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Ano XI - nº 110 Junho Assessoria de Comunicação Social ISSN: 2238-5053

Pacientes agradecem atendimento da equipe do HU Reconhecimento

Entrevista

João Carlos Teatini destaca formatura de 3.622 pedagogos na modalidade a distância P.4e5

Semana do Meio Ambiente Universidade traça política ambiental

P.8e9

Visita

Professor mostra experiência da Unicamp com dupla diplomação

P.10e 11

Memória

Morre segundo reitor da UEM

P.12

Pesquisa

Laboratório trabalha em sintonia com sericicultor artesanal P.3


2 Editorial

Gratidão ao hospital escola e de assistência A reportagem de capa desta edição mostra a gratidão dos pacientes, familiares ou parentes por terem recebido um atendimento humano e de qualidade no hospital universitário da UEM. Não raro tem sido a afixação de faixas na frente do hospital contendo palavras de agradecimento à equipe de médicos, enfermeiros e do pessoal de apoio. A reportagem deixa evidente, ainda, que o HU se tornou, há muito, também um hospital de assistência, passando a atender a população de Maringá e região, deixando de ser apenas um hospital escola, finalidade principal pela qual foi criado, para dar suporte aos cursos da área de saúde, sobretudo medicina e enfermagem. Falando em suporte, a UEM deu mais um passo na consolidação de sua política de sustentabilidade, com a realização da 4ª Semana Ambiental, coroada por debates e

pela entrega do Plano de Manejo do Parque Centenário para a Prefeitura de Maringá. A Unidade de Conservação Ambiental está sob os cuidados da Universidade, responsável por diversas pesquisas científicas no local. A atuação da UEM se estende também a outras áreas, como a da pesquisa na sericicultura, levando aos produtores rurais desta cultura informações e conhecimento requerido por eles, por meio do trabalho do Laboratório do Bicho-da-Seda. Enquanto não descuida da pesquisa, a instituição se volta para o debate sobre seu processo de internacionalização, razão pela qual trouxe, em junho, o professor Leandro Tessler, da Unicamp. Assessor para projetos de Internacionalização da Universidade Estadual de Campinas, ele falou sobre o funcionamento da dupla diplomação na graduação e na pós-graduação a partir da experiência de implantação na Unicamp,

com destaque para os resultados obtidos e o impacto dessa formação. Já, a educação a distância, setor em que a UEM comprova sua excelência e a capacidade de incluir socialmente as pessoas, graduou, numa solenidade histórica, cerca de 3.600 alunos do curso de pedagogia, egressos do programa de capacitação ofertado pela Faculdade do Vale do Iguaçu (Vizivali). Além do vice-governador e secretário estadual de Educação, Flávio Arns, paraninfo geral, o evento teve a presença do diretor de educação a distância da Coordenação de

Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes), João Carlos Teatini, patrono da turma. A entrevista de Teatini, professor da Universidade de Brasília, à Rádio UEM FM, está nesta edição, que vem marcada pela pluralidade das reportagens, entre elas a primeira eleição direta para a direção do Colégio de Aplicação Pedagógica, em 40 anos da história do CAP (foto). Boa Leitura!

Paulo Pupim

Assessor de Comunicação Social

HISTÓRIA

CAP comemora 40 anos com eleição direta dos diretores

expediente

O Colégio de Aplicação Pedagógica da Universidade Estadual de Maringá , conhecido como CAP, completou 40 anos de existência no mês de maio. O Colégio foi criado pelo Decreto nº 5.537/74, de 29 de maio de 1974, pelo então Governador

do Estado do Paraná Emílio Gomes. O CAP começou a construir sua história nos anos de 1970, quando a direção da– Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Maringá (Fafi) destinou salas de aula da instituição para funcionamento de uma extensão do Colégio Estadual Dr. Gastão Vidigal. A justificativa era a necessidade de atender alunos do Ensino Médio da cidade de Maringá e, também, proporcionar aos alunos da FAFI a oportunidade de ministrar aulas práticas com a utilização de material didático e audiovisual, que seriam colocados à disposição dos mesmos. Assim, a extensão serviu de Ginásio de Aplicação para os

Reitor: Júlio Santiago Prates Filho Vice-reitora: Neusa Altoé Assessor de Comunicação Social: Paulo Pupim Jornalista responsável e editora: Ana Paula Machado Velho (Reg. Prof. 16.314/RJ) Coordenadora de Imprensa: Tereza Parizotto Reportagem: Ana Paula Machado Velho, Rose Koyashiki, Tereza Parizotto, Murilo Benites Fotografia: Antonio C.Locatelli, Heitor Marcon Colaboradores: Sueli Nascimento Silva e Flávio Kawakami

alunos da Fafi. Hoje, a unidade é um colégio conveniado com a Secretaria Estadual de Educação (Seed), que disponibiliza grande parte dos profissionais que atuam no prédio de propriedade da UEM. Para comemorar a data histórica, o Colégio elegeu pela primeira vez, pelo voto direto, o diretor e seus auxiliares. No ano de 2010, o Colégio organizou internamente um processo eleitoral para escolha das direções auxiliares – um profissional da SEED e outro da UEM, sendo que, o Diretor foi indicado pela reitoria da UEM. Desde então, se desencadeou no colégio um processo de discussões em relação à escolha da direção e vice-direção. O coletivo do Colégio decidiu pela escolha de seus representantes. O processo, que consta no Regimento Escolar, teve a aprovação

ISSN: 2238-5053 Diagramação e Impressão: Grafinorte

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da Seed e da UEM e no dia 28 de maio, a comunidade do colégio elegeu seus representantes, que tomaram posse, no dia 3 de junho. Falando em nome da nova equipe, o diretor geral, professor Sergio Alvarez reforçou a importância do momento, além de salientar “o papel transformador da educação e o compromisso do CAP e da equipe em continuar investindo na socialização do conhecimento sistematizado historicamente acumulado”. Alvarez finalizou convocando todos “a unirem-se em prol de um CAP cada vez melhor”. O reitor da UEM, Júlio Santiago Prates Filho, parabenizou e desejou uma boa administração à nova equipe, enquanto a vice-reitora Neusa Altoé enalteceu a importância do processo democrático para a escolha dos empossados.


3 Laboratório

UEM trabalha em sintonia com as necessidades do sericicultor artesanal Além de um novo cruzamento para as lagartas, os pesquisadores do Laboratório do Bicho-da-seda procuram ouvir as necessidades dos produtores para o desenvolvimento de pesquisas

Por Sueli Nascimento Silva A produção de um híbrido rústico do bicho-da-seda, criado a partir de diversos cruzamentos, mais resistente a doenças e a condições ambientais, oferece segurança à atividade da sericicultura e se apresenta como uma nova opção para os produtores no ganho de rendimento e principalmente produtividade. É o que diz o gerente da Câmara Técnica do Complexo da Seda do estado do Paraná, Oswaldo da Silva Pádua, sobre as pesquisas realizadas no Laboratório de Bicho-da-Seda da UEM. Para os estudos a Universidade possui o único banco público de germoplasma de Bombyx mori – espécie de lagarta do bicho-da-seda - do País. Coordenado pela professora Maria Aparecida Fernandez, do Departamento de Biologia Celular e Genética, o objetivo do grupo de pesquisadores é o desenvolvimento de um híbrido rústico do bicho-da-seda, mais resistente e com menos trato, que permita o manuseio de todo o ciclo pelo próprio produtor. O que poderá garantir melhores resultados na cadeia produtiva de fiações artesanais, além de transferir tecnologia genética aos pequenos produtores no campo. As pesquisas começaram em 2005, quando a fiação de seda da Cocamar –

