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RibeirĂŁo Preto, fevereiro de 2006 - ano I - nÂş 5


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Opinião

Fevereiro de 2006

Recebemos, por e-mail, da leitora Cleuza Naldi, um artigo vibrante que devido ao seu tamanho será publicado em três partes. Chegou também um artigo do escritor tiberense Nilton Manoel e um agradecimento do ex-vereador Valério Velloni. O espaço do jornal está ficando concorrido.

Paixão pela “Vila” (I) Maria Cleuza Garcia Naldi Como começar? Como começar... a não ser dizendo que sou extremamente apaixonada pela Vila? Começar dizendo que fiquei bastante emocionada quando li o primeiro número do “Jornal da Vila”, e igualmente me emocionei lendo o segundo e o terceiro, e estou ansiosa esperando a chegada do quarto?... Começar dizendo que cheguei aqui aos 12 anos, no outono de 1962, procedente de Brodósqui, quando meu pai, o sr. Sudário, nos trouxe para moramos ali na rua Luiz da Cunha, 736 – anexo ao Bar que logo ficou conhecido como Bar da Dona Joana, porque meu pai faleceu apenas 9 meses depois que aqui chegamos, e minha mãe “tocou o barco”. Quem por ali não se lembra dos pastéis da Dona Joana? E também do quibe, dos doces, das roscas e das broas de fubá? O Bar da Dona Joana (minha mãe) era parada obrigatória de muitos funcionários da “saudosa” Antarctica, que por ali passavam no retorno para casa após o expediente – O saudoso sr. Amir Pierre por exemplo, fatalmente assinava ponto ali todos os dias.. Nesta época eu carregava um grande orgulho, quando dizia para os colegas

Informativo mensal com circulação na Vila Tibério. Tiragem: 5 mil exemplares jornaldavila@gmail.com Fones: 3610-4890 Jornalista responsável: Fernando Braga - MTb 11.575 Colaboradores: Inês Zaparolli e Iúri Falleiros Braga Impresso na Gráfica Verdade Editora Ltda.- Rua Coronel Camisão, 1184 - Ribeirão Preto

que ficaram em Brodósqui, que eu morava no Bairro “onde fica a Antarctica”... Hoje muita coisa mudou aqui pela Vila. Onde era a Antarctica, que desastre... existe um grande vazio, um dolorido silêncio, sem qualquer sinal de vida. Onde era o Bar da Dona Joana, já foi revenda de carros e hoje é uma clínica dentária. Tínhamos ao lado do Bar, o Leite Jussara – aqueles de litro de vidro – onde minha irmã Cleide foi trabalhar logo que aqui chegamos. Em frente ao Bar, tinha o Armazém Nosso Ponto, propriedade do saudoso sr. Waldomiro Fronza, onde mais tarde minha irmã trabalhou por um bom tempo, usando “o uniforme azul” juntamente com a outra balconista, Helena. No local deste armazém hoje funciona uma loja de insufilm para carros e no sobrado onde moravam o sr. Waldomiro com a esposa Dona Luiza e as filhas Maria Luiza e Leonor, temos uma Escola Técnica de Enfermagem. Ao lado tínhamos a barbearia do sr. Mané, já falecido e pai da minha grande amiga Sueli, que me deu a maior força, emprestando-me seus cadernos, embora recomendando sutilmente “muito cuidado viu Baby”, quando cheguei no segundo semestre de 1962, matriculada na 1ª série ginasial do Colégio Santos Dumont. Do outro lado havia a Fábrica de Sabão São Roque, propriedade do então

saudoso sr. Nilo Nacarato, que era na época “monitorada” pelo Waltinho, irmão do Bertin e da Dirce (amigona de minha mãe, esposa do sr. Amir Pierre). Na esquina, em diagonal com o nosso Bar, tínhamos a sapataria do sr. Ivo Capretz, que sempre atendia com grande presteza o socorro aos nossos já surrados sapatos, que já careciam de um trato, porque a grana era realmente curta para aquisição de novos. Hoje, nesse local funciona a Lotérica Cacá, propriedade do Ivinho, que quando criança, era fanático por coca-cola e tomava as pré-lançadas de litro “no bico”, sempre financiadas pelo tio Arthur Capretz, que se divertia assistindo tal façanha. E na outra esquina o Açougue da Inês, do Toninho, do Ernesto – quem não se lembra?... Ah! E as imensas filas do Cine Marrocos aos domingos, que geralmente apresentava filmes romanos, e não faltava Elvis Presley... Como nos divertíamos naquela sessão das seis, (a sessão das oito? Era coisa “de velhos”) e depois íamos para a pracinha Coração de Maria fazer “footing”. Era bom demais, porém, “ai de nós” se chegássemos em casa depois das 10 da noite... Bem, a continuação da história fica para o próximo número do “Jornal da Vila”. Aguardem. Até lá pessoal... * Moradora da rua 21 de Abril

