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Ribeirรฃo Preto, maio de 2006 - ano I - nยบ 8


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OPINIÃO

A Vila, que já foi poderosa, hoje está se modernizando Muitas hipóteses já foram feitas para explicar a razão da Vila Tibério ter perdido sua importante posição política e econômica no cenário ribeirãopretano. Com a transferência da Estação da Mogiana para o Jardim Independência, a mudança do Botafogo para a Ribeirânia e o fechamento da Antarctica, a Vila Tibério perdeu suas três âncoras mais importantes. Formavam um tripé econômico que, além de empregar diretamente grande parcela da população do bairro ainda movimentavam indiretamente o comércio, prestadores de serviço e pequenas indústrias. Paralelo a isso, o eixo econômico da cidade se direcionou para a zona sul, primeiro para a Nove de Julho e o Sumaré, depois, para a avenida Presidente Vargas e arredores do RibeirãoShopping. A Vila Tibério ficou fazendo divisa com a chamada “Baixada”, com o Mercadão, o Centro Popular de Compras e a Rodoviária, que têm um tipo de comércio mais popular. À noite esta região se transforma, sendo comum a freqüência de pessoas ligadas à prostituição, às drogas e a delitos mais graves, como furtos e roubos. Existe um grande vazio urbano que começa no Parque Maurílio Biagi, passa pela Rodoviária, pela praça Francisco Schmidt, vai pela Luiz da Cunha, ao longo da Antarctica, pela Castro Alves e Joaquim Nabuco, ao longo dos paredões do Antigo Banco Construtor. Estas áreas hoje estão desvalorizadas e precisando de uma rápida intervenção do governo municipal. Além disso a Vila Tibério tem um seríssimo problema de trânsito. Faltam ligações com o Centro. São apenas três saídas: Amin Calil - Fábio Barreto/Francisco Junqueira, Martinico Prado e Alameda Botafogo, e cinco entradas: Amin Calil, Castro Alves (que poderia ter mão dupla no trecho inicial), Luiz da Cunha, Santos Dumont e Alameda Tupi. O viaduto previsto no “Vale dos Rios”, sem as sofisticações do projeto, ligando o início da Via do Café até as ruas Lafaiete e Prudente de Morais, na altura da Saldanha Marinho, transpondo todo o Parque, iria desafogar sensivelmente o estrangulamento viário. Mas, independente do que se faz, ou não, oficialmente pelo bairro, a Vila Tibério tem demonstrado força e passa pela renascimento econômico, que pode ser constatado com a chegada de novos estabelecimentos e as reformas e ampliações de diversas lojas e prestadores de serviço. Fernando Braga

Informativo mensal com circulação na Vila Tibério Tiragem: 5 mil exemplares jornaldavila@gmail.com Fone: 3610-4890 Jornalista responsável: Fernando Braga - MTb 11.575 Colaboradores: Iúri Braga Impresso na Gráfica Verdade Editora Ltda.- Rua Coronel Camisão, 1184 - Ribeirão Preto

Maio de 2006

Nesta edição, texto do Prof. Lages sobre o fundador da Vila Tibério, matério de Márcio Javaroni sobre o primeiro jogador do Botafogo a participar de uma Copa do Mundo e artigo sobre Ginkgo biloba do farmacêutico Sérgio José Vieira Sanches

Opiniões e sugestões para a Vila Tibério E O FATO É: que ainda muito ouviremos falar, questionar, idealizar tentativas de se caminhar ao encontro de uma solução para o perfeito aproveitamento da belíssima área que abrigou por tantos anos, a “menina dos olhos” de todos nós, moradores da VILA e também de todos ribeirãopretanos: a CERVEJARIA ANTARCTICA. Várias são as opiniões que já desabrocharam para aproveitamento daquele espaço. Eu particularmente, entendo que, o que não deve ser cogitado ali é a criação de um Centro de Compras, como por exemplo um Shopping Center, pois isto fatalmente, prejudicaria bastante, creio mesmo que de forma monstruosa, o comércio do Centro da cidade e bairros adjacentes. E sem dúvida alguma, o bairro que mais sofreria com esse desfalque comercial, seria a nossa querida Vila Tibério.

Na realidade, no sentido exato da palavra, eu tão somente consigo enxergar como solução para aquele maravilhoso espaço, a exemplo da extinta (que pena...) Antarctica, a implantação de uma outra cervejaria. Isto porque, tudo ali, lembra fábrica de cerveja, tudo tem “cara”, estilo e formato de cervejaria. É um disparate desperdiçar o que ali já se encontra edificado, embora saibamos que modernizar praticamente todos os equipamentos, para que a “nova” cervejaria obtenha condições de acompanhar o ritmo do mercado, resultará em um custo bastante elevado, que sem dúvida, só cabe em bolso de quem já tem “meio caminho” andado. Entendo que a estas alturas do campeonato, cabe-nos torcer, cruzar os dedos e orar (muito) para que os poderosos da KAISER aliados (de alguma forma) ao poder público, caiam de amo-