Cooperativa Agroinsdustrial - encerrou as atividades e doou seu acervo genético para a professora Maria Aparecida. No ano seguinte, a partir do reconhecimento da necessidade de apoio à sericicultura nas cidades do noroeste do estado do Paraná, a pesquisadora deu início ao Programa de Melhoramento do Bicho-daSeda. Segundo Roxelle Munhoz, pesquisadora do projeto e pósdoutoranda do Programa de PósGraduação em Genética e Melhoramento da UEM, as pesquisas para o desenvolvimento do novo híbrido estão adiantadas. “No começo do projeto houve um pouco de dificuldades porque não tínhamos amoreiral suficiente, então fizemos um convênio internacional com a empresa Seda y Fibras, do Paraguai, que ajuda na manutenção das raças e melhoramento genético. Temos 50 raças em avaliação e quatro híbridos selecionados. Já fizemos análise de qualidade, observando a resistência dos fios, falta agora à adaptação no campo, que ainda demora cerca de três anos.” Vale ressaltar que o trabalho realizado pela equipe é essencial não só para os produtores da região de Maringá, mas também para o Estado do Paraná e para o País, como afirma Osvaldo de Pádua.

“Além de oportunizar aos acadêmicos da graduação e aos estudantes de mestrado e doutorado formação no setor, também abre perspectivas de intercâmbio internacional de fundamental importância a toda cadeia produtiva da seda.” Pádua, que também é técnico agrícola da Emater de Nova Esperança, enfatiza ainda que as perspectivas de mercado são promissoras, apesar de problemas durante o ciclo de produção. “Há falta de matéria-prima. A indústria trabalha com ociosidade em torno de 45%, não está conseguindo atender a demanda do mercado internacional e há um enorme nicho de mercado interno, no qual poderíamos estar exportando confecção e não apenas fios de seda, principalmente em se tratando do mercado justo, pois a produção é considerada limpa sem agressão ao meio ambiente. Hoje, uma das maiores dificuldades encontradas no setor produtivo está relacionada

à deriva de agrotóxicos de lavouras vizinhas aplicadas de forma inadequada com a legislação em vigor”. Bioensaios – Nesse cenário, bioensaios com um inseticida foram recentemente realizados no Laboratório e os resultados com a descrição da sintomatologia já foram enviados para publicação em revista internacional. “Hoje trabalhamos com um feedback. Existe a demanda, então procuramos responder. Por exemplo, agora escrevemos um projeto sobre estudos da intoxicação com deriva de agrotóxicos da cana e, também, com as enzimas que tiram essas toxinas do bicho, que podem torná-lo mais tolerante ou não, disse Roxelle”. O mecanismo de ação de um inseticida para o outro é diferente. E, por isso, os sintomas são diferentes. Essa é uma resposta bem significativa para o produtor, porque assim eles sabem o que está acontecendo e podem recorrer à justiça para pedir indenização. O laboratório não fornece laudos, mas as análises feitas pelos pesquisadores podem subsidiar laudos técnicos de instituições e da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab), por exemplo. Nesse sentindo, Pádua destaca a importância do trabalho das pesquisadoras tanto para produtores quanto para órgãos ligados ao setor. Para ele, a UEM vem prestando um grande auxílio com pesquisas relacionadas com as diversas fases da lagarta e diferentes tipos de produtos, cujos resultados têm auxiliado nas discussões. As pesquisas com o bicho contam também com a parceria da professora Rose Brancalhão e da equipe de pesquisadores da Unioeste.

O que é a sericultura? A sericicultura é a atividade agropecuária que consiste na criação de bicho-da-seda visando à comercialização dos casulos. Durante este processo, há que se considerar todo o ciclo de vida do inseto, que é holometábolo, passando de ovo a lagarta, com diversas transformações durante este estágio até a lagarta atingir cerca de sete centímetros. Durante a fase larval, as lagartas se alimentam exclusivamente de folhas frescas de amoreiras, cinco a sete vezes ao dia. Para atingir a maturidade, as lagartas constroem um casulo, constituído de proteínas que compõem o fio da seda. Este casulo, quando é destinado a fins comerciais, é vendido e o fio é extraído em água fervente. Parte dos casulos é utilizada pelas empresas e pelas instituições de pesquisa para manutenção das raças de bicho-daseda e, neste caso, os casulos são abertos e as mariposas emergem e seus cruzamentos são, então, realizados como o melhorista genético definir. Fonte: Roxelle Munhoz


4 Entrevista

Formatura de 3.622 pedagogos da Educação a Distância pela UEM é única no Brasil JU- Como está, no âmbito da Capes, a educação à distância? Nós estamos no sistema UAB com 103 instituições públicas de ensino superior. São 56 universidades federais, 30 universidades estaduais e 17 institutos federais de educação ciência e tecnologia. A Capes, com toda a sua força e tradição na pós-graduação, veio trazer toda a sua experiência e a sua respeitabilidade para a educação a distância no âmbito das instituições públicas de ensino superior do Brasil.

Por Antonio Paulino dos Santos Junior

D

e acordo com o diretor de Educação a Distância da Capes (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior/MEC), professor João Carlos Teatini, a educação superior a distância no Brasil é assunto antigo. Em 1972, foi apresentado o primeiro projeto de lei na tentativa de se criar a Universidade Aberta no Brasil. Na sequência, houve outros nove projetos de lei. O último deles, de 1993, foi aprovado na Câmara e depois retirado do Congresso pelo Executivo. Teatini lembra que já havia iniciativas principalmente estaduais de programas e cursos de educação à distância. O primeiro curso de graduação foi o de Pedagogia, da Universidade Federal do Mato Grosso, em convênio com o Estado de Mato Grosso e municípios. Não existia, porém, nenhum programa federal que apoiasse as iniciativas existentes, inclusive aqui mesmo na UEM. Em 2006, o governo federal instituiu o sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) por meio da extinta secretaria de Educação a Distância, e em 2007 lançou dois editais para cursos de graduação, de extensão, de especialização e de aperfeiçoamento, voltados principalmente para a formação de professores e pólos de apoio presencial. A partir de 2009, houve a transferência efetiva para a Capes, para financiamento e acompanhamento. Nesses sete anos de funcionamento, o sistema UAB ampliou exponencialmente os cursos e vagas por todo o País. A UEM é um dos destaques nacionais nessa modalidade de educação, como explicou Teatini, em entrevista à UEM-FM.

E como está a qualidade desse ensino superior? A educação à distância, ao contrário do que as pessoas menos informadas pensam, não é educação por correios, pelo rádio, pela televisão, pela internet, pelo celular. É educação por tudo isso, inclusive com componentes presenciais. A grande força da educação a distância é você desenvolver a autonomia dos estudantes com forte suporte das melhores instituições de ensino superior do Brasil. É assim no mundo todo. Em 1972, foi criada a Open University, a universidade aberta da Inglaterra. Em 1973, foi criada a Universidade Nacional de Educação a Distância da Espanha, ou seja, o Brasil não acreditou como alternativa para o ensino superior público do Brasil, principalmente. Nesse sentido, a educação a distância usa os meios de comunicação conforme as necessidades e os cursos exigem momentos presenciais. Nós temos 103 instituições públicas, mas também 700 pólos de apoio presencial. Os alunos que moram nas imediações contam, nestes pólos, com secretaria, biblioteca, laboratórios de informática, além de laboratórios dos cursos que eles fazem, por exemplo, de Física, de Biologia, de Química. As instituições trabalham também com laboratórios virtuais, com material impresso, com aulas em vídeo e em rádio, tudo da maior qualidade. Agora, educação a distância tem uma coisa diferente da presencial: não se admite improviso. As coisas têm que funcionar à seu tempo e à sua hora. Na educação presencial, eventualmente, um professor falta à aula e manda um colega substituir. Isso às vezes funciona, às vezes não. Muitos professores numa turma de

