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RibeirĂŁo Preto, setembro de 2006 - ano I - nÂş 12


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Setembro de 2006

Opinião

Devemos investir nestes pontos favoráveis para manter e gerar novos empregos Ler no Jornal da Vila: “valorize o que é seu, compre no comércio da Vila” é a postura que devemos adotar para termos um bairro completo, facilitando a vida de quem não tem tempo e também para quem não pode se afastar muito de casa. Temos um comércio aqui na Vila há uns 15 anos e uma clientela muito fiel, mas muitos ainda preferem comprar no Centro ou no shopping. E preciso fazer uma pesquisa de mercado junto aos consumidores para saber o que os leva a comprar em outro

lugar? Quais são as deficiências do bairro? A Vila Tibério tem localização privilegiada por estar próxima do Centro e é passagem para outros bairros. Devemos investir nestes pontos favoráveis para manter e gerar novos empregos aqui mesmo com uma economia benéfica tanto para o empregado quanto para o empregador. O comentário que mais ouvimos dos clientes é que eles não sabem onde estão as lojas e se comercializam o que procuram. Falta informação. É

necessário a união dos comerciantes, principalmente os pequenos, para que haja uma divulgação mais intensa do que oferecem. Quando recebi a proposta para expressar minha opinião, comecei a analisar junto aos clientes e outros comerciantes amigos, o motivo das nossas dificuldades nos últimos tempos e concluímos que ficar apenas na defensiva não resolve nada. é preciso buscar uma solução junto à ACI Vila Tibério, participando, organizando, colaborando e, principalmente, agindo para no final, sermos todos vitoriosos. Letícia Midori Toyama Casa Loreto

Recordando um passado não tão distante Numa manhã chuvosa, junto com Marinho Muraca, Nancy Approbato, José Luiz Bissoli, José Carlos Spanghero, Jair Fernandes Cabrini, Sílvio César Camargo, diretores da ACI-Vila Tibério, de Rose, secretária da entidade, de Tânia Muraca, do Café Home Vídeo e de Dorotéia, da Associação de Moradores de Vila Tibério (Amovita) e voluntários que estavam limpando a nossa praça Coração de Maria, começamos a lembrar de um passado não tão distante. Ali onde hoje é o prédio do Banespa localizava-se o antigo Bar e Bocha Botafogo do falecido Canaan Pedro Além, pai do Sebastião, dono do Bar do Epicurista. Na outra esquina, onde hoje é o Hotel Shelton, ficava a padaria dos irmãos Crispim, Nininho, Zeca, Joaquim e Tatinha. O cine Vitória hoje uma igreja evangélica, o cine Marrocos hoje a Caixa Econômica Federal. A rua principal era a Coronel Luiz da Cunha. A única que interligava o bairro ao centro, passando ao longo da hoje abandonada Cervejaria Antarctica Paulista para chegar na estação da Companhia Mogiana, que se estendia até onde hoje é o Parque Ecológico e Câmara Municipal.

Informativo mensal com circulação na Vila Tibério Tiragem: 5 mil exemplares jornaldavila@gmail.com Braga & Falleiros Editora Ltda. ME CNPJ 39.039.649/0001-51

Fone: 3610-4890

Jornalista responsável: Fernando Braga - MTb 11.575 Impresso na FullGraphics (16) 3965-5500 - Ribeirão Preto

Em dia de Come-Fogo, após as partidas, era comum ver os poucos carros da época arrastar penicos ou sapatos pelas ruas do bairro, numa ostensiva provocação das torcidas rivais: o Botafogo era o chulé e o Comercial o penico, o que poderia acabar em pancadaria em frente ao Bar Botafogo ou do Restaurante do Tio Camarotto que eram redutos de torcedores botafoguenses. Na praça aos sábados e domingos tinha o famoso Serviço de Alto-falantes Centenário que apresentava um variado repertório musical. Que saudade dos retratos no coreto da Praça onde as pessoas podiam freqüentá-la e os moços circulavam de um lado e as moças do outro para se flertarem. Quantas famílias se formaram destes olhares na nossa querida Praça. A fonte teve de ser desativada por ação de vândalos. As árvores hoje servem de dormitório para milhares e milhares de pombinhas. A economia era forte. A fábrica de calçados do Chiquinho Rosifini na Rua Aurora. A fábrica de vidros Santo

Antônio. As empresas moveleiras da família Cauchick na Luiz da Cunha, a Cia Antarctica. O Banco Construtor, que foi uma potência e hoje está abandonado. A grande loja Confecções Pedro fechou também. Onde hoje é a Pastelaria Piu Piu era a Casa do Governo. No esporte, a saudável rivalidade futebolística do Tupy Futebol Clube com a mocidade católica do Tiberense que sempre acabava em comemoração no bar ao lado do Cine Marrocos, de Santo Uzueli, hoje taxista na ponto da praça Coração de Maria ou no Bar do José Bernardi, na esquina da Igreja N.S. do Rosário. Precisamos retomar o direito de brincar com nossas crianças nas praças e convivermos em harmonia no bairro composto em sua maioria de aposentados do comércio, da Cervejaria Antarctica e da Cia Mogiana. Luiz Bento da Silva Cadeira nº 28 - Dr. Orlando Jurca ALARP - Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto

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Terra Natal... Quando se fala em Terra Natal, podemos entender que se trata de algo que deve ser olhado através de um prisma claro e transparente e em contrapartida ser levado bastante a sério, pois está diretamente relacionado ao que podemos ter de mais íntimo dentro de nós, que são as nossas próprias raízes. Do lugarzinho onde nasci, trago dentro de mim um grande orgulho, considerando que ali estão plantadas as minhas mais profundas raízes, e eu creio que não conseguiria arrancá-las, mesmo que assim eu o quisesse. De uma forma geral, creio estar enquadrado como natural do ser humano, orgulhar-se sim do lugar, do “berço” que o tenha acolhido no primeiro momento de sua vida, pouco importando aqui, “o como” ou “o porquê” das mais diversas situações. Quem não tem raiz, em regra, não pode ter pátria. Aí então, eu fico cá, matutando com “meus botões”, tentando imaginar o que levaria alguém a renegar sua própria origem. Na realidade, torna-se este um questionamento bastante polêmico e difícil de ser analisado, uma vez que cada qual traz seu livre arbítrio, de demonstrar as mais diversas reações diante de um mesmo problema. Eu particularmente, não me sinto apta a julgar procedimentos semelhantes, mas confesso que estou sim, bastante curiosa ante ao porquê da atitude desta tão grande e respeitada figura do meio artístico, LIMA DUARTE, que teria renegado o fato de ser filho de RIBEIRÃO PRETO, mais precisamente da nossa tão querida VILA TIBÉRIO. Que fatos poderiam levar al-

