Jornal de Azeitão - Fevereiro 2021

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[ F. CORREIA

Jornal de Azeitão

“Se eu acredito em Deus? Mas que valor poderia ter minha resposta, afirmativa ou não? O que importa é saber se Deus acredita em mim.” Mário Quintana Est

Grate mês é uito

DIRETOR: BERNARDO COSTA RAMOS

PERIODICIDADE: MENSAL

ANO 25

N.º 293

FEVEREIRO DE 2021

x

PREÇO: 0,60 €

[ DR

Misericórdia de Azeitão PÁG. 08/09

400 anos a cuidar Da fundação à atualidade

[ BCR

COVID-19

Multiplicam-se as ações de prevenção e de ajuda

Grupo Sócio Caritativo de Azeitão A ajudar o próximo

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SMILE

Centro de Apoio ao Sem Abrigo (Azeitão) “Quase diariamente chegam pedidos de ajuda”

[ CMS

Artista pinta novo mural em Vila Nogueira de Azeitão PÁG. 09

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Jornal de Azeitão

fevereiro de 2021

Editorial

Como pode a inovação contribuir para o futuro da educação? POR BERNARDO COSTA RAMOS – DIRETOR DO JA

Pela forma como está formulada, a questão leva-nos sempre a ter de definir o que é a Inovação, que inovações influenciam a Educação e quais podem ser úteis para alavancar novas mudanças. Inovar significa a necessidade de criarmos caminhos ou estratégias diferentes, aos habituais meios, para atingir um determinado objetivo. Inovar é inventar, sejam ideias, processos ou ferramentas. Se nos cingíssemos apenas a esta definição chegaríamos facilmente a uma conclusão: na Educação estamos constantemente a inovar. Mas o que é a Educação? De uma forma holística, podemos definir educação como “o meio fundamental para que os hábitos, costumes, comportamentos e valores de uma sociedade sejam transferidos de geração em geração, de

acordo com a evolução da coletividade como um todo. No geral, a educação como um todo engloba a aplicação de métodos de ensino que tem como objetivo assegurar a formação e o desenvolvimento pessoal e profissional de determinada pessoa.” Sendo assim, percebemos que a Educação está constantemente a receber aspetos inovadores nas escolas e, de forma mais morosa, no poder central, na sua estrutura educativa e didática, na questão das políticas gerais, etc. Percebemos também que a Educação não é uma massa uniforme e compacta que se molda toda ao mesmo tempo, ou que seja atingida na sua totalidade e de uma só vez. Relativamente ao Futuro, costumo referir que o futuro só existe na Gramática. Mas, se encararmos o futuro como um espaço de previsão imaginado com os olhos e pensamento de hoje, então podemos refe-

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rir, tal como o fez o professor António da Nóvoa que: “Pensar o futuro é um exercício arriscado e, muitas vezes, fútil. Precisamos de vistas largas, de um pensamento que não se feche nem nas fronteiras do imediato, nem na ilusão de um futuro mais-que-perfeito”. Não podemos

é confundir o Futuro com a tecnologia. A tecnologia sempre esteve presente, fosse esta o transitar da pena para a caneta, ou do caderno para o ecrã. Esta é uma ferramenta, apenas isso, que, como qualquer outra, nos ajuda e pode mudar algo, conforme o uso que lhe dermos. A Escola, que ensina e aprende, sempre foi uma entidade que, de boa vontade ou à força, normaliza os que nela entram. Mas a questão é que normalizar tem um efeito provocador, ou seja, à tentativa de normalizar dá-se o contrapondo de se ir contra ela. E isto exige pensamento crítico e é neste balanço delicado entre ambos que a escola se faz, sempre se fez e sempre se fará, pois, esta é a sua essência intrínseca. E referir, sem dados científicos, que o ensino a distância, ensino online, ou o que de facto existe atualmente, o ensino remoto de emergência, é mau, que não se consegue ensinar/aprender nada, que é um

remedeio ocupacional, é uma completa falácia. É precisamente igual a referir que na escola “normal”, em ensino presencial, não se aprende nada ou se aprende tudo, de que nas escolas privadas é que se aprende melhor… Quem o refere fá-lo-á na ligeireza do discurso populista, de uma opinião fácil, mas com o perigo de se espalhar pela sociedade como um facto científico. Como já vimos, muitos desses factos vieram a provar-se falsos ou apenas boatos. É no equilíbrio do pensamento, bem como das ferramentas que utilizamos, que o ensino, a pedagogia se deve concretizar na comunidade escolar. Sem esquecer de que tudo, incluindo o nosso cérebro, se adapta àquilo que o rodeia. Devemos confiar nos nossos alunos, pois quase todo o discurso os trata como seres sem qualquer poder de decisão e autonomia. Estamos num momento de mudança, com enormes possibilidades, que temos que abraçar.

Saliente-se que os programas de apoio aos artistas locais, lançados online de março a maio de 2020, nomeadamente “Em Casa com Arte”, “Casa da Cultura Dentro de Portas” e “Tomei a Liberdade”, tiveram um orçamento total de 18 mil euros. De referir ainda a ajuda social realizada no âmbito da linha de apoio a bens essenciais, com mais de 2 mil e 700 pessoas abrangidas, a qual gerou a distribuição de cerca de 500 cabazes e um apoio financeiro de 50 mil euros. Para 2021 já está em execução um conjunto de projetos de apoio e financiamento por parte do município no âmbito da cultura, no sentido de complementar o apoio direto aos agentes culturais locais e à produção cultural. São exemplos disto os programas “Setúbal Cultura Sem Barreiras”, com 60 mil euros para pagamento direto a artistas e agentes culturais, e “Mural 18 – Programação Cultural em Rede”, com 69 mil e 500 euros a serem pagos diretamente pelo muni-

cípio aos artistas e agentes culturais. Saliente-se ainda em 2021 a manutenção e o reforço dos valores protocolados com as associações e coletividades e o início de “Bolsas Artísticas”, um projeto com um valor global de 45 mil euros de investimento. O município continuará a isentar de taxas de utilização os equipamentos culturais e desportivos todo o movimento associativo, o que representa um montante anual de aproximadamente 370 mil euros. A autarquia prosseguirá o estabelecimento de protocolos na área desportiva e cultural com todo o movimento associativo, com valores superiores aos 500 mil euros anuais de apoio. Destaque ainda para o facto de a Câmara Municipal ter cedidas aproximadamente 89 sedes sociais ou gestão de instalações municipais ao movimento associativo, cobrindo os custos na sua quase totalidade, com água e energia, em valores que ultrapassam largamente os 150 mil euros anuais.

Movimento Associativo

Apoios extraordinários A Câmara Municipal de Setúbal deu destaque ao apoio que tem dado à cultura e agentes do concelho. Em comunicado às redações elencou uma série de medidas e montantes neste âmbito. Salientou que tem vindo a reforçar os apoios financeiros às organizações e agentes, que se traduz num aumento dos valores definidos e num acréscimo dos montantes entregues antes da pandemia. O município aumentou em 2020 o montante de apoios diretos e indiretos num ano em que a atividade do movimento associativo diminuiu drasticamente, com mais de 70 por cento dos eventos, projetos e ações cancelados. Em 2019, os apoios financeiros diretos ao movimento associativo, aprovados em reunião pública de câmara, foram de 806 mil e 25,49 euros. Em 2020, esse apoio foi de 1 milhão, 89 mil e 296,27 euros, ou seja, mais 283 mil e 270,78 euros.

Este valor representa um crescimento de cerca de 26 por cento em relação ao ano anterior, traduzindo-se num verdadeiro apoio extraordinário ao movimento associativo do concelho. Saliente-se que os apoios financeiros diretos ao movimento associativo cultural passaram de 304 mil euros em 2019 para 430 mil euros em 2020, um crescimento de 41 por cento, num ano em que a atividade diminuiu drasticamente. Também as coletividades selecionadas para o Concurso das Marchas Populares de Setúbal 2020 receberam um apoio global de 26 mil e 400 euros. O apoio financeiro direto ao Movimento Associativo Desportivo através da Matriz de Apoio, passou de 115 mil euros em 2019, para 122 mil euros em 2020, um crescimento de 7 por cento, apesar de a maioria dos clubes desportivos ter parado quase por completo a sua atividade durante diversos meses.

Importa também, numa fase em que se realiza um balanço do apoio ao movimento associativo, relembrar os números do apoio global do município não só às associações, clubes e coletividades, mas também aos agentes culturais e desportivos individualmente, tão afetados por esta crise e tão ignorados e negligenciados no apoio por parte do Governo. Os apoios globais do município ao movimento associativo e aos agentes culturais e desportivos totalizaram 2 milhões e 507 mil euros, em 2020. Daquele montante, 1 milhão e 89 mil euros foram para o apoio financeiro direto do movimento associativo, sendo ainda de destacar outras áreas. Na aquisição de serviços para programação cultural, desportiva, social e de juventude, foi entregue um montante de 630 mil euros, que incluiu a contratação de artistas e outros agentes culturais para programação nos diversos espaços e instalações culturais e desportivas.

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Memórias

“Noite de estrelas” POR ALICE SOUSA

No Portinho da Arrábida, há muitos anos, o mar oferecia, ou trazia aos nossos olhos, imagens fantásticas, com seres que raramente são avistados, mas que têm uma beleza infinita, aos olhos de quem os vê. O meu querido tio Luís contava-nos histórias de pescador, e experiências vividas, por ele e pelo avô Manelzinho, nas frescas e límpidas águas, do mar e do Portinho. Numa dessas histórias, o tio e o avô, contaram a todos que, numa das idas ao mar, para levantar as redes da pesca, que tinham largado para os lados da barra, encontraram agarrada à rede, uma lula gigante, já morta. Fizeram tudo para a rebocar e trazer até à costa, mas, todos os esforços foram em vão. Ela era enorme e após muitas tentativas de a rebocar, apenas conseguiram cortar e trazer até terra, para mostrarem a todos, um pedaço de um tentáculo, tal era o tamanho dela. Vi lulas assim, no museu Vasco da Gama, nas visitas de estudo que fazia pela escola. Adorava ter visto, ao vivo e a cores, no mar da Arrábida. Tal privilégio, só era dado aos homens do mar, que muitas histórias e memórias devem ter, como os meus queridos tio Luís e avô Manelzinho. Polvos, eu vi alguns,

bastante grandes e alguns pescados pelos mergulhadores de pesca submarina, como o Parafuso. Quem ia para o mar, nunca sabia o que ia encontrar e de vez em quando, aparecia um ser marinho diferente, do que estávamos habituados a ver por ali, pelo Portinho. Mais longe, pescavam-se tintureiras, espadartes e outros peixes de grandes dimensões. Vi alguns pendurados, perto do Beira Mar e ficava admirada com a beleza destes seres esguios e perfeitos. Numa outra ocasião, o tio Luís contou que viu um tubarão baleia, que se tinha cruzado com ele no barco. Aprendi, que estes seres se alimentam de plâncton e que não fazem mal a ninguém. São seres de uma graciosidade imensa e não consigo imaginar, o quão fascinante deve ter sido aquela visão, no meio do mar da Arrábida. Já na minha juventude e sem o avô Manelzinho ou o tio Luís, tive oportunidade de apreciar algumas criaturas do mar, que raras vezes voltei a encontrar naquelas águas. E não era só durante o dia que o mar era fascinante. À noite, a vida marinha, torna-se ainda mais bela e diferente. Numa noite quente, depois do jantar, estava eu com a minha prima e uma amiga minha, prontas para ir dar uma volta pelo Portinho. Já tínhamos jantado, arrumado a cozinha e tomado banho. Então,

