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RibeirĂŁo Preto, dezembro de 2005 - ano I - nÂş 3


OPINIÃO Editorial Passado, presente e futuro A antiga fábrica da Antarctica, uma importante área da Vila Tibério, no coração da cidade, pode ser considerada como um grande vazio urbano. Pensando na revalorização do bairro, apresentamos uma proposta para colocar em discussão o que poderia ser feito com esse importante quadrilátero que, pode não ser uma panacéia para todos os males, mas certamente pode “mexer” muito a dinâmica da Vila. Sabemos que tombamentos, que implicam em restauração e manutenção são onerosos. No Brasil são poucos os empresários que investem na área cultural e a dependência exclusiva de verbas públicas inviabiliza qualquer projeto. O aproveitamento do imóvel deve servir para alguma finalidade e gerar seus próprios recursos. Em São Paulo, o Sesc Pompéia pode servir como exemplo da transformação de uma área fabril em um complexo esportivo e cultural, tornando atrativo todo o entorno, revalorizando uma área antes decadente e vazia. Em Ribeirão temos o exemplo do Parque Curupira, uma pedreira abandonada que se transformou num centro de lazer. Precisamos de espaços para reunir as pessoas, seja por motivos culturais, esportivos ou de lazer. Com a falta de segurança e o medo em transitar em espaços abertos, a tendência é formar núcleos, como os shoppings, calçadões, centros comunitários. A proposta do JV é preservar a história de uma fábrica que os moradores da Vila, em especial, e de Ribeirão, ainda se orgulham de fazer parte e ao mesmo tempo revitalizar um espaço tão nobre.

Dezembro de 2005

Considerações sobre a Vila Wladimir C. Bianchi * Falar da Vila Tibério para mim, se confunde com falar de mim mesmo. Nasci na Vila e vivi lá até os 21 anos, quando minha mulher me raptou e me levou para o outro lado da cidade. Desde então, vivo atravessando a cidade para visitar meus pais em minha antiga casa tiberiana, além de ir à praça para decidir o futuro do país. Para mim, a Vila tem um ponto chave, a pracinha Coração de Maria. Foi nos arredores dela que a maior parte dos eventos aconteceu. Da minha casa, tinha que andar cinco quadras. Sempre que sinto o cheiro da “dama da noite” eu me lembro desse trajeto, de mãos dadas com meus pais, passeando no silêncio da noite. No caminho, a cada três casas tinha um tio, em sua cadeira trançada, trocando uma prosa em frente aos jardins e curtindo a brisa característica da noite de Ribeirão. Ao chegar à praça, o parque e os círculos de areia sempre foram a diversão da garotada. Eu adorava dar voltas em cima do muro de um dos círculos e saltar dali de cima. Ali tinha um lugar que me chamava atenção, o antigo “Cine Vitória”, que não funcionava, mas tinha vários cartazes de filmes, dentre eles, o impressionante “Tubarão”. Aos domingos meu tio me levava na Igreja da Rosário, também na praça, onde mais tarde fiz o catecismo e a crisma no prédio do SESI. Quando saia da igreja, muitas vezes íamos à banca de revistas, onde eu ganhava um gibi do Tio Patinhas para aumentar a coleção. Algumas vezes, escondido, e

Informativo mensal com circulação na Vila Tibério. Tiragem: 7 mil exemplares jornaldavila@gmail.com - Fones: 3966-1829 / 3610-4890 Jornalista responsável: Fernando Braga - MTb 11.575 Reportagens: Inês Zaparolli Impresso na Gráfica Verdade Editora Ltda. Rua Coronel Camisão, 1184 - Ribeirão Preto - SP

