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CIDADANIA

COOPERA CIC apresenta projetos e a nova diretoria

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JUSTIÇA

Quais as diferenças entre união estável e casamento?

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ESPORTE

Vila Sete de Setembro tem aulas de capoeira com Mestre Jean

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Curitiba, novembro de 2017

JORNAL DA CI️C

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CONTEÚDO/INOVAÇÃO/CIDADANIA

UPA da CIC deve voltar a funcionar ainda esse ano SEGURANÇA

Com capacidade para 50, há 170 presos no 11º DP

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POLÍTICA

“Qualquer divergência simples agora é polêmica- que porre”

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Página CULTURA

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Paulo Auma, artista visual, é a alma das ruas da CIC


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Jornal da CIC Novembro 2017

CIDADANIA

COOPERA CIC: porta-voz da comunidade Por Larissa Santin

Entidade oferecerá cursos, workshops e outros atentidmentos à população

O Coopera CIC é uma organização social que busca soluções para os problemas do bairro. No passadoatuava com outro nome, com menos voluntários e recursos. Hoje, com a nova diretoria, o Coopera CIC ganha corpo e apresenta a nova proposta de trabalho, mais organizada e estratégica. Cada membro desempenha uma função específica, que vão desde apoio pedagógico a aulas de capoeira. Segundo um dos organizadores, Alex Otto, o Coopera CIC deve atuar como uma rede que busca parceiros e amplia cada vez mais o alcance das ações. “Já formamos diversas parcerias importantes, com a Paróquia Nossa Senhora da Luz, o Território do Sol, Circo Ótico, com a galera do Anima CIC, o grupo de capoeira Lenço de Seda, a parte de comunicação temos apoio de jornalistas e também contamos com os pedagogos envolvidos com a abordagem Waldorf. Estamos com um grupo muito bom, tem tudo para frutificar”, afirma Alex em tom animado.

Coopera CIC no Santuário São Leopoldo (15 de novembro) apresentando a nova diretoria

O objetivo maior do grupo, segundo os organizadores, é promover cursos, workshops e atendimentos diversos à população. Para que isso ocorra, o Coopera CIC necessita de um espaço físico para desenvolver as ações. O prédio que foi cedido na década de 1980 à Associação Itamaraty (onde funcionava a antiga Guarda Mirim) está fechado atualmente, o que

o torna uma excelente opção para a organização social que já vem pleiteando, junto à Regional da CIC, o uso do espaço. “De 2000 pra cá o espaço está completamente abandonado. E é um ótimo espaço, tem diversas salas onde podemos implementar os cursos e dar vida novamente ao local. Pra isso precisamos do apoio da comunidade”, finaliza o líder comunitário.

Prefeitura divulga programação do “Luz dos Pinhais: Natal de Curitiba” Com o tema Luz dos Pinhais: Na-

tal de Curitiba, a temporada natalina na capital paranaense terá espetáculos, apresentações e atividades diárias e gratuitas. A programação começa nesta quarta-feira (22/11) e vai até 24 de dezembro. A decoração especial vai embelezar a cidade até 6 de janeiro. O Natal é um momento importante para o fomento do turismo local, disse o prefeito Rafael Greca, na apresentação da programação de Natal para imprensa e influenciadores digitais nesta terça-feira (21/11), no Salão Brasil da Prefeitura. “Nada me traz mais alegria do que a fotografia que eu vi ontem à noite que mostrou o centro de Curitiba com o calçadão limpo, a árvore de Natal iluminada e os lampadários republicanos com luz amarela para permitir que as Estrelas de Belém brilhem azuis”, afirmou Greca. A celebração começa nesta quarta-feira (22/11), às 20h, com a Proclamação do Natal, uma solenidade ao ar

livre, no Centro Histórico, em que os sinos tocarão e “anjos” anunciarão a chegada do espírito natalino. O público também verá apresentações de danças étnicas, do Coral Thalia e da Banda Musical da Caximba, além de uma feira de artesanato e gastronomia. Também nesta quarta, todas as árvores de Natal das dez regionais da cidade serão iluminadas simultaneamente, às 19h. Nos dias seguintes, apresentações musicais ocuparão diversos pontos na cidade, em todas as regionais. As calçadas do Centro Histórico e da Rua XV de Novembro serão os núcleos das festividades durante o mês do Natal. Confira aqui a programação completa do Luz dos Pinhais: Natal de Curitiba