fomos aperaltar-nos para sair um pouco. Vestimos umas túnicas até aos pés e calçámos umas sandálias. Perfumámo-nos e lá fomos as três, estrada abaixo, jovens e belas, a conversar alegremente. A noite estava mesmo quente e o mar estava calmo. Não havia vento no Portinho e estava um luar perfeito. A luz da lua, lá no alto da serra, reflectia-se na água, deixando um rasto que se estendia pelo mar fora. Como estávamos com roupas compridas, não fomos para a praia e ficámos sentadas no muro da Guarda Fiscal. Os guardas já tinham saído para a ronda, por isso estávamos as três, pensávamos nós, sozinhas, falando abertamente e rindo. O tecido das nossas túnicas era um bocado grosso e começou a fazer-nos aquecer. Como o calor era muito, pensámos em ir a casa vestir os fatos de banho para ir nadar, pois o mar sereno e brilhante, convidava para um delicioso mergulho nocturno, como fazíamos tantas vezes no Verão. Olhámos umas para as outras e, ainda pensámos em ir de cuecas e sutiã, mas resolvemos ir vestidas com as roupas até aos pés, para não termos de subir a estrada outra vez. Descalças, descemos as escadas do avô Manelzinho. A água batia nos degraus e parecia quente naquela noite. A primeira a entrar, foi a minha prima, depois fui eu e

a última foi a minha amiga. Entrámos devagar, porque estávamos ainda a fazer a digestão, embora tivéssemos comido pouco. Os nossos pés procuravam os espaços com areia, para não os magoarmos nas pedras. E então, eu olhei para trás, para os nossos vestidos compridos, que flutuavam na água e deixavam um rasto de luz, que desaparecia rapidamente. Chamei as duas, que se viraram também e viram aquele espectáculo da natureza, à nossa passagem. A cada passo que dávamos, ou apenas agitando um pouco a água com as mãos, a água ficava cheia de pequeninas luzes, que mais pareciam estrelinhas minúsculas, que brilhavam e logo desapareciam. Estivemos ali, ainda um bom bocado a apreciar o momento, em que a natureza nos presenteava com a dança do plâncton à nossa volta. Era uma visão maravilhosa, que não acabava e que permaneceu, enquanto ali estivemos a banhar-nos as três. Estávamos deliciadas e falávamos baixo, pensando que não queríamos perturbar a natureza ao

nosso redor, e nem demos conta de que os guardas se aproximavam do muro. Apontaram-nos as lanternas e perguntaram quem estava ali, ao que eu respondi: - Sou eu, a neta do Manelzinho, a minha prima e a minha amiga. Façam o favor de nos deixar em paz. Eles queriam conversa e riram, mas acabaram por ir embora, para os seus afazeres e não nos incomodaram mais. Nós as três, ainda dentro de água, todas vestidas, ficámos por ali, durante bastante tempo, apreciando a noite cheia de estrelas dentro, e fora da água, numa infinidade de luzinhas que iluminaram a noite, tanto no céu como no mar, e que nos deixou estas memórias maravilhosas e límpidas, como as águas do Portinho e, aquela noite serena no mar, deixou na nossa memória, um sabor especial, onde uma experiência rara, com a natureza no seu meio ambiente, trouxe uma magia, em que eu sempre acreditei existir, no meu maravilhoso pequeno mundo, o meu amado, único e mágico, Portinho da Arrábida.

Covid-19

Escrever direito por linhas tortas

Isenção de taxas – comércio

Caminhos públicos ou servidões de passagem

A presidente da Câmara Municipal de Setúbal mandou publicar um despacho que isenta o comércio do pagamento de taxas de atividade durante o primeiro semestre do ano, como forma de minorar os prejuízos do setor. A decisão resulta da expectável perda de receitas decorrentes das novas medidas restritivas decretadas pelo Governo no âmbito do mais recente Estado de Emergência, as quais são justificadas pelo agravamento severo da evolução da pandemia de Covid-19. Neste sentido, o despacho da presidente da autarquia, Maria das Dores Meira, isenta, durante o primeiro semestre do ano, o pagamento de taxas relativas a ocupação de via pública por esplanadas e quiosques, bem como o pagamento

de contrapartidas da atribuição de concessões pelo município. “Com a adoção destas medidas, o município procura dar um contributo e estímulo de apoio aos comerciantes locais, em particular aos do setor da restauração, fortemente penalizados com as medidas decretadas pelo Governo, em especial as que dizem respeito à proibição de circulação na via pública”, assinala a autarca. O documento frisa, igualmente, que “a excecionalidade da situação volta a justificar e a impor a adoção de medidas que contribuam para reduzir o forte impacte económico causado pelo Estado de Emergência” declarado a 13 de janeiro pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e regulado pelo Governo no dia seguinte.

POR CARLA MORAIS E SILVA, ADVOGADA

Nos nossos passeios, higiénicos nesta altura da pandemia, por vezes, deparamo-nos com caminhos relativamente aos quais nos questionamos se serão propriedade de alguém ou se lhe prestam serventia ou se serão simplesmente públicos. Os caminhos públicos são os que, desde tempos imemoriais estão no uso directo e imediato do público, com utilidade pública, caracterizada pelo destino de satisfação de interesses colectivos relevantes. Muitos dos caminhos não se encontram expressamente classificados por lei como pertencentes ao domínio público, pelo que importa averiguar em cada caso se o mesmo está afectado à utilidade pública. Os nossos tribunais superiores, na ausência de classificação legal, e chamados a decidir sobre estas questões, têm vindo a considerar

que quando a dominialidade de certas coisas não está definida na lei, como sucede com as estradas municipais e os caminhos, essas coisas serão públicas se estiverem afectadas de forma directa e imediata ao fim de utilidade pública que lhes está inerente. É suficiente, para que uma coisa seja pública, o seu uso directo e imediato pelo público, não sendo necessária a sua apropriação, produção, administração ou jurisdição por pessoa colectiva de direito público. Assim, um caminho é público desde que seja utilizado livremente por todas as pessoas, sendo irrelevante a qualidade da pessoa que o construiu e prove a sua manutenção. Por seu lado a Servidão predial, definida no artigo 1543º do código civil, é o encargo imposto num prédio (terreno, casa) em proveito exclusivo de outro prédio (terreno,

casa) pertencente a dono diferente; diz-se serviente o prédio sujeito à servidão e dominante o que dela beneficia. As servidões prediais podem ser constituídas por contrato, testamento, usucapião ou destinação do pai de família. Assim, será público o caminho que estiver afectado à utilidade pública (ou seja, visar a satisfação de interesses colectivos de certo grau ou relevância) e será uma servidão de direito privado aquele caminho que servindo dois terrenos lhes dá serventia. (Se desejar sugerir algum tema para ser desenvolvido aqui, envie um mail para: ………… Nota: Este texto não deve ser confundido com qualquer aconselhamento com valor legal e é da exclusiva responsabilidade do seu autor.)


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SMILE

Mural do artista Smile invade de cor a entrada de Vila Nogueira [ FOTOS: DR

O seu nome é Ivo Santos, mas é pelo seu nome artístico que é mais conhecido: Smile. O nome veio das suas memórias de adolescente, um boneco em graffiti que viu numa edição da revista Super Pop. As suas obras já se espalham por vários países da Europa e do resto do mundo e tem trabalhos expostos em Espanha, França, Alemanha, Brasil, entre outros. Começou a desenhar muito cedo, seguiu a área de Artes no ensino Secundário, mas começou a ficar conhecido pelas obras de arte urbana nos túneis da estrada da Arrábida e, mais recentemente, pelo grande mural na entrada da cidade de Setúbal. Pelo percurso que ia fazendo, Arrábida/E.N 10, não poderia ir dar a outro sítio que não Azeitão e ele aí está. O mural dá para a estrada nacional 10, na entrada de Vila Nogueira, e inspira-se na fauna que nos rodeia. Por lá já podemos ver um Bico Grossudo, uma Gineta, um Rabirruivo Preto, mas ainda não está finalizado. O que importa é que as cores já alegram quem por ali passa dando uma nova vida àquele espaço.

Freguesia de Azeitão

Conselho Municipal de Educação

Resultados das eleições presidenciais 2020

O Conselho Municipal de Educação de Setúbal analisou a 27 de janeiro a situação educativa nas escolas do concelho e fez o balanço geral do primeiro período do presente ano letivo. A evolução do número infeções por Covid-19 em contexto escolar, incluindo ensino politécnico, no primeiro período do ano letivo 2020/2021, foi um dos assuntos partilhados na sessão desta manhã, por videoconferência, dirigida pelo vereador da Educação da Câmara Municipal de Setúbal, Ricardo Oliveira. Questões práticas de organização escolar em tempos de pandemia, a cedência de equipamento informático aos alunos abrangidos pelos escalões A e B da Ação Social Escolar, no âmbito do programa do Governo “Escola Digital”, e a retoma do fornecimento de refeições e acolhimento de crianças de trabalhadores de serviços essenciais pela autarquia foram outras das temáticas abordadas. A reunião acolheu os contributos de professores, diretores de agrupamentos de escolas agrupadas e não agrupadas

e de representantes de associações de pais e de estudantes e da autarquia e das juntas de freguesia do concelho Representantes da DGEstE – Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, da saúde pública, da segurança social, Instituto de Emprego e Formação Profissional, Instituto Português do Desporto e Juventude, das forças de segurança e de instituições particulares de solidariedade social participaram igualmente no encontro desta manhã. A sessão promoveu a articulação entre os agrupamentos de escolas e as escolas não agrupadas, a DGEstE – Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, a Segurança Social e a Saúde Pública. Esta reunião ordinária do Conselho Municipal de Educação, a segunda do ano letivo 2020/2021, serviu ainda para fazer o ponto de situação em relação às coberturas de fibrocimento e a projetos educativos da autarquia, nomeadamente o Programa Municipal de Educação pela Arte e pelas Ciências Experimentais.


Jornal de Azeitão

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Setúbal Composto

Camiões de recolha de resíduos orgânicos Antes

Casa-Memória Joana Luísa e Sebastião da Gama

Inauguração adiada [ BCR

As obras na Casa-Memória, em homenagem à paixão de Joana Luísa e Sebastião da Gama, situada no centro de Vila Nogueira de Azeitão, estão ainda a ser finalizadas e a data de inauguração, que estava programada para o dia 23 de dezembro, como aqui noticiado, ficou adiada devido ao confinamento obrigatório. A fachada já está pintada e o mobiliário e o equipamento necessário para o correto funcionamento da Casa-Memória de Joana Luísa e Sebastião da Gama já está instalado. O sonho de Joana Gama torna-se assim uma realidade graças aos esforços da CMS, Junta de Freguesia de Azeitão e Associação Cultural Sebastião da Gama. Falta agora ganhar vida através do espólio, programação e visitantes.