ignorando os conselhos de minha mãe, pulei na fonte da praça para me refrescar. A fonte ficava em frente à escola de datilografia, onde aprendi a usar meus dez dedos para contar essa história. A loja da praça era a “Confecções Pedro”, do próprio Pedro, que namorou minha prima. Foi lá que eu ganhei meu primeiro Jeans. Quando fiz sete, em 79, eu fui para o “Sinhá”, a escola da praça, e fiquei lá até o oitavo ano. Na mesma praça eu também namorei, beijei, chorei, fiquei com medo, fugi de briga, fugi de aula e também me cocei muito! É... Coceira forte! Na praça tinha uma árvore que dava um fruto chamado de “sabão de macaco”. Não sei como é urtiga, mas acho que deve ser pior. Uns engraçadinhos passaram o tal sabão nas minhas costas... Fiquei maluco, me esfregando naqueles bancos de cimento. O assunto parou na diretoria da escola... Ainda continuo indo na praça, ano após ano para dar meu voto nas urnas do “Sinhá”, além de encontrar amigos e rever momentos marcados nos corredores da escola e da praça. Eu sinto a Vila e a praça como minha grande casa, como um grande ninho, como um colo de mãe. Dali tirei minha percepção de mundo e passei a entender minha cidade. No coração da Vila temos o “Coração de Maria”, que como um grande templo, guarda histórias e saudades de muitos que por ali passaram e cresceram. A praça que é para mim o “Coração de Ribeirão”. * Diretor de Tecnologia em uma das mais bem conceituadas empresas de tecnologia da região, a Cions Software – www.cions.com.br bianchi@cions.com.br www.cions.com.br

Câmara homenageia JV No dia 11 de outubro de 2005, foi aprovado requerimento de congratulações pelo lançamento do Jornal da Vila. Apresentado pelo vereador Walter Gomes, que ressaltou o fato do jornal estar aberto a todos que queiram se expressar. Agradecemos a homenagem e isso só aumenta nossa responsabilidade para com os moradores da Vila Tibério.


CIDADE

MARIANA JUNQUEIRA

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1 ARRETO FÁBIO B

2 PE. FEIJÓ

JOAQUIM NABUCO

CASTRO ALVES

Praça Amim Calil

LUIZ DA CUNHA

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Uma proposta para a área da Antarctica No mapa, o quadrilátero da Antarctica mostrando a possível abertura viária e abaixo, um dos prédios do conjunto

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antiga fábrica de cerveja ainda poderia estar em funcionamento, não fosse a nova ordem mundial que, em nome da produtividade, exige linhas de montagem computadorizadas com poucos funcionários. Ficou a saudade e uma grande área no coração da cidade. O Jornal da Vila atreve-se a fazer uma proposta, que a princípio pode parecer maluquice, mas, na verdade, alguns problemas do bairro e da cidade como um todo seriam atenuados. Poderia aliviar os problemas das enchentes, preservar valioso patrimônio histórico para uso de secretarias, desonerando o município do aluguel mensal, além de propiciar solução viária com nova ligação com o centro. Tudo isso beneficiaria não apenas a Vila Tibério, mas também contribuiria para a revitalização da “Baixada”, que é aliás uma grande preocupação mani-

festada pelo poder público na decisão de manter a Rodoviária onde se encontra e pelos comerciantes da área. A PROPOSTA - A área seria desapropriada e os vértices do quadrilátero seriam vendidos para amortização do valor a ser pago. Poderiam ser construídos centros comerciais (1). O vértice 2 é ocupado pela Dira, Divisão Regional Agrícola do Estado de São Paulo. O local abrigaria um parque, fechado com grades para evitar o uso indevido. Possibilitaria também a abertura da rua Joaquim Nabuco, ligando-a com a rua Mariana Junqueira, onde já existe uma ponte sobre o ribeirão, dando nova opção de escoamento para a região oeste da cidade, e ligaria também a rua Padre Feijó com a avenida Fábio Barreto. Seriam preservados alguns elementos arquitetônicos originais com valor histórico que poderiam abrigar, com as devidas ade-

quações, as secretarias que não possuem sede própria, e obrigam a Prefeitura a empregar uma quantia considerável do recurso público. Outra opção seria fazer um convênio com o Sesc, que a exemplo do Sesc-Pompéia, em São Paulo, onde ocupou área de uma antiga fábrica e revalorizou todo o entorno. Além disso, poderia se pensar no desvio de parte do leito do ribeirão Preto, tirando a junção dos rios em ângulo reto, diminuindo o impacto das cheias nas avenidas Jerônimo Gonçalves e Francisco Junqueira. Outra alternativa é a reabertura do caminho dos trilhos, pela praça Schmidt, dando nova saída para os ônibus que partem da rodoviária, desafogando o trânsito da Vila Tibério e da avenida Jerônimo Gonçalves. Propostas melhores que esta podem surgir num amplo debate público, que aliás é o que o Jornal da Vila deseja levantando a questão. Fernando Braga