guém a agir desta forma? Não sei... Mas sei que LIMA DUARTE, impediu com esta sua atitude, que muitos de nós, pudéssemos acondicionar em nossa bagagem, o orgulho de ser conterrâneo de tão ilustre personagem. Creio que, ninguém pode negar a sua importância e o destaque que tem apresentado, como o grande ator que é, junto à televisão brasileira. Não resta dúvida, que tal atitude de LIMA DUARTE, despertou no pessoal da VILA TIBÉRIO, as mais diversas reações. Algumas de repúdio, outras de desconsideração, outras de desacato, insensibilidade, e por aí vai... Mas por outro lado, se analisarmos friamente, poderemos detectar que o mais prejudicado nesta história toda é o próprio LIMA DUARTE, que publicamente, priva a si próprio de poder propagar o orgulho de “ser filho” desta “nossa” tão querida VILA TIBÉRIO, que é sem dúvida um maravilhoso pedacinho de terra, abençoado por Deus e prestigiado por todos, localizado dentro desta RIBEIRÃO PRETO, que bem sabemos é conhecida, admirada e propagada por aí afora... Maria Cleuza Garcia Naldi Leitora do Jornal da Vila e moradora da “querida” Vila Tibério


Evento

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Sinhá Junqueira faz aniversário em outubro

E convoca alunos e ex-alunos para a festa

Para a festa dos 85 anos de fundação da Escola Estadual Dona Sinhá Junqueira, que ocorrerá no mês de outubro, estão programados vários eventos abertos para o público: Comemoração dos 50 anos da escola

Desfile 7 de Setembro Jardim da Infância - 1952

Festa de Confraternização - profas. Deodata Tavares, Maria Ap. Rabello dos Santos, Anna de Freitas Arantes, Maria Ap. Corrêa, Maria Ap. Rabello Biava e Zelinda Pedreschi Chaves

2º ano - Profa. Lídia Freitas - 1952

Festa de Confraternização - profs. Nemésio Baptista Salvador (diretor), Zelinda Pedreschi Chaves, Ida Pizzoli Marchesi, Trade Amprino Ferreira, Antonieta Marzola, Léo Vecchi Neto e Ismênia Brasilina Nicollela Faillace

Corpo docente e direção da escola na despedida de Yolanda Pizzoli

Início da comemoração dos 50 anos da escola

Dia 1º de outubro você tem um compromisso com a verdade. É o momento de dar um basta à política da mentira, da promessa, do assistencialismo barato, e mostrar com seu voto toda a indignação há tanto sufocada. Nesse encontro com a verdade, Silvana Resende estará presente. Jornalista e vereadora, Silvana pauta seu trabalho pela ética e espírito público. Implacável na fiscalização, fez inúmeras denúncias contra o governo do PT, muitas delas fundamentais para desmascarar a ‘república de Ribeirão’ chefiada por Antônio Palocci. O fim da história você já sabe... A verdade sempre aparece. Silvana também lutou contra o aumento do IPTU e está à frente da campanha “Uma dose de vida”, que arrecada remédios para a rede de saúde. Agora ela encara um novo desafio: lutar pelo nosso Estado como deputada. Portanto, na hora do voto, vote de verdade. CNPJ: 39.039.649/0001-51

No alto - Profa. Betty von Gal Furtado, Maria Amélia F. Carvalho e o diretor Léo Vecchi Neto

7/10 - 9 horas - Desfile dos alunos da escola pelas ruas do bairro, abrindo as festivas de outubro. 11/10 - 19 horas - Coral da USP. 16/10 - 20 horas - Orquestra Sinfônica da Igreja Assembléia de Deus 16 a 20/10 - Gincana cultural e esportiva entre alunos. 18/10 - 20 horas - Apresentação da peça teatral “Auto da Compadecida”, com o grupo Teatro Popular de Comédia. (Reservar convite). 19/10 - doação de sangue para o hemocentro do Hospital São Lucas. - Será uma das provas da gincana. Pede-se a participação da população em geral e principalmente dos ex-alunos. 20/10 - 19 horas - Cantata dos alunos da 4ª série (apresentação musical) 20/10 - 20 horas - Chorinho com o grupo musical Evocação.

Profa. Cleire Donegá Morandine com alunos do 2º ano - 1969

Festa do Livro - 1971 Profa. Dirce Hákime Ribeiro de Assis com alunos do 1º ano


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Evento

Sinhá Junqueira A escola do bairro operário Na parte central, defronte ao Jardim No início do século XX, RibeiFizeram a escola rão Preto firma-se como a Capital Terceiro Grupo Escolar do Café com seus 36 milhões de Frente voltada pra velha estação cafeeiros, e a economia gira em Ganhou nome de honra: torno de grandes escritórios de Galardão a veneranda Dona Sinhá(...). compradores. (André Bordini - Cântico da Escola) A Antarctica inicia a construção de sua fábrica em fevereiro de 1909, o que dará maior destaque à Vila Tibério, pois será uma indústria a ocupar 400 operários. O bairro progride rapidamente, pois a sua localização próxima ao centro da cidade favoreceu seu Pareceres da Comarca de Ribeidesenvolvimento. Em 12 de outu- rão Preto, em 28/4/1919, através bro de 1918 é fundado o Botafogo da Resolução nº 797, a prefeitura Futebol Clube. autorizou a doação do terreno ao Com o crescimento, a Vila Governo do Estado, para a consTibério pedia uma escola que trução do 3º Grupo Escolar de Riatendesse as necessidades da beirão Preto. Posteriormente, pelo população. O local destinado à Decreto nº. 23.949 de 16/12/1954, construção era conhecido como o nome da escola mudou para Gru“Chácara Veridiana” ou “Chácara po Escolar “D. Sinhá Junqueira”, Martinico” e era de propriedade do numa homenagem à Theolina de conselheiro Antônio da Silva Pra- Andrade Junqueira que realizou do, D. Veridiana Valéria da Silva diversas ações sociais e filantrópiPrado e de D. Albertina Prado que cas na cidade de Ribeirão Preto e venderam à prefeitura pelo valor de região. Atualmente o nome da es30:000$000 (trinta contos de réis). cola é E.E. “D. Sinhá Junqueira”. Conforme consta, no livro de Fátima Ap. Maglio Colus Registro de Leis, Resoluções e Professora e Mestre em Educação

