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Ld a. un ica çõ es , Co m

Campanha Tmn - FALE GRÁTIS COM A VEGA E O JORNAL DA PESCA

barcos > YANAHA F70A

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Acabado de chegar ao mercado nacional o novo motor da Yamaha a 4 tempos, o F70A, é o mais leve e versátil dos 70hp disponível no mercado.

In fo r

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Surfcasting Conheça Rosa Cristino Campeã Nacional de Surf Casting

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Bóia

Saiba como iscar e obter bons resultados com ova de Ouriço o isco fatal

nº3 Julho 2010 . Ano I | info@jornaldapesca.net

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Embarcada Jo Pinto revela tudo o que precisa de saber para preparar uma saída de mar

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Kayak

Com o tempo quente partimos de kayak para uma pesca ao Choco

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Competição Campeonato do Mundo de Clubes visto por dentro por José Calado

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Jigging

Jornal Bimestral

| G r at u i t o

| P o rt u g a l

(PÁG. 6) A evolução dos equipamentos

| Director: Virgílio Machado

Pescadores tradicionais dos Pirinéus

À procura do Achigã

>Sexta-feira 30 de Julho às 11h00 no Canal Caça e Pesca

> Sábado 31 de Julho às 22h00noCanalCaçaePesca


s a i c í t o n

> Editorial

VEGA esteve presente na EFTTEX de Valência

Vamos de Férias Aí estão as férias e não há dúvida alguma que este é o período privilegiado para podermos pescar de uma forma tranquila na companhia dos mais novos. É nesta altura que esquecemos, nem que seja por um curto espaço de tempo, as preocupações do dia a dia e nos deliciamos com as gargalhadas dos mais novos e com as histórias que contam aos restante membros da famílias das suas aventuras de pesca. É por isso normal que nestes meses de Verão pais, filhos, tios e sobrinhos coloquem na prática os planos traçados de pescarem lado a lado como grandes parceiros, numa aventura que os mais novos vão de certeza recordar para toda a vida. A verdade é que a pesca de lazer ou desportiva em Portugal necessita cada vez mais destes jovens como praticantes. Por sua vez os mais novos precisam de se afastarem, pelo menos nas férias, dos computadores e das consolas de jogos. Ou seja, mesmo em tempo de crise económica, pensar as férias é muitas das vezes pensar nos mais novos e a pesca pode e deve ser um factor de formação e respeito pelo meio ambiente neste período de descanso. Deste modo vamos aproveitar as férias, dar uso ao nosso material de pesca, adquirir um conjunto de pesca para os mais novos e deste modo partir com eles para a aventura de pescar. Boas Férias e Boas Pescas

Virgílio Machado Director

Amarelos conquistam Campeonato Nacional de Esperanças

A cidade espanhola de Valência e o seu prestigiado recinto de feiras, um dos dez mais modernos do Mundo, recebeu entre 11 e 13 de Junho a vigésima nona edição da EFTTEX. A feira que reuniu retalhistas, distribuidores e fabricantes de artigos de pesca de todas as origens, voltou a ser marcada por uma enorme afluência de publico e por um número recorde de expositores, num total de 248, cinquenta dos quais pela primeira vez. A VEGA tem vindo a marcar presença neste importante evento desde há oito anos consecutivos, numa aposta que tem em vista a sua estratégia de internacionalização, factor determinante ao desenvolvimento da marca num futuro próximo. A presença da marca portuguesa na EFTTEX 2010 realizou-se em parceria com o seu distribuidor local, e permitiu dar a conhecer algumas das novidades de 2010 e muitos dos produtos que a VEGA tem em desenvolvimento para a colecção de 2011. Entre os novos materiais que a marca portuguesa revelou no certame de Valência, destacaram-se as novas canas e carretos para a prática de Jigging, Surfcasting, Spinning e Achigã, entre outras, o que gerou a curiosidade dos muitos visitantes que passaram pelo stand da marca. A excelente qualidade dos materiais apresentados pela VEGA contribuiu para a realização de contactos com empresas de países onde a marca não está ainda representada. Num certame pautado pela qualidade da organização, a VEGA revelou estar na linha da frente das empresas europeias de artigos para a pesca desportiva, mostrando que a empresa portuguesa continua empenhada em trabalhar no intuito de produzir produtos que vão de encontro as necessidades de cada um dos mercados em que está presente. Em 2011 a EFTTEX terá lugar na cidade holandesa de Amesterdão, de 16 a 18 de Junho.

A Nazaré foi palco no passado dia 18 Julho da 3ª e última Prova do Campeonato Nacional de Esperanças, com o GD Os Amarelos apoiado pela VEGA através da Casa Pita a sagrar-se Campeão Nacional de Juniores, titulo alcançado pelo atleta João Bernardo Farinha. Um feito inédito no Clube que em 3 anos vai somando vitórias atrás de vitórias em outras categorias. Esta vitória de João Bernardo, vem valorizar o jovem pescador e os Amarelos pelo trabalho que tem vindo a realizar no Clube. O título agora alcançado mostra que o GD Os Amarelos está no bom caminho em matéria de formação de atletas, estando de portas abertas para acolher jovens com mais de 12 anos, vontade de aprender e vencer!!! Mais informações em: www.amarelos.net

FICHA TÉCNICA Propriedade Mundinautica, Lda Redacção, Publicidade e Marketing Lourel Park, Ed. 5 2710-363 Sintra Portugal Tel: 219 617 455 Fax: 219 617 457 Editor Jorge Mourinho

Nº3 – JULHO 2010 – ANO I Director Virgílio Machado virgilio.machado@mundinautica.com

Colaboram neste número Amarelos, Gomes Torres, Jaime Sacadura, Jo Pinto, José Calado, Jorge Barreto, Jorge Palma, Luís Batalha, Paulo Soares, Fernando Pina, Rui Carvalho;Yamaha Motor Portugal,VEGA e Team VEGA.

Redacção Paulo Soares paulo.soares@mundinautica.com

Impressão Sogapal, S.A. Rua Mário Castelhano, Queluz de Baixo 2730-120 Barcarena Tel: 214347100 - Fax: 214347155 geral@sogapal.pt

Departamento gráfico Susana Alcântara

Distribuição Chrono Post

Tiragem 15.000 Exemplares Periodicidade Bimestral Preço Gratuito ERC Nº de registo: 125807 Depósito Legal Nº 305112/10 Nota:

As opiniões, notas e comentários são da exclusiva responsabilidade dos seus autores ou das entidades que fornecem os dados. Nos termos da lei, está proibida a reprodução ou a utilização, por quaisquer meios, dos textos, fotografias e ilustrações constantes destas publicações, salvo autorização por escrito. © Mundinautica Portugal, Lda.


s a t r u c s “ESCOLA DE PESCA 2010”

Terminou, no passado dia 10 de Junho, a última etapa da actividade que a Associação dos Pescadores Desportivos de Grândola desenvolveu em conjunto com a EB1/JI de Carvalhal, no âmbito no do Programa Eco-Escolas e que denominou de “Escola de Pesca”. Esta actividade contou com o apoio do Município de Grândola, da Junta de Freguesia do Carvalhal e dos pais e encarregados de educação dos alunos. O entusiasmo das crianças foi contagiante desde o primeiro momento, a alegria com que desenvolveram a actividade ao longo dos vários dias, deixounos muito felizes e com vontade de repetir a experiência. Durante as aulas, as crianças aprenderam a identificar os peixes que existem na zona, estabeleceram contacto pela primeira vez com os materiais de pesca que iriam utilizar, aprenderam regras de comportamento e de segurança e acima de tudo a respeitar a Natureza e o Meio Ambiente. Depois de um conjunto de sessões teóricas os jovens colocaram em prática tudo o que tinham aprendido anteriormente numa pescaria na Vala Real da Torre, situada na Herdade da Comporta. Uma pescaria onde os jovens cedo revelaram os seus dotes realizando várias capturas. Os 31 participantes nesta acção, capturaram 15 Tainhas, 9 Carpas, 12 Pimpões, 3 Perca Sol e 1 enguia, que pesaram no total 6,520 kg. Para encerrar esta acção teve lugar um piquenique, que serviu para todos conviver, tendo-se encerrado as actividades com a entrega de certificados, medalhas e algumas lembranças a todos os participantes efectuada pelo Vereador do Ambiente e do Desporto do Município de Grândola, que salientou a importância desta iniciativa para a formação dos jovens do concelho.

Fotografias: Ricardo Trindade e Nuno Trindade

Novo Catálogo da VEGA

A VEGA acaba de publicar o novo catálogo de produtos que reúne toda a informação detalhada sobre os materiais de pesca. Trata-se de um prático documento em formato digital pronto a ser descarregado pelos pescadores de modo a terem sempre consigo o catálogo da VEGA. Com este catálogo a VEGA disponibiliza, num único documento de simples utilização, toda a sua gama de materiais de pesca. Para além disso a opção por um catálogo em formato digital vai proporcionar à marca uma actualização constante dos seus materiais, de modo a manter os pescadores informados em relação aos seus produtos e novidades. Não perca por isso a oportunidade de fazer já download do catálogo VEJA em www.vega. com.pt.