HISTÓRIA

Toni: a trajetória de um comunicador nato

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uito se falou de José Wilson Toni, jornalista, político e radialista que nos deixou precocemente no início deste mês de dezembro. A família de Toni veio de Bonfim Paulista onde seus avós tinham uma padaria e seu pai trabalhava na extinta EPA – Escola Prática de Agricultura, atual campus da USP. Com o fechamento da Escola Prática, por volta de 1954, os pais de Toni mudaram-se para a Vila Tibério. Toni estudou no Grupo Escolar Sinhá Junqueira, uma de suas professoras na época, Dalcy Abade (foto) diz que Toni era um menino muito inteligente, bom aluno, se expressava num português correto e falava sem medo, essa característica vem de muito cedo. Dalcy costumava levar seu filho mais novo na escola, por não ter onde deixá-lo, e numa das vezes Toni presenteou o menino com um tamborzinho. Fato que Dalcy se lembra até hoje com emoção. Célia Reis ainda guarda com carinho um livro ganhou de presen-

te de Wilson Toni no seu aniversário há 32 anos. Amigos de infância e adolescência, nos tempos da Vila Tibério, Célia acredita que era ele quem tinha a magia do menino do dedo verde que podia transformar o mundo com um simples toque. Henrique Bartsch que morava na Gonçalves Dias, quase esquina com a Joaquim Nabuco, afirma que além de uma grande amizade que vem desde quando jogavam bola aos cinco anos de idade, Toni sempre foi muito generoso com os amigos e conhecidos.

Toni começou a trabalhar na rádio 79 ainda garoto, formou-se em jornalismo e advocacia, e além de uma carreira de sucesso no rádio, jornal e TV, foi vereador em Ribeirão Preto, deputado estadual, secretário estadual da Promoção Social. Toni era apresentador e fundador do Clube Verdade. Toni gostava de provocar polêmicas, com isso fazia as pessoas pensarem e tomarem uma posição, contra ou a favor, ninguém ficava neutro com suas investidas. Sua figura carismática e possuindo o dom de falar de improviso com empolgação não terá substituto tão cedo, numa era em que apresentadores lêem numa telinha à sua frente o que informarão ao público, calmos e pasteurizados.

Dezembro de 2005

Egídio e Edson Tamburus, barbeiros com orgulho Luís e Catarina Tamburus vieram da Áustria, por volta de 1880, com o filho Miguel. Os outros filhos nasceram no Brasil, sendo uma delas, Francisca afilhada de Henrique Dumont. O casal morava na Santa Cruz onde tinham um sítio em sociedade com Bernardino, um dos filhos. Bernardino casouse com Amélia Chúfalo no final de 1923 venderam o sítio e vieram se instalar na Vila Tibério, com os filhos Egídio, Adelmo, Catarina, Dalva, Aládia e Edson com seis meses de idade, onde possuíam um armazém na rua Luiz da Cunha com a Barão de Cotegipe. Os outros três irmãos, Otávio, Adelino e Ivone, nasceram na Vila. Após algum tempo venderam o armazém e compraram um bar, na esquina das ruas Castro Alves com Martinico Prado, conhecido como bar do Nardim, apelido de Bernardino. Esse bar foi vendido mais tarde para José Spinelli. Edson, talvez por sentir saudades costumava passar pelo local e conheceu Valda, filha do Spinelli. Casaram-se e estão juntos há cinqüenta e quatro anos. Egídio (falecido em 1998), o filho mais velho, era barbeiro e abriu um salão na rua Luiz da Cunha. O Edson, ainda criança, todos os dias levava o almoço para o irmão e aos poucos foi aprendendo o ofício. Trabalharam juntos durante vinte e oito anos.

Edson e Valda. Egídio no destaque Edson, então foi para a rua Martinico Prado, onde era a quitanda do Manoel da Nóbrega, o Português. Ali trabalhou por mais vinte e cinco anos até aposentar, deixando o salão para Antonio Luiz de Oliveira, um dos sócios da Integral Odontológica. Eram muitos os fregueses de Edson, sendo que numa vez conversavam um pastor protestante, um vigário e o próprio Edson que é espírita. Edson e Valda moram na mesma casa há quarenta e nove anos, têm uma filha, Regina Célia Tamburus Burim casada com Antonio César Burim, e dois netos, o publicitário Mateus e Ana Frederica que cursa doutorado em Direito Internacional na Sorbonne, na França. Eles representam muito bem a Vila Tibério, trabalharam muito quando jovens, constituíram uma família com fortes laços afetivos, passaram para os filhos a importância do estudo e hoje desfrutam tranqüilos com a serenidade do dever cumprido.


