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Ano I - Edição 1 | Outubro, 2009 | Distribuição gratuita

jornal

Dia de Campo O meio rural com informações produtivas

Preparativos para nova safra

Foto de Capa: Pedro Crusiol

Foi dada a largada para o plantio da safra 2009/10. Se as projeções forem confirmadas, o Paraná terá uma produção recorde de grãos. Nesta fase de implantação das lavouras, planejamento e profissionalismo dos produtores são decisivos para garantir bons resultados no momento da colheita

Censo revela dados sobre a agropecuária brasileira

Pág. 3

Paraná aguarda autorização para uso de selo de sanidade animal

Pág. 5

Governo Federal traça metas para o futuro da agricultura

Pág. 8e9

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Livro de Fotografias detalha a saga do café em Londrina

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| Ano I - Edição 1 | Outubro, 2009 | Dia de Campo

Editorial Você está recebendo Dia de Campo, um jornal mensal dedicado a todos que se interessam pelas atividades agropecuárias. Reservado para tratar de assuntos jornalísticos, sobretudo o que é produzido no meio rural, o jornal Dia de Campo levará ao leitor do campo e da cidade os principais assuntos relacionados às áreas de pesquisa, novas tecnologias, manejo de solo, plantas, animais, entre outros, igualmente importantes. Mercado agrícola, insumos mod¬ernos, máquinas, equipamentos, implementos e as últimas novidades tecnológicas existentes no mercado, também farão parte das páginas

do Dia de Campo. Dia de Campo é um novo espaço jornalístico do agronegócio aberto também a todos os pesquisadores

Dia de Campo é um novo espaço jornalístico do agronegócio, comprometido em divulgar as principais informações do setor agropecuário que queiram divulgar os resultados de seus trabalhos científicos. Meio ambiente ptambém terá

Carta do Leitor

destaque no Dia de Campo, pautado sempre com o objetivo de apresentar os principais problemas que afetam o nosso ecossistema e propor o debate acerca de possíveis soluções. Para isso, o jornal conta com a colaboração de profissionais especialistas no assunto, para a produção periódica de artigos e análises. O jornal Dia de Campo tem como propósito editorial servir também de orientador educacional, tanto para quem desenvolve atividades diretamente no meio rural, como na cidade. Com uma equipe de seis jornalistas profissionais, estudiosos dos assuntos rurais, o jornal Dia de Campo estará atento aos temas relativos à saúde e

bem-estar de todos os cidadãos, observando, também, a qualidade dos produtos básicos comercializados no mercado. Com distribuição gratuita, dirigida, Dia de Campo é um jornal segmentado às empresas públicas e privadas, organismos oficiais, entidades de classe, agências operadoras de turismo, jornalistas especializados, universidades e escolas técnicas rurais, bem como aos órgãos oficiais de ensino, pesquisa e extensão. Então, boa leitura e não deixe de acompanhar as próximas edições do Dia de Campo, o seu espaço jornalístico rural, repleto de informações produtivas.

Foto do Campo

Novo espaço A Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina (AEA-LD) parabeniza a equipe do Jornal Dia de Campo por essa iniciativa de criar um novo espaço de informações e orientações para os produtores rurais paranaenses e demais interessados no agronegócio. A AEA-Londrina fica muito feliz por fazer parte desse projeto, como parceira do Dia de Campo. Florindo Dalberto, presidente da AEA-Londrina (Londrina - PR) O Dia de Campo agradece o carinho, prestígio e reconhecimento dos amigos, colaboradores e parceiros, que já, nesta primeira edição, acreditam na qualidade do nosso trabalho jornalístico profissional. Um forte abraço de toda a equipe do Dia de Campo.

Veículo de comunicação rural O Jornal Dia de Campo, que acaba de nascer, vem colaborar com o agronegócio e facilitar a vida de todos os que trabalham na produção e difusão do dia-a-dia de nossa agricultura. A COMPANHIA DA VIOLA DE LONDRINA, associação de violeiros, que batalha para preservar a música sertaneja de raiz em Londrina, parabeniza toda a equipe de jornalistas do Dia de Campo pela brilhante idéia de implementar este tão valoroso veículo de comunicação rural, genuinamente londrinense. Ezaude Aparecido Pedroso, presidente da CIA DA VIOLA (Londrina-PR) Mais uma vez, o Dia de Campo agradece o carinho. Temos certeza de que tudo será feito para que possamos continuar correspondendo com as necessidades de todos os segmentos do setor agropecuário local, regional e nacional, com informações objetivas e produtivas sobre o agronegócio.

Foto enviada por Lucas Martins (Londrina-PR) Os avestruzes não se incomodaram com a presença do fotógrafo Lucas Martins. A fotografia foi feita no município de São Gabriel do Oeste (MS), em uma propriedade que cria mais de cinco mil avestruzes

Invista nesta ideia Seja parceiro do Jornal Dia de Campo. Invista em um excelente e lucrativo negócio, anunciando as atividades de sua empresa ao nosso público-alvo. anuncie@diadecampoonline.com.br

Fungos em morangueiros Tive muitas perdas no meu morangueiro devido ao tempo instável e às chuvas que vêm caindo desde julho. Gostaria de saber quais as ações que eu devo tomar para não deixar que focos de fungos apareçam no futuro. Rosana Alves (Londrina-PR) O engenheiro agrônomo do Emater, Élcio Rampazzo, que é especialista em fruticultura, explica que o clima úmido é propício para o aparecimento de doenças causadas por fungos. Neste caso, o procedimento recomendado é recolher manualmente os morangos danificados e enterrá-los fora da lavoura, o que evita novos focos de contaminação. “Em último caso nós entramos com produtos químicos para a proteção, mas são produtos químicos da linha orgânica e com baixo período residual e em termos da contaminação do fruto, praticamente não ocorre”. Envie suas dúvidas, opiniões e sugestões para o Dia de Campo. E importante: mande também o seu nome completo, profissão e cidade onde vive. O Dia de Campo agradece a atenção e garante que fará o máximo para atender o maior número possível de leitores. O Dia de Campo poderá editar ou publicar, apenas, trechos das mensagens. contato@diadecampoonline.com.br

Frase

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“O governo precisa tratar os fertilizantes como o pré-sal” Daniel Vargas, ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE)

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Expediente

Av. São João, 1095, sala 4, Londrina-PR (43) 3337-0873 www.diadecampoonline.com.br contato@diadecampoonlie.com.br Jornalista responsável: Lino Tucunduva Neto (MT-B: 1307-SP) Reportagem e edição: Dulce Mazer, Felipe Teixeira, Flávio Augusto, Mariana Fabre e Pedro Crusiol Projeto gráfico e diagramação: Flávio Augusto O Jornal Dia de Campo é uma publicação mensal da DC Comunicação e Editora Jornalística Ltda. CNPJ: 10.937.352/0001-21


Dia de Campo | Outubro, 2009 | Ano I - Edição 1 |

Em Campo

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IBGE aponta que apenas 1,8% dos produtores brasileiros adotam a agricultura orgânica; 60% da produção são destinados às exportações. (DC)

Estatística

Censo revela dados recentes sobre a agropecuária brasileira Recenseamento divulgado pelo IBGE traz um raio-X do campo nos últimos dez anos Felipe Teixeira felipe@diadecampoonline.com.br

O aumento da produção e a redução na área total de propriedades são parte dos números divulgados no 10º Censo Agropecuário. O recenseamento foi realizado em 2006 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) junto a 5,2 milhões de estabelecimentos por todo o país. O maior levantamento já realizado sobre o setor primário revelou que o valor da produção total atingiu R$147, 26 bilhões. Deste montante, 77% se devem à Produção Vegetal, segmento no qual se destacaram áreas dedicadas ao cultivo da cana-de-açúcar (14%) e soja (14%). A sojicultura também se destacou por ser a produção com o maior crescimento desde o Censo de 1995, o último realizado até então. Em 10 anos, houve

Segundo o IBGE, a produção total dos estabelecimentos atingiu R$147 bilhões um avanço de 88% na produção da oleaginosa. “Há 40 anos o cultivo da soja é o que mais cresce. Nós partimos de 205 mil hectares em 1960 para 1 milhão em 1970. Desde então não houve retrocesso. Em 2009, devemos atingir os 23 milhões de hectares plantados”, afirmou Amélio Dall´Agnol, chefe de administração da Embrapa Soja.

