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Ano XI - nº 107 Outubro Assessoria de Comunicação Social ISSN: 2238-5053

Entrevista

Mercantilização da educação P.4e5

Debate

Vivendo com o inimigo P.6e7

Iniciação Científica

Sucesso do Eaic creditado às Inovações e ao empenho P.8

Inovação

Pesquisadores criam rede para o registro de medicamentos P.9

Pesquisa

Efeito de memória P.10

Sexualidade

Darwin fora do armário P.11

Saúde

Orquídea nativa do Paraná tem potencial contra o câncer Pág.03

Cultura

Museu da Bacia do Paraná é reaberto à população Pág.12


2 Editorial Pesquisas desfazem crenças e reforçam a importância da ciência

expediente

Nesta penúltima edição do ano do Jornal da UEM, a equipe de jornalismo da Assessoria de Comunicação Social da Universidade trabalhou um conteúdo forte em pesquisa, suficiente para demonstrar o quão importante ela é para desfazer achismos e descartar de vez crenças apoiadas em meros casuísmos. É o caso da reportagem sobre uma pesquisa com pedido de depósito de patente, envolvendo uma orquídea nativa do norte paranaense. Um estudo químico para descobrir o princípio ativo da planta permitiu a purificação de substâncias, observando a sua boa atividade contra o câncer de ovário. E, por falar, em câncer, outros pesquisadores da UEM estão trabalhando numa rede que une as universidades estaduais, com aporte financeiro do governo do Estado, na área de inovação tecnológica. A terapia fotodinâmica, baseada na utilização de um composto corante fotossensível, pode gerar resultados no tratamento de tumores e outras doenças localizadas. O Departamento de Análises Clínicas e Biomedicina já alcança, por meio desta técnica, resultados satisfatórios no tratamento da leishmaniose tegumentar. Migrando para a área da física temos, ainda nesta edição, reportagem mostrando como a estatística pode ser uma importante aliada da física no desenvolvimento da ciência desportiva. Um estudante de pósgraduação trata o fenômeno “mão quente” de um atleta como um tipo de efeito de memória, no qual o desempenho futuro é

determinado por eventos no passado. Por outro lado, uma pesquisa de mestrado a respeito do sentido da sexualidade, conduzida por um professor de Filosofia, coloca em xeque a crença de que, do ponto de vista comportamental, homens e mulheres foram feitos um para o outro. Para não sair do campo da pesquisa, trazemos um balanço da 21ª edição do Encontro Anual de Iniciação Científica, um evento com mais de 3 mil trabalhos científicos inscritos e que foi marcado por inovações, como a inserção do EAIC no calendário acadêmico da UEM. Outras mudanças implementadas pela organização demonstram a preocupação em garantir a participação cada vez mais ativa dos estudantes. De passagem pela Universidade, onde proferiu palestra e gravou entrevista para a Rádio UEM FM, o professor José dos Reis Silva Júnior, da USP de São Carlos, advertiu para a crescente onda de mercantilização da universidade pública. Para ele, o discurso do crescimento econômico e da geração de bem estar para a sociedade, alavancado pela universidade pública, oculta o fato de que esta mercantilização, voltada para o setor produtivo nacional e internacional, não gera necessariamente um bem estar social. O Jornal da UEM retoma o debate sobre a Lei Maria da Penha, reproduzindo uma discussão, organizada também pela Rádio. A professora Tânia Tait, diz, apoiada na atuação do movimento de mulheres, a violência é resultado do poder que homem exerce sobre a mulher. Com a chegada da primavera, uma boa notícia: o Museu da Bacia do Paraná reabre as portas, depois de alguns meses fechado para reformas. É a coordenação do MBP levando a cabo a proposta de tornar o Museu mais inclusivo socialmente, com acessibilidade e educação patrimonial. Boa leitura!

Paulo Pupim

Quebrando as barreiras arquitetônicas A UEM é uma das primeiras universidades do Brasil a adaptar o vestibular para deficientes, oferecendo todas as condições para a realização das provas. Além disso, a partir do ingresso da pessoa com deficiência na UEM, são tomadas medidas que facilitam e proporcionam melhores condições para a permanência e conclusão do curso, como instalações, equipamentos, materiais e profissionais que garantem aos acadêmicos o acompanhamento das atividades em suas respectivas graduações. Mesmo com o alto número de edificações antigas dentro dos câmpus da UEM, que nem sempre foram planejadas levando em conta a acessibilidade, e com a falta de orçamento específico, a Prefeitura do Câmpus de Maringá (PCU), em parceria com o Propae, trabalha em um processo constante de melhorias, para tornar a UEM completamente adaptada. Segundo a PCU, no primeiro semestre de 2013 serão inauguradas as plataformas elevatórias verticais dos blocos D-90 e I-90. Com a conclusão das obras, todos os blocos verticais do câmpus sede possuirão plataformas, finalizando o processo de instalação das mesmas nos blocos antigos da UEM. Os blocos novos já são construídos com 100% de acessibilidade. Além disso, ainda de acordo com a Prefeitura, em breve será finalizado o processo de instalação de rampas de acesso em todos os blocos horizontais. Dentro de cerca de um mês, também serão inaugurados 14 novos banheiros adaptados, em blocos que possuem salas de aula e laboratórios, dando continuidade à adaptação dos sanitários de todas as edificações do câmpus. Alvo de diversas discussões, os corrimões nos portões de acesso de pedestres dificultam a entrada de pessoas com deficiência na UEM. No entanto, segundo a PCU e o Propae, esse é um dilema ainda não resolvido, já que os corrimões foram instalados para impedir que ciclistas e motociclistas entrem na Universidade por aqueles portões e causem acidentes. Segundo o Propae, a acessibilidade nos câmpus já pode ser considerada boa, mas ainda há trabalho a ser feito. Os próximos passos, em fase de elaboração de projetos e captação de recursos, são: novos banheiros adaptados; finalização da demarcação no solo para deficientes visuais; novos corrimões para deficientes e idosos; demarcação de novas vagas para deficientes; e melhorias nas calçadas dos câmpus.

Assessor de Comunicação Social

Reitor: Júlio Santiago Prates Filho Vice-reitora: Neusa Altoé Assessor de Comunicação Social: Paulo Pupim Jornalista responsável e editora: Ana Paula Machado Velho (Reg. Prof. 16.314/RJ) Coordenadora de Imprensa: Tereza Parizotto Reportagem: Ana Paula Machado Velho, Rose Koyashiki, Tereza Parizotto, Carlos Henrique Braga e Murilo Benites Fotografia: Antonio C.Locatelli, Heitor Marcon Colaboradores: Sueli Nascimento Silva e Vanessa Hartmann

ISSN: 2238-5053 Diagramação e Impressão: Grafinorte

Coordenadoria de Imprensa

Avenida Colombo, 5.790 - Bloco Q-03 - Sala 7 Telefone: (44) 3011-4213 Site: www.asc.uem.br E-mail: sec-cim@uem.br


3 Ciência

Orquídea nativa do Paraná tem potencial contra o câncer Grupo de pesquisadores da UEM isola uma substância que, desde o início dos estudos, mostrou ação contra o sarcoma de ovário