Azul, um presépio iluminado celebrará o nascimento de Jesus. O Jardim Botânico, por sua vez terá decoração especial, com a iluminação da Estufa e da Árvore da Vida, composta por flores vermelhas. A Árvore da Vida também poderá ser vista na Rua XV de Novembro. Composta por sálvias vermelhas e com iluminação especial a árvore vai compor o cenário do centro. Em frente aos imóveis históricos da cidade, uma brilhante estrela iluminará a memória da cidade. O Memorial de Curitiba terá uma árvore especial e será decorado com temas natalinos e referências às etnias que formaram Curitiba. A decoração também terá flâmulas nas cores – verde e vermelho - do Natal na Igreja do Rosário, no Solar do Decoração Rosário, na Igreja Presbiteriana Independente, no Palacete Wolf, na Cin A decoração estará presente nos emateca, na Catedral de Curitiba, na parques Barigui eTanguá, que receberão ár- Capela Santa Maria, no Mercado Municvores iluminadas de Natal. No parque Lago ipal e nas Ruas da Cidadania e Regionais.


03 JUSTIÇA

União estável ou casamento? O grupo jurídico Direito Familiar esclarece as diferenças Colaborou: Arethusa Baroni, Flávia Kirilos e Laura Roncaglio Advogadas - publicam artigos em @DireitoFamiliar

A união estável tem se tornado cada

vez mais comum atualmente e não são poucas as vezes que escutamos “Ah, união estável é igual casamento.” Mas será que é isso mesmo? Pois bem, quando duas pessoas resolvem morar juntas, é comum ouvirmos que elas estão “casadas”, ainda que não tenham formalizado a situação “no papel”. Mas é importante deixar claro que há grande diferença entre morar junto e estar casado. Primeiro, porque o simples “morar junto” não significa que exista uma união estável. Segundo, porque união estável e casamento, embora aparentemente semelhantes, são dois institutos que possuem diferenças significativas – até porque, se fossem a mesma coisa, a união estável deixaria de existir e só teríamos o casamento.

Diferenças quanto à formalização: No casamento: O casamento é um ato que exige certa formalidade, visto que para que seja realizado existe todo um procedimento a ser seguido. O casal precisa passar pelo processo de habilitação do casamento junto ao cartório, onde serão analisados documentos, será dada publicidade ao ato através de publicação de editais, para que terceiras pessoas fiquem sabendo sobre a intenção do casal e, se for o caso, possam manifestar-se contrários ao casamento por conhecer alguma causa que os impeçam de casar. Ainda, o casal deverá apresentar duas testemunhas e ter o casamento celebrado por um Juiz de paz, para que ele se realize efetivamente e passe a surtir seus efeitos. Na união estável: Ao contrário do casamento, que se inicia de acordo com a data da celebração contida na certidão, a união estável não necessita dessas formalidades para sua constituição. Não há necessidade do pedido de habilitação junto ao cartório, ou de apresentação de documentos, como acontece no casamento. Apesar disso, aqueles que pretendem estipular a data do início da união podem comparecer em cartório para a realização de uma escritura pública, caso seja de seu interesse. Vale ressaltar, porém, que a ausência de escritura pública não impedirá o reconhecimento da união por meio de uma ação judicial. Em decorrência da ausência de celebração como a que acontece no casamento e da não obrigatoriedade da escritura pública, a identificação da união estável pode ser mais difícil do que a do matrimônio.

Diferenças quanto aos regimes de bens: Na união estável: Na união estável, a lei não Tanto para o casamento, quanto para a união estável, as opções de regimes de bens são as mesmas. Desta forma, tanto no casamento quanto na união estável o casal pode escolher o regime de bens (separação total, comunhão universal, ou alguma outra forma que lhes convir). Quando o regime escolhido não for o da comunhão parcial de bens, no casamento deverá ser realizado o pacto antenupcial enquanto na união estável basta a declaração do casal. Quando não houver menção ao regime de bens (ou então quando só houver a formalização da união estável quando ela for dissolvida), o regime aplicado será o da comunhão parcial de bens. No entanto, embora sejam iguais no que diz respeito às opções de regimes de bens, os efeitos que cada regime patrimonial gera são diferentes em relação ao casamento e a união estável. A partilha de bens ocorre de forma diferente para cada situação. A discussão sobre esta questão é muito mais complexa, por isso merece uma abordagem especial e, portanto, explicaremos melhor estas diferenças em posts específicos.

Diferenças quanto à adoção do sobrenome do outro e estado civil

prevê a possibilidade de adotar o sobrenome do companheiro. Esta inclusão só poderá acontecer no caso de conversão da união em casamento. Quanto ao estado civil, permanecerá como solteiro. Embora os casais que tenham união estável identifiquem-se como companheiros, a legislação ainda não prevê este termo como sendo um estado civil.