res por aquela área, hoje infelizmente desativada, adotando e incrementando a idéia de uma cervejaria, modernizando-a a ponto de oferecer meios para entrada em igualdade de condições junto à concorrência, emplacando e fornecendo boa margem de geração de novos empregos, trazendo de volta a vida que se perdeu naquele espaço, afastando a tristeza e a solidão, hoje donas absolutas do lugar, trazendo a alegria do movimento, do entrar e sair, do ir e vir, além de, trazer de volta aos nossos ouvidos, o som gratificante da sirene das 6 horas que nos despertava, das 12 horas que nos lembrava a hora de almoço e das 18 horas que carinhosamente nos dizia: é hora de voltar para casa, e voltar felizes, porque “já está no ar”, espreitando o dia seguinte, a certeza de que A VIDA CONTINUA... Maria Cleuza Garcia Naldi (leitora)

NOTA

ACI Vila Tibério doa livros A Distrital Sudoeste da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto - Vila Tibério fez uma grande doação de livros para entidades da cidade. Foram beneficiadas a Administração Regional da Vila Tibério, a Casa do Poeta e o Centro Comunitário da Associação dos Moradores do Jardim Maria Casagrande Lopes, que receberam um total de 695 livros que foram recebidos de doações. Na foto, o superintendente da Regional da ACI, Marinho Muraca entrega livros para a voluntária social Iria Pizetti, que representou a Associação de Moradores do Jardim Maria Casagrande.

Seja visto em toda Vila Tibério. Anuncie no Jornal da Vila. 3610-4890


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GENTE

Maio de 2006

Tibério Augusto Garcia de Senne, o fundador da Vila Tibério Este mineiro de nascimento também cumpriu uma longa trajetória até se fixar nesses rincões. Era filho de Bernardino José de Senne e Bárbara Maria, residentes no Distrito de Cana Verde, Minas, onde foram recenseados em 1831. Nessa época, seu pai tinha 24 anos e sua mãe, 20, com apenas dois filhos pequenos, Valentim e Cândido. Seu pai é citado nesse recenseamento com a profissão de caixeiro. Tibério estava em 1865 em Descalvado, onde foi nomeado secretário da Câmara local. Mais uma vez, Descalvado parece ter sido ponto de passagem obrigatória para quem quisesse fazer fortuna em Ribeirão. Já vimos os casos de Francisco Schmidt, Moraes Octávio e Arthur de Aguiar Diederichsen. Tibério deve ter chegado a Ribeirão por volta de 1870. Casou-se com Deolinda Franco, filha do cel. João Franco de Moraes Octávio que certamente já conhecia desde os tempos de Descalvado. Aparece citado na lista de eleitores de Ribeirão Preto em 1878, então com 35 anos. Deve ter nascido, portanto, por volta de 1843. Batizou vários de seus filhos em Ribeirão com nomes que sugerem sua admiração por certos personagens da História recente e remota: Lincoln, em 17.07.1877; Tibério, em 10.10.1878; Itagiba, em 06.03.1881; Godofredo, em 07.10.1882; Tancredi, em 1886; Mário, em 25.09.1887;

Gracco, em 19.07.1889. Teve ao todo onze filhos. Era agrimensor, o que lhe facilitou o fato de amealhar uma imensa fortuna vendendo lotes! Recebeu do sogro uma grande gleba que, posteriormente, dividiu em lotes que foram vendidos a preços módicos para os italianos que chegavam. Era a Vila Tibério que nascia, um dos mais antigos bairros da cidade. Construiu por ali também uma olaria para a fabricação de telhas e tijolos. Bem esperto o nosso Tibério! Faleceu em 15/7/1900. Seu inventário requerido pela esposa acha-se no 2º Cartório de Ofício Cível, maço 18, em Ribeirão Preto.

As origens

Foto: Arquivo Público e Histórico

José Antonio Lages

Tibério Augusto

A primeira referência da Fazenda do Laureano ou Braço Direito do Ribeirão Preto está no Inventário do capitão Matheus dos Reis. Em 1877, após a divisão judicial da Fazenda do Laureano, Ananias José dos Reis, herdeiro e filho do cap. Matheus, vendeu a João Franco de Moraes Octavio uma parte de suas terras no valor de trinta e três contos de réis, a maior transação comercial de terras da época. A partir desta data, as terras da Laureano voltam a um processo de concentração até 1880. Desse processo resultou a formação da fazenda Monte Alegre que aglutinou também partes da Fazenda do Ribeirão Preto Abaixo ou Pontinha. Essa fazenda Monte Alegre foi fracionada pelos herdeiros do cel. João Franco em 1880. Um desses herdeiros foi Tibério Augusto que loteou suas terras formando o bairro que tomou seu nome. Tibério Augusto chegou a Ribeirão Preto por volta de 1870, herdou as terras da atual Vila Tibério em 1880 e a Estação da Mogiana foi inaugurada em 1885. Assim podemos nos aproximar quanto à idade que teria a Vila Tibério: se nasceu antes da ferrovia (o que poderia explicar que a causa da alta valorização dos lotes foi a chegada dos trilhos) teria cerca de 125 anos. Uma coisa é certa, em 1903, há 103 anos, a Câmara aprovava lei denominando as ruas já existentes.