Depois

O silêncio do Centro de Saúde de Azeitão O Jornal de Azeitão colocou por mail, à senhora coordenadora da UCSP Azeitão, as questões que abaixo transcrevemos. Não obtivemos qualquer resposta às mesmas até ao fechar da edição. Lamentamos que este serviço, central para a nossa região e de importância fundamental na atualidade, não se prontifique a querer esclarecer os habitantes da região e os nossos leitores. 1. Em sua opinião, qual a importância dos Centros de Saúde na saúde pública em Portugal?

2. A UCSP de Azeitão tem cerca de 17350 inscritos (dados de dezembro de 2020) e 7 médicos. Tem sido suficiente? 3. Quais as dificuldades com que a UCSP se debate? 4. Segundo os dados consultados, mais de 5000 utentes desta unidade não têm ainda médico de família. O que pode isto implicar? Como resolver? 5. Ao verificar o princípio ativo dos medicamentos mais receitados nesta UCSP verificámos que em 1º lugar temos a atorvastatina (baixar o nível de coleste-

rol), em 2º o ácido acetilsalicílico (aspirina) e em 3º a Bisoprolol (hipertensão, insuficiência cardíaca crónica e angina). Espelha os maiores problemas de saúde da região de Azeitão? 6. Que papel está a ter esta Unidade na luta contra o Covid-19? 7. Foi lançado o concurso público para a construção da nova Unidade de Saúde para Azeitão. Quais os benefícios práticos que esta Unidade vai trazer para a nossa região? 8. O que falta fazer?

A Câmara Municipal de Setúbal adquiriu recentemente quatro novos veículos pesados, num investimento de quase 500 mil euros destinado a reforçar, num âmbito de um projeto-piloto, a recolha seletiva de resíduos orgânicos no concelho. Os quatro camiões, dois deles já em funcionamento, destinam-se exclusivamente à recolha de resíduos orgânicos e foram adquiridos pela autarquia num investimento de 491 mil e 800 euros, comparticipado em 85 por cento por fundos comunitários, através de uma candidatura aprovada no âmbito do PO SEUR. Esta candidatura permite implementar em Setúbal a primeira fase de um projeto (decorre em Azeitão), designado Setúbal Composto, que antecipa a obrigatoriedade de todo o território nacional assegurar, a partir de 31 de dezembro de 2023, a separação e reciclagem dos biorresíduos na origem ou através de recolha seletiva. As viaturas, com 16 metros cúbicos de capacidade, seguem normas de eficiência e desempenho ambiental, traduzindo-se numa melhoria da qualidade do serviço prestado. Para a realização da recolha, que decorre duas vezes por semana desde o dia 18, consoante seis circuitos atualmente em prática, basta os munícipes colocarem à porta de casa o contentor de 40 litros entretanto fornecido gratuitamente pela Câmara Municipal. A adesão ao projeto, nesta fase experimental, carece de inscrições, contando, até ao momento, com mais de 650 inscritos. Os resíduos orgânicos, que, na fase atual, estão a ser recolhidos porta a porta nas zonas de Pinhal de Negreiros, Casal de Bolinhos, Brejos de Azeitão, Quinta da Várzea, Vila Nogueira de Azeitão, Quinta dos Foios, Aldeia de Irmãos, Oleiros e Urbanização Vinha da Sardinha, serão transformados em composto, contribuindo para atingir as metas preconizadas para o país no âmbito do Plano Estratégico para os Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU 2020+) Este novo procedimento de separação de biorresíduos implica menos deslocações aos contentores por parte dos munícipes e, também, maior comodidade e proximidade para a realização da reciclagem deste tipo

de resíduos. A diminuição do espaço ocupado em aterros, o aproveitamento de recursos para a produção de adubo e energia e a redução da emissão de gases com efeito de estufa são outras vantagens significativas deste novo serviço. A concretização do novo serviço de recolha é acompanhada de uma campanha de sensibilização, intitulada “Setúbal com.posto tem + valor”, para esclarecer a população sobre as ações corretas a tomar em casa no sentido de otimizar a separação dos biorresíduos e informar sobre procedimentos de deposição, bem como sobre as mais-valias deste novo sistema. O projeto Setúbal Composto também recolhe os resíduos orgânicos verdes, como relva, folhas e pequenos ramos, separados dos restantes orgânicos, também em modalidade de porta a porta, caso sejam em pequenas quantidades. Para grandes quantidades, os munícipes podem depositá-los diretamente no Centro Receção de Resíduos do Choilo, sem quaisquer custos acrescidos, onde existem dois contentores específicos para os albergar, evitando que se misturem com outros resíduos. Os resíduos orgânicos ou biorresíduos são produzidos diariamente pela população e resultam da preparação dos alimentos para fazer uma refeição e dos restos de comida que são descartados, traduzindo-se em cerca de 40 por cento do volume depositado no caixote de uma família. O conceito de biorresíduos ou resíduos orgânicos inclui, para efeitos de separação a entregar no âmbito deste projeto, restos de preparação e confeção de refeições, sobras de alimentos, restos de produtos frescos não embalados como legumes, frutas, carne e peixe, pão e bolos, borras de café, saquetas de chá e toalhas e guardanapos de papel. Os munícipes interessados em aderir ao projeto, desde que abrangidos pelas áreas de intervenção definidas, devem solicitá-lo pelo telefone 217 977 717, por via do preenchimento de formulário online em http:// setubalcomposto-form.pt/ ou, ainda, nos contactos diretos com técnicos especializados efetuados porta a porta. Mais informações em https:// www.setubalambiente.pt/setubal-composto-tem-valor/. [ CMS


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Jornal de Azeitão

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Surto de infeção por SARSCOV-2 no Azeitão Sénior Care

Covid-19

[ DR

Em comunicado ao Jornal de Azeitão, a mesa administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Azeitão, proprietária daquela residência para pessoas idosas, esclareceu que: “A Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Azeitão esclarece que foi determinado um surto de infeção por SARSCOV-2 pela Delegação de Saúde de Setúbal em utentes e funcionárias da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas

AZEITÃO SÉNIOR CARE, no dia 25 de Janeiro de 2021. De imediato, foi accionado o plano de contingência, bem como accionadas todas as orientações emanadas da Autoridade de Saúde, ficando algumas funcionárias voluntariamente a trabalhar e a fazer isolamento na instituição, de acordo com as normas de segurança. Conseguimos dar apoio não deixando os utentes sem cuidados, colocando funcionárias da resposta social de Apoio

Domiciliário, sem risco de contágio, até chegarem as denominadas Brigadas de Intervenção Rápida, coordenadas pela Cruz Vermelha Portuguesa através do Centro Distrital de Segurança Social de Setúbal, facto que ocorreu no dia 27 de Janeiro de 2021. Azeitão, 29 de Janeiro de 2021

Início da vacinação em lares no concelho de Setúbal Para combater a pandemia de Covid-19, iniciou-se no dia 19 de janeiro, a campanha de vacinação contra a doença respiratória em estruturas residenciais para pessoas idosas existentes no concelho de Setúbal. O Lar Dr. Francisco Paula Borba, da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal, foi o primeiro a receber as equipas de profissionais de saúde, constituídas por médicos e enfermeiros do Agrupamento de Centros de Saúde Arrábida que, até quarta-feira, asseguram a execução desta tarefa em todo o concelho.

O périplo programado, nesta primeira fase, a mais de três dezenas de estruturas residenciais para pessoas idosas no território, a decorrer até quarta-feira, com 1800 doses de vacinas disponíveis, teve início na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de São Sebastião, em Vale do Cobro. Aquela unidade de saúde é o epicentro das operações realizadas no âmbito desta campanha, desde a receção das vacinas à preparação dos materiais que acompanham as oito equipas de profissionais de saúde do Agrupamento de Centros de Saúde Arrábida, formadas por 32 en[ CMS

A Mesa Administrativa da SCMA”

Covid-19

Refeições escolares gratuitidade no escalão B A Câmara Municipal de Setúbal decidiu alargar às crianças do escalão B da ação social escolar a gratuitidade das refeições disponibilizadas no âmbito da estrutura de distribuição que montou para fazer face ao encerramento temporário das escolas. O município definiu uma rede de fornecimento a alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo beneficiários dos escalões A e B, composta por mais de uma dezena de pontos de recolha e pela entrega domiciliária nos casos de isolamento profilático. Ao abrigo da lei, a medida, igualmente destinada a atenuar os impactes económicos e sociais causados pela pandemia, facultava refeições gratuitas ao escalão A, correspondente aos agregados familiares com menores ren-

dimentos, e pagas a 50 por cento pelos beneficiários do escalão B. Por decisão tomada em despacho, assinado ontem pela presidente da Câmara Municipal de Setúbal, com efeitos desde 22 de janeiro, a prestação deste serviço passa a isentar de pagamento também o escalão B e mantém-se enquanto vigorar a interrupção letiva ou, caso venha a ser adotado, o ensino à distância. “A situação que se vive criou enormes dificuldades e tornou mais vulneráveis as famílias e crianças, nomeadamente as que frequentam o ensino pré-escolar ou o 1.º ciclo do ensino básico, exigindo a adoção de medidas adicionais de caráter extraordinário e urgente”, justifica Maria das Dores Meira. Os pontos de recolha

de refeições escolares em Azeitão funcionam na Escola Básica de Azeitão e na Escola Básica da Brejoeira. Em Setúbal funcionam nas escolas básicas Barbosa du Bocage, dos Arcos, Luísa Todi, do Montalvão-Laranjeiras e n.º 8 do Bairro da Conceição, nas escolas básicas e secundárias da Bela Vista e Lima de Freitas e nas escolas secundárias Sebastião da Gama, du Bocage e D. Manuel Martins. As sedes das juntas de freguesia do Sado e de Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra fazem igualmente parte da lista definida para levantamento de refeições escolares. O município proporciona ainda a entrega de refeições ao domicílio nos casos em que os beneficiários se encontrem em situação de isolamento profilático.

A tarde caminhava para o final quando a equipa de profissionais de saúde chegou àquela estrutura residencial para pessoas idosas localizada no centro da cidade. A visita não foi inesperada para residentes e funcionários. Sabiam que iam receber a primeira toma da aguardada inoculação. A equipa da vacinação designada para aquele lar, a qual entra nos edifícios em segurança totalmente apetrechada com equipamentos de proteção individual, conta com a colaboração e apoio de estudantes de enfermagem do Instituto Politécnico de Setúbal. Assegurada a vacinação, sem problemas de registo, no Lar Dr. Francisco Paula Borba, esta equipa prosseguiu a rota de deslocação a outras estruturas residenciais para pessoas idosas. Oito lares, de um total de 32, foram visitados logo no primeiro dia, com três centenas de pessoas vacinadas.

fermeiros e oito médicos. Acresce, além destas equipas que operacionalizam no terreno a campanha de imunização contra a Covid-19 de profissionais e utentes residentes em lares, um conjunto de elementos com responsabilidade de registo de todos as pessoas inoculadas ao longo dos três dias. Esta campanha, a qual é considerada de extrema importância para o combate à Covid-19, está inserida na primeira fase do plano nacional de vacinação, a decorrer desde 27 de dezembro, a qual contempla a inoculação de grupos considerados prioritários, casos de profissionais e residentes em lares. No concelho de Setúbal, esta primeira toma da vacina preventiva da infeção por Covid-19 está a ser concretizada em todas as estruturas residenciais para pessoas idosas legalizadas e em situação ilegal que não tenham surtos ativos da doença respiratória.


