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Gourmet sem mistério Ana Carolina Azevedo

Entenda como a expressão banalizada pelo uso contribuiu para valorizar toda a rede alimentícia

Direto da Horta. Gourmet também pode ser uma seleção de ingredientes frescos e orgânicos entregue na comodidade da sua casa para que você prepare em 20 minutos uma refeição para dois com cinco pratos: couver, entrada, carne, guarnição e sobremesa.

Exclusivo. Gourmetização é quando alguém tem a ideia genial de expressar a cultura italiana num prato como este: codegin assado com polenta branca e espinafre crocante. Infelizmente você não encontrará isso em restaurante algum. Foi um preparo exclusivo da chef Márcia Dalla Chiesa em parceria com a Aida para o Jornal Design!

O cachorro quente não é o mais o mesmo, ainda que saia diretamente de uma carrocinha – que também não é mais carrocinha, mas food truck. O hambúrguer não tem mais a mesma displicência. Picolé virou artigo de luxo e a velha e boa pipoca há muito deixou de ser somente milho estourado. A onda pode até ser passageira, mas deixará uma herança valiosa para os apreciadores da arte de comer: a diversificação e qualificação de toda rede alimentícia. Hoje em dia, tanto o gourmet quanto a expressão anteriormente utilizada – o premium – na maioria das vezes apenas traduzem estratégias de comunicação destinadas a transformar produtos corriqueiros em especiais. Esse termo gasto pelo uso, entretanto, é muito mais amplo e simboliza a comida elevada a seu melhor nível e apresentada como protagonista. Para a editora do portal Destemperados, Tatiane Tavares, o fenômeno começou quando os restauran-

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tes passaram a se apropriar do termo gourmet para comunicar um produto bem feito e com ingredientes de qualidade. O resultado disso foi uma generalização desmedida e, segundo ela, desnecessária – já que toda comida entregue ao cliente deveria ser de boa qualidade. “Não precisa ser gourmet para ser bom”, ressalta. A chef Márcia Dalla Chiesa concorda que o termo vem sendo usado exaustivamente. Ela aposta que, a exemplo de outras tendências, essa logo deixará lugar a uma próxima, deixando como legado a valorização das pessoas que trabalham na área, a importância de uma boa alimentação, a preocupação com a diversificação e qualificação de toda rede alimentícia, desde o produtor até o resultado final: a nossa mesa. “O principal é a simplicidade e a autenticidade do sabor. Trabalhando-se com produtos de qualidade e de boa procedência se consegue um ótimo resultado”, explica Márcia.

Gourmet acessível. O hambúrguer mais caro de que se tem notícia no Brasil é vendido por R$ 225 em São Paulo e leva carne de vacas do Japão, sal azul da Pérsia, foie gras fresco e Gruyère. Por muito menos que isso e logo ali, no interior de Farroupilha, você também pode ter uma experiência gourmet com um hambúrguer de 200 gramas de picanha, pão de brioche e queijo Gouda por R$ 20.

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Jornal Design | Edição 46  
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