Issuu on Google+

J  O  R  N  A  L   

T  O  R  R  E   


A Torre vai entrar no seu quadragésimo ano de vida.  Atingida  porventura  pela  “ternura  dos  40”  quis  a  equipa  pedagógica,  neste  momento  de  transição  para  um  espaço  novo,  que  é  também  a  despedida  da  velha  casa  que  foi  de  nós  todos,  publicar  neste  jornal  um  conjunto  de  “memórias”  da  Torre.  Memórias  daqueles  que  ao  longo  de  quatro décadas a frequentaram na qualidade de alunos – que são de resto  o público para o qual, desde sempre, a escola se concebeu e vocacionou.  Que  os  testemunhos  aqui  publicados,  cobrindo  todos  os  anos  de  actividade  da  escola,  permitam  celebrá‐la  no  que  ela  tem  de  mais  fundamental:  a  capacidade  de  mudar  e,  não  obstante,  permanecer;  a  capacidade de se “outrar”, sem nunca deixar de “ser”; enfim, a capacidade  de percorrer uma curta distância (quarenta anos serão, certamente, uma  ínfima  parte  dos  muitos  anos  de  vida  que  aguardam  a  Torre!),  mas  de,  nessa curta distância, produzir tão longa(s) memória(s).  A todos, muitos anos de Torre, muitos anos de vida! 


Da

Torre

tenho

Ano de 1970. Eu tinha 5 anos e a minha mãe (a Tana), a Lígia

excelentes recordações:

Monteiro e a Ana Sofia Monjardino decidiram fazer uma escola na casa que tinha sido dos meus avós, que era uma casa enorme que

1. Amigos e amigas com quem ainda hoje estou… o Kim, a Tatoi, a Ana Menano, a Teresa Cabral, a Xica…

me trazia boas memórias da minha infância (até aí ainda curta). Lembro-me do recreio com pneus que nós rodávamos à volta da escola, de subirmos às arvores sem receio, do cheiro da comida feita pela Esmeralda à hora do almoço, da liberdade que tínhamos para

2. Professoras muito queridas… a Zoé, a Ilda, a Rosa, a Tia Tana… Tinha 6 anos na altura e já não me lembro de todos os nomes. 3. As primeiras paixões… Na altura era mais atrevido! 4. As primeiras decepções amorosas… Nunca mais me esqueço da declaração que fiz à Inês Batista e ela disse que gostava era do Miguel Pardal!!!! 5. As primeiras infracções… O Daniel Sasportes e outro iam fumar às escondidas 6. Os primeiros romances… Escrevia o TRANCA MANCA 5000! Nem sei onde fui buscar este nome. Infelizmente não segui a carreira como romancista, mas nunca se sabe... 7. As primeiras futeboladas, com o Kim Goes, Pedro Maia, o Pedro Mantas (infelizmente já falecido) … 8. O gosto pelas contas de cabeça, incentivado pelas minhas professoras.

brincar muito e explorar tudo o que fosse do nosso interesse, de sermos ainda poucos meninos e poucos adultos a tomarem conta de nós e, por isso, ter a sensação de sermos uma família grande e unida. A ideia que tenho é a de uma escola onde as crianças eram ouvidas e a sua opinião tida em conta e respeitada. Foram anos mágicos que me formaram para sempre e memórias inesquecíveis, como os primeiros acampamentos ainda em tendas junto à praia de Milfontes, as reuniões com todos os meninos da escola a decidir as regras das salas e do recreio, a Zoé a ensinar matemática, a Ilda tão boazinha e com um bocadinho mais paciência do que a Zoé, a Patusca que nos dava a parte das artes plásticas e depois a Jesus, ainda novinha e a Maria do Carmo...Ah, o Sr. António da carrinha sempre com mau feitio mas acabava por ceder aos nossos pedidos. E ainda o pão à hora da saída da escola, aquela carcaça "mágica" que sempre existiu na Torre e que nós saboreávamos e que passou por tantas gerações de alunos...sabia-nos melhor do que qualquer outra coisa a carcaça dentro

9. Os cozinhados da Esmeralda e da Jesus...

do balde de plástico da cozinha! A Torre marcou e continuará a marcar

10. A criação da associação dos antigos alunos, com o Kim Goes como grande incentivador.

muitas gerações e eu sinto um enorme orgulho pela pequena escola "da

E há ainda tantas coisas mais para lembrar... José Fonseca e Costa (1965)

Tana" se ter tornado numa referência do ensino em Portugal. Continuem assim! Teresa Vieira de Almeida (1965)


TORRE. Em sentido literal, figurado e sonhador: construção, identidade, partilha, pensamento, liberdade, fantasia, segurança... Nem sequer assim tão alta, nem sequer assim tão larga, mas firmemente edificada em solo de afectos e perto do apelo do rio, o que convém a qualquer escola. Do que me lembro, os muros eram mais baixos, a terra suava em bruto, o recreio era mais amplo, a Jesus era mais nova, a Esmeralda ainda era viva, o portão não tinha trinco e o respeitinho à Tana era uma coisa muito boa! Ou então era eu que era criança e que ali soube construir o meu palácio. E, por isso, guardo só memórias boas... A seguir veio o cimento, o poliéster e o futebol sintético, a calçada portuguesa no recreio e a vídeo-vigilância no portão, tudo factos decorrentes de qualquer modernidade, os meus filhos com idade de ir para a escola e não podia escolher outra se não esta. Prestes a mudar de poiso, “acho bem” que prossigam a partilha, a construção, a liberdade, a fantasia, o pensamento, a identidade, a segurança, “acho mal” que a buganvília não possa ser transplantada para o jardim da escola nova. Espero que em sentido literal, figurado e, sobretudo, sonhador, a TORRE continue a dirigir-se para o mar, seguindo o apelo do rio, a ter ar de palácio e a formar crianças boas. Inês Barros Batista (1966)

As minhas recordações d”A Torre”  Tive o privilégio de frequentar o “Externato da Torre” dos quatro aos nove anos. As recordações que guardo desta minha infância são muitas e todas elas gratificantes! Lembro-me muito bem do ambiente de liberdade e de autonomia que era promovido, da multiplicidade de tarefas e de actividades que nos ocupava e principalmente do sentido de responsabilidade e de participação que nos era incutido. Tudo isto era feito por um corpo de professoras atentas, próximas e muito presentes, permitindo a cada um de nós sentirmo-nos num ambiente com muito calor humano. Passadas mais de três décadas sobre a minha saída do Colégio, tenho a certeza da importância que este enquadramento teve para o meu crescimento e para a minha formação e estou certo que guardarei estas gratas recordações da minha infância para sempre! Joaquim Goes (1966)


- Em que escola primária andaste? – perguntam-nos às vezes. Com um orgulho mal disfarçado, e a certeza de quem transporta um segredo difícil de pôr em palavras, respondemos: “na Torre!” - Torre?! Mas que escola é essa? As imagens assaltam-nos, desorganizadas, fazem-nos sorrir e levam-nos muitos anos atrás: Escrever a quatro mãos, como agora... ou a mais... Pintar a muitas mãos em papel de cenário gigantesco... Foi na Torre que aprendemos que em grupo se trabalha melhor do que sozinho e que muitas cabeças pensam melhor do que só uma. Mas também que cada um de nós é único, irrepetível, e que aquilo que pensa pela sua cabeça vale por si, mesmo que ninguém concorde! Mesmo que fossem adultos a pensar o contrário! O Jornal de Parede – o “acho bem” e “acho mal”, o “queremos fazer”... – a vaidade de ver os nossos textos impressos – montados por nós na imprensa, com a ajuda de um espelho – ao fim de cada período. Saber conversar e argumentar. Uma enorme sensibilidade às injustiças, aos direitos de cada um. O espírito crítico apurado, às vezes transformado em “refilice” (sim, essa, que às vezes ainda hoje causa mal-entendidos). A responsabilidade de sermos nós a pôr a mesa, a trazer o almoço e a arrumar a sala, os salames de chocolate feitos por todos, cada vez que alguém fazia anos. Tantas vezes muito preguiçosas, ou muito asneirentas (o lixo bem escondidinho num canto que ninguém via, as “esculturas” de puré) mas sempre com a noção de que as tarefas tinham que ser feitas. O quadro de tarefas lá estava, garantindo que caberia a vez a todos. A Tana que valorizava o que escrevíamos. Lia, achava bonito e “mandava publicar”! Como ela sabia reforçar a nossa auto-estima! E a Zoé?! Constava que quando se zangava lhe subia o cabelo. Esperámos quatro anos que tal acontecesse. Mas, em vão! Com ela fazíamos periscópios, montávamos casas de bonecas quando estávamos já na 3ª classe e fazíamos teatro … A espera para chegar o “nosso dia” de ir dormir a sua casa, aquele dia mágico em que a parte melhor da escola se prolongava para a noite e, em grupos de duas ou três, íamos dormir a casa da “nossa professora”, uma professora muito especial.


Só muito mais tarde, já adultas, viríamos a saber que também o Doutor João dos Santos, pedopsiquiatra e investigador, achava a Zoé muito especial! Com certeza que a Zoé concordava inteiramente com os seus pensamentos, tão bons para nós! “Deixem as crianças falar!” Deve-se permitir-lhes as perguntas, deve-se ensinar-lhes a conversar e a expor as suas ideias! Utilizem exercícios verbais, sempre em ligação com os exercícios escritos ou desenhos, utilizando o mesmo tema, para que a criança ligue melhor o pensamento aos símbolos gráficos que a escola ensina.” Um acantonamento em Montargil e um acampamento no Algarve. Uma visita ao Alentejo, para visitar um lagar de azeite de onde saíram

desenhos

minuciosos

de

todo

o

processo

de

transformação…Tudo arquivado em livros artesanais que os nossos pais eram convidados a folhear… No ISEF, um ginásio que nos parecia do tamanho do mundo, o Carlos Neto fazia-nos capazes de saltar nos trampolins até ao céu ou de nos pendurarmos ao contrário em espaldares. - E a gramática e a aritmética??? Não se ensinava nessa escola? - Sim, claro!!!!! Até álgebra e geometria. Intermináveis circunferências feitas com um compasso que fazíamos rodar sobre folhas e mais folhas e, depois, coloríamos… E, com isso, sobretudo ensinava-se o gosto de aprender. De conhecer e saber mais. O gosto de darmos o melhor de nós. Sem competições ou comparações. Sim, porque notas, ou mesmo trabalhos de casa, foi realidade que só descobrimos depois de sair da Torre! Inês Rolo e Margarida Cabral (1967)


Para mim a Torre é acima de tudo uma escola onde todos são acolhidos e valorizados com a personalidade que têm. Uma escola com espaço para os medrosos e corajosos, para tímidos e extrovertidos, intelectuais e desportistas, com jeito para a matemática e para o desenho, etc. etc. A Torre é ainda uma escola que educa cada aluno na defesa do seu ponto de vista, na capacidade de argumentação e no respeito por opiniões diferentes. O resultado final é fantástico – pessoas livres e felizes, que sabem valorizar as qualidades que têm e que respeitam e gostam que exista formas diferentes de pensar e de estar na vida! Um abraço a todos e um especial obrigado pelo que fazem com os meus filhos.

Luís Cabral (1968)

Para mim, a Torre representou um espaço de muita brincadeira mas também de aprendizagem. Uma escola onde as crianças foram e são felizes. Foi por estas razões que escolhi a Torre para educar a Filipa dos 3 aos 9 anos. Só tenho pena que não tenha sido possível ter continuado o 2º ciclo. Desejo que a Torre continue a ser uma escola familiar, preocupada com o bem-estar dos alunos e com a sua aprendizagem e preparação para o futuro. Elsa Pedro (1968)


Há pouco tempo, celebrei uma Missa num santuário perto da Torre. Quando à pessoa que me recebeu – era professor – disse que tinha andado na Torre, perguntou-me: E qual era o sistema de ensino? Respondi: Não sei. Uma criança entre os 6 e 9 anos não costuma estar atenta a isso, e confesso que na idade de adulto não investiguei. A única coisa que posso dizer da minha passagem pela Torre, é o que me ficou gravado; o que a menina-do-olho arquivou. Para começar, diria que as experiências, memórias e recordações são mesmo boas. Talvez por ser uma criança e por ter olhos de criança, não me lembro de ter visto ou vivido nada que não fosse bom. A primeira ‘coisa’ que me vem à cabeça quando oiço falar da Torre são pessoas. A Torre para mim foi rica em humanidade. O seu ambiente permitiu que aprendesse a me relacionar com os outros de forma sã. Senti-me querido. Na Torre vi crescer os meus talentos para o desporto, para a música e para a amizade. Faziam-me sentir importante. Nessa idade, sentir que gostam de nós é fundamental para acreditarmos em nós próprios. A Torre deu-me isso. Nunca me senti a mais, recriminado ou castigado de forma traumática. Gostava de ir à escola. A Torre foi para mim como essa ‘pessoa’ que se pôs ao meu lado numa etapa da vida, e me ajudou sem nunca se sobrepôr. Uma ajuda oportuna e discreta, sem pretensão de sobressair. Normalmente, o bem não faz muito barulho, e o muito barulho não faz bem... A Torre foi para mim uma autoridade na educação no seu verdadeiro sentido da palavra. Educar vem da palavra latina ex-ducere, que significa conduzir para fora ou tirar para fora. Como dizia, a Torre ajudou-me a que os meus talentos não ficassem dentro, mas antes a que saíssem para fora, precisamente aquilo que tento fazer hoje em dia na Missão que tenho: tentar fazer com que as capacidades de cada pessoa saiam para fora. Não posso deixar de ver na Torre um lugar sagrado. Foi nessa casa onde pela primeira vez me ‘apaixonei’ e fiz as minhas primeiras ‘declarações de amor’; e respondi às que me fizeram. Muitas vezes era por carta e através de mensageiros ou mensageiras. Que saudades dos Messenger pessoais em vez dos virtuais! Lugar sagrado, porque aí estreei o que é sonhar com a outra pessoa em vez de sonhar só comigo; porque aí fui conhecendo pela primeira vez o que era estar contente porque existe a outra pessoa e não só porque existo eu. Na Torre, sem saber, vivia aquelas palavras que canta Elton John “How wonderful life is, while you’re in the world”. Eu não era o centro do mundo e era feliz. Fazendo contas à vida, se hoje tenho 41 anos, conclui-se que passei pela Torre (ou a Torre por mim) nos anos ‘70; Abril de ‘74 incluído. Ainda hoje não me explico como foi possível ter respirado um clima de paz, serenidade, alegria e respeito, quando no país se respirava precisamente o contrário: incerteza sobre o futuro, nervosismo, ódio e vingança... Só deve ter sido possível, pelo esforço dos mais velhos – ao estilo da Vida é Bela, essa parábola de Benigni em não transferir para as crianças os seus problemas, crises e medos... Neste sentido, há que dizer que a Torre foi fiel à sua vocação de torre, isto é, de refúgio. É caso para dizer que os mais velhos daquela altura foram torres vivas, torres de carne e osso! Obrigado Tana & Companhia! E volto ao que dizia ao princípio. Para mim, a Torre são pessoas. É curioso que me lembro tanto dos professores, como das cozinheiras. No que a minha pupila de criança arquivou, aparecem com o mesmo relevo a professora e a cozinheira, a que tomava conta no recreio e a que trabalhava na secretaria; a Alice, a Jesus, a Maria do Carmo, a Esmeralda, a Zoé, a Tana... Ouvi dizer que a Torre vai mudar de instalações, e que já não vai estar na mesma casa. Aos que como eu, ou mais do que eu, sentem pena por esta mudança, dir-lhes-ia como me digo a mim, que a vida é mesmo assim. Não se pode parar nem evadir as exigências dos tempos que correm. Não devemos ter medo de crescer e de deixar o tempo de criança. Para a nossa pena, a única saída é converter a “casa da Tana” num tesouro do nosso coração. Um tesouro cuja riqueza se valoriza na medida em que o tempo passa, ao qual se pode ter acesso sempre – se for nosso – para buscar riquezas que enriquecem a vida e o mundo. Filipe Vaz Pardal (1968)