Por Rose Koyashiki Iniciado em março de 2011, um projeto desenvolvido no Departamento de Química procurou identificar em uma orquídea nativa de norte do Paraná substâncias com atividade contra o câncer. O trabalho, que consistiu numa colaboração entre UEM, UEL e Unicamp, foi bem sucedido e os resultados obtidos geraram um pedido de depósito de patente em meados deste mês no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI). Até o momento, já foram realizadas a caracterização química da substância, testes biológicos com células tumorais humanas, bem como correlações com ensaios com camundongos. O trabalho é a base do projeto de iniciação científica desenvolvido pela graduanda Letícia Fernandes dela Porte, no laboratório Fitosin, do Departamento de Química da UEM. Os resultados, segundo o coordenador do projeto, professor Armando Mateus Pomini, superaram as expectativas. Além de agir contra as células cancerígenas do sarcoma de ovário, a substância, que é um flavonóide de estrutura especial, atua especificamente contra esta linhagem de câncer, possuindo menor toxicidade às

células normais. “Conseguimos identificar uma substância química que age de forma especial contra o sarcoma de ovário, apresentando especificidade se comparada, por exemplo, a outras linhagens de câncer de ovário, como o carcinoma. A especificidade é uma característica importante e desejada em quimioterapia”. Potencial – Pomini explica que a ideia de investigar o potencial farmacológico de uma orquídea foi um tiro no escuro, pois normalmente os estudos são realizados com plantas conhecidas pela população como medicinais. “Com relação a orquídeas, não existe nenhum estudo nesse sentido. Raramente as tribos indígenas brasileiras utilizam orquídeas com finalidades medicinais. Por outro lado, as orquídeas têm duas características interessantes. Em termos genéticos, são as plantas mais evoluídas da Terra e, ao mesmo tempo, é a família com maior número de espécies no planeta. Há praticamente 30 mil espécies de orquídeas nativas e 300 mil

híbridos, e o potencial destas plantas para a descoberta de substâncias com atividade farmacológica é praticamente desconhecido”. Foi a partir dessas premissas que o professor resolveu elaborar um estudo bioguiado químicomedicinal de uma espécie nativa do Norte do Paraná visando à caracterização de substâncias contra o câncer. Entretanto, a planta utilizada no estudo era proveniente de culturas artificiais e foi fornecida pelo orquidário da UEL, uma vez que a planta possui rara ocorrência na natureza. Ao que tudo indica, trata-se do primeiro estudo de uma orquídea brasileira visando à descoberta de substâncias contra o câncer. O trabalho se baseou em duas vertentes de ensaios biológicos, contra fungos e câncer humano. Os ensaios contra fungos foram realizados na UEL pela professora Terezinha de Jesus Faria, porém a substância não se mostrou muito efetiva. Os ensaios contra o câncer foram feitos na Unicamp pelo professor João Ernesto de Carvalho, apresentando resultados interessantes. “Quando preparamos o extrato bruto da planta, já verificamos o potencial anti-câncer nos primeiros ensaios. E por meio de alguns testes subsequentes, purificamos aquelas frações que apresentaram atividades biológicas positivas até chegar ao produto químico puro (princípio ativo). Testamos inicialmente contra oito linhagens de células de câncer de diferentes origens, incluindo melanoma, câncer de rim, câncer de ovário e, desde o princípio, notamos um potencial para sarcoma de ovário, um tipo de câncer extremamente agressivo”. Os estudos também determinaram a concentração ideal para potencializar a ação do flavonóide, cuja molécula já era conhecida, mas não havia ainda sido testada em material humano. “Testamos várias concentrações e verificamos o comportamento da substância neste sistema, com bons resultados. Porém o mais interessante, além da boa atividade, foi a sua especificidade. Ela age sobre um tipo específico de câncer, sendo,

portanto, menos tóxica e agredindo menos as células normais, ao contrário de muitos produtos comerciais que atacam as células cancerosas e também os tecidos sadios. Isto, aliado à simplicidade estrutural da molécula, pode torná-la um alvo interessante para pesquisas mais aprofundadas”. Mercado – Para o prosseguimento dos estudos até chegar à produção do medicamento para inserção no mercado, o projeto necessita de um investimento vultoso, que pode vir da indústria farmacêutica ou do governo. “Precisamos de algo mais robusto que a academia, uma vez que as etapas subsequentes são mais complexas, por envolver testes pré-clínicos e testes clínicos. Será, nessa etapa, que verificaremos a ação e a melhor forma de administrar o medicamento e sua ação em humanos. Considerando um cenário otimista, o medicamento deverá estar no mercado em 12 anos, desde que consigamos despertar o interesse do meio empresarial”. Os resultados da pesquisa foram apresentados em um congresso internacional em Nova York, em julho deste ano, e geraram um artigo submetido a uma revista científica alemã também em meados deste mês. Pomini comenta que, para preservar a espécie da orquídea e evitar que a população a extraia de seu hábitat, prefere não revelar seu nome científico. Ao mesmo tempo, o pesquisador enfatiza que a planta serviu apenas como uma forma de descobrir a molécula, não recomendando o uso da planta in natura devido ao risco de intoxicações, além de colocar a espécie em um estado ainda mais crítico de extinção. Também participaram dos estudos pela UEM as professoras Silvana de Oliveira Santin e Cleuza Conceição Silva; pela UEL o professor Ricardo Tadeu de Faria; e pela Unicamp a pesquisadora Ana Lúcia Tasca Goes Ruis. Serviço: As fotos das orquídeas que ilustram esta matéria e a capa desta edição não são as estudadas no projeto.


4

Entrevista João dos Reis Silva Junior : “a universidade pública deve ser financiada exclusivamente pelo Estado” O Conselho Popular de Maringá promoveu, na cidade, a palestra As Relações entre a Universidade e a Sociedade num Contexto de Mercantilização da Educação. A discussão foi feita por João dos Reis Silva Junior, livre docente pela USP e professor do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos/SP. A entrevista abaixo, reproduzida no mês do professor, e que debate profundamente o tema, foi feita pelo Jornalista Paulino Junior, da UEM FM*. UEM FM – A mercantilização da universidade é política do governo brasileiro? JRS – Sem dúvida. A cada dia, se percebe claramente a mercantilização da esfera pública em geral da República brasileira, em particular da instituição republicana universidade pública. Esta é uma conseqüência da reforma do aparelho do Estado, ocorrida em 1995. As pesquisas que eu venho fazendo mostram que, o que se revela pela mídia, pelos papers, pelas palestras dos intelectuais brasileiros e pela voz oficial do Palácio do Planalto é que há uma relação entre o crescimento econômico e a geração de um bem estar para a sociedade em geral. O que se oculta neste discurso? Se oculta o fato de que a Universidade, ao se mercantilizar, se volta predominantemente para o setor produtivo nacional e internacional, com políticas universais de todo tipo e, especialmente, de indução à pesquisa e do saber científico voltado para um crescimento econômico, que não necessariamente gera bem estar social. É por isso que, dentro da própria Universidade, há outra face dessa mercantilização. São as ações afirmativas, que devem existir por curto prazo para resolver o problema das minorias que existe no Brasil desde a colônia. Esse é um discurso muito positivo em prol do governo do Fernando Henrique Cardoso, do Lulismo, do Dilmismo, como uma ação da Universidade que se aproxima da sociedade, para resolver os seus