Diferenças quanto à dissolução: No casamento: Para o desfazimento do vínculo matrimonial (casamento), o casal pode comparecer diretamente em um cartório (desde que não tenha filhos menores de idade e estejam ambos os cônjuges de acordo com os termos divórcio) ou realizar o divórcio por meio de ação judicial. Na união estável: A declaração acerca do fim da união estável, poderá ser feita da mesma forma como ela foi formalizada: extrajudicial ou judicialmente. No entanto, alguns pontos devem ser observados para que seja definida qual das duas vias será utilizada, como por exemplo: a existência, ou não, de acordo entre as partes e a existência, ou não, de filhos menores.

No casamento: Quando duas pessoas Saiba mais em: se casam, uma pode adotar o sobrenome da outra e o estado civil de ambas www.direitofamiliar.com.br deixa de ser solteiro, e passa a ser casado. @DireitoFamiliar


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Jornal da CIC

Novembro 2017

ESPORTE

Artes marciais auxiliam no combate à violência Elas ajudam o praticante a ter mais consciência sobre si e seus atos, reduzindo atitudes violentas Colaborou Jean Sirigate Professor de Kung Fu, Tai Chi Chuan e Terapeuta Marcial

As Artes Marciais, principalmente

quando se trata das de linhagem oriental, são milenares. Durante milhares de anos, gerações e gerações de guerreiros foram criando e lapidando formas de se prostrar em combate, e desenvolvendo estratégias de manutenção da paz dentro e fora de si mesmos. Se engana quem pensa que Arte Marcial é arte da guerra. Na verdade, o ideograma chinês que representa arte marcial mostra armas sendo contidas, num símbolo de que verdadeiramente arte marcial significa “Arte da Não-Guerra, ou do Não-Guerrear”. Na prática do Kung Fu, por exemplo, o praticante começa a aprender a lidar com sua própria fúria, sabendo direcioná-la de forma correta com base em virtudes como humildade, respeito e auto-controle. A luta em si, é apenas um estágio em que é necessário agir de forma firme para conter um ato violento de outrem, mas sempre buscando a Paz como ideal. Aquele que pratica arte marcial aprende que não deve ser submisso diante de atitudes

violentas contra si, mas também aprende que a melhor forma de conter a violência na sociedade é começar dentro de si mesmo, pacificando seu interior. É aí que entra a meditação, uma forma de olhar para dentro e ver como estão os próprios pensamentos e emoções, e saber se eles são voltados à guerra ou à paz. Tendo pacificado seu interior, o guerreiro pode lutar para pacificar o meio em que vive de forma mais efetiva. Ele saberá como lidar com situações de violência da forma mais nobre e maestral possível, sempre buscando o mínimo de efeitos colaterais para todos. Sendo cada dia melhor lutador, o praticante será cada dia mais mestre de si mesmo e levará para os outros as virtudes que aprendeu, entendendo que a luta é apenas um treinamento para a paz. Como diz o ditado: “Quanto mais forte você for, mais gentil você será”.

“Tendo pacificado seu interior, o guerreiro pode lutar para pacificar o meio em que vive de forma mais efetiva.”

Abre ala: vai ter jogo de Angola Por Larissa Santin

Mestre Jean atua há 3 anos na Associação de Moradores da Vila Sete de Setembro

O mestre Jean Taruira leciona ca-

poeira há mais de 20 anos em diversas escolas da região, e há três anos vem desenvolvendo um trabalho social no espaço da Associação de Moradores da Vila Sete de Setembro, que hoje conta com aproximadamente 40 alunos. “Queremos formar o ser humano completo, não só ensinar artes marciais. Tirar as crianças da marginalidade e ensinar novos conceitos. Na capoeira de Angola você não joga contra o outro, você joga com o outro”, afirma Taruira, que carrega com orgulho o apelido carinhoso herdado da capoeira. O grupo de Jean, a Lenço de Seda (fundada pelo mestre Reginaldo Véi) tem a proposta de ensinar a capoeira de Angola, considerada a mãe das modalidades da luta, de forma integral. Ou seja, abrangendo os aspectos físico, emocional e espiritual.

“A capoeira é um jogo de corpo e mente. Não precisa ser forte, tem que ser inteligente.” Jean Taruira, mestre de capoeira A parte física é desenvolvida nas aulas semanais realizadas na associação. A parte emocional e espiritual são estimuladas em passeios ao Recanto Lenço de Seda, onde são ministradas palestras, realizados debates e práticas. “Lá podemos trabalhar o lado terapêutico da capoeira, ensinar o valor das tradições, e nada melhor do que fazer isso no meio da natureza”, salienta o mestre.