Escrever sobre “A Torre”? É fácil…  Há tanto a dizer sobre “A Torre” que nem sei por onde começar… Podia descrever as instalações, a vivenda transformada em Escola, tão acolhedora como um lar, porque é isso que “A Torre” é: um segundo lar para os pequeninos dos 3 aos 10 anos. Se assim não fosse como justificar que hoje, passados mais de trinta anos, depois de lá ter entrado pela primeira vez, eu continue a sentir-me em casa? Não são só as paredes que me fazem sentir assim, obviamente. Se não fossem as pessoas… Aquelas pessoas que nos marcam a pele para a vida como um carimbo… que nos tocam tão profundamente, que sabemos que tiveram um papel decisivo na nossa formação de crianças para adultos… que gostamos tanto que quando nos ralham ou chamam a nossa atenção não conseguimos deixar de “saber” que é com amor que o fazem… que ficam guardados na nossa memória para sempre… Ah, n”A Torre” existiram pessoas fantásticas que não consigo, de facto, esquecer. A Esmeralda, que para nós pequeninos se parecia com uma avó dos livros de histórias, como tal era completa e absolutamente fiável, ainda por cima cozinheira… Era tão querida, ainda me lembro dos seus braços gordalhufos a abraçarem-me (mais de uma vez). A Maria do Carmo, que gritava “primeira volta!” ou “segunda volta!”… Se fechar os olhos consigo ouvir a voz dela, infelizmente não posso reproduzi-la aqui. O Sr. António, motorista da “nossa” carrinha, que tinha literalmente pachorra de santo para a criançada toda… A Daniela, sempre tão querida e tão meiguinha, felizmente ainda a vejo de vez em quando e é sempre um enorme prazer. Teria adorado que a Carolina fosse sua aluna… O Manuel, inesquecível, extraordinário educador e professor. Aprendi muito com ele e tenho pena de nunca mais o ter visto… Para não falar dos que ainda lá estão, a querida Alice, que eu vi namorar, casar e ter a primeira filha… Está na mesma, quem diria que os anos passaram… A Jesus, (e o Sr. Ribeiro) que tanto me aturou em sua casa em muitos fins-de-semana… Uma mulher de fibra, com um coração do tamanho do Mundo… Dos que para mim são “novos” na casa, nada a dizer, são todos fantásticos. Uma das características desta escola é saber escolher as pessoas a dedo… Falta falar da Tana, gerações mais novas já não tiveram o prazer de conviver com a alma da escola, uma mulher muito especial que marcou definitivamente a minha infância, da qual tenho recordações muito nítidas e profundas. A segurança que ela nos transmitia, a confiança que nos fazia sentir, ao pé dela tudo era mágico, tudo se transformava em algo único. E reconhece qualquer aluno que lhe tenha passado pelas mãos em qualquer parte do Mundo! Falar da Tana deixa-me de coração cheio, mas confesso que também com muitas saudades… E ainda me perguntam porque é que a Carolina está n”A Torre”… É óbvio, não é?!

Filipa Torre do Vale (1969)


A Torre, eu e as minhas filhas. Quando me pediram para escrever umas palavras sobre a Torre, enquanto antigo aluno e pai de alunas que frequentam actualmente a escola, iniciei um processo de recordação de memórias que me deu bastante prazer e, para minha surpresa, estavam muito presentes apesar de todo o tempo que passou. Posso começar pela recordação das botas cheias de areia ao chegar a casa, das primeiras amizades (e como estas, tão antigas, ficaram marcadas na nossa memória…), dos jogos de futebol no campo de trás e do campo dos “guelas” (berlindes), da música e dos teatros, das calculadoras e dos números de 1 a 100 a rodear o tecto da sala, dos professores (o Manuel, a Zoé, a Suzy, …), de quem nos dava de comer e olhava por nós (Esmeralda, Jesus, Maria do Carmo…), de quem nos levava a casa (Sr. António, por favor ponha o pé no...), dos acantonamentos e festas de ano; e a lista podia continuar. Algumas destas experiências as minhas filhas já não partilham (a areia nas botas ainda bem…) mas no essencial a experiência é muito parecida: as instalações são as mesmas, muitas das pessoas ainda lá continuam e as novas mantêm as mesmas qualidades de ensino e humanas, julgo que não devem existir muitas escolas que possam dizer o mesmo. No entanto, o factor mais importante na formação dos alunos da Torre, tanto no passado como agora, é o aprender a pensar e questionar os assuntos e não apenas memorizar os factos; o desenvolvimento de um sentido crítico mas humanista perante a vida; a liberdade com responsabilidade; o desenvolver as capacidades de discussão, comunicação e como chegar a consensos em grupo; o sentido de solidariedade; tudo feito de uma forma participativa, simples e prática sentindo-nos parte activa de um caminho que percorremos em conjunto e não apenas aprendizes passivos. Agora que a Torre vai mudar de instalações espero que este espírito continue presente nesta nova morada, para o bem dos meus (e vossos) filhos e futuros netos.

Filipe Matos Chaves (1970)


Pediram‐me  para  escrever  umas  palavras  sobre  o  que  a  TORRE  significou para mim.  Tenho  de  confessar:  foi‐me  difícil  encontrar  alguma  coisa  específica.  Mas  porque  há  de  ser  uma  coisa  específica?  Não  é  obrigatório,  pois  não?  Lembro‐me de ser muito feliz naquela escola, de fazer coisas que em  mais nenhuma escola se fazia. Quem se lembra da sala de imprensa?  É  uma  escola  onde  os  valores  humanos  são  muito  valorizados.  Já  na  altura era, e tenho a certeza que parte do que sou hoje a esta escola o  devo.  Depois há uma pessoa especial: a Tana. O que tem de especial? Nem sei explicar… 

  Cecília Vaz Pardal (1970)

    A  Torre  permitiu‐me  e  ensinou‐me  a  ser  ousada,  crítica,  a  reflectir  e  a  ter  uma  opinião  franca  e  aberta.  Ensinou‐me,  em  simultâneo,  a  responsabilidade inerente a essa autonomia. Essa parte, pelo menos, ficou incrustada em mim de tal forma que sou, para sempre e no  mínimo, 10% Torre...  Depois, quando saí no final da 4ª classe, a Torre era, a meus olhos, a única alternativa à minha casa ou à casa da minha avó. De maneira  que, durante os primeiros meses da escola “nova”, desejei ardemente poder fazer o tempo andar para trás e voltar...   

Sofia de Jesus (1970)


A Torre faz parte dos melhores momentos da minha infância e talvez da minha vida. Era uma liberdade vertiginosa que sentíamos, mas ao mesmo tempo uma boa noção dos nossos direitos e deveres, que nos fez a todos capazes de ser pessoas criativas na vida. O bom que era ser pequenos naquela escola! Ali brincámos a tudo, criámos o absurdo, a fantasia, e havia tantas árvores que foram casas, naves espaciais e tantas outras invenções e saber que em grupo tudo é bem melhor. Sorte a nossa! Espero que a Torre continue a formar e a dar tantas maravilhas como fez comigo. Obrigada malta! Joana Bárcia (1971)

 

Andei na Torre desde que me conheço. Foi lá que aprendi a ideia do mundo, e a misturar os universos de imaginação e realidade. Certo dia o professor Manuel trouxe tijolos, cimento e areia. E aprendemos a colocar fiadas de tijolo desencontradas com argamassa feita por nós. Os muros foram crescendo, ligando-se, deixámos uma abertura para entrar, e um dia vimo-nos dentro de um espaço construído por todos. Esta experiência, dentro de muitas, deu-me uma ideia de mundo, e cada tijolo representa uma parte dele; é uma construção de pequenos saberes, do fazer, do descobrir, das preocupações, das alegrias, e tudo junto me preparou para correr vida fora. A Torre foi o meu mundo e agora é o dos meus filhos. Que coisa melhor quereria um pai? Houve aspectos que mudaram, tínhamos terra para plantar, havia um lago e patos para apedrejar, já não há tijolos para fazer uma casa, mas ainda há muita coisa que não mudou: este jornal, o de parede, o “acho bem” e “acho mal”, a digitinta, a ginástica com o Carlos Neto, a Anita na 1ª. Classe, a sopa, ovos mexidos com salsichas da Jesus, a nespereira do vizinho, o campo de futebol, a música com o Domingos, desenho livre, texto livre, as responsabilidades, a escadinha de caracol, a Alice na secretaria, os azulejos que nós pintámos e o cheiro da escola. Da Torre trazemos muitas coisas importantes para o resto da vida, mas há uma especial, as amizades que duram para sempre. Existe um sentimento de irmão ou irmã entre pessoas que andaram juntas aqui e partilharam as suas infâncias. Quando encontramos alguém da Torre parece que afinal de contas não passou assim tanto tempo.

João Martins (1971)


“…e por “essa razão” estão a pedir aos antigos alunos para participarem nesta edição comemorativa do Jornal “A Torre”. Não queres escrever uma frase, umas linhas, um texto?…” – diz-me a minha mãe num telefonema circunstancial… Fecho os olhos e deixo-me recuar no tempo… Passam-me mil e uma imagens pela cabeça a uma velocidade alucinante!... De repente vejo o caríssimo e saudoso Sr. António, mas também aquele acidente na estrada de Benfica de onde resultou que o pára-brisas da antiga carrinha ficasse feito em mil pedaços; vejo a areia do recreio, que trazia aos quilos para casa dentro dos sapatos ortopédicos (que representavam o último grito da “moda” nos anos 70!...) e os pneus velhos com os quais brincávamos de todas as formas e feitios durante os intervalos, enquanto uma ou duas professoras, sentadas no murinho junto ao portão grande, nos vigiavam os movimentos; vejo a árvore da pimenta rosa que se transformava em nave espacial do “Espaço 1999” ou da “Guerra das Estrelas”; vejo os jogos do pião, macaca, “linda falua”, berlindes – fujam! Vem aí o Gimbras com um abafador!... O qual me foi oferecido por ele alguns anos mais tarde –; vejo as corridas de caricas e automóveis no tal murinho (que acima mencionei), a troca de cromos, o cão mascote – seria o Nero?!?... – que dormia debaixo das escadas que davam para a cozinha… Mas também vejo as tropelias quando saltávamos das janelas das salas para a areia – saltos que hoje certamente não me atreveria a fazer, principalmente o salto da janelinha da casa de banho para aquele espaço exíguo que fica entre as escadas da cozinha e o edifício exterior (da 4ª classe). Esse sim, era um salto de cortar a respiração ao mais destemido! Julgo que o facto de sermos feitos de borracha contribuía de forma significativa para o sucesso destas acrobacias! –; vejo os assaltos à cozinha para fazer papo-secos com manteiga e açúcar, assim como as incursões às deliciosas nêsperas da nespereira do vizinho (tantas vezes alcançadas pelo telhado da nova casa exterior, destinada à 4ª classe)… E depois vejo-me a redimir das diabruras, por exemplo, na companhia do Tiago Aleixo, do Frederico, do Ricardo Agarez e do Gonçalo Fernandes, a lavar os baldes dos pratos e dos restos de todas as salas (muito embora este serviço fosse regularmente recompensado, pelas senhoras da cozinha, sob a forma de chupa-chupas!)… Para pouco depois voltar ao contra-ataque, como daquela vez que saí a meio de uma aula da 1ª ou 2ª classe, na companhia do João Pedro, rastejando e gatinhando sem que ninguém reparasse, para depois nos escondermos debaixo da mesa redonda (que existia junto à entrada principal) para simular que tínhamos fugido da escola... Até comida levámos para o “abrigo”, pois o plano era passar lá o resto do dia!... Mas pouco depois, quando já estavam a ser organizadas as equipas de busca e resgate, os nossos risos acabaram por nos trair… Enfim… Uma roda viva que nunca parava. A verdade é que me lembro de tantas coisas mais, que não caberiam neste jornal… Será possível que tudo isto se tenha passado há mais de 30 anos?... E como é que tudo está ainda tão presente, desde os acontecimentos, às sensações e imaginações?... Haverá melhor máquina do tempo do que a mente humana?..........