GENTE

Dezembro de 2005

Uma família de motociclistas

Seu” Marcílio Pereira mora na mesma casa desde 1957. Houve uma época que seus vizinhos não tinham despertador. É que pontualmente ele saía de casa às seis horas e ligava sua motocicleta, uma Norton 500cc, inglesa muito usada na segunda guerra, o ronco funcionava como um despertador coletivo. E sempre foi assim, quando só existiam no Brasil motos importadas, o jeito era improvisar adaptando um motor na bicicleta, eram as bicicletas motorizadas. Dentre as várias motos, “seu” Marcílio teve uma Triumph e uma Cezepel, de origem tcheca. Nunca foram para oficina. Ele mesmo as consertava e também as dos amigos. Sua carta de motociclista é de 1962, mas nunca dirigiu um carro. Teve vários acidentes de pequena gravidade, mas nada que abandonasse sua paixão. Uma vez foi parado por um guarda que o alertou que estava com excesso de passageiros. Estavam com ele, dois filhos e a esposa. Em outra ocasião, quando descia bem devagar a rua Tamandaré, onde o declive é bem acentuado

Seu Marcílio e dona Dirce “perdeu” dona Dirce, sua esposa, que estava na garupa. Ela tinha tomado um analgésico e desceu da moto em movimento. Os três filhos do casal, Ailton, Maria Aparecida e Eduardo, todos tiveram suas motos com incentivo dos pais. O fato de não possuírem carro não os impediam de viajar. Já foram para Franca, Ituverava, Poços de Caldas, Araraquara, Tambaú e reCasamento de Fernando Berto, ponta-esquerda do Botafogo, com Ivanilde, na Igreja Matriz da Vila Tibério, em 1957, com os padrinhos, prefeito Costábile Romano, e Aquilino Ribeiro, pai da noiva, alfaiate tradicional da Vila Tibério e músico da Orquestra Sinfônica

centemente foram até São Joaquim da Barra, visitar os familiares de dona Dirce. Em Bebedouro, tem um clube de motociclista, onde esteve em novembro passado. “Seu” Marcílio com setenta e cinco anos pretende conviver ainda muito com suas companheiras de estrada, uma Shadow 60, uma CG 400, além de dona Dirce, que tem a mesma paixão do marido.

Fotos antigas da Vila Tibério AJUDE-NOS A CONTAR A HISTÓRIA DO BAIRRO. Ligue 3966-1829 ou 3610-4890. As fotos serão escaneadas e devolvidas. Será publicado o nome das famílias.

A Digital foi campeã de futebol da Série Ouro do Regatas 2005

Armazém do Hermínio, desde a década de 50 Hermínio Fernandes filho de Antonio Fernandes Figueiroa, o garapeiro, tem muito orgulho de suas origens e acha graça que seu pai, homem tão simples, seja nome de rua em bairro classe alta. “Seu” Hermínio sabe conviver muito bem com os extremos. Há cinqüenta e três anos possui um armazém, desses que se encontra desde miudezas para pequenos reparos até torrador de café, regador, chapéu de palha, fumo em corda, panelas, vasos, mangueiras, corda, abajur, louças, além de bar e mercearia. Nascido na rua Joaquim Nabuco, desde pequeno adotou o lema “tempo é dinheiro e dinheiro é difícil de ganhar”. Começou a trabalhar bem cedo, como pespontador de sapatos, e até hoje nem pensa em deixar de trabalhar, junto com seu ajudante, José Mário, entre um freguês e outro vai contando suas histórias. Na época do fogão a lenha quando chovia, era um corre-corre para guardar a lenha. Nem sempre era possível e a madeira úmida não pegava fogo, o jeito era tirar um pouco do capim do colchão do filho para atiçar as chamas.

Uma pausa para a freguesa que procura tinta para tecido, outra quer molho de tomate, um pedido de cerveja, mais uma porção de salame e outra história. Um dia “seu” Hermínio depara com uma das vizinhas com cara de poucos amigos. Ela morava em casa geminada com fogão a lenha e a outra casa era espelho da sua. No fogão tinha um compartimento em baixo que servia para guardar a lenha e de tanto bater na parede, formou um grande buraco. Não é que a outra vizinha arrastava a lenha para seu fogão. O ambiente com as histórias é uma volta no tempo, suas irmãs Maria e Delfina, sua esposa Maria Aparecida, seus filhos Hermínio Júnior, Maria Emília, Tereza, Antônio Sérgio e Fernando mais os onze netos sabem que as estórias do “seu” Hermínio se confundem com a história da Vila Tibério.


