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Ano XI - nº 109 Abril Assessoria de Comunicação Social ISSN: 2238-5053

História

UEM completa 25 anos de gratuidade Ano Mundial da Estatística

UEM comemora aprovação do mestrado em bioestatísitica

P.3

Infraestrutura

Fazenda da UEM dá apoio a pesquisas sobre leite P.4e5

Saúde

Núcleo de Telemedicina e Telessaúde atenderá mais de 50 municípios P.8e9

Entrevista

Marialva Barbosa: presidente da Intercom P.10e 11

Hialotécnico A arte e a habilidadede um vidreiro

P.12


2 Editorial

ARTE E ATIVISMO

Gratuidade: marco de uma luta pela democracia O ano de 2013 traz à lembrança da comunidade em geral a conquista da gratuidade no ensino superior público paranaense, pois são comemorados 25 anos em que a cobrança deixou de ser feita, inicialmente, em três universidades estaduais, incluindo a UEM. Mais que uma conquista pelo acesso gratuito ao ensino superior, o fim desta cobrança representa, na perspectiva de alguns entrevistados nesta edição, um avanço da luta da sociedade pelos seus direitos, reafirmando o caminho da democracia. O Jornal da UEM destaca, numa reportagem especial, a análise sobre os 25 anos de gratuidade, fazendo uma retrospectiva dos fatos que culminaram na conquista. Cabe comemoração também o fato de o hospital universitário estar estruturando o Núcleo de Telemedicina e Telessaúde da UEM. Um feito importante e necessário, porque o Nutele dará apoio a dezenas de municípios da região no fortalecimento da atenção primária em saúde, conforme mostra reportagem também desta edição. Na área de pesquisa, a UEM, reconhecida por sua excelência neste quesito, dá mais um passo na direção da busca da qualidade do leite. Com a inauguração do Centro Mesorregional de Excelência em Tecnologia do Leite, na Fazenda Experimental, em Iguatemi, a ideia é reunir esforços de equipes de pesquisadores, extensionistas e acadêmicos de pós-graduação e de graduação. O objetivo esperado é que sejam produzidos melhores resultados em atividades organizadas de pesquisa, desenvolvimento e inovação, além da assistência direta e indireta aos produtores de leite. Ainda no campo da pesquisa, desta vez na área das Ciências Humanas, a presidente do Congresso de Ciências da Comunicação (Intercom), Marialva Barbosa, ao ministrar a aula magna para o curso de Comunicação e Multimeios, falou, entre outras coisas, sobre o papel do professor de jornalismo na atualidade. Por falar em papel, o lugar do profissional de estatística está cada vez mais em evidência, conforme atesta um artigo para marcar a passagem, em 2013, do Ano Internacional da Estatística, que está sendo comemorado também pela UEM. E em meio à pesquisa, ao ensino e à extensão, a Universidade, com suas atividades administrativas diárias, ainda preserva alguns trabalhos dignos de admiração, pela meticulosidade e pela paciência de quem os exerce, como é o caso dos vidreiros. Reportagem retrata a arte dos hialotécnicos, atuantes na vidraria da UEM, um laboratório ligado a Diretoria de Serviços Industriais (DSI), da Prefeitura do Câmpus. Boa leitura!

Paulo Pupim

Exposição redescobre o povo indígena Uma ação de extensão está chamando a atenção da comunidade no teatro Calil Haddad. É a exposição Descobertas, que conta com a participação da professora do curso de Artes Visuais da UEM, Sheilla Souza. A mostra é realizada em parceira com artistas Kaingang e os maringaenses Tabajara Marques e Tadeu dos Santos. Faz parte do grupo, também, uma equipe de colaboradores da Associação Indigenista – Assindi/Maringá, além de estudantes indígenas e do curso de Artes Visuais da UEM. A exposição apresenta vestidos feitos por mulheres Kaingang, peças de arte indígena, fotografias e vídeo. As obras fazem parte de uma instalação na qual a questão da invisibilidade do povo indígena na cidade é apresentada como uma espécie de descobrimento ao contrário. O nome Descobertas faz referência a dois aspectos importantes relacionados aos índios do Brasil: o encontro intercultural com outros povos, instaurado no contato com os europeus, e a situação de vulnerabilidade dos indígenas após esse encontro. “A presença Kaingang, se apresenta nos vestidos, no artesanato e nas

expediente

Assessor de Comunicação Social

Reitor: Júlio Santiago Prates Filho Vice-reitora: Neusa Altoé Assessor de Comunicação Social: Paulo Pupim Jornalista responsável e editora: Ana Paula Machado Velho (Reg. Prof. 16.314/RJ) Coordenadora de Imprensa: Tereza Parizotto Reportagem: Ana Paula Machado Velho, Rose Koyashiki, Tereza Parizotto, Murilo Benites Fotografia: Antonio C.Locatelli, Heitor Marcon Colaboradores: Sueli Nascimento Silva e Marcelo Galdioli

ISSN: 2238-5053 Diagramação e Impressão: Grafinorte

Coordenadoria de Imprensa

Avenida Colombo, 5.790 - Bloco Q-03 - Sala 7 Telefone: (44) 3011-4213 Site: www.asc.uem.br E-mail: sec-cim@uem.br

vozes de índias conversando. A conversa é comum, ouvem-se risos e vozes de crianças. Cria-se assim um ambiente do cotidiano Kaingang, no qual a leveza, o humor e a fala discreta, compõem a sutil presença dos índios nas cidades brasileiras. A sutileza mistura-se à questão da invisibilidade e da indiferença de grande parte da população em relação aos povos indígenas. Dessa questão deriva a ausência dos rostos junto aos corpos vestidos: a cidade não sabe quem são, mal sabe de onde vêm e ignora sua importância e necessidades”, explica Sheilla Souza. Peças - Os 13 vestidos foram feitos por índias Kaingang, da Terra indígena Ivaí, próxima à cidade de Manoel Ribas (PR). Segundo Jaciele Nyg Kuitá, estudante universitária Kaingang, as peças começaram a ser feitas por indicação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão anterior à FUNAI, criado em 1910. A exposição fica até 6 de maio no Calil Haddad e “pode contribuir para a reflexão sobre os acontecimentos recentes ligados à questão indígena no Brasil, sobretudo para pensarmos melhor como temos (ou não) nos relacionado com os povos indígenas da região”, destaca a professora Sheilla.