Dificilmente reconhecerei a Torre noutro edifício, que não naquela “nossa” casa cor-de-rosa… As novas gerações dirão obviamente o contrário. Estranho é, este afecto que desenvolvemos pelas coisas e pelos locais. Mas mais importante do que os locais são as pessoas! As pessoas fazem os sítios. E no caso da Torre, em particular, não poderia esta afirmação ser mais apropriada – o espírito da Torre! A eles e elas, que comigo também foram “A Torre”, tal como a conheci e vivi, dedico estas linhas:

Os(As) funcionários(as) e os(as) professores(as)  Sr. António – Às vezes pergunto-me se não seria ele próprio Santo

Maria do Carmo – Punha-nos na linha e depois era simpática e

António?!?... Paciência de santo certamente não lhe faltava… Para

sempre gozona.

aturar todas aquelas tropelias, cantorias e gritarias a bordo da

Carlos – Tinha bigode e levava-nos ao INEF, onde adorávamos ir... Foi

carismática carrinha (julgo que a primeira da Torre… Aquela que tinha

lá que descobrimos e experimentámos o primeiro fosso olímpico do

uma risca acastanhada a todo o seu comprimento e uma alavanca entre

país.

o lugar do condutor e o lugar da frente para abrir e fechar a porta dos passageiros – Que festa e privilégio sempre que nos sentávamos à frente, ao lado do Sr. António, e ele nos delegava o comando de tão cobiçada alavanca!). Bem-haja Sr. António, pela amizade que nos dedicou e por em tão boa hora nos ter dado a conhecer o que é um “homem bom”! Esmeralda – A Esmeralda era muito boa para nós, como tal a amizade e consideração que nutríamos por aquela senhora, colocavam-na no mais alto patamar que uma criança estabelece quando classifica e hierarquiza adultos. A Esmeralda era a nossa “avó” na escola. Jesus e Alice – Têm imperativamente de ser mencionadas a par! Não

Domingos – O Domingos era extraordinário naquilo que fazia e contribuiu muito para a definição do conceito “A Torre”. Foi também um privilégio, em tão tenra idade, ter tido acesso ao mundo tecnológico dos audiovisuais e principalmente ao Universo da música, em particular à musicalidade dos instrumentos, Manel Ruivo – Não foi meu professor. Era o marido da minha professora Susi e contava viciantes histórias sobre a caça em África. Manuel – Não foi meu professor. Era o marido da minha professora Inês e era tão simpático como ela. Teresa – Mãe, há só uma!

por qualquer relação específica e bem delineada, mas apenas porque

Anita – Era a simpatia em pessoa.

sim, em “lógica-criança”! Eram muito simpáticas mas nunca se distraíam a

Mitú – Era a pessoa em simpatia

pôr-nos rapidamente na linha!

Patrícia – Talvez por ser mais nova, aproximava-se muito facilmente de nós. E aí descobríamos que era uma querida.


Susi – Era muito simpática e maternal. Estive muitas vezes em casa da

empurrar o seu roto carocha (em 11ª mão ou coisa que o valha…) e

família Ruivo, onde me sentia como em minha casa. Lembro-me de certo

que nunca pegava, pela rua fora, ao som trovejante de fortes rateres!

dia estar a ver televisão em casa deles, enquanto a Susi e o Manel

Era uma alegria imensa para fechar o dia!

preparavam o jantar… Nisto, o ecrã tinge-se de negro… Silêncio…

Zoé – Vibrámos com as suas experiências, cativava-nos com a sua

Logo quebrado pelo relato, em voz off, sobre o falecimento do

maneira de ensinar, fazia-nos rir à fartazana! Passaram-se tantos anos,

primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro. Fui até à cozinha e contei a

tantos professores, instrutores e mentores, mas a Zoé continua a ser a

notícia aos pais da Inês... A gravidade da expressão que largaram

referência: A Zoé era “A Professora”! E o que jamais esquecerei? Os

ficou-me marcada na retina até hoje.

“clisteres de açorda” e os “flaque-e-baques no trombil”! Ou seriam

Daniela – Era estranhamente parecida com a minha mãe. Tinha três

“flaquibaques”, ou, como diriam os alunos de hoje, “flak e baks”???...

filhos pelos quais nutria especial amizade.

Professora!...

Inês – Foi minha professora na 2ª classe e, ironia do destino, voltou a

Tana – Se a Zoé era “A Professora”, a Tana era “A Torre”! E o que

sê-lo no 12º ano do ciclo, na Escola D. João de Castro, onde a encontrei

jamais esquecerei? As histórias passadas em Angola… Até parecia que

igual à imagem que guardava dela: Sempre simpática.

África era ali mesmo, naquele cantinho do Restelo…

Rui – O Rui foi uma lufada de ar fresco! Era o nosso irmão mais velho.

Nota: Peço desde já desculpa para o caso de me ter esquecido de mencionar

Um companheiro e amigo muito divertido, entusiasmado e entusiasmante.

algum(a) professor(a) ou funcionário(a)… Não julgo, no entanto, ser esse o

O Rui era, para todos nós, cinco estrelas! E o que jamais esquecerei? De

caso da Sandra – que muito prezava – pois julgo que apenas terá entrado para a Torre alguns anos depois de eu ter saído.

Os meus colegas de sala  João Pedro (saiu da “Torre” na 2ª classe) – Era o meu melhor amigo!

Frederico Espírito Santo – Meu amigo, ficou sempre um pedido de

Fortíssima empatia, daí que a tua antecipada partida sempre fosse

desculpa por dizer. Por isso, aqui vai: Desculpa! Desculpa por ter

sentida.

cedido à pressão do grupinho, em vez do o contestar e ficar do teu

Ana Marta – Lembro-me perfeitamente do teu sorriso, da tua simpatia

lado. Aprendi a lição. De resto, contigo, são todas grandes

e da tua franca amizade.

recordações!

Catarina Sampaio – Jamais esquecerei o teu rosto e o teu sorriso!

Tiago Aleixo – Grande amigo. Lembro-me de voar contigo nas asas da imaginação, ao som da banda sonora de um filme de ficção científica


Hugo Marques – Eras um bom companheiro, mas acima de tudo boa

Ricardo Jesus – Simpático amigo.

companhia.

Joana Barbosa – Lembro-me de num certo intervalo ser apanhado

Gonçalo Fernandes – Eras o mais divertido de todos. Transbordavas

pelo Rui (professor) a enfiar três ou quatro(!) “cartas de amor” à pressa

boa disposição e contagiavas-nos com risos! Eras uma “peça”

no bolso do teu casaco… O Rui pensava que eram os recibos das

fundamental da nossa “equipa de xadrez”!

refeições, até perceber que não podiam ser… Corei. Terá sido a

Inês Soares – Lembro-me da tua sincera simpatia. E lembro-me da

primeira vez?...

alegria imensa de irmos “à boleia” no Volkswagen descapotável da

Rita Palma – Tentação antes de tempo!... As cartas eram para a

tua mãe a apanhar com o vento refrescante na cara, nos dias quentes

Joana, mas o meu olhar perdia-se frequentemente na tua direcção…

de Verão. Que sensação de liberdade, parece que ainda hoje sinto!...

Rita Fonseca – Um diamante de simpatia, com um sorriso sempre

Miguel Patrício – Lembro-me da tua simpatia e das tuas engraçadas

pronto.

libertações que se destacavam da tua exemplar educação.

Rui Barros Almeida – Eras um bom amigo, fiel e íntegro. Certo dia

Joaquim (Quim) Maia – Bom moço! Bom moço, mesmo.

chateámo-nos e fiz-te chorar, mas quando descobri que não tinha

Inês Ruivo – Talvez a melhor amiga e uma grande companheira.

razão acabei por ser eu a sair mais magoado. Aprendi e cresci.

Felizmente já tinha aprendido a lição com o Frederico, pelo que

Obrigado e desculpa!

facilmente te perdoei.

Sandra Amado – A nossa simpática nadadora, uma excelente amiga!

Inês Azevedo – Inês, simpática Inês.

Tiago Morais – Eras bem porreiro e divertido!

Maria Manuel – Grande Maria Manuel! Grande simpatia!

Victor Manuel “Peyroteo” – Amigo íntegro.

Rita Seixas – Foste a melhor lição, que julgo ter aprendido bastante

Gonçalo Silvério Marques, Tiago Jorge, Ricardo Agarez, Jorge

mais cedo que a larga maioria dos nossos colegas. Cedo o suficiente

Mendonça Oliveira – Torna-se impossível relacioná-los apenas com a

para ainda me poderes perdoar, um pouco…

Torre, pois sempre foram parte integrante da minha vida. Na Torre, foi

Nuno Ducla Soares – Muito simpático, este educado amigo.

apenas o começo…

Nuno Costa – Sempre foste o nosso prezado protector, em especial na

Joana Lemos Bárcia – Era uma amiga mesmo muito porreira! Julgo que

Paula Vicente! Fiel amigo!

fomos os únicos (do nosso ano) a partilhar o feliz episódio de conseguir

Paulo Piçarra – Uma espécie de irmão, com tudo o que isso implica:

alcançar

Desde a amizade às quezílias (de irmãos).

os

sonhos

que

começamos

a

construir

na

Torre


“Gostava de voar para ver o sol o céu e andar com os passarinhos” Luís – Jornal “A Torre” (1976 - 1977)

Profecia? Premeditação? Destino? Ou apenas um sonho tornado realidade?... Acredito mais nesta última hipótese – Um sonho nascido na “Terra dos Sonhos”, na Torre.

“O Luís gostava de voar eu gosto de estar na terra de ser pessoa” Catarina Sampaio (1976 - 1977)

O meu muitíssimo obrigado a todos os que participaram e proporcionaram este magnífico leque de vivências, sensações e emoções, agora sob o molde das recordações, que foi a minha vida na Torre, a minha infância. Obrigado por me terem feito feliz. Luís Gouveia (1971)


Infinitos!  Tenho sempre na cabeça a imagem de uma casa grande, pintada de encarnado, quente como um coração (mesmo que as fotos sejam a preto e branco). Nesta imagem aparecem a Tana, a Graça, o Francisco, a Joana, a Mitú, o Gonçalinho, o Manel grande, a Inês, a Rita, a Jorge, a Zoé, o Rui, a Esmeralda, a Jesus, a Alice, o Sr. António… A ginástica do Carlos Neto, os acampamentos em Almornos, o cheiro das tintas e das “papas” de digitinta na cozinha… salame de chocolate… O “cuco que não gostava de couves”, os cromos e o jogo das almofadinhas, os passeios ao Jardim das Árvores, a noção de infinito e os conjuntos, os ateliers e os teatros, o sol e a terra, a música do Domingos, o sabor daquelas bagas roxas pequeninas das árvores que havia dantes no jardim… O recreio com os ferros e a areia do chão… os cestos, o pão com marmelada… As nossas cabeças no colo da Jesus, durante o recreio, a ver se tínhamos piolhos! Se calhar podia tentar pintar tudo aquilo que tenho na memória… num enorme papel de cenário, cheio de cores e de pessoas e de coisas e de acontecimentos… Tentar mostrá-lo numa canção… como aquelas que sabíamos cantar depois do 25 de Abril, sobre a liberdade! Ou fazer uma notícia… Teria apenas que limpar o pó à velha imprensa, aos caracteres… e pô-los naquelas calhas pequeninas… e depois ver, com a ajuda de um espelho, se ficava tudo bem escrito: ACHO BEM! … ACHO MAL! QUEREMOS FAZER… FUI RESPONSÁVEL! Neste jornal de parede cabiam certamente quase todas as palavras… Mas não queria esquecer todas as coisas boas que a Torre me deu… Só sei que, se voltasse atrás 30 anos e me perguntassem: - “Quanto é que gostas da Torre?” Respondia: - “Infinitos”!… Ana Marta Domingues (1972)


A minha primeira lembrança de sempre é na Torre, na sala dos 3 anos. A Torre foi uma coisa boa que vai estar sempre cá dentro. Foram as histórias da Tana (as do Guliver e as outras), foram minicalculadoras, foi o jornal da torre, foi o jornal de parede, foram os acampamentos, foram os amigos, foi a Tana, foi a Daniela, foi a Inês, foi a Zoé, foi o esparguete à bolonhesa da Esmeralda, da Jesus e da Maria do Carmo, foram as viagens na carrinha com o Sr. António... Lembro-me de como as coisas se passavam: a noção de crescer e de aprender em conjunto; de ter uma opinião respeitada por adultos e colegas; de ter autonomia para dizer o que queríamos fazer e o que queríamos ser; da importância da justiça; da importância da partilha com os outros. Ainda hoje me vou apercebendo do que aprendi na Torre. A capacidade de estar bem com o que sou e a liberdade de escolher o que quero fazer na vida profissional e na vida pessoal, sem sentir culpa por não estar a seguir estereótipos. A Torre também é a Torre do André e vai ser também a Torre do Francisco. É giro assistir à Torre hoje e perceber como é que ela se traduz na vida do André. É necessariamente diferente para ele, mas o tesouro de ter uma "coisa boa" lá dentro, que ajuda a encarar as coisas boas e más ao longo da vida, já percebi que já lá está. Ricardo Jorge (1973)


A TORRE “é a minha mãe, o que sou e como aprendi a ser”. Mónica Valente (1974)

Ser criança na Torre é o cheiro da digitinta, é o chegar ao jardim das árvores, é o sabor da carne picada com massa, é as mãos da Esmeralda, é a guitarra do Domingos... É incrível como consigo sempre sentir a Torre. É mesmo aqui que gostava que os meus filhos fossem crianças também. Raquel Oliveira (1974)