Lemenhe lidera campeonato da 2ª Divisão A pista de pesca do Prado foi palco nos passados dias 5 e 6 de Junho das 3ª e 4ª provas do campeonato regional de clubes da 2ª divisão. A formação do Clube de Pesca Desportiva de Lemenhe, apoiada pela VEGA, esteve em plano de destaque. Os atletas do CPDL alcançaram uma boa prestação global, logo na terceira prova do campeonato, com Tiago Ferreira a garantir o 2º posto, Bruno Silva o 9º, Jorge Barbosa o 4º e José Marcelino o 3º. Deste modo o Lemenhe somava 18 pontos o que fez com que a equipa alcançasse o 2º lugar da classificação geral a apenas meio ponto do 1º classificado. Já no segundo dia de prova, com o peixe a colaborar em alguns dos sectores, o Lemenhe voltou a realizar uma boa prestação, com Tiago Ferreira a alcançar o 5º lugar da classificação, enquanto Bruno Silva foi 3º, Jorge Barbosa e José Marcelino foram 4º, tendo a equipa alcançado assim 16 pontos, ascendendo ao 1º lugar da classificação geral com 75 pontos, com 4,5 pontos de vantagem para o 2º classificado. Deste modo, o Clube Pesca Desportiva de Lemenhe, lidera o campeonato com um total de 75 pontos, enquanto o 2º lugar da classificação é ocupado pelo Além Rio com um total de 79,5 pontos. Em terceiro lugar da classificação geral encontra-se o C.D Aves, com 91,5 pontos. As 5ª e 6ª provas estão marcadas para a pista de St. Emilião nos dias 30 e 31 de Outubro prometem assim uma forte animação em torno dos lugares cimeiros da classificação, que demonstra bem a competitividade deste campeonato regional de clubes da 2ª divisão.

Julho 2010 > Jornal da Pesca

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> Surfcasting

Rosa Cristino Campeã Nacional de Surfcasting

Com uma carreira cheia de excelentes resultados Rosa Cristino conquistou este ano a vitória no campeonato nacional de Pesca desportiva - Surf Casting. Um título que fugia nos últimos anos à pescadora do Paço de Arcos.

Texto: Virgílio Machado E Imagens: Rosa Cristino

O jornal da Pesca foi falar com a nova campeã nacional para saber como está a preparar o Mundial da modalidade na África do Sul e como é que vai a pesca feminina em Portugal.

Jornal da Pesca (J.P.) - A Rosa Cristino conquistou este ano a vitória no campeonato nacional de Senhoras - Pesca Desportiva - Surf Casting, bem se pode dizer que se tratou de uma vitória anunciada depois de ter alcançado, um quarto lugar em 2007, o terceiro lugar em 2008 e o segundo lugar em 2009. Estava por isso escrito que este seria o ano da Rosa? Rosa Cristino (R.C.) - Provavelmente estava escrito que assim tinha que ser. Mas com dedicação e uma força de vontade enormes, o título mais tarde ou mais cedo tinha que chegar.

J.P. - Este não foi um campeonato fácil, até porque no primeiro dia o peixe não abundou. Como é que decorreu este campeonato nacional? R.C - Preparei-me muito bem, como sempre faço, desde os treinos diversificados onde se deu relevância à pesca em praias pouco fundas, alternando com praias muito fundas, utilizando montagens próprias e enquadradas com a especificidade dos locais, passando ainda pelos lançamentos. Enfim tudo o que deve ser feito por quem pratica a modalidade com o respeito que ela nos merece. O que aconteceu neste campeonato é que as coisas começaram a correr bem logo de início, com dois primeiros lugares na duas primeiras provas na praia do Pego que abriu caminho a um campeonato muito regular em que no final se cumpriu o objectivo traçado.

J.P. - Tecnicamente foi um campeonato exigente então? R.C. - Penso que sim, temos muito boas praticantes neste campeonato o que faz com que o grau de valia técnica tenha forçosamente que ser exigente.

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J.P. - Um campeonato nacional com 26 pescadores pode deixar antever que o Surfcasting no feminino goza de boa saúde? R.C. Muitíssima boa saúde! Lembrese que a nível Internacional é deste campeonato que normalmente saem as campeãs do Mundo.

J.P. - Há quem pense que esta é uma modalidade para homens, mas a verdade é que no sector feminino Portugal tem estado nos últimos anos em bom plano a nível internacional. Isso é resultado do bom trabalho que tem sido feito pelos clubes e pela federação? R.C. Penso que sim, que tem havido um belíssimo trabalho tanto a nível de clubes como Associativo e obviamente Federativo. O facto da área de Mar da Federação há uns 15 anos ter definido muito bem o que pretendia a nível da alta competição, com uma 1ª Divisão Nacional só com 24 Senhoras, uma regulamentação adequada fez com que hoje sejamos a potência Internacional que somos. E a questão masculina e feminina na pesca não existe, convivemos todos muito bem.

J.P. - O que é que é preciso a uma pescadora para estar permanentemente entre as melhores a nível nacional? R.C. - Primeiro, encarar com respeito a modalidade, as suas adversárias e logicamente ter um bom treinador.

J.P. - São exigentes os treinos desta modalidade? R.C. - São sim, porque nos treinos tento fazer tudo como se estivesse em competição mas quando se faz as coisas por gosto suportam-se bem.

J.P. - Como é que se consegue conciliar o gosto pela pesca com a vida profissional e pessoal? R.C. - Esse é um problema no qual o desporto amador, mesmo que praticado a um nível superior, ainda não conseguiu atingir o patamar que se deseja e acarreta uma boa dose de sacrifício, relativamente a ter de

Jornal da Pesca > Julho 2010


Rosa Cristino

4ª a contar da esquerda é mais uma presença na selecção nacional

conciliar a parte profissional e pessoal com a competição, mas tudo se consegue

J.P. - Os bons resultados obtidos pelas selecções femininas além fronteiras levam hoje as marcas de material de pesca a olharem para os campeonatos femininos com outros olhos ou nem por isso? R.C. - Eu penso que sim, se somos as melhores pescadoras mundiais, somos obviamente uma referência para as grandes marcas de material de pesca, assim as marcas Nacionais saibam ter em linha de conta o bem que aqui têm à mão. Tomaram as marcas italianas ou francesas por exemplo, ter tão boas praticantes que consigam ser uma montra internacional com a relevância das portuguesas.

J.P. - E agora depois da vitória no campeonato nacional vêm aí o Campeonato do Mundo que terá lugar na África do Sul. Quais são os objectivos para esta competição?

Treino

é a base para obter bons resulados

R.C. - As equipas Portuguesas irão para África do Sul certamente com o espírito de sempre, Vencer o Mundial. E eu imbuída do mesmo princípio estarei logicamente solidária.

J.P. - Como é que se prepara para um campeonato do Mundo a ter lugar num continente como África? R.C. - Vou treinando por cá formas de iscar, vou pescando e quando chegarmos à África do Sul analisaremos em conjunto com os nossos técnicos a táctica a aplicar.

J.P. - Finalmente que mensagem transmitiria a uma jovem que se queira iniciar hoje no Surfcasting? R.C. - Inscreva-se o quanto antes num clube que tenha a disciplina de pesca desportiva. O meu é o Clube Desportivo de Paço de Arcos e certamente irá estar bem acompanhada para se iniciar na prática da modalidade. jP


> Jigging

A Evolução dos

Equipamentos

no Jigging

No jigging o desempenho do pescador em acção de pesca depende de diversos factores sendo que, um desses factores, está relacionado com os equipamentos utilizados.

Texto: Jorge Barreto e Imagens: redacção

N

este sentido abordaremos esta vertente, dando ênfase à parametrização das características dos seguintes elementos: canas, carretos e linhas. A decisão de aquisição e utilização dos equipamentos de pesca depende em grande medida dos conhecimentos técnicos do pescador. Conhecer as condições em que se desenvolve a sua acção de pesca é essencial, nomeadamente as espécies alvo, o tipo de embarcação e as condições meteorológicas (em que incluímos as condições de mar).

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Alguns destes factores irão influenciar a escolha dos jigs ou zagaias a utilizar, não só no que diz respeito ao peso mas também à forma como devemos trabalhá-las. Para que possamos tirar o melhor partido destas amostras pesadas, é decisivo termos à nossa disposição os “instrumentos que prolongam os nossos braços” e permitem animar os jigs como “marionetas”.