3 Ano Mundial da Estatística

UEM comemora aprovação do mestrado em bioestatísitica A mídia vem publicando constantemente reportagens destacando a estatística como a profissão do futuro. Mas sabe-se que é também uma das profissões de maior destaque no mercado atual. Afinal, a sociedade contemporânea vive em torno da interpretação de dados de todas as áreas, como aponta a professora, Isolde Previdelli, que está comemorando, junto com os integrantes do Departamento de Estatística da UEM, o Ano Internacional da Estatística e, ainda, a autorização da CAPES para a implantação do curso de Mestrado em Bioestatística. O artigo abaixo foi escrito por Gauss M. Cordeiro. Ele, que PhD em Estatística pela University of London, ex-presidente da Associação Brasileira de Estatística e professor titular da UFPE, relata as curiosidades e os motivos que levam a estatística a estar em destaque. “Os principais conceitos da Estatística surgiram por conta de problemas reais. O princípio dos mínimos quadrados surgiu devido à análise de dados de astronomia e ao problema de se determinar a distância entre as cidades de Berlin e Koln, na Alemanha. Os testes de hipóteses surgiram da necessidade de saber se os planetas descreviam órbitas distribuídas aleatoriamente. O problema de determinação da população da França deu origem aos estimadores de razão. Os conceitos de regressão e correlação foram desenvolvidos com estudos desenvolvidos por Francis Galton sobre a hereditariedade genética. O famoso teste t de Student foi decorrente da tentativa de melhorar a qualidade da cerveja. A análise de variância (proposta por Fisher) decorreu do problema de verificar se havia interação significativa entre as diversas variedades de batatas e fertilizantes. O planejamento de experimentos originou-se do problema de melhoramento de técnicas agrícolas. E por aí vai. O método Newtoniano foi muito importante para desenvolver (por Adam Smith) os fundamentos da Economia como ciência. Ele tornou a Economia compreensível e sistemática a partir de leis gerais análogas às leis gerais dos movimentos dos corpos da Física, elaboradas por Sir Isaac Newton. O seu livro A Riqueza das Nações, publicado em 1776, pode ser considerado como a origem do estudo da Economia. Curiosamente, no ano seguinte, em

1777, Daniel Bernoulli usa um princípio científico para estimar o parâmetro de uma distribuição a partir de pressupostos científicos básicos à semelhança do método Newtoniano. A Estatística (segundo Rao, um dos maiores estatísticos do século XX) pode ser definida por uma soma algébrica de três componentes: Estatística = Ciência + Tecnologia + Arte. A computação é essencial para a pesquisa moderna em Estatística e para a colaboração em grande escala em várias áreas tais como: biologia, medicina, ciências sociais, economia e finanças. A pesquisa moderna em Estatística e a prática estão intimamente relacionadas à computação. Com a informatização da sociedade, a Estatística alcançou níveis nunca antes sonhados. Há cerca de 30 anos, sem os recursos da informática existentes hoje, fazia-se estatística por interesses acadêmicos (pesquisa e ensino), para aplicações a grandes áreas bem definidas (biologia, censo demográfico, economia, gestão governamental, medicina e tecnologia) ou por diletantismo. Nos dias atuais, com o auxílio sempre crescente da informática, as aplicações da estatística se estendem praticamente a todas as áreas e subáreas do conhecimento. Muitas das decisões do dia-a-dia se resumem a problemas de cunho puramente estatístico. Tenho firme convicção que a Estatística está se tornando um grande atrativo para quase todas as áreas do conhecimento. Nos seus primórdios, a Estatística foi chamada de Aritmética Política.

Com a informatização da sociedade, as aplicações da Estatística atingiram níveis nunca antes sonhados. Para os profissionais da área econômica, social e de saúde, o uso da Estatística é imprescindível para compreender e tirar conclusões das pesquisas nessas áreas. Acredito que estamos pari passu no

País com a física, química, matemática, informática, economia e algumas engenharias, em termos de qualidade da pesquisa desenvolvida, perdendo tão somente em quantidade pelo simples fato do nosso capital humano ser ainda inferior ao destas outras áreas.”

UEM investe no stricto sensu O mestrado em Bioestatística da UEM será o primeiro do Brasil e, em particular, da região Sul, onde existe uma grande carência de formação de profissionais com conhecimento na área de metodologia estatística. O foco é capacitar profissionais na aplicação das principais ferramentas estatísticas, para análise e interpretação de dados, auxiliando na tomada de decisão em suas pesquisas, bem como ministrar disciplinas de estatística em cursos de graduação e pós-graduação. “De uma forma geral, o Programa de Mestrado em Bioestatística destina-se a todos os que tenham concluído um curso de nível superior nas áreas afins e que estejam interessados em aprofundar seus conhecimentos na área de Estatística”, explica a coordenadora Isolde Previdelli. Além disto, este Mestrado constitui-se numa oportunidade ímpar de pesquisa para os professores dos departamentos de Estatística, Medicina, Enfermagem, Fármacia, Biológicas entre outros.

SERVIÇO: Mestrado em Bioestatística da UEM

Inscrições: a partir de junho de 2013 Seleção: Curso de inverno em julho 2013 - nivelamento Início das aulas: 1 de agosto de 2013 Mais informações: www.bioestatistica.uem.br


4 Infraestrutura

Fazenda dá apoio a pesquisas sobre leite A UEM foi contemplada com recursos para colocar em funcionamento um dos oito Centros Mesorregionais de Excelência em Tecnologia do Leite instalados no Paraná. Os recursos são originários do Finep e Fundo Paraná, com contrapartida da UEM. Por Ana Paula Machado Velho A Fazenda Experimental de Iguatemi (FEI) conta com uma nova estrutura: o Centro Mesorregional de Excelência em Tecnologia do Leite (Bloco Z-108). Na edificação, de 476,42 m², funcionará um Laboratório de Análises de Leite, um Laboratório de Análise de Nutrição e Forragem para vaca leiteira, e um auditório para 80 pessoas, além de estufas, banheiros e copa. O custo final da obra ficou em R$ 385 mil, e o restante dos recursos de R$ 1,8 milhão foram utilizados para cobrir gastos com aquisição de equipamentos. Segundo o professor do Departamento de Zootecnia (DZO) e coordenador do Núcleo Pluridisciplinar de Pesquisa e Estudo da Cadeia Produtiva do Leite (Nupel), Geraldo Tadeu dos Santos, o objetivo do Centro é articular esforços de equipes de pesquisadores, extensionistas e acadêmicos de pós-graduação e de graduação, para produzirem mais e melhores resultados em atividades organizadas de pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de prestar assistência direta e indireta aos produtores de leite. Tadeu ainda ressaltou que a inauguração

do Centro coroa os esforços e bons resultados conquistados pelos membros do DZO e Programa de Pós-Graduação em Zootecnia (PPZ) da UEM. Durante a inauguração, o reitor da UEM, Julio Santiago Prates Filho, agradeceu o empenho e compromisso com o ensino superior por parte da Seti, que soube enxergar a produção do conhecimento como uma maneira de alavancar o potencial econômico do Paraná e gerar bem-estar para a sociedade. O secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Alípio Santos Leal Neto, foi enfático ao dizer que os investimentos feitos na UEM pela Seti são resultado do grande esforço e determinação que a Universidade vem demonstrando em continuar crescendo. O secretário ainda ressaltou que o governo tem a obrigação de aproximar a academia do setor produtivo, para que ambos trabalhem juntos em prol do desenvolvimento. Cenário – O Estado do Paraná é o terceiro maior produtor de leite do país, com uma produção de 3,8 bilhões de litros, em 2011, o que corresponde a 11,8% do total. À frente estão os estados de Minas Gerais com 27,2% e Rio Grande