“Eu sou da Torre!”. Vinte e quatro anos depois continuo a dizê-lo com a mesma vaidade! Construímos cenários de areia para brincar e sonhar. Entre trapos e artefactos, letras e números, jogos e bonecos, despejámos o saco do nosso desassossego embalando livremente a nossa imaginação naquilo que gostaríamos de ser e conhecer. Para a Torre levávamos desejos e trazíamos questões; levávamos vontades e trazíamos inquietações; levávamos dúvidas e trazíamos pensamentos; levávamos, acima de tudo, um despojamento do efémero e trazíamos um intenso desejo de pensar, de questionar, de contrapor, de intuir, de reclamar, de sonhar, de realizar… Lá fora diziam que éramos malcriados. Não entendiam que o acto de discordar pressupunha liberdade de pensamento. Diziam que dávamos erros ortográficos. Mas não elogiavam o conteúdo dos nossos textos, repletos de ideias e ideais. Diziam que aprendíamos matemática de uma forma estranha. Só mais tarde verificaram que tivemos prazer em estudá-la. “Eu sou da Torre!”. Daquela escola pequenina onde havia um conselho de turma para debater problemas; onde nos riamos com prazer ou nos zangávamos veementemente; onde podíamos questionar ou argumentar com sentido crítico; onde aprendemos que pensar serve para crescer sem preconceitos e com alguma fantasia. “Eu sou da Torre!”. Da carrinha do Sr. António que deixava a Jesus em casa, junto à placa que dizia “Salão Bibi Penteados”, do delicioso esparguete com carne picada da Esmeralda, da chamada incessante da Sandra, em tom de comando, “4º Ano p’rá ginástica”, do armário de chaves da Alice, da brincadeira do “Homem do Saco”, do jogo dos frutos, dos castelos de areia, dos berlindes, dos pequeninos troncos que se transformavam em princesas, das mangueiradas em cuecas, da letra de imprensa, da mini calculadora, dos cadernos de papel castanho, do teatro da Santa Catarina, da ginástica do Carlos e da viola do Domingos. “Eu sou da Torre!”. Da casa em que todos se tratavam por tu, dos afectos da Mitú, do sorriso da Teresa, da paciência da Daniela, da sala da Tana envolta numa nuvem de mistério que impunha um infinito respeito. “Eu sou da Torre”. Sim, da Torre, onde aprendi a respeitar os outros e onde compreendi que o mundo é tão global que absorve todas as diferenças. “Puxem pela cabeça!”, ouvimos repetidamente durante anos. Muito obrigado Torre! Foram essas revoluções mentais que permitiram percepcionar o espaço e a vida com uma liberdade de afectos e com um constante equilíbrio entre a ficção e a realidade. Foi o desprendimento daquilo que é obtuso que proporcionou alguma arrogância capaz de um pensamento autónomo em permanente rotação. “Eu sou da Torre!”. E melhor que tudo, os meus filhos também! Mariana Castro Henriques (1975)


“A primeira vez que vi o Sol não gostei muito. A segunda vez que vi o Sol já gostei mais um bocadinho. A terceira vez que vi o Sol gostei muito.”. Esta é a transcrição mais ou menos fiel de um poema escrito por mim e que saiu no Jornal da Torre. Acho que não foi o único, mas é o único de que me lembro… Não sabemos porque a nossa memória guarda umas coisas e outras não, mas uma coisa tenho a certeza: existe uma espécie de memória colectiva “torrence” povoada de mini-calculadoras, de teatros, da cozinha da Esmeralda e da Jesus, da Tana e da Zoé na sala dos professores envoltas em fumo ou a espreitar-nos da janela enquanto brincávamos, das palmas e da voz da Maria do Carmo a chamar para a ginástica, do fosso da espuma, do “acho bem e do acho mal”, da hora da limpeza, das pinturas, da digintinta, da areia, das princesas de flores e paus, dos ferros, dos collants a fazer de cabelo comprido como duas tranças, de uma abelha que me picou quando tentei salvá-la, da linda falua, do dia em que fiz de D. Afonso Henriques, e do dia em que fiz de morta, do casaco de peles que a Margarida roubou à mãe para um teatro, dos cadernos feitos por nós, das músicas do Domingos, das assembleias de escola, dos trabalhos manuais, do sótão, do jardim das árvores, dos bichos-de-conta, das mangueiradas nos dias de calor, do homem da mão preta, do Duarte a fazer de Santa Catarina, das experiências do arco-íris, da secretaria da Alice, da gaivota cheia de petróleo, do esparguete com carne, da tabuada que ainda hoje não sei de cor… Acho que é melhor parar porque tenho a sensação de poder encher centenas de páginas com estas memórias soltas que não dizem nada, mas que, no fundo, dizem tudo. Não dizem nada e dizem tudo porque penso que escrever sobre a torre é escrever sobre essa memória colectiva que nos define enquanto seres únicos. É falar dessa linguagem comum que todos falamos e com a qual aprendemos a pensar as coisas de forma original. É como se a linguagem que aprendemos na Torre, e que é a nossa, fosse a linguagem do pensamento e, por isso, a linguagem das contradições e da própria vida. Dito de uma forma simples, penso que a linguagem da Torre nos ajudou, desde cedo, a pensar e a viver o colectivo sem esquecer o indivíduo, a sermos idealistas sem deixarmos de ser realistas, a sermos livres mas responsáveis, éticos mas não moralistas, simples mas profundos.


Dito desta forma parece que somos todos perfeitos, mas não é isso que quero dizer. A Torre dotou-nos de um instrumento valioso: a capacidade de questionar. Por isso acho que a Torre nos ajudou a sermos seres mais densos e mais perfeitos nas nossas imperfeições. Aliás, são as imperfeições do dia-a-dia na Torre que a torna tão especial. A Torre é como a ilha da utopia tornada realidade. Mas é precisamente a realidade e as suas imperfeições que me fazem falta: aquele caos organizado cheio de argumentos e contra argumentos, aquelas assembleias onde durante horas discutíamos já não me lembro bem o quê, mas onde as coisas acabavam por fazer algum sentido, ainda que provisório, onde não aprendíamos, mas íamos, antes, descobrindo, a pouco e pouco, os múltiplos sentidos das coisas. Em suma, aquele caos onde só as regras que entendíamos tinham direito a vigorar, onde discutir ideias não era uma perda de tempo, mas uma forma de estar, onde um borrão de tinta amarela podia ser um acontecimento, uma descoberta para sempre gravada na memória de quem a viveu… Às vezes tenho a veleidade de pensar que se todas as pessoas tivessem andado na Torre era muito fácil construir uma sociedade perfeita em todas as suas imperfeições. Penso que a linguagem que a Torre nos ensinou é linguagem da vida ou, pelo menos, daquilo que para mim é importante na vida. Dizer que uma escola nos dotou da linguagem do mundo e da vida é dizer que a Torre é mais do que uma escola. A Torre é uma maneira de ser e de estar que assenta nos valores que mais prezo. Quando digo “eu” refiro-me ao ser individual que sou, mas também ao ser colectivo que acredita na liberdade, na igualdade, na criatividade, na amizade e… ia dizer na coragem de cada um pensar pela sua cabeça, mas na Torre pensar por nós próprios e dizer o que pensávamos não implicava qualquer coragem, era apenas a única forma de estar que conhecíamos. Joana Melo Antunes (1975)

Para mim a Torre é uma segunda casa… Acho que é mesmo a característica que melhor diferencia esta escola. Podia dar imensos exemplos de recordações da minha infância feliz, como o cheiro a café e a lavanda logo pela manhã que ainda hoje, quando levo a Maria Ana, me faz voltar atrás. A ligação com todas as pessoas, a comunicação e o interesse pelos problemas foi sempre importante e fez-me sentir parte da família. Como na minha casa, quando não se concorda com alguma coisa, conversa-se e tenta-se chegar a um consenso, ouvindo a opinião de todos. Estou a lembrar-me de um episódio no final da segunda classe. Juntámo-nos e fomos à porta da sala de reuniões com um abaixo-assinado, pedir à Tana para manter a Daniela como nossa professora na terceira classe (confesso que tive de perguntar o que era um abaixo-assinado). Estes princípios, educação ou como lhe queiram chamar, para mim foram muito importantes e por isso adorava que a minha filha também pudesse ter este privilégio. Agora, a Torre vai mudar de casa, mas para mim é só mais um passo na vida da escola. Afinal, as famílias também mudam de casa… Ana Gonçalves (1975)


Foram inúmeras as experiências que ainda recordo com saudade, que passei durante 7 anos na Torre. Os acampamentos em Almornos, o acantonamento no Caramulo, as visitas de estudo, os teatros de fim de ano, o jornal de parede, o jornal Ratazana, os jogos de futebol de 5x5 (que ainda hoje me pergunto como conseguíamos jogar tantos num campo tão pequeno), as corridas de pneus à volta da escola (e o desgosto que todos sentimos quando fecharam a passagem), a Teresa a chamar para a sala (ainda hoje tenho essa voz tão presente... Obrigado, Teresa), bem, um sem número de vivências. No entanto, a Torre é muito mais do que saudade. É presente, todos os dias quando levo a Maria de manhã, ou quando estou com alguns dos meus colegas, com quem mantenho uma amizade próxima, e falamos sem nos cansarmos da nossa vida passada na Torre. Um beijinho muito grande para a Teresa Modesto, Tana, Esmeralda, Jesus, Maria do Carmo, Patrícia, Sandra e todos os que contribuíram para que a Torre nos marcasse tanto nas nossas vidas. Gonçalo Cid Peixeiro (1976)


A Torre é…. acampamento, recreio, “acho bem”, “acho mal”, “fizemos”, “queremos fazer”, arroz à valenciana, areia, galochas, risos, escadas, amigos/amigas, pratos de inox, mini-calculadora, experiências, digitinta, sala das professoras, “prá sala!”, “carrinha!”, Isef, música, teatro, carne picada com massa, aprender, crescer, voltar! Ana Mafalda Vicente (1976)

Grande parte da minha infância foi passada no Restelo. Num tempo em que só havia sol. Eu, só me lembro de sol. Durante as sestas, o almoço ou as aulas de matemática. Durante seis anos foi aquele o meu castelo ao sol. A Torre onde, sem saber, preparei ofensivas que mais tarde foram úteis. Onde aprendi a estudar os ventos, as forças e os terrenos onde têm lugar as batalhas. A Torre onde, entre brincadeiras, tomei contacto com alquimias várias – das laboratoriais às sentimentais. Foi lá que me ri sem dentes, para saber o que isso é no dia em que me voltar a acontecer. Foi lá que encarnei um Afonso III imberbe para não hesitar quando tiver o meu pequeno reino para reinar. Foi lá que editei um jornal para um dia saber contar histórias. Foi lá que, à hora do almoço, aprendi a partilhar missões e definir tarefas enquanto varria o chão. Foi lá que aprendi a jogar à bola e a conquistar os cromos mais difíceis, virando-os com a palma da minha mão quente. Sobretudo, foi na Torre que eu sujei as mãos no barro, na digitinta, na plasticina. Lá aprendi a não tremer as mãos para fazer o picotado. Aprendi a respeitar e a acreditar primeiro que tudo, na minha mão esquerda e no que a ela se segue. E a saber utilizá-la como asa que me leve onde calhar.

Rodrigo Mota (1976)


Experiência a duas vozes  A nossa partilha na torre mais marcante foi o dia em que roubei os berlindes ao Sebastião, corri para a casa de banho com o saco, ele veio atrás de mim e eu garanti que não os tinha. Azar dos azares o saco rompeu-se e foi vê-los a rolar por baixo da porta. O Sebastião do outro lado a achar que eu não passava de uma miúda estúpida, tenho quase a certeza que me pôs no “acho mal” e com razão, nunca mais roubei nada a ninguém. São estas lições que experimentamos quando somos pequenos, uns com os outros... Muitas dessas foram na Torre. Voltámos a encontrar-nos uns anos depois a passear na praia, no Algarve onde passamos férias juntos até hoje. Até agora somos amigos. Partilhamos experiências, choramos no ombro um do outro quando é necessário e, sobretudo, confiamos que estamos lá para o que der e vier. No outro dia cheguei à conclusão que a Maria é a pessoa de quem sou amigo há mais anos. Essa história fez-se porque a Torre existiu como ponto de partida. Falamos a mesma linguagem, temos os mesmos princípios, sabemos o que achamos bem e mal, andamos pelo mesmo carril e esse começou a ser construído no “berço” que foi a Torre. Vivemos aí, num período de transição em que muitas esperanças eram depositadas. Somos uma geração entalada entre a memória próxima de um regime antigo e as novas esperanças dos pais que dele saíram; experimentámos a liberdade em todo o seu esplendor e a abertura de espírito; o diálogo com quem trabalhava na escola era muito próximo daquele que tínhamos em casa, havia um conforto reconhecível que nos dava confiança. Os nossos gostos e escolhas também se moldaram a partir daí, vemos, lemos e ouvimos as coisas de maneira muito próxima, com a mesma compreensão assimilamos o que está à nossa volta. Muitos dos que vamos encontrando pelo caminho reconhecem-se por essa marca deixada. Temos a certeza de que todos os que por lá passaram são gente boa e bem formada, confiável, num mundo que fora da Torre nos mostrou que nem toda a gente é assim. Se contarmos as pessoas com que nos damos e com que partilhamos a vida, a maior parte passou por lá, isso deve querer dizer alguma coisa. Pareceu-nos importante falar do que somos agora e o essencial gesto de partida que a nossa escola teve nessa construção. Obrigado Torre (que inclui todos os nomes, que nem precisamos de citar).

Maria Tengarrinha e Sebastião Lagarto (1977)


Memórias da Torre – turma de 1987/88 (4ºAno) - O Ely com os seus amendoins positivos e negativos... - A mini-calculadora... - As digitintas... - A história do Touro Azul... - Os livros “Menina do Mar” e A Árvore”... - O Jornal de Parede... - As aulas de flauta... - Os passeios ao Jardim das Árvores... - A hora das limpezas... - A História ao Vivo no Cais das Colunas... - As sombras chinesas e a Nau Catrineta... - As sessões de respiração... - Os computadores com o jogo da tartaruga... - A piscina de espuma... - Esparguete com carne picada... - O ‘S’, quando está entre duas vogais, elas combinam e combinam a andar à roda e faz “zzzzzzzzzzzzzz” – lê-se ASA. Se o ‘S’ for chamar o irmão, as vogais já não conseguem rodar e lê-se ESSE.” - O ‘C’ ficou com medo e fez cocó. Ficou ‘Ç’ e as outras letras chamaram-lhe cagão! - Quando a turma não se acalmava a Zoé dizia: “Ou vocês se acalmam ou levam um flaquibaque no trombil e um clistér de açorda!” - A hora da limpeza em que se faziam as tarefas muito rapidamente e se ficava o resto do tempo a brincar e a fazer teatros na sala. - Quando aprendemos a escrever o ‘a’ dizíamos: ‘pata redondinha, estica a patinha...’ - Não eram só o ‘c’ e o ‘s’ que tinham problemas com o ‘e’ e o ‘i’. O ‘q’ tinha-lhes um ódio de morte! Foi preciso o ‘u’ meter-se no meio...