Roda de capoeira do grupo Lenço de Seda

Serviço Matrículas: gratuitas no local (procurar Angélica) Local: Associação de Moradores da Vila Sete de Setembro Quando: 3ª e 5ª das 19 às 20:30h


05 SUSTENTABILIDADE

Moradores da CIC recebem certificados do curso Gastronomia Sustentável Via Prefeitura Municipal de Curitiba FotoS: Ricardo Marajó/FAS

Dezessete alunos do projeto Gastronomia Sustentável promovido pela Electrolux e que tem a Fundação de Ação Social (FAS) como um dos parceiros, receberam os certificados de conclusão do curso nesta segunda-feira (13/11). A formatura aconteceu na associação Eletrolux, na Cidade Industrial de Curitiba, onde foi montada a cozinha especial para as aulas. A solenidade contou com a presença de representantes da Eletrolux, da FAS e dos professores, todos renomados chefs de cozinha da cidade, além da embaixadora do projeto, a chef Morena Leite. Graziela Regina Ferreira dos Santos, 34 anos, moradora da Vila Verde, foi uma das alunas dessa primeira turma do curso, ofertado gratuitamente para pessoas que vivem no entorno da Eletrolux, principalmente aquelas que vivem em situação de vulnerabilidade social. Desempregada há dois anos, ela faz planos de reabrir um quiosque de lanches no terreno onde mora com os pais, usando os conhecimentos que recebeu. “Este curso veio em boa hora, gosto de cozinhar e de ter contato com o público. Quero reconquistar minha clientela e ganhar dinheiro para criar minhas filhas e ajudar meus pais”, contou. A presidente da FAS, Elenice Malzoni, lembrou que a qualificação profissional da população, principalmente aquela acompanhada pela FAS, é

uma das prioridades do prefeito Rafael Greca. “Todos ganham com projetos sociais como o Gastronomia Sustentável, a Eletrolux, a Prefeitura, mas principalmente os alunos que saem daqui capacitados para ter um emprego, uma renda e poder fazer planos para o futuro”, disse.

terpessoal, segurança e timidez, autoconhecimento e motivação, concentração e conhecimento, comunicação no ambiente de trabalho, criatividade, inovação e planejamento na busca do primeiro emprego.

Formandos

O Gastronomia Sustentável é um projeto social da Electrolux e está associado ao For the Better, um dos compromissos globais da companhia, multinacional sueca fabricante de eletrodomésticos. “Nosso objetivo é transformar a vida das pessoas nas comunidades onde elas estão inseridas”, explicou o vice-presidente de Recursos Humanos da Eletrolux, Valmir Buscarioli. Além disso, o projeto visa minimizar o desperdício de alimentos já que, segundo pesquisa, o Brasil perde 40 mil toneladas de alimentos por ano. Segundo Buscarioli, a empresa promoverá o curso para mais três turmas, que capacitarão aproximadamente 70 pessoas, em Curitiba. Depois da experiência, o curso será levado para outros países, como Argentina e Chile. O projeto é subsidiado pela Food Foundation, instituição global da Electrolux que apoia iniciativas locais voltadas à sustentabilidade. Além da FAS, a iniciativa tem como parceiros a Aiesec, Sodexo, Instituto Stop Hunger e Worlds Chef.

Os formandos fazem parte da primeira turma do projeto Gastronomia Sustentável, que teve início em setembro. A maioria deles foi indicada pela FAS por ser acompanhada nos Centros de Referência da Assistência Social (Cras), unidades que fazem parte da rede municipal que atende pessoas em situação de vulnerabilidade social. Durante 12 semanas, o grupo participou de aulas teóricas e práticas de panificação, confeitaria e cozinha fria. Na grade estiveram ainda temas relacionados à higiene, comida saudável, sustentabilidade e empreendedorismo, tudo voltado para o aproveitamento quase total dos alimentos utilizados. Antes do início do curso, os alunos passaram por uma preparação de três semanas. Eles foram sensibilizados pelos Cras para participar do projeto e quem se interessou pelo curso fez oficinas do programa Mobiliza, coordenado pela FAS. Nessa fase, o grupo recebeu informações sobre relacionamento in-

Projeto


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Jornal da CIC Novembro 2017

SEGURANÇA

Com capacidade para 50, há 170 presos no anexo do 11º DP Por questões de segurança a delegacia só funciona em horário comercial, prejudicando a população Por Larissa Santin

Até agosto de 2017, o 11º Distrito

Policial (Cidade Industrial) funcionava também como cadeia pública. Os agentes de segurança desempenhavam o trabalho de carcereiros e outros proce dimentos de praxe, voltados à questão dos detentos, fato este que minimizava as oportunidades de ações de atendimento à população, investigação e combate ostensivo ao crime na região. A cadeia, que fazia parte do 11º Distrito Policial, estava desativada por determinação judicial, porém, foi revogada a resolução. O delegado Rinaldo Ivanike afirma que ainda está em discussão e há a possibilidade de entrar com recursos. Para o delegado, o maior problema é não poder realizar boletins de ocorrência depois das 18 horas, fins de semana e feriados, mesmo com o presídio funcionando no anexo, por questões de segurança.