NA SCE O BAIRRO OPERÁRIO A especulação imobiliária também acenava com a possibilidade do enriquecimento fácil. Já naqueles tempos é provável ter sido este o motivo que levou Tibério Augusto a lotear suas terras. Depois de dividi-la, passou a vender cada lote por 50 mil réis. Com o passar do tempo, esse valor foi se elevando até chegar ao preço de 300 mil réis a unidade. Na opinião da arquiteta Valéria Valadão, que é mestre em História pela Unesp e ex-diretora do Arquivo Histórico de Ribeirao Preto, essa súbita valorização foi justificada pela característica plana dos terrenos, proximidade do centro e da estação da Mogiana. O loteamento localizava-se a oeste do centro da ci-

dade, além da linha férrea, tendo sido ocupado a príncipio por funcionários da ferrovia, imigrantes (na maioria italianos) que abandonavam a lavoura de café, atraídos pela vida urbana e, posteriormente, pelos operários da Antártica e da Paulista. A denominação oficial das ruas do loteamento ocorreu em 1903, por meio de lei da Câmara. A única ligação da Vila Tibério com o centro era pela rua Luiz da Cunha, prolongamento da rua Duque de Caxias, pois os trilhos da Mogiana impediam outras ligações, naquela época. A instalação, em 1911, da Cia. Cervejaria Antárctica e, em 1914, da Cia. Cervejaria Paulista, acelerou o desenvolvimento da Vila Tibério e,

consequentemente, condicionou para a direção oeste a expansão da cidade, até a década de 1920. Assim, o desenvolvimento da malha urbana foi avançando em direção ao loteamento particular de Tibério Augusto. O Ipiranga, antigo Barracão, corresponde, de fato, à sede urbana do Núcleo Colonial que, com a ocupação de suas áreas rurais (chácaras), acabou se ligando à Vila Tibério. Sua população mantinha as mesmas características das de outros bairros: eram operários, imigrantes que desempenhavam os mais diversos ofícios, funcionários da Mogiana, do comércio e de serviços que se ofereciam no centro da cidade. Valadão concluiu afirmando

que surgia assim, uma cidade operária, gerada pelos meios de produção da cidade rica, confinada entre o valorizado núcleo original da cidade (símbolo de abastança e prosperidade do município) e as fazendas da zona rural circundantes que, na época, dispunham de todo o conforto, acabando por se transformar em sedes das grandes empresas agrícolas do café. José Antonio Lages é Mestre em História pela Universidade Estadual Paulista, campus de Franca; é Historiador e professor de História na Rede Municipal de Ensino de Ribeirão Preto e no curso de pos-graduacao da Faculdade de Educacao São Luiz de Jaboticabal; exerceu o mandato de vereador à Câmara Municipal de Ribeirão Preto entre 2001 e 2004. Autor do livro Ribeirão Preto: da Figueira à Barra do Retiro.


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GENTE

Maio de 2006

Da Vila para a Copa de 38 Elba de Pádua Lima, o Tim, foi o primeiro jogador formado em Ribeirão a disputar uma Copa Márcio Javaroni Há quase 70 anos, na longínqua Copa do Mundo de 1938, a terceira organizada pela FIFA, pisava nos gramados franceses um jogador formado pelo futebol ribeirãopretano: Elba de Pádua Lima, o Tim, o primeiro atleta local a participar de um Mundial. Embora nascido em Rifaina, no dia 20 de fevereiro de 1915, Tim passou a infância na Vila Tibério. E, como todo garoto que se destacava nas peladas do bairro, começou a carreira no Botafogo, estreando entre os profissionais aos 15 anos, no lugar do famoso Pequitote, então o maior ídolo tricolor. A atuação do garoto agradou tanto que o antigo ídolo foi obrigado até a mudar de posição. De meia, Pequitote passou a centroavante do Pantera, afinal, a camisa 10 (embora na época ainda não se usasse números nos uniformes) já tinha dono: Tim. Como o futebol da época não era profissional, o jovem recebia vários convites para defender outras equipes da região em partidas