problemas como o analfabetismo, a violência, a questão da fome, do trabalho escravo. No entanto, quando se fala em economia, o orçamento que vem do CNPq, da Capes, da FINEP e das fundações estaduais é bom. Quando se trata das pesquisas nas áreas humanas, esses orçamentos são humildes e as políticas são emergenciais, de apagamentos de incêndios e não políticas estruturais que teriam como objetivo sanar essa produção do atraso para a manutenção da estrutura social, que continua a mesma desde a colônia. UEM FM - O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e a própria Capes também defendem hoje que tem que ter um enfoque em pesquisa desenvolvimento e inovação. Nesse aspecto da inovação ela é bastante focada, pragmática, gerando produtos e serviços que venham a ser absorvidos pelo próprio mercado. Seria um equivoco focar nisso? JRS - Somente nisto. Acho que é importante, mas reduzir a universidade ou a cultura da instituição universitária a isto é um grande equivoco. Eu sempre costumo dizer que o núcleo central da identidade de uma universidade pública é uma contradição. Num pólo existem os esforços institucionais para o crescimento econômico. No pólo antagônico ou antitético está a crítica. A universidade também tem que produzir conhecimento de estofo, de crítica deste tempo histórico que ela se insere

e, sobretudo, crítica de seus próprios objetivos institucionais. A universidade pública não é como a igreja que é o lugar do dogma, da crença e da fé. A universidade é o lugar do pensamento múltiplo, do debate, da dúvida, de pensamentos diferentes em relação às grandes questões nacionais. Cabe aos pesquisadores de diferentes áreas, com diferentes olhares, trabalharem e debaterem essas questões nacionais e formarem os alunos e os próprios professores, como forma de criar uma identidade institucional. O que nós temos visto com essa mercantilização da universidade é o estabelecimento do pensamento único na direção da consolidação de um determinado pacto social e de uma pesquisa voltada exclusivamente para o crescimento econômico. UEM FM - O Brasil não tem um modelo definido de universidade. Fica entre modelo americano, que tem as universidades financiadas por filantropia, e distante do europeu, que em alguns casos são financiados basicamente com recursos públicos. Não estaria aí um problema? JRS - Essa é uma questão interessante que me é feita muitas vezes, que é a questão do modelo. Modelo já pressupõe algo abstrato, ideal, mas há toda uma corrente que trabalha em torno de modelos institucionais em geral, modelos coorporativos, modelos de hospitais, modelos de universidade. E existe um tal modelo humboldiano, de origem Germânica, modelo


5 napoleônico, mais profissionalizante, diversos modelos em que a gente certamente deve ler, saber em que condições históricas foi criado e quais são seus traços marcantes. Mas eles foram produzidos num determinado período e para uma determinada questão. Então, nós não temos que correr atrás de modelos exógenos. Nós temos é que fazer o diagnóstico da nossa realidade, das nossas demandas, da nossa inserção na divisão internacional do trabalho e nos perguntarmos democraticamente que tipo de instituição nós queremos para satisfazer as demandas sociais, econômicas e políticas do Brasil. E não cedermos aos modelos pragmáticos dos Estados Unidos ou humbolditiano puro alemão ou o francês profissionalizante. Nós temos é que construir o modelo brasileiro de universidade pública. UEM FM- E daí precisa não depender de dinheiro de Banco Mundial? JRS – Precisa. E essa é a grande questão que se põe para nós; eu acho que não é só do Banco Mundial, mas outras instituições como a fundação Ford, Fundação Kellogs e demais fundações que financiam pesquisas no Brasil, mas cujo o objetivo é quase que uma aculturação, de um novo imperialismo, que viria de economias centrais e que nos colocasse no estado de subserviência cultural e educacional diante deles. Acho que este não é o papel de formuladores de política de nenhuma natureza, especialmente na área educacional e universitária, porque para termos um estado nacional, nós temos que ter uma nação, uma identidade cultural, e a educação tem o papel fundamental para essa construção. As políticas que têm sido formuladas, seja para a educação básica ou superior, simplesmente nos coloca numa posição de subserviência. Isso hipotrofia aquele pólo crítico ao qual me referia a pouco e hipertrofia o outro pólo, tornando o nosso país quase que uma plataforma de formação de uma mão de obra super qualificada no caso da universidade da produção de pesquisas aplicadas, que às vezes são utilizadas no país, mas a serviço de corporações mundiais, e as vezes nem são desenvolvidas em termos de produto no próprio Brasil. UEM FM - De 95 pra cá houve um avanço nas redes privadas no ensino superior. Isso é um fato negativo ou tem seus aspectos positivos nisso? JRS – Não, eu acho que os aspectos só são negativos. A simples existência de uma rede dual pública e privada indica uma vocação estatal para não assumir in totum [na totalidade] a educação pública. Se estudarmos as várias

constituições da República e as respectivas leis específicas para a educação a iniciativa privada sempre está posta no interior do estado. Isto torna impossível ter um sistema único de educação para todos, que daria uma identidade cultural ou contribuiria para uma identidade cultural e nacional muito forte pela via da educação. Fortaleceria a Nação e uma democracia para o nosso país, resultando, de fato, num Estado Nacional e não num aparelho de Estado como nós temos. Nós perdemos a soberania no âmbito da educação com a intervenção da rede privada de educação no país. Eu venho chamando esse processo de certificação em massa, que está sendo feita de várias formas. Uma delas é, no caso das universidades federais, o Reuni, que é o Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, que praticamente dobra o número de vagas, sem a devida contrapartida proporcional de infraestrutura e de professores, e recursos para o ensino e a pesquisa. O resultado disso é que os alunos que entram nesse novo estágio acabam tendo um curso que está desvinculado da pesquisa. Então o Reuni faz isso nas públicas. Nas universidades privadas isso é uma realidade com muitos agravantes. Por exemplo, o salário do professor é composto pela quantidade de aulas que ele dá, para ele poder ter um salário

digno ele trabalha em cinco campi diferentes. E mais: há uma pesquisa realizada no âmbito do Cebrape que os alunos não trabalham mais para conseguir se manter no mercado de trabalho, mas ao contrário, trabalham para comprar a educação a noite. Ela se tornou uma

necessidade socialmente produzida para ser vendida para a grande maioria da população. UEM FM - No final da gestão do ex-presidente Lula, ele assinou um ato que está sendo implementado no governo Dilma, com a criação de uma agência nacional para gerenciamento dos hospitais universitários da rede federal de ensino, os hospitais-escola. Qual é a avaliação do senhor sobre isso? JRS - Sem dúvida, acentuar a mercantilização. Essa é a mesma lógica processual dita anteriormente que vai acontecer no âmbito da saúde pública e privada também. O surgimento destas fundações possibilitará que todo fundo público que cria um hospitalescola desenvolva pesquisas de ponta e forme profissionais que atendam aos planos de saúde. Esses hospitais vão começar a trabalhar para esses demandantes desde a consulta até uma cirurgia, transplante e todo tipo de serviço que um hospital desenvolve. E cabe também aos hospitais universitários não só ser hospitalescola, mas atender o SUS que tem a ver com a saúde pública da população brasileira. Ora, quando nós vemos esse quadro, nota-se de imediato a contradição entre público e privado. Transfere-se a responsabilidade da manutenção do hospital-escola, que é um ambiente de informação, de pesquisa e de atendimento da saúde púbica, e se prioriza esses outros demandantes. Com isso, o Estado financia a saúde privada. UEM FM - Qual deve ser a bandeira de cidadania para se lutar contra esse contexto de mercantilização da educação no Brasil? JRS - Essa é uma questão bastante complexa que vem sendo discutida por muitos intelectuais, associações, sindicatos, centrais... O PNE [Plano Nacional de Educação] é uma peça fundamental para isso. E onde está? Com o ministro Mantega. Pede-se 10% do PIB, eu acho que é pouco. Mas essas verbas devem ser públicas, se não, não garantiremos a identidade de uma universidade pública, com ensino, pesquisa e extensão voltados para a identidade nacional e sem a mediação das instituições multilaterais. Essa é uma forma de financiamento que faz com que o aluno saia dali com compromisso com quem o financiou. Então eu acho que nós temos sim que brigar por um financiamento público e uma discussão democrática entre pesquisadores e a população que demanda as atividades e funções sociais da universidade. *Edição: Ana Paula Machado Velho Transcrição: Natália Camargo Vasconcelos (jornalista voluntária na UEM FM)