TORRE. Acampamentos e aventuras, Joana e Anita, mini-calculadoras, filosofia, Zoé com flaquibaques e clisteres de açorda. Amigos e pactos de enterro, lado a lado, a provar a amizade para sempre. Pensamento crítico, teatro – tanto! E liberdade de expressão. A Anita fala-nos da vida secreta dos gnomos e nós fazemos planos para impedir que eles sejam descobertos por outras pessoas. À mistura, a “Fada Oriana”, o Touro Azul, o Homem da Moca. Mais a História ao Vivo, as marionetas, a flauta com a Luísa, o Carlos Neto e o “fosso” de espuma no ISEF. Fazemos imprensa a todo o vapor e o Domingos acompanha à viola. Correria no jardim das árvores, a “Nau Catrineta” em sombras chinesas, os gritos de união do Luís Mourão, sempre que saímos para uma visita. O quadro das bolinhas de responsabilidade, os primeiros passos num computador, os saltos no banco do fundo da carrinha do Sr. Santos – desculpem, Sr. Sandes – quando passamos naquela rua em que as raízes das árvores rompem sem cerimónias o alcatrão. A Esmeralda e a Jesus, no meio de tachos e panelas, pacientes com as nossas incursões à cozinha em busca de um ovo cozido “extra” para comer à dentada. Esta semana estamos a tentar salvar um pardal que não consegue voar. Todas as nossas pequenas descobertas são importantes. A Tana diz que está orgulhosa e nós de peito inchado. O Eli e os amendoins para ensinar os números negativos, a Mónica, o Nuno e a Pata para a leitura. A nossa letra preferida? O “Ç” todos sabemos porquê. Diferentes entre iguais. O “Acho Bem” tem duas notícias e o “Acho Mal” tem dez. Hoje é dia de reunião do jornal. No recreio o objectivo é fugir da Alice e da Maria do Carmo para inventar brincadeiras que ponham em risco a nossa integridade física. 1ª voltaaaaa. Sara Martins (1978)


Joana Jorge (1978)


Mas afinal o que é que «a Torre» tem assim de tão especial? - pergunta quem não conhece a Torre e vê na relação e no encontro dos que lá andaram o entusiasmo, a cumplicidade e a recordação de momentos que lá se viveram. Podemos tentar explicar por palavras… Mas haverá sempre uma parte inefável que nos estrutura, que nos define, que nos marca, que (eu sei, é injusto!), mas só quem passou pela Torre, poderá entender! Apelidam-nos de «torrenses», ou nós próprios assim nos chamamos, como se nos tivesse no sangue a alma desta escola onde crescemos e onde sobretudo fomos tão felizes. Gosto de pensar na Torre como uma casa, solar, com um jardim, uma casa grande, aberta, ampla no seu olhar, na sua clarividência e liberdade, onde voltamos às vezes, no percurso das nossas vidas, e onde somos sempre tão bem recebidos, para falar, estar, procurar um reencontro com a nossa infância, entender grande parte do que somos hoje. A escola que não pretendia «ensinar», mas onde aprendemos tanto e onde gostámos tanto de aprender, onde não havia regras impostas, mas regras sugeridas e entendidas, discutidas, percebidas no corpo, na cabeça, nas acções, onde o colectivo se entendia na procura e percepção de cada individualidade, onde havia respeito por cada um e pelo todo, espaço para a imaginação e criatividade, liberdade de pensamento e expressão, onde passo a passo começámos a descobrir o nosso caminho e a ter a percepção da nossa presença no mundo … E as lembranças atravessam a memória: a árvore grande, os cantinhos das brincadeiras, as amizades (algumas para a vida), a escadaria de pedra, a hora da limpeza, os jornais de parede, as reuniões gerais, os ateliers, os teatros, o conto de O Touro Azul, a Fada Oriana, as mini-calculadoras, as histórias para aprender a ler, a Mónica e o Nuno (que existiam mesmo!), a imprensa, a Pimpa, os acampamentos no Verão, as brincadeiras na cozinha com a Esmeralda e a Jesus, as boas conversas com a Tana, todas as pessoas e professores que foram marcando as diferentes gerações… a Zoé, a Anita, a Joana, a Teresa, os recreios com a Alice e a Maria do Carmo, a Sandra e o Srº Santos na carrinha, as cantigas com o Domingos e a flauta com a Luísa, a ginástica com o Carlos Neto, o «fosso» de esponjas..!. Hoje, a Torre continua a fazer parte dos meus dias e vejo que para todos os que lá andam, professores e alunos, a escola continua a ser um prazer. Ir à escola da Torre é um motivo de alegria e é difícil ao fim do dia abandonar as brincadeiras para ir para casa… Quando é sincera e honesta a dedicação que nutrem por nós, tudo parece fazer sentido, sentimos que crescemos e somos verdadeiramente compreendidos com generosidade e liberdade. Era bom que toda esta dedicação e acompanhamento pudesse existir em todas as escolas, escolas como a Torre, feita por pessoas que firmemente estão lá onde mais precisamos, que nos transportam por caminhos de felicidade, que nos dão uma infância e nos abrem portas para a vida. Adriana Aboim (1979)


Estive na Torre dos 3 aos 9 anos. Sempre guardei uma boa memória desses anos. Nestes 20 anos que passaram desde que saí da Torre lembreime frequentemente de sensações, cheiros, regras, modos de estar e principalmente de professores e amigos, alguns ainda hoje grandes amigos, com quem aprendi a crescer. O convite para escrever este pequeno texto fez-me recordar as digitintas e os jornais que fazíamos, as idas ao poço de espuma do antigo ISEF, as mini-calculadoras de matemática, as histórias onde aprendíamos filosofia, as festas de final de ano com teatro e música, os jogos de futebol, as guerras entre os “Xutos & Pontapés” e as “Mini-Stars”, o jornal de parede com o “Acho bem” e o “Acho mal” e até o esparguete à bolonhesa, sem rival à altura, que aí saboreava, entre muitas outras recordações. Nunca me senti distante da Torre independentemente do tempo que estive sem a visitar, talvez porque os meus irmãos mais novos e a minha prima, que frequentaram e frequentam “A Torre” foram mantendo essa ligação. Agora com 29 anos percebo o quanto “A Torre” me permitiu crescer mais livre e feliz. Esta sensação, que sempre guardarei, faz parte de mim como a infância deve sempre fazer parte da vida de um adulto. Resta-me dizer: PARABÉNS E MUITO OBRIGADO!

João Boavida (1979)


Ainda hoje recordo a minha primeira escola...Como ela foi importante na minha vida! Se fechar os olhos consigo estar lá, sentir os seus cheiros, entrar nas brincadeiras, recordar as mangueiradas de cuecas no pino do verão. A Torre fez-me uma criança feliz, e como resultado de ter sido uma crainça feliz, fez de mim um adulto que adorou ser criança, e que ainda hoje tem saudades de voltar à escola mágica. Todos os adultos que adoraram ser crianças, que aprenderam a brincar, que aprenderam a ser responsáveis, que aprenderam a trabalhar em equipa, são adultos felizes que conseguem fazer os outros felizes! A Torre fez isso por mim, e recordo com muita saudade o jornal de parede, a imprensa, as reuniões de responsáveis, a digitinta, os teatros, a matemática... memórias... Sou tão feliz nesse universo que não me importava de voltar ao primeiro dia da primeira classe, vestida com o meu vestido de marinheiro azul às riscas brancas e uma lancheira do “Sempre em Festa”, convencida que por magia ia para casa a saber ler! Mariana Pessoa (1980)


De volta à Torre  Mal se passa aquele portão percebe-se logo que estamos num sítio no mínimo diferente; no máximo, ideal. Há um ar de felicidade e “à vontade” naquelas crianças que chega quase a ser difícil de acreditar ou mesmo tentar explicar. Estou de volta à Torre! Mal me viram de violoncelo às costas perguntaram-me naturalmente “Que é isso que trazes às costas?” ou “És pai de quem?” ou um simples “Quem és tu?”. Hoje já não me fazem estas perguntas mas muitos deles interrompem (por alguns segundos!) as suas brincadeiras e vêm dizer-me olá mal entro no recreio. Alguns contam-me mesmo as suas histórias, como um pequeno dos 3 anos que no outro dia me contava de ar zangado que um colega “matou uma aranha da Natureza”. Que delícia! Fico muitas vezes a ve-los ali a brincar, como eu fazia há...(não pode ser)...vinte e tal anos; a tentarem ser os mesmos super heróis, craques da bola e salvadores do mundo que eu imaginei ser, ou as princesas e pop-stars que as minhas colegas personificavam na perfeição. E de vez em quando lá vem um de dedo torcido, joelho esfolado e lágrimas nos olhos ter com a Alice, Sandra ou Jesus à espera daquele “O que foi?” carinhoso e despreocupado que curava, e pelos vistos ainda cura, metade das mazelas. Vinte e tal anos... Parece impossível! Tanto mais porque muitas das coisas que aprendi nessa altura continuam tão actuais. De todas essas ferramentas, há uma que me marcou profundamente e que ainda hoje me emociona e faz agradecer à Torre pela forma natural como me foi dada, e também por me ser tão útil enquanto professor e cidadão adulto. Falo da consciência de grupo. A forma como debatemos os nossos problemas enquanto “folheávamos” o Jornal de Parede, como preparámos os teatros e espectáculos que fazíamos em conjunto, como dividíamos e avaliávamos o desempenho nas tarefas da sala, serviu para que eu sentisse que éramos todos importantes para que o grupo crescesse, apesar de ter, por vezes, pessoas bem diferentes à minha volta. E talvez mais importante ainda foi ter aprendido, à custa do currículo riquíssimo da Torre, que cada indivíduo desse mesmo grupo era especial e que tinha talento para algo, fosse na matemática, português, música ou ateliêrs. Eu sentia-me importante mas não mais que qualquer um dos meus colegas porque, como disse antes, de todos nós dependia a saúde do grupo. Num dos vários livros de pedagogia e desenvolvimento infantil que li durante a minha formação de professor de violoncelo, encontrei esta citação de John Taylor Gatto (aqui traduzida livremente por mim) que me fez abrir os olhos e exclamar: Isto é a Torre! Dizia assim: «Qualquer que seja a educação, ela deve tornar-te um indivíduo único, não um conformista; ela deve dar-te um espírito original com o qual vais enfrentar os grandes desafios; deve permitir que encontres valores que serão o mapa de estradas a usar na tua vida; deve tornar-te rico espiritualmente e uma pessoa que adora o que faz, onde e com quem estejas.». Não vêem também a Torre aqui? Vinte e tal anos...O mundo e o país mudaram imenso de então para cá, mas sinto e acredito que “a maneira” da Torre continua viva e a transbordar de actualidade. As crianças que por lá passaram nos últimos quarenta anos são a prova disso mesmo. Ricardo Mota (1980)


A Torre “A Torre” foi a casa das nossas primeiras canções, dos nossos primeiros amigos, dos primeiros jogos da bola, das primeiras tabuadas, das primeiras alegrias e da primeira tristeza, quando dela nos despedimos. Estamos muito gratos por todos esses anos que aí passámos e por tudo o que “A Torre” nos deu. Muito obrigado! André Caiado (1981) e Francisco Caiado (1983)


Quando o sonho era real…  A minha infância foi, sem dúvida, a fase mais feliz da minha vida. Sentia que o mundo que eu criava, era o verdadeiro. Vivia. Sem grandes preocupações. Achava que todas as pessoas eram boas e que o mundo comungava de uma só alma. Embriagada no meu universo, achava que o sonho era o real. Vivia – o intensamente e levava-o comigo para todo o lado. Acreditava que tinha um burro debaixo da cama e as flores que eu pintava eram as reais. Ia para a escola mascarada de cigana e nesse dia, era mesmo uma cigana. Se chamassem pelo meu nome não ouvia. Voava, voava. Eu era a minha própria inspiração. Falava com as sombras e era feliz. Quem me dera poder voltar atrás no tempo e reviver alguns desses momentos onde o mundo era cor-de-rosa, os lápis de cor minhocas, um livro não se chamava livro, onde existiam fadas minhas amigas, onde voava. Quem me dera conseguir resgatar um bocadinho dessa liberdade, dessa forma de vida tão mágica que vivi na Torre, a escola que era a minha casa e onde me deixavam ser eu mesma. Joana Pavão (1982)

João Aboim (1982)


Foi na Torre que passei muitos dos melhores momentos da minha vida. Conto que quando os meus pais me queriam pôr de castigo diziam que eu não ia a escola. Talvez assim possa mostrar um pouco do quanto eu adorava aquela escola! (É claro que nunca aplicaram o castigo! Eheh). Encontrei na Torre uma família. Tenho de confessar que uma das coisas que mais me marcou foi sentir todo o apoio e carinho incansáveis de toda a gente, em qualquer situação. Sermos reconhecidos pelos nossos méritos, sermos educados para ter responsabilidades, mas também termos a certeza de que não faltaria um "colo" sempre que dele precisássemos. Toda a dinâmica e método de trabalho que existia, desde a forma como era dada a matemática, às diversas reuniões que fazíamos para debatermos o "acho mal" e o "acho bem", às aulas de ginástica tanto dadas pela Néné como pelo Carlos, aos trabalhos de pintura e carpintaria....todos os acantonamentos que fizemos, os banhos de mangueirada no verão, as brincadeiras no recreio com os amigos.....aquele arroz divinal que a Esmeralda fazia e tantos outros pratos... Não consigo de todo esquecer! Um dia fui levar uma prima à escola dela depois do almoço. Ela está no 1ºano. Enquanto esperava com ela que viessem abrir o portão olhava para os miúdos a brincar e durante uns momentos a minha mente regressou à Torre. Tantas e tantas vezes desejei que o tempo não tivesse passado tão depressa, ou que fosse possível voltar atrás! Não exagero quando digo que a Torre foi AQUELA escola que mais ficou, que mais me marcou, da qual mais saudade guardei e guardarei. Obrigada à Torre por ter tornado a minha vida mais rica, obrigada à Torre por tudo (sendo que no "tudo" está incluído mesmo tudo, o que aqui falei e tantas outras coisas que não falei!).