As canas

No que diz respeito a canas, desde há alguns anos, em que o jigging se desenvolveu firme e sustentadamente, a evolução tem sido

Jornal da Pesca > Julho 2010

enorme. Recordamo-nos no entanto de algumas das canas que conhecemos e chegámos a utilizar para zagaiar. Diga-se em abono da verdade que muitos êxitos e alegrias nos proporcionaram, com grandes capturas, das quais guardamos excelentes recordações. Contudo, comparemo-las com algumas das actuais canas para jigging. Reconhecidamente houve evolução, as canas estão mais adequadas e mais “especializadas” para a técnica de pesca. Por vezes parece que não se conseguirá ir mais além na construção de blanks e na confecção de novas canas, mas

podemos dizer com satisfação que a evolução não terminou. Nas canas procura-se leveza e resistência, que facilitem o trabalho do pescador, sobretudo que permitam um mínimo de esforço na animação dos jigs e no combate com os predadores. O comprimento das canas de jigging de há alguns anos a esta parte tem vindo, embora de forma discreta, a diminuir, tendo fica-

do estas um pouco mais curtas, com comprimentos abaixo dos 200 cm. Muitos pescadores experimentados utilizam canas com 180cm ou 170cm. Tal facto, não retira a possibilidade de se continuarem a utilizar canas mais longas. Na selecção da cana para jigging é conveniente ter em conta o peso dos jigs que vamos trabalhar e que tipos de animação que pretendemos poder executar com


Alicate

a sua utilização é determinante para a colocação dos anzois nas zagaias

Carretos Rebustos são essenciais para a prática de jigging

eficácia. A rigidez do blank ou, se quisermos, a rapidez com que depois de deformado volta à posição inicial é importante. Daqui que, em princípio para canas de menor comprimento se conseguem obter blanks rápidos e simultaneamente mais leves e de menor diâmetro. A acção total progressiva, quando efectivamente conseguida na fabricação do blank, pode resultar, em excelentes canas se a montagem for a adequada. De uma forma geral, os fabricantes indicam para cada cana o intervalo de peso dos jigs utilizáveis, (ex.: 150-250g), bem como as linhas que podem ser usadas no carreto, (ex.: PE 2-3.5) ou ainda a máxima regulação do drag (ex.: 17kg). Para fazer face a diferentes situações, os pescadores de jigging fazem-

se habitualmente acompanhar de vários e diversificados conjuntos cana/carreto.

Os carretos

A evolução que os carretos têm conhecido, como equipamentos mecânicos que são, é diferente da das canas. Parece óbvio que a fiabilidade dos carretos tem a ver com a tecnologia que está presente na sua construção e com os componentes mecânicos que possui. São para nós factores determinantes na escolha de um carreto as suas características e o desempenho daí decorrente. No jigging exige-se ao carreto grande esforço, sendo alguns dos seus componentes mais solicitados as engrenagens, o veio central, o rolete da asa de cesto e o drag. No que se refere às engre-

Animação e recuperação De entre as várias formas de animar um jig, destaquemos simplesmente os ‘movimentos longos’ e os ‘movimentos curtos’. Facilmente se depreende que no primeiro caso temos por cada movimento ascendente/descendente da cana, mais linha para recuperar e no segundo menos linha. Também o maior ou menor comprimento da cana tem consequência na linha a recuperar, pela amplitude do movimento. É claro que é a acção do pescador que vai compatibilizar todo o processo de animação e recuperação. Poderá contudo ter a bordo, entre as suas opções, conjuntos com cana mais longa e carreto mais rápido e cana mais curta e carreto mais lento. Na pesca e nomeadamente no jigging as soluções são sempre de compromisso, cabendo como sempre ao pescador a última palavra.

nagens, roda de coroa e pinhão, os materiais em que são construídos assumem grande importância. Do bronze ao duralumínio, passando pelo aço inoxidável, todos estes materiais de base são indicados para a fabricação de componentes mecânicos. Os rolamentos num carreto são essenciais. Todas as peças, sobretudo as de maior esforço e as que mais rodam, devem trabalhar sobre rolamentos. Desta forma consegue-se suavidade no funcionamento e menor desgaste do material. O veio central num carreto para jigging tem de ter a resistência suficiente para suportar o constante trabalho de animação do jig ou zagaia bem como as, muitas vezes bárbaras, ferragens de predadores junto ao fundo em que não há margem para ceder linha. O drag deve ser multi-disco, recomendando-se vivamente os discos em carbono. A relação de recuperação dum carreto para utilizar no jigging deve ser média ou baixa. Temos como recomendável que relações de recuperação situadas entre 4 e 5 voltas do rotor, por volta de manivela, perfazem genericamente as exigências desta técnica de pesca. A velocidade de recuperação é importante no combate com o peixe, mas também na acção de animação do jig, uma vez que é necessário encadear o movimento da cana com a recuperação da linha. Um carreto com força é importante, pois com alguma frequência

utilizam-se zagaias muito pesadas e efectuam-se felizmente algumas capturas também pesadas.

As linhas

Quando se fala de linhas para o carreto, no jigging, somos levados imediatamente a pensar nos multifilamentos entrançados. Actualmente, a esmagadora maioria dos pescadores de jigging utiliza linhas multifilamentares. A razão desta opção prende-se com as características destas linhas, praticamente sem elasticidade, espessura inferior aos monofilamentos para uma apreciavelmente maior tensão de rotura e ainda a possibilidade de ser multicolorida, indicando a linha saída do carreto. Os multifilamentos são confeccionados com fibras de Polietileno (Poly-Ethylene), daí a abreviatura PE. A tecnologia da fabricação de fibras é muito complexa, existindo marcas de referência como são exemplos a Dyneema ou a Spectra. Complexa é também a confecção do multifilamento entrançado, estando na tecnologia de fabricação a qualidade do produto final. Estas linhas podem ser fabricadas juntando pelo menos 3 mechas de filamentos. O processo de entrançar e o número de fios (mechas de filamentos) determina o calibre

do multifilamento e a sua qualidade. Os multifilamentos de 3 e 4 fios são talvez os mais utilizados na pesca desportiva em geral, provavelmente pelo preço a que chega ao mercado. O aumento do número de fios de um multifilamento torna-o mais cilíndrico, mais próximo da secção de um monofilamento de qualidade, e consequentemente mais caro. Os multifilamentos com 8 fios são uma boa opção para o jigging, embora nem todas as marcas o comercializem.

Notas finais

A qualidade do conjunto de equipamentos com que pescamos é nivelada pelo de menos elevada referência. No jigging encontramos a cada passo situações para as quais é de toda a conveniência estarmos bem equipados, não valendo por vezes a pena fazer escolhas de duvidosa qualidade. O prazer da pesca é também o prazer do conhecimento e utilização dos materiais e equipamentos que utilizamos. jP


> Spinning

Nós para spinning

Muitas vezes, quando se considera uma determinada técnica, limitamos a nossa preocupação ao funcionamento do carreto, à acção e comportamento da cana, ou até à resistência intrínseca da linha que utilizamos. Mais frequentemente ainda, a nossa preocupação é apenas qual a amostra que vamos usar…

Texto e Imagens: Gomes Torres

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as na realidade, não deverão ser apenas estes aspectos que devem ser motivo de preocupação, nesta ou noutra modalidade. Há pequenas coisas, a que muitas vezes não damos a devida atenção, mas que se revelam elementos fulcrais para que o peixe não leve a melhor no combate e nos chegue às mãos, sem a falha de nenhum dos elementos que usamos para o enganar. Os nós que utilizamos para unir linhas e amostras são os elementos mais críticos no único elo de ligação - como refiro muita vez – entre nós e o peixe, depois de ferrado. Se a linha (o tal único elo entre o peixe e o pescador)

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é importante e não pode falhar, os nós utilizados são ainda mais importantes. Simplesmente, porque não podem permitir que ao ser efectuados danifiquem a linha de modo a comprometer a resistência mínima que vamos precisar.

Vamos fragilizar a linha?

Um aspecto a ter sempre em conta ao realizar qualquer nó é que estamos de forma inconsciente, mas contudo deliberada, a fragilizar a linha que vamos utilizar depois para lutar com o peixe. Pode parecer inesperada esta afirmação, mas é exactamente o que se passa na realidade. O que sempre esperamos é que essa fraqueza imposta pelo

Jornal da Pesca > Julho 2010

nosso nó, não seja suficientemente grave e determine a ruptura da linha, com os esforços de tracção a que a vamos submeter ao lutar com um peixe. Apesar de os nós serem um “mal necessário “ a que estamos obrigados, nem todos têm os mesmos efeitos sobre os diferentes tipos de linhas que utilizamos. Por isso, ao longo dos tempos foram sendo desenvolvidos e apurados alguns nós que minimizam, mas sem nunca anular, o efeito da sua execução numa linha. Inventar um nó que não tenha efeitos negativos numa linha é um desafio constante mas claramente inatingível para muitos, quer sejam especialistas ou fabricantes de linhas, bem como

para todos os pescadores, unanimemente preocupados com este efeito secundário. Apesar disso, ninguém desiste de tentar minimizar esta incómoda consequência…

Características de um bom nó

Pessoalmente considero que qual-

quer nó de pesca deve ter duas características principais muito simples: Ser fácil e rápido de executar. Um nó fácil é um nó simples, sendo por isso de pouca complexidade, não exigindo que decoremos todas as voltas e reviravoltas para o concretizar. Um nó pouco complexo é fácil de decorar


O nó de Palomar é o índicado para a prática do spinning

e nunca corremos o risco de ser mal acabado, falhando por isso quando em esforço. Por outro lado, com um nó rápido não perdemos tempo precioso de pesca, quando optamos por trocar de amostra. Uma vez que o nó se faz rapidamente, podemos trocar de amostra mais frequentemente, porque sabemos que vamos perder pouco tempo. E muitas vezes precisamos de trocar de amostra várias vezes até percebermos o que os peixes querem nesse dia. Este é muitas vezes o factor de sucesso de um dia de pesca!