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O Porvir

Jornal do 3º Grupo Escolar que circulou por 22 anos O jornal “Porvir”, que começou a circular em 1947, foi um jornal semestral da Escola Sinhá Junqueira e nos seus 22 anos de existência desempenhou um papel importante no aspecto educacional, comunicativo, na difusão dos valores e costumes da época, além de ser um órgão de divulgação da escola. Posteriormente, o jornal transformou-se em um jornal mural, deixando de ser editado no final da década de 1960. Feito pelos alunos, sob coordenação dos professores. Em 1947, o diretor da escola Sinhá Junqueira, prof. Octacílio Alves de Almeida, organizou comissões, formadas pelos docentes, para a realização de trabalhos coletivos. A comis-

são do jornal, inicialmente, esteve sob a responsabilidade da profª Afra Bertoldi e nos anos seguintes houve revesamento do responsável pela edição do jornal. Em 1953 foram vendidos 2.300 exemplares. A verba arrecadada pela venda era destinada para realização de benfeitorias na instituição . Realizavam-se campanhas e concursos internos para a venda dos jornais, sendo distribuídos prêmios à classe vencedora. Em 1955, o saldo existente do jornal era de CR$ 3.963,40 que foi utilizado na compra de vidros para as salas de aula, segundo Ata de Reunião Pedagógica. Um fato interessante sobre o jornal ocorreu em 1954, quando

Escola Santos Dumont comemora centenário do 14 Bis A escola Santos Dumont realizará no dia 23 de outubro exposição de trabalhos alusivos à data, mostra de dança, e o resultado dos seguintes concursos: poesias, escolha da bandeira da escola e réplicas do 14 Bis. Com atividades durante todo o dia e encerramento previsto para as 19h30. A direção da escola convida os alunos e familiares, além de ex-alunos e toda a comunidade para participar das festividades.

a profª Glória dos Santos Fonseca ofertou alguns números do jornal a universitários de Coimbra (Portugal) que visitavam a cidade. O jornal comentava a visita e os alunos da 4ª série – masculino davam boas vindas aos estudantes portugueses. Passado algum tempo, a escola recebeu nota de agradecimento do vice-reitor da Universidade de Coimbra pela atenção recebida nesta instituição. O objetivo do jornal “O Porvir” era divulgar acontecimentos do cotidiano, conteúdos trabalhados na escola, opiniões dos educandos, comemorações cívicas, entre outros. Fátima Ap. Maglio Colus Professora no Sinhá Junqeira e Mestre em Educação


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Lima Duarte nasceu aqui na Padre Feijó. Essa história de Desemboque é conversa Quem afirma é Gilda Ladeira, que conviveu e trabalhou com a família de “Teninho”

‑ Foi uma grande decepção para mim, quando li numa revista, o Lima Duarte falando que tinha nascido no Desemboque. Ele nasceu aqui na Padre Feijó, nasceu na Vila Tibério, trabalhou na Casa Bardaro, na Saldanha Marinho. Essa história de Desemboque é conversa... Ele não vai ser homem de vir aqui e me desmentir, afirma dona Gilda, com a tranqüilidade de quem sabe o que está falando. Dona Gilda Ladeira, hoje com 75 anos, conta que conheceu a família de Lima Duarte desde quando eles moravam na Padre Feijó e depois mudaram para a Martinico Prado, onde passou a funcionar o Centro Espírita. Ela auxiliava a mãe de Ariclenes, Dona América Martins, a Dona Pequena, na limpeza do salão onde ocorriam as sessões e estudava no 3º Grupo Escolar, hoje Sinhá Junqueira, junto com Ariclenes, que tinha o apelido de “Teninho” e seu irmão Geraldo, que faleceu aos dez anos com crupe. ‑ Dona Pequena tinha um apreço muito grande por mim e fui convivendo e crescendo com os filhos dela, lembra Gilda Ladeira. Tempos depois foi formado um grupo de teatro com objetivo de angariar fundos para o funcionamento do Centro. Apresentando peças de Theodoro José Papa e até de Procópio Ferreira, o grupo formado por Vitaliano Mauro, que dirigia o pessoal, e por José Velloni, Chanaan Pedro Além, José Pavanelli, Tranqüilo Tóffano, Elza Dias, as irmãs Tereza e Judith Mengel, Lucilda, o casal Geraldo Ramos e a esposa Sandra Maria, além da própria Gilda, de Teninho e da presença marcante de Dona Pequena, que era a atriz principal. ‑ Ela era a maioral, lembra dona Gilda. Anuncie no Jornal da Vila

F.: 3610-4890

Dona Pequene, a mãe do Lima Duarte tinha um apreço muito grande por mim

O Grupo de Teatro Amador funcionou por muitos anos, se apresentando em diversos locais de Ribeirão como no cine Avenida, na Dante Alighieri, no Círculo Operário e em diversas cidades como São José do Rio Preto, Orlândia, São Joaquim da Barra, Sertãozinho, Dumont e muitas outras. Mais tarde, a família de Teninho começou a passar por dificuldades financeiras. O pai de Ariclenes, seu Martins, que era balconista na Casa Glória, saiu do emprego, teve uma crise de alcoolismo e foi internado no Hospital Santa Teresa.

Atriz e cantora Gilda Ladeira trabalhou como atriz, no teatro, e em diversas rádios, como cantora. Ela é filha de Osório Ladeira, que foi maquinista na Mogiana e de dona Faustina. Irmã de três jogadores de futebol: Quelé, que jogou pelo Botafogo, São Bento de Sorocaba, e pelo Bangu, no Rio de Janeiro, mora hoje em Marília. Osvaldo, que jogou pelo Botafogo, Comercial, Palmeiras e Flamengo, faleceu em 2005. Olívio, que jogou no Palestra Itália, faleceu há dois meses. E também é tia de dois jogadores: Ladeirinha, filho de Olívio, que atuou no Botafogo, Bangu, Náutico e Guarani, hoje é supervisor técnico do Juvenil do Corinthians. Ziza, filho do Osvaldo, que jogou no Botafogo e no Comercial, no tempo de Oswaldo Brandão, Rubens Minelli e de José Agnelli., hoje na Clicheria Ladeira. Das cinco irmãs, três faleceram. Gilda hoje mora com Lídia, que embora não querendo aparecer na história, confirmava ou corrigia cada palavra de sua irmã e companheira. Elas fazem parte da memória oral de Ribeirão Preto.

Teninho, Geraldo Ramos, que trabalhava na Rádio 79 e sua esposa Sandra Maria, iriam fazer um teste na Rádio Tupi, em São Paulo e Dona Pequena preparou uma sessão especial no Centro Espírita para pedir que eles tivessem êxito. ‑ Dona Pequena, que recebia um espírito chamado Lima Duarte, me contou que se o Teninho passasse nos testes ele adotaria o nome do espírito de luz, afirma Gilda Ladeira. Os três passaram nos testes, mas somente Teninho continuou em São Paulo e adotou o nome que sua mãe prometera: Lima Duarte.