Vila? Tibério ou Formoza? Nilton Manoel de Andrade Teixeira  poetadavila@yahoo.com.br Quanto mais vivo em Vila Tibério lembro-me de uma frase de Prisco da Cruz Prates: “ o povo não liga para a história!”. Quando editei no Diário da Manhã de 17/8/1986,   É PRECISO SALVAR A HISTORIA não tinhamos o Arquivo Municipal (e eu já cobrava a existência!) sentia que Ribeirão Preto estava completando 15 anos de nova fase. Até os anos 1970 era a metrópole em marcha do Osvaldo Lopes de Brito. Após, era a terra onde a cada dia perde-se a tradição histórica. O coreto da praça Coração de Maria (antes do Rosário) foi-se com Costábile? Ou Condeixa? O cemitério (lei) de Costábile, não ocorreu. Na previsão talvez teria sido para a área onde foram as festas do centenário. Ainda temos terrenos vastos (Antártica? Antigo

Banco Construtor?). A nossa vila Formoza (é o que consta no carnê do IPTU)  não é tão grande e da década de 20 onde José Veloni e a familía Teixeira jogava bola na dr. Loiola pouca coisa resta. Os velhos prédios não tombados caem nas mãos das demolidoras. A vela locomotiva apodrece a céu aberto. A maioria dos escritores locais tem vínculo com a Vila Tibério: Prisco, Arnaldo, Sacramoni, Chaves, Nilton, etc. A ponte da Duque de Caxias tem documento camarista dos fins dos anos 40... A fábrica de vidro, o sabão Nacarato, a fábrica de potes, os Rosifinis, os Spanós, o bar Beija-flor, os Fregonesi, os Name, etc. etc. compunham o cartão postal das ruas boiadeiras em meio a sirenes de fábrica e cheiro de cevada.   * Nilton Manoel UBT União Brasileira de Trovadores

Prezado sr. Fernando Braga, Nós, filhos de José Velloni, nos sentimos muito honrados pelo destaque que vosso jornal concedeu para nosso pai e servimo-nos do presente para registrar nossos agradecimentos. Temos acompanhado edições anteriores do Jornal da Vila e observamos que está sendo um importantíssimo veículo de resgate da memória da nossa querida Vila Tibério. Parabéns pelo conteúdo e pela forma dinâmica e objetiva das matérias apresentadas.  Valerio Veloni


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CIDADE

Fevereiro de 2006

A proposta do Jornal da Vila, resumidamente, sugere a desapropriação ou parceria da área da Antarctica. Poderiam ser construídos centros comerciais. O local poderia abrigar um parque fechado. Possibilitaria a abertura da rua Joaquim Nabuco, ligando-a com a rua Mariana Junqueira, onde já existe uma ponte sobre o ribeirão, e a rua Padre Feijó com a avenida Fábio Barreto. Poderiam ser preservados alguns elementos arquitetônicos originais com valor histórico, para abrigar, com as devidas adequações, secretarias que não possuem sede própria. Outra opção seria fazer um convênio com o Sesc. O ribeirão Preto poderia ser devolvido ao seu leito original, cortando a área e tirando a junção dos rios em ângulo reto, diminuindo o impacto das cheias.

Personalidades de Ribeirão Preto comentam proposta para área da Antarctica Poderia ser feito um hospital ou uma faculdade. Acredito que seria muito bom para o bairro e iria beneficiar a população de toda a cidade , além de revitalizar toda a região. Antonio Bernal da Drogaria Santa Terezinha

Todas as opções seriam boas para a revitalização da área . Poderia ser um centro cultural ou ser ocupado pelo poder público. Só não concordo com a abertura de ruas, o que iria prejudicar o pleno aproveitamento do projeto. José Carlos Spanghero Representante comercial

Acredito que se for construído um shopping nesta área, toda a Vila Tibério e o centro da cidade serão revitalizados. Poderia ser aproveitado para desviar o ribeirão Preto, diminuindo a possibilidade de enchente na região. Aparecido Pezzuto Advogado