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“AJUDEM-NOS A AJUDAR”

Liga Portuguesa Contra o Cancro Uma campanha da Liga Portuguesa Contra o Cancro, a decorrer em fevereiro, convida instituições nacionais, incluindo de Setúbal, a consciencializarem as populações a mudar de comportamentos para combater as doenças oncológicas. A campanha, promovida no âmbito do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, assinalado a 4 de fevereiro, tem como objetivos aumentar a visibilidade das temáticas relacionadas com as doenças oncológicas e consciencializar as populações, independentemente da faixa etária, para a importância da mudança de comportamentos. As organizações que pretendam associar-se à iniciativa, a realizar entre 1 e 12 de fevereiro, devem inscrever-se em https://www.ligacontracancro.pt/ formulario-de-participacao/. Nesta página, a Liga Portuguesa Contra o Cancro disponi-

biliza uma série de materiais ajustáveis às necessidades das iniciativas, nomeadamente kits de ferramentas para escolas e bibliotecas, poder central e local e empresas. De acordo com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, o cancro é a segunda causa de morte em todo o mundo e a sua incidência tende a aumentar. No entanto, informa igualmente a instituição, “sabe-se que um em três cancros pode ser evitado pela redução de riscos comportamentais”. Paralelamente à campanha de sensibilização e educação para a saúde, dirigida a instituições, a Liga Portuguesa Contra o Cancro já começou a convidar a sociedade a participar nos “21 desafios para a mudança”, que pretendem encorajar as pessoas a realizarem, ao longo de 21 dias, pequenas mas significativas ações de prevenção de doenças oncológicas.

Grupo Sócio Caritativo de Azeitão [ FOTOS: DR

Quem Somos, O Grupo Sócio Caritativo de Azeitão está integrado nas Paróquias de Azeitão. Somos um grupo de onze paroquianos que se propõe ajudar o próximo, a ser este braço vivo de Jesus na nossa comunidade, próximo esse que por vezes e de uma forma inesperada se vê numa situação difícil, situação essa que pode vir de um desemprego repentino, de uma doença súbita do próprio ou de um filho, de uma vida que tomou um rumo que não foi o melhor e que agora precisa de uma mão amiga para se reerguer, ganhar a sua auto estima e seguir em frente para poder contribuir como todos nós para a comunidade. O que fazemos e como o fazemos? Internamente estamos divididos por equipas, embora nas nossas reuniões tudo seja falado e decidido em grupo. Os casos que apoiamos são divididos por essas equipas que os visitam na sua habitação e aos quais são distribuídos cabazes de alimentos quinzenalmente e proporcionalmente ao agregado familiar e, obviamente, mediante as disponibilidades. Mas não nos limitamos ao cabaz, porque muitas vezes temos casos com pessoas muito válidas, em que levar apenas o “peixe” não é suficiente, há que levar a “cana” e se necessário ir com eles e ensiná-los a “pescar”. Há que dar os utensílios necessários para que essas pessoas voltem a ter uma vida digna e possam voltar a poder ser autossuficientes, condição tão necessária à sua autoestima. Assim, para além da referida ajuda de bens alimentares, temos auxílios em diversas outras áreas, tais como: idas a consultas médicas ou o “aviar” receitas na farmácia, inscrições no centro de emprego, burocracia na segurança social, centro de saúde ou outras instituições, muitas vezes cruciais para a obtenção de um

subsidio, ou um abono, transporte de crianças para atividades extra curriculares ou ajuda em matérias escolares ou, simplesmente, mas tão necessário, tempo para conversar com alguém que se sente só. A quem queremos chegar? Nós apoiamos famílias com necessidades nas paróquias de S. Lourenço e S. Simão, temos voluntários incansáveis e paroquianos de uma generosidade enorme, por isso venham ter connosco e peçam ajuda ou ajudem-nos a sinalizar famílias que saibam que estão a passar por momentos difíceis, nós faremos a avaliação, porque, embora sempre sujeitos a falhas, tentamos ser criteriosos na distribuição dos recursos que face às necessidades são sempre escassos.

Como ajudar? As nossas igrejas têm cestos à entrada onde podem deixar as vossas contribuições (arroz, massa, açúcar, leite, enlatados, azeite, etc…), caso queiram dar outros contributos contactem-nos pelo telemóvel da Paróquia: 912 190 599.

Por fim, dizer-vos que atualmente o nosso apoio se estende a cerca de 22 agregados familiares, que totalizam 37 adultos e 12 crianças, assim não é difícil pensarem na grande necessidade de bens que temos todos os meses, para que quinzenalmente possamos fazer cabazes que efetivamente suavizem as necessidades das famílias em questão e que lhes dêem o alimento necessário ao seu dia a dia, ou, nos casos das crianças, o necessário a que tenham uma vida digna e possam fazer face ao dia a dia escolar. Temos a certeza de poder encontrar na população de Azeitão, gente com um coração aberto à caridade, ao cuidar do próximo, porque hoje são eles e amanhã podemos ser nós. Deixamos, por fim, o apelo de que é importante alertar as nossas crianças e jovens para esta questão da partilha e da solidariedade, sabendo que juntos tornaremos Azeitão num lugar ainda mais aprazível conseguindo debelar necessidades daqueles que estão ao nosso lado. Ajudamos com a vossa ajuda, não olhando a raças, credos ou estratos sociais, ajudamos quem precisa e quem aceite ser ajudado. Em nome do Grupo Sócio Caritativo de Azeitão o nosso muito obrigado por toda a vossa generosidade, com a certeza de que a caridade não é nem nunca será um conceito vago e fora de moda na comunidade de Azeitão. Nota: Este texto foi escrito antes do fecho total relacionado com o estado de Emergência. Com alguns ajustes de números de famílias apoiadas, continua atual, mas na realidade com uma exceção de peso, já não conseguimos visitar as pessoas como antes. Deixamos o cabaz à porta de casa, comunicamos por telemóvel que ele lá está e esperamos no carro que o venham buscar. Muitas pessoas choram por agradecimento e dizem que têm saudades do nosso abraço e de cinco minutos de conversa. Presentemente já apoiamos menos famílias, por falecimento de alguns, que nos deixaram marcas no coração. Outros porque conseguiram restabelecer as suas vidas e nos disseram que certamente haveria pessoas mais necessitadas do que elas. Atendemos todos os que nos procurarem, na Igreja de São Lourenço em Azeitão e temos espaço e possibilidade de ajudarmos mais famílias carenciadas.


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Santa Casa da Misericórdia de Azeitão

400 anos (1621-2021) A sua origem PESQUISA E RECOLHA DE TEXTOS: BERNARDO COSTA RAMOS

Esta nossa Santa Casa deve a sua origem à fundação do Convento de Nossa Senhora da Piedade – Convento de S. Domingos – em Azeitão. Faço esta afirmação pois não existindo este, muito possivelmente, nunca a casa e ducado de Aveiro se teria estabelecido nestas terras. Não se estabelecendo aquela não se teria edificado o Palácio de Azeitão. Não havendo Palácio não haveria também o Hospício que se criou junto do palácio para proteger e tratar os frades. Não havendo tudo isto, talvez, não se tivesse constituído a Santa Casa da Misericórdia de Azeitão, em 1622, pela vontade de D. Afonso de Lencastre. Vemos assim que tudo se interliga pelas vontades e capitais desta Casa de Aveiro. O Convento de Nossa Senhora da Piedade e o Palácio dos Aveiros «Em 1434, para construção do edifício conventual, Estêvão Esteves, vassalo do Rei, doou a frei Mendo, prior do convento de São Domingos de Benfica, uma quinta em Azeitão. Como condição ficava estipulada a construção de um convento de frades da observância que tomasse como invocação Santa Maria da Piedade. Em 1435, foi fundado este

mosteiro da regular observância, com o lançamento da primeira pedra, por iniciativa dos reis D. Duarte e D. Leonor e com o apoio de Frei João de Santo Estêvão, confessor da Rainha.» D. Jorge, Mestre de Santiago, filho bastardo de D. João II, ia, segundo Frei Luís de Sousa, na História de S. Domingos, «quando o espirito lh'o pedia, buscar o gasalhado d'uma cella, entre os frades (…). Entre 1521 e 1537 obteve destes, por aforamento, um terreno contiguo ao Convento para fazer uma casa. Esta é a origem do Palácio dos Aveiros, no Rossio, em Vila Nogueira. Mais tarde, D. Álvaro de Lencastre (1540-1626), filho de D. Afonso de Lencastre, segundo filho do infante D. Jorge de Lencastre, mandou construir nos terrenos deste Palácio um hospício que era destinado aos religiosos que esmolavam. Segundo José Cortez Pimentel este hospício era constituído, em 1893, quando foi arrematado em hasta pública por José Maria da Fonseca, por «uma cozinha, adega, e um quintal onde havia um poço, parreiras e várias árvores de fruto.» No livro de Frei António Piedade (1728), «Espelho de Penitentes, Crónicas da província de Santa Maria da Arrábida», é referido o seguinte: «Appetecia com grande ancia o nosso recolhimento , receando-

As 14 Obras da Misericórdia As Obras de Misericórdia - sete corporais e sete espirituais são o guião ético destas instituições que tiveram o seu início há 500 anos, as Santas Casas da Misericórdia.

Obras Corporais: 1ª Dar de comer a quem tem fome (publicado fev.20); 2ª Dar de beber a quem tem sede (publicado abril 20) ; 3ª Vestir os nus; 4ª Dar pousada aos peregrinos; 5ª Visitar os enfermos (publicado jan.20); 6ª Visitar os presos; 7ª Enterrar os mortos (publicado mar.20).