Se você conhece algum fato ou pessoa importante na história da Vila Tibério, ou se você quer sugerir alguma matéria, entre em contato. O Jornal da Vila é seu! Fone 3610-4890 ou pelo e-mail:

jornaldavila@gmail.com

Algum tempo depois, Dona Pequena também mudou-se para São Paulo com Fausto, seu filho adotivo e foi residir por um tempo, na residência do sr. José Corrêa, que foi um dos fundadores do Centro Espírita Batuíra e que arrumou um trabalho para ela no Hospital Santa Helena, em São Paulo. Seu Martins morreria anos mais tarde no Hospital Santa Teresa, em Ribeirão Preto. Dona Gilda acredita que Lima Duarte fez questão de apagar o passado e, com isso, acabou esquecendo também dos amigos daqui da Vila Tibério.


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Lima Duarte nasceu na Vila Tibério Resumo do que foi publicado pelo Jornal da Vila nas edições anteriores Fernando Braga Nas edições de julho e agosto de 2006, o Jornal da Vila iniciou uma série de matérias sobre um fato que intriga várias gerações aqui na Vila Tibério. Quem nunca ouviu contar que Lima Duarte teria vivido aqui próximo ao “Barranco”, área situada atrás da antiga estação da Mogiana. A série começa a partir do depoimento feito por uma senhora que foi colega de infância de Ariclenes Martins (Lima Duarte) lembrando dos tempos de “Teninho” na Vila Tibério, e que, pelo fato de sua mãe ter sido muito amiga da mãe dele prefere não ser identificada. Ela recorda que ele estudou os primeiros anos no então 3º Grupo Escolar e participou de grupos teatrais. Os pais de Ariclenes, o “seu” Tonico, que trabalhava na Casa Glória e América Gonçalves Martins, a dona Pequena, estavam entre os fundadores do Batuíra. No início da década de 30 mudaram-se para a rua Martinico Prado, atrás da estação da Mogiana, onde os filhos cresceram. Geraldo, o filho mais velho, morreu vítima de crupe (infecção viral contagiosa das vias aéreas), por volta dos nove anos, em uma época de poucos recursos. O casal adotou outro filho, Fausto. E aos 16 anos, Ariclenes foi de trem para São Paulo deixando para trás a pequena Vila. Esta versão contradiz a biografia oficial que afirma ser ele do Desemboque, distrito de Sacramento, Minas Gerais, e que chegou a São Paulo num caminhão de manga. A senhora que nos informou acredita que ele, jovem ainda e com imaginação muito fértil, fantasiou seu passado e que depois ficou difícil de voltar atrás.

Sinhá Junqueira - Nos arquivos do 3º Grupo Escolar consta que Ariclenes Martins foi matriculado em 1937, no 1º ano, com a professora Edina Exel Cavalcanti e em 1938, teve como professora Marianna Mascagni. Dona Olga - Olga Massaro Pinheiro, hoje com 82 anos, jamais imaginaria que um daqueles dois meninos, sempre bem arrumados com camisas brancas e calças curtas, viria a se tornar um dos maiores atores do Brasil. Eram Geraldinho e Ariclenes Martins (Lima Duarte), filhos de seu Tonico (Antônio) e de Dona Pequena (América) que ministravam catecismo no Centro, que além da iniciação Espírita também alfabetizavam as crianças. Dona Olga começou seus estudos ali, em uma ampla casa no início da rua Martinico Prado, onde estava instalado o Batuíra e nos fundos ficava a residência dos pais de Ariclenes, que tinha dois anos naquela época. Ela contava com oito anos de idade. Dona Olga lembra bem dos pais de Ariclenes: “Dona Pequena, ensinava a gente a ler e escrever e sempre pedia para seu Tonico, que era um senhor muito bom, para tomar conta dos meninos que ficavam correndo, subindo e descendo a escada”. Ela se recorda também dos avós de Ariclenes, o seu

Rolo e dona Sianinha, que moravam na Padre Feijó, bem próximo ao Batuíra, onde sempre se encontravam. VELLONI - O jovem Ariclenes Martins, o “Teninho”, como era chamado, participava do grupo de teatro da Unificação Kardecista, sob o comando de Theodoro Jo-sé Papa e eventualmente trabalhava em alguma peça do Teatro Escola de Ribeirão Preto, onde atuava sua mãe, a Dona Pequena. Quem nos informa é o ex-vereador José Velloni, de 85 anos, que era ator na época. Velloni chegou a trabalhar com o “Teninho” em duas peças: “A Patroa tinha razão”, na qual ele fazia o papel de um datilógrafo e em “O Médico dos Pobres”, em que o ator era um estudante de Medicina que tinha o romance proibido pelo pai da moça, protagonizado por Velloni, que impedia o casamento e posteriormente o médico viria salvar a vida da moça. O ex-vereador lembra que a mãe de “Teninho”, a Dona Pequena, era uma ótima atriz, muito versátil para qualquer papel, mas era excelente nas comédias. Trabalhou nas peças “Maria Caxuxa”, “Deus e a Natureza”, “Onde Canta o Sabiá”, “Neto de Deus”, entre outras. Depois que o jovem “Teninho” foi embora para trabalhar na rádio Tupi, em São Paulo e depois da morte do marido, “seu” Tonico, dona Pequena também foi para São Paulo trabalhar como telefonista na Fundação Zerrener, afirma Velloni.

Ariclenes Martins nasceu em 29 de março de 1930 em uma casa no começo da rua Padre Feijó e foi registrado no cartório do 1º Subdistrito - Ribeirão Preto, às folhas 033-V do livro A nº 132 de Registro de Nascimento sob nº de ordem 612, no mesmo dia de seu nascimento, conforme fac-símile acima. WANDA - Dona Wanda Clasen, hoje com 81 anos, conta que na montagem da peça “Onde canta o Sabiá”, o diretor artístico do Grupo de Teatro Amador, Vitaliano Mauro estava com dificuldade de encontrar um ator para o papel de motorista. Depois de muitos testes com diversos rapazes, alguém perguntou porque não experimentar o filho de dona Pequena. - Aí a gente viu que ele já tinha jeito pra coisa, afirma dona Wanda. O jovem “Teninho”, como era chamado Ariclenes, sempre acompanhava os ensaios e apresentações de sua mãe, dona América Martins, a Dona Pequena, que era uma das principais atrizes do grupo. - O Teninho tinha 16 anos e usava um paletozão bem maior que ele. Eles moravam no “Barranco” e eram bem humildes, lembra dona Wanda.