amistosas. Grande parte deles vinham do Commercial (na época se escrevia assim), clube rico da cidade, que se dava ao luxo de pagar ‘cachês’ aos atletas após os jogos. Mas, a fama de Tim ultrapassou as porteiras da Mogiana e chegou até Santos, de onde veio um emissário da Portuguesa, que então disputava a Primeira Divisão de São Paulo, para buscá-lo. Aos 19 anos, o meia assinou seu primeiro contrato profissional, recebendo 500 mil réis por mês (300 deles enviava mensalmente à mãe e as irmãs, que continuaram em Ribeirão). Destaque na Portuguesa Santista, Tim foi convocado para a Seleção Brasileira que disputou o SulAmericano de 1937, na Argentina. Titular em todos os jogos e um dos principais destaques do time (que acabou com o vice-campeonato, perdendo a decisão para os donos da casa), o jogador voltou para casa como herói, trazendo na bagagem o apelido de “El Peón” (pela forma como driblava e girava em campo) que levaria pelo resto da vida. A boa participação no Sul-Americano levou Tim ao Fluminense, onde teve seu salário dobrado e ainda recebeu uma verdadeira ‘fortuna’ de luvas: 20 contos de réis! Mas, o Tricolor certamente não se arrependeu do dinheiro gasto na contratação. Logo no primeiro ano, o meia levou o time ao título carioca – fato repetido em 1938. Dali para a Copa do Mundo foi um pulo. Convocado pelo treinador Ade-

mar Pimenta, do São Cristóvão, o jogador enfrentou problemas durante a preparação para o Mundial, pois a pressão política na época era para que Perácio, do Botafogo, fosse escalado no ataque da Seleção em seu lugar. Por isso, Tim acabou disputando apenas uma das cinco partidas do Brasil na Copa. No dia 14 de junho, vestiu a camisa branca e azul da Seleção (o tradicional ‘amarelocanarinho’ só surgiria 16 anos depois, em 1954) na vitória sobre a Tchecoslováquia, por 2 a 1, na partida desempate das quartas-de-final. Eliminado nas semifinais pela campeã Itália, o Brasil terminaria o Mundial de 1938 na terceira colocação, até então sua melhor colocação em Copas do Mundo. De volta ao Brasil, Tim se consolidou como astro do Fluminense, então uma das melhores equipes do País. Com a camisa tricolor, o meia conquistou o bicampeonato

carioca, em 1940 e 1941. Em 1944, teve uma rápida passagem pelo São Paulo, onde disputou 14 jogos e marcou seis gols no Campeonato Paulista. No ano seguinte, voltou ao Rio, para defender o Olaria, no qual ficou até 1947. Sem esquecer as origens, o já veterano Tim, aos 33 anos, voltava ao Botafogo, que então disputava a primeira edição do Campeonato Paulista da Segunda Divisão, cujo principal atrativo era uma vaga na Primeira Divisão – o sonho do interior! Sua estréia aconteceu no dia 26 de setembro de 1948, em Luiz Pereira, contra o temível XV de Piracicaba – que conquistaria o título do torneio. Naquela tarde, o Tricolor jogou com: Milton; Fonseca e Guinho; Diógenes, Jabazinho e Kelé; Giba, Silas, Ladeira, Tim e Nego. Além de jogador, Tim acumulou também a função de treinador do Pantera nas duas temporadas seguintes. No seu retorno a Ribeirão Preto, marcou seis gols. De acordo com os registros da época, na passagem anterior, de 1930 a 1933, havia marcado 19 gols. Tim encerrou a carreira como jogador em 1950, defendendo o Millionários, da Colômbia. TÉCNICO – Depois da experiência de jogar e comandar o Pantera em 1948 e 1949, Tim decidiu iniciar a carreira de treinador após pendurar as chuteiras. Seu primeiro clube foi o Bangu, no início da década de 50.

Aliás, seus dois principais títulos como técnico foram no Rio de Janeiro: os campeonatos cariocas de 1964 e 1970, respectivamente com o Fluminense e o Vasco da Gama. Como treinador passou por diversas equipes brasileiras, nunca, porém, as de Ribeirão Preto. O jornalista Wilson Roveri, seu amigo particular, costumava contar que Tim ‘fugia’da dupla Come-Fogo “para conservar as amizades que tinha na cidade”. Em 1982, voltou a disputar uma Copa do Mundo, agora dirigindo a seleção do Peru. Num grupo que tinha ainda a campeã Itália, Polônia e Camarões, os comandados de Tim conseguiram dois empates e uma derrota (para os poloneses). Dois anos depois, em 7 de julho de 1984, Elba de Pádua Lima, o Tim, morria, em Rio das Ostras, litoral norte do Estado do Rio de Janeiro. Em agosto de 1988, o então prefeito João Gilberto Sampaio deu o nome de Tim ao complexo esportivo da Cava do Bosque, reinaugurada depois de uma ampla reforma.