6 Debate

Vivendo com o inimigo Um debate realizado pela UEM FM, sob a mediação do jornalista Paulino Jr., levantou uma questão que mobiliza cada vez mais a sociedade: a violência entre cônjuges. A discussão contou com a participação da professora do Departamento de Informática da UEM, Tania Fátima Kalvi Taiti, que é representante da Instituição no Conselho Municipal da Mulher de Maringá e coordenadora da ONG Maria do Ingá; a advogada da ONG Maria do Ingá, Jaqueline Batista Pereira, graduada em Direito pela UEM e que já presidiu o Conselho Municipal Mulher de Maringá e também o Conselho Municipal dos Direitos Humanos de Maringá; a delegada de Polícia, Emilene Locatelli, da Delegacia da Mulher e do Adolescente Infrator de Maringá; e o delegado José Nunes Furtado, que atua na polícia civil há 23 anos, e está lotado nas delegacias de Marialva e de Itambé, cidades onde ele faz palestras sobre o uso de drogas e as conseqüências da dependência química.

Por Ana Paula Machado Velho e Vanessa Hartmann

A

pauta do debate surgiu porque a Lei nº 11.240, chamada Lei Maria da Penha, completou 6 anos. Esta lei dispõe sobre mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Em 2006, o então presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinália, assinou o texto de apresentação com o seguinte teor: “o combate a violência contra mulher é questão de extrema relevância social já prevista há algum tempo na Constituição Federal bem como nos tratados internacionais de que o Brasil é signatário”. A Lei foi sancionada em 7 de agosto de 2006. É denominada de lei Maria da Penha em homenagem à luta de 25 anos de uma corajosa cidadã, vítima de duas brutais

tentativas de assassinato com graves seqüelas, até conseguir a condenação do agressor, o próprio marido. Um das primeiras discussões do programa girou em torno dos fatores que a geram violência entre marido e mulher. Tania Taiti contou que os movimentos de mulheres têm a visão de que a violência é resultado do poder que o homem exerce sobre a mulher. Ele se considera dono do corpo e da alma da mulher. Sendo assim, se julga no direito de assassiná-la quando ela não quer mais ficar com ele. “Acreditamos nisso, porque os casos que vemos são de mulheres que são agredidas porque tomam a atitude de abandonar o agressor. Nós tivemos aquele caso da cabeleireira, que o ex-marido entrou no salão e

disparou a arma na moça. Por que ele fez isso? Ele sabia que era lugar público, que teria várias testemunhas. Ele se sentiu no direito de matar aquela mulher porque sabia que a pena seria reduzida, que ele teria vários benefícios, porque ele não é visto como agressor. Mesmo com a lei Maria da Penha, o que a gente tem hoje não é muito diferente do século passado quando os criminosos de mulheres eram liberados por conta de desculpas como: feriu a moral dele ou então porque ele estava tão emocionado, abalado emocionalmente que se achou no direito de tirar a vida da esposa. Nós do movimento de mulheres sempre questionamos como alguém pode estar abalado emocionalmente e, ainda assim, ficar


7 esperando a mulher descer no ponto de ônibus para esfaqueá-la, como aconteceu em Maringá, com a enfermeira Edna, que dá nome a uma casa abrigo da cidade. Temos que começar a discutir o que leva psicologicamente essa pessoa a agredir. Por que ela se sente dona da outra?” Tânia ainda lembra que existem outras formas de violência além da física, “uma violência silenciosa, que humilha a pessoa, que faz com que ela se sinta menor, sem patrimônio, sem o direito de ir e vir, de trabalhar fora, de se relacionar com outras pessoas. Isso tem acontecido muito também.” A delegada Emilene diz que o fator cultural é realmente muito forte. “O homem se sente culturalmente superior à mulher. Acha que ela é propriedade dele e, quando ela não aceita essa situação, a violência acontece. Acho que só com a educação das crianças vamos conseguir romper isso. E tem outro aspecto. Na delegacia, verificamos que, em 95% dos casos, as agressões são provocadas pelo consumo de álcool e de drogas ilícitas. Muitas vezes quando estou lendo o boletim de ocorrência e a mulher está narrando a história, ela fala: ‘ele é bom, mas quando ele bebe, ele me agride, se transforma’. ‘Ele era uma pessoa boa, quando começou a usar crack, ele se transformou’. Então, podemos dizer que o álcool e as drogas ilícitas estão presentes na maioria dos casos”. Para a advogada Jaqueline Batista, o aspecto cultural passa pela questão do poder econômico. Sendo provedor, o homem sempre se sentiu superior à mulher. “Isso foi uma condição imposta há milênios. Dentro da casa que ele sustenta, o homem é visto como o senhor e se sente no direito de mandar na vida e no corpo da mulher”, completa Jaqueline. O delegado José Nunes Furtado lembra que o exemplo, muitas vezes, está em casa. Os filhos vão aprendendo com os pais, que se agridem nas brigas conjugais, e quando as crianças crescem acham a violência normal. “Devemos começar a mudar esta situação pela educação em casa”.

A Lei Maria da Penha

A pergunta que não quer calar é: a lei Maria da Penha vem funcionando como instrumento de proteção à vítima de violência entre casais? Segundo Jaqueline Batista, ela oportuniza um grande avanço nos instrumentos públicos de defesa e das garantias dos direitos humanos das mulheres. Como exemplo, ela cita a criação das Delegacias da Mulher, que estão cada vez mais estruturadas, como a de Maringá. Tania Taiti argumenta que a lei trouxe um avanço importante: não permite a

banalização da violência contra a mulher. “Se a gente prestar atenção, vemos músicas que banalizam a violência, que falam que um tapinha não dói. O movimento de mulheres fez um cartaz muito interessante que diz: ‘um tapinha dói. E, mais do que na cara, dói na alma de quem o recebe’. A lei Maria da Penha colocou essa reflexão para a machista sociedade brasileira: a mulher tem direito de ser uma pessoa integral e não pode sofrer nenhum tipo de violência. Nem a psicológica, nem a física.” Delegado José Nunes Furtado argumenta que se começa a perceber que a lei vem realmente causando medo aos homens, que podem ser presos em flagrante, levados a uma delegacia onde, possivelmente, vão sentir medo de ficarem presos, de estar próximo de outras pessoas violentas. “Eu sempre comento que se a pessoa não está feliz em casa, próximo de uma mulher cheirosa, que faz tudo por ele, então só resta a delegacia, onde ele vai ficar no meio de 30 homens com pouca coisa de bom pra oferecer.” A delegada Emilene destacou, ainda, que é importante lembrar que o Brasil não editou essa lei por livre e espontânea vontade. Foi condenado pela Corte Internacional porque não tomou atitudes concretas em relação ao caso Maria da Penha. A cultura machista viu que o Brasil demorou anos para editar uma lei. E lentamente, a decisão vem trazendo várias vitórias. A primeira delas é a possibilidade de prender o agressor em flagrante. “Antes era feito um termo circunstanciado, o agressor era liberado e comparecia a uma audiência no juizado especial. Ali, geralmente, recebia a pena do pagamento de uma cesta básica. Outro ponto importante é a prisão preventiva no caso de descumprimento de medidas protetivas. “Só que a lei ainda tem falhas. A primeira delas é que faz uma descrição das violências: físicas, psicológicas e moral, mas não cria tipos penais, ou seja, ela não cria um crime. No nosso ordenamento jurídico, só é crime o que está escrito no código penal, ou numa lei. O texto não fala: causar sofrimento moral a uma mulher é crime. A lei apenas descreveu o que é uma violência. A lei promoveu um grande avanço quando tirou a violência do âmbito privado, reforça Tania Tait. “Cabe as pessoas não permitirem que as agressões aconteçam.” Para isso, “basta ligar para a polícia pelo 190 ou pelo 197 ou teclar o número direto da delegacia da cidade”, lembra o delgado Furtado. “O que a sociedade não pode é se calar”, concluiu.