Os nós, de uma ponta à outra

Hoje em dia vulgarizou-se a utilização de linhas multifilamento para o spinning de mar. As vantagens são evidentes: Lançamentos mais longos, uma linha mais resistente atendendo ao diâmetro e ferragens à distância mais eficazes, devido à ausência de elasticidade deste tipo de fio. Muitas vezes, a bobina de multifilamento que compramos não consegue encher totalmente a bobina do carreto, devido precisamente aos baixos diâmetros que usamos. Uma das soluções é encher a parte mais funda da bobina com um

Nó Arbor

monofilamento, seguindo-se depois o multifilamento, que fica mais exposto, permitindo uma saída fácil nos lançamentos. Este fio a que chamamos backing, por analogia ao termo utilizado na pesca à pluma, certamente nunca irá sair do carreto, servindo apenas para “encher”. Regra geral, este fio não precisa de ser mais substituído, a menos que tenhamos outro melhor ou mais adequado para a sua função.

Nó Arbor

O nó que prende o fio à bobina é muito fácil de realizar. Na ponta da linha dá-se um nó simples. Depois passa-se a linha pela bobina e dá-se outro nó simples de maneira a que a volta da linha fique no meio deste novo nó, como se de uma laçada se tratasse. O único ponto a considerar é que ao enrolar a linha, esta deve ficar a apertar a laçada na bobina e não o contrário.

Nó Albright Especial

Para unir o mono ao multifilamento, o nó recomendado é o Albright Especial ou modificado, visto que está mais que testado e não apresenta qualquer problema, apesar de ter

inúmeras variações do apresentado. Para a sua execução dobra-se o mono a cerca de cinco centímetros da extremidade, formando uma volta apertada. Passa-se o multi pelo interior dessa volta e enrola-se dez voltas no mono dobrado, no sentido do afastamento da volta. Enrolam-se depois oito voltas em sentido contrário, introduzindose a ponta do multi na mesma argola da volta do mono, mas em sentido contrário ao que se iniciou o nó. Puxa-se cuidadosamente, permitindo o deslizar do multi no monofilamento, até apertar muito bem. Cortam-se as sobras das linhas com um milímetro de segurança. A maioria dos pescadores utiliza um leader de monofilamento até à amostra – por exemplo em fluorcarbono – com cerca de um a dois metros. Naturalmente, este nó é o mesmo que vamos utilizar para a ligação entre o multi e o mono que vai prender a amostra.

Nó Palomar

Este nó é utilizado para unir a linha que pode ser multi ou mono, a uma argola. Neste caso pode-se utilizar um ligador (Speed Clips, Fastlink Clips, Snap Clips, etc. …) que permita a substituição rápida

Nó Albright Especial

das amostras ou atar directamente à amostra, sem qualquer ligador. A sua execução é também muito simples e rápida. Passamos a extremidade da linha na argola a empatar, num sentido e depois no outro. Com a volta obtida damos um nó simples, passando depois a argola do fio pelo apetrecho a empatar, apertando-se depois com cuidado, deixando o fio correr.

Nó Palomar

Cuidados para os nós

Na execução de qualquer nó, a parte final – a do aperto – é sempre a mais crítica. Dependendo dos tipos de nós, algumas vezes é necessário ajudar a que as voltas corram ou então, que este se finalize o mais perto possível da extremidade da linha, para que não seja desperdiçado fio desnecessaria mente. O nó Palomar é um destes casos, sendo por ventura o seu único defeito, pelo que por vezes é necessário um cuidado adicional para a sua execução. Quando se concretiza qualquer nó, existe sempre atrito entre as partes da linha envolvidas, em especial para parte final da execução do mesmo. Esse atrito, além de não permitir um nó bem executado, porque a linha não corre facilmente, aquece o material alterando por isso as características de resistência do fio. Daí que a recomendação de humedecer qualquer nó, antes da finalização, seja importante, para que não se fragilize a linha e consequentemente o nó, que por muito cuidado que tenhamos, será sempre a parte mais frágil da nossa ligação ao peixe. jP

Julho 2010 > Jornal da Pesca

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> Pesca

à boia

A ova de ouriço o isco fatal

O Ouriço, é na pesca um dos mais importantes iscos para o pescador que pretende alcançar bons resultados. O ouriço alimenta-se de limos e a altura mais propícia para a pesca com este isco é a partir do Outono, altura em que o ouriço se encontra cheio. Texto e Imagens: Luís Batalha

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or se tratar de um isco que não pode ser utilizado todo o ano, o ideal é quando chega o Outono apanharmos alguns, parti-los e ver se estão ovados de modo a que possamos utilizá-los na nossa pesca. É bom lembrar que apesar dos excelentes resultados que alcançamos com este isco, não devemos apanhar o ouriço fora de época por se encontrarem vazios, não valendo, desse modo, o esforço. A utilização deste isco é mais aconselhada quando pescamos ao tento com canas compridas entre os 6 e os 7 metros em pesqueiros que permitam pescarmos sem necessidade de fazer lançamentos. Desse modo o isco terá menos tendência para se desfazer. Devemos por isso escolher pesqueiros onde o mar faça feição, rebojos de água mexida e oxigenada com cores azuis leitosas, assim o peixe não terá receio de sair dos buracos já que se sente camuflado pela cor do mar. Após a escolha do pesqueiro devemos sondar o fundo com a bóia, de modo a que possamos ter a noção da sua profundidade. Como é óbvio se os chumbos fendidos que calibram a bóia baterem no fundo a bóia vai ter a tendência de se apresentar deitada. Ao pescarmos com ouriço como isco teremos de ter o cuidado de manter o drag do nosso carreto ligeiramente aberto, acompanhando com a cana o movimento da subida e descida da água, dando assim a entender ao peixe que a nossa isca se encontra solta de modo a minimizar a desconfiança dos peixes de grande porte, normalmente mais cuidadosos antes de atacarem o isco. A escolha do fio a utilizar quando pescamos com ouriço também não pode ser deixada ao acaso, é importante que se utilize um fluorocarbono de boa qualidade que não permita levantar suspeitas ao peixe no ataque à isca. A pesca com ouriço requer igualmente que o utilizemos como engodo e para isso não precisamos de recorrer a grande material, basta uma pedra para os partir, um de cada vez, e deitando ouriço quebrado para o local onde estamos a pescar. jP

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Começamos por abrir o ouriço com cuidado pela boca.

No ânus do ouriço também se faz um buraco pequeno para melhor escorrer e secar as ovas.

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Com cuidado abrimos o ouriço descobrindo então as suas ovas.

Virando o ouriço para baixo sacudimo-lo para melhor saírem as suas tripas.

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Com a ajuda de um descascador raspamos as tripas que ficam entre as ovas

Na imagem podemos observar as cinco bolsas de ovas sem as tripas.

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Colocam-se os ouriços a enxugar as ovas de modo a que se consigam iscar.

Com a unha retira-se a ova com cuidado.

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Coloca-se a ova na palma da mão e com um anzol muito fino espetamos o isco no anzol.

A ova é que deve procurar a curvatura do anzol. Devemos ter alguma perícia para realizar esta operação.

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O Fio Fluorocarbono da Potenza mostrou-se à altura da pesca com ouriço

Iscada pronta e irresistível para as espécies marisqueiras.

A cana Mondego

da Vega é uma excelente opção para a pesca à boia

O fato de mergulho é útil na apanha do ouriço.