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HISTÓRIA

Maio de 2006

Da idéia de socorrer os que dormiam ao relento na estação da Mogiana surgiu a Sociedade

Amiga dos Pobres A estação da Mogiana e os arredores estavam sempre cheios de pessoas que vinham buscar trabalho nas grandes fazendas de café ou que delas retornavam desiludidos e sem recursos. A vontade de ajudar as pessoas que dormiam ao relento da estação, com frio e fome e a notícia de uma casa assistencial idealizada pelos funcionários da Mogiana em Campinas, entusiasmou o bagageiro Benedito Neto, que se propôs realizar uma obra igual. Procurou o ajudante do tráfego Vicente Bittencourt e a outros companheiros. Pouco tempo depois arranjam meios para ajudar os desabrigados. Distribuíram-se listas de contribuições e em pouco tempo havia dinheiro suficiente para a instalação do abrigo. Assim, quando chegou o último trem da Mogiana por volta das vinte horas do dia 17 de agosto de 1910, os funcionários da empresa reuniram-se no restaurante da Estação, cujo proprietário, Carlos Bergamini, estava também entusiasmado com a idéia de se construir uma casa para abrigar temporariamente os desamparados. Dessa reunião, dirigida por Vicente Bittencourt e Antonio Ribeiro de Rezende, surgiu a Sociedade Amiga dos Pobres, com um capital inicial de 86$500. Uma quantia apreciável, naquela época. Carlos Bergamini fez também a doação de um grande terreno do outro lado dos trilhos da Mogiana.

Benedito Neto e na foto ao lado, o lançamento da pedra fundamental

A obra, daí por diante, constituiu o grande objetivo de todo o pessoal da Mogiana, tendo sido importante a contribuição do próprio inspetor-geral da companhia, José Pereira Rebouças. Construiu-se um prédio próprio e cada funcionário da Mogiana passou a ser um soldado na luta contra o desamparo – todas as noites eles conduziam alguém para o albergue. Deste começo heróico, a Sociedade Amiga dos Pobres continuou como albergue noturno até a década de 60, oferecendo abrigo e refeições a migrantes e pessoas carentes. Após esta fase, abrigou uma creche e uma escola de primeiro grau. Surgiu, assim, a vocação educacional da entidade, que nestes últimos anos vem realizando cursos profissionalizantes abertos à comunidade. Neste modelo de assistência, milhares de pessoas freqüentaram os cursos da Sociedade; ofereceu curso de informática, da área de hotelaria e cursinho preparatório para vestibular e agora está se preparando para a instalação de curso de nível superior à distância e reimplantar o Telecurso 1º Grau. Obedecendo ao novo código civil, em 2003, a Sociedade Amiga dos Pobres alterou sua denominação social para Associação Amiga dos Pobres, mantenedora do Centro Educacional "Castro Alves", realçando o foco de suas atividades na educação e formação profissional.

Encontrou amparo na Sociedade que idealizou Benedito Neto, o ferroviário preocupado com a sorte dos que dormiam ao relento na plataforma da estação da Mogiana e idealizou a construção do abrigo, ficou praticamente na miséria, precisa do auxílio da Sociedade. Recebeu mensalmente uma pequena ajuda e viveu seus útimos dias em uma casinha construída nos fundos da entidade. Benedito Neto veio de Espírito Santo do Pinhal para Ribeirão Preto ainda menino; era órfão e aprendera a lutar com suas próprias forças. Trabalhou durante dezesseis anos na Mogiana, como bagageiro, encarregado de turma, subchefe de trafego; enfim, fizera de tudo como ferroviário. Um dia, cometeu um engano num despacho de mangas para São Paulo e foi despedido. Foi para Olímpia, onde trabalhou na máquina de café de Jeremia Lunardelli, depois voltou para Ribeirão Preto, onde trabalhou na Antarctica. Assim chegou até a velhice. E por ironia do destino, Benedito e sua mulher receberam a caridade de uma instituição que ajudaram a organizar para socorrer os necessitados. Benedito Neto faleceu em 1959.


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LAZER / HISTÓRIA

Maio de 2006

A fábrica de potes e seu Francisco Lamas com os filhos

A fábrica de potes

Respostas: 1- Vitória, 2- Sinhá, 3- Lobato, 4- Antarctica, 5- Botafogo, 6- Círculo, 7- Banco, 8- Cerâmica, 9- Marrocos, 10- Mogiana, 11- Coração, 12- Mortari, 13- Santos, 14- Pessoa, 15- Santana, 16- Aurora, 17- Amig, 18- Loyola

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Francisco Fernandes Lamas veio de Portugal, com dois irmãos, casou com Maria Scarpin em 1910 e montou uma cerâmica na Luiz da Cunha com a Epitácio Pessoa. Depois resolveu voltar para sua cidade, Miranda do Corvo, na região de Coimbra, em Portugal. Quatro anos depois seu Francisco Lamas está de volta com a família, montando a Cerâmica Ribeirão Preto, na esquina da Luiz da Cunha com a Gonçalves Dias, no ano de 1923, onde fabricavam po-

tes, vasos, manilhas e filtros e que funcionou até 1962. Francisco e dona Maria tiveram seis filhos: Leonor, que tem três filhos e nove netos, e Ermelinda, com uma filha e dois netos, além dos falecidos Sansão, que foi casado com Dalila e tiveram dois filhos e cinco netos (um deles é o atual vereador Samuel Zanferdini); Manuel com quatro filhos e quatro netos, José e Francisco Filho que teve um filho e dois netos. Seu Francisco faleceu em 1960.