PRATA DA CASA

Dezembro de 2005

Grupo Nós, 40 anos de carreira

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enrique Bartsch conta a trajetória musical do Grupo Nós, banda ribeirãopretana nascida na década de sessenta, no começo da Gonçalves Dias, e até hoje na ativa. Henrique herdou do avô alemão, Max Bartsch, o gosto pela música e aos oito anos começou pelo piano clássico. Não durou muito tempo, pois com o surgimento dos Beatles tudo virou de pernas para o ar. Apaixonado pela maior banda de todos os tempos, conseguiu que sua tia Odila lhe desse um violão. Um dia, Zé Pardal, seu vizinho, já acostumado a ouvi-lo no violão ou no piano, levou-o até um ensaio dos Lawers e Henrique que nunca tinha visto uma banda ao vivo e nem pego em uma guitarra depois de cantar algumas músicas dos Beatles, passou a se apresentar com o conjunto. Foi no Salão Paroquial da igreja da Vila Tibério, próximo de sua casa, a primeira apresentação. Foi um tremendo sucesso, e a partir daí não teve mais volta, com 15 anos descobriu que não havia melhor maneira para um garoto tímido arrumar garotas.

Grupo 17, em 1968

grantes do conjunto cursavam faculdade, em 1977 alguns se formaram e resolveram deixar o grupo. Os remanescentes, respondiam à pergunta quem era a banda, “Nós 4”, e assim ficou o nome do novo grupo. Em 1980 veio o primeiro disco gravado, “Rasante”. Neste ano morreu John Lennon e o Grupo Nós fez um show em homenagem no Teatro Municipal. Como o evento foi um sucesso, logo após, foram reservar novamen-

Nessa época conheceu o Jonnhy Oliveira e talvez já mereçam ser incluídos no Livro dos Recordes, pois Henrique e Johnny tocam juntos há quase 40 anos, e desse encontro nasceu o Grupo 17. O fato determinante para que continuassem com a carreira musical foi vencer um festival em 1968. Com muita luta, conseguiram montar um repertório próprio, com larga influência dos Mutantes. Formação atual do Grupo Nós Como os inte-

Inauguração do Armazém Aurora, “do Tonim” (rua Aurora esquina com a rua Conselheiro Saraiva), em 1958. Na foto, Antônio Della Agostini, hoje aposentado, com a esposa Zélia, o ex-prefeito Alfredo Condeixa Filho e o vendedor Wilson Ferreira Gomes (falecido).

te o teatro, e foi aí que Antonio Palocci, secretário da Cultura, deu a informação de que um banco iria comprar o Teatro Pedro II, símbolo arquitetônico de Ribeirão Preto, que havia pegado fogo, e estava abandonado há um bom tempo sem sinais de restauração. Usando o prestígio que o Grupo NÓS tinha e mais o equipamento próprio, chamaram os músicos que participarem do show para John Lennon e constituíram a SOMA, um movimento musical para restaurar o Teatro. A SOMA conseguiu um abaixo-assinado com 30 mil assinaturas e ajudados pelo deputado Antonio Calixto, foram ao governador e o Teatro foi tombado. Com o apoio da TV Ribeirão, hoje EPTV, provocaram uma situação incômoda, e os políticos aproveitando o prestígio que traria reativar o teatro acabaram restaurando o imóvel. Henrique já havia desistido de ser engenheiro, embora formado, vivia de música. Apoiado pelo Johnny, que sempre acreditou no sonho, orgulha-se de ter formado muitos músicos, dos quais vários seguem seu caminho baseados na convivência de quando aqui estiveram, ou seja, é possível viver da arte.