do Sul com 12,1% do total produzido no Brasil (Pesquisa Trimestral do Leite - IBGE, 2011). O Centro Mesoregional de Excelência em Tecnologia do Leite da região Noroeste tem atuação direta nas seguintes regiões: Região do Noroeste paranaense e Norte Central Paranaense, e indiretamente com as regiões Oeste e Sudoeste Paranaense por meio de seus parceiros, a UNIOESTE, algumas prefeituras e IAPAR. Somando estas regiões elas representaram em 2011, 2,386 bilhões de litros de leite, participando com uma fatia de produção equivalente a 62,72% da produção paranaense. O valor bruto da produção (VBP) de leite destas quatro regiões foi de R$ 1.816,3 milhões, o que representou 61,6% do VBP. Segundo Tadeu, os produtores da região Norte e Noroeste do Paraná estão entre os menos tecnificados do Estado, nos quesitos sistemas de produção de leite, qualidade do leite, utilização de recursos forrageiros e produtividade das vacas. “A causa de tudo isto, é bem provável que seja em função do preço pago pelo litro de leite que não considera, na maioria das vezes, a qualidade e prioriza apenas a quantidade de leite

produzido. Outra explicação possível é o fato que menos de 10% dos produtores moram nas propriedades e a mão-deobra contratada para esta operação não detém os conhecimentos necessários para a produção de leite com qualidade. Portanto, são os que mais necessitam de assistência técnicas por parte do Serviço Extensão Rural oficial do Estado e das Universidades e Centros de Pesquisa”, disse o professor da UEM. A produtividade média do Estado do Paraná é por volta de 2.400 litros/vaca - lactação/ano, terceira maior média do país. A produtividade anual das vacas, das regiões Norte e Noroeste, estão abaixo de 2.000 litros. Os produtores de leite das regiões Oeste e Sudoeste Paranaense encontram-se um pouco mais tecnificados, pois são mais receptivos a inovação tecnológica. No Sistema Agroindustrial (SAI) do leite, o Centro de Ciências Agrárias – CCA/ UEM desenvolve pesquisas, extensão e desenvolvimento tecnológico para todos os agentes, sendo estes: produtores rurais, indústria e varejo. Além disso, como resultado de pesquisas há um conjunto de informações que podem subsidiar o desenvolvimento de políticas públicas e estratégias para incremento


5 de competitividade de seus agentes. As atividades do Centro Mesorregional do leite contribuirão de maneira efetiva para a ampliação de pesquisas e a inserção da Universidade na comunidade, seja diretamente com produtores rurais e seus representantes quanto da indústria e consumidores finais que poderão ser beneficiados direta e indiretamente com os resultados alcançados pela equipe de trabalho. O SAI trabalha sobre três eixos. Controla a qualidade do leite, trabalhando para a melhoria na composição da gordura do leite, com redução dos ácidos graxos saturados e aumento dos ácidos graxos poli-insaturados (bom para a saúde do consumidor), incorporação de antioxidantes naturais no leite para proteção dos ácidos graxos poli-insaturados, maior tempo de prateleira dos produtos lácteos. Outra linha de pesquisa no manejo da qualidade do leite é a diminuição dos possíveis contaminantes no leite, como micotoxinas, resíduos de pesticidas, vermicidas, carrapaticidas, antibióticos, iodo etc. Pesquisas são direcionadas para gerar informações práticas aos produtores de leite, que são repassadas por meio de cursos, cartilhas informativas, simpósios, dias de campo e visitas as propriedades. Ainda no manejo da qualidade do leite temos atuado na diminuição da contagem de células somáticas (CCS) e diminuição da contaminação bacteriana total (CBT), e melhoria na composição do leite, principalmente, proteína e gordura do leite. A produção animal é outra área de ação, na qual estão sendo conduzidos trabalhos de pesquisas na identificação dos sistemas de produção de leite (SPL) onde o grupo atua diretamente junto ao produtor e são feitas muitos trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses dos nossos alunos da graduação e pósgraduação. São desenvolvidos trabalhos com forrageiras e manejo de pastagens visando aumentar a produtividade de Sistemas de Produção de Leite a pasto. Também são conduzidos trabalhos na área de conservação de forragens, principalmente, com silagens e feno. Outra atividade ligada à extensão é a orientação aos produtores quanto à escolha das raças e cruzamentos para a produção de leite, manejo e criação de bezerras e novilhas. Manejo alimentar das vacas em lactação (balanceamento de dietas), manejo alimentar das demais categorias de animais do SPL. Existem ainda iniciativas que dão foco às relações entre agentes e destes com questões legais e de mercado. “De

maneira mais específica, duas pesquisas estão em andamento: à primeira tem como foco o fortalecimento da atividade leiteira e de suas relações com a indústria e com o mercado, por meio de certificação socioambiental de propriedades leiteiras, contribuindo assim, para a maior competitividade de todo o SAI do leite. A segunda tem por objetivo a identificação de formas associativas ou parecerias entre agentes, a exemplo das redes de negócios no SAI do leite, para que propostas de melhoria

ou desenvolvimento de novas relações possam ser feitas em direção à maior competitividade deste SAI”, explica Tadeu. Pessoal – A equipe de professores do Centro de Ciências Agrárias que está diretamente vinculado ao Centro Mesoregional do Leite oferece apoio aos cursos de graduação em Zootecnia, Agronomia, Engenharia de Alimentos e Pós-graduação em Zootecnia (mestrado, doutorado e pós-doutorado) desta Universidade. Também realiza treinamento de retireiros, produtores de leite, visita as Unidades de Produção de Leite das regiões Norte Central, Noroeste, Oeste e Sudoeste (estas duas últimas regiões, em parceria com professores e alunos do Curso de Zootecnia da UNIOESTE de Marechal Candido Rondon). O Centro ainda traz contribuições significativas para a Fazenda Experimental de Iguatemi. Com este projeto além de infraestrutura física e laboratorial, as atividades fins da Fazenda Experimental de Iguatemi serão incrementadas. Ou seja, um novo panorama para pesquisa, desenvolvimento tecnológico na área do

leite e atividades de extensão é aberto. “Todavia, a UEM precisa URGENTEMENTE resolver o problema de falta de energia elétrica para que o Centro Mesorregional de Excelência em Tecnologia do Leite e os demais Setores da FEI para que eles possam funcionar adequadamente. Do contrário, colocamos em riscos o funcionamento dos equipamentos. E mais: espera-se, a curto e médio prazos, que tenhamos a contratação de técnicos, ajudante de zeladoria e administrativo, em contrapartida ao que foi investido na

estruturação do Centro Mesorregional de Excelência em Tecnologia do Leite. Atualmente toda a limpeza do prédio tem sido feita por estudantes e professores que fazem um mutirão meio dia por semana para esta finalidade. Nestas condições, não temos como iniciar nossas atividades de abertura da estrutura do Centro Mesorregional de Excelência em Tecnologia do Leite na FEI para cursos e demais atividades destinadas a atender produtores e técnicos da extensão rural”, completa o coordenador do Centro.