Maria Serra (1983)

Naquele dia de Setembro, eu não sabia o que ia encontrar. As escadas eram muito grandes e escuras, e todas as portas da casa, azuis-madeira-conhecedora, abriam salas feitas de desenhos e números e letras... Na minha memória há a Torre desse espaço desconhecido e novo, mundo por descobrir, e de repente a Torre de todo um outro espaço que me enche os pés de cores e cantigas, me faz as mãos de sabores e lengalengas, me olha os olhos com os rostos e os nomes que fazem parte do que eu sou ou quero ainda hoje ser. A partir de então há verdades dentro de mim que são inquestionáveis: A de que na apanhada são sempre as “raparigas a apanhar rapazes”; ou que o São Martinho só o é quando podemos saltar à fogueira; ou ainda que as escadas da Heidrum, as de caracol (que nunca descobri se pertenciam mesmo a um caracol), eram inegavelmente as escadas mais giras e difíceis de subir. Depois ainda a verdade de que quando dávamos a mão a um qualquer menino e perguntávamos cantarolando “quem quer brincar às escondidas?”, mesmo que ninguém aparecesse para connosco brincar, acabávamos sempre por nos divertir; ou que o melhor pão do mundo é o da cozinha, a melhor sopa a da Jesus, o melhor colo o da Maria do Carmo, onde nos podíamos afundar...e que quem melhor arrancava os dentes era a Esmeralda.


Na minha cabeça as melhores manhãs ainda são as do silêncio nos corredores e cheiro a café acabado de fazer; nos meus dias as canções que me embalavam e me ensinaram a ver mais o mundo, são as que agora ensino e me pedem para repetir. Na torre aprendi a escrever. Não o escrever das letras, mas o escrever das minhas veias, do meu coração, de cada pedaço meu no mundo e da vida em mim. Mas no meio das letras, a cedilha do C há-de ser sempre um pequeno cocozeto que a Anita nos contou em segredo; fiz amigos que não foi nunca preciso conhecer para saber que são para toda a vida, como a Mónica e o Nuno. Há ainda a presença constante e quase desenho de fada, da Tana, (a Tana de todos os meninos), e da Zoé, (voz de brisa e furacão), envoltas nas brumas da sala dos professores à terça-feira e das suas palavras certas e precisas que tão bem cabiam dentro de nós e do nosso mundo pequenino. E aquele dia de Setembro, de que eu não sabia o que esperar, tornou-se na mais profunda e bela memória, aprendizagem que me conduz segura do que eu sou e de todo o tesouro que naquela escola, escolheram também em mim guardar.

Joana Coelho (1983)

Quando me pediram para escrever sobre a Torre nunca pensei que fosse tão difícil! Mas não podia recusar um pedido desta “nossa grande escola”, que foi a nossa casa durante 9 anos e a qual não conseguimos (e não queremos) esquecer! Mas no fundo são tantas as lembranças e tantas as recordações que não sei por onde começar... Talvez pela 'Rapunzel, Rapunzel atira as tuas tranças!', a história que a Patrícia contava tantas e tantas vezes! Ou então a escrita no jornal, com as letras de imprensa! Depois as calculadoras gigantes, com quatro cores. O abecedário à volta da sala para não esquecermos nenhuma letra (nem o c de cedilha, aquele que tinha um 'cocó' pendurado e era gozado pelos outros c's! ou o q, que não gostava de estar sozinho e teve que pedir a companhia do u!). O Jornal de Parede e as reuniões do “Acho Bem” e “Acho Mal”. As primeiras notas na flauta (Serra-serra-serrador) que aprendemos com a Heidrun no sótão e a Nau Catrineta, do Zé Pedro, que tinha muito que contar... Ou o ginásio do “fosso”, que era uma surpresa que a Néné nos fazia! Tudo isto com a ajuda da maravilhosa cozinha da Esmeralda e da Jesus e do grande recreio que terminava com a Alice: “Prá salaaaaa, 1ª classe!” Quem andou na Torre lembra-se de tudo isto...e muito mais! Quem andou na Torre sente-se e é especial! Porque na Torre ensinaram-nos que somos especiais, somos únicos. Quem andou na Torre não esquece porque teve a melhor infância que alguém pode ter...e, no fundo, vai ser criança para sempre! Porque aprendeu a sonhar..

.

Maria Costa (1983)


A To rre , a m inha e sp inha d o rsa l Fui um aluno da Torre, aliás ainda me sinto um aluno da Cooperativa a Torre. As minhas primeiras memórias são quase todas de lá, deturpadas ou não pelo tempo e pela idade em que ainda eram vivências, remetem a algo de importante, marcante e quase sempre maravilhoso. Salvo erro, entrei na Torre em 1987, ainda nem tinha três anos, e de lá parti em 1994. Nos sete anos que lá passei fiz muitos amigos, com quem partilho muito do meu tempo e espero continuar a partilhar. E quando digo amigos, não me refiro apenas aos colegas mas também a professores e funcionários. Em comum não temos apenas um lugar nem uma etapa mas também uma série de valores e atitudes – parece-me que somos muito diferentes mas também muito iguais. Penso na Torre como a minha espinha dorsal, em valores e conhecimentos que não me foram ensinados mas que lá aprendi e construí: a entreajuda e responsabilidade, tão presente na distribuição das tarefas como pôr a mesa ou limpar o prato; a justiça, como aquela que íamos procurando, escrevendo no ‘acho bem’ e no ‘acho mal’; a criatividade, desde as pinturas feitas com os dedos, as aulas de flauta com a Heidrum no sótão depois de subir a escada em caracol amarela, as brincadeiras com barro (ainda tenho o baixo-relevo da minha mão de quando tinha três anos!); a amizade e solidariedade, presente por exemplo, num episódio em que era preciso ajudar uma amiga que não podia vir ao acantonamento porque estava doente e todos fizemos desenhos para ela (acabou por ir e fiquei eu doente!); o trabalho, a tenacidade e o sonho, disciplinas conciliáveis e sempre divertidas, desde as aulas de matemática nos quadrados metálicos branco, castanho, vermelho e roxo, ou as tardes a ouvir a Daniela a contar as histórias da Fada Oriana ou da Menina do Mar, desenhar letras durante uma manhã ou ainda escrever os textos para o Jornal da Torre (documentos fascinantes que releio de tempos a tempos). Depois havia tudo o resto, as aulas nos enormes ginásios do ISEF com o Carlos Neto, o esparguete à bolonhesa da Esmeralda (como tenho saudades tuas), a voz rouca e sábia da Tana com quem sempre adorei falar e por quem nutro muito respeito... E o meu pai, que sempre soube ser pai, professor, amigo e companheiro, nas alturas certas – a minha memória mais intensa da Torre foi passada numa tarde em que procurei o meu pai na sala de professores, aquela salinha pequena da gente grande com a mesa ao meio, forrada de livros e que espreitava o recreio. Ele não estava, ao contrário de muitos professores da Torre, que sentados em torno da mesa sobre uma nuvem de fumo, falavam e bebiam café. A Zoé disse-me que podia ficar ali com eles até ele chegar e ficámos a falar, não me lembro sobre o que falámos, mas gostei muito. Os professores foram saindo, o meu pai demorou imenso tempo, e no fim fiquei eu e a Zoé, rimo-nos e conversámos. É uma pessoa de quem gosto tanto. Fui aluno da Torre e ainda me sinto lá, muitas vezes. Agora, são as minhas sobrinhas Rita e Mariana que lá estão. Sempre que posso vou lá, não sou só o João Morais, ex-aluno, sinto-me quase como elas, na Torre, num porto de abrigo após zarpar à descoberta do mar que é a vida. João Morais (1984)


Não se passa apenas pel'A Torre... é­se A Torre  Fazer a memória recuar até aos tempos n'A Torre não é um exercício fácil; há muito que já foi certamente desfocado pela vinda dos anos seguintes. Mas há determinados pontos que nunca s(er)ão esquecidos. N'A Torre lembro-me de todos ajudarem a pôr a mesa para o almoço, por vezes a contra-gosto, outras com a responsabilidade que nos era incumbida. Lembro-me que a Maria do Carmo estragava-nos com mimos - era o melhor colo de todos - quando não nos ralhava de cima abaixo, e as aulas de ginástica no ISEF transformavam-se em pequenas visitas de estudo. Lembro-me dos acantonamentos, do orgulho feliz das Festas para os Pais. Lembro-me dos fatos para as Marchas, feitos de papel crepe. Lembro-me do rebuliço que era a concepção do Jornal, enfeitar as páginas (quase) à nossa maneira. E das aulas de filosofia dadas por uma Baleia, que eu não gostava nada, mas também me lembro de poder ficar na sala a descobrir histórias por detrás das palavras enquanto os outros meninos brincavam no recreio - e disso eu gostava muito. Ali aprendia-se a brincar e brincava-se aprendendo. Foi das melhores – e mais importantes – lições que A Torre me proporcionou. A Torre não é apenas uma boa instituição de ensino: terá sido, para a maioria das pessoas que lá passou, a sua primeira Casa fora de casa. Onde a nossa idade miúda era encarada com naturalidade e talvez alguma maturidade também. Éramos crianças, educadores e pais, mas dentro daqueles muros pertencíamos à mesma família. E é esse o bem que A Torre faz, dar-nos a saber que há sempre lugar para cada e mais um. Como o amor é infinito mas os espaços não, parece que chegou a hora de alargar os horizontes e oferecer um local onde caiba todo esse entusiasmo pela Educação, tão característico d'A Torre. Os tempos mudam mas, felizmente, A Torre preserva a mesma integridade que sempre aos seus alunos transmitiu. Toca vidas, é o que é. Sara Nunes (1985)


A Torre…um lugar de muitas e boas recordações, um lugar onde se cresce, onde se aprende e se respira o ar da liberdade, magia e serenidade. Um lugar ideal para aprender a construir a base de um início de vida. Assim é a Torre, preparando todos os que por ela passam, uma escola na qual brincar é natural, mesmo quando se aprende. Marcada pela simplicidade, na tentativa de ouvir e compreender cada um, onde todos têm o direito de ser como são… Por tudo isso e àqueles que seguiram a minha caminhada na Torre, alguns dos quais devo muito do que hoje sou, um muito obrigada e que a Torre continue sempre! Marisa Pires (1986)

Sou a Catarina. Caminhei durante sete anos no meu Mundo da Torre. A casa sempre foi pequena mas suficientemente vasta para aceder às fantasias de pequenos como nós. Fui crescendo e aprendendo a dimensão do que me rodeava. Cada ano que ali passava era um salto flagrante no meu corpo, no dos meus amigos, nos dos mais crescidos que também cresciam, acompanhando e ensinando a escrever e desenhar a nossa vida. Brinquei muito, tive medo e vergonha de um dia sair dali sem conseguir ser como ali era: compreendida, conhecida, já até um pouco crescida. É assim com todas as casas e pessoas que amamos e habitamos. Temos medo de sair da barriga da Mãe mas há um tempo para tudo. Aquele era o tempo da Torre. Cada ano foi uma avalanche de alegria, de conhecimento, de bravura também, de amizades e rivalidades próprias de bichos, de verdade. Havia liberdade, coragem e arte para que quase tudo fosse um sentimento possível e real, concreto, uma história verídica para contar hoje, que me marcou enquanto criança e que acarinho hoje. Catarina Morato (1986)


Nunca vou esquecer os anos que passei na TORRE. Nesta casa encontrei um sítio onde posso sempre voltar e onde me recebem com um sorriso e de braços abertos.

Joana Vicente (1986)

A Torre não é simplesmente uma escola, é uma forma de estar na vida. Na Torre os alunos não são alunos, são crianças que não precisam de estudar, e não precisam porque gostam de aprender. Há um ambiente saudável e propício ao crescimento e à aprendizagem. A minha passagem pela Torre foi e será sempre uma marca importante na minha vida, pelas pessoas que conheci, pelo que aprendi e sobretudo pelos amigos que fiz. A minha ligação à Torre não terminou no dia em que saí do 4º ano. Tem-me acompanhado pela vida fora. Foi um privilégio frequentar esta escola e é com muito orgulho que digo que andei na melhor escola do mundo, A Torre. Miguel Boavida (1986)


A Torre é o início perfeito da nossa formação enquanto alunos e pessoas. Quando era mais pequena, lembro-me de achar que ficaria o resto da vida nesta escola. Ficará para sempre como algo que nos liga a todos, crianças e muitos já adultos, que tivemos a sorte de aprender tudo o que esta comunidade de educadores tem para nos ensinar. Cada vez que uma turma antiga se reúne, nunca faltam memórias para relembrar, e sabe sempre a pouco aquilo que nos recordamos para partilhar, porque o que foi vivido é infinitamente maior. Quem não se lembra das brincadeiras e da maneira única de ensinar que os professores da nossa escola têm? Levo para sempre comigo a memória das tardes a ouvir a professora Luísa a ler “A História Interminável”, os teatros que passávamos a vida a ensaiar, as aulas de filosofia, as manhãs em que fazíamos Tai-Chi, e um mundo inteiro de coisas únicas, as quais apenas encontrei na Torre.

Ana Rosado (1987)

Obrigada a todos os professores e alunos que fizeram da Torre a escola da minha vida e que contribuíram para os melhores anos de sempre. Lembrome, como se fosse hoje, de ir a cozinha roubar pão às escondidas da Esmeralda. Muitas saudades.

Carolina Patrocínio (1987)

Eu sou eu! Como entrada, uma grande dose de refilice; à refeição, uma travessa de responsabilidade, com uma pitada de bom humor e um travinho de humildade. Como sobremesa, especialidade da casa...um gelado esplendoroso que cheira a imaginação e transborda a criatividade! Sou o que sou, e muito devo à Torre! Onde não só me deixaram ser eu, e apenas eu, como me ajudaram a tirar o melhor proveito do que sou! Sem dúvida...uma escola onde nos deixam ser verdadeiramente crianças! Matilde Pessoa (1987)

A Torre é...  o empadão de atum; a história da alga na varanda com a Luísa (nossa professora); o sótão da Heidrum onde tocávamos flauta; as pequenas flores brancas que apanhava para fazer colares. Para mim, a Torre é uma referência forte na minha formação pessoal e escolar. A escola primária fez-se com naturalidade e prazer. Encontrar os meus textos e desenhos no Jornal da Torre enchia-me o peito de orgulho e satisfação. É que na Torre, para além de aprendermos a ler e a escrever, aprendemos que somos dignos de nos expressar. Este jornal reflecte o que para mim é essencial nesta escola: a Torre escuta as crianças e reconhece o valor único de cada um. Voltar a escrever aqui é, de novo, um orgulho e um prazer. Obrigado!