> Embarcada

Pescando Fundo

Normalmente quando temos uma saída de pesca embarcada, os níveis de adrenalina sobem, e cometemos uma série de erros que se vão repercutir no dia da pescaria. São cafés a toda a hora, é o stress de organizar tudo, desde os iscos à comida, e depois pensar se não falta alguma coisa importante… enfim é de perder a cabeça… e acontece muito, mesmo a quem já é “careca” nestas coisas. Texto e Imagens: jó pinto trabalhar ajuda a cansar o peixe, e se estivermos na presença dum bom exemplar vão ver que vai ajudar bastante. A sua progressividade deve começar com uma sensibilidade superior na ponteira que nos permita distinguir os toques das várias espécies que vão ao anzol “petiscar”. O momento da ferragem deve ser “escolhido” isto é, em presença de espécies como carapaus, bogas e afins, devemos ignorar por completo. A ferragem só deve ser feita nos toques de peixes melhores. Pois bem… poderão questionar como se chega a este estado de “percepção”. É sempre possível desde que se perca tempo a estudar esses toques. Nada neste Mundo é fácil, e se o fosse deixaria de dar “GOZO”. Portanto a cana deve reflectir mesmo “TUDO” para podermos depois controlar a situação. E mais não digo senão perde a graça.

mas desde que o material sirva, que faça o seu trabalho, que seja “estimado”, ele dura e “aguenta-se à bronca”, e para mais em tempo de crise quem vai arriscar? É claro que temos de pensar que um carreto deve levar fio sempre com Multifilamento de boa qualidade, pelo menos para estas profundidades, deve ter no mínimo 200mts, ao qual se deve adicionar um mono com elasticidade média, com espessura à volta dos 0,30/0,35, com 6 a 7 BRAÇAS (será sempre mais fácil medir em Braças do que em metros, certo ?). Os carretos devem estar bem lubrificados, devem ser limpos logo a seguir à pescaria para o sal não secar, devem também ser vistos por técnicos, de preferência da marca, regularmente e conforme as saídas e o uso. Os meus são vistos pelo menos 3 vezes por ano, e eles duram muito tempo. Resumindo, carreto o mais leve possível, com OS CARRETOS ratio baixo (FORÇA), e sempre Existem vozes discordantes do que com a embraiagem bem afinada. aqui vou escrever, mas tenham lá paciência, que vou insistindo na AS MONTAGENS minha opinião e se não acreditasse A qualidade dos fios reflecte-se nela não vos transmitia. Carreto de directamente r na confiança do pespreferência LEVE, com ratio entre cador, isto é desde que o pescador o 3:4.0 e o 4:4.0, o mercado está confie na qualidade das linhas que bem recheado de bons carretos a incorporam as montagens, é meio preços muito convidativos. É claro caminho andado para o sucesso, e que temos Topos de Gama muito ainda sobra tempo para “estudar bons para “isto” ou para “aquilo”, os tais toques” certo?

C

omo diz um amigo “ muita calma nessa hora” e é bem verdade, pois devemos organizar as coisas com alguma antecedência e sempre com um plano “B”, senão as coisas falham. Passando à frente, vou abordar aspectos mais práticos, tentando explicar o meu ponto de vista sobre questões e duvidas que surgem com muita frequência.

AS CANAS

Uma das dúvidas que muitos pescadores colocam neste tipo

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de pesca são o tipo de canas a utilizar. Existe a ideia de que se vamos pescar, a 120mts de fundo, exemplares mais “musculados” pensa-se logo em canas GROSSAS e RIJAS…nada mais errado. O mercado hoje em dia tem muitas opções de canas que servem quer para a pesca normal ao fundo a diversos peixes mas também para puxar peixes de 3, 4 ou mais quilos, sem qualquer problema, mas… temos de escolher bem. Na minha opinião a cana deve ter mais de 3 metros mas nunca mais de 3,5mts. Deve ser progressiva, pois o seu

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A Pesca Embarcada surprende pelos bons resultados

Dizia que as montagens devem ser trabalhadas com fluorcarbono. Claro que esta qualidade de fio tem muitos adeptos e muitos “inimigos” (no bom sentido claro), mas acreditem que mesmo a grande profundidade “nota-se muito a diferença”. É claro que os “detractores” do fluorcarbono não sabem dar os nós correctos na madre, por isso resolvem “COLAR”, usar nylon NORMAL…têm medo? AZARRRR… e para não terem a papinha toda feita, consultem os fóruns de nós e experimentem, qual deles será o melhor, mas

A Sardinha

é um isco essencial para a prática da pesca embarcada

não tenham medo. Pérolas ovais, stonfos ou batentes, abusem destes e verão que resulta. É uma falsa questão pôr em causa o seu uso, até porque todo este material se for de qualidade, pode ser lavado e recuperado, como eu faço. O uso de destorcedores com rolamento é para mim OBRIGATÓRIO, e isto porque pretendo fazer montagens que na sua descida ou subida com peixe todo o sistema “DESTORÇA”. Só para terem uma ideia, chego a pescar o dia todo com uma única montagem e chega ao fim do dia PRONTINHA PARA

MAIS. Poupa-se ou não? É como o uso de ANZÓIS, por exemplo. Para este (ou outro) tipo de pesca, o modelo CHINU é o mais eficaz e não nos perdemos numa infinidade de modelos que ao fim de algum tempo ainda estamos a testá-los ou não chegamos a saber qual deles é o melhor. Atenção ao empate, pois é de extrema importância TESTÁ-LO antes de o colocar na montagem. Já vi muitos pescadores extremamente aborrecidos por perderem bons peixes… Em relação às chumbadas, existem

muitas opiniões, mas entendo que devemos sempre “SIMPLIFICAR” as coisas. Esqueçam as cores, se são emborrachadas ou não (isso são outros 500…), o que interessa é que tenham um formato que façam com que a pesca vá o mais rápido para baixo sem muito atrito e cujo peso force de modo correcto a saída do fio do carreto. Penso que para profundidades na ordem dos 100/120 metros, as chumbadas tipo torpedo de 250 grs, sejam as ideais. Com uma chumbada mais leve quase que somos obrigados a “AJUDAR” a que o fio saia do carreto, com a consequente e frequente quebra de ponteiras, por enrolamento do fio na ponta. Para termos pelo menos duas opções de montagens, devemos fazer da seguinte maneira: -Para empates com anzóis 3/0, uso 0,37 no empate e 0,405 na madre -Para empates com anzóis 1/0, uso 0,33 no empate e 0,37 na madre Para diferenciar as mesmas, uso “bolachas” de cor diferente para “enrolar”cada uma delas.

O ISCO

Para este tipo de pesca, uso somente 3 tipos de iscos: -Sardinha

-Camarão -Cavala (acabada de apanhar, e filetar) A iscagem da sardinha deve ser feita de modo a que o anzol ultrapasse o lombo e dê a volta à espinha, e esqueçam os “rabinhos” da mesma, pois o que interessa é mesmo a parte da barriga… percebem?

ACONDICIONAMENTO DOS ISCOS E DO PEIXE

Principalmente a sardinha, deve ser acondicionada numa pequena arca com gelo e já no mar, juntar água salgada até tapar. O corte deve ser feito preferencialmente com TESOURA DE INOX, daquelas de amanhar o peixe, e cortar sempre no sentido da barriga para o lombo de forma a não “ESMAGAR” muito a sardinha. Muito gelo é necessário também para o peixe, que deve ser colocado na arca, também com água do mar, e vão ver que quando chegarem a casa, ele está como se tivesse sido capturado naquele momento. Claro que isto implica levar muito material, mas vale mesmo a pena o esforço, principalmente no Verão. Apanhem muito e bom e depois digam lá se estas dicas ajudam ou não. jP

X-Pander

mostrou-se à altura da pesca embarcada

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> Kaiak

A pesca ao choco

Onde podemos encontrar o choco? Este predador prefere zonas de fundos mistos, pode no entanto em determinadas altura do ano escolher os fundos de areia. Texto e imagens: Rui carvalho

A montagem para pesca ao choco

de gosto. A escolha das cores das toneiras é muito simples, convém levar todas as cores e de preferência repetidas. Como pescamos com duas linhas de mão utilizamos cores diferentes em cada linha, a toneira que não apanhar é trocada por outra até acertar nas cores que o choco quer para aquele dia, quando o dia está nublado com algumas abertas sente-se a preferência do choco a mudar conforme o sol aparece ou desaparece.

A montagem

A forma de pescar ao choco

Ao contrário da maioria das técnicas de pesca que utilizamos a pesca ao choco é feita preferencialmente sem cana, apenas com a linha de mão.

Os materiais

Existem diferentes formas de guardar a linha, a mais utilizada pela maioria dos pescadores ainda é uma pequena tábua rectangular, este pedaço de madeira é prático além de ser relativamente económico, fácil de guardar e consegue armazenar linha suficiente independentemente da espessura que cada um prefere utilizar. A linha de mão que se utiliza na pesca ao choco varia consoante o

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gosto de cada um, mas normalmente a preferência recai entre o 0,50 e o 0,60mm. Pessoalmente utilizo o fio Megaline Clear de 0,50mm, este fio é macio e aguenta os vincos provocados pela forma como está enrolado na tábua, com uma sensibilidade muito grande, e este é um factor essencial quando pescamos com linha de mão. A chumbada que utilizamos pode variar conforme a corrente, utilizamos entre os 80g e 120g.

As toneiras

Existem dois tipos de toneiras, as calibradas internamente e as calibradas externamente, esta diferença não traz mais-valias para o tipo de pesca é apenas uma questão

Jornal da Pesca > Julho 2010

das

A montagem deve ser feita apenas com uma toneira por linha, e com as medidas aproximada figura.