A inauguração do Centro mobilizou autoridades e pesquisadores

A estrutura do Centro em Tecnologia do Leite O Centro conta com uma estrutura própria, edificado na Fazenda Experimental de Iguatemi-FEI. Possui um anfiteatro mobiliado para 80 lugares, uma sala de treinamento/ curso de 40 lugares, dois laboratórios (Análise da Qualidade do leite e Análise de Alimentos), sala de estufas e muflas, hall de entrada para dar suporte ao anfiteatro, Escritório e Copa (apoio). Grupo de pesquisadores do CCA que atuam no Centro: Prof. Dr. Geraldo Tadeu dos Santos – Coordenador Geral; Prof. Dr. Ulysses Cecato – Vice-Coordenador; Prof. Dr. Júlio César Damasceno; Prof. Dr. Ferenc Istvan Bánkuti Prof. Dr. Antonio Ferriani Branco Prof. Dr. Clóves Cabreira Jobim Profa. Dra. Lúcia Maria Zeoula Profa. Dra. Claudete Regina Alcalde Profa. Dra. Magali Soares dos Santos Pozza. Atuam também na área de pesquisa professores dos Cursos de Agronomia, de Engenharia de Alimentos e de Química da UEM. Um grupo de alunos de Graduação (Bolsistas de iniciação Científica, Trabalho de Conclusão de Curso), Mestrado, Doutorado, Pós Doutoramento.


6 História

UEM completa 25 anos de gratuidade Para Valério Arcary, a gratuidade do Ensino Superior garante, principalmente, maior acessibilidade

contundência, merece destaque o movimento de ocupação da reitoria, realizado em agosto de 1984, que foi orientado por essa pauta de reivindicações”, lembra.

Por Murilo Benites

Na Calourada deste ano da Universidade Estadual de Maringá, realizada em março, a principal atividade planejada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) foi uma aula magna, ministrada pelo professor Valério Arcary, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). Na ocasião, o pesquisador debateu com os estudantes as questões da gratuidade do sistema educacional superior público no Brasil. A discussão proposta pelo DCE não foi por acaso, já que, em 2013, a UEM completa 25 anos de gratuidade de ensino. Criada em 1969, quando Maringá tinha apenas 22 anos de fundação e 18 de emancipação política, a Universidade nasceu como um projeto da União, que visava

subsidiar os interesses do Estado no desenvolvimento regional, por meio de uma reforma universitária baseada na ampliação do ensino pago, fazendo com que instituições públicas cobrassem mensalidades para gerar parte de seus financiamentos. A partir da segunda metade da década de 1970, passou a surgir uma série de movimentos em prol do ensino gratuito. As lutas duraram anos, mas acabaram culminando em uma lei, assinada, em 1987, pelo então governador Álvaro Dias, que estabeleceu a gratuidade, a partir de 1988. Todo o processo é contado com riqueza de detalhes no livro Uma Universidade de Ponta Cabeça, escrito pelo professor do Departamento de História (DHI) da UEM, Reginaldo Benedito Dias. O autor foi acadêmico do curso de História da Universidade e membro da Coordenação Geral do DCE em 1985, além de ter participado diretamente, de 1983 a meados de 1987, dos

movimentos que culminaram na conquista da gratuidade do ensino. O professor atribui a conquista da gratuidade a um acúmulo de lutas das três categorias da comunidade universitária: estudantes, docentes e servidores técnicos. De acordo com Dias, os movimentos “articulavam reivindicações setoriais e conjunturais com a bandeira da universidade pública, democrática e gratuita.” Ao longo do período, “estudantes combatiam o aumento dos preços do Restaurante Universitário e das anuidades e hasteavam a bandeira da gratuidade. Docentes e servidores reivindicavam salários e condições de trabalho no contexto do projeto da universidade pública, democrática e gratuita”, relata. Dias destaca que os estudantes tinham uma pauta ainda mais ligada ao tema, uma vez que eram diretamente afetados pelas cobranças de mensalidades. “Até mesmo por sua

Para Valério Arcary, as movimentações ocorridas na UEM em prol da gratuidade do ensino ocorreram em consonância com uma tendência nacional da época. “Embora seja correto afirmar o papel do movimento estudantil, seria injusto esquecer outros protagonistas do processo da luta pela expansão do ensino superior público e gratuito no Brasil. Era uma demanda, em primeiro lugar, de todos os setores médios, das classes médias, dos setores mais elevados da classe operária. Do final dos anos 1960 até o final da década de 1980, o ensino superior no Brasil foi um importante fator de mobilidade social no Brasil”, explica. No âmbito da UEM, segundo Reginaldo Dias, o conjunto de movimentos permitiu o amadurecimento da consciência política e contribuiu para a democratização da Universidade. “Foram disseminadas eleições para chefes de departamento, colegiados de curso, diretores de centro e reitor. Em 1986, na primeira eleição direta para reitor, ela própria uma demonstração do avanço da democratização, o grande debate era a questão da gratuidade, sinal de que a pauta sedimentada pelos movimentos havia frutificado. A chapa vitoriosa, apoiada explicitamente pelas entidades, assumiu o compromisso de adotar medidas concretas em favor da gratuidade.” Reflexos – De acordo com Dias,


7 do período da criação da UEM até 1987, o ensino pago restringia a dimensão pública da Universidade. “Com a introdução da gratuidade do ensino, houve ampliação de sua natureza pública e de seu caráter democrático. Essa mudança, salvo melhor juízo, pode ser definida como uma refundação, visto que se tornou um valor para a universidade, espécie de bússola para o conjunto de suas políticas”, defende. O professor ainda reitera que a gratuidade foi uma medida de democratização ao acesso da universidade. “Embora ainda haja um funil para chegar à universidade, pelo menos a barreira do pagamento das mensalidades foi eliminada. Desse ponto de vista, houve democratização do acesso. Isso implicou uma reorientação global das políticas. Na época do regime de fundação, havia um persistente debate para que a universidade vendesse serviços para se sustentar. Garantindo financiamento público, a mudança consolidou sua dimensão pública.” Para o graduando em Economia e representante da atual gestão do DCE da UEM no Conselho Administrativo (CAD) da Universidade, Rafael Crozatti, por trás da gratuidade do ensino mora um modelo de universidade, somente possível na UEM, após a lei assinada por Álvaro Dias. Segundo o estudante, a ação não apenas representou um marco administrativo, mas também o advento de uma transformação na natureza da Universidade.

Segundo Valério Arcary, a gratuidade do Ensino Superior garante, principalmente, maior acessibilidade. “Se nós tivermos mais vagas nas universidades, aumentam as chances dos jovens estarem motivados para continuar estudando sem precisar entrar imediatamente no mercado de trabalho e abandonar os estudos. Assim, a chance de que a próxima geração de brasileiros tenha mais instrução qualitativamente mais elevada que a de seus pais aumenta”, defende.

De acordo com Crozatti, “as universidades públicas, e a UEM, com grande destaque, pela natureza de sua manutenção e financiamento, dialogam constantemente com a sociedade, colocam-se à disposição da população, rastreando suas necessidades, contribuindo com suas resoluções, ou seja, sendo efetivamente pública. A UEM, no nosso caso, deve e existe para a sociedade, em cima de uma lógica coletiva e universal. Se, pelo contrário, não fosse pública, teria que atender a outras demandas, em particular, às da lógica econômica, restritiva e individual. Devemos sempre pensar a educação como um bem público, que por sua própria definição e características, constitui um bom exemplo de externalidades positivas, pois envolve um transbordamento dos seus benefícios.”