“Se não tivesse presos a delegacia ficaria aberta 24 horas” Rinaldo Ivanike, delegado

Hoje, os presos não são mais de responsabilidade do 11º DP e sim da DEPEN, sob a guarda do delegado Fábio Machado, também responsável pelo 1º Distrito Policial (Centro). Na prática, não mudou muita coisa: foi levantada uma parede que dava acesso da delegacia direto ao cárcere, tornando então, na teoria, os dois espaços distintos, porém atuando no mesmo terreno. A ideia original, segundo Ivanike, era transformar o espaço em um presídio e transferir o 11º DP para outro local, ou transferir os presos para penitenciárias, mas não há vagas. “Os presos ficam no Centro de Triagem da Polícia Civil. O preso aqui é provisório, depois é encaminhado para a penitenciária. Mas não acontece, não vai. Então vão ficando por aqui”, relata o delegado do Distrito Policial da CIC. O espaço tem capacidade para receber 50 pessoas, no entanto, atualmente há cerca de 170 presos provisórios que aguardam a transferência para o sistema penitenciário, e que muitas

vezes acabam ficando nas celas da delegacia por tempo indeterminado, em péssimas condições de vida. Problemas e rebeliões em outros centros de triagem da capital também somam para a superlotação do local. Um exemplo recente é a rebelião no 8º DP (Portão), que resultou na transferência de 40 presos para a Cidade Industrial, segundo o investigador da Polícia Civil, Henrique Lima. Embora o espaço esteja separado, e os policiais civis não estejam mais ligados diretamente a cadeia, algumas etapas do trabalho com os presos escorrem para as mãos dos policias do 11º DP, como atendimento às famílias, situações de crise e encaminhamentos, justamente pela divisão do mesmo espaço físico. A localização do presídio também é um fator de debate: localizado no perímetro urbano, causa bastante preocupação aos moradores da região, que temem fugas e rebeliões. Para Paulo Oliveira Costa, microempreendedor, o maior desconforto é saber que a delegacia está fechada depois das 18 horas, tendo que recorrer, quando necessário, a dele gacia do bairro Portão. “Muitas pessoas não tem condição de se descolar até lá e acaba não fazendo o boletim de ocorrência. Seria muito bom se tivesse um sistema eletrônico para o 11º DP, para o pessoal da região utilizar depois do horário comercial. O B.O eletrônico não funciona para todos os casos”, afirma Paulo. Para o advogado criminalista Iuri Machado, o fato de a cadeia pública do 11º Distrito Policial ter sido reaberta (ainda que de forma dissimulada, sob administração do depen) demonstra o completo descaso que o governo do estado tem para com os servidores públicos, a população local e os presos. Os primeiros porque têm de trabalhar em condições completamente insalubres, com material escasso, sacrificando procedimentos de segurança da própria unidade e desviando policiais de suas funções investigativas, as quais são essenciais para que o direito penal cumpra suas finalidades preventivas. Quanto à população, há de se destacar que vivem na expectativa de quando poderá ocorrer a próxima rebelião, a próxima fuga ou mesmo resgate de presos. Todos estes fatores geram estresse e receio com

relação às suas vidas. Já os presos estão largados como se fossem animais, revezando-se para dormir, sem alimentação, higiene ou pátio de sol. Todos os direitos (e obrigações) são ignorados. O advogado também propõe um breve questionamento: “como queremos que os detentos saiam de lá? Piores do que entraram? Será que nossos impostos devem ser pagos para piorar a pessoa que já está marginalizada?” “É imperioso que o governo e que o poder judiciário tomem providências para diminuir a quantidade de presos da cadeia pública para sua capacidade. Presos que estão em delegacias devem permanecer lá, tão só, pelo tempo necessário às investigações. Depois disso, devem ser encaminhados ao sistema penitenciário”, finaliza o criminalista.

“Com a divisão já melhorou muito, antes não dava para atender a comunidade, cuidar dos presos e fazer tudo que precisava. Mas o ideal, e que seria bom pra todo mundo, era tirar eles daqui. Para população não mudou nada. E ainda tem um presídio do lado de casa” Henrique Lima, investigador


Reduzir a produção de resíduos e pensar em como reutilizá-los é muito importante. Mas, quando chega a hora de descartar o lixo, é essencial saber separar. Olha só:

LIXO COMUM

LIXO TÓXICO

• restos de comida

• pilhas e baterias

• cascas de frutas e vegetais

• toner de impressão

• papel higiênico • papel toalha • guardanapos

LIXO QUE NÃO É LIXO • papel • papelão • plástico • metal

• embalagens de inseticidas • tintas • medicamentos vencidos • lâmpadas fluorescentes • óleos de origem animal e vegetal

(acondicionados em garrafas PET de 2 litros)

Acesse www.curitiba.pr.gov.br e confira o calendário da coleta do lixo na sua casa, e também como e onde descartar o lixo tóxico.