Alunos do Catecismo do Centro Espírita Batuíra. Os irmãos Geraldo e Ariclenes Martins podem ser um dos garotos na primeira fila à direita

Assessoria não responde No início de maio entramos em contato com a assessoria de Lima Duarte para um posicionamento diante da notícia de que ele havia morado na Vila Tibério. Pediram edições anteriores do Jornal da Vila, que foram enviadas em 9 de maio. Em 30/5 recebemos resposta dizendo que os jornais seriam entregues a ele. No dia 26 de junho enviamos e-mail informando que conseguimos evidências que ele nasceu na Vila e pedimos um depoimento. Em 7 de julho recebemos este e-mail: “O Lima está enlouquecido com o final da novela e emendou um trabalho no outro, pois começa a rodar um longa já nesta 2ª feira, por isso ele não conseguiu escrever este depoimento. Mas só para esclarecer o Lima não nasceu em Ribeirão Preto, ele nasceu em uma cidade chamada Desemboque em MG e passou uma parte da infância na Vila Tibério. O que eu posso te dizer é que talvez eu encontre com o Lima no dia 11 (não está confirmado ainda), não sei se fica muito em cima para vc, mas posso tentar arrancar algumas palavras dele. Atenciosamente,” Marcia - D’Antino Agentes No dia 11/7 recebemos este e-mail: “Prezado Fernando, Conversei rapidamente com o Lima hoje e o que ele passou para mim é que ele morou na Vila Tibério dos 7 aos 15 anos, onde frequentou a primeira escola e teve seu primeiro emprego. Depois da Guerra ele se mudou. Desculpe por não poder te ajudar mais, mas é que a vida do Lima no momento está uma loucura. Espero que ajude. Atenciosamente,” Marcia Procurados novamente depois da publicação das edições de julho e agosto, a Assessoria não respondeu.


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Geraldo, o primo do Lima

Geraldo aponta para a última residência de Lima Duarte em Ribeirão, numa vilinha, no começo da Santos Dumont

Despachante Naval Seu Geraldo é ó primeiro despachante naval do interior e atua há 23 anos cuidando de habilitações, transferências, carteiras de pesca, etc. É proprietário da Maré Alta Despachos Navais, na av. do Café, e é auxiliado pela esposa Ieda, que é advogada. Tem três filhos, sendo dois jogadores de futebol: Hélio é zagueiro profissional no Santos e Gegê é juvenil no Comercial. Em 1999 salvou a vida de um garoto de Osasco que teve congestão e foi retirado do fundo da piscina do Mogiana. Com massagens cardíacas e respiração boca-a-boca conseguiu salvá-lo. Depois, quando o Mogiana fez o jogo de volta, lá em Osasco, foi homenageado com um diploma de honra ao mérito.

Geraldo Mota Gonçalves, de 74 anos, é primo em primeiro grau de Lima Duarte. Seu pai, José Mota Gonçalves era irmão de Dona Pequena, a mãe de Ariclenes Martins. Sua família, os pais e 17 filhos, saiu de um sítio em Jardinópolis e foi para Goiás. Depois vieram para Ribeirão, com o pai indo trabalhar no Educandário e ele, por precisar estudar, foi morar com Dona Pequena, Ariclenes e Fausto, em uma vilinha, no começo da Santos Dumont, onde ficou por quase dois anos. ‑ Eu tinha 13 anos e o Teninho tinha 15. Uma vez ele me levou no cine Avenida e quando o trem, no filme, vinha em direção à platéia, eu me abaixei. Ele falou para não fazer isso que todo mundo ia rir de mim, lembra sorrindo seu Geraldo. Depois de um tempo que Teninho foi para São Paulo trabalhar na Rádio Tupi, o seu Martins ficou doente e foi internado no Hospital Santa Teresa e a Dona Pequena também acabou mudando para a Capital. ‑ Cheguei a ficar um tempo na casa dela fazendo um estágio em São Paulo e o Teninho me levou para assistir uma apresentação de novela na Rádio Tupi. A Hebe era mocinha. Lá os atores ficavam em uma bancada com vários microfones e cada um ia falando na sua vez, ao vivo, e tinha uns auxiliares que faziam barulhos de porta abrindo, vento zunindo, cavalo trotando, galopando. Eu acabei ficando decepcionado e nunca mais ouvi uma radionovela, recorda Geraldo Gonçalves. Aí seu Geraldo retornou a Ribeirão e só teve contato com Lima Duarte por ocasião da morte do seu Martins, no final dos anos 60. ‑ Eu fiz o velório dele e avisei minha tia e o Teninho para vir para o enterro. Depois disso nunca mais encontrei com ele, diz seu Geraldo. Depois disso seu Geraldo ainda levou a “Avó Cota” para morar com Dona Pequena em São Paulo. Ela morreu aos 103 anos.

‑ Com 99 anos ela foi para São Paulo, pela Mogiana. Com cem anos ela ainda fazia crivo (espécie de bordado com tecido desfiado), afirma Geraldo Gonçalves. Sobre o local do nascimento de Lima Duarte, seu Geraldo afirma não saber direito. Mas sobre Desemboque ele lembra que a avó Cota foi proprietária de terras lá, que teve quase três mil alqueires e que depois perdeu tudo, com a Lei Áurea. ‑ Ela não podia ouvir falar da Princesa Isabel que ficava brava, afirma Geraldo Gonçalves. Seu Geraldo diz que Fausto, o irmão adotivo de Lima Duarte era protético e abriu uma oficina perto da Praça da Sé e que dona Pequena faleceu no final dos anos 70.

Palocci, como prefeito de Ribeirão Preto realizou as seguintes obras na Vila Tibério:

 Abertura da avenida Antônio e Helena Zerrener, com a construção de diversas pontes unindo a Vila Tibério com o Sumarezinho.  Abertura das alamedas Tupi e Botafogo, uma ligação rápida com o Centro.  Abertura e duplicação da rua Elpídio Gomes, agilizando a saída para a Vila Virgínia e Zona Sul da cidade.  Reforma da Praça José Mortari.  Reforma da Praça Coração de Maria, com iluminação adequada.  Implantação do PIC na Vila Tibério.  Reforma da UBS da Vila Tibério e implantação do atendimento dentário.  Parceria com o Sesc para mudança da escola para a rua Eduardo Prado (de acordo com Orçamento Participativo).


