo la Tengo é que são um daqueles grupos que devem ser ouvidos, pensando no que terão pensado (gosto muito deste efeito de repetição. Para os meus leitores que apreciam outros efeitos sugiro que escutem Luís Freitas Lobo a comentar jogos de futebol) para escrever música assim. Mas também porque o grupo suscita outras particularidades não muito comuns. Primeiro: ninguém se lembrará deles como primeira escolha em coisa alguma. Ninguém oferece um disco dos Yo La Tengo, a não ser que o aniversariante seja um fã do trio, o que representa em termos estatísticos uma probabilidade de um para um milhão. Não que não exista gente capaz de perceber e aceitar a sua forma de fazer as coisas, percebendo que muitas vezes as melhores ideias vêm de onde menos se espera. Mas os que o sentem assim têm quase de certeza absoluta, oito grupos à frente. Ou seja, comprar um disco dos norte-americanos pode ser por exemplo a ocasião para aproveitar um saldo ou uma promoção. O primeiro pressuposto conduz-nos ao seguinte: quem estará sempre à frente dos Yo La Tengo, na hora da escolha? Por exemplo, os Sonic Youth, primos da mesma zona da música popular, no uso da distorção. Porquê primos e não, por exemplo, irmãos? Então aqui entra uma das particularidades que podem ser discutidas, no que apontei no primeiro ponto do artigo. Os melhores discos e grupos serão então os que nos convidam a comparar, medir, teorizar, clas-

Apontamento de Vídeo Todos os outros "Eis a história de Gitti e Chris. Um jovem casal de férias que se vê obrigado a lidar com os problemas da sua relação. É um retrato fiel da intimidade entre duas pessoas: os rituais secretos, os momentos imbecis e os sonhos que ficaram por realizar. O resultado é uma história de amor que testa os limites de cada um para salvar a relação". Um filme que obteve os galardões Grande Prémio do Júri e Melhor Actriz (Birgit Minichmayr) no 59.º Internacional Filmfestespiele

Berlim e Melhor Realizador e Prémio Fipresci no Bafici 2009. Interpretações de muito mérito, numa realização de grande impacto artístico. Realização e Argumento: Maren Ade. Com: Birgit Minichmayr, Lars Edidinger, entre outros. Distribuição: Clap Filmes. Vítor Cardoso

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sificar. Posso então dizer que os Yo La Tengo serão uns Sonic Youth que descobriram não só a melodia por debaixo da distorção das guitarras, mas que a praticam isoladamente noutras faixas dos seus discos (neste concretamente). Podem parecer também músicos que praticam um rock variado (há vestígios de baladas; funky; soul; electrónica; lo-fi repetitiva e pop simples e gracioso) e hedonista, usando a distorção para simplesmente marcar diferenças. Por isso, primos. Independentemente de teorias, é verdade que a zona de pesca do grupo é extensa e que eles se mexem bem na rapina teórica e desenvolvimento de cada um dos temas. Talvez por não se encaixarem em nenhuma gaveta musical é que interessam tanto a tão poucos e pouco a tantos. Em geral, o público não gosta de músicos mais ou menos indefinidos. Terceiro pressuposto que me faz gostar do que fazem: a música de “I am…”, deixa quase sempre um sabor que apenas alguns discos nos proporcionam durante toda uma vida; a de que já ouvimos a maior parte daquelas músicas noutros discos, ficando no fim com o estudo sistemático do que temos na cabeça e em casa, com a certeza que não sabemos onde nem quando. Apenas já conhecíamos o ambiente de cada tema. E não é isso estimulante?


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