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Jornal da CIC Novembro 2017

POLÍTICA

Muito bonzinho até que... Colaborou Vinícius Sgarbe Jornalista - publica no Brasil e exterior

Fotomontagem: Elton Luiz Valente

Ouço

dizer de um “brasileiro cordial” que é uma maldição na Terra. Aprofundar-se nessa conversa requer leituras atentas dos nacionais da sociologia – mas, francamente, pode ser um exame inútil, especialmente se confirmada a hipótese de que somos um povo bunda-mole. Longe de mim afracar a honra da leitura, imagina, quem sou eu. Estudar nunca é demais, mesmo que todos os assuntos polêmicos da última hora estejam envelhecidos, em rolos de papel, há mais de dois mil anos. E que, apesar de conscientes da importância do estudo desde pequenininhos, opinemos sobre assuntos que não temos a menor ideia. “Recebi no WhatsApp. Vi no Facebook. O padre disse”. Mas, cordialmente, deixa para lá. Vai comprar problema à toa. Racismo, sexismo, a perversa alma que se revela na venda do voto. Deixa para lá. Eles resolvem. São malas de soluções. Eu tinha 18 anos e frequentava a terapia porque a questão dos dinossauros era importante naquela época. “Como que pode, alguém duvidar que esses animais existiram? Tem lógica, tem escavações, ossos”, eu defendia. Por aqueles dias, um pretenso pastor garantia aos crentes: “Os dinossauros morreram porque não cabiam na arca de Noé”. Parte do apetite pela vida que perdi foi ao saber dessa história. Isso que o texto é bom. Parece uma descrição do escritor latino García Márquez. Algo como um povo do pântano, que não tinha dentes e acreditava que os dinossauros morreram no dilúvio. Mas a iniciativa daquele pastor era muito malcriada. Pior ainda o povo que acreditava na bruxaria. “Se ele estiver mentindo, ele que se acerte com Deus”, pensam assim até hoje. O psicólogo, judiação, consolava-me: “Você não tem nada a ver com o problema dos dinossauros”. Um par de anos desde isso tudo, quando, subitamente, encontro-me adulto. Sou um homem conformado não somente com a hipótese mais improvável sobre a extinção de uma espécie mas também com a

“Qualquer divergência simples agora é “polêmica!”. Um gosta de azul, outro de verde, polêmica! Que porre” impossibilidade de debate. Não gosto de perder tempo e tampouco de sentir rejeição – mesmo quando digo de gente inclinada ao rancor – pessoas pelas quais não se deveria sentir qualquer tristeza na despedida. Inimigos de internet. Faz umas semanas, postei um texto polêmico (que palavrinha mais sem-vergonha essa, “polêmica”. Qualquer divergência simples agora é “polêmica!”. Um gosta de azul, outro de verde, polêmica! – que porre). E a polêmica daquela vez era sobre cuidados que adultos deveriam tomar para proteger crianças da sexualização precoce. Sugeri, fundamentado em dados das polícias e das pessoas que vivem para essa causa, que as atenções mais importantes ficassem nos ambientes aparentemente seguros – como as casas, as escolas e as igrejas. Poucas horas depois eu já tinha sido chamado de todos os piores nomes que conhecemos em 2017. O que eu tinha no-

ticiado eram recomendações adultas, realistas, éticas. Mas, falou-se uma palavrinha que deixou alguém morrendo de medo de perder a fé, perder a tábua moral de salvação, e estava liberado: eu podia ser ofendido publicamente como se eu não tivesse família, igreja ou conhecimento. É disto que tratamos aqui, da compaixão barata que escolhe quem vai enxovalhar na primeira oportunidade. Tem mais coisas que não se salvaram na arca, além da civilidade. A universidade que troca com o mercado, o empresário que desce do pedestal de pagador de impostos, o político que não defende o indefensável, o parente que não despreza o filho homossexual, a patroa que trata a empregada de igual para igual. Quando as chuvas pararam, Noé soltou uma ave e ela voltou com um bilhete no bico. Estava escrito: “Faça mais perguntas”, junto a um emoji de coração. Obrigado por essa conversa.