A violência no espaço público Outro enfoque sobre a questão da violência contra a mulher foi discutido, também na UEM FM, pelo professor doutor Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele é coordenador do Laboratório de Análises Econômicas Históricas Sociais (foto). Segundo Paixão, no que tange à violência contra a mulher, os indicadores oficiais mostram que a maior parte dela se dá dentro do próprio espaço doméstico. Quando não é na rua ou por desconhecidos, é por conta de maridos e pais etc. “A violência é a linguagem dos animais, não é a linguagem dos homens, que devem resolver sues conflitos através do diálogo. Quando envolve a violência de gênero isso tem uma conseqüência ainda maior. Trata-se de uma relação de poder que se impõe sobre as mulheres de uma sociedade que se caracterizou historicamente pelo seu sexismo.” O professor ainda lembra que seus estudos reforçam aspectos diferenciados de violência, além da física: o soco, o tapa, a violência sexual. “Tem ainda a violência do desemprego, dos salários mais baixos, da dupla jornada. A violência que as mulheres sofrem é um cenário realmente muito complicado e a que incide sobre as negras é ainda mais pesada. O salário de uma mulher negra em relação ao homem branco é 1/3. A taxa de desemprego das mulheres negras é sempre superior, mesmo em relação aos homens negros. Esse dados mostram que, na escala da hierarquia social brasileira, infelizmente as mulheres e, especialmente, as afro-descendentes ocupam o escalão mais baixo da pirâmide. E a falta de políticas publicas também para esse segmento é algo que deve ser lamentado. Essas brasileiras acabam se encontrando em uma situação de muita sujeição de agressão aos seus direitos”, conclui.


8 Iniciação Científica

Sucesso do Eaic é creditado às inovações e ao empenho O Encontro Anual de Iniciação Científica reúne as diferentes áreas do conhecimento e cumpre o papel de promover a interação entre as universidades estaduais do Paraná Por Sueli Nascimento Silva A UEM comemora o sucesso da 21ª edição do Encontro Anual de Iniciação Científica (Eaic), realizado de 9 a 11 deste mês na Instituição. O feito é creditado pela diretora de Pesquisa, Valéria Neves Domingos Cavalcanti, às inovações implementadas e ao empenho da comissão organizadora e dos colaboradores. Uma delas foi a inserção do evento no calendário acadêmico da instituição para que os alunos pudessem participar efetivamente do Eaic.

Willen Denis Clementino

Rafael Sava Graeff

Para a diretora, a iniciativa teve como objetivo criar uma cultura de participação em eventos científicos pelos alunos. Essa inovação foi muito bem aceita pelos acadêmicos da instituição. A aluna do 4º ano de Engenharia Civil, Débora Gobo, e do 5º ano de Odontologia, Marilia Zeczkowski, aprovaram a iniciativa. “Sem a necessidade de assistir aula, entregar trabalhos ou estudar para prova foi possível para gente se dedicar ao Eaic e as apresentações, importante para nossa vida acadêmica”. A intenção era que eles conhecessem novos temas e novos caminhos e assistissem a novas palestras. A professora lembra que anteriormente os bolsistas apenas apresentavam seus projetos e, agora, foram incentivados a interagirem com os colegas. “Temos a oportunidade de mostrar o trabalho que estamos desenvolvendo na nossa universidade e crescer mais a partir do encontro com alunos de outras universidades, mas da mesma área, e que têm os mesmos objetivos e ramo de pesquisa.” Esta é a opinião do aluno do 4º ano de Engenharia Agrícola, da Unioeste, de Cascavel, Rafael Sava Graeff. Novidades – Para possibilitar o intercâmbio de informações entre os participantes, a comissão procurou agrupar, nos mesmos blocos, as sessões com temas afins para despertar o interesse dos participantes e facilitar seu acesso, suscitando mais debates e tornando as sessões mais interessantes. Nesta edição, a frequência dos alunos foi monitorada por meio eletrônico e a atividade poderá valer como Atividade Complementar do Curso. Iniciativa que também foi bem aceita pelos acadêmicos. “Conta no currículo como horas extras e pode ajudar, principalmente, se você tem a intenção seguir uma carreira acadêmica ou de pesquisador.” É o que diz o aluno do 4º de Engenharia Química, da Unioeste, câmpus de Toledo, Willen Denis Clementino. Outra diferença foi o Comitê Externo

do CNPq, que teve sua composição alterada e ampliada. Agora são sete pesquisadores do CNPq de outros estados. O Comitê avalia o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), os projetos e o Eaic. Outra inovação implantada este ano foi a

decisão de eliminar as sessões de pôster e realizar somente apresentações orais. Uma iniciativa que surpreendeu o Comitê Externo que considerava impossível lidar com um número tão grande de apresentações orais com o resultado obtido.

Débora e Marília Trabalhos – Os 3.275 trabalhos inscritos são resultantes de projetos de iniciação científica ligados ao Pibic, promovido pelo CNPq, em parceria com a Fundação Araucária. E ainda de bolsistas vinculados a Ações Afirmativas para Inclusão Social e IC voluntário. Paralelamente, foi promovido o 2º Eaiti, cujo objetivo foi o de proporcionar um espaço adequado para a apresentação dos resultados obtidos pelos jovens pesquisadores que realizam projetos de iniciação em desenvolvimento tecnológico e inovação, bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti-CNPq). Comemorando o resultado obtido, Valéria Cavalcanti ressalta que os objetivos foram plenamente alcançados

e que as dificuldades foram dribladas graças ao trabalho árduo. Para esse feito, diz que foi importante o apoio institucional e de todos que trabalharam e colaboraram na missão. Em breve, os organizadores receberão a comissão da Unioeste, que receberá o evento em outubro do próximo ano em Foz do Iguaçu. A equipe vem conhecer todas as inovações implantadas e o processo desde seu planejamento, execução e encerramento. Em reunião técnica entre todas as universidades estaduais do Paraná durante o Eaic, já ficou decidido que o evento ganhará um dia a mais para apresentação dos trabalhos em vista do aumento dos projetos de iniciação científica no Estado. Mais informações no site www.eaic.uem.br