A forma de trabalhar as toneiras

O choco é um caçador com ataques muito rápidos mas de deslocação lenta antes de atacar, sempre que a toneira está longe mas a uma distância que justifica desencadear o ataque o choco inicia uma aproximação lenta com variações de cor como se estivesse a hipnotizar a toneira e só quando esta está ao seu alcance é que faz o derradeiro ataque. Devido a esta forma de caçar a animação das amostras não pode ser exagerada, o ideal é largar a linha e deixar que esta “descanse” para dar tempo ao choco de fazer o seu trabalho. A deslocação muito rápida do kayak e uma animação exagerada fazem diminuir as capturas, esta técnica requer calma mas firmeza na hora de sentir e ferrar o choco. jP


> Náutica

A versatilidade tem um nome

F70A

Texto: Virgílio Machado e Imagens: Yamaha motor portugal

O novo motor da Yamaha a 4 tempos, o F70A, é o mais leve e versátil dos 70hp disponível no mercado, mesmo quando comparado com os mais recentes e melhores motores a 2 tempos.

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stamos perante um motor que proporciona um impressionante nível de performance para o seu tamanho compacto, o que revela bem o trabalho desenvolvido pela marca nipónica neste F70A. Trata-se de um motor desenhado para ser versátil e assim se adaptar à maioria dos diferentes tipos de embarcações. Para o novo F70A, os engenheiros Yamaha desenharam uma configuração de 4 válvulas por cilindro na qual as válvulas actuam por um simples veio de árvore de cames em vez do mais típico duplo veio de árvore de cames. Este desenho altamente incomum não só permite maiores válvulas admissão e escape, como con-

tribui para uma maior eficiência volumétrica e para o seu reduzido peso e perdas por atrito, que são as inevitáveis penalidades da utilização de duplo veio de cames. A redução do peso deste motor foi conseguida através do uso de novos materiais e por uma entrega inteligente de potência, que procura ganhar uma saída consistente e a mais alta potência com excelente jP fiabilidade a longo prazo.

Principais características do novo F70a • Compatibilidade com os novos Manómetros do Sistema Digital em Rede Yamaha • Sistema de Injecção Electrónica de Combustível • Controlo e variação de RPM ao ralenti • Limitador de rotação excessiva • Aviso de sobreaquecimento • Aviso de baixa pressão do óleo • Protecção contra de motor engrenado • Sistema anticorrosão Yamaha • Sistema de lavagem com água doce • Sistema segurança contra falhas • YDIS: Sistema de Diagnóstico Yamaha • Sistema de requeima de gases • YCOP - Yamaha Customer Outboard Protection (Sistema de Protecção Anti-Roubo) • Análise de emissões: RCD (EU2006)

Especificações técnicas Modelo / Yamaha F70A Variantes disponíveis / F70AETL Especificações do motor / 4 Tempos, 4 cilindros em linha, 16 válvulas, SOHC Cilindrada (cm3) / 996 Regime de Rotação (RPM)/ 5300-6300 RPM Escape / Veio do hélice Lubrificação / Cárter húmido com bomba Ignição TCI /Computorizado Arranque / Eléctrico


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> Achigã

Tácticas para o Verão … para

achigãs mais difíceis.

Nos dias mais quentes do ano pode ser difícil convencer os achigãs a atacar as nossas amostras. Com excepção do amanhecer e do entardecer, em que os peixes apresentam um nível de actividade superior, assim que o calor aperta, podemos, normalmente, observar um decréscimo de actividade. Texto: Jaime Sacadura | Imagens: Jaime Sacadura e Pedro Falé

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a altura de mudarmos de táctica, pararmos de pescar com as amostras de superfície, que até aí foram produtivas e virarmo-nos para amostras mais subtis e com um comportamento o mais natural possível. Nesta situação, os vinis são a escolha preferida da maioria dos pescadores. Pequenas imitações das presas habituais do achigã são irresistíveis, mesmo para peixes com níveis de actividade mais reduzidos.

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Selecção das amostras

A escolha dos vinis a utilizar depende das presas habituais do achigã no local em que estamos a pescar. No entanto, se utilizarmos amostras que imitem as pequenas criaturas mais comuns nas barragens e charcas nacionais, não podemos errar, pois, com a apresentação e a animação adequada, são poucas as situações onde os achigãs as ignoram. As minhas preferências vão para imitações de pequenos lagostins, de

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pequenos peixes e de pequenos lizzards (lagartos), mas que têm mais a ver com pequenos anfíbios, como os tritões e salamandras que podemos encontrar as nossas charcas na primavera e no verão, do que com répteis, como o nome poderia supor. Recorro a várias amostras, de vários fabricantes, mas prefiro as imitações da Gary Yamamoto Custom Baits, da Molix, da Keitech e da Zoom, nos lagostins , nos lizzards e nos jerkbaits moles (soft jerkbaits, como o senko, o sidius,

o shad e o swing impact, e o fluke) Esta pequena selecção garante, à partida, a maior semelhança possível com presas naturais e a maior parte dos fabricantes consegue realizar imitações quase perfeitas destes animais, quer no aspecto, quer no comportamento dentro de água. A cor escolhida, embora na maioria das situações não seja decisiva, pode contribuir para aumentar as hipóteses de conseguirmos um ataque. A minha preferência vai para cores naturais, principalmente nas águas límpidas da maioria das nossas massas de água. Nestas condições, um achigã mais inactivo tem todo o tempo de mundo para se aperceber de todos os pormenores subtis que denunciam a artificialidade de uma amostra. Ao utilizarmos a cor mais natural aumentamos as hipóteses de sucesso. Prefiro os verdes escuros (watermelon), os castanhos (pumpkin) e os vermelhos (rootbeer), de preferência em duas tonalidades (a cor mais escura no dorso da amostra e a mais clara no ventre, como acontece nas presas naturais). Em águas mais escuras ou a maiores profundidades, tons mais visíveis, como o amarelo fluorescente (chartreuse) podem produzir bons resultados. A utilização de pequenos reflectores (glitters) misturados no vinil, tende a imitar pequenos pigmentos naturais (como podemos observar nos lagostins) e contribuir com reflexos de luz (como com as escamas dos peixes) pelo que, na maioria das

situações, são contributos adicionais positivos.

A importância da apresentação

Convencer o achigã que o artificial com que estamos a pescar é uma presa viva, é essencial para obtermos sucesso. A maneira como apresentamos a amostra pode fazer toda a diferença. Entre os muitos pormenores cruciais, as linhas utilizadas, o tipo de anzol e o tamanho do peso são factores que são responsáveis por uma atitude natural da amostra, dentro de água. O diâmetro e tipo de linha com que pescamos devem estar de acordo com as amostras que estamos a utilizar. Os vinis de pequena dimensão, como os lagostins de 3 polegadas (7 cm) ou uma imitação de um pequeno peixe com 4 polegadas (10 cm) não podem ser animados convincentemente se utilizarmos linhas de diâmetro desadequado. Uma linha muito grossa altera a forma como estas pequenas amostras se comportam. Devemos utilizar a linha de menor diâmetro possível. Em locais com achigãs de bom tamanho podemos sofrer a tentação de aumentar o diâmetro da linha para assegurar maior segurança na altura da luta com o peixe. No entanto, a possibilidade de conseguir capturar um bom exemplar, não deve interferir com este aspecto crucial da apresentação. Não serve de muito estarmos a pescar com uma linha


mais grossa, se esta prejudica a apresentação natural da amostra. O mais certo é não termos qualquer toque e, assim, a linha em vez de nos ajudar, prejudica-nos, reduzindo as hipóteses de capturas. O mesmo acontece com o anzol. Muitos pescadores, simplesmente utilizam o tipo de anzol habitual com que pescam com outros vinis. Para estas amostras mais ligeiras, o anzol a utilizar é essencial. Um anzol demasiado grande ou pesado prejudica o trabalhar do artificial, de forma tão ou mais importante que a linha utilizada. Mais uma vez, devemos utilizar o anzol mais pequeno possível, que ainda permita manter a eficácia da ferragem. A minha preferência vai para anzóis wide gap (de abertura larga), de metal fino e de pequeno peso em tamanhos que vão do 2 até ao 1/0, dependendo da amostra utilizada. A abertura mais larga destes anzóis, adapta-se melhor aos vinis um pouco mais grossos, como os Shad Impact ou os Fluke, que imitam na perfeição pequenos peixes. Se utilizarmos um anzol direito, típico de minhoca (straight shank) com estas amostras, a ponta pode ficar demasiado enterrada no vinil, prejudicando a ferragem. Por último, se utilizarmos um peso, para levarmos a amostra a camadas mais profundas, este não deve ser desproporcionado, em comparação com o tamanho da amostra. Estamos a tentar capturar peixes menos activos, pelo que lhes devemos dar tempo a acompanhar a movimentação da amostra, com quedas mais lentas e naturais. Ataques de reacção a quedas mais rápidas, podem acontecer, mas são menos vulgares nestas condições. Assim,

não é invulgar utilizar pesos muito pequenos, desde 1/32 a 1/8 onças (1 a 4 gramas) em muitas destas situações. Prefiro pesos tipo bala, pintados em cores naturais, como verde escuro ou castanho. Tudo o que contribua para uma apresentação o mais natural possível.