Obras Espirituais: As Obras de Misericórdia Es-

pirituais são há muito uma parte da tradição católica, surgindo nos textos de teólogos e autores espirituais ao longo da história; tal como Jesus atendeu ao bem-estar espiritual daqueles a quem ministrou, estas Obras de Misericórdia Espirituais guiam-nos para “ajudar o nosso vizinho nas suas necessidades espirituais”. 1ª Dar bons conselhos; 2ª Ensinar os ignorantes 3ª Corrigir os que erram; 4ª Consolar os tristes; 5ª Perdoar as injúrias; 6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; 7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

-nos no commercio dos mundanos a distracçaó dos espiritos , e assim pedio à Provincia, que se instruisictem dous Esmoleiros Frades Leigos, para que o Coro sènaó visse nunca destituido de bastantes Ministros para os louvores de Deos , e estivessem os Sacerdotes sempre recolhidos. Naõ se lhe faltou na execuçaõ do arbítrio , nomeando a Provincia os ditos Religiosos para Esmoleiros, e para que naõ experimentassem algum discommodo nos agasalhos, mandou-nos fazer hum Hospicío junto aos seus Paços de Azeitaô, e ordenou se dèsse raçaó aos Esmoleiros , cuja grandeza , sendo estabelecida por seu neto o Duque D. Raymundo , ainda hoje continua.» É bem possível e plausível que este Hospício fosse a ideia para a génese da futura Santa Casa da Misericórdia de Azeitão. Estas nascem na continuidade da acão assistencial posta em prática, durante a Idade Média, por ordens religiosas mendicantes e hospitaleiras. As Misericórdias Comecemos pela origem da palavra e seu significado. A palavra «Misericórdia» tem origem latina e é formada pela junção de miserere “ter compaixão”, e cordis “coração”. “Ter compaixão de coração”. Este é o princípio básico das Santas Casas. A primeira Santa Casa do mundo foi criada em 15 de agosto de 1498, em Lisboa, pela rainha D. Leonor de Lencastre. À iniciativa de D. Leonor aderiram o rei D. Manuel, o alto clero, a nobreza, a burguesia, não tendo sido alheio o grande prestígio atribuído a quem integrava as Irmandades da Misericórdia, «as obras de misericórdia haverem de cumprir se especialmente acerca dos presos pobres e desamparados» «As Misericórdias vão congregar a missão das anteriores instituições de caridade cristã, a solidariedade – a prática de obras pias – e a funcionalidade e a centralização impostas por um contexto diferente, por novas realidades. A orgânica, bem definida, tinha como fim dar cumprimento às sete obras de caridade, tanto do foro espiritual, como do corporal, aplicadas através do ensino dos simples, dos bons conselhos, do castigo temperado com caridade cristã, do consolo, do perdão, da oração por todos, mortos e vivos, da remissão de cativos, da visita aos presos, da

cura dos enfermos, da satisfação da necessidade de vestuário, fome e sede, de pousada, de última morada.» A Misericórdia de Azeitão A nossa Misericórdia foi fundada em 1621 por D. Afonso de Lencastre, Marquês de Porto Seguro, um dos filhos do 3º Duque de Aveiro, D. Álvaro, tendo sido o seu primeiro Provedor. Esta regeu-se pelo antigo compromisso de Lisboa, de 1566. Edificou-se a Capela da Santa Casa (que ocupava sensivelmente o local ocupado pela construção da igreja que hoje existe), flanqueada por casas de um lado, «construída em património do prazo da Quinta da Nogueira, antiga propriedade Real da Infanta D. Constança Manuel, primeira mulher do rei D. Pedro, pela qual era pago o foro de 1$200 réis.» Esta instituição teve a proteção da Casa de Aveiro, tendo alguns dos duques e seus familiares sido provedores nela. A capela era de uma só nave e tinha altar-mor com uma imagem de Nossa Senhora das Necessidades e dois altares laterais, tendo o do lado da Epístola, numa tribuna, a imagem considerada milagrosa do Senhor dos Passos. O Padre Pedro de Mesquita Carneiro, secretário e administrador da Casa de Aveiro, fundou em 1649 (1644?) um hospital junto à igreja e que ficou a pertencer à instituição. Mais tarde, 1872 a 1875, estes primeiros edifícios foram parcialmente demolidos e reconstruídos. As obras foram realizadas a expensas do Conselheiro Arrobas, a pedido de Joaquim Rasteiro. Os nomes das enfermarias (que ainda encimam a entrada de duas salas) onde muitos azeitonenses nasceram, Santo António e Santa Cecília, foram uma homenagem à

memória de António Arrobas e sua esposa. Recebia anualmente cerca de 50 doentes. A Misericórdia segue o seu caminho, com mais ou menos dificuldades, nunca deixando de praticar aquilo a que se tinha proposto. Nos anos 50, mais propriamente em 1952, para ajudar a superar a crise financeira em que esta se encontrava, decide-se fazer a «Semana da Misericórdia». Realizou-se de 24 de agosto a 1 de setembro e envolvia Comissões em todas as aldeias da região que contribuam para organizarem e angariarem as oferendas que seriam leiloadas numa Quermesse (ver foto). As últimas festas a que tenho referência realizaram-se em 1964. Dando um salto no tempo vamos até 1975. Porquê? Bom, porque nesse ano, no dia 30 de abril, é declarado pelo provedor, Dr. Francisco António de Aguiar, numa reunião, a possível nacionalização da Misericórdia de Azeitão e assim se fez. Foram tempos conturbados e em 1976 toma posse a Comissão Instaladora que passaria a gerir os destinos do seu Hospital (DR nº153, II série, 2 de julho).


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[ FOTOS: DR

Centro de Apoio ao Sem Abrigo (Azeitão)

Apoio aos mais carenciados [ FOTOS: DR

POR BERNARDO COSTA RAMOS

espaço pelas 21h45. Aí juntamos as recolhas já feitas do dia fazendo a entrega às famílias.

O Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA) é uma IPSS que tem como missão auxiliar aqueles que se encontram em situação de Sem-Abrigo, que integrem famílias em risco ou famílias carenciadas, através de ações de solidariedade social, disponibilizando um contacto próximo, bens alimentares, artigos de vestuário e serviços de reintegração social, independentemente do estrato social, etnia, religião ou género.

Com mais um salto no tempo chegamos a 1990. A 6 de julho de 1990 tem lugar uma Assembleia Geral com um ponto único: «Reabilitação da Misericórdia como instituição privada de solidariedade social e seu funcionamento.» Foi recordado a abusiva ocupação das instalações do Hospital por elementos vindos de Setúbal, mas com a colaboração de alguns azeitonenses e referido ainda a severa degradação em que as instalações se encontram, bem como a tentativa de apropriação de património da Santa Casa durante esta “ocupação”. Ultrapassada esta fase de reconstrução, eleita nova mesa, passou-se à concretização de vários projetos e reorganização da instituição, sendo encabeçada, deste então, pelo Provedor Jorge Maria de Carvalho. Atualmente é uma instituição reconhecida por todos na ajuda aos mais necessitados, e não só, apresentando variadas valências na área da Saúde e apoio aos habitantes desta região. Pode obter mais informações no seu site, em: https://scmazeitao.pt

Áreas base de atuação do CASA em Portugal: Apoio primário à população em Situação de Sem-abrigo Apoio a Famílias em Risco Apoio a Famílias Carenciadas Atividades do CASA em Portugal: Distribuição de refeições quentes à população em Situação de Sem-abrigo; Distribuição de Cabazes Alimentares às Famílias em Risco ou carenciadas; Distribuição de vestuário, cobertores e sacos de cama; Fornecimento de produtos de higiene e encaminhamento para apoio de saúde primário; Assistência psicológica;

Tem notado um aumento do número de pessoas que vos procuram? Antes da pandemia dávamos a todas as famílias por semana um saco de mercearia, sacos esses entregues em casa de famílias mais idosas e fragilizadas. Essa entrega teve que passar a ser mensal. Apoio na reinserção social. O CASA funciona, na sua maioria, através de mais de 1400 voluntários, distribuídos por 10 Delegações em Portugal e Madeira, apoiando mais de 4000 utentes de famílias em risco e +1100 pessoas em situação de sem abrigo. No total em 2019 foram mais de 417.000 refeições e 35.000 cabazes a famílias em risco. Com uma delegação na região de Azeitão, fomos tentar perceber melhor, com a sua responsável local, Isaura Luzio, a realidade e relevância desta instituição na nossa localidade.

Qual a relevância do trabalho feito pela CASA? O CASA centro de apoio ao sem abrigo, está a ajudar 70 famílias, isto é, cerca de 180 pessoas. Quantos voluntários ajudam no seu funcionamento? Somos 22 voluntários que formam equipas de segunda a sexta feira. Quantas famílias/pessoas a CASA ajuda nesta região? Todos os dias as equipas saem do CASA as 19h45 para fazerem a recolha de alimentos e voltam ao

Esse aumento deve-se à situação económica que estamos a enfrentar? Claro que agora tudo é mais difícil, todas as semanas, ou quase diariamente, chegam pedidos de ajuda. Alguns nem são da zona e não os consigo ajudar. Que tipo de ajuda/participação pode a população de Azeitão dar ou ter? Quem chega a nossa porta é sempre ajudado com um saco de mercearia. Todas as ajudas em alimentos serão bem-vindas e também mais voluntários. Tenho os melhores voluntários do mundo que não me abandonaram mesmo com as suas famílias em casa.


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Covid-19

Apoio a filhos de trabalhadores de setores essenciais O acolhimento para receção e acompanhamento de filhos de trabalhadores de serviços essenciais foi reforçado, em Setúbal, com a disponibilização de três equipamentos para bebés e crianças até aos 3 anos. Este apoio a trabalhadores de serviços essenciais cujas funções não permitem a realização de teletrabalho, com filhos ou outros dependentes a cargo até aos 3 anos, é da responsabilidade da Segurança Social, o que se traduz num reforço em relação ao que o município já propor-

ciona a crianças entre os 3 e os 14 anos. Os equipamentos disponibilizados para crianças até aos 3 anos são as creches da Associação Baptista Shalom – Edifício Voar Mais Alto, da Associação Cristã da Mocidade e da Associação de Professores e Amigos das Crianças do Casal das Figueiras. Esta informação encontra-se disponível na página oficial da Segurança Social, acessível em http://www.seg-social.pt/iss-ip-instituto-da-seguranca-social-ip e os trabalhadores que

precisarem deste apoio devem contactar diretamente estas associações. Recorde-se que, a 26 de janeiro, a Câmara Municipal, perante a suspensão da atividade letiva determinada pelo Governo, decidiu reativar a rede de escolas de acolhimento para a receção e acompanhamento de filhos ou outros dependentes entre os 3 e os 14 anos a cargo de trabalhadores de serviços essenciais e cujas funções não permitam a realização de teletrabalho. Acresce a este serviço excecional de apoio motivado pelo

agravamento da crise sanitária provocada pela Covid-19 o fornecimento de refeições a alunos beneficiários dos escalões A e B da ação social escolar, em todas as escolas-sede de agrupamento e estabelecimentos de ensino secundário. Desta rede de fornecimento de refeições escolares fazem parte a EB 2,3 de Azeitão, a EB/S Lima de Freitas, a EB Luísa Todi, a EB/S Ordem de Sant’Iago, e a EB 2,3 Barbosa du Bocage, a par das escolas secundárias Sebastião da Gama, D. João II, de Bocage e Dom Manuel Martins.

O município definiu ainda que são as escolas-sede dos vários agrupamentos a funcionar com a função de acolhimento de filhos ou outros dependentes a cargo de trabalhadores de serviços essenciais e cujas funções não permitam a realização de teletrabalho. A lista de estabelecimentos de ensino de acolhimento é composta pelas escolas básicas Luísa Todi, de Azeitão e du Bocage, assim como as escolas básicas e secundárias da Bela Vista, Lima de Freitas e Sebastião da Gama.