9 Ciência

Pesquisadores criam rede para o registro de novos medicamentos Os novos produtos serão utilizados no tratamento médico chamado de Terapia Fotodinâmica Por Ana Paula Machado Velho Uma reunião no mês de outubro, na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), oficializou o financiamento do governo do Estado na criação da Rede Paranaense de Terapia Fotodinâmica, projeto vinculado à área de inovação tecnológica. A iniciativa conta com a participação de quatro instituições estaduais de ensino superior, que vão receber recursos para adequar laboratórios de pesquisa e desenvolver atividades em conjunto. A proposta de estudos na área de terapia fotodinâmica ganhou força na UEM por meio dos estudos do professor da Química Noboru Hioka. Ele fez o pós-doutorado na University of British Columbia, em Vancouver, no Canadá, trabalhando sobre o tema, em 1998. Ao retornar, em 2000, deu início a um grupo que, nos últimos anos, vêm criando vínculos com pesquisadores na área de saúde. Segundo Hioka, “a terapia fotodinâmica (TFD) se baseia na utilização de um composto corante fotossensível que, quando excitado por luz, gera formas tóxicas de oxigênio que atacam células locais. O corante pode ser aplicado, por exemplo, em tumores e em outras doenças localizadas. Em seguida, submete-se à luz, geralmente um Laser, através de cateter de fibra ótica, produzindo um efeito tóxico nas células indesejáveis, que, após sua morte, contribuem para a regeneração dos tecidos”, anuncia. Uma das pesquisadoras da Rede, Elza Kimura, do Departamento de Farmácia da UEM, disse que docentes pertencentes ao grupo do Departamento de Análises Clínicas e Biomedicina

vêm conseguindo bons resultados no tratamento da leishmaniose tegumentar via TFD, recuperando o tecido atacado pelo protozoário que causa a doença e com efeitos colaterais mínimos. A doença é propagada por um mosquito, o flebotomíneo, que está assolando a região noroeste do Paraná. O tratamento tradicional usa um sal de antimônio que é caro, requer aplicações de injeções doloridas por aproximadamente 20 dias com efeitos colaterais severos. Não pode ser aplicado em pacientes diabéticos ou portadores de doenças cardíacas, etc. “Temos aprovação do Comitê de Ética Humana (Copec), para aplicação em pacientes”, explica a professora Elza. No tratamento, além de empregar um medicamento de custo reduzido, a luz é proveniente de dispositivos LED, cujo custo é muitíssimo menor que o de um Laser. Inovação – Mas a pesquisadora lembra que outros estudos têm sido feitos com a terapia fotodinâmica, no combate a bactérias, fungos, parasitas no geral. “E a técnica desperta muito interesse no combate a super bactérias por não gerar resistência microbiana. Ainda, entre outras, estamos interessados em testar a TFD contra as chamadas doenças negligenciadas, enfermidades que assolam países tropicais e em desenvolvimento.” O grupo da UEM, que conta com o envolvimento de diversos professores e alunos, tem apresentado bons resultados práticos da aplicação da terapia. O grupo da professora Elza Kimura demonstrou o poder bactericida e fungida da técnica em estudos in vitro. As docentes Thais Silveira, Maria Valdrinez Lonardoni e Sandra Arraes (Análises Clínicas e

Biomedicina) descreveram a atividade contra protozoários da leishmaniose in vitro e com hamisters. As professoras Mitsue Hayacibara e Raquel Terada (Odontologia), com apoio dos professores Mauro Baesso e Antonio Bento (Física), demonstraram, in vitro, a ação contra bactérias que levam a cáries. Particularmente, o Núcleo de Pesquisas em Sistemas Fotodinâmicos, ligado ao Departamento de Química, que reúne os professores Hioka, Wilker Caetano, Armando Pomini e Marcelo Cirino detém uma patente e submeteu mais duas para análise, tendo ainda mais uma em fase de redação. “Todos os grupos citados tiveram a participação fundamental de alunos de graduação e pós-graduação, que desenvolveram trabalhos na área. Foram incorporados ainda os professores do Departamento de Farmácia, Andrea Diniz e Marcos Bruschi, e de Medicina, Sérgio Yamada e Carlos Edmundo Fontes”, explicou Hioka. A rede estadual – A professora Elza destacou que as pesquisas vêm crescendo e envolvendo grupos das universidades estaduais de Londrina, Ponta Grossa e Guarapuava. Porém, até agora, o trabalho vem sendo feito de forma fragmentada. Por isso, os pesquisadores se mobilizaram e requereram à que investisse na criação da Rede Paranaense de Terapia Fotodinâmica. “Trata-se de um projeto de estruturação das unidades, que busca estruturar e fortalecer as unidades de pesquisa em torno da terapia

fotodinâmica nas universidades, definindo as linhas de atuação e especialidade de cada unidade voltada à geração de novos insumos farmacêuticos para a terapia fotodinâmica”, anuncia Elza Kimura. Será investido R$ 1,3 milhão. A UEM ficará com R$ 1,1 milhão. Os recursos vão subsidiar a capacitação e a qualificação das unidades de Terapia Fotodinâmica, seguindo normas para registro de novos medicamentos ou novas associações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Guia para Indústria Farmacêutica, da agência Food and Drug Administration (FDA/EUA). Os professores explicam que, para obter um medicamento final a ser aprovado pelas autoridades de saúde, há a necessidade de reunir grupos de forma a: obter um composto (grupo de químicos), avaliar propriedades físicas e químicas (grupos de químicos e físicos), avaliar o caráter tóxico - segurança e a eficiência (grupos de farmacêuticos e bioquímicos) e avaliar a eficiência clínica (grupo de médicos). “Ou seja, além de atividades em conjunto com várias universidades, este é um projeto transdisciplinar. A rede, na realidade, é um núcleo inicial. Esperamos acrescentar outros pesquisadores voltados inclusive a outras enfermidades, por exemplo, problemas de parasitas, feridas e cânceres de pele em animais. Aproveitando, fica aqui registrado o convite para os interessados”, concluiu Hioka.


10 Pesquisa

Efeito de memória Em uma partida de um esporte qualquer, se um jogador marca dois ou mais pontos consecutivos, a chance de que esse mesmo jogador obtenha sucesso em sua próxima tentativa é maior? Fãs de esporte sempre preferiram acreditar que sim, que naquele dia o atleta estaria com a chamada “mão quente”, quando tudo dá certo. Apesar disso, ao serem analisadas cientificamente, tais situações sempre mostravam estar baseadas em sequências aleatórias e, portanto, que as chances de sucesso em uma nova tentativa não estavam correlacionadas com o sucesso da tentativa anterior. No entanto, um estudo recente, encabeçado por um aluno da UEM, mostrou outra forma de se avaliar essas circunstâncias. Com base em análises de estatísticas de partidas de críquete, esporte muito popular em países como Índia e Paquistão, similar ao jogo de “bets”, Haroldo Valentin Ribeiro, 26 (foto à esquerda), doutorando do Programa de Pós-graduação em Física (PFI), tratou o fenômeno da “mão quente” como um tipo de efeito de memória, no qual o desempenho futuro é determinado por eventos no passado. Ao estabelecer essa compreensão, Ribeiro pôde aplicar técnicas da física teórica para observar os dados e concluir que, se uma equipe de críquete começa um jogo bem, é mais provável que ela mantenha esse desempenho durante toda a partida. Da mesma forma, se um time começa mal, a chance de que ele continue assim até o final também é maior. Para comprovar a sua teoria, Ribeiro analisou os dados de mais de duas mil partidas, disputadas entre 2002 e 2011, de três tipos diferentes de jogo de críquete internacional: o T20, que dura cerca de 3 horas; o One day game, que dura cerca de 8 horas; e o Test cricket, que costuma durar cinco dias. No artigo, intitulado Difusão anômala e correlações de longo alcance na evolução do placar do jogo de críquete, o físico avaliou a evolução das pontuações ao longo do tempo e a sua variação, acompanhando os efeitos da memória durante as partidas e constatando os padrões de resultados. Curiosamente, esses efeitos são tão evidentes nas partidas de T20 quanto nas