Outro dado interessante foi o deslocamento das zonas produtoras do sul para o centro-oeste. Dall´Agnol explicou que o avanço associa-se à relação entre a grande demanda de mercado e o esgotamento das pequenas propriedades sulistas. “Boa parte dos produtores do sul se mudaram para o cerrado. Então, eles passaram a exigir tecnologia de produção para uma região desprezada. O acesso aos institutos de pesquisa foi um dos fatores que transformou a região centro-oeste na maior produtora de grãos do país”. O Censo também revelou algumas mudanças significativas, como a redução da área total ocupada por estabelecimentos agropecuários. Há 14 anos, a área, que correspondia a aproximadamente 43%, passou a ocupar o equivalente a 36% do território nacional em 2006. Segundo os técnicos do IBGE, um dos motivos para a redução “pode ter sido a criação (...) de novas terras indígenas e unidades de conservação, com crescimentos de, respectivamente, 19% e 128%, em relação a 1995”. Assim como nos recenseamentos realizados em 1985 e 1995, constatou-se que os estabelecimentos com menos de 10 hectares representavam 47% do total e ocupavam apenas 2,7% do território agrário. Por outro lado, as propriedades com mais de 1.000 hectares correspondiam a 1% dos estabelecimentos e eram responsáveis por 43% da área total. Ou seja, mesmo com estatísticas diferenciadas quanto aos modos de produção e acesso às novas tecnologias, a concentração de terras é um dado que permanece inalterado há 20 anos nas pesquisas do IBGE.

Valdecir Galor / SMCS

Técnicos cadastram produtores rurais em Curitiba; ao todo, o levantamento englobou mais de cinco milhões de estabelecimentos

Censo Agropecuário 2006 - 5,2 milhões de estabelecimentos foram cadastrados - A produção total foi de R$147,26 bilhões, 77% oriunda da Produção Vegetal, com destaque para a cana-de-açúcar (14%) e a soja (14%) - De 1995 para cá, a área ocupada por estabelecimentos agropecuários no território nacional caiu de 43% para 36% - Os estabelecimentos com menos de 10 hectares continuam ocupando 47% do total cadastrado pelo Censo e 2,7% do território agrário - As propriedades com mais de 1.000 hectares ainda correspondem a 1% dos estabelecimentos e são responsáveis por 43% da área total


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Evento

4º Rural Tecnoshow tem enfoque no agronegócio Organizado pela Sociedade Rural do Paraná, encontro discute o panorama do agronegócio brasileiro Dulce Mazer dulce@diadecampoonline.com.br

Tratando o agronegócio sob os aspectos tecnológico e político, a Sociedade Rural do Paraná (SRP) promoveu o 4º Rural Tecnoshow, de 28 de setembro a 4 de outubro. A política nacional de produção e comercialização do trigo foi o tema central da abertura, com o enfoque na discussão para políticas agrícolas. Em destaque, o balanço entre

“A produção mundial vai continuar em queda, para se processar o ajuste entre oferta e demanda” as exportações e importações do trigo na última safra, apresentado pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). Ao comentar o recuo da produção de trigo na última safra, Paulo Magno Rabelo, assistente da superintendência de Gestão de Oferta da Conab, afirmou que “a produção mundial vai con-

tinuar em queda, para se processar o ajuste entre oferta e demanda, causado pelo aumento da produção das últimas safras”. O Brasil é hoje o quinto maior importador mundial de trigo. Alimentos, Controle Sanitário e Meio Ambiente - Os temas Segurança Alimentar e Políticas de Produção foram amplamente discutidos com debates também sobre Seguro Rural Agrícola, o Encontro Norte Paranaense de Produtores de Grãos e o Concurso Café Qualidade Paraná. Destacou-se também a presença da Coordenadora Geral de Política Agrícola do Ministério da Fazenda, Mônica Avelar Nunes Neto, que trouxe a discussão sobre recursos disponíveis para a safra 2009/10. Para discutir Preservação e Meio Ambiente, a SRP realizou o 1º. Simpósio Regional sobre Qualidade da Água e Meio Ambiente, o curso de Recomposição de Mata Ciliar e a palestra sobre Manejo de Reserva Legal. A Sanidade Animal foi outro tema importante do encontro, com palestras sobre a qualidade da carne, programas de rastreabilidade, além da realização de diversos leilões. Dulce Mazer

A política nacional de produção e comercialização do trigo foi o tema central da abertura do 4º Rural Tecnoshow

Meio Ambiente

Paraná celebra árvore número 100 milhões Dulce Mazer dulce@diadecampoonline.com.br

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná (SEMA-PR) escolheu o Jardim Botânico de Londrina, ainda em fase de construção, para o plantio da muda da árvore número 100 milhões, em comemoração ao Programa Estadual de Mata Ciliar, que tem a adesão de todos os 399 municípios paranaenses. Foram investidos mais de R$ 20 milhões em diversas instituições públicas e privadas,

“No dia da árvore, a SEMA-PR comemora o programa que é referência mundial em reflorestamento” entre elas o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que teve 20 viveiros reestruturados, possibilitando o aumento da produção de mudas nativas. O programa permite a recomposição da mata ciliar através do plantio de mudas de espécies nativas

e o abandono de áreas para que a vegetação se recomponha naturalmente. Estiveram presentes o vice governador Orlando Pessuti, representando o governo do Paraná, o secretário do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues (SEMA-PR), o prefeito de Londrina, Homero Barbosa Neto, o presidente da comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Paraná, deputado Luiz Eduardo Cheida, o presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek, o presidente do IAP, Vitor Hugo Burko, o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Kireff, entre outras autoridades. Rasca Rodrigues agradeceu a participação dos agricultores e funcionários do IAP: “graças a vocês e a todos os paranaenses que contribuíram, o Paraná está plantando hoje a árvore 100 milhões”, disse. Após a solenidade, autoridades e representantes das entidades parceiras do Programa plantaram 100 espécies de árvores nativas, inaugurando a primeira coleção de plantas do Jardim Botânico de Londrina: o “Jardim das 100 Milhões”. Integram a coleção mudas de peroba-rosa, pau-marfim, araucária, cedro-rosa, imbuia, canela-sassafrás, erva-mate, canafístula, figueira e ipês-roxo e rosa.