Eleonor Castilho (1987)


Começo o meu relato/depoimento/memórias por dizer que nunca passei tantos anos em nenhuma outra instituição de ensino como n’ A Torre e ao fim de 22 anos ainda não abandonei a minha vida de estudante. Foram 7 anos que tiveram um impacto na minha maneira de ser e estar como, até à data, nada mais teve. O meu crescimento e amadurecimento não parou, obviamente, aos 10 anos, quando deixei A Torre, mas foi lá que se edificaram os alicerces que permitiram o meu posterior desenvolvimento. Finda esta pomposa introdução e passando a temas mais leves, posso dizer que do meu grupo de grandes amigos que, como seria de esperar, não são mais que uma pequena mão cheia, três deles remontam ainda aos meus anos da pré-primaria n’ A Torre. Mas, para complicar ainda mais as contas, um desses grandes amigos, meu colega de carteira durante 3 anos, meu colega de equipa de Basquetebol durante 6 anos, entre muitas outras aventuras, é filho de uma aluna da primeira turma que frequentou A Torre e sobrinho de um dos responsáveis (pelo menos na minha altura) pela impressão das coloridas folhas deste Jornal. Um dos factos curiosos que associo à Torre é a facilidade com que ainda me lembro, ao fim de mais de 10 anos, não só do nome, mas também do apelido de todos os alunos/colegas do meu ano que, pelo que sei, foi das maiores turmas que, até à altura, tinha havido. Pode não parecer algo de extraordinário, mas posso garantir que a minha memória é algo em que nem eu posso confiar. Aos 22 anos, combinar um churrasco na 3ªfeira para a 6ª feira seguinte e na 5ª feira confirmar a minha presença noutro churrasco no dia seguinte é a prova do que acabei de garantir. Apesar desta pouco fiável memória, o relato dos momentos e episódios que passei n ‘A Torre excederia em muito o que me foi pedido para fazer neste pequeno texto. Além de que muitos desses momentos seriam demasiado humilhantes para expor, mesmo não conhecendo a grande maioria dos leitores. Mas a maioria das memórias guardo-as com enorme carinho e grande saudade. A assegurar isso mesmo ficaram as muitas lágrimas que deixei escapar, numa pequena cascata, quando acabei o meu último dia de aulas n’ A Torre (lá está uma das memórias humilhantes). É com imensa saudade e alguma tristeza que, desde que saí, tento todos os anos voltar à cada vez mais pequena Torre. E de cada vez que lá volto o mesmo pensamento atravessa a minha mente: “Como era possível, neste campo minúsculo, onde agora só caibo eu e mais dois ou três sem nos tocarmos, jogarem futebol 10 miúdos ao mesmo tempo.” Penso que a resposta a este enigmático problema de geometria está na extrema qualidade futebolística de todos os que já jogaram naquela “piscina”, desculpem, campo de futebol. Para finalizar este já longo texto quero “apenas” agradecer a todos os que tornaram possíveis alguns dos, certamente, “best days of my life”. Desde a Jesus e a Esmeralda que nunca me recusaram um pequeno-almoço por vezes ainda antes das 8 da manhã. Passando pela Alice e a Sandra que tornaram as minhas orelhas um pouco maiores e que se soubessem de todo o que fazia com certeza maiores ainda ficariam. À Tana e à Zoé que me fizeram quase decorar as formas e cores do soalho da sala de professores. Mas, claro, um agradecimento especial aos professores, núcleo que torna A Torre tão única, e aos quais devo muito, mesmo os que não foram meus docentes directos. A última palavra vai para o ano de ’87, sem o qual nada tinha tido piada nenhuma.

João Carlos (1987)


O  que  é  que  se  pode  dizer  sobre  a  Cooperativa  A  Torre?  É simples: foi o melhor estabelecimento de ensino por que já passei. Desde a localização numa zona sossegada ao espaço acolhedor, das horas de recreio às aulas onde gostava de estar – quer pelos professores que nos foram acompanhando quer por todos os amigos que fiz – nunca gostei tanto de ter aulas como nos anos em que lá estive. Não havia um funcionário com quem não tivesse brincadeiras, e sabe-se lá como, tinham sempre paciência para nos aturar. Quando acabei o meu último ano dei por mim a entrar numa nova escola, e a reparar no quão bem preparado estava para todas as disciplinas. Pode parecer exagero, mas não tenho uma palavra má a dizer sobre a minha escola preferida. João Santos (1988) 


Falar sobre a Torre é como falar de um amigo, todas as palavras parecem poucas para transmitir aquilo que realmente representa para nós. Penso que agora aquilo que mais importa é o que ficou da experiência, o que nos foi deixado no tempo que lá andámos e a influência que teve sobre aquilo que somos. Tenho a certeza que nunca esquecerei essa vivência e sei que teve um enorme impacto na moldagem do meu carácter e no meu percurso de vida. Há logo à partida uma enorme diferença entre a Torre e as outras escolas: refiro-me ao ambiente tão acolhedor, diria mesmo familiar, que se vive lá dentro. A grande proximidade entre os alunos e os professores cria um clima em que a troca de ideias é constante e a aprendizagem ocorre naturalmente. Quando nos pediam por exemplo que escrevêssemos um texto, não era algo que fizéssemos obrigados ou contrariados, estávamos verdadeiramente interessados no que fazíamos e era assim que surgiam as ideias mais inteligentes e originais. A Torre ensinou-nos a ter gosto pelas coisas. Por outro lado os alunos sentiam que tinham um papel importante no dia-a-dia da escola pois estavam constantemente a ser estimulados, a expressar as suas opiniões e ideias em diversos contextos. Lembro-me das sessões de filosofia para crianças em que nos era dada a possibilidade de reflectir calmamente sobre um problema ou uma história introduzida pelo professor, expressando cada um a sua opinião perante o grupo; ou o “Acho bem” e o “Acho mal” nos quais os alunos expressavam a sua opinião relativamente a algo que consideravam correcto ou incorrecto, sabendo que mais tarde iriam ser ouvidos pela turma. Embora possam parecer exercícios muito simples vão-se reflectir num comportamento mais consciente e interessado dos alunos, pois estes sentem que a sua opinião é valorizada, sendo assim incentivados a ter um comportamento mais activo dentro do meio escolar. Mesmo depois de sair da Torre várias amizades se mantiveram por muitos anos e algumas ainda se mantêm, tanto com colegas como com professores, o que demonstra o quão fortes foram os laços que se fizeram nessa altura e quão marcantes foram as experiências que lá vivemos. Para mim a Torre vai estar sempre associada ao espaço físico em que lá estive pois é para ele que remetem todas as memórias associadas à mesma, mas mais do que um lugar a Torre é feita pelas pessoas que a constituem e é por isto que sei que o espírito da escola não vai acabar, vai apenas mudar de casa. Às vezes quando olho para trás e me dou conta da sorte que tive em ter frequentado a Torre, penso que todos os que lá andámos recebemos de certa forma qualquer coisa muito rara e preciosa que não consigo descrever. Foi o que nos mudou profundamente. É uma espécie de sentimento interior e um desejo secreto de nos tornarmos pessoas melhores, de agirmos segundo valores nossos, de criarmos e fazermos as coisas à nossa maneira, de sermos verdadeiros connosco e com os outros e de sermos felizes naquilo que fazemos. O importante agora é o que ficou. Obrigado Torre! André Martins (1989)


Passei sete anos na Torre e foram dos melhores anos da minha vida. Na minha opinião, e digo isto baseado no tempo em que lá estive e no que vejo hoje em dia quando lá estou, a maior qualidade da Torre é a capacidade de todo o seu corpo docente, sem excepção, nos saber fazer ver as diferenças da altura de brincar e da altura de trabalhar. E isso consegue-se com uma estrutura forte, como a da Torre, o que permite que qualquer pessoa que lá entre, seja aluno, seja professor, se integre rapidamente. Não sinto saudades do meu tempo na Torre, apenas melancolia, por me rever nos alunos que neste momento fazem parte das turmas da escola. E não sinto saudades por uma razão muito simples: é que nestes nove anos que passei fora da Torre, sempre que vou lá fazer uma visita, ou mesmo matar saudades dos cozinhados da Jesus, sou sempre recebido de braços abertos pelos muitos amigos que lá deixei. Muito Obrigado! Francisco Bandeira (1990)

A minha casa  Existem muito poucos lugares do mundo que podemos chamar de casa. casa é sinónimo de família. lugar de protecção, de segurança, de criação de alicerces. força para sobreviver num mundo programado para nos receber como se fôssemos capazes de resistir a tudo, como um bambu que não se parte por mais forte que seja o vento. casa é o lugar de onde guardamos as mais profundas recordações. é o lugar que habita para sempre a memória, como um quarto que fica fechado, intocável, onde vamos sempre encontrar, no mesmo sítio onde os deixámos, todos os álbuns de fotografias e objectos antigos, cada um a guardar em si uma estória, parte da história. casa é o lugar para onde podemos voltar sempre, passem-se anos ou séculos, mudem-se os tempos ou as vontades. podemos voltar sempre que quisermos e onde quer que estejamos, porque, mesmo que já não existam nem os quartos nem as pessoas, este é um lugar na memória que nunca pode ser substituído e que continua a oferecer a protecção de uma redoma. a minha casa é o lugar que guarda os rostos e as vozes que fizeram de mim aquilo que sou hoje. é o lugar que esboçou os meus sonhos, que desenhou de leve e a lápis a linha da minha vida, esta linha que, todos os dias, faço por tornar mais carregada a tinta-da-china. é o lugar que guarda cada palavra e cada gesto que entrou na minha pele e que agora faz, quem está à minha volta, orgulhar-se das minhas palavras e dos meus gestos. faz-me a mim, orgulhosa das minhas palavras e dos meus gestos. a minha casa são os meus pais, são os meus avós, são as minhas madrinhas, os meus tios e os primos. a minha casa é o meu gato. são os brinquedos guardados no sótão, as fotografias guardadas nos álbuns, os momentos guardados no coração. a minha casa são os meus amigos. aqueles que me entraram na vida aos 3 anos e os que continuam a entrar aos 19. a minha casa são os professores que eu tive. a minha casa é filosofia para crianças e mini-calculadoras. a minha casa é o “acho-bem” e o “acho-mal”. a minha casa são as estórias do Nuno. a minha casa é a Isabel a fazer-me festinhas no cabelo e a Cristina a chamar-me Primeira Ministra. a minha casa parece ter existido sempre, ainda antes de existir o mar e o tempo, como se de um rosto de mãe se tratasse. a minha casa foi A Torre. Helena Costa Pinto (1990)


A Torre aos olhos de uma criança grande “A casa da infância é como um rosto de mãe: contemplamo-lo como se já existisse antes de haver o tempo.” Mia Couto Ainda hoje recordo claramente o meu primeiro dia de aulas! Dois anos, bochechas rechonchudas e avermelhadas, franja e cabelo curto, aspirações de princesa e sonhos de castelos encantados... Assim terei chegado à Torre e entrado pela primeira vez na infantil. Tudo era desconhecido e curioso, e como que para completar aquela nova paisagem, uma professora entra na sala acompanhada por um enorme caixote de cartão. Mas que estranho… o que guardaria aquela misteriosa caixa? Muitos olhares curiosos, talvez alguns palpites, até que, subitamente, a caixa se abre e salta do seu interior uma outra professora, que exclama entusiasmadamente para nós: “Olá! Eu sou o Óscar Embirrante!”. E foi assim que, por entre caixas misteriosas e personagens da Rua Sésamo, comecei a descobrir uma segunda casa, a Torre. Esta entrada maravilhosa representa para mim não só o início do mundo escolar, mas também a capacidade da Torre em conciliar a aprendizagem com a imaginação, a criatividade e a brincadeira. Ao longo de 8 anos, inúmeras histórias apresentaram-me a leitura, a filosofia e a fantasia; o desporto e a expressão plástica apresentaram-me o gosto pelo movimento; a música, o desenho, o teatro e as letras apresentaram-me a liberdade de criar e de reinventar a realidade; jogos matemáticos apresentaram-me a lógica e o raciocínio; os jornais de parede apresentaram-me a justiça e a moralidade; e as mangueiradas, os acantonamentos e as relações que estabeleci com amigos e professores apresentaram-me a diversão, a infância e o crescimento. Tudo isto, permitiu-me não só aprender factos e valores, mas também desenvolver um gosto pela própria aprendizagem e pelo conhecimento em si. Uma velha professora americana, que encontro regularmente nas minhas férias de verão, disse-me um dia: “Education isn’t supposed just to put it in. It is also supposed to throw it out”. E assim, por entre maresias e brisas de pensamentos, posso concluir que uma boa escola é aquela que ajuda as crianças a desenvolverem de modo autónomo as suas capacidades, que não lhes dá o peixe sem que aprendam a pescar, e que transmite a ideia de que a aprendizagem e a brincadeira não são incompatíveis mas sim complementares. Aos olhos de uma criança grande que recorda o seu crescimento, a Torre foi para mim uma óptima Escola. Relembro tardes de chuva a ouvir contos de Dráculas, histórias de letras que por uma zanga se afastaram para sempre, quadros coloridos nos quais as somas e as subtracções ganharam sentido, sótãos de onde nascia música constantemente, Carnavais, Natais, Páscoas… Todas estas memórias não ficaram dentro de mim, mas passaram a fazer parte do meu eu, moldando-me até à pessoa que sou hoje. Assim, ainda hoje contemplo num olhar nostálgico e feliz aquele local e aquelas pessoas que avivam em mim tantas recordações. Como se já estivessem lá à minha espera antes de eu existir. Antes de haver o tempo. Ana Martins (1991)


A Torre é o nosso passado, presente e futuro. Passado pois foi lá que passamos 7 anos dos nossos 17, foi lá que tivemos a sorte de conhecer amigos para a vida, foi lá que, por exemplo, brincámos com a massa, jogámos no campo e ouvimos as histórias do Nuno e da Patrícia. Presente e futuro pois, mesmo que hoje ou amanhã não seja notório, foi a limpeza que desenvolveu em nós o espírito de equipa e de trabalho. Foi o "acho bem" e o " acho mal" que incutiram em nós o espírito crítico e os nossos valores. Foram as mini-calculadoras, desafios e as pequenas competições que nos fizeram perceber a matemática. Entre muitos outros aspectos, a Torre foi sem dúvida uma etapa muito importante da nossa vida.