40 dão aula para 10. Os outros alunos levam faltas. Na educação a distância, todos têm que participar. E é por causa disso que nós temos também os tutores. Se o aluno faltou a um bate papo pela Internet, o tutor vai querer saber por quê. É por causa disso que temos um caso de sucesso como este da UEM, em que de 4 mil e poucos matriculados estão concluindo 3.622 ouvintes alunos. O senhor diria que é por conta da nova tecnologia chamada internet que se tem resultados positivos nessa modalidade de ensino? Estamos na época das novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC). A diversidade e o potencial dessas tecnologias são ilimitados. Num celular você recebe mensagem, baixa aplicativos e jogos, tem rádio e televisão; nos tablets há uma infinidade de coisas que você pode fazer, mas ainda pouco aproveitado no ensino. A Open University, já em 1972, era 100 por cento material impresso, obviamente de ótima qualidade, mas usava muita televisão e rádio pela BBC, que é estatal inglesa, usava o telefone, usava o que tinha à época. Agora, o que houve fortemente nestes países, inclusive na Alemanha, na Índia, na China, foi o maciço apoio a uma política pública. Um estudo feito pela professora-pesquisadora argentina Marta Menna, revela que só três universidades na América Latina prosperaram como universidade aberta, duas na América do Sul, que foram a Universidade Aberta da Venezuela e a Universidade Aberta da Colômbia e uma na América Central, na Costa Rica. As outras não prosperaram por causa dos regimes políticos. Nós tivemos uma série de ditaduras na América Latina nesse período, nas décadas de 1980 e 1990. Nós tivemos um maciço crescimento do ensino superior privado nesses países, a tal ponto que o último censo do Inep Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa do MEC mostra que hoje no ensino superior brasileiro, 75 por cento dos alunos estão em instituições privadas, e sabe-se que muitas delas não tem a qualidade desejada. Esse percentual está também na educação a distância?


5 Na educação a distância, as instituições privadas começaram em 2001, com algumas iniciativas no Mato Grosso. O governo de Minas Gerais lançou o projeto chamado Projeto Veredas, para formar professores em serviços. Houve iniciativa do governo do Estado do Rio de Janeiro, que é o Centro de Educação a Distância do Rio de Janeiro, Cederj, que começou em 2001 e hoje tem perto de 20 mil alunos com seis universidades públicas do Rio de Janeiro, 4 federais e duas estaduais. Ou seja, houve iniciativas públicas, mas a iniciativa federal só surgiu em 2006. Os problemas mais graves com relação à educação à distância, pareceme que estão em algumas instituições privadas que, inclusive, tiveram cursos fechados pelo MEC. Como se dá o encaminhamento dessa fiscalização? Você tem toda razão. As instituições privadas viram nisso um grande filão e começaram a trabalhar num aspecto quase estritamente comercial. O MEC demorou muito a entrar com o seu poder de supervisão e regulação; e isso era atribuição da Sesu - Secretaria de Ensino Superior, que, depois, passou para a Seed - Secretaria de Educação a Distância, e hoje é atribuição da Seres (Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior). Somente a partir de 2008 é que o MEC passou a fazer supervisão rigorosa dos cursos de graduação a distância. Foram fechados mais de 600 pólos das instituições privadas e também cursos e instituições. Seis instituições do Brasil, privadas, foram proibidas de fazer novos vestibulares. Os alunos foram transferidos para outras instituições que tem seriedade. Há instituições, inclusive privadas, que oferecem educação a distância de qualidade, por exemplo, os cursos da rede Riceso, que são das instituições católicas de ensino superior. Tem outras instituições que oferecem cursos de qualidade, mas é aquela história, uma maçã podre no cesto... Por outro lado, eu queria que esta formatura de Pedagogia aqui da UEM, um exemplo tão positivo, tivesse tanta divulgação, como tem os casos negativos. Eu digo sempre uma frase do grande escritor Nelson Rodrigues: “o brasileiro tem complexo de vira-lata”, às vezes se apega aos fracassos e não gosta muito de divulgar as coisas que são bem feitas. Como está o mestrado no âmbito da educação a distância. Há avaliações nesse sentido? Na pós-graduação, a Capes trabalhava exclusivamente com mestrado acadêmico e com doutorado. São os cursos chamados stricto sensu. A partir de 10 anos atrás foi aprovada a legislação do mestrado

profissional também como um curso acadêmico. Na realidade, os mestrados profissionais vieram em consequência do fato do MEC durante mais de 20 anos não ter cuidado adequadamente das especializações. O próprio Conselho Nacional de Educação não foi muito rigoroso em seu acompanhamento; então, nas instituições sérias, as especializações boas estão se transformando em mestrados profissionais começou com o curso de matemática e inclusive a UEM está nele. O Instituto de Matemática Pura e Aplicada, com sede no Rio de Janeiro, e a Sociedade Brasileira de Matemática, fizeram a proposta, que foi aprovada no Conselho Superior da Capes. Hoje nós temos duas turmas no Profimat, já com 2.800 matriculados. A primeira turma vai se formar agora com 960 alunos de 1.190 iniciais, quer dizer, também um aproveitamento gigantesco, inclusive a formatura da primeira turma deverá ser em Brasília. A Capes em convênio com o Instituto de Educação da Universidade de Paris patrocinou o envio do primeiro colocado em cada estado, para fazer um estágio de um mês na França, num programa de educação matemática. E nós temos já aprovado o programa Profiletras, que é para professores da educação básica, no ensino de Português com foco na alfabetização. E já foi aprovado também o Profifísica que é no ensino de Física também para o ensino médio. Todos em rede nacional. E já tem várias propostas sendo elaboradas, entre elas Educação Física, Artes Visuais e História. Como está o mercado para os profissionais graduados na educação a distância? Tem dois aspectos. Falando da ênfase na formação de professores é claro que se a gente forma o professor, titula o professor e não houver nas redes públicas municipais, estaduais, salários compensadores, se não houver carreira atrativa, esses professores vão deixar a carreira e vão para outra. Do ponto de vista do mercado, recentemente a Emater Rio Grande do Sul fez um concurso com 116 vagas e 71 aprovados foram alunos do curso de Tecnólogo em Gestão Agrária e em Gestão Rural do curso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, inclusive os cinco primeiros lugares. Em todos os lugares nós temos depoimentos de que esses alunos nossos estão entrando no mercado de trabalho sem problemas. E isso que está acontecendo no Brasil não é novidade porque já acontece nos Estados Unidos, na Índia, na China. Os alunos da educação a distância se destacam. Eu diria que daqui a 10 anos, essa distinção

entre presencial e a distância tende a ficar uma coisa meramente com relação à necessidade da ferramenta disponível, ou seja, não são antagônicas e não competem entre si. E como está a UEM nesse aspecto da Universidade Aberta do Brasil? A UEM está muito bem. Entre outros motivos, a professora Maria Luiza é presidente do Fórum Nacional de Coordenadores da 103 instituições. A professora Maria Luiza já era vicepresidente. É uma liderança entre os coordenadores nacionais. Em número de alunos, se a gente não colocar os 4 mil alunos da Vizivale, a UEM, no total de alunos, é a segunda colocada nacional, atrás apenas da Universidade Federal Fluminense. O fato de eu ter comparecido à essa formatura aqui, é porque é um paradigma você ter uma formatura de 3.622 alunos em 21 pólos. Isso é uma coisa inédita no Brasil numa instituição pública. Eu, pelo menos, não conheço um caso similar. Então eu acho que isso deve ser muito divulgado. Qual sua expectativa quanto ao futuro da educação no Brasil, a formação de quadros, em especial pela educação a distância? Se acreditarmos que os objetivos da política nacional de formação de profissionais do magistério [Decreto 6.755, de 2009] se concretizem, a