Dia de Campo | Outubro, 2009 | Ano I - Edição 1 |

Pecuária

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Influenza Aviária e doença da vaca louca já podem ser diagnosticadas pelo laboratório da Secretaria da Agricultura do Paraná. (DC)

Novidades no mercado

Paraná aguarda autorização para uso do selo de sanidade animal Neste mês o PR passa pela última inspeção de adequação do sistema de inspeção equivalente Dulce Mazer dulce@diadecampoonline.com.br

O Paraná deve receber, ainda no mês de outubro, a homologação para utilizar o selo de sanidade do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi/POA). Com o processo bastante avançado, pequenas, médias e grandes agroindústrias do estado, que já passaram pelo procedimento de adequação estabelecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), podem solicitar a inscrição junto ao Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa) e Sisbi/POA. O selo comprobatório de sanidade poderá ser usado nas embalagens

“Todos terão que se ajustar às normas para que possam ter o seu produto comercializado em nível nacional” de produtos registrados e inspecionados. As empresas devem estar regularizadas no Sistema de Inspeção do Estado do Paraná (SIPPR). Em todo o estado, apenas seis agroindústrias estão aptas a participar do Sisbi/POA e outras 472 estão cadastradas no SIP-PR. Quem solicita a adesão ao Sisbi/ POA são os Serviços de Inspeção dos estados, do distrito federal e dos municípios. Os requisitos observados são: infra-estrutura administrativa, qualidade dos produtos, prevenção e combate à fraude e controle ambiental. Em âmbito municipal, duas cidades solicitaram a homologação via MAPA. Cianorte e Cascavel já podem aplicar a inspeção de forma

Pedro Crusiol

integrada. De acordo com João Carlos Rocha Almeida, chefe de divisão do SIP-PR, a previsão é que neste mês o MAPA conceda a homologação e o selo possa ser incorporado à embalagem do produto certificado. “A obtenção dos selos está bem adiantada no Paraná. Estamos muito próximos de receber a chancela do MAPA”. Equilíbrio - A unificação permite a igualdade dos resultados de inspeção em todo o país e a comercialização entre diferentes estados e municípios. De acordo com o MAPA, a adesão ao sistema é voluntária e concedida pelo órgão coordenador, mediante comprovação de equivalência entre o serviço solicitante e o Sistema de Inspeção Federal (SIF). O Secretário Nacional da Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Kroetz, destaca a importância do cumprimento da legislação: “todos terão que se ajustar às normas do S.I.F. Há necessidade do município, ou estado, que queira aderir ao sistema ter capacidade operativa, recursos humanos capacitados, treinados, para que se possa fazer uma inspeção em nível de equivalência com o serviço federal, aí o produto vai ter a mesma autorização para comercialização em todo o território nacional.” Antes da implantação do Suasa, o produto inspecionado por um serviço estadual ou municipal só poderia ser comercializado entre o próprio estado ou município. O Secretário Kroetz acredita que a medida deve fortalecer as pequenas e médias agroindústrias. “Isso quer dizer que mais plantas frigoríficas, mais abatedouros, fábricas processadoras de produtos de origem animal vão poder acessar o mercado nacional, porém agora, todos sob as mesmas regras”.

Produtos de origem animal terão que ser adequados ao sistema


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Bubalinos Beto Diniz / Divulgação

Manada reprimida Embora vantajosa em comparação aos bovinos, a criação de búfalos tem sofrido com a falta de incentivo e informação Flávio Augusto flavio@diadecampoonline.com.br

Comparados aos bovinos, os búfalos engordam mais depressa e apresentam uma taxa de natalidade até 35% maior, o que aumenta a produção de carne Divulgação

Animais selvagens, agressivos e difíceis de lidar: a fama que os búfalos carregam não é das mais positivas. Originários do sudoeste asiático, onde ainda se encontram os maiores rebanhos, os búfalos não têm conquistado grande espaço no Brasil. Por aqui, a maior concentração dos animais fica na região norte, especialmente no estado do Pará. No Paraná a situação também não é muito animadora. Segundo José Lino Martinez, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o litoral paranaense abriga a maior parte dos rebanhos de búfalos do estado, enquanto que, nas outras regiões, os criadores se encontram mais dispersados. Para Martinez, além dos mitos sobre a criação dos bubalinos, a falta de divulgação e incentivo faz com que as potencialidades da espécie permaneçam desconhecidas. “Existem alguns mitos que cercam a criação de bubalinos, como a questão da agressividade e da necessidade de ter áreas alagadas na propriedade. Não importa o clima ou o solo, você tem muito mais facilidades para obter resultados favoráveis com bubalinos do que com bovinos”, afirma. O pesquisador explica que, com relação à agressividade, é necessário adotar um manejo constante na criação dos búfalos, fazendo com que os animais mantenham contato frequente com os homens. Já com relação às áreas alagadas, o pesquisador salienta que, em locais de clima muito quente,

caso não seja possível ter água por perto, basta que os piquetes tenham uma boa quantidade de árvores, capaz de oferecer sombra aos animais. Mercado - Além da versatilidade e da capacidade de adaptação, a cria-

“Você tem muito mais facilidades para obter resultados favoráveis com bubalinos do que com bovinos” ção de búfalos possui outros atrativos. Comparada aos bovinos, a espécie engorda mais depressa e apresenta uma

taxa de natalidade até 35% maior, aumentando, assim, a produção de carne. “Praticamente, não há nenhuma diferença em relação ao sabor, à textura da carne, e ainda com a vantagem de que, no caso dos bubalinos, você tem uma carne mais magra, com teor de colesterol [56%] mais baixo do que a carne bovina”, acrescenta Martinez. “Em relação ao leite, apesar de ainda ter um grande trabalho para ser feito, para termos animais mais produtivos, pode-se destacar que, por conta da qualidade, é possível fazer o dobro da quantidade de queijo com a mesma quantidade de leite, quando eu comparo búfalo com bovino”, reforça. Entretanto, mesmo com todo o potencial produtivo e de expansão da espécie, o mercado de bubalinos ainda é

bastante restrito. De acordo com Martinez, não existe uma oferta capaz de atender plenamente a demanda pelos derivados de búfalos. “Os produtores não conseguem ter uma escala de abate regular, capaz de atender um determinado mercado. Diante dessa impossibilidade, esses animais são abatidos e repassados ao consumidor como se fossem bovinos”, revela. Segundo o pesquisador, um estudo feito nos restaurantes da cidade de São Paulo estima que, dos pratos preparados com mussarela “dita” de búfala, 80%, na verdade, leva apenas o nome de búfala. “Elas são confeccionadas com leite de vaca bovina. Acho que por aí, pode-se ter uma idéia do espaço que existe para ser ocupado pelo produto”, completa o pesquisador.


Dia de Campo | Outubro, 2009 | Ano I - Edição 1 |

Agricultura

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O primeiro foco de ferrugem asiática na safra 2009/10 no Paraná foi identificado em plantas de soja voluntária nas margens da rodovia que liga Londrina a Cambé. (DC)

Clima Pedro Crusiol

Chuvas causam prejuízos na safra de trigo Excesso de umidade prejudicou as lavouras do Paraná, que podem ter perdas superiores a 80% Pedro Crusiol pedro@diadecampoonline.com.br

“Na minha área não se colheu nada. De tanta chuva, veio o fungo, que se espalhou por toda a lavoura. Eu perdi muito em volume e em qualidade”. O depoimento é do produtor de trigo Adão de Pauli, do distrito de Paiquerê, em Londrina - PR. Ele foi um dos muitos agricultores do Paraná que tiveram prejuízos nas plantações de trigo, causados pelo excesso de chuvas que caíram no estado nos últimos meses. No período de junho a agosto, o volume de chuva foi três vezes superior à média histórica do período. Somente em julho, choveu 281% a mais do que a média registrada para o mês na região de Londrina. Foi o maior registro de precipitação desde

