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2 OPINIÃO

03/02/2011

Reflexões de cidadania HÉLIO BERNARDO LOPES

UMA NATURALÍSSIMA PETIÇÃO

F

oi com grande satisfação que tomei conhecimento de que perto de vinte mil nossos concidadãos terão já subscrito a petição destinada a que o jovem Renato Seabra, no caso de vir a ser condenado por um tribunal norte-americano, possa vir a cumprir a sua pena em Portugal. De resto, eu mesmo a subscrevi, e por razões as mais diversas. Desde logo, porque o que se passou, embora tendo tido lugar nos Estados Unidos, envolveu dois concidadãos nossos, que só ali se encontravam por um mero acaso. De resto, isso mesmo havia já tido lugar noutros países europeus.

Depois, porque a situação que o jovem Renato Seabra poderá vir a ter de viver nos Estados Unidos estará sempre completamente fora do seu natural ambiente cultural e comunitário. Basta que recordemos as palavras de Pedro Caldeira, quando nos narrou as vicissitudes a que assistiu quando esteve uns dias numa prisão de uma cidade – Atlanta? – daquele país. Para além destas realidades, a estadia prisional de Renato Seabra nos Estados Unidos, com elevada probabilidade, deixálo-á numa situação de um tremendo isolamento, o que se materializará, obviamente, num acréscimo do sacrifício que terá,

porventura, de vir a passar. Um tal sacrifício, se não houver cuidado – em geral, não há –, e depois da tragédia que já teve lugar, bem poderá conduzir a novas perdas de controlo emocional, certamente muito mais desenquadradas do que se estivesse em Portugal. Por fim, não creio que existam obstáculos insuperáveis ao objetivo ora almejado com a petição em curso. Não se tratando de uma extradição que envolva um suporte conflitual, tudo está dependente da boa vontade política, seja dos nossos governantes, seja dos norte-americanos. E mesmo ao nível dos tribunais dos Estados Unidos não creio

que os juízes que venham a tratar o caso sejam insensíveis às objetivas realidades antes referidas. Já num outro plano, o que possa ter-se passado continua envolto numa razoável bruma de mistério, sempre sujeita a todas as especulações que nos são muito típicas, sendo embora certo que o que se passou está ainda hoje muito mal explicado. Torna-se evidente que todo o comportamento publicamente divulgado de Renato Seabra nos indicia a ultrapassagem de um limite de autocontenção já claramente insuportável. E terá sido essa ultrapassagem, de parceria com alguma impreparação para aspetos mais inespera-

dos – mesmo assustadores – da vida, que o poderão ter feito perder o controlo e a consciência do ambiente que se criou e para que acabou por deslizar. Percebe-se já bem, por via do seu telefonema a sua mãe, que Renato Seabra se apercebera dos limites que começavam a impor-se à sua movimentação livre. Até por ter tido a necessidade de sair ao exterior do hotel, a fim de conseguir falar para Portugal sem se ver tolhido na sua liberdade de expressão. Objetivamente, Renato Seabra queria, a todo o custo, sair daquele lugar. Por tudo isto, uma compreensão cabal do que possa ter tido lugar, bem

como a correspondente valoração a níveis diversos, só poderá ter êxito se o tratamento judiciário deste caso vier a ser feito, seja no tempo que for, no nosso País. É a evidência das coisas que tal nos indica. Espero, muito sinceramente, que as nossas autoridades se mostrem interessadas e humanas perante a situação difícil de um jovem que se encontra num ambiente que não conhece minimamente.

mento para desencadear eleições. Elas até podem demorar mas sem elas nada de estrutural se resolverá. Alguns dirão que é mau para o país desencadear uma crise política. Esquecem é que em crise política vivemos nós desde que o país consumou o crime político de aceitar ser dirigido por um governo minoritário, ainda por cima desacreditado. Governar é sempre difícil. Governar em minoria é uma tarefa praticamente impossível. Até resolver-

mos este impasse, o país pagará uma factura pesada. É sempre assim – os portugueses pagam os erros políticos. No entretanto, o país fica adiado. A pergunta é pois legítima: até quando durará esta previsivelmente longa campanha eleitoral?

Este texto foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico

Campanha eleitoral

T

erminaram as eleições presidenciais. Começou a précampanha eleitoral para as eleições legislativas antecipadas. É certo que nenhum responsável o assume, mas todos pensam no mesmo. Mais ainda, já estão a preparar as futuras eleições gerais. O CDS foi o primeiro a dar o pontapé de partida. O pretexto foi a convocação do seu congresso. O sinal foi a proposta de uma coligação pré-eleitoral com o PSD visando gerar uma alternativa política.

O PSD, por sua vez, avançará em breve com os seus “estados gerais”. O objectivo é fazer um programa de governo e preparar as novas elites capazes de o sustentarem e protagonizarem. Entretanto, vai enunciando a sua intenção de criar um governo mais pequeno, testando mesmo alguns nomes para o integrarem. O primeiro-ministro, por seu lado, começou a sinalizar o seu discurso eleitoral. Foi no debate parlamentar da semana passada. Segundo ele, a

economia cresce, o défice baixa, as exportações aumentam e a execução dos fundos comunitários vai de vento em popa. Um verdadeiro milagre. O desemprego a crescer, o investimento a baixar, o país a entrar em recessão e os juros da dívida a subirem são para o primeiro-ministro detalhes sem importância. O que conta é o ilusionismo político. Goste-se ou não se goste, a realidade é esta – vivemos num impasse político e só novas eleições, gerando um gover-

no maioritário e reformador, o podem ultrapassar. Até lá, nenhuma reforma estrutural se fará. Todos falarão de estabilidade mas esta verdadeiramente só se alcançará com uma nova legitimidade política. É esta a sina de um país dirigido por um governo de minoria. Faz que avança mas não avança, finge que governa mas não governa, simula a estabilidade mas realmente vive em instabilidade. Todos, no poder ou na oposição, esperam o melhor mo-

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LUÍS MARQUES MENDES, EX-LÍDER DO PSD – CM DE 31-012011

JT 1033  

Jornal de Tondela

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