educação à distância vai passar a ocupar outras áreas, onde até agora ela não teve muito destaque no Brasil. Por exemplo, as áreas de tecnologia. Eu sou engenheiro civil e coordeno, também na Capes, o programa Pró-Engenharia. O Brasil precisa até 2020, dobrar o número de engenheiros formados no País, porque já está importando esses profissionais, principalmente na áreas de mecânica, naval, eletromecânica, informática etc. Um dos grandes problemas hoje é que a atratividade para os cursos de engenharia e tecnologia é pequena porque os estudantes do ensino médio, formados, são alunos nativos digitais. Eles se sentem extremamente desconfortáveis, às vezes, com professores que tem pouca intimidade com tecnologia, ou seja, nós temos que formar professores não só em maior número, mas formar professores universitários que trabalhem com essas linguagens. Eu penso que o Ministério da Educação, a Capes, as secretarias de educação dos estados, de ciência e tecnologia, tem que dar toda atenção a isso, porque nós precisamos de um desenvolvimento do Brasil, que é a sexta ou sétima economia do mundo... Nós vamos precisar de profissionais competentes em todas as áreas, ou seja, as universidades públicas, principalmente, têm que estar preparadas para este desafio.


6 Reconhecimento

Na alegria e na tristeza

Aparecido Felipe e a mãe, Josiane

Por Juliana Daibert Externar gratidão é reconhecer a dedicação e o esforço de alguém. Estampar esse agradecimento em uma faixa é deixar esse sentimento transbordar. Foi o que fizeram as famílias de Aparecido Felipe Ulian, José dos Santos Boldrim e Marcos Antonio de Albuquerque Pereira, todos pacientes do Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM). Selma Boldrim, 27, conta que a ideia da faixa surgiu depois de uma conversa com um dos médicos da equipe que atendeu seu pai durante o tempo em que ele permaneceu na unidade de terapia intensiva (UTI). “Naquele dia ele disponibilizou muito do seu tempo para tirar todas as minhas dúvidas. Ele conversou comigo olhando nos meus olhos, me tratou com humanidade, muita paciência e numa linguagem que eu entendia”, diz ela. Durante a conversa, o médico compartilhou com a familiar que também estava passando por momentos difíceis em razão da doença do próprio pai. “Eu conseguia ver o sofrimento dentro dos olhos daquele médico. A maioria das pessoas esquece que atrás do jaleco branco tem uma pessoa de carne, osso e sentimentos”, diz. Comovida com a realidade do profissional que, segunda ela, “passa o dia lutando e salvando vidas dentre deste hospital e não pode salvar a vida de um dos seus”, Selma fez a promessa de colocar a faixa em frente ao HUM tão logo pudesse, o que foi feito no dia 1° de maio, dois meses depois do acidente de trânsito que resultou na amputação da perna direita do pai. No dia 3 de março, José Boldrim, 63, trafegava

de moto em uma estrada rural em Atalaia quando foi atingido por um caminhão em um cruzamento. Os primeiros socorros foram prestados no hospital da cidade, até a transferência para o HUM. “Vim para Maringá praticamente sem vida”, conta ele. Foram 25 dias no hospital, 12 deles na UTI. Boldrim se emociona ao falar dos dias de internamento. “O esforço dos enfermeiros e enfermeiras pegando a gente no colo é de deixar qualquer um sensibilizado. Todos me trataram muito bem. Cuidaram de mim conforme devem cuidar de um ser humano e isso comoveu minha família toda. Somos muito gratos por tudo. Até uma bíblia a gente ganhou”, conta ele. Mesmo nos momentos mais difíceis, como decidir pela amputação, a família se sentiu amparada. “Tudo era muito bem explicado”, conta Josina, esposa do paciente, que temia pela reação do marido e foi surpreendida. “Se tiraram é porque precisava. Os médicos sabem o que estão fazendo”, revelou Boldrim. Atendido pela rede municipal de saúde de Mandaguaçu, o paciente fará fisioterapia e tratamento de reabilitação em Maringá. Otimista, ele diz que está “que nem criança nova, começando tudo de novo”. Até que a prótese para a perna seja realidade, ele zomba dos tombos que têm levado da cadeira de rodas e da muleta e aguarda ansioso pelo momento em que poderá retomar, altivo, aos cuidados com a horta que mantém ao lado da pequena casa na Vila Guadiana. “Eu estou vivo. Sem uma perna, mas tenho outra.” De acordo com o enfermeiro Hilton Vizi Martinez, chefe da Divisão de Internamento, a gratidão da família e do paciente pelo atendimento recebido ocorre depois que há a compreensão de todas as fases da doença, que passa, inclusive, pela negação. “Quem agradece entende a doença”, analisa. Segundo ele, o vínculo formado entre paciente, familiares e equipes de saúde também reflete o tempo de permanência no hospital, e a média de internamento de pacientes de UTI é alta. “O envolvimento é ruim porque sofremos junto, mas não se envolver é desumano”, afirma. “Muito obrigado é pouco” – Para a família de Aparecido Felipe Ulian, de nove meses,

o carinho explícito ainda é insuficiente para demonstrar toda a gratidão da família. “Ficamos muito comovidos com o atendimento que nosso filho recebeu. Acima das equipes do HU, só Deus”, afirma a farmacêutica Josiane Marcely, 36, de Colorado. No início de abril o bebê começou a apresentar febre alta, entre 38 e 39ºC, sem motivo aparente. As suspeitas iam de meningite à leucemia. Por orientação médica, a família internou o bebê em Colorado, mas depois de dois dias sem apresentar melhora ele foi transferido para o HUM. “Tentamos vaga em hospitais particulares, mas não havia disponibilidade”, conta Josiane. Ela diz que no momento da transferência a condição de saúde do bebê não era tão grave, mas alguns sinais indicavam que se o quadro piorasse seria preciso utilizar recursos técnicos e humanos indisponíveis na cidade de origem. Aparecido Felipe foi internado no HUM numa quarta-feira, na enfermaria, e no final da tarde de sexta levado às pressas para a UTI pediátrica. “Foi muito rápido. Ele estava todo inchado, com o coração acelerado, os rins parados, e todo mundo se dedicando totalmente a ele. Senti que eles cuidavam do meu filho como se fosse filho deles e acredito que seja assim com todos os pacientes”, declara Josiane. No final de semana em que permaneceram ao lado do filho na UTI, Josiane e Cléber tiveram provas do cuidado das equipes com todos os pacientes da unidade, atitudes que se repetiram também em outros setores do hospital. “Desde a funcionária da limpeza até o médico e o segurança, passando pelo pessoal da cozinha, todos demonstravam interesse nos pacientes e diziam estar rezando por nosso filho. As meninas da enfermagem contavam que estavam fazendo campanhas de oração e que acordavam pensando nele”, lembra Josiane. A sensação de que todos em volta partilhavam a dor que sentiam naquele momento foi muito reconfortante para Josiane e Cléber durante os 13 dias em que Aparecido Felipe ficou no HU. “Vi médicos chorando quando morreu um paciente”, diz a mãe. O bebê recebeu alta e foi para casa sem qualquer remédio, e a espontaneidade e a graça típicas da idade não lembram nem de longe o sufoco vivido há três meses. “Dizer ‘muito obrigado’ é pouco. Todos estão de parabéns pela atenção”, diz a mãe, ela também ex-paciente do hospital, onde foi operada em 2010. “É difícil conseguir vaga no HUM, mas depois de entrar, não há atendimento melhor”, garante. Já recuperado, Aparecido Felipe – e a família - é só sorrisos.