“Eu segui todas as recomendações. Fiz três aplicações de fungicidas, mas não adiantou nada” 1976. E foi esse excesso de umidade que favoreceu o desenvolvimento da brusone nas lavouras de trigo. Na safra 2009, a cultura ocupou 1,3 milhão de hectares no Paraná. De acordo com levantamento feito pelos pesquisadores da Embrapa, pelo menos 780 mil hectares, o equivalente a 60% da área plantada, sofreram prejuízos de até 80%. Na região norte, onde estavam concentrados 40% da área semeada com trigo, existem lavouras em que as perdas chegaram a 100%. Segundo o pesquisador da Embrapa Soja Manoel Bassoi, esse período de chuvas acima da média coincidiu com o início do espigamento até o es-

tágio inicial do enchimento de grãos, considerada uma fase vulnerável para a ocorrência de doenças de espiga, principalmente brusone e giberela. “Estas doenças são de difícil controle, principalmente a brusone, que atingiu grande parte das plantações. Apesar dos agricultores terem utilizado as tecnologias disponíveis, o excesso de chuvas tornou ineficiente o manejo das doenças”, explica o pesquisador. Foi o que aconteceu com o produtor Adão de Pauli. “Eu segui todas as indicações e recomendações de manejo. Fiz três aplicações de fungicidas, mas não adiantou nada”, diz o produtor, que colheu apenas 30 sacas de trigo de baixa qualidade por alqueire. Na média dos anos anteriores, ele costumava colher na mesma área 120 sacas de trigo com qualidade para panificação. Seguro Rural - O seguro agrícola cobre os prejuízos decorrentes de adversidades climáticas, mas não há cobertura para perdas decorrentes de doenças. Por isso, pesquisadores da Embrapa e do IAPAR emitiram uma nota técnica esclarecendo as causas das perdas nas lavouras de trigo nesta safra. O documento foi encaminhado ao Banco Central, Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg) e Federação da Agricultura do Paraná (Faep). “Aguardamos agora a liberação do seguro. Os produtores fizeram o manejo adequado das lavouras e está claro que o problema foi o excesso de chuvas”, afirma o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Narciso Picinati. Segundo ele, para receber o seguro, os produtores precisam comprovar que as perdas foram decorrentes do excesso de chuvas, como está previsto no Manual de Crédito Rural.

Período de chuvas acima da média favoreceu o desenvolvimento de doenças de espiga, principalmente brusone e giberela Lavouras Seguradas - Cerca de 15% das lavouras paranaenses de trigo possuem seguro, com 1830 agricultores segurados e 360 comunicações de prejuízos por chuvas excessivas. No Proagro são 10 mil contratados e mais de 800 comunicados de prejuízos. Em caso de perda total do trigo, o desembolso das seguradoras seria superior a R$ 500 milhões.


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Reportagem Especial

Paraná inicia plantio de soja Foi dada a largada para a safra 2009/2010. Com planejamento e profissionalismo, produtores podem conseguir economia de insumos e aumento de renda Pedro Crusiol pedro@diadecampoonline.com.br

Oficialmente, o plantio da nova safra de soja no Paraná está liberado desde o dia 15 de setembro, data em que terminou o período do vazio sanitário no estado. Mas, de acordo com o Zoneamento Agrícola para soja, publicado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), a semeadura deverá começar na primeira semana de outubro. É justamente nesta fase de implantação das lavouras que os produtores devem estar atentos para colocar em prática um ponto muito importante, que pode fazer

Plantio da safra 2009/10: se as previsões forem confirmadas, Paraná pode ter produção recorde de grãos

“O agricultor não pode trabalhar com amadorismo. Quando terminar uma safra, ele já deve pensar na próxima” toda a diferença na hora da colheita: o planejamento. Com esta ferramenta, é possível aumentar a produtividade, reduzir custos e, por consequência, melhorar a renda. Os insumos são os itens que mais pesam no bolso dos produtores. De acordo com o engenheiro agrônomo Alcides Bodnar, do Emater de Cambé (PR), os gastos com adubos e sementes representam cerca de 60% dos custos de produção. “Por isso, o agricultor tem que ser profissional, não pode trabalhar com amadorismo. Quando terminar uma safra ele já deve começar a pensar na próxima safra”, ressalta. O primeiro passo para um planejamento adequado é o monitoramento da fertilidade da área que irá receber a lavoura. O meio mais indicado é a análise de solos, que irá fornecer um diagnóstico da acidez e da concentração de todos os nutrientes presentes na terra. A análise precisa ser feita, entre outros aspectos, de acordo com o relevo da propriedade, o histórico de produtividade da área, a presença de plantas daninhas e o tempo de uso do solo. “O ideal é que a propriedade seja dividida em talhões e sejam feitas três análises: nas partes altas, médias e baixas. Em cada uma dessas áreas devem ser recolhidas cerca de 20 subamostras de terra. Dessas várias subamostras deve-se retirar uma amostra

Mario Vendramini /

homogênea, que será enviada ao laboratório para a análise”, orienta Jonez Fidalski, pesquisador do IAPAR na área de Solos. Com as informações apontadas pela análise, é possível ter um diagnóstico da quantidade e a distribuição dos nutrientes na área onde será feito o plantio e fazer uma adubação precisa, buscando a máxima produtividade. “Em certos pontos a adubação precisa ser completa, mas em outros, a análise do solo vai revelar que não existe a necessidade de adubação, ou ela pode ser feita em uma intensidade menor”, explica o pesquisador. Com este “raio-X” do solo em mãos, o produtor pode programar com antecedência a compra dos fertilizantes, o que pode representar uma grande economia. De acordo com Alcides Bodnar, logo após o término da safra, no início do ano, os preços dos adubos estão, em média,

A divisão da propriedade em talhões favorece a aplicação precisa de defensivos, de acordo com a necessidade específica de cada área


Dia de Campo | Outubro, 2009 | Ano I - Edição 1 |

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Divulgação

Planejamento para início de safra

- Análise do solo que receberá a lavoura - Compra de insumos adequados para a área - Escolha da semente (cultivar que mais se adapta aos objetivos do produtor) - Adubos e sementes são mais baratos quando comprados com antecedência (no início do ano, após o fim da safra) - Manejo da lavoura (controle de pragas, doenças e plantas daninhas)

A escolha da variedade é fator determinante para a instalação de uma boa lavoura; compra antecipada de sementes pode representar economia de até 100%

Divulgação

Pedro Crusiol

30 a 40% mais baratos que agora, quando o plantio começa a ser feito. “O agricultor precisa gastar o dinheiro com fertilizantes de forma correta. Por isso a análise de solos é uma ferramenta tão importante. Com ela é possível reduzir os custos de adubação e aumentar o rendimento”, ressalta o agrônomo. Escolha da variedade - Uma boa lavoura sempre começa com uma boa semente. Por isso a escolha da variedade é tão importante para o sucesso do produtor. Para definir qual cultivar será plantada, é preciso ter em mente que tipo de lavoura se pretende implantar. ”As diferentes cultivares de soja oferecem diferentes alternativas, por isso é importante que o produtor conheça a área que possui e saiba ao certo o comportamento das cultivares para optar por aquela mais indicada ao seu sistema produtivo”, completa

Bodnar. Cultivo convencional ou transgênico, época de plantio e de colheita, problemas com plantas daninhas ou facilidade de manejo, no caso de doenças ou pragas, são alguns dos aspectos que devem ser observados. “O importante é que os produtores definam a variedade e efetuem a compra das sementes com antecedência, já que no início do ano os preços estão mais baixos”, explica. Segundo o agrônomo, nos meses de junho e julho, era possível comprar sementes de soja por valores entre R$ 40 e R$ 60 a saca. Hoje, em plena época de plantio, a saca chega a custar mais de R$ 100. Manejo - Ataque de pragas, infestação por plantas daninhas, incidência de doenças. São muitos os fatores que necessitam atenção e cuidado dos produtores. E os gastos com defensivos não são pequenos. Por isso, o ideal é que a compra desses produtos seja feita na época em que a lavoura necessite da aplicação. Para a economia de defensivos e também de mão de obra, a propriedade pode ser divida em talhões. Dessa forma a aplicação pode ser feita de forma diferenciada, de acordo com a necessidade específica de cada área. Alcides Bodnar lembra ainda que também é possível economizar no momento da compra dos insumos. “Todos os produtores, de uma forma ou de outra, irão aplicar esses produtos em suas lavouras. Se formarem grupos para uma compra em maior quantidade, é possível negociar preços melhores e garantir mais economia”, orienta.