Rafael Crozatti argumenta que a gratuidade democratiza o acesso, mas que ela isolada não é suficiente, talvez, segundo ele, por não ser esse o seu real instrumento. “Precisamos de investimento na educação básica, na valorização e constante formação dos nossos professores, na estrutura dos colégios e no apoio e acompanhamento pedagógico dos estudantes. Precisamos, de fato, conceder oportunidade de todos terem acesso e oportunidade de permanecer no Ensino Superior”. Contraponto – O professor do Departamento de Economia (DCO) da UEM, Joílson Dias, acredita ainda ser necessário tornar mais eficiente o acesso à educação em nível superior, reduzindo custos para que esse acesso aumente e o retorno individual e social sejam maiores. Joílson Dias defende o acesso à

educação superior segundo o modelo adotado por países como Estados Unidos, Canadá e Suíça. “O país com um dos maiores acesso à educação em nível superior é os EUA, que produz profissionais e cientistas de elevada qualidade e domina a produção científica na grande maioria das áreas da ciência”, justifica. O professor considera que, nos EUA, com menos impostos, as pessoas guardam verba para custearem a educação dos filhos na universidade. Segundo Dias, naquele país as pessoas com poucos recursos possuem acesso a bolsas de estudos das mais variadas formas, inclusive por cotas. “Defendo o sistema no qual o aluno recebe a bolsa de estudos, escolhe a universidade que deseja estudar, e esta recebe os valores correspondentes à frequência do aluno. O mecanismo ajuda as instituições a se tornarem mais eficientes e os alunos mais responsáveis, pois reprovações e faltas podem acarretar até em perda da bolsa.”. Segundo Joílson Dias, “os alunos sem bolsa que desejassem cursar o ensino superior poderiam ter a opção de se matricular, e o governo permitiria efetuar desconto parcial deste pagamento no imposto de renda. Assim, esses alunos também receberiam subsídio, mas de forma limitada aos ganhos da família.”. Ainda de acordo com Joílson Dias, caso fosse tomada no Brasil, a medida faria

com que se reduzisse o custo para a sociedade. “A universidade não dependeria da administração do governo para fazer investimentos, contratação e substituição de funcionários e professores, gastos de consumo... Considero o melhor e mais eficiente sistema de acesso à universidade, pois permite que um número maior de pessoas se beneficie, a custo social menor”. Segundo o professor, o governo teria o direito de questionar a qualidade do serviço oferecido e poderia impor regras mais rígidas quanto à qualificação do corpo docente, além de exigir melhorias, caso necessárias. Para o professor, outro benefício deste sistema seria que o governo deixaria de se preocupar com a administração das universidades, o que reduziria a burocracia administrativa e, por extensão, o custo social. “Esta seria gerida por seus conselhos comunitários e, portanto, administraria seus recursos de forma mais eficiente. Um benefício adicional é que o governo poderia estimular a formação de determinadas áreas que considerasse estratégicas, com a oferta de mais bolsas de estudos vinculadas a elas. A resposta e agilidade do setor das universidades sem fins lucrativos e privadas determinariam a eficiência do sistema”, defende.


8 Saúde

Núcleo de Telemedicina e Telessaúde atenderá mais de 50 municípios Serviço dará retaguarda para as localidades que ainda não estruturaram as equipes de saúde da família de maneira completa

Por Juliana Daibert O Núcleo de Telemedicina e Telessaúde (Nutele) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) está em fase de implantação no Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM). Ligado ao Programa Telessaúde Brasil Redes e ao Programa Telessaúde Paraná Redes, que visam ao fortalecimento da atenção primária em saúde, o Nutele vai atender a macrorregião noroeste do Estado. Formada por 115 municípios agrupados em cinco regionais de saúde (11º, 12º, 13º, 14º e 15º), a macrorregião tem população estimada em 1.722.682 habitantes. Além de Maringá, o Paraná Redes tem núcleos em Cascavel (Universidade Estadual de Cascavel – Unioeste), Curitiba (Universidade Federal do Paraná – UFPR) e Londrina (Universidade Estadual de Londrina – UEL).

Para fortalecer a atenção básica, o Telessaúde tem nas equipes de Saúde da Família como a principal estratégia de reorientação das práticas e da organização dos serviços com ações de melhoria do cuidado e das necessidades de saúde, hoje em dia fortemente caracterizados por doenças não transmissíveis e agravos por causas externas. As 1.796 equipes do PSF existentes no Paraná cobrem 55,23% da população do Estado. Neste cenário, os núcleos de telemedicina farão a retaguarda para os municípios que ainda não estruturaram as equipes de saúde da família de maneira completa, oferecendo, na primeira etapa do programa aos municípios com conectividade e que aderirem ao programa, atividades de teleconsultoria, segunda opinião formativa e educação permanente. Num segundo momento, os núcleos farão telediagnóstico. Nutele – Paulo Roberto Donadio,

professor do departamento de Medicina da UEM, é o coordenador do Nutele, cuja equipe executora é integrada também por Adaelson Alves da Silva (HUM), Daniela Cristina D’Arce Mota (DPI), Gisleine Cavalcante da Silva (DFF), Herbert Leopoldo de Freitas Góes (DEN), José Roberto de Lima Garcia (HUM), Magda Lúcia Félix de Oliveira (HUM), Márcia Arrias Wingeter (DMD), Mirian Marubayashi Hidalgo (DOD) e Tiago Luciano de Carvalho Mota (HUM). De acordo com Donadio, um dos passos mais importantes para a implantação do Nutele no HUM foi a consolidação do hospital na Rede Universitária de Telemedicina (RUTE), homologada em 19 de outubro de 2012 e inaugurada oficialmente em 15 de fevereiro deste ano. Desde a inauguração, a RUTE tem-se mostrado um poderoso instrumento a favor do núcleo, com atividades semanais que

envolvem docentes e alunos em grupos de interesse social (SIGs) de diferentes áreas clínicas (veja box). Os cursos de capacitação a distância e as atividades de teleconsultoria e telediagnóstico também serão feitas por meio da RUTE. “A Rede de Telemedicina Universitária é uma ferramenta imprescindível para o bom desempenho do Nutele”, afirma o coordenador. Do outro lado, é preciso que os municípios façam a adesão ao programa de telemedicina para que as ações propostas nos programas estadual e federal se concretizem. Norico Misuta, da 15º Regional de Saúde, explica que a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) está em fase de levantamento dos municípios que têm conectividade suficiente para suportar as atividades on-line, mas ainda não há prazo para a conclusão desta fase. Segundo Norico, a previsão é de que as informações de saúde via internet alcancem pelo menos metade dos municípios da macrorregião. Em nível estadual, a expectativa é de que neste primeiro ano, a cobertura do Telessaúde seja de 40%. Além de conectividade e da existência de equipes do Programa Saúde da Família (PSF), os municípios precisam de equipamentos, que, de acordo com a parceria firmada com a Sesa, serão encaminhados pelo governo estadual. São eles: microcomputador, impressora a laser colorida, estabilizador, webcam, caixa de som, microfone, modem, roteador wireless, tele-eletrocardiógrafos, câmera intra oral, câmera digital e servidor rack. Conforme o cronograma estabelecido para o programa, a partir de julho começam as teleconsultorias assíncronas (por e-mail) e síncronas (on-line). No primeiro semestre deverão ocorrer a aquisição dos equipamentos, a contratação de pessoal dos núcleos e os treinamentos de pessoal de núcleo e das equipes para o telessaúde. Donadio também espera que o Nutele seja capaz de fornecer telediagnóstico a partir do segundo semestre. Segundo ele, para que este serviço entre no ar adequadamente é preciso que os médicos de cada área se proponham a participar do núcleo para a posterior definição dos critérios de pagamento e carga horária. “A ideia é ter o maior número possível de especialistas, para estabelecer contatos em rede e contribuir com o crescimento do serviço em nível estadual”, explica ele.