Leiria, uma casa portuguesa José da Silva Sebastião nasceu na cidade de Leiria, em Portugal e jovem, resolveu tentar a vida aqui no Brasil, deixando toda a família. Chegou no dia da renúncia de Jânio Quadros, em 1961, e o navio ficou em alto mar, até que as coisas se acalmassem para poder atracar. Foi muita confusão. Foi para a região de Adamantina. Em 1975 veio para a Vila Tibério e está há 15 anos na Martinico Prado. Diz que o comércio da Vila já foi muito bom, mas hoje está difícil.

Seja visto em toda Vila Tibério. Anuncie no Jornal da Vila. 3610-4890


Música

Tônio Bento.

Ginkgo biloba

C AIPIRA

Quando fui convidado para escrever aqui no Jornal da Vila e disse pro editor que escreveria sobre música caipira ele assustou: - Mas Tônio, o que esse tipo de música tem a ver com a Vila? - Muito. Não só com a Vila, mas com toda a cultura do Brasil e além disso existe um grande movimento de revalorização da chamada música de raiz. Então... Pra começo de conversa, vou falar de Cornélio Pires: grande divulgador da cultura caipira no começo do século XX que percorreu esse interiorzão com uma caravana de violeiros, cantadores e humoristas. Ele nasceu em Tietê e com 17 anos mudou para São Paulo, onde foi tipógrafo e jornalista, trabalhando em todos os grandes jornais da época. Por causa do apoio explícito para Rui Barbosa, na eleição de 1910 quando foi eleito Hermes da Fonseca, perdeu o emprego e voltou para Piracicaba onde sobreviveu contando causos, piadas e representando matutos. Lançou o primeiro livro dos 26 que escreveu sobre música, linguagem e anedotas caipiras. Foi o primeiro a gravar músicas caipiras. Em 1929 reuniu os melhores cantadores e violeiros da região de Piracicaba e foi à São Paulo gravar na Colúmbia. Lá foi esnobado pelo gerente da gravadora. “Isso não interessa, não tem mercado”. Ao propor pagar pela gravação ouviu que não prensariam menos de mil discos e o pagamento teria que ser antecipado. Saiu, conseguiu o dinheiro com amigos e voltou encomendando 30 mil discos. Uma coleção de seis discos, com 5 mil de cada. O gerente achou que ele estava louco. Saiu com os discos pelo interior com a Turma Caipira Cornélio Pires e vendeu tudo. Depois voltou para gravar mais 25 mil. Ah! Rolando Boldrin, com 11 anos, estava em São Joaquim da Barra quando assistiu Cornélio Pires. Naquele momento Boldrin decidiu o seu caminho. Mas isto já é uma outra história.

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GENTE / SAÚDE

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Francine e João Carlos querem ser atletas

Jovens da Vila Tibério fazem atletismo na Cava do Bosque O que os deuses do esporte preparam para Francine e João Carlos, a gente ainda não sabe, mas eles se dedicam com garra e determinação para que um dia possam brilhar no mundo do atletismo. Francine dos Santos Madurro, com 13 anos, cursa a 7ª série no Liceu Contemporâneo e faz atletismo há três anos. Treina 100 metros rasos, salto em altura e distância e já participou de competições em Monte Alto e Araraquara, onde conquistou o 3º lugar no revezamento 4 x 250 metros. Ela quer seguir carreira no atletismo e chegar até ao Pan-Americano. Pretende cursar Educação Física.

João Carlos Nader Altenfelder Silva, com 12 anos, cursa a 7ª série no Santos Dumont e faz atletismo há um ano. Treina corrida de 60 metros e salto em distância e já participou de competição em Monte Alto onde conquistou o 4º lugar em 60 metros rasos. Faz natação no Poliesportivo do Botafogo. Pretende ser atleta e cursar Direito. Eles fazem Atletismo na Escolinha da Cava do Bosque sob orientação do técnico Osmar José de Souza. São aceitos alunos de 10 a 16 anos e as vagas estão abertas, gratuitamente, às 8h30 e às 15 horas. Segundo Osmar, o esporte pode resgatar os jovens, dando a eles uma oportunidade de cidadania.

Murakami, há quase 40 anos na Vila Em 1968 Waldemar Murakami começou a trabalhar com fotografia na Luiz da Cunha. Há 25 anos na Martinico Prado, faz todo tipo de foto, do social ao jornalístico e ainda revelações e 3x4. Ele já fotografou celebridades como Djalma Santos (à direita), Fábio Júnior, Moacir Franco, Altemar Dutra, Tony Ramos e outros tantos. Murakami afirma que com a saída da Antarctica o movimento caiu muito. Era excelente há 15 anos atrás.