Paraná deverá colher safra recorde Se as projeções forem confirmadas, o Paraná irá colher mais uma safra recorde de grãos. De acordo com a estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, divulgada na última semana de setembro, a safra de verão 2009/10 no Estado será de 20,84 milhões de toneladas. O volume é 25% maior que a safra de verão passada, quando foram colhidas 16,54 milhões de toneladas. O destaque é para a soja, que deverá ganhar mais espaço e avançar sobre os cultivos de milho e feijão. A pesquisa revelou um aumento de 7% na área plantada com a leguminosa no Paraná, que deve atingir 4,3 milhões de hectares. Em condições climáticas normais,

a produção poderá variar de 12,55 milhões a 13,75 milhões toneladas. Esse volume é 40% maior que as 9,38 milhões toneladas colhidas na safra 2008/09. Já a área plantada de milho deverá sofrer uma redução de 22%. De acordo com o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Deral, a maior liquidez da soja no mercado, a facilidade de manejo, os menores riscos com a cultura e menores gastos com fertilizantes são determinantes para que os produtores prefiram plantar a soja em detrimento do milho. “Além disso, no momento, o mercado tende a ser mais favorável para a soja. Apesar de os preços da soja não terem tendência positiva, para o milho o cenário mercadológico é pior”, explica. (PC)

Clima beneficia plantio na safra 2009/10 Agricultores que cultivam soja e milho na região centro-sul do Brasil têm uma boa notícia. De acordo com Boletim Agroclimático publicado pela Conab no último mês, as lavouras serão beneficiadas com temperatura adequada e chuva na medida certa até o final de novembro. A pesquisa atribuiu uma escala de graus de impacto que vai de –3 (impactos severos) a +3 (muito favorável).

A safra de soja no Rio Grande do Sul recebeu a indicação +3. A boa projeção também segue para os agricultores do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, ambos com resultado +2. A primeira safra de milho no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina recebeu nota máxima (+3). Na sequência aparecem Paraná, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo, ambos com nota + 2. (PC)


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| Ano I - Edição 1 | Outubro, 2009 | Dia de Campo

Invasora

Expansão da buva preocupa especialistas e produtores Planta daninha resistente a herbicidas e de difícil controle está se disseminando pelas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul e Paraná Pedro Crusiol pedro@diadecampoonline.com.br

Os agricultores sempre conviveram com plantas daninhas nas áreas de produção. Nas décadas de 1970 e 1980, o capim-marmelada, o amendoim-bravo e o picão-preto deram muito trabalho para os produtores de soja. Agora, a expansão de outra planta daninha está trazendo muita preocupação: a buva. Também conhecida por “voadeira”, a invasora ampliou a população resistente ao glifosato e está se disseminando pelas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul e do Paraná. A buva é uma espécie de entressafra que possui sementes muito pequenas. De fácil dispersão pelo vento, as sementes podem ser levadas a longas distâncias e germinam quando entram em contato com a superfície do

As perdas no rendimento da soja podem chegar a 70% nas áreas mais infestadas

solo. A invasora, que estava mais concentrada na região oeste do Paraná, já atinge áreas de produção no noroeste do Estado. Inclusive, já existem vários relatos da presença da buva em lavouras da região de Londrina, no norte paranaense. “Como toda planta daninha, a buva compete por luz, por água e por nutrientes, que são elementos essenciais para o desenvolvi-

Dionísio Gazziero / Divulgação

mento da lavoura. A invasora deve ser totalmente controlada antes da semeadura, pois, caso contrário, ela pode provocar grandes perdas na produção”, explica Dionísio Gazziero, pesquisador da Embrapa Soja. A buva é uma planta extremamente agressiva e de difícil controle. De acordo com o pesquisador, as perdas no rendimento das lavouras de soja podem chegar a 70%, dependendo do grau de infestação da área. Além disso, a planta daninha traz prejuízos com o aumento da umidade e de impurezas nos grãos colhidos. Resistência - A falta de manejo adequado das áreas de produção, com o uso continuado de herbicidas do mesmo princípio de ação, selecionou variedades de buva resistentes ao glifosato, dificultando o controle. “O herbicida não causa a resistência da planta daninha, mas permite a pressão de seleção. Quando usamos uma prática continuadamente, acabamos selecionando as plantas mais aptas para aquela condição. Foi o que aconteceu com a buva”, destaca Gazziero. O pesquisador lembra que o problema da buva pode ser resolvido com a adoção de um conjunto de ações e práticas de manejo e não apenas com a aplicação de herbicidas. “Não existe receita pronta. O manejo é a melhor forma para evitar perdas no rendimento e no aumento do custo de controle. Para combater a buva deve ser adotada uma combinação de práticas, que incluem a limpeza adequada do maquinário agrícola, rotação de

Área de produção de soja infestada com a buva: falta de manejo adequado dificulta controle da planta daninha

Controle da Buva - Manejo é a melhor forma de evitar perdas e facilitar o controle - Evitar uso continuado de herbicidas com o mesmo princípio de ação - Rotação de culturas e plantio de trigo, aveia ou culturas forrageiras na entressafra - Controle deve ser feito com as plantas ainda pequenas

- Limpeza adequada do maquinário agrícola

culturas e rotação de herbicidas, evitando o uso continuado do mesmo produto”, diz. Segundo Gazziero, o plantio de trigo, aveia ou culturas forrageiras no inverno também ajuda a minimizar o problema, já que a palha impede que o solo fique descoberto no período que antecede a implantação da cultura da soja e dificulta o estabelecimento da buva. Nos casos em que se cultiva o milho safrinha, o problema tende a se agravar e o custo com o uso de herbicidas tende a ser bem maior. Outro ponto destacado pelo pesquisador é que esta espécie deve ser controlada ainda quando pequena, com no máximo 15 cm de altura. Após essa fase, o controle é muito difícil de ser feito.


Dia de Campo | Outubro, 2009 | Ano I - Edição 1 |

Agronegócio

Soja poderá render menos em 2010. As cotações tendem a ser inferiores, já que a estimativa é de crescimento de produção nos EUA e na América do Sul. (DC)

Pensamento no futuro

Agricultura como prioridade Com a Agenda Agrícola no Século XXI, o Governo Federal visa consolidar, mundialmente e a longo prazo, o agronegócio brasileiro Flávio Augusto flavio@diadecampoonline.com.br

Responsável por um terço do nosso PIB, a agricultura brasileira, há quem diga, anda de vento em popa. Especialistas preveem que, dentro de alguns anos, o Brasil assumirá o posto de principal potência agrícola em todo o mundo. No entanto, para que este panorama favorável possa, de fato, ser concretizado, o Ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), Daniel Vargas, aponta a necessidade de que a agricultura seja pensada estrategicamente. “O desenvolvimento do Brasil depende do futuro da agricultura. Um