9 RUTE aproxima profissionais e dissemina conhecimento Iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia, apoiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pela Associação Brasileira de Hospitais Universitários (Abrahue) e coordenada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), a Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) visa a apoiar o aprimoramento de projetos em telemedicina já existentes e incentivar o surgimento de futuros trabalhos interinstitucionais. A RUTE dispõe da infraestrutura de alta capacidade do backbone nacional da RNP, a rede Ipê, e das Redes Comunitárias Metropolitanas de Educação e Pesquisa (Redecomep). Esta iniciativa complementa o esforço coordenado de prover infraestrutura fim-a-fim (nacional, metropolitana e institucional) adequada ao uso de aplicações avançadas de rede. Através do link da RNP com a Rede Clara (Cooperação Latino-Americana de Redes Avançadas), as instituições participantes contam com a colaboração de redes parceiras na América Latina, Europa, Japão, Austrália e nos Estados Unidos. Em um primeiro momento, a RUTE possibilita a utilização de aplicativos que demandam mais recursos de rede e o compartilhamento dos dados dos serviços de telemedicina dos hospitais universitários e instituições de ensino e pesquisa participantes da iniciativa. Posteriormente, a RUTE leva os serviços desenvolvidos nos hospitais universitários

RUTE em números 73 núcleos em operação 80 núcleos operacionais até o final de 2013 57 Grupos de Interesse Especial (SIGs)

(fonte: www.rute.rnp.br)

do país a profissionais que se encontram em cidades distantes, por meio do compartilhamento de arquivos de prontuários, consultas, exames e segunda opinião. Sua implantação traz impactos científicos, tecnológicos, econômicos e sociais para os serviços médicos já existentes, permitindo a adoção de medidas simples e de baixo custo, como a implantação de sistemas de análise de imagens médicas com diagnósticos remotos, que pode contribuir muito para diminuir a carência de especialistas, além de proporcionar treinamento e capacitação de profissionais da área médica sem deslocamento para os centros de referência. 

Rede de atenção básica no Paraná 10 milhões de habitantes 399 municípios 1.796 equipes de saúde da família 997 postos de saúde 1.543 centros de saúde/unidades básicas 51 núcleos de atenção à saúde da família 42 centros de especialidades odontológicas 20 consórcios intermunicipais 88 centros de atenção psicossocial 1.388 unidades de apoio diagnóstico como referência 437 hospitais, mais da metade de pequeno porte 18.856 leitos regulares, 176 leitos em UTI credenciados e 1081 leitos contratados pelo SUS 22 regionais de saúde

HUM participa de oito SIGs O SIG (Special Interest Group) ou grupo de interesse especial é proposto por algum docente universitário ou profissional do serviço de saúde que queria discutir temas relevantes. Para tanto, o propositor homologa o grupo na RNP e convida pessoas e instituições para participar das reuniões, normalmente mensais, com duração entre uma e duas horas, em dias fixos e com temas pré-definidos. Nas reuniões dos SIGs, é comum o encontro virtual ser aberto com a fala de um dos participantes e seguido por perguntas e discussão. Todas são gravadas e podem ser disponibilizadas por um link. No HUM, docentes e alunos participam de oito SIGs: Teleodontologia, Saúde Bucal Coletiva e Residência Mutiprofissional, Área Profissional da Saúde, Telepsiquiatria, Pesquisa Clínica, Educação Médica, Dermatologia e Banco de Leite. Mirian Marubayashi Hidalgo, docente do departamento de Odontologia e membro dos SIGs na área, resume a experiência de participação nos SIGs como um grande auxílio para a implantação de atividades na UEM. “As discussões ainda se encontram em fase de troca de experiências, nas quais os envolvidos há mais tempo com os temas estão relatando as conquistas e dificuldades. A fase seguinte, prevista para começar no segundo semestre, deve incorporar mais docentes e alunos nas discussões, o que será enriquecedor para todos e também para o ensino”, diz ela. Para Mirian, as principais conquistas trazidas pela telemedicina são a

melhoria na qualidade e na agilidade da comunicação, que permite o trabalho em equipe, a construção coletiva dos saberes e práticas, atualmente um grande desafio num sistema de saúde tão abrangente, pois é universal (para todos os cidadãos), descentralizado (cada município tem autonomia para conduzir a própria gestão), democrático (todos os segmentos da sociedade são convidados a participar das decisões) e que tem como norte a promoção da saúde e qualidade de vida da população. Sérgio Yamada, coordenador do Núcleo de Pesquisa Clínica do HUM, vê a melhoria da qualidade da assistência à população, em especial aqueles sem condições econômicas de recorrer a uma medicina especializada e de maior complexidade, como consequência direta da telemedicina. “A extensão continental do nosso país exige ferramentas como as videoconferências para integrar os vários centros de pesquisa e traçar estratégias para trabalhos em rede, como os propostos pela Rede Nacional de Pesquisa Clínica da qual o HUM é integrante”, afirma.   Já Herbert de Freitas Góes, do Departamento de Enfermagem, acredita que o Nutele seja mais uma ferramenta de apoio que irá aprimorar o relacionamento existente nas diversas áreas de atuação dos profissionais do HUM, promovendo também o intercâmbio com outros centros de referência que fazem parte da rede. “Isso vai promover maior disseminação do conhecimento gerado nestes centros formadores/assistenciais.”


10 Entrevista

Marialva Barbosa A presidente da Intercom, Marialva Barbosa, ministrou a aula magna do curso de Comunicação e Multimeios da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Entre os desafios da comunicação na contemporaneidade, a pesquisadora destacou aspectos que passam pela revisão do papel do profissional e do professor de jornalismo. Essas considerações foram registradas nesta entrevista.

Por Cibele Abdo Rodella e Ana Paula Machado Velho JU - Durante os séculos XIX e XX, novos formatos e processos, absolutamente novos para o jornalismo, foram gestados, como a reportagem, o lead, o jornalismo informativo. A tecnologia também impactou o fazer jornalístico como o rádio, a televisão, a internet e, recentemente, a TV Digital e o Rádio Digital. Como a senhora narraria a história do jornalismo no século XXI? MB - Não sou capaz de prever o futuro, mas eu acho que o século XXI certamente vai trazer modificações ainda mais estonteantes do que o século XX. Porque, a rigor, a grande mutação do jornalismo ocorreu no século dezenove, ou melhor, do XIX para o XX. Quando você tem a possibilidade de transformar em imagens aquilo que era apenas dito. Da imagem, pelo traço inicialmente, depois a imagem fixa pela fotografia, depois a imagem em movimento pelo cinema. Essa foi a grande transformação do século dezenove. O que o século vinte faz é exponenciar uma série de transformações que estavam sendo gestadas desde o século anterior. E eu acho que o século vinte um vai trazer

novas formas de comunicação que não existiam nem no século dezenove e nem no século vinte. Esta será certamente, se eu pudesse prever o futuro, a grande transformação nos meios de comunicação no século vinte e um, por outras plataformas, por outros processos, por outras capacidades humanas de comunicar. JU - A senhora poderia se aventurar em citar alguma experiência que conhecemos hoje que irá se aprimorar nos próximos anos? MB - A possibilidade de pessoas comuns de produzirem as suas interpretações e seus modos de comunicação. Por exemplo, alguém manda pelo celular –“a boate está pegando fogo”, como aconteceu na boate Kiss, no Rio Grande do Sul, quando a boate estava ardendo em chamas, isso é muito mais jornalístico. É maior do que qualquer furo [de reportagem] que a gente já conheceu. Porque, no instante mesmo do sentimento de você ser parte, personagem do fato, você está comunicando como narrador daquele fato. Essa possibilidade não existia no passado. Então, esta narrativa do cotidiano feita por quem vivencia o cotidiano é uma inovação e tanto.