O Ginkgo biloba é um dos fitoterápicos mais populares em todo o mundo e essa planta já era usada pela medicina chinesa há mais de 4 mil anos. Chamada pelos japoneses pelo nome de Yin-Kuo (fruto de prata), é considerado sagrado pelos budistas sendo suas árvores plantadas nas entradas de todos os templos. Descrito pela 1ª vez pelo médico alemão, Engelbert Kaelmpter, por volta de 1690, foi levado para a Europa somente em 1727, sendo considerado como único fóssil vivo. Despertou o interesse de pesquisadores após resistir ao ataque aéreo que lançou a bomba atômica sobre Hiroshima, no Japão, quando voltou a brotar sob as ruínas da cidade devastada. Adaptou-se muito bem às características urbanas e em clima temperado, não sendo exigente com os solos e resiste bem à poluição pesada, insetos e fungos. O Ginkgo biloba tem forte ação neuroprotetora, inibe a agregação plaquetária, aumenta o fluxo sangüíneo no cérebro, aumenta a transmissão nas fibras nervosas e também é um excelente antioxidante. Contém substâncias ativas capazes de melhorar a insuficiência vascu-

lar cerebral e periférica e é usado no auxílio ao tratamento de distúrbios de memória e concentração, vertigens, zunido no ouvido e labirintite; regula batimentos cardíacos e melhora dores nas pernas. Apesar de poder ser encontrado na forma de pó de ginkgo (folhas não processadas ou apenas secadas e trituradas), deve-se utilizar extrato padronizado de Ginkgo biloba para garantir que está adquirindo uma quantidade padronizada dos ingredientes ativos benéficos. O Ginkgo pode ser manipulado em farmácias; no caso da necessidade em adquiri-lo, procure sempre uma farmácia de sua confiança. Sérgio José Vieira Sanches Farmacêutico-Bioquímico

Dúvidas sobre medicamentos e manipulações podem ser esclarecidas nas farmácias da Vila Tibério: Doce Vida - Fone: (16) 3625-8172 Rua Bartolomeu de Gusmão, 763 Flor & Erva - Fone: (16) 3636-8623 Av. do Café, 375 Camomila e Bem-me-Quer - Fone: (16) 3630-3598 - Rua Martinico Prado, 1.181 Ética - Fone: (16) 3610-6501 Rua Luiz da Cunha, 839 Pharmacos - Fone: (16) 3625-5371 Rua Conselheiro Dantas, 1.087


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ESPECIAL

Se essa rua fosse minha... Castro Alves, o poeta dos escravos

Antônio Frederico de Castro Alves nasceu em 14 de março de 1847 em Curralinho, na Bahia. Em 1862 foi para o Recife, onde iniciou um romance com a atriz portuguesa Eugênia Câmara e já percebeu os primeiros sintomas da tuberculose. Em 1864, ingressa na Faculdade de Direito, porém dedica-se mais à poesia do que aos estudos. Em 1867 vai para Salvador, onde é encenada a peça “Gonzaga” ou “Revolução de Minas” de sua autoria. Em 1868 vai para São Paulo acompanhado de Eugênia Câmara e do ami-

go Rui Barbosa, com quem fundou uma sociedade abolicionista, e matricula-se no terceiro ano da Faculdade de Direito do largo São Francisco, onde declama pela primeira vez o poema “Navio Negreiro”. Ainda nesse ano é abandonado por Eugênia e, durante uma caçada, fere acidentalmente o pé com uma arma de fogo. Esse acidente provocou a amputação de seu pé e, logo em seguida, sua tuberculose agrava-se e o poeta vai para a Bahia, onde falece em 6 de julho de 1871. A obra do “poeta dos escravos”, foi fortemente influenciada pela literatura

político-social de Vitor Hugo. Defendeu a república, a liberdade e a igualdade de classes sociais. A temática social adotada por Castro Alves já o aproximam do Realismo, mas, por outro lado, sua linguagem repleta de figuras de estilo (metáforas, comparações, personificações, invocações, hipérboles), o enquadra no movimento Romântico. Além disso, o poeta não deixou de lado a poesia de caráter lírico-amoroso, cultivada por todos os escritores de sua época. LIVROS: Espumas Flutuantes (1870); Gonzaga ou a Revolução de Minas (1875); A Cachoeira de Paulo Afonso (1876); Vozes d’África e Navio Negreiro (1880); Os Escravos (1883).

Castro Alves – a Rua A rua Castro Alves começa na Avenida Fábio Barreto e termina na Via do Café. Subindo a partir da esquina com a Joaquim Nabuco existia a marcenaria do Souza, moravam seu Haroldo e dona Zulmira Griffo. O casal Écio Ricciardi e dona Brasília tiveram dez filhos: Maria, Pedro, Laura, Cida, Belinha, Dira, Kalu, Rubens, Gerson e Olívio. A Maria casou-se com o sr. José Luiz, que trabalhou na cia. de água e esgoto e depois na Ceterp e tiveram três filhos, Sérgio, Marlene e José Luiz Filho, o famoso Zé Playboy. Moravam também nesta quadra o seu Virgílio Cruz e seu filho Ditinho, lateral do Botafogo. Na esquina com a Luiz da Cunha tínhamos de um lado o Bar e Restaurante do Tio Camarotto e do outro, a farmácia de Gustavo Mazetto. Ao lado, residiu a família Gasparini, dona Deolinda e os filhos Wilson, Amphélio, Alpheu e Welson, atual prefeito.