Com todas as dificuldades que possam ser apontadas para a execução hoje, continuo achando que a área antes ocupada pela Antarctica deve ser aproveitada no sentido de implantação de uma via fechada ligando a Estação Rodoviária à Praça Amin Calil, para facilitar a saída dos ônibus, isso sem prejuízo de outros projetos que viriam a garantir a valorização daquela região privilegiadamente localizada. Carlos Alberto Nonino Jornalista

Precisamos nos mobilizar. A população, a ACI, o poder público. Alguma coisa precisa ser feita com o prédio da Antarctica. Seja um centro cultural ou administrativo, só não pode ficar como está. Poderia ser recolocada a porteira da Mogiana na entrada da Vila como lembrança de uma época. Elas não funcionariam, seria apenas um símbolo. Carlos Maurício Bonifácio da Maurício Contabilidade

Salgadinhos Piu Piu retorna com força total Skate: jovens querem pista street e parque fechado As principais reivindicações os jovens que praticam skate nas mini-rampas do Parque Ecológico Maurílio Biagi são a construção de uma rampa estilo street e o fechamento do Parque. Aqui, todos trabalham e praticam um esporte saudável, afirma André, com 26 anos, 10 de skate e é auxiliar de escritório. Alfredo, 27 anos, 11 de skate é operador de máquinas; Fábio, 24 anos, 10 de skate é motorista e

Luiz Eduardo, 23 anos e 6 de skate é recepcionista de hotel acreditam que com o fechamento do parque vai aumentar a segurança e mais gente vai poder freqüentar o local. Querem também a conclusão de projeto que previa a construção de uma outra seção para o estilo chamado street. É a modalidade que mais cresce no mundo. Assim vamos poder treinar e participar de competições.

A tradicional casa de salgados da Vila Tibério, numa demonstração de otimismo e força de vontade, volta para seu antigo endereço, o qual foi totalmente reformado e ampliado, na esquina da Martinico Prado com a Rodrigues Alves, depois do incêndio ocorrido em 2005. A equipe do Salgadinhos Piu Piu conta como é difícil recomeçar, mas que é possível superar as adversidades com trabalho e perseverança e convida os amigos e clientes para conhecer as novas instalações.

Martinico Prado, 500 Encomendas: 3632-0110 / 3632-8443

PARQUE MAURÍLIO BIAGI

Determinado e preocupado com os munícipes moradores da Vila Tibério e imediações, o Vereador Capela continua empenhado, junto à Administração Municipal, para que com máxima urgência concretize a melhorias do Parque Maurílio Biagi, conforme projeto de lei n° 151/05, de sua autoria, já aprovado pela Câmara Municipal.


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GENTE

Fevereiro de 2006

Os empreendedores da Vila Antônio e Aparecida, Pedro e Paulo, Jair e José Roberto trabalham em atividades diferentes, mas tem em comum a credibilidade do potencial do bairro. Eles são exemplos de sucesso e persistência.

O Supermercado Santo Antônio Antônio José Ribeiro, um dos padeiros mais antigos de Ribeirão ainda em atividade, veio de São Joaquim da Barra em 1972 e comprou a panificadora Santos Dumont, onde ficou até 1977. Neste mesmo ano adquiriu um bar na esquina onde hoje está o supermercado e, em companhia da esposa Aparecida Leonel, construiu a Panificadora Santo Antônio. Com o sucesso do empreendimento ampliaram as instalações no ano de 1996 e a panificadora foi transformada em Supermercado Santo Antonio. Com o tempo, ampliando

mais as instalações, construiu também estacionamento próprio. Dos seis funcionários originais, hoje conta com 31 e mais de 50 indiretos. O confeiteiro Carlos César Nibrali está na casa há 25 anos. Conta com orgulho que muitos padeiros aprenderam ali a profissão e houve época em que se desmanchava uma tonelada de farinha por dia. Antônio e Aparecida se sentem gratificados pela fidelidade dos moradores da Vila Tibério com seu estabelecimento. O Supermercado Santo Antônio é um dos pontos mais tradicionais da Vila.

Pedrão PVC Os irmãos Pedro e Paulo Gabriel vieram de Carmo de Rio Claro em 1962 e cada um seguiu seu rumo. Pedro foi trabalhar no Mercado Municipal, numa loja de material hidráulico e Paulo, no Café Utam. Em 1989, sentindo que faltava na Vila Tibério uma loja de peças hidráulicas para pequenos reparos, Pedro abriu uma loja, junto com a esposa Roseana, na sala de sua residência. A procura foi aumentando e Pedro foi expandindo a loja. Acabou comprando a casa em frente e logo depois a casa vizinha. Nesse tempo seu irmão Paulo veio trabalhar com ele e depois sua esposa Lourdes, e atualmente os filhos de Pedro, Mateus e Guilherme. O novo prédio em fase de acabamento dará espaço para novos produtos e melhor atendimento. O segredo do crescimento, segundo Pedro, é trabalhar sempre com material de primeira linha e treinar os funcionários no atendimento. E o mais importante, respeitar e ser sempre honesto com o cliente.