Eu sempre senti que a Torre, para além de escola, era uma segunda casa. Eu lembro-me de ir à cozinha pedir pão à Jesus nos intervalos de almoço, lembro-me que conhecia todos os professores, funcionários e alunos porque a escola é pequenina, mas é por isso que é tão acolhedora e especial. Todos me davam carinho e também todos contribuíram para o meu crescimento como pessoa. Teresa Bandeira (1993)

Carolina Torres e Miguel Lima (1992)


A primeira vez que lá entrei como aluna tinha dois anos e meio. Era mesmo pequenina, mas já nessa altura tinha ideais e objectivos que se sobrepunham a quase tudo na minha vida. A Torre fez-me bem. É uma escola feita de arte, construída em etapas de professores e alunos. Sinto que enquanto lá andei fui estimulada e toda a gente que me ensinou, puxou por mim ao máximo. Acima de tudo, sei que toda a gente com quem me cruzei nessa pequena escola me ensinou alguma coisa. Uns mais, outros menos. Mas sim, saí de lá tão completa que hoje em dia tenho plena noção que o meu perfil se moldou lá, nesses meus dias de aulas, nas salas todas diferentes dessa casa onde cresci. Margarida Bak Gordon (1994)

A Torre faz 40 anos! Saí da Torre há quase 6 anos, mas ainda me lembro da hora da sesta, das brincadeiras com massa e plasticina, de escrever numa folha o que tinha feito no fim-de-semana e desenhar. Mais tarde, as aulas de português: falávamos do Nuno e da Rita, do pato e da bola; as aulas de matemática, aprendemos a contar, somar, subtrair com a ajuda da mini-calculadora. Sentia-me uma “menina crescida”. Também adorava as aulas de Estudo do Meio e de História. Mas o meu dia preferido era a 4ª feira. O dia dedicado às “artes”. Quando entrávamos na sala de manhã, estavam escritas no quadro as actividades que podíamos escolher: pintura, barro, teares, desenho, simetria, etc. Nós, os “projectos de gente” do 3º ano, pegávamos no giz e escrevíamos o nosso nome nas actividades que mais gostávamos. Nesse dia, os responsáveis pela limpeza da sala tinham sempre muito trabalho! Tínhamos as aulas de Inglês de manhã, íamos para o sótão ter aulas de flauta (para depois tocarmos umas músicas nas festas da escola) e tecer teares. Todos os dias de manhã, depois de reunir a turma, a Isabel punha uma música no computador, abria as janelas da sala (a nossa sala era no recreio) e íamos todos lá para fora praticar Tai-chi. Lembro-me de muito mais episódios que passei nesta escola, mas este mostra como eu realmente gostava de andar lá. Numa 6ª feira de manhã, o meu pai levou-me à Torre e disse “Já viste filha, que bom? Amanhã é fim-de-semana, não há escola, nem trabalho!”, ao que eu, uma criança mínima, respondi: “Oh pai, eu percebo que o pai não goste de ir trabalhar, mas eu gosto de ir para a escola!”

Beatriz Resina (1994)


Não consigo encontrar as palavras certas para definir a minha vivência numa escola como a Torre. Talvez por não haver nenhum sítio que se iguale ou, sequer, que se compare. Graças à Torre, grande parte de mim é como é agora. Recordo os dias que lá passei com a certeza de que fizeram toda a diferença na minha maneira de ser, de pensar, de me relacionar com os outros e comigo mesma. Na Torre, a aprendizagem não se fica pelo simples acto de aprender a ler ou a escrever. Lá, encontramos o sentido da verdadeira poesia, pomos alma em cada letra, criamos a nossa própria história e fazemos parte dela, enquanto personagens. A Rita, o Nuno, a pata e a fada acompanham-nos desde sempre e são amizades eternas. As notícias às segundas-feiras e as sessões de Filosofia permitem-nos partilhar um pouco de nós aos outros e receber também diversas opiniões e dúvidas alheias. Na Torre, não nos limitamos a decorar os números na recta numérica, mas aprendemos também a contar os afectos, a somar a curiosidade de saber e a subtrair a impaciência, a multiplicar os sorrisos e os sonhos e a dividi-los pelos amigos. A verdade é que tenho muitas saudades da Torre. Saudades dessa liberdade. Desse desprendimento de preocupações e das brincadeiras ao sol. Das canetas de feltro sem tampa, do bebedouro, do jogo da macaca na calçada. Das correrias, das cambalhotas, das escadinhas em caracol para o sótão, da fruta de manhã. Da casinha de madeira, dos barris azuis, das bagas roxas na árvore do fundo para fazer saladinhas. Dos desenhos, dos teatros, dos jogos. Na Torre, aprendi tanto sobre tudo! Aprendi que cada um deve ser motivado pela sua diferença e não encorajado a procurar semelhanças. Cada um é único e tratado como tal. Todos se conhecem e todos colaboram para tornar esta escola um lugar sem igual. Agradeço por tudo o que lá passei e a todos com quem me cruzei que me ajudaram a tornar-me na pessoa que estou a começar a ser hoje. Um agradecimento especial à Isabel, a melhor professora que alguma vez tive, que me ensinou tanta coisa, que me ofereceu uma árvore e me mostrou como conhecê-la e que, acima de tudo, sempre confiou nos seus alunos, estimulando neles a criatividade e capacidade para atingirem sempre mais. Francisca Salema (1994)


A Torre foi a nossa casa. É a nossa família. É a nossa escola que nunca vamos esquecer. Todos os professores fizeram parte da nossa vida, ajudaram-nos a ser quem somos. Obrigado! Rita Patrocínio e Madalena Costa (1995)

Desde 1998, para sempre!

Mais do que nos ensinar a ler e a escrever, mais do que nos ensinar matemática, história ou geografia, mais do que nos transmitir os valores da liberdade e do respeito pela diferença, a Torre ensinou-nos a pensar pela nossa cabeça e que cada um de nós tem alguma coisa especial para dar. António (1989), Francisco (1992) e Martim Vieira de Almeida (1995)


Fui aluno da Torre sete anos e fui lá muito feliz. A Torre era a minha segunda casa. Lá brinquei, aprendi a andar, a falar, a escrever, a contar, a ler e muitas outras coisas. Os professores são especiais, ensinam bem e são muito meus amigos. Na Torre toda a gente me tratava muito bem e nunca encontrarei uma escola onde me possam dar tanta atenção. Se pudesse fazia lá todo o meu percurso escolar. A Torre é uma escola muito Especial e será sempre a minha escola querida. António Madureira (1996)

Sempre adorei esta escola, desde os professores até aos funcionários. Eram e são todos muito queridos. A Torre foi uma casa para mim. Foi lá que eu passei a minha infância. Nunca esquecerei ninguém desta escola. Adoro-vos!

Filipa Brás (1996)


A Torre ofereceu-me a minha actual personalidade, que vocês todos conhecem. A Torre é inexplicável. João Bak Gordon (1997)

Eu andei na Torre desde os 3 anos até aos 10 e ainda lá estaria se pudesse! Desde o primeiro dia que adorei a escola, os amigos, os professores, o recreio, as brincadeiras, as histórias, tanta coisa... Vou sempre lembrar-me do “Acho Bem e Acho Mal”, da “Rita e do Nuno”, da comida da Jesus, das fantásticas mangueiradas, dos passeios, do Jornal, das histórias da Patrícia e do Nuno, dos acantonamentos... e de rir e divertir-me muito. Nunca pensei que andar na escola pudesse ser tão divertido. E agora que estou a crescer, acho que sou uma pessoa diferente por ter andado na Torre! Marta Resina (1997)


Na Torre senti-me como em casa, no meu lugar... Tudo o que fiz e aprendi valeu cada ano como uma vida porque nas aulas não só aprendi a ler e a escrever como também aprendi a estar com os outros, a divertir-me, a observar e olhar para o lado positivo em vez do negativo, ficando sempre de bom humor e alegre. E o recreio para além de ser pequeno, é o que dá mais gozo e felicidade de estar pois é o recreio da melhor escola do mundo! E é tudo tão florido e alegre que, mesmo ficando o recreio inteiro virado para a parede, nunca me aborreceria. Os professores são os mais simpáticos porque os melhores professores merecem a melhor escola. Benjamim Martins (1998)

A Torre não é uma escola qualquer. É muito mais do que isso. Foi lá que eu aprendi a escrever, a ler, a contar e, em especial, a raciocinar. Também foi lá que eu conheci grandes amigos, amigos que me acompanharão para toda a vida. Os meus professores foram todos especiais, cada um à sua maneira: a simpatia da Dalila que me fez sentir em casa nos primeiros anos; os ensinamentos e a animação da Patrícia que me fizeram crescer; a magia da Anita ao ensinar-me a ler e a escrever (com a ajuda da Rita, do Nuno e da pata); e a amizade do Fran, meu grande amigo, que me inspirou para a vida e com quem posso sempre contar. Nos anos que lá estive diverti-me imenso e penso que serei sempre bem-vindo, porque a Torre é a nossa casa! Tomás Ascensão (1998)


A Torre de A a Z Acantonamentos. E lá fomos nós de mochila e saco-cama. Bem. Acho bem que comecem a escrever mais coisas no acho bem do que no acho mal. Castigos. Foram duras as 5 cópias que fizemos da “Mensagem” de Fernando Pessoa e dos contos de Sophia de Mello Breyner. Daniela. Criava os óptimos ateliers nas tardes de quarta-feira. Esparguete com carne picada. Feito pela Jesus com a ajuda da Rita, este prato deliciou-me durante 5 anos e ainda agora o adoro. Fran. O melhor professor de sempre. Ensinou-nos tudo do 1º ao 4ºano. Continuo a visitá-lo todas as semanas. Ginástica. De carrinha íamos para o fosso onde a Nené nos ajudava a superar as nossas dificuldades. H2o. A água do bebedouro verde que nos tirava a sede nos recreios. Inglês. A Fátinha era a “teacher”. Jogo do mata piolho. Sempre que o Fran estava de bom-humor íamos para o campo e jogávamos este divertido jogo. Letras. As letras que a Anita nos ensinou a partir das histórias da Rita e do Nuno. Mãe. A minha mãe também é da Torre. Noticias. Onde apresentávamos as nossas novidades. Obrigações. A limpeza e as tarefas que nos atormentavam.

Pensar. O Kio e a Guga, que nos ensinaram a pensar nas aulas de filosofia. Quero. Quero que a Torre continue a ser o que é. Rua! Era o que o Fran dizia quando passávamos todos os limites. Shakespeare. Representámos “Um Sonho de Uma Noite de Verão” e foi um sucesso! Torre. A melhor escola do mundo!!! Último. Último ano da Torre na casa que tão bem conhecemos. Verão. Os verões na Torre eram sempre divertidos, principalmente pela mangueirada! X A incógnita da mini calculadora. Zumbido. O que acontecia quando falávamos todos nas reuniões gerais. João Moreira da Silva (1998)


Numa altura em que a descrença domina a sociedade portuguesa, vale a pena olhar para casos de sucesso no nosso país. Há, no Restelo, uma escola que é um exemplo de excelência. Sei muito bem porque os meus três filhos estudaram na Torre. Vi o que aprenderam e como foram tratados (e continuam a ser quando vão à escola que será para sempre "deles"). E garanto-vos que a qualidade da Torre está ao nível do melhor que há na Europa. O que faz, antes de mais, uma boa escola é a construção de uma identidade própria. A escola não pode ser apenas mais uma no meio de milhares, como acontece, infelizmente, com a maioria das escolas em Portugal. Essa identidade permite que os professores juntem, à competência, a dedicação e o empenho. A consciência da diferença transmite um sentido de apropriação ("o projecto também é nosso") e uma noção de privilégio ("participar numa experiência única") que são indispensáveis para a qualidade da educação. A Torre demonstra que a iniciativa privada, a autonomia educativa, a descentralização administrativa são virtudes que permitem a construção de uma escola de qualidade. Se os pais que têm os filhos na Torre sentem uma enorme felicidade por isso, é igualmente verdade que não podemos deixar de pensar que todas as crianças portuguesas deveriam, pelo menos, ter a mesma oportunidade. No entanto, não têm. Em Portugal, a boa educação é um privilégio para uma minoria. É difícil imaginar um caso de maior injustiça social. Para quem acredita nas virtudes da chamada "educação liberal" (estejam descansados que não tem nada a ver com egoísmos ou ambições desmedidas), a Torre é ainda a escola ideal. O ensino privilegia a dimensão crítica em detrimento da dimensão enciclopédica. Aprender a pensar, a raciocinar e a argumentar é mais importante do que acumular informação. A auto-crítica e a capacidade para resolver problemas com discussões em grupo são algumas das maiores qualidades que os alunos da Torre adquirem. Será fundamental para o seu futuro. A Torre começa a construir cidadãos livres, responsáveis e solidários. Há poucas coisas mais preciosas que uma escola possa dar aos seus alunos. Portugal vai entrar em campanha eleitoral e, independentemente de quem ganhar as eleições, haverá um novo governo a partir do Outono. Aos dirigentes dos vários partidos que têm como responsabilidade pensar a educação, deixo um conselho. Vão passar um dia à Torre, observem bem a dedicação dos professores e a alegria dos alunos. Ficam a perceber o que as escolas portuguesas precisam.

João Marques de Almeida in Diário Económico 29/06/2009


1  9 7 0 

2  0  0  9     


Julho 2009