7 Humanização é a base do atendimento Márcia Liberatti, assistente social da Assessoria Técnica Científica do HUM, vê a contribuição do Grupo de Trabalho de Humanização (GTH) no atendimento valorizado pelos pacientes. Para ela, a atitude destas famílias traduz o reconhecimento de que a soma do profissionalismo das equipes envolvidas e de todos os serviços oferecidos ao paciente e familiares no decorrer do tratamento ultrapassam os limites dos deveres e direitos preconizados no Sistema Único de Saúde (SUS) e que são cumpridos na instituição. “A dedicação passa pela acolhida diferenciada, desde a entrada pelo Acolhimento com Classificação de Risco aos setores e serviços envolvidos durante a permanência em ambiente hospitalar”, diz ela. Na avaliação de Márcia, acolher é traduzir a terminologia técnica em linguagem acessível ao paciente e familiares. “É o ouvir, respeitando e valorizando as diferenças culturais, econômicas e sociais, e oferecendo serviços de qualidade através de equipe multiprofissional, dos técnicos e serviços de apoio”, resume. Assim como a equipe multiprofissional envolvida no processo de tratamento, a assistente social acredita ser possível

olhar para as diversas áreas da vida do paciente e construir uma linha de atenção e assistência em que a família participa e compartilha a responsabilidade de superação do quadro de saúde. Rosa Maria Soares Domingues, assistente social do pronto atendimento e também integrante do GTH, avalia que diante da dinamicidade das mudanças no processo de produção de saúde, pode-se pensar que o usuário talvez desconheça o que efetivamente tem sido feito para um atendimento de saúde de qualidade. “A Política Nacional de Humanização proporciona além da reflexão da realidade, a indicação de ações, que já deram certo, e que podem ser operacionalizadas para a melhoria da qualidade dos serviços de saúde prestados respeitando as diferentes realidades”, diz ela. No HUM, diversas ações já vem sendo realizadas e são identificadas pelo GTH como ações humanizadoras e presentes nos dispositivos da Política Nacional de Humanização (PNH), como clínica ampliada, cogestão, defesa dos direitos dos usuários, valorização do processo de criação no trabalho e da saúde do trabalhador etc.

Pacientes agradecem com mensagens o atendimento recebido no Hospital Universitário

Fé em Deus e confiança nos

médicos

Em se tratando de saúde, o maior dos esforços nem sempre se reverte nos melhores resultados, o que não impede a gratidão pela dedicação. Este é o sentimento da família de Marcos Antonio de Albuquerque Pereira, de Sarandi, falecido em maio. Paciente do HUM desde o parto, o bebê nasceu com malformações congênitas respiratórias e passou a quase totalidade dos 14 meses de vida na UTI pediátrica do hospital. “O pessoal da UTI foi a família do Marquinho e a minha também”, diz Alice, 38, mãe do bebê. Marcos Antonio chegou a ir para Curitiba, onde seria operado no Hospital Pequeno Príncipe, mas a cirurgia não se realizou. Acompanhante diária do sofrimento do filho, para ela “um guerreiro”, e da dedicação dos profissionais, Alice recorda com carinho a festa de aniversário feita para o bebê em fevereiro na cozinha da UTI, decorada com bexigas azuis e brancas, da qual a irmã mais velha participou. A outros exemplos de cuidado e atenção se seguiram outros de dor, muitos dos quais sentidos pela equipe. “A dor maior não é a morte, é ver o sofrimento e a equipe fazendo tudo o que pode. E graças a Deus todo mundo cuidou muito bem dele.” De acordo com Alice, a enfermeira Mariluci Labegalini era uma das paixões do filho. Profissional há 24 anos, Mariluci diz que nunca conseguiu desvincular a parte humana da científica e afirma que a qualidade da assistência tem relação direta com a humanização. “Deve haver comprometimento com a família, com a criança e com a equipe de apoio. A confiança da mãe é fundamental.” Nas palavras de Mariluci, Alice contribuiu muito com as equipes médica e de enfermagem porque foi inserida no cuidado do filho. “A presença dela na UTI me confortava e me deixava à vontade para cuidar de outras crianças”, diz a enfermeira. Comovida pela faixa de agradecimento colocada pela família, Mariluci enxergou no ato um prova de superação.


8 Semana Ambiental

Universidade traça sua política ambiental Por Ana Paula Machado Velho O mês de junho de 13 foi de grandes notícias em torno do meio ambiente. Durante a IV Semana Ambiental, que marca as comemorações da Semana Mundial do Meio Ambiente, a Universidade mostrou as ações de continuidade do processo de busca pela sustentabilidade. O destaque foi a aprovação da sua Política Ambiental, que foi entregue ao reitor no início do mês de junho. Em linhas gerais, a Semana Ambiental da UEM promove debates sobre os assuntos mais polêmicos em termos ambientais na Universidade. Entre os temas de destaque, em 2013, esteve a discussão sobre A Transposição do Câmpus Sede e a Sustentabilidade da UEM: os efeitos da questão viária envolvendo o câmpus sede e o município, no auditório do Dacese, no dia 7 de junho. Participaram Hélio Silveira (Estação Climatológica), Márcio Rocha (Mobilidade), Celene Tonella (Processo de Transposição) e Marino Elígio Gonçalves (Política Ambiental). Educação – Durante a Semana, a Cauem ainda lançou a segunda etapa do processo de educação ambiental dentro da Campanha de Responsabilidade Socioambiental: Rumo à Sustentabilidade

da UEM. A primeira fase atuou dentro das salas de aula. Agora, a ação vai atuar em outros ambientes da UEM. Foi criado uma mascote, que é personagem de cartazes que vão reproduzir pelo câmpus gestos simples que podem gerar grandes resultados para a comunidade universitária em termos ambientais. Na abertura do evento, foi realizada, também, a entrega do Plano de Manejo do Parque Cinquentenário à prefeitura de Maringá. O Parque é uma Unidade de Conservação Ambiental que foi entregue aos cuidados da Universidade, sob a coordenação da professora do Departamento de Biologia, Ana Lúcia Olivo Rosas, que vem realizando diversas pesquisas científicas no local. Para comentar a importância de todos esses eventos, o Jornal da UEM conversou com o presidente da Comissão Ambiental da UEM (Cauem), professor Marino Elígio, que organizou a Semana em parceria com o Proação Ambiental. Ele lembrou que ninguém questiona a importância das universidades para os destinos da sociedade. Estas instituições formam profissionais que, mais tarde, irão tomar decisões. Estas decisões devem levar em conta a variável social e ambiental, com vistas ao enfrentamento dos grandes problemas que afligem todas as sociedades do