Regional Materiais Elétricos Jair Cabrini trabalhava na Mathias & Gonçalves e seu irmão, José Roberto, na Eletro Rio. Os dois sonhavam em ter seu próprio estabelecimento. Junto com mais dois colegas de trabalho procuraram no jornal uma loja já montada de material elétrico. Na esquina da rua Conselheiro Dantas com a rua Luiz da Cunha já existia há cerca de vinte anos a Romero Comércio de Materiais Elétricos e seus donos queriam vendêla. Fechado o negócio, Jair e José Roberto, mais conhecido por Cabrini, ficaram por lá durante três anos.

Os dois amigos saíram da sociedade e os irmãos compraram a casa onde atualmente está a Regional Materiais Elétricos. Depois de seis anos, fizeram nova ampliação com estacionamento próprio. Hoje a Regional atende clientes de Ribeirão e região. A maioria indústrias e usinas. Jair não vê obstáculo de ter sua empresa na Vila, os momentos difíceis são superados como em qualquer ramo de atividade, o importante é dar prioridade no atendimento e as melhorias são conseqüência desse processo.

Seja visto em toda Vila Tibério. Anuncie no Jornal da Vila. 3610-4890


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GENTE

Fevereiro de 2006

Com a Igreja de N.S. do Rosário lotada, Fernando Fonzar foi ordenado

Sr. Antônio Fávero com e esposa, dona Adair e a filha, a farmacêutica Célia Regina

Antônio Fávero, o Antônio da Deca

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ntônio e Adair Machado Fávero, casados há 52 anos, mais de 40 na mesma casa, têm orgulho da filha, dra. Célia Regina, farmacêutica formada na USP de Ribeirão, casada com Antônio Carlos Silvério e dos netos Eduardo Henrique (5º ano de Veterinária) e Marcelo Augusto (3º ano de Fisiterapia) que sempre que podem estão presentes. Seu Antônio é neto de italianos e seu pai Domingos Fávero tinha chácara próxima ao local hoje onde se encontra o West Shopping. Conhecido com Antônio da Deca, por ter trabalhado por mais de 30 anos como técnico em válvulas hidra na Hidráulica Martins, representante exclusivo Deca. Antes

disso trabalhou como mecânico da Antarctica por uns dez anos. Seu Antônio, hoje com 75 anos, nasceu, cresceu e estudou na Vila Tibério. Dona Adair, com71 anos, nasceu perto do Lar Santana. Ela tem orgulho de ser prima de Machado, goleiro do Botafogo. Os pais eram irmãos. Mas seu Antônio Fávero ainda faz pequeno consertos e reparos, quando solicitado e sempre encontra tempo, como vicentino que é há mais de 40 anos, para cuidar de famílias carentes cadastradas na Igreja Nossa Senhora do Rosário. Para eles é muito bom morar na Vila Tibério, onde todos se conhecem e acaba sendo como uma grande família.

No dia 11 de fevereiro, em cerimônia que teve início às 19 horas, o jovem tiberense Fernando Fonzar, num gesto simbólico, despediu-se de seus pais Antônio Fonzar e Neusa Mendes Fonzar e saiu do meio do povo, para apresentar-se ao arcebispo de Ribeirão Preto, D. Arnaldo Ribeiro e receber o sacramento da ordenação através da imposição das mãos. A Igreja Nossa Senhora do Rosário ficou pequena para acolher o grande número de pessoas que foram assistir e participar da ordenação, não apenas como expectadores, mas também para dar um testemunho e aceitação do novo sacerdote que entregou sua vida para seguir o exemplo de Cristo.

CRECHE VILA TIBÉRIO Já no seu primeiro ano de mandato o Vereador Capela requereu a construção de unidades de educação infantil (creches) na Vila Tibério, conforme emenda ao Plano Plurianual - Projeto de Lei nº 330/05, visando atender os pais cujas condições financeiras não permitem colocar seus filhos em creches pagas.