Como animar

Não podemos falar em apresentação, sem mencionarmos a animação da amostra. Na maior parte das situações, devemos deixar a amostra cair de forma livre, com a linha folgada, sem produzir qualquer animação. Os jerkbaits moles actuais possuem desenhos sofisticados, com um hidrodinamismo elevado, que oscilam durante a queda ou deslizam lentamente para o fundo, em espiral, simulando na perfeição um pequeno peixe a morrer – uma presa fácil e irresistível para os achigãs. Também os pequenos apêndices dos lizzards e dos lagostins produzem vibrações durante a queda. Não quer dizer que o pescador não possa e deva animar a amostra, mas esta animação deve ser calma e descontraída. Raras são as vezes em que uma animação contínua e com um ritmo certo resulta melhor do que uma animação de ritmo menos preciso e mais errática. Pequenos toques de ponteira, espaçados e irregulares ajudam, de forma decisiva, a completar a ilusão de presas vivas e fragilizadas e a convencer o achigã a atacar. Com peixes mais inactivos, as longas pausas, e as animações quase imperceptíveis, com a amostra no fundo, dão mais tempo ao peixe para se interessar e podem ser muito mais produtivas.

Onde pescar

Existe a noção de que no Verão o peixe afunda e procura as zonas mais profundas para se refugiar do aquecimento das águas. Esta noção é correcta, mas não considera que, mesmo no pico do Verão podemos encontrar achigãs em zonas baixas desde que estas sejam ricas em vegetação ou outras coberturas submersas. Já capturei bons exemplares (a rondar os 2 kg) quase no fundo de enseadas, a profundidades de meio metro. Desde que existam coberturas adequadas (sombra e vegetação verde, produtora de oxigénio), podemos sempre encontrar aí achigãs. Se as condições do local permitirem às suas presas naturais continuar nesses locais, os achigãs não estão muito longe. É conveniente conhecer os contornos subaquáticos e as estruturas dos locais que pescamos habitualmente. Os peixes podem efectuar pequenas deslocações ao longo do dia para zonas de maior conforto, como valas próximas e fazer pequenas incursões à procura de alimento nas zonas mais baixas. Podemos explorar as zonas mais profundas com apresentações ligeiras, como o empate drop-shot e alternar, com a pesquisa de zonas baixas com vegetação, utilizando o empate weedless (anzol sem peso) ou um empate Texas muito ligeiro.

Amostras alternativas

Ocasionalmente, mesmo com peixes menos activos, a utilização de amostras mais rápidas pode levar a ataques de reacção, principalmente se conseguirmos surpreender os achigãs. Lançar um pequeno crankbait para além do local onde o achigã se abriga e fazê-lo passar

a uma velocidade mais elevada, a pouca distância de uma zona de vegetação cerrada, pode fazer com que um peixe, que até aí se mostrou desinteressado de outras amostras e de apresentações mais lentas, ataque de forma violenta. Nesta situação, prefiro utilizar crankbaits de paletas pequenas que afundam pouco e têm menos hipóteses de prisão, até porque as zonas a explorar, nestes casos, são também mais baixas.

bons lançamentos com amostras de pouco peso. Na luta com o peixe, a eficácia do seu bom freio, permite o controlo de bons exemplares, com linhas mais finas, sem a perda de peixe por quebras – o que acontece com frequência, em zonas mais complicadas, com material de qualidade inferior. jP

Material adequado

Conjuntos de spinning, com acção ligeira são essenciais para este tipo de pesca. A cana deve possuir uma boa acção de ponteira para conseguir projectar amostras pequenas e com pouco peso, mas abaixo desta zona, a cana deve ser resistente (deve ter um bom backbone), para assegurar a ferragem e para permitir o controlo de peixes de maior dimensão, em zonas com vegetação e obstáculos submersos. Neste tipo de pesca, um bom carreto é essencial. Estamos a pescar com amostras leves e linhas mais finas. Um carreto como o Regal 80 da Vega, que utilizámos durante as jornadas de pesca que conduziram a este artigo, graças à sua construção sólida e compacta, assegura a necessária fluidez de utilização, principalmente na animação e na recuperação, conseguida graças aos seus 7 rolamentos. O design da bobina permite a saída fluida da linha – essencial para conseguir

A cana Akada HSP Da Veja é ideal para pescar com pequenas amostras

Julho 2010 > Jornal da Pesca

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> Competição

Campeonato do Mundo de Clubes 2010

A cidade de Poznan na Polónia, recebeu no passado mês de Junho a edição 2010 do Campeonato do Mundo de Clubes de pesca desportiva. Presentes neste evento estiveram 31 Países, o que constitui um recorde de presenças e evidencia a importância que os clubes atribuem hoje à presença neste mundial. Texto e Imagens: José Calado

P

ortugal esteve representado, mais uma vez, pelo TeamVega, campeão nacional de clubes e que em 2008 havia alcançado o segundo lugar no Mundial que decorreu em França.

Local

Inicialmente a prova estava prevista realizar-se no rio Warta, um formidável plano de água com correntes constantes sempre muito elevadas. Quis o destino que ao fim de 40 anos o volume das águas atingisse níveis tão elevados que tornaram a pesca impossível, tudo isto devido às monumentais cheias que atingiram a Polónia durante as ultimas semanas antes da prova. A Organização viu-se forçada, e bem, a alterar o local mantendo a respectiva data. O novo local escolhido foi a Pista de Remo denominada “Malta”, um local construído nos anos 40, durante a II Guerra Mundial e no período de ocupação alemã. Os Judeus foram a mão-de-obra

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utilizada para a construção deste espaço verdadeiramente espectacular, situado igualmente em Poznan a cerca de 1Km do rio Warta. Apesar de se tratar de um espelho de água maravilhoso esteticamente, em termos de local para a realização de um Campeonato do Mundo de pesca não reuniu, no meu entendimento, as melhores condições pela irregularidade de alguns sectores e pela má limpeza dos pesqueiros, cheios de ervas. A altura média dos pesqueiros rondou os 2,5 mt, sendo quase sempre suficiente a utilização de kits de 3 ou 4 elementos. Mas é claro que as condições foram as possíveis e como sempre ganharam os melhores!

Logística

O Team Vega, decidiu deslocarse para o local 2 dias antes do previsto para se poder preparar melhor para este evento, foram 2 dias importantes para conhecer o local e preparar o material mais

Jornal da Pesca > Julho 2010

adequado para os treinos. A logística envolveu a deslocação em 2 carrinhas, gentilmente cedidas pela FPPD a quem agradecemos o empréstimo. Estiveram envolvidos 10 elementos: António Marques, Augusto

O TeamVega

Durante um dos treinos de adaptação à pista de pesca

Sousa, Pedro Vilela, José Calado, Márcio Gaio, Luis Almeida, Carlos Costa, Márcio Rafael, José Duarte o Gonçalo Durães. Os primeiros seis elementos da comitiva foram seleccionados antecipadamente por mim como

pescadores, para poderem preparar o respectivo material a ser transportado. Deslocamos igualmente todo o material necessário para confeccionar as refeições diárias como alimentos, mesas, utensílios, etc…


José Calado

cedo conclui que os pesqueiros revelavam grandes diferenças

António Marques com o resultado de um bom treino

sem comer não há forças para a pescaria! Ficámos instalados num Parque de Campismo magnífico, com óptimas condições, localizado dentro do próprio complexo da pista de remo, acertamos no aluguer efectuado no mês de Janeiro… estávamos a cerca de 500 metros da pista.

de Somme VDE Preta e Castanha clara, de excelente qualidade. A cor mais utilizada foi a cor escura para tornar as misturas de engodos mais escuras. Quanto aos iscos usamos o tradicional para estes locais, Foullies, Vers de Vase, Pinkies, Asticot, Casters e Minhocas.