Universidade pode se tornar a primeira primeira universidade pública estadual sustentável

mundo, destando a questão da pobreza e da degradação ambiental. Além de ensinar práticas ambientais aos seus acadêmicos, as universidades devem aplicá-las internamente. E, para isso, é necessário que se tenha estabelecida a sua política ambiental em que são destacados os princípios, os objetivos, as diretrizes e os seus instrumentos com vistas a uma gestão ambiental integral e sistêmica. “Esse processo deve ser encaminhado em conjunto com um forte mecanismo de educação ambiental em que os membros da comunidade universitária possa assimilar a noção de pertencimento em que aquele que se considera pertencente ao ambiente da universidade a sua atitude, por óbvio, deve ser de cuidado e não de destruição. E a prática da transversalidade na qual, o diálogo e o ajuntamento de pessoas e ideias são as principais marcas. Se planeja em conjunto e se executa em conjunto, de modo, a otimizar os esforços dos diversos segmentos que compõem a universidade. Essa é a importância de a UEM criar a sua Política Ambiental”, acrescentou o professor. Histórico – A história da Política Ambiental da UEM teve início com o diálogo promovido por alguns projetos de extensão em conjunto com o Proação da UEM. “O Proação possuía uma

subárea – a ambiental, que não havia se articulado ainda. Então, os segmentos acima começou a se articular, fez vários convites a outros que também possuíam a temática ambiental como foco e assim, deu-se início à preparação da I Semana Ambiental da UEM. Neste evento, se formalizou a criação do ProaçãoAmbiental da UEM e se lançou a Carta Ambiental da UEM. O primeiro item desta Carta foi a necessidade de criação de uma política ambiental para a universidade. Aproveitando o momento de eleição para a reitoria, o Proação-Ambiental apresentou a Carta para os candidatos, sendo que todos eles assumiram o compromisso com a sustentabilidade da UEM”, explicou Marino Elígio. Além disso, a chapa encabeçada pelo professor Julio Santiago Prates Filho saiu vitoriosa na eleição à reitoria e, cumprindo com a palavra dada convocou os membros do Proação-Ambiental, ele deu sinal verde para a criação da Comissão Ambiental da UEM. Esta foi formalizada por intermédio da Portaria n.º 425/2011-GRE, com a missão de discutir e estabelecer a proposta de política ambiental para a universidade. “O trabalho foi concluído e a proposta entregue ao Reitor e ao COU durante a realização da III Semana Ambiental da UEM, em 2012. O processo de aprovação


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O presidente de Cauem, Marino Elígio Gonçalves

da proposta foi encaminhado pelo COU, o qual aprovou a Resolução n.º 020/2013COU, que ainda pende de alguns ajustes”, alerta Elígio. O professor destaca que é importante considerar que os órgãos da UEM estão empenhados em aprovar uma Política Ambiental para ser aplicada. Não existe um órgão que centraliza as ações globais e sistêmicas visando a sustentabilidade. O que se tem são alguns órgãos que executam tarefas relacionadas ao recolhimento do lixo, conservação do campus entre outras, porém, a sustentabilidade envolve tudo isso e muito mais. Ela exige que haja uma mudança de atitudes e de comportamentos visando uma gestão integral e sistêmica em que todos os seus agentes se preocupem e se ativem em implantar medidas voltadas para eficiência energética, reuso e reutilização da água, construções sustentáveis, assegurar áreas de recargas e permeabilização do solo, proteção de espaços considerados importantes para o equilíbrio do ambiente, aquisição de produtos que sejam produzidos em bases sustentáveis e com o respeito à dignidade da pessoa humana, garantir a acessibilidade e mobilidade nos campi, tratar dos efluentes gerados, cultivar a cultura da gentileza e do cuidado, dentre outros elementos que influenciam positivamente para a sustentabilidade. Sustentabilidade – Na base de tudo está a possibilidade de a UEM se transformar na primeira universidade pública estadual sustentável. “Para isso, é necessário o envolvimento de todos os seus agentes, desde o reitor até ao mais humilde de seu servidor, bem

como de todo o seu corpo discente. Difundir a noção de pertencimento e a prática da transversalidade. Dialogar mais, planejar em conjunto e executar em conjunto. Estar aberto para esse importante processo de mudança para o bem da instituição, de Maringá, do Paraná, do Brasil e do Planeta. É a contribuição daqueles que entendem que a UEM é um patrimônio que merece ser cuidado para o bem de todos. Esse legado cabe a todos nós que não nos sujeitamos ao conformismo e exercitamos o nosso protagonismo frente aos desafios da humanidade. Na realidade, a sustentabilidade vê nas universidades o grande líder para liderar esse processo em busca da sustentabilidade”, destaca Marino Elígio. Uma das questões de cruciais da Política Ambeintal da UEM é que a Instituição está no coração da cidade e é preciso que ela se integre com as ações do município para ser ambientalmente correta. “É essa a ideia principal, como frisado acima, é a contribuição da UEM para o bem de toda a sociedade. E tem outro detalhe importante, ao aplicar na prática o que ensina, a UEM se converterá em modelo a ser seguido por outras instituições. Outra questão a ser discutida é quanto a

um dos pontos da Política, que diz que deverá haver “o acesso livre e irrestrito às informações - disponibilizando e compartilhando a toda comunidade as informações das atividades desenvolvidas e os riscos decorrentes e seus resultados”. Como isso vai funcionar? É um dos principais direitos de uma democracia. O direito à informação é direito da cidadania brasileira e todos devem assegurá-lo. A UEM não é diferente e suas ações ou omissões devem ser divulgadas à sociedade para que se possa também exercer o controle social. Afinal, a UEM é uma instituição pública”, sublinha Elígio, que é professor de Direito na Universidade. SIGA – Para dar conta da implantação da Política Ambiental, foi criado o Siga é composto pelo COU, pela Reitoria e Pró-Reitorias e demais unidades acadêmicas e administrativas. Ao COU, como órgão máximo da Instituição caberia, como cabe, definir a política ambiental, logicamente aproveitando-se de sua atual organização através de uma de suas Câmaras (a de Planejamento, por exemplo) para ser o transmissor e receptor dos anseios da Instituição e da Comunidade Universitária. À Reitoria e às Pró-Reitorias, caberiam a tarefa de planejamento, coordenação, supervisão e controle da execução da política determinada pelo COU, com a Assessoria de Planejamento vinculada à Reitoria, “Sobre esse aspecto está em discussão o acréscimo ao nome da referida Assessoria os termos ‘E SUSTENTABILIDADE’, ficando, então, como “Assessoria de Planejamento

e Sustentabilidade”. Isso contribui como mecanismo de autoafirmação da ideiaforça da “sustentabilidade”. E, às Unidades Acadêmicas e Administrativas, como agentes da UEM que são, cabe a missão de executar as atividades, programas, projetos e planos determinados pela Reitoria e Pró-Reitorias em resposta ao COU. Tudo isso em sinergia com o COU, com a Reitoria e Pró-Reitoria, com a Prefeitura do Câmpus, com o Pró-Resíduos, com as Chefias de Departamentos e de Setores, com aqueles que possuem função gratificada ou comissionada, com todos os demais servidores docentes e técnicos e, ainda, com os discentes, os quais, igualmente, pertencem ao ambiente UEM. Portanto, é um sistema o que garante a participação efetiva de TODOS. Isso é importante, porque se não houver o envolvimento de todos, não se tem a mínima possibilidade de êxito de a UEM se transformar em universidade sustentável”, explica Elígio. O docente lembrou, ainda, que já existem várias as ações desenvolvidas por diversos projetos de extensão universitária. Como não se articulam (e a proposta é de ajuntamento) os seus resultados não são divulgados e se tem a impressão de que nada está sendo feito. Com a implantação da Política Ambiental um dos pontos dela é justamente o planejamento e execução conjunta, com a respectiva divulgação dos resultados. “Aí sim as atividades desenvolvidas, não só de educação ambiental, terão maior visibilidade”, finalizou o presidente da Comissão Ambiental.