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SAÚDE / CURIOSIDADES Cuidando da Osteoporose O que é Osteoporose? É uma doença que se caracteriza pela redução intensa da massa e da densidade óssea. Esta doença é de evolução lenta e silenciosa que pode levar a fraturas (especialmente fratura de quadril). Geralmente se manifesta numa fase mais tardia da vida, mas tem início muito antes, caso a mineralização dos ossos na infância tenha sido inadequada. O portador da Osteoporose deve tomar 10 a 15 minutos de sol pela manhã, praticar uma atividade física orientada (no nosso bairro temos o PIC da Praça José Mortari e o da Coração de Maria) e ingerir quantidades adequadas de cálcio, por vezes associadas à Vitamina D que é a responsável pela absorção do cálcio. O ideal seria que o cálcio necessário fosse suprido através dos alimentos (leite, queijo, iogurte, sardinha, espinafre e brócolis cozidos, etc.). Entretanto, muitos fatores nos levam a ingerir muito menos cálcio do que o recomendado em cada fase da nossa vida. Nestes casos, a suplementação de cálcio é feita através de cápsulas ou comprimidos contendo cálcio elementar mais comumente na forma de carbonato ou citrato (nas dosagens

PIC da Praça José Mortari determinadas pelo médico). É importante salientar que o cálcio deve ser ingerido juntamente ou logo após as refeições, para evitar transtornos gástricos (constipação intestinal, dor na barriga, náuseas). A mudança de hábitos pode ajudar, e muito, no tratamento – evitar o consumo excessivo de café, cigarros, refrigerantes e bebidas alcoólicas pode contribuir para melhorar a absorção do cálcio. Concluindo, a osteoporose não deve ser encarada como algo “normal” devido ao envelhecimento. É uma doença e deve ser prevenida e tratada com toda atenção para que haja melhoria na qualidade de vida na terceira idade. Arlete Faria de Freitas Farmacêutica

Dúvidas sobre medicamentos e manipulações podem ser esclarecidas nas seguintes farmácias da Vila Tibério: Camomila e Bem-me-Quer - Fone: (16) 3630-3598 - Rua Martinico Prado, 1.181 Pharmacos - Fone: (16) 3625-5371 Rua Conselheiro Dantas, 1.087 Ética - Fone: (16) 3610-6501 Rua Luiz da Cunha, 839 Flor & Erva - Fone: (16) 3636-8623 Av. do Café, 375 Doce Vida - Fone: (16) 3625-8172 Rua Bartolomeu de Gusmão, 763

Dengue: a Vila tem o maior número de casos

De acordo com a Vigilância Epidemiológica, até o dia 17 de fevereiro de 2005 em Ribeirão Preto já foram confirmados 377 casos de dengue este ano. A Vila Tibério, infelizmente, tem o maior número de casos confirmados, seguido pelo Sumarezinho, Ipiranga e Monte Alegre. Devido à alta infestação do mosquito e à grande movimentação das pessoas e de um bairro para o outro, estão sendo registrados novos casos em bairros de outras regiões, o que caracteriza o início de uma epidemia. Com o objetivo de reverter esta situação, a Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a Sucen, está programando para o dia 11 de março, um super mutirão de limpeza, em vários locais da cidade, principalmente na Vila Tibério, visando o controle do mosquito através da eliminação dos criadouros que acumulam água parada dentro dos domicílios.

Algumas “Vilas” famosas Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Foi batizada em homenagem à princesa Isabel e suas ruas receberam nomes de abolicionistas. Famosa pela presença de inúmeros poetas e compositores que nasceram ou que foram revelados no bairro. Durante muitos anos funcionou a fábrica Confiança de tecidos, que ficou famosa por seus três apitos que soavam durante o dia, marcando os horários dos empregados. Os apitos foram imortalizados em música de Noel Rosa. Atualmente, no local onde funcionava a fábrica funciona um supermercado, mas os apitos continuam soando, por tradição. Vila Madalena, São Paulo. A “Vila” levou muitos anos para chegar ao “status” de bairro moderno. Os botecos foram lentamente substituídos por bares da moda e o comércio foi se expandindo, até que nos anos 80 virou moda “ser da Vila”, freqüentar suas ruas e sua grande feira.

Fevereiro de 2006

Curiosidades

Projeto para ampliação do Luiz Pereira que foi comercializado como cartão postal na década de 60 pelo Foto Esporte. Segundo o jornalista Márcio Javaroni, a idéia de ampliar o estádio, apelidado de Fortim de Vila Tibério, foi abandonada por falta de condições físicas do local sendo preferida a construção do Santa Cruz.