Tem empresa que funciona há 50 anos, como a Serralheria Freitas, dos irmãos Antônio e Aristeu, e que hoje é tocada por Antônio Freitas Júnior e a assistência técnica do Ricardo Caçador. O auto eletro Donizete, de Mauro Donizete Garcia, funciona há 5 anos na Castro Alves e já foi estabelecido na Gonçalves Dias por 13 anos. A Revista Cotação de Material circulou 30 anos. Subindo para a Martinico, as famílias Magro, Freitas, Zancanelli, Azanha, Trez, Cristensen, Defendi e de Vicente Oranges. Na esquina com a Martinico Prado ficava a famosa Caneca de Prata, onde hoje funciona o restaurante Alimentare. Do outro lado está o Bar Camini, de Jorge Marcos Carvalho. Depois está o Sindicato dos Trabalhores na Construção Civil, instalado desde 1945. Tem a antiga Sociedade Amiga dos Pobres, fundada em 1910, e que se transformou no Centro Educacional e Cultural Castro Alves. A Papaléguas, casa de reciclagem de cartuchos funciona desde 2001. Teve a famosa escola de datilografia da dona Carmem Bezerra. Na esquina com a Santos Dumont, a famosa Padaria Progresso, dos Cagnolatti, que começou onde hoje é o Sindicato. Depois a família de Guido Romani, a do marceneiro Spiro Borg, que veio da ilha de Malta e sua filha

Hilda casou-se com Arnaldo Rodrigues, que têm uma distribuidora de alimentos em sociedade com o filho Valner. Na esquina com a Dr. Loyola, o sr. Guido Carletti e dona Eugênia, que vieram da Itália, tinham um armazém. Avelino Gabriel e dona Otávia tinham um depósito de milho onde vendiam palha para cigarros. Moravam as famílias Massaro, Sarti, Innocenti, as de Regasteu Monroy, de Carlota Leoncini, de Hermenegildo Flosi, de Antônio Macedo, de Cláudio Lemos dos Santos, de João Pereira Alves e a do músico Raul Rossi. Na esquina com a Bartolomeu de Gusmão tinha a Casa Íris, armazém de Moisés Saad. Subindo reside até hoje Edmundo Küll, esposa e filhos. A família de Antônio Cebollero Esteves, ex-funcionário da Antarctica e tenente da PM, que era filho de Manuel Cebollero Rodrigues e de dona Carmem Romero Esteves, que vieram da Espanha. Antônio Carlos Cebollero Spinelli, filho de Antônio, saiu na revista Placar quando pintou uma pantera gigante no seu Alfa Romeo em homenagem ao Botafogo, que vivia seus dias de glória, em 1978. Próxima à rua Aurora, morava o sr. Hélcio Delfino e a esposa Ercília. Seu filho, prof. dr. Helton Defino é médico e professor na USP de Ribeirão Preto.

Maio de 2006

Bar do Tio Camarotto Ponto tradicional durante mais de 20 anos na esquina da Luiz da Cunha com a Castro Alves, o Bar do Tio Camarotto foi uma referência na Vila Tibério. Antônio Camarotto veio de Dumont em 1959 e comprou o ponto do lado debaixo dessa esquina onde mais tarde se instalaria o Comind. Depois passou para o outro lado, onde ficou até 1981. Sempre contando com a ajuda da esposa, dona Hermínia, que abria o bar às 5 horas e já recebia dezenas de caminhoneiros para o café da manhã. O “tio” Camarotto chegava um pouco mais tarde pois atendia até à noite. Na primeira fase, eram os únicos proprietários do bar e restaurante. Na segunda, o restaurante ficou por conta do amigo Vicente Deserto. O restaurante chegou a servir até 100 refeições por dia, na sua melhor fase, quando chegavam caminhonei-

ros de quase todo Brasil para carregar cerveja. O “tio” morreu em 1997, com 82 anos, e dona Hermínia faleceu em 2003, com 88. Deixaram os filhos, Osmilda, casada com Olavo Guindalini, com dois filhos e seis netos; Maria Luíza, casada com José Ernesto Nazareno França, três filhos e quatro netos; e João Alberto, professor de Engenharia de Produção na UFSCar, casado com a também professora universitária Rosângela Vanali, um filho.

Com o fechamento da Anterctica, o Bar do Tio Camarotto, que chegou a vender até 100 refeições por dia, nunca mais foi o mesmo

Jornal da Vila - n08 - maio de 2006  

Jornal da Vila Tibério, bairro da zona oeste de Ribeirão Preto, tiragem de 10 mil exemplares com circulação também na Vila Amélia, Jardim Sa...

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