UEM entrega à Prefeitura de Maringá o Plano Ambiental do Parque Cinquentenário


10 Visita

Professor mostra experiência da Unicamp com dupla diplomação

Por Ana Paula Machado Velho e Flávio Kawakami O conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UEM aprovou um programa de dupla diplomação próprio para a Universidade, em 2012. O processo, agora, está sendo colocado em prática (ver box), o que demanda novos esforços. A dupla diplomação é um programa institucional que permite aos acadêmicos de uma universidade brasileira cursem parte da graduação em outro país ou aos estudantes de outros países estudarem no Brasil, recebendo, ao final do curso, diplomas das duas instituições. De acordo com o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Leandro Russovksi Tessler, o método foi adotado na Unicamp há pouco mais de 10 anos. Desde então, a Universidade foi inserida em um importante contexto internacional, contribuindo no intercâmbio e no desenvolvimento de discentes e

pesquisadores. Para contar os detalhes da experiência prática da Unicamp, Tessler veio à UEM. Ele se reuniu com o reitor Júlio Santiago Prates Filho e com a assessora do Escritório de Cooperação Internacional (ECI), Evanilde Benedito, além de ministrar uma palestra e conceder entrevista à rádio UEM-FM sobre o tema. O professor, que é formado em física, contou que o processo de dupla diplomação nasceu de uma iniciativa de instituições francesas no Brasil no final da década de 90, mas só foi se estabelecer, de verdade, no início dos anos 2000. “Ele consiste em fazer para os alunos brasileiros o início da formação básica aqui no Brasil seguido de uma formação no que eles chamam de ciências do engenheiro na França nas ecoles centrales, que é um conjunto de escolas de engenharia francesa, uma associação de escolas muito fortes lá, e depois eles voltam pro Brasil e fazem o final da formação aqui. Os estudantes franceses

A UEM recebeu a visita do professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Leandro Russovksi Tessler, no mês de maio. A vinda se deu a convite do Escritório de Cooperação Internacional (ECI) da Universidade. Tessler proferiu uma palestra sobre dupla diplomação

fazem o que eles chamam de escolas preparatórias, os dois primeiros anos de formação em matemática e ciência básica depois fazem a formação básica do engenheiro junto com os brasileiros lá na França e depois vem pro Brasil pra fazer essa parte mais específica profissionalizante e no final recebem dois diplomas”, explicou o docente. Os resultados são muito interessantes, na visão do físico. Ele destaca que as vitórias não podem ser medidas só a partir de números de alunos que, por si só, são impressionantes. “Nós já tivemos mais de trezentos estudantes que passaram por esse processo, mas eu acho que um resultado muito importante foi colocar a universidade num contexto internacional, de internacionalização. Alguns problemas internos apareceram. Nossos currículos eram e ainda, em alguma medida, são muito rígidos. Então, precisamos trabalhar no entender o que é um currículo, entender o que significa a formação muito além da sala de aula como é feita na França. Isso possibilitou o ingresso de nossos pesquisadores em

circuitos de pesquisas franceses. Quer dizer, fomos muito além de graduação e estamos realizando projetos de pesquisa em colaboração e isso tem tornado a universidade um lugar muito mais internacional. É maravilhoso ver estudantes franceses estudando na Unicamp junto com os nossos estudantes”, comemora Tessler. Currículo – O professor destaca que todo esse processo exigiu várias mudanças curriculares. Até porque, além da França, a Unicamp tem projetos com a Itália e está em negociação com a Alemanha. Isso forçou uma mudança de visão e teve um impacto muito grande nos próprios estudantes. Vários deles acabam trabalhando em empresas francesas porque conhecem a realidade de formação do engenheiro francês. “Alguns deles aqui no Paraná, que é onde tem empresas francesas grandes. E mais: como eles são selecionados a partir de desempenho acadêmico nos primeiros anos de graduação, eles têm um motivo a mais para se sair muito bem nas disciplinas. Eles se dedicam mais, quer dizer, se tornou um objetivo para muitos estudantes. Ou seja, participar do projeto


11 dá prestígio para os estudantes e, além de tudo, como disse, permite que eles exerçam a profissão de engenheiro na Europa. O que é uma grande vantagem, não é? Mas é preciso dizer que isso é também muito importante para instituição. Foi criado um contexto de internacionalização muito antes de esse termo estar na moda. Estou falando do início dos anos 2000, a internacionalização começou a estar na moda no fim dos anos 2000,” argumentou Tessler. Em relação à questão do domínio da língua estrangeira, que é um dos pré-requisitos para processos como a dupla diplomação, o professor diz que o caminho é fazer com que os estudantes sintam necessidade disso. Ele acredita que um profissional de ponta, formado numa universidade de ponta brasileira precisa ter, no mínimo, domínio de língua inglesa e de preferência de outras línguas, porque o processo de geração do conhecimento e de geração de bens hoje em dia é bastante internacionalizado e o inglês se

tornou a língua franca. Pela experiência dele próprio, mesmo nas empresas francesas se fala inglês correntemente. “Mesmo em várias empresas brasileiras se fala inglês correntemente. Eu vou citar o exemplo do maior produto de exportação industrial brasileiro que são os aviões da Embraer. Uma parte muito pequena é feita pela própria Embraer. Ela é uma grande consolidadora de partes que vêm do mundo inteiro e isso tudo é feito em inglês. Eu sei que o Brasil tem uma deficiência muito grande em ensino básico, em inglês, uma grande parte da nossa população não domina o idioma, mas é um desafio para os estudantes. Uma estratégia que eu acho que as universidades deveriam começar a pensar em adotar é a de oferecer disciplinas da graduação em inglês, tendo ou não estrangeiros presentes. Essa é uma maneira de ensinar inglês específico para as necessidades dos estudantes na prática e a gente já usa muita bibliografia em inglês, pelo menos nas áreas tecnológicas.

Na minha área, eu sou físico, tem conteúdos que só se encontra em inglês. Então, é uma maneira de você aproximar o estudante do universo dele, fazer com

que ele esteja interessado e estar pronto para abrir o seu horizonte”, conclui o professor.

Universidade planeja dupla diplomação O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Estadual de Maringá aprovou o Programa de Dupla Diplomação(PDD). A Resolução 015-CEP, que disciplina a matéria, foi assinada pela vice-reitora Neusa Altoé, no ano passado. A Dupla Diplomação é um Programa Institucional que permite aos acadêmicos da UEM cursarem parte da graduação em outro país ou aos estudantes de outros países estudarem na UEM, recebendo ao final do curso o diploma reconhecido pelas duas instituições. O objetivo principal da medida é a troca de práticas pedagógicas, aproximação de currículos, reconhecimento mútuo de disciplinas e conteúdos curriculares e o intercâmbio discente, possibilitando aos alunos regularmente matriculados em cursos de graduação na UEM e aos de instituições de ensino estrangeiras a obtenção de diploma em ambas as instituições. Para isso, as universidades devem ter um Acordo de Cooperação Ampla e convênio específico para cada curso com critérios aceitos por ambas. O documento aprovado na UEM estabelece os critérios do programa, desde a seleção e condições para aceitação de alunos, até a documentação necessária a ser expedida por cada instituição, o plano de estudos, as responsabilidades e consequências por inadimplência das instituições e dos alunos, além de definir os requisitos e obrigações dos alunos e das instituições conveniadas. Os alunos da UEM, participantes do PDD,