Plebiscito queria mudar o nome da Vila Tibério

Um projeto de lei para mudar o nome da Vila Tibério para Botafogo foi apresentado pelo então vereador Wilson Nogueira Santiago em 24 de maio de 1977. O projeto que autorizaria a realização de um plebiscito com a população do bairro foi negado como objeto de deliberação. Foi reapresentado ainda em 77 sendo retirado pelo próprio autor em 29 de novembro de 1978. O vereador justificava afirmando ser o Botafogo Futebol Clube motivo de orgulho para todos os ribeirãopretanos, que vêem o nome do município projetado em todo território nacional graças à atuação brilhante do clube que tem merecido incontidos elogios da crônica especializada brasileira. Santiago ressaltava que pelo fato da agremiação esportiva ter nascido na Vila Tibério, que tem vibrado intensamente com os feitos enaltecedores da mesma, seria justo que sua população fosse consultada sobre o seu desejo ou não de ver o nome do subdistrito mudado para Botafogo, como homenagem ao mais novo Campeão da Taça Cidade de São Paulo, feito este que, até o momento, nenhum clube do interior conseguiu. Nota da Redação: O Botafogo estava no auge, mas Wilson Santiago percebeu, em tempo, a dificuldade que teria para mudar o nome do bairro mais tradicional de Ribeirão Preto e retirou seu projeto.

Bastião: olha que o Botafogo vem aí

Sebastião Ferraro, o Bastião, 60 anos e lá vai pedrada, como ele mesmo diz, é uma das figuras mais populares da Vila Tibério. Sua grande paixão é o Botafogo que apesar da decepção dos últimos anos ele ainda acredita que vai brilhar de novo.


Fevereiro de 2006

Velhos carnavais Passada as festas natalinas, timidamente as rádios começavam a tocar as novas e também as tradicionais marchinhas de carnaval, o comércio era tomado por roupas que só se usavam nesta época, como short para mulheres e bermudas e camisetas para homens. Os bailes eram de fantasia e ainda eram formados blocos. Eram poucos os clubes em Ribeirão: Recreativa, Regatas, Palestra, Socorros Mútuos e a Caverna no sub-solo do Teatro Pedro II. O que acontecia lá, criança não ficava sabendo, pois os adultos já mudavam de assunto. A farra da meninada era jogar água nas pessoas que passavam em frente às casas. Munidos de bisnagas e escondidos atrás dos muros, davam banho nos passantes. Só respeitavam os idosos. Naquela época que as mulheres usavam laquê no cabelo, era um estrago. As meninas do Grupo Escolar Sinhá Junqueira, usavam um grande laço de fita de organza no cabelo, engomado e cuidadosamente ajeitado. Eram as vítimas preferidas pois os laços desabavam. À noite, o desfile acontecia no começo da rua General Osório e ia até a esplanada do Teatro Pedro II. Passavam blocos de foliões, escolas de samba e carros alegóricos. As lojas ficavam abertas à noite vendendo confete, serpentina e bisnaga. O pessoal esperava para assistir o desfile e depois ia para casa a pé. O luxo ficava por conta das revistas Cruzeiro e Manchete que mostravam as fantasias premiadas por luxo e originalidade além dos escândalos de atores e atrizes que vinham passar o Carnaval no Rio de Janeiro. As fofocas nacionais tinham a revista do Rádio e a Cinelândia, isso rendia assunto em qualquer conversa. Numa época sem televisão, o carnaval era ao vivo e a cores. Na quarta-feira de cinzas era como se o fogo tivesse acabado com tudo, fazia-se um respeitoso silêncio sobre o carnaval e a quaresma era guardada durante seus quarenta dias. Uma curiosidade: o sábado de aleluia é sempre o primeiro sábado de lua cheia da primavera (outono no Brasil), conta-se 40 dias para trás e temos o carnaval, que cai sempre na lua nova. Aquelas noites escuras que não tem luar. Corpus Christi cai sempre na quinta-feira, sessenta dias após a Páscoa. Confiram na folhinha. Inês Zaparolli

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HISTÓRIA

A bocha faz parte de nossa tradição

O

Reinaldo Berluzzi, o Pitiguara, à esquerda, que montou as canchas e Ronicarlos dos Reis Silva, o Roni, que reformou o Recreio Pitiguara e pretende fazer campeonatos com premiações