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História

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Mesmo com a construção, há quase quatro décadas, do moderno estádio Santa Cruz, na valorizada Ribeirânia, ninguém ousa contestar que o coração do Botafogo nunca saiu da Vila Tibério. A afirmação, clichê principalmente entre os torcedores mais antigos, tem razão de ser. E para confirmá-la, basta uma simples viagem pelas ruas do bairro: logo na entrada, vindo do Centro, nas esquinas das ruas Martinico Prado e Padre Feijó, está o local onde o clube foi fundado, em 12 de outubro de 1918. Na época havia ali um terreno baldio, o qual décadas mais tarde daria lugar ao famoso Bar Piranha (que ainda não existia naquele tempo, mas, por um erro histórico, até hoje é considerado por muitos como o ‘berço’ tricolor). Seguindo em frente, pouco mais adiante, na Rua Gonçalves Dias, entre a Santos Dumont e a própria Martinico Prado, nos deparamos com o

prédio que por muitos anos recebeu a sede administrativa do Botafogo. Remodelado, o local serve hoje de sede para a principal torcida organizada do clube, a Fiel Força Tricolor. Voltando à Martinico Prado, artéria de ligação entre a Vila Tibério e o Centro, está o local onde ficava o primeiro campo do Pantera. Na verdade, um terreno de terra batida, entre as ruas Epitácio Pessoa e Barão de Cotegipe, onde os garotos da Vila Tibério corriam da bola desde a chegada do futebol por essas bandas. Próximo dali está o paraíso. Ou melhor, a Rua Paraíso. Nela, os moradores têm hoje ao seu dispor o Poliesportivo do Botafogo, erguido na década de 70. Mas, antes disso, lá estava o Estádio Luiz Pereira, ou o Fortim da Vila Tibério, celeiro tricolor até 1968. E é exatamente esse o nosso ponto de parada...

Luiz Pereira, o Fortim da Vila Tibério Por Marcio Javaroni No início da década de 1920, diretores do então recém-fundado Botafogo adquiriram um terreno no que era o final da Vila Tibério, entre as ruas Paraíso, Santos Dumont e Epitácio Pessoa. Por ele, segundo a obra História de Ribeirão Preto, de Rubem Cione, pagaram 5 contos e 500, valor dividido em quatro prestações anuais. A construção do campo, eternizada numa foto que até hoje decora

as paredes da sede botafoguense, começou em 1921 e demorou até fevereiro de 1924, quando o clube foi obrigado a antecipar a inauguração por causa de uma ‘picuinha’ do Commercial, então principal e mais rico time da cidade. O Botafogo receberia o Uberaba-MG para um amistoso na cidade e o Leão do Norte, ao contrário do que sempre fazia em situações semelhantes, negou-se a emprestar seu estádio, localizado onde hoje está a Sociedade Recreativa.

“A disputa deveria ferir-se no estádio do Commercial, mas não se realizou nessa aprazível praça de esportes, visto que o Commercial, à ultima hora, depois de haver combinado e depois de haver o Botafogo anunciado o local do jogo, resolvido não mais ceder o seu campo para a disputa do importante prélio”, eternizou o Diário da Manhã em sua edição de 22 de fevereiro de 1924, dia seguinte ao amistoso, que terminou vencido pelo Pantera por 2 a 1.

Aniversário do Botafogo Missa pelos 88 anos de fundação do Botafogo Futebol Clube, no dia 12 de outubro, quinta-feira, às 18 horas, na quadra do Poliesportivo.

Filmes mais locados na Vila Vídeo Locadora Setembro de 2006 1 - Plano Perfeito 2 - X-Man - O Confronto Final 3 - 16 Quadras Conselheiro 4 - Anjos da Noite - A Evolução Dantas, 5 - Tudo por Dinheiro 590 6 - Tristão e Isolda 7 - Armação do Amor 8 - Os Seus, os Meus e os Nossos 9 - A Névoa 10 - O Novo Mundo Fone: 3610-8538

No aniversário de 20 anos do time, em 1938, foram inauguradas as arquibancadas do estádio, num amistoso contra o São Paulo, que terminou empatado em 3 a 3. Em seus primeiros anos, o campo ainda não tinha nome. Nos jogos e na boca do povo era tratado apenas como o ‘campo do Botafogo’ ou ‘da Vila Tibério’. Para outros, pela dificuldade em ser sair de lá com um empate ou uma vitória, se tratava do ‘Fortim da Vila Tibério’. O batismo oficial aconteceu no

início de 1941, logo após a morte do ex-presidente Luiz Pereira. Um ‘acordo’ entre os dirigentes dizia que o primeiro que falecesse depois da construção do estádio daria a ele seu nome, e assim aconteceu com o funcionário da Antarctica, um dos maiores beneméritos da história do Botafogo. O primeiro jogo do estádio já como Luiz Pereira aconteceu no dia 9 de março, um amistoso contra a Portuguesa local – derrota por 1 a 0.


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História

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Momentos marcantes do estádio Luiz Pereira Galeria de fotos do estádio Santa Cruz

29/11/1921 - Momento início da construção do Estádio Luiz Pereira Na foto: José Novas, presidente do Botafogo (1920/1921), Domingos Spagaro, Afonso Trigo, Max Barscht, Alvino Grota (presidente 1922/1923), Miguel Servilha, Antônio Roberti e funcionários do clube

Arquivo de Waldemar Reis

Acanhado e de pequenas dimensões, Luiz Pereira se tornou uma verdadeira arma para o Botafogo, que dificilmente era derrotado em seu estádio. De 1947, quando foi criado o Campeonato Paulista da Segunda Divisão, até a inauguração de Santa Cruz, o Pantera disputou 292 jogos oficiais na Vila Tibério. Desses, venceu 190, empatou 56 e só perdeu 46, o que dá um incrível aproveitamento de 75% dos pontos disputados! Entre setembro de 1955 e novembro de 1957, por exemplo,

ninguém conseguiu vencer o Tricolor em Luiz Pereira - o fim da invencibilidade aconteceu contra a modesta Portuguesa Santista. Mesmo assim, na década seguinte a diretoria deu início à construção do estádio Santa Cruz, inaugurado oficialmente em janeiro de 1968, num amistoso contra a seleção da Romênia. Nos anos 70, Luiz Pereira deu lugar ao Poliesportivo do Botafogo, mas até hoje as glórias do antigo estádio permanecem vivas. Pelo menos na memória dos torcedores... Manoel Penna dá o chute inicial da partida dos funcionários do Antigo Banco Construtor, por volta de 1950. Vista do muro da Epitácio Pessoa, com a igreja N.S. do Rosário ao fundo

Foto: Jayme Pinto Borges / arquivo Marcio Javaroni

Dirigentes de Botafogo e São Paulo antes do amistoso que marcou a inauguração das arquibancadas do estádio no aniversário de 20 anos do time, em 1938. O jogo terminou empatado em 3 a 3

Foto: arquivo de José Custódio Leite

Em 292 jogos oficiais disputados no Luiz Pereira, o Botafogo venceu 190, empatou 56 e perdeu 46

.”

Fotos: arquivo Marcio Javaroni

Luiz Pereira Presidente do Botafogo em 1936

Projeto de ampliação do estádio

Foto: Livro de Rubem Cione


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Gente

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Excaravelhos tocam pelo prazer da música Um grupo de profissionais liberais se reúne toda quarta-feira para ensaiar. Eles têm em comum o prazer de tocar e formam o conjunto Excaravelhos, que se apresenta sem cobrar cachê para animar festas de instituições de caridade. A principal característica da Banda é o gênero musical escolhido: músicas do anos 60 e 70 incluindo todos os sucessos da “jovem guarda”. Esta escolha se deve ao fato de seus componentes serem fãs deste rítmo que marcou época, criou novos estilos e embalou os sonhos de toda uma geração. O Excaravelhos foi criado após a dissolução do conjunto Milionário, que tocou por uns dez anos e era formado por quatro irmãos.