“O desenvolvimento do Brasil depende do futuro da agricultura. Ela deve ser tratada como prioridade” setor tão importante para a economia brasileira deve ser tratado como prioridade pelo Estado. E a maneira de fazer isso é organizar um plano que permita o desenvolvimento do setor nos próximos 20 anos”, avalia o ministro, em referência ao plano proposto pela SAE na “Agenda Agrícola no Século XXI”. Segundo Vargas, a Agenda preza

pela consolidação do Brasil no cenário internacional, por meio de ações que fortaleçam e permitam o crescimento dos produtores rurais dentro da cadeia produtiva. “É uma forma de colocar a agricultura no debate nacional, como uma questão estratégica para o desenvolvimento do Brasil e dentro de uma visão de longo prazo”, destaca o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes. “Ainda não existe na agricultura uma tradição de pensar o futuro e isso é o mais importante para garantir que ela seja tratada como prioridade”, acrescenta Vargas. Além de fortalecer o agronegócio em âmbito mundial, o plano busca, também, diminuir o contraste entre os próprios produtores brasileiros. Stephanes observa que a ascensão e capacitação dos agricultores devem passar pelo incentivo à pesquisa, enquanto o presidente da Embrapa, Pedro Arraes, ressalta a importância da extensão rural para levar até o campo os conhecimentos formulados nos laboratórios. “Como uma empresa de pesquisa, a Embrapa é concentrada e a extensão é capilar, está em todo lugar. Nós nunca seremos capilares. Então temos de estar junto a essas redes para poder levar o conhecimento através da extensão rural, extensão privada, do CNA, dos sindicatos, das cooperativas. Estamos fazendo, agora, uma grande rede, para ampliar essa capilaridade que a Embrapa não tem e necessita usar das redes que existem”, esclarece Arraes. Pedro Crusiol

Os ministros Daniel Vargas (centro) e Reinhold Stephanes (esquerda) estiveram em Londrina-PR no início de setembro, para debater a Agenda junto a lideranças do setor agropecuário

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A Agenda Agrícola no século XXI - Recuperar áreas degradadas (fins ambientais e econômicos) - Organizar o escoamento da produção (infraestrutura) - Superar a dependência da importação de fertilizantes - Criar parcerias tecnológicas com países desenvolvidos no setor de fertilizantes - Investir no desenvolvimento do setor de biocombustíveis - Incentivar a pesquisa, extensão e industrialização rural - Superar o contraste entre agronegócio e agricultura familiar - Garantir a comercialização da produção - Popularizar o direito de compra e os preços futuros - Reorganizar o mercado agrícola (uso de contratos e leis anticartéis)


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| Ano I - Edição 1 | Outubro, 2009 | Dia de Campo

Safra

Clima foi o principal vilão da safra 2008/2009 Produção brasileira de grãos foi 6,8% menor do que na safra anterior

Raio-X da Safra Paranaense Safra

Mariana Fabre

Área Plantada (mil ha)

mariana@diadecampoonline.com.br

Média da Produtividade (kg/ha)

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou em setembro o fechamento da safra 2008/09, apontando que a produção de grãos foi a segunda maior da história do país, ficando atrás apenas da safra 2007/08. O total da produção brasileira foi de 134,3 milhões de toneladas, 9,8 milhões (6,8%) inferior ao volume produzido na safra passada. A área plantada apresentou um crescimento de 0,6% em todo o país, mas as condições climáticas adversas causaram redução da produtividade nas lavouras. De acordo com o superintendente regional da Conab no Paraná, Lafaete Jacomel, a área plantada no estado au-

Clima fez com que o Paraná perdesse o posto de maior produtor brasileiro de grãos para o Mato Grosso mentou 4%, passando de 8,5 milhões de hectares para 8,8 milhões. No entanto, a produção sofreu uma redução de 17,6% em relação à safra 2007/08, caindo de 30,5 milhões de toneladas para 25,1 milhões. A estiagem ocorrida no final de 2008 e início de 2009 fez com que o Paraná perdesse o posto de maior produtor brasileiro de grãos para o Mato Grosso. A produção paranaense de milho sofreu uma quebra de 27,8%, pas-

Produção (mil t)

2007/2008

2008/2009

Variação

8.485,4

8.822,6

4%

3.596

2.849

- 20,8%

30.517,6

25.132,4

- 17,6%

Pedro Crusiol

sando de 15,3 milhões de toneladas na safra 2007/2008 para 11,1 milhões de toneladas em 2008/2009. O milho ainda teve uma redução de 6,6% na área plantada no estado. A área ocupada pela soja no Paraná aumentou 2,3%. Ainda assim, a produção da oleaginosa apresentou uma redução de 20,1%, saindo de 11,9 milhões de toneladas para 9,5 milhões. Já a área de cultivo do trigo aumentou 9,3% no Paraná. Jacomel explica que a produção de trigo esperada no estado era de 3,3 milhões de toneladas, mas o excesso de chuvas fez com que a quantidade colhida fosse de apenas 2,8 milhões. “A estiagem foi a grande responsável pelas perdas na safra de verão paranaense. As culturas de milho e soja foram muito afetadas e como essas são as maiores responsáveis pela produção do Paraná, uma quebra em suas safras é muito expressiva”, ressalta Jacomel.

A produção paranaense sofreu redução de 17,6% em relação à safra 2007/08, saindo de 30,5 milhões de toneladas para 25,1 milhões

Cafeicultura

Cooperados exportam café para a Venezuela Felipe Teixeira felipe@diadecampoonline.com.br

Até o primeiro semestre de 2009, os cafezais de pequeno porte na região Sudeste não nutriram em seus produtores as expectativas mais promissoras quanto à futura comercialização do produto. Porém, um acordo de exportação firmado com a Venezuela deve resultar em um faturamento de aproximadamente R$7,5 milhões para as cooperativas

Acordo de exportação com a Venezuela deve gerar faturamento de cerca de R$ 7,5 milhões de agricultura familiar em Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. A exportação de 1.500 toneladas de café se deu por meio do contato entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) do Brasil e o Ministério da Agricultura da Venezuela. Juntos, eles fizeram o intermédio das rodadas de negociação entre os cooperados e a em-

presa estatal Café Venezuela, que vai importar o grão. “Nós conseguimos conectar estas duas pontas, ou seja, a necessidade da Venezuela ter café no mercado interno e a nossa capacidade de produzir e exportar”, explicou o coordenador de Política Internacional do MDA, Laudemir Muller. Três cooperativas brasileiras exportarão o café à empresa venezuelana: a Coofaci (ES); a Cooxupé (MG) e a Cocapec (SP). Paulo Fernandes, presidente da Coofaci, informou que o faturamento com a exportação superou de imediato os ganhos anuais no mercado interno. “No contrato, o valor do nosso café foi cotado em dólar, por isso ficou acima dos preços praticados aqui na região. Com a nossa cooperativa foi acertada a venda de 4.800 sacas, bem mais do que comercializamos no ano de 2008”. O contato com o mercado externo trouxe novas perspectivas à produção da agricultura familiar na região Sudeste. “Foi uma surpresa, porque na realidade a gente nem sabia que havia a possibilidade de comercialização com o exterior”, contou Fernandes, surpreso com a negociação da produção capixaba. Apesar do saldo positivo, até o momento, não foram divulgados detalhes sobre uma possível continuidade do acordo para a safra de 2010/11.


Dia de Campo | Outubro, 2009 | Ano I - Edição 1 |

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Crise

Citricultura enfrenta desvalorização e queda nas exportações Preços inviabilizam contratos e as duas associações mais importantes do setor diferem quanto às causas da redução Dulce Mazer dulce@diadecampoonline.com.br

As exportações de suco de laranja seguem em queda e muitos produtores ainda não fecharam contrato com as indústrias. Apesar do acréscimo, os valores para novos contratos são similares aos oferecidos no mercado spot (sem contrato), cerca de R$ 6,00/caixa de laranja pêra entregue na indústria, segundo dados do Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luis de Queirós (CEPEA/ESALQ). Um estudo de Allen Morris, da Universidade da Flórida, mostrou que os altos preços do suco de laranja no

“Essa queda de preços não está sendo imposta pelo consumidor, não há catástrofe no mercado de suco de laranja”

Divergências - As duas mais impor-

Suco de laranja – Exportações brasileiras Dulce Mazer

varejo, que levaram à redução do volume de vendas, agora resultam em altos estoques. Estes estoques reduziram os preços de compra de laranja pela indústria, ficando abaixo dos custos de produção. Se os preços do suco no varejo não caírem, alinhados à atual oferta de laranja, o volume de vendas no varejo vai continuar baixando, os estoques vão permanecer altos e os preços de compra pela indústria vão continuar causando prejuízo. Muitos produtores não terão recursos para combater o greening (HLB), doença que se alastra rapidamente nos pomares, causando grandes perdas econômicas. Segundo outro estudo, de Margarete Boteon, pesquisadora do CEPEA, nos meses de julho e agosto os produtores de citros do estado de São Paulo receberam 37% menos pelos produtos negociados em spot. Ainda segundo o estudo, os produtores de São Paulo teriam chegado ao valor de US$ 6 por caixa da laranja, porém, com a desvalorização do Real frente ao Dólar, esse valor não seria suficiente para manter os custos de produção. Os produtores devem, então, reduzir os investimentos na safra 2009/2010.