09 SAÚDE

UPA da CIC funcionará como projeto piloto A unidade deve voltar a funcionar ainda esse ano e será gerida por uma Organização Social

Foto: Valdecir Galor/SMCS

Fechada em novembro de 2016

para reformas, a UPA da CIC tem feito muita falta para a população do bairro. Atualmente a comunidade é obrigada a recorrer aos serviços disponíveis em outros bairros e, muitas vezes, dirigem-se aos postos de saúde da CIC, que não possuem a estrutura necessária para atender todo os casos, como situações de urgência e emergência, causando danos e stress para a população, bem como para os funcionários da saúde. Em fevereiro, o prefeito Rafael Greca visitou as obras e afirmou que esta será uma das maiores unidades de saúde de Curitiba, com 1.814 metros quadrados, oito consultórios e 18 leitos de internamento, podendo realizar cerca de 400 atendimentos por dia. A ideia inicial da Prefeitura era de reabrir a UPA em março de 2017, mas pasta alegou que não havia previsão orçamentária para o funcionamento

e a reabertura foi adiada. Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde, o custo mensal para o funcionamento da UPA da CIC é de 2,5 milhões de reais. Em audiência pública realizada na Câmara de Curitiba a secretária municipal de Saúde, Márcia Huçulak, afirmou que a UPA da CIC será gerida por uma Organização Social e que a reabertura será realizada ainda esse ano. A secretária defende a terceirização da UPA, alegando ser um modelo que se mostrou eficiente em outros estados, mas afirma que a unidade de atendimento funcionará como uma experiência e serão avaliados os resultados. Embora existam críticas ao modelo proposto, no momento são dadas duas opções: UPA pronta e fechada ou aberta e funcionando. Fica a critério da população.

No QR code abaixo você pode conferir o vídeo produzido pela Prefeitura, onde mostra qual é o local correto para buscar serviços de saúde dependendo da situação.


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Jornal da CIC Novembro 2017

CULTURA

O Auma das ruas

Colaborou Saulo Schmaedecke Jornalista e fotógrafo

Paulo Auma é um artista visual que recebe em casa a reportagem do Jornal da CIC às 16h de uma terça-feira. Enquanto a água ferve para o café conversamos sobre os caminhos da cultura no Brasil em 2017, discutimos a importância da arte urbana e quais as últimas preferências recreativas de Frederico, o alegre cão que insiste em agitar esta entrevista. Há 37 anos na CIC, tem o graffiti como um estilo de vida. Resgata memórias de quando tinha quatro anos e desenhava o boneco da vacina, o equivalente ao Zé Gotinha de hoje. Aos oito passou a ilustrar o Pato Donald nos cadernos do colégio: “a criançada ficava em volta, queria fazer amizade. Isso era legal, um pouco [de começar a desenhar] foi por causa disso. Tentar se escondere ao mesmotempo de se mostrar”. O primeiro emprego de Auma foi numa rede de lojas no setor de cartazes. Sua função era criar imagens comerciais dentro do processo industrial. Pintava painéis grandes que lhe renderam a noção de proporção. Quando trabalhava nessa empresa, estudou para o vestibular e passou. Professor formado pela Faculdade de Artes do Paraná, a FAP,

“É o que dizem: algumas crianças param de desenhar – as que não param, se tornam artistas” Paulo Auma, artista visual Paulo deu aula de desenho e pintura. Hoje faz parte do Circo Ótico – coletivo de artistas visuais locais inspirados pela Op Art, movimento artístico que explora as ilusões de ótica. As influências para o trabalho de Auma estão na art nouveau, em artistas como Alfons Mucha e GustavKlimt, assim como nos contemporâneos Jean Giraud, o “Moebius” e também James Jean (@JamesJeanArt).

fazer algo para fora do portão da casa. Auma também está nas calçadas do Dom Capone, no Colégio Professora Dirce, na Igreja da Vila, dentro do prédio da Administração Regional da CIC e na escada do Colégio Alcyone. No Largo da Ordem. Em Londrina. Em PortoAlegre. Auma está em São Paulo, Auma está no Itaquera, na Vila Madalena. Ivana Angélica, Adriano Bhora, o “Japem” e Claudemir Franco são alguns dos artistas que ajudaram Auma a colorir muros em Coyoacan, no México, na Palestina e em outras cidades do mundo. Comento sobre um painel do Colégio Estadual Eurides Brandão e Paulo dá uma aula sobre uma obra que ilustra trabalhadores da vila sentados e comendo enquanto a vila atrás está sendo construída: “essa vila que nós moramos tem mais de 100 anos de história!”, exclama entre as xícaras. Paulo aposta que a CIC vai ser a capital da cultura de Curitiba até 2020 (e a gente também). Como o próprio diz, “uso a pintura para resolver um problema, tornar concreta uma ideia que penso”. O artista reflete nas obras sobre a vida humana em sociedade com a natureza, confronta a ideia de fronteiras e desacredita no conceito de barreiras geográficas. Para Paulo, o planeta Terra ainda é apenas um. O Fantástico Circo Ótico – um pequeno espaço cultural destinado à produção e fruição artística, por meio de oficinas, experiências visuais e mini apresentações. Essas atividades apresentam técnicas de criação e construção de objetos que remetem à pré-história do Cinema, pesquisas científicas recentes que investigam efeitos óticos, como as de Akiyoshi Kitaoka, os princípios da OpArt e alguns de seus artistas representantes como Victor Vasarely, Mauritius Cornelius Escher e os brasileiros Abraham Palatinik e Luiz Sacilotto