Ademir e Paulinho saíram e Dinho e Nenê convidaram o dr. Ricardo Cassiani para a criação de um novo conjunto. Assim, no ano 2000, eles chamaram o Véio e o Gato e foi o início do conjunto Excaravelhos, Componentes da banda: Dinho - o advogado Luiz Carlos Martins Joaquim, de 55 anos, toca guitarra solo. Nenê - o também advogado Cristóvam Martins Joaquim, de 53 anos, faz teclado e vocal. Dr. Ricardo - o médico, clínico geral e geriatra Ricardo Cassiani, de 48 anos, faz acompanhamento com guitarra base e canto. Já tocou na banda Príncipe Negro e New Pop’s. Véio - o vendedor Wilson Abrantes Pinheiro, de 58 anos, um dos fundadores do Grupo 17, antecessor do Grupo Nós, onde ficou por 12 anos. Já tocou também na Banda Frente e Verso. É saxofonista. Dilson - o contabilista Dilson Luiz dias, de 59 anos, toca percussão. Também é um dos fundadores do Grupo 17. Gato - o bancário Antônio Engrácia de Faria Júnior, de 52 anos, é e está na grupo desde seu início. Tocou também com o conjunto Alquimistas.

Para agendar uma apresentação de conjunto Excaravelhos, ligue para 3621-3819 Paulo - o representante comercial Paulo Carvalho, de 45 anos, é cantor e baterista. Eduardo - o representante Eduardo Jorge, de 42 anos, é cantor e nunca tocou profissionalmente. Edinho - o auxiliar de almoxarifado Edson Carlos Botelho de Aguiar, de 46 anos, toca bateria. João - o comerciante João Luiz Gaspar, de 43 anos, trabalha com locação de som e há três anos dá apoio técnico para o conjunto.

Requerimento do Vereador Zanferdini agradece o Jornal da Vila O requerimento nº 5126/2006, apresentado pelo vereador Samuel Zanferdini, foi aprovado na sessão de 1º de junho de 2006: Moção de congratulação e agradecimento ao jornalista Fernando Braga, do Jornal da Vila. O Jornal da Vila, informativo mensal de circulação no bairro Vila Tibério, com tiragem de cinco mil exemplares, através de seu jornalista Fernando Braga, tem se destacado por prestar um excelente trabalho de resgate da história da Vila Tibério, bairro mais antigo de nossa cidade, trazendo matérias informativas sobre opinião, gentes ilustres, histórias, lazer, saúde e outros assuntos de interesse da comunidade. No exemplar de nº 8, homenageou o time do Botafogo Futebol Clube pela vitória no Campeonato Paulista Série A-3, time este que se originou na VilaTibério, teceu comentários importantes sobre o fundador do bairro, Sr. Tibério Augusto Garcia de Senne, falou sobre o tradicional bar do Camaroto, discorreu, outrossim, sobre a Sociedade Amiga dos Pobres e dentre outros vários assuntos escreveu também a respeito da trajetória do Sr. Francisco Fernandes Lamas, de origem portuguesa, proprietário de uma empresa “Cerâmica Ribeirão Preto” (conhecida por Fábrica de Potes), situada na Rua Luiz da Cunha, confluência com Gonçalves Dias, no ano de 1923, que funcionou até o ano de 1962, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento do bairro e da cidade, além de gerar empregos. Neste último tópico vale ressaltar que o Sr. Francisco, como diz a matéria, era o bisavô deste Vereador, o que foi motivo de muita emoção e orgulho para a família e para este signatário, ao ler a matéria e ver a foto da família retratada fielmente. Na forma regimental, depois de ouvido o plenário da Câmara, que se oficie ao jornalista sr. Fernando Braga dando conhecimento a ele da presente moção de congratulação pelo excelente trabalho informativo prestado por ele à comunidade da Vila Tibério através do “Jornal da Vila”, bem como agradecimento pelo carinho e fidelidade ao retratar matéria sobre familiares deste vereador, que foi motivo de muito orgulho e emoção.


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Gente/saúde

A primeira mulher taxista da Vila Na Vila Tibério, que é considerada tradicionalista, as mulheres vão conquistando seu espaço e Viviane Angélica Pereira, de 38 anos, que é taxista e está no Ponto da Praça José Mortari há mais de ano, pode se considerar uma vitoriosa. Trabalha durante o dia e têm uma clientela formada, principalmente por pessoas idosas ou com problemas de locomoção. Fez muitas amizades com o carinho e atenção que dedica aos seus passageiros especiais. Entende o básico de mecânica e é muito respeitada pelos colegas e passageiros. Mãe de dois filhos, é casada com um mototaxista. - Ele é o meu maior incentivador, diz Viviane com satisfação.

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Orientação Farmacêutica Ana Maria Pavanelli Bezzon Farmacêutica - Pharmacos

Diabetes mellitus

Viviane é a primeira taxista mulher, nos 34 anos do ponto da José Mortari

Seu Antônio Prado que está no Ponto da José Mortari há 22 anos, afirma que o trabalho com táxi ficou mais difícil pela concorrência dos “ilegais”.

O Diabetes mellitus é uma doença bastante comum no mundo inteiro, conhecida por diabetes tipo 1 e tipo 2, que impede o aproveitamento normal dos alimentos ingeridos, principalmente dos açúcares, devido a uma carência total ou parcial de um hormônio chamado insulina, cuja função é permitir que a glicose entre nas célula, levando assim à um acúmulo de açúcar no sangue, provocando uma taxa elevada de glicose (hiperglicemia). Os sintomas mais comuns são boca seca, sede intensa, poliúria (muita urina), cansaço, muita fome. Podem ocorrer problemas de visão, dificuldades de cicatrização, perda de peso sem motivo, infecções vaginais e dormência nas pernas. O tratamento inclui a associação de alimentação adequada, exercícios físicos e aplicações de insu-

Syzygium jambolanum Diurético. Contra diabetes, colesterol, reumatismo

lina, que serão determinados pelo médico em cada caso particularmente. Na fitoterapia, costumase empregar algumas plantas com resultados positivos para pacientes não insulino dependentes, que são a Bauhínia fortificata, Pedra Ume Kaa, Syzygium jambolanum e a Baccharis triptera, usadas com auxiliares do tratamento convencional.