Covid-19

Centro de testes para funcionários de lares O Complexo Municipal de Piscinas das Manteigadas, em Setúbal, é convertido, todas as quartas-feiras, em centro de testes à Covid-19, o qual funciona em exclusivo para funcionários de estruturas residenciais para pessoas idosas dos concelhos de Setúbal, Palmela e Sesimbra. Este centro descentralizado, disponibilizado naquele equipamento municipal desde o início de novembro, é da responsabilidade do Instituto da Segurança Social e da ABC Algarve Biomedical Center, em colaboração com a Câmara Municipal de Setúbal. Esta valência de saúde para funcionários de estruturas residenciais para pessoas idosas dos concelhos do Agrupamento de Centros de Saúde Arrábida realiza, em

média, cerca de 200 testes de rastreio à doença respiratória por sessão, que decorre das 11h00 às 13h30. Este centro permite, por um lado, aliviar a pressão de testagem nos laboratórios disponíveis à população em geral e, por outro, controlar mais eficazmente eventuais surtos, uma vez que os resultados são comunicados diretamente à segurança social, à saúde pública e às direções dos lares. A escolha do Complexo Municipal de Piscinas das Manteigadas para a instalação deste centro temporário de testes é justificada pelas condições físicas da área, que dispõe de uma ampla zona de estacionamento, e pelo facto de o recinto desportivo não estar com atividade.


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Covid-19

Centro de testes e ADR no IEFP – atendimento alargado O Centro de Diagnóstico Laboratorial à Covid-19 e Atendimento a Doentes Respiratórios, instalados em área do Centro de Emprego e Formação Profissional de Setúbal, com horários alargados, tem permitido aliviar a pressão das unidades de saúde. O serviço de Atendimento a Doentes Respiratórios está disponível de segunda-feira a domingo, agora entre as 10h00 e 20h00, enquanto o Centro de Diagnóstico Laboratorial à Covid-19 funciona de segunda-feira a sábado, nos períodos das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00. Os serviços existentes neste equipamento de saúde, de complemento aos disponibilizados nas diversas unidades de saúde familiar e no Centro Hospitalar de Setúbal, têm agora horário alargado, depois de funcionarem apenas no período da tarde. O alargamento do horário de funcionamento, previsto aquando da abertura deste novo espaço, a 23 de novembro, é justificado pela evolução da pandemia no concelho e pelo aumento da procura de doentes com problemas respiratórios e de pessoas que necessitam de realizar teste à Covid-19. No caso do Atendimento a Doentes Respiratórios, registo para

uma média diária de cerca de 110 de atendimentos, incluindo utentes encaminhados do Centro Hospitalar de Setúbal a quem, no momento da triagem, foram atribuídos a pulseira verde ou azul, as menos urgentes da Triagem de Manchester. Este serviço pode ser contactado pelos números 966 501 091 e 966 512 191. No que respeita ao Centro de Diagnóstico Laboratorial à Covid-19, assegurado por técnicos do Laboratório Germano de Sousa, é necessária uma triagem obrigatória na Linha Saúde 24 e pelos médicos de família, devendo, posteriormente, ser feita uma marcação pelo número 911 071 244. O Atendimento a Doentes Respiratórios e Centro de Diagnóstico Laboratorial à Covid-19, anteriormente instalado no edifício da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de São Sebastião, funciona em instalações requisitadas pela Câmara Municipal ao Instituto do Emprego e Formação Profissional de Setúbal. O espaço cedido engloba uma área de receção e uma sala de espera ampla, bem como três gabinetes de enfermagem, onde é realizada a triagem dos doentes, seis gabinetes médicos, uma sala de colheitas e um laboratório de testes, e dispõe de um acesso e parque de estacionamento próprio.

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A sua consultora imobiliária responde

Para mais informações ou para colocar questões: info@elsabraga.com; elsabraga.com

Iremos assistir a uma queda no valor das casas em 2021? POR ELSA BRAGA

A resposta é um humilde e perentório: Não sei! Esta é a grande pergunta e, honestamente, parece que há muita gente que já sabe a resposta. A quantidade de clientes compradores que me dizem que o preço das casas vai baixar, é surpreendente. Eu confesso que sorrio de todas as vezes que me afirmam isto com tanta certeza! Desde março que tenho clientes que asseguram que as casas vão baixar. Confesso que não sou das que argumentam porque qualquer argumento é igual à afirmação: mera adivinhação! Eu sou vendedora de casas não tenho poderes de adivinhar o futuro! A desculpa agora são as moratórias. Quando as moratórias acabarem, aí sim, o valor das casas vem por aí abaixo. Não sei dizer,

humildemente admito, eu não sei e, na verdade, ninguém sabe! Tudo depende de tantos fatores que é perigoso tirar conclusões tão definitivas. Uma coisa eu posso adiantar. Agora, em janeiro de 2021, tenho uma carteira de clientes compradores muito motivados para comprar, uns com crédito pré-aprovado, outros com capitais próprios. Quem precisa de compra casa, terá, sempre, de comprar! Quem precisa de vender terá, sempre, de vender! Uma herança não espera! Um casamento não espera! Um nascimento de um filho não espera! Um divórcio não espera! A vida continua e o mais sensato é não parar a vida porque achamos que talvez, parece que, as casas vão baixar de valor! A maioria de nós compra casa

para viver. Para viver muito tempo. O investimento imobiliário, a longo prazo é, sempre, vantajoso. Se quer comprar hoje para vender daqui a poucos meses, talvez este mercado não seja o mais propício a isso porque há, de facto, indefinição. Ainda assim há muitos investidores a comprar imóveis neste preciso momento. Em jeito de conclusão o que posso dizer é, que estou neste mercado há, quase, 13 anos, são muitas as vendas que já assisti, mesmo muitas, e em tempos de crise profunda a vida continuava a acontecer. A vida não para. Nem uma pandemia parou as nossas vidas. Por isso se precisa de andar com a sua vida para a frente e comprar ou vender o seu imóvel, não o deixe de fazer por um suposto acontecimento futuro!

O poder da conformidade social POR ISABEL FERNANDES

Como seres sociais que somos queremos integrarmo-nos, queremos ter um sentimento de pertença. Por vezes para mantermos, ou ganharmos, esta integração somos influenciados pelo grupo a pensar ou agir de acordo com a maioria. A este processo dá-se o nome de conformidade social. A conformidade social é um tipo de influência que envolve uma mudança de crenças ou comportamentos de modo a conformar-se, adaptar-se ao grupo. Esta mudança consiste numa resposta à pressão do grupo. A pressão pode ser real, na presença física dos outros, ou resulta de uma experiência subjetiva em que o individuo se sente compelido a acreditar ou a comportar-se de acordo com as expectativas ou normas dos outros. O termo conformidade é muitas vezes usado para indicar concordância com a posição da

maioria, desenvolvendo o “pensamento único” ou “pensamento grupal”. Esta conformidade pode nascer do desejo pessoal de inserir-se ou ser apreciado (designada de conformidade normativa) ou de um desejo de ser correto (conformidade informativa). O conformismo pode ser muito subtil e nem sempre nos apercebemos que não estamos a ser totalmente livres para agir e pensar por nós próprios. Quando nascemos adaptamo-nos ao mundo que vivemos e, para que a adaptação não seja percebida como coerção, é necessário que o mundo não seja visto como um dos possíveis mundos, mas como o único mundo, fora do qual não existem melhores possibilidades de existência. Num mundo coeso, sem lacunas e sem alternativas, as obrigações impostas não serão mais percebidas como tais, mas como condições naturais para estar no mundo. Quando ordens e obediências não são mais necessá-

rias, tem-se a ilusão da liberdade... Há diversos fatores que parecem promover a conformidade social. A baixa autoestima, o baixo estatuto social, a sensação de isolamento e o desejo de aprovação são alguns destes fatores. Dois estudos foram pioneiros na demonstração de como a conformidade social pode ser poderosa. No estudo de Solomon Asch, em 1951, um grupo de sete pessoas tinha de identificar linhas retas iguais em comprimento. Seis elementos do grupo eram previamente instruídos para responder errado e havia apena um “sujeito ingénuo” que respondia sempre após os restantes elementos do grupo. Após várias experiências, Asch concluiu que, quando isoladamente interrogados, os “sujeitos ingénuos” respondiam corretamente 99% das vezes, contudo quando em grupo 37% seguiam a opinião errada do grupo, ou seja,

revelavam conformismo. Ainda que 63% dos participantes tenha revelado independência o investigador referiu: “Este resultado levanta questões sobre o modo como somos educados e sobre os valores que guiam a nossa conduta”. Seremos educados a ser independentes e a manter pensamento crítico não obstante a maioria? O investigador Stanley Milgran nos anos 60, intrigado como Hitler havia conseguido que as suas tropas assassinassem milhares de pessoas indefesas, desenhou uma experiência de obediência. Nesta experiência os participantes deviam administrar choques elétricos a um “aprendiz” sempre que este desse uma resposta errada a uma questão. O participante não sabia que o aprendiz fazia parte da equipa e que os choques eram falsos. O objetivo do estudo era perceber até que ponto as pessoas estavam dispostas a obedecer às

instruções de uma figura de autoridade para infligir dor a alguém. Os resultados foram surpreendentes! 65% dos participantes foram capazes de administrar o nível máximo de choques elétricos ainda que o “aprendiz” estivesse em grande sofrimento e até mesmo inconsciente. Apenas 35% foram capazes de desobedecer. Outros estudos foram conduzidos em que se provou que a conformidade social leva uma percentagem apreciável de pessoas a agirem contra aquilo que pensam e, podendo inclusive, atuar de forma absurda e até perigosa para si e para os outros. “Pode ser que sejamos marionetas – marionetas controladas pela sociedade - mas pelo menos somos marionetas com perceção, com consciência. E talvez a nossa consciência seja o primeiro passo para a nossa libertação” Stanley Milgran. isabel@mentescristalinas.pt


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Jornal de Azeitão

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O desastre da desordem [ DR

POR MANUEL JOÃO RAMOS (PROFESSOR UNIVERSITÁRIO E INVESTIGADOR)

Impressionam, as muitas dezenas de fotografias do livro A Rua da Estrada, do geógrafo Álvaro Domingues. Não é que não conheçamos todos a deprimente realidade das bermas das estradas nacionais e municipais transformadas em mostruários de todo o tipo de comércio, como se o país fosse um gigantesco shopping que se visita de carro. Mas a profusão e concentração de imagens absurdas, página após página, torna evidente o carácter caótico do “ordenamento” urbanístico português, e faz certamente desesperar quem alguma vez pense aventurar-se a procurar uma solução para ele. Funerárias, stands automóveis, lojas de cerâmica, exposições de mobiliário, restaurantes, bordéis e sex shops, montras de piscinas... há de tudo um pouco no contínuo festival processional que é a rede viária portuguesa. O casario comercial dos Brejos, da Quinta do Conde e de Fernão Ferro estão bem representados no livro, embora não cheguem a ser tão exuberantes como certas bordas de estrada minhotas ou durienses. São conhecidas as razões deste surreal estado de coisas. Após a revolução de 1974, o sistema jurídico e administrativo português alterou-se profundamente, replicando as estruturas do Estado central a nível autárquico e criando um sistema de dois poderes de governação que as mais das vezes competem em vez de cooperar. Um cínico diria que esta bem intencionada duplicação de poderes, além de fornecer instrumentos de representatividade a nível local, ofereceu uma oportunidade dourada

para criar uma hidra de clientelismo político-partidário e fortalecer, sobretudo através das derramas, redes de influência entre autarcas e empresários – em particular os da construção civil. O certo é que o licenciamento imobiliário cedo se tornou a principal fonte de financiamento municipal e uma espiral de construção desenfreada se verteu sobre todo o país, sem controlo, regras ou dever de obediência a (já de si lacunares) planos de ordenamento do território. O resultado, sabemos, está à vista: basta olhar em volta para a notável criatividade arquitectónica e variedade decorativa do casario nacional – em si, interessante contraponto do urbanismo britânico, marcado pela estrita e, admitamos, aborrecida homogeneidade construtiva e ornamental. O que me parece mais interessante retirar da lição das nossas “ruas da estrada” são as semelhanças fundacionais com a situação sanitária presente do país, em plena e desastrosa pandemia viral. O desordenamento territorial, e o

complementar desordenamento do sistema de mobilidade, são evidência de uma curiosa aversão ao planeamento e à gestão metódica de recursos. Prever e prevenir são verbos tratados com púdico desprezo, como se significassem o mesmo que “agoirar”. Organizar é um verbo do qual a parte de “racionalizar criticamente” é convenientemente expurgada. Pelos interstícios desta mentalidade e deste permissivismo colectivos, onde os pequenos interesses individuais criam pactos de conveniência com pequenos e grandes interesses corporativos, escorrem rios de laxismo, fatalismo e oportunismo. Tal como o momento e modo da sua chegada foi imprevisível, também os efeitos da pandemia são difíceis de descortinar – seja em termos sociais, culturais, económicos ou políticos. Olhando para trás, para os efeitos da gripe espanhola, vimos surgir em diversos países europeus regimes autoritários que a crise financeira de 1929 ajudou a empurrar para o totalitarismo e para os horrores da 2ª Guerra Mundial.