Max Bartsch, fundador da Sinfônica Max Bartsch nasceu na Alemanha em 1898 e chegou ao Brasil com cerca de doze anos. Seus pais moravam em uma fazenda em Jardinópolis e mudaram-se para Ribeirão. Max foi gerente da Companhia Antarctica Paulista e participava de associações culturais e sociais da cidade. Fundou o Quinteto Max e se apresentava tocando cítara alemã (foto), uma mistura de harpa com violão, na antiga rádio PRA-7. Nessa época era comum os músicos terem uma formação musical e conhecer peças clássicas. Foi assim que um grupo de músicos procurou Max, que era bastante conhecido, para criar uma orquestra. Era uma tarefa difícil, mas Max aceitou o desafio e em 22 de maio de 1938 estava fundada a Sociedade Lítero Musical, mantenedora da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, uma das orquestras mais antigas do país e em atividade. Max foi seu fundador e a orquestra ensaiava e se apresentava no Teatro Pedro II, daí se compreende a luta de Henrique, do Grupo Nós, para reerguer o teatro. Um fator hereditário e musical.


LAZER

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DICAS A Café Video está com uma super promoção neste mês nas vendas de VHS, a partir a R$ 4,00 e DVDs a partir de R$ 19,90. É a oportunidade de ter seu artista preferido sempre em sua casa. Aproveite para montar sua videoteca. E os DVDs mais alugados : 1º. Guerra dos mundos 2º. Madagascar 3º. Cruzada 4º. A ilha As férias estão chegando e a oportunidade de fazer um curso de 5º. Constantine artesanato também. No Empório do Artesanato aprende-se as técni6º. Batman Begin cas de pintura na madeira, como pátina, decoupage e country; biscuit 7º. Jogos mortais e mosaico. Há turmas de manhã, tarde e noite e o material é encontra8º. Guerra nas estrelas – 3 do lá mesmo. Caixinhas para mil coisas, porta-retratos, bandejas, 9º. A sogra objetos para decoração, prontos ou sob encomenda, são ótimas 10º. Sr. e Sra. Smith escolhas para presentear quem já tem de tudo ou dar um toque Av. do Café 550 F: 3635-9988 diferente na casa. Rua Eduardo Prado, 766 O Empório do Artesanato fica na F: 3633-4994 Rua Henrique Dumont, 537 – tel.: 3632-5003

Arroz com Bacalhau 500 grs. de bacalhau desalgado - desfiado 1 cebola média 3 dentes de alho 3 tomates Cheiro verde ½ xícara de azeite 2 xícaras arroz cru 4 xícaras de água (fervendo) 1 lata ervilha Modo de fazer Refogar o bacalhau com todos os temperos. Colocar metade do arroz cru em um pirex. Depois colocar o bacalhau refogado, a lata de ervilha, o restante do arroz, as 4 xícaras de água fervendo. Cobrir com papel alumínio. Levar ao forno por aproximadamente 45 minutos ou até que o arroz esteja macio ou secar a água. Rendimento: 6 porções. Laurice - Regional Mat. Elétricos

Curta o verão no Poliesportivo do Botafogo Praticar esportes faz bem para a saúde, deixa o corpo em forma e alivia o stress. Com o calor que já vem batendo recordes de temperatura, chegou a oportunidade de aproveitar o verão à beira da piscina ou batendo papo com os amigos na lanchonete. O Poli do Botafogo tem um conjunto aquático com 3 piscinas, incluindo uma olímpica; quatro quadras de esportes, sendo uma coberta; playground, lanchonete, escolinha de futebol e futuramente uma academia. O clube está com promoção para aquisição de títulos individual e familiar. Não perca a chance! Venha conhecer o Poliesportivo. Rua Paraíso, 671 - fone: 3930-3003.

Criança que brinca como criança Mariana, Maria Luísa e Gabriela se encontram pelo menos uma vez por semana para brincar. Na casa de Maria Luísa tem quintal de terra, com jabuticabeira, acerola e muitas plantas. Lá as “menininhas superpoderosas” como se auto-denominam brincam de boneca, fazem comidinha com folhas, bolinho de terra vira brigadeiro, sobem nas árvores e quando se entusiasmam passam até barro no corpo. Marilda, a mãe de Maria Luísa, ajuda fornecendo massinha para enfeitar os bolinhos, faz lanche com suco natural e assim como as outras mães dão total apoio às brincadeiras das filhas. Elas não imaginam o bem que estão fazendo às suas crianças. Segundo o jornalista Gilberto Dimenstein, da Folha de S. Paulo, em matéria publicada em 11 de dezembro: “Há pencas de estudo mostrando como a brincadeira, dessas em que nos sujamos, rala-

mos o joelho na árvore, ajuda a desenvolver a criatividade, o senso de autonomia e a cooperação. É um espaço de estímulo à imaginação”. Marilda, Odete, mãe de Mariana, e Cássia, mãe de Gabriela, estão dando condições às suas filhas de se tornarem “adultas superpoderosas”.