Colírio urbano / “A rua é tua também” [conecte-se http://circootico.com.br/] As artes de Auma estão por todos os lados, é só prestar atenção. Em Curitiba tem Auma logo ao lado do terminal da CIC: o escadão foi pintado no final do ano com a ajuda dos moradores da região. Com o acesso à informação, ele alerta para o fato de que as pessoas estão descobrindo agora a possibilidade de

O Street of Styles é o encontro Internacional de Graffiti em Curitiba que reúne artistas de todo o Brasil e outros países desde 2012. É o momento em que a cidade ocupa o calendário e o espaço público com arte, além de campeonatos de dança de rua e skate [conecte-se http://streetofstyles.com]


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RELIGIÃO

Música e tambores animaram o Centro Histórico de Curitiba O evento é um dos mais importantes da programação do Mês da Consciência Negra Empolgados pelos tambores e pela música, os participantes da Festa do Rosário proporcionaram momentos de alegria e beleza neste domingo (19/11), no Centro Histórico da cidade. A cerimônia de lavação das escadarias aconteceu na Igreja de Nossa Senhora do Rosário de São Benedito e contou com a participação de representantes de diversas religiões como forma de manifestação contra intolerância religiosa. O evento é um dos mais importantes da programação do Mês da Consciência Negra. O assessor da Prefeitura de Curitiba para Promoção da Igualdade Racial, Adegmar da Silva Candiero, explicou que a festa é um convite dos representantes da Umbanda e do Candomblé pela celebração da paz. Mais da metade dos templos que sofrem pela intolerância são os das religiões de matriz africana, segundo Candiero. “Quando os negros foram trazidos para o Brasil, tentaram tirar nossa fé, mas não conseguiram. Da mesma forma agora, não vão calar nossas vozes e os nosso tambores”, afirmou. A primeira igreja do Rosário foi construída por escravos, em 1737, para que eles pudessem frequentá-la. Na época, era chama de Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito. “A festa curitibana se inspirou na lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim, em Salvador, mas depois se tornou uma referência para as comemorações em outras cidades”, explicou Candiero. A festa, disse Candiero, é uma das mais representativas manifestações em defesa da igualdade racial do sul do Brasil atualmente. O representante da Sociedade Internacional para Consciência Hare Krishna, Mara Prabhu afirmou que a limpeza das escadarias é uma simbologia para limpeza da alma em relação aos preconceitos. “Em essência somos todos iguais”, disse. Já o diretor do Instituto Brasileiro de Estudos Islâmicos do Paraná, Gamal Oumari, enalteceu a importância da celebração da Consciência Negra, assim como a luta contra toda forma de preconceito. “O islamismo também tem sido vítima da discriminação”, lembrou. O Secretário Financeiro Comunidade Nigeriana no Estado do Paraná,

Abiola Sulaimon Yusuf, morador de Curitiba há três anos, disse que a festa é uma forma de manter as tradições africanas. “Quando nossos irmão foram trazidos ao Brasil, parte da cultura foi perdida, mas fico feliz de ver que ela está viva”, comentou sorridente. Escadarias - Após a lavação das escadarias, a manifestação seguiu em cortejo com os Batuqueiros. O trajeto começou na Fonte da Memória (Praça Garibaldi) e seguiu até o marco do Pelourinho. O destino final foi o Memorial de Curitiba, onde o festival Vozes do

Sagrado reuniu corais de música sacra de diversas tradições religiosas. Artistas se reuniram em uma série de oficinas, shows, saraus, rodas, contação de histórias, instalações e lançamentos de livros. Estiveram representadas também a Igreja Católica através da Pastoral Afro, a religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, do Centro de Estudos Budistas Bodisatva, do Sufismo, da Ordem Rosa Cruz, da Comunidade Baha’i, da Igreja Messiânica, do Conselho Parlamentar pela Cultura de paz no Estado do Paraná, e da Secretaria Estadual de Educação.


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Jornal da CIC Novembro 2017

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Jornal da CIC #3  

Jornal da CIC #3 Edição de Novembro 2017

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