Pesquisa aplica física teórica para provar que é mais provável que um time que começa bem tem maior chance de continuar assim até o final de uma disputa

Por Murilo Benites

de Test Cricket, mostrando que os efeitos da memória funcionam também em uma longa escala temporal. Multifatores – Ribeiro explica que, mesmo levando em consideração que alguns jogadores são melhores do que outros, determinar as razões exatas que levam a esse fenômeno exige um estudo muito mais complexo e abrangente. O físico, no entanto, acredita que fatores psicológicos, como confiança e a habilidade de lidar com a pressão, interferem fortemente no processo. Com o cálculo dos dados analisados, o que se pode afirmar com certeza é que valores positivos são seguidos por valores positivos e valores negativos são seguidos por valores negativos. Segundo o físico, é possível que os métodos também possam ser aplicados a outros esportes, chegando a resultados semelhantes. O artigo de Ribeiro foi publicado em agosto deste ano na Physical Review, uma das mais antigas e respeitadas revistas científicas do mundo, que divulga

pesquisas em todos os aspectos da física. O periódico, fundado em 1893, é publicado desde 1913, pela Sociedade Americana de Física (APS). O trabalho também acabou ganhando destaque em outros veículos da mídia americana, sendo citado em matérias no site da Technology Review, revista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e no Wall Street Journal. Segundo Ribeiro, que também fez graduação e mestrado na UEM, a ideia do artigo surgiu durante a sua estadia na Northwestern University, faculdade da cidade de Evanston, nos Estados Unidos, onde o físico passou seis meses cursando parte de seu doutorado. Ele explica que contou com a colaboração do chinês Xiao Han T. Zeng e do indiano Satyam Mukherjee, físicos que também estudaram na universidade americana. Mukherjeem foi, inclusive, quem sugeriu a análise das estatísticas do críquete. Ribeiro confessa que não conhecia jogo, mas que o fato de que todos os dados de cada partida do esporte são registrados

detalhadamente foi fundamental para as conclusões do trabalho. O artigo acabou se tornando um capítulo da tese de doutorado de Ribeiro, sobre identificação e modelagem de padrões em sistemas complexos. No trabalho, o físico analisa outras situações inusitadas, como correlações de sons de pessoas conversando, complexidades de músicas através dos anos e jogos de xadrez. Segundo Ribeiro, os procedimentos de análise são exatamente os mesmos utilizados em estudos físicos mais tradicionais, ou seja, mesmo com temas muito diferentes, os métodos são os mesmos. Ribeiro é um dos integrantes do Grupo de Sistemas Complexos, do Programa de Pós-graduação em Física da UEM, que se propõe a investigar e modelar os mais variados sistemas complexos da física. Todas as publicações do grupo, inclusive o artigo de Haroldo Valentin Ribeiro, podem ser lidas no site http://www.pfi.uem.br/ complex/.


11 Sexualidade

Darwin fora do armário

Por Carlos Henrique Braga Quase 150 anos depois das pesquisas do naturalista inglês Charles Darwin, estudiosos de todo o mundo começam a tirar do armário suas conclusões sobre seleção sexual e debatem se homens e mulheres foram feitos uma para o outro. A teoria do altruísmo também não sai da cabeça dos cientistas, que se perguntam se você e eu realmente nascemos maus. Professor de filosofia, Gustavo Piovezan, 27, segue essa linha de acadêmicos que sacodem velhos argumentos usando dados extraídos de outras espécies, como a dos bonobos, chimpanzés pacíficos que, como nós, fazem sexo por prazer e trocam beijos de língua. Aluno de doutorado, sob orientação da professora Marta Bellini, ele é simpático à biologia do altruísmo, que garante que o homem não é tão cruel como a filosofia de Thomas Hobbes (1588-1679) nos fez pensar e nem tão heterossexual como os sermões religiosos pregam. “Depois da revolução sexual e dos movimentos feminista e gay, passamos a tratar o sexo com menos tabu e preconceito e a investigar isso. A biologia começou a pensar em coisas que não pensava”, diz Piovezan. “Faz pouquíssimo tempo que os pesquisadores tiraram essas discussões da prateleira”. Suas palestras para professores, não raro, levam a um acalorado debate sobre sexualidade e religião. Em uma delas, no interior do Estado, ele teve de parar para ouvir uma professora que, sem aviso e agressivamente, bradou ao público a história de maldição lançada sobre Sodoma e Gomorra, a fim de

contrapor os argumentos do palestrante. Especialista em cultura e religião, Piovezan tira da bíblia argumentos para rebater ataques a homossexuais tirados das páginas da escritura. A ideia é levar a plateia a repensar o que está escrito, reinterpretando o livro como um homem contemporâneo deveria fazer. Se ele não convenceu a professora de que a homossexualidade é natural, diz, pelo menos a fez rever sua posição radical. “As pessoas não precisam acreditar na naturalidade (da relação homossexual), elas precisam respeitar, porque muitas crianças sofrem no colégio por isso, e o Brasil é um dos primeiros em assassinatos de gays e lésbicas no mundo”. Exemplos – Há 300 espécies de animais que se relacionam com indivíduos do mesmo sexo, contabiliza o professor, algo que nem Darwin poderia supor quando sistematizou suas teorias. Uma delas, a dos bonobos, mudou os rumos da biologia evolutiva ao mostrar ainda que há um grau de empatia elevado na “natureza selvagem”. Um vídeo com os primatas é o “argumento” preferido de Piovezan para reforçar suas teorias nos cursos com professores. Nas imagens, felizes bonobos se entregam ao sexo livre, sem conflitos por alimentos, poder ou território. “Eles (os bonobos) contribuíram para mudar a concepção sobre sexo e agressividade”, conta o pesquisador. Como os humanos, os chimpanzés adotaram a posição face to face (cara a cara) no sexo, ou papai e mamãe. Além dessa similaridade, bonobos também usam a língua para beijar, prova de confiança que não se