mantêm seu vínculo com a Universidade durante o tempo de permanência na instituição estrangeira. O diploma conferido aos alunos participantes terá em anverso o nome da instituição de ensino superior estrangeira que, juntamente com a UEM, expede o documento e, em seu verso, apostila com a identificação da instituição estrangeira conveniada e do convênio correspondente. A PróReitoria de Ensino da UEM, de comum acordo com o órgão de cooperação internacional e os coordenadores de cursos envolvidos, deve expedir normas complementares para a execução do PDD. Empenho – Para a implantação do programa, os coordenadores dos cursos interessados devem alterar o projeto pedagógico e promover a adequação curricular, que deverá ser analisada e aprovada pelo CEP. E essas adaptações devem estar em consonância com a instituição estrangeira. A assessora do ECI, Evanilde Benedito, comenta que alguns cursos já manifestaram o interesse no PDD na UEM. A Matemática, a Biologia e a Educação Física encaminharam projeto à Capes, atendendo ao edital de Licenciaturas Internacionais e estão aguardando resposta. Caso as propostas sejam aprovadas, estudantes destes cursos terão duplo diploma. Da UEM e da universidade portuguesa parceira escolhida por cada um dos cursos. “Entretanto, outros cursos estão se movimentando também, pois a comunidade têm percebido que é necessário participar de mobilidade internacional, não apenas para fortalecer o currículo individual dos estudantes

de graduação que saem, mas também para gerar um clima de internacionalização entre os demais estudantes que não quiseram ou não puderam sair. Além disso, existem reflexos na pós-graduação. Alguns de nossos estudantes, ao saírem para a mobilidade, trazem novos contatos para docentes e novas parcerias para pesquisa”, explica a assessora. A Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, também já sinalizou seu interesse de uma maior aproximação com a UEM, assim como a Universidade da Carolina do Sul, a Universidade Coimbra, a Universidade de Lille I, Instituto Politécnico de La Salle. Inclusive, há outras possibilidades de convênio como a cotutela na pós-graduação. Para isso, o ECI e uma comissão composta por professores da UEM estão trabalhando numa resolução que garanta esta possibilidade aos estudantes. A coordenadora do ECI diz, no entanto, que para um curso conquistar este status é preciso “empreender esforços significativos. Não é um processo fácil, depende de professores de cada curso, do coordenador de curso e dos alunos. O ECI está à disposição para esclarecimentos e orientações e sempre que estão disponíveis editais específicos para duplo diploma, estamos divulgando. É importante destacar ainda, que nunca recebemos tantos estudantes estrangeiros na UEM. Em julho, estarão chegando 19 estudantes de graduação. E estamos pensando até na possibilidade de oferecermos disciplinas em inglês, a exemplo da UNESP”, completa Ivanilde.


12 Memória

Morre o segundo reitor da UEM Por Ana Paula Machado Velho e Tereza Parizotto* “Maringá está triste e o Paraná também pela morte do reitor da UEM gestão 1974 a 1978, o professor Rodolfo Purpur”. Desta forma, o atual reitor da Universidade, Julio Santiago Prates Filho, abriu a reunião do Conselho Universitário (COU), do dia 10 de junho, na qual anunciou oficialmente luto de três dias e solicitou aos membros do Conselho respeitar um minuto de silêncio. Purpur faleceu no dia oito de junho de 2013, sábado, e foi sepultado no domingo, dia nove, no Cemitério Parque de Maringá.

Segundo o reitor Julio Prates Filho, “certamente a cidade de Cambará, sua terra natal, sente a perda de um de seus mais ilustres filhos. Cidadão Benemérito de Maringá desde 2007, deixa também para nossa cidade o orgulho de considerá-lo Maringaense de coração, posto que praticamente toda sua vida assevera o imenso carinho que nutria por Maringá”. Purpur estava internado desde o último dia 23 no Hospital Paraná, depois de ter sofrido um AVC. Completaria 81 anos em novembro, escreveu sua história com respeito, com dedicação, com engajamento nas maiores

questões, com a força que caracteriza os homens à frente de seu tempo. ACIM - Foi presidente da Associação Comercial e Industrial de Maringá de 1967 a 1968 e compunha até hoje seu escalão superior como Membro Nato. Foi, ainda, o primeiro tesoureiro do Country Club de Maringá, procurador Geral do Estado do Paraná junto ao Tribunal de Contas. Exerceu a função de reitor da Universidade Estadual de Maringá de 1974 a 1978, em uma época de extrema estruturação da educação e da sociedade brasileira, deu ao termo “magnífico” como os reitores são chamados, uma conotação bem mais humana e próxima

de sua história de vida, sempre pautando-se na realização, na construção e na valorização da UEM. Quando assumiu a Reitoria, em outubro de 1974, Purpur deparou-se com a Universidade envolta numa séria crise financeira. Grande parte das dívidas tinha origem na edificação do câmpus, que acabaria por esgotar a capacidade de endividamento da Instituição. Ele procurou fazer coalizões externas com empresários, clubes de serviços e líderes comunitários. O objetivo era sensibilizar o governo sobre a necessidade de verbas para a Universidade. Na reunião do COU, o membro do

Conselho e professor do departamento de História da UEM, Reginaldo Dias, lembrou que, naquela ocasião, Purpur chegou a tomar uma atitude radical de dizer que entregaria a chave da Universidade ao governador, caso ele não resolvesse as questões necessárias ao funcionamento da Instituição. A mobilização das lideranças deu resultado e, em 1975, o Estado assumia as dívidas. Até o final de sua gestão, Purpur buscou mecanismos que proporcionassem o equilíbrio financeiro, preparando a Instituição para um novo momento, o da consolidação da UEM. “Quanto mais eu pesquiso, mais tenho a certeza de que os primeiros administradores desta universidade tiveram muita ousadia. Administrar uma universidade na década de 70 no Paraná era uma tarefa difícil. Só com muita ousadia de conseguia tirar as coisas do papel e transformá-las em realidade. Só homens ousados como Purpur poderiam ter iniciado a trajetória exitosa da UEM, tensionando a legalidade nos momentos em que isso foi necessário”, destacou Dias. Antes do início da reunião do COU, o atual reitor encaminhou uma mensagem à assessoria de comunicação UEM dizendo que, como “titular da disciplina de Direito Financeiro e Tributário, certamente os ensinamentos de Purpur tornaram-se alicerce de diversos juristas pelo Brasil afora. Obrigado Professor Rodolfo Purpur por ser um dos alicerces, um dos pilares da Universidade Estadual de Maringá. Que seu exemplo de vida e sua seriedade em todos os trabalhos desenvolvidos seja um farol para todos nós que compartilhamos sua trajetória”, completou Prates Filho. Para a vice-reitora Neusa Altoé, a morte de Purpur deixa uma lacuna irreparável, pois o ex-reitor é parte da construção desta trajetória de sucesso da UEM, especialmente quanto ao fato de a Universidade ter ajudado, na região, o processo de interiorização e alavancagem do crescimento e do desenvolvimento econômico, social e cultural.  A Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM), presidida por Purpur entre 1966 e 1967, lembrou que, nesse período houve uma ampla mudança na legislação tributária brasileira. O Imposto sobre Vendas e Consignações foi substituído pelo ICMS, gerando muitas dúvidas no empresariado local e demandando a ACIM para prestar

A ousadia de Rodolfo Purpur ajudou a alavancar a UEM, além do crescimento e do desenvolvimento econômico, social e cultural da região esclarecimentos. “A dedicação ao estudo da nova tributação, implantada pelo regime militar, contribuiu para que anos mais tarde Purpur se tornasse professor de Direito Tributário e, depois, reitor da UEM. O filho de Purpur, Gilberto, lembrou que, durante o tempo em que morou em uma casa na Avenida Humaitá, o ex-reitor tinha por hábito pegar as sementes das árvores do pátio e levá-las para o câmpus. Foi ele também que trouxe as construções pré-moldadas para o câmpus durante a gestão, entre 1974 e 1978. “Serviriam por pouco tempo, mas são utilizadas até hoje em alguns blocos”, completa Gilberto. * Com informações da Gazeta Maringá.

Jornal da uem 110 junho 2013  

Jornal da UEM, Maringá, PR, Universidade

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