É o que a televisão (TV Globo) está explorando, com o “Parceiro do RJ”, que são os personagens da comunidade trabalhando pelo jornalismo cotidiano. São meninos e meninas produzindo notícia, ou seja, noticiando sua experiência. Acho que é a grande transformação: a possibilidade de narrar a sua experiência e transformar a sua experiência em notícia. JU - Seguindo seu raciocínio podemos afirmar que os jornalistas devem se preparar para outras formas de relacionamento com suas fontes e também com novos critérios de noticiabilidade. MB - Isso. Não interessa mais nem o fato atual nem o furo de reportagem, e se eu produzo no cotidiano mesmo a informação, eu público, o jornalista não terá mais este papel. Qual o papel do jornalista? É aprofundar a informação, interpretar, analisar e não buscar a informação, porque ela está sendo buscada cotidianamente por cada um de nós. Ele irá fazer uma espécie de síntese do que ele considera como fator transformador para a sociedade, e aí, em cima desta síntese, ele vai aprofundar, analisar. JU - Em sua opinião esta síntese

não passa pelos conceitos do texto do século XX, como o de hierarquização da informação? MB - Não, não passa, porque, hoje em dia, o que é mais importante? Hoje, é sempre a opinião do outro, é a minha opinião é o que eu acho, o que afirmo, o que interpreto. Então, a notícia que revelava, por exemplo, “a boate tal pegou fogo esta madrugada”, já foi mandada por quem estava dentro da boate. Repara, cabe ao jornalista não mais informar isso mas todas as coisas que aconteceram em decorrência disso, o que significa em termos de trauma, qual a análise que você pode fazer destes lugares da juventude... Tem uma série de análises que você pode fazer decorrentes do cotidiano em função de um fato. E essa análise será feita pelo jornalista certamente. Se tiver capacidade crítica reflexiva e conhecimento. JU - Quanto às redes sociais, a senhora acredita numa transformação ainda mais profunda nesta relação de compartilhamento, de construção de uma inteligência coletiva. De que forma estes processos irão influenciar o jornalismo? MB - As redes sociais são formas de compartilhar lugares no mundo. E


11 ali você se coloca como pertencendo àquelas múltiplas comunidades, troca informação etc., etc., sentimentos... As redes sociais juntam um pouco do que seriam nossos cadernos de pensamentos no passado com os encontros nas praças do interior, do passado, um mix de tudo isso, destas formas cotidianas de se relacionar. As pessoas não buscam informaç��es nas redes sociais, as redes têm outro papel, tem o de viabilizar o que você está fazendo, dar notoriedade aos personagens que você mesmo constrói, partilhar determinados conhecimentos, mas você não busca informação. Acho que as redes sociais são locais dos indivíduos sem institucionalização, como numa empresa, etc. Eu não vejo como o jornalismo possa estar nas redes sociais, é do homem comum. É o lugar do homem comum. Essa é a distinção interessante. JU - Neste cenário, de fim da exigência do diploma, o advento do jornalismo colaborativo, das tecnologias, qual o papel das escolas de jornalismo, qual o papel do professor? MB - O jornalismo é extremamente importante, o jornalismo talvez seja a atividade mais importante do século XXI. Não vai morrer, vai se exponencializar a importância, o papel, as rotinas, as maneiras como você vai divulgar, os formatos, tudo. O papel, na minha opinião, do professor de jornalismo, será não ensinar meramente a técnica, pois a técnica está em tamanha transformação que ele nem sabe bem qual é. Então, acho que o papel do professor é ensinar a este aluno como ser capaz de fazer estas análises críticas aprofundadas, oferecer um conhecimento suficiente a ele para que possa produzir reflexões críticas de peso. Vou dar um exemplo, dei aula um tempo de jornalismo cultural, no jornalismo cultural tinha um módulo que eu brincava com os alunos dizendo que “era um módulo para aplacar a ignorância de vocês”. Então eu dava um enorme módulo sobre o teatro brasileiro e levava diretores de teatro, teóricos de teatro para falar com eles, por exemplo, sobre a invenção do modernismo no teatro brasileiro. Eles não sabiam que no teatro brasileiro não havia a figura do diretor até Ziembinski, por exemplo. Não sabiam uma série de questões teóricas. Como um jornalista irá produzir uma matéria sobre teatro se não tem conhecimento do teatro enquanto lugar teórico e reflexivo? Este é um exemplo de como nós, professores, podemos produzir um conhecimento diferenciado.

O que é a Intercom?

E não somos só nós que temos o conhecimento, compete a nós levarmos estas pessoas para terem esta troca com os jovens estudantes. Ou seja, o conhecimento e a reflexão continuam sendo o diferencial em qualquer ensino. JU - Sobre a Intercom, que nasce nos anos 70 com o desafio de sinalizar para o Brasil e o mundo que existiam estudos de Comunicação no Brasil. Nos anos 80 e 90, teve o papel de divulgar a produção científica da área. Qual o papel da Intercom daqui para frente? MB - O principal papel da Intercom é levar os estudos, a crítica e tornar visível as pesquisas e as práticas de Comunicação do interior para o Brasil como um todo. É muito simples fazer isso nos grandes centros, mas é muito difícil e poucas sociedades científicas têm a possibilidade de fazer isso no interior. Por exemplo, agora estamos levando o congresso nacional para

Manaus, todo mundo diz: “ah, é difícil fazer, é caro, é longe”, mas quando as pessoas de Manaus vão ter a possibilidade de ter contato com os maiores nomes da Comunicação se não for a Intercom a fazer isso? Então, qual é o papel da Intercom? São dois. Em princípio, parecem antagônicos, mas não são. O primeiro é interiorizar e tornar visível a produção de Comunicação, as pesquisas, as práticas os projetos do interior do país. E, o segundo papel, internacionalizá-las. Os pesquisadores brasileiros têm pouco diálogo com seus pares estrangeiros que não querem nos ouvir, sobretudo os norte-americanos, europeus etc. Nós precisamos dizer ao mundo que as pesquisas brasileiras são pesquisas de ponta na área da Comunicação. Que nós temos os maiores pesquisadores nessa área, e precisamos levar, portanto, as pesquisas dos pesquisadores brasileiros para fora das fronteiras do Brasil.