Pesquisador da UEM sacode velhos argumentos sobre a natureza humana e tira poeira de conclusões darwinianas centenárias

conhecia fora da espécie humana. Observando os primatas africanos, os cientistas encontraram novas hipóteses para questões ancestrais do ser humano. Eis a principal: a empatia e o altruísmo são naturais para nós e para outros animais. Assim, a máxima de Hobbes “o homem é o lobo do homem” cai por terra, dando espaço à de Piovezan: “naturalmente somos altruístas e egoístas, nós decidimos ser maus e decidimos ser bons, isso é uma escolha do sujeito”. A teoria do pesquisador está fundamentada em obras como da bióloga evolutiva norte-americana Joan Roughgarden e do primatologista europeu Frans de Waal, um dos principais portavozes do altruísmo na biologia. Em seu livro, de Wall escreve que, na guerra, só 2% dos homens são capazes de matar. “Os outros 98% vomitam quando vêem o inimigo no chão, estraçalhado, sangrando; ou seja, talvez não sejamos tão egoístas como imaginávamos”, pondera o professor de filosofia. De Waal faz murchar, assim, a tese da “natureza humana ruim” que abastaceu o discurso político pró-guerra na tentativa de justificar conflitos bélicos. Plasticidade – Durante o mestrado na UEM, Piovezan pesquisou o sentido da sexualidade em livros de biologia para alunos de escolas públicas. Sua constatação é de que o conteúdo “aterroriza” os alunos ao mostrar o sexo de forma higiênica, mirando basicamente a prevenção de doenças. Os livros contrariam o pensamento da academia sobre o tema e até mesmo a política de governo, opina o professor, que enxergam a sexualidade de forma plástica, ou seja,

moldada pela relação entre cultura e natureza. O discurso dos livros ainda é o da metade do século 20, baseado em concepções médicas e biológicas já soterradas pelas inúmeras críticas que recebeu, como do movimento feminista. “A partir da metade do século passado, principalmente com os movimentos culturalista, feminista e de investigação de gênero, esse pensamento médico passou a refletir sobre si, e da mesma forma os pensamentos religioso e pedagógico”, explica Piovezan. As perguntas que surgiram dessa revolução são: será que a nossa natureza sexual é como a gente pensa? “Não fomos feitos naturalmente um pra outro no aspecto comportamental, uma vez que do ponto de vista reprodutivo necessariamente dependemos de dois sexos. A biologia não diz do sentimento e do desejo, talvez por isso observemos indivíduos do mesmo sexo manter relações entre si. Em contraponto, ela diz da reprodução e, nesse sentido, temos dois indivíduos, o macho e a fêmea”, explica o pesquisador. Ilustração: Isaac Kassiano


12 Cultura

Música

Museu da Bacia do Paraná é reaberto à população

O Museu da Bacia do Paraná (MBP) está de cara nova. Após passar por um complexo processo de restauração foi entregue à comunidade, no dia 29 deste mês. Além do tratamento adequado da madeira da edificação, realizado por especialistas e carpinteiros, o MBP recebeu nova pintura com tinta esmalte com as cores originais, e adquiriu barras de apoio para as rampas de acesso, cadeiras de rodas e equipamentos necessários para a adaptação dos banheiros para pessoas com deficiência física. Também passou por reparos na parte hidráulica e elétrica, no telhado (que teve peças trocadas pelas originais) e foi todo higienizado e impermeabilizado, tanto na sua sede como nos dois blocos anexos, onde se situa a reserva técnica do acervo. No total, foram gastos R$ 35.740,00 em verbas, dos quais R$ 3.000,00 derivaram dos recursos de manutenção semestral do próprio museu e R$ 2.740,00 da Associação Amigos do Museu (AAMBP). Os outros R$ 30.000,00 foram conquistados por meio do projeto Acessibilidade e Inclusão Social no MBP, de autoria da coordenadora do Museu, professora Sandra Pelegrini, premiado pelo Edital Modernização de Museus 2011 – Microprojetos, promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus, órgão do Ministério da Cultura. Exposições – Já estão sendo organizadas duas novas exposições para a reabertura do MBP ao público, que será no próximo dia 29. A primeira, intitulada “Pintando

e bordando no museu”, irá expor telas, tapetes e camisetas, elaboradas por pacientes do Centro de Atendimento Psicossocial de Maringá, fruto de um projeto de extensão coordenado pela psicóloga Raquel Barros e pela professora Sandra Pelegrini, responsável pelo Museu. A outra exposição, chamada Memórias vivenciadas: percepções sensoriais e espaços de sociabilidade (1901-1970), reconstituirá diferentes ambientes de uma casa típica do início da ocupação do Paraná, reunindo utensílios domésticos sofisticados das elites e dos trabalhadores do campo, seus instrumentos agrícolas e pertences. As exposições estarão abertas ao público até o dia 15 de dezembro. O MBP existe há mais de 30 anos e recebe uma média de 600 visitantes por mês, com distintas faixas etárias e níveis de escolaridade, todos interessados em conhecer o mais completo acervo do processo de ocupação da área rural e da urbanização da região. O Museu também é o guardião de documentos da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, responsável pelo loteamento e transações imobiliárias entre as décadas desde 1930 (teodolito, nível, bússolas, altímetro, negativos, fotografias, livros de contabilidade da empresa, documentos pecuniários, entre outros). A proposta da coordenadora do Museu, professora Sandra Pelegrini, é de “continuar a estreitar os laços com a população residente em Maringá e região, que já está se concretizando mediante a criação da Associação Amigos do Museu da Bacia do Paraná (AAMBP), organização de projetos de extensão e de eventos que atendam a proposta de inclusão social, acessibilidade e educação patrimonial, por meio do fomento de ações educativas e culturais”. A professora destacou que outros projetos serão inscritos nas próximas edições dos prêmios do IBRAM e outras entidades. Porém, segundo Sandra Pelegrini, “o mais importante é que a comunidade universitária e demais cidadãos percebem a importância da preservação das memórias para as futuras gerações”. Mais informações sobre o Museu da Bacia do Paraná pelos telefones (44) 3011-4294 ou 3011-4554.

Acorde Universitário tem 26 canções concorrentes Tudo pronto para o 5º Acorde Universitário – Festival de Música Popular Brasileira de Maringá, que está programado para os dias 2, 3 e 4 de novembro, na Oficina de Teatro da UEM. Vinte e seis músicas concorrem este ano (veja lista abaixo). Serão realizadas duas eliminatórias, nos dias 2 e 3 de novembro. As quinze canções com maior pontuação, levando-se em consideração as duas eliminatórias, estarão automaticamente classificadas para a final, que será no dia 4. Nos dois dias de eliminatórias haverá oficinas de postura de palco e performance para as bandas, e, no dia da final, oficina de equalização de som para os grupos classificados. Serão entregues troféus, DVDs e CDs do festival para os vencedores nas diferentes categorias. Outras informações pelo telefone (44) 3011-3880.

Músicas e concorrentes: BAGA KADAF – Felipe de Morais BLUES – André Luis Onishi BLUES DOS PÁSSAROS – Hiran Z. Moreira BOLHA DE SABÃO – Mari Tenório BRILHA ESTRELINHA – Maria Clara Tenório CANÇÃO PARA CALAR RAIMUNDO – Alexandre Gaioto CANTIGA URBANA – Aline S. Luz e Camila S. Luz CHORINHO DO TEMPO – Maria Clara Tenório FACULTATIVAS – Frank Paris, Diego Minaré e Melina Ramos FESTEJO -  Mari Tenório GALOPE – Mauro Ravagnani. MAQUINA DE BRINQUEDO – Hugo F. Abonizio MARRAKESH – Mario Takeguma MATAR A MORTE, CALAR O SILÊNCIO -  Daniel R. Pires MORALISTAS BARATOS – João Vitor Cruzoletto NEGA – Mauro Ravagnani O CORPO E A CIDADE – Pedro Paulo Deprá PARADEIRO FECHADO – Valter Rossini PROSA DE SARJETA – Marcel Duarte QUERO IR – Cibely M. Barbosa REVOLUCIONÁRIO – Guilherme de Souza Rabelo SAMBA BLUES – Aline S. Luz SE EU PUDESSE – Ricardo Vianna SERTÃO DO MEU BRASIL – Ricardo Vianna TENTATIVA VÃ – Valter Rossini UM LIVRO LIVRE – Hiran Z. Moreira


Jornal da UEM - nº 107 - Outubro de 2012