Conselho Municipal de Educação O Conselho Municipal de Educação de Setúbal analisou a 27 de janeiro a situação educativa nas escolas do concelho e fez o balanço geral do primeiro período do presente ano letivo. A evolução do número infeções por Covid-19 em contexto escolar, incluindo ensino politécnico, no primeiro período do ano letivo 2020/2021, foi um dos assuntos partilhados na sessão desta manhã, por videoconferência, dirigida pelo vereador da Educação da Câmara Municipal de Setúbal, Ricardo Oliveira. Questões práticas de organização escolar em tempos de pandemia, a cedência de equipamento informático aos alunos abrangidos pelos

escalões A e B da Ação Social Escolar, no âmbito do programa do Governo “Escola Digital”, e a retoma do fornecimento de refeições e acolhimento de crianças de trabalhadores de serviços essenciais pela autarquia foram outras das temáticas abordadas. A reunião acolheu os contributos de professores, diretores de agrupamentos de escolas agrupadas e não agrupadas e de representantes de associações de pais e de estudantes e da autarquia e das juntas de freguesia do concelho Representantes da DGEstE – Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, da saúde pública, da segurança social, Instituto de Emprego e Formação Profissional, Instituto

Português do Desporto e Juventude, das forças de segurança e de instituições particulares de solidariedade social participaram igualmente no encontro desta manhã. A sessão promoveu a articulação entre os agrupamentos de escolas e as escolas não agrupadas, a DGEstE – Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, a Segurança Social e a Saúde Pública. Esta reunião ordinária do Conselho Municipal de Educação, a segunda do ano letivo 2020/2021, serviu ainda para fazer o ponto de situação em relação às coberturas de fibrocimento e a projetos educativos da autarquia, nomeadamente o Programa Municipal de Educação pela Arte e pelas Ciências Experimentais.

Seria hoje bom começarmos a olhar para a frente de forma crítica, aberta e abrangente. E começar a planear,

a prever e a prevenir. Sabendo também que a história das epidemias esteve sempre ligada a fugas populacionais dos insalubres centros urbanos para as periferias mais arejadas, e que a actual revolução do teletrabalho pode vir a suscitar uma alteração profunda nos padrões de mobilidade centro-periferia, seria racional criar meios de planificar o futuro de Azeitão sem as fragilidades que o desordenamento passado produziu no seu presente. Mas, para que tal milagre organizacional possa acontecer será talvez melhor chamar cá uma meia dúzia de peritos alemães da Budeswehr (exército alemão), para prevenir a construção de novos dormitórios nas margens da vila.


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Covid-19

Restrições de circulação na frente ribeirinha e Arrábida [ CMS

A zona ribeirinha da cidade de Setúbal e as vias de acessos às praias da Arrábida estão encerradas a todo tipo de circulação rodoviária, incluindo pedonal, como medida especial de combate à pandemia destinada a impedir ajuntamentos de pessoas. A decisão da Câmara Municipal de Setúbal de implementar estas restrições excecionais de circulação, motivada pelo agravamento da evolução da pandemia de Covid-19 no país, enquadra-se no atual Estado de Emergência e dá cumprimento ao decretado pelo Governo. Uma das limitações de circulação verifica-se na antiga EN 379-1, concretamente no troço compreendido entre a EN 379-1 (parte de cima da

Serra da Arrábida/Pinheiro) e a EN 10-4 (Gávea), assim como na estrada de acesso à Praia de Albarquel. Além do encerramento das estradas de acesso às praias da Arrábida a todos os peões e a qualquer tipo de veículo, a medida condiciona a circulação na zona ribeirinha da cidade, nas avenidas Jaime Rebelo e José Mourinho, no troço entre a Rotunda das Sardinhas e o Parque Urbano da Albarquel. O condicionamento verifica-se também em todas as vias de ligação àquele troço, nomeadamente ruas Engenheiro Ferreira da Cunha, Teotónio Banha, que mantém o acesso aos ferries, Cláudio Lagrange, Ocidental do Mercado, Trabalhadores do Mar, Praia da Saúde e do Gaz e tra-

vessas das Fábricas, do Sado e Casa da Saúde. Estas medidas dão cumprimento ao disposto ao artigo 35.º do Decreto n.º 3-B/2021, de 19 de janeiro, o qual indica que compete ao presidente da câmara municipal territorialmente competente o encerramento de todos os espaços públicos em que se verifique aglomeração de pessoas, designadamente passadeiras, marginais, calçadões e praias. Com a adoção destas restrições especiais no que respeita à circulação pedonal e rodoviária, em vigor a partir de hoje no concelho, no âmbito da contenção da infeção e contaminação de Covid-19, a autarquia procura impedir o ajuntamento de pessoas e fomentar na população o dever cívico de confinamento.

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Covid-19

Pontos-entrega de refeições escolares e acolhimento A Câmara Municipal de Setúbal definiu uma rede de distribuição de refeições escolares a alunos beneficiários de ação social escolar, composta por mais de uma dezena de pontos de recolha, que contempla crianças em situação de isolamento profilático domiciliário. Esta estratégia com pontos descentralizados procura agilizar e facilitar a entrega de refeições para os beneficiários dos escalões A e B da ação social escolar durante este período de interrupção letiva decretado pelo Governo devido ao agravamento da pandemia de Covid-19. Desta lista fazem parte as escolas básicas Barbosa du Bocage, dos Arcos, Luísa Todi, do Montalvão-Laranjeiras e n.º 8 do Bairro da Conceição, assim como as escolas básicas e secundárias da Bela Vista e Lima de Freitas e as escolas secundárias Sebastião da Gama, de Bocage e D. Manuel Martins. As sedes das juntas de freguesia do Sado e de Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra fazem igualmente parte da lista definida pela Câmara Municipal de Setúbal para recolha de refeições escolares durante este período mais crítico da evolu-

ção da crise sanitária. Além destes pontos de entrega, e para que ninguém fique esquecido, a autarquia proporciona ainda a entrega gratuita de refeições ao domicílio, nos casos em que os beneficiários se encontrem em situação de isolamento profilático, pedido que deve ser feito nas escolas frequentadas por estes alunos. Esta medida decidida pela Câmara Municipal de Setúbal dá cumprimento ao disposto no Decreto n.º 3-C/2021, de 22 de janeiro, o qual prevê a adoção das medidas necessárias para a prestação de apoios alimentares a alunos beneficiários da ação social escolar dos escalões A e B. O município definiu ainda que são as escolas-sede dos vários agrupamentos a funcionar com a função de acolhimento de filhos ou outros dependentes a cargo de trabalhadores de serviços essenciais e cujas funções não permitam a realização de teletrabalho. A lista de estabelecimentos de ensino de acolhimento é composta pelas escolas básicas Luísa Todi, de Azeitão e du Bocage, assim como as escolas básicas e secundárias da Bela Vista, Lima de Freitas e Sebastião da Gama.

Covid-19: quando é que as pessoas com diabetes vão ser vacinadas? A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) veio alertar as pessoas com diabetes que 30% a 40% já estão incluídas no grupo prioritário da primeira fase da vacinação contra a Covid-19. Esta percentagem corresponde às pessoas com diabetes com mais de 50 anos que têm, também, uma das seguintes condições: insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal e doença pulmonar obstrutiva crónica ou doença respiratória crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigenoterapia de longa duração. A associação disponibiliza ainda uma imagem informativa (ver imagem). “As vacinas estão aí e serão um instrumento fundamental no controlo da Covid-19, mas a sua distribuição será um desafio. As pessoas com diabetes sabem esperar pela sua vez, mas exigem que aqueles que estão em maior risco sejam devidamente priorizados. A atual comunicação sobre os grupos de risco não está a passar e, desta forma, é

preciso dizer que, entre aqueles que estão em maior risco, estão as pessoas com diabetes, com mais de 50 anos e, com pelo menos, umas das comorbilidades listadas para a primeira fase do plano de vacinação”, defende José Manuel Boavida, presidente da APDP. João Filipe Raposo, diretor clínico da APDP, esclarece que “são muitas as pessoas que vivem com diabetes e que estão com elevado risco em caso de Covid-19: estimamos que cerca de 30% a 40%. E a realidade é que muitas destas pessoas podem desconhecer que têm uma insuficiência cardíaca, coronária ou renal. Desta forma, recomendamos a todas as pessoas com diabetes e mais de 50 anos, que procurem esclarecimento junto do médico que as acompanha”. A associação dispõe ainda de uma Linha de Apoio da Diabetes (21 381 61 61), que pode ajudar a responder a esta e a outras dúvidas. www.apdp.pt


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Artes

Bolsas de Criação Artística A Câmara Municipal de Setúbal está a promover o desenvolvimento de trabalhos artísticos ao lançar, este ano, a primeira edição das Bolsas de Criação Artística, que contemplam a atribuição de apoios de cinco mil euros por projeto. A iniciativa destina-se a apoiar criadores ou coletivos que desenvolvam projetos em diferentes áreas artísticas, proporcionando-lhes um incentivo financeiro e a possibilidade de usufruírem de um espaço de trabalho nas instalações de A Gráfica – Centro de Criação Artística, localizada em Setúbal. No âmbito das Bolsas de Criação Artística podem ser selecionados até três projetos, sendo atribuído, a cada um, uma bolsa com o valor pecuniário de cinco mil euros. Ao artista ou artistas responsáveis pelos projetos selecionados é concedido alojamento em regime de apartamento, até um máximo de cinco elementos da

equipa e desde que o local de residência seja superior a 60 quilómetros de distância de Setúbal, num período até três semanas. Os projetos a candidatar devem ser criações originais e não terem sido apresentados publicamente, devendo estrear, no âmbito das Bolsas de Criação Artística, até agosto de 2022. Todos os projetos selecionados têm, obrigatoriamente, de ser desenvolvidos entre maio e dezembro de 2021. As candidaturas decorrem até às 23h59 de 19 de março, horário de Portugal continental, e devem ser submetidas por formulário disponibilizado em www.mun-setubal.pt/bca, onde também se encontram as normas de participação. Os resultados são divulgados até 15 de abril. Com desta iniciativa, a Câmara Municipal de Setúbal pretende apoiar criadores de artes performativas e visuais, com especial destaque para os artistas

emergentes, e fomentar a partilha entre os grupos de trabalho e os agentes locais. As Bolsas de Criação Artística têm também a finalidade de promover a abertura dos processos de trabalho ao público, potenciando a consciencialização de que a cultura deve ser acessível a todos, bem como contribuir para a renovação do tecido artístico local e nacional. No processo de seleção dos projetos candidatados são valorizados, entre outros critérios, a formação ou experiência dos criadores na área artística a que se candidatam, o plano de trabalho e calendarização, a inclusão de ações de formação no período de residência, o desenvolvimento de parte do projeto em Setúbal, a capacidade inovadora, a possibilidade de trabalhar com outros criadores ou coletivos e exequibilidade financeira. Mais informações no endereço de correio eletrónico agrafica@mun-setubal.pt