Nos pomares paulistas: laranja madura e sem contrato de venda

Volume (em mil toneladas) Volume equivalente de suco de laranja concentrado (FCOJ)

2003

2004

2005

2006

2007

2008

8.485,4

8.485,4

8.485,4

8.485,4

8.485,4

8.485,4

3.596

3.596

3.596

3.596

3.596

3.596

- Um milhão a um 1,1 milhão de toneladas deverão somar as exportações brasileiras de suco em 2009; a receita deverá alcançar cerca de US$ 1,5 bilhão Fonte: Citrus-BR

tantes associações de citros no Brasil ressalvam que haverá mais quedas em preço e volume de produto exportado. Em julho, as quatro principais indústrias do setor no País - Cutrale, Citrovita, do Grupo Votorantim, Citrosuco e Louis Dreyfus Commodities (LDC) – se uniram para criar a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR). Para o presidente da Citrus-BR, Christian Lohbauer, a redução nos preços é resultado do excesso de oferta do produto. A tonelada do suco concentrado que chegou, há três anos, a custar dois mil dólares, hoje é vendida pela metade desse valor. “E considerando que 95% da produção de suco

de laranja são exportados, somos totalmente dependentes dos preços internacionais. Quem determina o preço do suco é o consumidor estrangeiro”, declarou Lohbauer. De acordo com Flavio Viegas, presidente da ASSOCITRUS, não se trata apenas de uma redução na demanda: “o fato é que as empresas baixaram os preços”, declarou. Exportações em baixa - A CitrusBR apresentou previsões que indicam um volume de vendas entre um milhão e um milhão e cem mil toneladas para a safra 2009/2010. Comparado com o ano passado, que teve um faturamento de cerca de um US$ 1,5 bilhão, esse volume representa queda de 25% nas

exportações. Até agosto, os embarques brasileiros somaram cerca de oitocentas mil toneladas, representando cerca de um US$ 1 bilhão. Os números incluem as exportações de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) e as vendas de suco não concentrado (NFC), que começou a se destacar em 2003. A diferença de preços e de procura é bastante grande entre esses dois produtos. Viegas aponta o valor de registro de embarque nos portos de Santos e Paranaguá como o principal causador da desvalorização dos preços pagos ao produtor: “essa queda de preços não está sendo imposta pelo mercado consumidor, não há nenhuma catástrofe no mercado de suco de laranja”.


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| Ano I - Edição 1 | Outubro, 2009 | Dia de Campo

Entrevista

Produção de sementes é fator tecnológico para a agricultura Brasil produz 2 milhões de toneladas de sementes por ano; especialistas demonstram preocupação com o uso de variedades não certificadas Pedro Crusiol

Mariana Fabre mariana@diadecampoonline.com.br

O mercado de sementes no Brasil está preocupado com a diminuição do uso de sementes certificadas. Segundo pesquisas da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (ABRATES), as sementes certificadas, que possuem alto vigor, podem ser até 30% mais produtivas do que as demais. O presidente da ABRATES, Francisco Krzyzanowski, abordou o assunto durante o XVI Congresso Brasileiro de Sementes, promovido no início de setembro, em Curitiba-PR. Dia de Campo: Qual o impacto do segmento de produção de sementes no mercado agrícola nacional? Francisco Krzyzanowski: A produção de sementes, por utilizar alto nível de tecnologia, contribui muito para o desenvolvimento da agricultura. A produção anual de 2 milhões de toneladas de sementes

no campo. Semente não é custo, é investimento, porque estou adquirindo um material genético que vai me dar retorno. O custo da semente representa 5% do custo da lavoura, então, é muito pouco para você deixar de utilizar uma tecnologia de alto nível. Eu vou agregar valor ao colocar no mercado um produto de qualidade superior.

“Semente não é custo, é investimento, porque estou adquirindo um material genético que vai me dar retorno” Divulgação

pode representar milhões de reais, mas o maior impacto é o fator tecnológico. Semente é um assunto estratégico para o Brasil. Um país que não tem semente não tem independência tecnológica. DC: Nos últimos anos houve uma redução no uso de sementes certificadas. Quais as explicações para isso? FK: A redução no uso de sementes certificadas advém de duas situações. Uma situação é a semente pirata. Esse é um problema sério que teve origem no Brasil com as variedades vindas da Argentina, conhecidas como “maradonas”. Isso ocorreu na época em que era proibido o uso

“Semente é um assunto estratégico para o Brasil. Um país que não tem semente não tem independência tecnológica” de material transgênico na cultura da soja no país. Então, o produtor, querendo utilizar essa tecnologia, comprou semente pirata de outro país e esse procedimento se espalhou no Brasil. A outra situação é a Lei de Sementes, que permite que o produtor utilize sua semente própria para formação da lavoura, o que não estimula o produtor a adquirir novas sementes. Além disso, a semente que o produtor produz para seu uso é um grão, e não uma semente. DC: Qual a importância do con-

trole de qualidade para agregar valor às sementes? FK: Um grão que germina não tem o que uma semente deve ter: pureza genética, pureza física e qualidade fisiológica e sanitária. O produtor terá uma lavoura de baixo padrão, que a qualquer estresse climático pode sucumbir. No caso da soja, por exemplo, a semente é classificada pelo tamanho e isso auxilia a operação da semeadora. A semente certificada também possui densidade maior e, com isso, um vigor melhor. Por conseguinte, ela terá um melhor desempenho

DC: Quais as principais deficiências apresentadas pelas sementes piratas? FK: É um produto de péssima qualidade, um produto que não tem origem, não tem garantia nenhuma. Ele pode pôr em risco a sua lavoura, pode levar novas enfermidades, pode ter passado por um processo de beneficiamento inadequado e levar esclerócito de mofo branco que irá infestar a área. Quem compra, muitas vezes, está iludido pelo preço, mas é um risco que não vale a pena. A semente é o início de tudo e existem muitos fatores da produção que vão depender da boa semente. Se você começa errado, com certeza vai ter um revés nesse processo.