ESPECIAL Nova diretoria da ACI Vila Tibério toma posse Tomou posse, no último dia 13 de dezembro na sede social do Botafogo, a nova diretoria da ACI – Vila Tibério, tendo como presidente Mário Luiz Muraca e os empresários, Carlos Maurício Bonifácio, Antonio Bernal, Ânderson Petrorossi Pita, Sílvio César Camargo, Leila Ap. Baldocchi, Vicente Sin Júnior, Sergio Flávio Lopes, Dr. Antônio Luiz Oliveira, Benedito Sebastião Soares, Edmur Del Lama, Francisco Carlos Oliveira, Ivo Capretz Filho, Jair Fernandes Cabrini, Jair Pinafo, Jeferson de Oliveira Filho, João Mário Paschoal Olaia, João Miguel Satzinger, José Cabrera, José Carlos Spanghero, José Luiz Bissoli, Marcos Sacilotto, Nanci Ap. Ap-

probato Silva, Nelson Gagiardi, Paulo Gabriel de Carvalho, Ronaldo Donisetti de Oliveira, Roberval de Avelar Ruela. Estavam presentes, Francisco Pinghera, presidente da ACI – Ribeirão Preto, Afonso Reis Duarte, secretário da Fazenda, representando o prefeito Welson Gasparini, e demais personalidades. Pinghera destacou a importância de ter gente jovem no comando de uma entidade representando a renovação. Segundo Muraca, “a diretoria trabalhará com afinco, dedicação e honestidade”. Logo após a cerimônia de posse foi servido um coquetel aos presentes.

Dezembro de 2005

Se essa rua fosse minha... Bartolomeu de Gusmão – o homem Bartolomeu Lourenço de Gusmão, nasceu em 1685 em Santos e ganhou apelido de Padre Voador por seus experimentos. Inventou um balão de ar quente, a Passarola ou Balão de São João, que chegou a se elevar do solo (ilustração). Gusmão foi o precursor da aviação e fez a apresentação diante do rei D. João V. Em Portugal teve posição de destaque na corte, além de inventor, foi orador sacro e historiador. Dado o seu prestígio como orador, o Padre Gusmão foi vítima de uma campanha de difamação. Fugiu para a Espanha onde se recolheu em um hospital, vindo a morrer em 1724.

Bartolomeu de Gusmão – a rua A rua Bartolomeu de Gusmão com a presença da estação da Mogiana, que não permitia acesso direto ao centro da cidade, era uma rua residencial, assim como o bairro da Vila Tibério até pouco tempo atrás. Ladeira, ex-jogador do Botafogo, que jogou também pelo Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro, até o final dos anos 50, montou a clicheria Ladeira, no começo dos anos 70 e é uma importante referência da rua Bartolomeu de Gusmão. A Padaria da Mamãe, que fechou recentemente, a Farmácia do Ciro que continua até hoje e a recém-instalada Sorveteria Carlito. A Perfumaria Flor

de Liz, que além de cosméticos, vende também artigos para presentes. A Isabel, boleira famosa, a Banca do Ceará, o antigo Correio, a família Massarotto, a família Golfeto, avós do ex-vereador Antonio Vicente Golfeto. Vicente Sin, do Supermercado Sin, falecido recentemente, dizia que a Bartolomeu de Gusmão era uma importante via de ligação e uma das ruas mais longas de Ribeirão Preto. Começando no Anel Viário Sul, na City Ribeirão, como avenida Machado Sant´Anna, depois, ainda na City, av. Eduardo Gomes de Souza, entrando na Santa Cruz

como av. Portugal, seguindo no Centro como Florêncio de Abreu, passando ao lado da rodoviária pela alameda Tupi, depois, já na Vila Tibério, como Bartolomeu de Gusmão, depois do córrego Antarctica, no Sumarezinho, passando a denominar-se Paranapanema, mudando para av. Francisco Massaro até ganhar a área da antiga Fazenda Baixadão como Rene Olíva Strang, chegando novamente ao Anel Viário, desta vez na parte Norte. A Bartolomeu de Gusmão é uma das mais importantes vias comerciais do bairro.


Jornal da Vila - n03 - dezembro de 2005