Engodos e Iscos

Os treinos foram realizados duran-

Os engodos seleccionados para o local, foram comprados atempadamente, infelizmente tudo o que foi escolhido não se perspectivava que tivesse qualquer tipo de utilidade para o novo local, passamos de uma perspectiva de correntes fortes para uma realidade de águas paradas, passamos de “gardons” para “carpas” e “bremetes”, enfim, dinheiro deitado fora… mas apesar do contratempo tudo se arranjou e nada faltou ao TeamVega nesta prova. A ideia inicial transmitida pela organização era a de uma enorme presença de “gardons” e algumas “carpas”, no sábado e domingo anterior aos treinos passou a muitas “carpas” e muitos “gardons” e durante os treinos a algumas “carpas”, alguns “gardons” e algumas “bremetes”… enfim o normal em Campeonatos do Mundo, só depois de se começar a pescar é que se pode ter uma ideia concreta das espécies e respectivas quantidades. Em termos de engodos optámos por utilizar 2 misturas distintas, para Gardons: “Sensas Gros Gardons”, “Sensas Etang”, Cânhamo torrado moído e “Sensas Epiciene”, e para Carpas: “Sensas 3000 Carpas” e “Sensas Etang”. Em todas as misturas utilizamos Terra

Treinos

te 5 dias, percorrendo os diversos sectores, não foi fácil definir a táctica, cada mudança de local fez com que encontrássemos novas dificuldades e a questionarmo-nos sobre quais as melhores opções, tornou-se difícil seleccionar as opções para a prova, neste ponto foi um Campeonato muito difícil, pelo menos para nós, isto apesar da nossa experiência. Conseguimos na 5ª Feira, antes

da prova, optar pela nossa melhor táctica, e conseguimos graças aos treinos verificar as principais diferenças em cada sector para podermos preparar a prova da maneira mais adequada. Foi possível verificar a existência de enormes desigualdades nos pesqueiros durante os treinos, na mesma box diariamente os índices de capturas variaram muito, nalguns casos com pescas miseráveis

e ao lado boas quantidades de peixe (diferentes espécies). Ao mesmo tempo que os 6 pescadores “oficiais” treinavam, os restantes elementos tinham o duro trabalho de “espiar” as diferentes equipas presentes no local, trabalho este igualmente muito importante, permitia-nos verificar o que se passava nas respectivas zonas de pesca e principalmente “beber” alguma sabedoria dos

Augusto Sousa e Pedro Vilelas mostram as espécies que mais abundam na pista de remo da cidade polaca de Poznan

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> Competição Márcio Gaio

com uma boa captura

respectivos treinos. A nossa aposta direccionou-se para a Polónia, Hungria e Itália, equipas fortes e grandes candidatas a um lugar no pódio. Foi igualmente visível, diariamente, a presença de “espiões” junto à nossa box, sinal de respeito pelo que poderíamos fazer neste campeonato. Assim, após a captura de Carpas, Bremetes, Gardons e Percas decidimos o seguinte:

Carpas nos números 18, 16 e 14.

- Não pescar à Inglesa, o vento forte não permitia as melhores condições; - Utilizar engodo claro com mistura a 50% para o fundo (engodagem inicial); - Utilizar terra de somme clara com 10% de engodo para o rappel de superfície (bremetes); - Não utilizar minhocas, aumentando os casters e pinkies; - Pesca inicial no fundo, mantendo até se verificar a existência de peixe no pesqueiro; - Pesca de rappel constante após o pesqueiro de fundo secar ou caso nos primeiros 30/60 minutos o peixe não respondesse a engodagem inicial de fundo; - Fisgar pinkies.

Abertura

Ao nível das montagens decidimos utilizar bóias de 0,40 a 2gr, montadas em fio 0,14 (peixe pequeno) e 0,18/0,20 (carpas), terminais desde 0,08 a 0,18. Anzóis tipo B512 e Sensas 3405 para os peixes mais pequenos e Tubertini 801/808 e Milo T143 para as

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As montagens utilizadas para as Carpas basearam-se no tipo italiana progressiva e para os restantes casos a típica da nossa pesca de bogas, um maciço e 1 a 3 chumbos de toque distribuídos por partes iguais. Quanto a elásticos optamos por Látex/siliconados 0,08 a 1mm e ocos de 1.8 e 2.1 mm.

A equipa do TeamVega

na abertura do Campeonato do Mundo de Clubes

O evento de abertura foi fabuloso, a água foi o palco do transporte das diferentes bandeiras nacionais utilizando motas de água. Assistiram-se igualmente a alguns momentos de prazer com música, coreografias com grupos de dança e comediantes. Seguiu-se um beberete oferecido pela organização. A Polónia soube receber!

Prova Oficial, Sábado

Realizou-se na sexta-feira o sorteio dos sectores para Sábado, e

no sábado pela manhã no sorteio de pesqueiros, ficou assim ordenada a sorte:

Sector A / 7 Pedro Vilela Sector B / 1 Márcio Gaio Sector C / 9

Augusto Sousa

Sector D / 16

António Marques

Sector E / 22

José Calado

Jornal da Pesca > Julho 2010

A vontade de realizar um bom resultado era visível em toda a comitiva, identificados com a pesca e com as dificuldades que poderiam aparecer e como as contornar. O sorteio dos pesqueiros não nos causou qualquer problema de início, estávamos preparados para qualquer zona. A pesca foi iniciada com uma engodagem de cerca de 10 a 15 bolas de engodo e coupelles com terra e foullies/vers de vase, asticot colado e milho. A opção de pesca de fundo não foi frutífera para Portugal, à ex-

cepção do António Marques, nos restantes 4 sectores revelou-se uma má opção, sem resultados. Nesta situação passamos ao plano”B”, engodagem de rappel constante para “activar” o pesqueiro e chamar ao mesmo as bremetes. Não foi uma solução com “frutos” suficientes para as nossas necessidades, foi necessário alternar nas duas pesca (fundo e meia-água) na tentativa de obter o melhor resultado, que começamos a verificar a meio da prova não ser o melhor. Dava espectáculo o António Mar-


A comitiva portuguesa que esteve presente no Campeonato do Mundo de Clubes na Polónia

ques na ponta do sub-sector D, pesqueiro 16, com uma enorme quantidade de carpas capturadas, totalizou 21Kg, o peso máximo da competição. Igualmente com uma prova espectacular esteve o Pedro Vilela com um 2º lugar no Sector A, numa zona muito difícil, com uma pesca de percas, geremias e tridentes (peixe muito esquisito). Nos restantes sectores, Augusto Sousa 8º num pesqueiro difícil sem peixe, eu 9º no meio do sub-sector, com uma 1ª hora péssima, e uma recuperação à base de bremetes com a engodagem de rappel e pelo meio uma carpa e uma breme.

O Márcio Gaio, 15º, sem peixe de princípio ao fim, sem hipóteses de um bom resultado. Resultado ao fim do 1º dia, 11º Lugar, com 35 pontos. Decidi não alterar a equipa, apesar do resultado menos conseguido, a aposta era recuperar lugares, o máximo possível. Entendi como Capitão manter a táctica trocando simplesmente a cor do engodo, em vez de cor clara, optei pela cor escura, segui a opção da maioria dos restantes países, sem alterar a mistura. Opção correcta? Só no fim era possível obter uma resposta, mas algo tinha que ser alterado…

Prova Oficial, Domingo

O novo sorteio ditou a seguinte ordem:

Sector A / 4

Mantendo-se a táctica, bom resultado para o Márcio, com uma pesca de 130 peixes ao kit (muitos tridentes)!!!

António Marques

Sector B / 13 Pedro Vilela Sector C / 26 Márcio Gaio Sector D / 28

Augusto Sousa

Sector E / 29

José Calado

Os restantes com lugares médios, António Marques (7º), Augusto Sousa (6º), Pedro Vilela (9º) e no meu caso um 11º lugar, no pesqueiro 29, ganhou o 31 (Itália) e 2º a Eslováquia no 30… tive 2 carpas ferradas que deixei fugir… ossos do ofício, um péssimo resultado. Destaque para o Augusto Sousa que teve ferrado “um bicho” que com a cana levantada aos 13m a força era tal que o cone rasgou e partiu o 3º elemento ficando só a parte inferior do cone e 10 cm do elemento… No final recuperamos alguns lugares, conseguimos o Top Ten, 9º com 72 pontos no total!

Encerramento

Realizou-se num Hotel no Centro da Cidade e ao contrário do costume, comeu-se razoavelmente bem, faltou alguma animação.

O Melhor

O convívio; A entre-ajuda; A máquina de café (português); A nova Cana Team Vega Mondial 3000, excelente, robusta, sem medo de qualquer peixe… As Polacas, como as novas canas, topos de gama… O gato do parque que ainda hoje deve andar empanturrado com os pequenos-almoços; O centro da cidade de Poznan.

O Pior

As melgas; A péssima limpeza dos pesqueiros, com ervas constantes; O resultado; As viagens… cansativas.

Conclusão

Ficarão sempre para a história os 3 primeiros classificados, foram eles a França, Rússia e Itália e depois os restantes 29. O Team Vega classificou-se num honroso 9º lugar, o possível mas não o desejado, soube-nos a pouco tendo em conta a nossa experiência, valor e tempo de treinos, mas saímos de cabeça erguida. Se nos perguntarem se ficamos satisfeitos, não, queremos sempre melhor e Portugal merece sempre o melhor de quem os representa, tentaremos fazer melhor no futuro caso sejamos merecedores de voltar a estar presentes… para isso é preciso pescar e ganhar! Boa Sorte a todos os Clubes para o Campeonato de 2010… A Sérvia espera pelo vencedor. jP

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Jornal da Pesca Nº3  

Edição de Julho de 2010