Dia de Campo | Outubro, 2009 | Ano I - Edição 1 |

Vida Rural

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O Censo Agropecuário divulgado pelo IBGE mostrou um aumento de 74,6% no número de estabelecimentos rurais com acesso a energia elétrica no Brasil. (DC)

Resgaste histórico

Fotografias resgatam o apogeu e o declínio do café em Londrina Arquivo fotográfico inédito sobre a cafeicultura no Norte do Paraná compõe o livro Ao Sabor do Café, do baiano Armínio Kaiser Felipe Teixeira felipe@diadecampoonline.com.br

Nos idos de 1957, a terra roxa do norte do Paraná ainda era preta e branca nos registros fotográficos. A poeira suspensa no ar com a arrancada da mata mais parecia um conjunto de nuvens a pairar no eldorado cafeeiro. Anos depois, a vermelhidão dos ares deu lugar ao orvalho alvacento. As recorrentes geadas destruíram sonhos e transformaram os cafezais da prosperidade em pobreza e êxodo rural. Essas e outras imagens estão presentes no livro Ao Sabor do Café: fotografias de Armínio Kaiser. Baiano de nascimento, o engenheiro agrônomo Armínio Kaiser exerceu durante 32 anos a função de técnico do Instituto Brasileiro do Café (IBC) em Londrina. A fotografia, por influência do avô, o acompanhou da

“Me causa espanto que todo o Norte era coberto por plantações. Mesmo em solos arenosos tinha café” adolescência no nordeste à chegada no sul. No entanto, os registros que compõem o livro surgiram como uma extensão do trabalho no IBC. “Eu tinha livre acesso às fazendas de café. Então, além de fazer o controle da erosão e dar orientação técnica aos produtores, eu aproveitava para fazer as fotografias”, lembrou Kaiser. O agrônomo, e fotógrafo por acaso, definiu a publicação com despropósito. “Eu não tinha a intenção de divulgar as fotos. Elas estavam guardadas há 50 anos e só foram

reveladas a pedido de Irineu Pozzobon, que utilizou algumas delas no livro A Epopéia do Café no Paraná”. As lentes atentas de Kaiser capturaram desde o desmatamento da vegetação nativa até o declínio da atividade. Aos 84 anos, ele se recordou, com riqueza de detalhes, das dificuldades encontradas no exercício da profissão. “Me causa espanto que todo o Norte era coberto por plantações. Mesmo em solos arenosos, como o de Paranavaí, tinha café. Então, eu me esforcei muito para difundir práticas agrícolas que amenizassem os estragos causados pela erosão e pelas geadas”. O processo de seleção e digitalização do acervo foi árduo assim como o trabalho dos cafeicultores retratados. Tanto pela riqueza de conteúdo, aproximadamente 1400 negativos, quanto pela quantidade de profissionais envolvidos, apenas Daniel Choma, Edson Vieira e Tati Costa. Em 151 fotografias, o autor retrata com fidelidade o cotidiano de famílias inteiras dedicadas ao plantio, colheita e secagem do grão. Porém, Kaiser é impiedoso em relação à própria obra. Crítico convicto, o agrônomo fotógrafo explicou porque a publicação poderia ter sido mais completa. “O livro não saiu como eu desejei. Tem partes de fotografias que não mostram a maneira tradicional de se plantar café. Infelizmente, tivemos de extrair imagens para que o livro fosse publicado”. Insatisfações e perfeccionismos à parte, Ao Sabor do Café contribui como recorte histórico na manutenção da memória cultural daquela que um dia foi “a capital do café”. Serviço - “Ao Sabor do Café: fotografias de Armínio Kaiser”. Ed. Câmara Clara; Exemplares: (43) 3322-5688

À esquerda, Armínio Kaiser, baiano de nascimento, engenheiro agrônomo de profissão e fotógrafo por acaso. Suas lentes capturaram desde o desmatamento da vegetação nativa até o declínio da atividade cafeeira


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| Ano I - Edição 1 | Outubro, 2009 | Dia de Campo

Concurso

Desafio de produtividade motiva sojicultores em todo o país Concurso premiará produtores com maior média de soja colhida por hectare Felipe Teixeira felipe@diadecampoonline.com.br

Disseminar a cultura e incentivar o potencial produtivo são as motivações do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja. O concurso, criado pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), premiará os agricultores que colherem a maior média de soja por hectare na safra 2009/10. De acordo com o regulamento, produtores de qualquer região do país po-

dem se inscrever nas categorias: área irrigada e não-irrigada. O suplente do conselho fiscal da CESB, Décio Luiz Gazzoni, justificou a criação do desafio. “O Brasil pode atender à demanda internacional por soja sem adentrar áreas sensíveis e desmatar. É aí que entra a nossa contribuição: aumentar a produtividade nos atuais limites de produção”. A premiação vai ser dividida em quatro fases. Na primeira, que vai premiar 14 sojicultores com um intercâmbio de técnicas agrícolas nos

AEA-LD completa 40 anos Mariana Fabre

Estados Unidos, o critério de seleção é a produtividade. “Na segunda fase, vamos analisar a produção associada ao cumprimento das regras ambien-

Na primeira fase, que premiará 14 sojicultores, o critério de seleção é a produção tais e, em seguida, das leis trabalhistas. Enfim, o objetivo é transmitir o conceito de sustentabilidade de

um mercado que vai exigir cada vez mais dos produtores”, detalhou Gazzoni, ao relacionar as demais etapas do concurso. Para participar, os interessados devem acessar a página da CESB na Internet (www.cesbrasil.org), pagar a taxa de inscrição e informar todos os dados técnicos da propriedade. Ao final, um relatório de produtividade será apresentado com a supervisão do engenheiro agrônomo responsável e de um agrônomo do CESB. As inscrições deverão ser feitas até o dia 15 de dezembro.

Agenda

Confira os principais eventos agropecuários programados para o mês de outubro

mariana@diadecampoonline.com.br

Há 40 anos os engenheiros agrônomos de Londrina se reuniram com o objetivo de proporcionar a integração entre os profissionais e contribuir para o desenvolvimento do Paraná. Assim, no dia 28 de junho de 1969, foi fundada a Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina (AEA-LD). Ao longo de sua história, a AEA-LD participou do processo de criação do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), da Embrapa Soja e do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além disso, atuou na disseminação do Manejo Integrado de Pragas, Plantio Direto, recolhimento de embalagens de agrotóxicos e outras campanhas de interesse da agropecuária. Desenvolvimento sustentável do agronegócio, impactos das mudanças climáticas na produção agropecuária e integração das cadeias produtivas são os atuais focos das ações dos 470 associados da AEA-LD. Serviço: AEA-Londrina; Local: Rua Kozen Igue, 345; Telefone: (43) 3341-2200; Contato: aea.ld@sercomtel.com.br

Expo Rio Preto 2009 8 a 18 de outubro São José do Rio Preto - SP www.exporiopreto2009.com.br

Dia de campo de Trigo - Embrapa e IAPAR 23 de outubro Ponta Grossa – PR www.cnpso.embrapa.br

2º Expoinel Paraná 8 a 18 de outubro Maringá - PR (44) 3228-7656

31ª Exposição Nacional da Raça Mangalarga 24 de outubro a 1º de novembro Avaré – SP www.cavalomangalarga.com.br

26º Congresso Brasileiro de Agronomia 20 a 23 de outubro Gramado - RS www.cba2009.com

16º Congresso Internacional do Trigo 25 a 27 de outubro São Paulo – SP www.abitrigo.com.br

23ª FAITA - Feira Agropecuária e Industrial de Itápolis 20 a 25 de Outubro Itápolis – SP www.itapolis.sp.gov.br

21º Congresso Brasileiro de Parasitologia e II Encontro de Parasitologia do Mercosul 26 a 30 de outubro Foz do Iguaçu – PR www.cbparasito2009.com.br

Dia de campo de Trigo - Cooperativa Agrária 21 e 22 de outubro Guarapuava – PR www.cnpso.embrapa.br

Feileite - Feira Internacional da Cadeia Produtiva do Leite 27 a 31 de outubro São Paulo – SP www.feileite.com.br

32º Festa Nacional do Café 21 a 25 de outubro Espírito Santo do Pinhal – SP www.festanacionaldocafe.com.br IV ExpoPitanga 22 a 25 de outubro Pitanga - PR (42) 3646-1046 www.emater.pr.gov.br

Simpósio Internacional sobre Qualidade e Conservação de Forragens 28 a 30 de outubro São Paulo – SP www.fealq.org.br 30ª Expovel 6 a 15 de novembro Cascavel - PR www.expovel.com.br


Jornal Dia de Campo – nº 01