Recreio Pitiguara - 1978

Eu morava na Barão de Cotegipe e trabalhava no Diário da Manhã, no começo da Duque de Caxias. Passava pela Conselheiro Dantas quase todos os dias e a bocha do Recreio Pitiguara sempre chamava a minha atenção. Em fevereiro de 1978, há exatos 28 anos, fiz um ensaio fotográfico buscando a plástica dos movimentos dos jogadores (quase um balé) e o cenário com a platéia sempre atenta. Aqui estão algumas das fotos da época. Fernando Braga

s imigrantes italianos trouxeram muitos costumes na bagagem e a bocha foi um dos esportes que mais se difundiu entre nós. Aqui na Vila Tibério tivemos dois pontos de bocha: o Círculo Operário, que fechou recentemente e o Recreio Pitiguara que foi reformado e funciona normalmente. A história do Recreio Pitiguara começa em 1938, quando Ângelo Mazer montou três canchas de bocha em um terreno baldio na rua Conselheiro Dantas e que funcionou até 1946. Neste ano, Floriano, filho de Ângelo, saiu da Antarctica, onde era mecânico, e montou uma oficina de fundição no galpão onde ficou até 1957. Celso Pereira, do Blocos Jucel, alugou o local até 1967. Em 1968, Norival Mazer, o Fraz, outro filho do sr. Ângelo, refez duas canchas, que foram montadas e administradas pelo sr. Reinaldo Berluzzi, 77 anos, conhecido por Pitiguara (apelido de infância) até 1974, quando Fraz, que era sapateiro, se aposentou e comprou o ponto. Fraz ficou administrando o local até 1993. Depois disso o local teve mais alguns donos e foi adquirido recentemente por Ronicarlos dos Reis Silva, o Roni, de 32 anos, que reformou e pintou o recreio e vai fazer campeonatos abertos à participação dos interessados com premiações. Assim ele mantém em plena atividade o tradional ponto de bocha.


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ESPECIAL

Se essa rua fosse minha...

Escola Sinhá Junqueira faz 85 anos em outubro

Conselheiro Dantas

Manuel Pinto de Sousa Dantas mais conhecido como Conselheiro Dantas. Nasceu em Salvador, Bahia, em 1831 e morreu no Rio de Janeiro, em 1894. Era advogado e político. Foi proprietário do Diário da Bahia, órgão do Partido Liberal, do qual era membro. Governou Alagoas e Bahia, tendo ocupado importantes cargos durante o Império. Elegeu-se deputado em 1857, exercendo mandatos consecutivos até 1868. Tornou-se senador dez anos depois. Em 1879 foi nomeado Conselheiro de Estado, exercendo em seguida as funções de Ministro da Agricultura, da Justiça, da Fazenda e dos Negócios Estrangeiros. Abolicionista, quando presidiu o Conselho de Ministros em 1884 apresentou projeto redigido por Rui Barbosa propondo a emancipação dos escravos com mais de 60 anos. O texto foi recusado pela Câmara, precipitando a queda do seu Gabinete em 1885. Às vésperas da abolição da escravatura no Brasil (1887), foi proposto

pelo senador Dantas o projeto que, em sua essência, previa a libertação dos escravos e o assentamento das famílias de ex-escravos. Ele previa: “Art. 1º - Aos 31 de dezembro de 1889 cessará de todo a escravidão no Império”. (...) § 3º - O Governo fundará colônias agrícolas para a educação de ingênuos, trabalho de libertos, à margem de rios navegáveis, das estradas, ferrovias ou do litoral. Nos regulamentos para essas colônias se proverá à conversão gradual de foreiro ou rendeiro do Estado em proprietário dos lotes de terra que utilizar, a título de arrendamento.” O projeto completo de libertação dos escravos previa o assentamento de famílias de ex-escravos. Os recursos para as necessárias desapropriações já haviam sido providenciados em bancos europeus quando a proclamação da república interrompeu todo esse processo que seria uma espécie de reforma agrária. Os escravos libertos ficaram entregues à própria sorte.

Conselheiro Dantas – a Rua A rua Conselheiro Dantas começa na rua Joaquim Nabuco e sobe até a Via do Café. Neste percurso temos A Cybermicro, a revenda de autos Rossi, a lanchonete Hawaí, podemos dar uma parada e saborear a garapa geladinha do gaúcho na praça Coração de Maria. Depois temos a escola Sinhá Junqueira (ver ao lado), o salão paroquial da Igreja Nossa Senhora do Rosário, a locadora Vila Vídeo, a clínica do dr. Ricardo, o Recreio Pitiguara (ver matéria na página 7), o Lar Santana, a farmácia homeopática Farmacos, já quase no final da rua. No início dos anos 50, o sr. José Tóffano era motorista de táxi na Figueira e atendia toda a Vila que ainda não tinha ponto. Sua filha Olga casada com Ovídio Sandrin são pais do dentista José Luís Sandrin.