Projeto de educação ambiental

Mergulho virtual reúne mais de 1.000 pessoas em Portugal A edição do Kids Dive Virtual 2021, um projeto de educação para a proteção do Oceano, começou no dia 18 de janeiro, pelas 10h00, em dezenas de escolas de todo o país. Esta primeira sessão contou com um mergulho virtual que reuniu cerca de 1.300 pessoas às quais se deu a conhecer a diversidade do mundo subaquático em formato 3D. Dirigida a jovens dos 8 aos 17 anos de idade, esta experiência, com máscaras de realidade virtual 360° em cartão reciclado (oferecidas a cada aluno), permitiu um mergulho no oceano guiado por cientistas e comunicadores de ciência nacionais e internacionais. Uma das intervenções esteve a cargo de Paul Rose, líder das expedições da National Geographic Pristine Seas, mas todos os oradores falaram acerca de questões de conservação do Oceano, da biodiversidade e dos habitats, a nível nacional e global. O Kids Dive é um projeto criado em 2018 com o objetivo de alertar para a urgência de proteger o meio marinho e a biodiversidade. Com uma componente 100% prática, que este ano, devido aos constrangimentos da pandemia, teve de ser convertida em digital, o projeto promove a sustentabilidade através da

formação de uma geração azul que se pretende cada vez mais participativa. O Kids Dive, quer na versão física quer na virtual, mantém a aposta na máxima interatividade e experiência pessoal na promoção de uma maior empatia com o Oceano, alinhada com a Estratégia Nacional para o Mar definida recentemente. Os principais lemas do projeto continuam a ser: “aprender fazendo” e “conhecer para preservar”. O projeto foi composto por mais dois dias de experiências únicas (e seguras, no contexto atual): uma saída de campo ao vivo através do Instagram, em que os alunos interagiram em direto com biólogos que estavam em zonas marinhas a mostrar curiosidades científicas e histórias particulares da flora e fauna costeira em Portugal; e um terceiro dia onde fizeram uma visita virtual ao vivo ao Oceanário de Lisboa e ao Jardim Zoológico de Lisboa. Aí abordou-se a biodiversidade e as ameaças associadas aos ecossistemas marinhos e muitas outras temáticas relacionadas com a literacia do Oceano. De acordo com Frederico Almada (MARE-ISPA), biólogo e coordenador do projeto Kids Dive: “queremos alertar os mais jovens para a vida subaquática e permitir-lhes

ver o oceano pela perspetiva dos seres que nele habitam despertando-os assim para o valor da conservação do património marinho. Procuramos desvendar o mundo subaquático aos participantes deste projeto de modo a despertar neles a necessidade de conservação deste património, fortemente ameaçado, na defesa do qual eles terão de ter um papel ativo”. O Kids Dive é um projeto inovador na área da Educação, criado pelo MARE-ISPA e cofinanciado pelo Fundo Azul (Ministério do Mar), que envolve seis instituições de ensino superior portuguesas empenhadas em promover a “literacia do Oceano”. Para além do Oceanário de Lisboa/Fundação Oceano Azul e Jardim Zoológico de Lisboa, este projeto tem como parceiros: o National Geographic Summit, a ZERO (Associação Sistema Terrestre Sustentável), as Câmara Municipal de Cascais, de Sintra, Viana do Castelo e muitas outras, a DRM da Madeira, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a Associação Portuguesa do Lixo Marinho (APLM), a Escola Azul (DGPM), Atlantic Ridge Productions, a Nautilus - Escola Mergulho e outras escolas de mergulho em todo o país.

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Jardinar é fácil!

ARDÍSIA [ DR

POR JÚ MENDÃO

Este pequeno arbusto, cientificamente conhecido como Ardísia Cremata, tem um porte com cerca de sessenta centímetros de altura, e tanto está indicado para decorar ambientes interiores, como em jardins que tenham uma parte mais sombria. As folhas são de um verde intenso e brilhante, com as margens levemente recortadas. Na Primavera produz pequenas flores perfumadas, de coloração branca. Na estação seguinte, estas flores dão origem a pequenas bagas vermelhas, dispostas em cachos pendentes. Estas bagas duram tanto, que chegam a misturar-se com as flores da Primavera seguinte, e é aí que as ardísias têm a sua maior atração. Devem ser mantidas em locais com boa luminosidade, mas protegidas de correntes de

ar e do sol directo. O solo deve estar sempre húmido, mas nunca encharcado. Pelo menos uma vez por mês, adube as ardísias com fertilizante líquido próprio para plantas de interior. Em breve a Primavera está a chegar, e os nossos jardins vão "sofrer" uma explosão de cores e aromas. Desfrute tudo o que esta estação nos oferece, para ter a melhor Primavera de sempre no seu jardim.

Música portuguesa

SUNFLOWERS – “ENDLESS VOYAGE” [ DR

POR DAVID ALVITO

2020 foi, a todos os níveis, atípico. A pandemia alterou, de forma radical, planos e expetativas para o futuro mais próximo. Mas mesmo com a vida em stand-by, os lançamentos não pararam. O ano passado trouxe o regresso dos portuenses SUNFLOWERS aos discos. “ENDLESS VOYAGE” é nome mas… Não é só um disco. O novo trabalho do projeto da cidade invicta continua a vaguear pelo clássico som psych punk noisy pop, mas mais polido e aperfeiçoado. No entanto, se o som nos fica no ouvido, é a história que percorre os 12 temas que desperta a curiosidade. O trabalho é uma viagem conceptual pelo mundo da ficção científica, com a ascensão das máquinas e o apocalipse. Um caminho onde existe uma linha ténue entre a realidade e aquilo que a máquina que nos domina quer que aceitemos como real. Os SUNFLOWERS voltam a

surpreender quem percorre os cerca de 40 minutos do disco. Mas este não é SÓ um disco. É uma metáfora e um alerta para o mundo atual, onde as máquinas já dominam grande parte da nossa vida. SUNFLOWERS – “ENDLESS VOYAGE” HTTPS://THESUNFLOWERSMUSIC.BANDCAMP.COM/

EDIÇÃO STOLEN BODY RECORDS E POITIERS' ONLY LOVERS RECORDS HTTPS://WWW.STOLENBODYRECORDS.CO.UK/ HTTPS://WWW.ONLYLOVERSRECORDS.COM/ FORÇA TOTAL À MÚSICA NACIONAL! DAVIDALVITO@GMAIL.COM


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Jornal de Azeitão

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Azeitão

Receita Vegetariana [ DR

A Onda celebra protocolo e apoio financeiro [ CMS

Um protocolo de colaboração a celebrar entre o município e A ONDA – Associação Orientadora para a Natação Desportiva em Azeitão, que inclui a atribuição de um apoio financeiro, foi aprovado em reunião pública pela Câmara Municipal de Setúbal. A associação A Onda é responsável pela dinamização de um conjunto de iniciativas de âmbito desportivo na Piscina Municipal de Azeitão, concretamente a Escola Municipal de Natação, o Núcleo de Natação Pura de Azeitão, o Núcleo de Pentatlo Moderno e o

Núcleo de Esgrima. Neste sentido, o protocolo tem com objetivo o estabelecimento de uma parceria que visa a criação de condições de desenvol-

vimento desportivo de um alargado conjunto de projetos no que respeita a competição e alto rendimento em diversas modalidades e disciplinas desportivas.

“É de extrema utilidade a manutenção de uma parceria com uma associação especializada no desenvolvimento de diversas atividades aquáticas, potenciando a rentabilização dos recursos existentes e a qualidade da oferta dos serviços municipais”, aponta a deliberação. No âmbito deste protocolo, a Câmara Municipal de Setúbal atribui um apoio financeiro no valor de 28 mil e 831,20 euros, para “fazer face à atividade desportiva e à contratação dos técnicos necessários para o primeiro quadrimestre do ano”.

Apoio

POR SOFIA FERNANDES

Rampa PêQuêPê da Arrábida 2021 A Câmara Municipal de Setúbal aprovou em reunião pública, a atribuição de um apoio financeiro ao Clube de Motorismo de Setúbal com vista à realização da 30.ª edição da Rampa PêQuêPê da Arrábida. A deliberação para atribuição de um montante de 20 mil euros para a organização do evento desportivo motorizado, agendado para os dias 10 e 11 de abril, resulta de uma candidatura apresentada pelo clube a apoio

Pudim de chocolate

financeiro ao abrigo do Regulamento Municipal de Apoio ao Movimento Associativo. Este ano, a Rampa PêQuêPê da Arrábida volta a integrar o Campeonato de Portugal de Montanha da Federação Portuguesa de Automobilismo e Kart, “presença que conquistou em 2019 após o sucesso de organização e de público das edições de 2017 e 2018”, destaca o documento. A prova rainha do desporto motorizado setubalen-

se, a realizar ao longo de dois dias e com uma participação expectável de 70 equipas, integra ainda o Campeonato

Rua José Agusto Coelho, 142 • 2925-539 Azeitão

Portugal Clássicos de Montanha, a Taça Portugal de Montanha e a Taça Portugal Clássicos de Montanha. [ CMS

Preparação: Colocar a bebida vegetal num tacho e levar ao lume. Quando começar a ferver, juntar o amido de milho dissolvido previamente num pouco de água e a geleia de agave. Adicionar os quadrados de chocolate preto. Sempre em lume brando, mexer continuamente, até começar a ficar com uma consistência cremosa. Retirar do lume e despejar numa taça. Deixar arrefecer, polvilhar de canela e levar ao frigorífico até servir.

Ingredientes 1 lt de bebida vegetal sabor a chocolate 100 ml de geleia de agave 50 gr de amido de milho (maisena) 2-3 quadrados de chocolate preto

Contatos do Meu Vegetariano: 919775555 (Sofia Fernandes) meuvegetariano@gmail. com Av. 22 de Dezembro, 27-B Setúbal Facebook: Meu Vegetariano

Tel. 212 190 910 - Fax: 212 180 190 Tlm. 966 001 238 • 968 034 403 • 935 423 912 • 916 323 078 E-mail: geral@funerariaazeitonense.com