Dúvidas sobre medicamentos e manipulações podem ser esclarecidas nas seguintes farmácias da Vila Tibério: Pharmacos - Fone: (16) 3625-5371 Rua Conselheiro Dantas, 1.087 Doce Vida - Fone: (16) 3625-8172 Rua Bartolomeu de Gusmão, 763 Flor & Erva - Fone: (16) 3636-8623 Av. do Café, 375 Camomila e Bem-me-Quer - Fone: (16) 3630-3598 - Rua Martinico Prado, 1.181 Ética - Fone: (16) 3610-6501 Rua Luiz da Cunha, 839


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Se essa rua fosse minha...

Paraíso

A palavra paraíso deriva do termo Avesta pairidaeza (área murada), composto por pairi- (ao redor), um cognato do grego peri-, e -diz (criar, fazer). Uma palavra associada é o Sânscrito paradesha que literalmente significa país supremo. A palavra que é atualmente entendida como “qualquer lugar extremamente agradável” deriva do grego paradeisos usado na tradução da Bíblia, significando Jardim do Éden. No Novo Testamento, paraíso significa um paraíso restaurado sobre a Terra (os mansos herdarão a terra), embora nenhuma referência seja feita quanto a condição (paradisíaca ou não) na qual estaria a Terra. Lugares comumente vistos como analogias de paraíso incluem: · O lugar ideal, na terra ou utopia, outrora representado pelo Jardim do Éden.

· Um lugar descrito por diferentes reli-giões onde o clima é ameno, há abundância de alimentos e recursos, e não há guerras, doenças ou morte. Normalmente, a vida no paraíso seria a recompensa após a morte para as almas dos que seguem corretamente os preceitos da religião. · Um jardim cercado, algumas vezes chamado de “jardim paradisíaco”. O Jardim do Éden, Jardim das Delícias ou Paraíso Terrestre é na tradição das religiões abraâmicas o local da primitiva habitação do Homem. O Jardim do Éden, a sua localização e a tentativa de reencontrar a felicidade perdida após a expulsão de Adão e Eva, são temas de múltiplas lendas e mitos e inspiraram inúmeros artistas, sendo um dos temas mais frequentes na arte européia.

Paraíso – a Rua A rua Paraíso começa na avenida Antônio e Helena Zerrener no cruzamento com a travessa Laureano, servindo de entrada para o bairro para quem vem da Rio Grande do Sul, no Ipiranga e termina na Via do Café. Na primeira quadra reside a família de Adilson Suzuki, cujos filhos são proprietários de restaurante. São antigos moradores as famílias de Altair Fernandes, de Pedro José de Souza e de Euripa Gonçalves. Moram as famílias Principessa, Carrion, Abbad, Tornich, Castro, Ferreira, Fonzar. Nela estão a Serralheria Paraíso, a Escola de Música Spaço Musical, o Liceu Contemporâneo, a escola Lápis de Cor. Reside dona Maria Rosa Maraccia Abbade, a viúva de Santo Abbade, sua filha Ademilde, viúva de Balduíno França e filhos. Mora na mesma quadra Inês Zaparolli, a família de João e Iria Pizetti, a de João Satzinger e os filhos de Ernesto Tóffano, Luiz, Madalena e Luzia. Subindo, do lado esquerdo fica o Poliesportivo do Botafogo e em frente reside Wilson Del Vecchio, as famílias Paciência, Feitosa, Aguiar, Escolano, Bernardo, Monacci, Tribucci. A Escola Infantil Favinho de Mel, de Heloísa Del Vecchio Castro.

Chegando na esquina com a Bartolomeu de Gusmão ficam o Chaveiro Cabral, a Farmácia Santana e o Calçados Stallus. O ex-sapateiro da Rosifini Eliphas Duarte aqui reside há mais de 60 anos. Na esquina com a Álvares de Azevedo reside Mário Muraca e a esposa Tânia. Moram as famílias Evangelista, Colusso, Gasparetto, Mota, Lemes, Hering, Busa, Galan, Della Agostini. Estão as famílias Lopes, Izaías, Furniel, Pizzo, Inácio, Benedetti, Zampolo, Moreno, Antolini, Cirino, Rossini, Sanches, Delbon, Gabriel, Thomazelli, Coeto, Ramos, Xavier, Gaku, Ziotti, Tornici, Bertag, Noelli. Na altura da Monte Alverne fica a Loja para materiais de limpeza e o escritório da prestadora de serviços Limper, de Avanilda Maria Silva e de seu filho Jander. Depois vem a Paraíso Tintas e o Goulart Cabeleireiros. Depois estão as famílias Almeida, Morgado, Crosfelt, Benetão, Villani, Peracini, Cicilini, Sgotti, Tsuji, Cardes, Dapogede, Trevilato, Dinardi, Yokura, Maringhetti, Zanfrilli, Maragne, Dias, Hatamoto, Schiavoni, Damasceno, Garbin, Freiria e outras. Moradores reclamam da falta d’água durante o dia.

ESPECIAL

Antigos jogadores se encontram na praça

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Ary, Wilsinho e Almeida

Como não foi possível jogar juntos, eles se vingam e têm encontro marcado toda manhã na Praça José Mortari, onde lembram jogos do passado, acompanham o desempenho do Botafogo e torcem com o mesmo fervor de antigamente. Wilsinho - o meio campista Wilson Fernandez, hoje com 78 anos, começou no Tiberense em 1946 e logo em 47 já era profissional no Botafogo. Participou de uma das equipes mais brilhantes da história do Pantera, responsável pela conquista de diversos títulos como: Campeão do Centenário de Ribeirão Preto - 1956, “Taça os Invictos”, da Gazeta Esportiva - 1956, Campeão a Série Cafeeira - Campeão Paulista Segunda Divisão - 1956 e Campeão do Torneio dos Campeões - 2ª Divisão - 1957. Em 1958 parou de jogar e foi trabalhar em uma retífica de motores onde se aposentou em 1992.

Oscar, Dicão e Wilsinho

Goleiro Ary - Ary Lopes, de 82 anos, começou no juvenil do Botafogo em 1938. Foi para o XV de Piracicaba no qual foi campeão do Interior em 1948. O XV ficou também como time do coração do goleiro que lá teve sua projeção profissional. Em 1950 voltou para o Botafogo para ser treinador de juvenis. Depois foi para o Comercial em 54. Prestou concurso e se aposentou como funcionário público em 1984. Hoje cuida da pequena chácara onde mora, na avenida do Café. Almeida - Sebastião de Almeida, de 68 anos, começou no juniores do Botafogo e seu primeiro treinador foi Ary Lopes. O volante jogou também pelo Ypiranga, dirigido pelo Della Rosa, pela Usina Amália, Uberaba Esporte, Esportiva de Passos e Bento Quirino, onde se aposentou como funcionário da EF São Paulo e Minas.


Jornal da Vila - n12 - setembro de 2006