Quase na esquina com a Martinico, Otelo Bernardi tinha um açougue e na esquina com a Santos Dumont o bar do sr. Paciência, pai da psicóloga Edna Paciência. No fundo da clínica do dr. Ricardo, o conjunto Ex-Cara Velhos se reúne toda semana para os ensaios semanais. Também foram moradores os funcionários da Mogiana Rafael Bonfá e Álvaro Martins. O funcionário da Antarctica sr. Clemente Rossi, o taxista Alfredo de Oliveira, o mecânico do Banco Construtor Hermínio Cola, Aurélio Merli, Francisco Escolano, Chico Alexandre entre tantos outros. Onde hoje está o edifício Botafogo era uma grande terreno que já foi ocupado pelo parque Pinga-Pinga, pelo Circo do Biriba e por uma madeireira.

Fevereiro de 2006

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Escola Estadual Sinhá Junqueira, que se orgulha de ter instruído mais de 50 mil estudantes em toda a sua história, está se preparando para comemorar os 85 anos de fundação em 16 de outubro próximo. Sua história mistura-se com a própria história da Vila Tibério: com a chegada dos trilhos da Companhia Mogiana em 1883 e posteriormente com a instalação da Antarctica em 1911, o bairro teve um grande crescimento populacional com a procura de casas por funcionários das empresas e com o surgimento de comércio e pequenas manufaturas e a economia da cidade era movida pelo café e as locomotivas a vapor impulsionavam o comércio. Esse crescimento trouxe a necessidade de uma escola para atender à população, que passou a exercer pressão sobre a Câmara Municipal para a doação um terreno ao Governo do Estado para sua implantação. A escritura foi lavrada em cartório em 1919. A escola demorou três anos para ser construída, foi inaugurada em 21 de julho de 1921 e foi chamada de 3° Grupo Escolar de Ribeirão Preto. As aulas tiveram início em 16 de outubro de 1921 (data comemorada). A primeira turma era caracterizada por jovens pertencentes à classe operária e também por filhos de cafeicultores. Havia na escola oito salas de aula: três para os alunos das turmas A, B e C do 1° ano masculino, três para as alunas das turmas A, B e C do 1° ano feminino, uma sala para o 2° ano masculino e uma sala para o 2° ano feminino. O primeiro diretor foi o sr. Pascoal Moutno Salgado e o corpo docente era composto por sete professoras, um professor, uma substituta, um praticante, um porteiro, um servente e uma servente. Trinta e seis alunos da 1ª turma formaram-se em 1927, sendo o sr. Alfredo de Moraes Rosa o diretor da escola. Quando Dona Sinhá Junqueira recebe o título de cidadã benemérita de Ribeirão Preto em 1953 e após sua morte em 1954, o Diário Oficial de 19 de dezembro deste mesmo ano, renomeia o 3° Grupo Escolar de Ribeirão Preto para Grupo Escolar de 1º Grau Dona Sinhá Junqueira.

Prof. Sílvio quer reunir grande número de ex-alunos para as comemorações dos 85 anos do “Sinhá Junqueira” Hoje, a escola conta com 950 alunos distribuídos nas quatro séries do ensino fundamental. Segundo o prof. Sílvio de Almeida Filho, de 58 anos, diretor da escola há mais de 4 anos, já passaram pelos bancos do Sinhá Junqueira mais de 50 mil alunos, grande parte destes em posição de destaque na nossa cidade. Ele pretende reunir um grande número de ex-alunos para as festividades dos 85 anos da escola.

Quem foi Sinhá Junqueira Dona Theodolina de Andrade Junqueira nasceu em Franca em 24 de fevereiro de 1874. Casou-se com seu primo, o coronel Francisco Maximiliano Junqueira, o coronel Quito Junqueira, em 1891 e foram casados por 47 anos. Após o casamento mudaramse para a Fazenda da Serra em Ribeirão Preto. Com a morte de seu marido, em 19 de novembro de 1938, assumiu os negócios e as propriedades da família. Dona Sinhá Junqueira, como era chamada, aplicou a maior parte de sua fortuna no amparo aos necessitados. Fundou o Educandário Coronel Quito Junqueira, aumentou a sede da Casa da Criança, instituiu a Fundação de Assistência Social Sinhá Junqueira, que recebeu a propriedade da Usina Junqueira, a Maternidade Sinhá Junqueira e doou o prédio da Biblioteca Altino Arantes. Theodolina não teve filhos e faleceu aos 80 anos, em 26 de novembro de 1954, em Ribeirão Preto.


Jornal da Vila Tibério - n05 - fevereiro de 2006