O papel do professor de jornalismo é ensinar ao aluno a produzir reflexões críticas de peso

A Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) é uma instituição sem fins lucrativos, destinada ao fomento e à troca de conhecimento entre pesquisadores e profissionais atuantes no mercado. A entidade estimula o desenvolvimento de produção científica não apenas entre mestres e doutores, como também entre alunos e recém-graduados em Comunicação, oferecendo prêmios como forma de reconhecimento aos que se destacam nos eventos promovidos pela entidade. Fundada no dia 12 de dezembro de 1977, em São Paulo, a Intercom preocupa-se com o compartilhamento de pesquisas e informações de forma interdisciplinar. Além de encontros periódicos e simpósios, a instituição promove um Congresso Nacional – evento de maior prestígio na área de pesquisa em Comunicação, que recebe média de 3.500 pessoas anualmente, entre pesquisadores e estudantes do Brasil e do exterior. O evento, sediado em cidade escolhida pelos sócios no ano anterior, é precedido de cinco Congressos Regionais. A instituição ainda é responsável pelo lançamento de livros e revistas especializados em Comunicação, além da busca por parcerias com entidades de mesmo objetivo, institutos e órgãos de incentivo à pesquisa brasileiros e estrangeiros. Esse intercâmbio é um incentivo à formação científica, tecnológica, cultural e artística, além de uma forma de capacitar professores, estudantes e profissionais da Comunicação.


12 Hialotécnico

A arte e a habilidade de um vidreiro Profissão quase desconhecida é mantida nas oficinas de manutenção da UEM Por Marcelo Henrique Galdioli Um maçarico ligado com uma chama a mais de 900 graus preso a uma bancada, espátulas, ponteiras, alargadores e vidro, muito vidro. Por trás está o hialotécnico João Carlos Delfino, 51 anos, que começou a trabalhar na Vidraria da UEM em 1977, como menor aprendiz. (ver foto da capa, em detalhe).

O que é o vidro? A descoberta do vidro é muito antiga, mais ou menos do ano 5000 a.C. e uma das mais surpreendentes da história do homem. Cheia de mistérios e lendas, conta-se que os registros do material apontam para comerciantes fenícios que o descobriram acidentalmente ao fazerem uma fogueira na praia.

A vidraria é um laboratório ligado a Diretoria de Serviços Industriais (DSI). Delfino conta que é o terceiro na sucessão de hialotécnicos na UEM. Tudo começou com o Engenheiro Agrônomo Sabino Leonídes Motéca e o irmão dele, o mecânico Jorge Leonídes. Eu aprendi com o Jorge. Tem também o Sinésio Lopes da Silva, que, hoje, está emprestado a outro setor”, explica. A hialotécnia é o processo de moldagem do vidro. Essa técnica é considerada como a arte de fabricação de vidraria científica para laboratórios. A técnica vem dos tempos da alquimia, os mestres do fogo como eram chamados, preparavam o seu próprio vidro, desenvolvendo vidros cada vez mais resistentes. Compete ao artista do vidro ou vidreiro, utilizar tubos de vidro, muitas vezes reciclados, que são fundidos em fogo, e transformados em uma grande diversidade de peças para decoração e peças para uso rotineiro em laboratórios. Enquanto fala da vida, João, com habilidade e agilidade ímpares, vai moldando pedaços de vidro que aos poucos vão tomando forma. São vasos, chaleiras, cisnes, flores, porta petiscos (com garrafas de vinho), brincos, pingentes... enfim, uma variedade de peças que foram motivo de duas exposições no Museu da Bacia do Paraná, na UEM. Há 35 anos na profissão, João, que é formado em Geografia, já pensa em aposentadoria, porque “na proposta de reforma da carreira dos servidores, o cargo de hialotécnico foi extinto. Não existe mais. Talvez o trabalho seja feito por técnicos da manutenção. E tem mais uma coisa, ninguém quis mais aprender a profissão. E olha que a demanda de

Para apoiarem as panelas, usavam blocos de nitrato de sódio, que em contato com o fogo e a areia deram origem a um líquido transparente, o vidro.

trabalho aqui é grande”, lamentou, acrescentando que não vem dando nem mais tempo para produzir trabalhos e expor. Na UEM – Atualmente, a maior procura da Vidraria são os pedidos do Departamento de Química da Universidade. “Eu fabrico e conserto peças e tubos diversos. São pipetas, maceradores, balões, bastões, bicos, um pouco de tudo que for de vidro”, afirma. A economia do dinheiro público com a recuperação de equipamentos de laboratório é evidente. Muitos dos materiais recuperados são importados. Outros não têm mais peça de reposição, já estão fora do mercado. A reciclagem é feita com aproveitamento de sobras de vidro. É o trabalho desenvolvido pelo técnico Delfino que os recompõe para a utilização no laboratório, mais uma vez. Fica claro o respeito, a preocupação e a dedicação de um servidor público com o desperdício de dinheiro público investido nas peças que renascem nas mãos do hialotécnico. E fica claro o envolvimento dele

com o que faz e o conhecimento da sua técnica. Delfino faz questão de mostrar a diferença entre os materiais que utliliza e as reações dos mesmos diante do fogo do maçarico. Apresentou à nossa equipe o vidro borossilicato. “É um material resistente ao calor e aos químicos, usado nos laboratórios e industrias químicas, também em equipamento de cozinha, iluminação e em janelas especiais. Com esse eu trabalho numa temperatura de 1.200 graus”, disse já pegando outro material. “Esse colorido é o vidro de murado, trabalho na temperatura de 900 graus. O murado é usado para artesanato, por causa das cores”, afirma Por fim, Delfino apanhou um par de óculos muito escuros e disse “agora vou mostrar o quartzo, esse é realmente vidro muito duro. Preciso de força máxima no maçarico, quase 2 mil graus, ele é muito resistente. Uso muito pouco o quartzo, mas é um belo espetáculo”, explica. E realmente pudemos ver o envolvimento do homem e de sua técnica, por meio da briga entre o fogo e a superfície dura do vidro, que produz uma luminosidade de cegar, mas também de surpreender que estiver por perto.

Depois disso, os romanos, por volta do ano 100 a.C. começaram a produzir o vidro para confeccionar janelas. Anos depois, por volta do ano 300 d.C., os vidreiros começaram a pagar impostos e taxas por causa da lucratividade e difusão do vidro. No Brasil, a história começa com as invasões holandesas no período entre 1624 e 1635, em Olinda e Recife (PE), onde a primeira oficina de vidro foi montada para a fabricação de vidros para janelas, copos e frascos. Com a saída dos holandeses, a fábrica fechou e só voltou a ser fabricado a partir de 1812. A fábrica instalada na Bahia produzia vidros lisos, de cristal branco, frascos, garrafões e garrafas. Em 1825, fechou em função das grandes dificuldades financeiras. No final do século passado, surgem importantes empresas, que ainda hoje dominam o mercado. Entre elas estão AFG, Guardian Do Brasil, PFG, Blindex e Santa Marina. Fórmula: o vidro comum se obtém por fusão em torno de 1.250 ºC de dióxido de silício, (SiO2), carbonato de sódio (Na2CO3) e carbonato de cálcio (CaCO3).


Jornal da uem 109