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03/02/2011

Sudoku

Momentos de Poesia MARIA DA CONCEIÇÃO

SOLUÇÃO DO NÚMERO ANTERIOR.

As eleições jamais deixam saudade Por tanto maldizer, por tanta asneira, Insólito viria da Madeira, Dando, na vista, pela raridade… Quantos pensaram: oh! que veleidade Deste Coelho crer, achar maneira De fazer, com política, carreira, Mas sua votação foi novidade!... Um Povo sem presente e sem futuro, À sua frente, apenas, vê escuro, Parece, até, não ter lugar no Mundo… O carro funerário vai dar jeito Para acolher um Portugal desfeito Pois, nesta hora, já ‘stá moribundo…

De Tudo um Pouco MVC

LIVROS

Palavras cruzadas MANUEL DA COSTA

«Comecei por perguntar a mim próprio se a experiência dos textos mais notáveis da primeira infância não é um requisito prévio para que se tenha uma preocupação através de toda a vida em relação a ela e também por literatura menor mas igualmente importante. O anseio da alma, a sua tolerável irritação sob os constrangimentos do condicional e do limitado, pode muito bem exigir encorajamento nos princípios. Em todo o caso, seja qual for a causa, os nossos estudantes perderam a prática da leitura e o gosto por ela. Não aprenderam a ler, nem têm a expectativa do deleite ou aperfeiçoamento proveniente da leitura. (…) ALLAN BLOOM – A CULTURA INCULTA

O “NOVO” VOCABULÁRIO Horizontais: 1-Privações. 2-Mordisca. Cabaz. 3Ama (em francês) Reduza a pó. Mulher ruim. 4-Facção, partido (pl.). 5-Unir-se. Anda misturado com o trigo. 6-Vazia. Érbio s.q. 7-Rio africano que sai do lago Vitória. Cozera no forno. 8-Atrás. 9-Afoitas. 10-Sigla da televisão italiana. Hospedara, recolhera. 11-Ponho asas. Cidade espanhol onde existe uma Catedral romana do século XII. Verticais: 1-Lavra. Relatara. 2-Mamífero quadrúpede. Incitas, açulas. 3-Afirmação. Remuneração mensal. 4Osso sem uma das consoante. 5-Existes. Letra do alfabeto grego. Repousa. 6-Não. Fila. 7-Apetite sexual dos animais. Presente, dádiva. 8-Preces. Procedo. 9Duas vogais. Antiga moeda italiana. Cura sem final. 10Parte do corpo desde o pulso à extremidade dos dedos. Deus do Sol no antigo Egipto. 11-Com ela se tira e coloca o pão no forno (pl.). Nome de homem. Aqui.

Solução do n.º 1032 Horizontais: Jerusalém, c, americano, a, u, u, cavalos, a, art, corda, sarar, al, ar, medo, siar, brasas, avo, danado, cela, o, dealbar, r, sueira, lama.

Ponto Final

SURPRESA…

Prontus : Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um ‘prontus’! Fica sempre bem. Númaro : Também com a vertente ‘númbaro’. Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro! Alevantar: O acto de levantar com convicção, com o ar de ‘a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!’. Amandar: O acto de atirar com força: ‘O guarda-redes amandou a bola para bem longe’. Capom: Tampa de motor de carros que quando se fecha faz POM! Disvorciada : Mulher que se diz por aí que se vai divorciar. É assim...: Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não quer dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer frase. Muito utilizado por jornalistas e intelectuais. Entropeçar: Tropeçar duas vezes seguidas. Falastes, dissestes...: Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, TU FALASTES... Há-des: Verbo ‘haver’ na 2ª pessoa do singular: ‘Eu hei-de cá vir um dia; tu há-des cá vir um dia...’ Inclusiver: Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira. Também existe a variante ‘Inclusivel’. Parteleira: Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola. Perssunal: O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. Ex.: ‘Sou perssunal de futebol’. Dica: deve ser articulada de forma rápida. Prutugal : País ao lado da Espanha. Não é a Francia. Quaise: Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais... Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu. Stander: Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o ‘stander’ de automóveis. O ‘stander’ é um dos grandes clássicos do ‘português da cromagem’... Tipo: Juntamente com o ‘É assim’, faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver? Treuze : Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze. E tenham atenção que eles andem por aí... a mandar émeles...

Pensamento da Semana

Aquilo que se começa está metade feito. HORÁCIO, ESCRITOR ITALIANO, 65-8 A.C)

MANUEL VENTURA DA COSTA

Fábula do coelho

A

fábula é uma narrativa em que os animais vestem a pele dos humanos e que permite abordar os mais diversos assuntos terminando sempre por nos dar uma lição de sabedoria. O seu “inventor” parece ter sido Esopo, um escravo que viveu na antiga Grécia, no século VI a.C., e que nas suas histórias usava os animais como protagonistas. A ironia, a sátira e a emoção são os principais ingredientes e permitem, dessa maneira, abordar qualquer assunto sem ofender ninguém. Assim, e a propósito dos 4,5% dos votos de um dos candidatos às últimas eleições presidenciais, Coelho, de seu nome, lembrei-me de transcrever uma antiga fábula que muitos devem conhecer: «Num dia lindo de sol, um coelho saiu da sua toca e pôs-se a trabalhar muito concentrado. Pouco depois passou por ali uma raposa. Ao ver aquele suculento “petisco” tão distraído, a saliva encheulhe a boca. Intrigada e curiosa perguntou: “O que estás a fazer aí, tão concentrado?” “Estou a escrever a minha tese de doutoramento” – disse o coelho, sem tirar os olhos do trabalho. – “E qual é o tema da tua tese?” – perguntou ela. “É uma teoria que prova que os coelhos são os verdadeiros predadores naturais das raposas...” A raposa ficou indignada: “O quê?!... Isso é ridículo! Nós é que somos os predadores dos coelhos!” “Enganas-te. Vem comigo à minha toca que eu mostro-te a prova...” E entram na toca. Instantes depois ouvemse alguns ruídos indecifráveis, alguns grunhidos e depois o silêncio. E o coelho sai sozinho e continua o seu trabalho de preparação da tese. Meia hora depois passa um lobo que ao ver o coelho, vê garantido o seu jantar. No entanto, acha o facto curioso e resolve saber do que se trata antes de o devorar: “ Olá, jovem

coelhinho! O que te faz trabalhar tão arduamente?” “Estou a preparar a minha tese de doutoramento.”responde o interpelado. “E qual é o tema da tua tese?” “É uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos...” O lobo desatou a rir com a petulância do coelho e ripostou: “Mas....apetitoso coelhinho, isso é um despropósito. Nós, os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos... “ Desculpe, mas, se quiser, eu posso apresentar provas do contrário. Quer acompanhar-me à minha toca?...” O lobo não consegue acreditar na sua boa sorte e segue-o. Alguns instantes depois ouvem-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e... silêncio!... Mais uma vez o coelho volta a sair, sozinho, e volta ao trabalho como se nada tivesse acontecido. E nós, também curiosos, fomos espreitar... Dentro da toca do coelho, havia uma enorme pilha de ossos ensanguentados e peles de raposas e de lobos. E ao lado, deitado, um enorme e gordo leão, satisfeito, palitava os dentes!... » Moral da história: Não importa o absurdo da tese; pouco importa que ela não tenha o mínimo fundamento científico, moral ou prático; não importa que o protagonista seja alto, baixo, burro ou inteligente. Nada disso importa. O que importa é a lição de moral que ela encerra…

JT 1033  

Jornal de Tondela

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